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sexta-feira, 7 de abril de 2023

O SACRIFÍCIO DA EUCARISTIA


Sacrifício da Eucaristia, um símbolo do Sacrifício eterno, o sacrifício diário da Igreja Católica em todo o mundo, espelhando o Sacrifício eterno pelo qual os mundos foram feitos, e pelo qual são eternamente mantidos. Por ser perpétua a existência do seu arquétipo, deve ser ele oferecido diariamente, e, para essa celebração, os homens põem em ação a própria Lei do Sacrifício, com ela se identificando, reconhecendo-lhe o caráter de unificação e voluntariamente se associando a ela na ação que exerce nos diferentes mundos.

Esta grande função do culto Cristão perde sua força e significado quando é considerada nada mais que uma mera comemoração de um sacrifício passado, como uma alegoria figurada sem uma verdade profunda que o anime, como uma partilha do pão e do vinho sem uma participação no Sacrifício eterno. Vê-la assim é torná-la uma mera concha, uma imagem morta em vez de uma realidade viva.

Todos os que comem de um sacrifício se tornam partícipes de uma natureza comum, e são reunidos num só corpo*, que está unido e participa da natureza do Ser que está presente no sacrifício. Aqui está envolvido um fato do mundo invisível... Seres invisíveis derramam sua essência nos materiais usados em qualquer rito sacramental, e aqueles que compartilham destes materiais - que são assimilados pelo corpo e passam a fazer parte de seus constituintes - são por isso unidos àqueles cuja essência está neles, e todos compartilham de uma mesma natureza.

Se entendermos o significado e uso da Eucaristia devemos compreender estes fatos dos mundos invisíveis, e deveremos ver nela um elo entre o terreno e o celeste, bem como um ato de adoração universal, uma co-operação, uma associação, com a Lei do Sacrifício, senão ela perde grande parte de sua significância.

O pão permanece como o símbolo geral para a comida que constrói o corpo, e o vinho como símbolo do sangue, considerado como o fluido vital, "pois a vida da carne está no sangue" (Levítico, XVII, 11). Na Eucaristia os adoradores participam do pão, simbolizando o corpo, a natureza, de Cristo, e do vinho, simbolizando o sangue, a vida do Cristo, e se tornando parte da Sua família, unos com Ele.

A Palavra de Poder é a fórmula "Este é o Meu Corpo", "Este é o Meu Sangue". Isto é o que produz a mudança..., e transforma os materiais em veículos para energias espirituais. O Sinal de Poder é a mão estendida sobre o pão e o vinho, e o Sinal da Cruz feito sobre eles. Estas são as partes externas essenciais do Sacramento da Eucaristia.

É importante entendermos a mudança que tem lugar neste Sacramento, pois ela á mais do que a magnetização..., embora ela também ocorra. Temos aqui um exemplo particular de uma lei geral.

Para o ocultista, uma coisa física é considerada como a expressão última, física, de uma verdade invisível. Tudo é uma expressão física de um pensamento. Um objeto não passa de uma ideia externalizada e densificada. Todos os objetos no mundo são ideias Divinas expressas na matéria física. Sendo assim, a realidade do objeto não está em sua forma exterior, mas em sua vida interna, na ideia que o modelou numa expressão de si mesma. Nos mundos superiores, sendo a matéria ali muito sutil e plástica, ela conforma-se rapidamente à ideia, e muda de forma quando o pensamento muda. À medida que a matéria se torna mais densa, mais pesada, ela muda mais lentamente, até que no mundo físico as mudanças estão em seu ponto mais lento, em consequência da resistência da matéria de que o mundo físico é composto.

Esta é a verdade que subjaz àquilo que é chamado de doutrina da Transubstanciação...  A "substância" que é alterada é a ideia que faz uma coisa ser o que é; "pão" não é meramente farinha e água; a ideia que governa a mistura, a manipulação da farinha e da água, esta é a "substância" que o faz ser "pão", e a farinha e água são o que se chama tecnicamente de "acidentes", os arranjos de matéria que dão forma à ideia. Com uma ideia, ou substância, diferente, a farinha e a água tomariam uma forma diferente, como o fazem quando são assimiladas pelo corpo. Assim também os químicos descobriram que o mesmo tipo e o mesmo número de átomos químicos pode ser arranjado em diferentes maneiras e se tornar assim coisas inteiramente distintas em suas propriedades, embora os materiais não tenham sido mudados.

O que, então, é esta mudança de substância nos materiais usados na Eucaristia? A ideia que faz o objeto foi mudada; em seu estado normal o pão e o vinho são alimentos, expressivos das ideias divinas de objetos nutritivos, objetos adequados á construção dos corpos. A ideia nova é a da natureza e vida de Cristo, adequada para a construção da natureza e vida espirituais do homem. Esta é a mudança de substância; o objeto permanece inalterado em seus "acidentes", seu material físico, mas a matéria sutil associada a ele mudou sob a pressão da ideia alterada, e por esta mudança novas propriedades são lhe comunicadas. Elas afetam os corpos sutis dos participantes, e os sintonizam na natureza e vida do Cristo. Da "dignidade" do participante depende a extensão em que ele poderá ser sintonizado.

Deste modo tem sido ensinado verdadeiramente na Igreja que aqueles que corretamente tomam parte na Eucaristia desfrutam de uma participação na vida Crística derramada para os homens. A transmutação do inferior no superior é o objetivo deste Sacramento. A mudança da força inferior por sua união com a superior é o que é buscado por aqueles que nela participam; e aqueles que conhecem a verdade interna, e compreendem o fato da vida superior, podem, em qualquer religião, através de seus sacramentos, entrar em contato mais pleno e completo com a Vida divina que sustém os mundos, se eles levam ao rito a atitude receptiva, o ato de fé, o coração aberto, que são necessários para a possibilidade do Sacramento ser realizado.

* Companheirismo - conforme Alice A. Bailey, em seu livro "De Belém ao Calvário". Ver texto em https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2023/04/a-eucaristia-e-o-companheirismo.html (Nota deste blog)



Annie Besant




Fonte: do livro "O Cristianismo Esotérico"
Ed. Pensamento, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/religi%c3%a3o-eucaristia-eucar%c3%adstico-1990055/

domingo, 12 de dezembro de 2021

A REENCARNAÇÃO COMO TEORIA DA EVOLUÇÃO DA ALMA


Neste ponto da estrada, o conceito de Reencarnação, ou sua teoria, não é algo inteiramente novo para nós; na verdade, com certeza, muitos de nós nascemos com essa ideia tão clara que não precisamos de muitas explicações para entendê-la e aceitá-la como verdadeira.

Frequentemente, nos deparamos com descrentes, cujo principal argumento de reputação é que a ciência moderna, com tudo o que avançou, ainda não encontrou uma maneira de comprovar essa teoria, e se blindam, diante da possibilidade de realidades que não podem ser percebidas pelos sentidos.

Nós outros, continuamos com a intenção de permitir que o desconhecido se mostre, em devido tempo, sem ter problemas do que os outros possam pensar.


ABERTURA DA MENTE

A capacidade de algumas pessoas de ter uma mente aberta é considerada um sinal de evolução. Saber que existem realidades que ainda não somos capazes de ver, ouvir, sentir ... é uma qualidade mental lógica, intelectual e analítica.

Podemos citar ondas de rádio (ondas hertzianas) que viajam pelo ar, sem serem apreciadas pelo olho humano, ou linhas de Hartmann, linhas de Curry etc., como exemplos da existência de fenômenos, imperceptíveis para nós que, se não tivéssemos dispositivos que os detectam, nunca saberíamos de sua presença.


NATUREZA E EVOLUÇÃO

O princípio da reencarnação é baseado na teoria da evolução. Algo tão básico e fácil de observar que nos é mostrado pela própria natureza.

Se olharmos ao nosso redor, perceberemos a evolução por qual passam todas as espécies, do nascimento à vida adulta e a forma como estão se transformando, se desenvolvendo e aprendendo, a partir das experiências vividas.

Para a filosofia esotérica, a explicação dessa crença é a seguinte: "a vida é uma existência única, de duração ilimitada, com períodos alternados de atividade e descanso (comumente chamados de vida e morte), que consiste na passagem de uma forma a outra, à medida que se desenvolve e está armazenando a experiência adquirida durante a viagem."

Em contraposição, haveria a ideia de que as almas, sem passado por trás delas, emergem subitamente à existência, do "não ser", com particularidades mentais e morais, ou com traços físicos e raciais específicos.

Ou seja, cada alma é uma nova criação, feita quando a criança nasce, "marcada" por tendências virtuosas ou viciosas, dotada de habilidade ou falta de jeito, pelo capricho arbitrário de seu criador.


COM SERES EMERGENTES DE NENHUMA PARTE, NOSSO MUNDO SERIA CAOS

Essa ideia nos mostraria um caos e um absurdo que não se manifestam, nem mesmo nas "regiões inferiores" do nosso cosmos, uma vez que essas regiões são belas e ordenadas obras da natureza.

Mas, graças ao fato de estarmos rodeados de almas muito avançadas e que nasceram com nobres qualidades mentais e morais, podemos perceber que seria impossível chegar do nada, com um estado de evolução tão elevado, de repente.

É lógico pensar que essas almas evoluíram em outros mundos, antes de seu "único" nascimento neste.


O PROCESSO

Para explicar o processo, tomaremos como exemplo uma pessoa que está nos últimos momentos de uma de suas vidas na Terra. Essa pessoa passa pela morte física e, uma após a outra, perde os vínculos com seus diferentes corpos: físico, astral e mental. Estes se "desintegram" completamente e suas partículas são remisturadas com os materiais de seus diferentes planos.

A relação dessa pessoa com o seu veículo físico é completamente interrompida e terminada, mas os corpos astral e mental permanecem "à disposição" dessa alma, como sementes das qualidades e faculdades, resultantes das atividades desta última vida terrestre, e eles permanecerão armazenados em seu corpo causal.


SEMENTES PERMANECEM ARMAZENADAS NO CORPO CAUSAL

Essas faculdades surgirão, no novo estágio da vida na Terra, dessa alma.

Este processo se repete a cada vez que ela tem que reencarnar, de forma que cada vez que renasce na Terra, essa alma evolui um pouco mais, pois muitos aspectos do personagem terão sido “conquistados” por ele e ele vai refinar seu ser até que ele consiga não precisar de mais reencarnações (depois de muitos retornos).


ESTE TRABALHO ENVOLVE A AÇÃO DO KARMA

Cada vez que a alma reencarnou na Terra e aprendeu e evoluiu, também criou vínculos e responsabilidades com outras pessoas (outras almas). Ele terá agido correta e incorretamente, com boa e má vontade, fazendo mal ou fazendo o bem.

Todas essas ações formarão um Karma, que então será utilizado para trabalhar e melhorar o comportamento do indivíduo que se elevará numa espécie de "escala de evolução".

Por todo o Karma que se gera, com diferentes pessoas e em diferentes situações, fica clara a necessidade de muitas reencarnações para se aprender a partir das vivências.


POR QUE NÃO NOS LEMBRAMOS?

A dificuldade da memória não está no esquecimento (faculdade mental), pois o corpo físico nunca passou pelas vidas anteriores de seu dono; em vez disso, reside na capacidade de absorção do corpo presente em seu ambiente atual e em sua rude falta de sensibilidade às delicadas "altas vibrações da Alma".

Quem quer se lembrar do passado tem que purificar e refinar o corpo, até poder receber as impressões das "esferas" mais sutis.

Para as pessoas que adquiriram a necessária sensibilidade do corpo físico, a Reencarnação deixa de ser uma teoria e passa a ser uma questão de conhecimento pessoal.



Angélica Chouciño



Referência bibliográfica: "A Sabedoria Antiga",  Annie Besant



Fonte: https://hermandadblanca.org/la-reencarnacion-como-teoria-de-la-evolucion-del-alma/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/casulos-larva-larvas-329089/

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A LEI DO SACRIFÍCIO E A UNIDADE DA VIDA


[...] O homem que vive segundo a Lei do Sacrifício compreende a unidade do Ser, e reconhece apenas uma diferença no veículo em que está contido e não na vida que nele habita; por esta razão, ele colhe, em seu veículo separado, sabedoria e conhecimento somente com a finalidade de compartilhar com os outros, e para os outros; perde completamente o senso de vida separada, e torna-se parte da Vida do Mundo.

À medida que compreende isso, e sabe que o único valor do corpo é ser um canal do superior, ser um instrumento daquela vida, lenta e gradualmente ele se eleva acima de todo pensamento, exceto o pensamento de unidade, e se sente parte deste grande mundo sofredor. Então ele sente que as aflições da humanidade são as suas aflições, os pecados da humanidade são seus pecados, as fraquezas do seu irmão são suas fraquezas; assim realiza a unidade, e, através de todas as diferenças, vê o subjacente Ser Uno.

Somente desta maneira podemos viver no Eterno.

"Aqueles que veem diferenças passam de morte em morte"; assim falam os Shruti*. O homem que vê diferenças, na verdade está morrendo continuamente, pois vive na forma - que está se deteriorando a cada momento e que portanto é morte - não no Espírito, que é vida.

Exatamente, então, na proporção em que... não reconheçamos a diferença entre um e outro, mas sintamos a unidade da vida, sabendo que essa vida é comum a todos, e que ninguém tem o direito de se vangloriar de sua parte dessa vida, nem de se sentir orgulhoso de que sua parte é diferente da de outro, somente assim e nessa proporção é que viveremos a Vida Espiritual.

Essa, ao que parece, é a última palavra da Sabedoria que os Sábios nos ensinaram. Nada menos do que isso é espiritual, nada menos do que isso é sabedoria, nada menos do que isso é vida verdadeira. [...]


Dra. Annie Besant



Fonte: do livro "As Leis do Caminho Espiritual", pp. 110-12, Tradução de Maria Teresa D. Moreira e Edvaldo B. de Souza. Ed. Teosófica, Brasília, 2011 - www.editorateosofica.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


Nota:
* Shruti (do Sânscrito "aquilo que é ouvido") é um cânon de escrituras hindus. (Wikipédia)

domingo, 24 de maio de 2020

O CARMA NÃO OPRIME


O karma é a grande lei da natureza, com tudo o que isso implica. Assim como somos capazes de nos movermos no universo físico com segurança, conhecendo suas leis, também podemos nos mover com segurança nos universos mental e moral quando aprendemos suas leis.

A maioria das pessoas, a respeito de seus defeitos mentais e morais, estão muito como na posição do homem que recusa subir as escadas por causa da lei da gravidade. Ele senta-se desanimado, e diz: "Esta é minha natureza, não posso fazer nada". É verdade, é a natureza do homem, já que ele a construiu no passado, e é "seu karma". Mas com um conhecimento sobre o karma ele pode mudar sua natureza, tornando-a amanhã diferente do que é hoje. Ele não está nas garras de um destino inevitável, imposto de fora sobre si; ele está num mundo de lei, cheio de forças naturais que ele pode utilizar para produzir o estado de coisas que ele deseja. O conhecimento e a vontade - isto é o que ele precisa.

Ele deve perceber que o karma não é um poder que oprime, mas um estabelecimento de condições das quais derivam resultados invariáveis. Enquanto ele viver negligente, em um caminho fortuito, enquanto ele for como um homem flutuando na corrente, atingido por qualquer entulho que passa, soprado por qualquer brisa casual, sugado por qualquer redemoinho casual, isto promete fracasso, azares e infelicidade.

A lei lhe possibilita atingir seus fins com sucesso, e coloca a seu alcance forças que ele pode usar. Ele pode modificar, alterar e reconstruir ao longo de outras linhas a natureza que é o resultado inevitável dos seus desejos, pensamentos e ações anteriores; esta natureza futura é tão inevitável como a presente: o resultado das condições que ele cria agora deliberadamente.

"O hábito é uma segunda natureza", diz o provérbio, e o pensamento cria hábitos. Onde existe Lei nenhuma conquista é impossível, e o karma é a garantia da evolução do homem até a perfeição mental e moral.


Dra. Annie Besant, MST



Fonte: do livro "Um Estudo Sobre o Karma", Ed. Pensamento, SP
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

sábado, 16 de maio de 2020

CORPO FÍSICO E VIBRAÇÕES DA CONSCIÊNCIA SUPERIOR


Eis aqui as providências essenciais, que permitem ao corpo físico responder às vibrações da consciência superior:

- Eliminar os materiais grosseiros que este corpo encerra, por meio de uma alimentação e vida puras;

- Subjugar inteiramente as paixões e cultivar sempre um equilíbrio emocional e mental que não seja afetado pelo turbilhão e vicissitudes da vida exterior.

- Acostumar-se à meditação calma sobre assuntos elevados, desviando a mente dos objetos dos sentidos, assim como das imagens mentais deles derivadas, para fixá-la em coisas superiores.

- Evitar toda a pressa, e sobretudo esta excitação febril do pensamento, que obriga o cérebro a trabalhar continuadamente, saltando de um assunto para outro.

- Desenvolver um amor sincero pelas coisas do mundo superior, que as torna mais atraentes que as do inferior, de modo que a mente descanse em sua companhia como na de um amigo querido.

De fato, estas providências são semelhantes às que se necessitam para que a alma se separe conscientemente do corpo, e que já foram assim descritas (*):

- O estudante deve começar pela prática de uma extrema ponderação em todas as coisas, cultivando um estado equânime e sereno da mente.

- Sua vida deve ser limpa e os seus pensamentos puros, trazendo o seu corpo numa constante submissão à alma, e sua mente treinada a se ocupar com assuntos nobres e elevados.

- Deve fazer da compaixão e da simpatia um hábito constante, sempre disposto a ir em auxílio dos outros sem se preocupar com as contrariedades e satisfações que o afetam pessoalmente.

- Deve cultivar a coragem, a constância e a devoção.

- Em resumo, deve viver a religião e a ética que, para outras pessoas, é apenas verbal.

- Tendo aprendido, por uma aplicação perseverante, a governar a sua mente até certo ponto, de modo a mantê-la fixa, durante algum tempo, em uma mesma linha de raciocínio, deve iniciar para ela um treinamento mais rígido ainda, por uma prática diária de concentração sobre algum assunto difícil ou abstrato, ou sobre algum objeto de elevada devoção. Esta concentração significa a firme fixação da mente em um ponto único, sem oscilar, sem distrair-se com objetos exteriores ou com a atividade dos sentidos, ou mesmo com a da mente. Ela deve ser mantida com fixidez e energia inflexíveis, até que, finalmente, aprenda assim a retirar sua atenção tão completamente do mundo exterior e do próprio corpo, que os sentidos possam permanecer calmos e tranquilos, enquanto a mente está intensamente ativa, com todas as suas energias concentradas para o interior e dirigidas sobre um único ponto de pensamento, o mais elevado que lhe seja possível alcançar.

- Uma vez que ela seja capaz de manter-se assim com certa facilidade, está pronta para mais um passo: por um esforço poderoso, mas calmo da vontade, a mente lançar-se-á além do mais elevado pensamento que possa atingir enquanto funcionar no cérebro físico, e nesse esforço se elevará e se unirá com a consciência superior e achando-se livre de seu corpo físico.

- Quando isto for conseguido, não se experimenta nenhuma impressão de sono ou de sonho, nem de qualquer perda de consciência. O homem acha-se fora de seu corpo, com a sensação de sentir-se aliviado de um fardo pesado, e não de haver perdido qualquer parte de si mesmo. Não está realmente privado do corpo, apenas elevou-se fora de seu corpo físico para um corpo de luz que obedece aos seus mínimos pensamentos e lhe serve como um belo e perfeito instrumento para a execução de sua vontade. Revestido deste corpo, pode percorrer à vontade os mundos sutis, mas as suas faculdades necessitarão de uma educação longa e cuidadosa, antes de poderem trabalhar, de maneira confiável, nestas condições novas.

- Pode-se chegar a libertar-se do corpo ainda por outros métodos: pelo êxtase intenso de devoção, ou por métodos especiais que um grande Instrutor pode comunicar ao seu discípulo. Qualquer que seja o método, o fim é o mesmo: a libertação da alma plenamente consciente, capaz de examinar seus novos ambientes que se situam em regiões inacessíveis ao homem de carne. Pode retornar à vontade ao corpo e nele entrar, e nestas condições, pode imprimir no cérebro físico e transmitir ao estado de vigília a lembrança das experiências que adquiriu.


Annie Besant


Nota: (*) Em "Condições da Alma Depois da Morte", Nineteenth Century, Nov. 1896.


Fonte: do livro "A Sabedoria Antiga"
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org