Mostrando postagens com marcador festivais espirituais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador festivais espirituais. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A SABEDORIA DO DESENCANTAMENTO


Uma das características mais intrigantes do mundo natural é o mimetismo: insetos inofensivos imitam o desenho de outros insetos mais nocivos para escapar de seus predadores. Os escaravelhos femininos (*) imitam os sinais de acasalamento de outras espécies para atrair machos ansiosos e levá-los a um destino fatídico. O louva-a-deus (mantis religiosa) atrai suas presas imitando as flores, e as plantas de seixos são muito parecidas com as pedras, evitando assim se tornar comida para os animais. E a lista continua. O que muitas vezes não é entendido é que a arte do engano, implícita no desenho da Natureza, também é uma característica dos mundos internos. No caminho em direção à alma, há muitas armadilhas para o investigador incauto.

Claramente, a discriminação é essencial ao longo do caminho, pois é muito fácil cair presa das visões e dos sons enganosos do mundo astral e dos muitos imitadores que residem lá. Entre esses "encantadores" estão os imitadores dos Mestres de Sabedoria e outros luminares espirituais, imitadores que não são almas propriamente. Muitos desses ensinamentos e comentários triviais sobre os assuntos humanos são realizados com um sentimentalismo que busca ser reconfortante. Essas conchas são animadas por vidas elementais do mundo astral que são energizadas por sua interação com os seres humanos.

Como distrações e enganos são uma característica do plano astral, o caminho de Atma-Vidya, o "conhecimento da alma", tem sido recomendado como a ciência esotérica para nossos tempos. Helena Blavatsky considera que todos os outros Vidyas são "artes baseadas no conhecimento da essência final de todas as coisas nos Reinos da Natureza". Essa essência vincula os fenômenos da natureza física, externa, com a natureza psíquica do mundo astral e é por isso que não é aconselhável entrar em contato com ela. Estes Vidyas menores incluem "o conhecimento dos poderes ocultos despertados na Natureza através de certos ritos e cerimônias religiosas... [e]... o conhecimento dos poderes místicos que residem... em orações cantadas ou encantamentos... Em outras palavras, uma performance mágica baseada no Conhecimento das Forças da Natureza e sua correlação (1).

O objetivo recomendado para todos os buscadores hoje é a fusão com a alma através da prática de Atma-Vidya, caso contrário, podemos inconscientemente desviar-nos do caminho direto para a alma e entrar em um reino de "encantamento". 'Encantar' significa enfeitiçar e seduzir. É uma palavra derivada do latim 'incantare', que significa entoar um feitiço mágico e está intimamente relacionada com a palavra 'glamour' que tem raízes escocesas medievais de uma época em que se dizia que os praticantes do lado obscuro das artes ocultas lançavam o glamour. (2)

Alice Bailey explica que o glamour ou miragem é a característica excepcional do plano astral, que "O assim chamado 'plano astral' é simplesmente o nome dado à soma total das reações sensoriais; à resposta sentimental e à substância emocional que o homem mesmo criou e projetou com tanto êxito, sendo hoje a vítima de sua própria obra." (3) Na era atual, a substância da miragem é generalizada na cultura popular e nas indústrias do entretenimento, e é considerada algo que deve ser ativamente buscada. O glamour é geralmente entendido como a qualidade de ser "mais atraente, emocionante ou interessante do que pessoas ou coisas comuns". (4) Na verdade, é uma aparência que distorce a realidade, a distorção a que as pessoas que estão emocionalmente polarizadas são mais suscetíveis. Em suas formas mais sutis, engana muitas pessoas inteligentes e aspirantes ao longo do caminho, como explicado extensivamente no livro de Alice Bailey, "Miragem: um Problema Mundial".

No caminho de Atma-Vidya, o desencantar-se, afastando a miragem, é uma lição difícil, mas constantemente coloca o buscador espiritual sob o controle direto da alma, que é o princípio mediador entre o espírito e a matéria. A alma funde em um relacionamento harmonioso essas duas grandes correntes de energia, os princípios masculino e feminino na vida. Só então pode começar o trabalho mágico de criar "o novo céu e a nova Terra"...

Nesta era tecnológica materialista, é apropriado abordar esta questão à medida que a humanidade experimenta um impulso crescente para se reconectar mais profundamente com a Mãe Terra e o divino feminino. O caminho a seguir é claramente demonstrado por aqueles que expressam a luz e o amor da alma: o grupo de servidores do mundo, muitos dos quais estão trabalhando com os reinos inferiores da natureza. A luz clara da alma flui através deles, revelando leis que operam na natureza e despertando a humanidade para a necessidade de uma nova relação com o meio ambiente. Da mesma forma, o trabalho que fazemos na meditação através dos três festivais espirituais (Cristo, Buda e Humanidade) envolve o contato com a alma para ajudar a fazer que a luz, o amor e o poder desçam à Terra, através da humanidade e dos reinos inferiores da natureza, na grande obra da redenção planetária.

Aqueles que se dedicam a este grande trabalho são integrantes do grupo de servidores do mundo (sejam ou não conscientes disso), e todos estão trabalhando em maior ou menor medida com o conhecimento da alma --- Atma-Vidya -, a sabedoria do desencantamento.


Grupo da Sede, Lucis Trust


Via: https://www.encontroespiritual.org/index.html
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/ilus%c3%a3o-de-%c3%b3ptica-ilus%c3%a3o-37034/


Notas:

1.Escritos Coleccionados, H. P. Blavatsky, Vol IX., pp. 252-252

2.https://www.etymonline.com/word/glamour

3.O Reaparecimento do Cristo, A. A. Bailey, p. 130

4.https://www.collinsdictionarv.com/dictionarv/enelish/elamorous

(*) http://www.nationalgeographic.es/animales/luciernaga-bicho-de-luz - NT

sábado, 2 de dezembro de 2023

TEMPO DO ADVENTO (Parte 2)


(continuação)

Nosso atual Instrutor Mundial se chama MAITREYA, que significa bondade ou compaixão, e assim como o Senhor Buda foi chamado de Senhor da Sabedoria, o Senhor Maitreya é chamado de Senhor do Amor e Compaixão. A grande verdade central sobre a qual Ele dará ênfase será que os males do mundo vêm da falta de amor e de fraternidade; e se o homem aprender a amar e a adotar uma atitude fraterna, todos os males passariam e uma Era de Ouro amanheceria sobre nós. Não imediatamente; não podemos esperar por isso; mas pelo menos os homens começarão a ver por si e a entender que há muito mais a ganhar ao longo dessa linha (de amor e compaixão - NT) do que de acordo com a outra (sabedoria - NT). Podemos ver de que maneira predominantemente essa doutrina foi apresentada em suas vidas anteriores.

Ele apareceu duas vezes: como Krishna nas planícies indianas e como Cristo entre as colinas da Palestina. Na encarnação como Krishna, sua característica sempre foi o amor; o menino Krishna cercou-se de pessoas que sentiam por Ele o mais profundo amor e intensa afeição. Mesmo agora na religião fundada por Ele, a mais comovente devoção e uma maravilhosa atração pelo menino Krishna. Em todo o sul da Índia, muitos milhões de fiéis continuam a adorá-lo e é a essência de sua adoração sentir por Ele o mais profundo afeto e devoção mais comovente e intensa - creio eu - do que qualquer um dos que observei, mesmo nas comunidades monásticas da cristandade.

Ao encarnar-se na Palestina, o amor voltou a ser a característica central em seu ensino. Ele disse: “Este novo mandamento vos dou: que amem-se uns aos outros como eu vos amei." Ele pediu aos discípulos que todos fossem um Nele assim como Ele foi um com o Pai. Seu discípulo mais íntimo, São João, foi quem mais energicamente insistiu nesta ideia: “quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é Amor." São João viveu até uma idade muito avançada (mais de 100 anos) e quando não conseguia mais dar sermões longos devido à sua extrema velhice e fraqueza, foi carregado numa cadeira entre os jovens, e suas palavras sempre foram: “Pequeninos, amem-se uns aos outros”. Assim, dos dois nascimentos anteriores do Grande Instrutor do Mundo, temos uma certa evidência de que a ideia central do amor predominará em Suas manifestações.

Num livrinho intitulado “Aos Pés do Mestre” (1), encontramos alguns ensinamentos dados a um jovem aluno indú (que conheço muito bem) por um dos Mestres de Sabedoria. Esse jovem é um discípulo do Mestre do Mundo. O objetivo do ensino é apresentar da forma mais simples possível as qualidades requeridas para a Iniciação. Não há mistério em relação a essas qualidades, pois elas também são apresentadas em livros pertencentes a diversas religiões e são bem conhecidas por todos aqueles que estudam esses temas. No entanto, as diferentes apresentações dão origem a uma variedade considerável de métodos de ensino e tradução de alguns dos termos técnicos utilizados. Neste pequeno livro ao qual me referi, são apresentadas as qualidades exigidas por alguém que está tão intimamente relacionado com o Instrutor do Mundo, que podemos ter certeza de que é praticamente Sua apresentação. Esse livro, é claro, não contém tudo o que Ele ensinará, mas certamente podemos considerar que não há nada nisso que Ele desaprove. Ao lê-lo, não só menos do que ficar comovidos pelo fato de ser muito penetrado pelo mesmo espírito de Amor. A exigência final e o desejo intenso de união com o Supremo são apresentados no livro como Amor; sobre a base de que o Ser Supremo com o qual o homem deseja se unificar é o próprio Amor; e, portanto, aquele que deseja unir-se a Ele deve primeiro desenvolver dentro de si esse amor. Recomendo fortemente a leitura a todos os membros da nossa Igreja (Católica Liberal - NT). Você descobrirá que é um manual muito útil, pois mostra-nos muito claramente como o nosso modo de vida atual é muito longe de ser aquele elevado ideal de amor.

Penso que ao ler a Bíblia cristã devemos lembrar que a sua linguagem é altamente simbólica. Não quero dizer que todos os autores sabiam exatamente o que isso significava. Eu não acho que eles sabiam. Creio que eles também se sentiram desapontados em muitos casos, porque colocaram nos lábios de Cristo palavras que os representam esperando para retornar em breve. Repetidas vezes Ele é levado a dizer: "Há muitos aqui que não morrerão antes que eu volte", e sabemos que já 2.000 anos se passaram desde então.

A ideia da destruição do mundo é um grande erro. Alguém pode objetar: "Todo o mundo cristão considera isso literalmente, como sabemos que é um erro?" Nesta Igreja Católica Liberal adoramos e seguimos ao Cristo vivente. Não apenas um Cristo de 2.000 anos atrás, mas um Cristo que vive e inspira sua Igreja agora; neste momento, Ele também tem Seus profetas que conhecem e declaram Sua Vontade, e aqueles que sabem nos comunicaram que Ele retornará novamente como havia dito, e que essa Vinda será em breve, considerando o tempo terrestre. Será realmente o início de uma nova era para quem está esperando para recebê-lo. Será uma grande mudança, mas uma mudança moral e mental. Ele nos contou, em sua visita anterior, sobre os sinais que o prenunciarão sua segunda vinda. Se lermos o que está escrito, veremos que a grande guerra foi um desses sinais; e também podemos ver que muito será possível no caminho da reconstrução depois dela, que não teria sido possível fazer isso antes. Que fique claro em nossas mentes que Ele não vem para destruir o mundo, mas para nos ensinar, da mesma forma que o fez isso antes. Ele realmente vem para reinar, mas vem para reinar nossos corações, porque o Seu reino não é deste mundo.

Então, como devemos nos preparar para sua vinda? Majoritariamente através do altruísmo e do serviço aos outros para Ele e em Seu Nome. É necessário que as virtudes da devoção, da perseverança, da determinação e a doçura se desenvolvam em todos nós. Como claramente afirmado na Ordem da Estrela do Oriente, uma Sociedade que existe para preparar o caminho para Sua segunda vinda, para nos ajudar a que nos transformemos a nós mesmos para podermos recebê-lo, e na medida de nossas possibilidades ajudar aos outros a se prepararem também.

Nestes tempos, como é dito que verdadeiramente que Ele pregou, haverá muitos que não darão atenção, muitos que estarão envolvidos em negócios e prazer. Ele citou a lendária história de Noé, na qual os homens continuaram com seu trabalho e entretenimento e não prestaram atenção às profecias, e o dilúvio veio repentinamente e destruiu todos eles. Esta é a lenda do naufrágio da Atlântida, um fato histórico, embora não tenha acontecido exatamente como descrito nas tradições. Diz-se que Cristo falou que assim como aconteceu naquele tempo, assim será quando o Filho do Homem volte novamente. As pessoas estarão completamente ocupadas em suas ocupações e prazeres, sem sequer pensar um pouco Nele, portanto não irão reconhecê-lo, não irão identificá-lo. Deveríamos pelo menos ser mais sábios do que isso, nós que estamos tentando estudar o significado interno de todos essas coisas; deveríamos nos assegurar de que estamos prontos para recebê-lo; e para aqueles que assim preparam-se, tenham certeza de que um tempo maravilhoso e glorioso chegará.

Mal percebemos, talvez, quão estupendo é o privilégio de ter nascido nesta época, ter podido participar (porque todos nós participamos de uma forma ou de outra, espero e acredito) na grande guerra do certo contra o errado, que terminou recentemente (a 1ª Guerra Mundial, na época - NT); e ainda mais do que isso, nós que vivemos agora podemos esperar ver a segunda vinda de Cristo entre nós. E pense no que isso deveria significar para nós, se o reconhecermos.

"Porque Aquele em quem confiamos
Será então visto e conhecido,
E aqueles que o conhecem e o servem
O terão em seus corações."

Conhecerão a verdade e a verdade os libertará, porque em Seu serviço há uma liberdade perfeita. E Ele nos disse que quem servir ao menor dos Seus irmãos, por Ele o faz. Isso deve ser a nossa preparação.

Para nós que conhecemos a proximidade da Sua Vinda, o Advento não é um período de medo, mas de uma lembrança alegre e de maior expectativa também alegre. Nossa atitude está muito bem expressa em um antigo hino:

"Alegra-te, alegra-te! Emanuel, Ele virá até ti, ó Israel."

No período do Advento devemos ter muito presente em nossas mentes a necessidade da qualidade do discernimento para que nos preparemos para a nossa própria Iniciação e também para a Vinda do Senhor. Seria útil refletirmos cuidadosamente como essa grande qualidade pode ser manifestada em nossos esforços para difundir o conhecimento da seguinte e próxima Vinda, e como em nosso trabalho de preparação podemos manifestar a sabedoria da serpente, bem como a inofensividade da pomba. Com estes pensamentos em nossas mentes “podemos muito bem nos alegrar e cantar”, como nos diz o nosso hino, porque “aguardamos com esperança que não possa falhar.” Irmãos, a Vinda do Senhor está próxima; Sim, já está às nossas portas. Já amanheceu; logo o sol nascerá.

"Está vindo! No Oriente que se abre
Arauto radiante que se revela lentamente;
Está vindo! Oh, meu glorioso sacerdote,
Por acaso não ouvimos Teus sinos dourados?"




+ Charles Webster Leadbeater




Fonte: do livro "El Lado Oculto de los Festivales Cristianos"
Igreja Católica Liberal
https://www.catolicaliberal.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/enfeites-copo-natal-advento-5794746/


Nota:
1- "Aos Pés do Mestre", livro de J. Krishnamurti

TEMPO DO ADVENTO (Parte 1)


Entre nós (Igreja Católica Liberal), assim como nas Igrejas de Roma e da Inglaterra, o Domingo do Advento é o que poderíamos considerar o dia de Ano Novo Eclesiástico. A Santa Igreja Oriental (ou seja, a Igreja da Grécia e Rússia) segue o mesmo costume, mas segue o calendário não revisado e desta forma ele começa todas as suas comemorações doze dias depois de nós.

A primeira grande festa do ano eclesiástico é a do nascimento do Cristo, que corresponde e nos ensina que é a primeira dos grandes Iniciações. Mas a Igreja, na sua sabedoria, providenciou que para cada um dos grandes festivais há um certo período de preparação, e consequentemente, antes da festa de Natal temos o período do Advento, e que tem, sem dúvida, um duplo aspecto, do qual o primeiro é o de ser um momento de preparação para a celebração adequada do Natal.

Não é uma mera figura de linguagem dizer que durante o período do Advento devemos nos preparar para essa festividade. Natal não é apenas um aniversário, uma comemoração do nascimento de Nosso Senhor, é também um período de especial efusão de força espiritual. As grandes festividades como a Páscoa e o Natal, quando todos nos sentimos unidos, aguardando ansiosamente a sua chegada e regozijando-se com isso, são claramente ocasiões para o que comumente chamamos de derramamento da Graça do alto; e para que possamos nos beneficiar plenamente de tal derramamento, é bom aproveitar esse período de ajuste. Receberemos mais se nos prepararmos de forma adequada. Portanto, durante o período do Advento, devemos nos acostumar a pensar diariamente na vinda do Senhor e na Iniciação que isso simboliza.

Os quatro domingos do Advento são dedicados, pelos místicos da Escola Interna do Cristianismo, à contemplação das quatro qualidades necessárias para a primeira Iniciação: Discernimento, Ausência de Desejo, Boa Conduta e Amor; mas nos serviços da Igreja moderna não há nenhum vestígio dessa disposição, com exceção do antigo costume de substituir o rosa pelo violeta como cor para o terceiro domingo. Como é explicado em nossa liturgia (e com mais detalhes em "A Ciência dos Sacramentos" (1)) a Igreja utiliza diferentes gamas de vibração, que são mostrados aos nossos olhos físicos como cores, para ajudar a imprimir na mente da congregação as várias lições que devem ser aprendidas sucessivamente ao longo do ano. Durante os períodos preparatórios (Advento, Quaresma e Vigílias dos Dias Santos) a cor escolhida como mais útil é o roxo, pela sua qualidade actínica (2), penetrante e purificadora. Mais ou menos na metade do Advento e da Quaresma, encontramos um domingo para os quais a cor rosa é prescrita e em razão disso foi sugerido vários argumentos. Devido a certos mal-entendidos curiosos, eles chegaram a considerar esses períodos preparatórios como períodos de penitência e dor, e supos-se que a cor rosa para o domingo foi introduzida como uma espécie de mitigação da pena, um alívio momentâneo em meio às austeridades. Uma teoria mais verdadeira é que, visto que o nosso amor por Deus é a única razão eficaz para tentar a autopurificação, a mudança repentina de cor no meio do período (de cor roxa) pretende nos lembrar daquele profundo e verdadeiro afeto que deve fundamentar e permear todos os nossos esforços, se é que há alguma esperança de seu sucesso permanente. Quanto menos isso fica como um mero lembrete da alegria que devemos ter durante todo o período, pois não é chorando em vão pelos nossos pecados, mas resolvendo seriamente colocá-los de lado, é a maneira que podemos nos preparar para aproveitar ao máximo a festividade gloriosa que se aproxima.

A Igreja Católica sempre reconheceu a dupla natureza do período do Advento, que é uma preparação para a próxima vinda de Cristo, bem como para celebrar Seu nascimento em Sua última vida na Terra. As Igrejas de Roma e da Inglaterra falam desta segunda vinda e ordenam solenemente ao seu povo preparar-se para isso; no entanto, há muito mal-entendido sobre isso. Nas Escrituras Cristãs, esta segunda vinda está enredada com a ideia de fim do mundo, de modo que as pessoas que esperam pela segunda vinda de Cristo geralmente pensam nisso como o fim de toda a ordem que se conhece e, portanto, a maioria a teme. Em sermões e hinos relacionados à vinda, ainda persiste um ar de medo de algo terrível descendo do céu físico, acompanhado por fenômenos meteorológicos terríveis. A atitude geral se vê representada em alguns dos hinos do Advento que essas pessoas cantam:

"Os perversos, com medo de suas culpas, contemplam sua fúria dominadora; buscando piedade permanecem, mas todas as suas lágrimas e suspiros são inúteis."

E eles falam de si mesmos como “lamentando-se profundamente”, “curvando-se em profunda humilhação” etc. Deveria ficar perfeitamente entendido que todos esses tipos de coisas não são apenas estúpidas, mas definitivamente cruéis e blasfemas, e os homens que ensinam tais horríveis desfigurações da verdadeira doutrina cristã, deveriam assumir uma responsabilidade muito séria, porque, sem dúvida, difamar o nosso Divino Pai e degradar a concepção que Ele tem de Seus filhos, é um crime de grande magnitude.

É claro que não existe nada disso entre os verdadeiros místicos, que sempre souberam que Deus é amor e nunca temeram a manifestação de Sua Presença, porque sabem que, quer o vejam ou não, Ele está sempre com eles até o fim dos tempos.

Todo temor a Deus vem de um equívoco. A vinda de Cristo está certamente relacionada com um término; mas não é o fim do mundo, mas o fim de uma era ou dispensação. A palavra grega é AION, (...) e assim como Cristo disse há 2.000 anos que a dispensação da lei judaica havia chegado ao fim - porque Ele havia chegado a instituir uma nova dispensação, a dos Evangelhos - da mesma forma que a dispensação dos Evangelhos chegará ao fim quando Ele vier novamente para criar outra. Ele dará sempre o mesmo ensinamento, o ensinamento DEVE ser sempre o mesmo, porque só existe uma Verdade, embora talvez declarada de uma forma diferente, um pouco mais clara para nós agora, porque aprendemos algo mais. Será representada em alguma nova roupagem, talvez, com uma certa beleza na expressão que será exatamente adequada para nós nos dias atuais; haverá alguma exposição dela que atrairá a atenção de muita gente.

Certamente será igual, porque apareceu em todas as religiões existentes. Os métodos para apresentá-la são muito diferentes, mas todas as religiões estão em absoluto acordo sobre o tipo de vida que exigem dos seus fiéis. Encontramos uma diferença considerável entre o ensino exotérico do Cristianismo, Budismo, Hinduísmo e Islamismo; mas se olharmos os homens santos de qualquer uma dessas religiões e se investigarmos as suas práticas diárias, descobriremos que todos vivem precisamente da mesma maneira, e que todos estão de acordo em relação às virtudes que um homem bom deve possuir e os males que deve evitar. Todas as religiões nos dizem que o homem deve ser caridoso, verdadeiro, gentil, honesto e prestativo para com os necessitados; nos ensinam que um homem de coração duro, ganancioso e cruel, o homem falso e desonesto não terá nenhum progresso ou qualquer chance de sucesso até mudar seu modo de vida. Como pessoas práticas, devemos reconhecer que as coisas\verdadeiramente importantes em qualquer religião, não são as vãs especulações metafísicas sobre assuntos em que ninguém pode realmente saber algo com certeza, pois isso não influencia nosso comportamento; as coisas importantes são os preceitos que afetam nossa vida diária, que nos converte neste ou naquele tipo de homem em nossos relacionamentos com os outros. Estes preceitos são os mesmos em todas as religiões existentes; e eles serão os mesmos no próximo ensinamento, seja ele qual for.

Talvez possamos avançar um pouco mais na previsão do que Ele talvez nos ensinará, porque temos abertas para nós algumas fontes de informação. Uma delas é o estudo dos ensinamentos que Ele deu anteriormente. Os alunos se lembrarão que antes de que este Instrutor do mundo tomasse cargo, ele era exercido pelo Senhor Gautama, a quem os homens o chamam de o Buda. Seu título especial era SENHOR da SABEDORIA. Deixou muitos ensinamentos, mas todos eles centrados na ideia de que o conhecimento significava salvação, que os males do mundo vieram da ignorância e que através da ignorância os homens são levados a desejar, e através do desejo, a todos os tipos de pecados e sofrimentos; mas que se o homem dispersar a ignorância e vier a possuir o perfeito conhecimento, alcançará uma vida perfeita e atitude perfeita em relação a todos os homens e a todas as circunstâncias e assim escaparão da roda do nascimento e morte.

(continua na parte 2)



+ Charles Webster Leadbeater



Fonte: do livro "El Lado Oculto de los Festivales Cristianos"
Igreja Católica Liberal
https://www.catolicaliberal.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/advento-velas-de-advento-velas-1883840/



Notas:
1- "A Ciência dos Sacramentos", livro de Charles Webster Leadbeater
2- Radiações que provocam uma ação química (raios ultravioleta); influência

domingo, 4 de junho de 2023

FESTIVAL DO ESPÍRITO SANTO


O Espírito Santo cujo princípio é celebrado no Pentecostes, nos recorda nesta segunda parte do ano (de Pentecostes ao Advento, seis meses) o que foi ensinado na primeira parte do ano (do Advento ao Pentecostes, seis meses).

A ideia fundamental em torno do qual o cristianismo gravita é este da Santíssima Trindade, de Quem tudo nos vem e a Quem todos devem regressar. Depois de nos lembrar no decorrer do ano litúrgico o Pai Criador, o Filho Redentor e o Espírito santo Santificador e Regenerador das almas, nesta comemoração é recapitulado os elementos concernentes ao grande mistério em que adoramos a Deus Uno em Natureza e Trino em Pessoas.

O tema da Santíssima Trindade aparece constantemente na liturgia. É em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo que se começa e acaba a Missa e o Ofício e se conferem os Sacramentos. Todos os salmos fecham pelo "Gloria Patri", os hinos pela doxologia e todas as orações concluem em termos cheios de devoção e de ternura para com as Três Pessoas divinas. O simbolismo da Santíssima Trindade resplandece ainda nos templos. Sempre e em toda a parte, no menor detalhe da ornamentação, o número três tem lugar de honra, marca um pensamento de fé na Santíssima Trindade. A iconografia cristã também nos traduz, de diferente maneira, o mesmo pensamento. Até o século XII era comum representar o Pai, a Primeira Pessoa, por uma mão que saía dentre as nuvens do Céu a abençoar. Nos séculos XIII e XIV começou a aparecer primeiramente a face e depois todo o busto. A partir do século XV começou o Pai a ser figurado por um ancião revestido das vestes pontificais. Até o século XII a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade era figurada com mais frequência pela cruz ou pelo cordeiro e ainda por um gracioso jovem no jeito do Apolo grego. Do século XI ao XV, é o Cristo forte, já no vigor da idade, que nos aparece. A partir do século XVI entra o costume de lhe pôr a cruz e de o representar frequentemente pelo cordeiro. O Espírito Santo, a Terceira Pessoa, aparecia nos primeiros séculos sob a figura tradicional da pomba, tocando com as asas abertas na boca do Pai e na do Filho como argumento da sua procedência. A partir do século XI é na figura dum menino que o encontramos por vezes. No século XV, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, assume as proporções dum homem feito semelhante ao Pai e ao Filho, somente com a pomba na mão ou na cabeça para se distinguir das outras Pessoas. Depois do século XVI, a pomba volta a tomar o lugar exclusivo na representação do Espírito Santo. A geometria concorreu também para a simbólica da SS. Trindade. O trevo teve por sua vez lugar de relevo na simbologia tradicional, e igualmente os três círculos enlaçados com a palavra unidade inscrita no lugar vazio pela intersecção. Foi ainda representada por uma cabeça com três faces distintas.

Esotericamente falando, o Espírito Santo corresponde à Terceira Pessoa do Logos, o "Espírito de Deus que paira sobre a face das águas" do espaço e assim traz à existência a matéria qual a conhecemos hoje. À sua energia se devem tosas as combinações primárias dos átomos últimos de nossos planos (de existência).

"O Senhor, o Dispensador de Vida": Bem merece tal título, não só pela grandiosa obra que realizou ao vir à existência o sistema solar e porque dele procede toda a vida de que conhecemos alguma coisa, pois o onipresente fluido vital é a manifestação de sua atividade nestes planos de existência inferiores, como também pela obra igualmente estupenda que mesmo agora ele está realizando.

Os princípios do homem, que chamamos espírito, intuição e inteligência, não são apenas simples correspondência, ou mesmo reflexos ou raios, das Três Grandes Pessoas do Logos, e, sim, em pura verdade, são essas próprias entidades gloriosas, incriadas, incompreensíveis, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Nos primeiros dias do Cristianismo, o Espírito Santo foi uma realidade na vida dos cristãos. Enquanto Cristo viveu na Terra, foi naturalmente o centro de inspiração de seus discípulos, os quais se dirigiam a ele pedindo ensinamentos e conselhos sobre todo assunto. Antes de sua morte, Cristo disse aos seus discípulos que ia partir mas não os deixaria desamparados, e sim, rogaria ao seu Pai que lhes enviasse outro Paracleto, o Consolador, isto é, o Espírito de Verdade, o Espírito Santo; e conferiu o poder de invocar o Espírito Santo àqueles em que ele pusesse as mãos, o que ainda se efetua na Igreja, ao conferir as Ordens sagradas. Enquanto o sacerdócio dos primitivos templos esteve ligado ao Deus Espírito Santo, foi possível a muitos, quando se esforçavam, por-se em contato com o Espírito Santo, e derivar desta Potestade os chamados dons do Espírito Santo, tais como o da profecia, ensinamentos inspiradores, cura dos enfermos, a expulsão dos espíritos malignos ou impuros, o poliglotismo e muitas outras manifestações análogas. Na Igreja primitiva, a inspiração do Espírito Santo, provinda do interior, substituiu a que os discípulos de Cristo receberam dele diretamente, durante toda a sua vida. Sem dúvida, nem sempre era fácil distinguir entre as genuínas manifestações desta grande Potestade e os frequentes excessos histéricos que a remedam e são indícios de uma natureza desequilibrada. Assim é que já São Paulo achou necessário prevenir suas congregações contra semelhantes, desequilibradas e às vezes falsas manifestações, que em algumas igrejas primitivas ocasionaram perturbações.

As coisas se modificaram quando o Cristianismo pouco a pouco foi se concentrando ao redor da Igreja de Roma. Desde o princípio, o mundo latino inclinou-se para o Cristianismo, não tanto pelos dons do Espírito Santo manifestado em seus fieis, e sim, pelo conceito de um Deus que era Pai de todos os homens e não apenas dos cidadãos romanos. A vida religiosa de milhões de pessoas submetidas ao governo de Roma já não estaria determinada por privilégios de berço ou cidadania, senão que dali em diante participariam dela todos os homens, porque todos eram filhos de um só Deus, o Pai de todos. O anelo da fraternidade universal dos homens, tanto romanos como estrangeiros, foi um dos sinais salientes da época e um sintoma do reavivamento espiritual do mundo.

Novamente a tônica do Cristianismo se modifica ao propagar-se pela Europa ocidental. Na Idade Média, nem Deus Pai nem Deus Espírito Santo inspiram a vida religiosa daqueles tempos profundamente devotos, senão que a figura central da vida da Igreja é Jesus Cristo, o Homem das Aflições, que suporta o fardo da espécie humana e com divina compaixão pelos pecados do mundo oferece Sua vida em sacrifício para salvá-lo. Assim, a Idade Média nos mostra um Cristianismo em que a figura de Cristo é o objeto capital da intensa devoção e mística piedade de que a mente medieval foi capaz no mais alto grau. Nunca adornou a Igreja uma tão ardente adoração, uma compaixão tão terna e uma tão íntima unidade com a vida de Cristo, como naqueles dias, quando os insignes santos e místicos medievais, com sua fervente adoração e a veemente devoção de suas consagradas vidas, alcançaram os pináculos espirituais e ficaram na história da religião cristã como luzeiros entre as tenebrosas páginas de ignorante hipocrisia e perseguição cruel.

Contudo, o Renascimento assinalou a transição e o começo de um novo período da história do Cristianismo, em que o fator predominante ia ser Deus Espírito Santo. A teoria da evolução, os conceitos filosóficos de Bergson, a hipótese da relatividade de Einstein, que formará época na história da ciência, bem como a arte cinematográfica, e em geral o mais vivo reconhecimento da obra de Deus neste mundo que nos rodeia, são todos eles, e ainda outros mais, os sinais dos tempos que anunciam o reinado do Espírito Santo. No Cristianismo, num imediato futuro, Deus Espírito Santo ocupará o mesmo lugar proeminente que durante a cristandade latina ocupou Deus Pai, e durante a Idade Média Deus Filho, na vida da Igreja. Incontestavelmente o Cristo vivo, o verdadeiro coração da fé cristã será sempre a suprema realidade da Igreja cristã; porém, assim como nas passadas idades da história cristã predominaram sucessivamente as duas primeiras Pessoas da Trindade, da mesma forma na idade futura prevalecerá a influência do Espírito Santo. Por isto, faz-se necessário hoje, mais do que nunca, obter-se um melhor conhecimento da terceira Pessoa da Trindade e de Sua atuação e influência em nossa vida diária, não apenas na religião cristã, como em todas as religiões fundamentais do mundo, pois em toda a parte a dita influência se fará sentir.

Na Trindade divina o Pai é a vontade criadora; o Filho é Deus crucificado em sua própria criação; e Deus em sua criadora atividade, que projeta seu universo e o cria pelo poder de sua mente, é o Deus Espírito Santo. Com esta energia de Deus nos pomos em contato, por meio da mente superior, e ao experimentar este contato nos convencemos de que há um só Poder, uma Força, uma Energia em todo o Universo, isto é, a Energia criadora de Deus o Poder do Espírito Santo.

É fácil compreender a importância que tem para nossa vida diária o conceito dinâmico do Universo do Espírito Santo. Isto nos capacita a considerar tudo sob o seu aspecto de energia, e entrar em contato, por assim dizer, com o poder criador que impulsiona tudo para a perfeição. Este contato infunde em nós a criadora energia do Espírito Santo, inflama em nós o Fogo criador, e então somos capazes de empreender e realizar obras que comumente éramos incapazes de realizar. O contato com o dinâmico Universo converte o homem em vidente e profeta, em reformador entusiasta, e lhe vitaliza todas as modalidades de sua existência. Certamente o de profecia é um dos dons do Espírito Santo, pois o passado e o futuro são constante realidade no ritmo da criação, na qual se manifesta o Espírito Santo, a cujo reino pertence o conhecimento do ciclo máximo da criação e dos inumeráveis ciclos menores da historia da Natureza, das raças, das nações e dos indivíduos.

O Festival do Espírito Santo é o terceiro e último dos principais festivais é o que ocorre na Lua Cheia, no signo de Gêmeos. É o festival do Espírito Santo no qual a humanidade aspira alcançar o Divino (Santo Espírito). Mais do que em qualquer outro dia do ano, as forças e energias de Reconstrução estão presentes, atuando com a máxima intensidade.

Ao encerrar essas reflexões sobre a experiência do Espírito Santo, poder-se-ia parafrasear Paulo: Vivei e convivei sempre alegres e em equilíbrio com todas as formas de vida emanadas pelo Deus-em-nós. Em todas as circunstâncias dai graças e espaço ao Reino de Deus e ao sopro do Espírito. Não extingais o Espírito, sua dinâmica e seus impulsos de vida. Não desprezeis as profecias e escutai sempre de novo a voz dos profetas. Examinai tudo e ficai com o que é bom, com o que é belo, com o que é saudável, com o que é justo, com o que é amoroso. Abstende-vos de toda espécie de mal, de injustiça, de opressão, de morte.



Fontes:
- "Missal Quotidiano e Vesperal", de Dom Gaspar Lefebvre
- "O Credo Cristão", de Charles W. Leadbeater
- "O Fogo Criador", de J. J. van der Leeuw
- "O Espírito Santo Deus-em-nós: uma pneumatologia experiencial", de Volney J. Berkenbrock

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

DESTRUIÇÃO DE NARAKASURA - A DESTRUIÇÃO DO MAL E A RESTAURAÇÃO DO BEM

Nossos festivais e dias santos devem ser observados no espírito certo, com uma compreensão do seu significado interior. A destruição do demônio Narakasura simboliza a destruição do mal e a restauração do bem. Observe Deepavali como um dia para se livrar de todas as más características em nós. Muitas Gopikas que foram encarceradas por Narakasura foram libertadas pelo Senhor Krishna no mesmo dia. Isto implica que devemos libertar as boas qualidades presas dentro de nós e permitir que elas se manifestem de forma refulgente. Enquanto qualidades demoníacas permanecerem dentro das pessoas, elas estarão imersas na escuridão. Maus atributos e pensamentos devem ser eliminados completamente. Quando você perceber a impermanência do corpo e de todas as experiências sensoriais, você irá adquirir desapego (vairagya). Cumpra seus deveres, trate o corpo como um instrumento dotado por Deus para esta finalidade. (Discurso Divino, 09 de novembro de 1988)





Sathya Sai Baba






Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Tumblr.com