sexta-feira, 24 de abril de 2026

QUIETUDE - A MENTE ZEN


Há um poema Zen que diz: “Depois que o vento cessa, eu vejo a flor que cai. Por causa do pássaro cantando, descubro a quietude da montanha”. Antes que algo aconteça no reino da quietude, nós não sentimos a quietude; só a percebemos quando algo a perturba. Há um ditado japonês que diz: “Para a lua, há nuvem; para a flor, vento”. Quando vemos parte da lua encoberta por uma nuvem, uma árvore ou uma planta, percebemos melhor o quão redonda ela é. Quando vemos a lua clara sem nada que a encubra, não percebemos sua redondez do mesmo modo que a percebemos ao vê-la através de alguma outra coisa.

Quando em zazen (1), você está dentro da completa quietude de sua mente: você nada sente. Você está apenas sentado lá. Mas a quietude que vem desse sentar irá encorajá-lo na vida cotidiana. Assim, você achará de fato o valor do Zen no dia-a-dia, mais do que quando se senta. Porém, isto não significa que você deva negligenciar o zazen. Muito embora nada sinta quando sentado, se não tiver essa experiência do zazen, você nada encontrará em sua vida diária exceto plantas, árvores ou nuvens: você não verá a lua.

Eis por que está sempre reclamando de algo. Mas, para o estudante Zen, uma erva daninha que para a maioria das pessoas nada vale - é um tesouro. Com tal atitude, o que quer que você faça, sua vida se torna uma arte.

Quando você pratica zazen não deve procurar atingir nada. Sente-se na completa quietude da sua mente e não busque apoio em coisa alguma. Mantenha o corpo reto sem inclinar-se ou apoiar-se em nada. Manter o corpo reto significa não contar com nada. Dessa maneira, você obterá completa quietude, física e mental. Contar com alguma coisa ou tentar fazer algo no zazen é dualismo; não é quietude total.

Na vida diária, geralmente estamos tentando fazer algo, tentando transformar uma coisa em outra ou atingir algo. Essa tentativa é, em si mesma, expressão da nossa verdadeira natureza. O sentido reside no próprio esforço. Temos de descobrir o sentido do nosso esforço antes mesmo de atingir algo. Por esta razão, Dogen (2) disse: “Devemos alcançar a iluminação antes de alcançá-la”. Não é depois de atingir a iluminação que descobriremos seu verdadeiro significado. A própria tentativa de fazer alguma coisa já é iluminação.

Quando estamos em dificuldades ou em desgraça, aí temos iluminação. Quando afundamos na lama, aí devemos conservar a serenidade. Achamos muito difícil viver na fugacidade da vida, mas é justamente na fugacidade da vida que podemos encontrar a alegria da vida eterna.

Prosseguindo na prática com tal compreensão, você poderá aperfeiçoar-se. Mas, se tentar atingir algo sem essa compreensão, não conseguirá trabalhar sobre isso de forma adequada. Você perderá a si próprio na luta pelo seu objetivo; nada alcançará e continuará a sofrer em meio a suas dificuldades. Com a correta compreensão, poderá fazer algum progresso. Então, faça o que fizer, ainda que não seja perfeito, isso estará baseado na sua natureza mais íntima e, pouco a pouco, alguma coisa será alcançada.

O que é mais importante: atingir a iluminação ou atingir a iluminação antes de atingi-la? Ganhar um milhão de dólares ou desfrutar a vida aos poucos com seu próprio esforço, ainda que seja impossível ganhar aquele milhão? Ter sucesso ou encontrar algum sentido em seu esforço para ser bem sucedido?

Se você não sabe a resposta, não será capaz de praticar zazen; se a sabe, terá encontrado o verdadeiro tesouro da vida.


Shuniyu Suzuki



Fonte: do livro "Mente Zen, Mente de Principiante"
Editora Palas Athena
Via Boletim "Flor de Lótus", nº 22, 1999
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/medita%c3%a7%c3%a3o-zazen-meditar-budismo-3998095/


Notas:
(1) Zazen - meditação no Zen-budismo.
(2) Dogen (1200-1253) - Primeiro Mestre da Escola Zen-budista Soto.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O MOMENTO DAS GRANDES LUTAS


Há quem despreze a luta, mergulhando em nociva indiferença, ante os combates que se travam no seio de todas as coletividades humanas. A indiferença anula na alma suas possibilidades de progresso e oblitera seus germes de perfeição, constituindo um dos piores estados psíquicos, pois, roubando da individualidade o entusiasmo do ideal pela vida, a obriga ao estacionamento e à esterilidade, prejudiciais em todos os aspectos à sua carreira evolutiva.

Semelhante situação não se pode, todavia, eternizar, pois para todos os espíritos, talhados todos para o supremo aperfeiçoamento, raia, cedo ou tarde, o instante da compreensão que nos impele a contemplar os altos cimos... A alma estacionária, até então refratária às pugnas do progresso, sente em si a necessidade de experiências que lhe facultarão o meio de alcançar as culminâncias vislumbradas... Atira-se ai à luta com devoção e coragem. Vezes inúmeras fracassa em seus bons propósitos, porém, é nesse turbilhão de incessantes combates que ela evoluciona para a perfeição infinita, desenvolvendo as suas possibilidades, aprimorando os seus poderes, enobrecendo-se, enfim.


Francisco Cândido Xavier / Emmanuel


Fonte: do livro "Dissertações Mediúnicas"
FEB - Federação Espírita Brasileira
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/alcan%c3%a7ar-mulher-garota-pulando-1822503/

O EGOCÊNTRICO JAMAIS PODERÁ SER FELIZ


Pergunta: Mestre, o senhor sempre diz que nada no mundo pode trazer felicidade. E que a felicidade deve ser gerada de dentro para fora. O senhor até diz: “Resolva ser feliz”. Apesar disso, não consigo alcançar a felicidade. O senhor teria a gentileza de me ajudar?

Resposta: A felicidade é uma atitude. É preciso cultivar a felicidade. Uma pessoa que dedica tempo a si mesma, pensando e trabalhando apenas para si mesma, não pode ser feliz. Através de seus pensamentos, ela se aprisiona constantemente. Quando alguém está preocupado consigo mesmo e consciente de seus parentes, amigos e bens materiais, desenvolve uma visão limitada de si. Vive em um mundo restrito dentro de um mundo completamente aberto. A consciência fica aprisionada pelos pensamentos que a cercam. Esse processo tortuoso e cada vez mais tortuoso precisa ser revertido. Devemos pensar diariamente se podemos fazer alguém sorrir. Devemos considerar se podemos fazer um ser humano, um animal, uma planta ou um inseto feliz. Dependendo da felicidade que espalhamos, a natureza nos retribui instantaneamente com essa felicidade. Se alguém causa infelicidade nos relacionamentos alheios, essa pessoa permanece infeliz mesmo desfrutando dos confortos e luxos da vida. O desenvolvimento pessoal ocorre quando se trabalha pela felicidade dos outros, com relacionamentos que partem do próprio centro para o exterior. Mas enquanto que esse centro permanece voltado para dentro não se desenvolve porque está apenas trabalhando pela própria felicidade. O egocêntrico jamais poderá ser feliz.


Fonte: Vaisakh Circular 1, Ciclo 29
World Teacher Trust Spain
www.wttes.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/margarida-leuc%c3%a2ntemo-comp%c3%b3sitos-74886/

O TOURO DE DEUS (2º SIGNO DO ANO)


O Homem é um ser em busca de significado. (Platão)

Aprender não é acumular pedacinhos de saber. É um crescimento no qual cada ato de sabedoria desenvolve o seu portador, tornando-o capaz de estruturar cada vez mais objetivos cada vez mais complexos — e o crescimento da complexidade do objeto anda paralelo com o crescimento da capacidade subjetiva. (1)

O Touro de Deus — Sua Majestade, o Touro — é frequentemente representado com um único olho sobre a testa, do qual irradiam finos raios de luz que simbolizam a meta deste segundo signo do zodíaco — a Iluminação.

A luz do corpo é o olho; portanto, se o teu olho for bom, todo o teu corpo estará pleno de luz. (Mateus 6:22)

Como Touro simboliza o desejo em todas as suas fases, é conhecido como o signo de maior incentivo para viver. Sua atividade é a luta, seja individual, grupal, planetária ou cósmica. Na maioria dos homens, sua qualidade básica manifesta-se como desejo; no homem comum, como teimosia; no homem mais evoluído, como fidelidade às metas da personalidade ou como vontade expressa de modo inteligente, ativada pelo impulso do amor.

A Iluminação surge a seu tempo da luta entre as duas metades de um todo: o desejo material e a vontade espiritual. O Desejo-Vontade subjaz a todas as formas em todos os níveis e exibe a força da natureza-forma; a Vontade, energia da alma, manifesta-se como direção e conformidade com o Plano. Este Plano é interpretado de muitas maneiras; uma de suas definições mais simples o apresenta como sendo aquilo que cada homem individual é capaz de perceber com referência ao seu padrão geral. O grau dessa percepção depende do estágio de evolução do indivíduo.

O processo do desabrochar espiritual é muito lento e só tem início depois da obtenção de uma certa medida de integração da personalidade. Antes de atingir essa etapa, a personalidade não demonstra sensibilidade suficiente para despertar o interesse da Alma.

Porém, quando os corpos da personalidade se coordenam para agir como uma unidade, o Eu Superior, notando uma qualidade receptiva em seu instrumento, começa a infundir sua luz para dentro do eu inferior, dando início à fusão.

Todos os signos são caracterizados por um dos quatro elementos: fogo, ar, terra e água. Touro é um signo de terra, e forma parte da tríade que inclui também Virgem e Capricórnio. Devido ao elemento terroso de sua natureza, o taurino deve dominar suas fraquezas no nível físico, pois é somente nesse plano que a experiência de vida pode ativar o crescimento. Quando isso ocorre, o desejo é transmutado em aspiração. A aspiração passa então a ser uma expressão da Vontade de Deus, que deve ser levada a um plano inferior para se transformar em Vontade do Bem; mais tarde manifestar-se-á como Boa Vontade.

Durante esse longo período de transição, a Alma desempenha um duplo papel. Não só influencia modificações na forma, como também sua luz produz uma revelação sequencial de si mesma, que em Touro representa a "luz penetrante do Caminho". (2)

Gautama, o Buda, está intimamente ligado ao signo de Touro. Parece ser mais do que mera coincidência que seu nascimento, sua iluminação e sua morte tenham ocorrido sempre em tempo de Lua cheia em Touro. O controle do desejo, tão básico nos ensinamentos de Buda, é também um problema maior para o discípulo taurino que se esforça em sua busca.

Alguma forma de sofrimento ou dor acompanha invariavelmente o esforço de crescimento. Para o homem que busca esclarecimento, é de grande ajuda compreender que as provações e aflições são de fato desafios benéficos que oferecem meios para destilar seu potencial.

Atuam como testes pré-figurativos do "campo de fogo" e do "campo de batalha", provações pelo fogo, as quais em justa perspectiva são reconhecidas como "a liberação da luz do conhecimento no campo da sabedoria".


Os raios

Todos os raios são considerados como expressões de Grandes Seres — um conceito a ser aceito hipoteticamente, e não como imagem da realidade.

O Quinto Raio da Mente Concreta ou Ciência: Esta energia revela a qualidade de um Ser Divino que interpreta a Vontade Divina num plano inferior do quinto subplano do Plano Físico Cósmico, pois o Quinto Raio forma a substância de todo o plano mental.

Ele se manifesta de três formas:

1. Mente Abstrata ou Mente Superior.

2. Mente Concreta ou Mente Inferior, o aspecto mais elevado do eu inferior.

3. O filho da mente, a Alma, ponto de unificação da inteligência abstrata ou concreta.

Assim como a personalidade funciona como meio de expressão da Alma, a Mente Concreta atua como canal de entrada para a energia mental superior. Denominado a "Porta para a Mente de Deus", o Quinto Raio influi muito sobre Touro porque é o agente do desenvolvimento da consciência, a meta cósmica para o nosso sistema solar. É energia latente, enquanto aguarda solicitação; dinâmica, quando funciona como agente na formação de pensamentos.

O Primeiro Raio de Vontade ou Poder: enfatiza a vontade de iluminar, que em seu aspecto destrutivo causa a morte da forma para que a Alma possa prosseguir em frente no caminho da Evolução. Sua força impele o homem na sua ascensão a níveis mais altos de compreensão espiritual, enfatizando o poder de iluminação do Propósito Divino que será implementado pela realização do Plano. No presente momento, a mente humana é limitada demais para compreender a natureza do Propósito Cósmico. Mas como a eletricidade, cuja natureza ainda está a ser definida e plenamente explorada, sua manifestação pode ser reconhecida e estruturada com maior compreensão graças a algumas das indicações que aparecem no padrão do seu desabrochar.


Os planetas

Vênus: Deusa do Amor e da Beleza, é o regente exotérico de Touro e o único agente condutor do Quinto Raio. Sua influência é sempre de qualidade mental. No signo de Touro, ocupa-se com o desenvolvimento da personalidade nas suas primeiras etapas de crescimento, em que os instintos inferiores são estimulados para a gratificação dos sentidos. Uma vez atingida a saciedade nessa área, a próxima busca será dirigida para o "estético", e também significará apenas mais um passo no caminho de um desejo ainda não satisfeito. A busca finalmente é dirigida para dentro, para um nível mais elevado que ainda procura gratificação; essa nova direção marca uma aproximação com a Alma e o início do contato com ela.

Vênus está associado ao sexo. O Ensinamento da Sabedoria deixa claro que, quando a expressão de sexo no plano físico é contida, o fato é aprovado e considerado "certo"; quando é prostituída ou pervertida, é considerado "errado". A união do homem e da mulher no nível físico simboliza o relacionamento do casamento mais elevado entre Espírito e Matéria, que é em si uma expressão básica da Lei da Atração.

Vulcano: Deus do martelo e da forja, Vulcano é o regente esotérico e hierárquico de Touro. Age constantemente com o poder do Primeiro Raio, batendo o "metal base" para transmutá-lo numa forma mais aprimorada a ser usada para fins espirituais. Sua força incansável simboliza a persistência necessária para abrir um caminho para a experiência da Alma no mundo da forma. Esse ferreiro lendário exerce sua atividade nos planos mais elevados para que a alma possa progredir no seu caminho de evolução, à medida que adquire – num nível inferior de existência – a necessária experiência de conhecimento do Deus manifestado.


Autoconhecimento e Autopercepção

A tarefa de autoconhecimento e de autopercepção é especialmente difícil para o taurino, porque envolve muitas limitações a serem vencidas. A vida da forma, a atividade inteligente e a luta intensa explicam de modo sintético seu problema. Será necessário dissipar o brilho e a ilusão antes de poder chegar ao Eu Superior; todavia, uma vez atingido esse domínio, obtém-se a garantia de que nunca mais as ilusões confundir-se-ão com a verdade.

Embora o taurino atravesse períodos de desânimo, quando sente que não está atingindo a sua meta, a depressão poderá ser ultrapassada pela lembrança de que as fraquezas de seus sentidos estão dentro dele mesmo, e que é o seu próprio aparelho de recepção o causador do problema. Essa condição poderá ser corrigida se ele reconhecer que seus potenciais estão apenas esperando o devido desenvolvimento e podem, portanto, ser aproveitados se ele se dedicar ao trabalho com empenho e zelo.

Com relação ao corpo físico, Touro rege o pescoço e a garganta. A aparência um tanto bruta do pescoço de seus regidos é muitas vezes uma vantagem, pois proporciona cordas vocais fortes para os cantores e boa voz para os oradores.

Como a Mãe-Terra, o taurino é estável porque suas raízes penetram fundo no solo. Seu humor também se mantém perto do chão. Seu amor pela família, pelos amigos e pelo seu lar é evidência forte do toque de Vênus, como também o é seu amor pelo belo. O tipo pouco desenvolvido demonstra possessividade e apego às coisas materiais. Como o touro, ele tem boa saúde, e um temperamento forte que se mantém contido até o momento em que é encostado na parede; então, encolerizado, ataca com ferocidade inesperada, "energia selvagem à solta pelos interesses da personalidade".

A tenacidade, a resistência e a teimosia refletem qualidades da Vontade e, como todas as forças, têm um aspecto positivo e outro negativo. O martelo de Vulcano em ação produz a perseverança, a persistência e o poder, todos indicando a marca do Primeiro Raio. Ao testemunhar a expressão da Vontade, é muito necessário reconhecer a motivação que dá cor ao quadro de referência. Tomemos como exemplo a teimosia: O pequeno Bill, aquele "monstrinho", usa sua teimosia em favor de um egoísmo insuportável, pisando em tudo à sua frente para chegar ao que quer. Todavia, num homem maduro que luta pelo bem comum, a característica de teimosia é altamente elogiada.

Fica óbvio que a auto-estima e o auto-interesse excessivos bloqueiam a visão que leva à sabedoria. Se a aspiração for irregular, aprisiona a inteligência e impede o desenvolvimento prático do conhecimento. O discípulo taurino precisa de uma motivação estável para poder progredir na trilha estreita do "fio da navalha" do desabrochar espiritual. Para conseguir apoio no domínio de suas fraquezas, ele deve afirmar constantemente que sua é a Alma, filha de Deus, que é Filho da Mente. Usando a força de Vulcano para destruir velhos hábitos e moldar outros novos, pode transmutar características indesejáveis em qualidades construtivas que sustentem aquilo que ele é essencialmente: o Eu transpessoal.

Duas palavras-chaves de Touro focalizam a jornada da evolução:

A personalidade afirma: Que a luta seja sem temor.
A alma soa a sua nota: Eu vejo, e quando o olho está aberto tudo se ilumina.

A iluminação atingida a duras penas é atribuída à influência de Vulcano, substituto do Sol, do Logos, Doador da Luz.

A Vontade, base da atividade em Touro, deve ser a vontade pura, plena de alegria, que precisa ser expressa no serviço aos outros – a vontade do bem transformada em boa vontade. A natureza da Vontade é reconhecida como um mistério, e os psiquiatras modernos estão pesquisando cada vez mais na tentativa de entende-la. Roberto Assagioli, em seu livro "O Ato da Vontade", apresenta várias ideias sobre o assunto e descreve um aspecto da vontade como sendo:

... uma voz, pequena, porém clara, fazendo-se ouvir às vezes, incentivando nossa ação numa direção específica, diferente dos nossos motivos e impulsos habituais. Sentimos que ela surge do âmago central do nosso ser. Ou talvez uma iluminação interior nos torne conscientes da realidade da vontade, que sentimos afirmar-se de forma irresistível.

A descoberta da vontade em nós mesmos, e mais ainda, a compreensão de que o Eu (Alma) e a vontade estão intimamente ligados, pode ocorrer como verdadeira revelação que muda, às vezes radicalmente, a autoconscientização do homem e sua atitude consigo mesmo, com outras pessoas ou com o mundo. Ele percebe que é um "ser vivo", dotado do poder de escolher, de se relacionar, de modificar a própria personalidade, a dos outros, ou mesmo as circunstâncias. Essa conscientização ampliada, esse "despertar" para a visão de novos e ilimitados potenciais de expressão interior e de ação exterior transmite novas sensações de confiança, de segurança e alegria – um sentido de "completude" e "unidade".

O papel mais efetivo e gratificante da vontade não é o de ser a fonte do poder direto ou da força, mas sim o de ser a função que, submetida ao nosso controle, estimula, regula e rege todas as outras funções e forças do nosso ser para que elas nos levem até a nossa meta predeterminada...

A função da vontade é semelhante à de um capitão no leme de seu barco. Ele sabe qual deve ser o rumo a tomar e mantém o barco firme nesse rumo, apesar das variações do vento e da correnteza. Porém, a força de que precisa para girar o leme é totalmente diferente daquela usada para propulsionar o barco, seja esta gerada por motores, pela pressão do vento nas velas ou pelo esforço de um remador...

Procuremos entender profundamente o significado total e o imenso valor da descoberta da vontade... seja como for que ela ocorra, de modo espontâneo ou através da ação consciente, em crise ou na quietude da memória interior, ela sempre representa um evento decisivo muito importante na nossa vida. (3)

Repetindo, "a vida da forma, a atividade inteligente e o esforço intenso" resumem o problema de Touro, cuja resolução depende de um reconhecimento da realidade que está por trás da fachada enganadora de eventos com os quais entramos em contato na vida cotidiana. Isso ocorrerá quando a chama do Eu Transpessoal iluminar a visão; o homem poderá então colocar-se em pé e enxergar ao longe.

Na constituição das pessoas nascidas sob o signo de Touro falta frequentemente uma indicação da atividade do Segundo Raio de Amor-Sabedoria, o que pode explicar-se pelo excesso de focalização no pequeno "eu" e em seus desejos.

A análise demonstra que uma pessoa pode ser inteligente mas não necessariamente sábia, aspirante mas ao mesmo tempo teimosa; e isto a tal ponto que sua aspiração não a leva muito longe no caminho do desenvolvimento, devido à tendência que a faz atuar em "arranques" explosivos. A estabilidade é, para essa pessoa, um bem de difícil obtenção; difícil também é a aplicação prática do conhecimento já adquirido, que frequentemente permanece num nível puramente mental. A pessoa reconhece a "existência da dualidade", mas em lugar de lutar mais ainda para chegar à unificação, deixa-se levar pelos efeitos depressivos da sua descoberta, caindo numa condição estática.

O homem deste signo que deseja realmente progredir no caminho do desabrochar espiritual deve firmar-se no lado espiritual de Vênus, dar ao amor seu devido valor e, ao mesmo tempo, renunciar ao lado destrutivo de Vulcano, concentrando-se no poder que este lhe confere para desenvolver o que ele realmente é — o Eu. Isto exige uma visão clara, o exercício da vontade com alegria, e o total desaparecimento dos desejos da personalidade.


Clara Weiss


Fonte: do livro "A Auto-Realização Através da Astrologia"
Tradução Lizah Verdier
Ed. Pensamento, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/touro-astrologia-hor%c3%b3scopo-zod%c3%adaco-2782023/

Notas:
1. Love and Will, p. 223
2. Esoteric Astrology, Alice Bailey, p. 329
3. The Act of Will, pp. 7, 9, 10, 47.[O Ato da Vontade, Editora Cultrix, São Paulo, 1985.]

terça-feira, 21 de abril de 2026

O OBJETIVO ARQUETÍPICO DA HATHA YOGA


(...) todo o mistério da Hatha Yoga está relacionado com a criação de uma estrutura etérico-física que responde aos Arquétipos de Beleza e ao equilíbrio das funções orgânicas, bem como à sensibilização constante de cada um dos elementos celulares que constituem esta estrutura de acordo com o ritmo solar ou universal, o que pressupõe o estabelecimento de um sistema de contatos cada vez mais estreitos e definidos entre o cérebro e a mente, entre a mente discernidora e a vida afetiva através do corpo etérico, que assim se torna o elo natural de relação entre a existência no plano físico e os outros planos do Sistema Solar onde o ser humano já possui corpos definidos como o astral, o mental e outros que ainda estão em processo de construção, como o búdico, o átmico, o monádico etc.

A Hatha Yoga, conforme expressa e usada em nossos dias através do esporte, da higiene natural, da dietética sadia ou vida naturista e dos diferentes sistemas de respiração e controle dos asanas ou posturas do corpo, visam polir e refinar o cálice objetivo e sensibilizar constantemente o corpo etérico para que ele possa receber sem fricções (que são a causa das doenças) a crescente sensibilidade espiritual do Pensador, do Artífice que, com o testemunho de Sua Graça santificante deve percorrer o mundo oferecendo perpetuamente "seu corpo e sangue", no sentido mais esotérico e místico, para que cada um dos peregrinos da Terra possa saciar sua fome e sede de justiça social e humana. A conhecida frase mística "pelos seus frutos serão reconhecidos" refere-se àquela fase da Yoga em que a vida de Deus é perfeitamente reconhecível através do corpo físico, como no caso dos grandes Avatares como Hermes, Buda e o Cristo que, objetiva e palpavelmente, demonstraram a pureza das Suas excelsas Vidas através de veículos ou cálices indescritivelmente imaculados e radiantes.

A obtenção de tais estados como revelação de certos Arquétipos cuja identidade deve ser buscada além dos limites do nosso Universo, uma vez que pertencem a um desígnio de origem cósmica, é o objetivo da Yoga. Sua conquista, mesmo no mais imediato, no meramente físico, exigirá uma atividade maior que, projetando-se para além do corpo conhecido através de seus centros ou chacras superiores, os do cérebro e do coração, nos permitirá estabelecer contato com a Realidade mais elevada, aquele Deus em nós que está constantemente nos solicitando. O aparecimento das outras Yogas que o ritmo constante e invariável da evolução promove é resultado da pressão interna da Mônada espiritual que, de cima (chacra coronário) e do dentro (chacra cardíaco), procura estabelecer uma união direta e positiva com a Vida divina em todos os Seus planos de expressão psicológica. Portanto, todas as Yogas são solidárias com o princípio físico de sobrevivência e autorreconhecimento. A glória de Deus deve se revelar visivelmente, como o Cristo demonstrou por meio do Mestre Jesus. Implícito nessas últimas palavras está o Mistério cristão a ser revelado por intermédio da Hatha Yoga.

O que realmente se pretende com esta ciência positiva de união, à medida que a corrente evolutiva se dirige a áreas de alta sensibilidade emocional e profunda penetração mental, é sutilizar o organismo, introduzindo nele elementos vitais de vibração muito alta, que constituem um tipo particular de prana mais sutil, embora coexistindo com o prana conhecido, mas que só pode ser usado quando a mente e o coração (Raja Yoga e Bakti Yoga) atingem certo grau de desenvolvimento e equilíbrio. Quando os tratados esotéricos sobre a Yoga do Oriente começaram a fornecer conhecimento de caráter superior e a afirmar fatos sobre o mistério permanente que se agita nos éteres do espaço, e a apresentar o elemento primordial, o Prana como a origem do fenômeno planetário da Vida, acreditava-se que eles haviam chegado definitivamente à descoberta da chave para o mistério inicial da existência humana aqui na Terra, isto é, da Hatha Yoga.

No entanto, foi apenas o começo de uma busca persistente e incessante. Tal Mistério ainda tem muitos segredos a revelar ao investigador consciente, muitos elementos de conhecimento e sabedoria a aportar antes que tenham concluído completamente os círculos de perfeição física programados pela Divindade para o ser humano, a partir do grande Arquétipo causal ou Anjo Solar, que é a matriz ou modelo pelo qual todo o processo de evolução da humanidade é dirigido. A este respeito, devemos lembrar o que dissemos acima em conexão com o Mistério que oculta o segredo de sabedoria do nosso Universo, no sentido de que o nosso Logos Solar, nosso "Pai no Céu", é o Agente físico de uma Entidade Psicológica de evolução Cósmica, cuja sublimidade está inteiramente além de nossa inteligência mais elevada, e para cuja expressão não há palavras sutis nem o pensamento mais profundo e penetrante. Este reconhecimento leva-nos mais uma vez à consideração da Hatha Yoga se constituindo na raiz de toda Yoga possível no nosso Universo, sendo cada uma delas expressões cada vez mais sutis e elevadas, na ordem física, do drama psicológico que se realiza em cada um dos Planos do Sistema Solar, através das infinitas Hierarquias criadoras que nelas habitam. O carma incompreensível e indescritível do nosso Logos Solar é preparar um Cálice cada vez mais perfeito para aquela Entidade Gloriosa cuja Vida Monádica atua em níveis cósmicos de transcendência incalculável.

Como um pequeno indício de tamanha grandeza, apresentaremos um pequeno exemplo: "nosso plano búdico, no qual nossa consciência encontra sua mais alta identidade mística ou espiritual com a Divindade, é apenas uma zona particularizada ao nosso alcance do plano etérico-físico cósmico".

Assim, empregando como sempre a chave da analogia, da mesma maneira como o nosso Logos Solar (representação física de um Logos Cósmico) se manifesta através de sete estados de consciência cada vez mais sublimados, e que cada um desses estados constitui os Planos característicos da evolução universal, desde o plano físico mais denso até ao plano ádico onde os éteres se tornaram o Fogo Criador do Espírito, assim a Entidade humana, através de seu corpo físico, deve expressar ou revelar sete estados de consciência, desde o nível mais denso, onde o Cálice é tangível e objetivo, até o plano monádico, onde tudo é luz e fogo e a natureza humana se acha plenamente deificada e redimida.

Deixamos, portanto, ao observador inteligente e ao profundo investigador esotérico a tarefa de resolver, de acordo com a chave da analogia, o Mistério latente na Hatha Yoga e entender que o aquilo que a Vida que nos anima tenta fazer é purificar constantemente o Cálice ou Corpo, para que o Espírito possa um dia se manifestar nele, o excelso Tesouro da Sabedoria que constitui o sopro permanente e místico do nosso Sistema Solar.


Vicente Beltrán Anglada



Fonte: do livro "Os Mistérios da Yoga"
Tradução: Dermeval Barbosa & Núcleo Aquariano Brasil
1ª Ed. digital em português, 2025
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/silhueta-mulher-medita%c3%a7%c3%a3o-interior-165527/

ENCONTRO COM A PLENITUDE


O lento e seguro processo de desenvolvimento do Self, adquirindo as inestimáveis conquistas do pensamento e ampliando-lhe o campo das emoções, faculta-lhe a aquisição do nível cósmico, diluindo as exigências do ego, de forma que se lhe integra nos objetivos essenciais e inevitáveis para a autorrealização em plenitude como ser humano.

Desde o homem de Cro-Magnon ao biótipo sapiens sapiens todo o crescimento de valores psicológicos vem-lhe ocorrendo mediante experiências repetitivas, nas quais o erro e o acerto têm definido o caminho a ser trilhado com sabedoria, sem o impositivo do sofrimento.

Essa grandiosa marcha de sublimação opera-se no Espírito, que desabrocha todo o divino potencial de que se encontra possuidor, avançando no rumo da cosmovisão, numinoso e feliz.

Os conflitos naturais que foram herdados em decorrência de anteriores comportamentos, nessa fase, encontram-se solucionados no seu próprio campo, mediante os impulsos do arquétipo primordial que os propeliram à visão global da Humanidade como um todo, no qual a célula individual executa um papel fundamental, harmonizando-se com todas as outras que constituem o conjunto.

Não obstante, até ser alcançado o estágio transpessoal, muitos resíduos desses experimentos evolutivos permanecem nos períodos diversos do pensamento, assinalando a criatura com as marcas aflitivas, que se apresentam como transtornos de conduta emocional, perturbações psíquicas sutis ou profundas, complexos e repressões de vária ordem...

O fato de atingir-se o pensamento superior não implica, de início, a ausência de dificuldades existenciais que são detectadas, especialmente em razão do entendimento dos significados da vida apresentarem-se mais amplos e expressivos, sem os limites estabelecidos pelo ego antes dominador.

Uma análise cuidadosa, porém, da individualidade, auxilia a reestruturação da psique, facultando o esforço para a libertação das dificuldades, das fugas psicológicas, da culpa, do medo, da ansiedade, da solidão, identificando o profundo bem-estar que se deriva da alegria de viver de maneira saudável e jovial, sem tormento nem aflição.

O pensamento harmônico propicia, então, o equilíbrio psicofísico, em face das infinitas possibilidades de que dispõe a mente, especialmente no que se refere ao dualismo saúde/doença, trabalhando pela conquista possível da plenitude, mesmo durante a jornada carnal. Certamente que essa conquista não se trata de uma autorrealização que conduz ao egoísmo, a uma indiferença pelo que se passa em volta. Antes, significa uma conscientização das próprias responsabilidades diante da vida em favor do Si e da sociedade, sem o que, a cosmovisão ainda se apresenta limitada, necessitando de amplitude e de realização.

Sem qualquer dúvida, o ser psicológico é também biossocial, devendo promover o grupo no qual se encontra, e vivenciando os efeitos desse meio, num saudável intercâmbio de vivências emocionais, culturais, profissionais, tecnológicas, religiosas...

Transforma-se, então, num dinâmico agente da evolução geral, tornando-se em exemplo de vitória sobre as vicissitudes durante o curso de suas grandiosas realizações, sem amarras com o passado de onde procede nem angústias em relação ao futuro para onde se dirige.

O tempo atual é seu, rico de possibilidades de autoiluminação e não o linear, em face da amplitude de entendimento da vida e das suas inestimáveis contribuições. O ontem converteu-se-lhe em hoje e o amanhã estagia num incessante momento atual de compreensão do papel que lhe cabe desempenhar a benefício pessoal e social.

A conquista do pensamento cósmico apresenta-se, portanto, sob vários aspectos, sem limite nem fixação unívoca, ampliando-se pelas diversas áreas do conhecimento artístico, cultural, filosófico, religioso, científico, moral... Por serem facetas da mesma realidade eterna.

Ludwig Van Beethoven, não obstante surdo, atingiu o pensamento cósmico no momento da composição da Nona Sinfonia, o mesmo acontecendo a Händel, ao escrever o Aleluia, no extraordinário Messias.

Não somente eles, porém, mas toda uma extensa galeria de homens e de mulheres que alcançaram o pensamento cósmico, logrando a plenitude e prosseguindo no trabalho ininterrupto, sem deixar-se dominar pelo estado pleno, diminuindo o esforço de edificação dos ideais, antes, pelo contrário, mais se afadigando por alcançar patamar ainda mais grandioso na escala da evolução.

No caso em tópico, não desapareceram muitos dos conflitos existenciais que os tipificavam, em razão dos impositivos castradores da época em que viveram, dos atavismos ancestrais, das frustrações sexuais e afetivas que, de alguma forma, impeliram-nos para os ideais que abraçaram como caminho de libertação, como processo psicoterapêutico salvador.

Não fossem esses os seus compromissos iluminativos ter-se-iam alienado, mergulhando em transtornos de grave porte. Muitos deles, conquistadores do infinito, apresentaram-se algo estranhos ao conceito convencional, por vivenciarem experiências pertinentes ao pensamento cósmico, embora sem libertação dos níveis anteriores.

Da mesma forma como um estágio do pensamento depende daquele que foi vencido, nem sempre dele liberado, o vislumbrar do cósmico pode apresentar-se com tintas próprias decorrentes das fixações ainda não diluídas e pertinentes ao curso de crescimento.

O pensamento cósmico é, sem dúvida, o mais alto nível a ser conquistado pelo ser humano enquanto na roupagem física, no entanto, outros mais significativos existem fora dos limites do corpo, aguardando o infinito.

Krishna, Buda, Akhenaton, Sócrates, Paulo de Tarso, Agostinho de Hipona, Descartes, Allan Kardec, entre outros muitos vitoriosos são exemplos grandiosos da conquista da plenitude, da cosmovisão, em cujo período de realização, e logo após, abriram os braços à posteridade num grande convite para a integração de todos os indivíduos na família universal.

Jesus Cristo, porém, Guia e Modelo da Humanidade, é o exemplo máximo da harmonia e da cosmo-realização, de tal modo que, superando todo e qualquer impulso egoico, doou-se em regime de totalidade ao Amor, para que todos aqueles que o desejassem seguir, experimentassem Vida em abundância.

É muito confortador poder-se perceber que a superação dos instintos, graças à evolução do pensamento e da razão, constitui fenômeno natural, ao alcance de todos os seres humanos que, após ultrapassadas as fases mais primárias do processo antropológico, aspiram à conquista das metas reservadas à angelitude.

Em uma imagem poética, o Self sai da escuridão no rumo da luz, qual o diamante que se liberta do envoltório grosseiro em que se esconde, a fim de poder refletir na sua face límpida, após a lapidação, o brilho das estrelas.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Encontro com a Paz e a Saúde"
Série Psicológica - Especial, vol. 14, 4ª ed., 2014
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
Salvador/BA
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/dna-an%c3%a1lise-pesquisar-3539309/

O AMOR DIVINO


Não há nada neste mundo que se equipare ao amor puro. Até mesmo o néctar é insípido diante da doçura desse amor, que faz tanto o Divino quanto o devoto dançarem em êxtase. Tal amor, que se expressa como uma dança, não encontra espaço em corações egoístas; ele habita somente no coração dos puros, dos abnegados e dos piedosos. As Escrituras Sagradas o comparam a um diamante precioso. Onde se poderá encontrar essa joia? Se até mesmo diamantes comuns são guardados com muito cuidado em um cofre-forte, quão infinitamente maior será a segurança com que se deve resguardar o valioso diamante que é o amor? E quem teria o direito de oferecê-lo a outros? Somente aquele que está cheio de amor e pelo amor é sustentado. Apenas o Divino possui essa qualificação, pois Ele é a Encarnação do Amor e conhece o valor do amor. Portanto, quanto maior for o seu amor por Deus, maior será a bem-aventurança que vocês experimentarão. Por outro lado, essa bem-aventurança diminui na mesma medida em que o seu amor diminui. Ou seja, a dimensão do seu amor determina a magnitude da sua bem-aventurança. (Discurso Divino, 30 de maio de 1992)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br

DEUS ESCREVE CERTO POR MEIO DE LINHA TORTAS


Já lestes, no Antigo Testamento, a história de José e dos seus irmãos? Por ciúmes, os irmãos de José decidiram livrar-se dele, vendendo-o a mercadores que iam para o Egito. Quando chegaram ao Egito, os mercadores, por sua vez, venderam-no a Potifar, um oficial do faraó, que o nomeou mordomo da sua casa. Em seguida, após todo o tipo de acontecimentos, José acabou por se tornar ministro do Faraó. Foi neste posto que os irmãos o encontraram, anos mais tarde. Que surpresa eles tiveram, e que remorso! Mas qual foi a atitude de José? Disse-lhes: «Eu sou José, o vosso irmão… Não fiqueis aflitos, nem vos sintais penalizados por me terdes vendido para ser trazido para cá, pois foi para salvar a vossa vida que Deus me enviou antes de vós. Há dois anos que a fome assola o país; e durante mais cinco anos não haverá lavoura nem colheitas. Deus enviou-me antes de vós, para que pudésseis subsistir nesta terra... Não fostes vós que me enviastes para aqui, foi Deus.» José disse claramente: foi Deus quem usou as forças do mal, o ciúme dos seus irmãos, para o bem, pois um mal não é o Mal, e um bem não é o Bem. E vós, não observastes ainda quantos acontecimentos que, a princípio, pareciam catastróficos, acabaram por se revelar benéficos?...


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/b%c3%adblia-livro-p%c3%a1ginas-abrir-lendo-1868070/

PENSAMENTOS SEMENTES


A raiva age como um incêndio que destrói tudo por onde passa. Uma vez atiçada nos corações e mentes, ela assume muitas formas destrutivas. Em vez de alimentar o fogo, escolho o caminho da não violência. Conscientizo- me de que sou um ser pacífico e, com suporte Divino, respondo a todos os desafios de forma calma e positiva.

Peso, letargia e exaustão são sinais de que a alma se perdeu - de que me desconectei do meu poder e propósito interior. Quando isso acontece, conscientemente afasto meus pensamentos do mundo, estabilizo-me no silêncio e dirijo os pensamentos ao alto, buscando força no Uno. Revigorado e renovado, sei para onde estou indo e o que devo fazer.

Seja bom. O mundo clama por atos genuínos de bondade, generosidade, compaixão e palavras de esperança e inspiração. À minha maneira, posso contribuir. Na meditação, eu assimilo poder da Fonte e recebo a força e o apoio necessários para me tornar um exemplo de um modo de ser mais pacífico e amoroso.

Nunca subestime o poder de suas esperanças e sonhos: eles são sussurros de seu eu mais elevado, guiando e inspirando você gentilmente a viver uma vida de coragem e crescimento. Acolha-os com paciência e cuidado, e os nutra todos os dias com amor Divino. Assim, o sucesso o seguirá como uma sombra.

O modo como nos vemos influencia o resultado de nossos atos. Quando nos sentimos indignos, enfraquecemos a energia das ações. À medida que a autoestima se alinha com uma consciência elevada, nossas ações fluem com maior clareza e poder. Libertar-me de condicionamentos passados e reconhecer meu verdadeiro potencial é a chave para o sucesso.

Quando olho para trás, para a minha vida como alma neste planeta, surpreendo-me ao pensar em todas as coisas que fiz, nas pessoas que conheci, nos desafios que enfrentei. Em meditação, imagino toda essa energia retornando a um ponto de essência, e sinto poder interno.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/gram%c3%adneas-natureza-sementes-ver%c3%a3o-1939673/

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A SABEDORIA DO DESENCANTAMENTO


Uma das características mais intrigantes do mundo natural é o mimetismo: insetos inofensivos imitam o desenho de outros insetos mais nocivos para escapar de seus predadores. Os escaravelhos femininos (*) imitam os sinais de acasalamento de outras espécies para atrair machos ansiosos e levá-los a um destino fatídico. O louva-a-deus (mantis religiosa) atrai suas presas imitando as flores, e as plantas de seixos são muito parecidas com as pedras, evitando assim se tornar comida para os animais. E a lista continua. O que muitas vezes não é entendido é que a arte do engano, implícita no desenho da Natureza, também é uma característica dos mundos internos. No caminho em direção à alma, há muitas armadilhas para o investigador incauto.

Claramente, a discriminação é essencial ao longo do caminho, pois é muito fácil cair presa das visões e dos sons enganosos do mundo astral e dos muitos imitadores que residem lá. Entre esses "encantadores" estão os imitadores dos Mestres de Sabedoria e outros luminares espirituais, imitadores que não são almas propriamente. Muitos desses ensinamentos e comentários triviais sobre os assuntos humanos são realizados com um sentimentalismo que busca ser reconfortante. Essas conchas são animadas por vidas elementais do mundo astral que são energizadas por sua interação com os seres humanos.

Como distrações e enganos são uma característica do plano astral, o caminho de Atma-Vidya, o "conhecimento da alma", tem sido recomendado como a ciência esotérica para nossos tempos. Helena Blavatsky considera que todos os outros Vidyas são "artes baseadas no conhecimento da essência final de todas as coisas nos Reinos da Natureza". Essa essência vincula os fenômenos da natureza física, externa, com a natureza psíquica do mundo astral e é por isso que não é aconselhável entrar em contato com ela. Estes Vidyas menores incluem "o conhecimento dos poderes ocultos despertados na Natureza através de certos ritos e cerimônias religiosas... [e]... o conhecimento dos poderes místicos que residem... em orações cantadas ou encantamentos... Em outras palavras, uma performance mágica baseada no Conhecimento das Forças da Natureza e sua correlação (1).

O objetivo recomendado para todos os buscadores hoje é a fusão com a alma através da prática de Atma-Vidya, caso contrário, podemos inconscientemente desviar-nos do caminho direto para a alma e entrar em um reino de "encantamento". 'Encantar' significa enfeitiçar e seduzir. É uma palavra derivada do latim 'incantare', que significa entoar um feitiço mágico e está intimamente relacionada com a palavra 'glamour' que tem raízes escocesas medievais de uma época em que se dizia que os praticantes do lado obscuro das artes ocultas lançavam o glamour. (2)

Alice Bailey explica que o glamour ou miragem é a característica excepcional do plano astral, que "O assim chamado 'plano astral' é simplesmente o nome dado à soma total das reações sensoriais; à resposta sentimental e à substância emocional que o homem mesmo criou e projetou com tanto êxito, sendo hoje a vítima de sua própria obra." (3) Na era atual, a substância da miragem é generalizada na cultura popular e nas indústrias do entretenimento, e é considerada algo que deve ser ativamente buscada. O glamour é geralmente entendido como a qualidade de ser "mais atraente, emocionante ou interessante do que pessoas ou coisas comuns". (4) Na verdade, é uma aparência que distorce a realidade, a distorção a que as pessoas que estão emocionalmente polarizadas são mais suscetíveis. Em suas formas mais sutis, engana muitas pessoas inteligentes e aspirantes ao longo do caminho, como explicado extensivamente no livro de Alice Bailey, "Miragem: um Problema Mundial".

No caminho de Atma-Vidya, o desencantar-se, afastando a miragem, é uma lição difícil, mas constantemente coloca o buscador espiritual sob o controle direto da alma, que é o princípio mediador entre o espírito e a matéria. A alma funde em um relacionamento harmonioso essas duas grandes correntes de energia, os princípios masculino e feminino na vida. Só então pode começar o trabalho mágico de criar "o novo céu e a nova Terra"...

Nesta era tecnológica materialista, é apropriado abordar esta questão à medida que a humanidade experimenta um impulso crescente para se reconectar mais profundamente com a Mãe Terra e o divino feminino. O caminho a seguir é claramente demonstrado por aqueles que expressam a luz e o amor da alma: o grupo de servidores do mundo, muitos dos quais estão trabalhando com os reinos inferiores da natureza. A luz clara da alma flui através deles, revelando leis que operam na natureza e despertando a humanidade para a necessidade de uma nova relação com o meio ambiente. Da mesma forma, o trabalho que fazemos na meditação através dos três festivais espirituais (Cristo, Buda e Humanidade) envolve o contato com a alma para ajudar a fazer que a luz, o amor e o poder desçam à Terra, através da humanidade e dos reinos inferiores da natureza, na grande obra da redenção planetária.

Aqueles que se dedicam a este grande trabalho são integrantes do grupo de servidores do mundo (sejam ou não conscientes disso), e todos estão trabalhando em maior ou menor medida com o conhecimento da alma --- Atma-Vidya -, a sabedoria do desencantamento.


Grupo da Sede, Lucis Trust


Via: https://www.encontroespiritual.org/index.html
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/ilus%c3%a3o-de-%c3%b3ptica-ilus%c3%a3o-37034/


Notas:

1.Escritos Coleccionados, H. P. Blavatsky, Vol IX., pp. 252-252

2.https://www.etymonline.com/word/glamour

3.O Reaparecimento do Cristo, A. A. Bailey, p. 130

4.https://www.collinsdictionarv.com/dictionarv/enelish/elamorous

(*) http://www.nationalgeographic.es/animales/luciernaga-bicho-de-luz - NT

quinta-feira, 16 de abril de 2026

CULTORES DA MEDIOCRIDADE


Meu ignoto amigo. Se quiseres ser impenitente cultor da rotina e mediocridade, guia-te pelas normas seguintes:

- Antes de pensar, informa-te sempre o que deve ser pensado, a fim de não introduzir no mundo o contrabando de ideias novas.

- Não penses nunca com o próprio cérebro — mas sempre com a cabeça dos outros.

- Dize sempre sim quando os outros dizem sim — e não quando os outros dizem não.

- Lê cada manhã, ao café, o teu jornal, para saberes o que deve ser pensado naquelas 24 horas.

- Quando vier alguém com ideias novas, evita-o como um perigo social e tem-no em conta de herege e demolidor.

- Não te exponhas ao perigo de fazer o que o vizinho não faz — mas lembra-te da comprovada sapiência burguesa: o seguro morreu de velho.

- Sê amigo dedicado da tua tépida poltrona — e não te exponhas a vertigens de vastos horizontes.

- Prefere sempre as paredes maciças dum cárcere e as grades duma gaiola às incertezas dum vôo estratosférico.

- Não abras nunca portas fechadas — abre tão somente portas abertas.

- Não explores caminhos novos, como os bandeirantes — anda sempre por estradas batidas e sobre trilhos previamente alinhados.

- Vai sempre com o grosso do rebanho, como os bons carneiros — e não procures caminho à margem da rotina geral.

Em suma, meu insigne cultor da mediocridade: Deixa tudo como está para ver como fica.

Destarte, conservarás a saúde e a tranquilidade dos nervos e poderás tomar, cada dia, com sossego, teu chope ou coquetel — e passar por homem de bem.

Se, porém, resolveres, um dia, sair da rotina tradicional e expor-te ao perigo mortífero dum ideal superior, então lê com atenção o que te diz um homem que conhece a vida:

- Vai às margens do Ganges e pede ao mais robusto dos elefantes que te ceda a sua pele paquidérmica, para com ela revestires a tua alma.

- Vai as praias do Nilo e arranca ao mais velho dos crocodilos a sua impenetrável couraça e faze dela o invólucro do teu coração.

E, depois de assim encouraçares a tua alma, sai por este mundo afora e dize aos homens da honesta mediocridade que vives por um ideal que não está no estômago, nem nos nervos nem no sangue — e verás que eles te declararão guerra de morte.

Pois, deves saber, meu amigo, que o mundo não sacrifica um só ídolo por um ideal.

Desde que o mais arrojado idealista da história foi crucificado, morto e sepultado — são todos os idealistas crucificados pelos culto da mediocridade.

Nada de grande acontece no mundo sem que o mundo se revolte.

Tudo que é belo e grande — acaba fatalmente entre os braços da cruz.

É esta a gloriosa tragédia dos homens superiores.


Prof. Huberto Rohden



Fonte: do livro "De Alma paraAlma"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/normalidade-rabugento-ded%c3%a3o-3727074/

AUTORIDADE E ALTERIDADE


O texto abaixo, explora a autoridade como um conceito fundamentado na identidade e na capacidade de criação, diferenciando-a radicalmente do autoritarismo e da anomia. O autor defende que a verdadeira autoridade exige o reconhecimento da alteridade, ou seja, do outro, estabelecendo um equilíbrio saudável entre a expansão e o limite. Enquanto o excesso de controle gera repressão e violência narcísica, a ausência de diretrizes resulta em irresponsabilidade e desintegração social ou psíquica. Utilizando analogias que variam da biologia à bioenergética, o autor argumenta que a maturidade humana depende da aceitação de funções distintas e da coautoria na vida. O texto propõe ainda que a liberdade real surge da consciência de inserção no mundo e do compromisso ético com as próprias ações. Eis o texto:


A questão de diferenciarmos a autoridade, tanto do autoritarismo quanto da falta de autoridade é fundamental em todos os níveis da nossa vida, marcadamente no espaço das relações pessoais, institucionais e sociais. A nossa própria evolução progressiva, sem ter-se claramente discriminado estas questões, sofre séria ameaça.

Nas relações societárias-institucionais históricas, podemos verificar a alternância dos extremos, entre as apresentações das ditaduras com os democratismos anômicos. O medo de uma, muitas vezes, leva reativamente a outra.

A autoridade se constitui enquanto autoria, vale dizer apossamento da criação, da obra criada, lugar de paternidade/maternidade. Interconexão de polaridades, conexão triádica, dois gerando o terceiro, onde a trindade se faz um. A autoridade necessita, para existir e ser reconhecida, de uma identidade, para poder falar de si. A identidade só se realiza na interação com a alteridade, no encontro com o distinto outro. Com os próprios olhos, podemos olhar o olhar do outro que nos olha em um reconhecimento mútuo.

Na realidade ocupamos tanto o lugar de criadores, como o de criaturas. A matéria prima é primeira em relação ao ato criativo. Só o Criador cria a partir do nada. Assim, num certo sentido, compreender a autoridade é conhecer a criatividade. Ambas implicam em sentimentos profundos e ambivalentes, que devem ser aceitos e acatados.

A autoridade baseando-se na identidade do ser em sua unicidade implica, necessariamente, na relação com a alteridade dos outros, em suas diferentes multiplicidades. Na constituição do sujeito, representa o reconhecimento da autoridade materna, na manifestação da forma e na autoridade paterna, na manifestação da força.

Em Análise Bioenergética, o Grounding (1) é o reconhecimento da alteridade da terra, com a autoridade da Lei, que aqui é a da gravidade. É ela que nos possibilita viver este grande acolhimento que nos proporciona, podendo assim nos entregarmos intensamente às nossas sensações telúricas. Ser livre é aquele que tem consciência de sua própria inserção, senão é perdição.

O extremismo da autoridade é o autoritarismo. É a falácia da impotência mascarada de onipotência narcísica. Masculino e feminino, fecundação e gestação são valores análogos com diferentes funções, que numa versão autoritária ou se nega as diferenças polares, geradoras do processo, ou se supervaloriza um dos pólos em detrimento do outro.

A negação da co-autoria, presente no autoritarismo, também se reflete na própria falta do reconhecimento de autonomia da obra criada, cidadã do mundo que é, vida que transborda no nascimento do filho. Através da negação perversa do outro polo se desconecta o triângulo simbólico. O autoritarismo, com seus delírios de grandeza, é o lugar de cobiça do trono Divino. É através do livre-arbítrio da criatura humana que se legitima Deus como autoridade não autoritária.

Já na outra extremidade do autoritarismo, negador do outro, temos na falta de autoridade a negação dela mesma, isto é, de si mesmo, como autor responsável pelo ato ou obra. Diz-se que filho feio não tem pai nem mãe. A negação é do amor vincular, da própria criação e da responsabilidade gênica. Aqui o processo é de nadificação (2) pela anulação retroativa na fuga da responsabilidade.

A falta da lei discriminadora que existe na anomia social, familiar ou institucional, leva a uma anulação da própria existência, possibilitando várias patologias em todos estes níveis. No plano individual, isto também é verdadeiro no organismo humano. A autoridade imunológica, por exemplo, implica no reconhecimento de identidades bioquímicas, na diferenciação do que é auto e do que é hetero. Assim, o autoritarismo imunológico se manifestaria nas hiper reações alérgicas. Já a falta do reconhecimento do que é próprio e do que é estranho estaria presente nas auto-imunes, auto-agressivas, como o Lupus. A anomia imunológica, com a falta de identificação, por outro lado, se manifestaria nas imuno supressivas como a Aids.

A pretexto de não reprimir, o absenteísmo irresponsável da falta de autoridade é destrutivo pela negação dos diferentes níveis das responsabilidades, uma vez que a ausência de contato, com sua consequente responsividade, inviabiliza o surgimento do limite apaziguador. A expansão aparente cronifica-se (3) em dissolução fragmentar, desconectando-se do movimento pulsatório da vida. A liberdade desnatura-se na falta de clareza dos lugares e funções, gerando angústias insuportáveis, aliviadas através das descargas dos acting-out psicopáticos, ameaçando a própria existência pessoal, familiar ou institucional.

A destrutividade autoritária que se dá pelo excesso, da aparente lei, através do esmagamento das diferentes partes do processo criativo, asfixia o espaço-tempo necessários tanto para a germinação quanto para a expansão e crescimento. Aqui ao invés de limite temos repressão coercitiva, contração crônica da vida, desenvolvendo tanto a paranoia persecutória, com o império do terror, quanto a obsessiva culpa depressiva, pela falta de correspondência ao modelo imposto.

Autoridade realmente é o motivo de força maior que se impõe naturalmente. Esta imposição tem vários nomes, tais como Real, Energia, Natureza, Fato (astrológico, histórico, social, psicológico etc.) que em última, ou primeira, análise remete-nos a autoridade máxima do Grande Criador. Este, dá-nos uma resposta trans-narcísica, respondendo sobre quem Ele é: “Sou o que Sou”. Só aqui o idem é absoluto. Só o próprio é que se vê, e é do próprio que se institui o auto.

É, portanto, só na relação com a alteridade, em suas diferenças, que se possibilita o equilíbrio pulsante entre contração e expansão, com a vida e o mundo. O alter, isto é, o outro, remete, inevitavelmente ao auto, o mesmo idem, isto é, o próprio. É o que é próprio ao ser que lhe possibilita responder, responsavelmente, por si, pela própria vida e pela sua própria sociedade. Assumirmos juntos a nossa construção criativa significa sermos inexoravelmente responsáveis por ela.


Benjamin Mandelbaum

Desconheço a fonte do texto.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/martelo-lei-justi%c3%a7a-malho-juiz-6485824/


Notas:

(1) A técnica de grounding (ou aterramento) é uma estratégia de regulação emocional que utiliza os cinco sentidos para ancorar a mente no presente, reduzindo ansiedade, estresse e crises de pânico. Ela ajuda a interromper pensamentos acelerados e a reconectar a pessoa com o corpo e o ambiente atual. (IA)

(2) Nadificação: Refere-se à capacidade da consciência humana (o "para-si") de introduzir o "nada" no mundo, negando ou desprendendo-se da realidade concreta para projetar possibilidades futuras. (IA)

(3) Cronificar: Significa tornar uma doença, sintoma ou condição de saúde crônica, ou seja, de longa duração ou permanente. É a evolução de um quadro agudo para um estado crônico. (IA)


Comentários deste blog +IA:

A diferenciação entre autoridade, autoritarismo e a falta de autoridade reside no equilíbrio entre a identidade do autor, a responsabilidade pela obra e a relação com o outro (alteridade).

Autoridade
A autoridade constitui-se como autoria, o que significa assumir a criação e o lugar de paternidade ou maternidade sobre algo. Ela fundamenta-se na unicidade do ser, mas exige necessariamente a interação com a alteridade (o encontro com o que é distinto) para ser reconhecida.

Características: Representa o reconhecimento da forma (autoridade materna) e da força (autoridade paterna).

Natureza: É uma força que se impõe naturalmente, como as leis da natureza ou da gravidade, permitindo que o indivíduo tenha consciência de sua inserção no mundo.

Equilíbrio: Proporciona um equilíbrio pulsante entre os movimentos de contração e expansão da vida.


Autoritarismo
O autoritarismo é o extremismo da autoridade, descrito como uma falácia onde a impotência se mascara de onipotência narcísica.

Negação do Outro: Ele nega a co-autoria e a autonomia da obra ou do outro, tentando ocupar um "trono divino" através de delírios de grandeza.

Mecanismo: Em vez de estabelecer limites, utiliza a repressão coercitiva e o esmagamento do processo criativo, o que asfixia o crescimento.

Consequências: Gera paranoia persecutória, império do terror ou uma culpa depressiva obsessiva por não se atingir o modelo imposto.

No plano biológico, assemelha-se a uma hiper-reação alérgica do sistema imunológico.


Falta de Autoridade
Situada na outra extremidade, a falta de autoridade é a negação de si mesmo como autor responsável pelo ato ou criação.

Absenteísmo: Manifesta-se como um absenteísmo irresponsável que, sob o pretexto de não reprimir, torna-se destrutivo por negar a responsabilidade e o contato.

Anomia: A ausência de uma "lei discriminadora" leva à anomia (social, familiar ou institucional), inviabilizando o surgimento de limites que tragam paz.

Consequências: Gera uma dissolução fragmentar da vida, angústias insuportáveis e descargas impulsivas (acting-out) que ameaçam a existência. Biologicamente, é comparada a estados de imunossupressão, onde não há identificação do que é próprio ou estranho.

Em resumo, enquanto a autoridade reconhece o "eu" e o "outro" de forma responsável, o autoritarismo esmaga o outro por excesso de controle. E a falta de autoridade anula o próprio "eu" por fuga da responsabilidade.