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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O SIMBOLISMO DA ÁGUA E A INICIAÇÃO

(...) A simbologia fala uma linguagem própria que é bem compreendida pelo ser interno. É um método que permite participar na experiência de caráter sagrado. Os símbolos podem ser qualquer coisa – gestos ou atos, objetos naturais ou fabricados pelo homem, palavras orais ou escritas, imagens ou sons, pessoas ou lugares. (...)


A água é um símbolo universal, pois sua natureza representa muitas ideias e coisas. A água limpa, e, nos rituais de todas as religiões do mundo, as pessoas se lavam, simbolizando que assim ficarão purificadas, tanto espiritual como fisicamente.

A água refresca, por isso, em algumas religiões, as pessoas se banham nos rios para experimentarem uma regeneração de energia e sentirem-se unidas à fonte dessa energia. A água dá vida. Por este motivo, os rituais de iniciação que marcam o começo de uma nova forma de vida, com frequência, incluem a lavagem ou a imersão na água.

A água também causa a morte. Em alguns mitos religiosos ela simboliza o estado caótico das coisas antes do começo da vida. Em outros sistemas, a morte é o oceano que, ao cruzar, não há retorno. Em situações perigosas, tais como as produzidas pelas tormentas no mar, a água representa, de forma inconfundível, a morte; todavia, em situações harmoniosas, como no crescimento dos cultivos, ela simboliza a vida.

Através dos tempos, a água tem sido utilizada de várias formas nos rituais. Certos ritos e cerimônias incluem imersões totais na água, ou só se derrama ou se borrifa sobre a pessoa. As pessoas têm participado destes ritos desde muito antes da era cristã, e os cristãos, posteriormente, adaptaram o rito sacramental do batismo, no qual a água, como símbolo natural, assinala a morte e a ressurreição do Mestre Jesus.

Desde os primeiros tempos do cristianismo, o batismo tem sido considerado um ritual apropriado para iniciar novos membros na comunidade cristã, unindo-os simbolicamente com Jesus no mistério de sua morte e ressurreição. A submersão na água simboliza a morte de Jesus, e o emergir dela é um sinal de renascimento. Foi assim que o batismo se converteu em uma iniciação de renascimento do candidato, e indicava que em sua vida haveria de operar-se uma transformação ou troca.

A longa história do uso da água como símbolo de iniciação e reconciliação, remonta à história bíblica israelita e ao judaísmo. Uma das razões pelas quais ela adquiriu um simbolismo tão extraordinário, foi a separação das águas do Mar Vermelho, que permitiu a passagem dos israelitas quando saíram do Egito. Mais tarde, os mesmos usaram a água em suas liturgias como recordação do êxodo, e a celebração em grupo significava que aceitavam, em suas próprias vidas, a aliança estabelecida durante sua viagem do Egito à Terra Prometida. Os historiadores religiosos narram que, quando um indivíduo recém convertido ao judaísmo era batizado, o batismo  compensava o fato de seus antepassados não terem cruzado as águas durante o êxodo. (...)

(...) Muitas cerimônias religiosas são parecidas às iniciações das Escolas de Mistérios. As cerimônias de iniciação são, de fato, uma apresentação dramática de ideias esotéricas ou místicas. Incitam a uma série de emoções, desde o temor até o estado de êxtase. Provavelmente a mais proeminente cerimônia dos mistérios do Egito foi a “Paixão do Deus Osiris”. Estava relacionada com a morte e ressurreição de Osíris, e sua imortalidade como deus. Os acontecimentos que tradicionalmente se acreditou que haviam ocorrido na sua vida, eram representados na forma de drama. Estes ritos desempenharam um papel similar aos dramas da paixão que hoje em dia se realizam na Europa e em muitas outras partes, e que representam a Crucificação e Ressurreição de Cristo.

Heródoto, o eminente historiador grego, e Plutarco, um filósofo místico, relataram que no Egito se reservava uma iniciação especial para uns poucos eleitos, o qual superava o rito oficial da “Paixão de Osíris”. Os candidatos tinham de atravessar por um lugar, que representava artificialmente o outro mundo, onde os altares dos deuses lhes eram revelados. O procedimento consistia em colocar a prova a dignidade do candidato. Se pensou que à meia noite era o melhor momento para conferir as iniciações, muitas das quais eram realizadas sobre uma extensão de água, como no Lago Sagrado de Karnak, que ainda existe. O simbolismo da água teve um papel muito importante como símbolo purificador, e representava o tema vida-morte, ressurreição e imortalidade.

Na Grécia também eram celebrados ritos de iniciação, dando ênfase aos mistérios ou ao conhecimento esotérico. Quando a palavra grega que significa iniciação é traduzida literalmente, conota “consumação”, realização, logro. E essa consumação era revelada ao iniciado através dos elementos dos mistérios, representados em ritos que eram como dramas.

Um exemplo disso foram os Mistérios Eleusinos na Grécia. Conta-se que anualmente viajavam a Eleusis 100 mil candidatos para tomar parte neste rito. Um iniciado eleusino exclamou: “Graças a estes maravilhosos mistérios que provém dos deuses, a morte já não é um mal para os mortais senão uma bênção”. O jejum, a abstinência dos prazeres dos sentidos e o banho ritual serviam, com frequência, como preparação para estes ritos. Sob a dominação de Atenas, seus cidadãos não eram admitidos na área sagrada de Eleusis, sem antes passar pela formalidade de uma cerimônia de iniciação. Hoje em dia, organizações como a Ordem Rosacruz e a Ordem Maçônica, perpetuam alguns dos ritos das Escolas de Mistérios Eleusinas.

As iniciações fazem parte de nossa vida muito mais do que imaginamos. Em todos os casos, são um novo começo, um novo ponto de partida para as atividades de nossa vida e de nosso pensamento. Após cada uma delas ficamos com a sensação de haver renascido, de haver despertado um conhecimento novo que descarta o antigo. O simbolismo tem um papel muito importante nessa transformação ou troca. O eminente psicólogo, Carl Jung, advertiu que os símbolos são de grande importância, pois representam as forças psíquicas do mundo. Os chamou de “arquétipos”. Em suas obras, menciona, com frequência, um “inconsciente coletivo”, além do inconsciente pessoal. Segundo Jung, o inconsciente coletivo é a consciência primordial de todas as raças humanas que, no fundo, é a mesma em todas as pessoas.

A “psique” é a energia da alma da humanidade. Isso explica porque diversos povos, de épocas diferentes, têm usado a mesma simbologia em seus rituais. Os símbolos são inatos na humanidade, habitam o inconsciente coletivo. Sendo um elemento mutável, que a todos rodeia, a água continua sendo um símbolo importante de desenvolvimento e de transformação, especialmente para os estudantes Rosacruzes.

(Texto adaptado)




Phyllis Bordman, FRC






Ordem Rosacruz (AMORC)
www.amorc.org.br
Fonte da Gravura: http://ordemrosacruzjequie.blogspot.com.br/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

UMA DAS QUALIDADES INERENTES DA ÁGUA (MIKVEH)

Os kabalistas há muito tempo reconheceram e abraçaram os benefícios espirituais da água. É o seguinte: Andamos pelo mundo e encontramos pessoas que podem nos olhar com desdém, pessoas que podem ter inveja de nós, pessoas que podem ter raiva de nós. Na verdade, nunca sabemos realmente que pensamentos os outros podem ter a nosso respeito.

Quando imergimos nossos corpos na água, neutralizamos essas forças negativas, sejam elas quais forem ou de onde venham. Essa imersão é uma ferramenta kabalística chamada mikveh.

A água representa o fluido amniótico e, assim, quando imergimos na água, vivenciamos um tipo de retorno ao útero. Então, quando emergimos da água, é como se tivéssemos acabado de renascer. O poder da água está na sua capacidade de remover a negatividade espiritual que se prende a todos nós diariamente.

Um dos 72 Nomes de Deus, Vav Mem Bet, nos ajuda na conexão com a qualidade espiritual inerente da água e a purificar as águas que bebemos e utilizamos todos os dias. Os kabalistas dizem que a água pode curar naturalmente, nos rejuvenescer e nos conectar com a energia da Força da Vida. Passe seus olhos por essas letras para ajudá-lo a conectar-se com este poder.

(obs.: ler e/ou visualizar as três letras da direita para a esquerda)




Karen Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A ÁGUA COMO SÍMBOLO DA MATÉRIA PRIMORDIAL

«No começo, Deus criou o céu e a terra. A terra era informe e vazia; havia trevas à superfície do abismo e o espírito de Deus movia-se acima das águas.»

O que significam estas primeiras linhas do livro da Gênese? Tal como indicam as palavras “informe”, “vazio”, “trevas”, “abismo”, o universo anterior à criação era um espaço não organizado e obscuro. Mas, por cima desse caos, planava o espírito de Deus. A água representa a matéria cósmica original que o espírito de Deus, o fogo primordial, penetrou para a fertilizar. Contrariamente àquilo que geralmente se crê, não é o elemento terra que melhor exprime e manifesta as propriedades e as qualidades da matéria: é a água, com a sua receptividade, a sua adaptabilidade, a sua maleabilidade. A água é, pois, o símbolo da matéria primordial que recebeu os genes fertilizadores do espírito. Ao fecundar a matéria, o espírito trabalha sobre ela e, à medida que aparecem novas criações, ele descobre os seus poderes, vai conseguindo conhecer-se.

Então, se me perguntardes por que razão Deus criou o universo, eu responder-vos-ei: …para Se conhecer. A Cabala ensina que Deus quer conhecer-Se através do seu reflexo e ela representa precisamente essa ideia por intermédio de uma extensão de água na qual se reflete o seu rosto.





Omraam Mikhaël Aïvanhov







Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com