Mostrando postagens com marcador igrejas cristãs. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador igrejas cristãs. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

O LADO ESOTÉRICO DO CRISTIANISMO


As Igrejas Cristãs na atualidade professam que todos os ensinamentos de Jesus estão contidos na Bíblia, tendo sido interpretados, no decorrer dos séculos, pelos credos, dogmas e outros ensinamentos transmitidos pela hierarquia eclesiástica. Apesar das passagens da Bíblia que falam claramente sobre ensinamentos reservados e dos escritos dos padres da Igreja Primitiva referindo-se aos Mistérios de Jesus, a atitude ortodoxa é de que não existe um lado interno na tradição cristã. Caso isso fosse verdade, essa seria a única grande religião sem ensinamentos esotéricos. Essa postura da Igreja não é de se estranhar, pois, como disse o bispo Leadbeater, da Igreja Católica Liberal, “com a passagem do tempo, todas as religiões gradualmente se distanciam da forma original em que foram plasmadas por seus fundadores. Quase sempre esta mudança é para pior.”

Porém, existe um lado interno na tradição cristã, que são os ensinamentos reservados e as práticas estabelecidas por Jesus, preservadas e desenvolvidas por seus discípulos e grandes praticantes. Pelo fato de lidarem com os aspectos ocultos da natureza e do homem, são geralmente preservados pela tradição oral ou apresentados de forma alegórica. Esses ensinamentos visam identificar o objetivo último da vida do homem no mundo e orientar os praticantes como alcançá-lo o mais rápido possível. O lado interno, portanto, é equivalente ao lado esotérico ou oculto da tradição.

Como os ensinamentos esotéricos, por definição, são ministrados de forma reservada a um número relativamente pequeno de discípulos mais avançados e, geralmente, sob o juramento de sigilo, muito pouca informação a esse respeito chega ao domínio público. Essa situação tem um paralelo na tradição dos mistérios, sobre a qual tanto se fala, mas pouco se sabe fora do círculo de seus iniciados.

Apesar de quase ignorado por muitos séculos, o lado interno da tradição cristã é uma realidade. Jesus falava de acordo com a capacidade de discernimento de cada um, “segundo o que podiam compreender” (Mc 4,33), sendo que para seus discípulos ministrava ensinamentos reservados, como fica claro na seguinte passagem: “Quando ficaram sozinhos, os que estavam junto dele com os Doze o interrogaram sobre as parábolas. Dizia­-lhes: ‘A vós foi dado o mistério do Reino de Deus; aos de fora, porém, tudo acontece em parábolas.’” (Mc 4,10­-11)

Se aceitamos o teor dessa passagem, que é confirmado em outras partes dos evangelhos e em documentos apócrifos, podemos assumir que a tradição cristã, pelo menos em seus primórdios, teve um lado interno, estabelecido diretamente por Jesus.

Paulo confirma esse fato em suas epístolas quando fala de verdades veladas, reservadas aos perfeitos, ou seja, aos que tinham sido iniciados nos mistérios de Jesus: “Ensinamos a sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que Deus, antes dos séculos, de antemão destinou para a nossa glória.” (1Co 2,7) E, referindo-se aos dons da graça de Deus, o apóstolo diz: “Desses dons não falamos segundo a linguagem ensinada pela sabedoria humana, mas segundo aquela que o Espírito ensina, exprimindo realidades espirituais em termos espirituais.” (1Co 2,13)

Na Epístola aos Hebreus é mencionado que, mesmo com o passar do tempo, a maior parte dos membros das comunidades cristãs primitivas ainda não estava apta a receber os ensinamentos internos: “Muitas coisas teríamos a dizer sobre isso, e a sua explicação é difícil, porque vos tornastes lentos à compreensão. Pois, uma vez que com o tempo vós deveríeis ter-­vos tornado mestres, necessitais novamente que se vos ensinem os primeiros rudimentos dos oráculos de Deus, e precisais de leite, e não de alimento sólido. De fato, aquele que ainda se amamenta não pode degustar a doutrina da justiça, pois é uma criancinha! Os adultos, porém, que pelo hábito possuem o senso moral exercitado para discernir o bem e o mal, recebem o alimento sólido.” (Hb 5,11-­14)

No Evangelho de João existem várias passagens de natureza profundamente esotérica apresentadas de forma velada. Existem, também, indicações de que outros evangelhos de natureza esotérica foram escritos mas não foram conservados pela tradição ortodoxa, como o Evangelho de Matias, referido por Jerônimo, o Evangelho secreto de Marcos, e os Evangelhos de Tomé e de Felipe, encontrados na biblioteca de Nag Hamaddi. Clemente de Alexandria, um dos maiores patriarcas da Igreja, falando sobre o trabalho de Marcos e os ensinamentos secretos de Jesus, escreve: “(Desta forma) ele (Marcos) organizou um evangelho mais espiritual para aqueles que estavam sendo purificados. No entanto, não divulgou as coisas que não deveriam ser reveladas, nem escreveu os ensinamentos hierofânticos do Senhor... Incluiu certas explicações que, ele sabia, conduziriam os ouvintes ao santuário mais interno daquela verdade oculta por sete (véus).”

A prática de diferenciar os níveis de ensinamento conforme a preparação dos ouvintes era comum entre os judeus, tanto da tradição rabínica como dos essênios, que transmitiam dois tipos de ensinamentos, um externo para o povo e os neófitos, e outro interno (esotérico), para os estudantes avançados.

Os grandes seres que legaram ensinamentos à humanidade, que mais tarde transformaram-­se em religiões, sempre levaram em consideração as necessidades específicas das almas em diferentes estágios evolutivos. Para as massas eram ministradas instruções simples, voltadas para as necessidades prementes de orientação moral, de consolação e de esperança para os aflitos. Assim, as parábolas e outros ditados de Jesus contêm, numa primeira leitura, uma “moral da estória”, um ensinamento prático, geralmente apresentado com imagens da vida diária de seus ouvintes. Porém, para as pessoas mais instruídas e já despertas espiritualmente, as mesmas parábolas, devidamente interpretadas, ofereciam outra camada de ensinamentos mais profundos que haviam sido velados pela alegoria. Finalmente, para seus discípulos mais chegados, foram ministrados ensinamentos secretos conservados pela tradição oral e só mais tarde confiados à linguagem escrita, ainda que de forma altamente simbólica.

O bispo Leadbeater afirma categoricamente que existe um lado esotérico do cristianismo, apesar dos protestos em contrário das correntes ortodoxas dominantes. Em suas pungentes palavras: “Originalmente, o cristianismo era uma doutrina de magnífica elaboração — aquela doutrina que repousa nos fundamentos de todas as religiões. Quando a história do Evangelho, que tinha significação alegórica, foi degradada a uma pseudo narrativa histórica da vida de um homem, a religião tornou-­se confusa. Por essa razão, todos os textos relativos às coisas elevadas foram distorcidos e, portanto, não mais correspondem à verdade subjacente. Por ter o cristianismo esquecido muito de seu ensinamento original, é costume atualmente negar que algum dia tenha tido qualquer instrução esotérica.”

Nos primeiros séculos de nossa era os ensinamentos internos de Jesus foram preservados principalmente pelos grupos conhecidos como gnósticos, que transmitiam oralmente seus segredos, de forma gradual, aos seus seguidores. A massa dos fiéis recebia os ensinamentos da tradição aberta, muitos dos quais derivados dos ensinamentos esotéricos. Com o tempo, porém, a corrente ortodoxa passou a dar uma interpretação de cunho histórico e literal às verdades profundas, transformando-as em dogmas. Um estudioso chega a sugerir que: “Os dogmas tradicionais da Igreja que chegaram a nós ao longo dos séculos são materializações grosseiras do verdadeiro ensinamento sobre a natureza e origem espiritual do homem contido na gnosis. Esses dogmas são o resultado do historicismo literal das narrativas — alguns casos, porém, tendo uma base semi ­histórica — que tinham a intenção original de servir como alegorias cobrindo profundas verdades espirituais.

A verdade, portanto, não é que o gnosticismo seja uma "heresia", um afastamento do verdadeiro cristianismo, mas precisamente o oposto, isso é, que o cristianismo em seu desenvolvimento dogmático e eclesiástico é uma caricatura dos ensinamentos gnósticos originais.

Com o crescente acervo de informações sobre o lado esotérico dos ensinamentos de nossa tradição, seria lícito perguntar por que esses dados não foram apresentados de forma sistemática para o grande público? A verdade é que nunca houve interesse nesse particular dentro da Igreja. Ao contrário, as autoridades eclesiásticas, depois de Clemente de Alexandria e Orígenes, sempre negaram que houvesse um lado esotérico da tradição cristã. Um dos principais fatores para essa atitude remonta à aliança da incipiente Igreja com o Imperador romano Constantino no início do século IV. O cristianismo popular, introduzido por Constantino como religião oficial do Império Romano não podia se dar ao luxo de aceitar uma visão interna e esotérica, fora do controle da hierarquia. A nova religião tinha que servir como instrumento de garantia do reino terrestre. Um reino espiritual não tinha lugar nesse esquema. Para a Igreja Romana, essa aliança trouxe inúmeras vantagens, como a cessação das perseguições e o poder temporal sobre assuntos religiosos.

