domingo, 5 de dezembro de 2021

REFLEXÃO PARA O ADVENTO - O VERDADEIRO FIM É A LIBERTAÇÃO DO MEDO DO FIM


"Disse Jesus aos Seus discípulos: 'Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima. Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, como um laço; pois atingirá todos os que habitam a Terra inteira. Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem.'"

Para além de tudo o mais, os evangelhos são grandes obras de arte, de fato, são supremas obras de arte espiritual. Como acontece com todas a artes, eles refletem o que os seres humanos como nós sentem e iluminam esses sentimentos com perspetivas transformadoras. Pressentimos que eles nos conhecem ainda antes de nós os lermos. Trazem ao campo da consciência aquilo que normalmente permanece nas terras de fronteira não verbal e do não imaginado. Se os escutarmos com sabedoria, tornam o invisível visível. Mas alcançam isto por meio da interação com a nossa interpretação. Não são mágicos nem nos tratam de forma infantil. Se apenas tomarmos as palavras e as imagens de maneira literal, perdemos a oportunidade de espreitar por trás da tela e, como Daniel, "observar as visões da noite". Usemos as próximas quatro semanas para encontrar estas forças da sabedoria a que chamamos os evangelhos, duma nova forma mais íntima.

Ao iniciarmos o Advento, um tempo reservado pela ancestral sabedoria litúrgica para nos preparar para uma verdadeira celebração do Natal, começamos por ser apresentados a uma série de profecias apocalípticas. Hoje em dia, acostumamo-nos ao que parecem ser mensagens de desgraça e de trevas relativamente às previsões da mudança climática, à corrupção financeira, às guerras e às tragédias sofridas pelas famílias refugiadas, cruelmente usadas como objetos pelos políticos ou pelos traficantes. Mas as palavras de Jesus no evangelho lido no Advento, a descrição do Dia do Juízo, continuam a ser arrepiantes. Muitos cristãos interpretam-nas mal, como se fossem previsões (que são diferentes de profecias), e tomam-nas de forma literal. Fazem-no mesmo apesar do fato de Jesus, falando como o culminar da linhagem de profetas bíblicos, se referir a coisas que acontecem em todas as eras. Vejam só as notícias de hoje.

Talvez a tendência para as tomar ao pé da letra revele o medo daquilo que elas realmente querem dizer. Elas ilustram o sentido de mortalidade de cada ser humano bem como o terror que emana dum mundo de constante mudança, sobre a qual temos muito pouco controle. É mais fácil convencermos a nós mesmos de que o mundo irá emular-se em chamas amanhã do que viver pacificamente com o fato de que qualquer um de nós poderá morrer antes de o dia de hoje terminar.

Porém, estas profecias não são sensacionalistas e não terminam com o instilar de medo. Em vez disso, há uma injunção a que estejamos despertos, alerta, a que rejeitemos a devassidão das distrações prejudiciais, descobrindo a realidade escondida, mas sempre presente, da oração contínua. Olhemos para dentro, não para o céu. Estejamos presentes para o presente que está presente, em vez de imaginarmos o amanhã.

O "Caminho" do Evangelho não é o de viver no medo e a tremer. É reconhecer quando somos manipulados pelo medo, a partir do nosso inconsciente ou a partir dos meios de comunicação, e escolher, em vez disso, o caminho da "libertação". O verdadeiro Fim é a libertação do medo do fim.

Deixem-me sugerir-vos, para cada semana do Advento, uma aptidão a aprender. Esta semana, poderia ser a de guardar o nosso coração e a nossa mente do medo e da sua descendência, de o denunciar e dançar livremente sobre ele.



Laurence Freeman, OSB




Fonte: Comunidade Mundial de Meditação Cristã - Portugal
Bonnevaux
www.meditacaocrista.com
Canal Youtube: Meditação Cristã-WCCM Portugal
Facebook: https://www.facebook.com/meditacaocristaportugal
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/buda-zen-medita%c3%a7%c3%a3o-4264589/

DEUS EM NÓS


Para encontrarmos Deus em nós, temos de parar de olhar para nós mesmos, de nos inspecionar e verificar no espelho da nossa futilidade.

Devemos contentar-nos em ser em Deus e de fazer o que Ele quiser, conforme as nossas limitações, julgando os nossos atos não à luz das nossas ilusões, mas à luz da Sua realidade que nos cerca nas coisas e pessoas com quem vivemos.



Thomas Merton, OCSO



Fonte: do livro "Homem Algum é uma Ilha", (Petra, 2021), p. 117
Via Associação Thomas Merton - https://merton.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/natureza-fonte-agua-reflex%c3%a3o-254951/

DESAFIO ÀS LEIS UNIVERSAIS


Tal como o Universo, o ser humano é regido por leis, e quem vai contra essas leis é infeliz e consternado.

Infelizmente, em todo o mundo só se vê pessoas com todo o tipo de pensamentos, sentimentos e projetos, que imaginam que serão bem-sucedidas.

Mas não, elas acabarão muito mal. Direis que a culpa não é delas, que ninguém as instruiu. Dizei antes que foram elas que não procuraram ser instruídas.

Quando se busca com sinceridade, a luz vem.

Se procurardes um instrutor, ele virá.

Mas a maioria das pessoas procuram sobretudo a satisfação dos seus desejos e caprichos e, nesta busca, chocam com forças que as dilaceram.

Até agora, jamais alguém conseguiu opor-se aos poderes do Universo, às ondas, aos raios que o atravessam.

As pessoas dizem: "Eu desafiarei todas as leis, vencerei, obterei o que quero."

Mas não; elas serão infelizes.



Omraam Mikhaël Aïvanhov 




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/desafio-crocodilo-homem-de-negocios-73325/