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domingo, 26 de julho de 2026

OU DEUS OU A ILUSÃO


Quando alguém sofre dores intensas causadas por uma crise de apendicite, o médico intervém e remove o seu apêndice. Será justo dizer que ele é cruel por fazer uma incisão no abdome do paciente? Certamente que não. Ele faz isso por compaixão, pois, nesse caso, é necessário provocar uma dor física externa para curar uma dor interna.

Similarmente, as provações que Deus coloca diante do ser humano têm como único objetivo ajudá-lo a arcar com as consequências das suas próprias ações. Tudo o que Deus faz é para o benefício dos seres humanos, jamais para prejudicá-los. E por quê? Porque Ele é absolutamente altruísta, livre de qualquer traço de egoísmo ou de interesse próprio. Na verdade, sequer conhece tais defeitos. Entretanto, algumas pessoas atribuem parcialidade, egoísmo e interesse próprio a atos imparciais do Senhor. Isso se deve apenas à sua imaginação, que é precisamente a causa da ilusão que as envolve.

Vocês não poderão obter a plena percepção de Brahman, ou seja, de Deus, enquanto o seu coração estiver tomado pela ilusão! Se não a afastarem do seu coração, serão incapazes de voltar os seus pensamentos para Deus. Saibam que o seu coração possui apenas um lugar. É impossível fazer com que Deus e a ilusão se sentem no mesmo lugar no seu coração! Somente se removerem a ilusão que está nele é que Deus passará a ocupá-lo.

Atualmente, em razão da influência da Kali Yuga ou Idade do Ferro, as pessoas estão tentando fazer com que ambos se sentem no mesmo lugar. Entretanto, por mais que se esforcem, Deus não entrará no seu coração enquanto a ilusão estiver ali. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

terça-feira, 16 de junho de 2026

ATIVIDADE CHAMADA "SILÊNCIO"


O estado de "estar quieto" é um estado que envolve esforço ou não?

Não é um estado de indolência sem esforço. Todas as atividades mundanas que normalmente chamamos de esforço são realizadas com o auxílio de uma parte da mente e com pausas frequentes.

Mas o ato de comunhão com o Si Mesmo (atma vyavahara) ou permanecer quieto interiormente é uma atividade intensa que é realizada com a mente inteira e sem interrupção.

Maya (ilusão ou ignorância), que não pode ser destruída por nenhum outro ato, é completamente destruída por essa atividade intensa chamada "silêncio" (mauna).


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Fonte: Arunachala Ashrama
Bhagavan Sri Ramana Maharshi Center
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/egito-pir%C3%A2mide-sil%C3%AAncio-segredo-8789106/

sexta-feira, 5 de junho de 2026

DISCERNIMENTO (VIVEKA)


Muitas vezes tenho dito: para que se possa distinguir a Realidade dentro do irreal é preciso exercer viveka (discernimento).

Se um individuo não usa viveka, pode desviar-se do caminho, pode enganar-se com o que lhe parece ser o certo, e assim vem a perder seu tempo, suas energias e até a existência, buscando aquilo que apenas parece.

Para não chegar a comprar embustes, desenvolva e use discernimento (viveka). Jesus sugere: "Seja esperto como as serpentes."

Procure distinguir, com clareza, entre o que é temporário e o que é eterno, para que, esclarecido, busque o eterno; procure distinguir o que é meio e o que é fim, para que não venha a se desviar, empregando sua energia tentando acumular só os meios, transformando-os em objetivos da vida, negligenciando assim o fim. Para tanto, use viveka.

Meio é aquilo que possibilita a conquista do objetivo. O indivíduo que não exerce viveka, comete a imprudência de esforçar-se somente na busca dos meios, transformando-os em fins. Estes ficam esquecidos.

Viveka nos faz diferenciar o essencial, daquilo que não é, para que nossos esforços não se desperdicem na busca de objetivos ou valores menos significativos. Quando se procura o menos importante, o mais importante fica abandonado, no esquecimento.

Ora, a realização espiritual é o objetivo maior de nossas vidas. Existimos para isso. Não podemos portanto negligenciar tal objetivo.

A vitória na empreitada da vida depende de aplicarmos viveka sempre, em doses grandes, em nossas cotidianas opções.

Confundir aparência com Realidade nos arrasta à escravidão e à dor.

Tomar como Eterno o que é transitório nos aprisiona ao inquieto jogo dos opostos: sofrer e gozar; subir e descer; levantar e cair; ganhar e perder...

Aceitar e nutrir o estado de ilusão na existência nos priva da felicidade plena da Essência. Viveka, no entanto, desiludindo, nos liberta.

"Quem tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir" saiba que viveka é exatamente "olhos de ver e ouvidos de ouvir".


Prof. José Hermógenes


Fonte: do livro "O Essencial da Vida"
Ed. Record, 1989, Rio de Janeiro/RJ
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/universo-pessoa-silhueta-estrelas-1044107/

terça-feira, 5 de maio de 2026

2º TRABALHO DE HÉRCULES: CAPTURA DO TOURO DE CRETA (SIGNO DE TOURO)


"A Captura do Touro de Creta": significa o aprendizado sobre a natureza dos desejos.


Triste e só, Hércules segue seu Caminho para realizar o Segundo Trabalho. No horizonte erguia-se a ilha onde vivia o touro que ele deveria capturar. O touro era guardado por um labirinto que desnorteava os homens mais audazes: o labirinto de Minos, Rei de Creta, guardião do touro.

Cruzando o oceano até a ilha ensolarada, Hércules iniciou sua tarefa de procurar o touro e conduzi-lo ao Lugar Sagrado onde habitam os homens de um só olho, os Ciclopes. De um lugar para o outro ele caçava o touro, seguindo a luz que brilhava na testa do animal. Sozinho ele o perseguiu, encurralou, capturou e o montou, e assim, guiado pela luz, atravessou o oceano rumo à terra dos Ciclopes que eram três e chamavam-se Brontes, Esterope e Arges.

É importante observar que Minos, Rei de Creta, o dono do touro sagrado, possuía também o labirinto no qual o Minotauro vivia, e o labirinto tem sido sempre símbolo da grande ilusão. A palavra “labirinto” significa algo confuso, que desnorteia, desorienta, embaraça. A ilha de Creta com seu labirinto e o touro é um destacado símbolo da grande ilusão. Estava separada do continente, e ilusão e confusão são características do eu-separado, mas não da alma em seu próprio plano, onde as realidades grupais e as verdades universais constituem o seu reino.

Para Hércules, o touro representava o desejo animal, e os muitos aspectos do desejo no mundo da forma, a totalidade dos quais constitui a grande ilusão.

O discípulo, tal como Hércules, é uma unidade separada; separada do continente, símbolo do grupo, pelo mundo da ilusão e pelo labirinto em que vive. O touro do desejo tem que ser capturado, domado e perseguido de um ponto a outro da vida do eu-separado, até o momento em que o aspirante possa fazer o que Hércules conseguiu: montar o touro. Montar um animal significa controlar. O touro não é sacrificado, ele é montado e dirigido, sob o domínio do homem.

Este Trabalho está associado ao signo de Touro. A consumação do trabalho é realizada em Touro, e o resultado da influência desse signo, é a glorificação da matéria e a subsequente iluminação por seu intermédio. Tudo que atualmente impede a glória, que é a alma, e o esplendor que emana de Deus dentro da forma, de brilhar em sua plenitude, é a matéria ou aspecto-forma. Quando esta houver sido consagrada, purificada e espiritualizada, então a glória e a luz poderão realmente brilhar através dela.


Sociedade das Ciências Antigas



Fonte: https://sca.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/touro-astrologia-zod%c3%adaco-natureza-9561801/



Bibliografia:

“Os Trabalhos de Hércules” de Alice A. Bailey

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A SABEDORIA DO DESENCANTAMENTO


Uma das características mais intrigantes do mundo natural é o mimetismo: insetos inofensivos imitam o desenho de outros insetos mais nocivos para escapar de seus predadores. Os escaravelhos femininos (*) imitam os sinais de acasalamento de outras espécies para atrair machos ansiosos e levá-los a um destino fatídico. O louva-a-deus (mantis religiosa) atrai suas presas imitando as flores, e as plantas de seixos são muito parecidas com as pedras, evitando assim se tornar comida para os animais. E a lista continua. O que muitas vezes não é entendido é que a arte do engano, implícita no desenho da Natureza, também é uma característica dos mundos internos. No caminho em direção à alma, há muitas armadilhas para o investigador incauto.

Claramente, a discriminação é essencial ao longo do caminho, pois é muito fácil cair presa das visões e dos sons enganosos do mundo astral e dos muitos imitadores que residem lá. Entre esses "encantadores" estão os imitadores dos Mestres de Sabedoria e outros luminares espirituais, imitadores que não são almas propriamente. Muitos desses ensinamentos e comentários triviais sobre os assuntos humanos são realizados com um sentimentalismo que busca ser reconfortante. Essas conchas são animadas por vidas elementais do mundo astral que são energizadas por sua interação com os seres humanos.

Como distrações e enganos são uma característica do plano astral, o caminho de Atma-Vidya, o "conhecimento da alma", tem sido recomendado como a ciência esotérica para nossos tempos. Helena Blavatsky considera que todos os outros Vidyas são "artes baseadas no conhecimento da essência final de todas as coisas nos Reinos da Natureza". Essa essência vincula os fenômenos da natureza física, externa, com a natureza psíquica do mundo astral e é por isso que não é aconselhável entrar em contato com ela. Estes Vidyas menores incluem "o conhecimento dos poderes ocultos despertados na Natureza através de certos ritos e cerimônias religiosas... [e]... o conhecimento dos poderes místicos que residem... em orações cantadas ou encantamentos... Em outras palavras, uma performance mágica baseada no Conhecimento das Forças da Natureza e sua correlação (1).

O objetivo recomendado para todos os buscadores hoje é a fusão com a alma através da prática de Atma-Vidya, caso contrário, podemos inconscientemente desviar-nos do caminho direto para a alma e entrar em um reino de "encantamento". 'Encantar' significa enfeitiçar e seduzir. É uma palavra derivada do latim 'incantare', que significa entoar um feitiço mágico e está intimamente relacionada com a palavra 'glamour' que tem raízes escocesas medievais de uma época em que se dizia que os praticantes do lado obscuro das artes ocultas lançavam o glamour. (2)

Alice Bailey explica que o glamour ou miragem é a característica excepcional do plano astral, que "O assim chamado 'plano astral' é simplesmente o nome dado à soma total das reações sensoriais; à resposta sentimental e à substância emocional que o homem mesmo criou e projetou com tanto êxito, sendo hoje a vítima de sua própria obra." (3) Na era atual, a substância da miragem é generalizada na cultura popular e nas indústrias do entretenimento, e é considerada algo que deve ser ativamente buscada. O glamour é geralmente entendido como a qualidade de ser "mais atraente, emocionante ou interessante do que pessoas ou coisas comuns". (4) Na verdade, é uma aparência que distorce a realidade, a distorção a que as pessoas que estão emocionalmente polarizadas são mais suscetíveis. Em suas formas mais sutis, engana muitas pessoas inteligentes e aspirantes ao longo do caminho, como explicado extensivamente no livro de Alice Bailey, "Miragem: um Problema Mundial".

No caminho de Atma-Vidya, o desencantar-se, afastando a miragem, é uma lição difícil, mas constantemente coloca o buscador espiritual sob o controle direto da alma, que é o princípio mediador entre o espírito e a matéria. A alma funde em um relacionamento harmonioso essas duas grandes correntes de energia, os princípios masculino e feminino na vida. Só então pode começar o trabalho mágico de criar "o novo céu e a nova Terra"...

Nesta era tecnológica materialista, é apropriado abordar esta questão à medida que a humanidade experimenta um impulso crescente para se reconectar mais profundamente com a Mãe Terra e o divino feminino. O caminho a seguir é claramente demonstrado por aqueles que expressam a luz e o amor da alma: o grupo de servidores do mundo, muitos dos quais estão trabalhando com os reinos inferiores da natureza. A luz clara da alma flui através deles, revelando leis que operam na natureza e despertando a humanidade para a necessidade de uma nova relação com o meio ambiente. Da mesma forma, o trabalho que fazemos na meditação através dos três festivais espirituais (Cristo, Buda e Humanidade) envolve o contato com a alma para ajudar a fazer que a luz, o amor e o poder desçam à Terra, através da humanidade e dos reinos inferiores da natureza, na grande obra da redenção planetária.

Aqueles que se dedicam a este grande trabalho são integrantes do grupo de servidores do mundo (sejam ou não conscientes disso), e todos estão trabalhando em maior ou menor medida com o conhecimento da alma --- Atma-Vidya -, a sabedoria do desencantamento.


Grupo da Sede, Lucis Trust


Via: https://www.encontroespiritual.org/index.html
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/ilus%c3%a3o-de-%c3%b3ptica-ilus%c3%a3o-37034/


Notas:

1.Escritos Coleccionados, H. P. Blavatsky, Vol IX., pp. 252-252

2.https://www.etymonline.com/word/glamour

3.O Reaparecimento do Cristo, A. A. Bailey, p. 130

4.https://www.collinsdictionarv.com/dictionarv/enelish/elamorous

(*) http://www.nationalgeographic.es/animales/luciernaga-bicho-de-luz - NT

sábado, 4 de abril de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Ser capaz de perdoar a mim mesmo e aos outros é uma poderosa expressão de amor. Isso me liberta da autopunição ou do sentimento de desesperança em relação ao passado. Aprendo com meus erros e sigo em frente. Trato os outros da mesma forma, ajudando a quebrar o ciclo de vingança e ódio que está destruindo o espírito humano.

A história da alma é uma história de ascensão e queda. Nosso estado original de pura consciência, repleto de paz, amor e felicidade, diminuiu com o passar do tempo, deixando-nos confusos e infelizes. Agora é hora de ascender. Através da meditação, conecto-me com a Luz e retorno à minha natureza original e bela. Sentindo-me em casa novamente!

É melhor rir com as pessoas do que rir delas. Em vez de humilhar ou ferir aos outros, focamos nosso humor em experiências compartilhadas que reforçam os laços de amizade e comunidade. Esse humor eleva nosso espírito e nos ajuda a lidar com o que, de outra forma, poderia nos sobrecarregar. Juntos somos melhores do que separados.

Vivemos em um período de desilusão. A ilusão de que riqueza é a fonte de felicidade e que as guerras trazem a paz está se dissipando rapidamente. As soluções para nossos desafios estão dentro de nossa própria consciência. Ao retornarmos à nossa essência espiritual e nos conectarmos com a Fonte, podemos restaurar paz, clareza e ordem em nossas vidas e no mundo.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/lua-mulher-silhueta-medita%c3%a7%c3%a3o-1815993/

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

O RETORNO PARA SI MESMO


«Santo Agostinho e o método de atenção a si mesmo» – Fragmento I

"A paz, a felicidade duradoura, a consciência da imortalidade implicam um regresso ao ponto de origem, um encontro com o próprio Criador. Mas este retorno a Deus é antes de tudo um retorno gradual a si mesmo... O distanciamento de Deus leva o homem à 'região da dessemelhança', isto é, ao mundo sujeito aos fatores do espaço-tempo... de modo que quanto mais ávida pelas coisas temporais, mais dessemelhante é a alma...

"O homem coloca-se no reino da dessemelhança quando vive dependente das coisas externas. Na maioria das vezes é por puro desejo de novidade, mera 'luxúria dos olhos' (1 João 2, 16), desejo de experimentar e conhecer, ou seja, deixa-se levar pelo instinto de apropriação das coisas. Assim, ele acredita que as coisas lhe servem, mas é ele quem vive alienado por elas, ou seja, obrigado a sair de si mesmo. Ele assume que a felicidade reside em acumular posses e outros objetos externos, mas 'os homens que desejam o que está fora de si vivem no exílio em relação a si mesmos'.

"O problema é que muitas pessoas esperam obter a felicidade através da posse de riquezas, do gozo de todos os tipos de prazeres etc. Porém, todas essas alegrias não são estáveis, pois vêm e vão, e além disso não são plenas, porque nos movem a desejá-las com maior intensidade. Dessa forma, o homem vive escravizado pelos seus desejos e pela fé que depositou nas percepções que advêm dos sentidos. Na medida em que se questione que tais percepções podem ser errôneas e que distorcem a realidade, dando origem a miragens que entorpecem a alma, o homem estará despertando para a verdadeira liberdade..."


Extraído das pp. 373/4 do livro “História dos métodos de meditação não duais” de Javier Alvarado Planas


El Santo Nombre



Fonte: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

O BEM E O MAL: REALIDADE OU ILUSÃO ?


A meditação afeta a maneira como vivenciamos o bem e o mal mais como realidade e ilusão?

Fr. John: Acho que sim. Acho que o ponto-chave sobre a realidade e a ilusão é que a ilusão é ilusão porque não é real na perspectiva divina. É claro que pode parecer muito real da sua perspectiva. Se alguém prega uma peça ruim em você, você percebe isso como algo muito real. Digamos que alguém roube sua carteira quando você vai às compras. No momento em que você descobre isso, você vê isso como algo muito real. E a pessoa que roubou de você também parece real. Ele agora tem US$ 50 a mais do que tinha. Mas na perspectiva divina, o momento de glória deles acabou, assim como o seu momento de dor quando você descobre que agora tem US$ 50 a menos.

Você se depara com a desagradável verdade de que alguém com certa tendência para o mal lhe causou danos que você não provocou. Se você tiver que lidar com esse mal, deve evitar julgar tudo a partir de uma perspectiva egocêntrica. Só então você poderá perdoar. Tudo isso, de ambos os pontos de vista, é realidade. É a realidade total vista da perspectiva divina na qual está contido cada ponto de vista. Penso que esta é a diferença entre ilusão e realidade; que a realidade tem um significado eterno e inclusivo; a ilusão é uma rápida olhada na panela no fogão. A meditação nos liberta da tendência de acreditar que nosso ponto de vista é único e verdadeiro. Ele faz isso ensinando-nos a renunciar inteiramente aos nossos pensamentos e ideias, em favor da realidade inclusiva de Deus.

Este é um conceito do Oriente?: “Bem, é uma ilusão, meu amigo, que você sofra.” É uma ilusão que existam milhões de pessoas que não têm nada para comer, mas que ficarão satisfeitas mais tarde. Até que ponto podemos falar dessas realidades como ilusões?

Fr. John: Claro, é totalmente real enquanto permanecermos numa posição materialista. Mas se você olhar para isso e se perguntar qual é o significado disso, então você começará a entender o que é real e o que é ilusão. Acho que o problema é que fomos educados para viver numa atmosfera puramente materialista e se alguém roubar a sua carteira, ou mesmo a sua vida, isso parece ser a realidade última.

Se atribuirmos a realidade última à mudança da experiência humana, é muito difícil acreditar que só Deus é real, de modo que todo o resto só é real na medida da nossa participação na realidade.

O mal não pode participar da sua realidade, mas pode participar da limitação. Portanto, podemos abrir nossos corações a Deus com compaixão pelo sofrimento humano. Em outras palavras, a mão que vai atacar age de forma irrealista. A mão que traz conforto atua de forma real, de forma divina. Deus não é indiferente. Deus é bom. Deus é amor.

É difícil compreender através de conceitos, mas isso fica claro na experiência do sofrimento e da compaixão, no bem e no mal. Alguém disse uma vez a W. B. Yeats: “Sr. Yeats, quando leio alguns de seus poemas, não consigo entender o que ele quer dizer. Você poderia me dizer o que eles significam? Yeats respondeu: “Talvez eu possa lhe dizer o que significam, mas o que sei é que são absolutamente reais para mim. O que devo conseguir para vocês através dos meus poemas, se possível, é que para mim isso é absolutamente importante. Talvez eu não consiga explicar o que eles significam (porque talvez eu nem saiba), mas tenho certeza de que é importante."

Grande parte da teologia cristã funciona assim. Penso então que é a importância da meditação, que nos dá, por assim dizer, o instinto do que é certo, ou a perspectiva do que é certo na visão eterna de Deus. Só podemos saber disso no momento da visão beatífica. Ver Deus é ver tudo como Ele vê e como Ele conhece.



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

SENTIDOS SENSORIAIS E ESPIRITUAIS


Os seres humanos são, obviamente, criaturas sensoriais. Através dos cinco sentidos, eles percebem o mundo ao seu redor e aprendem muito sobre ele. No entanto, a busca incessante por sensações fortes pode levar a uma vida superficial e desorientada em diversas áreas da atuação humana, ou da vida em si mesma.

Os cinco sentidos são como uma janela para o mundo físico. Eles nos permitem ver, ouvir, sentir, cheirar e saborear o mundo ao nosso redor. Mas, para muitos de nós, eles também podem limitar. Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, podemos perder de vista a dimensão emocional, mental e espiritual da vida.

A espiritualidade, por exemplo, que é considerada uma forma de conhecimento, transcende os sentidos físicos. É um conhecimento que vem do coração e da alma e que pode nos conectar com o divino, se assim o permitirmos.

Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, geralmente nos tornamos escravos do mundo material. Podemos nos tornar obcecados por prazeres e sensações, e perder de vista o que é realmente importante na vida, como, por exemplo, uma missão, uma vocação, um desenvolvimento do saber numa determinada área, ou ainda o próprio crescimento espiritual.

Grandes Mestres do pensamento e sabedoria que já pisaram neste mundo indicaram que para alcançar uma vida mais plena e significativa, precisamos desenvolver nossos sentidos espirituais. Precisamos aprender a ouvir a voz de Deus, a sentir o amor do Divino e a ver a beleza do mundo espiritual.

Aqui estão alguns conselhos e sugestões, deixados por vários Mestres, para desenvolvermos os sentidos espirituais:

- Meditar regularmente: A meditação é uma ótima maneira de silenciar a mente e entrar em contato com a sua espiritualidade.

- Passar algum tempo na natureza: A natureza é um lugar poderoso para a conexão espiritual.

- Leitura de livros espirituais: Os livros espirituais podem nos ensinar sobre a natureza da espiritualidade e como desenvolver nossos sentidos espirituais.

- Fazer práticas espirituais: como oração, yôga, tai chi, chi kung, dança sagrada, mantras, visualizações, curas, divulgação escrita ou falada de temas edificantes etc. São inúmeras as práticas. Essas práticas podem nos ajudar a nos conectar com o Divino.

Desenvolver nossos sentidos espirituais é uma jornada de toda a vida. Não é algo que se alcança de repente. No entanto, com esforço e dedicação, podemos nos conectar com o mundo espiritual e viver uma vida mais plena e significativa.

Alguns exemplos de como os sentidos espirituais, muito além dos sentidos sensoriais, podem ser desenvolvidos, incluem:

- Visão espiritual: a capacidade de ver o mundo com os olhos do coração, percebendo a beleza e a divindade em todas as coisas e reinos da natureza.

- Audição espiritual: a capacidade de ouvir a voz de Deus, guiando e orientando nossos passos.

- Paladar espiritual: a capacidade de saborear a alegria e a paz da Presença divina.

- Olfato espiritual: a capacidade de sentir o amor e a compaixão do Divino.

- Tato espiritual: a capacidade de sentir a conexão com tudo o que existe.

Quando desenvolvemos nossos sentidos espirituais, podemos nos conectar com uma dimensão da realidade que está além dos sentidos físicos. Podemos experimentar a alegria, a paz e o amor do Divino e não nos arrastarmos no reino da ilusão. Entretanto, não devemos menosprezar os sentidos sensoriais, pois são as bases para que possamos subsistir e buscar os sentidos espirituais, desde que bem orientados e sublimados.



Prof. Hermes Edgar M. Jr.




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 18 de outubro de 2022

ILUSÃO - DESILUSÃO - DEMOLIÇÃO


Conhecer e, ao mesmo tempo, compreender é, sem sombra de dúvida, raro e é o resultado de um amadurecimento interior que toma o homem capaz de transformar as suas convicções mentais em realização e de unir a sabedoria à consciência.

Para tomar mais claro aquilo que estamos dizendo gostaria de citar... Erich Fromm que, em seu conhecido livro "Avere o Essere ?", faz uma distinção entre “ter conhecimento” e “conhecer”.

Ele diz que o verdadeiro conhecer baseia-se na modalidade do ser, pois não é um acúmulo de ideias nem de teorias, mas uma capacidade da mente de ir além da aparência das coisas, de ir além da lógica comum, de ir além dos esquemas, das etiquetas, dos condicionamentos culturais e sociais e colher a verdadeira essência e o real significado daquilo que queremos conhecer.

Ele escreve: “O verdadeiro conhecimento tem início com a demolição das ilusões, com a ‘desilusão’. Conhecer significa penetrar sob a superfície, com a finalidade de alcançar as raízes e, portanto, as causas; conhecer significa ver a realidade tal como ela é.” (De Avere o Essere ?)

Essa “demolição” ou “desilusão”, a que se refere Erich Fromm, corresponde à purificação da mente de que fala o esoterismo e à libertação dos condicionamentos que ocorre com o despertar da verdadeira consciência que começa a iluminar o intelecto.

De fato, quando as duas modalidades, a do conhecer e a do ser, se aproximam, o homem passa por uma fase evolutiva em que começa a sentir a necessidade de fazer uma "tabula rasa", de negar tudo aquilo em que acreditava antes, todas as convicções e teorias às quais estava apegado e que agora parecem falsas, ilusórias e insatisfatórias. Na realidade, não são as teorias e as convicções que são ilusórias e erradas, mas a nossa maneira de abordá-las é que é limitada e condicionada pelo nosso estado de inconsciência e de identificação.



Dra. Angela Maria La Sala Batà




Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Tradução de Pier Luigi Cabra
Ed. Pensamento, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/rodopio-redemoinho-v%c3%b3rtice-tornado-1454979/

sábado, 16 de julho de 2022

DEIXANDO DE LADO A SOBERBA


Existe uma Cura para a Doença de Querer Superioridade Sobre Outros


A soberba é uma ilusão que destrói o discernimento


A vida faz com que o soberbo seja humilhado, para que descubra a humildade e o bom senso. Infelizmente, pode ocorrer que o indivíduo fique longo tempo preso na oscilação violenta entre os extremos da glória pessoal e da completa derrota, ambas imaginárias.

A soberba é geralmente definida como sinônimo de orgulho, arrogância e um sentimento de superioridade em relação aos outros. Dela decorre a vontade de obter privilégios, de inferiorizar, prejudicar e desprezar os nossos semelhantes. Isso com frequência é feito de modo sorrateiro e disfarçado. Muitos sofrem de soberba e nem sabem disso. O fenômeno é com frequência subconsciente.

A soberba pode começar como uma defesa contra a humilhação. O pobre eu maltratado quer indenizar a si mesmo pelo que sofreu, e trata de fazer isso através da fantasia da autoimportância pessoal. Cai então numa gangorra de altos e baixos, de glória e derrota, e tudo nesta oscilação é igualmente falso e exagerado.

Em um inspirador sermão intitulado “O Espírito da Soberba”, Santo Antônio de Lisboa e Pádua afirma que o soberbo pisa sobre os pobres e os menores, mas também gosta de desprezar os que lhe são iguais, e insulta e zomba dos maiores. Antônio cita uma epístola de Pedro, em que se afirma que Deus – isto é, a lei universal – resiste aos soberbos, e dá a sua graça (a graça do bom carma) aos humildes. [1]

O destino do soberbo é ser humilhado, para descobrir a humildade: mas muitos soberbos, querendo compensar o trauma da humilhação sofrida ou evitar a profunda humilhação que temem, desenvolvem como mecanismo de proteção uma camada ainda mais forte de orgulho disfarçado e vão novamente à luta contra o mundo, sem aceitar a lição do realismo e do equilíbrio.

A soberba é um problema geral da humanidade, afirma Antônio. Nenhum de nós está completamente livre do autoengano que é o orgulho. Na família, assim como na sociedade e no convívio entre as nações, as lutas por poder são quase sempre duelos mais ou menos disfarçados entre formas diferentes de soberba.

As guerras, a prática do ódio na política e certos campeonatos de futebol são exemplos claros disso.

Mas a doença da busca de superioridade sobre os outros vai muito além da competição e da inveja nas relações humanas. A soberba é o princípio de toda ilusão. A luxúria e outras formas de prazer exagerado são variantes desta fantasia adoentada de superioridade.

Por isso o Cristianismo, assim como as religiões orientais, descreve o sábio como alguém exteriormente pobre, manso e humilde de coração. Os meios esotéricos e teosóficos não estão de modo algum livres da soberba. O desejo de parecer santo é uma marca do tolo infantil, que prefere fingir para si mesmo e para os outros, ao invés de viver com autenticidade.

Um dos princípios básicos da filosofia ocidental clássica é o axioma estoico do imperador Marco Aurélio, segundo o qual é aconselhável viver cada dia da nossa vida como se fosse o último. Lembrar da fragilidade da existência humana é uma lição de realismo e permite perceber quão preciosa ela é, e como são fúteis e inúteis as manias de grandeza, assim como as manias de perseguição.

O Jesus do Novo Testamento deu um exemplo de vida simples e humilde. Francisco de Assis, para compensar a soberba que via no alto clero cristão da sua época, criou a “ordem dos frades menores”, da qual Santo Antônio de Lisboa foi membro.

E Antônio prevê:

“…Quando uma humildade mais forte entrar no coração do homem e vencer o espírito da soberba e expulsar a cegueira do entendimento, então [os cinco sentidos] se mudarão dos vícios para as virtudes, da soberba para a humildade. Então, pois, aparecerão nos olhos a humildade e a simplicidade; na boca ressoarão a verdade e a bondade; dos ouvidos se removerá toda maledicência e toda lisonja; nas mãos se encontrará a pureza e a piedade; nos pés, a ponderação.” [2]

Antônio termina o sermão pedindo a Jesus – símbolo da alma espiritual de cada um – que vença com humildade a soberba do sentimento maldoso. E que nos possibilite quebrar com a simplicidade do coração a dureza da soberba e do orgulho, e “estender por toda parte nos sentidos do nosso corpo o sinal da humildade, a fim de que mereçamos chegar à sua glória”.

A humildade de que se fala na mística cristã e na teosofia autêntica é a base da verdadeira dignidade interior. Graças a ela, o ser humano é suficientemente realista para perceber que tem em si mesmo algo magnífico, a consciência elevada da sua própria alma espiritual. De outro lado, o eu inferior, que coordena o funcionamento dos seus cinco sentidos, é como um pobre animal a que pode faltar equilíbrio no modo como avalia a si mesmo. O eu inferior deve ser bem cuidado, corretamente treinado, e esclarecido sobre sua função na vida, para que desenvolva o necessário bom senso.


NOTAS:

[1] “Obras Completas”, Santo António de Lisboa, Lello & Irmão, Editores, Porto, Portugal, 1987, edição em dois volumes, ver volume I, pp. 186-187. Santo António, ou Antônio, nasceu entre 1190 e 1195 e viveu até 1231.

[2] “Obras Completas”, vol. I, pp. 191-192. No original deste trecho, temos “detracção”, ao invés de “maledicência”, palavra que uso para facilitar a compreensão do leitor do século 21. Alguns tempos de verbos foram adaptados à gramática atual.




Carlos Cardoso Aveline




Fonte: FILOSOFIA ESOTÉRICA.COM
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segunda-feira, 6 de junho de 2022

CARREGANDO O PASSADO

A incapacidade, ou melhor, a relutância da mente humana em deixar de lado o passado é primorosamente ilustrada na história dos dois monges zen, Tanzan e Ekido, que caminhavam numa estrada enlameada depois de uma forte chuva. Próximo a uma aldeia, eles encontraram uma moça que estava tendo dificuldade em atravessar a estrada por causa da lama. Se ela continuasse a caminhar, estragaria seu quimono de seda. Sem titubear, Tanzan a pegou no colo e a carregou para o outro lado da estrada.

Os monges prosseguiram na sua caminhada em silêncio. Cinco horas depois, quando já estavam perto do templo onde passariam a noite, Ekido não conseguiu mais se conter.

– Por que você carregou a moça para o outro lado da estrada? – perguntou. – Nós, monges, não devemos fazer essas coisas.

– Faz horas que coloquei aquela jovem no chão – respondeu Tanzan. – Você ainda a está carregando?

Agora, imagine como seria a vida de alguém que viva como Ekido o tempo todo, incapaz de parar de pensar nas situações ou não querendo fazer isso e acumulando cada vez mais “material” dentro de si. Isso nos dá uma ideia de como é a vida da maioria das pessoas. Que pesado fardo do passado elas carregam na mente.

O passado vive em nós na forma de lembranças, no entanto elas em si mesmas não são um problema. Na verdade, é por meio delas que aprendemos com nossas experiências e com os erros que cometemos. Somente quando as recordações, isto é, os pensamentos sobre o passado, nos dominam completamente é que elas se transformam num fardo, começam a ser problemáticas e a fazer parte do que entendemos como o eu. Nossa personalidade, que é condicionada pelo passado, se torna nossa prisão. Essas memórias são investidas de uma percepção do eu, e nossa história passa a ser a percepção que temos de nós mesmos. Esse “pequeno eu” é uma ilusão que obscurece nossa verdadeira identidade como a presença eterna e sem forma.

Nossa história, porém, é formada por lembranças mentais e emocionais – emoções antigas que são revividas continuamente. Assim como o monge que carregou o fardo do ressentimento por cinco horas, alimentando-o com pensamentos, a maioria das pessoas leva consigo uma grande quantidade de bagagem desnecessária, tanto mental quanto emocional, ao longo de toda a vida. Esses indivíduos se limitam com ressentimentos, arrependimentos, hostilidade e culpa. Seu pensamento emocional se torna seu eu e, assim, eles se apegam a velhas emoções porque estas fortalecem sua identidade.

Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que eu chamo de “corpo de dor”.

Podemos, no entanto, parar de acrescentar ao corpo de dor aquilo que já temos. Somos capazes de aprender a refrear o hábito de acumular e perpetuar antigas emoções batendo nossas asas, metaforicamente falando, e nos abstendo de viver com a mente no passado, não importa se um incidente aconteceu ontem ou 30 anos atrás. Temos como aprender a não manter vivos acontecimentos e situações e, em vez disso, sempre dirigir a atenção para o momento presente – puro, atemporal –, em vez de nos deixarmos atrair por histórias mentais produzidas pela mente. Assim, nossa própria presença se torna nossa identidade, e não nossos pensamentos e nossas emoções.

Absolutamente nada que tenha acontecido no passado pode nos impedir de estar presentes agora. E, se o passado não tem como evitar nosso estado de presença, que poder ele tem?


Eckhart Tolle



Fonte: do livro "Um Novo Mundo", Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2011
www.sextante.com.br
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segunda-feira, 14 de março de 2022

DESPERTAR: UMA PERCEPÇÃO


Há um livro de aforismos que nunca foi e provavelmente nunca será publicado. Esse livro diz: “O homem pode nascer, mas para nascer precisa morrer antes, e para morrer, antes precisa despertar”. Outro trecho diz: “Quando o homem desperta, pode morrer. Quando morre, pode nascer”. O que isso significa?

“Despertar”, “morrer”, “nascer” representam três estágios sucessivos de um processo. Volta e meia, encontramos nos Evangelhos referências à possibilidade de “nascer”. São feitas diversas referências à necessidade de “morrer” e muitas à necessidade de “despertar” ou de nos mantermos despertos, como “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora...”. Mas essas três possibilidades — despertar ou não dormir, morrer e nascer — nunca são apresentadas como conceitos correlacionados, apesar de seu relacionamento ser o ponto mais importante.

“Nascer” está relacionado ao primeiro estágio do crescimento da essência, o começo da formação da individualidade e o surgimento de um “eu” unificado e indivisível. Mas, a fim de poder perceber ou mesmo começar a perceber isso, a pessoa precisa morrer no sentido de se tornar livre de uma miríade de apegos e de identificações mesquinhas que a mantém no lugar em que ela está. Estamos apegados a tudo na vida — à nossa imaginação, à nossa estupidez e, talvez mais do que qualquer outra coisa, ao nosso sofrimento. Precisamos nos libertar desse apego às coisas, dessa identificação com as coisas, que mantém vivos milhares de “eus” inúteis em nós. Esses “eus” precisam morrer a fim de que um “eu” maior possa nascer. Mas como? Eles não querem morrer.

É aí que entra em cena a possibilidade do despertar, isto é, do despertar para nossa insignificância. Despertar significa perceber nossa total e absoluta mecanicidade e nosso desamparo. E não basta perceber isso de modo intelectual. Precisamos ver isso nos fatos evidentes, simples e concretos, em nossa própria vida. Quando começamos a nos conhecer um pouco melhor, vemos muitas coisas que nos horrorizam. Ao vermos algo que nos choca, nossa primeira reação é mudar aquilo, livrarmo-nos daquilo. Por mais que tentemos, por mais que nos esforcemos, sempre fracassamos, e tudo permanece como está. Então percebemos nossa impotência, nosso desamparo, nossa insignificância. Ou, novamente, quando começamos a nos conhecer, vemos que não temos nada que nos pertença de fato. Vemos que o que considerávamos nosso — nossas posições, nossos pensamentos, convicções, gostos, hábitos, até nossos defeitos e vícios — não nos pertence. Tudo isso foi formado mediante imitação ou tomado de empréstimo, já pronto, de outra pessoa. Ao percebermos isso, podemos sentir nossa insignificância. E, ao sentir nossa insignificância, devemos nos ver como realmente somos, não apenas por um momento, mas constantemente, sem nunca nos esquecermos.

A percepção contínua de nossa insignificância e de nosso desamparo irá acabar nos dando a coragem de “morrer” — não apenas mentalmente, mas de fato — por meio da renúncia permanente a esses aspectos em nós mesmos, os quais são obstáculos ou não são necessários para nosso crescimento interior. Esses obstáculos são, em primeiro lugar, nossos “falsos eus” e, depois, todas as ideias fantásticas sobre nossa “individualidade”, “vontade”, “consciência”, “capacidade de fazer”, bem como nossos poderes, iniciativas, determinação, e assim por diante.

Porém, a fim de podermos nos conscientizar permanentemente de alguma coisa, precisamos vê-la antes, mesmo que apenas por um instante. Qualquer poder e capacidade de percepção recém-adquiridos aparecem sempre da mesma maneira básica. No começo, aparecem em flashes, em momentos raros e breves, depois com mais frequência e por mais tempo e, finalmente, após muito tempo e esforço, tornam-se permanentes. Isso também se aplica ao despertar. É impossível despertar de modo pleno de uma só vez. Primeiro precisamos despertar por breves momentos, um ou dois momentos de vez em quando. Todavia, após ter feito certo esforço, superado certos obstáculos e tomado uma decisão irrevogável, precisamos morrer de uma vez e para sempre. Isso seria muito difícil ou mesmo impossível caso não fosse precedido por um processo gradual de despertar.

Há, no entanto, mil coisas que nos impedem de despertar, que nos mantêm sob o poder de nossos sonhos. No intuito de agirmos de modo consciente e despertarmos, precisamos conhecer a natureza das forças que nos mantêm em estado de sono. Precisamos compreender que o sono em que existimos não é um sono comum, mas uma espécie de hipnose, um estado hipnótico mantido e reforçado continuamente. Poderíamos pensar que há forças que se aproveitam do fato de estarmos em um estado hipnótico, mantendo-nos nele e impedindo-nos de vermos a verdade e de compreendermos nossa posição.

Existe uma parábola oriental sobre um mago rico que tinha muitas ovelhas. Ele também era muito sovina e se recusava a contratar pastores ou a pagar por uma cerca ao redor de seus pastos. Por isso, volta e meia as ovelhas vagavam pela floresta e caíam em ravinas. E, sobretudo, fugiam, pois sabiam que o mago queria seu couro e sua carne, e elas não queriam isso. Por fim, o mago encontrou uma solução: hipnotizou as ovelhas. Primeiro, fez com que pensassem que eram imortais e que nada lhes aconteceria quando tirassem sua pele, mas que isso seria muito bom para elas e que elas gostariam disso. Segundo, sugeriu que ele era um “Bom Mestre”, que gostava tanto de seu rebanho que faria qualquer coisa neste mundo por elas. Terceiro, sugeriu que, se algo fosse acontecer com elas, não seria naquele momento, ou não naquele dia pelo menos, e que por isso elas não tinham motivo para pensar a respeito. Finalmente, o mago fez com que seu rebanho pensasse que não eram nem mesmo ovelhas. A algumas, sugeriu que eram leões, elefantes ou águias; a outras, que eram homens e, a outras, que eram magos. Depois disso, ele nunca mais precisou se preocupar com suas ovelhas. Elas não fugiram, ficaram esperando pacientemente pelo dia em que o mago precisaria de sua pele e de sua carne.

Essa parábola é uma excelente ilustração da posição do homem. Se pudéssemos ver e compreender de fato o horror de nossa verdadeira situação, não seríamos capazes de suportá-la nem por um segundo. Começaríamos imediatamente a tentar encontrar um modo de escapar e logo o encontraríamos, pois existe uma saída. A única razão pela qual não a enxergamos é que estamos hipnotizados. “Despertar”, para o homem, significa “acordar da hipnose”. Logo, isso é possível, mas, ao mesmo tempo, difícil. Não há motivo orgânico para estarmos adormecidos. Podemos despertar, pelo menos na teoria. Na prática, porém, isso é quase impossível. Assim que despertamos por um momento e abrimos os olhos, todas as forças que nos fizeram adormecer ficam dez vezes mais poderosas. No mesmo instante voltamos a dormir, sempre sonhando que estamos acordando ou que estamos despertos.

No sono comum, às vezes acontece de querermos despertar sem conseguir. Às vezes pensamos estar acordados, mas ainda estamos dormindo, e isso pode acontecer várias vezes até conseguirmos despertar de fato. No sono comum, porém, após despertarmos, nos vemos em um estado diferente. Não é o caso do sono hipnótico. Não há maneira precisa de dizer se despertamos mesmo, pelo menos no começo. Não podemos nos beliscar a fim de ter certeza de que não estamos dormindo. E se, Deus nos livre, alguém tiver ouvido falar de alguma maneira de descobrir se estamos dormindo, nossa fantasia a transformará em sonho na mesma hora.


Georges Ivanovitch Gurdjieff




Fonte: do livro "Em Busca do Ser - O Quarto Caminho para uma Nova Consciência"
Ed. Pensamento, 1ª ed. digital, 2019, São Paulo/SP
www.editorapensamento.com.br
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terça-feira, 14 de dezembro de 2021

SERÁ QUE TUDO É SOFRIMENTO?


"Buda somente quer que nós reconheçamos o sofrimento quando o mesmo estiver presente."

Se não estivermos atentos à forma como praticamos, podemos ficar propensos a transformar as palavras do nosso professor numa doutrina ou ideologia.

Como Buda disse que a Primeira Nobre Verdade é o sofrimento, muitos bons alunos dele usaram suas habilidades para provar que, na Terra, tudo é sofrimento. A teoria dos Três Tipos de Sofrimento foi uma dessas tentativas. Não é um ensinamento de Buda.

O primeiro tipo de sofrimento é “a dor do sofrimento” (dukkha dukkhata), o sofrimento associado a sentimentos desagradáveis, como a dor de dente, a dor de perder a calma, ou a dor de sentir muito frio num dia de inverno.

O segundo tipo de sofrimento é “o sofrimento de coisas compostas” (samskara dukkhata). Tudo o que se junta tem que, eventualmente, se separar; portanto, todos os fenômenos compostos são descritos como sendo sofrimento. Mesmo aqueles fenômenos que ainda não se decompuseram, como as montanhas, os rios e o sol, são vistos como sofrimento, pois irão eventualmente se decompor um dia e causar sofrimento. Quando você acredita que todo fenômeno composto é sofrimento, como pode encontrar alegria?

O terceiro é “o sofrimento associado à mudança” (viparinama dukkhata). O nosso fígado pode estar hoje em boas condições, mas quando envelhecer vai nos causar sofrimento. Sendo assim, não há motivo para celebrar a alegria, uma vez que, mais cedo ou mais tarde, a mesma se transformará em sofrimento.

O sofrimento é uma nuvem negra envolvendo tudo. Alegria é uma ilusão. Somente o sofrimento é real.

Ao lermos isso, poderíamos pensar que Buda estivesse nos oferecendo a teoria de que “todos os fenômenos são sofrimento”, que devemos prová-la em nossa vida diária.

Mas em outras partes dos mesmos sutras, está dito que Buda somente quer que nós reconheçamos o sofrimento quando o mesmo estiver presente, e que reconheçamos a alegria quando o sofrimento estiver ausente.



Thich Nhat Hanh




Fonte: do livro "A Essência dos ensinamentos de Buda"
Via: Sobre Budismo - Sabedoria budista para o cotidiano
https://sobrebudismo.com.br/
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sexta-feira, 5 de março de 2021

A ILUSÃO DA SEPARATIVIDADE


Um ser humano é parte limitada, em tempo e espaço, de um todo chamado universo.

O ser humano vivência a si mesmo como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão.

Ele vê seus pensamentos e sentimentos como separados do resto - um tipo de ilusão da sua consciência. 

Essa ilusão é um tipo de prisão para nós mesmos, que nos restringe aos nossos desejos pessoais e às afeições apenas às pessoas que estão mais próximas.

Nossa tarefa deve ser nos livrarmos dessa prisão ao aumentar nosso círculo de compaixão, para que ele inclua todas as pessoas e toda a natureza na sua beleza.

Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.



Albert Einstein



Fonte não citada.
Fonte da Gravura: Tumblr.com

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

ESCUTA A CANÇÃO DA VIDA


Procura-a e escuta-a primeiro em teu próprio coração. A princípio talvez digas: "não consigo encontrá-la; ao procurar, encontro apenas discórdia". Procura mais fundo. Se ficares de novo desapontado, detém-te e busca mais fundo ainda. Existe uma melodia natural, uma fonte oculta em todo o coração humano. Pode escutar oculta e completamente escondida e silenciada - mas lá está. Na própria base da tua natureza encontrarás fé, esperança e amor. Aquele que escolhe o mal se recusa a olhar para dentro de si, fecha os ouvidos à melodia do seu coração, assim como tapa os olhos para a luz da sua alma. Ele procede assim porque acha mais fácil viver nos desejos. Porém, sob toda vida existe uma forte corrente que não pode ser detida; as grandes águas na realidade ali estão. Encontra-as e perceberás que ninguém, nem a mais maldosa das criaturas, deixa de ser parte dela, por maior que seja a sua cegueira em relação a esse fato, e mesmo que tenha construído para si uma horripilante máscara externa. É neste sentido que eu te digo: todos os seres entre os quais tu lutas são fragmentos do Divino. Tão enganadora é a ilusão em que vives, que é difícil que prevejas onde pela primeira vez detectarás a doce voz no coração dos outros. Sabe, porém, que ela está certamente dentro de ti. Procura-a em ti e, uma vez que a tenhas ouvido, mais prontamente a reconhecerás ao redor de ti.


Mabel Collins



Fonte: Luz no Caminho, Ed. Teosófica, Brasília-DF, 6ª ed. - www.editorateosofica.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 6 de setembro de 2020

A SABEDORIA DO DESENCANTAMENTO


Uma das características mais intrigantes do mundo natural é o mimetismo: insetos inofensivos imitam o desenho de outros insetos mais nocivos para escapar de seus predadores. Os escaravelhos femininos (*) imitam os sinais de acasalamento de outras espécies para atrair machos ansiosos e levá-los a um destino fatídico. O louva-a-deus (mantis religiosa) atrai suas presas imitando as flores, e as plantas de seixos são muito parecidas com as pedras, evitando assim se tornar comida para os animais. E a lista continua. O que muitas vezes não é entendido é que a arte do engano, implícita no desenho da Natureza, também é uma característica dos mundos internos. No caminho em direção à alma, há muitas armadilhas para o investigador incauto.

Claramente, a discriminação é essencial ao longo do caminho, pois é muito fácil cair presa das visões e dos sons enganosos do mundo astral e dos muitos imitadores que residem lá. Entre esses "encantadores" estão os imitadores dos Mestres de Sabedoria e outros luminares espirituais, imitadores que não são almas propriamente. Muitos desses ensinamentos e comentários triviais sobre os assuntos humanos são realizados com um sentimentalismo que busca ser reconfortante. Essas conchas são animadas por vidas elementais do mundo astral que são energizadas por sua interação com os seres humanos.

Como distrações e enganos são uma característica do plano astral, o caminho de Atma-Vidya, o "conhecimento da alma", tem sido recomendado como a ciência esotérica para nossos tempos. Helena Blavatsky considera que todos os outros Vidyas são "artes baseadas no conhecimento da essência final de todas as coisas nos Reinos da Natureza". Essa essência vincula os fenômenos da natureza física, externa, com a natureza psíquica do mundo astral e é por isso que não é aconselhável entrar em contato com ela. Estes Vidyas menores incluem "o conhecimento dos poderes ocultos despertados na Natureza através de certos ritos e cerimônias religiosas...". (1)

O objetivo recomendado para todos os buscadores hoje é a fusão com a alma através da prática de Atma-Vidya, caso contrário, podemos inconscientemente desviar-nos do caminho direto para a alma e entrar em um reino de "encantamento". 'Encantar' significa enfeitiçar e seduzir. É uma palavra derivada do latim 'incantare', que significa entoar um feitiço mágico e está intimamente relacionada com a palavra 'glamour' que tem raízes escocesas medievais de uma época em que se dizia que os praticantes do lado obscuro das artes ocultas lançavam o glamour. (2)

Alice Bailey explica que o glamour ou miragem é a característica excepcional do plano astral, que "O assim chamado “plano astral” é simplesmente o nome dado à soma total das reações sensoriais à resposta sentimental e à substância emocional que o homem mesmo criou e projetou com tanto êxito, sendo hoje a vítima de sua própria obra." (3) Na era atual, a substância da miragem é generalizada na cultura popular e nas indústrias do entretenimento, e é considerada algo que deve ser ativamente buscada. O glamour é geralmente entendido como a qualidade de ser "mais atraente, emocionante ou interessante do que pessoas ou coisas comuns". (4) Na verdade, é uma aparência que distorce a realidade, a distorção a que as pessoas que estão emocionalmente polarizadas são mais suscetíveis. Em suas formas mais sutis, engana muitas pessoas inteligentes e aspirantes ao longo do caminho, como explicado extensivamente no livro de Alice Bailey, 'Miragem: um Problema Mundial'.

No caminho de Atma-Vidya, o desencantar-se, afastando a miragem, é uma lição difícil, mas constantemente coloca o buscador espiritual sob o controle direto da alma, que é o princípio mediador entre o espírito e a matéria. A alma funde em um relacionamento harmonioso essas duas grandes correntes de energia, os princípios masculino e feminino na vida. Só então pode começar o trabalho mágico de criar "o novo céu e a nova Terra". (...)

Nesta era tecnológica materialista, é apropriado abordar esta questão à medida em que a humanidade experimenta um impulso crescente para se reconectar mais profundamente com a Mãe Terra e o divino feminino. O caminho a seguir é claramente demonstrado por aqueles que expressam a luz e o amor da alma: o grupo de servidores do mundo, muitos dos quais estão trabalhando com os reinos inferiores da natureza. A luz clara da alma flui através deles, revelando leis que operam na natureza e despertando a humanidade para a necessidade de uma nova relação para com o meio ambiente. Da mesma forma, o trabalho que fazemos na meditação... envolve o contato com a alma para ajudar a fazer com que a luz, o amor e o poder desçam à Terra, através da humanidade e dos reinos inferiores da natureza, na grande obra da redenção planetária.

Aqueles que se dedicam a este grande trabalho são integrantes do grupo de servidores do mundo (sejam ou não conscientes disso), e todos estão trabalhando em maior ou menor medida com o conhecimento da alma - Atma-Vidya -, a sabedoria do desencantamento.


Lucis Trust - Escola Arcana - Triângulos - Boa Vontade Mundial



Fonte: https://www.encontroespiritual.org/bartigos/bartigos_desencantamento.html
Fonte da Gravura: Tumblr.com



Notas:

1.Escritos Colecionados, H.P. Blavatsky, Vol IX. pp. 252-252
2.https://www.etymonline.com/word/glamour
3.O Reaparecimento do Cristo, A. A. Bailey, p. 130
4.https://www.collinsdictionarv.com/dictionarv/enelish/elamorous
(*) http://www.nationalgeographic.es/animales/luciernaga-bicho-de-luz - NT

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A HARMONIA NECESSÁRIA


[...] A harmonia é necessária, e o bem-estar a ela nos conduz. Mas pode-se confundir isso com prazer. O prazer traz uma insatisfação crônica, uma ansiedade eterna e uma sede insaciável. Há os que acreditam que a única batalha é aquela contra a dor, e que o mais não conta. Porém, não sabem o que representa a batalha contra o sentido de prazer.

A situação da Terra está de tal forma que ao homem não importa quem sucumba, nem os meios usados para concretizar os fins que almeja. Desse modo, é automaticamente perseguido por outros homens, no afã de conseguirem meios propícios para lograr o próprio prazer. Vêm assim as enfermidades incuráveis, a dor, a tristeza e a morte que vedes em torno.

Quando submergidos no prazer, a dor os consome, e ilusoriamente tratam de não vê-la. Para se tranquilizar, sonham com a imortalidade e com a panaceia curativa. [...]


Trigueirinho



Fonte: do livro "ERKS, mundo interno", Ed. Pensamento
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/mulher-barco-reino-unido-p%C3%B4r-do-sol-3214594/