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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

ATENÇÃO VIGILANTE E ORAÇÃO INCESSANTE


Continuando com o tema de ficar atento a quem está no controle dos meus comportamentos diários...

Estou comendo e sinto o início da saciedade. A mente avisa que você deve parar de comer, pois há muitas lembranças de se sentir mal por continuar a comer neste momento. Porém, não basta saber o que vai acontecer, o corpo continua a mandar comer. Aqui, neste ponto, se surge um ato de vontade, uma forte intenção de mudar, e com atenção paro de comer, levanto-me, tiro os pratos e retomo a invocação...

No preciso momento em que você largou os talheres e se levantou, parando de comer, o espírito apareceu. Esse é mais profundo e mais consciente, mais espiritual em nós mesmos. Tem a ver com o homem interior de que fala São Paulo. É aquele que avisa sobre a lei que prevalece nos homens, lei que alimenta a escravidão e que nos faz sofrer pelos automatismos. Outro exemplo é o da raiva: quando começo a ficar com raiva de alguém e surge a vontade de repreendê-lo a mente está no comando e o corpo a serve com espasmos, todos os mecanismos de ataque são ativados... mas a memória do ensinamento de Jesus, o desejo de ser coerente com o Evangelho e o mandamento principal, brilham em nosso interior. Eu paro, então. Peço permissão e, em vez de repreensões, saio da sala. Esse foi o espírito que pelo braço da vontade permitiu a não reação.

São casos muito comuns. A gula e a raiva mostram claramente quando nossos corpos ou pensamentos nos governam. E o que é decisivo é a atenção e a oração interior. Em qualquer dos casos, a consciência permite que apareça a nossa intenção de sermos donos de nós próprios e, através da oração sincera, pedimos a força para nos impor.

Isso tem a vantagem de que a pessoa se acostuma a não se deixar levar pelo reativo e passa a sentir o sabor de dirigir a atenção em busca da coerência da vida. Assim, descobrimos que podemos praticar o que nos dizem aqueles versos, no Evangelho, que são tão difíceis para nós, como o amar nossos inimigos, o não fazer acepção de pessoas, a não se preocupar com o amanhã ou a dar a outra face, dentre outras passagens. Começamos a descobrir o significado mais profundo dos ensinamentos porque eles aparecem como praticáveis ​​e não como ideais que nunca abordamos. A chave para nossa "metanóia**" é a atenção vigilante e a oração incessante.


(A parte 1 está no texto "Atenção Vigilante - Um Campo de Confiança")

** "conversão" (no sentido de mudar de direção mental, de vida; não se refere à mudança de religião ou crença religiosa - nota deste blog)


Blog EL SANTO NOME



Fonte: https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ATENÇÃO VIGILANTE - UM CAMPO DE CONFIANÇA


O que estou procurando agora? Qual é o propósito desta ação? Esses tipos de perguntas nos ajudam a determinar quem está no controle de nosso comportamento em um determinado momento. Ou seja, ao olhar para o objeto que exerce uma ação, descobrimos aquele que a dirige. Então, posso descobrir quem governa meu comportamento pelos sintomas que percebo ou pelo que espero obter com o que faço.

O que caracteriza os modos da mente? Inquietação, pressa e auto-afirmação. Em geral, sempre que queremos que o próximo momento chegue, que o agora acabe e o futuro chegue, podemos ter certeza de que a mente nos guia fortemente. E o que caracteriza a tirania do corpo? A voracidade insaciável; esse passar de um prazer ao outro, utilizando as coisas como pratos a experimentar apressadamente numa iguaria preparada ao nosso gosto.

A mente nos faz correr uma corrida de revezamento sem descanso, de um momento para o outro sem pausa, como se houvesse uma meta, como se no final da corrida houvesse um sentido. E o corpo nos garante que terá paz e saciedade depois desse ou daquele prazer. Ele promete se conformar quando, na realidade, nutre sua voracidade infinita. Devemos, então, maltratar o corpo e ignorar as necessidades da mente? Não. Basta colocar essas funções a serviço do espírito. Assuma que são ferramentas a serviço do filho de Deus que somos e ordene-as de acordo com a forma como foram criadas. A "queda original" também pode ser sintetizada como uma perversão das funções.

O espírito se manifesta como um campo de confiança. Assume a forma de uma boa atitude sempre pronta para a vontade do Altíssimo. O espírito humano é aquele em nós que se sente criança, que se entrega sem hesitar à orientação do Criador e que se esforça para retribuir o dom da existência em atos de gratidão. Em toda "consciência" o espírito fala. É o reservatório de graça que vive no coração e luta para se manifestar a cada momento. É "aquele que sabe" quando fazemos o mal.

A atenção é a simples manifestação do espírito do homem na vida cotidiana. Pode ser visto na intenção de sair do sonambulismo e despertar para a Presença, desafiando os automatismos. O espírito é o que nos faz lembrar a fraternidade com o outro; é aquele impulso compassivo que amolece nossos corações; é uma sensação expansiva que nos une com todas as coisas vivas e nos leva de volta ao nosso destino original.

(A parte 2 está no texto "Atenção Vigilante e Oração Incessante")



Blog EL SANTO NOME




Fonte: https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acerco de autoria pessoal