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quinta-feira, 30 de julho de 2026

O TRABALHO DOS ESPIRITUALMENTE DESPERTOS OU EM VIAS DE DESPERTAR


Em nossos dias, a tarefa do verdadeiro esoterista é de extrema importância, além de significativa, pois antecede uma Nova Era. Sua tarefa é difundir esse conceito de Unidade, de Harmonia, de Síntese; ajudar a reencontrar os pontos de contato das várias teorias e religiões; permitir que deixemos de nos identificar com a forma e com as aparências; relacionar o relativo ao Absoluto, preparando o advento de uma Nova Religião Universal.

Em nossos dias, não há mais escolas de mistérios e os ensinamentos esotéricos vêm-se tornando manifestos, ainda que nem todos sejam capazes de apreendê-los na verdadeira essência e em seu profundo significado. Todavia, é dada a oportunidade a todos de conhecê-los e de tentar compreendê-los, pois toda a humanidade está se aproximando de uma grande crise evolutiva que assinala a passagem de um ciclo a outro, da Era de Peixes para a Era de Aquário, que produzirá profundas mudanças, transformações e renovações coletivas e individuais.

Novas energias cósmicas estão descendo sobre a humanidade e é preciso que nos preparemos para recebê-las e para saber empregá-las.

Diz Dr. Roberto Assagioli em um dos seus escritos a respeito da Nova Era: "...Agora mais do que nunca é preciso que aqueles que estão espiritualmente despertos, ou em vias de despertar, compreendam e aceitem essa radical renovação, aliás participem dela e cooperem com ela ativamente.

Isso pode ser feito de três maneiras:

a) Libertando-se do passado;

b) Transformando a si mesmo por meio da assimilação das novas energias;

c) Tornando-se seus representantes, encarnações vivas e centros de irradiação."

O esoterista de hoje, portanto, será o pioneiro dessa Nova Religião Universal à qual todos os espíritos eleitos ao longo de todos os tempos aspiraram, em que as confissões, doutrinas e formas encontrarão expressão, manifestando os seus verdadeiros significados, numa síntese harmônica e dinâmica.


Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Tradução: Pier Luigi Cabra
Ed. Pensamento - São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/caridade-migra%C3%A7%C3%A3o-integra%C3%A7%C3%A3o-equipe-8366471/

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

O VERDADEIRO CONHECIMENTO INICIA COM A DEMOLIÇÃO DAS ILUSÕES


[...] Erich Fromm..., em seu conhecido livro "Avere o Essere?" (Ter ou Ser?), faz uma distinção entre "ter conhecimento" e "conhecer".

Ele diz que o verdadeiro conhecer baseia-se na modalidade do ser, pois não é um acúmulo de ideias nem de teorias, mas uma capacidade da mente de ir além da aparência das coisas, de ir além da lógica comum, de ir além dos esquemas, das etiquetas, dos condicionamentos culturais e sociais e colher a verdadeira essência e o real significado daquilo que queremos conhecer.

Ele escreve: "O verdadeiro conhecimento tem início com a demolição das ilusões, com a ‘desilusão’. Conhecer significa penetrar sob a superfície, com a finalidade de alcançar as raízes e, portanto, as causas; conhecer significa ver a realidade tal como ela é."

Essa "demolição" ou "desilusão", a que se refere Erich Fromm, corresponde à purificação da mente de que fala o esoterismo e à libertação dos condicionamentos que ocorre com o despertar da verdadeira consciência que começa a iluminar o intelecto.

De fato, quando as duas modalidades, a do conhecer e a do ser, se aproximam, o homem passa por uma fase evolutiva em que começa a sentir a necessidade de fazer uma tabula rasa, de negar tudo aquilo em que acreditava antes, todas as convicções e teorias às quais estava apegado e que agora parecem falsas, ilusórias e insatisfatórias. Na realidade, não são as teorias e as convicções que são ilusórias e erradas, mas a nossa maneira de abordá-las é que é limitada e condicionada pelo nosso estado de inconsciência e de identificação.

Essa fase de negação é indispensável porque nos despede todos os "véus" (para usar a expressão de Fromm) e nos leva depois a redescobrir as mesmas verdades com uma modalidade diferente, nova, autêntica, criativa.

Descrevia um mestre zen a um dos seus discípulos o estado de iluminação: "Antes de ser iluminado, as montanhas eram montanhas, os rios eram rios e as árvores eram árvores. Quis saber e vi que as montanhas não eram montanhas, os rios não eram rios e as árvores não eram árvores. Mas, então, fui iluminado e vi de novo que as montanhas eram montanhas, os rios eram rios e as árvores eram árvores."

Nesse conto, como sempre acontece no zen, por trás da aparente lógica paradoxal, é apresentada de forma simbólica a verdade das duas maneiras de conhecer: a puramente racional, que se detém nas aparências; e a da consciência e da intuição, que se revela depois da negação e redescobre as mesmas realidades mas de uma maneira diversa, total, profunda, criativa, que se apresenta como novas a nós que as vemos com olhos inocentes e puros, livres dos véus da ilusão.



Dra. Angela Maria La Sala Batà




Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Ed. Pensamento, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/fantasia-ilus%c3%a3o-mentira-3054850/

terça-feira, 18 de outubro de 2022

ESOTERISMO - UM MÉTODO, UMA ATITUDE E UMA REALIDADE


O esoterismo não é uma filosofia, mas um método; não é uma religião, mas uma atitude interior; não é um conjunto de teorias e de leis estáticas, mas uma realidade viva em contínua evolução e transformação que procura atuar e se expressar na consciência dos homens que se voltam para ele com aspiração sincera e ardorosa não apenas de conhecer, mas também e sobretudo de “viver” as leis espirituais; para progredir, evoluir e caminhar rumo a uma plena realização espiritual.


Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Tradução de Pier Luigi Cabra
Ed. Pensamento, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ILUSÃO - DESILUSÃO - DEMOLIÇÃO


Conhecer e, ao mesmo tempo, compreender é, sem sombra de dúvida, raro e é o resultado de um amadurecimento interior que toma o homem capaz de transformar as suas convicções mentais em realização e de unir a sabedoria à consciência.

Para tomar mais claro aquilo que estamos dizendo gostaria de citar... Erich Fromm que, em seu conhecido livro "Avere o Essere ?", faz uma distinção entre “ter conhecimento” e “conhecer”.

Ele diz que o verdadeiro conhecer baseia-se na modalidade do ser, pois não é um acúmulo de ideias nem de teorias, mas uma capacidade da mente de ir além da aparência das coisas, de ir além da lógica comum, de ir além dos esquemas, das etiquetas, dos condicionamentos culturais e sociais e colher a verdadeira essência e o real significado daquilo que queremos conhecer.

Ele escreve: “O verdadeiro conhecimento tem início com a demolição das ilusões, com a ‘desilusão’. Conhecer significa penetrar sob a superfície, com a finalidade de alcançar as raízes e, portanto, as causas; conhecer significa ver a realidade tal como ela é.” (De Avere o Essere ?)

Essa “demolição” ou “desilusão”, a que se refere Erich Fromm, corresponde à purificação da mente de que fala o esoterismo e à libertação dos condicionamentos que ocorre com o despertar da verdadeira consciência que começa a iluminar o intelecto.

De fato, quando as duas modalidades, a do conhecer e a do ser, se aproximam, o homem passa por uma fase evolutiva em que começa a sentir a necessidade de fazer uma "tabula rasa", de negar tudo aquilo em que acreditava antes, todas as convicções e teorias às quais estava apegado e que agora parecem falsas, ilusórias e insatisfatórias. Na realidade, não são as teorias e as convicções que são ilusórias e erradas, mas a nossa maneira de abordá-las é que é limitada e condicionada pelo nosso estado de inconsciência e de identificação.



Dra. Angela Maria La Sala Batà




Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Tradução de Pier Luigi Cabra
Ed. Pensamento, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/rodopio-redemoinho-v%c3%b3rtice-tornado-1454979/

quinta-feira, 30 de julho de 2020

DESILUSÃO - A DEMOLIÇÃO DAS ILUSÕES


[...] Conhecer e, ao mesmo tempo, compreender é, sem sombra de dúvida, raro e é o resultado de um amadurecimento interior que torna o homem capaz de transformar as suas convicções mentais em realização e de unir a sabedoria à consciência.

Para tornar mais claro aquilo que estamos dizendo gostaria de citar também Erich Fromm que, em seu conhecido livro Avere o Essere (Ter ou Ser), faz uma distinção entre “ter conhecimento” e “conhecer”.

Ele diz que o verdadeiro conhecer baseia-se na modalidade do ser, pois não é um acúmulo de ideias nem de teorias, mas uma capacidade da mente de ir além da aparência das coisas, de ir além da lógica comum, de ir além dos esquemas, das etiquetas, dos condicionamentos culturais e sociais e colher a verdadeira essência e o real significado daquilo que queremos conhecer.

Ele escreve: “O verdadeiro conhecimento tem início com a demolição das ilusões, com a ‘desilusão’. Conhecer significa penetrar sob a superfície, com a finalidade de alcançar as raízes e, portanto, as causas; conhecer significa ver a realidade tal como ela é.” (De Avere o Essere, p. 63.)

Essa “demolição” ou “desilusão”, a que se refere Erich Fromm, corresponde à purificação da mente de que fala o esoterismo e à libertação dos condicionamentos que ocorre com o despertar da verdadeira consciência que começa a iluminar o intelecto.

De fato, quando as duas modalidades, a do conhecer e a do ser, se aproximam, o homem passa por uma fase evolutiva em que começa a sentir a necessidade de fazer uma 'tabula rasa', de negar tudo aquilo em que acreditava antes, todas as convicções e teorias às quais estava apegado e que agora parecem falsas, ilusórias e insatisfatórias. Na realidade, não são as teorias e as convicções que são ilusórias e erradas, mas a nossa maneira de abordá-las é que é limitada e condicionada pelo nosso estado de inconsciência e de identificação.

Essa fase de negação é indispensável porque nos despede todos os “véus” (para usar a expressão de Fromm) e nos leva depois a redescobrir as mesmas verdades com uma modalidade diferente, nova, autêntica, criativa. [...]


Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Conhecer para Ser", Ed. Pensamento
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/arte-m%C3%A1scara-cabe%C3%A7a-humano-psique-2174145/

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

DESAPEGO


Nas nossas ações deveríamos seguir o impulso verdadeiro e espontâneo que nos vem do alto e não obedecer aos motivos de ordem contingente, egoística restrita.

Devemos amar a vida, respeitá-la gozar as suas belezas e alegrias, permanecendo, porém, sempre desapegados internamente, sabendo que tudo é transitório, ilusório; esta vida é o reflexo de outra mais verdadeira e real.

Não devemos deixar de nos dedicar às criaturas, às formas, mas devemos dedicar tendo a consciência de que são invólucros da Vida Una, da Vida Divina e não por apego e pavor da morte.

Quanto à felicidade, mesmo sabendo que as alegrias da Terra são efêmeras e transitórias, devemos saber gozá-las como dons temporâneos, sem sermos tétricos, tristes e exageradamente sérios.

Devemos saber gozar um belo dia de sol, um jardim florido, um afeto sincero, a graça de uma criança, uma obra de arte, mas, com desapego, sabendo, em nosso coração, que a verdadeira alegria é outra, que a verdadeira felicidade e qualquer coisa diferente e inexprimível e que um dia nos será possível conhecê-la e prová-la.

Devemos ser alegres e serenos, permanecendo, entretanto, livres e desapegados interiormente.

Enquanto estivermos presos pelo turbilhão dos desejos, estaremos atados a uma infinidade de apegos, estaremos preocupados, agitados, irrequietos, infelizes, sem perceber o chamado da nossa Alma e sem podermos ser sensíveis ao seu contínuo e constante apelo.



Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Do Eu Inferior ao Eu Superior"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 12 de julho de 2016

O SEGREDO ESCONDIDO POR TRÁS DO MAL APARENTE

A solução do problema central do homem, que se obstina em ver suas negatividades, seus defeitos como algo a ser destruído e combatido por todos os meios possíveis, está, ao contrário, em compreender o "segredo" escondido por trás do mal aparente, em captar a essência da energia que se oculta por trás do erro e do pecado e virá-la de cabeça para baixo.

De fato, toda a nossa impureza, toda a nossa imperfeição é uma virtude distorcida, uma qualidade invertida. Por exemplo, a agressividade e a auto-afirmação nada mais são que a manifestação da vontade do Eu degradada e utilizada num nível inferior. O apego, o amor possessivo e egoísta não passam de aspectos do amor do Eu contaminados pelo egoísmo e pelo medo do eu inferior.

Tudo provém do Eu. Não há nada no homem que não seja de origem divina ou não tenha o seu justo lugar em sua natureza. Todavia, durante o longo período em que ainda não está cônscio de si mesmo, o homem vive mecanicamente, cria para si um eu falso e ilusório e deixa-se arrastar por seus desejos e impulsos, usando de forma distorcida e limitada as energias de seus veículos pessoais.

Às vezes pode acontecer que justamente o defeito mais enraizado em nós, e que constitui o maior obstáculo, o problema central da nossa vida, esconda a nossa mais concreta possibilidade, a força fundamental da nossa natureza. Uma vez compreendida e virada de cabeça para baixo, ela poderá tornar-se a nossa ajuda, o nosso guia, a característica predominante do nosso temperamento, que nos levará à mais elevada realização.

(...) A chave do processo de transformação e sublimação está precisamente nesta verdade, pois nesse processo não se deve destruir nada, mas aprender a reconduzir à sua verdadeira origem todos os aspectos, todas as forças que devido à inconsciência do homem se viram degradados, contaminados e estacionados em automatismos e hábitos errôneos.

O verdadeiro mal não está na energia, mas em sua utilização incorreta e, sobretudo, em manter separado o que está unido.

Assim, o bem é tudo o que tende a unir, a fazer-nos superar a divisão e o afastamento do Eu e de Deus e a reconstruir a unidade subjacente à multiplicidade e cisão aparentes.





Dra. Angela Maria La Sala Batà






Fonte: do livro "O Eu e seus Instrumentos de Expressão", Ed. Pensamento
Fonte da Gravura: Tumblr.com

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

DESENVOLVIMENTO INTERIOR E CONFLITOS (INDIVIDUALIDADE E PERSONALIDADE)

(...) pode dar a impressão de que é o Eu que evolui. Por isso, faz-se mister esclarecer que, sendo uma centelha do Absoluto, o Eu já é perfeito e completo em si mesmo e não tem necessidade de evoluir, de progredir. Na realidade, o que evolui, o que cresce é o Seu aspecto consciência.

(...) a parte do Eu que encarna, que se encerra nos veículos da personalidade, evolui ao longo de um processo de crescimento e despertar lento e progressivo, até chegar ao auto-reconhecer.

A energia divina do Eu autolimita-se ao imergir na matéria, mas não se dispersa, não se anula. A muito custo, inconscientemente, ela tende a retornar à origem de onde veio e, remontando através da matéria dos diversos planos, "transforma-a em consciência".

É exatamente isso que o querem dizer as palavras de Sri Aurobindo: "A evolução é uma lenta transformação da energia em consciência."

A personalidade, que é o conjunto de três veículos (físico-etérico, emotivo e mental), constitui simbolicamente a matriz, a Mãe, onde a semente do Eu cresce e progride, dela recebendo seu alimento.

Todavia, a evolução da consciência é muito lenta e gradativa, e não pode acontecer de maneira rápida e regular enquanto a personalidade também não estiver formada, organizada e integrada. Na verdade, os veículos da personalidade também passam por um amadurecimento e uma evolução que ocorrem paralelamente, e às vezes independentemente, a partir do desenvolvimento da consciência do Eu.

Esse desenvolvimento é muito moroso e inconsciente nas primeiras encarnações e, de início, revela-se apenas como consciência do eu, como autoconsciência, porém no seu aspecto mais negativo de separatividade, egoísmo, fechamento... Além disso, há uma completa identificação dessa consciência do eu com os veículos pessoais e não raro com o corpo físico.

Portanto, a evolução do homem em suas primeiras vidas é sobretudo uma formação, uma organização e qualificação de corpos pessoais que de um estado inicial bruto, amorfo, não-organizado, confuso, passam a adquirir qualidades, faculdades, sensibilidades e se delineiam e organizam em decorrência das várias experiências e eventos da vida e dos contatos com o mundo exterior.

Essa evolução dos corpos pessoais, entretanto, por acontecer enquanto o Eu, o verdadeiro Eu, ainda está latente e inconsciente, pode levar ao desenvolvimento de características e tendências negativas, ou seja, permeadas de egoísmo, orgulho, ambição, desejo. A personalidade, ou seja, o conjunto dos três corpos, pode chegar a um grau relativamente avançado de formação e integração, só que sob a orientação, não do eu verdadeiro, do Eu, mas de um "eu" falso e construído que é essencialmente uma força, quase uma entidade independente. É como se houvesse uma idade da personalidade e uma idade da Alma, entendendo-se por Alma a consciência do Eu imanente.

Na verdade, existem pessoas dotadas de uma personalidade forte, eficiente e organizada, que têm êxito na vida mas são imaturas do ponto de vista interior e espiritual. Isso acontece sobretudo com as pessoas extrovertidas, cuja energia vital está toda voltada para fora, para o mundo objetivo, em busca de experiências, de ação, de conhecimento da realidade exterior.

Às vezes pode acontecer o oposto. Pode ocorrer um grande desenvolvimento interior, uma sensibilidade ao mundo subjetivo e abertura de consciência decorrentes de uma ou de mais vidas dedicadas ao misticismo, à interioridade, à introversão, ao recolhimento, e ao mesmo tempo uma personalidade carente, deficitária, não-desenvolvida e bruta. É o caso dos introvertidos.

A meta é o desenvolvimento global do homem, tanto do ponto de vista da consciência do Eu quanto do ponto de vista dos veículos pessoais, uma vez que o Eu precisa de uma personalidade bem-formada e desenvolvida para poder utilizá-la plenamente.

Tal meta, contudo, não é alcançada por um caminho direto e fácil, mas por uma trilha tortuosa, difícil, indireta, semeada de lutas, crises, perigos, ilusões e condicionamentos a serem superados. Por essa razão, é preciso saber quais são as eventuais fases desse desenvolvimento interior e distinguir entre as diversas manifestações da nossa complexa natureza humana para compreender quais delas provêm do Eu, ou seja, da nossa individualidade, e quais, ao contrário, se originam na personalidade.

Desenvolvemo-nos com base em duas diretrizes paralelas, que muitas vezes se alternam: uma objetiva, exterior, outra subjetiva, interior; devemos tomar consciência de que vivemos no dualismo entre o nosso verdadeiro ser, o eu real, e o eu pessoal, que, embora construído e ilusório, é forte e organizado.

Nas primeiras vidas esse dualismo é inconsciente, porque o eu real, o Eu, é de todo latente e entorpecido; aos poucos, entretanto, ele se torna cada vez mais manifesto e consciente, e tem início um período de alternâncias durante o qual prevalece ora a personalidade, ora a individualidade, até que essas duas forças se confrontam e principia, então, o conflito decisivo.

Muito embora esse dualismo tenha sido criado ilusoriamente pela nossa identificação com os instrumentos pessoais, é puramente teórico afirmar que somos "unos" porque na prática agimos como se fôssemos "dois" e todo o nosso caminho evolutivo, até o momento da completa identificação com o Eu, é marcado pelo dualismo, pelo conflito e atrito entre duas forças opostas: a da personalidade e a da individualidade.

Ainda assim esse dilacerante dualismo é inevitável e, aliás, necessário, uma vez que "antes de poder unir é preciso dividir", como diz Alan Watts, ou seja, é preciso passar pela experiência da divisão, do conflito, da separação, para então poder reencontrar conscientemente a unidade.

Para se alcançar mais facilmente essa meta, é útil conhecer a constituição interior do homem, começar a entender a natureza das energias que agem e circulam nele e aprender a distinguir entre os impulsos que procedem do Eu, e aquilo que, ao contrário, é uma manifestação alterada, distorcida, falseada de um dos veículos da personalidade.

O conhecimento das características, qualidades e funções específicas de cada um dos corpos pessoais, embora de início seja apenas teórico, nos ajudará a desenvolver gradativamente uma das qualidades mais importantes para o nosso crescimento interior: o discernimento. Essa qualidade capacita o homem a não cair nas ilusões, nas falsas identificações, a saber distinguir entre o que é pessoal, factício, falso (ou seja, proveniente do eu pessoal), e o que é real (ou seja, proveniente do Eu). Permite-lhe desenvolver a sensibilidade e a intuição para entender a diferença entre a verdadeira e a falsa consciência. 

O desenvolvimento da capacidade de discernir e sua utilização constituem a primeira fase do lento processo de reunificação interior, da superação do dualismo aparente entre o Eu e os seus veículos, e corresponde à necessidade de "dividir" antes de reunir. Na realidade, o discernimento não divide em dois a "essência fundamental", que é a mesma tanto na individualidade quanto na personalidade. Ele distingue o verdadeiro do falso, o autêntico do ilusório, e ajuda a reencontrar a "essência" em meio às infra-estruturas, às falsas construções, aos hábitos e automatismos, que não têm uma realidade e consistência efetivas.

Os veículos pessoais não são "falsos" em si mesmos, não são "impuros" em sua essência — são falsos e impuros na medida em que são condicionados e usados erroneamente.

"A impureza é um erro funcional", diz Sri Aurobindo. Devemos, pois, descobrir a verdadeira função de cada um dos veículos, para utilizar as suas energias na direção correta e fazer com que se tornem o que realmente são: instrumentos de expressão do Eu.

Cada um dos corpos da personalidade é um reflexo de um dos aspectos do Eu.

Segundo as doutrinas esotéricas, o Eu tem três aspectos:

Vontade (Atma);
Amor (Buddhi);
Inteligência Criativa (Manas).

Estes, por sua vez, correspondem e são o reflexo no microcosmo dos três aspectos da Divindade, presentes em todas as religiões, a saber:

Pai... Vontade... Atma;
Filho... Amor... Buddhi;
Espírito Santo... Inteligência Criativa... Manas.

Essa triplicidade divina do Uno reflete-se, portanto, no homem, conferindo ao Eu individual três aspectos, três qualidades que, por sua vez, se refletem na personalidade, dando vida a três corpos, ou veículos de expressão, como segue:

Corpo mental ... Vontade (1º aspecto)... Pai;
Corpo astral (ou emotivo) ... Amor (2º aspecto)... Filho;
Corpo físico-etérico... Inteligência Criativa (3º aspecto)... Espírito Santo.

Através da evolução gradativa da consciência, o homem deve descobrir essas ligações e reconduzir os seus veículos à sua função correta. Deve compreender que construiu inconscientemente na personalidade automatismos, hábitos e "erros funcionais" por não ter consciência de sua verdadeira natureza e identificou-se com um "eu" ilusório, criando em si um dualismo e uma separação entre a individualidade ainda latente e a personalidade de superfície.

O trabalho é longo, difícil e cheio de obstáculos, porque a personalidade, embora feita de hábitos, automatismos e condicionamentos, se estabilizou e quase se consolidou sobre esses erros, tornando-se uma entidade separada, conquanto ilusória, que resiste continuamente às tentativas de mudar de direção.

Urge trabalhar com constância e persistência e ir a fundo para erradicar esses hábitos, desmascarar os condicionamentos, dispersar as névoas das ilusões e reconduzir gradativamente as energias dos veículos à sua verdadeira função.

Assim, como primeiro passo para tomar-nos senhores das energias dos corpos pessoais, para entender as leis que delas resultam, suas peculiaridades, e começar a desmantelar a construção falsa e cristalizada que nos limita, que nos impede de ser nós mesmos e de realizar a verdadeira tarefa dos instrumentos de expressão do Eu, é necessário conhecer minuciosamente a estrutura oculta do homem.




Dra. Angela Maria la Sala Bàta





Fonte: do livro "O Eu e seus Veículos de Expressão", cap. 2, Ed. Pensamento, 1991
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

7 RAIOS - 7 PLANETAS




7 raios (qualidades) 
7 planetas (sagrados)

Os 7 raios são as 7 energias básicas que vivificam e constroem através da matéria básica primordial (prakriti) todas as formas do universo, conduzidos e regidos pela “mente de Deus” ou propósito primordial.

Raio é o termo aplicado a uma força ou a um determinado tipo de energia que enfatiza a qualidade que exibe tal força, e não o aspecto forma que ela cria. Esta é a verdadeira definição de raio. (Alice Bailey - Psicologia Esotérica I, 250)

Portanto, quando falamos de raios, não falamos de formas expressas, mas das consciências ou qualidades que estas aparências contêm.

Este setenário energético está presente em todos os lugares do universo, e em relação ao nosso sistema solar, seus órgãos de expressão são os 7 planetas sagrados, que para a astrologia da Alma são: Vulcano (não descoberto), Júpiter, Saturno, Mercúrio, Vênus, Netuno, Urano.

Colocando de forma simples, nosso sistema solar tem 7 chacras – glândulas (planetas) que condicionam toda a sua qualidade expressiva. Este padrão tem reflexo em nosso microcosmo e suas distintas consciências: física – etérica – emocional – mental – personalidade (inteligência prática) – alma (intuição) – espírito (vontade) sendo estas três últimas as mais poderosas.

Aqui faremos uma reflexão sobre estas 7 energias de um ponto de vista psicológico e tendo em conta a dualidade: mais evoluído - menos evoluído. A dualidade neste caso é uma ferramenta que nos serve para poder aprofundar nos conceitos através da comparação e o reconhecimento, não para estereotipar o ser humano, já que este é, por essência, muito mais que uma dualidade, é um todo que recebe, assimila, experimenta, compreende e evolui.

A consciência sempre é a regente deste processo; quanto maior consciência, maior capacidade de compreender e dirigir a qualidade do raio – planeta implicado e menor dependência do aspecto forma ou aparência.

Assim como pensa em teu coração, assim és tu.


VII Raio de Magia e Ritual – Urano
 
Não Evoluído: A desordem e a exagerada atividade vistas como algo original. Extravagância e perversão. O raio VII está muito conectado com a matéria e o poder das formas, (chacras sacro e raiz) daí sua capacidade para dominar o meio ambiente de forma egoísta, magia negra.
 
Evoluído: A ordem e a correta atividade produzem magia branca. Sua conexão com a realidade é total, não conhece o apego e pode manifestar vontade espiritual. Para a astrologia esotérica Urano é o Mago Branco e sua qualidade básica é a capacidade de manifestar o divino através da Matéria. Daí que na entrante Era de Aquário de VII raio se fale tanto da manifestação material do reino de Deus na terra.
 
Urano: As revoluções, originalidades, cerimônias, serviço social, grupos, magia, eletricidade, pedras preciosas, internet, ocultismo… aplicadas com dinâmica e efetividade. A luz da geometria, a irradiação do “brilhante”.


VI Raio de Devoção e Idealismo – Netuno (plexo solar)

Não Evoluído: Para um ser não evoluído Netuno se mostra através de um Marte egoísta: Suspeitas, violência, fanatismo, personalidade exagerada; o guerreiro Marte é um planeta não sagrado regido pelo VI Raio. Esta energia não evoluída confere supremacia ao aparente (espelhismo emocional).
 
Evoluído: aqui a qualidade do VI Raio (Netuno) aparece através da capacidade de ser amoroso, empático, ter personalidade generosa, ser pacífico, devocional e corretamente dirigido. Marte transmutado, o guerreiro interior, a coragem divina, sentimento místico.
 
Netuno: a flexível imaginação amorosa. O ideal do Coração de todos.


V Raio de Ciência concreta – Vênus

Não Evoluído: Um excesso de devoção à forma - matéria das coisas. Capacidade de analisar para separar, intenção de adquirir, possuir. A mente inferior destruidora do real, crítica, separatista. A consciência não evoluída utiliza a qualidade de pensar e analisar para obter atividade material.
 
Evoluído: Luz na mente, relação correta com nossa Alma através de uma mente sábia. O poder de avançar, de não cair em espelhismos nem ilusões infundadas. Atitude frente às experiências da vida cheia de sabedoria, saber antes de falar e fazer. Na bíblia a qualidade positiva de Vênus se expressa na frase: “E Deus viu que era bom”.
 
Vênus: Relação das dualidades através do centro ajna, atitude harmônica, mente dirigida. O pensar do coração.


IV Raio de Harmonia no conflito – Mercúrio

Não Evoluído: confusão, constante luta, crise, instabilidade, “compreensão ou curiosidade exagerada” por “algo” que não é útil para a Alma, falta de equilíbrio.

Evoluído: Equilíbrio que evoca a intuição. Harmonia, unidade, expressão da beleza da Alma. Mercúrio esotericamente é a “grande curiosidade” capaz de unir as dualidades internas e assim conquistar maior harmonia entre o superior e o inferior.
 
Mercúrio: a capacidade de unir o “céu com o inferno”


III Raio de Inteligência prática – Saturno (chacra – garganta)
 
Todos os raios-planetas têm sua lei inquebrantável, mas talvez seja neste III raio-Saturno onde a Lei é mais exigente, já que esta energia tem uma relação direta com a qualidade mais desenvolvida na Matéria: Inteligência – Prática (reação naturalizada). Como diz o ditado: “uma macieira não pode dar peras, mas maçãs”.

Não Evoluído: manipular forças (pensamentos, emoções …) através do desejo ou do medo e com intenções egoístas. Atividade excessiva, anseios materiais, ilusão, maya.

Evoluído: Manipular forças para revelar a verdade e a beleza, atividade ordenada, correta ação, boa vontade. Serviço inteligente e prático.
 
Saturno: a oportunidade de servir à humanidade de forma real e eficiente. Evolução real graças à possibilidade de compreender a experiência “difícil” como uma oportunidade (Inteligência prática).


II Raio de Amor e Sabedoria – Júpiter (chacra coração)

Este é o raio matriz deste universo, daí a “grandeza de Júpiter”. O último propósito deste universo é expressar a plenitude do Amor. Todos os raios e formas de expressão estão matizados por este grande raio, já que todos vivem no mesmo universo. Por tanto, todos os 7 Raios têm o matiz de Amor.
 
Não Evoluído: Poder de construir para fins egoístas, realização destes fins. Capacidade de sentir, mas ao mesmo tempo de ser “frio”, distante. Fazer as “coisas” para que as pessoas gostem dele.
 
Evoluído: Capacidade de construir - ensinar através da compreensão e da palavra a favor do Plano – Humanidade. Sensibilidade ao todo, inclusividade. A iluminação. A correta linguagem graças à sabedoria adquirida. Amor dirigido.
 
Júpiter: a expansão do amor que compreende e inclui.


I Raio de Vontade e Poder – Vulcano - Velado pelo Sol (chacra coronário)


Não Evoluído: Desejo centralizado, capacidade de dominar, controlar, destruir, de estar isolado, sem amor…. de fato nas personalidades egoístas este raio se expressa através de uma personalidade (Sol) excessiva e/ou com um Plutão controlador centralizado.

Evoluído: A palavra chave é Vida, o raio um (Sol-Vulcano) evoluído é um ser dinamicamente ativo, vital, com intenção de servir a humanidade, e capaz de compreender a qualidade amorosa da destruição e do poder. Destrói para poder dar liberdade ao amor construtor. Includente do próprio ser vital. 

Plutão (não sagrado): Este planeta está relacionado com o chacra raiz e sua capacidade de transmutar a matéria. Quer dizer, a kundalini é despertada quando chega o momento através da influência do centro coronário, sua intenção é destruir e purificar, e é despertada quando chega o momento graças à correta atitude mental.

Sol – Vulcano: A máxima energia a serviço do bem. Vontade para o bem: Vulcano.


Saber relacionar honestamente estes 7 raios-planetas com os nossos 7 corpos de consciência é um dos primeiros passos que deve dar aquele que pretende seguir o aforismo grego: “conhece-te a ti mesmo”.

Não é difícil… a palavra-chave é “simplicidade”.




David C. M.





Fonte do texto e da Gravura:
LOGOS - Grupo de Investigação em Astrologia Esotérica
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/



Para aprofundamento as seguintes obras são aconselhadas:

- "Tratado dos 7 Raios", de Alice A. Bailey
- "A Astrologia e os Sete Raios", de Alan Oken
- "Os Sete Temperamentos Humanos". de Angela Maria La Sala Bata