Porém, o preço pago foi demasiado alto: o afastamento do que havia de mais precioso na herança cristã e a alienação de milhares de buscadores sinceros que foram anatemizados ao longo dos séculos. Dessa tentação não escaparam, mais tarde, as Igrejas da reforma protestante, que também se uniram aos príncipes desse mundo.

A Bíblia permaneceu a suprema fonte da tradição, em que pese a importância concedida à tradição oral, principalmente nos meios monásticos. Toda tentativa de sistematização dos ensinamentos do Mestre sempre foi vista com extrema suspeita, pois o resultado de qualquer nova apresentação dos ensinamentos iria, no mínimo, afetar as prioridades e valores relativos da estrutura dogmática estabelecida pela Igreja. A atitude usual, porém, ia muito além da suspeita, chegando à rejeição peremptória das novas interpretações, pois, por definição, seriam diferentes da ortodoxa, sendo, portanto, taxadas de heresias e combatidas literalmente a ferro e fogo. Dado o poder quase absoluto da Igreja a partir do século IV até o século XIX, todas as tentativas de sistematização, inclusive dos ensinamentos esotéricos de Jesus que vieram a público, não tiveram sucesso, geralmente terminando com os escritos e seus escritores sendo execrados ou lançados na fogueira.

Com a liberdade de pensamento e expressão conquistada no século passado e consolidada a partir da segunda metade deste século (20), um número crescente de estudos vem sendo realizado: inicialmente comparando os provérbios e parábolas semelhantes nos evangelhos sinóticos, que levaram à teoria do Evangelho Q (inicial da palavra alemã Quelle, que significa fonte, para a suposta fonte original das logia* de Jesus) e, mais recentemente, a comparação e análise das formulações dos sinóticos com as equivalentes nos evangelhos gnósticos, principalmente com o Evangelho de Tomé. As interpretações das parábolas de Jesus foram outro grande avanço no entendimento dos ensinamentos do Mestre.

Partimos, portanto, da hipótese de que os ensinamentos de Jesus, o vivo, como o Mestre era chamado pelos gnósticos, foram o instrumento para trazer salvação aos homens, entendida como a admissão ao Reino dos Céus. Esses ensinamentos seriam a medicação salvadora receitada pelo grande terapeuta à humanidade. O diagnóstico foi feito, a medicação receitada. Resta a cada ser humano exercitar seu livre arbítrio e decidir se toma a medicação necessária, em tempo hábil, na atual encarnação. Caso o diagnóstico e a prescrição sejam aceitos, deve-­se envidar todo o esforço possível para fazer o tratamento, que é, como na homeopatia, feito a longo prazo, ativando os princípios curadores existentes no interior de cada um. A revelação foi feita, a ajuda divina está disponível, mas o paciente deve fazer a sua parte.


Victor Rebelo



Fonte: do opúsculo "Jesus e o Espiritismo", da Coleção "Sem Mistérios", Vol. 4
Anexo da "Revista Cristã de Espiritismo", Ed. Escala
www.editoraescala.com.br
Digitalizada por L. Neilmoris, 2008
www.luzespirita.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/b%C3%ADblia-religi%C3%A3o-cristianismo-879084/


Nota:
* palavra, discurso, linguagem; termo usado para as supostas palavras originais de Jesus, o Vivo, ditas secretamente aos seus discípulos, e que vem confirmar os evangelhos canônicos, ratificando sua autenticidade.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

SIMBOLISMO DO NATAL - SUA ORIGEM HISTÓRICA E ESOTÉRICA (A MÍSTICA DO NATAL)


O dia em que atualmente festejamos o Natal, ou seja, 25 de dezembro, era dedicado a festa em homenagem ao nascimento do Deus Mitra, cuja história, juntamente com a de Apolônio de Tiana, serviu de base para compor a história da vida de Jesus. Do mesmo modo, todos os rituais e as práticas sacerdotais adotadas pela igreja romana têm origem no culto mitraico, predominante nos primórdios do cristianismo católico, e para “aproveitar a popularidade de Mitra” a igreja romana também adotou a data do nascimento de Mitra para o nascimento de Jesus, fazendo-o nascer no mesmo dia em que teria nascido Mitra, daí que nosso Natal é uma continuação das festas em homenagem a Mitra e que tem, de quebra, os costumes praticados pelos romanos na realização das Saturnálias, festa em homenagem a Saturno, quando se davam presentes entre si e as pessoas gozavam até mesmo de uma liberdade licenciosa, tanto para comer como se dar aos prazeres da carne (como acontece agora!).

Entre os dias 17 e 23 de Dezembro os Romanos celebravam o "Festival da Saturnália" em honra do deus Saturno. Nos dois últimos dias trocavam presentes em honra desse Deus. Já em 25 de Dezembro acontecia a celebração do nascimento do Sol Invencível (Natalis Solis Invicti). Posteriormente, à medida que as tradições romanas iam sendo suplantadas pelas tradições orientais importadas, os maiores festejos realizavam-se em honra do deus Mitra, cujo nascimento se comemorava a 25 de Dezembro. O culto de Mitra - que se tornou difundido como o deus da luta e o protetor dos soldados - penetrou em Roma no 1º século a.C. e esta data entrou no calendário civil romano no ano de 274 da Era cristã, quando o Imperador Aureliano declarou aquele dia o maior feriado em Roma, comparável ao nosso carnaval. Os adeptos do mitraísmo costumavam se reunir na noite de 24 para 25 de dezembro, a mais longa e mais fria do ano, onde ficavam fazendo oferendas e preces pela volta da luz e do calor do Sol.

Falar sobre o nosso Natal é impossível sem conhecer um pouco da história de Mitra. Seu culto data de 4.000 anos antes de Cristo. Mitra teria nascido de uma virgem no dia 25 de dezembro e foi colocado numa manjedoura e pastores humildes que assistiram ao evento, foram os primeiros que o adoraram. Celebrou uma Santa Ceia, junto com 12 discípulos, antes de voltar para a casa do Pai. Ascendeu ao Céu de onde prometeu voltar no fim dos tempos para o Juízo Final. Garantiu a vida eterna a quem se purificasse mediante o batismo.

Era tido como o Logos (O Verbo, a Palavra) embora fosse considerado um anjo inferior ao Ser Supremo (Ormuzd), mas superior ao deus Sol físico. Durante o período védico do hinduísmo Mitra (associado à Varuna) era o deus da criação, da ordem universal e da amizade. Mitra era onissapiente, inimigo da escuridão e do mal, deus das vitórias militares e protetor dos justos. Agia como mediador entre a humanidade e o Ser Supremo. Encarnou para viver entre os homens e enfim morreu para que todos fossem salvos. Os fiéis comemoravam a sua ressurreição durante cerimônias onde eram proferidas as palavras: "Aquele que não comer o meu corpo e beber o meu sangue, de forma que ele seja em mim e eu nele, não será salvo".

Mitra era um deus do bem, criador da luz (por isso mesmo era associado ao Sol), em luta permanente contra a divindade obscura do mal. Seu culto estava associado à crença na existência futura absolutamente espiritual e libertada da matéria. Como protetor dos justos agia como mediador entre a humanidade e o Ser Supremo.

O líder do culto Mitraico era chamado de Papa e governava de um "mithraeum" na Colina Vaticano, em Roma; uma característica iconográfica proeminente no Mitraísmo era uma grande chave, necessária para destrancar os portões celestiais pelo qual se acreditava passar as almas dos defuntos. Os Mitraístas consumiam uma comida sagrada (Myazda) que era composta de pão e vinho.

Existiam, nos Mistérios Mitraicos sete níveis de iniciação, cada um coligado a um planeta: Corax (Mercúrio), Nymphus (Vênus), Miles (Marte), Leo (Júpiter), Perses (Lua), Heliodromos (Sol) e, enfim, Padre (Saturno). Assim como entre os Essênios, os iniciados de grau inferior (os aprendizes: Corax e Nymphus) tinham que servir os iniciados de nível superior: os companheiros (Miles e Leo), os mestres (Perses e Heliódromos) e o venerando Papa.

O culto de Mitra era uma religião cheia de mistérios e simbolismo; as mulheres ficavam excluídas das formas exteriores e regulares da liturgia. Muitos elementos de sua organização lembram os da moderna Maçonaria. Os templos subterrâneos reproduziam o firmamento enquanto a arte mitraísta insistia na representação de corpos celestes (o zodíaco, os planetas, o sol, a lua e as estrelas), também da serpente, do cão, do corvo, do escorpião (todas as constelações do hemisfério boreal) e da árvore. Sempre foi uma religião privada que jamais recebeu verbas públicas, sendo os templos de Mitra singelos e despidos daquela ostentação que caracterizava as basílicas paleo-cristãs. Primou por uma grande tolerância em relação aos outros credos.

A história de Mitra principia com o Demiurgo (Ahriman) oprimindo a humanidade. Apiedado, Mitra encarna no dia 25 de dezembro, data que na antiguidade correspondia ao Solstício de inverno (ou seja, quando o Sol nasce para o hemisfério norte do planeta). Teria nascido de uma rocha e prega numa caverna (também Jesus veio ao mundo numa gruta), porém, segundo a mitologia persa, Mitra fora gerado por uma virgem denominada "Mãe de Deus". Durante sua vida terrena Mitra se manteve casto, pregou a fraternidade universal e operou inúmeros milagres. O acontecimento mais marcante de sua vida foi a luta simbólica que travou contra o Touro sagrado (os costumes maléficos adquiridos pela humanidade durante a Era de Touro) que ele derrotou e sacrificou em prol da humanidade da Nova Era. Sua vitória tinha o dúplice significado de vitória sobre o mundo terreno e de auto-sacrifício da divindade a fim de redimir o gênero humano de seus pecados.

O apologista cristão Tertuliano afirma que os sequazes de Mitra eram batizados com borrifos de sangue de Touro ou de carneiro e, finalmente, purificados com água. Por causa disso, no sétimo século, a Igreja católica tentou, sem êxito, suprimir a representação de Cristo como Cordeiro de Deus, justamente por ser esta uma imagem de origem pagã e estar associada ao símbolo da Era de Áries (que tinha como Avatar Mitra, vencedor do Touro, ou seja, os costumes da Era de Touro que precisavam ser banidos para a manifestação da Nova Dispensação, ou seja, os ensinamentos da Era de Áries).

São Justino Mártir atesta que existia uma eucaristia de Mitra onde os fiéis compartilhavam pequenos pães redondos e água consagrada simbolizando, respectivamente, a carne e o sangue do deus encarnado. Este ritual, que ocorria aos domingos (dia da semana consagrado ao Sol), era chamado Myazda e correspondia exatamente à Missa dos cristãos.

Mitra não morria fisicamente, mas apenas simbolicamente e, como divindade solar, ressuscitava todo ano. Cumprida a missão terrena, ele jantava pela derradeira vez com seus discípulos e subia ao Céu. Seus adeptos tinham que jejuar frequentemente e, após terem recebido um sinal na testa passavam a ser chamados "Soldados de Mitra".

No início do IV século o imperador Constantino apoiou as religiões emergentes: o cristianismo e os cultos solares, ou seja, o de Apolo (popular entre os Celtas) e o de Mitra, extremamente difuso na parte Ocidental do Império onde, ao contrário, os cristãos ainda eram minoria. De nenhuma forma Constantino pode ser considerado um soberano cristão, pois, como os demais imperadores romanos jamais renunciou ao título de Pontifex Maximus. Além disso, privilegiou os pagãos nos cargos administrativos e a Casa da Moeda romana continuou a cunhar moedas mostrando símbolos pagãos.

O mitraísmo sumiu oficialmente em 377 d.C., data em que o imperador cristão Teodósio proibiu todas as religiões diferentes do cristianismo. Pequenos grupos de adeptos continuaram a praticar, secretamente, o culto a Mitra até o século V, quando os bispos desencadearam ásperas perseguições contra os cultos solares.

Surpreendentemente a própria Igreja cristã incorporou boa parte das práticas mitraístas como a liturgia do Batismo, da Crisma, da Eucaristia, da Páscoa e a utilização do incenso, das velas, dos sinos etc. Até as vestimentas usadas pelo clero católico são extremamente parecidas com as dos sacerdotes de Mitra, como a mitra usada pelo Papa e a tiara, barretes usados pelos antigos persas.

Santo Agostinho chegou a admitir algum tipo de fusão entre as duas religiões quando reconheceu que os sacerdotes de Mitra adoravam o mesmo Deus em que ele acreditava. Em outras palavras, para ele, Mitra e Jesus era a mesma pessoa!

O culto a Mitra tornou-se muito popular no Império Romano e, para contê-lo, a Igreja adotou sua data sagrada, o dia de Mitra - 25 de dezembro como o nascimento de Jesus estabelecendo, assim, o Natal que hoje festejamos nesta data. Estava estabelecido o Natal. Depois, no Concílio de Toledo, em 447, a Igreja publicou a primeira descrição oficial do diabo, a encarnação do mal: um ser imenso e escuro, com chifres na cabeça. Como Mitra.

Mitra era o sol espiritual que se encontra além da esfera das estrelas fixas. Portanto seria a força cósmica capaz de governar o ciclo das estações: a eterna sequência de outonos-primaveras, de luz-escuridão, na espera da vitória final da Luz sobre as trevas, da Vida sobre a morte.

Embora a maioria dos cristãos desconheça o fato em si, a história da vida de Jesus também está associada ao Solis Invictus (Sol Invicto, não vencido) que nasce no hemisfério norte no dia em que o Sol físico desponta no hemisfério norte (daí a missa do Galo, que canta quando o Sol nasce) e as peripécias de sua vida estão intimamente associadas ao percurso que este faz durante o ano pelo zodíaco, como veremos a seguir.

Durante os 3 meses do inverno, Jesus (o Sol recém-nascido) precisa ser protegido para fugir das forças descontroladas ainda reinantes no planeta, que tudo parecem destruir, principalmente a vida nascente (esta situação é representada por Herodes, simbolizando o frio do inverno, que matava todas as crianças nascidas durante este período).

Em seguida vêm os 3 meses da primavera. Durante este período, a jornada do Sol pelo zodíaco, espalha os benefícios de sua energia, como símbolo da vida e satura tudo e todas as coisas com a beleza e a música da vida espiritual. Depois, os 3 meses de verão, quando se desenvolvem as formas já existentes, que então se preparam para dar os frutos dessa energia vivificante e vivificadora que são os raios do sol. Estas duas estações do ano são representadas pela fuga para o Egito (lugar de calor), onde a criança se desenvolve até que volta para Jerusalém, depois da morte de Herodes, ou seja, do frio. Este período é o do crescimento e maturação das lavouras, quando tudo é preparado para a colheita, que ocorre quando então, vem o outono, e a energia solar começa a se enfraquecer e os frutos amadurecidos pela energia solar, ainda existentes, serão menores, porém mais doces. Esta época é representada pelos 3 anos de apostolado de Jesus que termina quando ele é abandonado por seus apóstolos (fim do outono) e morre com a chegada do Inverno (os 3 dias na sepultura representam os 3 meses do inverno) para refazer, posteriormente, o mesmo ciclo cada ano, sempre por amor àqueles que são seus filhos amados, ou seja, a humanidade.

Assim procede o Sol, intitulado pelos Rosa-cruzes como Chrestos-Solar, quando se referem àquela vida que representa o Sol Espiritual, o mesmo Mitra antes mencionado, cuja história a Igreja Católica usurpou para fundar uma religião onde o verdadeiro cristianismo foi esquecido, ou seja, o cristianismo dos primeiros cristãos, que nunca admitiram a pompa e as festas das outras religiões por não serem condizentes com os princípios de pureza que defendiam.

(Nota: Os verdadeiros cristãos foram levados aos leões das arenas romanas pela própria igreja que precisava agradar a Constantino, seu protetor e defensor por causa de seus objetivos políticos e eliminar os defensores da vida verdadeiramente cristã vivenciada pelos adeptos do cristianismo puro, os antigos gnósticos).

Somente no ano 337 d.C. foi que o Papa Julio I, promulgou oficialmente o dia 25 de dezembro como sendo o dia de nascimento de Jesus e para justificar essa atitude do Papa, S. João Crisóstomo explicava assim o porquê da escolha da data: “Em Roma, este dia acaba de ser escolhido como o do nascimento de Cristo a fim de que os Cristãos possam celebrar seus próprios ritos sem serem molestados pelos pagãos, já que esses estão ocupados com suas cerimônias (as Saturnálias).

A Doutrina atribuída a Jesus era a mesma ensinada por Mitra e também propunha o desapego às glórias do mundo, a simplicidade, a humildade, o perdão às ofensas e o amor fraterno e isto causou profundo efeito nas almas que ansiavam e aspiravam pelo reino de Deus. Esta doutrina revelava ainda que esse Reino está dentro de todos nós, acendendo esperanças entre a classe humilde, o que impressionava os poderosos da época pela sinceridade de seus seguidores.

Para melhor compreensão do que estamos informando, vamos enumerar algumas semelhanças, principalmente entre a conhecida história da Vida de Jesus, a de Krisna, Avatar da Era de Touro, que teria vivido mais ou menos 4 mil anos antes de Jesus e de alguns outros Deuses Solares, tais como Tammuz, Filho da Virgem Ishtar; Buda, filho de Maya; Adonis, filho da Virgem Myrra etc.:

1. Todos estes fundadores das grandes religiões do passado teriam nascido de uma mãe virgem, no caso de Jesus, Maria (que teve outros filhos depois do primogênito e no caso de Krishna, Devaki, virgem imaculada que, entretanto, havia dado à luz 8 filhos antes de Krishna.

2. O nascimento desses avatares sempre ocorre num estábulo, gruta ou caverna ou câmara subterrânea, sempre entre animais.

