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sábado, 2 de abril de 2022

COMPROMISSOS ASSUMIDOS ANTES DE REENCARNAR


Certas almas, que atingiram um determinado grau de evolução, no momento de encarnarem na Terra assinam um contrato: comprometem-se, perante as entidades celestes, a cumprir uma missão e prometem desenvolver faculdades e virtudes que já possuem, a fim de ajudarem e esclarecerem os humanos. Qualquer que seja a forma que essa promessa assuma, ela pode ser resumida assim: pôr as suas qualidades, as suas possibilidades espirituais e materiais, ao serviço dos outros.

Contudo, como a encarnação de uma alma é um processo de descida à matéria no qual ela esquece o que viveu no alto, ao chegar à Terra ela já não tem consciência do compromisso que assumiu. Mas, depois, à medida que o tempo vai passando, sente-se trespassada por sensações, impressões, pensamentos e aspirações de uma natureza particular, inicialmente de maneira fugidia, depois de forma cada vez mais precisa. Isso manifesta-se por uma tendência para praticar determinada atividade, para exercer determinada profissão. É aquilo a que chamamos vocação. Assim, certas pessoas sentem que devem responder a um tipo de apelo e é-lhes impossível não o fazer, de uma forma ou de outra: elas têm a certeza de que, da sua orientação, vai depender não só o seu crescimento pessoal, o sentido da sua vida, mas também o destino de muitos outros seres humanos.

Aqueles que sentem que têm uma missão a cumprir não devem hesitar: uma vez que se comprometeram com as entidades celestes a semear aqui em baixo, a deixar registos para que outros se beneficiem da sua passagem pela Terra, devem cumprir o seu compromisso. Esses seres podem evidenciar-se em diferentes domínios: filosofia, literatura, ciências, espiritualidade, arte, política; mas, em cada caso, eles têm uma missão a desempenhar junto dos seus irmãos humanos. Mesmo que não tenham uma consciência explícita de que estão a desempenhar uma missão que aceitaram previamente, o Céu faz com que eles se sintam aí no seu elemento, quaisquer que sejam as dificuldades que encontrem pelo caminho.

É claro que existe sempre a possibilidade de eles se afastarem da sua via e cederem a certas tentações, ao ponto de já nada existir neles que possa lembrar-lhes as promessas que fizeram. Já houve grandes espíritos, Iniciados, que esqueceram a sua missão e se perderam numa outra via. É uma das dificuldades da vida espiritual: conseguir lembrar-se, ainda que de forma confusa, da promessa feita e pôr tudo em ação para a cumprir, sabendo desmascarar as pessoas e as situações que podem representar perigos, pois no caminho dos seres mais evoluídos são colocadas ciladas de todo o tipo.

É esse o significado do episódio que, nos Evangelhos, relata como o diabo veio tentar Jesus, apresentando-lhe todas as vantagens e satisfações da Terra. Evidentemente, esta passagem é simbólica.

Como se poderia acreditar que tais tentações foram vencidas no decurso de uma pequena conversa com o diabo? Essa conversa representa os incontáveis combates que, mesmo um Iniciado, um grande Mestre, deve travar contra todas as entidades tenebrosas que se instalaram nele, no seu corpo físico e nos seus corpos astral e mental, a fim de as expulsar. Só assim ele poderá desempenhar verdadeiramente a sua missão.

Vós direis: «Mas, então, as almas que descem à Terra não têm todas uma missão a cumprir? Algumas vêm encarnar-se sem um destino particular?» É preciso compreender: todos os seres humanos são filhos de Deus e isso impõe-lhes obrigações. Mas as almas não atingiram todas o mesmo grau de evolução, muitas são ainda fracas, inexperientes; elas descem para se instruir, para se aperfeiçoar; de momento, é esse o seu único verdadeiro dever e não se lhes pode confiar grandes responsabilidades. Assinar um compromisso com o Céu pressupõe que se compreende aquilo que se terá de enfrentar e que se é livre de executar essa tarefa. Ora, a maior parte das almas não tem essa liberdade e, quando chega o momento de elas descerem à Terra, não são consultadas acerca da família, da sociedade ou do país onde gostariam de se encarnar; o destino coloca-as onde merecem estar, segundo a lei da justiça.

Podereis pensar que esta forma de tratar essas almas é cruel e que Deus, que as criou, deveria ser mais generoso. A Justiça divina responder-vos-á que as colocou onde elas devem estar e que, se elas tiverem aprendido o que devem aprender, numa próxima encarnação serão tratadas de uma forma diferente.

Quando os filhos são ainda crianças, os pais consultam-nos sobre o que têm de fazer por eles? Não, eles alimentam-nos, lavam-nos, vestem-nos, enviam-nos à escola ou levam-nos de férias sem lhes perguntarem a sua opinião. Eles esperam que os filhos cresçam para os questionarem e terem em conta o que eles pensam ou desejam.

As almas muito evoluídas têm uma certa liberdade, que adquiriram pelo trabalho que fizeram ao longo de encarnações sucessivas. Uma alma pode, pois, aceitar ou recusar a missão que lhe é proposta.

É-lhe perguntado, por exemplo: «Para ires auxiliar tal ou tal povo, aceitas encarnar-te naquele país, onde deverás viver em condições difíceis e onde te esperam grandes sofrimentos?» E mostram-lhes essas condições, que são, muitas vezes, a pobreza, a fome, a ausência de liberdade, a violência, pois essa alma deverá partilhar as condições de vida de todos os outros. Mesmo que aquele que aceita esse compromisso seja um príncipe, uma princesa, não lhe estará reservado um status privilegiado.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte do texto e gravura: do livro "Nas Fontes Inalteráveis da Alegria", parte do cap. VII, O Compromisso Assumido para com as Entidades Celestiais
Publicações Maitreya - Porto, Portugal
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A VIDA QUOTIDIANA

Deus deu-nos a vida, mas, para estarmos verdadeiramente vivos, não devemos ficar sem fazer nada. Depende de nós reforçar a vida que recebemos, torná-la mais bela, mais sutil. A vida tem uma infinidade de graus. Aqueles que permanecem nos seus graus inferiores só podem comunicar com as realidades que estão ao seu nível. Eles cortam interiormente a ligação com a Fonte divina e esse corte dá-lhes pouco a pouco a sensação de que nada tem sentido, para eles já não existe um poder superior que governa o universo, quer se lhe chame Deus ou um outro nome. Quando se fica com a sua consciência num nível tão baixo, como é que se pode captar alguma coisa das realidades sublimes, como é que se pode sentir regozijo com a existência de Deus? Não se sente Deus nem em si próprio nem no exterior de si. Para se sentir a vida divina, primeiro é preciso divinizar a sua própria vida. Só a vida divina em nós pode despertar os centros espirituais que nos permitirão sentir a presença de Deus em nós, em todos os seres e em todas as coisas.

A vida quotidiana é como uma corrente que vos arrasta, por vezes sem terdes o tempo e a possibilidade de vos aperceberdes da direção para a qual ela vos arrasta. É por isso que estais continuamente a deixar-vos “apanhar” por todo o tipo de atividades e compromissos que, no momento, vos parecem úteis, razoáveis; mas, algum tempo depois, apercebeis-vos de que perdestes muito tempo e muita energia para obter poucos resultados. Isto não quer dizer que deveis dedicar-vos exclusivamente a trabalhos espirituais. Na realidade, qualquer atividade pode ser benéfica, mas só se tivestes a precaução de vos agarrar bem a um alto ideal, a uma filosofia divina. No dia em que aprenderdes a construir em vós mesmos algo de sólido, de estável, em torno desse centro que é o vosso espírito, todas as vossas atividades, até as vossas distrações, contribuirão para alimentar a vida em vós. O espírito que habita num ser não rejeita o seu fígado, os seus intestinos ou os seus pés, com o pretexto de que eles não são tão nobres como ele. Tudo está no seu lugar e o espírito serve-se de tudo, mas permanece no centro. E é porque o espírito permanece no centro que esse ser está vivo.





Omraam Mikhaël Aïvanhov






Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

FIÉIS AOS COMPROMISSOS

Antes de decidirdes servir um ideal, vós sois livres, mas, uma vez tomada essa decisão, já não o sois: desencadeastes um movimento e é suposto que vos mantenhais fiéis ao vosso compromisso. Sabendo isso, alguns pensarão que é preferível para eles não se comprometerem e assim preservarem a sua independência... Têm esse direito. Mas devem saber que a independência, tal como eles a compreendem, só lhes trará decepções e provações. Então é que eles se sentirão verdadeiramente aprisionados. Outros dirão que a ideia de servir um ideal os enche de entusiasmo, mas sabem que são fracos e receiam tropeçar no caminho. Responder-lhes-ei que as quedas não são assim tão graves. Eles levantar-se-ão e procurarão entender por que caíram, e depois, fortalecidos com essa experiência, na próxima vez saberão melhor triunfar sobre as suas fraquezas. Na medida em que se permanece no bom caminho, mesmo tendo escorregadelas, atinge-se o objetivo. Imaginai que deveis atravessar uma floresta densa para irdes ter com uns amigos: por certo ireis hesitar aqui e ali, mas, se tiverdes uma bússola para manter a direção, acabareis por chegar ao fim. E é preferível hesitar para chegar ao fim do que não empreender nada com medo de ter de fazer esforços.




Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: http://www.imageafter.com/