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sábado, 12 de setembro de 2026

EPIGÊNESE - NOVOS CAMINHOS


(...) Quando a necessidade de progresso do ser humano esbarrava em algum obstáculo ou problema aparentemente sem solução, o gênio inventivo, a criatividade, inovavam em algum campo de atividade humana, encontrando o caminho salvador.

Esse dom de criar algo novo, original, recebe o nome de Epigênese. É uma faculdade inerente a todo indivíduo, mas ainda pouco desenvolvida. Essa capacidade criadora é um traço de identidade entre Deus e o ser humano, porque ambos criam.

Max Heindel, em sua obra "Conceito Rosacruz do Cosmos", no capítulo que trata da "Involução, Evolução e Epigênese" diz o seguinte: "Em todo o transcurso da evolução, através dos Períodos, Globos, Revoluções e Raças, aqueles que não melhoram, por não formarem novas características, ficam para trás e começam imediatamente a degenerar. Só os que permanecem plásticos, flexíveis e adaptáveis podem modelar novas formas, apropriadas à expressão da consciência que se expande. Só a vida capaz de cultivar as possibilidades de aperfeiçoamento, inerentes na forma que anima, pode evolucionar com os adiantados de qualquer Onda de Vida. Todos os outros ficam atrasados”.

“É esta a medula do Ocultismo. O progresso não é um simples desenvolvimento, nem tampouco Involução e Evolução, há um terceiro fator, a Epigênese, que completa a tríade”.

“As primeiras duas palavras são familiares a todos os que estudaram a vida e a forma. Admite-se, geralmente, que a Involução do Espírito na matéria tem o objetivo de construir a forma, mas não se reconhece tão comumente que a Involução do Espírito corre paralela à Evolução da Forma”.

“Desde o princípio do Período de Saturno até a Época Atlante, quando 'os olhos do ser humano foram abertos' pelos Espíritos Lucíferos, as atividades do ser humano (ou força vital que se converteu em humano) era dirigida principalmente para dentro. Essa mesma força que agora o ser humano emprega ou irradia para construir estradas de ferro e vapores, empregava-se internamente para construir um veículo através do qual pudesse manifestar-se. Esse veículo é tríplice, analogamente ao Espírito que o construiu. A forma evolui construída pelo Espírito. Durante essa construção, o Espírito involui até que, nela penetrando, parta para a própria evolução. Os melhoramentos ou aperfeiçoamentos da forma são resultado da Epigênese”.

“Logo, o poder que o ser humano agora emprega para melhorar as condições externas foi empregado durante a Involução com propósito de crescimento interno”.

“Há forte tendência em considerar tudo o que existe como resultado de algo que foi. Olha-se a Evolução como simples desenvolvimento de perfectibilidades germinais. Tal concepção exclui a Epigênese do esquema das coisas, não concede possibilidade alguma de construir-se algo novo, nenhuma margem para a originalidade”.

“O ocultista crê que o propósito da evolução é o desenvolvimento do ser humano desde um Deus estático a um Deus dinâmico, um Criador. Se o desenvolvimento que atualmente efetua constituísse a sua educação, e se o seu progresso representasse simplesmente a expansão de qualidades latentes, onde aprenderia a criar?”

“Se o desenvolvimento do ser humano consistisse unicamente em aprender a construir formas cada vez melhores, de acordo com os modelos já existentes na mente do seu Criador, na melhor das hipóteses poderia converter-se num bom imitador, mas nunca num criador”.

“Para tornar-se um criador original e independente é necessário, no seu exercitamento, que tenha suficiente margem de emprego da sua originalidade individual. É isso que distingue a criação da imitação. Conservam-se certas características da forma antiga, necessárias ao progresso, mas em cada novo renascimento a vida evolucionante acrescenta tantos aperfeiçoamentos originais quanto sejam necessários para sua expressão ulterior”.

Vê-se, pois, que sem o emprego da faculdade epigenética o progresso do ser humano, em qualquer campo de atividade, seria uma impossibilidade. Quando deixa de ser ativa nas pessoas, nações, raças e instituições, a evolução cessa, começando daí a degeneração. Todo processo de cristalização na natureza representa a ausência de novos caminhos. A decadência das grandes civilizações principiou pela estagnação de seus valores básicos. A não renovação de suas estruturas, aliada a recusa em reciclar sua cultura, acabou por provocar a degeneração. Isso sempre ocorreu, seja no sentido individual, seja no coletivo.

Os veículos do Espírito também se aperfeiçoam pela Epigênese. As correções e as inovações começam na região dos arquétipos, ou seja, na Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento. A tendência de um veículo, como o Corpo Denso por exemplo, é tornar-se cada vez mais sensível, maleável e responsivo às vibrações espirituais. Esse progresso ocorre porque vimos constantemente aperfeiçoando nossos veículos.

(...) Os antropoides, são o resultado da degeneração de corpos humanos que perderam a sensibilidade. Os seres que usam esses corpos pertencem à nossa Onda de Vida, teoricamente ainda têm chances de progresso. Mas isso só acontecerá se derem um salto gigantesco em sua evolução, a ponto de poderem habitar corpos mais aperfeiçoados, abandonando em definitivo essas formas degeneradas.

É uma lei natural: Nenhum ser pode habitar corpos mais eficientes do que ele seja capaz de construir. Quanto mais uma pessoa avança e trabalha nos seus veículos, mais poder tem para construir uma nova vida.

(...) Estamos sujeitos a poucas ou muitas limitações na vida atual, determinadas por dívidas contraídas em encarnações passadas. Mesmo assim temos certa margem de livre-arbítrio para desencadearmos novas causas. Gerando assim um novo destino. Não somos obrigados a errar. (...)

O processo da Epigênese é uma forma de transmutação. E isso explica porque certos presidiários reformam-se, tornando-se úteis à sociedade, enquanto outros mantém suas tendências criminosas; ou então, como pessoas com deficiências físicas desenvolvem certas habilidades, tornando-se vitoriosas em alguma atividade. O Espírito pode criar fases verdadeiramente novas de sua individualidade.

O gênio representa a manifestação epigenética no mais alto grau e isso não se explica pela hereditariedade. O gênio expressa sua genialidade não só por sua proficiência artística, intelectual ou profissional, mas principalmente pela sua criatividade. Esta é a diferença entre a competência e a genialidade.

Às vezes, a Epigênese se manifesta unilateralmente. E o caso de artistas que, embora talentosos, deixam muito a desejar moralmente entregando-se à bebida, aos tóxicos ou ao sexo. O talento pode lhes ser retirado temporariamente em vidas futuras, até que decidam a regenerar-se.

Geralmente o autodidata em algum ramo artístico ou profissional tende a ser criativo porque foge dos limitadores padrões acadêmicos. As pessoas criativas podem revolucionar (no mais puro sentido da Palavra) algum campo de atividade. Não raro isso lhes traz sofrimento porque seu trabalho inovador dificilmente será compreendido, além do que constitui uma ameaça aos padrões já estabelecidos naquela área particular. Eles re-evolucionam, isto é, dão novo impulso a evolução. Imagina-se, erroneamente, que revolucionar significa derrubar algo já consolidado.

Thomaz Edison certa vez foi posto para fora do escritório de um financista, em Nova York. O homem de negócios, indignado, afirmou-lhe grosseiramente, que jamais financiaria a produção em escala industrial daquelas “invenções malucas”. Bell foi chamado de louco pela imprensa norte-americana quando anunciou a invenção do aparelho telefônico. Júlio Verne encantou o mundo com suas obras de ficção. Ficção? Hoje, quanto coisa tornou-se realidade.

Goethe modificou profundamente o teor das lendas que envolviam a figura do doutor Fausto, mago, astrólogo e quiromante do século XVI, dando-lhe, epigeneticamente, profundidade esotérica. Esse poema, uma obra-prima da literatura universal, conta a história do ser humano no afã de encontrar o divino em si mesmo.

Leonardo Da Vinci, para citar um exemplo mais distante no tempo, expressou uma exuberância epigenética incomum. Sua figura humana aproximou-se, como nenhum outro, daquele imaginário homem universal. Foi pintor, escultor, matemático, arquiteto, urbanista, físico, astrônomo, engenheiro, naturalista, químico, geólogo e cartógrafo. Suas obras tais como“Anunciação”, a “Virgem dos Rochedos”, a ”Monalisa”, constituem parte do patrimônio artístico da humanidade. Como urbanista, seu projeto para a cidade de Milão foi algo admiravelmente revolucionário. Eliminou as muralhas, traçou canais de esgotos, ruas superpostas para pedestres e pistas livres para veículos. As casas seriam amplas e ventiladas. Haveria praças e jardins. E tudo isso no final do século XV.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos esclarecem, e a própria história da civilização nos confirma, que se caminhamos até o estágio atual de desenvolvimento é porque fizemos uso da devida faculdade epigenética. Exercitar esse dom é encontrar Deus dentro de si mesmo.



Fonte: Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’
Fraternidade Rosacruz-SP- maio/1986
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/digital-corredor-tecnologia-rede-10173013/

sábado, 24 de janeiro de 2026

LEVAR AS CARGAS UNS DOS OUTROS (Gl 6,2)


Uma pessoa me perguntou como se pode conciliar a lei do carma com as palavras: "Levai as cargas uns dos outros" (Gl 6,2) que significam que se deve carregar o peso dos erros de outrem.

Esse problema aparece frequentemente nas mentes humanas; queria explicá-lo.

As palavras "Levai as cargas uns dos outros" são uma tradução inexata, pois deveria ser: ajudem-se uns aos outros a levar suas cargas.

Cada um de vocês, antes de encarnar, escolheu seu condicionamento na vida, isto é, suas limitações, seu ambiente etc. Durante o processo da descida à matéria, vocês esqueceram e agora, devido às dificuldades em que se encontram, diversas dúvidas e temores os assaltam. Sofrendo, mesmo os melhores entre vocês, começam a duvidar da sabedoria divina. Dizem: "Se Deus existe, por que me faz sofrer tanto? Como, nessas condições, posso acreditar na justiça divina?".

À medida em que o homem avança em idade, começa a compreender um pouco mais da Sabedoria Divina.

Tomemos, como ilustração, o caso de um homem que possui um querido companheiro: um animal que lhe deu muito amor e trouxe muita alegria. Chega o tempo em que o animal envelhece ou adoece e o dono sabe que nada pode fazer para que melhore. O animal não é mais feliz e o dono pergunta se deveria abreviar-lhe a vida ou esperar o seu fim natural. O homem, na ignorância da Sabedoria Divina e vendo o estado do animal, decide abreviar-lhe a vida. Sem dúvida, é uma ação humanitária, mas, por outro lado, é uma interferência no carma do animal. Se fosse permitido que sua vida continuasse um pouco mais, não haveria necessidade do retorno do animal para as mesmas condições.

Algo de parecido acontece com vocês. Foram vocês mesmos que, para progredir mais, escolheram o próprio condicionamento, seu conjunto de amigos. Antes de descer à matéria, tomaram conhecimento e aceitaram os sofrimentos e aflições que deveriam encontrar na vida. Aceitaram, talvez, um veículo que possuiria em si a semente de alguma fraqueza, de alguma doença física ou defeito. Aceitaram-no como meio de pagar dívidas, pagar o preço de velhos erros. Portanto, é importante que agora possam, com paciência, suportar suas dificuldades. No entanto, encarnando e esquecendo isso, acham, amiúde, que sua carga está pesada demais e procuram libertar-se dela. O Senhor, que vigia a alma que luta contra seu destino, poderia mudar tudo, mas conhece a razão daquele sofrimento e, com amor e sabedoria, não lhe tira a carga, mas fortalece aquela alma para que possa tudo suportar. Assim, ela se liberta desse determinado carma.

O homem precisa, às vezes, de muita fé, de uma grande firmeza para superar tais dificuldades. Sentindo a amizade, a simpatia e a participação sincera de um outro ser, ele suportá-las-á mais facilmente e não se atrasará na natural evolução. A gentileza, os sentimentos e as ações fraternais entre os humanos fortalecem as almas e assim elas se ajudam mutuamente a carregar seu peso.

Se seu semelhante estiver doente, usem toda sua capacidade para curá-lo, mas sempre com o pensamento: se tal for a Vontade Divina!... Submeter sua própria vontade à Divina, é o primeiro passo na direção de alcançar o poder de curar. Não fiquem desanimados se seus esforços não parecem trazer resultados; procurem transmitir ao doente a convicção de que, com o tempo, ele glorificará Deus. Toda a doença pode ser curada se, pela perfeição do seu amor para com Deus, o doente venceu qualquer temor. E, também, nenhum toque mágico de um ser superior curará um doente antes que este alcance o estágio, em que a cura seja permitida e que ele seja receptivo ao toque.

A estada do homem na Terra é curta, e, durante sua vida, ele está sendo instruído e vigiado. Em certos períodos, deve renunciar a várias coisas em vários planos, mas, com o tempo, chega à compreensão de que, tudo quanto acontece, trabalha para o bem. Sua abnegação cresce à medida que cresce a alma.

Somente uma alma nova é impaciente e rebela-se contra qualquer limitação. Uma alma que adquiriu experiência e sabedoria sabe que os obstáculos que encontra são necessários para que adquira a paciência, a perseverança ou qualquer outra qualidade, da qual carece. Em cada estágio de progresso, o homem cria para si determinados obstáculos. Superando-os, passa ao estágio seguinte, e neste aparecem novos obstáculos. Todos devem ser vencidos e reabsorvidos.

Quando as lições forem aprendidas, os obstáculos serão removidos e, quanto mais a alma lutou, maior paz alcançará; tornar-se-á livre de encarnar ou não, segundo sua vontade, e, mesmo encarnando, não esquecerá as lições aprendidas.

O homem que possui a sabedoria faz tudo que pode, para ajudar um ser amado a alcançar um estado superior de evolução. Ele não perdeu a capacidade de sofrer por um ser amado, mas sabe ser impessoal.

No momento em que a pessoa sofre, Deus lhe parece estar bem longe; no entanto, Ele sempre está dentro do ser humano, participando da sua dor e fortalecendo-lhe a alma.

A paciência e a coragem nas provações ajudam mais a evolução do que outras qualidades. Lembrem-se disso quando as dificuldades surgirem na sua vida. Para alguns dentre vocês, o ano passado foi muito difícil e, observando-os, vejo que sua Luz tornou-se mais clara. Compreendam, também, que cada um pode aprender, compartilhando com as lições de outrem, participando delas com amor e sabedoria. São uma só família e, o que afeta um, deveria afetar também o outro. Façam sentir essa união aos que sofrem. No amor não há separação.


K. Barkel / I-Em-Hotep



Fonte: do opúsculo "Fragmentos do Ensinamento de I-Em-Hotep"
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista
Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/l%c3%a3-de-madeira-madeira-1186917/

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

LIMITAÇÕES E PONTOS DE VISTA


A maioria das pessoas só pensam em si: no que lhes convém, no que não lhes convém, no que ganham, no que perdem... É por nunca terem querido sair do seu ponto de vista que são tão cegas em relação às realidades da vida. Avaliam tudo, medem tudo e pronunciam-se sobre tudo segundo os seus gostos, os seus preconceitos, isto é, a sua natureza inferior, e não sabem até que ponto podem estar, assim, longe da verdade! Enquanto não saírem do seu ponto de vista tão limitado, não conseguirão ver as coisas tal como elas são. E então lá vêm as mentiras, as ilusões, os enganos, os erros...



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 3 de junho de 2020

REALIDADE ETERNA DA VIDA


Toda a tradição cristã nos diz... que, caso nos tornássemos sábios, deveríamos aprender a lição de que aqui não temos “nenhuma cidade que nos prende”... Mas, a principal fantasia de muitos dos interesses mundanos, opera a partir de um ponto de vista completamente oposto... sabedoria de nossa tradição..., é a de que a consciência de nossa fraqueza física nos permite enxergar, também, nossa própria fragilidade espiritual. Existe uma consciência profunda em todos nós, tão profunda que, frequentemente, permanece enterrada, na maior parte do tempo, de que devemos estabelecer contato com a integralidade da vida e, com a fonte da vida. Devemos estabelecer contato com o poder de Deus e, de alguma maneira, abrir esse nosso frágil vaso terreno ao amor eterno de Deus...

A Meditação é uma via de poder, pois é o meio de entendermos nossa própria mortalidade. É o meio de nos concentrarmos em nossa própria morte. Ela consegue isso, por ser uma via que segue além de nossa própria mortalidade. É uma via que segue, além de nossa própria morte, até a ressurreição, para uma nova e eterna vida, a vida que nasce de nossa união com Deus. A essência do Evangelho cristão é a de que somos convidados para essa experiência agora, hoje. Todos nós somos convidados a morrer para a nossa própria auto-importância, o nosso próprio egoísmo, nossas próprias limitações. Somos convidados a morrer para nossa própria exclusividade... Nosso convite a morrer, também é o de nascer para a nova vida, para a comunidade, para a comunhão, para uma vida plena e, sem medos. Suponho que seria difícil estabelecer o que é que as pessoas mais temem, a morte ou a ressurreição. Porém, na meditação perdemos nosso medo, pois compreendemos que a morte é morte do medo e, ressurreição é nascer para a nova vida.

Cada vez que nos sentamos para meditar, nos conectamos com esse eixo de morte e ressurreição. Isso se dá, pois em nossa meditação vamos além de nossa própria vida e, de todas as limitações de nossa vida, em direção ao mistério de Deus. Descobrimos, cada um de nós a partir de nossa própria experiência, que o mistério de Deus é o mistério do amor, amor infinito, amor que expulsa todos os medos.

Essa é a nossa ressurreição, elevarmo-nos à completa liberdade que se dá como um alvorecer em nós, uma vez que estejam em foco nossa própria vida e morte e ressurreição. A meditação é o grande meio de focalizarmos nossa vida na realidade eterna que é Deus, a eterna realidade que ali está para ser encontrada em nossos próprios corações. A disciplina de repetir o mantra, a disciplina do retorno diário, pela manhã e à tarde, à meditação, possui esse único e supremo objetivo: o de nos focalizarmos completamente no Cristo, com uma acuidade visual que veja nós mesmos e toda a realidade, como ela é. Ouçamos o que São Paulo escreveu aos Romanos: "Ninguém de nós vive e ninguém morre para si mesmo, porque se vivemos é para o Senhor que vivemos, e se morremos é para o Senhor que morremos. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor". (Rom 14: 7-8)


Dom Laurence Freeman, OSB



Fonte: "Morte e Ressureição" - Leitura de 23/03/2008
MOMENT OF CHRIST (New York: Continuum, 1998), pp. 68-70.
Tradução de Roldano Giuntoli
Comunidade Mundial de Meditação Cristã - www.wccm.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/universo-c%C3%A9u-star-espa%C3%A7o-cosmos-3591579/

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

UMA FUGA MARAVILHOSA

Qual é o ímpeto por trás da busca por Deus, e essa busca é real? Para a maioria de nós, é uma fuga da realidade. Então, temos que estar bem esclarecidos em nós mesmos se esta busca por Deus é uma fuga, ou se é uma busca da verdade em todas as coisas – verdade em nossas relações, verdade nos valores das coisas, verdade nas ideias. Se estamos procurando Deus simplesmente porque estamos cansados deste mundo e de suas misérias, então é uma fuga. Então, nós criamos Deus, e, portanto, não é Deus. O Deus dos templos, dos livros, não é Deus, obviamente – é uma fuga maravilhosa. Mas se tentarmos encontrar a verdade, não em um exclusivo conjunto de ações, mas em todas as nossas ações, ideias e relações, se buscarmos a correta avaliação de alimento, vestuário e abrigo, então porque nossa mente é capaz de clareza e compreensão, quando buscarmos a realidade nós a encontraremos. Não será, então, uma fuga. Mas se estivermos confusos em relação às coisas do mundo – alimento, vestuário, abrigo, relação e ideias – como podemos encontrar a realidade? Podemos apenas inventar a realidade. Então, Deus, verdade, ou realidade, não é para ser conhecida por uma mente que está confusa, condicionada, limitada. Como pode tal mente pensar em realidade ou Deus? Ela tem que primeiro se descondicionar. Tem que libertar a si mesma de suas próprias limitações, e só então ela pode saber o que é Deus, obviamente não antes. Realidade é o desconhecido, e isso que é conhecido não é o real.





J. Krishnamurti






Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 14 de abril de 2014

SERVIR A UM IDEAL

Antes de decidirdes servir um ideal, vós sois livres de fazer o que vos apetece, mas, depois de tomardes essa decisão, já não sois, estais comprometidos: desencadeastes um movimento e é suposto que permaneçais fiéis ao vosso compromisso. Sabendo isso, alguns pensarão que é preferível não se comprometerem para preservarem a sua independência... Têm esse direito. Mas a independência tal como eles a compreendem trará inevitavelmente decepções, provações, e aí é que eles se sentirão verdadeiramente atados de pés e mãos. Outros dirão que a ideia de servir um ideal os enche de entusiasmo, mas que sabem que são fracos e receiam cair pelo caminho. Eu responder-lhes-ei que as quedas não são assim tão graves: eles levantar-se-ão, procurarão entender por que caíram e depois, fortalecidos por essa experiência, na próxima vez saberão melhor como vencer as suas fraquezas. Desde que se permaneça no bom caminho, mesmo que se caia, chega um dia em que se alcança o objetivo. Imaginai que precisais de atravessar uma floresta muito densa e emaranhada para ir ter com uns amigos: certamente ireis tropeçar de vez em quando, mas, se tiverdes uma bússola para manter a direção, acabareis por encontrá-los. É preferível tropeçar para chegar ao objetivo do que não fazer nada com o pretexto de que se conhece as suas limitações.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

terça-feira, 1 de abril de 2014

MÊS DE NISSAN - ENERGIA DE ÁRIES - PESSACH - PÁSCOA

Nissan (Áries) é o primeiro mês da roda astrológica. Este mês também é chamado de Chodesh Aviv. Permutando as letras de aviv podemos construir a frase “pai de doze”, uma referência às 12 Tribos de Israel e aos 12 meses do ano. Tudo o que for feito em Nissan irá influenciar os próximos 12 meses, pois trata-se da semente do ano. A semente requer proteção especial para não ser corrompida. Os 12 primeiros dias nos traz a capacidade de controlarmos cada mês. Na ocasião da saída dos hebreus do Egito, o Eterno determina uma nova contagem do tempo: "Este mês seja para vós princípio dos meses; seja ele (Nissan) para vós o primeiro dos meses do ano.“ (Shemot 12:2)

A lua cheia do mês nos conecta com a totalidade da Luz revelada no período. A lua cheia de Áries abre uma importante fenda no calendário cabalista – Pêssach. Esta celebração está associada ao fato histórico que marca a saída dos hebreus do Egito. Para Cabalá, NÃO SE TRATA DA SAÍDA DE UM LUGAR, MAS SIM DE UM ESTADO DE CONSCIÊNCIA DE ESCRAVIDÃO PARA UM ESTADO DE LIBERTAÇÃO.

A liberdade sem entendimento pode resultar na troca de uma prisão por outra. Este é um momento propício para refletirmos sobre os padrões repetitivos em nossas vidas. Devemos perceber que a liberdade só é possível quando atingimos a verdade sobre as questões pertinentes ao que nos prende. A conexão de Pêssach pode nos trazer o entendimento de nossas limitações e injetar coragem e a determinação necessárias para rompermos com os condicionamentos (muitos deles inconscientes) que limitam o nosso crescimento.

Viver no Egito (Mundo das limitações) é valorizar a forma ao invés do conteúdo, é estar preso a uma realidade ilusória e subjetiva. É achar que “algo” fora determina quem somos ao invés de acreditar que é a nossa natureza interior que molda a realidade ao redor.

Pêssach é uma celebração de oito dias. Na 1ª noite a conexão se estabelece através de um Sêder, um rito onde comemos vários alimentos com significados diferentes. Durante os oito dias desta celebração, eliminamos o fermento (que simboliza o desejo de receber para si mesmo) da nossa alimentação.


LETRAS REGENTES

Áries é o mês do impulso e da liderança. Devemos ficar atentos aos dois aspectos desta energia impulsionadora: o aspecto positivo diz respeito a nossa capacidade de realização e concretização de projetos. O aspecto negativo em Nissan está relacionado à impulsividade, o comportamento reativo e ao desejo de receber para si mesmo que está no seu auge. Controlar estes aspectos negativos na semente da roda astrológica, significa uma grande possibilidade de manter este controle ao longo do ano.

As letras que nos conectam com os aspectos positivos do mês são: Hei e Dalet - ד, ה    

A letra Hei representa Tale, a constelação de Áries. É a quinta letra do alfabeto hebraico, também relacionada ao Tetragrama, onde aparece duas vezes. Hei é uma janela, simbolizando as diversas formas de comunicação. É a janela de comunicação entre os diferentes níveis de consciência, representando as três vestimentas da alma (pensamento, fala, ação) através das quais nos expressamos. Hei é uma letra ligada ao mundo da Criação e ao nível de consciência superior (neshamá), mas encontra-se também no mundo da Ação. É através das nossas ações no Mundo físico que conseguimos despertar este nível de consciência mais elevado.

Dalet representa o planeta Marte e segundo o Sêfer Ietsirá esta letra cria a semente e a desolação. O significado de Dalet é uma porta. Todo portal é um canal de receber. A porta deve estar aberta para aquilo que o Universo quer nos entregar. Marte nos conecta com uma energia guerreira que necessitamos para transformação de coisas essenciais na nossa existência e na nossa vida cotidiana. Desperta a inclinação para superarmos qualquer obstáculo. Os confrontos e desafios são estimulantes, mas temos que tomar cuidado com a impulsividade.

A grande reflexão de Nissan é essa: O QUE ME MANTÉM COMO ESCRAVO? DE QUE QUERO ME LIBERTAR?





Cristina Torres





Fonte do Texto e das Gravuras:
Os Caminhos da Cabala

http://cabalasp.blogspot.com/

domingo, 1 de dezembro de 2013

PARASHÁ VAIGÁSH - ויגש (E SE APROXIMOU) - EXÍLIOS

Gênesis 44:18 – 47:27

A Cabalá ensina que no caminho da espiritualidade existem quatro tipos de exílios: o do Egito, o da Babilônia, o da Assíria e o de Edom. Cada um desses Exílios é um aspecto de escuridão e desconexão de nossa alma.

A porção de Vaigásh nos apresenta ao primeiro exílio que podemos vivenciar, o do Egito, e que, infelizmente, é um dos mais difíceis de todos. Por que motivo? Justamente por ser o primeiro. A primeira vez que nos ferimos sempre dói mais do que nas outras vezes, em que já estamos “calejados”.

Mas o que representa o primeiro exílio, o do Egito? Olhando para o nome hebraico desse país – Mitsráim – podemos ter uma ideia melhor. A raiz da palavra é a mesma de “estreiteza”, “limitação" e "constrição". Assim, a Cabalá ensina que sempre que nos sentimos limitados e sem possibilidades de ação estamos experimentando o mais doloroso dos exílios em nossa vida.

No entanto, todo exílio quando superado pode trazer algo de bom. Pelas leis da natureza (que não deixam de ser leis cabalísticas) é sabido que as forças de constrição atuando sobre um objeto geralmente o tornam mais forte e valoroso. Um carbono que é oprimido se torna diamante; a água, se tiver seu caminho limitado, passa a fluir ainda mais forte do que se tivesse livre vazão.

Assim, embora o exílio seja uma condição difícil pela qual todos podemos passar, não necessariamente ela precisa ser negativa. Através da escuridão de cada um dos exílios podemos encontrar uma luz até então desconhecida em nossa alma.

No caso do Egito, as limitações e sentimentos de opressão podem fazer com que o nosso verdadeiro valor e força venham à tona. Uma vez chegado a esse ponto podemos continuar a jornada metafórica que nos relata a Bíblia: encontramos o nosso Moisés interno, nos desfazemos do jugo da escravidão e saímos livres para poder receber a Torá aos pés do Monte Sinai; nos tornamos um verdadeiro diamante, e uma nova vida se inicia, baseada em conceitos mais elevados da existência.




Yair Alon




Fonte do Texto: http://www.yairalon.com.br
Fonte da Gravura: http://www.culturajudaica.org.br