3. A data de nascimento da criança ocorre no dia 25 de dezembro, justamente quando acontece o solstício de inverno no hemisfério norte do planeta.

4. A Estrela do Oriente e a chegada dos Magos (no caso do Cristianismo chamados os 3 reis magos).

5. O massacre de inocentes por Herodes, no caso de Jesus e por Kanza, tio de Krishna e tirano de Mathurâ, quando nos referimos a consequente fuga para um país distante, sempre um lugar quente, conforme se diz de Krishna, Jesus e outros Deuses-Sóis. Entre os judeus é o Faraó, que avisado pelos Magos de sua corte de que nesta data nascerá um poderoso mago que o vencerá, manda matar todas as crianças nascidas no reino durante este mês.

6. A quaresma ou a chegada da primavera, com a consequente Páscoa, para celebrar a passagem ou cruzamento do Sol pelo Equador em dezembro.

7. A Transfiguração de Jesus e de Krishna.

8. A lavagem dos pés dos apóstolos por Jesus e dos Bramanes por Krishna e os vários milagres que praticaram.

9. A pregação e a revelação dos segredos do santuário.

10. A morte de Jesus numa cruz (madeira) e de Krishna amarrado e flechado numa árvore (Nota: Como a imagem de Krishna era muito adorada na Índia, a Igreja católica fez dele um santo e batizou-o com o nome de S. Sebastião que, como S. Jorge e S. Cristovão, há alguns anos atrás foram “destronados” pelo Papa por não terem raízes reais para comprovar suas existências).

11. A ressurreição (nos casos de Osíris, Attis e Jesus).

12. Os 12 discípulos.

13. O Discurso do Eu Sou de Jesus e de Krishna.

Acrescentemos ao que está acima as seguintes coincidências:

Mâya, a mãe de Buda, a “Mãe das formas” e da “Pura Luz”, assimilável ao próprio espírito, enquanto repousava, viu em sonho a budeidade penetrá-la sob o aspecto de um elefante branco. Essa alegoria pode ser comparada com a versão cristã da Visitação de Maria, pelo Arcanjo Gabriel, e também com a “visita” feita à mãe de Alexandre, o Grande, por Zeus (A Luz Divina) sob a forma de uma Serpente, e sua fecundação simbólica.

Por esta similaridade, não podemos deixar de considerar a transcendência da Bíblia e dos Evangelhos em seu aspecto esotérico e a riqueza e a importância de suas narrativas simbólicas, sempre capazes de proporcionar ensinamentos àqueles que os compulsam, seja qual for o grau de evolução em que se encontre o estudante.

Todo o processo acima relatado sempre foi relacionado aos Deuses-Solares da Antiguidade (Osíris, Apolo, Adônis, Mitra etc.) e está incorporado ao Evangelho como sendo “a vida de Jesus”, que teria nascido de uma Virgem, fecundada por Deus Pai, o Criador de tudo e de todas as Coisas (da mesma forma que Mitra).

Para adaptar um pouco mais a história acima à realidade, há hoje uma opinião mais aceita de que o nascimento de Jesus teria sido na primavera (se fosse no Inverno os pastores não estariam à noite pastoreando suas ovelhas, pois morreriam gelados).

A fuga para o Egito (Terra de Verão-calor-Vida), representa os meses do verão e está relacionada ao seu crescimento físico e espiritual, o que ocorre no outono, quando torna-se um iniciado para depois dar seus frutos (A pregação dos Evangelhos).

Depois, como todos os grandes Avatares e nisso incluímos Osíris, Hiram Abiff e outros, é atraiçoado por um dos seus Seguidores (O signo de Escorpião - outubro/Novembro), exatamente quando começa a fazer frio no Hemisfério Norte e que Leonardo Da Vinci reserva para representar Judas Iscariotes em sua famosa “A Ceia”) sendo posteriormente morto (quando chega o Inverno), representado pelos 3 dias que Jesus passa na tumba, até que chega novamente a Primavera.

O Natal que a Cristandade festeja está, em verdade, relacionado com o nascimento do Sol no hemisfério norte e podemos compreendê-lo perfeitamente se relacionarmos as figuras e passagens do Evangelho com os componentes do Sistema Solar, os signos do Zodíaco e as Constelações, onde não falta nem mesmo a Cruz. Senão vejamos:

Em primeiro Lugar vejamos o simbolismo do Natal:

Jesus nasce num estábulo entre animais. Sempre representamos este acontecimento com o costume de colocar o menino-Deus-Sol numa manjedoura (lugar onde os animais comem) forrada de palha, fazendo com que a palha em que repousa se pareça com os raios de sol refulgindo. Os animais presentes são o asno, o boi e o carneiro. Na Constelação de Câncer existem duas estrelas denominadas Asellus Australis e Asellus Borealis que significa Pequeno Asno do Sul e Pequeno Asno do Norte e entre as mesmas existe um pequeno aglomerado de estrelas denominado Presepe (Coordenadas aproximadas = 23°N). O Boi e o Carneiro que completam o Presépio são figurações dos Signos de Touro e Áries que precedem o Signo de Peixes. A Estrela dos 3 Reis Magos corresponde a uma conjunção celeste muito rara, entretanto visível a olho nu, que permite ver Júpiter (A Lei, a Justiça, a Religião) e Saturno (O Pai na Terra, o educador ou disciplinador) confundirem-se no momento em que Júpiter eclipsa Saturno, enquanto o Sol, a criança que nasce a 90°, entra em Câncer (a Casa astrológica que corresponde ao Lar, a Família e também ao peito, onde o Cristo mora no homem).

Se recuarmos 9 signos (ou nove meses) veremos que o Sol encontra-se então no Signo de Virgem a Mãe de todos nós, o 3° Aspecto da Trindade, a Natureza, Akasha, a matéria negra do qual tudo emana e para o qual tudo volta.

Prosseguindo o estudo da Marcha do Sol pelo Zodíaco até a morte e à crucificação, apontando a Via-Láctea como o Rio Jordão, o Batismo quando o Sol entra em Aquário, signo em que a Água Lustral é derramada, a entrada em Peixes, signo duplo em que Jesus encontra os dois irmãos pescadores, Simão e André e, na mesma longitude a Constelação da Barca, indicando a pesca milagrosa.

O tema dos 3 Reis Magos pode ser abordado astronômica e esotericamente com a presença das 3 estrelas do cinturão de Órion (Algjebbah, Alnilan e Alnitak) que se elevam do Oriente para o Ocidente até o ponto em que veem a estrela Arcturus (da Constelação do Boieiro; 30 vezes maior do que o nosso Sol) brilhar sobre o aglomerado estrelar acima mencionado, denominado Presepe.

Dentro do simbolismo cristão Arcturus, com seu brilho fulgurante dentro da noite da ignorância humana, representa a Estrela que indica, aos Três Reis Magos, onde adorar o Cristo recém-nascido no Presepe, entre os animais domésticos de nossa natureza inferior que deverá ser purificada com a vinda da Luz Redentora à face da Terra.

As dádivas que os Magos levam são, em si, outros símbolos destinados ao ensinamento dos buscadores da verdade que já estão despertos para as realidades do espírito.

Poderíamos perguntar: Que melhores oferendas poderiam ser dadas à tenra consciência Crística, que aquelas provindas dos princípios mais Superiores da nossa própria Realidade Espiritual?

Os 3 Reis Magos representam macrocosmicamente os 3 planos superiores da Egoidade Divina (Planos Adi, Anupadaka e Atma) e microcosmicamente, a ressonância das energias no Ser humano que denominamos Pingala, ou Conduto Solar (a matéria branca da Alquimia) e Idâ, ou conduto lunar (a matéria negra da Alquimia) e Shushumna, o conduto central (a matéria vermelha da Alquimia), onde tudo é reunido e levado ao ventrículo esquerdo do coração, onde mora o Cristo-criança no ser humano.

Analisando os presentes dos 3 Reis Magos sob o ponto de vista esotérico verificamos que os presentes trazidos pelos mesmos significam:

O ouro simboliza o Poder, a realeza oriunda da Sabedoria Divina, que é conquistada pela transmutação dos metais impuros de nossa natureza humana. Significa, no plano de onde provém (Baltazar é o Pai da Trindade Celestial) o atributo da Vontade sem a qual nada se pode fazer. Em alquimia ele é o enxofre e está relacionado à fase do trabalho alquímico chamada “Ressurreição”.

O incenso trazido por Melchior é o elemento volátil ou o mercúrio. Representa, em linguagem alquímica, o Amor Divino, que deve preceder a toda obra de Magia Branca. É o perfume real que alimenta com o néctar da vida os poderes subutilizados da Alma. Ele representa o atributo essencial do Cristo recém-nascido e o esteio para a obra do verdadeiro alquimista chegar à etapa que, no trabalho alquímico é chamada de “Rubificação”.

Quanto a mirra, ela tem um campo bem reduzido de aplicações. Geralmente é utilizada em forma de pó, aplicado sobre úlceras cancerosas e em defumadores para desinfetar habitações onde exista um enfermo. Mas o seu significado oculto, como o presente do Rei Gaspar ao Cristo-criança está relacionado a Terceira Pessoa da Trindade.

