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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

O DOM DA GRAÇA DIVINA


A conversão espiritual está fora do nosso controle. Esta mudança completa de consciência não pode ser alcançada através do nosso esforço, pois a recebemos como um presente da graça divina.

Muitas vezes a jornada espiritual se apresenta de forma linear, silenciando primeiro o corpo e depois a mente, para que possa ser alcançada pela graça do espírito. Contudo, não se trata de etapas progressivas, mas sim de níveis simultâneos que se sobrepõem e se aprofundam. Nós nos movemos através deles, como se estivéssemos em espiral, e eles nos permitem vislumbrá-los enquanto praticamos o silêncio.

(...) é comum que, no início desta jornada espiritual, sintamos uma súbita compreensão profunda, uma lembrança da nossa verdadeira natureza, um vislumbre de uma dimensão maior e um afastamento da preocupação com a realidade superficial. Lembremo-nos que a “Luz” já vive em nós. Já estamos “iluminados”. “Viemos da Luz, do lugar onde a própria Luz teve a sua origem, onde habitou. Nós somos seus filhos” (Evangelho de Tomé, 50). Os primeiros Padres da Igreja chamavam a isto o momento de “conversão” ou “metanoia”, uma mudança de coração e de mente, uma conversão perspicaz que permite que a memória do nosso verdadeiro “eu” se manifeste mais claramente ao longo do tempo.

Isso nos permitirá superar o limiar entre os diferentes níveis de percepção. Quando entramos no nosso ser interior, o nosso Eu, através da meditação, deixamos para trás a nossa inteligência racional, as nossas emoções e as nossas percepções sensoriais e agimos puramente a partir de uma faculdade superior à razão: a nossa inteligência intuitiva. Este é o nosso elo e meio de comunicação com o Divino. O “eu” não é mais afetado pelos acontecimentos externos da nossa vida e está livre para nos ajudar com suas intuições e visões. Esses insights podem chegar até nós após o silêncio da meditação, em sonhos e através de outras maneiras que nosso eu espiritual encontra para nos alcançar.

O impulso para alcançar a “metanoia” é muitas vezes um momento de crise ou um grande evento que ocorre em qualquer fase das nossas vidas em que a realidade aparentemente segura e imutável em que vivemos é subitamente abalada de forma desconcertante. Por exemplo, quando sentimos rejeição por parte de uma pessoa ou grupo, quando enfrentamos o fracasso ou perdemos a autoestima, ou quando perdemos o emprego ou a nossa saúde piora repentinamente. O resultado deste evento pode ser a recusa em aceitar a mudança ou cair num estado de negatividade, desconfiança e desespero.

Pode acontecer também que, ao percebermos que a realidade não é tão imutável como acreditamos, enfrentemos o desafio de olhar para nós mesmos, para o nosso ambiente, para as nossas opiniões e para os nossos valores com outros olhos.

Nesse momento, a cadeia formada por todos os nossos condicionamentos, pensamentos, memórias e emoções é quebrada e assim nos sentimos livres, sem obstáculos, no Aqui e Agora, no momento eterno. Então, por um momento, somos capazes de ver a Realidade como ela é. Vemos o significado desta percepção na experiência de Maria Madalena. Após a crucificação de Jesus, ela se aproxima do túmulo e o encontra vazio. Ela fica perturbada e envolvida por sua própria dor e tristeza. Quando Jesus aparece diante dela, ela fica tão dominada pela dor que não consegue ver a realidade. Ela não reconhece Jesus e acredita que ele é o jardineiro. No momento em que Jesus chama seu nome, sua visão turva da realidade – condicionada por suas emoções – se rompe e ela vê Jesus, ela vê a verdadeira realidade.

Este momento nem sempre é tão dramático. Nossa consciência perceptiva varia muito de uma pessoa para outra e também de um momento para outro. Há pessoas que vivenciaram um momento de “transcendência”, uma consciência de uma realidade diferente, uma fuga da prisão do “ego”, enquanto ouvem uma bela peça musical, leem uma bela poesia ou ficam encantados com uma obra de arte.

Outras pessoas podem nunca ter tido plena consciência destes momentos de insight e, ainda assim, em algum nível de percepção, sempre estiveram “despertas” para a existência de uma realidade superior e, sem saber, estão se tornando mais sintonizadas com esta realidade. É comum que ao iniciarmos a meditação experimentemos uma sensação de paz e alegria que começa a borbulhar dentro de nós. Momentos como estes, quando estamos livres da preocupação consigo mesmo, são dádivas divinas.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 30 de agosto de 2016

VISÃO E ROTINA NO CAMINHO BUDISTA

Todas as atividades humanas podem ser vistas como uma interação entre dois fatores contrários, mas igualmente essenciais: a visão e a rotina repetitiva. A visão é o elemento criativo na atividade, cuja presença assegura que as condições estabelecidas, as quais nos pressionam desde o passado, dêem ainda margem a uma abertura para o futuro, uma liberdade para discernir os fins significativos e descobrir caminhos mais eficientes para atingir estes fins. A rotina repetitiva, ao contrário, provê o elemento conservador na atividade. É o princípio que assegura a persistência do passado no presente, e que possibilita às conquistas bem sucedidas no presente serem preservadas intactas e serem transmitidas fielmente para o futuro.

Apesar de atraírem para direções opostas - uma em direção à mudança, e a outra em direção à estabilidade - visão e rotina se mesclam em variadas formas, e dentro de todo curso de ação ambas participam em alguma medida. Para que qualquer ação em particular seja ao mesmo tempo significativa e efetiva, a conquista de um equilíbrio saudável entre as duas é necessária. Quando um fator prevalece às custas do outro, as consequências são invariavelmente indesejáveis. Se ficarmos presos em um ciclo repetitivo de trabalho que nos priva de nossa liberdade de inquirir e entender, logo nos tornaremos atolados, totalmente envoltos pelas correntes da rotina. Se, por outro lado, nos envolvemos em ideais elevados, mas carecemos da disciplina para implementá-los, eventualmente nos encontramos voando em sonhos, ou exaurindo nossas energias em objetivos frívolos. Somente quando as rotinas habituais recebem um influxo de visão que venha de dentro é que elas se tornam um trampolim para a descoberta, ao invés de rotinas destruidoras. E somente quando a visão inspirada dá nascimento a um curso de ações que podem ser repetidas é que nós podemos trazer nossos ideais da esfera etérea de nossa imaginação para o sombrio reino dos fatos. Foi necessário somente um flash de gênio para Michelangelo conceber a figura de Davi, invisível no bloco de pedra sem forma, mas foram precisos anos de treinamento anterior e incontáveis batidas do martelo e do cinzel para construir o milagre que nos legou esta obra de arte.

Estas reflexões sobre o relacionamento entre a visão e a rotina aplicam-se com igual validade na prática do caminho buddhista. Como todas as outras atividades humanas, seguir o caminho da cessação do sofrimento requer que a compreensão inteligente das novas facetas da realidade seja fundida com a disciplina paciente e estabilizadora da repetição. O fator da visão entra no caminho sob o título de “compreensão correta”, como o entendimento das verdades não-distorcidas relacionadas à nossa existência, e como a penetração continuada destas mesmas verdades, através do aprofundamento da contemplação e da reflexão. O fator da repetição entra no caminho como a árdua tarefa imposta pela própria prática: a necessidade de seguir modos específicos de treinamento, e cultivá-los diligentemente na sequência prescrita até que eles tenham o seu fruto. O curso do crescimento espiritual ao longo do caminho buddhista pode ser de fato concebido como uma sucessão alternada de duas fases: numa, o elemento da visão é predominante; na outra, o elemento da rotina. É um flash de visão que abre o nosso olho interior para o significado essencial do Dhamma; o treinamento gradual que torna a nossa compreensão mais segura e que estimula a ter ainda mais visão, a qual impulsiona a prática em direção à sua culminação no conhecimento final. Mesmo que a ênfase se alterne, estando ora numa ora noutra fase, o sucesso derradeiro no desenvolvimento do caminho sempre termina com uma visão equilibrada entre a visão e a rotina, de tal modo que cada uma dá sua contribuição máxima.

Entretanto, pelo fato de nossas mentes estarem condicionadas a se fixar sobre o novo e o diferente, nossa prática pode adquirir uma ênfase de um só lado, sobre a visão, às custas da rotina repetitiva. Ficamos, assim, excitados pelas expectativas concernentes aos estágios do caminho muito além de nosso alcance, enquanto que, ao mesmo tempo, tendemos a negligenciar os estágios mais baixos - os quais se encontram exatamente sob nossos pés. Adotar tal atitude, entretanto, é esquecer o fato crucial de que a visão sempre opera sobre a rotina estabelecida previamente, e deve por sua vez dar surgimento a novos padrões de rotina adequados à conquista de seu objetivo desejado. De modo que, se pretendermos acabar com a separação que existe entre o ideal e o fato - entre o objetivo de nosso esforço e a experiência vivida de nosso dia-a-dia - é necessário prestarmos uma maior atenção à tarefa da repetição. Cada pensamento sadio, cada intenção pura, cada esforço em treinar a mente representa um potencial para o crescimento ao longo do Nobre Caminho Óctuplo. Mas, para que se transformem de mero potencial em um poder ativo que leve ao fim do sofrimento, as passageiras formações mentais positivas devem ser repetidas, incentivadas e cultivadas até se tornarem qualidades duradouras de nosso ser. Apesar de tênues na sua individualidade, quando estas forças são consolidadas pela sua repetição, elas adquirem uma força que é invencível.

A chave para o desenvolvimento ao longo do caminho buddhista é a rotina repetitiva guiada pela visão inspirada. É o insight que leva à liberdade final - a paz e a pureza de uma mente liberta - que nos levanta e nos impele a superar nossos limites. É pela repetição - o cultivo metódico de práticas sadias - que conseguimos acabar com a distância que nos separa do nosso objetivo e nos aproximamos cada vez mais da libertação.




Venerável Bhikkhu Bodhi







Fonte: capítulo do livro “Pensando o Buddhismo”
Edições Nalanda, 2000
"Visão e Rotina" também foi publicado na Newsletter nº 3, Inverno de 1985
Tradução: Equipe Nalanda por Ricardo Sasaki
Fonte da Gravura: Tumblr.com

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

OUVINDO A SI MESMO - SEM ESFORÇO - COM LIBERDADE - SEM PENSAMENTO - ALÉM DO RUÍDO DAS PALAVRAS - SEM BARREIRAS - COM CALMA

Enquanto estou aqui lhe ouvindo, parece que compreendo tudo, mas quando estou fora daqui, não compreendo, mesmo que eu tente aplicar o que você disse.

Você está ouvindo a si mesmo, e não ao orador. Se estiver ouvindo ao orador, ele se torna seu líder, seu meio de compreensão – o que é um horror, uma abominação, pois assim você estabeleceu uma hierarquia de autoridade. Então, o que você está fazendo aqui é ouvir a si mesmo. Você está olhando para o quadro que o orador pinta, que é seu próprio quadro, não o do orador. Se isto estiver muito claro, que você está olhando para si mesmo, então você pode dizer, “Bem, eu estou me vendo como sou, e não quero fazer nada sobre isto” e é o fim disto. Mas se você diz, “Eu vejo a mim mesmo, e deve haver uma mudança”, então você começa a trabalhar a partir de sua própria compreensão o que é inteiramente diferente de aplicar o que o orador está dizendo. Mas se, conforme o orador fala, você está ouvindo a si mesmo, então, a partir desse ouvir há clareza, há sensibilidade; a partir desse ouvir a mente fica saudável, forte. Não obedecendo nem resistindo, ela fica viva, intensa e é apenas tal ser humano que pode criar uma nova geração, um novo mundo.

Você está me ouvindo agora; não está fazendo esforço para prestar atenção, está apenas ouvindo; e se houver verdade no que você escuta, perceberá uma mudança notável acontecendo em você – uma mudança que não é premeditada ou desejada, uma transformação, uma completa revolução em que só a verdade é mestre e não as criações de sua mente. E se me permite sugerir, você deve ouvir a tudo desse modo – não apenas ao que eu estou dizendo, mas também ao que outras pessoas dizem, aos pássaros, ao apito de uma locomotiva, ao barulho do ônibus passando. Você descobrirá que quanto mais você ouve a tudo, maior é o silêncio, e esse silêncio, então, não é quebrado pelo barulho. Só quando você resiste a alguma coisa, quando está colocando uma barreira entre você mesmo e aquilo que você não quer ouvir, só então é que existe luta.

Quando você faz esforço para ouvir, está ouvindo? Esse próprio esforço não é uma distração que impede o ouvir? Você faz um esforço quando ouve uma coisa que o alegra?... Você não está cônscio da verdade, nem vê o falso como falso, enquanto sua mente estiver ocupada de algum modo com o esforço, com comparação, com justificação ou condenação. O ouvir em si é um ato completo; o ato de ouvir traz sua própria liberdade. Mas estamos realmente interessados em ouvir, ou em alterar o tumulto interior? Se você ouvisse... no sentido de estar cônscio de seus conflitos e contradições sem forçá-los em nenhum padrão particular de pensamento, talvez eles pudessem cessar completamente. Veja, estamos sempre tentando ser isto ou aquilo, chegar a um estado particular, capturar algum tipo de experiência e evitar outro, então a mente fica sempre ocupada com alguma coisa; ela nunca está imóvel para ouvir o ruído de suas próprias lutas e dores. Seja simples... e não tente se tornar uma coisa ou capturar uma experiência.

Ouvir não é uma arte fácil, mas nela há grande beleza e compreensão. Nós ouvimos com as várias profundidades de nosso ser, mas nosso ouvir é sempre com uma preconcepção ou a partir de um ponto de vista particular. Nós não ouvimos simplesmente; há sempre a barreira da interferência de nossos próprios pensamentos, conclusões e preconceitos. Para ouvir deve haver uma quietude interior, uma liberdade da tensão de adquirir, uma atenção relaxada. Este estado passivo, mas alertado é capaz de ouvir o que está além da conclusão verbal. Palavras confundem; elas são apenas o meio exterior da comunicação, mas para comungar além do ruído das palavras, deve haver no ouvir uma passividade alertada. Aqueles que amam podem ouvir; mas é extremamente raro encontrar um ouvinte. A maioria de nós busca resultados, metas atingidas; estamos para sempre superando e conquistando, e assim não há ouvir. Apenas no ouvir pode se escutar a canção das palavras.

Eu não sei se você já ouviu um pássaro. Ouvir alguma coisa demanda que sua mente esteja quieta – não numa quietude mística, mas apenas quietude. Eu estou lhe dizendo algo, e para me ouvir você tem que estar quieto, não ter todo tipo de ideias buzinando em sua mente. Quando você olha para uma flor, você olha para ela, não dá nome nem classifica, não diz que pertence a determinada espécie; quando você faz estas coisas, deixa de olhar para ela. Assim, estou dizendo que uma das coisas mais difíceis é ouvir – ouvir ao comunista, ao socialista, ao congressista, capitalista, qualquer um, sua esposa, seus filhos, seu vizinho, o motorista do ônibus, o pássaro – apenas ouvir. Só quando você ouve sem a ideia, sem pensamento, você está diretamente em contato; e estando em contato, você compreenderá se o que ele está dizendo é verdadeiro ou falso; você não tem que discutir.

Como você ouve? Você ouve com suas projeções, através de sua projeção, através de suas ambições, desejos, medos, angústias, escutando apenas o que quer escutar, apenas o que vai ser satisfatório, o que vai gratificar, o que dará conforto, o que aliviará seu sofrimento por um momento? Se você ouve através da barreira de seus desejos, então, obviamente, ouve sua própria voz; está ouvindo seus próprios desejos. E existe alguma outra forma de ouvir? Não é importante descobrir como ouvir não só ao que está sendo dito, mas a tudo – ao ruído das ruas, ao chilrear dos pássaros, ao ruído do bonde, ao mar agitado, à voz de seu marido, sua esposa, seus amigos, ao choro do bebê? Ouvir tem importância apenas quando não se está projetando os próprios desejos através dos quais se escuta. Pode a pessoa deixar de lado todas estas barreiras através das quais se ouve, e realmente ouvir?

Você já sentou silenciosamente, não com sua atenção fixada em alguma coisa, não fazendo esforço para se concentrar, mas com a mente muito quieta, realmente imóvel? Então você escuta tudo, não escuta? Escuta os ruídos distantes assim como os mais próximos e aqueles que estão muito perto, os sons imediatos; o que significa realmente que você está ouvindo tudo. Sua mente não está confinada a um estreito e pequeno canal. Se você puder ouvir assim, ouvir com calma, sem tensão, descobrirá uma grande mudança acontecendo em você, uma mudança que chega sem sua vontade, sem seu pedido; e nessa mudança há uma grande beleza e profundo insight.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O LAMPEJO DE COMPREENSÃO

Eu não sei se você notou que há compreensão quando a mente está muito quieta, mesmo por um segundo; há o lampejo da compreensão quando a verbalização do pensamento não existe. Apenas experimente isto e verá por si mesmo que você tem o lampejo da compreensão, essa extraordinária rapidez do insight, quando a mente está muito imóvel, quando o pensamento está ausente, quando a mente não está oprimida por seu próprio ruído. Então, a compreensão de qualquer coisa - de um quadro moderno, de uma criança, de sua esposa, seu vizinho, ou a compreensão da verdade, que está em todas as coisas - só pode chegar quando a mente está muito imóvel. Mas tal imobilidade não pode ser cultivada porque se você cultiva uma mente imóvel, não é uma mente imóvel, é uma mente morta. Quanto mais você está interessado em alguma coisa, quanto mais sua intenção de compreender, mais simples, clara, livre está a mente. Então a verbalização cessa. Afinal, pensamento é palavra, e é a palavra que interfere. É a tela das palavras, que é memória, que intervém entre o desafio e a resposta. É a palavra que está respondendo ao desafio, o que chamamos de intelecção. Então, a mente que fica tagarelando, que fica verbalizando, não pode compreender a verdade - verdade na relação, não uma verdade abstrata. Não existe verdade abstrata. Mas a verdade é muito sutil. Como um ladrão na noite, ela chega obscuramente, não quando você está preparado para recebê-la.




J. Krishnamurti




Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/