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sexta-feira, 31 de julho de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


As pressões do dia a dia estimulam e fortalecem minha capacidade de criar uma vida significativa e valiosa. Quando elas extrapolam, paro e reflito sobre maneiras de aumentar minha resiliência. Entendo que ego, apego ou raiva atrapalham minha clareza, assim, invoco as virtudes, os valores e as forças que me ajudarão a passar por tudo.


É importante lembrar que muitas pessoas estão fazendo o possível para viver uma vida decente, baseada em valores. Quando respeitamos, valorizamos e apoiamos o outro, criamos um senso de família e comunidade que pode resistir e superar até mesmo os momentos mais sombrios.


Crie um espaço tranquilo em sua mente - talvez uma cena inspiradora na natureza ou algo belo que o transporte para outro mundo. Faça deste espaço o seu refúgio sempre que precisar de paz e tranquilidade. Relaxe, aproveite e simplesmente seja você mesmo. O espaço interior restaura o espírito e dá esperança para o futuro.


Liberdade e felicidade fazem parte da nossa natureza espiritual original. Com o tempo, nos perdemos, ficando presos em uma teia de ilusões e desejos que causaram sofrimento. Agora é hora de nos libertarmos e sermos felizes. Com o poder da meditação, a clareza é restaurada e podemos voar novamente.


Esperança e amor são o antídoto para o medo e a raiva que assolam o mundo. Conecto-me com minha sabedoria interior, afastando-me da histeria. Assim, posso oferecer uma visão alternativa de paz universal, com a qual todos possam prosperar. No fundo, sabemos que este é um caminho melhor, e um dia o alcançaremos.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/rom%C3%A3-fruta-comida-sementes-6330328/

segunda-feira, 6 de julho de 2026

PENSAMENTO E OBJETIVO


Enquanto o pensamento não estiver ligado a um objetivo não haverá realização inteligente. A maioria das pessoas deixa que o barco do pensamento vague “à deriva” no oceano da vida. A falta de objetivo é um vício, e semelhante deriva deve cessar para todo aquele que quiser desviar-se da catástrofe e da destruição.

Quem não tiver em sua vida nenhum objetivo central, será presa fácil de mesquinhas preocupações, medos, problemas e autopiedade, indícios, todos esses, de fraqueza que levarão, tão certamente quanto pecados deliberadamente planejados (embora por diferentes rotas), ao fracasso, à infelicidade e a perdas, pois a fraqueza não pode perdurar num universo movido pela energia.

Todo homem deve conceber em seu íntimo um objetivo legítimo e se dispor a alcançá-lo. Deverá fazer desse objetivo o ponto central de seus pensamentos. Poderá ter a forma de um ideal espiritual ou de um objeto mundano, mas, conforme seja sua tendência no momento, deverá focalizar firmemente suas forças mentais nesse objetivo ante o qual ele próprio se colocou. Deverá fazer desse objetivo seu dever supremo e dedicar-se à sua consecução, não permitindo que seus pensamentos se dispersem em efêmeras fantasias, anseios e imaginações. Essa é a estrada real que nos leva ao autodomínio e à verdadeira concentração do pensamento. Ainda que por sucessivas vezes deixe de atingir sua meta (o que forçosamente acontecerá até que a fraqueza seja vencida), o fortalecimento que isso trará ao seu caráter será a medida do seu verdadeiro êxito, e lhe dará uma nova perspectiva para futuros poderes e triunfos.

Os que não estão preparados para a apreensão de um alto objetivo devem fixar seus pensamentos no perfeito cumprimento de seus deveres, por mais insignificantes que suas tarefas lhes possam parecer. Só dessa forma podem os pensamentos ser concentrados e focalizados, a resolução e a energia desenvolvidas e, uma vez conseguido isso, não haverá nada que não possa ser realizado.

Acreditando na verdade de que só pelo esforço e pela prática é possível desenvolver a força — a alma mais fraca que conheça sua própria fraqueza começará imediatamente a exercitar-se e, somando esforço a esforço, paciência a paciência, força a força, jamais deixará de crescer até que, por fim, se torne divinamente poderosa.

Do mesmo modo que o homem fisicamente fraco pode tornar-se forte mediante cuidadoso e paciente treinamento, o homem de pensamentos fracos pode revigorá-los exercitando-se na prática do reto-pensar.

Pôr de lado a falta de objetividade e a fraqueza e começar a pensar com um firme propósito, equivale a entrar para a categoria dos fortes que só reconhecem o fracasso como um dos atalhos para a realização; que obrigam todas as contingências a servi-los e que pensam vigorosamente, ousam destemidamente e realizam com maestria.

Tendo determinado a sua meta, o homem deve traçar mentalmente um caminho reto para alcançá-la, seguindo-o sem olhar nem para a direita nem para a esquerda. Dúvidas e temores devem ser eliminados com rigor; eles constituem elementos desintegradores que desviam a linha reta do esforço, tornando-a curva, ineficiente e inútil. Ideias de medo e de dúvida nunca realizam coisa alguma, nem poderiam. Sempre levam ao fracasso. Objetividade, energia, capacidade de realização e todos os pensamentos vigorosos cessam quando a dúvida e o medo se insinuam.

A vontade de fazer brota do conhecimento de que podemos fazer. Dúvida e medo são os grandes inimigos do conhecimento, e quem os encoraja, quem não os destrói, atrapalha-se a cada passo.

Quem derrotar a dúvida e o medo terá derrotado o fracasso. Seu próprio pensamento alia-se à força, e todas as dificuldades são enfrentadas com bravura e vencidas com sabedoria. Seus objetivos são plantados no tempo certo e florescem e dão frutos que não caem prematuramente.

O pensamento aliado com destemor à determinação se transforma em força criativa: quem tiver conhecimento disso estará pronto para tornar-se algo mais alto e mais forte do que um mero feixe de pensamentos vacilantes e de sensações instáveis; quem fizer isso se transforma no manejador consciente e inteligente de suas forças mentais.


James Allen



Fonte: do livro "O Homem é Aquilo que ele Pensa"
Tradução: Gulnara Lobato de Morais Pereira
Ed. Pensamento, 2ª ed., 2016 - São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/caminhada-aventura-escalada-10223379/

quinta-feira, 2 de julho de 2026

MARCAS PSÍQUICAS DISFUNCIONAIS


Chamamos de marcas psíquicas (ou tendências instintivas) disfuncionais (1) os sentimentos perturbadores construídos pelo Espírito (seja na dimensão física e/ou espiritual) que se mantêm ativos na atual existência e que se constituem nas matrizes perispirituais e cerebrais para a instalação de diferentes enfermidades. Algumas marcas psíquicas podem não ter sido construídas por atitudes equivocadas; elas podem se originar pela fixação em situações dolorosas, frustrantes ou ansiogênicas que foram relevantes na história de vida da individualidade e que acabam por construir e alimentar crenças nocivas.

Marcas psíquicas disfuncionais podem funcionar como deflagrador do transtorno na mesma existência em que foi construída. Segundo Gustave Geley (2), a justiça imanente começa a se manifestar frequentemente no curso da mesma vida. Em verdade, o automatismo físico-psíquico, que reflete a Lei de Causa e Efeito, regendo nossos atos, é uma resposta automática do psiquismo humano; como apresentado em O Livro dos Espíritos, as leis de Deus estão escritas na consciência (3).

Essas tendências instintivas disfuncionais poderiam explicar estados mentais típicos em certos indivíduos, como por exemplo: insatisfação permanente, sensação de que falta algo na vida, angústia inexplicável, tristeza permanente quando tudo está teoricamente bem, pouca resiliência diante das dificuldades, descontrole injustificável perante frustrações de pequena monta, relacionamentos afetivos incompletos, necessidade permanente de ser valorizado ou destacar-se perante os outros, abandono sistemático das tarefas assumidas sem explicação razoável, antipatias gratuitas, má vontade sistemática, insegurança. Estes estados mentais precedem a própria enfermidade, ou às vezes se apresentam simultaneamente com ela.

Apesar das marcas psíquicas serem condições frequentes no processo de adoecimento mental, nem sempre elas são suficientes para explicar as condições de enfermidade. Além das marcas, é importante considerar como fator relevante na gênese dos transtornos mentais as construções mentais desfavoráveis mantidas pela pessoa na atual encarnação. Não devemos desprezar ou minorar o valor da conduta moral da personalidade, suas escolhas e atitudes, seu papel perante o outro e perante a vida.

Em certas situações conflituosas, como relacionamentos insatisfatórios, carência afetiva, problemas vocacionais, doenças incapacitantes, situações humilhantes, derrocada econômica ou circunstâncias que geraram um grande sentimento de culpa, o Espírito que não se habilita à superação das provas citadas coloca-se em situação psíquica desfavorável, o que pode contribuir para a instalação do transtorno. No entanto, há situações em que o comprometimento moral ou as marcas psíquicas disfuncionais construídas em outras vidas são tão graves que os transtornos se manifestam precocemente na vida da pessoa, e ela pouco ou nada consegue fazer, ficando à mercê dessas circunstâncias.


Chrystian Barroso Chaves
Ely Edison da Silva Matos
Ricardo Baesso de Oliveira

A mensagem principal do estudo contido neste livro é: os transtornos mentais devem ser entendidos como o resultado da interação complexa de um Espírito com tendências instintivas disfuncionais, corporificado em um dado contexto físico, ambiental e espiritual. Para um entendimento completo, o livro abaixo citado deveria ser lido na íntegra.


Fonte: do livro "Personalidades Enfermas: um Modelo Espírita dos Transtornos Mentais"
EVOC – Editora Virtual O Consolador
Londrina – Paraná – Brasil
www.oconsolador.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fantasia-uivando-dor-c%C3%A9u-estrelado-4065832/


Notas:
(1) Culpa, ódio, desesperança, medo, fixações diversas etc.
(2) Geley, G. Do inconsciente ao consciente, livro II, parte II, cap. 3.
(3) Kardec, A. O livro dos espíritos, item 621.

sábado, 23 de novembro de 2024

PENSAMENTOS PARA REFLEXÃO


Existe sempre uma solução para cada situação. Em silêncio, na consciência de que sou forte, positivo e pacífico, sintonizo-me com a minha sabedoria interior e descubro as respostas que preciso.


O medo é um grande inimigo da humanidade. Ele se manifesta através de comportamentos destrutivos variados, tanto individual como coletivo. É necessário vencê-lo com a coragem de olhar honestamente dentro de mim mesmo e atingir um estado de amor no qual desenraízo as memórias dolorosas, deixando-as ir e perdoando.


Entusiasmo é um dom especial da alma que faz meu coração dançar. Entusiasmo é o combustível que me permite alcançar o propósito de minha vida; ele me dá coragem para superar todos os obstáculos e transformar tempestades em dádivas. Nunca desanimo, continuo feliz, valorizando os presentes cotidianos e inestimáveis da vida.


Há muitos que sofrem. Para poder apoiá-los e ser um benfeitor preciso me conectar a Fonte. Meu coração e minha mente precisam da luz de paz e amor ilimitados. Um olhar amoroso, sorriso amigável ou palavras sábias e inspiradoras podem trazer muito conforto e felicidade a quem precisa.



Brahma Kumaris




Fonte: https://brahmakumaris.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/nascer-do-sol-cais-lago-c%C3%A9u-1634197/

sábado, 23 de julho de 2022

VENDO ATRAVÉS DE NÓS MESMOS


Ouça estas palavras de São Pedro: Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e por cujas feridas foste curado. (1 Pedro 2:24)

A meditação é o grande caminho da purificação. Toda vez que recitamos nosso mantra, nos purificamos, limpamos nosso espírito. O processo de meditação durante toda a vida é a restauração do espírito em seu estado transluminoso natural. Nosso espírito é como um vidro e o que vemos é nosso próprio reflexo. Mas o vidro deve ser lavado e limpo. É como se o outro lado do vidro estivesse coberto com a soma das escórias e trivialidades de uma vida, com todas as imagens que acumulamos.

A meditação é a limpeza do vidro para que, ao olharmos para ele, possamos ver através dele. Vemos a realidade clara, desimpedida por reflexos de nós mesmos. Temos que meditar diariamente, todas as manhãs e todas as noites porque estamos sempre acumulando mais escórias e mais imagens. A maravilha da vida de Jesus e sua mensagem para nós é que nosso espírito precisa ser liberto das limitações. Cada um de nós é chamado ao desenvolvimento ilimitado, à expansão, à liberdade total à medida que nos elevamos em total união com Deus.

A meditação diária é tão importante porque devemos ter certeza de que nosso espírito está sempre limpo, sempre polido. Em última análise – este é o mistério interior de viver nossas vidas e ter nosso ser – que o próprio cristal nos coloca em contato direto com a realidade.

Eu me pergunto por que há tantas pessoas que têm medo de seguir esse caminho. Acho que a razão é porque vivemos na era do medo. O fenômeno extraordinário de nosso tempo é o medo indescritível que atormenta as pessoas. Há tantas pessoas perdidas em suas vidas, sem a ajuda de sinais, sem padrões. Eles vivem em um mundo onde sentem que tudo é aceito, as velhas regras parecem ultrapassadas e os velhos sistemas de pensamento ou teologia são irrelevantes. O resultado é que ficamos com um medo atormentador desenraizado, flutuando onde estamos, sem saber para onde estamos indo.

A meditação é um retorno para nos ancorarmos na realidade essencial. O retorno ao nosso espírito. O retorno à base onde podemos estar em contato direto com a estrutura básica da realidade. Meditação sobre um retorno a Deus. Embora, é claro, não seja um retorno; é um avanço. É a peregrinação à purificação que resulta em não mais sermos presos ou limitados por imagens espelhadas. É de suma importância porque é o caminho que transcende o medo. Ao entrar em contato com nosso próprio espírito e transcender a nós mesmos no mistério de Deus, o medo é deixado para trás.



Fr. John Main, OSB





Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 5 de dezembro de 2021

REFLEXÃO PARA O ADVENTO - O VERDADEIRO FIM É A LIBERTAÇÃO DO MEDO DO FIM


"Disse Jesus aos Seus discípulos: 'Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima. Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, como um laço; pois atingirá todos os que habitam a Terra inteira. Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem.'"

Para além de tudo o mais, os evangelhos são grandes obras de arte, de fato, são supremas obras de arte espiritual. Como acontece com todas a artes, eles refletem o que os seres humanos como nós sentem e iluminam esses sentimentos com perspetivas transformadoras. Pressentimos que eles nos conhecem ainda antes de nós os lermos. Trazem ao campo da consciência aquilo que normalmente permanece nas terras de fronteira não verbal e do não imaginado. Se os escutarmos com sabedoria, tornam o invisível visível. Mas alcançam isto por meio da interação com a nossa interpretação. Não são mágicos nem nos tratam de forma infantil. Se apenas tomarmos as palavras e as imagens de maneira literal, perdemos a oportunidade de espreitar por trás da tela e, como Daniel, "observar as visões da noite". Usemos as próximas quatro semanas para encontrar estas forças da sabedoria a que chamamos os evangelhos, duma nova forma mais íntima.

Ao iniciarmos o Advento, um tempo reservado pela ancestral sabedoria litúrgica para nos preparar para uma verdadeira celebração do Natal, começamos por ser apresentados a uma série de profecias apocalípticas. Hoje em dia, acostumamo-nos ao que parecem ser mensagens de desgraça e de trevas relativamente às previsões da mudança climática, à corrupção financeira, às guerras e às tragédias sofridas pelas famílias refugiadas, cruelmente usadas como objetos pelos políticos ou pelos traficantes. Mas as palavras de Jesus no evangelho lido no Advento, a descrição do Dia do Juízo, continuam a ser arrepiantes. Muitos cristãos interpretam-nas mal, como se fossem previsões (que são diferentes de profecias), e tomam-nas de forma literal. Fazem-no mesmo apesar do fato de Jesus, falando como o culminar da linhagem de profetas bíblicos, se referir a coisas que acontecem em todas as eras. Vejam só as notícias de hoje.

Talvez a tendência para as tomar ao pé da letra revele o medo daquilo que elas realmente querem dizer. Elas ilustram o sentido de mortalidade de cada ser humano bem como o terror que emana dum mundo de constante mudança, sobre a qual temos muito pouco controle. É mais fácil convencermos a nós mesmos de que o mundo irá emular-se em chamas amanhã do que viver pacificamente com o fato de que qualquer um de nós poderá morrer antes de o dia de hoje terminar.

Porém, estas profecias não são sensacionalistas e não terminam com o instilar de medo. Em vez disso, há uma injunção a que estejamos despertos, alerta, a que rejeitemos a devassidão das distrações prejudiciais, descobrindo a realidade escondida, mas sempre presente, da oração contínua. Olhemos para dentro, não para o céu. Estejamos presentes para o presente que está presente, em vez de imaginarmos o amanhã.

O "Caminho" do Evangelho não é o de viver no medo e a tremer. É reconhecer quando somos manipulados pelo medo, a partir do nosso inconsciente ou a partir dos meios de comunicação, e escolher, em vez disso, o caminho da "libertação". O verdadeiro Fim é a libertação do medo do fim.

Deixem-me sugerir-vos, para cada semana do Advento, uma aptidão a aprender. Esta semana, poderia ser a de guardar o nosso coração e a nossa mente do medo e da sua descendência, de o denunciar e dançar livremente sobre ele.



Laurence Freeman, OSB




Fonte: Comunidade Mundial de Meditação Cristã - Portugal
Bonnevaux
www.meditacaocrista.com
Canal Youtube: Meditação Cristã-WCCM Portugal
Facebook: https://www.facebook.com/meditacaocristaportugal
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/buda-zen-medita%c3%a7%c3%a3o-4264589/

domingo, 6 de setembro de 2020

VENCER O MEDO


Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato.

Um mago teve pena dele e o transformou em gato.

Mas aí ele ficou com medo do cão.

Por isso, o mago o transformou em pantera.

Então, ele começou a temer os caçadores.

A esta altura o mago desistiu. Transformou-o em camundongo novamente e disse:

– Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo.

*   *   *

É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto.

Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, mas sim a capacidade de avançar, apesar do medo.

Caminhar para frente e enfrentar as adversidades, vencendo os medos...

É isto que devemos fazer.

Não podemos nos derrotar, nos entregar por causa dos medos.

Assim, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas...



José Emílio Menegatti



Fonte do texto e da gravura: Grupo Espírita Miguel Arcanjo
http://www.gema-rj.org/

quinta-feira, 23 de julho de 2020

ENTRE O AMOR E O MEDO


A diferença entre nosso estado mental quando estamos amando, quando comparado com nossa atitude quando estamos em estado de medo ou isolamento é algo que todos conhecemos. O amor evoca um espírito de felicidade na vida; evoca sua diversidade, sua imprevisibilidade, seu colorido. Quanto mais generosamente permitirmos que esse espírito de amor se expanda em nosso interior, tanto mais nos tornamos centrados no outro; tanto mais encontramos nossa perfeição no outro, nossa realização no outro. É nessa experiência que abandonamos nossa auto-consciência e descobrimos nossa verdadeira consciência. Nós a descobrimos em contato com uma outra consciência verdadeira. É desse encontro que surge a energia criativa que nos permite trabalhar inegoisticamente, amorosamente.

À medida em que lemos o Evangelho vemos que há uma escolha diante de nós. A alternativa é entre o amor e o medo. O medo é destrutivo e corrosivo, seja ele medo de doença, guerra ou fome, seja medo do sobrenatural, de deuses raivosos e vingativos que precisam ser aplacados com rituais compulsivos. A diferença entre o mundo bárbaro e o civilizado é que a barbárie prospera no medo. A civilização prospera no amor que impulsiona o vigor, a energia, a vitalidade e a criatividade. A energia bárbara é negativa; seu principal impulso é destrutivo e sua principal arte é a guerra. A principal arte da vida cristã é a paz.

Nosso compromisso com a meditação é nossa abertura para a paz do amor redentor de Deus, nossa total aceitação dele, nossa renúncia à auto fixação e nosso compromisso com a auto-entrega. Enquanto estamos repetindo nosso mantra, não podemos ficar pensando em nós e é precisamente a auto-obsessão que nos reconduz à fantasia. Assim, quando percebemos que paramos de repetir o mantra, que nossa mente está divagando, devemos simplesmente retornar a ele e, com ele, para a realidade. Isto é, retornar para Deus presente em nossos corações. Em outras palavras, retornamos para uma fé que nos impulsiona para além de nós mesmos, para Deus. Todos nós sabemos que esta auto-transcendência é nossa salvação. Fundamentalmente, todos nós sabemos que precisamos encontrá-la no silêncio de nossos corações. As alternativas são, realidade ou ilusão.

A função fundamental da fantasia é a de tentar nos afastar dos medos e ansiedades que sentimos, criando uma realidade alternativa. Mas o que acontece é que o medo é apenas enterrado mais fundo... A função fundamental do Evangelho, que é na verdade o único fundamento, é a de expulsar o medo, de arrancá-lo com suas raízes, para que possamos ir cada vez mais fundo dentro de um coração sem medo e lá encontrarmos o amor mais profundo. Assim, o maior presente que podemos compartilhar com o mundo é a nossa experiência da realidade.


Dom John Main, OSB



Fonte: "A irrealidade do medo" - Leitura de 30/11/2008
THE HEART OF CREATION (New York: Continuum; 1998), pp. 24-25
Tradução de Roldano Giuntoli
Via: Comunidade Mundial de Meditação Cristã - www.wccm.com.br
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

sábado, 13 de junho de 2020

A VERDADEIRA EXPERIÊNCIA


A verdadeira experiência consiste em compreender, pela nossa própria vigilância e pelo apercebimento, as causas que condicionam o pensamento.

Para compreender uma experiência no presente, para colher a sua frescura, deveis ter a mente limpa de crenças, de ilusões. A compreensão plena de uma experiência vos libertará de toda experiência, que é o tempo.

A verdade realiza-se por meio da iluminação e a iluminação é a descoberta do verdadeiro mérito da experiência. Para encontrardes este mérito verdadeiro tendes de vos concentrar sobre o que cada experiência tem de essencial, então ficareis libertos da experiência e depois a iluminação será permanente.

Ninguém pode estabelecer uma regra para se saber qual a experiência que conduz à verdade e qual a que não conduz. Cada um tem de discernir, por si mesmo, a essência de todas as experiências, a todos os instantes.

Se tiverdes interesse de ser completos, de ser a própria vida, então não evitareis coisa alguma, por causa do medo. A todo o instante vos esforçais por compreender e assimilar o significado de cada experiência.

O ponto de vista mecânico da vida priva o homem da verdadeira experiência da realidade. Esta não é uma experiência qualquer, fantástica, imaginativa, porém aquela que se manifesta, quando a mente está livre de todos os estorvos do medo, do dogma, da crença e daquelas doenças psicológicas que resultam das restrições e limitações que aceitamos, em nossa busca de própria proteção, segurança e conforto.


J. Krishnamurti



Fonte: do livro "O Medo", 2a. ed., 1948
Instituição Cultural Krishnamurti, RJ
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O QUE É A VERDADEIRA LIBERDADE


A verdadeira liberdade não é coisa que se adquira; é o resultado da inteligência. Você não pode sair e comprar liberdade no mercado. Não pode obtê-la lendo um livro ou ouvindo alguém falar. A liberdade vem com a inteligência.

Mas, o que vem a ser inteligência? Poderá haver inteligência quando há medo, ou quando a mente está condicionada? Quando a sua mente está cheia de preconceitos, ou quando você imagina que é um ser humano maravilhoso, ou quando é muito ambicioso e deseja subir a escada do sucesso, material ou espiritualmente, pode acaso haver inteligência? Quando você está preocupado consigo mesmo, quando segue ou venera alguém, pode acaso haver inteligência?

De fato, a inteligência aparece quando você compreende toda essa estupidez e rompe com ela. Portanto, você precisa começar a fazer isso; e a primeira coisa a fazer é tomar consciência de que sua mente não é livre. Você precisa observar como sua mente está presa por todas essas coisas, e, então, haverá um princípio de inteligência, a qual acarreta liberdade. Você tem que encontrar a resposta por si mesmo. Qual é a vantagem de alguma outra pessoa ser livre quando você não é, ou de outra pessoa ter alimento quando você padece fome?

Para ser criativo, o que implica ter realmente iniciativa própria, é preciso haver liberdade; e para haver liberdade é preciso haver inteligência. Portanto, você precisa inquirir e descobrir o que está entravando a sua inteligência. Precisa investigar a vida, tem de questionar os valores sociais, tudo, e não aceitar coisa alguma porque está com medo.


J. Krishnamurti



Fonte: do livro "O Verdadeiro Objetivo da Vida", Ed. Cultrix, SP
Fonte da Gravura: Imagens do Google

sábado, 9 de maio de 2020

O MEDO DA MORTE (MEDITAÇÃO E MANTRA)


Ao meditar […] estamos a encarar a morte todos os dias. E, se encararmos a morte todos os dias, se nos permitirmos morrer um pouquinho mais todos os dias, então, a experiência da morte irá permitir-nos viver cada dia de forma mais plena. A morte encarada com fé leva-nos além do medo e faz-nos viver cada dia com esperança certa da vida eterna. A morte cancela o nosso sentido de futuro e, assim, força-nos a concentrar totalmente no momento presente. Para onde mais podemos ir? Quando realmente encaramos a morte, estamos totalmente no momento presente. Entramos na eternidade antes de morrermos, se conseguirmos enfrentar a morte com esta atenção isenta de fuga. Mas nós tentamos sempre fugir do momento presente.

Habitualmente, fugimos do presente, quer vivendo no passado, quer criando um mundo de fantasia. Mas, quando estamos a meditar, a recitação do mantra fecha-nos a porta a essas duas opções ou caminhos de fuga. Não há sítio algum para onde ir, a não ser estar aqui. O mantra aponta numa direção, para o centro. É um caminho estreito, mas é o caminho da verdade. Ao seguirmos o caminho do mantra, ao aprendermos a dizê-lo com coragem e humildade, ele conduz-nos por um caminho em que tudo o que, em nós, nos poderia impedir de alcançar a plenitude da vida morre. A cada dia, morremos na fé e essa é a suprema preparação para a hora da nossa morte. Mas, enquanto forma de morrer na fé, ela inevitavelmente leva-nos a confrontar duas forças muito poderosas que também devemos estar preparados para enfrentar. São as forças do medo e da raiva. […]

[Mas] a raiva, e o medo que dela nasce, é tudo o que a meditação não é. A raiva mais profunda vem do nosso medo mais profundo – o da morte. Mas vem também das mais diversas causas secundárias, de tudo o que constitui a nossa história psicológica. Precisamos de estar conscientes, quando meditamos, e à medida que nos vamos limpando a nós mesmos dessa raiva, de que não é a nossa preocupação imediata descobrir de onde é que ela vem. Tudo o que é realmente importante é estarmos a deitá-la fora. […] O que é importante é que o amor, que está ativo na recitação com fé do mantra, expulsa o temor e a raiva do nosso coração. […]. Nas palavras da 1ª Epístola de S. João (4:16-18): “Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. É nisto que em nós o amor se mostra perfeito: em estarmos cheios de confiança no dia do juízo, pelo fato de sermos neste mundo como Ele foi. No amor não há temor; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o temor.”


Laurence Freeman, OSB



Fonte: “O Medo da Morte” – Laurence Freeman OSB, in “O Ser Altruísta” (excerto)
(no original: “THE SELFLESS SELF” - London: Darton, Longman, Todd, 1989 -  pp. 129-131.)
Comunidade Mundial para a Meditação Cristã - Portugal
http://www.meditacaocrista.com/
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MEDO - UM PROCESSO PSICOLÓGICO

Assim, a pessoa tem que compreender o medo. Você sabe, a pessoa tem medo: medo de seus parentes, medo de não passar nos exames, medo dos professores, medo do cachorro, medo da cobra. Você tem que compreender o medo e ficar livre do medo. Quando você está livre do medo, há o forte sentimento de ser bom, de pensar muito claramente, de olhar as estrelas, olhar as nuvens, olhar os rostos com um sorriso. E quando não existe medo, você pode ir muito mais longe. Então pode descobrir por si mesmo aquilo que o homem vem buscando geração após geração. (Krishnamurti On Education)

O medo não é só uma resposta das glândulas supra-renais, mas também um processo psicológico. Para compreender o medo, não intelectualmente, mas de fato estar livre dele, a pessoa precisa de observação muito aguda, tem que olhar para ele bem de perto. Quando a mente – que foi treinada numa cultura que aceita o medo como parte da vida com toda sua violência – compreende o medo então, talvez possamos ficar completamente livres não só conscientemente, mas também inconscientemente. Para entrar nesta questão do medo, a pessoa tem que estar consciente que deve olhar seu próprio medo, não o medo que lhe foi contado ou o medo do desconhecido, mas o medo real que a pessoa tem. (Talks in Saanen, 1968)





J. Krishnamurti






Fonte: J. Krishnamurti Online
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://orihinaleskrima.com/krishnamurti-imagenes-eskrima-views/

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A SIMPLICIDADE SÓ CHEGA COM O AUTOCONHECIMENTO


Nossos problemas – sociais, ambientais, políticos, religiosos – são tão complexos que só podemos resolvê-los sendo simples, não nos tornando extraordinariamente eruditos e astutos. Porque uma pessoa simples vê muito mais diretamente, tem uma experiência mais direta do que a pessoa complexa. E nossas mentes estão tão abarrotadas com um infinito conhecimento de fatos que outros contaram que nos tornamos incapazes de ser simples e ter experiências diretas nós mesmos. Estes problemas demandam uma abordagem nova, e eles só podem ser abordados assim quando somos simples, internamente realmente simples. Essa simplicidade só chega com o autoconhecimento, com a compreensão de nós mesmos: os caminhos de nosso pensar e sentir, os movimentos de nossos pensamentos, nossas respostas, como nos adaptamos pelo medo da opinião pública, do que os outros dizem, o que o Buda, o Cristo, os grandes santos disseram – tudo mostra nossa natureza para a adaptação, estar seguro, estar protegido. E, quando se está buscando segurança, obviamente se está em estado de medo, e assim não há simplicidade.




J. Krishnamurti

Talks in Ojai, California, 1949





Fonte: J. Krishnamurti Online
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://orihinaleskrima.com/krishnamurti-imagenes-eskrima-views/

domingo, 11 de setembro de 2016

REFLEXÕES SOBRE O MEDO

Medo é porta de entrada para toda sorte de desequilíbrio.

Em vez de se render às suas insinuações, seja prático, e verifique se algo pode ser feito, no sentido de debelar-lhe os motivos; faça-o de imediato, e, depois, tranquilize-se.

Mesmo que tudo esteja no pior, aterrorizar-se só tornará as coisas ainda mais complicadas.

Asserenar-se é a melhor atitude interna para propiciar a descoberta de soluções criativas e para, com isso, reagir com inteligência, maturidade e eficiência às problemáticas enfrentadas.

Quase sempre o medo é desproporcionalmente maior aos riscos reais que o inspiram.

Transforme medo em amor. Substitua a motivação de um pela do outro, e notará sua vida converter-se numa aquarela de alegria e tranquilidade. Não, isso não é difícil. Difícil é continuar sofrendo o tormento das fobias, dos temores, tenham fundamento ou não. Não tente enfeixar argumentos em favor do medo. Perceba o absurdo da auto-obsessão a que se confia e rompa, de uma vez por todas, com o paradigma emocional que escolheu para si, consciente ou inconscientemente.

Confie-se ao Amor de Deus. A Divina Providência tudo pode fazer por você. Faça a sua parte, mas entregue a Deus o seu destino, bem como os resultados de seu empenho.

Talvez, prezado amigo, tenha sido trazido para essa situação vexatória, pelas Forças da Vida, justamente para ser posto em busca da reconexão com o Divino.

Alinhe-se a Deus, e você terá feito a melhor coisa que poderia fazer por si, em toda sua vida.

O medo é tão mais presente na vida do indivíduo, quanto menos Deus estiver com ele. Preencha os espaços vazios de seu coração, com a plenitude de Deus, e o medo não terá espaço na morada de sua alma. A vivência espiritual é necessidade psicológica humana de que não se pode evadir. Males de etiologia difusa e misteriosa, como a síndrome do pânico, têm origem nessa negligência, em campo fundamental do existir humano.

Há quem faça uma lista de mil motivos para se aterrorizar. Acha-se muito inteligente por isso. Ao reverso, poderia fazer uma outra para se maravilhar e deleitar com a vida, e não percebe que seria tão fácil confeccionar essa quanto a outra, e quão seria mais prazeroso fazer essa última, sem nem contar os magníficos efeitos na própria vida.

Não acredite nas sugestões hipnóticas da cultura do medo, que o cerca por todos os lados e que constitui um dos aspectos que mais caracterizam o estágio atual da civilização humana.

Faça a sua própria "lavagem cerebral", conforme seus interesses, em função de suas metas, de sua felicidade.

Uma coisa é certa: o medo não serve à sua paz, à sua alma, a você.

Cabe-lhe, portanto, debelá-lo, com todas as forças do coração e da inteligência.





Anacleto/Eugênia/Gustavo Henrique
Psicografia de Benjamim Teixeira






Fonte: do livro "Reflexões Matinais"
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sábado, 21 de maio de 2016

A EXISTÊNCIA E OS MEDOS

A existência é uma longa estrada que reserva surpresas e comporta perigos, mas isso não é razão para se viver continuamente com medo, pois existe uma lei segundo a qual quanto mais medo se tem de uma coisa mais se atrai essa coisa. Portanto, se não quereis atrair infelicidades, não as imagineis, não as temais! Evidentemente, deveis refletir, tomar precauções e, sobretudo, reforçar-vos, mas não deixeis o medo instalar-se em vós. Há muitas pessoas que estão à mercê dos seus medos sem se aperceberem de que eles lhes são inspirados por uma falta de conhecimento, uma falta de luz. Eis a prova: quando vos encontrais num lugar escuro, não vos sentis tranquilos até ao momento em que conseguis fazer funcionar uma fonte de luz. Tiremos agora conclusões deste exemplo para o plano psíquico; a escuridão, isto é, a ignorância, fazem-vos ficar expostos a todos os perigos, e é por isso que tendes medo. Mas projetai a luz, isto é, armai-vos com as verdades necessárias para enfrentar as situações; o vosso medo desaparecerá.





Omraam Mikhaël Aïvanhov







Fonte: www.prosveta.com
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domingo, 7 de fevereiro de 2016

OS FATORES DO MEDO 6

(…) Quando a mente não está presa no conflito dos opostos, ela é capaz de discernir sem escolha o processo do “eu” em sua íntegra. Enquanto esse processo continuar, tem de haver medo, e a tentativa de fugir dele apenas aumenta e fortifica o processo. Se vos quiserdes libertar do medo, deveis compreender plenamente a ação nascida da carência. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, p. 42)

Todos os opostos devem criar conflito por serem essencialmente ininteligentes. O homem medroso desenvolve a bravura. Esse processo de desenvolver a coragem é, realmente, uma fuga ao medo; se, porém, ele discernir a causa do medo, este cessará naturalmente. (…) (Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, p. 12)

O problema, portanto, não é de como libertar a mente do temor, ou de como tê-la tranquila, para dissolver o temor, mas se o medo pode ser compreendido. Embora eu tenha medo de várias coisas (…) esse medo, em si, é resultado de um processo total (…) Isto é, o “eu”, o ego, em sua atividade, “projeta” o medo. A substância é o pensamento concernente ao “eu”, e sua sombra é o medo; e, evidentemente, não adianta batalhar contra a sombra, a reação. (…) (Percepção Criadora, p. 108-109)

Quando há alguma oculta sombra de medo, ela deforma todo o pensamento, toda a vida, destrói a afeição, o amor e, portanto, temos de realmente entendê-lo. (…) (Talks and Dialogues, Sidney, Austrália, 1970, p. 38)

Vamos, portanto, examinar a questão do que fazer em relação ao medo. Se não resolvermos esse medo, viveremos na escuridão, (…) na violência. Uma pessoa que não tem medo não é agressiva; um ser humano que não tenha nenhum sentimento de medo, de espécie alguma, é verdadeiramente livre e pacífico. (O Mundo Somos Nós, p. 64)

O pensamento criou um centro, o “eu”; eu, minha pátria, minha opinião, meu Deus, minha experiência, minha casa. (…) Eis o centro de onde agis. Esse centro divide. Esse centro e essa divisão são as causas do conflito (…) Vós observais desse centro e continuais nas garras do medo, porque o centro se separou da coisa a que chama “medo”; diz ele: “quero livrar-me do medo”, “quero analisá-lo”, “quero dominá-lo” (…) etc.; com ele estais tornando mais forte o medo. (Fora da Violência, p. 62)

Pode a mente olhar o medo sem esse centro? Podeis olhar o medo sem lhe dar nome? No momento em que dais nome a qualquer coisa, a separais de vós. Podeis, pois, observar sem aquele centro, sem dar nome à coisa chamada “medo”, no momento em que surge? Isso requer extraordinária disciplina, porque, então, a mente está olhando sem o centro a que se habituou, e o medo, tanto o oculto como o manifesto, está acabado. (Idem, p. 62-63)





J. Krishnamurti






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OS FATORES DO MEDO 5

Alguém viveu uma vida individualista, preocupado consigo mesmo e com os seus problemas. Esses problemas nunca acabam, eles aumentam. A pessoa viveu esse tipo de vida. Ela foi criada, educada, condicionada para esse tipo de vida. Você se aproxima como amigo e me diz: “Olhe, sua consciência não é sua; você sofre como as outras pessoas sofrem”. Eu escuto isso e não rejeito o que você diz, pois isso tem sentido, é razoável, e percebo que no que você me disse pode haver paz no mundo. E digo para mim mesmo: “Posso livrar-me do medo?” Percebo que sou responsável, completamente, pela totalidade da consciência. Percebo que, quando estou investigando o medo, estou ajudando a totalidade da consciência humana a reduzir o medo. (The Network of Thought, pp. 70-71)

Medo e prazer são os dois lados de uma moeda: você não pode livrar-se de um, sem se livrar do outro também. Você quer ter prazer toda a vida e também ficar livre do medo – é só com isso que você se preocupa. Mas você não vê que fica frustrado se o prazer de amanhã lhe for negado, você se sente irrealizado, raivoso, ansioso e culpado, e todos os sofrimentos psicológicos vêm à tona. Portanto, você deve olhar para o medo e para o prazer juntos. (The Impossible Question, pp. 50-51)

Estivemos considerando o problema do medo. Vimos que a maioria de nós tem medo, e que o medo impede a iniciativa, porque faz com que nos apeguemos às pessoas e às coisas, da mesma forma que uma planta trepadeira se apega a uma árvore. Apegamo-nos aos pais, aos maridos, aos filhos, às filhas; às esposas e às nossas posses. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pp. 30-31)

(…) Esta é a forma exterior do medo. Estando interiormente amedrontados, receamos ficar sós. Podemos ter muitas roupas, jóias ou outras propriedades; mas, interiormente, psicologicamente, estamos muito pobres. Quanto mais pobres interiormente, tanto mais procuramos enriquecer exteriormente, apegando-nos a pessoas, a uma posição, às propriedades. (Idem, p. 31)

Que entendemos por medo? Medo de que? Medo de não ser? Medo do que sois? Medo de perder, de ter prejuízo? O medo, quer consciente, quer inconsciente, não é abstrato: ele só existe em relação com alguma coisa. (…) Temos medo de estar inseguros (…) economicamente (…) interiormente. Isto é, tememos a solidão, (…) o ser nada (…) (Por que não te Satisfaz a Vida?, p. 32)

Desejo falar sobre o medo, porque o medo perverte todos os nossos sentimentos, pensamentos e relações. É o temor que impele a maioria de nós a tornar-nos (…) “espiritual”; é ele que nos impulsiona para as soluções intelectuais que tantos oferecem; é ainda o temor que nos leva a praticar ações estranhas e peculiares. (…) O medo existe por si só? Ou só há medo em consequência do pensamento (…)? (O Passo Decisivo, p. 234)

Assim, o que agora me cabe inquirir é como ficar livre do temor inspirado pelo conhecido, que é o temor de perder minha família, minha reputação, meu caráter, meu depósito no banco, meus apetites, etc. Direis que o temor surge da consciência; mas vossa consciência é formada pelo vosso condicionamento, pode ser insensata ou sensata; a consciência, pois, também é resultado do conhecido. (…) (Que Estamos Buscando?, p. 94)

Existe temor enquanto há acumulação do conhecido, que gera o medo de perder. Por conseguinte, o temor do desconhecido é, na realidade, o medo de perder o conhecido, por nós acumulado. A acumulação, invariavelmente, importa em temor, o qual por sua vez importa em sofrimento; (…) (Idem, p. 95)

Nasce o temor quando desejo permanecer em determinado padrão. Viver sem temor significa viver sem padrão algum. Quando desejo determinada maneira de viver, esse desejo, em si, é uma fonte de temor. (…) Não posso quebrar o molde? Só posso quebrá-lo ao perceber essa verdade; que o molde está causando temor, e que o temor está reforçando o molde. (…) (Idem, p. 96)

O medo é tempo psicológico. Não há medo, quando não temos o tempo psicológico. (…) Nasce o medo quando o pensamento se projeta no futuro, ou se compara com o que ele próprio foi no passado. Psicologicamente, o tempo é pensamento, tanto consciente como inconsciente; e é o pensamento que cria o medo. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., p. 22)

(…) O medo está sempre em relação com alguma coisa, não existe sozinho. Temos medo do que ontem sucedeu e que pode repetir-se hoje. (…) O pensar a respeito da dor de ontem “projeta” o medo de tornar a senti-la amanhã. Por conseguinte, é o pensamento que produz o medo. O pensamento gera o medo, e também cultiva o prazer. Para compreenderdes o medo, precisais compreender também o prazer, ambos estão relacionados. (Fora da Violência, p. 60-61)

Há medo do escuro (…) do marido ou da mulher, ou do que os “outros” dizem, ou pensam ou fazem; medo da solidão ou do vazio da vida, do tédio (…); medo do futuro, da incerteza e insegurança do amanhã (…); (…) da morte, do findar da vida. Há temores em inúmeras formas – tanto neuróticos, como racionais, sãos. (…) A maioria de nós teme neuroticamente o passado, o hoje e o amanhã; de maneira que o tempo está implicado no medo. (Fora da Violência, p. 58)

Há não só temores conscientes, (…) mas também temores profundamente jacentes, ocultos nos recessos profundos da mente. Como investigar tanto os temores conscientes como os ocultos? O medo, por certo, é um movimento de afastamento de “o que é”; é fuga, evasão, evitação da realidade, de “o que é”. Essa fuga é que produz o medo. Também, quando há qualquer espécie de comparação, cria-se medo (…) O medo, pois, se encontra no movimento de afastamento do real. (…) (Idem, p. 58)

O medo destrói a liberdade. (…) O medo perverte todo pensamento, destrói toda relação. (…) Medo da opinião pública, (…) de não ser bem sucedido, medo da solidão, (…) de não ser amado; e há ainda o comparar-nos a nós próprios com o herói do que “deveria ser” (…) (O Mundo Somos Nós, p. 114)

O temor existirá sob diferentes formas, grosseira ou sutilmente, enquanto existir o processo auto-ativo da ignorância, gerado pelas atividades de carência. (…) Se existir medo não pode haver inteligência, e, para despertar a inteligência, é preciso compreender plenamente o processo do “eu” na ação. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, p. 41-42)





J. Krishnamurti






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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

OS FATORES DO MEDO 4

Podemos observar este fato juntos: que o pensamento e o tempo constituem a raiz do medo. Tempo e pensamento são a mesma coisa, não são dois movimentos distintos. Veja este fato, esta realidade: que o tempo e o pensamento (tempo-pensamento) são a raiz do medo. Apenas observe isso em si mesmo. Não fuja da realidade, da verdade de que o medo é causado pelo tempo e pelo pensamento. Lembre-se disso, não fuja disso. É assim mesmo. Então é como segurar uma joia preciosa na mão. Você vê toda a beleza da joia. Então você verá por si mesmo que o medo psicológico finda completamente. (Washington D.C. Talks, pp. 29-30)

O tempo e o pensamento criam o medo – tempo como ontem, hoje e amanhã. Há o medo de que amanhã algo aconteça – a perda de um emprego, a morte, que minha mulher ou meu marido fuja, que a doença e a dor que tive há muitos dias voltem de novo. É aí que o tempo entra. O tempo, incluindo o que o meu vizinho possa dizer sobre mim amanhã, ou o tempo que até agora tem ocultado algo que eu fiz há muitos anos. Tenho medo de que alguns desejos secretos, profundos, não sejam satisfeitos. Portanto, o tempo está presente no medo, medo da morte que vem no fim da vida, que pode estar esperando na esquina e estou com medo. Assim, o tempo envolve medo e pensamento. Não existe tempo se não existir pensamento. Pensar sobre o que aconteceu ontem, ter medo de que isso possa acontecer de novo amanhã – é isso que faz surgir o tempo e também o medo. (The Flight of the Eagle, pp. 69-70)

Pensamento e tempo são os dois fatores do medo. Nada se pode fazer a respeito disso. Não pergunte: “Como posso parar de pensar?” É uma pergunta muito tola, pois você tem de pensar – para ir daqui até sua casa, para dirigir um carro, para falar uma língua. Mas não há necessidade de tempo psicologicamente, interiormente. Portanto, estamos dizendo que o medo existe por causa dos dois principais fatores (tempo e pensamento), nos quais há recompensa e punição. Ouvi essa afirmação feita por você. E eu a escutei com muita atenção porque é um imenso problema que o homem não resolveu e que, portanto, está criando destruição no mundo. Eu escutei você, escutei a afirmação. E você também me disse: “Não faça nada a respeito disso; apenas faça a pergunta e viva com ela, como uma mulher carrega no ventre a semente. Então você fez a pergunta. Deixe a pergunta florescer. No florescimento dessa pergunta, há também o definhar da pergunta. Não é o florescimento e então o findar – o próprio florescimento é o findar. (That Benediction is Where You Are, pp. 39-40)

Quando o pensamento compreende que possivelmente nada pode fazer a propósito do medo, porque ele mesmo cria o medo, então há silêncio; então há completa negação de qualquer movimento que produza medo. (The Flight of the Eagle, p. 71)

O palestrante está dizendo que se pode dar fim ao medo totalmente. Não diga: “Isso é para os iluminados” e toda essa tolice. Você pode dar fim a ele se empregar nisso o cérebro, o coração – completamente, não parcialmente. E então você verá por si mesmo quão imensa beleza há nisso; um sentimento de liberdade completa – não liberdade em relação a um país ou a algum governo, mas o sentimento da imensidão da liberdade, da grandeza da liberdade. Você fará isso – hoje, agora? A partir de hoje, vendo a causa do medo, dê fim a ele. Enquanto houver medo – biologicamente, fisicamente, psicologicamente – ele nos destruirá. Então, se for permitido perguntar, o que você vai fazer depois de escutar esse fato? O tempo é fator de medo e pensamento; portanto, se você não mudar agora, jamais mudará. Será um constante adiamento. (The Last Talks, pp. 42-43)




J. Krishnamurti





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sábado, 23 de janeiro de 2016

OS FATORES DO MEDO 3

Pergunta: Você observa o medo e percebe-se fugindo dele. O que é que você deve fazer? Krishnamurti: Primeiro, não resista à fuga. Para observar o medo, você precisa prestar atenção; e na atenção você não condena, não julga, não avalia, mas só observa. Quando você foge é porque sua atenção se desviou, você não está presente – há falta de atenção. Fique desatento, mas esteja consciente de estar desatento – essa percepção da sua desatenção é atenção. Se você estiver cônscio da sua desatenção, fique cônscio disso, não faça coisa alguma sobre isso, exceto ficar cônscio de que você está desatento; então essa própria percepção é atenção. É muito simples. Uma vez percebendo isso, terá eliminado todo o conflito; você estará cônscio sem escolha. Quando você diz: “Tenho estado atento, mas agora já não estou atento e preciso ficar atento”, há escolha. Ficar cônscio significa ficar cônscio sem escolha. (Beyond Violence, p. 71)

Temos uma grande diversidade de medos, e procuramos resolver tais medos de modo fragmentário. Parece que não somos capazes de ir além disso. Se pensamos ter compreendido determinado medo e tê-lo resolvido, outro medo aparece. Quando conscientes do medo, tentamos fugir dele, tentamos encontrar uma resposta, tentamos descobrir o que fazer, ou tentamos suprimi-lo. Como seres humanos, desenvolvemos, com perspicácia, uma rede de meios de fuga: Deus, diversões, bebidas, sexo, qualquer coisa. Todas as fugas dão no mesmo, quer feitas em nome de Deus ou da bebida! (The Collected Works, vol. XVI, p. 174)

Não há somente os medos conscientes, dos quais todos estão cônscios, mas também aqueles que estão bem fundo, nos recessos ocultos da mente. Como lidar com medos conscientes e ainda com aqueles que são ocultos? Certamente, o medo está na fuga a “o que é”; é a fuga, o escape, o evitar da realidade que redunda em medo. Também, quando há qualquer tipo de comparação, há criação de medo – a comparação daquilo que você é com aquilo que você pensa que deveria ser. Por conseguinte, o medo está na fuga ao que é real, e não no objeto do qual você foge. Nenhum desses problemas do medo pode ser resolvido por meio da vontade, dizendo a si mesmo: “Não ficarei com medo”. (Beyond Violence, p. 64)

Neste momento, enquanto estou sentado aqui, não estou temeroso. Não tenho medo no presente, nada está me acontecendo, ninguém está me ameaçando ou tirando coisa alguma de mim. Mas, para além do momento atual, há uma camada mais profunda na mente que, consciente ou inconscientemente, está pensando no que poderá acontecer no futuro, ou está preocupada com que algo do passado possa alcançar-me. Portanto, estou com medo do passado e do futuro. Dividi o tempo em passado e futuro. O pensamento chega e diz: “Cuide para que isso não ocorra de novo”, ou “Prepare-se para o futuro. O futuro pode ser perigoso para você. Você conseguiu alguma coisa agora, mas pode perdê-la. Você pode morrer amanhã, sua esposa pode fugir, você pode perder o emprego. Talvez você nunca fique famoso. Poderá ficar solitário. Você precisa ter certeza do amanhã.” (Freedom from the Known, p. 42)

Como é que surgem esses medos psicológicos? Qual é a sua origem? Essa é a questão. Há o medo de algo que aconteceu ontem; o medo de algo que pode acontecer mais tarde, hoje ou amanhã. Há o medo daquilo que conhecemos, e há o medo do desconhecido, que é o amanhã. Pode-se perceber por si mesmo, muito claramente, que o medo surge por meio da estrutura do pensamento – pensando sobre o que aconteceu ontem (coisa de que se tem medo), ou pensando sobre o futuro. Certo? O pensamento produz o medo, não é verdade? Por favor, certifiquemo-nos disso. Não aceitem o que diz o palestrante; fiquem absolutamente certos, por si mesmos, sobre se o pensamento é a origem do medo. (The Flight of the Eagle, p. 12)




J. Krishnamurti





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domingo, 17 de janeiro de 2016

OS FATORES DO MEDO 2

Quando você está livre do medo, há o forte sentimento de ser bom, de pensar com muita clareza, de olhar as estrelas, de olhar as nuvens, de olhar os rostos com um sorriso. Quando não há medo, pode-se ir muito mais longe. Então você pode descobrir por si mesmo aquilo que o homem tem buscado ao longo de gerações. Em cavernas no sul da França e no norte da África, há pinturas de 25000 anos de animais lutando com homens, figuras de veados, de gado. São pinturas extraordinárias. Elas mostram a luta infinda do homem, sua batalha com a vida e sua busca da coisa extraordinária chamada Deus. Porém, ele nunca encontra essa coisa extraordinária. Você só esbarra com ela no escuro, involuntariamente, quando não houver nenhum tipo de medo. (Krishnamurti on Education, p. 38)

Onde está a segurança? Pode não existir nenhuma segurança, afinal. Apenas pense sobre isso, senhor, perceba a beleza disso – não desejar nenhuma segurança, não ter nenhuma compulsão, nenhum sentimento em que haja segurança. Em suas casas, em seus escritórios, em suas fábricas, em seus parlamentos e assim por diante, há segurança? A vida não pode ter segurança; a vida existe para ser vivida, não para criar problemas e depois tentar solucioná-los. Ela existe para ser vivida e depois morrer. Eis um dos nossos medos – morrer. Certo? (The Last Talks, pp. 34-35)

Quando se está com medo, não só de coisas físicas, mas também de fatores psicológicos, o que acontece nesse medo? Estou com medo, não somente de ficar doente fisicamente, de morrer, do escuro – vocês conhecem os inumeráveis medos que as pessoas têm, tanto biológicos quanto psicológicos. O que é que o medo faz com a mente, a mente que criou esses medos? Compreendem a minha pergunta? Não me respondam imediatamente, olhem para si mesmos. Qual é o efeito do medo sobre a mente, sobre a vida inteira? Ou estamos tão acostumados com o medo, adaptamo-nos tão bem ao medo, que ele se tornou um hábito, que não percebemos os seus efeitos? (The Impossible Question, p. 99)

O medo é a compulsão que busca um mestre, um guru. O medo é um verniz de respeitabilidade, que todos amam tão ternamente – ser respeitável. Senhor, não estou falando de nada que não seja um fato: o senhor pode ver isso na vida diária. Essa natureza extraordinária, difusa, do medo – como o senhor lida com ela? O senhor apenas desenvolve a qualidade da coragem para enfrentar a exigência do medo? Compreende isso, senhor? O senhor se determina a ser corajoso para resistir aos eventos da vida, ou apenas livra-se do medo com racionalizações, ou encontra explicações que darão satisfação à mente que foi colhida pelo medo? Como o senhor lida com isso? Liga o rádio, lê um livro, vai ao templo, agarra-se a algum dogma? (The Collected Works vol. XII, p. 58)

Há medos no relacionamento, medos da incerteza, medos do passado e do futuro, medos de não saber, medos da morte, medos da solidão, o torturante sentimento de solidão. Você pode relacionar-se com outras pessoas, pode ter muitos amigos, pode ser casado, pode ter filhos, mas há um sentimento de profundo isolamento, um sentimento de solidão. Esse é um dos fatores do medo. Há também o medo de não ser capaz de realizar-se. E o desejo de realização traz consigo o sentimento de frustração, e na frustração há medo. Há o medo de não ver tudo com absoluta clareza. Portanto, há muitas e muitas formas de medo. (On Fear, p. 62)




J. Krishnamurti





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