Os 3 Reis Magos representam esotericamente os três atributos da Trindade e figuram, para o estudante da Sabedoria Antiga, essa Trindade e Seus Atributos.

Notemos, porém, que Gaspar tem uma singularidade em relação aos dois outros que não pode ser descuidada, ou seja, sua cor negra, que é a cor das Deusas Ísis e Devaki, ou seja, a Divina Mãe tanto para os egípcios como para os Hindus, que é também a cor de N. S. Aparecida no Brasil, N. S. de Montserrat, N.S. de Chartres, N.S. de Baieux, N.S. de Amiens, N.S. de Caen e a representação da Virgem, ou 3° Aspecto da Trindade, A Mãe Divina ou Mãe do Mundo das várias religiões pagãs que precederam o Cristianismo e que, não coincidentemente, mais propositadamente é a cor do Tattwa Akasha, do qual tudo nasce e para o qual tudo volta após cumprir seu objetivo.

Hoje, a ciência ortodoxa comprova a sabedoria deste símbolo representativo da Divina Mãe, ao encontrar, sem compreender seu significado espiritual, a matéria negra que envolve todo o Universo atualmente conhecido, do qual tudo que existe emana, ou seja, parece encontrar sua substância primordial. Blavatsky chamava esta substância negra de Prakriti. O domínio sobre esta substância é a busca de todo Mago e a base do Alquimista para a conquista da Pedra Filosofal. Este domínio representa o presente de Gaspar, o 3° da Trindade, ao Cristo Criança recém-nascido.

Em Alquimia a cor preta é chamada a fase da “Putrefação” e está relacionada com o sal.

Agora, pensando em termos poéticos, que maior dádiva poderia ser ofertado ao Redentor dos homens senão o domínio sobre a matéria, que representa a libertação da amargura do sofrimento humano?

Que melhores oferendas poderiam ser dadas à tenra consciência Crística que desperta, senão o ouro puríssimo simbolizando a transmutação dos metais impuros de nossa humana natureza?

Não é este, em verdade, o Cristo que sentimos, o Cristo que desejamos, o Cristo que amamos e que devemos realizar?...

Que outro símbolo mais elevado poderia corresponder à nossa consciência espiritual que acorda (desperta) senão o de uma criança recém-nascida na palhoça modestíssima da personalidade humana?

Concluímos o presente trabalho afirmando que a fé Cristã tem permitido, apesar do dogma e da doutrina, apesar das distorções do teólogo acadêmico e das imposições de alguns clérigos ignorantes, a compreensão da união de Deus ao homem, fundidos no Cristo, apresentando a verdade que “todo ser humano também pode experimentar a Divindade”.

Esta verdade vital, dramática, apresentada misticamente, mas sempre viva em cada ser humano, quando captada pela mente e compreendida pelo coração capacitará, a qualquer verdadeiro aspirante aos Mistérios Cristãos, a transpor os umbrais do novo Nascimento para a Luz, caminhando, de maneira crescente, nessa mesma Luz, a partir do momento que a entenda, porque “...a senda dos justos é como a Luz da aurora, que brilha mais e mais, até que o dia seja perfeito”.


Nota explicativa:
MIRRA - De acordo com a mitologia antiga, esta resina foi produzida pelas lágrimas da deusa Mirra, que se uniu incestuosamente com seu pai e concebeu o gentil Adonis, o Chrestos (Cristo) Solar dos Antigos, adorado na Grécia e em vários países do mundo antigo e na própria Roma, até meados do ano 300, onde o culto de Adonis-Mitra era muito mais popular do que o Cristianismo, que por sua essência (humildade, caridade, amor ao próximo, desapego aos valores materiais) não conseguia conquistar as elites governantes. Somente com a imposição promulgada por Constantino, que necessitava das massas para impor seu domínio, é que o Cristianismo triunfou, assimilando a maioria dos rituais mitraicos e substituindo os deuses vigentes na época pelos santos que a Igreja Católica promulgou.



Jayr Rosa de Miranda (Panyatara)



Fonte: "Revelando os Mistérios do Oculto"
http://revelandoosmisteriosdooculto.blogspot.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/papel-de-parede-papai-noel-rudolph-4711725/

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

CRISTO E A FUTURA NOVA ERA (A MÍSTICA DO NATAL)


Sabemos que, desde o início dos tempos, o período em que o sol se move novamente rumo ao Norte sempre foi considerado época festiva; durante milhares de anos tem sido associado à chegada do Deus-Sol para salvar o mundo, trazer luz e fecundidade para a Terra e, através dos esforços do Filho de Deus, trazer esperança para a humanidade. A época do Natal é considerada, por aqueles que nada mais conhecem, como a época da Festa exclusivamente de Cristo, sendo destacada pelas igrejas cristãs e testemunhado por todos os clérigos. Isso é verdadeiro e falso ao mesmo tempo.

O Fundador das Igrejas Cristãs, Deus encarnado, aproveitou este período; veio até nós na escuridão do ano (hemisfério norte - NT), iniciando uma nova era, onde a luz seria a nota característica. (...) Assim, quando Cristo proclamou (como realmente o fez), juntamente com os outros Salvadores e Deuses-Sóis (Filhos de Deus), que Ele era a Luz do mundo, inaugurou um período maravilhoso onde a humanidade foi ampla e universalmente iluminada. Este período, há dois mil anos, na Palestina, foi o melhor dos dias de Natal e sua influência emanada foi mais poderosa do que a influência de qualquer um de seus Antecessores, porque a humanidade estava mais preparada para recebe-la.

Cristo veio sob o signo de Peixes, o Peixe, signo do divino Intermediário (...) É o signo de muitos dos Salvadores do mundo e Reveladores da divindade, que estabeleceram relacionamentos mundiais. Gostaria que você observasse esta frase: O maior impulso que levou o Cristo a realizar a sua tarefa especial, foi o desejo de estabelecer relações humanas corretas. Esse é também o desejo, consciente ou inconsciente, da humanidade, e sabemos que um dia esse desejo surgirá; que haverá relações humanas corretas em todos os lugares e a boa vontade complementará essa realização, trazendo a paz em todas os lugares e entre todos os povos.

Através dos tempos, o Natal tem sido reconhecido e celebrado como uma época de novos começos, melhores relações humanas e relações mais felizes entre famílias e comunidades. Entretanto, à medida que as igrejas decaíram em uma apresentação profundamente materialista do cristianismo, o simples dia de Natal, que deveria ter agradado o coração de Cristo, degenerou-se em uma orgia de gastos, aquisição de coisas supostamente agradáveis, sendo considerada uma “boa época para o comércio”.

Portanto, é preciso lembrar que quando uma fase da religião inspirada-da-vida é interpretada de forma totalmente materialista, quando uma civilização e cultura perde seu senso de valores espirituais e responde principalmente aos valores materiais, então já teve sua utilidade (...).

A mensagem do nascimento de Cristo é sempre nova, mas hoje não é compreendida. Durante a era de Aquário, na qual estamos entrando rapidamente, a ênfase mudará de Belém a Jerusalém e do Menino Salvador ao Cristo Ressuscitado. Peixes viu, durante dois mil anos, a luz se expandir; Aquário verá a Luz ascendente e, de ambos, o Cristo é o símbolo eterno.

A antiga história do Nascimento será universalizada e considerada como a história de cada discípulo e iniciado que recebe a primeira iniciação, e em seu tempo e lugar torna-se um servo e portador de luz.

Na era de Aquário ocorrerão dois eventos marcantes:

1. A Iniciação do Nascimento condicionará o pensamento e a aspiração humanas em todas as partes.

2. A religião do Cristo Ressuscitado e não a do Cristo recém-nascido ou do Cristo crucificado, será a tônica característica.

Raramente se compreende que centenas de milhares de pessoas de todos os países tenham recebido, ou se preparam para receber, esta primeira iniciação, chamada Nascimento em Belém, a Casa do Pão. A humanidade, o discípulo mundial, está agora pronto para isso. Indícios da exatidão desta afirmação podem ser vistos na reorientação das pessoas, em todos os lugares, em direção às coisas espirituais, em sua preocupação pelo bem-estar e pelo bem humano, bem como sua perseverança na busca pela luz e em seus anseios e desejos de uma verdadeira paz, baseada em relações humanas corretas, complementada por boa vontade. 

(...) Seguiu-se então, como diz o Novo Testamento, um ciclo de trinta anos (da vida de Jesus) que, como sabemos, foi quando Ele atingiu a maturidade e pode receber a segunda iniciação, o Batismo no Jordão, e assim iniciar seu serviço público. Atualmente, os muitos que passaram pela primeira iniciação nesta vida, estão entrando no longo silêncio daqueles trinta anos simbólicos nos quais atingirão a maturidade e receberão a segunda iniciação. Esta iniciação demonstra o perfeito controle da natureza emocional e de todas as características piscianas. Os trinta anos podem ser considerados como um período de desenvolvimento espiritual (...) 

Na Era de Aquário, o próprio Cristo Ressuscitado é o Portador da Água. Desta vez Ele não manifestará a vida perfeita de um Filho de Deus, tal como era sua missão anterior, mas aparecerá como o Guia supremo da Hierarquia espiritual, para satisfazer a necessidade de todas as nações sedentas do mundo - sedentas de verdade, de corretas relações humanas, de compreensão amorosa. Desta vez Ele será reconhecido por todos, e em Sua própria pessoa testemunhará a realidade da ressurreição, demonstrando ao mesmo tempo a realidade da imortalidade da alma, do homem espiritual.

Durante os dois mil anos passados havia uma ênfase na morte, que influenciou todo o ensino das igrejas ortodoxas. Apenas um dia do ano foi dedicado à ideia da ressurreição. Na época de Aquário, a ênfase será colocada na vida e na libertação do túmulo da matéria, e essa será a nota que caracterizará a nova religião mundial e a diferenciará de todas as precedentes.

A festa da Páscoa e a festa de Pentecostes serão os dois dias mais importantes do ano religioso. Pentecostes, como se sabe, é o símbolo das corretas relações humanas, pelas quais todos os homens e nações se compreenderão e embora falem línguas diversas - conhecerão uma única linguagem espiritual.

É muito significativo que dois episódios importantes estejam relacionados na parte final do Evangelho - um anterior e outro imediatamente após a aparente morte de Cristo, e eles são:

1. A história do cenáculo a qual o homem do jarro, que tipifica Aquário, conduz os discípulos, e na qual foi realizado o primeiro serviço de comunhão, onde todos participaram e anteciparam o grande relacionamento que caracterizará a humanidade na era vindoura, após as provações da era de Peixes. Tal serviço de comunhão ainda não foi realizado, mas na Nova Era isso ocorrerá.

2. A narração do cenáculo, onde os discípulos se reuniram e reconheceram verdadeiramente a Cristo Ressuscitado, e chegaram ao conhecimento perfeito e completo do entendimento recíproco a respeito da diversidade simbólica das línguas. Esses discípulos tiveram um toque de previsão, de visão interior profética, e anteviram algumas das maravilhas da era de Aquário.

A visão das mentes dos homens de hoje é a da era de Aquário, embora não seja reconhecida. O futuro verá relações corretas, comunhão real, compartilhamento de todas as coisas (vinho, sangue, pão, vida, satisfação financeira) e boa vontade. Teremos também uma imagem do futuro da humanidade, quando todas as nações estiverem unidas por uma compreensão completa, e a diversidade de línguas - simbolismo de diferentes culturas, tradições, civilizações e pontos de vista - não oferecerem obstáculo às corretas relações humanas. No centro de todas essas imagens estará Cristo.

Com o tempo, os objetivos e esforços expressos pelas Nações Unidas darão frutos, e uma nova igreja de Deus, composta por todas as religiões e grupos espirituais, porá fim, de forma unida, à grande heresia da separatividade. O amor, a unidade e o Cristo Ressuscitado estarão presentes, e Ele nos demonstrará a vida perfeita.



Alice A. Bailey / Tibetano / Djwhal Khul




Fonte: do livro "O Destino das Nações". pp. 123-7, 1ª ed., 1985
Tradução da Fundação Cultural Avatar, Niterói/RJ
Fundação Educacional e Editorial Universalista - FEEU, Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/madeira-brown-deco-decora%C3%A7%C3%A3o-1776060/

sábado, 2 de dezembro de 2023

TEMPO DO ADVENTO (Parte 2)


(continuação)

Nosso atual Instrutor Mundial se chama MAITREYA, que significa bondade ou compaixão, e assim como o Senhor Buda foi chamado de Senhor da Sabedoria, o Senhor Maitreya é chamado de Senhor do Amor e Compaixão. A grande verdade central sobre a qual Ele dará ênfase será que os males do mundo vêm da falta de amor e de fraternidade; e se o homem aprender a amar e a adotar uma atitude fraterna, todos os males passariam e uma Era de Ouro amanheceria sobre nós. Não imediatamente; não podemos esperar por isso; mas pelo menos os homens começarão a ver por si e a entender que há muito mais a ganhar ao longo dessa linha (de amor e compaixão - NT) do que de acordo com a outra (sabedoria - NT). Podemos ver de que maneira predominantemente essa doutrina foi apresentada em suas vidas anteriores.

Ele apareceu duas vezes: como Krishna nas planícies indianas e como Cristo entre as colinas da Palestina. Na encarnação como Krishna, sua característica sempre foi o amor; o menino Krishna cercou-se de pessoas que sentiam por Ele o mais profundo amor e intensa afeição. Mesmo agora na religião fundada por Ele, a mais comovente devoção e uma maravilhosa atração pelo menino Krishna. Em todo o sul da Índia, muitos milhões de fiéis continuam a adorá-lo e é a essência de sua adoração sentir por Ele o mais profundo afeto e devoção mais comovente e intensa - creio eu - do que qualquer um dos que observei, mesmo nas comunidades monásticas da cristandade.

Ao encarnar-se na Palestina, o amor voltou a ser a característica central em seu ensino. Ele disse: “Este novo mandamento vos dou: que amem-se uns aos outros como eu vos amei." Ele pediu aos discípulos que todos fossem um Nele assim como Ele foi um com o Pai. Seu discípulo mais íntimo, São João, foi quem mais energicamente insistiu nesta ideia: “quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é Amor." São João viveu até uma idade muito avançada (mais de 100 anos) e quando não conseguia mais dar sermões longos devido à sua extrema velhice e fraqueza, foi carregado numa cadeira entre os jovens, e suas palavras sempre foram: “Pequeninos, amem-se uns aos outros”. Assim, dos dois nascimentos anteriores do Grande Instrutor do Mundo, temos uma certa evidência de que a ideia central do amor predominará em Suas manifestações.

Num livrinho intitulado “Aos Pés do Mestre” (1), encontramos alguns ensinamentos dados a um jovem aluno indú (que conheço muito bem) por um dos Mestres de Sabedoria. Esse jovem é um discípulo do Mestre do Mundo. O objetivo do ensino é apresentar da forma mais simples possível as qualidades requeridas para a Iniciação. Não há mistério em relação a essas qualidades, pois elas também são apresentadas em livros pertencentes a diversas religiões e são bem conhecidas por todos aqueles que estudam esses temas. No entanto, as diferentes apresentações dão origem a uma variedade considerável de métodos de ensino e tradução de alguns dos termos técnicos utilizados. Neste pequeno livro ao qual me referi, são apresentadas as qualidades exigidas por alguém que está tão intimamente relacionado com o Instrutor do Mundo, que podemos ter certeza de que é praticamente Sua apresentação. Esse livro, é claro, não contém tudo o que Ele ensinará, mas certamente podemos considerar que não há nada nisso que Ele desaprove. Ao lê-lo, não só menos do que ficar comovidos pelo fato de ser muito penetrado pelo mesmo espírito de Amor. A exigência final e o desejo intenso de união com o Supremo são apresentados no livro como Amor; sobre a base de que o Ser Supremo com o qual o homem deseja se unificar é o próprio Amor; e, portanto, aquele que deseja unir-se a Ele deve primeiro desenvolver dentro de si esse amor. Recomendo fortemente a leitura a todos os membros da nossa Igreja (Católica Liberal - NT). Você descobrirá que é um manual muito útil, pois mostra-nos muito claramente como o nosso modo de vida atual é muito longe de ser aquele elevado ideal de amor.

Penso que ao ler a Bíblia cristã devemos lembrar que a sua linguagem é altamente simbólica. Não quero dizer que todos os autores sabiam exatamente o que isso significava. Eu não acho que eles sabiam. Creio que eles também se sentiram desapontados em muitos casos, porque colocaram nos lábios de Cristo palavras que os representam esperando para retornar em breve. Repetidas vezes Ele é levado a dizer: "Há muitos aqui que não morrerão antes que eu volte", e sabemos que já 2.000 anos se passaram desde então.

A ideia da destruição do mundo é um grande erro. Alguém pode objetar: "Todo o mundo cristão considera isso literalmente, como sabemos que é um erro?" Nesta Igreja Católica Liberal adoramos e seguimos ao Cristo vivente. Não apenas um Cristo de 2.000 anos atrás, mas um Cristo que vive e inspira sua Igreja agora; neste momento, Ele também tem Seus profetas que conhecem e declaram Sua Vontade, e aqueles que sabem nos comunicaram que Ele retornará novamente como havia dito, e que essa Vinda será em breve, considerando o tempo terrestre. Será realmente o início de uma nova era para quem está esperando para recebê-lo. Será uma grande mudança, mas uma mudança moral e mental. Ele nos contou, em sua visita anterior, sobre os sinais que o prenunciarão sua segunda vinda. Se lermos o que está escrito, veremos que a grande guerra foi um desses sinais; e também podemos ver que muito será possível no caminho da reconstrução depois dela, que não teria sido possível fazer isso antes. Que fique claro em nossas mentes que Ele não vem para destruir o mundo, mas para nos ensinar, da mesma forma que o fez isso antes. Ele realmente vem para reinar, mas vem para reinar nossos corações, porque o Seu reino não é deste mundo.

Então, como devemos nos preparar para sua vinda? Majoritariamente através do altruísmo e do serviço aos outros para Ele e em Seu Nome. É necessário que as virtudes da devoção, da perseverança, da determinação e a doçura se desenvolvam em todos nós. Como claramente afirmado na Ordem da Estrela do Oriente, uma Sociedade que existe para preparar o caminho para Sua segunda vinda, para nos ajudar a que nos transformemos a nós mesmos para podermos recebê-lo, e na medida de nossas possibilidades ajudar aos outros a se prepararem também.

Nestes tempos, como é dito que verdadeiramente que Ele pregou, haverá muitos que não darão atenção, muitos que estarão envolvidos em negócios e prazer. Ele citou a lendária história de Noé, na qual os homens continuaram com seu trabalho e entretenimento e não prestaram atenção às profecias, e o dilúvio veio repentinamente e destruiu todos eles. Esta é a lenda do naufrágio da Atlântida, um fato histórico, embora não tenha acontecido exatamente como descrito nas tradições. Diz-se que Cristo falou que assim como aconteceu naquele tempo, assim será quando o Filho do Homem volte novamente. As pessoas estarão completamente ocupadas em suas ocupações e prazeres, sem sequer pensar um pouco Nele, portanto não irão reconhecê-lo, não irão identificá-lo. Deveríamos pelo menos ser mais sábios do que isso, nós que estamos tentando estudar o significado interno de todos essas coisas; deveríamos nos assegurar de que estamos prontos para recebê-lo; e para aqueles que assim preparam-se, tenham certeza de que um tempo maravilhoso e glorioso chegará.

Mal percebemos, talvez, quão estupendo é o privilégio de ter nascido nesta época, ter podido participar (porque todos nós participamos de uma forma ou de outra, espero e acredito) na grande guerra do certo contra o errado, que terminou recentemente (a 1ª Guerra Mundial, na época - NT); e ainda mais do que isso, nós que vivemos agora podemos esperar ver a segunda vinda de Cristo entre nós. E pense no que isso deveria significar para nós, se o reconhecermos.

"Porque Aquele em quem confiamos
Será então visto e conhecido,
E aqueles que o conhecem e o servem
O terão em seus corações."

Conhecerão a verdade e a verdade os libertará, porque em Seu serviço há uma liberdade perfeita. E Ele nos disse que quem servir ao menor dos Seus irmãos, por Ele o faz. Isso deve ser a nossa preparação.

Para nós que conhecemos a proximidade da Sua Vinda, o Advento não é um período de medo, mas de uma lembrança alegre e de maior expectativa também alegre. Nossa atitude está muito bem expressa em um antigo hino:

"Alegra-te, alegra-te! Emanuel, Ele virá até ti, ó Israel."

No período do Advento devemos ter muito presente em nossas mentes a necessidade da qualidade do discernimento para que nos preparemos para a nossa própria Iniciação e também para a Vinda do Senhor. Seria útil refletirmos cuidadosamente como essa grande qualidade pode ser manifestada em nossos esforços para difundir o conhecimento da seguinte e próxima Vinda, e como em nosso trabalho de preparação podemos manifestar a sabedoria da serpente, bem como a inofensividade da pomba. Com estes pensamentos em nossas mentes “podemos muito bem nos alegrar e cantar”, como nos diz o nosso hino, porque “aguardamos com esperança que não possa falhar.” Irmãos, a Vinda do Senhor está próxima; Sim, já está às nossas portas. Já amanheceu; logo o sol nascerá.

"Está vindo! No Oriente que se abre
Arauto radiante que se revela lentamente;
Está vindo! Oh, meu glorioso sacerdote,
Por acaso não ouvimos Teus sinos dourados?"




+ Charles Webster Leadbeater




Fonte: do livro "El Lado Oculto de los Festivales Cristianos"
Igreja Católica Liberal
https://www.catolicaliberal.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/enfeites-copo-natal-advento-5794746/


Nota:
1- "Aos Pés do Mestre", livro de J. Krishnamurti

TEMPO DO ADVENTO (Parte 1)


Entre nós (Igreja Católica Liberal), assim como nas Igrejas de Roma e da Inglaterra, o Domingo do Advento é o que poderíamos considerar o dia de Ano Novo Eclesiástico. A Santa Igreja Oriental (ou seja, a Igreja da Grécia e Rússia) segue o mesmo costume, mas segue o calendário não revisado e desta forma ele começa todas as suas comemorações doze dias depois de nós.

A primeira grande festa do ano eclesiástico é a do nascimento do Cristo, que corresponde e nos ensina que é a primeira dos grandes Iniciações. Mas a Igreja, na sua sabedoria, providenciou que para cada um dos grandes festivais há um certo período de preparação, e consequentemente, antes da festa de Natal temos o período do Advento, e que tem, sem dúvida, um duplo aspecto, do qual o primeiro é o de ser um momento de preparação para a celebração adequada do Natal.

Não é uma mera figura de linguagem dizer que durante o período do Advento devemos nos preparar para essa festividade. Natal não é apenas um aniversário, uma comemoração do nascimento de Nosso Senhor, é também um período de especial efusão de força espiritual. As grandes festividades como a Páscoa e o Natal, quando todos nos sentimos unidos, aguardando ansiosamente a sua chegada e regozijando-se com isso, são claramente ocasiões para o que comumente chamamos de derramamento da Graça do alto; e para que possamos nos beneficiar plenamente de tal derramamento, é bom aproveitar esse período de ajuste. Receberemos mais se nos prepararmos de forma adequada. Portanto, durante o período do Advento, devemos nos acostumar a pensar diariamente na vinda do Senhor e na Iniciação que isso simboliza.

Os quatro domingos do Advento são dedicados, pelos místicos da Escola Interna do Cristianismo, à contemplação das quatro qualidades necessárias para a primeira Iniciação: Discernimento, Ausência de Desejo, Boa Conduta e Amor; mas nos serviços da Igreja moderna não há nenhum vestígio dessa disposição, com exceção do antigo costume de substituir o rosa pelo violeta como cor para o terceiro domingo. Como é explicado em nossa liturgia (e com mais detalhes em "A Ciência dos Sacramentos" (1)) a Igreja utiliza diferentes gamas de vibração, que são mostrados aos nossos olhos físicos como cores, para ajudar a imprimir na mente da congregação as várias lições que devem ser aprendidas sucessivamente ao longo do ano. Durante os períodos preparatórios (Advento, Quaresma e Vigílias dos Dias Santos) a cor escolhida como mais útil é o roxo, pela sua qualidade actínica (2), penetrante e purificadora. Mais ou menos na metade do Advento e da Quaresma, encontramos um domingo para os quais a cor rosa é prescrita e em razão disso foi sugerido vários argumentos. Devido a certos mal-entendidos curiosos, eles chegaram a considerar esses períodos preparatórios como períodos de penitência e dor, e supos-se que a cor rosa para o domingo foi introduzida como uma espécie de mitigação da pena, um alívio momentâneo em meio às austeridades. Uma teoria mais verdadeira é que, visto que o nosso amor por Deus é a única razão eficaz para tentar a autopurificação, a mudança repentina de cor no meio do período (de cor roxa) pretende nos lembrar daquele profundo e verdadeiro afeto que deve fundamentar e permear todos os nossos esforços, se é que há alguma esperança de seu sucesso permanente. Quanto menos isso fica como um mero lembrete da alegria que devemos ter durante todo o período, pois não é chorando em vão pelos nossos pecados, mas resolvendo seriamente colocá-los de lado, é a maneira que podemos nos preparar para aproveitar ao máximo a festividade gloriosa que se aproxima.

A Igreja Católica sempre reconheceu a dupla natureza do período do Advento, que é uma preparação para a próxima vinda de Cristo, bem como para celebrar Seu nascimento em Sua última vida na Terra. As Igrejas de Roma e da Inglaterra falam desta segunda vinda e ordenam solenemente ao seu povo preparar-se para isso; no entanto, há muito mal-entendido sobre isso. Nas Escrituras Cristãs, esta segunda vinda está enredada com a ideia de fim do mundo, de modo que as pessoas que esperam pela segunda vinda de Cristo geralmente pensam nisso como o fim de toda a ordem que se conhece e, portanto, a maioria a teme. Em sermões e hinos relacionados à vinda, ainda persiste um ar de medo de algo terrível descendo do céu físico, acompanhado por fenômenos meteorológicos terríveis. A atitude geral se vê representada em alguns dos hinos do Advento que essas pessoas cantam:

"Os perversos, com medo de suas culpas, contemplam sua fúria dominadora; buscando piedade permanecem, mas todas as suas lágrimas e suspiros são inúteis."

E eles falam de si mesmos como “lamentando-se profundamente”, “curvando-se em profunda humilhação” etc. Deveria ficar perfeitamente entendido que todos esses tipos de coisas não são apenas estúpidas, mas definitivamente cruéis e blasfemas, e os homens que ensinam tais horríveis desfigurações da verdadeira doutrina cristã, deveriam assumir uma responsabilidade muito séria, porque, sem dúvida, difamar o nosso Divino Pai e degradar a concepção que Ele tem de Seus filhos, é um crime de grande magnitude.

É claro que não existe nada disso entre os verdadeiros místicos, que sempre souberam que Deus é amor e nunca temeram a manifestação de Sua Presença, porque sabem que, quer o vejam ou não, Ele está sempre com eles até o fim dos tempos.

Todo temor a Deus vem de um equívoco. A vinda de Cristo está certamente relacionada com um término; mas não é o fim do mundo, mas o fim de uma era ou dispensação. A palavra grega é AION, (...) e assim como Cristo disse há 2.000 anos que a dispensação da lei judaica havia chegado ao fim - porque Ele havia chegado a instituir uma nova dispensação, a dos Evangelhos - da mesma forma que a dispensação dos Evangelhos chegará ao fim quando Ele vier novamente para criar outra. Ele dará sempre o mesmo ensinamento, o ensinamento DEVE ser sempre o mesmo, porque só existe uma Verdade, embora talvez declarada de uma forma diferente, um pouco mais clara para nós agora, porque aprendemos algo mais. Será representada em alguma nova roupagem, talvez, com uma certa beleza na expressão que será exatamente adequada para nós nos dias atuais; haverá alguma exposição dela que atrairá a atenção de muita gente.

Certamente será igual, porque apareceu em todas as religiões existentes. Os métodos para apresentá-la são muito diferentes, mas todas as religiões estão em absoluto acordo sobre o tipo de vida que exigem dos seus fiéis. Encontramos uma diferença considerável entre o ensino exotérico do Cristianismo, Budismo, Hinduísmo e Islamismo; mas se olharmos os homens santos de qualquer uma dessas religiões e se investigarmos as suas práticas diárias, descobriremos que todos vivem precisamente da mesma maneira, e que todos estão de acordo em relação às virtudes que um homem bom deve possuir e os males que deve evitar. Todas as religiões nos dizem que o homem deve ser caridoso, verdadeiro, gentil, honesto e prestativo para com os necessitados; nos ensinam que um homem de coração duro, ganancioso e cruel, o homem falso e desonesto não terá nenhum progresso ou qualquer chance de sucesso até mudar seu modo de vida. Como pessoas práticas, devemos reconhecer que as coisas\verdadeiramente importantes em qualquer religião, não são as vãs especulações metafísicas sobre assuntos em que ninguém pode realmente saber algo com certeza, pois isso não influencia nosso comportamento; as coisas importantes são os preceitos que afetam nossa vida diária, que nos converte neste ou naquele tipo de homem em nossos relacionamentos com os outros. Estes preceitos são os mesmos em todas as religiões existentes; e eles serão os mesmos no próximo ensinamento, seja ele qual for.

Talvez possamos avançar um pouco mais na previsão do que Ele talvez nos ensinará, porque temos abertas para nós algumas fontes de informação. Uma delas é o estudo dos ensinamentos que Ele deu anteriormente. Os alunos se lembrarão que antes de que este Instrutor do mundo tomasse cargo, ele era exercido pelo Senhor Gautama, a quem os homens o chamam de o Buda. Seu título especial era SENHOR da SABEDORIA. Deixou muitos ensinamentos, mas todos eles centrados na ideia de que o conhecimento significava salvação, que os males do mundo vieram da ignorância e que através da ignorância os homens são levados a desejar, e através do desejo, a todos os tipos de pecados e sofrimentos; mas que se o homem dispersar a ignorância e vier a possuir o perfeito conhecimento, alcançará uma vida perfeita e atitude perfeita em relação a todos os homens e a todas as circunstâncias e assim escaparão da roda do nascimento e morte.

(continua na parte 2)



+ Charles Webster Leadbeater



Fonte: do livro "El Lado Oculto de los Festivales Cristianos"
Igreja Católica Liberal
https://www.catolicaliberal.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/advento-velas-de-advento-velas-1883840/



Notas:
1- "A Ciência dos Sacramentos", livro de Charles Webster Leadbeater
2- Radiações que provocam uma ação química (raios ultravioleta); influência

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A TRAJETÓRIA DA MAGIA

(...) Como os estudantes de arqueologia e os expoentes máximos de religião comparada nos informam, a magia remonta aos primórdios da vida do homem neste planeta. Todos os sistemas religiosos, com exceção possivelmente de algumas seitas protestantes e do budismo meridional, fizeram durante um certo período, uso da magia cerimonial. (...)

Se as autoridades forem cuidadosamente estudadas, observar-se-á que, falando de maneira geral, cada religião assimila o melhor da religião antecedente, e o resto é deixado para a ralé ignorante e para aqueles sacerdotes da velha religião que não se conformam o novo. À medida que a nova religião se organiza, ela começa a perseguir os remanescentes da antiga, e esses remanescentes são empurradas para o submundo. Essa situação aflorou quando o Cristianismo emergiu de sua infância e se tornou a religião dominante do Ocidente. A velha religião desintegrou-se, e a Igreja Católica absorveu muito de sua filosofia e de seu ritual, impregnando, gradualmente, todos os níveis da sociedade, até que os seguidores da velha fé fossem apenas seres rústicos, residentes em lugares distantes e isolados. Esses rústicos ou pagãos, não versados na filosofia de sua religião, transmitiram uma face deturpada da mesma. Eles nunca deixaram de ser perseguidos cruelmente, mas seu número era constantemente acrescido por muitas fontes, incluindo aqueles que se rebelaram contra as posições papais.

Quando, contudo, o impulso do Renascimento tornou possível quebrar o jugo de Roma, as mais piedosas Igrejas reformadas estavam tão intolerantes quanto Roma havia sido em sua perseguição às bruxas, feiticeiras e magos. A história da Europa do século XI ao XVII constitui-se em leitura aterrorizante. Com a emergência da “Idade da Razão”, a crença popular no poder maligno do mago começou a desaparecer. Simultaneamente, nos círculos protestantes ao menos, a crença religiosa começou a se deteriorar em uma formalidade que tinha muito pouca força mobilizadora.

Esse nível de mediocridade na Inglaterra alcançou o apogeu na era vitoriana, quando a Física, pela boca de seus maiores expoentes, declarou “não existir lugar no universo para fantasmas”, e o presidente da Sociedade Real declarou: “Na matéria eu vejo o potencial e a promessa de toda a vida.” Porém, com os crescentes conhecimentos acerca do universo que o desenvolvimento moderno da ciência trouxe, tais ideias tiveram que ser consideravelmente revistas, e físicos modernos como Eddington, Jeans ou Einstein, apresentaram uma ideia da natureza e um propósito do Universo que podem ser facilmente aceitos pelo mago. Levando-se em consideração a diferença de terminologia, os magos vêm falando a mesma coisa há séculos!

É, no entanto, com as modernas escolas de psicologia, mais particularmente a associada ao nome de C. G. Jung, que o mago encontra maior proximidade com o pensamento moderno. Pelo balanço curioso do pêndulo moderno, percebido por Heráclito, chamado de enantiodromia*, o que foi subjugado e obrigado à clandestinidade começa agora a aflorar para desalento dos ortodoxos.

Mas, embora reprimida e perseguida ao longo dos tempos, a magia nunca deixou de existir no mundo ocidental. A Igreja Romana adaptou habilidosamente muito da velha magia para seus próprios propósitos; por outro lado, nos bastidores, a magia tradicional corria para um dos rios clandestinos das terras altas, emergindo aqui e ali à luz do dia, para então desaparecer sob a superfície.

Uma dessas emergências foi a Ordem do Templo, cujos membros, os Cavaleiros Templários, foram aliviados de boa parte do ódio nutrido por eles pelos seus perseguidores; os Albigenses na França foram outra; os Irmãos da Dourada e Rosa Cruz, os Iluminados, os Magnetistas, os Teosofistas e numerosas outras ordens mágicas e fraternidades que surgiram na metade do século XIX estão também entre esses movimentos emergentes.

Desses, a mais famosa e a mais iluminada, do nosso ponto de vista, é a Ordem da Golden Dawn**. Fundada sobre supostas bases rosacruzes, ela conseguiu realizar uma síntese admirável de todas as ramificações oscilantes da magia; e, a despeito de muitas vicissitudes e divisões, ainda permanece fonte da Tradição Mágica Ocidental. (...)



*enantiodromia – de enatios, do grego, contrário, oposto. Seria a capacidade de certas forças, reprimidas por suas antagonistas, virem a substituí-las em movimento pendular. Por exemplo, a condenação medieval ao culto do corpo sendo substituída por esse culto por meio da recuperação dos ideais estéticos do renascimento. (N.doT.)

**Golden Dawn (Aurora Dourada) – ordem hermética fundada por mestres maçons na Inglaterra, que exercem grande influência sobre todo o desenvolvimento do Ocultismo no Ocidente, influência essa que perdura até hoje, ainda que de forma residual. (N.doT.)




E. W. Butler





Fonte: do livro "A Magia e o Mago", Ed. Bertrand, 2ª Edição
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal