sábado, 30 de setembro de 2023

INTERROMPER O CURSO RUIDOSO E DESORDENADO DOS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS


É inútil aspirardes a grandes realizações espirituais enquanto não conseguirdes interromper o curso ruidoso e desordenado dos vossos pensamentos e dos vossos sentimentos, pois são eles que impedem que em vós se estabeleça o verdadeiro silêncio, aquele que restaura, que apazígua, que harmoniza. Quando tiverdes conseguido realizar este silêncio, passareis a transmitir, imperceptivelmente, um ritmo e uma graça a tudo o que fazeis. Movimentais-vos, tocais nos objetos, e parece que tudo em vós é dança e música. O movimento harmonioso que se transmite a todas as células do vosso organismo não só vos faz bem a vós, como age beneficamente sobre todos os seres que vos rodeiam: eles sentem-se leves, livres, iluminados, e são impelidos a fazer esforços para voltarem a sentir essas sensações que viveram junto de vós.


Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: IA(AI)

A VIA DE CHUANG TZU


"A Via de Chuang Tzu" foi o livro que Thomas Merton mais gostou de escrever. Nessa importante obra são apresentadas as correntes do pensamento clássico chinês, onde Merton situa a vida e a obra desse influente filósofo taoista chinês do século IV a.C.

Com dezenas de passagens da obra desse expoente do Taoismo, o livro representa o fruto de um esforço empreendido por Merton ao longo de cinco anos e que aqui incluiu o resultado das leituras, estudos, anotações e meditações sobre o trabalho de Chuang Tzu. Além de tudo, a obra representa uma grande contribuição para entendermos as afinidades que Merton encontrou com o pensamento oriental e sua teologia.

Uma passagem do livro:

Quando Chuang Tzu estava morrendo, seus discípulos começaram a combinar um monumental enterro para ele.

Mas dizia Chuang: «Como caixão terei o céu e a Terra; o sol e a lua serão os símbolos do jade, dependurados a meu lado; os planetas e as constelações brilharão como jóias à minha volta e todos os seres se apresentarão como carpideiros ao meu despertar. De que mais preciso? Tudo já foi devidamente providenciado!»

Mas diziam os outros: «Tememos que os corvos e as gralhas devorem o nosso Mestre». «Bem», respondeu-lhes Chuang Tzu, «acima da Terra serei devorado pelos corvos e pelas gralhas; abaixo, pelas formigas e vermes. De qualquer maneira me devorarão. Por que sois tão parciais para com os pássaros?»



Fr. Thomas Merton, OSB




Fonte do Texto e Gravura: do livro "A Via de Chuang Tzu"
Ed. Vozes, 2022, p. 169
www.livrariavozes.com.br

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

SENTIDOS SENSORIAIS E ESPIRITUAIS


Os seres humanos são, obviamente, criaturas sensoriais. Através dos cinco sentidos, eles percebem o mundo ao seu redor e aprendem muito sobre ele. No entanto, a busca incessante por sensações fortes pode levar a uma vida superficial e desorientada em diversas áreas da atuação humana, ou da vida em si mesma.

Os cinco sentidos são como uma janela para o mundo físico. Eles nos permitem ver, ouvir, sentir, cheirar e saborear o mundo ao nosso redor. Mas, para muitos de nós, eles também podem limitar. Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, podemos perder de vista a dimensão emocional, mental e espiritual da vida.

A espiritualidade, por exemplo, que é considerada uma forma de conhecimento, transcende os sentidos físicos. É um conhecimento que vem do coração e da alma e que pode nos conectar com o divino, se assim o permitirmos.

Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, geralmente nos tornamos escravos do mundo material. Podemos nos tornar obcecados por prazeres e sensações, e perder de vista o que é realmente importante na vida, como, por exemplo, uma missão, uma vocação, um desenvolvimento do saber numa determinada área, ou ainda o próprio crescimento espiritual.

Grandes Mestres do pensamento e sabedoria que já pisaram neste mundo indicaram que para alcançar uma vida mais plena e significativa, precisamos desenvolver nossos sentidos espirituais. Precisamos aprender a ouvir a voz de Deus, a sentir o amor do Divino e a ver a beleza do mundo espiritual.

Aqui estão alguns conselhos e sugestões, deixados por vários Mestres, para desenvolvermos os sentidos espirituais:

- Meditar regularmente: A meditação é uma ótima maneira de silenciar a mente e entrar em contato com a sua espiritualidade.

- Passar algum tempo na natureza: A natureza é um lugar poderoso para a conexão espiritual.

- Leitura de livros espirituais: Os livros espirituais podem nos ensinar sobre a natureza da espiritualidade e como desenvolver nossos sentidos espirituais.

- Fazer práticas espirituais: como oração, yôga, tai chi, chi kung, dança sagrada, mantras, visualizações, curas, divulgação escrita ou falada de temas edificantes etc. São inúmeras as práticas. Essas práticas podem nos ajudar a nos conectar com o Divino.

Desenvolver nossos sentidos espirituais é uma jornada de toda a vida. Não é algo que se alcança de repente. No entanto, com esforço e dedicação, podemos nos conectar com o mundo espiritual e viver uma vida mais plena e significativa.

Alguns exemplos de como os sentidos espirituais, muito além dos sentidos sensoriais, podem ser desenvolvidos, incluem:

- Visão espiritual: a capacidade de ver o mundo com os olhos do coração, percebendo a beleza e a divindade em todas as coisas e reinos da natureza.

- Audição espiritual: a capacidade de ouvir a voz de Deus, guiando e orientando nossos passos.

- Paladar espiritual: a capacidade de saborear a alegria e a paz da Presença divina.

- Olfato espiritual: a capacidade de sentir o amor e a compaixão do Divino.

- Tato espiritual: a capacidade de sentir a conexão com tudo o que existe.

Quando desenvolvemos nossos sentidos espirituais, podemos nos conectar com uma dimensão da realidade que está além dos sentidos físicos. Podemos experimentar a alegria, a paz e o amor do Divino e não nos arrastarmos no reino da ilusão. Entretanto, não devemos menosprezar os sentidos sensoriais, pois são as bases para que possamos subsistir e buscar os sentidos espirituais, desde que bem orientados e sublimados.



Prof. Hermes Edgar M. Jr.




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

ORAÇÃO - PENSAMENTO, SENTIMENTO E PALAVRA


A oração é um impulso do homem para o Céu, para Deus, e esse impulso pode ser mudo ou expresso em palavras. Evidentemente, o essencial da oração não está nas palavras, mas na intensidade, no fervor. Muitas vezes, quando as pessoas oram em voz alta, as palavras que pronunciam caem sem sentido; a sua boca murmura qualquer coisa, mas elas não oram, porque em si nada vibra. Ora, para ajudar à realização, a palavra pronunciada é muito importante, porque as vibrações sonoras têm grandes poderes sobre a matéria.

Sem a palavra, os pensamentos e os sentimentos têm dificuldade em realizar-se no plano físico, porque lhes falta um veículo, um corpo para se poderem materializar. A palavra é como que o corpo que deveis dar a essa alma que é o vosso pensamento. Enquanto não lhe derdes um corpo essa alma é obrigada a percorrer os mundos astral e físico à procura de materiais que lhe permitam encarnar-se, e isso leva muito tempo. Porém, se acompanhardes o vosso pensamento de um sentimento forte que lhe sirva de combustível e depois o projetardes no plano físico por meio de palavras, tereis as melhores condições para a realização. A palavra tem uma grande força que pode ser comparada à assinatura de uma ata, de uma encomenda ou de um contrato. E, como sabeis, um papel só tem valor se estiver assinado. Assim, após terdes meditado, podeis dar à palavra a possibilidade de fazer descer os vossos pensamentos e os vossos desejos. Ela é, então, como que a assinatura que permite o desencadeamento das forças do Alto, sim, mas só se o vosso desejo e o vosso pensamento forem já poderosos no plano espiritual.

Quando sentirdes um grande amor para com Deus, como o sentimento é algo puramente psíquico, não tereis necessidade de exprimir-vos por palavras, podeis exprimir-vos apenas pela força do vosso amor. Mas suponhamos que quereis obter a realização de um desejo no plano físico, material; nessa altura, é necessário pronunciar palavras. Todavia, o essencial está na intensidade do pensamento e do sentimento, senão, mesmo que pronuncieis palavras durante horas seguidas, isso não terá qualquer resultado, não sereis atendidos. Aliás, vós próprios sentis quando a vossa oração é ou não ouvida. Há dias em que sentis uma tal força, uma tal plenitude, que sabeis que, finalmente, o Céu vos ouviu. Isto não quer dizer que haverá, de um momento para o outro, resultados no plano físico. Não! Mas o Céu escutou-vos, tomou em consideração o vosso pedido, e isso é o essencial: sentir que a vossa oração foi escutada!

Tudo reside, portanto, na intensidade, e a intensidade está sempre ligada ao poder que se tem de libertar os seus pensamentos e sentimentos de todas as preocupações estranhas à oração. Por isso, a atitude interior é muito importante: conseguir por tudo de lado, por uns momentos, para mergulhar num trabalho espiritual intenso. Só nesta condição é que se é atendido pelo Céu.

Cada coisa espiritual tem a sua correspondência material e cada partícula de matéria tem a sua correspondência no plano espiritual. Existe, pois, uma correlação entre o mundo sutil da consciência, do pensamento, do sentimento, e o mundo da matéria. Cada vez que a vossa oração vos projeta para as regiões superiores da consciência, vós atraís do espaço materiais de uma grande pureza graças aos quais podereis dar um corpo aos vossos desejos divinos. Há que começar por trabalhar no plano espiritual: o plano material transformar-se-á, então, automaticamente. Todos os Iniciados basearam a sua ação nesta lei das correspondências. A sua única preocupação é trabalharem corretamente, harmoniosamente. Em relação ao resto, estão completamente convencidos de que existe uma fidelidade e que o que já está realizado pelo pensamento no mundo espiritual será realizado um dia no plano físico.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: AI(IA)

OPOSIÇÃO ÀS LEIS DA NATUREZA


... Hoje em dia, o altruísmo tornou-se essencial para nossa sobrevivência. É um fato evidente que todos nós estamos interconectados e dependemos uns dos outros. Esta interdependência deu lugar a uma definição inovadora e precisa do altruísmo: Qualquer ação ou intenção que se origine na necessidade de integrar a humanidade numa só entidade é considerada altruísta. Inversamente, toda atividade que não se enfoque em unir a humanidade é egoísta.

Nossa oposição às Leis da Natureza é a fonte de todos os sofrimentos que presenciamos no mundo. E por ser o indivíduo o único que não as cumpre, pode-se concluir que é o único elemento corrupto dentro dela. O resto, ou seja, os minerais, os vegetais e os animais, obedecem as leis altruístas desta, por instinto. Só o comportamento humano se opõe a Natureza e ao Criador.

Mesmo parecendo que a única mudança que temos que fazer é considerar aos demais antes que a nós mesmos, o altruísmo, não obstante, traz consigo um benefício adicional: Quando pensamos nos demais, nos integramos a eles e eles a nós.

O sofrimento que vemos ao nosso redor não é unicamente o nosso. Todos os demais níveis da natureza são afetados por nossas atividades equivocadas. Se corrigirmos nosso egoísmo transformando-o em altruísmo corrigiremos, por conseguinte, todos os demais: a ecologia, a fome, as guerras e a sociedade em geral.



Rav. Dr. Michael Laitman




Fonte: do livro "A Voz da Cabala"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 19 de setembro de 2023

SAUDADE DE ALGO QUE NOS "FALTA"


Todos nós estamos procurando por algo. Alguns têm uma noção clara disso ou, pelo menos, uma consciência, um despertar consciente daquilo que lhes falta. Mas na maioria das vezes e para a maioria de nós, é uma dor surda, uma vaga saudade que permanece conosco, tanto nos momentos bons quanto nos momentos difíceis. “Minha alma está inquieta, até que repouse em ti”, foi a expressão de Santo Agostinho para descrever esse anseio pela plenitude, pela ressurreição que transcende o ciclo de nascimento e morte do desejo. Vista assim, essa saudade não é uma aflição e sim uma dádiva, pois quando a reconhecemos, encontramos o recanto que leva ao caminho espiritual. Na nossa cultura atual, condicionada desde a infância pelo consumismo, esta compreensão do desejo deveria ser o centro de todo sistema educativo religioso.

As livrarias estão repletas dos mais recentes conselhos de autoajuda. Livros sobre temas como administrar a autocrítica, expressar sentimentos, desenvolver uma vida equilibrada, alimentação saudável ou a importância do exercício físico aparecem nas listas de mais vendidos. O melhor tema que conheço encontra-se num livro que não está no topo de nenhuma dessas listas e cuja edição não está esgotada há 1.500 anos. Na Regra de São Bento, o quarto capítulo fala dos “instrumentos das boas obras”: setenta e cinco breves afirmações que descrevem os “instrumentos do trabalho espiritual” que, quando verdadeiramente aplicados, conduzem à realização transcendente das promessas de Cristo: “ O olho não viu, nem o ouvido ouviu, o que Deus preparou para aqueles que o amam.”

Os instrumentos começam com os dez mandamentos porque a vida moral é o fundamento do caminho contemplativo. Em seguida vêm as obras de misericórdia corporais, o esforço mínimo que devemos fazer para o bem-estar dos outros. Em seguida, descreve a proteção do coração contra pensamentos de raiva, vingança ou engano. Enquanto vivia em comunidade, São Bento compreendeu a importância de exercitar o sentimento de amor pelos inimigos e como o autocontrole da linguagem e dos nossos hábitos físicos comuns facilita esta prática cristã básica. A atenção plena nos ajuda a manter a morte diante de nossos olhos e promove um nível mais profundo de paz e alegria. A tentação do egoísmo espiritual também é descrita nos conselhos de Bento e é compensada pelo desejo contínuo da plenitude da vida.

Essas ferramentas para praticar boas ações também são uma forma de cuidar de si mesmo. Toda forma de cuidado é uma energia de fé, pois desvia a atenção dos próprios desejos e sentimentos e os transfere para um bem maior. Portanto, é uma forma de transcendência. Perdura no tempo, o que comprova a sua autenticidade e sinceridade. É, portanto, um caminho de transformação em que mudamos perseverando num ato de fé.

Todos os instrumentos descritos por Bento, incluindo o autocuidado, são definidos para desenvolver e libertar a nossa capacidade de amar. A repetição do mantra unifica muitas formas de cuidado. Concentra-os no centro do coração onde mora o amor de Deus.


Trecho de “Dear Friends”, de Laurence Freeman, OSB, Christian Meditation - Newsletter (Vol. 35, No. 2, julho de 2011, p. 5).



Transcrição de Carla Cooper




Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: IA (AI)

AUTODESCOBRIMENTO: UMA BUSCA INTERIOR


[...] Disciplinar e edificar o pensamento através da fixação da mente em ideias superiores da vida, do amor, da arte elevada, do bem, da imortalidade, constitui o objetivo moral da reencarnação, de modo que a plenitude, a felicidade sejam a conquista a ser lograda. Pensar bem é fator de vida que propicia o desenvolvimento, a conquista da vida.

As reencarnações comuns, sem destaques missionários, invariavelmente são programadas pelos automatismos das leis, que levam em conta diversos fatores que respondem pelas afinidades ou desajustes entre os seres, assim como pelas realizações ético-morais, unindo-os ou não, de forma a darem cumprimento aos imperativos, responsáveis pela evolução individual ou dos grupos humanos. Em outras circunstâncias, são planejadas por técnicos no mister, que aproximam as criaturas, formando os clãs, nem sempre, porém, levando em consideração a afetividade existente entre eles, mas, também, situando-os próximos, na mesma consanguinidade, a fim de serem limadas as arestas, corrigidas as imperfeições morais, desenvolvidos os processos de resgates, próprios dos estágios em que permanecem.

Encontros para primeiras experiências são organizados com o fito de facilitar a fraternidade, ampliando o círculo de afeições; reencontros são estabelecidos para realizações dignificadoras e também retificações impostergáveis. Por isso, são comuns os choques domésticos, os conflitos de ideias e de interesses, as preferências e os repúdios, os entendimentos e as reações familiares.

Um espírito que, na infância corporal, não recebe afeto no ninho doméstico, em face da sua historiografia perturbadora, desenvolve futuros quadros de enfermidades psicológicas ou orgânicas, expia suavemente os delitos que não resgatou e agora são cobrados pela vida, reestruturando a consciência do dever, ou despertando para ela. Quando se trata, porém, de gravame severo, são impressos pelo perispírito no ser em formação física os limites e anomalias de natureza genética, propiciadores da expiação compulsória, que funciona como recurso enérgico para a reabilitação do calceta (culpado).

Nada ocorre na vida por acaso ou descuido da Consciência Cósmica impressa na individual. Assim sendo, adquirir consciência, no seu sentido profundo, é despertar para o equacionamento das próprias incógnitas, com o consequente compreender das responsabilidades que a si mesmo dizem respeito.

O ser consciente é um indivíduo livre e realizador do bem operante, que tem por meta a própria plenitude através da plenificação da Humanidade. Alcançar esse nível de entendimento é todo um processo de crescimento interior, mediante constante vigilância e desdobramento das potencialidades adormecidas, que aguardam os estímulos que fomentam o seu despertar e a sua realização.

Não conscientes das respostas da vida, obedecendo aos automatismos, muitas criaturas permanecem adormecidas em relação aos seus deveres, tornando-se instrumento de sofrimento para si mesmas, como para outros, que lhes experimentam a presença ou delas dependem.

Uma das finalidades primaciais da reencarnação é a aquisição do amor (afetividade plena), para o crescimento espiritual e o autoaprimoramento (encontro com o Deus interno).

Vitimado pelos atavismos do desamor, pelos caprichos do egoísmo, o ser fecha-se na rebeldia e passa a sentir dificuldades em espalhar a luz do sentimento do bem, permanecendo indiferente ao seu próximo, mesmo quando ele faz parte do grupo familial. O problema se apresenta mais complexo quando esse mesmo sentimento egoísta registra antipatia ou surda animosidade por alguém do grupo doméstico. Tal reação ocorre em forma de desamor dos pais pelos filhos, desses por aqueles, entre irmãos ou outros membros do ninho doméstico.

A atitude injustificada faz-se responsável por inúmeros conflitos psicológicos - fobias, insegurança, instabilidade emocional, complexos de inferioridade ou superioridade, soberba etc., e enfermidades orgânicas que aí se instalam. [...]



Divaldo Pereira Franco / Joana de Ângelis



Fonte: do livro "Autodescobrimento: Uma Busca Interior", 17ª ed., 2013
Série Psicológica, vol. 6
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador/BA
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/rosto-rostos-di%C3%A1logo-conversa%C3%A7%C3%A3o-1370955/

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

PURO SILÊNCIO E REVELAÇÃO


Pergunta de um meditador: Padre John, tenho algumas perguntas relacionadas ao processo de meditação. Você mencionou na sua introdução à meditação para a palestra desta noite que devemos eliminar todas as imagens – imagens de Deus, imagens de nós mesmos, imagens dos outros. É psicologicamente possível para a mente humana eliminar todas as imagens?

Resposta de John: Bem, esta é uma questão sutil, mas penso que a resposta é que tem de ser possível, se existir uma união total. Penso que quando há essa união total com a realidade última, não pode haver uma imagem superveniente. Pode parecer-me que isso é logicamente impossível. Então penso que a resposta à sua pergunta é que se a união total é possível, então é possível ir além das imagens.

Ok, então minha segunda pergunta é: o mantra em si é uma palavra especial. Existem também outras palavras especiais para outras circunstâncias: por exemplo, o hipnotizador pode sugerir ao paciente que repita uma palavra e que o objetivo imediato é que, ao repetir essa palavra, ele possa levá-lo a um nível mais profundo de relaxamento. O objetivo final seria, por exemplo, parar de fumar. Então, qual é o objetivo imediato de repetir o mantra?

Resposta de John: Acho que o objetivo imediato é trazê-lo ao silêncio. Isso é o que a maioria das pessoas experimenta quando começa a meditar e o faz pela primeira vez. Muitas pessoas descobrem, embora não todas, que muito cedo alcançam o mais extraordinário silêncio e paz. Mas então eles percebem isso e continuam, isso dá lugar a um estado de muita distração, e é aí que eles sentem que é muito difícil e que a meditação talvez não seja para eles. Dizem a si mesmos que não têm talento e que são invadidos por distrações.

Acho que este é um momento crucial para perseverar. O objetivo final da meditação é então o que vai motivá-lo e esse objetivo é levá-lo ao silêncio total. Como indiquei antes, deve ser um silêncio totalmente livre da autoconsciência, portanto, uma vez que você se torne consciente desse silêncio, você deve imediatamente começar a repetir o seu mantra novamente.

Isso o treina na generosidade de não tentar possuir o fruto da sua meditação. Hoje em dia, isso é muito difícil para muitas pessoas aceitarem porque muitas pessoas na nossa sociedade procuram algo para que a experiência seja a experiência. A meditação é diferente disso. É entrar na experiência pura.

Agora, a forma como a sabedoria antiga expressa isso é expressa no ditado “o monge que sabe que está orando não está orando”. O monge que não sabe que está orando está orando. Então você repete seu mantra até ficar completamente silencioso. Você poderia estar naquele silêncio em um pequeno segundo. Você pode ficar nisso por um minuto ou 20 minutos. Mas assim que você perceber que está nisso, volte a repetir seu mantra. Não tente provocar esse silêncio. Acho que esse é outro perigo: querermos ver o nosso progresso. Queremos ter algum tipo de verificação se vale a pena esse negócio de repetir o mantra por cinco anos. Especialmente neste estágio, você deve resistir à tentação de possuir os frutos da meditação. Devemos apenas meditar e recitar o mantra e quando perceber que não o está mais recitando, repita novamente.

Mas são esses momentos de puro silêncio que são momentos de revelação. Não falo sobre isso com muita frequência porque seria desastroso querer criar essa experiência. E ninguém que leve a sério este ensinamento deveria tentar inventar a experiência. O que você precisa fazer é repetir o mantra e ficar satisfeito com ele. Seja humilde ao dizer isso. Seja simples ao dizer isso. É o dom da oração, da oração pura, o dom da contemplação pura, o dom do silêncio puro é um dom absoluto. Isto não é algo que possamos, digamos, ganhar "torcendo o braço de Deus". Quando nos é dado, aceitamos com alegria e repetimos novamente a nossa palavra. Acho que essa é a diferença entre objetivos imediatos e objetivos finais.



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AMOR A UM ALTO IDEAL


Só conseguireis dominar as vossas tendências instintivas por intermédio do amor a um alto ideal. E o que é um alto ideal? Uma aspiração à beleza, à beleza espiritual, que é feita de pureza, de luz, de harmonia. Contemplais essa beleza e, naturalmente, espontaneamente, deixais de lado tudo o que é insano, obscuro, desordenado. Esse amor pela beleza protege-vos, é como que uma peça de vestuário que gostaríeis de não sujar. Que fazeis, quando usais belas roupas de que gostais? Não vos envolveis em atividades em que haja o risco de os rasgardes ou de os sujardes; instintivamente, estais atentos aos vossos gestos, aos lugares em que vos sentais. Pois bem, é isso: se decidirdes cultivar o gosto pelo mundo da beleza e o desejo de vos aproximardes dele, pouco a pouco sentireis tecer-se à vossa volta como que uma veste sutil que querereis proteger, e assim vós mesmos sereis protegidos.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte do texto e da gravura: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

SERVIR PERFEITAMENTE A CADA DIA


É somente quando o discípulo esteja desejoso de abandonar tudo ao serviço do Grande Uno e de não se apegar a nada, que a libertação é alcançada e o corpo de desejos (astral) transmuta-se no corpo da intuição superior.

É o servir perfeitamente a cada dia - sem nenhum pensamento ou cálculo sobre o futuro - que leva um homem à posição do perfeito Servidor.

E posso sugerir algo? Todo cuidado e ansiedade são baseados, primordialmente, em motivo egoísta. Receais penas futuras, recuais diante de tristes experiências. Não é assim que a meta é alcançada; ela é conseguida pelo caminho da renúncia. Talvez possa significar renúncia ao prazer, ou renúncia à boa reputação, ou renúncia aos amigos, e a renúncia a tudo que o coração se apega.

Cultivai diariamente, portanto, aquele supremo desejo que procura unicamente a recomendação do Guia e Instrutor interior e a resposta egoica à boa ação desapaixonadamente realizada.

Se a aflição chega ao vosso caminho, sorri durante ela toda; ela terminará numa rica recompensa e no retorno de tudo que tenha sido perdido. Se o desprezo e o desdém forem vosso quinhão, sorri ainda, pois somente o olhar de louvor do Mestre é o único que se deve buscar. Se línguas mentirosas agirem, não temais, forjai adiante. A mentira é algo da Terra e pode ser deixada para trás como algo muito vil para ser tocado. O olho simples, o desejo justo, o motivo sagrado e o ouvido que fica surdo ao bulício do mundo - tal é a meta para o discípulo. Nada mais digo. Almejo apenas que não dissipeis força desnecessária em vãs fantasias, febris especulações e expectativas inquietantes.


Alice A. Bailey / Tibetano / Djwhal Khul



Fonte: do livro "Cartas Sobre Meditação Ocultista". pp. 53-4, 1ª ed., 1977
Tradução da Fundação Cultural Avatar, Niterói/RJ
Fundação Educacional e Editorial Universalista - FEEU, Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

AUTOCONSCIÊNCIA x AUTOCONHECIMENTO


A importância atribuída ao despertar que leva ao verdadeiro autoconhecimento é destacada no conselho fundamental que nos foi dado por professores espirituais e filósofos ao longo da história: “ Homem, conheça a si mesmo ”. Somos encorajados não só a conhecer o ego e quais as suas motivações para mudar, mas também a conhecer o verdadeiro “eu”, a consciência do nosso ser interior, do nosso ser total e divino. “Quando se conhecerem, então se conhecerão bem e compreenderão que são filhos do Pai vivo. Mas se não se conhecerem, viverão na pobreza e serão pobreza”. (Evangelho de São Tomé 3)

Embora o autoconhecimento seja essencial, a autoconsciência, entretanto, forma uma barreira poderosa para conhecer nosso “eu” mais profundo e nos cega para a Realidade Suprema. A autoconsciência é, obviamente, uma característica dos seres humanos, que nos distingue de outros seres sencientes. O problema é que utilizamos essa capacidade de forma muito restrita: em vez de ter consciência de todo o “eu”, nos limitamos e prestamos atenção apenas aos pensamentos superficiais do “ego”. Usamos a autoconsciência exclusivamente como ferramenta de sobrevivência. Assim, a maior parte dos nossos pensamentos, de uma forma ou de outra, gira em torno das nossas próprias preocupações, tentando aprender com o nosso passado e planejando o futuro em prol da sobrevivência. É claro que as nossas experiências passadas podem ser uma ajuda construtiva para moldar o presente e planear o futuro. Mas muitas vezes o resultado é que vivemos apenas no passado e no futuro e perdemos o momento presente.

Isto não significa que o nosso “ego” não seja importante. Principalmente na primeira fase da nossa vida dependemos do nosso “ego” e precisamos dele para nos desenvolvermos de forma saudável e bem adaptada. É a fase do desenvolvimento humano que Jung chamou de processo de “ individuação ”. É óbvio que sempre precisaremos da sabedoria do “ego”, pois nossas habilidades de sobrevivência continuarão sendo necessárias para lidar de forma madura e realista tanto com o mundo externo quanto com o interno. No entanto, devemos lembrar que a consciência daquele “eu” de que nos orgulhamos está a um nível superficial e é suscetível a constantes mudanças que são determinadas pelas nossas preocupações e medos atuais. O que precisamos trazer à consciência é a sabedoria mais profunda e permanente do “eu” que reside no inconsciente. Precisamos que o desenvolvimento do “ego” venha de mãos dadas com uma consciência crescente do “eu” espiritual. Precisamos de uma mudança de ênfase do “ego” para o “eu”.

A atenção que exercemos na meditação nos ajuda a produzir essa mudança. Ao deixar os pensamentos para trás, deixamos para trás o passado e o futuro. O mantra nos ancora no momento presente. Então nosso “ego” se torna um centro consciente que aceita tudo o que é inconsciente e se vê como parte integrante do todo. E assim, agimos a partir de uma base de equilíbrio na qual utilizamos todos os nossos recursos, todas as nossas capacidades conscientes e inconscientes, racionais e intuitivas.

Isto constitui a segunda parte do processo de "individuação", no qual chegamos a uma "síntese dos elementos conscientes e inconscientes da personalidade". Este verdadeiro autoconhecimento que leva à integração psicológica e à totalidade não é um fim em si mesmo, mas o passo para vivenciar a Realidade Única: “A realidade que chamamos de Deus deve primeiro ser descoberta no coração humano. Não posso conhecer a Deus a menos que me conheça”. (Mestre Eckhart)



Transcrição de Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: IA (AI)

O APOSENTO SECRETO


O aposento secreto é... um lugar de silêncio e de segredo. Os outros não devem perceber aquilo que dizeis, como o dizeis e a quem vos dirigis. É claro que algumas vezes não podereis impedi-los de se darem conta de que estais a orar. Mas, quanto menos eles se aperceberem, mais valor terá a vossa oração. Numa parábola, Jesus fala daquele fariseu que tinha subido ao templo de Jerusalém e que orava com grande ostentação... Pois bem, toda a sua atitude mostrava que ele não se encontrava no aposento secreto.

Podemos dizer que este aposento secreto é o coração, o silêncio do coração. Mas, evidentemente, o coração aqui não é o que corresponde ao plano astral, o lugar dos desejos inferiores, da avidez. O aposento secreto é o coração espiritual, quer dizer, a alma. Enquanto não se consegue chegar ao verdadeiro silêncio, não se penetrou nesse aposento. Há tantos "aposentos" no homem! E, de entre todos esses aposentos, muito poucas pessoas encontraram precisamente aquele em que o silêncio é valorizado. A maioria é desviada para os outros aposentos e é lá que ora; mas como aí não há aparelhos apropriados o Céu não recebe os seus pedidos.

Portanto, não é suficiente reservar um lugar da casa para a Divindade. Se, na verdade, quiserdes ser visitados, precisais de consagrar um lugar no vosso coração, na vossa alma, dizendo: "Este lugar é para o Senhor, ou para a Mãe Divina, ou para o Cristo, ou para o Arcanjo Miguel, porque - acreditai! - se houver um lugar para eles, eles virão.

Contudo, para que uma oração seja ouvida há que respeitar certas condições. Por que é que, por exemplo, os Iniciados do passado ensinaram o gesto de juntar as mãos quando se ora? É simbólico. É porque a verdadeira oração representa a união dos dois princípios: o coração e o intelecto. Se é o vosso coração que pede, mas o vosso pensamento não participa, não se junta a ele, a vossa oração não será recebida. Para ela ser recebida, tem que vir do coração e do intelecto, do pensamento e do sentimento, isto é, dos dois princípios, masculino e feminino, unidos.

Em quantos quadros se representam pessoas a orar, até crianças com as mãos juntas! Mas nunca se compreendeu a profundidade deste gesto. Isto não quer dizer que para orar é obrigatório juntar as mãos fisicamente. Não, não é a atitude física que conta, mas a atitude interior. É preciso juntar o coração e o intelecto, a alma e o espírito, porque é da sua união que resulta a força da oração. Nesse momento, projetais uma força para o Céu, e em resposta, o Céu envia-vos a luz, a paz. Portanto, ao mesmo tempo, vós dais e recebeis, sois ativos e receptivos.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: via IA (AI)