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terça-feira, 26 de maio de 2020

INTEGRIDADE


Muitas vezes, temos a impressão de que nos apressamos muito em passar pela vida, ao passo que há em nosso coração a chama essencial do ser. Nossa pressa, muitas vezes, a leva ao ponto de se extinguir. Porém, quando nos sentamos para meditar, na simplicidade e na imobilidade, a chama começa a queimar de maneira firme e brilhante. Ao abandonarmos o processo de pensar em termos de sucesso e auto-importância, a luz da chama nos ajuda a nos entendermos, e aos outros, em termos de luz, de calor e de amor.

O mantra nos conduz ao ponto da imobilidade, no qual a chama do ser pode queimar com brilho. Nos ensina, aquilo que sabemos, mas, frequentemente, esquecemos, de que não podemos viver uma vida plena, a menos que ela esteja estabelecida em algum propósito subjacente. A vida possui um significado e um valor supremos, que só são descobertos na firme imobilidade do ser, que é nossa ligação essencial com Deus. É terrivelmente fácil, permitirmos que a vida se torne uma mera rotina. Os papéis que representamos, podem facilmente tomar o lugar do ser. Caímos facilmente na representação dos papéis de estudantes, de mães, de maridos, de gerentes, de monges e, assim por diante... Jesus veio ao mundo para nos dizer que a vida nada tem a ver com a representação de papéis ou, com o fato de sermos um funcionário dentro de algum sistema. A vida tem a ver com o significado e o propósito que sentimos na profundidade do nosso mais imóvel ser. Nosso valor surge a partir de quem nós somos em nós mesmos e, não a partir do que fazemos como um personagem de nós mesmos.

O significado supremo de Deus não surge daquilo que a sociedade nos diz que somos, isso significaria “preferirmos a aprovação humana, à aprovação de Deus”, tal como nos disse Jesus... Cada um de nós... deve descobrir a verdade fundamental acerca de si mesmo. Ligados a Deus, devemos estar abertos ao amor que nos redime da ilusão e da superficialidade. Devemos viver a partir dessa sacralidade infinita e pessoal, que temos como um templo do Espírito Santo. Descobrindo que o mesmo Espírito que criou o universo habita nossos corações e, em silêncio é amor para todos, e propósito de toda vida.


Dom John Main, OSB



Fonte: WORD MADE FLESH (London: DLT, 1993), pp. 55-56.
Comunidade Mundial para a Meditação Cristã
http://www.wccm.com.br/leitura-john-main-osb/953-integridade-200524
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A IMPORTÂNCIA DE FICAR SOZINHO


Thomas Merton, no ensaio The Philosophy of Solitude, diz que todos nós somos solitários. Mas, paradoxalmente, quase todos temos medo de estar sós. Nascemos sós e morremos sós. Ninguém vai conosco na última jornada. Passamos boa parte de nossa vida tomando decisões e fazendo escolhas sozinhos, pelo que somente nós devemos aceitar a responsabilidade.

Contudo, nosso maior medo e insegurança é estarmos sós. Em retiros para jovens, frequentemente pergunto do que eles mais têm medo. Quase sempre a resposta é "tenho medo de ficar só, sem ninguém para amar", ou "tenho medo da solidão".

Uma vez que a maioria de nós tem medo de estar sozinho, ou pelo menos de se sentir sozinho, fazemos tudo que podemos para esquecer nossa solidão essencial. Usamos cada artifício ensinado nos livros para evitar estar só. Ficamos ocupados, fazemos horas extras, planejamos festas. Ficamos desolados se não tivermos algum lugar para ir no final de semana. O rádio ou a TV está sempre ligado. Passamos horas ao telefone. Temos sempre que ter alguém com quem conversar.

Blaise Pascal dá a isso o nome de divertissement - diversão ou distração sistemática, fuga da realidade, fuga da solidão. O propósito é simplesmente anestesiar o indivíduo, afundá-lo na apatia do grupo, para que não se sinta só. A sociedade moderna misericordiosamente provê ocupações que permitem ao homem evitar sua própria companhia vinte e quatro horas por dia. No mundo moderno, raramente estamos verdadeiramente quietos e sós.

Mas Merton diz: "Sem solidão de algum tipo, não há nem pode haver maturidade. A não ser que a pessoa penetre no vazio e na solidão, ela não consegue doar-se em amor, porque não possui o eu profundo que é o único dom merecedor de amor."

Os jovens sofrem particularmente desse medo. Somente quando envelhecemos e amadurecemos descobrimos que temos que estar sós de vez em quando, para conhecer a nós mesmos. O verdadeiro eu, o eu profundo, não pode ser descoberto em meio a outras pessoas. A cada oportunidade temos que ir a algum lugar quieto e pensar um pouco. Sidharta encontrou-se quando se sentou a sós e ouviu o rio.

Os Padres do Deserto compreenderam a necessidade da solidão quando foram para o meio do deserto, longe dos divertimentos do mundo. Os grandes homens do velho testamento encontraram Deus e a si mesmos na solidão: Jacó no deserto, Moisés no topo da montanha. O povo judeu encontrou sua identidade como nação somente após quarenta anos no deserto. No Novo Testamento, João convocou as pessoas para a conversão no deserto, do outro lado do rio jordão, distante da cidade. Os Evangelhos contam que Cristo disse muitas veze aos apóstolos para se afastarem por algum tempo para um local solitário.

Temos medo de ficar sós porque temos medo do silêncio. "Os reis, os ditadores e os poderosos realizam seu trabalho com grande estardalhaço, discursos, alto-falantes e rufar de tambores", diz Merton. Mas Deus trabalha em silêncio. O espírito do mundo, que é frequentemente egoísta, invejoso, orgulhoso, faz com que os homens se expressem ruidosamente, porque têm medo do seu próprio vazio. Mas o espírito de Deus dá a paz, ensina a não ter medo do silêncio, e a encontrar a si mesmo na quietude.

Elias, sobre o monte Horeb, não encontrou Deus no poderoso vento que rasgou a montanha e despedaçou as rochas. Ele não encontrou Deus no terremoto nem no incêndio. Ele encontrou Deus - e a si próprio - na brisa suave, como Sidharta às margens do rio. Não podemos encontrar Deus nem no barulho nem na multidão. Não podemos encontrar Deus nos negócios nem em atividades febris. Podemos encontrar Deus e a nós mesmos somente na solidão.

Foucauld escreveu muito a respeito da necessidade da solidão: "É na solidão que nos esvaziamos, jogamos fora tudo que não é Deus, e colocamos em ordem a pequenina casa de nossa alma para abrir espaço para Deus."


Joseph A. Galdon



Joseph A. Galdon – é autor do livro “The Mustard Seed: Reflections for Daily Living, publicado em 1991, nas Filipinas



Fonte do Texto e da Gravura: Revista Sophia – Editora Teosófica
Via Loja Dharma da Sociedade Teosófica (Porto Alegre - RS)
https://lojateosoficadharma.blogspot.com

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

VERDADEIRO SILÊNCIO

O silêncio é a expressão da paz, da harmonia, da perfeição, e proporciona as melhores condições para a atividade psíquica e espiritual. «Aprendei a fazer o silêncio em vós», dizem-nos os sábios. Mas o silêncio só por si não traz grande coisa; na vida espiritual, ele não pode ser um fim em si mesmo, a sua verdadeira função é permitir a expressão do pensamento, da imaginação criadora.

Sempre que vos é dado viver momentos de verdadeiro silêncio, em vós ou na natureza, esforçai-vos por criar, pelo pensamento, algo puro, caloroso, luminoso, poderoso. No dia em que conseguirdes fazer vibrar a atmosfera em torno de vós, todos os que vierem visitar-vos ou que passarem por esses lugares receberão um impulso para o bem. Limitar-se a ficar imóvel não serve para nada. É preciso aprender a ser vivo e criador, mesmo na imobilidade e no silêncio.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SÓ O VERDADEIRO SILÊNCIO PODE EXPRIMIR A ESSÊNCIA DA DIVINDADE

O sábio a quem perguntardes «O que é Deus?» ficará em silêncio, pois a esta pergunta só se pode responder com o silêncio. Só o silêncio, o verdadeiro silêncio, consegue exprimir a essência da Divindade. Dizer que Deus é amor, sabedoria, poder, justiça... corresponde à verdade, mas essas palavras não expressam nada da sua infinitude, da sua eternidade, da sua perfeição. Não se conhece Deus falando ou ouvindo falar d’Ele, mas sim esforçando-se por entrar em si mesmo para chegar a essa região que é, precisamente, silêncio.

O silêncio é a região mais elevada da nossa alma e, no momento em que a atingimos, entramos na luz cósmica. A luz é a quinta-essência do universo. Tudo o que vemos ao nosso redor e mesmo aquilo que não vemos é atravessado por luz, está impregnado de luz. O propósito do silêncio é precisamente a fusão com essa luz viva, poderosa, que penetra em toda a criação. Quando nos fundimos com essa luz, já não perguntamos o que é Deus e muito menos se Ele existe.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal