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terça-feira, 21 de abril de 2026

O OBJETIVO ARQUETÍPICO DA HATHA YOGA


(...) todo o mistério da Hatha Yoga está relacionado com a criação de uma estrutura etérico-física que responde aos Arquétipos de Beleza e ao equilíbrio das funções orgânicas, bem como à sensibilização constante de cada um dos elementos celulares que constituem esta estrutura de acordo com o ritmo solar ou universal, o que pressupõe o estabelecimento de um sistema de contatos cada vez mais estreitos e definidos entre o cérebro e a mente, entre a mente discernidora e a vida afetiva através do corpo etérico, que assim se torna o elo natural de relação entre a existência no plano físico e os outros planos do Sistema Solar onde o ser humano já possui corpos definidos como o astral, o mental e outros que ainda estão em processo de construção, como o búdico, o átmico, o monádico etc.

A Hatha Yoga, conforme expressa e usada em nossos dias através do esporte, da higiene natural, da dietética sadia ou vida naturista e dos diferentes sistemas de respiração e controle dos asanas ou posturas do corpo, visam polir e refinar o cálice objetivo e sensibilizar constantemente o corpo etérico para que ele possa receber sem fricções (que são a causa das doenças) a crescente sensibilidade espiritual do Pensador, do Artífice que, com o testemunho de Sua Graça santificante deve percorrer o mundo oferecendo perpetuamente "seu corpo e sangue", no sentido mais esotérico e místico, para que cada um dos peregrinos da Terra possa saciar sua fome e sede de justiça social e humana. A conhecida frase mística "pelos seus frutos serão reconhecidos" refere-se àquela fase da Yoga em que a vida de Deus é perfeitamente reconhecível através do corpo físico, como no caso dos grandes Avatares como Hermes, Buda e o Cristo que, objetiva e palpavelmente, demonstraram a pureza das Suas excelsas Vidas através de veículos ou cálices indescritivelmente imaculados e radiantes.

A obtenção de tais estados como revelação de certos Arquétipos cuja identidade deve ser buscada além dos limites do nosso Universo, uma vez que pertencem a um desígnio de origem cósmica, é o objetivo da Yoga. Sua conquista, mesmo no mais imediato, no meramente físico, exigirá uma atividade maior que, projetando-se para além do corpo conhecido através de seus centros ou chacras superiores, os do cérebro e do coração, nos permitirá estabelecer contato com a Realidade mais elevada, aquele Deus em nós que está constantemente nos solicitando. O aparecimento das outras Yogas que o ritmo constante e invariável da evolução promove é resultado da pressão interna da Mônada espiritual que, de cima (chacra coronário) e do dentro (chacra cardíaco), procura estabelecer uma união direta e positiva com a Vida divina em todos os Seus planos de expressão psicológica. Portanto, todas as Yogas são solidárias com o princípio físico de sobrevivência e autorreconhecimento. A glória de Deus deve se revelar visivelmente, como o Cristo demonstrou por meio do Mestre Jesus. Implícito nessas últimas palavras está o Mistério cristão a ser revelado por intermédio da Hatha Yoga.

O que realmente se pretende com esta ciência positiva de união, à medida que a corrente evolutiva se dirige a áreas de alta sensibilidade emocional e profunda penetração mental, é sutilizar o organismo, introduzindo nele elementos vitais de vibração muito alta, que constituem um tipo particular de prana mais sutil, embora coexistindo com o prana conhecido, mas que só pode ser usado quando a mente e o coração (Raja Yoga e Bakti Yoga) atingem certo grau de desenvolvimento e equilíbrio. Quando os tratados esotéricos sobre a Yoga do Oriente começaram a fornecer conhecimento de caráter superior e a afirmar fatos sobre o mistério permanente que se agita nos éteres do espaço, e a apresentar o elemento primordial, o Prana como a origem do fenômeno planetário da Vida, acreditava-se que eles haviam chegado definitivamente à descoberta da chave para o mistério inicial da existência humana aqui na Terra, isto é, da Hatha Yoga.

No entanto, foi apenas o começo de uma busca persistente e incessante. Tal Mistério ainda tem muitos segredos a revelar ao investigador consciente, muitos elementos de conhecimento e sabedoria a aportar antes que tenham concluído completamente os círculos de perfeição física programados pela Divindade para o ser humano, a partir do grande Arquétipo causal ou Anjo Solar, que é a matriz ou modelo pelo qual todo o processo de evolução da humanidade é dirigido. A este respeito, devemos lembrar o que dissemos acima em conexão com o Mistério que oculta o segredo de sabedoria do nosso Universo, no sentido de que o nosso Logos Solar, nosso "Pai no Céu", é o Agente físico de uma Entidade Psicológica de evolução Cósmica, cuja sublimidade está inteiramente além de nossa inteligência mais elevada, e para cuja expressão não há palavras sutis nem o pensamento mais profundo e penetrante. Este reconhecimento leva-nos mais uma vez à consideração da Hatha Yoga se constituindo na raiz de toda Yoga possível no nosso Universo, sendo cada uma delas expressões cada vez mais sutis e elevadas, na ordem física, do drama psicológico que se realiza em cada um dos Planos do Sistema Solar, através das infinitas Hierarquias criadoras que nelas habitam. O carma incompreensível e indescritível do nosso Logos Solar é preparar um Cálice cada vez mais perfeito para aquela Entidade Gloriosa cuja Vida Monádica atua em níveis cósmicos de transcendência incalculável.

Como um pequeno indício de tamanha grandeza, apresentaremos um pequeno exemplo: "nosso plano búdico, no qual nossa consciência encontra sua mais alta identidade mística ou espiritual com a Divindade, é apenas uma zona particularizada ao nosso alcance do plano etérico-físico cósmico".

Assim, empregando como sempre a chave da analogia, da mesma maneira como o nosso Logos Solar (representação física de um Logos Cósmico) se manifesta através de sete estados de consciência cada vez mais sublimados, e que cada um desses estados constitui os Planos característicos da evolução universal, desde o plano físico mais denso até ao plano ádico onde os éteres se tornaram o Fogo Criador do Espírito, assim a Entidade humana, através de seu corpo físico, deve expressar ou revelar sete estados de consciência, desde o nível mais denso, onde o Cálice é tangível e objetivo, até o plano monádico, onde tudo é luz e fogo e a natureza humana se acha plenamente deificada e redimida.

Deixamos, portanto, ao observador inteligente e ao profundo investigador esotérico a tarefa de resolver, de acordo com a chave da analogia, o Mistério latente na Hatha Yoga e entender que o aquilo que a Vida que nos anima tenta fazer é purificar constantemente o Cálice ou Corpo, para que o Espírito possa um dia se manifestar nele, o excelso Tesouro da Sabedoria que constitui o sopro permanente e místico do nosso Sistema Solar.


Vicente Beltrán Anglada



Fonte: do livro "Os Mistérios da Yoga"
Tradução: Dermeval Barbosa & Núcleo Aquariano Brasil
1ª Ed. digital em português, 2025
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/silhueta-mulher-medita%c3%a7%c3%a3o-interior-165527/

terça-feira, 14 de abril de 2026

É POSSÍVEL PARA OCIDENTAIS PRATICAREM YOGA


Yoga é ciência pura, e qualquer pessoa pode praticá-la, independentemente de raça, credo, nacionalidade, país, clima ou época.

Contanto que você veja um procedimento sistemático sendo seguido, você também verá que os resultados inevitavelmente virão.

Ocidente e Oriente não têm impacto sobre os resultados de uma prática adequada de yoga.

Contanto que você não se deixe influenciar pelas opiniões e hábitos dos outros e não seja afetado pelas rotinas daqueles ao seu redor, você é tão capaz de praticar yoga quanto qualquer pessoa que, nos tempos antigos, viveu fora da cidade.

Podemos praticá-la facilmente mesmo no século XX (ou XXI), em meio às ruas mais movimentadas de uma cidade ocidental.

Entendamos que yoga é a prática de neutralizar as impressões do ambiente em nossa mente e sintetizar as diversas energias e inteligências que atuam dentro de nós e se expressam através de nós.

A família é a verdadeira escola para a prática de yoga, e a sociedade é o verdadeiro campo de atuação para a escola de yoga.

Não encontraremos instituição melhor do que nossos próprios afetos, intelecto e energias.


Ekkirala Krishnamacharya



Fonte: do livro "Mensagens", vol. 3
Edições Dhanishtha
Barcelona / Espanha
www.edicionesdhanishtha.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/yoga-silhueta-mulher-relaxamento-544970/

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

A GRANDE MUDANÇA DO HOMEM


Há três livros que deveriam estar nas mãos de cada estudante, o Bhagavad Gitâ, o Novo Testamento e os Aforismos da Ioga, pois nestes três livros existe um quadro completo da alma e de seu desabrochar.

Nos dezoito capítulos do Gitâ nos foi dada uma descrição da alma, de Krishna, o segundo aspecto em sua verdadeira natureza como Deus manifestado, culminando naquele maravilhoso capítulo onde Ele se revela a Arjuna, o aspirante, como a alma de todas as coisas e o ponto de glória por traz do véu de cada forma.

O Novo Testamento descreve para nós a vida de um Filho de Deus em plena manifestação, na qual, livre de qualquer véu, a alma em sua verdadeira natureza caminha pela Terra. Torna-se evidente para nós, à medida que estudamos a vida do Cristo, o que significa desenvolver os poderes da alma, atingir a libertação e tornar-se, em plena glória, um Deus andando pela Terra.

Nos Aforismos da Ioga foram incluídas as leis deste futuro acontecimento e as regras, métodos e meios que - quando seguidos - tornam o homem "tão perfeito quanto vosso Pai no Céu é perfeito". Passo a passo nos é revelado um sistema gradual de desenvolvimento que leva o homem do estágio do "homem bom comum", através das etapas do aspirante, do iniciado e do mestre, até o exaltado ponto de evolução em que o Cristo agora está. João, o discípulo amado, disse que "nós seremos como Ele, pois O veremos como Ele É" e a revelação da alma do homem encarnado no plano físico provocará esta grande transformação. O próprio Cristo disse que "Maiores obras do que Eu faço, fareis vós", estendendo a nós a promessa do "reino, poder e glória" desde que nossas aspirações e persistência sejam suficientes para nos levar através do espinhoso caminho da Cruz, capacitando-nos para trilharmos o caminho que "leva sempre, montanha acima", até o cume do Monte da Transfiguração.

Como será produzida esta grande mudança? Como poderá o homem, vítima de seus desejos e de sua natureza inferior, se converter no homem vitorioso, triunfante sobre o mundo, a carne e o "diabo"? Será efetuada quando o cérebro físico do homem encarnado tiver consciência do eu, da alma, e esta conscientização só se torna possível quando o verdadeiro Eu consegue se "refletir na substância mental". A alma é inerentemente libertada dos objetivos e fica sempre no estado da unidade isolada. O homem encarnado, contudo, tem que chegar, na consciência de seu cérebro físico, ao reconhecimento destes dois estados de ser; ele tem que se libertar conscientemente de todos os objetos do desejo e se manter como um todo unificado, desprendido e livre de todos os véus, de todas as formas nos três mundos. Quando o estado de ser consciente, como é conhecido pelo homem espiritual, vier a ser também o estado de consciência do homem em encarnação física, o objetivo terá, então, sido atingido. O homem não mais será o que seu corpo físico o torna, quando identificado com ele, a vítima do mundo. Ele caminhará livre, com o rosto resplandescente (1Co 3), e a Luz de seu rosto projetar-se-á sobre tudo o que encontre. Seus desejos não mais inclinarão a carne para a atividade e seu corpo astral não mais controla-lo-á nem o subjugará.

Pela libertação da paixão e pelo equilíbrio dos pares de opostos ele se terá livrado de seu temperamento, sentimentos, anseios, desejos e reações emocionais, que caracterizam a vida do homem comum, e terá chegado ao ponto da paz. O demônio do orgulho, a personificação da natureza mental mal empregada e as distorcidas percepções da mente são vencidas e ele se torna livre dos três mundos. A natureza da alma, as qualidades e atividades inerentes à natureza amorosa de um Filho de Deus e a sabedoria que se evidencia quando o amor e a atividade (o segundo e o terceiro aspectos) se unem, caracterizam sua vida na Terra e ele pode dizer como o Cristo: "Está consumado".


Alice A. Bailey




Fonte: do livro "A Luz da Alma" - Sua Ciência e Efeito, Tomo 1
Uma Interpretação dos Aforismos de Ioga de Patânjali
Fundação Cultural Avatar, Niterói/RJ
Fundação Educacional e Editorial Universalista (FEEU), Porto Alegre/RS
1ª Edição em Português, 1981, pp. 9-10
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/dan%C3%A7a-yoga-medita%C3%A7%C3%A3o-mulher-4052847/

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

RAJA YOGA (CIÊNCIA DA MENTE E DA VONTADE DIRIGIDA PARA A 5ª RAÇA ARIANA)


PATÂNJALI foi um compilador de ensinamentos que, até o seu aparecimento, haviam sido transmitidos oralmente durante muitos séculos. Ele foi o primeiro a fornecer por escrito os ensinamentos para a utilização dos estudantes e, por isto, é considerado como o fundador da ESCOLA DE RAJA YOGA. Os ensinamentos por escrito ficaram conhecidos como OS AFORISMOS SOBRE OS YOGA-SUTRAS DE PATÂNJALI.


Meios para atingir a YOGA, ou seja, a UNIÃO OU UNIFICAÇÃO

YAMA – mandamentos (relacionamento do discípulo (chela) para com os demais e para com o mundo exterior)

NIYAMA – regras (relacionadas à vida interior do discípulo e à ligação (sutratma – elo) que o relaciona a Deus)

ASANA – postura (atitude física-astral-mental correta do discípulo)

PRANAYAMA – força vital (controle da vitalidade e organização do corpo vital-etérico)

PRATYAHARA – abstração (dos sentidos e controle do corpo astral)

DHARANA – atenção (concentração e controle do 6º sentido (mente))

DHYANA – meditação (utilização da mente como desejado e transmitir ao cérebro pensamentos elevados e ideais)

SAMADHI – contemplação (êxtase – relaciona-se com o Ego Superior (Self) e sua contemplação, estudo, meditação e visão do mundo das causas)

***

YAMA – MANDAMENTOS

- Natureza Física: inofensividade – verdade – não roubar

- Natureza Astral: abster-se da incontinência

- Natureza Mental: abster-se da avareza


NIYAMA – REGRAS

- Pureza interna e externa (dos três veículos da personalidade: físico/etérico-astral-mental)

- Aspiração ardente (esforço e fidelidade em direção ao ideal)

- Devoção a ISHWARA (Cristo interno)

- Contentamento (estado mental de entendimento dos acontecimentos como corretos)

- Leitura espiritual (análise das causas)


ASANA – POSTURA

- Posição firme, imutável e cômoda fisicamente

- Condição estável, invariável, calma e controlada dos desejos

- Condição firme, equilibrada e controlada da mente


PRANAYAMA – CONTROLE DA FORÇA VITAL

- Controle das forças vitais do corpo

- Ritmo e sincronia com o corpo


PRATYAHARA – ABSTRAÇÃO

- Subjugação dos sentidos pelo princípio pensante e remoção daquilo que até então fora seu objetivo

- Controle psíquico

- Retirada ou abstração da consciência, que tende para o exterior, para o mundo interior

- Centralização da consciência na grande estação central da cabeça e logo após no Ego Superior (o Self - Alma – corpo mental abstrato)


DHARANA – ATENÇÃO/CONCENTRAÇÃO

- Fixação da substância mental (chitta), pelo Ego/Self, sobre um objeto específico (conceito externo-interno – qualidade)

- Manter a mente firme e sem desvios

- Focalização firme da mente


DHYANA – MEDITAÇÃO

- Concentração sustentada (a mente ocupada com o objeto ou pensamento por período prolongado)

- Manter firme a mente (substância mental (chitta)) ocupada com o objeto, por um período prolongado)


SAMADHI – CONTEMPLAÇÃO

- A forma não é mais vista nas coisas

- Conscientização da unidade

- A alma olha para seu próprio mundo (“conhece Deus”)

- Controle da personalidade (ego inferior – eu inferior)

- Consciência das essências

- Atividade da Alma desligada do mental (mental concreto-inferior)


***

A CIÊNCIA DA MENTE – RAJA YOGA

- A meta da meditação é contatar o Eu Interior Divino (Ego/Eu Superior – Alma – Self) e, por este contato, chegar à conscientização da unidade deste Eu com todos os outros Eus e com o TODO-EU. Isto se dá quando um estado chamado SAMADHI é alcançado, onde a consciência do pensador é transferida da consciência do cérebro inferior para a Alma, em seu próprio plano.

- O objetivo da evolução humana é trazer a força CRÍSTICA à plena manifestação no plano físico, através dos corpos inferiores ou envoltórios, subjugando-os, o que levará à TRANSFIGURAÇÃO de cada ser humano, e, passo a passo, à transfiguração da humanidade.

--- Força Crística: Alma – Ishwara – o Filho – Ego/Eu Superior – Self – Manas/Budhi/Atma.

--- Budhi: razão pura, o intelecto separado da mente inferior, a intuição.

--- Corpos inferiores/envoltórios: a personalidade – físico/etérico, astral, mental inferior/concreto, o Santo Graal, a taça receptora e que contém a vida divina.

- O grande objetivo da Raja Yoga é libertar o pensador das modificações do princípio pensante de modo a que ele não mais mergulhe no grande mundo das ilusões (maya) nem se identifique com o que é puramente fenomênico.

- O discípulo ariano tem que aprender a controlar o corpo mental (manas) e a dedicá-lo ao serviço de ISHWARA (Self – Força Crística) pela Raja Yoga.

- A ILUMINAÇÃO é o transporte à consciência cerebral do conhecimento obtido pela meditação/contemplação. A INSPIRAÇÃO é o resultado da iluminação, na medida em que se demonstra na vida de serviço. A UNIÃO (yoga) é o conhecimento direto da Divindade que se chega pela prática da raja yoga.


***


Observações sobre os ESTÁGIOS DA TRANSFERÊNCIA (ABSTRAÇÃO – PRATYAHARA)

- A consciência do corpo (sentidos) para a cabeça.

- A centralização da consciência no lótus de mil pétalas (sahasrara) na região da glândula pineal (entre o meio da fronte e a glândula pineal).

- Da glândula pineal (sahasrara) para o corpo mental através do corpo etérico (controlando o corpo astral), empregando a abertura no cimo da cabeça (brahmarandra).

- Do corpo mental para a Alma, alojada no corpo causal (mental superior – lótus egoico).


Provoca-se, assim, uma condição em que o cérebro, o corpo mental e o corpo egoico formam uma unidade. Pode-se, então, ter acesso ao estado de Samadhi, ou de contemplação espiritual, quando a Alma olha para seu próprio mundo (“conhece Deus”). Seguindo-se, vem um estágio em que o homem espiritual transmite ao cérebro, através da mente, o que é visto, constatado e conhecido. Desta maneira, o conhecimento se torna parte do conteúdo do cérebro e fica disponível para emprego no plano físico.

Em resumo, a ABSTRAÇÃO (PRATYAHARA) causa:

- A síntese dos sentidos pelo sexto sentido (mente).

- O alinhamento da personalidade (unidade coordenada).

- A libertação das limitações da personalidade (corpos).

- Habilitação da Alma (Self) para impressionar e iluminar o cérebro por meio da mente.



Alice A. Bailey




Fonte: do livro “A Luz da Alma – Comentários aos Yoga-Sutras de Patânjali”, de Alice A. Bailey, Lucis Trust (1927), 1ª ed. em português pela Fundação Cultural Avatar (Niterói/RJ) e Fundação Educacional e Editorial Universalista – FEEU (Porto Alegre/RS), 1981
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/mulher-menina-yoga-relaxamento-2795589/

sexta-feira, 22 de maio de 2020

CORPO E YOGA - RELAÇÕES


[...] Ao pensarmos em yoga, uma das primeiras imagens que nos vem é uma pessoa realizando exercícios físicos quase que em uma espécie de alongamento. Porém, muito mais que uma prática com o corpo, o yoga tem como base toda uma ligação com a aquietação da mente, tornando seu propósito muito mais mental e psicológico do que físico.

Um dos textos mais antigos do Samkhya, sistema filosófico do qual provém o Yoga, afirma que a vida humana é repleta de dor e sofrimento e que removê-los deve ser o foco de nossas atenções. Tanto para o Samkhya como para o Yoga, para que se possa viver em paz e equilíbrio é necessário que se controle as alterações da mente, ou seja, os pensamentos.

De origem indiana, yoga é uma palavra da língua sânscrita, língua clássica criada há cerca de 1500 a.C. Yoga é oriunda da raiz “yug” que significa “ligar”, “manter unido”, “atrelar”, “compartilhamento”. Inclusive foi a raiz sânscrita que originou o termo latino 'jungere' (libertar-se do jugo). Portanto, yoga é, para alguns mestres, a ligação do microcosmo (o ser humano) ao macrocosmo.

A bibliografia presente até o momento nos informa que, de qualquer modo, o yoga sofreu modificações no decorrer dos períodos indianos: desde o pré-védico até o período moderno, passando pelos Vedas, pelas Upanishads e, pelos Puranas, entre outros. Os Vedas, as Upanishades e os Puranas são livros clássicos e sagrados das filosofias milenares praticadas na Índia antiga.

De qualquer modo, o conhecimento que possuímos hoje sobre o que é yoga, ásanas (posturas), yamas (refreamentos) e nyamas (auto-observações), pranayama (técnica respiratória), entre tantos outros termos usuais, devemos a um médico, filósofo e gramático chamado Patanjali.

Acredita-se que, entre o século 1 a.C e 1. d.C, Patanjali tenha sido o primeiro sistematizador do que é o yoga, qual seu objetivo, seus princípios éticos, seus requisitos e suas técnicas, ou seja, ele foi quem organizou e escreveu em forma de sutras – uma espécie de fórmula, onde poucas palavras condensam um enorme conhecimento - todas as informações que eram passadas de mestre para discípulo na forma oral.

O arcabouço ético e moral da prática do yoga está contida nos ensinamentos passados por Patanjali em seus Yoga-Sutras e denominam-se yamas. Para ele, antes que o discípulo pudesse ir para os ásanas (posturas), esse precisava ter os princípios éticos-norteadores dentro de si. Os yamas são o primeiro ramo dentro do ashtanga yoga (oito membros (anga = membro) do yoga) de Patanjali. E sua vivência é fundamental para as posteriores etapas do yoga.

São cinco os yamas:

- Não-violência (ahimsa) - A não-violência, tão pregada por Gandhi, começa em si mesmo. Cultivar a não-violência em si possibilita que não se use da violência em relação ao outro e ao mundo;

- Veracidade (satya) – Ser verdadeiro aos princípios básicos do ser e incluir a verdade em todas as suas manifestações;

- Castidade ou controle dos impulsos (brahmacharia) - Conservar a energia dentro de si para propósitos de auto-conhecimento, ou seja, canalizar a energia e utilizá-la para a obtenção de melhores benefícios. Aqui, cabe dizer que o yoga não é contra o uso da energia para fins sexuais, mas que, a energia deve ser utilizada beneficamente e com fins de auto-aprimoramento até mesmo espiritual;

- Não-roubar (asteya) – Cultivar a integridade, obtendo e usando somente o que lhe é preciso, é não roubar do outro nem da natureza;

- Não-possessão (aparigraha) - Não cobiçar e não apegar-se é um modo para que tudo exista de modo equilibrado e flua, principalmente, as mudanças. O planeta Terra existe há milhares de anos e nós, seres humanos, há apenas uma centena de mil anos.

Porém, Patanjali ainda coloca como segundo ramo dentro do ashtanga, os nyamas, que são observações em si mesmo para se levar em conta no cotidiano da existência. São eles:

- Pureza (sauca) – A pureza do corpo físico, psíquico e emocional por meio dos pensamentos e ações práticas;

- Contentamento (santosha) – A alegria que precisa ser exercitada para que haja um verdadeiro equilíbrio, só é adquirida como resultado de uma prolongada auto-disciplina;

- Austeridade (tapas) – O termo tapas, segundo Taimni, é muito abrangente, mas em linhas gerais, pode-se definir como meio de autodisciplina e purificação através de exercícios e/ou práticas corporais e psíquicas para um auto-aprimoramento do aspirante;

- Estudo e reflexão (svadhyaya) – O conhecimento do que é yoga por meio, primeiramente, dos ensinamentos e livros, para, posteriormente “passar pelos progressivos estágios de reflexão, meditação, tapas etc, até que o sadhaka (aspirante ao samadhi) esteja apto a extrair todo o conhecimento ou devoção do interior, por seus próprios esforços” (TAIMNI, 2004, p.182)*, é o conceito de svadhyaya;

- Entrega a deus (Isvara-pranidhana) – A auto-entrega a uma força maior que pode ser denominada Deus ou à uma macro-consciência. “Essa é a ideia sobre a qual repousa toda a filosofia do yoga, sendo que todos os sistemas do yoga visam à destruição dessa consciência do “eu”, direta ou indiretamente. (...) A prática de Isvara-pranidhana é um dos meios”. (TAIMNI, p.182)*

A base ética e a prática das observações citadas nos yamas e nyamas demonstram as “preocupações” filosóficas e morais com as quais o yoga está envolvido e que perpassam e preparam todos os outros seis ramos do ashtanga yoga de Patanjali, que inclui os ásanas (posturas), pranayamas (envolve a respiração), pratyahara (desligamento dos sentidos), dharana (concentração), dhyana (meditação) e samadhi (iluminação).

É interessante ressaltar que há ásanas que são facilitadoras de um estado mais meditativo e de relaxamento de todo o corpo, e há outras que trazem mais vigor e estado vivo de atenção. Mas qualquer ásana a ser praticada ou instruída por um mestre ou professor conhecedor da técnica fornecerá ao praticante um estado de maior autoconhecimento de seu próprio corpo, de suas emoções e do funcionamento de sua mente. Sendo o objetivo do yoga a supressão dos turbilhões da mente, é importante que o praticante possa perceber dentro de si os movimentos de agitação e calmaria, um dos primeiros benefícios da prática, para que possa evoluir gradativamente ao encontro do samadhi, ou melhor, de um estado de paz consigo próprio.

Ao que tudo indica, o yoga, como instrumento corporal e mental, tem grande potencial para ser um aliado no desenvolvimento biopsicossocial tanto do individuo em formação (crianças e adolescentes) como em adultos que almejam uma vida com melhor qualidade e bem-estar.


Katerina Volcov



Nota:

* TAIMNI, I. K. A ciência do Yoga. (Comentários sobre os Yoga-Sutras de Patanjali à
luz do Pensamento Moderno. 3.ed. Brasília: Editora Teosófica. 2004


Fonte: https://www.academia.edu/36515304/Corpo_e_Yoga_rela%C3%A7%C3%B5es
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

quinta-feira, 14 de maio de 2020

A FUNÇÃO DO MANTRA


É importante lembrarmos que a prece e a meditação ocupam a totalidade da pessoa. Oramos com o corpo e com a alma, assim como, com o espírito.

Utilizamos nossos corpos nas preces, até mesmo quando pronunciamos palavras e, ainda mais, quando cantamos e cantarolamos. Na prece estritamente contemplativa, reduzimos as ações do corpo a um mínimo, mas, mesmo nela, há os movimentos da respiração.

Todas as tradições orientais enfatizam sobremaneira a importância da respiração. A meditação Zen focaliza a respiração abdominal: inspiração e expiração. A isso eles dão o nome de hara. Trata-se de um centro muito importante. Não deveríamos negligenciá-lo. Trata-se de um centro emocional, mas, ele é o verdadeiro centro da psique, e muitas pessoas se beneficiam pela concentração no hara. Outros preferem focalizar o coração, e isso talvez seja mais central. Você também pode se concentrar no ajña chakra, também chamado terceiro olho. Na Índia, colocamos ali uma marca de cor carmesim. Os dois olhos são os olhos da dualidade, com os quais olhamos o mundo exterior, o eu exterior. O terceiro olho é o olho interior que enxerga a luz interior. Muitas pessoas conferem grande importância à sincronização do mantra com a respiração, pois isso nos ajuda a levar o corpo ao coração da prece. Porém, é claro que quando consideramos estritamente a meditação, levamos o corpo à imobilidade, tanto quanto possível, de modo que a mente não se distraia. Algumas pessoas insistem em uma postura ereta e em completa imobilidade. Na meditação, o relaxamento é uma necessidade primordial. O corpo e a mente precisam estar completamente relaxados, para que o espírito possa estar completamente aberto e receptivo ao Espírito de Deus. No Yoga se diz que a posição deveria ser confortável e estável, relaxada e firme. Deveria haver estabilidade para manter a pessoa firme, mas ao mesmo tempo ela deveria estar relaxada.

Precisamos nos lembrar que os sons vibram o corpo todo e possuem um profundo efeito na psique. É impossível concebermos os efeitos causados à psique pelos sons de uma cidade moderna, com suas intermináveis distrações. Todos os dias, e a cada hora, somos bombardeados com esses sons, e as imagens da televisão. Nossos períodos de silêncio tornam-se, assim, muito importantes para que sejamos capazes de abandonar todas essas distrações. O mantra tem por função recompor a alma, trazê-la de volta ao seu centro, e reunir a totalidade da pessoa (corpo, alma e espírito) com o Espírito de Deus.

Não sei se deixei isso claro, essa distinção tão importante entre corpo, alma e espírito. Temos um corpo, o organismo físico que nos une a todos os organismos físicos do universo. Temos a alma, a psique que é o organismo psicológico, com sentidos, sentimentos, imaginação, razão e vontade. O centro da psique é o ego, isso que em Sânscrito se chama ahamkara, o “fabricante do eu”. A psique é muito limitada. Mas, além dela, há o espírito, o Atman, que é o ponto da transcendência do si mesmo. Naquele ponto, corpo e alma vão além de suas limitações humanas, abrindo-se para o infinito, o eterno, o divino. A meditação é a passagem além do corpo e da alma, para aquele ponto do espírito.

A meta que precisa ser mantida em mente com firmeza é a de centrar o corpo e a alma nas profundezas do espírito, onde o espírito humano encontra o Espírito de Deus. Nas palavras de São Paulo: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus”. Nesse ponto do espírito, transcendemos o ego e nos abrimos para o Espírito Santo. Trata-se de um ponto de encontro, para nosso espírito e o Espírito de Deus. A meditação deveria ser aquele ponto de encontro, onde o espírito humano toca e se abre para o Espírito Santo de Deus. É interessante a maneira pela qual a palavra “espírito” é por vezes utilizada no Novo Testamento para o humano, e outras vezes para o divino: porque é o ponto de encontro. O espírito é aquilo que São Francisco de Sales chamava “o refinado ponto da alma”. Trata-se do ponto da transcendência de si, de onde vamos para além de nós mesmos, e recebemos o divino Espírito em nossos corações, ou seja, para o centro de nosso ser. A repetição do mantra é uma simples maneira de mantermos todas as faculdades da alma e corpo centradas nesse ponto do espírito.

Trata-se de um processo que reúne todas as faculdades da alma no ponto do Espírito, onde são penetradas pela luz da verdade. Em essência, essa luz é uma luz de amor. Trata-se de amor do Espírito Santo que inunda o coração, e que nos leva a estar face a face com Deus. Na tradição oriental, todos os métodos de meditação são meios de se chegar a esse centro interior. Porém, o que ali acontece depende de sua particular fé e tradição. Para o cristão, o ponto do espírito é o ponto em que o amor de Deus inunda o coração através do Espírito Santo.

Isto traz à tona o problema das distrações. Quando começamos a meditar, a mente começa a divagar. Para a maioria das pessoas, a atividade mental nunca cessa. Particularmente no caso das pessoas nos dias atuais, e especialmente para os ocidentais, cujas vidas são tão repletas de distrações, e para quem a televisão, com seu fluxo constante de imagens, é uma fonte constante de distração, o problema do controle da mente torna-se muito agudo. Todo o tempo estamos pensando, pensando e pensando. Parece que a maioria das pessoas não consegue parar o fluxo contínuo de pensamentos, mas, o que elas podem fazer é não se ocupar com eles, deixar que eles fluam e, na quietude, observá-los, como se fossem nuvens no céu, enquanto a mente mais profunda, o espírito interior, permanece em quieto repouso na presença de Deus. Lutar contra as distrações pode ser mais prejudicial do que benéfico. Então, o ego atua. Você procura parar a si mesmo, e então, isso piora as coisas. O mantra continua na quietude, e os pensamentos continuam a ir e vir, mas você não precisa se ocupar com eles. Deixe que eles venham, deixe-os ir, mas mantenha o mantra na quietude, continuando por debaixo deles todos.


Pe. Bede Griffiths, OSB



Bede Griffiths foi um monge Beneditino, nascido na Inglaterra em 1906 e, educado em Oxford. Depois de 20 anos como monge na Inglaterra, ele foi para a Índia para encontrar “a outra metade de sua alma”. Esta palestra foi extraída do conjunto de palestras que ele proferiu no John Main Seminar de 1991. Essas palestras exploram a tradição da meditação cristã e relacionam-na com as grandes tradições orientais. Pe. Bede mostra como a jornada interior pode contribuir para a unidade espiritual. Ele faleceu na Índia em 1993. (http://www.bedegriffiths.com/biography.html).


Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã
http://www.wccm.com.br/series-de-palestras/61-meditacao-e-a-nova-criacao-em-cristo/387-a-funcao-do-mantra
Fonte da Gravura: ventosdepaz.com.br

segunda-feira, 27 de março de 2017

SABEDORIA DE PARAMAHANSA YOGANANDA


- Renuncie à escravidão dos desejos da matéria. Enquanto você não tiver estabelecido seu domínio espiritual sobre o corpo, este será seu inimigo. Lembre-se disto sempre! Não tenha outro desejo senão o de proclamar o nome do Senhor, pensar Nele e cantá-lo todo o tempo. Que alegria! Poderá o dinheiro proporcionar-nos tal alegria? Não! Essa alegria vem somente de Deus.

- O reino da minha mente está enegrecido com a ignorância. Possa eu através de constantes chuvas de diligente autodisciplina, remover do meu reinado de descaso espiritual os antigos escombros da desilusão.

- Ninguém poderá forjar o aço sem que o ferro tenha ficado incandescente. Do mesmo modo, as dificuldades da vida não são feitas para nos magoar. Todo aborrecimento e doença contém uma lição para nós. Nossas experiências dolorosas não são para nos destruir, mas sim para queimar as nossas impurezas, a fim de que a nossa volta ao Lar seja apressada. Ninguém está mais esperançoso pela nossa libertação do que Deus.

- A disciplina é a mesma, tanto para o aspirante iogue do Ocidente, como para o do Oriente. Ele deve vigiar-se para não dar uma atenção exagerada a assuntos da matéria. Se constatar que tem tempo para tudo, menos para Deus, deverá usar a vara da autodisciplina. Por que ter medo? Você só terá a lucrar. Se o próprio homem não gritar e lutar pela sua salvação, você acha que outra pessoa o fará por ele?

- Ao praticar o bem, devemos sofrer às vezes. Para encontrar Deus, precisamos estar dispostos a sofrer. O que é suportar o desconforto da carne e a disciplina da mente para ganhar o consolo eterno do Espírito? A felicidade de Cristo em Deus era tão grande que ele não se importou em sacrificar seu corpo por Ele. O propósito da vida é alcançar essa imensa felicidade, que é encontrar Deus.

- Eu vim para medir o avanço espiritual, não somente pela luz que cerca o indivíduo quando ele medita ou pelas visões que ele tem dos santos, mas pelo que ele é capaz de suportar no dia a dia. A grandeza do Cristo não era apenas que Ele podia entrar em meditação e gloriosamente realizar sua unidade com o Pai, sua absoluta unidade, mas também aquilo que Ele podia suportar.

- Yoga é definido e científico. Yoga significa união da alma com Deus, através de métodos gradativos com resultados conhecidos e específicos. Ele ergue a prática da religião acima das diferenças dogmáticas. Meu guru, Sri Yukteswar, exaltava o Yoga; ele não indicava, entretanto, que a realização divina ocorreria imediatamente. "Você deve trabalhar duro por ela", ele me contou. Eu trabalhei, e quando os resultados prometidos chegaram, eu vi que o Yoga é maravilhoso.

- Kriya Yoga é o verdadeiro "rito do fogo", muitas vezes enaltecido no Gíta. O iogue arroja seus anseios humanos numa fogueira monoteísta consagrada ao Deus incomparável. Nesta autêntica cerimônia do fogo, todos os desejos passados e presentes são o combustível consumido pelo amor divino. A Flama Última recebe em holocausto a derradeira loucura humana e o homem se vê livre de escórias. Seus ossos metafóricos despojados de toda carne sensual, seu esqueleto cármico branqueado pelos sóis sépticos da sabedoria, sem ofensas ao homem e ao Criador, ele se encontra limpo.






Fonte do Texto e da Gravura: do Blog "Sociedade dos Espíritos"
http://www.sociedadedosespiritos.com

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

FESTIVAL DE SANKRANTI - A VISÃO PARA DEUS

O festival de Sankranti deve ser considerado como o dia em que você direciona sua visão para Deus. Sua vida pode ser comparada a um talo de cana-de-açúcar. Como a cana-de-açúcar, que é dura e tem muitos nós, a vida está cheia de dificuldades. Nunca se permita ser oprimido por dificuldades. Supere as vicissitudes da vida com paciência e desfrute a bem-aventurança doce do Divino. Assim como a cana é esmagada e seu suco convertido em açúcar mascavo para se desfrutar da doçura permanente desse açúcar, a bem-aventurança duradoura só pode ser obtida pela superação de dificuldades e tribulações. Eu me dirijo aos devotos como Bangaru (Dourados), porque os considero muito preciosos. O ouro não pode ser transformado em uma joia atraente sem a sua transformação através do processo de fusão em um cadinho e de ser golpeado na forma necessária. Desenvolva autoconfiança. Tenha fé firme em Deus. Com fé inabalável, dedique-se ao serviço a seus semelhantes e leve uma vida exemplar. (Discurso Divino, 15 de janeiro de 1992)

No Sankranti, o Deus-Sol começa a sua viagem para o norte, o Uttarayana. Ele viaja para o Himalaia no Norte, a bela morada do Senhor Shiva. O coração deve ser considerado como a morada do Senhor e a visão deve ser transformada para experimentar o Divino. O próprio coração humano simboliza o Himalaia como a morada da pureza e da paz. A viagem do Sol para o norte é um apontador para o caminho que você deve tomar para realizar Deus. Além disso, o Sol é um exemplo supremo de serviço altruísta e incansável. O mundo não pode sobreviver sem o Sol. A vida na Terra só é possível por causa do Sol. Assim, o Deus Sol ensina a cada ser a lição da humilde devoção ao dever com dedicação, sem qualquer presunção. Fazer seu dever é o maior Yoga, diz o Senhor Krishna na Gita. (Discurso Divino, 15 de janeiro de 1992)




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

IOGA É A SUPRESSÃO DAS TRANSFORMAÇÕES DO PRINCÍPIO PENSANTE

Os Ioga Sutras dizem:

"Ioga é a supressão das transformações do princípio pensante". [1]

Isso não pode ser feito de fora para dentro, ou desde a periferia da mente. Tentativas de controlar totalmente a mente desde as suas camadas externas são neuróticas na melhor das hipóteses. A eficiência é obtida quando a capacidade de parar ou movimentar a mente é feita desde o próprio centro do princípio pensante.

Isso depende da pureza do coração.

Um coração puro é aquele nível da mente-e-coração do ser humano que está livre de desejo pessoal.

Quando a alma sente-se totalmente "em casa" na ausência de desejos ou medos de eu inferior, quando a alma deseja apenas a Bondade em si mesma, então a Ioga acontece. E não acontece como uma meta sendo alcançada por algum ser pessoal. Ocorre como a cura de todo sofrimento e como a estabilidade que contém o melhor de qualquer movimento possível.

É percebido como o sentimento de um cachorro velho que volta para perto do seu dono: tudo é feito de paz quando a mente está ao lado do seu mestre, a alma espiritual. Então não é necessário pensar para saber entender todas as coisas.




Carlos Cardoso Aveline 





Fonte: SerAtento@yahoogrupos.com.br
Fonte da Gravura: Tumblr.com

Outros Textos em:
www.FilosofiaEsoterica.com
www.TeosofiaOriginal.com
www.VislumbresDaOutraMargem.com




Nota:

[1] Sutra 2 da Seção ou Livro um, em "Ioga Sutras de Patanjali". Uma das melhores edições disponíveis é “The Yoga Sutras of Patanjali”, with translation, Introduction, Appendix, and Notes based upon several authentic commentaries, by Manilal Nabhubhai Dvivedi, Published by Tookárám Tátyá for the Bombay Theosophical Publication Fund, 1890, 107 páginas.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O QUE SÃO MANTRAS ?


                                                 Shantipatah, invocação de paz

Literalmente, mantra significa instrumento do pensamento. Os sons mântricos são o melhor instrumento para limpar a mente e desintegrar os condicionamentos. Mas a repetição de um som não é um fim em si mesmo. Ela se faz em função dos resultados: estabilidade do pensamento e expansão da consciência. Enquanto os sons comuns são manifestações da Shakti, o poder da natureza, os mantras são expressões concentradas desse mesmo poder, forças criativas que agem diretamente sobre a consciência.

Se você se observar no dia a dia, irá reparar que em muitos momentos fica sob tensão, com a consciência atenta apenas ao exterior e um diálogo interior, um ruído constante na mente, como um rádio que não desliga. Esse ruído de fundo forma a paisagem interior, o substrato das experiências mentais. Não é possível mudar essa paisagem apenas querendo calar a mente. Precisamos usar a ferramenta adequada.

Os mantras nos ensinam a separar-nos das experiências e influências externas, nos levam para o silêncio e nos abrem o espaço interior. Eles reestruturam os conteúdos subconscientes, predispõem a mente para meditar e nos conectam com o oceano da consciência-energia. Um mantra é um corpo sonoro que desencadeia vibrações sutis e poderosas no organismo.

O Yoga utiliza diferentes fórmulas sonoras para levar o praticante a estados modificados de consciência. Esses estados de expansão não se atingem unicamente usando os sons. É preciso igualmente prestar atenção ao significado desses sons. Esses significados variam, mas todos aludem ao mesmo princípio. Cada mantra simboliza um dos aspectos do Universo. Diz o estudioso Mircéa Éliade:

“Um mantra é um ‘símbolo’, no sentido arcaico do termo: é ao mesmo tempo a ‘realidade’ simbolizada e o ‘signo’ que simboliza. Existe uma correspondência oculta entre, por uma parte, as letras e as sílabas (…) e os órgãos sutis do corpo humano, e, por outra, entre esses órgãos e as forças latentes ou manifestas no cosmos.”

O poder do mantra está em que ele pode transformar-se, por meio da repetição correta, no objeto que representa. A cada estado de realização corresponde um som determinado, que é a sua semente: por exemplo, o mantra Om induz à identificação com o Purusha, o Si Mesmo, a Alma do Universo. O mantra Om namah Shivaya, à aproximação com o arquétipo de Shiva, etc. Dessa forma, através das diversas vibrações sonoras do universo, assimilam-se diretamente conhecimentos e experiências essenciais para atingir os estados supraconscientes.


Texto extraído das páginas 250 a 252 do livro Yoga Prático, de Pedro Kupfer.




Pedro Kupfer





Fonte: Ekadanta Yoga
http://www.ekadantayoga.com.br/
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terça-feira, 25 de março de 2014

QUAL É O FUTURO DO YOGA?

O desenvolvimento tecnológico moderno, crescente e ilimitado, nos põe face a face com o poder humano frente ao domínio da natureza. Somos cada vez mais senhores das comunicações à distância, das conquistas espaciais, do aproveitamento racional do tempo, da juventude prolongada e da morte adiada. Parece que nossa ambição de conquistas tecnológicas desconhece qualquer limite. Temos a nosso favor todos os frutos desse desenvolvimento. Podemos nos comunicar com pessoas de todas as partes e de diferentes culturas do mundo e ter acesso a qualquer tipo de conhecimento através da internet. Temos uma indústria farmacêutica gigante que alivia nosso sofrimento físico e que promete aliviar também o nosso sofrimento psíquico. Suplementos alimentares garantem um equilíbrio nutricional perfeito para o funcionamento do nosso organismo. As intervenções médicas são cada vez mais especializadas e a busca pela cura de doenças, antes fatais, nos dão esperança do prolongamento da nossa existência.

O Ocidente é mestre no desenvolvimento de tudo aquilo que tende a facilitar a vida humana e economizar o tempo, tornando-o mais produtivo. Ou seja, busca-se mais resultado do trabalho com menos esforço e tempo. E assim a humanidade se desenvolve. Por que então praticar Yoga neste mundo tão rápido, pragmático e imediatista?

Talvez porque o mundo moderno seja o mundo das contradições. A depressão é o mal do século que, ironicamente, convive lado a lado com uma intensa e extravagante indústria do entretenimento e do lazer, movida pela busca incessante de um eterno estado de euforia. A pergunta é: “por que não estamos felizes?”. Se dependêssemos apenas de pílulas para garantir nossa felicidade, estaríamos plenamente satisfeitos, pois o “trio maravilha”, ou seja, prozac, viagra e xenical, nos aliviariam das dores da alma, das dificuldades sexuais e nos garantiria o corpo de modelo, tão sonhado e arduamente almejado pela maioria dos pobres mortais.

Diz o velho ditado que, se não encontramos nosso caminho (nosso sadhana) pelo amor, o encontramos pela dor. O “trio maravilha”, ou a “santíssima trindade” da modernidade, parece que realmente não está dando conta do recado. Parece que existe algo mais que a eterna busca pelo dinheiro, pelos bens materiais, pelo status profissional, pelo corpo perfeito, pelos prazeres dos sentidos, pela juventude infinita.

Estamos em Kali Yuga, era do declínio espiritual. Enquanto a ciência avança a passos largos em todas as esferas do saber humano, o sofrimento psíquico, ou, podemos pensar, o sofrimento da alma, se aprofunda, e nos sinaliza que as aflições humanas não são sanadas com conquistas externas. O desenvolvimento tecnológico e econômico certamente é vital para sobrevivência da humanidade, sobretudo na garantia de condições que possibilitem a existência humana com dignidade e com usufruto total de suas potencialidades na vida terrena. No entanto, os exageros do mundo moderno tendem a nos afastar de nós mesmos.

Yoga busca a nossa evolução enquanto seres humanos. O desenvolvimento externo de nada adianta se não é acompanhado pelo desenvolvimento interno. Yoga, após milênios de existência, adentrou no universo ocidental, e tem, cada vez mais, praticantes e estudiosos entusiasmados com as descobertas interiores desse caminho. A vida moderna parece desumanizar o ser humano, através de relações sociais utilitárias e mecanizadas, permeadas por interesse e pragmatismo. Banalizamos o cotidiano e estamos retirando todos os rituais que os antigos praticavam em respeito à sacralidade da vida. Yoga nos propõe um mergulho em nós mesmos em busca da nossa essência espiritual, que nos leva a reconhecer no outro a existência dessa mesma essência que nos sustenta.

O futuro do Yoga é desafiante, pois trilhar o caminho do auto-conhecimento em um mundo cada vez mais voltado para o auto-desconhecimento pressupõe muito esforço pessoal para manter-se em pé frente às turbulências de Kali Yuga. Estamos diante de um desafio, que nos instiga a harmonizar o progressivo desenvolvimento externo que nos circunda, através dos ganhos e das dificuldades que isso tudo gera, com o nosso crescimento interno, que pressupõe um caminho de interioridade, um recolhimento dos sentidos.





Subhashni Arora




Fonte do Texto: Ekadanta Yoga
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quinta-feira, 6 de março de 2014

O QUE É SÁBIO ESPERAR DO YOGA?


Damos toda a razão a quem pretender com o Yoga melhorar suas condições físicas e psicológicas. Você poderá colher tais frutos. Seu corpo remoçará, como o desejo. Os sinais de decadência física, própria da idade avançada, seguramente serão retardados ou substituídos pelos aspectos juvenis que dão encanto às pessoas moças. As adiposidades desaparecerão. A cor rosada e sadia brilhará em seu rosto. As linhas elegantes, o tórax desenvolvido, a harmonia dos gestos, o porte ereto, tudo enfim que embeleze a figura, se encontram a seu dispor. No plano psicológico, alcançará, concomitantemente, outras tantas vantagens. Ao tratar de cada asana e de cada pranayama, em "Autoperfeição com Hatha Yoga" e em "Yoga para nervosos", fiz referência à vantagens terapêuticas. Essas referências foram retiradas de tratados respeitáveis bem como de minha experiência com milhares de casos.

Tão flagrantes e seguros são os proveitos do Yoga que atraíram uma infinidade de aficionados no mundo todo. Como você e eu, homens e mulheres, jovens, velhos e de todas as categorias sociais e profissionais se atiram avidamente à prática. Que pretendem?


Propaganda intensa e eficaz tem divulgado o Hatha Yoga. O conhecimento divulgado, no entanto, é de certa forma infiel. O Hatha Yoga tem sido apresentado como uma nova panacéia, capaz de servilmente recompor a saúde e a forma física de quem delas precisa para triunfos mundanos. Artistas de cinema, elementos do "society", pessoas ociosas do mundo ocidental abraçaram o Yoga, que se transformou em passatempo, mania, moda, divertimento, sei lá o que… Evidentemente, uma deturpação lamentável. Tais homens e mulheres, do Yoga só desejam as vantagens, ao mesmo tempo em que se furtam a um austero comportamento e às implicações de ordem espiritual. Verdadeiros tontos, inebriados pelo mais evidente e mais facilmente desejável, praticam Yoga como quem joga um novo tipo de carteado, como quem vai à sauna ou salão de beleza.

Mesmo a essas pessoas o Yoga faz bem, no plano físico. Não faz todo o bem que poderia fazer, no entanto, em virtude de não atuar mais profundamente no plano psicoespiritual. O que um diletante consegue, praticando asanas por motivos esportivos ou estéticos, é muito menos do que lucraria, se, a par de fazer as técnicas, também amasse o próximo, ajudasse os outros e se comportasse com alta dignidade. A saúde e plástica de uma estrela de cinema naturalmente melhoram com os exercícios, mas muito menos do que se ela transformasse sua vida numa permanente oferenda a Deus. Os frutos mais doces da árvore do Yoga só podem ser colhidos nos ramos mais altos e mais tenros, portanto verdadeiramente impraticáveis àqueles cujo egoísmo pesa uma tonelada. Refiro-me às realizações, às experiências e as vivências mais transcendentes e libertadoras. Os diletantes se contentam em apanhar as frutas do chão que os pássaros já não querem.

Contam que um tolo, ao comer bananas, devorava as cascas e lançava fora a polpa saborosa. Da mesma forma, as pessoas vaidosas se iludem dizendo que praticam Yoga quando apenas cultivam o impermanente. Algumas chegam mesmo a se dizerem yoguinis, quando apenas se contentam com resultados superficiais.

Se no plano físico o Yoga deturpado apenas oferece vantagens menores, no plano ético-espiritual chega mesmo a ser maléfico e luciferino. Já viu o leitor que alimentar o ahamkara (egoísmo) é a fonte de todos os pecados, de toda a fragilidade, dor e angústia. Ao mesmo tempo causa e efeito da vaidade, da cobiça, da inquietude e das vicissitudes, o ahamkara nos mantém exilados da casa paterna. Tudo o que contribui para engordar e criar apego ao eu superficial; tudo o que vier a criar novas ilusões e grilhões novos; tudo, enfim, que levar a crer que o homem é apenas sua posição social, suas vitórias profissionais ou artísticas, que é um amontoado de lembranças, imagens e ideias; tudo o que fizer o homem considerar-se este frágil arranjo temporário de experiências psico-sociais e moléculas químicas; tudo o que o afastar do objetivo último – a unificação – não passa de perigoso inimigo. O Hatha Yoga, mal utilizado, pode ser esse inimigo.

Ora, é certo que morreremos. É certo que somos sujeitos à doenças, acidentes, envelhecimento e dor. Por mais miraculoso que seja o Hatha Yoga, não nos salva dessas coisas. Aliás, elas não são males. São naturais. “A doença é o aluguel que pagamos por morar no corpo”, lembra Ramakrishna. Os sofrimentos são-nos não só naturais, mas também necessários. Por que nos perturbarmos quando ele nos chegar e por que dele tentar fugir? É ainda o muito amado Ramakrishna que nos ensina: “É preciso esquentar o ferro várias vezes e martelá-lo muito tempo, antes que ele possa tornar-se aço temperado. E só então é possível dar-lhe a forma que se deseja e dele fazer uma espada cortante. Da mesma forma, um homem deve passar várias vezes pela fornalha das tribulações, deve ser batido pelas perseguições do mundo antes de tornar-se humilde, puro e capaz de ascender à presença de Deus”.

Qual a atitude mais sábia que se deve manter, na doença e em face do envelhecimento? Temê-las? Tentar fugir?

Devemos cumprir tudo o que é possível e razoável, a fim de preservar a saúde e as energias da mocidade. Não devemos, entretanto, fazer nossa felicidade depender de tais coisas. Não devemos desesperar ao cairmos doentes. Não convém entregarmo-nos ao abatimento quando perdemos cabelos ou notamos rugas no rosto. A Sabedoria Universal ensina que só o espírito é eterno. Só ele pode servir de alicerce à nossa felicidade.

“Todo aquele, pois, que ouve essas minhas palavras e as observa será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela não caiu, pois estava edificada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve essas minhas palavras e não as observa será comparado a um homem néscio, que edificou a sua casa sobre a areia. Desceu a chuva, vieram os ventos e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e foi grande a sua ruína.” (Mateus 7:24)

Edifiquemos, portanto, a nossa sobre a rocha eterna do espírito.

Há os que se dedicam ao Yoga em busca de siddhis, isto é, poderes psíquicos. É uma outra forma de desvirtuar o Yoga e de colher desenganos. A ninguém é lícito brincar de aprendiz de feiticeiro. Essas pretensões são antinaturais e ainda distraem o discípulo de seu objetivo verdadeiro. Disse Krishna a Arjuna: “Podeis estar certo de que um homem que se esforça para obter os poderes psíquicos não realiza Deus. O exercício desses poderes implica o ahamkara, o egoísmo, que é um obstáculo no caminho da realização.”

Quero que o leitor entenda que, se com a prática do Hatha Yoga aspira a lucros mundanos e ligados ao ahamkara, isto é, lucros egoísticos, estará acumulando futuras decepções e perdendo terreno na grande tarefa de sua existência: a libertação, o Reino dos Céus, o “regresso”…

No Hatha Yoga, como em tudo, devemos comportar-nos segundo o preceito evangélico: “Procurai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, e todas as outras coisas vos serão dadas de acréscimo”.

Se as praticamos com essa disposição, só teremos proveito e nenhum dano.

“Se conhecerdes o Único, podereis tudo conhecer. Os zeros que se colocam depois do algarismo 1 tornam-se centenas de milhares. Mas se apagardes esse algarismo 1, nada restará.” (Ramakrishna)

Saúde, beleza, energia, poderes ocultos, eficientes realizações mundanas, tudo enfim que o Hatha Yoga proporciona, são apenas zeros. Zeros e mais zeros enfileirados não fazem mais do que zero, se não forem precedidos pelo “1” da realização do Yoga, ou Integração.


Prof. José Hermógenes




Texto (originalmente publicado na década de 1960) extraído das páginas 203 a 206 da 38ª edição, de 1998, do livro Autoperfeição com Hatha Yoga, e digitado por Cristiano Bezerra em 10 de abril de 2001.




Fonte do Texto: EKADANTA YOGA
http://www.ekadantayoga.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/r%c3%a3s-cogumelos-personagens-divers%c3%a3o-1175798/


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