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terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

AUTOCONHECIMENTO, MEDITAÇÃO E CURA


Muitas pessoas mostram alguma resistência quando solicitadas a descobrir quais são os seus bloqueios no caminho para o verdadeiro autoconhecimento. Sua resposta pode ser: “Estou confiante em quem sou nesta fase da minha vida”. Ou “há muitos aspectos do meu passado que prefiro realmente não enfrentar; não tenho necessidade, já os superei e me sinto bem do jeito que sou”.

Claramente sabemos quem somos em um determinado nível. Mas trata-se do nosso eu superficial, preso e condicionado por experiências passadas. Num nível racional, podemos até aceitar que podemos ser mais do que pensamos que somos. Podemos assumir que o “ego” não é todo o nosso ser. E, de certa forma, acreditar que o Reino também está dentro de nós. Mas precisamos de fazer mais do que apenas aceitar isto com confiança e esperança: precisamos de nos esforçar para experimentar esta verdade em nós mesmos, mesmo que isso possa ser muito desafiador.

John Main estava bem ciente disso. Em seu livro “Widely Awake” ele explica como “a maioria de nós desperdiça grande parte de nossa energia reprimindo sentimentos de culpa e medos, sejam eles quais forem. O medo do qual fugimos ou a culpa que tentamos esconder acabam gradualmente emergindo à superfície. É por isso que, no final da sessão de meditação, em vez de nos sentirmos relaxados podemos sentir uma certa ansiedade ou preocupação sem saber qual é o motivo.”

Neste ponto, muitos de nós desistimos porque pensamos: "a meditação não é para mim; devo estar fazendo algo errado; não está me ajudando em nada". A má interpretação da meditação como uma forma de relaxamento, ou como uma forma de esquecer os nossos problemas e fugir de tudo o que não gostamos em nós mesmos, pode significar que passamos anos meditando sem ter consciência de todo o nosso potencial. Em vez de chegarmos ao autoconhecimento total e à totalidade, permaneceremos fragmentados.

E, no entanto, no Evangelho de Tomé, Jesus diz-nos: «Quando vos conhecerdes, sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas se vocês não se conhecem, então viverão na pobreza e serão pobres.”

É claro que não queremos “viver na pobreza”. Queremos experimentar essa sensação de totalidade, integração e harmonia. A razão pela qual acreditamos que não podemos conseguir isso é porque assumimos que é uma tarefa que depende apenas de nós. John Main continua dizendo: “O poder da meditação é este: à medida que você persevera no caminho do silêncio, o medo ou a culpa que você teme enfrentar é queimado pelo fogo do Amor Divino. Muitas vezes, você nunca saberá conscientemente o que era, mas desapareceu, desapareceu para sempre.”

Portanto, não há nada pelo que lutar. Não se trata de alcançar um “objetivo”, uma “conquista” ou uma “meta”. Estas são palavras do ego e, portanto, não são relevantes neste caminho. Precisamos apenas nos lembrar da centelha divina inerente à nossa natureza humana. A esperança e a confiança que advêm do conhecimento deste potencial inato levam a nossa prática de meditação ao verdadeiro significado e fora do reino do mero relaxamento.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/nascer-do-sol-ioga-natureza-3848628/


Nota: Para mais detalhes ver:
* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

A NATUREZA DO SOFRIMENTO E A LEI DO CARMA


Assim como a evolução dos seres orgânicos se verifica segundo um conjunto de leis (lei da gravidade, do eletromagnetismo, da hereditariedade, da seleção natural etc.), também a evolução dos Espíritos se dá segundo leis de diferentes naturezas, desconhecidas da ciência oficial e, paulatinamente, reveladas pela doutrina espírita.

Kardec denominou esse conjunto de princípios de lei natural, afirmando que é a única necessária à felicidade dos homens e que apenas sofremos quando nos afastamos dela. (O Livro dos Espíritos, item 614) O progresso se dá pelo cumprimento da lei natural, que se encontra estabelecida na consciência do homem. (O Livro dos Espíritos, item 621) O bem consiste em nos identificarmos com ela, o mal em desconsiderarmos seus princípios. O bem traz consigo o melhoramento do ser e a aquisição de faculdades nobres que nos aproximam de Deus. O mal, ao contrário, provoca a paralisação dessa marcha, o embotamento das forças do Espírito e a inserção em experiências educativas, que muitas vezes, são dolorosas. Há, portanto, uma sanção à infração da lei natural.

Em decorrência de uma atitude humana equivocada segue-se, como visto, uma resposta da lei divina, que se dá, a princípio, na consciência do Espírito faltoso. Essa resposta pode ser examinada do ponto de vista qualitativo e quantitativo.

Sob o aspecto qualitativo, parece ser uma resposta mais ou menos padronizada. O pensamento espírita admite que cada um é punido naquilo em que pecou. Esta afirmação dos Espíritos veio em resposta ao questionamento de Kardec: se da análise das vicissitudes da vida corpórea se possa induzir quanto ao gênero da existência anterior. Kardec parece ter entendido que sim, que o tipo de sofrimento guarda relação de intimidade com o tipo de ação cometida em existência pretérita. Pode-se deduzir isso pelo seguinte comentário de Kardec:

[...] a natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem esclarecer acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos dos atos de um culpado pelo castigo que lhe inflige a lei. (O Livro dos Espíritos, item 399)

Ao voltar ao assunto, em outra obra, Kardec é ainda mais explícito, ao afirmar que:

[...] pela natureza dos sofrimentos da vida corpórea pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anteriores existências. (O céu e o inferno, parte I, cap. 7)

Examinando a lei de causa e efeito agora sob o aspecto quantitativo, é natural indagar-se: havendo Espíritos de diversos graus, o bem e o mal seriam os mesmos para todos eles? Kardec preocupou-se com essa questão e perguntou aos Espíritos se são absolutos, para todos os homens, o bem e o mal. A essa indagação, seguiu-se a resposta:

A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende principalmente da vontade que se tenha de praticá-lo. O bem é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade. (O Livro dos Espíritos, item 636)

No item seguinte, Kardec insiste no tema, perguntando se o selvagem que, cedendo ao seu instinto, se nutre de carne humana é culpado? Na resposta, os Benfeitores reafirmam o que disseram:

[...] tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz. (O Livro dos Espíritos, item 637)

Diante do pensamento dos Benfeitores, Kardec comenta:

As circunstâncias dão relativa gravidade ao bem e ao mal. Muitas vezes, comete o homem faltas que, nem por serem consequência da posição em que a sociedade o colocou se tornam menos repreensíveis. Mas, a sua responsabilidade é proporcionada aos meios de que ele dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos. (O Livro dos Espíritos, item 637)

Pode-se concluir, portanto, que do ponto de vista quantitativo erros equivalentes nem sempre receberão da lei uma resposta de igual intensidade. Vários fatores se relacionam a uma atitude equivocada, sob o aspecto da culpabilidade, atenuantes uns, agravantes outros.

A própria definição de ato moral, que é o objeto de estudo da ética filosófica, relaciona a atitude em si mesma com as suas motivações e com a intenção de fazê-la. Os atos morais são atos humanos conscientes e voluntários dos indivíduos que afetam outros indivíduos, determinados grupos sociais ou a sociedade em seu conjunto. O ato moral se apresenta como uma totalidade de elementos: motivo, intenção ou fim, decisão pessoal, emprego de meios adequados, resultados e consequências. Sendo, então, um ato consequencial livre, ele só pode ser considerado como tal, e passível de punição, se for cometido livremente por alguém consciente do que está fazendo. Ato cometido sob absoluta pressão, que não deixa ao agente a possibilidade de não fazê-lo, não é considerado como passível de responsabilidade.

O Livro dos Espíritos estabelece, então, que a lei natural culpabiliza os erros humanos segundo dois parâmetros: a intenção e o grau de conhecimento que se tenha em relação ao cometido. (O Livro dos Espíritos, item 954)

Do ponto de vista da intenção, vê-se que, muitas vezes, erros de consequências danosas são cometidos por pessoas bem intencionadas (o que obviamente atenua sua responsabilidade), e, de forma diversa, o desejo do mal, às vezes, não se concretiza apenas por falta de oportunidade, o que não deixa de ser um erro.

Por outro lado, a ignorância pode atenuar uma falta. No entanto, o desconhecimento nem sempre pode desculpar a falta por completo, pois a ausência de conhecimento, em muitas ocasiões, se dá por descaso ou indolência.

Não se pode desculpar aquele que alega não conhecer o erro, quando a possibilidade de conhecê-lo encontrava-se à sua mão. Como regra geral, a culpabilidade diante de uma falta é diretamente proporcional ao progresso intelectual amealhado, pois este lhe dá a verdadeira medida do que foi feito e das possíveis consequências do ato praticado.

Em resumo: a atitude equivocada lesa a mente, e a partir daí, se desencadeia a resposta imposta pela lei natural. Podemos então aventar a hipótese de que a energia psíquica gerada pelo ato criminoso terá um poder lesivo diferente, relacionado ao contexto em que foi perpetrado e proporcional aos dois fatores previamente citados: intenção e conhecimento.

Vejamos a seguinte metáfora: em uma parede são desferidos tiros com armas de calibres distintos. Todos os tiros estarão danificando a parede, mas o grau de dano será proporcional à energia de impacto decorrente do tamanho da bala e da potência da arma. Uma espingarda de “chumbinho” talvez apenas danifique a pintura, mas um tiro de canhão vai destruí-la por completo. Acreditamos que o mesmo se dê com os atos humanos. Atitudes criminosas cometidas por indivíduos em fase primária da evolução humana serão como tiros de “chumbinho”. A mesma atitude cometida por indivíduos em condição evolutiva superior serão como tiros de canhão.




Ricardo Baesso de Oliveira




Fonte: do livro "O Sentido da Reencarnação"
EVOC – Editora Virtual O Consolador, 2020
Londrina-PR
Fonte da Gravura: https://cdn.mensagenscomamor.com/content/images/m000484897.jpg?v=1&w=463&h=410

sábado, 1 de agosto de 2020

A GÊNESE DA DEPRESSÃO


A depressão tem a sua gênese no espírito, que reencarna com alta dose de culpa, quando renteando (entrando) no processo da evolução sob fatores negativos que lhe assinalam a marcha e de que não se resolveu por liberar-se em definitivo.

Com a consciência culpada, sofrendo os gravames que lhe dilaceram a alegria íntima, imprime nas células os elementos que as desconectam, propiciando, em largo prazo, o desencadeamento dessa psicose que domina uma centena de milhões de criaturas na atualidade.

Se desejarmos examinar as causas psicológicas, genéticas e orgânicas, bem estudadas pelas ciências que se encarregam de penetrar o problema, temos que levar em conta o espirito imortal, gerador dos quadros emocionais e físicos de que necessita, para crescer na direção de Deus.

A depressão instala-se, a pouco e pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental. Quando irrompe, exteriorizando-se, dominadora, suas raízes estão fixadas nos painéis da alma rebelde ou receosa de prosseguir nos compromissos redentores abraçados.

Face as suas cáusticas manifestações, a terapia de emergência faz-se imprescindível, embora, os métodos acadêmicos vigentes, pura e simplesmente, não sejam suficientes para erradicá-la.

Permanecendo as ocorrências psicossociais, sócio-econômicas, psico-afetivas, que produzem a ansiedade, certamente se repetirão os distúrbios no comportamento do indivíduo conduzindo a novos estados depressivos.

Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te em paz na área da afetividade com o pensamento em Deus. Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho. Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar.

Quando sitiado pela ideia depressiva alarga o campo de raciocínio e combate o pensamento pessimista. Açodado (incitado) pelas reminiscências perniciosas, de contornos imprecisos, sobrepõe as aspirações da luta e age, vencendo o cansaço.

Quem se habilita na ação bem conduzida e dirige o raciocínio com equilíbrio, não tomba nas redes bem urdidas da depressão.

Toda vez que uma ideia prejudicial intentar espraiar-se nas telas do pensamento obnubilando-te a razão, recorre à prece e à polivalência (variedade) de conceitos, impedindo-lhe a fixação.

Agradecendo a Deus a benção do renascimento na carne, conscientiza-te da sua utilidade e significação superior, combatendo os receios do passado espiritual, os mecanismos inconscientes de culpa, e produze com alegria.

Recebendo ou não tratamento especializado sob a orientação de algum facultativo, aprofunda a terapia espiritual e reage, compreendendo que todos os males que infelicitam o homem procedem do espirito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Receitas de Paz"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/sa%C3%BAde-mental-abstract-anatomia-arte-3285625/

segunda-feira, 27 de julho de 2020

CRENÇAS - CULPA - SEXUALIDADE - CONVENÇÕES SOCIAIS


As religiões foram criadas para retirar as criaturas da convenção e transportá-las à espiritualização, mas, na atualidade, algumas religiões se transformaram nas próprias convenções sociais. Inúmeras crenças religiosas têm sido imensamente nocivas ao desenvolvimento das criaturas, pois usam frequentemente a culpa como forma de atemorizar. Com isso, obtêm a submissão dos indivíduos, conduzindo-os a seu bel-prazer. Utilizam-se de comportamentos manipuladores baseados em crenças punitivas. Um dos conceitos mais apregoados é o de que a Divina Providência age através do castigo e da vingança e de que Deus, quando se decepciona conosco, impede-nos de desfrutar e participar das benesses do Reino dos Céus. (1)

[...] A culpa é frequentemente difundida por religiosos ortodoxos de forma consciente e até mesmo inconsciente, como meio de, produzindo temor nos fiéis, estabelecer dependência religiosa e determinar comportamentos e posturas de vida que acreditam ser corretas e convenientes às suas “nobres causas missionárias”. Esquecem-se, porém, de que cada ser tem uma idade astral, que lhe permite ver e compreender a existência de forma específica e privativa. Também não se lembram de que a totalidade das culpas de um indivíduo não poderá transformar seu comportamento passado nem mesmo suas atitudes do presente. Portanto, a única forma possível de levá-lo a uma transformação interior é a mudança de entendimento e de atitude. Somente através de uma real conscientização é que se estabelece o processo de amadurecimento das criaturas. Em outras palavras, tal conscientização se dá pelo somatório de suas experiências vivenciadas através do tempo, nunca pela imposição ou pelo receio.

A culpa não encontraria abrigo em nossa alma, se tivéssemos uma ampla fé no amor de Deus por nós e se acreditássemos que Ele habita em nosso âmago e sabe que somos tão bons e adequados quanto permite nosso grau de conhecimento e de entendimento sobre nossa vida interior e também exterior.

[...] A sexualidade é a área em que a culpa mais floresce na sociedade. Como pouco sabemos sobre ela, ficamos praticamente confinados às ideias e opiniões alheias. Nossa limitação na compreensão dos outros seres humanos se deve ao pouco ou a quase nada que sabemos sobre nós mesmos, ou seja, ao desconhecimento de nossa sexualidade. Por isso é que temos dificuldade de admitir a diversidade de sentimentos e emoções afetivas e sexuais. Confundimos constantemente a nossa habilidade para o sexo com a nossa capacidade sexual. Por acreditarmos saber distinguir a diferença biológica entre o macho e a fêmea, julgamos conhecer tudo sobre o conjunto dos fenômenos sexuais que se podem observar nos seres vivos.

[...] Ainda que os pais não tenham fornecido, intencionalmente, educação sexual aos filhos, mesmo assim as crianças formaram hábitos, conceitos e ideias sobre o sexo, absorvidos no dia-a-dia da vida familiar nos mais diversos exemplos que recolheram dos atos e crenças dos adultos. Noções, crendices, preconceitos e concepções já existem nas crianças, pois são frutos de suas existências pretéritas. Além disso, somam-se à sua “bagagem espiritual” as ocorrências e aprendizagem da vida atual. É importante, no entanto, para desenvolver adultos maduros e ajustados psicossexualmente, fundamentar o ensino da orientação sexual sob métodos pedagógicos e psicológicos de cunho reencarnacionista, pelos quais os menores são observados como almas milenares e educados sob uma atmosfera de vida eterna.

Em certas circunstâncias evolutivas, encarnamos como homem; em outras, como mulher. E, ainda, em determinadas oportunidades de aprendizagem e de renovação, o espírito pode vir ocupar uma vestimenta corporal oposta à tendência íntima que vivencia. O fenômeno é análogo ao que se refere à área masculina tanto quanto à feminina. Independentemente da forma de sexualidade que estamos vivenciando no presente, procuremos aceitá-la em plenitude, visto que há sempre, em qualquer condição, a oportunidade de adquirirmos experiências e, por consequência, progredirmos espiritualmente, vencendo desafios e promovendo realizações.

Devemos, assim, viver em paz com nossa experiência sexual atual, valorizando nosso aprendizado e, em tempo algum, culpar-nos ou atribuir culpa a alguém. Todos os seres humanos são regidos pela “Lei das Vidas Sucessivas”. Cada um de nós está vivendo um aprendizado particular e único em todos os aspectos e, obviamente, também na área sexual. Efetivamente, existem tantos níveis de entendimento e amadurecimento sexuais quanto indivíduos que os possuem.

Não podemos determinar exatamente a extensão das dificuldades e das carências de conhecimento e discernimento de uma criatura em seu desenvolvimento afetivo. Mesmo porque estamos na Terra a fim de aprender e é através de nossos acertos e desacertos que ficaremos sabendo como agir corretamente nas experiências subsequentes.

Podemos julgar a promiscuidade sexual, moralmente errada, mas não podemos julgar o indivíduo promíscuo, por desconhecermos sua necessidade evolutiva e seu “coeficiente de maturidade”.


Francisco do Espírito Santo Neto / Hammed



1- Questão 974 – Donde procede a doutrina do fogo eterno? “Imagem, semelhante a tantas outras, tomada como realidade.” Questão 974-a – Mas, o temor desse fogo não produzirá bom resultado? “Vede se serve de freio, mesmo entre os que o ensinam. Se ensinardes coisas que mais tarde a razão venha a repelir; causareis uma impressão que não será duradoura, nem salutar.” (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec)



Fonte: do livro (digital) "As Dores da Alma"
8ª ed., agosto/2000, Boa Nova - Editora e Distribuidora de livros espíritas
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/div%C3%B3rcio-separa%C3%A7%C3%A3o-juiz-mulher-3195578/

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A VERDADE SOBRE AQUELES PENSAMENTOS NEGATIVOS

Nós não estamos aqui para elevar nossos pensamentos e purificar as nossas mentes.

O Kabalista Isaac Luria é claro a respeito disso.

É pressuposto que os pensamentos maus e negativos chegarão às nossas mentes.

Ao invés de tentarmos purificar a nossa consciência, nós estamos aqui simplesmente para resistir aos pensamentos negativos e mandá-los embora.

Eles não irão deixar de invadir o nosso espaço mental até que a redenção chegue. Então, e somente então, nós iremos purificar os nossos pensamentos e canalizar a Luz do Criador (consciência) através das nossas mentes.

Portanto, abra mão de qualquer culpa que você possa sentir a respeito dos seus pensamentos negativos. É pressuposto que eles nos ataquem.

Apenas não se aproprie deles!

Deixe-os ir embora.

Resista.

E resista à culpa, também.

Cada vez que nós resistimos a uma pensamento negativo e lutamos contra ele, nós injetamos Luz neste mundo.

O problema acontece quando nós nos apropriamos desses pensamentos, pelo fato de termos acreditado que eles nos pertencem.

Eles não nos pertencem.

Eles são impressos em nossas mentes por uma força negativa chamada EGO ou OPONENTE, como explica o Zohar.

O oponente continuará dando seus tiros.

Você precisa continuar a desviar deles.

E saiba que você está mudando o mundo a cada vez que você faz isso.





