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terça-feira, 28 de outubro de 2014

OBSERVAÇÃO DIRETA - APENAS OLHAR

Por que as ideias se enraízam em nossas mentes? Por que os fatos não se tornam importantíssimos, não as ideias? Por que as teorias, ideias, se tornam tão mais significativas do que o fato? É que não podemos compreender o fato, ou não temos a capacidade, ou temos medo de encarar o fato? Assim, ideias, especulações, teorias são meios de fugir do fato. Você pode fugir, pode fazer todos os tipos de coisas; os fatos estão aí: o fato de que a pessoa é irada, o fato de que a pessoa é ambiciosa, o fato de que é sexual, dezenas de coisas. Você pode suprimi-los, pode transmutá-los, que é outra forma de supressão; você pode controlá-los, mas eles são todos suprimidos, controlados, disciplinados com ideias. As ideias não desgastam nossa energia? As ideias não entorpecem a mente? Você pode ser inteligente em especulação, citações; mas, obviamente, é uma mente estúpida que cita, que leu um bocado e cita. Você remove o conflito do oposto com um golpe se viver com o fato e, assim, liberar a energia para enfrentar o fato. Para a maioria de nós, a contradição é um campo em que a mente fica presa. Eu quero fazer isto, e faço uma coisa inteiramente diferente, mas se enfrento o fato de querer fazer isto, não há contradição; e, portanto, com um golpe eu anulo todo o sentido de oposto totalmente, e minha mente fica completamente participante no que é, e na compreensão de o que é. (The Book of Life)

Posso eu olhar todo problema sem a palavra: o problema do medo, o problema do prazer? Porque a palavra cria, gera pensamento; e pensamento é memória, experiência, prazer, e, por isso, um fator de distração. Isto é realmente surpreendentemente simples. Porque é simples, nós desconfiamos. Nós queremos que tudo seja muito complicado, muito elaborado; e o elaborado fica envolvido no perfume das palavras. Se eu puder olhar para uma flor não-verbalmente – e eu posso; qualquer um pode se der suficiente atenção – não posso olhar com essa mesma atenção objetiva não-verbal para os problemas que tenho? Não posso olhar a partir do silêncio, que é não-verbal, sem o mecanismo pensante de prazer e tempo operando? Não posso simplesmente olhar? Eu acho que esse é o X da questão – não abordar da periferia, o que complica a vida tremendamente, mas olhar a vida, com todos os seus complexos problemas de subsistência, sexo, morte, miséria, sofrimento, a agonia de estar tremendamente só – olhar tudo isso sem associação, a partir do silêncio, o que significa sem um centro, sem a palavra que cria reação do pensamento, que é memória e tempo. Eu acho que esse é o problema real, a questão real: se a mente pode olhar a vida em que existe ação imediata, não uma ideia e, então, ação, e eliminar totalmente o conflito. (Collected Works, Vol. XV, 143, Choiceless Awareness)




J. Krishnamurti





Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

OLHE COM INTENSIDADE

A mim parece que aprender é assustadoramente difícil, como ouvir também é. Nós realmente nunca ouvimos coisa alguma porque nossa mente não está livre; nossos ouvidos estão entupidos com aquelas coisas que já conhecemos, assim ouvir se torna extraordinariamente difícil. Eu acho, ou melhor, é um fato que se a pessoa puder ouvir uma coisa com todo o seu ser, com vigor, com vitalidade, então o próprio ato de ouvir é um fator de liberação, mas infelizmente você nunca ouve, como você nunca aprendeu sobre isto. Afinal, você só aprende quando entrega todo o seu ser a alguma coisa. Quando você entrega todo o seu ser à matemática, você aprende; mas quando está em estado de contradição, quando não quer aprender mas é forçado a aprender, aí isso se torna meramente um processo de acumulação. Aprender é como um romance com inúmeros personagens; ele requer sua total atenção, não atenção contraditória. Se você quiser aprender a respeito de uma folha – uma folha da primavera ou uma do outono – deve realmente olhar para ela, ver sua simetria, a textura, a qualidade da folha viva. Existe beleza, existe vigor, existe vitalidade numa única folha. Assim, para aprender sobre a folha, a flor, a nuvem, o pôr do sol, ou um ser humano, você deve olhar com toda intensidade.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html