sábado, 6 de outubro de 2012

AJUSTES


Acerte a sua vida, antes que a vida acerte você e no tombo provoque os ajustes dolorosos que o amor poderia oferecer.


Libere-se das suas culpas e faça as pazes com o que realmente quer e não se esqueça que o melhor que podemos fazer ainda é viver. 

Pare de sofrer e comece a agir, renove seus hábitos, deixando entrar o ar fresco das novas atitudes. 

Se existem espinhos, há também flores a cultivar, e concentrar-se apenas nos primeiros vai fazer as segundas fenecerem. 

Nada é tão ruim que não possa ser solucionado, e a cada instante a vida muda e tudo o mais transforma-se em passado. 

Lembre-se que a vida é um eco. Se você não gosta do que está ouvindo, observe o que está emitindo. 

Relaxe-se, organize-se, repense sua conduta, o remédio que parece mais amargo no começo depois é o bálsamo mais sagrado. 

Se você não sabe para onde está indo também pode dizer que não importa o caminho a seguir, mas cuidado para não pegar o ônibus errado. Certas estradas nada mais são do que ilusões que levam ao precipício. 

Volte para dentro de si mesmo e recorde-se das generosas lições dos mestres que lhe embalaram os primeiros anos, as mãos amigas que lhe envolveram com ternura e sorria, passando da tristeza para a alegria, deixando a condição de mero figurante ou coadjuvante para protagonista da sua própria vida.





Joaquim Ladislau Pires Junior






Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos
Fonte: Acervo de autoria pessoal

O CARMA E A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE



Pensamentos de Pietro Ubaldi sobre o Carma e a Formação da Personalidade 

Quem tiver olhos abertos para ler dentro de si, porque se acostumou ao auto controle e à introspecção, pode, olhando para o fruto, reconstruir a estrutura da árvore e das raízes. Isto quer dizer que, olhando para os seus instintos e qualidades atuais, pode reconstituir a série de pensamentos e atos que, longamente repetidos, se tornaram hábitos, para constituir o que hoje é sua personalidade. (P. Ubaldi - A Lei de Deus)



Deveríamos ter o máximo cuidado antes de gerar qualquer pensamento ou ato, porque depois ficamos a eles amarrados e os levamos conosco até atingir todas as suas consequências fatais. (....) E quanto mais repetimos um pensamento ou um ato, tanto mais ele se fixa, se torna firme e estável, descendo à profundeza de nossa personalidade, onde fixa aqueles marcos indeléveis que são as nossas qualidades. (P. Ubaldi - A Lei de Deus) 

Nossos hábitos não são nada no começo, são só pequenos movimentos, sem importância, em que ninguém repara. Mas, caindo e rolando sobre o caminho da nossa vida, eles atraem outros movimentos, que com a repetição descem até a nossa profundidade, tornando-se hábitos e transformando-se, finalmente, na terrível avalancha dos nossos instintos, aos quais é difícil resistir. (P. Ubaldi - A Lei de Deus) 

Quando alguém cai no seio de um carma coletivo, é porque fez por merecê-lo. (P. Ubaldi - A Lei de Deus) 

Podemos ficar tranquilos, pois ninguém pode fazer-nos mal algum que já não esteja dentro de nós. (P. Ubaldi - A Lei de Deus) 

Nem tudo o que constitui a nossa personalidade está contido na parte consciente, como nem todas as formas de luz estão contidas no espectro visível. (P. Ubaldi - Princípios de uma Nova Ética) 

Em nosso universo tudo deriva de um seu precedente que lhe é a causa e do qual é o efeito. Também a personalidade humana é um fato positivo. Ora, se ela existe, deve ter um seu precedente do qual ela deriva e que é a causa da sua existência. Se nada se cria e nada se destrói, ela deve preexistir ao nascimento físico e continuar a existir depois da morte. Sem reencarnação a personalidade humana seria um efeito sem causa. E esse efeito não é genérico, mas bem definido nas suas qualidades individuais, que revelam uma história passada. (P. Ubaldi - Um Destino Seguindo Cristo) 

Seguindo a configuração celeste como se apresenta no fim de 1964, enquanto escrevo estas páginas, os astrólogos observam que a conjugação entre Urano e Plutão tem uma influencia de tipo revolucionário, destruidor das velhas formas. Isto é útil como meio para libertar o terreno para novas construções e prepararia o advento da nova era. Plutão representa a influência demolidora do passado, das suas estruturas materiais e mentais. Urano representa a influência explosiva, o dinamismo criador do novo. Isto indica um contraste entre um despertar espiritual que quer realizar-se e a resistência de forças negativas que procuram impedi-lo. O momento atual seria, portanto, uma fase de laboriosa preparação de novos estados futuros. Com influência menor, Saturno indica, pela sua posição a passagem entre duas eras, com a função de rendição de contas, pelo que se resolve o Carma com a liquidação do balanço passado e a preparação do futuro. Tudo portanto se moveria em direção a uma nova era. Ao trabalho de tal íntima elaboração deve-se aquela agitação febril, de que falávamos anteriormente, própria do momento crítico e que se manifesta em distúrbios neuropsíquicos (P. Ubaldi - A Descida dos Ideais)





Pedro Orlando Ribeiro





Fonte: www.monismo.com.br/artigos.html
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O QUE EU QUERO ?


Teósofos sérios deveriam fazer-se, não uma mas muitas vezes, a pergunta: “O que é que eu realmente quero?” A ênfase, no entanto, não deve estar no “eu quero”. A pergunta deveria auxiliar-nos a descobrir o que é que a natureza mais íntima busca.

Em todo homem há alguma coisa profundamente interior que está tentando expandir-se e brilhar em todo seu esplendor. Se a pergunta é respondida no nível superficial, essa expansão não será auxiliada. É demasiado fácil dar as respostas esperadas. As pessoas às vezes dizem: “eu quero servir a humanidade”. E muito fácil dizer isto em palavras e até mesmo pensar; tanto a palavra como o pensamento são superficiais. É a resposta pronta, a coisa certa a dizer, que se segue à pergunta, devido a um certo condicionamento Teosófico que o apresenta como desejável. Porque é coisa aceita acreditar que a Luz e a Verdade são mais importantes do que meras coisas mundanas, a resposta aprovada é rapidamente produzida a partir de uma camada superficial da mente. É fácil dar essas respostas rápidas e fáceis, mas a resposta que vem de uma parte superficial de nós mesmos não é suficiente. Nós devemos, na verdade, pôr de lado as respostas que vêm da língua e da mente e buscar por outras no coração. De um estado de absoluta quietude – que surge quando o pensamento e a palavra são ambos postos de lado – que resposta o coração dá à pergunta?

Pois é possível pôr de lado todas as respostas externas e buscar profundamente em si mesmo, onde há um voltar-se em direção à verdade. Se não pudermos nos preocupar em fazer isso, como podemos alegar sermos Teósofos? Estamos na Sociedade meramente para indulgir em alguma atividade exterior que é momentaneamente satisfatória? È fácil demais satisfazer-nos com a atividade, com o trabalho em algum departamento, com o escrever, comparecer a reuniões e assim por diante. Mas tal atividade não é suficiente para tornar alguém um Teósofo. A pergunta crucial é: em meio a toda minha atividade, onde estou centrado?; qual é minha condição interior enquanto atuo, falo, penso? Afinal, há uma vida interna ou minha atividade é iniciada e dirigida desde a camada superficial de meu cérebro? Para tornar-se cônscio do ímpeto interior, dar a si mesmo à verdade, é necessário fazer uma pausa em meio às atividades, não uma mas muitas vezes. Depois que a atividade exterior termina, a pequena tagarelice do cérebro continua. Deve-se ir além disso também, até a natureza interior. Se se falhar aqui, não se é realmente capaz de fazer o trabalho Teosófico do ponto de vista daquelas grandes forças que dirigem o destino do homem rumo ao Bem.

Aqueles que não estão afinados com as forças que auxiliam a marcha progressiva da humanidade não podem fazer um trabalho de valor, embora possam estar infinitamente ativos. Somente aqueles que estão afinados saberão infalivelmente qual a coisa certa a fazer. A reta ação pode vir somente através do reto sentimento, não do pensamento apenas, pois ela não é o simples fazer uma tarefa particular – dar uma palestra ou escrever um livro – mas está relacionada com cada detalhe de nossa vida diária. Por exemplo, há um reto modo de falar com outra pessoa e também de pensar sobre ela. Na verdade, há um reto modo de encarar cada evento que confrontamos em nosso viver diário.

Como podemos fazer isto sem um reto sentimento? O homem perfeito possui o reto sentimento um grau supremo porque ele é uno com a vida; nele, não há um eu pessoal. E é a partir deste estado de unidade que ele atua. Mas a pessoa menos evoluída não pode agir retamente porque ela está isolada em sua egoidade.

Um Teósofo deve examinar a si mesmo para ver o quanto ele se apartou dos outros interiormente, se sua atividade mental o enclausurou no auto-interesse. Muito freqüentemente ele pensa: “eu quero trabalhar pela verdade” ou “estou fazendo progresso no conhecimento teosófico”. Isto é meramente uma noção auto-consciente que apressa o processo de isolamento.

É igualmente fácil tomar por engano um sentimento de emocionalismo como sendo a resposta do coração. Mas isto não é o que se pretende dizer por “coração”. Por “coração” devemos entender Buddhi ou a percepção superior.

Dessa forma, embora a resposta à pergunta “O que é que eu realmente quero?” possa parecer bastante simples, devemos buscar por ela muitas vezes no coração. Quando a luz, a verdade, o bem, são encontrados na profundeza de nós mesmos, nossas ações e relacionamentos se transformam. Coisas que uma vez nos perturbaram cessam de ter importância e desaparecem em segundo plano. Mesmo quando algumas fantasias, desejos, atrações, permanecem – atrás delas há ainda a busca da luz.

A fim de encontrar o centro interior, de chegar um pouco mais perto da Realidade, é necessário afastar-se das preocupações diárias. Muitas pessoas sentem-se renovadas numa convenção ou conferência porque ela por um tempo, puseram de lado suas pequenas tarefas, deveres e responsabilidades diárias; foram capazes de pôr “eles mesmos” de lado. Podemos ser afortunados o suficiente para caminhar num lugar quieto e arborizado, onde possamos olhar para as árvores e pássaros e escutar o silêncio; quando estamos longe do mundo e de seu tumulto, há um senso de paz e de uma dimensão diferente. O tempo também nos leva para longe e nos mostra a irrealidade e a relativa não-importância da maioria dos eventos. Podemos olhar para trás, para os pequenos incidentes que nos perturbaram na ocasião, os mal-entendidos com outras pessoas, e ver sua insignificância.

Tal distanciamento de nós mesmos no tempo e no espaço é necessário para alcançarmos o coração e o centro interior, para descobrirmos como agir e o que é que realmente queremos fazer. Um tal não-envolvimento não é apático ou insensível, mas um desapego necessário; sem ele, não podemos ver nosso caminho ou agir retamente. Se olhamos a vida com este “senso de distância”, podemos ver muito mais do quadro total. Quando um quadro nos dá um sendo de beleza, é porque ele é o quadro inteiro; um canto limitado do quadro não pode dar-nos o significado total. Naturalmente, o quadro completo é feito de todas as suas partes; se as partes fosse totalmente sem sentido, o todo também seria sem sentido. Cada pequena parte é significativa apenas como parte do todo, mas isolada do todo ela não possui nenhum significado. Na música, também, uma nota por si mesma ou mesmo um acorde isolado não pode inspirar ou elevar; no entanto, se a nota está errada ou o acorde fora de lugar, a música é estragada.

Tudo na vida, portanto, é significativo, mas é significativo apenas como parte da vida total, não por si mesmo. É essencial ver as coisas em perspectiva, como parte do movimento da vida, as sem sermos capazes de desapegar-nos não podemos fazê-lo. Não podemos ver o todo se damos toa a nossa atenção a um incidente isolado, se damos importância a todas as pequenas palavras que nos são ditas, a cada acontecimento trivial. Quanto mais a mente se isola dos outros, mais importante ela se sente e mais sem sentido ela se torna. Somente quando o coração vê e sabe-se estar em relação com tudo o que existe é que ele se torna capaz de agir retamente.

A literatura Teosófica nos impele a estudar o eu inferior à luz do Superior. O que é essa “luz do Superior”? Frequentemente, uma parte da mente inferior olha para outra parte e imagina que ela é o Eu Superior. Cada parte da mente é o eu inferior. Assim, quando a mente olha a si mesma e tenta endireitar-se, nenhuma mudança pode jamais ocorrer. A transformação ocorre somente quando há uma observação do que está acontecendo por um nível diferente – isto é, por Buddhi. Isto é apenas um nome, pois não sabemos o que é o Buddhi. Mas quando a mente está quieta e há alguma coisa sem nome observando, então chegamos mais perto da verdadeira compreensão.

Nesse processo é importante não se buscar auto-suficiência, pois é o desejo de suficiência que faz um homem se agarrar ao conhecimento, ler mais e mais livros, acumular fatos, que parecem dar a ele uma posição e um senso de segurança. Mas deve chegar um tempo em que ele compreende que apesar de todo esse conhecimento e informação uma pessoa é exatamente aquilo que ela é. Vendo isto, há uma compreensão da inadequabilidade da mente, do conhecimento, de seus modos de ação. E então a pessoa diz: “eu não sei”; ela aprende a humildade, que é quando o coração começa a falar, porque a mente não encontra a resposta.

A Teosofia é sabedoria, não é conhecimento. Mas o futuro Teósofo deve também estar preocupado com o conhecimento porque o conhecimento conceitual tem alguma importância na vida dos seres humanos. O conhecimento pode impedir uma pessoa de entrar em contato com a realidade, com a beleza e o significado da vida, se ele é compartimentalizado, mantido numa estante, não relacionado com os problemas do indivíduo bem como da humanidade como um todo. Há um vasto número de pessoas em todo o mundo – físicos, engenheiros e outros – que estão unicamente ocupados em adquirir conhecimento a fim de aperfeiçoar as armas mortais com as quais a maioria dos países são equipados. Alguns desses cientistas são pessoas brilhantes, com um intelecto, e contudo suas vidas são gastas apenas em descobrir os meios pelos quais os políticos possam destruir outras pessoas e o ambiente. Este é um conhecimento de um tipo que não está preocupado com o bem-estar e progresso da humanidade. Similarmente, nas áreas religiosas, políticas e outras, as pessoas estão adquirindo conhecimento que não possui conexão com o bem-estar da humanidade. Ou se ele tem uma aplicação de algum tipo, eles não se importam que efeito essa aplicação tem sobre as pessoas e outras formas de vida.

Há também o conhecimento que altera o modo de pensar da pessoa, quer para melhor, quer para pior. Nos países orientais, as pessoas têm um conhecimento teórico da reencarnação. Ela tem sido o pano de fundo de seu pensamento por gerações. Porque elas sentem que haverá vida após vida para agir, elas muito facilmente caem na indiferença e na inércia. A letargia e negligência que são características de algumas delas são parcialmente devidas a esta formação conceitual. Esta pode ter sido a razão pela qual, embora nos seus primórdios o Cristianismo aceitasse a verdade da reencarnação, mais tarde ele deliberadamente decidiu não ensiná-la, devido a seu efeito negativo em muitos.

Já o oposto é verdadeiro em países onde há o conceito de uma única vida na qual tudo deve ser alcançado. As pessoas tentam desesperadamente fazer tudo naquela única vida, quer seja ganhar dinheiro ou divertir-se. O modo de viver competitivo, de alta pressão, que é o sintoma do mundo moderno, provém desta ideia. Assim, há desvantagens em ambas as visões. Por um lado, há materialismo, competição, agressão, o desejo de elevar-se ao ponto mais alto, de ser bem-sucedido, e, por outro lado, apatia, indiferença, má vontade em esforçar-se, o falar sobre as coisas sem se fazer nada. Esses dois diferentes modos de viver surgem de dois diferentes conjuntos de conceitos. Conceitos , portanto, são importantes; não podemos absolver-nos da necessidade de aprender a pensar corretamente, a ver o universo corretamente. Mas se deve ter constantemente em mente que nossos conceitos podem estar errados e que, de qualquer forma, todos os conceitos são enormemente limitados e o que nós compreendemos ao nível do pensamento não é a realização da verdade, pois o pensamento e o conceito podem estar completamente divorciados da vida e dos relacionamentos. Assim, não devemos estar satisfeitos com o pensamento nem devemos rejeitar o reto pensar.

Nós todos sabemos que a sabedoria é diferente do conhecimento e dos processos do pensamento. O pensamento pode influenciar o que fazemos numa ocasião particular, mas a sabedoria produz uma transformação radical em nossa vida inteira. Ela nos traz a uma profundidade onde não há mudança. E se agimos a partir dessa profundidade, tudo é correto. Portanto, num certo sentido, a reta ação não tem nada a ver com circunstâncias. Quando calculamos os prós e os contras e pesamos suas possíveis consequências, a ação que podemos tomar pode ser errada ou pode ser correta. A ação infalível surge somente da profundeza em nós mesmos onde a verdade pode ser descoberta.