Billy Phillips





Fonte: Estudantes de Kabbalah
http://estudantesdekabbalah.com/2014/04/19/a-verdade-sobre-aqueles-pensamentos-negativos/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 8 de abril de 2014

TENSÃO E RELAXAMENTO: LIVRANDO-SE DAS CULPAS E DOS MEDOS

Pergunta a Osho: “Sinto muito estresse e tensão. Como posso relaxar mais?”

Comece relaxando a partir da circunferência - é aí que estamos, e só podemos começar de onde estamos. Relaxe a circunferência do seu ser - relaxe o corpo, o comportamento, as atitudes. Caminhe de modo relaxado, coma de modo relaxado, ouça de modo relaxado. Diminua o ritmo de todo o processo. Não tenha pressa, não se afobe. Viva como se toda a eternidade estivesse à sua disposição - na verdade, está à sua disposição.

Estamos aqui desde o princípio e continuaremos aqui até o fim; isso, se houvesse um princípio e um fim. Na realidade, não há princípio nem fim. Nós sempre estivemos aqui e aqui ficaremos para sempre. As formas vão mudando, mas não a substância; as roupagens vão mudando, mas não a alma.

Tensão significa pressa, medo, dúvida. Tensão significa um esforço constante para se proteger, para ficar em segurança. Tensão significa preparar-se agora para o amanhã ou para a vida após a morte. Com medo do amanhã, você não conseguirá enfrentar a realidade; então, prepare-se. Tensão significa o passado que você não viveu, apenas contornou de alguma forma. E algo pendente, um resquício do que passou e que ainda o envolve.

Lembre-se de uma coisa essencial sobre a vida: qualquer experiência que não foi vivida continuará à sua espera, insistindo: “Conclua-me! Vivencie-me! Complete-me!” Existe uma característica intrínseca em toda experiência, que é querer ser concluída. Depois disso ela evapora, mas enquanto estiver incompleta irá persistir, torturando-o e assombrando-o, atraindo a sua atenção. Ela diz: “O que você vai fazer a meu respeito? Ainda estou incompleta - conclua-me!”

Todo o seu passado espera sem conclusão, porque nada foi vivido realmente. Tudo foi contornado de algum modo, vivido parcialmente, sem entusiasmo. Não houve intensidade, não houve paixão. Você viveu como um sonâmbulo. Portanto, esse passado está pendente e o futuro causa medo. E esmagado entre o passado e o futuro está o presente, a única realidade.

Você terá de relaxar começando pela circunferência. O primeiro passo é relaxar o corpo. Lembre-se, sempre que possível, de olhar o corpo, se estiver sentindo tensão em algum lugar - no pescoço, na cabeça, nas pernas. Relaxe essa parte conscientemente. Dirija a atenção para ela e convença-a, dizendo carinhosamente: “Relaxe!”

Ao se dirigir a qualquer parte do corpo, você notará que ela ouvirá e o obedecerá - trata-se do seu corpo! Com os olhos fechados, mergulhe no interior do corpo, desde o dedão do pé até a cabeça, procurando por qualquer lugar onde sinta tensão. Converse com essa parte como se estivesse falando com um amigo, deixe que haja um diálogo entre vocês. Diga: “Não há nada a temer. Não tenha receio. Eu estou aqui para cuidar de você - pode relaxar.” Bem lentamente, você aprenderá a lidar com seu corpo.

Depois, dê mais um passo, um pouco mais profundo: diga à mente para relaxar. Se o corpo ouve, a mente também ouve, mas você não pode começar pela mente - tem de começar do início, não pode começar do meio. Muitas pessoas começam com a mente e fracassam. Tudo tem de ser feito na ordem certa.

Se foi possível relaxar o corpo voluntariamente, também será possível ajudar a mente a relaxar da mesma forma. A mente é um fenômeno mais complexo. Quando você tiver confiança de que o corpo o ouve, acreditará mais em si mesmo. Agora até a mente conseguirá ouvi-lo. Levará um pouco mais de tempo com a mente, mas é possível.

Quando a mente estiver relaxada, comece a relaxar o coração, o mundo dos sentimentos, das emoções - que é ainda mais complexo e sutil. Porém agora você está agindo com mais confiança. Sabe que tudo isso é possível. Se é possível com o corpo e a mente, também será com o coração.

E só então, quando já tiver dado esses três passos, poderá dar o quarto. Poderá ir até o âmago do seu ser, que está além do corpo, da mente e do coração, que é o próprio centro da sua existência. E também será capaz de relaxá-lo.

Esse relaxamento certamente traz uma alegria suprema, o máximo em êxtase, em aceitação. Você se sentirá pleno e jubiloso. Sua vida será como uma dança.

Toda a existência está dançando, exceto o ser humano. Toda a existência está num movimento extremamente relaxado; o movimento existe, não há dúvida, mas é absolutamente relaxado. As árvores estão crescendo; os pássaros, cantando; os rios, correndo; as estrelas, se movendo; tudo está avançando de um modo bem relaxado. Sem pressa, urgência, preocupação ou desgaste. Exceto o ser humano.

O homem passou a ser vítima da própria mente. Ele pode se elevar acima dos deuses e descer mais do que os animais. O homem possui um espectro enorme, é uma escada indo do mais baixo ao mais alto. Você caminha num determinado ritmo, isso se tornou habitual, automático. Agora, tente caminhar mais devagar. Buda costumava dizer aos discípulos: “Caminhem bem devagar e dêem cada passo com muita consciência.” Se der cada passo com consciência, acabará andando mais devagar. Se estiver correndo, com pressa, se esquecerá disso.

O corpo precisa ficar totalmente relaxado, primeiro, como uma criancinha. Depois é possível tentar atingir a mente. Avance cientificamente: primeiro o mais simples, depois o mais complexo e afinal o mais complexo ainda. Só então você conseguirá relaxar o âmago do seu ser.

O relaxamento é um dos fenômenos mais complexos que existem. É muito rico, multidimensional. Todas essas coisas fazem parte dele: o desprendimento, a confiança, o amor, a aceitação, o seguir com o fluxo, a união com a existência, a ausência de ego, o êxtase.

As pretensas religiões deixaram as pessoas muito tensas porque inspiraram culpa. Todo o meu empenho é em ajudá-lo a se livrar da culpa e do medo. Não existe inferno nem céu. Portanto, não tenha medo do inferno e não cobice o céu. Tudo o que existe é este momento.

Você pode fazer deste momento um inferno ou um céu - isso é certamente possível -, mas não existe céu nem inferno em outro lugar. Inferno é quando você está todo tenso e céu é quando está relaxado. O relaxamento total é o paraíso.




Osho, em "Corpo e Mente em Equilíbrio"




Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 4 de março de 2013

APRENDENDO A PERDOAR A SI MESMO



Algumas pessoas prejudicam outras e pedem perdão, que pode ser aceito ou não; mas há algumas atitudes em que o único prejudicado é você mesmo. Se você vive apontando seu dedo indicador constantemente para seu próprio nariz, cuidado!

A culpa varia de acordo com crenças e valores que cada um traz consigo desde a infância, e que muitas vezes não corresponde mais aos valores e crenças atuais. Culpa, remorso, arrependimento, são inimigos constantes de algumas pessoas e traz junto a humilhação, vergonha, o medo e a maior consequência: a autopunição.

Perdoar a si mesmo talvez seja um dos maiores desafios, pois está relacionado com a capacidade - e leia-se também dificuldade - que cada um tem de se amar e se aceitar. As pessoas não se amam por acreditarem terem feito algo muito terrível, às vezes isso até corresponde à verdade, mas muitas vezes não.

Algumas chegam ao máximo de se culparem por terem nascido e sentem-se como um grande fardo. Para compensarem essa rejeição sentida em algum momento de sua vida, passam a vida tentando mostrar aos outros o quanto são úteis, importantes, como que para provarem para si próprias que são merecedoras da vida.

Procure observar se busca aprovação e reconhecimento de pais, amigos, das pessoas em geral, se está sempre à disposição de todos, cedendo em quase tudo, pela necessidade inconsciente de agradar, ser aceito, mas que muitas vezes confunde-se com a desculpa de querer ajudar e que na verdade oculta a busca pelo amor e atenção.

Por exemplo, as pessoas por não se sentirem amadas quando crianças e não acreditarem em si mesmas passam a ignorar os próprios sentimentos e recorrem à fuga pela comida, como forma de compensação e obtenção do prazer. Com isso, se culpam e como punição, engordam.

Não conseguindo eliminar alguns quilos, mais culpas e assim, desviam o foco da origem de tudo para a comida. O foco passa a ser emagrecer e não o que as levou a engordar. Negam a si mesmas a subnutrição emocional que sentem e que pode levá-las a sentimentos de vazio e fome.

A comida passa a representar uma maneira de alimentar e preencher um vazio emocional. Ou seja, inconscientemente desviam a atenção dos problemas para a necessidade de emagrecer, os problemas continuam ou aumentam por não serem resolvidos e acabam consumindo mais calorias do que o corpo necessita, engordam, culpam-se, punem-se, criando-se assim, um círculo vicioso.

O perdão oferece saída para esse círculo vicioso, como uma escolha consciente de mudança. Será que a verdadeira causa está sendo considerada? Do contrário, tudo tende a piorar. Será que essa fome, esse vazio, não seria a necessidade, também inconsciente, de amor? É preciso perceber que a comida não será transformada em afeto, amor, mas apenas em gordura quando consumida de forma descontrolada. Por que não buscar outras fontes de prazer?

Uma maneira de cultivar a culpa é estar sempre exigindo perfeição de si mesmo. A anorexia e bulimia são exemplos disso. Nunca há satisfação consigo mesmo, gerando culpa, insatisfação e uma enorme dificuldade de se perdoar. Tudo que faz poderia ser melhor. Não importa o que faça ou conquiste. Ou o pior, não importa quem se é, parece que nunca é o bastante.

Para se livrar disso tudo faça uma lista de tudo aquilo que você se culpa, daquilo que fez e não fez. Seja honesto consigo mesmo. Depois, pense sobre as motivações que o fizeram fazer certas escolhas, agir de determinada forma e, ao invés de se culpar, punir ou se castigar, comece a lembrar que muitas escolhas foram feitas porque era o melhor que se podia fazer naquele momento e que na verdade, tudo foi avaliado com valores da época e que nem sempre serão os mesmos neste momento. Nunca julgue situações passadas com valores do presente.

Para perdoar-se é preciso rever todas suas crenças, valores, que muitos esquecem que com o tempo podem, e devem, se modificar. Analisar o que fez ou deixou de fazer para poder mudar e crescer é válido, como sentir remorso pela dor que pode ter causado a alguém e pedir perdão. Mas se esse remorso começar a dominar sua vida, estará alimentado seu papel de vítima e a autopiedade. Livre-se disso. Você deve aprender e crescer com a experiência passada e isso não quer dizer se punir eternamente por algo já feito.

Perdoar a si mesmo exige uma completa honestidade e integridade para que se alcance a cura de tantos males, de tanta falta de amor-próprio. É um processo de reconhecer a verdade, assumir a responsabilidade pelo que fez, aprender com a experiência, reconhecer os sentimentos que motivaram determinados comportamentos, abrir seu coração para si mesmo, ouvir seus medos, curar certas feridas e isso você pode conseguir sendo amoroso e responsável consigo mesmo.

Você pode e deve se livrar de certos padrões de pensamentos e sentimentos. Mude o que não acredita mais, livre-se de tudo que te faz mal, cure a ferida que mais lhe dói, cure sua vida emocional. A verdadeira cura é fazer as pazes consigo mesmo. O poder curativo do perdão e do amor talvez seja o remédio mais poderoso que temos. E está nas mãos de cada um de nós. E você pode começar com você mesmo!




Rosemeire Zago (Psicóloga clínica – abordagem jungiana)




(desconheço a fonte do texto)
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/b%c3%adblia-miseric%c3%b3rdia-amor-perd%c3%a3o-2422571/