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domingo, 5 de julho de 2026

SUPERANDO A MORTE


Algum tempo atrás eu tive o privilégio de falar com vocês sobre o assunto “a nota-chave do Cristianismo” e no decorrer dessa palestra trouxemos à nossa Mente o encontro de Pilatos com Cristo, em que a grande e importante pergunta foi feita: “O que é a verdade?”. Vamos olhar para essa imagem mais uma vez. Lá está Pilatos, o representante de César e, em virtude desse fato, uma encarnação do mais alto poder temporal, um governante de todo o mundo com poder sobre a vida e a morte, um homem diante de quem todos tremem. Diante dele está o Cristo, manso e humilde, mas muito maior, pois enquanto esse homem, Pilatos, tem poder sobre o mundo presente, que é evanescente e temporal, ele mesmo está sujeito à morte. Mas Cristo é o Senhor da Vida, o Príncipe de um Reino espiritual que não passa. Ele não responde à pergunta de Pilatos, “O que é a verdade?”, mas em outra ocasião, ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” [1]; e “A Verdade vos libertará” [2].

Não se pode negar que estamos agora sob a lei do pecado e sujeitos à morte. A grande questão é, portanto: como encontrar a verdade que nos libertará real e verdadeiramente? Com o propósito de encontrar o caminho, vamos dar uma olhada na aurora dos tempos, quando a humanidade infantil veio pela primeira vez à Terra. De acordo com a Bíblia, uma névoa subiu da Terra quando a crosta do Planeta, que esfriava, secou; quando olhamos para essa Época na Memória da Natureza, encontramos um maravilhoso crescimento tropical de tamanho gigantesco cobrindo a bacia da Terra onde agora está o Oceano Atlântico. Realmente, era um verdadeiro jardim, mas a névoa era tão densa que a luz do Sol nunca poderia penetrá-la; então a humanidade infantil vivia nesse paraíso como filhos do Grande Pai. Eles tinham corpos nessa Época como têm agora, mas não tinham consciência deles, embora pudessem usá-los, assim como usamos nosso aparelho digestivo sem estarmos conscientes disso. E embora eles fossem incapazes de ver fisicamente, a visão espiritual era uma faculdade ainda possuída por todos. Assim eles se viam alma-a-alma; não havia malícia nem hipocrisia, mas a verdade estava com todos.

Gradualmente, no entanto, a névoa clareou e se tornou uma enorme nuvem, envolvendo o Planeta. Simultaneamente, esses “filhos da névoa”, os Niebelungos [3], começaram a se ver vagamente; tornaram-se cada vez mais “internalizados” em seus Corpos Densos e perceberam finalmente que esse veículo é uma parte do ser humano. Contudo, ao mesmo tempo, eles gradualmente perderam contato com os Mundos Espirituais; já não viam a alma com clareza e até mesmo a voz das Hierarquias espirituais, que antes os guiavam como um pai guia seus filhos, tornou-se fraca e vaga. Com o passar do tempo, a nuvem que pairava sobre esse vale havia se condensado o suficiente na atmosfera fria, de um tão denso que se liquefez e caiu sobre a Terra em diversos dilúvios que levou esses “filhos da névoa” até as terras altas, onde, na atmosfera clara e sob arco-íris, eles se viram cara-a-cara pela primeira vez. Gradualmente a grande ilusão de que “somos corpos” tomou conta de tudo; a alma não era mais vista, nem podiam eles ouvir a voz do Grande Pai que cuidou deles durante sua infância, naquele estado paradisíaco. A humanidade ficou órfã, à deriva no deserto do mundo. A vida tornou-se uma luta contra a Morte.

Logo, a maioria da humanidade parecia esquecer que havia um estado tão feliz, embora a história vivesse em canções, em lendas, e houvesse, como ainda há, em cada peito humano um profundo e inerente reconhecimento dessa verdade, uma memória de algo que se perdeu, algo mais precioso do que qualquer coisa que o mundo possa dar. E há, portanto, em cada peito humano um profundo anseio por aquela companhia espiritual que perdemos pela identificação com nossas naturezas inferiores. Encontramos uma encarnação desse anseio no Tannhauser [4], que entrou no Monte de Vênus para satisfazer seu desejo inferior. Depois de algum tempo, ele anseia pelo mundo que deixou e implora a Vênus que permita que ele parta para que possa desfrutar novamente do sofrimento, das torturas de um amor não correspondido, pois ele se cansou do que ela lhe deu gratuitamente. Como ele diz:

Um Deus pode amar sem cessar,
Mas sob as leis do alternar,
Nós, mortais, precisamos em medida ter
Nossa parcela de dor, assim como de prazer.

Esse foi o propósito quando a humanidade foi conduzida da Atlântida [5] para a presente Era do arco-íris [6]; a Lei da Alternância foi dada para que possamos colher como semeamos (Gl 6:7), para que a tristeza e a alegria mudem conforme as estações se sucedem em uma sequência ininterrupta; e, assim, deve continuar até que o sofrimento gerado por nossas transgressões tenha demolido a crisálida que agora mantém a alma agrilhoada, enquanto a natureza inferior se alimenta das cascas da materialidade. A princípio, a humanidade se deleitou com o poder sobre o mundo e nasceu o orgulho da vida; a luxúria dos olhos era grande, mas, embora “os moinhos dos Deuses moam lentamente, eles moem extremamente bem” [7]; mesmo que possamos alcançar o poder, embora a saúde e a prosperidade possam ser nossos servos hoje, chegará um dia em que, como Fausto [8], sentiremos que a vida não tem valor. Então começa a luta de que Fausto fala a seu amigo Wagner com as seguintes palavras:

Tu, por um único impulso, és possuído;
Inconsciente do outro ainda permanece.
Duas almas estão lutando em meu peito
E batalham lá pelo reinado indiviso.
Uma pela terra, com desejo apaixonado,
E a roupa bem colada ainda adere;
Acima da névoa a outra aspira
Com ardor sagrado a esferas mais puras.

São Paulo também descobre que há dentro dele uma natureza inferior, “os desejos da carne” [9], que luta contra as ânsias e os desejos do espírito, mas Goethe, com a maravilhosa penetração do Místico, resolve o grande problema para nós. À pergunta “O que devemos fazer para que possamos alcançar a libertação?”, ele responde:

De todo poder que mantém a alma acorrentada,
O homem se liberta quando o autocontrole ele ganha na sua Jornada.

Podemos, como Pilatos, ter autoridade, talvez não tão grande autoridade. Mas, mesmo supondo que fosse possível a qualquer um de nós se tornar um “governante do mundo” e exercer autoridade sobre a vida e a morte de toda a humanidade, de que isso nos serviria, se não fôssemos capazes de conquistar e controlar a nós mesmos? Por meio de agressão física, César, o mestre de Pilatos (a quem ele representa) conquistou o mundo e todos lhe prestaram homenagens; mesmo assim o seu reino durou apenas alguns anos. Então, o sombrio espectro da morte veio para acabar com sua vida e seu domínio no Mundo Físico. Olhe para o outro, o Cristo, que permaneceu manso e humilde, mas capaz de dizer: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; (…) todo aquele que crê em Mim não perecerá, mas terá a vida eterna” [10]. O governante do mundo, apesar de todo o seu poder e pompa aparentes, ainda está sujeito à morte, mas Aquele que aprendeu a ter poder sobre si mesmo, Aquele que conquistou sua natureza inferior, o corpo de morte, assim se fez ele mesmo o Senhor da Vida, com um reino que é eterno nos Céus. E é dever de cada um de nós seguir Seus passos, pois Ele disse: “estas coisas que eu faço vós também as fareis e maiores” [11]. Cada um de nós é um Cristo em formação, um vencedor no sinal da cruz.

E quando será isso? Quando o sentimento do egoísmo aprisionou o espírito no corpo, perdemos a alma de vista e a morte se tornou nossa porção. Assim que superarmos esse sentimento de egoísmo pelo altruísmo, assim que abandonarmos e esquecermos de nós mesmos e formos iluminados pelo Espírito Universal, teremos vencido o grande inimigo. Então, estaremos prontos para subir na cruz e voar para as esferas mais altas com aquele glorioso grito de triunfo: “Consummatum est” — foi realizado.

O Caminho é pelo Serviço. A verdade é que pelo serviço servimos a nós mesmos, pois todos somos um em Cristo. A Vida é a Vida do Pai, em Quem nós vivemos, nós nos movemos e existimos, e em Quem, consequentemente, não pode haver morte.


Max Heindel


(Publicado na Revista "Rays from the Rose Cross" de agosto/1917 e traduzido pelos irmãos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/livros-literatura-cl%C3%A1ssico-4392336/


Notas:
[1] N.T.: Jo 14:6
[2] N.T.: Jo 8:32
[3] Na mitologia nórdica e germânica, os nibelungos são um povo lendário de anões que habitam o reino subterrâneo de Nibelheim (a "Terra das Neblinas").
[4] N.T.: Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg, em alemão) é uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor, de 1845. A ação decorre ao pé de Wartburg, terra de grandes cavaleiros trovadores, onde se realizavam pacíficos concursos de canto, no século XIII. Reza a lenda que ao pé de Wartburg existia o monte de Vênus onde a bela deusa atraía e mantinha cativos no puro deleite, os cavaleiros trovadores. Tannhäuser caiu na quentes garras de Vênus. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[5] N.T.: na Época Atlante
[6] N.T.: a presente Época Ária
[7] N.T.: antigo provérbio alemão
[8] N.T.: Fausto (em alemão: Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[9] N.T. Rm 13:14
[10] N.T.: Jo 14:6 e 11:25
[11] N.T.: Jo 14:12

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

O NOVO ELEMENTO E A NOVA SUBSTÂNCIA (A MÍSTICA DO NATAL)


Os solstícios de verão e inverno, juntamente com os equinócios de primavera e outono, constituem os pontos decisivos na vida do Grande Espírito da Terra, assim como a concepção assinala o início da descida do Espírito Humano ao corpo físico, resultando em nascimento, o qual inaugura o período de crescimento até que a maturidade seja alcançada. Neste ponto começa uma época de sobriedade e amadurecimento, juntamente com o declínio das energias físicas que terminam em morte. Este acontecimento liberta o homem dos obstáculos da matéria e conduz a um período de metabolismo espiritual, por meio do qual nossa colheita de experiências terrenas é transmutada em poderes anímicos, talentos e tendências. Estes serão postos a render juros nas vidas futuras, para que possamos crescer mais rica e abundantemente com a posse de tais tesouros e sermos considerados dignos, como "administradores fiéis", para assumirmos postos cada vez mais elevados entre os servos da Casa do Pai.

Esta ilustração apoia-se sobre o firme alicerce da grande Lei de Analogia, tão sucintamente expressa pelo axioma hermético: "Assim como é em cima, assim é em baixo". Baseados nisto, que é uma chave-mestra para todos os problemas espirituais, dependemos também de um "abre-te-sésamo" para as nossas lições do Natal deste ano. Assim, esperemos poder corrigir, confirmar ou completar pontos de vista dos nossos estudantes, conforme requeira cada caso.

Os corpos, originalmente cristalizados na terrível temperatura da Lemúria, eram demasiado quentes para conter umidade suficiente que permitisse ao espírito acesso livre e irrestrito a todas as partes da anatomia, conforme ele agora o consegue através do sangue circulante. Mais tarde, no começo da Época Atlante, os corpos possuíam sangue, mas moviam-se com dificuldade, e teriam secado rapidamente, em razão da alta temperatura interna, não fora o fato de prevalecer naquela atmosfera aquosa uma farta umidade. A inalação desse solvente atenuava grandemente o calor e abrandava o corpo, até que uma quantidade suficiente de umidade pôde ser retida nele, permitindo a respiração na atmosfera relativamente seca que aconteceu mais tarde.

Os corpos dos primitivos Atlantes eram de uma substância granulosa e fibrosa, não diferentes dos nossos atuais tendões, lembrando também madeira. Porém, com o tempo, o hábito adquirido de comer carne, capacitou o homem a assimilar albumina suficiente para construir tecido elástico necessário à formação dos pulmões e artérias, permitindo assim a livre circulação do sangue, conforme se verifica agora em todo o sistema. Na época em que aconteceram essas mudanças internas e externas, o grande e glorioso arco de sete cores surgiu no céu carregado de nuvens para assinalar o advento do Reino do Homem, onde as condições viriam a ser tão variadas como os matizes que colorem a atmosfera ao refratar a luz solar de uma só cor. Portanto, o primeiro aparecimento do arco-íris nas nuvens marcou o início da era de Noé, com suas estações e períodos alternantes, dos quais o Natal é um deles.

Contudo, as condições prevalecentes neste período não são tão estáveis, como não o eram as dos períodos anteriores. O processo de condensação que transformou o nevoeiro ardente da Lemúria em atmosfera de umidade densa da Época Atlante, e mais tarde se liquefez em água que inundou as cavidades da Terra e impeliu a humanidade para as montanhas, ainda continua. Ambas, a atmosfera e nossa condição fisiológica estão mudando, anunciando, aos que sabem ver e compreender, a aurora de um novo dia no horizonte, a época de unificação mencionada na Bíblia como "O Reino de Deus".

A Bíblia não nos deixa dúvidas a respeito das mudanças. Cristo disse que, como nos dias de Noé, assim deverá ser nos dias vindouros. Ciência e invenção encontram agora condições que não existiam anteriormente. É fato científico que o oxigênio está sendo consumido em quantidades alarmantes, alimentando as fogueiras das indústrias. Incêndios nas florestas também sorvem em grande escala o nosso estoque desse elemento importante, além de aumentar o processo secante a que a atmosfera está naturalmente submetida. Eminentes cientistas afirmam que chegará o dia em que o globo não poderá sustentar a vida que depende da água e do ar para existir. Suas ideias não nos afligem tanto, pois a data que apontam ainda está muito distante. Mas, mesmo que seja assim, o destino da Época Ária é tão inevitável quanto o da Atlântida inundada. Pudesse um Atlante ser transferido para nossa atmosfera, seria asfixiado como um peixe fora de seu elemento natural. Quadros vistos na Memória da Natureza provam que os aviadores pioneiros daquela época, desmaiavam realmente quando encontravam essas correntes de ar que desciam gradualmente sobre a Terra que habitavam. Tais experiências suscitavam muitos comentários e especulações. Os aviadores de hoje já estão encontrando o novo elemento e experimentando a sensação de asfixia, conforme experimentaram os seus ancestrais Atlantes e, por razões análogas, encontraram o novo elemento descendo do alto. Este elemento tomará o lugar do oxigênio da nossa atmosfera. Existe também uma nova substância introduzindo-se na constituição humana e que substituirá a albumina. Ademais, assim como os aviadores da Época Atlante desmaiavam e eram impedidos pela corrente descendente de ar de penetrar antecipadamente na Ária, a "Terra Prometida", assim também o novo elemento desafia os aviadores de hoje e a humanidade em geral, até que todos tenham aprendido a assimilar seus aspectos materiais. Tal como os Atlantes, cujos pulmões não estavam desenvolvidos e sucumbiram na inundação, assim também a nova era encontrará alguns sem o "Manto Nupcial", e portanto incapacitados para entrar nela, até que se qualifiquem num período posterior. Por isso, é da maior importância para todos saber a respeito do "novo elemento" e da "nova substância".

A Bíblia e a Ciência, unidas, fornecem ampla informação a respeito do assunto. Na Grécia antiga, conforme mencionamos antes, religião e ciência eram ensinadas nos Templos de Mistério, juntamente com a arte superior e o artesanato, como uma doutrina única de vida e de ser. Contudo, essa condição foi temporariamente suspensa para facilitar determinadas fases do desenvolvimento. A união das linguagens religiosa e científica na Grécia antiga facilitava a compreensão dessas matérias. No entanto, hoje em dia, as dificuldades repousam no fato de que a religião traduziu e a ciência simplesmente transferiu seus termos do Grego original, o que tem causado muitas divergências e a perda do elo entre as descobertas da ciência e os ensinamentos da religião.

Para chegarmos a uma desejada compreensão das mudanças fisiológicas que prosseguem agora em nosso sistema, podemos lembrar que, segundo a ciência, os lóbulos frontais do cérebro estão entre as estruturas humanas de mais recente desenvolvimento e que, proporcionalmente, este órgão é muito maior no homem do que em qualquer outra criatura. Agora, a pergunta: "Existe no cérebro alguma substância peculiar, e se existe, qual pode ser seu significado?"

A primeira parte da pergunta pode ser respondida por qualquer obra científica relativa ao assunto, mas o livro "O Conceito Rosacruz do Cosmos" fornece mais subsídios, conforme transcrevemos abaixo:

"O cérebro... é formado das mesmas substâncias que compõem todas as outras partes do corpo, acrescidas de fósforo, que é peculiar somente ao cérebro. A conclusão lógica é que o fósforo é o elemento particular por meio do qual o Ego capacita-se a expressar pensamento... Descobriu-se que a proporção e variação dessa substância correspondem ao estado e fase de inteligência do indivíduo. Assim, os idiotas possuem pouquíssimo fósforo, enquanto o pensador arguto tem-no em abundância... É, pois, de grande importância que o aspirante, cujo veículo físico vai ser utilizado no trabalho mental e espiritual, supra seu cérebro da substância necessária a esse propósito".

A indiscutível religiosidade dos Católicos é verificável na prática de comer peixe, alimento rico em fósforo, às Sextas-Feiras e na Quaresma. Ainda que o peixe pertença a uma ordem de vida inferior, "O Conceito Rosacruz do Cosmos" não aprova a sua matança, indicando ao estudante certas verduras através das quais pode conseguir fisicamente abundância dessa desejável substância. Existem outros e melhores meios para essa obtenção, embora não mencionados em "O Conceito Rosacruz do Cosmos".

Não foi por acaso que os Mestres da Escola de Mistério Grega denominaram assim essa substância luminosa que conhecemos por fósforo. Para eles era patente que "Deus é Luz" - a palavra grega designativa de luz é "phos". Portanto, muito apropriadamente, eles denominaram a substância do cérebro, que é a avenida de ingresso do impulso divino, "phos-phorus", literalmente "portador da luz".

Na medida em que formos capazes de assimilar essa substância, enchemo-nos de luz e começamos a brilhar a partir de dentro, circundando-nos, então, um halo como uma marca de santidade. O fósforo, contudo, é apenas um meio físico que possibilita a luz espiritual expressar-se através do cérebro físico, sendo a luz, em si mesma, um produto do crescimento anímico. Mas o crescimento anímico capacita o cérebro a assimilar quantidades crescentes de fósforo, pelo que o método para a aquisição dessa substância em maiores quantidades não deve ser pelo metabolismo químico e sim pelo processo alquímico do crescimento anímico, o que foi totalmente esclarecido por Cristo quando Ele disse a Nicodemus:

"Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nEle crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no Nome do Filho único de Deus. Este é o julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram mais as trevas do que a Luz, porque as suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a Luz e não vem para a Luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a Luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus." (Jo, 3,17-21)

O Natal é a época do ano de maior Luz espiritual. Durante esta era de ciclos alternantes há marés altas e baixas de Luz espiritual, como acontece com as águas do oceano. A primitiva Igreja Cristã marcou a "Concepção" no outono do ano (no Hemisfério Norte), de modo que até hoje o evento é celebrado pela Igreja Católica quando a grande onda de vida e Luz espirituais começam a sua descida à Terra. O ponto máximo de maré é alcançado no Natal, sendo esta verdadeiramente a época santa do ano, a ocasião em que esta Luz espiritual é mais facilmente contatada e especializada pelo aspirante através de atos de compaixão, gentileza e amor. Oportunidades para esses atos não faltam, nem mesmo para os mais pobres, porque conforme enfatizam frequentemente os ensinamentos rosacruzes, o serviço conta mais que o auxílio financeiro, que pode até ser prejudicial a quem o recebe. Todavia, "a quem muito é dado, muito será exigido" e, se alguém foi abençoado com abundância de bens do mundo, uma cuidadosa distribuição dos mesmos deve necessariamente ser observada em qualquer oportunidade de servir.

Recordemos ainda as palavras de Cristo: "Em verdade vos digo, sempre que fizerdes isto a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fazeis." (Mt, 25,40). Sigamo-Lo pois, como luzes ardentes e brilhantes, mostrando o caminho para a Nova Era.



Max Heindel




Fonte: Fraternidade Rosacruz
Revista Esotérica Chritian Rosenkreuz, ano 1, nº 3, dez. 2000
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/natal-%C3%A1rvore-de-natal-fundo-luzes-3735928/

domingo, 19 de abril de 2020

A SABEDORIA ECOLÓGICA DOS INDÍGENAS



O Que Temos a Aprender Com os Povos Tradicionais


Em vários aspectos, o mais novo e o mais velho se unem hoje para renovar e ampliar radicalmente nosso modo de enxergar a realidade.

Nas últimas décadas do século 20, a vanguarda da física redescobriu a filosofia esotérica através de Fritjof Capra, David Bohm e outros. O químico da NASA Jim Lovelock descobriu que o planeta Terra pode ser considerado um ser vivo – como pensava o mundo grego – e criou a teoria de Gaia. Na biologia, Rupert Sheldrake resgatou velhos conceitos da filosofia do oriente, especialmente o akasha e a luz astral, através de modernos métodos experimentais. Estas mudanças na visão científica do mundo estabelecem as bases para uma relação inteiramente nova entre ser humano e ambiente natural, e nos fazem compreender, também, que podemos aprender grandes lições avaliando melhor a filosofia de vida dos primeiros habitantes da América. 

Segundo a ecologia profunda, todos os seres têm – em princípio – igual direito à vida. Esta corrente de pensamento aberta e sem dogmas foi criada na Noruega no início da década de 70 pelo filósofo e músico Arne Naess. Nos últimos anos os livros e seminários dedicados ao tema têm ganhado espaço rapidamente, inclusive no Brasil.

Embora seja moderno na aparência e inspire uma nova geração de cientistas, este modo de enxergar a vida é antigo e tradicional. A autoria do maior e mais famoso manifesto de ecologia profunda que conheço é atribuída ao chefe Seattle, dos índios norte-americanos Duwamish, em 1855, isto é, onze anos antes de o biólogo alemão Ernest Haeckel propor pela primeira vez, em 1866, a criação de uma “nova disciplina” a ser chamada no futuro de “ecologia”. O chefe Seattle perguntou ao presidente norte-americano Franklin Pearce, que lhe havia proposto comprar as terras indígenas:

“É possível comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal ideia é estranha para nós. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como você poderá comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada areia da praia, cada bruma nas densas florestas, cada clareira e cada inseto a zumbir são sagrados na memória do meu povo. A seiva que corre através das árvores carrega as memórias do homem vermelho.”

A ideia central da ecologia profunda é abandonar a ideia de que a natureza é apenas um amontoado de “recursos naturais”. Todo egoísmo tem uma vocação inevitável para o fracasso, e as políticas de preservação ambiental implantadas no século 20 fracassaram amplamente porque partiam de uma filosofia baseada na ideia de que o homem pode usar e abusar da natureza. Quando você parte de uma premissa falsa, seu raciocínio e sua prática estão destinados à derrota. Só quando deixamos de lado a impressão ilusória de que o homem é o centro do universo passa a ser possível, para nós, perceber que pertencemos à natureza, somos seus filhos e devemos respeitá-la. A premissa correta, centro da filosofia do futuro, afirma que a alma da vida universal está presente em todas as coisas, e o homem é parte dela. Cabe a ele, agora, ser consciente disso. Assim a preservação ambiental terá êxito. Nas palavras do chefe Seattle:

“Os rios são nossos irmãos, eles saciam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar às suas crianças que os rios são nossos irmãos, e seus também, e vocês devem, daqui em diante, dar aos rios a bondade que dariam a qualquer irmão.”

Em uma análise comparativa, poucos deixariam de afirmar que nossa civilização tecnológica é mais avançada que as dos indígenas. Mas o que estamos fazendo com nossas crianças? Abandonando-as?  Matando-as? Prostituindo-as? O que são os assaltantes das grandes cidades além de crianças abandonadas que cresceram aprendendo violência?

Considerando o que estamos fazendo com nossos rios e florestas e também o grau de violência, corrupção e poluição que há em nossas cidades, em que coisas somos de fato melhores, e em que aspectos somos mais bárbaros, mais violentos e atrasados que os indígenas das Américas tradicionais?

“Não há um lugar calmo nas cidades do homem branco”, afirma a carta dos duwamish: “Nenhum lugar para escutar o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida, se o homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxar dos sapos em volta de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio aroma do vento, limpo por uma chuva do meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.”

Recuperar a capacidade de conviver com o mundo natural é avançar em direção àquele futuro em que as cidades trarão para si o melhor do campo, e o campo terá em si o melhor das cidades. Então desaparecerão as doenças físicas e emocionais causadas pela tensão nervosa das grandes cidades. Desaparecerão fenômenos como a síndrome do pânico, a insegurança das ruas modernas ou a violência contra os agricultores sem terra. E ainda respiraremos melhor, como os indígenas faziam. Também neste aspecto, temos a aprender com eles:

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro. O animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. O homem branco parece não sentir o ar que respira. Como um animal que agoniza há vários dias, ele é incapaz de sentir o mau cheiro. (…) Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas crianças. Tudo o que ocorrer com a terra, ocorrerá com os filhos da terra. Se os homens desprezam o solo, estão desprezando a si mesmos. A terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra.” [1]

Um testemunho menos conhecido, mas não menos belo, foi deixado a nós pelo chefe Urso-em-pé, dos Lakota. Ele disse, lembrando de tempos anteriores:

“Os velhos Lakota amavam o solo e sentavam-se ou reclinavam-se no chão com o sentimento de estarem próximos de um poder maternal. Era bom para a pele tocar a terra, e os velhos gostavam de se descalçar e andar com os pés nus sobre a terra sagrada. As tendas eram erguidas sobre a terra, e os altares feitos de terra. O solo era tranquilizante, revigorador, purificador e medicinal. Por isso é que os velhos índios ainda se sentam diretamente na terra, fonte de suas forças vitais. Para eles, sentar-se ou deitar-se no chão permite pensar com mais profundidade e sentir com mais clareza; podem penetrar nos mistérios da vida e descobrir seu parentesco com outras formas de vida ao redor. (…) Os velhos Lakota eram sábios. Sabiam que o coração do homem distante da natureza se torna duro; sabiam que a falta de respeito pelas coisas vivas leva imediatamente à falta de respeito pelos humanos.” [2]

Urso-em-pé mencionou aqui uma causa central da violência e degeneração da vida emocional das grandes cidades. Dominadas hoje por meios eletrônicos de “comunicação” cuja influência parece crescer lado a lado com a falta de comunicação real entre seres humanos, as cidades degeneram pelo seu distanciamento da natureza e dos seus ritmos vitais básicos. Como um animal em cativeiro que perde a alegria de viver, o ser humano distante da natureza é preso por suas preocupações pessoais, e dificilmente encontra paz, dentro ou fora de si. O resultado é a violência: primeiro em pensamento e sentimento, e depois na realidade externa. 

Por outro lado, temos alguns erros em comum com as sociedades indígenas e um deles é a superstição. A maior parte da população brasileira atual, herdeira da cultura europeia, ainda é guiada por fortes crenças ilusórias. Algumas das nossas superstições são materialistas (como pensar que o dinheiro traz felicidade), e outras são religiosas (como a de pensar que, para ser religioso, basta adorar e pedir favores a um Deus em forma humana). Até mesmo nossos modernos pajés, os cientistas e intelectuais, participam em grande parte das superstições coletivas da nossa civilização.

Os indígenas também tinham uma visão relativamente estreita do mundo. Vemos com facilidade os erros do pensamento indígena tradicional, porque é sempre fácil enxergar os defeitos alheios e nossas limitações são outras. Mas apesar das cegueiras culturais, dos tabus e nacionalismos tribais, havia em todas as sociedades indígenas – como há hoje na nossa – uma tradição de sabedoria transcendental. Ela permanecia à disposição dos que estavam prontos e eram capazes de erguer os olhos para ela. Quando o aprendiz está pronto, a sabedoria aparece – em qualquer tempo e lugar.

Certo dia o indigenista brasileiro Orlando Villas Bôas ficou surpreso ao conversar com um pajé do rio Xingu, o mais versado, ali, nos conhecimentos que vão além do saber comum. Ele conta o fato em seu livro A Arte dos Pajés [3]. Um pajé de meia-idade, Arru, chegou do mato cansado de caminhar e sentou-se ao lado de Orlando.

“Lá é o céu”, diz Arru, apontando para o alto.

“Sei”, responde Orlando.

“Lá é a aldeia dos que morrem.”

“Sei”, diz Orlando, conhecedor da cultura indígena.

Depois de um momento em silêncio, olhando bem para o alto, Arru acrescenta:

“Lá no céu do céu… ela está lá.”

Orlando pensa que quem está lá no céu do céu deve ser um deus antropomórfico.

“Quem está lá? Um índio velho que sabe tudo?”

A resposta de Arru é enfática:

“Não, apenas uma sabedoria.”

O pajé do Xingu surpreendeu Orlando mostrando que acreditava na existência de uma lei ou sabedoria universal, e que estava livre da superstição de um deus em forma humana, de quem se pode obter favores pessoais fazendo-lhe homenagens como a um rei todo-poderoso.

O diálogo entre Villas Bôas e Arru tem outros aspectos interessantes. A “aldeia dos que morrem”, que existe no céu dos índios xinguanos, é um conceito equivalente, de certo modo, ao kama loka da tradição esotérica. Para o kama loka vão os níveis intermediários da consciência de um ser humano fisicamente morto. Ali, os níveis médios de consciência passam por uma purificação que dará lugar ao devachan ou bem-aventurança, um longo período de descanso antes de um novo renascimento. O devachan equivale à “terra sem males” dos tupis brasileiros,  local mítico e  não-espacial. Ali ninguém morre ou adoece, a lavoura se trabalha sozinha e a colheita ocorre sem que seja necessário fazer esforço.

Do ponto de vista esotérico, não conheço referências muito complexas ou exatas ao processo pós-morte na tradição indígena das Américas. Porém, na sua simplicidade, os povos indígenas reconhecem a existência de um mundo sutil ou astral em que são registrados os nossos atos e no qual vivem seres invisíveis, ao lado das forças arquetípicas da natureza e dos seres que se foram do mundo físico.

“Há na cultura indígena uma total dependência da criatura com o mundo sobrenatural”, escreveu Villas Bôas. Se trocarmos a palavra “sobrenatural” por “astral”, a frase fica correta do ponto de vista esotérico e se aplica não só aos indígenas, mas a todos os povos e seres do mundo em todos os tempos. O mundo físico inteiro é reflexo do mundo astral e, por isso, depende dele. Todas as relações de causa e efeito operam no mundo astral, que é perfeitamente natural, porém invisível ao olhar físico, e que, em seus níveis superiores, leva à vida especificamente imortal e espiritual em que se localiza o devachan e se alcança o nirvana.

As culturas indígenas populares tinham acesso a uma versão simplificada da sabedoria espiritual dos descendentes de Atlântida. Depois da destruição daquele continente, o conhecimento iniciático e esotérico foi inteiramente reorganizado. Então, da Índia e do Egito antigos surgiu uma nova série de civilizações que dura até hoje. Esotericamente, considera-se que os indígenas americanos são descendentes da tradição espiritual Atlântida, que corresponde à quarta raça-raiz, segundo Helena Blavatsky. A nossa quinta raça-raiz, mais racional, perdeu a antiga intuição humana. Mas já começa a recuperá-la em um nível superior, combinando o método científico experimental com a antiga capacidade de comunhão com a natureza e o respeito por todos os seres, habilidades que as sabedorias indígenas, sobreviventes da tradição atlântida, ainda mantêm intactas.

As tradições do extremo oriente são outras tantas ramificações da quarta raça-raiz e têm ensinado lições de grande valor ao nosso confuso ocidente através da medicina tradicional, da meditação zen, das artes marciais de fundo espiritual, do taoismo, e do feng-shui, para citar alguns poucos exemplos. Helena Blavatsky afirma em seu livro clássico “A Doutrina Secreta” que desde o século 19 surgem, aqui e ali, os primeiros cidadãos da sexta raça-raiz. Eles não podem ser identificados por qualquer característica física, mas sim por uma percepção intuitiva dos princípios da sabedoria e da fraternidade universal que guiarão a humanidade, de modo consciente, no futuro. Para a ciência esotérica, a fraternidade universal da humanidade é uma lei, e a diversidade racial é indispensável à evolução.

Neste momento, cabe repensar o processo civilizatório.  É preciso parar a destruição dos ambientes naturais e respeitar os povos que preservam o conhecimento de como viver em intimidade com a natureza. É prioritário proteger as crianças, símbolos do  futuro, e aprender aquela sabedoria universal que permeia a história de todos os povos, independentemente das características físicas, hábitos culturais ou níveis de desenvolvimento tecnológico dos seus cidadãos.

Devemos ter a humildade necessária para reconhecer que os povos mais desenvolvidos tecnologicamente nem sempre foram os mais sábios, e que hoje somos um notável exemplo disso. Devemos ser capazes de lembrar que, segundo o manifesto atribuído ao chefe Seattle, “os cumes rochosos, os sulcos úmidos do campo, o calor do corpo do potro e o homem, todos pertencem à mesma família”.



Carlos Cardoso Aveline



Fonte do Texto e da Gravura: FilosofiaEsotérica
https://www.filosofiaesoterica.com/a-sabedoria-ecologica-dos-indigenas/




NOTAS:

[1] “Preservação do Meio Ambiente – Manifesto do chefe Seattle ao Presidente dos EUA”, Editora Interação/Fundação SOS Mata Atlântica, SP, 1989.

[2] “Pés Nus Sobre a Terra Sagrada”, Compilador: T.C. McLuhan, Ed. L&PM, Porto Alegre, 1994, ver pp. 13-14.

[3] “A Arte dos Pajés”, de Orlando Villas Bôas, Editora Globo, 2000, ver pp. 89-90.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A MULHER ATLANTE

A Evolução pela qual as mulheres passaram no período Lemuriano, levou ao exercício de um importante papel dado ao sexo feminino na próxima raça raiz, a Atlante. Essa próxima raça apareceu sob a influência de entidades altamente desenvolvidas, familiarizados com as leis da formação de raças e capazes de orientar as forças existentes da natureza humana para  dar à luz uma nova raça. Desses seres falamos mais tarde; para o momento é suficiente dizer que tinham um poder e sabedoria sobre humanos. O que eles fizeram foi deixar de lado um pequeno grupo de seres humanos da humanidade lêmure e os destinaram a se tornar os ancestrais da seguinte raça Atlante. Eles foram isolados nos trópicos. Sob a sua orientação, os membros deste grupo foram instruídos para o controle das forças naturais.

Eles eram muito vigorosos e sabiam como obter os mais diversos tesouros da Terra. Eles podiam cultivar os campos e usar seus frutos para subsistir e adquiriram uma forte Vontade (força de vontade) por meio da disciplina a que haviam sido submetidos. A alma e o coração eram subdesenvolvidos, o que não acontecia com as mulheres que tinham um grande desenvolvimento da memória e fantasia e de tudo o que se relaciona a elas.

Os guias acima mencionados, fizeram que o grupo fosse dividido em grupos menores. Eles fizeram que as mulheres se encarregassem de ordenar e estabelecer essas comunidades. Graças à memória que possuíam, elas tinha adquirido a capacidade de fazer úteis as experiências e aventuras do passado. O que foi útil ontem levou a percepção que seria útil amanhã. Portanto, delas emanaram as iniciativas da vida em comunidade, e também os conceitos de “bem” e “mal”, já que sua vida reflexiva lhes tinham dado uma compreensão da natureza.

Observando a natureza, elas desenvolveram idéias em seu interior com as quais dirigiam as ações dos homens. Os guias tinham organizado tudo para que, através da alma feminina, é enobrecida e refinada a natureza volitiva e força vigorosa do homem. É evidente que temos de imaginar este começo como quase infantil. As palavras de nossa língua podem evocar muito facilmente representações da vida moderna.

Através da alma desperta das mulheres, os guias começaram a desenvolver a vida anímica dos homens. Na colônia que descrevemos, a influência das mulheres era, por conseguinte, enorme.

Tinham que recorrer a elas quando queriam ler os sinais da natureza. Todo o caráter da vida da alma feminina, estava, no entanto, ainda dominado pelas forças anímicas “ocultas” do ser humano. Nós não podemos descrever com precisão esse estado, apenas aproximadamente, como um estado de contemplação sonhadora naquelas mulheres. Em alguns sonhos elevados foram transmitidos os segredos da natureza e recebiam deles o impulso para a ação. Para elas, tudo tinha uma alma e lhe apareciam em poderes e aparições psíquicas. Elas se entregaram à teia misteriosa de forças psíquicas e o que as impelia a agir eram “vozes interiores” do que diziam as plantas, os animais, as pedras, as rochas, as nuvens, o sussurro das árvores etc.

Deste estado de espírito que surgiu o que chamamos de “religião”. Gradualmente começou-se a venerar e adorar o espiritual na natureza e na vida humana. Algumas mulheres conseguiram uma certa supremacia, porque elas podiam interpretar o que estava no mundo, com base em profundidades especiais misteriosas.

O que vivia dentro dessas mulheres poderia tornar-se uma espécie de linguagem natural. Porque o início da linguagem é um elemento semelhante ao cantar. O poder do pensamento foi transformado em som audível e o ritmo interior da natureza soou dos lábios das mulheres “sábias”. As pessoas costumavam se reunir em torno destas mulheres e suas frases, semelhantes a música, manifestavam expressões de poderes superiores. Com essas coisas começou a adoração dos deuses.

Nesse período, não se pode falar sobre o “significado” do que era falado. O que se percebia era som, tom e ritmo, e não se pensava em relacionar coisas a isso; simplesmente se absorvia na alma o poder do que foi ouvido. Todo o processo estava sob a direção dos guias superiores que inspirou as sábias sacerdotisas com tons e ritmos de uma forma que não podemos continuar a explicar aqui. Isto teve um efeito enobrecedor sobre as almas dos homens. Indiscutivelmente, assim, o homem começou a despertar a verdadeira vida anímica.

Com este cenário pode se ver belas cenas da Crônica do Akasha. Imaginemos uma delas: Estamos em uma floresta perto de uma árvore gigante, o sol nascendo no leste. A árvore, semelhante a uma palmeira, se eleva solitária e projeta longas sombras. A sacerdotisa voltada para o oriente, em êxtase, e está sentada em um assento feito de objetos estranhos e plantas. Gradualmente, em sequência rítmica, sons repetidos vêm de seus lábios. Um certo número de homens e mulheres estão sentados em um círculo em torno dela, seus rostos imersos em sonhos, absorvendo a vida interior do que estão ouvindo.

Pode-se ver outras cenas: Em um lugar, disposto da mesma forma, uma sacerdotisa “canta” em uma maneira similar, mas seus tons têm algo mais poderoso, mais potente. Aqueles a sua volta se movem em danças rítmicas. Porque essa era outra maneira pela qual a “alma” penetrou na humanidade. Os misteriosos ritmos da natureza que se podiam ouvir eram imitados pelos movimentos dos membros. Assim sentiam-se conectados com a natureza e os poderes que atuavam na mesma.





Rudolf Steiner






Fonte: Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/forum/rudolf-steiner-a-mulher-atlante/
Tradução: Leonardo Maia
Fonte da Gravura:
http://www.antroposofy.com.br/forum/wp-content/uploads/2015/08/mulher-atlante.jpg

terça-feira, 13 de novembro de 2012

AKHENATON - ARAUTO DO CRISTO CÓSMICO NO EGITO

A Oitava Dinastia culminou na História Egípcia como um mundo poderoso. Sob o brilhante Faraó Amenophis III a dominação egípcia se estendia à Síria e Mesopotâmia. Tributos provenientes de cidades costeiras do Mediterrâneo enchiam rapidamente os cofres e a riqueza facilmente adquirida corrompia tudo que tocava.

Akhenaton não é lembrado pela riqueza, nem pelo poderio militar egípcio. Não valorizava nada disto, nem mesmo se contentava em predicar os cânones consagrados como verdade pela casta sacerdotal dominante. Viveu a vida de um sábio enquanto ocupava o trono.

A história das religiões nos informa que sempre quando uma nação atinge seu Zenith em prestígio e poder mundano, a religião dominante do referido período se cristaliza em formas convencionais quase totalmente desprovida de iluminação espiritual; e sempre um mensageiro é enviado pela Hierarquia Invisível para desobstruir o caminho. Segundo Corinne Heline tal condição prevalecia naquele período, vindo Akhenaton promover uma nova era de pensamento espiritual.

Os primeiros reis Egípcios foram Iniciados pelos Mestres Atlantes que oficiavam os vários graus de Iniciação no Templo de Mistérios da Grande Pirâmide. Posteriormente um elaborado cerimonialismo foi desenvolvido e transmitido em benefício das massas, mas o verdadeiro trabalho iniciático estava reservado à linhagem sacerdotal e à casa real, sendo tais privilégios transmitidos hereditariamente. Os faraós primitivos eram portadores da luz espiritual , sendo chamados de “Filho do Sol”, que designa Horus encarnado. O Templo de Heliópolis era o centro focal desta antiga Escola Iniciática, cujas raízes procedem do período primordial do Egito.

Segundo a Escola de Heliópolis, “Aton ou o Sol é o corpo físico do Logos diretor de nosso sistema solar emanado do Logos Universal. O globo solar, fonte de luz, calor e vida, é o transmutador prodigioso que recolhe as vibrações transcendentes da Divina Fonte, criadora de mundos, e as transforma em forças mentais, vibrações construtoras do Cosmos e energias vitais, que verte sobre os astros opacos que a ele estão subordinados. Assim fecunda nossa terra, virgem e mãe, sem tocá-la nem manchá-la. O Sol é a imagem viva da Divindade. Resplandece com a ofuscante luz da Verdade Absoluta. É o Senhor da Natureza”.

Tais verdades sagradas, esquecidas pela grande maioria foi preservada por muito poucos na época da Oitava Dinastia. Um sacerdócio rival, que colocava a política acima da espiritualidade e praticava grotescas formas de magia e feitiçaria derivadas de antigos cultos remanescentes, usurpara o prestígio e o poder que formalmente detinha o Templo de Heliópolis. As injustiças e crueldades impostas ao povo estão reportadas no Livro do Exodus. O principal Templo consagrado ao Deus Amon localizava-se em Thebas. O culto ganhou ascendência com Amenhotep III, refém político do sacerdócio de Amon, que restaurou o Templo de Luxor e construiu muitos outros templos consagrados a Amon. O Templo de Karnac, o grande Centro Esotérico, que perpetuava a tradição oculta do período Atlante se tornaria a mais magnífica ruína do mundo. O sacerdócio de Amon gradualmente conferiu a si mesmo o título de Deus de Heliópolis e, como Amon-Ra, ascendeu à supremacia como o Culto do Estado.

O alto-sacerdote de Amon-Ra era geralmente o Grande Vizir (primeiro-ministro) do Egito e frequentemente ultrapassava o próprio rei em poder e prestígio. Sua corte comportava hierarquias de sacerdotes a ele subordinado, que recebiam extraordinários privilégios.

Foi no meio deste cenário decadente que Akhenaton, um dos Irmãos Maiores, foi enviado para reacender a tocha espiritual que havia sido apagada pela idolatria, pelo luxo e pelo abuso de poder tanto da Igreja quanto do Estado. Em seu estudo sobre a XVII dinastia (1375-1358), Arthur Weigall escreve:

“Akhenaton foi o primeiro ser humano que possuiu o sentido do divino; o primeiro que enquanto o fragor das guerras dominava o mundo, predicou a paz, a simplicidade e a honradez; o primeiro que professou o amor à Humanidade, e o primeiro que livrou seu coração da queda na barbárie.”

“Como um raio de ofuscante luz na noite dos tempos, Aton, O Sol, símbolo do Deus verdadeiro, destaca-se por um instante no seio da escuridão egípcia e, mais uma vez, desaparece prenunciando as futuras religiões monoteístas ocidentais. Poder-se-ia crer que o misericordioso o Deus todo-poderoso teria se revelado, por alguns instantes ao Egito. Nenhum homem cuja mente esteja livre de preconceitos poderá ignorar a íntima semelhança dos ensinamentos de Cristo na religião de Akhenaton, tanto quanto em Abraham, Isaac e Jacob. A fé do patriarca é a linear ancestralidade da fé Cristã; porém o credo de Akhenaton é seu protótipo isolado. O Altíssimo Deus por um instante revelou-se a Si mesmo ao Egito, onde foi mais claramente interpretado que o fora na Síria ou na Palestina antes do advento de Cristo”.

Segundo Corinne Heline, a preparação para o nascimento de um Grande Avatar deve começar com seus avós. Tal postulado está exemplificado na vida de Akhenaton, que teria sido escolhido para ocupar o trono através da mediação da Esfinge. A Grande Esfinge de Gizeh e a Grande Pirâmide eram câmaras iniciáticas sob a guarda dos sacerdotes de Heliópolis, sendo o alto sacerdote conhecido como “o Profeta Clarividente”. Thutmose IV, que reinou de 1420 a 1411 a.C., avô de Akhenaton foi consagrado pelos sacerdotes de Heliópolis como “Filho de Aton que purifica Heliópolis e satisfaz Ra”. Akhenaton foi ativo na restauração da Esfinge.

Após a transição de Thutmosis IV ao Oriente Eterno, seu filho Amenhotep III assumiu o trono (1411 a 1375), conduzindo o Egito ao pináculo da glória material. Durante o reinado destes dois Faraós, a corte do Egito atraiu grande número de homens sábios e instruídos; entre os quais Amenhotep - Filho de Hapu - venerado por gerações como um santo e porta-voz dos Deuses. Ele era um dos articuladores da restauração do Templo de Heliópolis. Com Amenhotep IV (Akhenaton), sua influência foi marcante. Outro homem sábio tinha o nome de Ywaa, tinha uma filha chamada Tiy, que casou-se com Amenhotep III, tornando-se a Rainha Tiy (Taia), a mais brilhante e famosa das rainhas egípcias e mãe de Akhenaton.

A influencia da família materna é muito clara na vida de Akhenaton. A mãe de Amenhotep III recebera uma visão anunciatória do Deus Amon, e seu filho justificou sua visão em todos os aspectos. Em vez de seguir os passos de seu tolerante e político pai, Amenhotep III, caminhou em outra direção influenciado pela família materna e amigos de procedência Síria. Tanto a rainha, quanto seu sogro estavam engajados na preparação do advento do Cristo Cósmico.

Cerca de 1300 anos antes da era cristã, Akhenaton protagonizou como Cristo, uma vida como portador de Luz, recebendo como troca traições e perseguições. A bondosa rainha Tiy e seu santo pai, prepararam o jovem para a nobre missão, aconselhando-o a restaurar o Santo Culto de Heliópolis preferencialmente ao Culto a Amon - que, apesar de patrocinar a Casa Real, nunca ganhou totalmente os corações dos devotos de Ra e Ptah.

Reportando-se aos registros akásicos, afirma Corinne Heline: “Ainda que suas ideias ultrapassavam as de sua época, não intimidou-se a afirmá-las e pô-las em prática. Ainda hoje as modernas nações encontram dificuldade de praticar a doutrina da fraternidade entre os homens acima dos sectarismos de nacionalidade. Akhenaton não foi apenas um vanguardista de sua própria era; ele foi o precursor de sucessivas eras. Seu ideal ainda não foi atingido, ainda que seu eco se repita na boca de muitos sábios.”

O intervalo compreendido entre os treze e quatorze anos, é sempre um tempo marcante na vida de um Grande Mestre, sinalizando a direção que irá escolher em seu caminho. Este significante período em sua vida brindou o casamento de Akhenaton com Nefertiti e sua ascensão ao trono.

Nefertiti significa a personificação da beleza. Esta bela e bondosa rainha foi uma alma madura e devota colaboradora no esplendido trabalho de Akhenaton pelo povo egípcio. Foi muito admirada tanto por seu nobre caráter quanto por sua rara beleza. Ela compartilhou toda a gloriosa carreira espiritual de seu marido e sua existência foi marcada tanto pela inteligência como pela bondade e devoção.

Akhenaton não desperdiçou nenhum tempo no exercício de sua missão. Como o Mestre Jesus, mediador do Logos Solar, se ocupou desde cedo nos “negócios do Pai”. Instituiu reformas baseadas nos princípios fundamentais do Culto Solar de Heliópolis, porém numa oitava acima ou numa nova espiral. No quinto ano de seu reinado, com apenas dezesseis anos, eliminou o antropomorfismo, destruindo as estrelas erigidas em homenagem a Amon, sacrificando até as obras realizadas por seu pai. O Sol foi saudado como o símbolo de um Deus que amava todas as nações, que desejava a paz em vez de guerras, a irmandade entre as nações em vez de uma nação conquistar a outra. Seus hinos declaram que Deus é um Ser invisível que não pode ser representado por imagens; que Ele é o Deus de todas as nações; que Ele ama todos os homens em igual proporção; que Ele é o Criador, Preservador e Misericordioso Pai da humanidade e de todas as criaturas viventes.

“Quão múltiplas são as tuas obras!
Elas estão ocultas aos homens, Ó Deus único, a quem nenhum outro se compara. Criaste a Terra segundo o teu coração.”

Sua implicação com a Verdade está registrada num de seus decretos: “Este é o juramento que desejo proclamar, conforme a Verdade, e do qual, por toda a eternidade, jamais direi que é falso.”

Apesar de sua juventude, era sábio na sabedoria do espírito. Seu corpo era delgado e frágil, sua natureza era serena e gentil, seu temperamento era pensativo e estudioso. Adorava contemplar as belezas da natureza, e sua face se transfigurava em êxtase espiritual. Era reverenciado e adorado por seu povo, sendo chamado carinhosamente de “Senhor do Sopro da Doçura”.

De dezessete aos dezenove anos devotou-se completamente à nova religião. Rompeu com o sacerdócio de Amon-Ra e decidiu mudar a Corte para um lugar virgem, à beira do deserto, “que não pertencesse a algum deus ou deusa, príncipe ou princesa, e do qual ninguém pudesse reclamar a propriedade. Em 1370 a.C., acessorado pelo arquiteto Bek, construiu a nova capital em El Amarna, na planície de Hermópolis a uns trezentos kilômetros ao sul de Heliópolis, rompendo com a tradição religiosa de Tebas.

Reportando-se aos registros akásicos, Corinne Heline relata que “nenhuma utopia visualizada em nossa presente época poderia exceder em beleza a adorável cidade construída pelo jovem rei e chamada Akhetaton (Horizonte do Sol), atualmente Tell-el-Amarna. Ela foi dedicada à Luz, e a reverente comunhão com a natureza era essencial ao trabalho espiritual”.

Ao inaugurar a nova cidade, o jovem Faraó declarou: “Aton meu Pai que concebeu esta cidade; nenhum nobre me conduziu à ela; nenhum homem em toda a face da terra me guiou; Aton, meu Pai, mandou-me contruí-la. A Cidade do Horizonte, como o Sol no céu será eterna. Aos 21 anos sua residência foi fixada em Akhetaton. Mudou seu nome para Akhenaton (Aquele a quem Aton se satisfaz ou glória de Aton) e acrescentou um título usado até a sua morte: “Vivendo na Verdade”.

Por cerca de quatro anos prosperou o novo regime. Na beleza e na paz de sua santa cidade, Akhenaton concentrou sua energia na causa de Aton, porém , impaciente com a lenta conversão de seu povo, usou seu poder como Faraó para forçar a devoção a Aton em todo o Egito, o que provocou o antagonismo dos cultos rivais, principalmente a conspiração do sacerdócio de Amon, que fora hegemônico .

Akhenaton foi um Iniciado nos Mistérios Solares. Tal Iniciação era uma prerrogativa dos Faraós, apesar de que nem todos eles atingissem a mesma expansão de consciência. Alguns instrumentavam os poderes conquistados para manter sua autoridade sobre a nação e adquirir cada vez mais fortuna. Akhenaton foi totalmente na direção oposta. Ele só desejava estabelecer a beleza, a paz e a fraternidade sobre a terra. Fez do Sol Alado o símbolo da manifestação do Verbo, exaltou o valor da Verdade e exigiu uma moral mais humanitária.

“As asas estendidas do astro mítico, da fênix - diz Schuré - se abrem horizontalmente. Duas serpentes entrelaçadas e enroladas ao disco se erguem ladeando-o com suas cabeças vigilantes. Este é o signo de Hórus, o Verbo Solar, o Deus manifestado, o Apolo egípcio, símbolo capital e central desta religião que evoca o Deus que vive através do homem e da natureza. Seu curso ilustra as viagens da alma e a evolução do Universo. As duas serpentes, cujas cabeças se lançam fora do circulo do Infinito e que se encontram no caduceu do Hermes grego, personificam os dois movimentos do Espírito Eterno: sua aspiração e sua expiração. Uma insufla sua vida a todas as formas da matéria; outra, absorve as almas que retornam ao sol divino. O Sol alado de Hórus só tem um significado. Sua voz viril ressoa com a língua universal dos símbolos e domina aos demais como acorde perfeito que sintetiza todas as harmonias, e diz: O Espírito é Um; a Alma, que anima a carne, é imortal, e sua vida através dos mundos se denomina Ressurreição”.

Akhenaton proibiu que Aton fosse idolatrado através de imagens. Simbolizou-o como um disco solar irradiando raios de luz . Dirigiu a atenção do povo ao “Calor que está no Sol”, que representa o Cristo Cósmico, o Espírito Invisível e interno do Sol, que existe atrás do esplendor externo do Sol. Ao círculo interno Akhenaton se refere ao Sol Espiritual, não como “Aton”, mas como o “Mestre de Aton”. Mais tarde substitui a palavra Calor por Resplendor.

Akhenaton era tanto poeta quanto místico. Seus hinos podem ser comparados com os salmos de David, no Antigo Testamento. No Salmo XXIII, David canta: “O Senhor é meu pastor; nada me faltará”. Muito antes Akhenaton cantara: “ Não há pobreza para quem descansa no coração do Senhor”. “Aton vivo ao lado do qual não há nenhum outro”.

“Os antigos Templos Egípcios eram lugares fechados com muitas câmaras subterrâneas. Akhenaton concebe o culto a Aton como uma religião de luz e seus Templos se tornam emblemáticos deste fato. Delicados e graciosos em estrutura, abertos em todos os lados à luz solar e irradiando cor e fragrância, tais estruturas exemplificaram o espírito do Faraó ensinando que o homem está mais próximo de Deus quando mais próximo da natureza. Na vasta área externa do Templo de Aton, decorada com os sete tons da escala cromática, eram observados os cerimoniais da aurora e do místico por do sol, oficiando o próprio Faraó o ritual. Na parte menor e mais interna do Templo eram oficiados os ritos mais esotéricos de consagração, oficiados pela Rainha Nefertiti”, relata Corinne Heline. Os modernos ocultistas atentos aos ritmos da natureza sabem que a polaridade das forças liberadas na aurora do Sol é positiva ou masculina enquanto aquelas relativas ao por do sol são negativas ou femininas.

Da mais antiga dinastia procede ao eco de um cerimonial solar: “Ó Senhor, Que é coroado o rei dos deuses, faça o espírito de minha alma glorioso; faça Senhor o espírito de meu coração divino.” “No impressionante Ritual da Litania Solar“, escreve Corinne Heline, “que se refere ao trabalho dos nove graus dos Mistérios Menores, o alto-sacerdote, conduzindo uma estrela luminosa em cada mão, é seguido pelos aspirantes em uma procissão, cantando eles nove vezes em uníssono: “Abra-me o Caminho da Paz , da Verdade e da Justiça“. O hino do sol poente era cantado em tonalidade menor, enquanto que o hino do sol nascente era cantado em tonalidade maior. O Coral Aleluia, de o "Messias" de G. F. Haendel foi inspirado nestes majestosos e exultantes cantos que ecoam através dos séculos do Antigo Egito.

Com Akhenaton floresceram as artes e as ciências. Seu amor à natureza é comparado ao de São Francisco e seu sacerdócio inspirou a original Ordem fundada por São Francisco de Assis, que também pretendia restaurar a devoção ao Logos Solar, eclipsada pela opulência da Igreja Católica.

A universalidade de sua religião e a proibição da idolatria acabou provocando rebeliões internas, comandadas pelos sacerdotes tebanos e invasões externas, reduzindo o império a uma pequena faixa.

“Se algum homem deseja me seguir, que pegue a sua cruz e me siga”, disse Cristo a seus Doze Discípulos; porém tais palavras pertencem a todos os Grandes Mestres que foram enviados como portadores de Luz. Akhenaton também vivenciou a Agonia do Jardim do Gethsemane quando viu a bela e pacífica capital de Império, a cidade idealizada como a capital de um mundo governado e regulado pelo amor e sabedoria divina - cercada por forças malignas. O Egito não estava preparado para realizar seu sonho, amigos íntimos desertaram a cidade de amor e paz, muitos de seus soldados se juntaram aos exércitos inimigos e seus mais íntimos discípulos também dormiam, quando o Iluminado Mestre vivenciava sozinho seu Gethsemane.

Com o colapso do Império seu ardente coração cessou de bater, e sua missão terrestre como Mensageiro do Logos Solar, o Cristo Cósmico chegava ao fim.

Seu corpo mumificado depositado numa urna dourada foi colocado numa tumba em um monte especialmente preparada para ele. Aos seus pés foi colocado um de seus salmos:

"Eu respiro a doce fragrância que procede da boca do Senhor. Eu contemplo a Sua beleza todos os dias. É meu desejo poder ouvir a Sua doce voz, até mesmo nos ventos que sopram ao norte, que meus lábios possam ser rejuvenescidos com vida através do amor a Ti. Dê-me Tuas mãos, cubra-me com Teu Espírito. Que eu possa recebê-Lo e viver por Ele. Confira eternidade ao meu nome que jamais perecerá."

Pouco tempo após após a sua morte física seu trabalho foi destruído. Sua adorável cidade se tornava uma ruína e sua Corte retornava à Tebas, onde florescia novamente o culto a Amon-Ra e o poder de seu sacerdócio. Seu nome foi proscrito e sua memória amaldiçoada. Ele que tinha vindo com um sonho de fraternidade era lembrado como um herético e criminoso. O Karma Coletivo de um povo que rejeita um Mensageiro enviado pelo Governo Invisível é sempre muito difícil. Tanto a antiga quanto a história moderna registram de várias formas a lei inexorável por trás destes fatos. Como descreve uma profecia de Hermes, o Egito, a projeção dos céus, o santuário do mundo seria abandonado pelos deuses, e entregue a alienígenas, reduzindo-se sua gloriosa história a lendas sujeita a incredulidade dos homens...

Poucas almas sintonizadas com o espírito de amor de Akhenaton perpetuaram suas ideias nas tradições esotéricas e nas religiões monoteístas do Ocidente. O Departamento de Cura de Mt. Ecclesia, construído em forma de cruz, com um mandala representando uma rosa ao centro, circundado por um pentagrama formado por folhagens e cercado de rosas, na Terra onde a Águia bate as suas asas, constitui um renascimento do culto ao Logos Solar, o Cristo Cósmico, que viria a se manifestar plenamente na terra através do Mestre Jesus, que foi preconizado em toda a sua glória pelo Glorioso Akhenaton, o Faraó do Sol.

“Acrescenta meu amor por Ti Senhor, para que eu possa servir-Te de melhor forma cada dia. Faça com que as palavras de meus lábios, e as meditações de meu coração sejam gratas aos Teus Olhos. Ó Senhor, minha força, meu Redentor”.

Esta oração dedicada pelo Mestre Max Heindel ao Cristo Cósmico tem seu protótipo nos Salmos de Davi, inspirados nos hinos de Akhenaton.



Alexandre Passos (F. R+C. M. H.) 
(Baseado na Obra de Corinne Heline) 



Fonte: http://correiorosacruz.netfirms.com/
Fonte da Gravura: http://www.mistrealm.com/Akhenaton/Akhenaton.html