quinta-feira, 14 de maio de 2020

O PROBLEMA DA IMORTALIDADE


A Humanidade, deslocada dos legítimos preceitos da moral – Moral Divina, Religião de todos os tempos e de todos os povos, que foi substituída criminosamente por mandamentos humanos e cultos esdrúxulos – não cogita, mormente nos tempos em que nos achamos, dos seus deveres e seus destinos.

São relativamente poucos os que pensam no dia de amanhã a não ser para auferir bastardos lucros. Entretanto, a pequena, a insignificante fração que constitui esses poucos, esforça-se e trabalha, uns para a conquista de uma crença verdadeira que bem lhes oriente no caminho da vida, outros, para verem resolvido, no nosso planeta, o grande problema, o problema máximo cuja resolução é, de fato, o que nos oferece maiores promessas, mais valorosos benefícios.

A Imortalidade é, com efeito, o pivô sobre o qual se devem movimentar todos os cometimentos para uma orientação segura da vida. A sabedoria e as virtudes nunca terão grande razão de ser enquanto os homens se desinteressarem pela imortalidade. A resolução do grande problema afeta por tal forma todas as ramificações do saber humano, que permaneceremos estacionários se a Humanidade, ou antes, os homens continuarem a pôr à margem esta questão de interesse político, religioso, científico e social, pois, de fato, é ela a base fundamental de todos os problemas que inflamam o cérebro e fazem palpitar o coração; é, na verdade, o ponto de partida para todos os estudos; é sobre essa rocha que se deverá erguer o grande edifício, o enorme Monumento onde pontificarão: a Ciência, a Religião, a Filosofia, as Artes. A própria Paz, interna e externa, não se conseguirá, nos países e nas nações, sem a Luz da Imortalidade, assim como sem ela é impossível manter a Fraternidade entre os povos.

Pascal dizia com suma razão: "A imortalidade é o nosso primeiro interesse, é uma coisa de tal importância que é preciso ter perdido toda a sensibilidade para ser indiferente ao seu conhecimento". Com efeito, não é a solução desse problema que aclara a nossa razão, ilumina o nosso destino, dá sentido ao nosso futuro pessoal, à nossa existência? Não é a solução desse problema que nos dá uma orientação firme, norteando a nossa vida ao influxo de nobres paixões, de uma moral legitima e edificante? Poderão a negação e a dúvida produzir semelhante milagre, formar caracteres, arregimentarmos para enfrentar os dissabores da existência, as decepções cotidianas que nos assaltam e oprimem?

Quem não se viu ainda em frente do desespero, quem não se deteve à porta fechada de um túmulo, quem não viu desaparecer do seu convívio um ente querido, quem, nos momentos angustiosos, não disse para si mesmo – a morte é o fim de toda essa tragédia que os homens representam no grande palco do mundo? Tragará ela os bons como os ruins, os virtuosos, os abnegados, os sábios que, debruçados sobre livros ou absorvidos em seus laboratórios, trabalham pela coletividade, pela bem geral, pela comunidade?

Os nossos entes amados, objetos da nossa afeição, aqueles que constituíram nossos melhores afetos, nossa veneração, nosso amor, serão dissolvidos, extintas nos abismos do nada? Será que não somos mais que um volume de carne cobrindo um esqueleto, formando ao todo uma combinação de oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono? Será que não somos mais que uma armação de ossos coberta de albumina e fibrina, com uma rede de nervos imersa num lago de água?

Os pensadores, os que procuram encarar a vida tal como é, não teriam meditado nunca? Não lhes teria passado pela mente essas naturalíssimas conjeturas, essas considerações que surgem no nosso cérebro e em nosso coração nos momentos difíceis que atravessamos, quando sentimos a vida pesada, quando o aguilhão das contrariedades nos assalta e oprime?

E como responder a todas essas perguntas sem resolver o grande problema que é a chave principal, a chave "mágica", que abre todas essas portas fechadas à nossa razão, à nossa inteligência, ao nosso sentimento, ao nosso coração?

Darão, porventura, as religiões sacerdotais uma resposta a esses quesitos que ensombram a Humanidade? A Ciência Catedrática, com todos os recursos que lhe têm vindo das novas descobertas e invenções, será ela capaz de responder-nos positiva e categoricamente de modo a satisfazer o nosso entendimento e por um paradeiro às ânsias que se acentuam todos os dias em nossa alma?

Finalmente, somos ou não somos? Existimos ou não existimos? Continuaremos a viver após o último ato da nossa existência terrestre? Ao cair o pano, restará de nós alguma coisa, ou tudo se extinguirá? Será a vida uma farsa que começa no berço e termina no túmulo? Será a vida uma sucessão continua de micróbios, um combate sem tréguas de animálculos que se entredevoram e se sucedem, tendo por epílogo desagregação do "Eu" debaixo de uma laje fria, dentro de um sepulcro?

Meditemos sobre tudo isso, pensemos: eis o primeiro trabalho a realizar. Esqueçamo-nos por um momento das ilusões que nos fascinam e embrutecem; encaremos a realidade sem temor, porque, dela nos desviando, só teremos ilusões e desenganos. Tomemos a sério a vida, para que a vida se nos mostre tal como é, sem enganadoras aparências.

Fiquemos certos de que não teremos paz, nem saúde, nem religião, nem sabedoria, nem felicidade, sem que o grande mistério do "ser" ou "não ser" fique resolvido.


Cairbar Schutel



Fonte: do livro A VIDA NO OUTRO MUNDO, Publicação original de 1932
Versão digital de 2011, Casa Editora O Clarim
www.oclarim.com.br
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

A FUNÇÃO DO MANTRA


É importante lembrarmos que a prece e a meditação ocupam a totalidade da pessoa. Oramos com o corpo e com a alma, assim como, com o espírito.

Utilizamos nossos corpos nas preces, até mesmo quando pronunciamos palavras e, ainda mais, quando cantamos e cantarolamos. Na prece estritamente contemplativa, reduzimos as ações do corpo a um mínimo, mas, mesmo nela, há os movimentos da respiração.

Todas as tradições orientais enfatizam sobremaneira a importância da respiração. A meditação Zen focaliza a respiração abdominal: inspiração e expiração. A isso eles dão o nome de hara. Trata-se de um centro muito importante. Não deveríamos negligenciá-lo. Trata-se de um centro emocional, mas, ele é o verdadeiro centro da psique, e muitas pessoas se beneficiam pela concentração no hara. Outros preferem focalizar o coração, e isso talvez seja mais central. Você também pode se concentrar no ajña chakra, também chamado terceiro olho. Na Índia, colocamos ali uma marca de cor carmesim. Os dois olhos são os olhos da dualidade, com os quais olhamos o mundo exterior, o eu exterior. O terceiro olho é o olho interior que enxerga a luz interior. Muitas pessoas conferem grande importância à sincronização do mantra com a respiração, pois isso nos ajuda a levar o corpo ao coração da prece. Porém, é claro que quando consideramos estritamente a meditação, levamos o corpo à imobilidade, tanto quanto possível, de modo que a mente não se distraia. Algumas pessoas insistem em uma postura ereta e em completa imobilidade. Na meditação, o relaxamento é uma necessidade primordial. O corpo e a mente precisam estar completamente relaxados, para que o espírito possa estar completamente aberto e receptivo ao Espírito de Deus. No Yoga se diz que a posição deveria ser confortável e estável, relaxada e firme. Deveria haver estabilidade para manter a pessoa firme, mas ao mesmo tempo ela deveria estar relaxada.

Precisamos nos lembrar que os sons vibram o corpo todo e possuem um profundo efeito na psique. É impossível concebermos os efeitos causados à psique pelos sons de uma cidade moderna, com suas intermináveis distrações. Todos os dias, e a cada hora, somos bombardeados com esses sons, e as imagens da televisão. Nossos períodos de silêncio tornam-se, assim, muito importantes para que sejamos capazes de abandonar todas essas distrações. O mantra tem por função recompor a alma, trazê-la de volta ao seu centro, e reunir a totalidade da pessoa (corpo, alma e espírito) com o Espírito de Deus.

Não sei se deixei isso claro, essa distinção tão importante entre corpo, alma e espírito. Temos um corpo, o organismo físico que nos une a todos os organismos físicos do universo. Temos a alma, a psique que é o organismo psicológico, com sentidos, sentimentos, imaginação, razão e vontade. O centro da psique é o ego, isso que em Sânscrito se chama ahamkara, o “fabricante do eu”. A psique é muito limitada. Mas, além dela, há o espírito, o Atman, que é o ponto da transcendência do si mesmo. Naquele ponto, corpo e alma vão além de suas limitações humanas, abrindo-se para o infinito, o eterno, o divino. A meditação é a passagem além do corpo e da alma, para aquele ponto do espírito.

A meta que precisa ser mantida em mente com firmeza é a de centrar o corpo e a alma nas profundezas do espírito, onde o espírito humano encontra o Espírito de Deus. Nas palavras de São Paulo: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus”. Nesse ponto do espírito, transcendemos o ego e nos abrimos para o Espírito Santo. Trata-se de um ponto de encontro, para nosso espírito e o Espírito de Deus. A meditação deveria ser aquele ponto de encontro, onde o espírito humano toca e se abre para o Espírito Santo de Deus. É interessante a maneira pela qual a palavra “espírito” é por vezes utilizada no Novo Testamento para o humano, e outras vezes para o divino: porque é o ponto de encontro. O espírito é aquilo que São Francisco de Sales chamava “o refinado ponto da alma”. Trata-se do ponto da transcendência de si, de onde vamos para além de nós mesmos, e recebemos o divino Espírito em nossos corações, ou seja, para o centro de nosso ser. A repetição do mantra é uma simples maneira de mantermos todas as faculdades da alma e corpo centradas nesse ponto do espírito.

Trata-se de um processo que reúne todas as faculdades da alma no ponto do Espírito, onde são penetradas pela luz da verdade. Em essência, essa luz é uma luz de amor. Trata-se de amor do Espírito Santo que inunda o coração, e que nos leva a estar face a face com Deus. Na tradição oriental, todos os métodos de meditação são meios de se chegar a esse centro interior. Porém, o que ali acontece depende de sua particular fé e tradição. Para o cristão, o ponto do espírito é o ponto em que o amor de Deus inunda o coração através do Espírito Santo.

Isto traz à tona o problema das distrações. Quando começamos a meditar, a mente começa a divagar. Para a maioria das pessoas, a atividade mental nunca cessa. Particularmente no caso das pessoas nos dias atuais, e especialmente para os ocidentais, cujas vidas são tão repletas de distrações, e para quem a televisão, com seu fluxo constante de imagens, é uma fonte constante de distração, o problema do controle da mente torna-se muito agudo. Todo o tempo estamos pensando, pensando e pensando. Parece que a maioria das pessoas não consegue parar o fluxo contínuo de pensamentos, mas, o que elas podem fazer é não se ocupar com eles, deixar que eles fluam e, na quietude, observá-los, como se fossem nuvens no céu, enquanto a mente mais profunda, o espírito interior, permanece em quieto repouso na presença de Deus. Lutar contra as distrações pode ser mais prejudicial do que benéfico. Então, o ego atua. Você procura parar a si mesmo, e então, isso piora as coisas. O mantra continua na quietude, e os pensamentos continuam a ir e vir, mas você não precisa se ocupar com eles. Deixe que eles venham, deixe-os ir, mas mantenha o mantra na quietude, continuando por debaixo deles todos.


Pe. Bede Griffiths, OSB



Bede Griffiths foi um monge Beneditino, nascido na Inglaterra em 1906 e, educado em Oxford. Depois de 20 anos como monge na Inglaterra, ele foi para a Índia para encontrar “a outra metade de sua alma”. Esta palestra foi extraída do conjunto de palestras que ele proferiu no John Main Seminar de 1991. Essas palestras exploram a tradição da meditação cristã e relacionam-na com as grandes tradições orientais. Pe. Bede mostra como a jornada interior pode contribuir para a unidade espiritual. Ele faleceu na Índia em 1993. (http://www.bedegriffiths.com/biography.html).


Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã
http://www.wccm.com.br/series-de-palestras/61-meditacao-e-a-nova-criacao-em-cristo/387-a-funcao-do-mantra
Fonte da Gravura: ventosdepaz.com.br

ANSEIO POR RECEBER INSTRUÇÃO DO MESTRE


Não há dúvida de que o anseio por receber instrução do Mestre é legítimo. Porém não podemos nos esquecer de duas máximas do ocultismo. A primeira é que: “Quando o discípulo está pronto o Mestre aparece.” Será que realmente estamos prontos para sermos instruídos pelos verdadeiros Mestres? Estamos prontos para enfrentar uma disciplina de treinamento mais exigente e rigorosa do que a dos atletas olímpicos, não só por alguns meses ou anos antes da competição, mas por toda nossa vida? Estamos prontos para assumir o compromisso de servir à humanidade, sem nenhuma distinção, por séculos e milênios sem fim, até que o último ser humano seja salvo? Estamos prontos para renunciar ao nosso conforto, aos nossos interesses pessoais e até mesmo aos nossos bens, para executar o trabalho do Mestre? Estamos prontos para continuar a servir, mesmo quando vilipendiados e injuriados? Estamos realmente conscientes de todas as implicações de nossa eventual aceitação como discípulo do Mestre?

A segunda máxima, uma extensão da Lei do Karma, é de que “Cada um tem o Mestre que merece.” Somente o próprio indivíduo pode avaliar o grau de sua pureza de coração, de seu altruísmo, de sua entrega a Deus, de seu amor incondicional por todos os seres, de sua humildade e de seu discernimento, para saber que tipo de Mestre ele merece.

O livro apropriadamente intitulado Aos Pés do Mestre, de Krishnamurti, menciona que existem quatro qualificações para Senda. “A primeira dessas qualificações é o Discernimento, usualmente tomado no sentido da distinção entre o real e o irreal, que conduz o homem a entrar na Senda. É isso; mas é também muito mais, e deve ser praticado não somente no início da Senda, mas a cada passo, todo o dia, até o fim.”[1] Os Grandes Instrutores alertam repetidamente que todo discípulo está se preparando para tornar-se um Mestre e, portanto, deve desenvolver seu intelecto, percepção e discernimento ao ponto de jamais ser enganado pelas ilusões do mundo. Se aspiramos a nos tornar discípulos, devemos também desenvolver o discernimento, investigando todos os ângulos da doutrina que nos for apresentada. Essa era uma recomendação constante do Senhor Buda: submetermos sempre ao crivo da mente e do coração os ensinamentos que nos são passados pelos sábios e pelas Escrituras, incluindo até mesmo a doutrina que ele havia ensinado. A fé cega leva ao fanatismo e à estagnação. A fé consciente, ao contrário, leva ao crescimento e, no seu devido tempo, à iluminação.

Que a Luz Divina ilumine nossas mentes e fortaleça a nossa determinação, para que possamos trilhar o árduo Caminho da Perfeição que finalmente leva aos pés do Mestre.


Raul Branco


Nota:

[1] Aos Pés do Mestre, Editora Teosófica, 8ª ed. 2010


Fonte: Os Mestres e suas Mensagens / Raul Branco (ed. digital)
1ª Edição, Brasília: Editora Teosófica, 2013
Fonte da Gravura: Mais Yoga

TANTOS CAMINHOS


É dito que existem tantos Caminhos como existem seres humanos e que as necessidades de cada um mudam com o passar do tempo. Da mesma forma como as brincadeiras de criança dão lugar aos esportes e à busca da sensualidade no adolescente, mais tarde aos jogos de poder no adulto e, finalmente, no homem maduro ao anseio espiritual, assim também, o buscador da verdade passa por diferentes etapas em sua jornada. Em cada etapa da vida teremos novos desafios. Assim como a fruta só aparece na estação certa, no ser humano o amadurecimento espiritual virá no seu devido tempo, e a Providência Divina colocará ao nosso alcance as circunstâncias mais favoráveis ao nosso progresso. Cabe a cada um, porém, discernir o que lhe é mais apropriado e tomar as ações devidas para aproveitar as oportunidades ao seu alcance.

Porém, devemos ter sempre em mente que todas as informações, instruções e revelações do exterior, estejam elas contidas nas Sagradas Escrituras, livros inspirados, nas palavras de grandes sábios ou em mensagens canalizadas, são meramente meios para um fim. O objetivo último de toda a vida espiritual é a experiência interior de unidade com o Todo e com todos, ou a união com Deus, como dizem os místicos. Nas palavras de Lama Govinda, “Os instrutores tibetanos sempre enfatizam o fato de que a verdade última não pode ser expressa em palavras, mas somente experimentada em nosso interior. Portanto, nossas crenças não são importantes, mas sim o que nós experimentamos e praticamos, e como isso afeta a nós mesmos e o ambiente que nos cerca.”[1]

Aqueles que se sentem confortáveis em sua tradição ou movimento, nele encontrando tudo o que seu coração pede, devem aproveitar para mergulhar fundo em seus estudos e, principalmente, em suas práticas. Devemos ter em mente, porém, que cada um de nós é um diamante em processo de lapidação. Existem inúmeras facetas dessa pedra preciosa que precisam ser buriladas. Em geral, precisamos mudar de posição ou a direção do movimento, para burilar uma nova faceta. Por isso devemos ter em mente a sabedoria milenar contida na preciosa obra, Luz no Caminho: “Procura o caminho recolhendo-te para o interior. Busca o caminho avançando ousadamente para o exterior. Não o busques por qualquer via especial. Para cada temperamento existe uma estrada que parece a mais desejável. O caminho, porém, não é encontrado só pela devoção, só pela contemplação religiosa, pelo progresso ardoroso, pelo trabalho com autossacrifício, pela atenta observação da vida. Nenhuma destas coisas isoladamente é capaz de levar o discípulo mais do que um passo adiante. Todos os degraus são necessários para formar a escada. Os vícios dos homens tornam-se degraus na escada, um a um, à medida que vão sendo superados.”[2]

Por essa razão, convém ao buscador estar sempre atento a outros enfoques, a outras doutrinas, além daquelas professadas por sua religião, movimento ou tradição. É dito que uma das melhores maneiras de entendermos as doutrinas de nossa religião é estudarmos outra religião. Como estaremos começando do princípio e, no caso da “religião dos outros,” não seremos tolhidos em nossas pesquisas por nossos condicionamentos oriundos de questões de fé doutrinária, torna-se mais fácil estudarmos e questionarmos até entendermos os pontos fundamentais dessa outra religião. Isso invariavelmente nos remeterá a vários pontos paralelos de nossa própria religião, que anteriormente haviam sido aceitos mesmo sem ser entendidos. Como todas as religiões originam-se da mesma fonte e levam ao mesmo objetivo, não é de se estranhar que venhamos a encontrar inúmeras concordâncias ou paralelos em seus aspectos fundamentais. A teosofia, a sabedoria divina, é exatamente a essência esotérica fundamental que está por trás de todas as grandes religiões, tradições e movimentos espirituais.


Raul Branco


Notas:

[1] Insights of a Himalayan Pilgrim, Lama Govinda. Dharma Press, p. 38.
[2] Luz no Caminho, Mabel Collins. Editora Teosófica, 1999, p. 51.


Fonte: Os Mestres e suas Mensagens / Raul Branco (ed. digital)
1ª Edição, Brasília: Editora Teosófica, 2013
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

ESTABILIDADE


Vivemos, a maioria de nós, em um mundo que nos exige muito. O estresse e as tensões cobram seu tributo a muitos de nós. [...] São Bento, na [sua] Regra, apresenta a estabilidade como sendo um dos principais objetivos [da vida]. Precisamos confiar em nós mesmos, estar seguros de que não seremos desequilibrados pelo aparecimento dos primeiros ventos de tempestade. [...]

A meditação é um caminho para essa estabilidade, a estabilidade que é a realidade de nosso próprio ser. A repetição do mantra se parece ao lançar âncora, ancorarmo-nos nas profundezas de nosso próprio ser. [...] A verdadeira estabilidade só pode chegar a cada um de nós quando estamos firmemente ancorados em Deus. A descoberta extraordinária que precisamos fazer é a de que, uma vez que estejamos ancorados em nosso verdadeiro ser, estamos ancorados em Deus. Descobrimos, ao mesmo tempo, nossa própria fragilidade; as tempestades da vida podem nos jogar de um para outro lado tão facilmente. Mas, também descobrimos, ao mesmo tempo, nosso próprio potencial extraordinário: o de sermos um com a energia de Deus, com o poder de nós mesmos expandirmos nossas vidas para a generosidade, o amor, a vida eterna, o que vale dizer para a vida ilimitada.


John Main, OSB



Fonte: John Main OSB, THE HUNGER FOR DEPTH AND MEANING, editado por Peter Ng (Singapura: Medio Media, 2007), p. 151.
Via: http://www.wccm.com.br/leitura-john-main-osb/945-estabilidade
Fonte da Gravura: https://fancycrave.tumblr.com/post/151252920190/download-by-charles-rondeau