quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A LEI DO SACRIFÍCIO E A UNIDADE DA VIDA


[...] O homem que vive segundo a Lei do Sacrifício compreende a unidade do Ser, e reconhece apenas uma diferença no veículo em que está contido e não na vida que nele habita; por esta razão, ele colhe, em seu veículo separado, sabedoria e conhecimento somente com a finalidade de compartilhar com os outros, e para os outros; perde completamente o senso de vida separada, e torna-se parte da Vida do Mundo.

À medida que compreende isso, e sabe que o único valor do corpo é ser um canal do superior, ser um instrumento daquela vida, lenta e gradualmente ele se eleva acima de todo pensamento, exceto o pensamento de unidade, e se sente parte deste grande mundo sofredor. Então ele sente que as aflições da humanidade são as suas aflições, os pecados da humanidade são seus pecados, as fraquezas do seu irmão são suas fraquezas; assim realiza a unidade, e, através de todas as diferenças, vê o subjacente Ser Uno.

Somente desta maneira podemos viver no Eterno.

"Aqueles que veem diferenças passam de morte em morte"; assim falam os Shruti*. O homem que vê diferenças, na verdade está morrendo continuamente, pois vive na forma - que está se deteriorando a cada momento e que portanto é morte - não no Espírito, que é vida.

Exatamente, então, na proporção em que... não reconheçamos a diferença entre um e outro, mas sintamos a unidade da vida, sabendo que essa vida é comum a todos, e que ninguém tem o direito de se vangloriar de sua parte dessa vida, nem de se sentir orgulhoso de que sua parte é diferente da de outro, somente assim e nessa proporção é que viveremos a Vida Espiritual.

Essa, ao que parece, é a última palavra da Sabedoria que os Sábios nos ensinaram. Nada menos do que isso é espiritual, nada menos do que isso é sabedoria, nada menos do que isso é vida verdadeira. [...]


Dra. Annie Besant



Fonte: do livro "As Leis do Caminho Espiritual", pp. 110-12, Tradução de Maria Teresa D. Moreira e Edvaldo B. de Souza. Ed. Teosófica, Brasília, 2011 - www.editorateosofica.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


Nota:
* Shruti (do Sânscrito "aquilo que é ouvido") é um cânon de escrituras hindus. (Wikipédia)