quinta-feira, 7 de maio de 2020

SATHYA E DHARMA (VERDADE E RETIDÃO)


Sathya e Dharma (Verdade e Retidão) são os conceitos mais importantes do Ramayana. Os Vedas, que são o verdadeiro alento vital dos bharatiyas (indianos), proclamam: “Satyam Vada (Fale a verdade). Dharmam Chara (Aja com retidão)”. Para honrar a palavra dada de seu pai, Rama decidiu ir para a floresta deixando Ayodhya. A verdade é o alicerce para toda a retidão. Não há religião maior que a verdade. Rama se destacou como um defensor da Verdade para cumprir a promessa de seu pai, a fim de manter as tradições de sua dinastia Ikshvaku, proteger seu país e o bem-estar do mundo. Todos, que se consideram seres humanos, devem defender a verdade da mesma maneira. Mahatmas (almas nobres) são aqueles cujas ações, pensamentos e palavras estão em perfeito acordo. Pessoas más são aquelas cujos pensamentos, palavras e ações são divergentes entre si. O Senhor Rama é, de fato, um Mahatma (alma nobre), digno de adoração por tempos imemoráveis! (Discurso Divino, 14 de abril de 1989)


Sathya Sai Baba



Fonte: https://www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

REFLEXÕES - PIETRO UBALDI


Quem tiver olhos abertos para ler dentro de si, porque se acostumou ao auto controle e à introspecção, pode, olhando para o fruto, reconstruir a estrutura da árvore e das raízes. Isto quer dizer que, olhando para os seus instintos e qualidades atuais, pode reconstituir a série de pensamentos e atos que, longamente repetidos, se tornaram hábitos, para constituir o que hoje é sua personalidade.

Deveríamos ter o máximo cuidado antes de gerar qualquer pensamento ou ato, porque depois ficamos a eles amarrados e os levamos conosco até atingir todas as suas consequências fatais. (....) E quanto mais repetimos um pensamento ou um ato, tanto mais ele se fixa, se torna firme e estável, descendo à profundeza de nossa personalidade, onde fixa aqueles marcos indeléveis que são as nossas qualidades.

Nossos hábitos não são nada no começo, são só pequenos movimentos, sem importância, em que ninguém repara. Mas, caindo e rolando sobre o caminho da nossa vida, eles atraem outros movimentos, que com a repetição descem até a nossa profundidade, tornando-se hábitos e transformando-se, finalmente, na terrível avalancha dos nossos instintos, aos quais é difícil resistir.

Quando alguém cai no seio de um carma coletivo, é porque fez por merecê-lo.

Podemos ficar tranquilos, pois ninguém pode fazer-nos mal algum que já não esteja dentro de nós.

Nem tudo o que constitui a nossa personalidade está contido na parte consciente, como nem todas as formas de luz estão contidas no espectro visível.


Pietro Ubaldi



Fonte: dos livros "A Lei de Deus" e "Princípios de uma Nova Era", de Pietro Ubaldi
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

COMO MEDITAR (Meditação Cristã - Thomas Merton)


Thomas Merton, espírito arguto e refinado, refinado na escola do mundo, que para isto é a melhor, dispôs-se a nos propiciar uma explanação modernizada daquilo que, de tratados antigos, chega até nós carregando estilo e conceituação de sua época, sobre a direção espiritual e a meditação.

Coisas antigas em formas novas, eis a contribuição de Merton, acrescendo que tudo é reformulado, pelas conquistas de psicologia moderna, pela qual muita coisa obscura se tornou clara e outras foram reduzidas às verdadeiras proporções.

Belo e acertado seu conceito quanto ao diretor espiritual: “um amigo em quem se confia, que, numa atmosfera de compreensão e simpatia, nos ajuda e fortalece em nossos esforços, nosso tatear, para corresponder à graça do Espírito Santo, que é o único verdadeiro Guia no sentido pleno da palavra”. Mas conhece e aponta os maus, que os há também.

Merton, neste tratado de meditação, ensina aos iniciantes, melhormente que certos tratados antigos, em virtude de abordar, ânimo aberto e destemido, dificuldades existentes nesse difícil capítulo da espiritualidade cristã, e as aberrações que podem surgir.
...

