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terça-feira, 20 de setembro de 2022

COMEÇANDO PELAS PEQUENAS COISAS


A auto-observação e o autoestudo, realizados corretamente, podem nos fazer perceber que há algo de errado com nossa máquina e com nossas funções em seu estado normal. Percebemos que estamos adormecidos e que, por causa disso, vivemos e trabalhamos em uma pequena parte de nós mesmos. A grande maioria de nossas possibilidades não é concretizada, a grande maioria de nossos poderes não é desenvolvida. Sentimos que não obtemos da vida tudo o que ela tem a oferecer em função de defeitos funcionais específicos de nossa máquina, a qual, em seu estado de sono, não consegue receber impressões. A ideia de autoestudo assume novo sentido. Vemos cada função tal como é agora, e como poderia ou deveria ser, e nos perguntamos se vale a pena nos estudarmos assim como somos neste momento. A auto-observação nos leva a compreender que precisamos mudar.

E, ao nos observarmos, percebemos que a própria auto-observação produz certas mudanças em nossos processos interiores. Começamos a compreender que a auto-observação é um instrumento de automudança, um meio de despertar. Ao nos observarmos, lançamos, por assim dizer, um raio de luz sobre processos interiores que até então funcionaram na escuridão. Sob a influência dessa luz, os próprios processos começam a mudar. Há muitos processos psíquicos que só ocorrem no escuro. Até uma débil luz de consciência basta para transformar completamente o caráter de um processo e para tornar impossíveis muitos processos.

A auto-observação é possível apenas depois de nos tornarmos atentos. Precisamos admitir que não temos atenção. E para tentar obtê-la, precisamos começar pelas pequenas coisas. Um aspirante a pianista, por exemplo, só consegue aprender aos poucos. Se quisermos tocar alguma música sem praticar antes, nunca chegaremos a tocar de verdade. Nossas interpretações serão cacofônicas e farão sofrer nossos ouvintes. Isso também acontece com a vivência de ideias psicológicas: a fim de compreender qualquer coisa, precisamos praticar muito. Antes, precisamos tentar realizar pequenas coisas. Se começarmos almejando grandes coisas, nunca conseguiremos nada, e nossas manifestações serão como melodias cacofônicas, fazendo com que as pessoas nos detestem.

A fim de fazer o que é difícil, antes precisamos aprender o que é fácil e admitir que existem dois tipos de ação — a ação automática e a ação segundo uma meta. Precisamos escolher algo simples que hoje não conseguimos fazer e tornar sua realização nossa meta, nosso Deus. Não podemos deixar que nada interfira — nossa única meta é essa. Então, se conseguirmos atingir essa meta, seremos capazes de assumir tarefas maiores. Hoje temos um apetite anormal por coisas que são grandiosas demais para nós. Nunca conseguimos realizar essas coisas. E esse apetite nos impede de fazer as pequenas coisas que poderíamos realizar. Temos de destruir esse apetite e esquecer as coisas grandiosas. Precisamos fazer da luta contra esses hábitos a nossa meta.

Em nossas relações com outras pessoas, precisamos admitir que tolerar as manifestações alheias é importante, a última coisa para nós. Apenas o homem perfeito ou a mulher perfeita conseguem fazer isso. Logo, começamos almejando a capacidade de suportar a manifestação de uma pessoa que hoje não conseguimos suportar sem reagir. Se eu “quiser” — ou seja, se “tiver vontade” — eu “posso”. Sem “vontade”, nunca “posso”. A vontade é a coisa mais poderosa do mundo. A principal causa de nossa fraqueza é nossa incapacidade de aplicar a vontade simultaneamente a nossos três centros (movimento, sentimento e pensamento). Com a vontade consciente, tudo pode acontecer.

Não temos energias para cumprir metas voluntárias, porque todas as nossas forças, adquiridas à noite em nosso estado passivo, são usadas em manifestações negativas. Elas são manifestações automáticas, o oposto de manifestações voluntárias, positivas. Para os que conseguem se lembrar automaticamente da meta mas não têm forças para realizá-la, há um exercício que pode ajudar. Fique sentado sozinho por, pelo menos, uma hora. Relaxe todos os músculos. Permita que as associações surjam, mas não se deixe absorver por elas. Diga-lhes: “Se você me permitir fazer o que quero fazer agora, mais tarde irei satisfazer seus desejos”. Olhe para as associações como se elas pertencessem a outra pessoa, a fim de não se identificar com elas. No final dessa hora, pegue uma folha de papel e escreva ali a sua meta. Faça desse papel o seu Deus — tudo o mais não significa nada. Leia sua meta de maneira constante, todos os dias. Desse modo, ela irá se tornar mesmo sua, uma parte de você: no começo, intelectualmente; mais tarde, de fato. Dedicar-se a uma meta voluntária e realizá-la confere magnetismo e a capacidade de “fazer”.



Georges Ivanovitch Gurdjieff




Fonte: "Em Busca do Ser : o quarto caminho para uma nova consciência"
Tradução Marcello Borges
São Paulo : Editora Pensamento, São Paulo, 2017
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O VALOR DO TEMPO



É impressionante o poder que algumas pessoas têm de inverter o valor das coisas. E uma dessas inversões bem marcante é a que se tenta fazer com o valor do tempo.

Algumas apostilas de treinamento para vendedores, administradores, gerentes e outros tipos de profissões, buscam massificar a ideia de que tempo é dinheiro. Buscam incutir na cabeça das pessoas que elas são máquinas de produzir lucros e mais lucros. Cada minuto é importante para cumprir metas estabelecidas visando apenas resultados financeiros.

Esse tipo de treinamento tem ganhado espaço nas empresas que adotam essa filosofia.

Todavia, as pessoas não são máquinas de fazer dinheiro, são seres que sonham conquistar a própria felicidade e esta não está vinculada aos bens materiais, às posses financeiras.

É importante lembrar que os funcionários são gente. São pais, esposos, filhos.

Se perguntássemos a um milionário que acabou de perder um filho quanto vale o sorriso de seu filho, ele certamente responderia que vale todo o dinheiro do mundo mas, infelizmente, descobriu isso tarde demais. Por essa razão, tempo também foi feito para ser gasto com os filhos.

Quanto vale seu casamento? Muitas pessoas só se dão conta da riqueza do casamento depois da separação, quando descobrem que perderam o grande amor da sua vida por causa das muitas horas dedicadas exclusivamente ao trabalho. Por essa outra razão, tempo também serve para ser compartilhado com a pessoa amada.

Quanto vale um amigo verdadeiro? Talvez isso só possa ser aquilatado nos momentos difíceis, quando nos damos conta de que todos se afastaram por causa da nossa cegueira, que só nos permitia usar o tempo para engordar a conta bancária. Por mais essa razão, tempo também existe para ser investido na conquista e manutenção das amizades, que nos garantem um ombro amigo quando dele necessitamos.

O que precisamos avaliar, de fato, é por quais metas estamos lutando. Será que tem valido a pena tanta correria? Tanto cansaço? Tanto estresse?

É importante pensar na conquista da felicidade, sim. Felicidade que nem sempre o dinheiro proporciona.

É importante repensar o valor do tempo.

A autorrealização é uma meta indispensável que pode ser alcançada com a boa utilização do tempo.

Trabalhar é importante e necessário para o progresso geral e individual mas sentir prazer no que faz é essencial.

A maioria das pessoas passa a vida procurando sentir-se importante para ter a sensação do sucesso. Mas sucesso sem qualidade de vida não é sucesso, é ilusão. E qualidade de vida é ter a consciência tranquila por não violar as leis, por não trapacear, por não se corromper nem corromper a ninguém. Qualidade de vida é conviver em harmonia com a família, com os amigos, consigo mesmo.

Se ter abastança financeira fosse garantia de felicidade, pessoas ricas jamais sentiriam tristeza, solidão ou outro desgosto qualquer.

Por isso, vale a pena avaliar com muita atenção essa proposta enganosa de que tempo é dinheiro, que visa a enriquecer os bolsos dos interessados.

Não caiamos nessa armadilha. Usemos o tempo que Deus nos empresta para construir a nossa verdadeira felicidade e a daqueles que nos rodeiam.

A profissão é instrumento de progresso e realização do ser humano. Deve servir para a construção de algo bom e útil em prol da sociedade em que se vive. E nem sempre ganhar dinheiro proporciona essa realização.

O médico sanitarista Oswaldo Cruz não estava preocupado com o contracheque quando travou uma batalha com a febre amarela e descobriu sua vacina.

O compositor Villa Lobos não compôs suas melodias de olho na conta bancária.

E se Albert Einstein tivesse a ilusão de que tempo é dinheiro, jamais teria legado à Humanidade o fruto de suas pesquisas científicas.

Pense nisso e lembre-se sempre: tempo é oportunidade.



Fonte: Redação do Momento Espírita com base no livro "Os donos do futuro", de Roberto Shinyashiki.
http://www.reflexao.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/rel%c3%b3gio-pular-pressa-2743994/

sábado, 15 de dezembro de 2012

A SABEDORIA DO BOM SENSO



É muito fácil ficar tão enredado em nossas metas mundanas que perdemos a noção do todo. Sem perspicácia nem perspectiva, acabamos priorizando o que não devemos. 

Os altos e baixos de um escritório e a dinâmica interpessoal, por exemplo, vão afetar excessivamente a mente não treinada. Em um instante você se sente como um vencedor, eufórico e ganhando a partida, no momento seguinte você é um trapo, derrotado, desesperançado e deprimido. 

O Budismo nos lembra que nada dura muito, nem mesmo vitórias ou fracassos. Até mesmo o Super-homem pode cair do céu. 

A virtude do equilíbrio nos ajuda a não investir energia excessiva no sucesso, nem ficar arrasado com o desapontamento. 

A sabedoria do senso comum nos lembra que existe uma diferença entre sobreviver e viver. 

Nossa busca pelo sucesso mundano neste mundo de amarguras, não poderia ser mais satisfatória do que a busca de uma miragem no deserto árido. 


Lama Surya Das



(desconheço a fonte do texto)
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/t%c3%aampora-cinzeladura-de-pedra-china-6823939/