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sexta-feira, 24 de julho de 2026

A LEI DE CONSEQUÊNCIA E O NOSSO DIA A DIA


A Lei de Consequência, ou Lei de Causa e Efeito (1), é uma das Leis de Deus, é a lei da justiça, que decreta que o que semeamos, colheremos.

O que somos, o que temos, todas as nossas boas qualidades são o resultado do nosso trabalho no passado e, portanto, nossos talentos. O que nos falta, física, moral ou mentalmente, é por não termos aproveitado certas oportunidades no passado ou por não as termos vivenciadas, mas em algum momento, em algum lugar, outras se apresentarão para nós e recuperaremos o que perdemos.

Quanto às nossas obrigações e dívidas para com os outros, a Lei de Consequência também trata disso. O que não pode ser resolvido em uma vida acontecerá nas futuras. A morte não anula as nossas obrigações, assim como indo para outra cidade não pagamos as dívidas que contraímos aqui.

A Lei do Renascimento (2) proporciona um novo ambiente, mas nele existem velhos inimigos. E, às vezes, os conhecemos, porque quando conhecemos algumas pessoas pela primeira vez, sentimos como se as conhecêssemos de algum lugar. Isso ocorre porque o Ego (3) rompe o véu da carne e reconhece um velho amigo. Quando, pelo contrário, encontramos uma pessoa que nos inspira medo ou repúdio, é uma mensagem do nosso Ego, que nos alerta contra um inimigo de antigamente. A Lei de Consequência está operando continuamente.

A partir do momento do nascimento, as forças que foram acionadas em vidas anteriores e ainda não se esgotaram, passam a atuar na criança e em seus veículos. Todos os velhos amores e ódios vêm à tona. Antigos inimigos se apresentam, para que o Ego possa traçar com eles seu destino e transformá-los em amigos. Amigos anteriores ajudam o Ego trabalhando com ele para benefício mútuo.

Assim nos aproximamos lenta, mas irresistivelmente, da era da Amizade Universal. Através da Lei de Consequência, aprendemos que cada ato tem a sua responsabilidade correspondente e que cada força que pomos em movimento deve ter o seu efeito correspondente.

Se, por negligência ou egoísmo, causamos sofrimento ou dolo aos outros, fatalmente, a Lei de Consequência trará condições semelhantes em uma data mais remota, e assim compreenderemos a injustiça de agir dessa forma. Se não aprendemos a lição, teremos mais experiências e cada vez mais duras, até que finalmente faremos o esforço necessário e então obtenhamos o poder do autocontrole.

Os Ensinamentos Rosacruzes sobre a vida nos mostram que o mundo que nos rodeia nada mais é do que uma Escola de experiências – a Escola da Vida –, mas atrelada a solução nas inseparáveis Leis ​​de Consequência e Renascimento. Que assim como mandamos a criança para a escola dia após dia, e ano após ano, para que ela aprenda cada vez mais e, à medida que avança nas diferentes séries da escola até a universidade, o mesmo acontece com a gente, como Filho de Deus, entra na Escola da Vida. Mas numa vida mais ampla, onde para cada um de nós em cada dia escolar é para nós uma vida terrena, e a noite entre os dois dias letivos corresponde ao "sono" após a morte na vida mais ampla de cada um de nós.

Veja que numa escola há muitas séries. Onde as crianças mais velhas que frequentam a escola há muito tempo têm de aprender lições muito diferentes daquelas aprendidas pelas crianças pequenas que frequentam o “jardim de infância”.

Da mesma forma, na Escola da Vida, aqueles que ocupam altos cargos, sendo dotados de grandes faculdades, são os nossos Irmãos Maiores, e os retardatários são aqueles que mal frequentam as primeiras séries escolares. O que eles são, nós seremos, e todos acabarão por chegar a um ponto em que serão mais sábios do que os mais sábios que conhecemos agora.

Se os atos que praticamos forem construtivos e respeitarmos os direitos dos outros, então na vida futura nasceremos em condições que nos trarão sucesso e felicidade.

Se, pelo contrário, cedermos às nossas paixões, nossos desejos, sentimentos ou as nossas emoções inferiores, sem consideração pelos outros, ou se formos insolentes, preguiçosos e descuidados, certamente, renasceremos em condições e entre pessoas que farão da nossa vida um fracasso, e que nos trarão muitos sofrimentos. Através destes fracassos, porém, aprenderemos onde erramos em vidas anteriores e saberemos o que precisamos fazer para remediar o passado.

Assim, aplicando a nossa força de vontade na solução do problema, obteremos sucesso, e a Lei de Consequência, a partir desse momento, funcionará a nosso favor, e não contra nós.

Que as rosas floresçam em vossa cruz!


Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/desenvolvimento-evolu%C3%A7%C3%A3o-projeto-2001855/


Notas deste Blog:

(1) Carma ou Karma e ainda Ação e Reação em outras tradições.
(2) Reencarnação em outras tradições.
(3) Espírito, Alma, Eu Superior, Self etc. em outras tradições.

sábado, 7 de dezembro de 2024

SENTIDO DA PALAVRA CARMA


Sempre que agimos, desencadeamos inevitavelmente certas forças que, também inevitavelmente, produzirão determinados efeitos. É esta ideia de uma relação de causa e consequência que está contida, originalmente, na palavra “carma”. Depois é que o termo foi tomando o sentido de pagamento por uma transgressão cometida.

Na realidade, podemos dizer que o “carma” (no segundo sentido do termo) se manifesta sempre que um ato não é executado na perfeição – o que acontece quase sempre! Mas o homem deve fazer tentativas, exercitar-se, para atingir a perfeição. Enquanto for desajeitado e cometer erros, terá de corrigir-se, reparar os erros; para isso, evidentemente, terá de penar, de sofrer.

Perguntar-me-eis: «Mas então, se ao agirmos nós cometemos obrigatoriamente erros, mais vale não fazermos nada.» Alguns apresentaram esta filosofia, mas ela não é uma boa solução, porque, se nada se fizer, nada se aprenderá. É preferível agir, enganar-se e sofrer, esforçando-se por imprimir diariamente aos seus atos, às suas palavras, aos seus sentimentos e aos seus pensamentos, cada vez mais bondade, pureza e desapego. Pouco a pouco, deixareis de sofrer consequências dolorosas, já não tereis carma. Vivereis cada vez mais com alegria, na plenitude, e a isto chama-se “dharma.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-whee-carma-andando-ouro-993855/

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

A NATUREZA DO SOFRIMENTO E A LEI DO CARMA


Assim como a evolução dos seres orgânicos se verifica segundo um conjunto de leis (lei da gravidade, do eletromagnetismo, da hereditariedade, da seleção natural etc.), também a evolução dos Espíritos se dá segundo leis de diferentes naturezas, desconhecidas da ciência oficial e, paulatinamente, reveladas pela doutrina espírita.

Kardec denominou esse conjunto de princípios de lei natural, afirmando que é a única necessária à felicidade dos homens e que apenas sofremos quando nos afastamos dela. (O Livro dos Espíritos, item 614) O progresso se dá pelo cumprimento da lei natural, que se encontra estabelecida na consciência do homem. (O Livro dos Espíritos, item 621) O bem consiste em nos identificarmos com ela, o mal em desconsiderarmos seus princípios. O bem traz consigo o melhoramento do ser e a aquisição de faculdades nobres que nos aproximam de Deus. O mal, ao contrário, provoca a paralisação dessa marcha, o embotamento das forças do Espírito e a inserção em experiências educativas, que muitas vezes, são dolorosas. Há, portanto, uma sanção à infração da lei natural.

Em decorrência de uma atitude humana equivocada segue-se, como visto, uma resposta da lei divina, que se dá, a princípio, na consciência do Espírito faltoso. Essa resposta pode ser examinada do ponto de vista qualitativo e quantitativo.

Sob o aspecto qualitativo, parece ser uma resposta mais ou menos padronizada. O pensamento espírita admite que cada um é punido naquilo em que pecou. Esta afirmação dos Espíritos veio em resposta ao questionamento de Kardec: se da análise das vicissitudes da vida corpórea se possa induzir quanto ao gênero da existência anterior. Kardec parece ter entendido que sim, que o tipo de sofrimento guarda relação de intimidade com o tipo de ação cometida em existência pretérita. Pode-se deduzir isso pelo seguinte comentário de Kardec:

[...] a natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem esclarecer acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos dos atos de um culpado pelo castigo que lhe inflige a lei. (O Livro dos Espíritos, item 399)

Ao voltar ao assunto, em outra obra, Kardec é ainda mais explícito, ao afirmar que:

[...] pela natureza dos sofrimentos da vida corpórea pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anteriores existências. (O céu e o inferno, parte I, cap. 7)

Examinando a lei de causa e efeito agora sob o aspecto quantitativo, é natural indagar-se: havendo Espíritos de diversos graus, o bem e o mal seriam os mesmos para todos eles? Kardec preocupou-se com essa questão e perguntou aos Espíritos se são absolutos, para todos os homens, o bem e o mal. A essa indagação, seguiu-se a resposta:

A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende principalmente da vontade que se tenha de praticá-lo. O bem é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade. (O Livro dos Espíritos, item 636)

No item seguinte, Kardec insiste no tema, perguntando se o selvagem que, cedendo ao seu instinto, se nutre de carne humana é culpado? Na resposta, os Benfeitores reafirmam o que disseram:

[...] tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz. (O Livro dos Espíritos, item 637)

Diante do pensamento dos Benfeitores, Kardec comenta:

As circunstâncias dão relativa gravidade ao bem e ao mal. Muitas vezes, comete o homem faltas que, nem por serem consequência da posição em que a sociedade o colocou se tornam menos repreensíveis. Mas, a sua responsabilidade é proporcionada aos meios de que ele dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos. (O Livro dos Espíritos, item 637)

Pode-se concluir, portanto, que do ponto de vista quantitativo erros equivalentes nem sempre receberão da lei uma resposta de igual intensidade. Vários fatores se relacionam a uma atitude equivocada, sob o aspecto da culpabilidade, atenuantes uns, agravantes outros.

A própria definição de ato moral, que é o objeto de estudo da ética filosófica, relaciona a atitude em si mesma com as suas motivações e com a intenção de fazê-la. Os atos morais são atos humanos conscientes e voluntários dos indivíduos que afetam outros indivíduos, determinados grupos sociais ou a sociedade em seu conjunto. O ato moral se apresenta como uma totalidade de elementos: motivo, intenção ou fim, decisão pessoal, emprego de meios adequados, resultados e consequências. Sendo, então, um ato consequencial livre, ele só pode ser considerado como tal, e passível de punição, se for cometido livremente por alguém consciente do que está fazendo. Ato cometido sob absoluta pressão, que não deixa ao agente a possibilidade de não fazê-lo, não é considerado como passível de responsabilidade.

O Livro dos Espíritos estabelece, então, que a lei natural culpabiliza os erros humanos segundo dois parâmetros: a intenção e o grau de conhecimento que se tenha em relação ao cometido. (O Livro dos Espíritos, item 954)

Do ponto de vista da intenção, vê-se que, muitas vezes, erros de consequências danosas são cometidos por pessoas bem intencionadas (o que obviamente atenua sua responsabilidade), e, de forma diversa, o desejo do mal, às vezes, não se concretiza apenas por falta de oportunidade, o que não deixa de ser um erro.

Por outro lado, a ignorância pode atenuar uma falta. No entanto, o desconhecimento nem sempre pode desculpar a falta por completo, pois a ausência de conhecimento, em muitas ocasiões, se dá por descaso ou indolência.

Não se pode desculpar aquele que alega não conhecer o erro, quando a possibilidade de conhecê-lo encontrava-se à sua mão. Como regra geral, a culpabilidade diante de uma falta é diretamente proporcional ao progresso intelectual amealhado, pois este lhe dá a verdadeira medida do que foi feito e das possíveis consequências do ato praticado.

Em resumo: a atitude equivocada lesa a mente, e a partir daí, se desencadeia a resposta imposta pela lei natural. Podemos então aventar a hipótese de que a energia psíquica gerada pelo ato criminoso terá um poder lesivo diferente, relacionado ao contexto em que foi perpetrado e proporcional aos dois fatores previamente citados: intenção e conhecimento.

Vejamos a seguinte metáfora: em uma parede são desferidos tiros com armas de calibres distintos. Todos os tiros estarão danificando a parede, mas o grau de dano será proporcional à energia de impacto decorrente do tamanho da bala e da potência da arma. Uma espingarda de “chumbinho” talvez apenas danifique a pintura, mas um tiro de canhão vai destruí-la por completo. Acreditamos que o mesmo se dê com os atos humanos. Atitudes criminosas cometidas por indivíduos em fase primária da evolução humana serão como tiros de “chumbinho”. A mesma atitude cometida por indivíduos em condição evolutiva superior serão como tiros de canhão.




Ricardo Baesso de Oliveira




Fonte: do livro "O Sentido da Reencarnação"
EVOC – Editora Virtual O Consolador, 2020
Londrina-PR
Fonte da Gravura: https://cdn.mensagenscomamor.com/content/images/m000484897.jpg?v=1&w=463&h=410