Iniciaremos apresentando o ponto de vista do monge trapista sobre um dos exercícios mais importantes da vida de oração: a meditação. Aqueles que se iniciam na oração procuram os caminhos mais adequados para chegarem aos elevados patamares da união com Deus. Contudo, tem o homem moderno sérias desconfianças em relação aos métodos e fórmulas, sendo o comodismo a opção natural.

Merton nos dá conselhos úteis, e chega a propor, com toda discrição, o seu método:


COMO MEDITAR

A alma bem disciplinada, como o corpo bem disciplinado, é ágil, dócil e sabe se adaptar. A alma que não sabe se dobrar, ser flexível e livre, é incapaz de progredir no caminho da oração. Uma rigidez imprudente poderá, no início, parecer dar bons resultados, mas acabará paralisando a vida interior.

Há, entretanto, algumas exigências universais para o exercício sadio da oração mental. Não podem, de forma alguma, ser negligenciadas.

Para meditar, tenho de afastar meu pensamento de tudo que me impeça de estar atento a Deus presente em meu coração. Ora, isso é impossível se não recolho meus sentidos. Mas é praticamente inútil recolher-me no momento de oração se, durante o dia, permiti aos sentidos e à imaginação andarem soltos.

Consequentemente, o desejo de se entregar à meditação supõe o esforço de conservar um recolhimento moderado e atento durante o dia todo. Significa viver habitualmente numa atmosfera de fé, com momento ocasionais de oração e atenção a Deus. O mundo em que vivemos apresenta um problema atordoante a qualquer pessoa que deseje adquirir hábitos de recolhimento.

... Thomas Merton alerta nossas motivações e pontua a postura humilde exigida na união com Deus, e trata das mortificações dos nossos sentidos. Observemos o que diz o monge sobre:


O SEGREDO DO NOSSO DESTINO

A primeira coisa que tenho de fazer, se quero ter vida de oração, é desenvolver uma forte resistência às atrações fúteis que a sociedade moderna exerce sobre meus cinco sentidos. Terei, portanto, de mortificar meus desejos.

Não falo aqui de práticas ascéticas extraordinárias, mas simplesmente da autorrenúncia requerida para viver segundo as normas da razão e do Evangelho. […]

Para fazer uma meditação séria e frutuosa, temos de iniciar nossa oração com o senso real da necessidade que temos dos frutos que dela provém. Não basta aplicar nosso espírito às coisas espirituais do mesmo modo que faríamos para observar um fenômeno natural ou um teste científico. Na oração mental, entramos num domínio do qual não somos os senhores, e nos propomos a consideração de verdades que excedem nossa compreensão natural e que contém, no entanto, o segredo de nosso destino. Procuramos, na oração mental, penetrar mais profundamente na vida de Deus. Mas Deus está infinitamente acima de nós, embora esteja em nós e seja o princípio de nosso ser. A graça da íntima união com Ele é, apesar de tudo, sempre um dom que Ele nos faz, ainda que a possamos obter pela oração e as boas obras.

... Lemos Merton finalmente chegar à "matéria-prima" de tudo aquilo que foi tratado anteriormente:

A meditação deve ter um assunto definido, preciso. No início da vida de oração, quanto mais precisos e concretos formos na meditação, tanto mais êxito teremos. A disciplina que nos impomos para nos concentrarmos num assunto especial claro e nítido tende a unificar as faculdades, dispondo-as assim, remotamente, para a oração contemplativa.

O ASSUNTO DA MEDITAÇÃO

Está claro que a escolha do assunto é de importância na meditação. E torna-se imediatamente evidente, desde que a meditação é uma forma íntima e pessoal de atividade espiritual, que a escolha deva ser pessoal. A maior parte das pessoas não consegue meditar bem num “tema” imposto por outro, sobretudo se é algo de abstrato.

O assunto normal da meditação, conforme a tradição ascética cristã, será algum mistério da fé. [...]

A finalidade da meditação é, portanto, em primeiro lugar, tornar-nos capazes de ver e experimentar os mistérios da vida de Cristo como fatores reais, presentes em nossa própria vida espiritual.

Para tornar essa experiência mais profunda e pessoal, procura a meditação penetrar debaixo da superfície exterior, no sentido íntimo, e, (o mais importante) relacionar os acontecimentos históricos narrados no Evangelho, com a nossa própria vida aqui e agora.



Fonte: do livro "Direção Espiritual e Meditação", Thomas Merton, Ed. Vozes
Via: https://merton.org.br/
Fonte da Gravura: https://i2.wp.com/www.ahintofrosemary.com/wp-content/uploads/2019/03/maxresdefault-1.jpg?w=669&ssl=1

ADAM (ADÃO) - CONDUTOR DA LUZ DO MUNDO INFINITO


Quando a Luz do Mundo Infinito criou o mundo manifesto, criou um receptáculo completo para conter todas as bênçãos oriundas desta mesma Luz. Este receptor se chamava Adam (Adão). Adam conteria um nível de consciência como nunca foi visto em toda a história do mundo manifesto. Adam também seria o condutor através da qual a Luz do Mundo Infinito seria canalizada e compartilhada. Nos primeiros instantes da Criação, Adam era “macho” e “fêmea”, e dentro de Adam havia todas as almas que um dia encarnariam no mundo manifesto. E essas almas eram também “macho e fêmea”. E é assim que somos constituídos, tanto física como espiritualmente, equilibrando os dois aspectos. Após a queda do homem original, resta-nos uma importante missão: reunir os aspectos opostos da alma dentro da consciência.

Rav Avraham Abuláfia nos ensina que o encontro desta alma gêmea original só poderia ser encontrada mediante a junção das almas “masculina” e “feminina” que habita em cada um de nós. Mas quando o aspecto feminino foi separado do masculino, Chavá (Eva) começou a existir como sendo uma entidade independente. Chavá está concentrada essencialmente em biná (na forma da neshamá) e malchut (na forma da néfesh). A parte mais densa de Chavá se separou dos aspectos mais elevados da Árvore da Vida. Em outras palavras, o mundo manifesto (Chavá) se “divorciou” do mundo espiritual (Adam).

Adam tornou-se a inteligência das partes masculinas da alma (keter, chochmá, chessed, netzach, yessod) e Chavá tornou-se a inteligência das partes femininas da alma (biná, guevurá, tiferet, hod, malchut). Quando Adam Kadmon (que compreendia a totalidade) era o receptor para a Luz do Mundo Infinito, sua capacidade de receber era ilimitada, e uma enorme intensidade da Luz se refletia no mundo manifesto. Porém depois da queda e da corrupção da alma, Adam deixou de se ver como um canal receptor (cabalista) - ele canalizava somente o que sua autoimagem residual (ego) lhe indicava que era capaz de receber. O Homem não mais se percebeu como unicidade e perdeu sua consciência espiritual completa, neste momento o mundo caiu na escuridão e a porção masculina se separa da porção feminina da alma. Pelo fato de o aspecto feminino ter sido criado em equilíbrio espiritual com o aspecto masculino, Chavá não podia ser maior que a natureza espiritual de Adam, e por isso, a Luz em malchut igualmente diminuiu.

À medida que o aspecto feminino diminuía, havia cada vez menos Luz manifesta pelo mundo. Gradualmente, ao longo das gerações, se deu uma total redução da Luz dentro do mundo manifesto. Até os dias de hoje lutamos para enfrentar os desafios gerados por essa redução da Luz dentro do mundo físico. O mundo caminhava em passos largos em direção a obscuridade. Somente quando surge Avraham (palavra código na Cabalá) é que o equilíbrio começava a ser restaurado. Avraham é o primeiro a conseguir restaurar os dois aspectos da alma (masculino e feminino) em si. Como resultado de sua compreensão e conhecimento espiritual e principalmente de seu desejo de trazer sabedoria para a humanidade, Avraham se tornou o canal para revelar a Luz do Mundo Infinito para a humanidade. Por ter encontrado a totalidade dos fragmentos da alma dentro de si mesmo, Avraham pode encontrar sua alma gêmea – Sara. O equilíbrio foi restaurado novamente entre o masculino e o feminino através do trabalho conjunto de Avraham e Sara. O papel de malchut, o aspecto feminino, foi elevado, e a escuridão foi substituída pela Luz. A humanidade recomeçava então a sua reconstrução espiritual. O grande desafio das futuras gerações seria a manutenção deste equilíbrio.

Hoje em dia, a manutenção desta interação espiritual entre o masculino e o feminino ocorre por intermédio do desenvolvimento das qualidades espirituais da Árvore da Vida, o que poderá ser a história de uma vida inteira de desenvolvimento e lapidação espiritual.

A chave para a preparação deste “casamento” está na forma como governamos o nosso desejo. Os nossos sábios nos informam que a essência central do ser humano é o desejo. Aqui reside a força motriz que gerencia não apenas a natureza humana como também todo o universo. Somos todos feitos de desejo, e segundo a Cabalá, isso vai além, todo o universo é movido pelo desejo. O desejo nutre todas as experiências manifestas.

Tudo o que fazemos, cada passo que damos sempre começa com o acender de um desejo que necessita ser preenchido. A Cabalá afirma que não há nenhum condutor mais profundo e potencialmente espiritual na união entre as duas partes (masculina e feminina) da alma do que o desejo.

Entre todas as manifestações do desejo, a que mais concentra energia potencial de Criação é o desejo sexual. E como todo e qualquer desejo, também aqui devemos procurar o refinamento. Quando nos tornamos conscientes do propósito espiritual e do papel cósmico que a união das almas masculinas e femininas desempenha no grande esquema das coisas, nos tornamos carregados de energia de Criação e fazemos o universo se mover. Por intermédio da união casher (pura) entre o masculino (o espírito) e o feminino (o corpo) pode-se manter um padrão crescente da qualidade e quantidade da Presença Divina dentro do mundo.

Aprendemos na Cabalá que muitas ações de morte são promovidas pelas palavras amargas e reativas que deriva (na grande parte das vezes) não intencionalmente de nós. Para que possa encontrar “graça aos olhos” do espírito, o corpo deve se preparar para receber a sua missão espiritual neste mundo. Para tal preparação é necessário que o cabalista restaure o “pacto único”: o nome código que significa o pacto da língua e a circuncisão do órgão procriador. Estes dois pontos - a língua e o órgão procriador, na verdade os dois pontos essenciais do "intercurso" - são os dois centros primários de energia, ou pontos de contato, situados ao longo da linha central do corpo. E ponto de equilíbrio (ou desequilíbrio) do desejo.

Na Cabalá, a energia emitida a partir de cada um destes centros ou pontos de contato funde-se com aquela da alma-gêmea da pessoa para procriarem. O poder de procriar fisicamente brota do ponto mais baixo, inferior, ao passo que o poder de procriar espiritualmente brota do ponto mais elevado da boca e língua. Aprendemos que humanos (seres materiais) são criados a partir da união inferior dos órgãos procriadores, ao passo que anjos (seres espirituais) são criados a partir da união de "boca a boca," pelo poder do beijo e das palavras.

Temos ainda, conforme a Cabalá um centro adicional de energia - ou ponto de contato - o ponto central do peito, o ponto de contato do "abraço." Este ponto, relativo aos pontos acima e abaixo dele, representa um nível intermediário de energia conectiva, mais material que aquele do ponto acima, porém mais espiritual que aquele do ponto abaixo dele. Aqui, os anjos descem para vestir-se numa forma corpórea e terrena.

Sendo assim, segundo os ensinamentos da Cabalá a união entre o homem e a mulher deve se iniciar a partir do ponto médio, o ponto do abraço, para ascender ao ponto mais elevado, o beijo e as palavras de amor e finalmente descer ao ponto inferior.

Na Cabalá, todo estado meditativo e esforço espiritual para despertar energias e criar uniões relaciona-se a uma fórmula contemplativa para atingirmos o nosso ponto de contato interno com o Criador. A meditação dos três pontos de contato estabelece esta mesma ordem sequencial para toda a preparação contemplativa.

O primeiro estágio da experiência com o Criador deve ser estabelecido pelo ponto central, ou seja, pelo desejo de ser chaver (companheiro) do caminho. Aqui entra a importância do relacionamento com a congregação e a comunidade como um todo. Em seguida deve-se elevar a boca. Aqui há uma alegoria com o relacionamento com o mestre (rav) por se tratar de um relacionamento de palavras (ensinamentos). E por último nos níveis mais corporais, pois aqui reside a dedicação de corpo inteiro ao caminho. Aqui também reside um caminho a ser contemplado (no corpo) para que se possa rapidamente atingir um grau mais contemplativo de fluxo do Shefá (fluxo divino) pelos caminhos da Árvore da Vida.


Rav Mario Meir



Fonte: Academia de Cabala
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal