segunda-feira, 13 de maio de 2013

A VIDA


A vida surpreende-nos a todos através do veículo da morte, que nos convida à outra dimensão de pensamento e vida, quando a consciência, livre dos impositivos cerebrais, desperta "in totum" para a compreensão do ser que somos. Felizes, portanto, aqueles que, diante da verdade, não procuram mecanismo escapistas nem formulações paliativas, mediante os quais fogem do enfrentamento com o dever, procurando a reabilitação que se faz indispensável. Ninguém, todavia, foge de si mesmo.

Não é necessário prestar-se a satisfação aos outros, a respeito dos atos, nobres ou horrendos, porque o problema é interno, pessoal, intransferível. E graças a essa conduta dúplice - a interior, que é legítima, e a externa, que se apresenta como convencional, a da aparência - que incontáveis indivíduos derrapam nos transtornos neuróticos da depressão e de mais graves injunções psicóticas, exatamente por desejarem impedir o reflexo dos atos monstruosos que lhes constituem o caráter real.

Indiscutivelmente são bem aventurados aqueles que se encontram no eito das aflições transitórias, porque se lapidam para futuras experiências, resgatam as promissórias em débito, preparando-se para as inefáveis alegrias existenciais e espirituais.

As aquisições de sabor moral e espiritual, como a paz de espírito, que decorre da consciência responsável, aquela que resulta de pensamentos saudáveis, de palavras justas e de conduta correta, o enriquecimento interior mediante o conhecimento e a prática do Bem, o serviço fraternal de misericórdia e de socorro, aumentam os sentimentos de amor, de caridade e de iluminação interna. 

O nosso único objetivo é proporcionar orientação para apressar a instalação do reino de Deus entre os habitantes físicos da Terra, evitando que tombem nas desgraças reais.

Nunca se poderá conhecer a dimensão do sofrimento sem que seja experimentado por cada qual.




Divaldo Pereira Franco/Victor Hugo




Fonte: do livro "Os Diamantes Fatídicos"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS


Houve na História seres cuja ação e influência, em dado momento, alteraram completamente a vida de milhões de outros seres humanos. Mas, de fato, eles foram apenas os condutores de acontecimentos que estavam a ser preparados há muito tempo e que alguns talvez tenham intuído. 

Do mesmo modo, para aqueles que são vítimas, um tremor de terra, por exemplo, é um fenômeno que ocorre de um modo extremamente súbito, mas, na realidade, ele é o resultado de longos processos que o antecederam e cujos sinais prenunciadores teria sido possível perceber. 

Nada no universo nasce de um momento para o outro, nada se realiza num instante, tudo o que ocorre estava em marcha há muito tempo. O nosso mundo não é o das causas, mas o das consequências. E esta lei não rege só os acontecimentos que se dão na sociedade ou na natureza; vemo-la agir também em nós. 

A saúde e doença são precisamente aplicações dela. Alguém está de boa saúde e um dia, bruscamente, é vítima de um ataque cardíaco ou de um acidente cerebral. Ele diz: «Foi em tal dia que eu fiquei doente.» Não, a doença declarou-se realmente nesse dia, mas ela já estava a caminho há muito tempo.


Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VACUIDADE E RENÚNCIA


Sidarta (Buda) descobriu que a única maneira de confirmar a existência real de alguma coisa é provar que ela existe independentemente, livre de interpretação, fabricação ou mudança. Para Sidarta, todos os mecanismos aparentemente funcionais para nossa sobrevivência diária  -  físicos, emocionais e conceituais  -  caem fora dessa definição. São todos apenas combinações de partes instáveis e impermanentes, portanto estão sempre mudando. (...)

Por exemplo, você poderia dizer que seu reflexo no espelho não tem existência própria porque ele depende de você estar em pé na frente dele. Se fosse independente, então mesmo sem o rosto, deveria haver um reflexo. De modo similar, nada pode realmente existir sem depender de incontáveis condições.

(...) como não temos a inteligência de ver as partes das coisas, nos conformamos em vê-las em conjuntos. Se todas as penas são tiradas de um pavão, deixamos de ficar maravilhados. Mas não estamos querendo muito nos render a ver o mundo dessa maneira.

É como estar aninhado na cama tendo um bom sonho, levemente consciente de estar sonhando, mas não querendo acordar. Ou ver um belo arco-íris e não querer chegar perto, pois ele irá desaparecer.

Ter o espírito corajoso de acordar e examinar é o que budistas chamam de "renúncia". Diferentemente da crença popular, a renúncia budista não é auto-flagelação ou austeridade. 

Sidarta se esforçou e foi capaz de ver que TODA A NOSSA EXISTÊNCIA SE RESUME A ETIQUETAS COLOCADAS EM FENÔMENOS QUE NÃO EXISTEM REALMENTE. COM ISSO ELE EXPERIMENTOU O DESPERTAR.



Dzongsar Khyentse Rinpoche



Fonte: do livro "What Makes You Not a Buddhist"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal