sábado, 17 de setembro de 2022

ESTADOS DE CONSCIÊNCIA NO ASTRAL


Para a Ciência Iniciática, o ser humano é um reflexo, uma imagem do Universo e, portanto, tal como o Universo, é composto por regiões, por "corpos" diferentes. A ciência oficial ainda não admitiu esta realidade, e daí advêm muitos erros, nomeadamente na medicina e na psicologia.

Os hindus dividem tradicionalmente o ser humano em sete corpos, e a maior parte dos espiritualistas aceita esta divisão. O corpo mais material, e o único visível para nós, é o corpo físico, mas existem mais seis corpos compostos de uma matéria cada vez mais sutil, os corpos etérico, astral, mental, causal, búdico e átmico. Na realidade, o corpo etérico ainda faz parte do corpo físico e apresenta-se sob quatro estados, chamados éter-químico, éter-vital, éter-luz e éter-refletor. Por isso, podemos dividir o corpo físico em sete: os estados sólido, líquido e gasoso, e os quatro estados etéricos. Os outros corpos também podem ser divididos em sete; assim, no astral há três regiões inferiores e quatro regiões superiores, e é nestas regiões superiores que vivem os anjos.

O que é um anjo? Um anjo é uma criatura imortal feita de uma matéria tão pura, tão sutil, que nada de mau ou obscuro pode atingi-la. Vive na luz, na alegria absoluta, e conhece tudo excepto o sofrimento. O sofrimento tem sempre origem nos movimentos da natureza inferior, que causam distúrbios e perturbações. Um anjo não pode conhecer essas perturbações porque é absolutamente puro. Não existem anjos no plano físico, eles só se encontram a partir das regiões superiores do plano astral.

No limite entre o plano astral inferior e o plano astral superior, existe uma zona intermédia habitada por seres que estão a aperfeiçoar-se, a cortar os laços com as regiões inferiores, mas que ainda estão sujeitos aos tormentos causados pelas más influências do plano astral inferior e do plano físico. Por conseguinte, o plano astral é, ao mesmo tempo, o mundo do sofrimento e o mundo da alegria; da alegria quando o homem consegue depurar e sutilizar os seus desejos, e do sofrimento quando ele vive demasiado baixo, preso nas cobiças e nas paixões.

No momento da morte, o homem desliga-se do seu corpo físico, mas isso não é suficiente para ele ficar imediatamente liberto. Podemos dizer que ele fica ainda mais exposto aos tormentos do que quando estava na terra. Com efeito, durante a vida terrena, o nosso corpo físico é uma carapaça, uma couraça que nos impede de sentir a realidade do mundo psíquico; mas quando os seres, pela morte, se libertam do corpo físico e ficam no astral sem defesas, arriscam-se a sofrer bastante e a ser muito infelizes.

O Inferno não é senão um estado de consciência vivido muito intensamente no plano astral. Só depois de purificados por meio do sofrimento é que os seres conseguem, finalmente, sair de lá. Todos aqueles que mergulharam completamente numa vida de devassidão, de injustiças, de maldades e de crueldades, e que conseguiram escapar à justiça humana, quando morrem vêem-se confrontados no plano astral com todo o mal que fizeram; eles não podem encontrar refúgio em parte alguma, porque já não têm o corpo físico que os protegia e os insensibilizava, e sentem exatamente os sofrimentos que infligiram a outros seres quando estavam na Terra.

Certamente já tivestes pesadelos e reparastes que, na maior parte das vezes, o pesadelo se interrompeu de repente porque acordastes sobressaltados, contentes por vos encontrardes a salvo no vosso corpo físico e dizendo: «Felizmente foi só um sonho!»

Porque é que acordastes em sobressalto? Porque, subconscientemente, vós sabeis que, para vos defenderdes dos seres ou das forças hostis do plano astral, deveis regressar ao vosso corpo físico, que é como uma fortaleza onde podeis abrigar-vos. Se permanecerdes no plano astral, continuareis à mercê dos vossos inimigos. Mas vós deixais esse plano, regressais ao corpo físico, que é espesso, sólido, e escapais-lhes. É exatamente como se fôsseis perseguidos na rua e vos refugiásseis numa casa: aí não podereis ser atingidos pelas facas nem pelas balas.

A mesma lei existe em todos os domínios. Pode acontecer também que, durante as suas meditações, algumas pessoas se desdobrem, ou seja, se projetem fora dos seus corpos físicos, e sejam atraídas para as regiões perigosas do plano astral, onde são também perseguidas e ameaçadas. Então, a primeira coisa que devem fazer é regressar ao corpo físico para se abrigarem.

O corpo físico é uma boa fortaleza, mas se o homem tiver transgredido as leis do amor, da sabedoria e da verdade, quando deixa esse corpo, na altura da morte, é forçado a compensar, no plano astral, por todas essas transgressões. Isto não é invenção: os maiores Mestres da humanidade sempre o disseram; grandes artistas, pintores e poetas representaram esse mundo nas suas obras; e pessoas clinicamente mortas durante três ou quatro dias voltaram à vida e puderam contar o que tinham vivido no plano astral. O Céu permite que, de tempos a tempos, algumas pessoas passem por esta experiência, para levar os humanos a ganhar juízo, para lhes lembrar certas verdades.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto,Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

APRENDER A PERMANECER NA LUZ


Sair das sombras pode ser um processo doloroso. Todos nós temos o nosso esconderijo preferido onde nos refugiamos, para onde vamos quando queremos descansar um pouco. Mas sair para a luz é abrir mão de todos esses esconderijos porque tomamos como lugar de descanso, a pura luz de nosso Senhor Deus. Devemos ser muito simples sobre isso, como as crianças. Não complique. Simplifique.

Todos os exemplos e metáforas têm riscos. Não estamos falando aqui de uma luz ofuscante de uma lâmpada lançando uma luz branca cruel, implacável e impiedosa sobre nós. Quando falamos de Deus como luz, falamos de uma luz pura, suave, onipresente, uma luz pura que sempre nos ilumina e vivifica, e nos banha em seus raios. É uma luz brilhante e quente. É acima de tudo uma luz que revela a realidade como Amor e quando alcançamos essa luz, reconhecemos sua unidade pessoal, sua totalidade diante de nós. Reconheceremos também que permanecendo na luz poderemos ver nosso próprio ser, porque a luz nos permite ver tudo como é. Nossa tentação seria tentar analisar a luz, dividi-la em suas partes constituintes de seu espectro.

Análise e reducionismo são atitudes desastrosas na oração porque assumimos que o todo é feito de partes, que a parcialidade vem em primeiro lugar e que o todo é criado a partir daí. A fé, por outro lado, vai mais fundo do que a análise, confiando que o todo é anterior às suas expressões parciais. Assim que começamos a nos concentrar – a pensar – em algum atributo de Deus na oração, somos abandonados à experiência de Deus, porque Ele mesmo é inteireza e indivisibilidade na simplicidade.

O convite que cada um de nós recebe é para ver a luz plena e completa, porque nosso convite é ver o que é, seja o que for, em sua totalidade e plenitude. Aprender a permanecer na luz é o objetivo da meditação. A luz que nos ilumina nos ensina que Deus é tudo. A luz que ilumina nos ensina que só podemos ser quando estamos em Deus, porque Ele é tudo o que é.

Isto é o que aprendemos a ver claramente no brilho da luz, que Deus é, que Deus é tudo e que Deus é Amor. Lembre-se do caminho. O jeito é parar de pensar. O jeito é parar de imaginar. Ela desliga os processos da mente e fica silenciosa e atenta. A maneira de chegar a esse silêncio totalmente desperto e consciente e a maneira de desligar as operações da mente é aprender a dizer seu mantra*. Para aprender a dizer o mantra devemos ser humildes e pacientes. Devemos entender que levará tempo, que teremos falsos começos. Inevitavelmente haverá falhas das quais desistiremos. Mas não se preocupe com nada disso. A única coisa que importa é recomeçar. Recomeçar é estar na estrada, na peregrinação.

* Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação. 



Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VERDADEIRO DESAPEGO


Uma pessoa não pode desdobrar-se verdadeiramente se não aprendeu a desapegar-se… até ao último: a morte. Quantas pessoas não há que, como nunca aprenderam a desapegar-se, não conseguem, nem mesmo no momento da morte, desligar-se do corpo físico! Existem laços poderosos que as retêm. Enquanto estavam vivas, só pensavam nas questões materiais, no dinheiro, nos prazeres; então, como é que elas podem aceitar abandonar tudo isso? Assim, durante muito tempo, ficam vagueando em redor do corpo, pelos lugares onde viveram, perto dos seres que conheceram, e sofrem terrivelmente, até que servidores de Deus venham ajudá-las a libertarem-se. Outras, pelo contrário, deixam de imediato o corpo físico, como quem despe a camisa, tranquilamente, numa alegria maravilhosa. Por esta razão é que nas Escolas Iniciáticas sempre se ensinou os discípulos a cultivarem o desapego.

«Então - direis vós -, para nos desapegarmos temos de nos afastar do mundo, temos de deixar de nos dar com os humanos?» Não. Certos ascetas, certos eremitas, que compreenderam assim o desapego, fecharam-se num buraco, numa gruta de montanha… Eles pensavam que se tinham desapegado realmente, mas o seu desapego era apenas exterior. Na maior solidão, de repente eram assaltados por toda a espécie de desejo e cobiças. Graças à sua solidão, o "Diabo" podia visitá-los à vontade! A literatura está cheia de histórias que contam as tentações dos santos, dos eremitas… Não, não se trata de abandonar tudo, mas sim de compreender que o verdadeiro desapego é interior e que só a pureza pode conduzir-nos a ele.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AKASHA E PRANA: O UNIVERSO


Segundo os filósofos da Índia, todo o Universo se compõe de dois materiais, um dos quais é chamado Akasha. É a existência onipresente e onipenetrante. Tudo o que tem forma e é resultado de compostos, evolui deste Akasha. O Akasha se converte em gás, transforma-se em líquido, chega a ser sólido; o Akasha converte-se no Sol, na Terra, na Luz, nas estrelas, nos cometas; também se converte no corpo, no corpo animal, nos planetas, em todas as formas que vemos, tudo o que é pressentido e tudo o que existe. O Akasha não pode ser percebido, pois é tão sutil que está muito além de toda a percepção comum; só pode ser visto quando se torna denso e toma forma. No princípio da criação só existia este Akasha; no final do ciclo, os sólidos, líquidos e gases, todos fundir-se-ão de novo no Akasha, e a criação seguinte surgirá, de modo similar, deste Akasha.

Qual o poder que converte este Akasha no universo? É o poder do Prana. Assim como o Akasha é o material onipresente e infinito deste universo, Prana é o poder manifestante, onipresente e infinito deste universo. No princípio e no final de um ciclo, tudo se converte em Akasha, e todas as forças que existem no universo retornam ao Prana. No ciclo seguinte, deste Prana evoluirá tudo o que chamamos energia e força. Prana manifesta-se como movimento, gravidade e magnetismo. Prana manifesta-se como atividades do corpo, correntes nervosas e força mental. Desde o pensamento até a força física inferior, tudo é manifestação de Prana. Ao conjunto das forças do universo, mentais ou físicas, quando voltam a seu estado original, denomina-se Prana.



Swami Vivekananda




Fonte: do livro "Raja Yoga", Ed. Pensamento
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/abstract-pintura-penas-lindo-6047465/