quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

ESPAÇO PARA "ELE" EM NOSSOS CORAÇÕES


Cristo nasceu em Belém e esta é uma verdade histórica maravilhosa. É um fato consumado. Foi consumado no passado para que hoje possa nascer em nossos corações. Nossos corações devem estar preparados para Ele. Deve haver lugar para Ele na pousada de nossos corações.

É disso que se trata a meditação: uma preparação e abertura do coração para o nascimento de Cristo. (...) temos que abrir mão de tudo, para dar lugar a Ele. O mistério é que quando Ele nasce em nossos corações, tudo renasce Nele. Nossos corações se enchem de seu amor, compaixão, perdão. Sabemos que somos perdoados, amados, compreendidos pelo Deus infinito e por seu Filho, nosso irmão. E se estivermos repletos de conhecimento experiencial, não poderíamos deixar de compartilhá-lo para com aqueles que estão presentes em nossas vidas.

A meditação (*) é um envolvimento diário com estas verdades, não na teoria, mas na prática; não como filosofia de vida, mas na nossa experiência quotidiana de renúncia a nós mesmos para nos abrirmos a Deus, ao seu Filho Jesus, pela força do Espírito.

"Quanto ao fundamento, ninguém pode colocar outro diverso do que foi posto: Jesus Cristo. Se alguém sobre esse fundamento constrói com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um será posta em evidência. O Dia torná-la-á conhecida, pois ele se manifestará pelo fogo e o fogo provará o que vale a obra de cada um. Se a obra construída sobre o fundamento subsistir, o operário receberá uma recompensa. Aquele, porém, cuja obra for queimada perderá a recompensa. Ele mesmo, entretanto, será salvo, mesmo ainda que através do fogo. Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós." (1Co 3,11-17)



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal





Nota: Para mais detalhes ver:

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

SEM PENSAMENTOS OU IMAGENS


[...] sobre a “Filosofia Perene” vimos que a experiência do silêncio interno e da solidão proporcionada pelas disciplinas espirituais contemplativas, como a meditação, nos leva a descobrir a essência da nossa religião e que, além disso, essa experiência é o núcleo comum a todos tradições de sabedoria e religiões.

Embora ao nível da experiência haja muito em comum entre as religiões, ao nível da teorização e da teologia existem grandes diferenças estabelecidas pelos filtros culturais e sociais através dos quais interpretamos estas experiências. Contudo, no mundo em que vivemos é importante que respeitemos a verdade de todas as religiões e nos envolvamos no diálogo inter-religioso, que é um aspecto importante para a Comunidade Mundial. Ao compartilhar o silêncio das disciplinas contemplativas com outras religiões, cria-se uma comunidade e, com ela, respeito e compreensão mútuos.

Se pudéssemos permanecer apenas no nível da experiência, do silêncio partilhado, não haveria conflitos, nem falta de compreensão entre os seres humanos. Mas passamos muito facilmente da experiência ao pensamento. O desejo de compreender verdadeiramente a experiência espiritual interior leva-nos a traduzi-la em imagens e palavras. É assim que nossa consciência funciona. Ser capaz de nomear as coisas nos dá uma sensação de segurança e controle, por mais ilusório que isso seja. Mas esquecemos os limites da nossa consciência racional e os filtros culturais e emocionais através dos quais tentamos compreender a Realidade Divina. Esquecemos que todos os pensamentos e imagens, especialmente sobre o Divino, distorcem e limitam o verdadeiro conhecimento. Na verdade, os primeiros cristãos consideravam até mesmo uma blasfêmia atribuir qualquer nome a Deus.

No início da tradição mística cristã, no século II, encontramos Clemente de Alexandria, que é o primeiro filósofo/teólogo cristão que tentou colocar em palavras a experiência mística e a relação entre a alma humana e o Divino. Fê-lo recorrendo à teologia “apofática”, isto é, da “negação”. Ele não disse o que era Deus, pois via o Divino como um mistério sagrado além da nossa compreensão. Ele tentou alcançar a essência divina expressando o que Deus não era: "Deus não está em lugar nenhum, mas além do espaço e do tempo, e do nome e do pensamento. Deus não tem limites, nem forma, nem nome. Ele é anônimo. Ele simplesmente é... Fique com a noção de ser puro e isso será o mais próximo que você poderá chegar de Deus. Porque Ele é inefável, Ele está além de toda fala, além de todo conceito, além de todo pensamento." (Clemente de Alexandria).

Ele sentiu que só podemos conhecer a essência de Deus eliminando todas as qualidades que normalmente associamos a objetos ou conceitos do mundo material. Havia uma bela analogia: um escultor desmonta um bloco de mármore até revelar uma forma. Da mesma forma, se desejamos experimentar a Realidade Divina, também precisamos de descartar todas as nossas ideias e conceitos sobre Deus, os nossos pensamentos, as nossas imagens até que, pela obra da graça, a Sua presença essencial nos seja revelada. Entramos, então, em “um estado em que reverenciamos a Deus com temor e silêncio e ficamos diante dele em sagrada admiração.” (Clemente de Alexandria). Este estado é o que nos ajuda a ser tolerantes com as diferentes expressões que existem em relação à busca de sentido.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DIVINA PROVIDÊNCIA


Para o homem, as piores dificuldades e dores começam no momento em que ele se põe a pensar que é o único senhor do seu destino, que não há Providência nem entidades luminosas para o dirigirem, para o sustentarem. Deste modo, corta todas as ligações com o Céu. Já não é, então, a criança protegida das preocupações, porque não conta mais com o seu Pai e a sua Mãe Celestes, e todos os sofrimentos começam a abater-se sobre ele; deixou de se sentir filho de Deus. Para resolverdes os vossos problemas, para serdes sempre ajudados, alimentados, iluminados, nunca devereis cortar a ligação com o Céu, porque o Céu nunca deixa um filho seu chorar sozinho.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O NOVO ELEMENTO E A NOVA SUBSTÂNCIA (A MÍSTICA DO NATAL)


Os solstícios de verão e inverno, juntamente com os equinócios de primavera e outono, constituem os pontos decisivos na vida do Grande Espírito da Terra, assim como a concepção assinala o início da descida do Espírito Humano ao corpo físico, resultando em nascimento, o qual inaugura o período de crescimento até que a maturidade seja alcançada. Neste ponto começa uma época de sobriedade e amadurecimento, juntamente com o declínio das energias físicas que terminam em morte. Este acontecimento liberta o homem dos obstáculos da matéria e conduz a um período de metabolismo espiritual, por meio do qual nossa colheita de experiências terrenas é transmutada em poderes anímicos, talentos e tendências. Estes serão postos a render juros nas vidas futuras, para que possamos crescer mais rica e abundantemente com a posse de tais tesouros e sermos considerados dignos, como "administradores fiéis", para assumirmos postos cada vez mais elevados entre os servos da Casa do Pai.

Esta ilustração apoia-se sobre o firme alicerce da grande Lei de Analogia, tão sucintamente expressa pelo axioma hermético: "Assim como é em cima, assim é em baixo". Baseados nisto, que é uma chave-mestra para todos os problemas espirituais, dependemos também de um "abre-te-sésamo" para as nossas lições do Natal deste ano. Assim, esperemos poder corrigir, confirmar ou completar pontos de vista dos nossos estudantes, conforme requeira cada caso.

Os corpos, originalmente cristalizados na terrível temperatura da Lemúria, eram demasiado quentes para conter umidade suficiente que permitisse ao espírito acesso livre e irrestrito a todas as partes da anatomia, conforme ele agora o consegue através do sangue circulante. Mais tarde, no começo da Época Atlante, os corpos possuíam sangue, mas moviam-se com dificuldade, e teriam secado rapidamente, em razão da alta temperatura interna, não fora o fato de prevalecer naquela atmosfera aquosa uma farta umidade. A inalação desse solvente atenuava grandemente o calor e abrandava o corpo, até que uma quantidade suficiente de umidade pôde ser retida nele, permitindo a respiração na atmosfera relativamente seca que aconteceu mais tarde.

Os corpos dos primitivos Atlantes eram de uma substância granulosa e fibrosa, não diferentes dos nossos atuais tendões, lembrando também madeira. Porém, com o tempo, o hábito adquirido de comer carne, capacitou o homem a assimilar albumina suficiente para construir tecido elástico necessário à formação dos pulmões e artérias, permitindo assim a livre circulação do sangue, conforme se verifica agora em todo o sistema. Na época em que aconteceram essas mudanças internas e externas, o grande e glorioso arco de sete cores surgiu no céu carregado de nuvens para assinalar o advento do Reino do Homem, onde as condições viriam a ser tão variadas como os matizes que colorem a atmosfera ao refratar a luz solar de uma só cor. Portanto, o primeiro aparecimento do arco-íris nas nuvens marcou o início da era de Noé, com suas estações e períodos alternantes, dos quais o Natal é um deles.

Contudo, as condições prevalecentes neste período não são tão estáveis, como não o eram as dos períodos anteriores. O processo de condensação que transformou o nevoeiro ardente da Lemúria em atmosfera de umidade densa da Época Atlante, e mais tarde se liquefez em água que inundou as cavidades da Terra e impeliu a humanidade para as montanhas, ainda continua. Ambas, a atmosfera e nossa condição fisiológica estão mudando, anunciando, aos que sabem ver e compreender, a aurora de um novo dia no horizonte, a época de unificação mencionada na Bíblia como "O Reino de Deus".

A Bíblia não nos deixa dúvidas a respeito das mudanças. Cristo disse que, como nos dias de Noé, assim deverá ser nos dias vindouros. Ciência e invenção encontram agora condições que não existiam anteriormente. É fato científico que o oxigênio está sendo consumido em quantidades alarmantes, alimentando as fogueiras das indústrias. Incêndios nas florestas também sorvem em grande escala o nosso estoque desse elemento importante, além de aumentar o processo secante a que a atmosfera está naturalmente submetida. Eminentes cientistas afirmam que chegará o dia em que o globo não poderá sustentar a vida que depende da água e do ar para existir. Suas ideias não nos afligem tanto, pois a data que apontam ainda está muito distante. Mas, mesmo que seja assim, o destino da Época Ária é tão inevitável quanto o da Atlântida inundada. Pudesse um Atlante ser transferido para nossa atmosfera, seria asfixiado como um peixe fora de seu elemento natural. Quadros vistos na Memória da Natureza provam que os aviadores pioneiros daquela época, desmaiavam realmente quando encontravam essas correntes de ar que desciam gradualmente sobre a Terra que habitavam. Tais experiências suscitavam muitos comentários e especulações. Os aviadores de hoje já estão encontrando o novo elemento e experimentando a sensação de asfixia, conforme experimentaram os seus ancestrais Atlantes e, por razões análogas, encontraram o novo elemento descendo do alto. Este elemento tomará o lugar do oxigênio da nossa atmosfera. Existe também uma nova substância introduzindo-se na constituição humana e que substituirá a albumina. Ademais, assim como os aviadores da Época Atlante desmaiavam e eram impedidos pela corrente descendente de ar de penetrar antecipadamente na Ária, a "Terra Prometida", assim também o novo elemento desafia os aviadores de hoje e a humanidade em geral, até que todos tenham aprendido a assimilar seus aspectos materiais. Tal como os Atlantes, cujos pulmões não estavam desenvolvidos e sucumbiram na inundação, assim também a nova era encontrará alguns sem o "Manto Nupcial", e portanto incapacitados para entrar nela, até que se qualifiquem num período posterior. Por isso, é da maior importância para todos saber a respeito do "novo elemento" e da "nova substância".

A Bíblia e a Ciência, unidas, fornecem ampla informação a respeito do assunto. Na Grécia antiga, conforme mencionamos antes, religião e ciência eram ensinadas nos Templos de Mistério, juntamente com a arte superior e o artesanato, como uma doutrina única de vida e de ser. Contudo, essa condição foi temporariamente suspensa para facilitar determinadas fases do desenvolvimento. A união das linguagens religiosa e científica na Grécia antiga facilitava a compreensão dessas matérias. No entanto, hoje em dia, as dificuldades repousam no fato de que a religião traduziu e a ciência simplesmente transferiu seus termos do Grego original, o que tem causado muitas divergências e a perda do elo entre as descobertas da ciência e os ensinamentos da religião.

Para chegarmos a uma desejada compreensão das mudanças fisiológicas que prosseguem agora em nosso sistema, podemos lembrar que, segundo a ciência, os lóbulos frontais do cérebro estão entre as estruturas humanas de mais recente desenvolvimento e que, proporcionalmente, este órgão é muito maior no homem do que em qualquer outra criatura. Agora, a pergunta: "Existe no cérebro alguma substância peculiar, e se existe, qual pode ser seu significado?"

A primeira parte da pergunta pode ser respondida por qualquer obra científica relativa ao assunto, mas o livro "O Conceito Rosacruz do Cosmos" fornece mais subsídios, conforme transcrevemos abaixo:

"O cérebro... é formado das mesmas substâncias que compõem todas as outras partes do corpo, acrescidas de fósforo, que é peculiar somente ao cérebro. A conclusão lógica é que o fósforo é o elemento particular por meio do qual o Ego capacita-se a expressar pensamento... Descobriu-se que a proporção e variação dessa substância correspondem ao estado e fase de inteligência do indivíduo. Assim, os idiotas possuem pouquíssimo fósforo, enquanto o pensador arguto tem-no em abundância... É, pois, de grande importância que o aspirante, cujo veículo físico vai ser utilizado no trabalho mental e espiritual, supra seu cérebro da substância necessária a esse propósito".

A indiscutível religiosidade dos Católicos é verificável na prática de comer peixe, alimento rico em fósforo, às Sextas-Feiras e na Quaresma. Ainda que o peixe pertença a uma ordem de vida inferior, "O Conceito Rosacruz do Cosmos" não aprova a sua matança, indicando ao estudante certas verduras através das quais pode conseguir fisicamente abundância dessa desejável substância. Existem outros e melhores meios para essa obtenção, embora não mencionados em "O Conceito Rosacruz do Cosmos".

Não foi por acaso que os Mestres da Escola de Mistério Grega denominaram assim essa substância luminosa que conhecemos por fósforo. Para eles era patente que "Deus é Luz" - a palavra grega designativa de luz é "phos". Portanto, muito apropriadamente, eles denominaram a substância do cérebro, que é a avenida de ingresso do impulso divino, "phos-phorus", literalmente "portador da luz".

Na medida em que formos capazes de assimilar essa substância, enchemo-nos de luz e começamos a brilhar a partir de dentro, circundando-nos, então, um halo como uma marca de santidade. O fósforo, contudo, é apenas um meio físico que possibilita a luz espiritual expressar-se através do cérebro físico, sendo a luz, em si mesma, um produto do crescimento anímico. Mas o crescimento anímico capacita o cérebro a assimilar quantidades crescentes de fósforo, pelo que o método para a aquisição dessa substância em maiores quantidades não deve ser pelo metabolismo químico e sim pelo processo alquímico do crescimento anímico, o que foi totalmente esclarecido por Cristo quando Ele disse a Nicodemus:

"Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nEle crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no Nome do Filho único de Deus. Este é o julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram mais as trevas do que a Luz, porque as suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a Luz e não vem para a Luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a Luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus." (Jo, 3,17-21)

O Natal é a época do ano de maior Luz espiritual. Durante esta era de ciclos alternantes há marés altas e baixas de Luz espiritual, como acontece com as águas do oceano. A primitiva Igreja Cristã marcou a "Concepção" no outono do ano (no Hemisfério Norte), de modo que até hoje o evento é celebrado pela Igreja Católica quando a grande onda de vida e Luz espirituais começam a sua descida à Terra. O ponto máximo de maré é alcançado no Natal, sendo esta verdadeiramente a época santa do ano, a ocasião em que esta Luz espiritual é mais facilmente contatada e especializada pelo aspirante através de atos de compaixão, gentileza e amor. Oportunidades para esses atos não faltam, nem mesmo para os mais pobres, porque conforme enfatizam frequentemente os ensinamentos rosacruzes, o serviço conta mais que o auxílio financeiro, que pode até ser prejudicial a quem o recebe. Todavia, "a quem muito é dado, muito será exigido" e, se alguém foi abençoado com abundância de bens do mundo, uma cuidadosa distribuição dos mesmos deve necessariamente ser observada em qualquer oportunidade de servir.

Recordemos ainda as palavras de Cristo: "Em verdade vos digo, sempre que fizerdes isto a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fazeis." (Mt, 25,40). Sigamo-Lo pois, como luzes ardentes e brilhantes, mostrando o caminho para a Nova Era.



Max Heindel




Fonte: Fraternidade Rosacruz
Revista Esotérica Chritian Rosenkreuz, ano 1, nº 3, dez. 2000
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/natal-%C3%A1rvore-de-natal-fundo-luzes-3735928/