terça-feira, 15 de novembro de 2016

NATUREZA DO CONHECIMENTO ESPÍRITA

O Conhecimento Espírita transcende ao caráter puramente científico. Pela sua essência deságua numa estrutura de conhecimento filosófico que implica num redimensionamento da postura do sujeito com relação ao universo conhecido, objeto de suas reflexões.

Como forma de conhecimento o Espiritismo precisa acompanhar a posição da Ciência, e divide com ela fatias do seu objeto de pesquisa, já que na atualidade é tendência que o "elemento espiritual" possa fazer parte das conjecturas científicas, que deixam de ser estritamente "materiais".

Vale ressaltar que uma tendência à qual a Doutrina Espírita não está inclinada é a de estabelecer seus princípios como verdades incontestáveis. O Espiritismo, desde Kardec, reconhece seu caráter representativo e atualizável. É Kardec mesmo que propõe aos opositores do Espiritismo que expliquem melhor, isto é, com um modelo mais adequado o conjunto de fenômenos que o Espiritismo explica.

A estrutura da Doutrina Espírita é de origem humana e espiritual, já que é um conhecimento oriundo dos Espíritos, mas a sua representação, validação e sistematização são de caráter essencialmente humanos, confeccionados pelos homens. Por este mesmo motivo não está isenta de erros, inerentes à interpretação e representação das questões. A pedra de toque utilizada para a validação dos princípios, mais do que as ideias, são os fatos.

A postura espírita perante o Universo é bastante semelhante à postura das outras ciências: O Espiritismo, partindo de alguns pressupostos fundamentais, como a existência de Deus e da Alma, em observando fatos objetivos, compõe um modelo explicativo para o fenômeno e testa se o modelo é adequado aos fatos observados. Tal modelo é aceito até que a experimentação demonstre que ele está equivocado, então, outro modelo é proposto.

Enquanto ciência o Espiritismo interpreta um conjunto objetivo e restrito de fatos, para a partir das leis que estes demonstram, e que os homens interpretam, edificar um conjunto de conhecimentos filosóficos capazes de simbolizar o universo na ideia humana. Importante perceber que na elaboração da Filosofia Espírita entram não somente os dados da Ciência Espírita, mas de todo o conhecimento científico, daí o afirmar Kardec que a Ciência e o Espiritismo se completam. Com base nesta elaboração filosófica é que decorre, por uma necessidade de coerência entre teoria e prática, uma mudança de comportamento ético, decorrente da Filosofia Espírita. Para aquelas que se detém na ciência espírita, a mudança de comportamento é uma abstração carente de sentido pois somente o caráter filosófico do Espiritismo induz a uma nova postura ética. Daí o afirmar Kardec:

"Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso." 1

O aspecto religioso do Espiritismo ressalta dos seus pressupostos: Deus, existência da alma etc. E principalmente pelo caráter de revivescência da ética cristã, igualmente decorrente de sua filosofia. Além disso, a proposta de levar o homem a uma experiência existencial de auto-realização pelo progresso; pelo desenvolvimento dos potenciais intuitivos e pela comunhão e integração consigo, com o próximo e com Deus - que o Espiritismo propõem, caracterizam-no como uma religião transcendente aos ritos e dogmas.

O conhecimento espírita é um conhecimento de tríplice aspecto. Está fundamentado na Ciência, edifica-se na Filosofia e evidencia-se na prática. É a prática, coerente com a filosofia, o caráter fundamental da religião espírita. A religião espírita não se mostra no culto realizado no templo, mas como expressão de viver, como atividade prática, exercício de vida, na coerência entre saber e agir, um mecanismo profundo de sentir e experienciar a vida.

O não entendimento deste aspecto tríplice do Espiritismo tem levado alguns a posições extremadas e atitudes incoerentes com a essência da Doutrina Espírita. A tendência eminentemente religiosa ou a pura especulação filosófica ou ainda a fria pesquisa científica são aspectos isolados que não possuem a coerência que o Espiritismo lhes dá. A estrutura de conhecimento do Espiritismo é uma proposta de educação integral para personalidade humana.

Uma dimensão do conhecimento que não pode ser desprezada pelo Espiritismo é a Arte. Como mecanismo de conhecimento e vivência, a arte desperta realidades para a alma de maneira inexprimível em argumentos lógicos. Kardec preocupava-se com a questão. Encontramos em "Obras Póstumas" as seguintes afirmações a respeito do assunto:

"Assim como a arte cristã sucedeu à arte pagã, transformando-a, a arte espírita será o complemento e a transformação da arte cristã" 2

E complementa:

"Sem dúvida, o Espiritismo abre à arte um campo inteiramente novo, imenso e ainda inexplorado." 3

De fato, a opinião de Kardec vai até aí: esta profunda influência que o Espiritismo teria sobre a Arte. Sua opinião é de que a Filosofia Espírita erigiria uma Arte Espírita, mas como uma demonstração descritiva.

Entretanto, a simples preocupação com o caso, por parte do Codificador do Espiritismo, deixa-nos ainda mais à vontade para apontar a Arte como um dimensão extra para a Natureza do conhecimento espírita. Ciência, Filosofia, Religião e Arte seriam, pois, aspectos de percepção para tornar o Espírito educado para a realidade da vida.

A proposta de educação integral que o Espiritismo vem apresentar à humanidade pretende colocá-la no plano do desenvolvimento de todas as potencialidades para uma íntima integração do ser consigo, com o próximo e com Deus. Mas essa integração não é apenas de caráter racional; é também de conotação profundamente afetiva. 4



1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB. 56a. ed. Rio de Janeiro. 1982. p. 484.

2 KARDEC, Allan. Obras Póstumas. FEB. 22a. ed. Rio de Janeiro. 1987. p.158.

3 KARDEC, Allan. Obras Póstumas. FEB. 22a. ed. Rio de Janeiro. 1987. p.158.

4 Em Setembro de 1993, tivemos a oportunidade de trocar ideias com um companheiro das lides espíritas, o Dr. André Luiz Peixinho, que, na ocasião, nos apresentou a Arte como um elemento adicional à natureza do conhecimento espírita. Na época, o confrade nos apresentou o modelo, que reproduzimos abaixo, sobre as percepções do homem.


O esquema nos mostra que tipo de percepção predomina em cada ramo do conhecimento. O modelo parece ser uma proposta de concepção holística, proveniente da teoria do hólon de Arthur Koestler. Mas não nos foi dado identificar, efetivamente, a fonte.





André Henrique Siqueira





Fonte do Texto e da Gravura: do livro "A Revolução do Espírito"

RENÚNCIA DA AÇÃO E RENÚNCIA NA AÇÃO

Em cada um há uma combinação de Mayatatwa (princípio Ilusório) e Brahmatatwa (princípio Divino). Sem o princípio Ilusório, o Brahmatatwa não pode ser experimentado. Sem Brahmatatwa, o poder de maya não pode se manifestar. Na superfície do vasto oceano, inúmeras ondas são vistas. Deve haver uma força que cause estas ondas. É o poder do vento sobre a água do oceano que produz as ondas. Sem a força do vento não pode haver ondas. Maya pode ser comparada a este vento. A água no oceano pode ser comparada com a forma de Sat-Chit-Ananda. O Jiva-tatwaor, os seres individuais, são as ondas do oceano. Reconhecer o caráter ilusório do mundo não significa desistir de todas as ações ou laços familiares. As ações devem ser feitas em um espírito de desapego. Relações devem ser mantidas sem apego profundo. Não é a renúncia da ação que é necessário. Renúncia na ação é o que é necessário. (Discurso Divino, 11 de julho de 1987)





Sathya Sai Baba






Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

O PENSAMENTO DEVE AGIR PARA QUE NOS REERGAMOS

Sentir é uma coisa e pensar é outra, mas, muitas vezes, a sensação sobrepõe-se ao pensamento. Por vezes, sentis-vos esgotados, o que nada tem de anormal; mas essa sensação desencadeia em vós pensamentos e sentimentos de desânimo, de tristeza, de desespero. Pois bem, nesses momentos, pelo contrário, é o pensamento que deve agir sobre a sensação: mesmo que ele não consiga vencê-la, deve estar lá como uma luz, como um farol ao longe. O pensamento diz-vos que podeis reerguer-vos; então, apesar da vossa lassidão e do vosso esgotamento, é nele que deveis acreditar e não nas vossas sensações. Já não existe uma só gota de energia no vosso reservatório? Lembrai-vos de que o reservatório cósmico está cheio e de que é nele que deveis ir beber pelo pensamento, pois o pensamento serve também para isso: bastam algumas gotas captadas nesse reservatório de energias e a chama da vossa candeia, que estava a apagar-se, brilhará de novo.





Omraam Mikhaël Aïvanhov






Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

A VIDA DE UM MÍSTICO

Muitos já perguntaram qual é a vantagem pessoal ou para a humanidade em geral, que se obtém da dedicação ao estudo do misticismo e da tentativa de compreender os mistérios da vida.

Evidentemente, essas pessoas têm em mente resultados concretos como os que resultam do estudo das leis, da arte, da música, da engenharia, ou de outros assuntos práticos. Ao olhar para o assunto de maneira superficial, imaginam se o tempo e o esforço investidos no estudo árduo do misticismo e seus assuntos correlatos, trarão resultados para o indivíduo e se contribuirão para o avanço da civilização na mesma medida que outros estudos contribuem.

Essa comparação não é justa. Em um dos casos, o estudante está buscando o seu desenvolvimento espiritual e cultural e o de outras pessoas. No outro caso, está buscando aplicar suas habilidades de maneira prática para ampliar o desenvolvimento de sua existência terrena.

No primeiro caso, o estudante descobre relaxamento, inspiração pessoal e prazer nos seus estudos; enquanto no outro caso, frequentemente sacrifica prazeres e interesses pessoais ao preparar o caminho para uma posição mais bem sucedida na vida. O fato é que muitos estudantes do primeiro caso também são estudantes do segundo, provando assim que uma comparação é impossível, se considerarmos que os estudantes de misticismo são diferentes e fazem parte de uma classe distinta.

Estudos mostram que, quanto mais propensão a pessoa tiver para o estudo de qualquer assunto, tanto mais propensão terá para sondar os mistérios da vida e compreender a si mesmo e a sua relação com o universo.

Estatísticas acumuladas ao longo de vários anos provam que o verdadeiro estudante se interessa rapidamente pelos ensinamentos rosacruzes. É dito que uma vez que uma pessoa tenha aprendido o funcionamento de uma língua que não a sua língua natal, se torna potencialmente um linguista pois o conhecimento dessa é uma tentação constante para se adquirir o conhecimento de uma terceira. Tendo adquirido o conhecimento da terceira língua, a quarta, a quinta ou a sexta é prazerosa e simples.

Aquele que tem como passatempo o estudo da astronomia, está pronto para o estudo da cosmogonia e talvez da ontologia e da biologia. Estes estudos levariam naturalmente à psicologia; e a combinação traria o estudante tão próximo dos ensinamentos rosacruzes que responderia imediatamente ao contato.

O estudante de química ou física é facilmente intrigado pelos mistérios do ser ou pelos seus talentos e suas habilidades escondidas. O fato de que existem certas forças e energias no corpo humano que se manifestam em laboratório, de diversas formas, certamente atrai o interesse de qualquer estudante para tais assuntos. É mais difícil gerar interesse pela busca de novos conhecimentos e mais luz, naquele que não é estudante e nem é propenso ao estudo. A mente inativa, que não pensa, não encontra inspiração nem qualquer prazer pessoal no estudo do misticismo e na análise dos poderes físicos e espirituais.

Infelizmente para o mundo, existem inúmeras pessoas que adotam uma atitude de que a vida é um mistério que não pode ser desvendado. Que existem fatos a respeito do homem e de suas capacidades, que Deus não desejava que compreendesse. Muitas dessas pessoas estão satisfeitas com sua posição na vida; no entanto essa não é a verdadeira razão para a sua indiferença. Essas pessoas estão ansiosas por adquirir qualquer coisa na vida que possa ser obtido sem esforço; mas não têm entusiasmo para aquilo que não oferece benefícios materiais imediatos para sua existência mundana.

Entretanto, a pessoa plenamente desperta e voltada para o estudo do misticismo não é necessariamente um fanático ou um extremista. Geralmente é um indivíduo plenamente desperto, aguçadamente consciente que só conseguirá aproveitar o máximo da vida se conhecer o máximo sobre ela. Não precisa ser convencido de que é o capitão do seu navio e o criador do seu próprio destino. O indivíduo ainda pode ter uma certa insegurança a respeito desses fatos, mas está convencido de que um conhecimento mais abrangente e uma compreensão mais íntima de suas habilidades pessoais afetarão o curso da sua vida. Mesmo quando estuda exclusivamente para obter um relaxamento, um estudante assim, acredita que existe uma recompensa mais valiosa do que qualquer tipo de lazer.

Woodrow Wilson (28° presidente dos EUA) admitiu rindo numa ocasião que sistematicamente lia contos policiais, e desafiou homens de negócios e políticos conhecidos que negassem que ocasionalmente se permitiam esses tipos de lazer. Acrescentou ainda que através de um prazer tão simples, percebia suas faculdades mentais sendo desafiadas e vivificadas.

Obter esse mesmo grau de fascinação pelo estudo do misticismo, é possível. Aproximar-se de qualquer manifestação da Lei Cósmica sem sentir o desafio de um mistério, de uma pergunta não resolvida, de um pedacinho de sabedoria inspiradora, é impossível. Frequentemente estive na parte superior de um navio transatlântico, numa noite escura e límpida olhando para o céu. Inconsciente do limite entre o céu e o oceano, divaguei no espaço estrelado, azul escuro, imaginando qual o mistério por trás dos agrupamentos de estrelas e qual o seu propósito no esquema das coisas. Ninguém com uma mente pensante consegue olhar para o espaço e deixar de ficar perplexo, envolto em especulações. Então vem o desejo de saber e de buscar respostas. Essa é a atitude com que milhares se aproximam do misticismo - e do estudo dos ensinamentos rosacruzes.

Qual é o resultado para o indivíduo? Será o resultado a obtenção de uma habilidade especial, de um grau de espiritualidade que faz o indivíduo ser mais devotado? Absolutamente não! Será que esse indivíduo se torna um mestre no campo da religião, um homem santo e sábio liderando e guiando multidões? Não necessariamente! No entanto, algo resulta de seu interesse e de sua devoção que apóia o seu serviço altruístico e a sua disposição de sacrificar-se pela sabedoria e por uma melhor compreensão.

O homem preocupado com um problema insuperável encontra alivio paz e capacidade para prosseguir no momento que compreende o seu problema. Não é o problema que causa tormento mas, a falta de entendimento dos elementos que o compõem. Na tentativa de explicar a natureza de seus problemas, muitas pessoas descobrem a solução. O homem nunca teme aquilo que conhece; é o desconhecido que lhe causa pavor. Os mistérios da vida escravizam homens e mulheres.

Não é verdade que o místico banha seus problemas com uma falsa pátina* de contentamento. É por compreender as leis do universo que entende a verdadeira natureza dos problemas que enfrenta e percebe sua vida se tornando mais feliz e mais alegre. Não é simplesmente porque aprendeu formas de lidar com os problemas, mas é porque se tornou tão intimamente familiarizado com a verdadeira natureza dos mesmos, que suas características desconhecidas e misteriosas não preocupam mais o lado subconsciente do seu ser. Ama o conhecimento e acredita que está perdido sem ele. As verdades ocultas são atrações magnéticas que ativam sua mente e disparam o seu espírito.

O místico encontra felicidade através do conhecimento e do auxílio que pode prestar a outras pessoas. Encontra força no fato de que pode atrair para si aquilo que contribuirá para seu fortalecimento físico, mental e espiritual. Aprende a valorizar todas as coisas através de critérios mais elevados e valoriza mais a vida material.

No fato de estar consciente e no privilégio de estar vivo, encontra uma bênção mais valiosa do que qualquer coisa que jamais tenha encontrado - em cada bocado de alimento, na luz do sol e na chuva, uma recompensa que outras pessoas não perceberam.

Não os bens materiais, mas a administração das dádivas de Deus lhe pertence, e aprende a usá-las para o proveito das outras pessoas bem como para o seu próprio. É isso que faz o místico feliz e disposto a continuar a investir seu tempo e pensamento nos estudos que aproximam o céu da terra e Deus do homem.


(*composto químico que se forma em superfícies de metais)





Dr. Harvey Spencer Lewis, F.R.C.
Ordem Rosacruz - AMORC






Fonte: http://rosacruzes.blogspot.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com