Nós tentamos compreender o homem e o universo através de nossos estudos, investigação e através da discussão com mente aberta, não nos agarrando com muita certeza ao nosso conhecimento, sempre compreendendo nossas limitações. Mas é imensamente mais importante viver retamente e com isso trazer alguma coisa para o mundo, o que não podemos fazer através de nenhum tipo de ensinamento verbal, através da mera propagação de conceitos. Se cada um de nós é um estudante da sabedoria que está a cada dia tentando transformar sua vida através de uma maior compreensão, suas palavras terão em si o brilho da sabedoria.

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Somente uma vida vivida para os outros é uma vida que vale a pena ser vivida. O homem que considera sua vida e a de seus semelhantes como sem sentido não é meramente infeliz, mas dificilmente preparado par a vida. Não tente tornar-se um homem de sucesso, mas sim tente tornar-se um homem de valor. (Albert Einstein)





Radha Burnier




Fonte: The Theosophist, Outubro, 1984
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SALVAÇÃO? NÃO, OBRIGADO.


O homem primitivo, intimamente ligado à natureza que o rodeava, expressava de forma espontânea e verdadeira sua espiritualidade. Através de seu instinto sentia a existência do transcendental, sentimento esse que pulsava, de forma nítida, na essência energética daqueles seres simples e ignorantes, vazios de conhecimento, porém plenos de autenticidade. À medida que a civilização humana começou a galgar novos degraus da escala do progresso, deixando cada vez mais de ser instintiva, passou a reprimir para os porões do inconsciente as percepções inatas e verdadeiras. Deixando para trás a infância histórica, passou a humanidade a uma fase da contestação sistemática tal qual o adolescente que recusa a priori os conceitos estabelecidos. Na procura de respostas para as inúmeras indagações que acometem a mente humana, passa a duvidar até mesmo de seus instintos. A crença no extrafísico, antes alicerçada na própria naturalidade dos sentimentos inatos, passa a ser substituída pela dúvida e, sobretudo, a exigir participação do racional. 


Contudo, o homem moderno, esteja ele ligado à ciência ou à filosofia, procura cruzar a fronteira do racional e integrar-se aos valores percebidos por seu próprio psiquismo, de forma subjetiva. O paradigma mecanicista de Newton vem cedendo lugar à concepção de um universo energético aberto a outras dimensões, não mais a atitude infantil do homem primitivo que apenas, por via inconsciente, aceitava a existência espiritual, nem tampouco a postura adolescente da rejeição preconceituosa de qualquer referência à espiritualidade. Estamos no alvorecer não só de um novo século, mas de um novo milênio. As perspectivas futuras apontam para uma ciência e uma religião não mais estanques, dogmáticas, preconceituosas e onipotentes. O universo passa a ser observado e sentido, não mais como uma matéria tridimensional. A multidimencionalidade da matéria, já admitida pela física moderna, abre as portas para a percepção da existência do mundo espiritual. 

A humanidade já não se satisfaz com os preceitos rígidos das religiões dominantes. O homem é um ser que indaga e quer saber, afinal, quem é, de onde vem e para onde vai. A dissociação existente entre a ciência e religião, verdadeiro abismo criado pelo homens, levou os indivíduos a ter uma visão fragmentaria da vida. Os conselhos religiosos, tão úteis em épocas remotas, hoje tornam-se defasados em relação à evolução contemporânea . As orientações dos ministros religiosos foram substituídas pelos médicos, psicólogos, pedagogos etc... O que frequentemente observamos é a deficiência de respostas às ansiedades íntimas do indivíduo ou da própria sociedade. O que lhes falta? Por que profissionais extremamente capacitados, sérios e estudiosos se sentem limitados para compreender o sofrimento humano? 

Por que pessoas justas às vezes sofrem tanto, e concomitantemente, outras, egoístas, que se comprazem no sofrimento do próximo, prosperam tanto? Há quem viva semanas, meses ou poucos anos, enquanto outros vivem quase um século! Por quê? Por que para uns a felicidade constante e para outros a miséria e o sofrimento inevitável? Por que alguns seriam premiados pelo acaso com as mais terríveis malformações congênitas? Por que certas tendências inatas são tão contrastantes com o meio onde surgem? De onde vêm? 

Não há como responder a essas questões, conciliando a crença em uma Lei Universal justa e sábia, se considerarmos apenas uma vida para cada criatura. O ateísmo e o materialismo são consequências inevitáveis da rejeição às crenças tradicionais, surgindo, naturalmente, pela recusa inteligente a uma fé cega em um Ser que preside os fatos da vida sem qualquer critério de sabedoria, e justiça. A cosmovisão espiritista, alicerçada no conhecimento das vidas sucessivas, onde residem as causas mais profundas de nossos problemas atuais, traz-nos respostas coerentes. O conceito de reencarnação propicia uma ampla lente através da qual poderemos enxergar a problemática das vidas.As aparentes desigualdades, vivenciadas momentaneamente pelas criaturas, têm justificativa nos graus diferentes de evolução em que se encontram no momento. Além disso, sabe-se, pelas leis da reencarnação, que cabe a todas as criaturas um único destino: a felicidade. A evolução inexorável é feita pelas experiências constantes e o aprendizado decorrente. Os atos da criatura ocasionam uma seqüência de causas e efeitos que determinam as necessidades da reencarnação, a si própria, em tal meio ou situação; nunca existe punição; existe, sim, consequência lógica. Há colheita obrigatória, decorrente da livre semeadura, e sempre novas oportunidades de semear. 

Cada ser leva para a vida espiritual a sementeira do passado, trazendo-a inconscientemente consigo ao renascer. Se uma existência não for suficiente para corrigir determinadas distorções, diversas serão necessárias para resolver uma determinada tendência a longa caminhada da vida. Nossos atos do dia-a-dia por sua vez, são também novos elementos que se juntam a nosso patrimônio energético, pois os arquivos que criamos são sempre no nível de campos de energia, influenciando intensamente, atenuando ou agravando as desarmonias energéticas estabelecidas pelas vivências anteriores. 

A teia de nosso destino, portanto, não é exclusivamente determinada por nosso passado. O livre-arbítrio que possuímos tece também os fios dessa teia a cada momento, num dinamismo sempre renovado. A diversidade infinita das aptidões, ao nível das faculdades e dos caracteres, tem fácil compreensão. Nem todos os espíritos que reencarnam têm a mesma idade; milhares de anos ou séculos podem haver na diferença de idade entre dois homens. Além disso, alguns galgam velozmente os degraus da escada do progresso, enquanto outros sobem lenta e preguiçosamente. 

A todos será dada a oportunidade do progresso pelos retornos sucessivos. Necessitamos passar pelas mais diversas experiências, aprendendo a obedecer para sabermos mandar; sentir as dificuldades na pobreza para sabermos usar a riqueza. Repetir muitas vezes para absorver novos valores e conhecimentos. Desenvolver a paciência, a disciplina e o desapego aos valores materiais. São necessárias existências de estudo, de sacrifícios, para crescermos em ética e conhecimento. Voltamos ao mesmo meio, frequentemente ao mesmo núcleo familiar, para reparar nossos erros com o exercício do amor. Deus, portanto, não pune nem premia; é a própria lei da harmonia que preside à ordem das coisas. Agirmos de acordo com a natureza, no sentido da harmonia, é prepararmos nossa elevação, nossa felicidade. 

Não usamos o termo "salvação", pois historicamente está vinculado ao salvacionismo igrejista, uma solução que vem de fora. Na realidade aceitamos a evolução, a sabedoria e a felicidade para todas as criaturas. "Nenhuma das ovelhas se perderá", disse Jesus. Fazendo-nos conhecer os efeitos da lei da responsabilidade, demostrando que nossos atos recaem sobre nós mesmos, estaremos permitindo o desenvolvimento da ordem, da justiça e da solidariedade social tão almejada por todos.






Dr. Ricardo Di Bernardi
Homeopata e Presidente do ICEF







(Publicado no Boletim GEAE, nº 459, 15 de julho de 2003)

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/salvacao-nao-obrigado.html
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


DESAFIOS NECESSÁRIOS


O caos acontece. Infelicidades também. O segredo é não se deixar abater por eles, e em vez disso, encontrar seu significado para que ao invés de trazerem mais caos para nossas vidas, tragam maior consciência. 

Com certeza, todos nós conseguimos pensar em pelo menos algumas circunstâncias em que, o que parecia ser muito ruim no momento, acabou se tornando uma das melhores coisas que já nos aconteceu. 

Lembre-se disso hoje, em todas as situações desafiadoras, sejam elas grandes ou pequenas. Pode ser que não enxerguemos o motivo verdadeiro agora, mas, contanto que saibamos que estão aqui para nos fazerem mais fortes, isso será compreensível.






Rav Yehuda Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal