quinta-feira, 2 de abril de 2026

CRUCIFICAÇÃO E RESSURREIÇÃO - INICIAÇÕES MÍSTICAS CRISTÃS


O Sacrifício de Cristo, mencionado nesta época, Semana Santa, não deve ser visto apenas sob uma ótica individualista de salvação de um ser, mas como um evento cósmico que reflete leis universais presentes em diversas tradições religiosas ao longo da história.

A Crucificação é considerada o mistério central da cristandade, representando a iniciação máxima a que o ser humano pode aspirar no atual grau evolutivo.

Diferente da interpretação teológica tradicional focada na salvação individual, a Crucificação foi um acontecimento cósmico relacionado à humanidade e à imolação do espírito na "cruz da matéria" (encarnação) para que todas as formas divinas pudessem viver encarnadas na matéria, no mundo material.

Este acontecimento põe em curso a continuidade da revelação divina e aponta paralelos entre a vida de Cristo e a de outros "Salvadores Mundiais" como Osíris, Mitras e Krishna. Essas semelhanças, que incluem nascimentos virginais e mortes sacrificiais, sugerem que o Cristianismo é o restabelecimento de uma doutrina antiga, onde o Cristo encarnou para sintetizar e levar a um clímax o simbolismo do sacrifício eterno de Deus na matéria para fins evolutivos.

A natureza do Cristo Cósmico é associada ainda a símbolos astrológicos, como a "cruz fixa dos céus" composta pelos signos de Touro, Leão, Escorpião e Aquário. Alice A. Bailey argumenta que a humanidade está agora entrando na Era de Aquário, um período em que a consciência individual deve dar lugar ao serviço e ao sacrifício em prol do todo, refletindo a verdadeira ética cristã.

O conceito de pecado é redefinido como a consciência da separação. Para A. A. Bailey, o pecado não exige um sacrifício de sangue para apaziguar um Deus irado, mas sim a morte da natureza inferior (egoísta) para que a natureza divina superior possa se manifestar na Terra.

As sete palavras de Cristo na Cruz são interpretadas como "Palavras de Poder" dinâmicas que possuem significados mais amplos do que o sentido pessoal. Elas resumem os estágios das iniciações anteriores e indicam que o perdão é o resultado de processos vivos de ajuste e experiência, e não apenas uma crença teológica.

As sete palavras de Cristo na Cruz, como Palavras de Poder dinâmicas e potentes, resumem a inauguração do reino de Deus na Terra, e longe de terem apenas um sentido pessoal ou egoísta, elas possuem um significado universal e cósmico, relacionando-se às grandes iniciações e ao sacrifício da divindade na matéria.

As palavras e seus significados místicos são:

1. "Pai, perdoai-os; pois eles não sabem o que fazem".
Refere-se à primeira iniciação (Nascimento) e à ignorância humana, associada à inocência de uma "criança em Cristo".

2. "Hoje estarás comigo no Paraíso".
Relaciona-se à segunda iniciação (Batismo), simbolizando a purificação pelo sofrimento e a entrada na bem-aventurança divina.

3. "Mulher, eis aí o teu filho! [...] Eis aí tua mãe!".
Representa a terceira iniciação (Transfiguração), simbolizando a relação entre o aspecto matéria (Maria) e a personalidade que alcança a perfeição (João).

4. "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?".
Indica a renúncia extrema e a "noite negra da alma", onde Cristo teve de abandonar até a consciência de ser o Filho de Deus para provar a estabilidade eterna do espírito.

5. "Tenho sede".
Expressa a sede divina pelas almas dos homens, motivando a tarefa do Salvador de permanecer com a humanidade até que todos sejam remidos.

6. "Está consumado".
O grito de triunfo que marca a conclusão da missão de Cristo de abrir as portas do reino de Deus para a raça humana.

7. "Pai, em tuas mãos entrego meu espírito".
A afirmação final da filiação divina, garantindo que o espírito de vida é o que nos conduz à realização final e à entrada no reino espiritual.

Em conjunto, estas palavras demonstram que a divindade só pode manifestar-se plenamente quando a natureza carnal inferior morre, permitindo que o Cristo interno surja do "túmulo da matéria".

A Ressurreição e a Ascensão representam a quinta iniciação, cujos detalhes permanecem velados no silêncio, mas cujos efeitos transformaram os discípulos de homens assustados em missionários corajosos. O foco deve mudar do "Salvador morto" para o Cristo vivo, que provou que a humanidade possui em si a semente da imortalidade.

A morte é vista como uma libertação da limitação física e uma transição de estado de consciência. Um prelúdio para uma experiência de vida seguinte, onde o que realmente sobrevive é o "valor imortal" — aquilo que o indivíduo alcançou em termos de divindade, serviço e propósito. A imortalidade baseia-se na divindade imanente e na identificação com valores absolutos.

O anseio humano pela persistência e a crença na vitória final do bem sobre o mal são provas inerentes da divindade humana e da existência de um plano divino inteligente no universo.

A verdadeira ressurreição é, então, a passagem do egoismo para o amor altruísta e a transição do individualismo para o espírito universal, e o objetivo final da evolução é que o homem transcenda sua natureza isolada e se torne consciente de sua unidade com o Todo, permitindo que a vida de Deus flua através dele. Ou seja, natureza divina que habita em todos os seres necessita que o "homem inferior" morra para que o espírito se manifeste plenamente através do amor e do serviço.

Observa-se que o mundo atravessa uma crise, e esta sinaliza o nascimento de uma nova humanidade imortal. Esta, como um "quinto reino da natureza" está se materializando à medida que a humanidade abandona o egoísmo e se orienta para a síntese e a cooperação, cumprindo a visão de Cristo de estabelecer o Reino de Deus na Terra.


Prof. Hermes Edgar Machado Junior


Baseado nas fontes:
- "De Belém ao Calvário", Alice A. Bailey
- "Cristo, O Avatar do Amor", Torkom Saraydarian

Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/cruz-crist%c3%a3-s%c3%admbolo-da-f%c3%a9-8198515/

A EXPERIÊNCIA DA MEDITAÇÃO CONTEMPLATIVA


John Main relatou a reação a uma palestra que proferiu sobre oração em um mosteiro trapista na Irlanda. O abade, espontaneamente, pediu-lhe que desse uma palestra de uma hora sobre oração contemplativa e o acompanhou até uma pequena capela austera, ladeada por dois coros de monges silenciosos e encapuzados.

Ele falou com o coração sobre meditação. Ao final da palestra, os monges saíram em silêncio, mas, no fim da fila, um dos monges mais velhos parou ao seu lado e sussurrou: “O que é um mantra (*)?”. Padre John respondeu: “Maranata” (*). O velho fez uma pausa pensativa por alguns segundos e então disse: “Sabe, esperei 40 anos para ouvir isso”.

Para aqueles que ouviram John Main transmitir a tradição da meditação cristã, sua presença pessoal e autoridade podiam ser transformadoras. Suas palavras eram uma poderosa reafirmação de um ensinamento antigo, trazido à vida de uma forma renovada e inspiradora. Para ele, o meio de transmissão não era essencialmente através de uma pessoa, mas através do Espírito Santo, que está igualmente presente no orador, no ouvinte e na Palavra viva que os conecta. Ele falava e escrevia com a autoridade de alguém que havia alcançado diretamente o coração vivo da tradição e a feito sua. Ele desejava comunicar e transmitir essa tradição viva, não apenas sua experiência pessoal.

“Em sua própria experiência” é uma frase muito comum nas palavras de São Paulo, e John Main também a usava frequentemente, tanto em seus ensinamentos orais quanto em seus escritos. Ele confiava no próprio ensino como um meio de alcançar a experiência pessoal.

Buda deu o exemplo com autoridade pessoal, mas disse a seus discípulos que eles deveriam experimentá-la por si mesmos. O ensinamento cristão, da mesma forma, insiste na fé que se desenvolve através do conhecimento (gnose). A abordagem didática de John Main (“a experiência é a mestra”) expressa uma profunda verdade cristã: que Cristo é o ensinamento e é o nosso mestre. Se cumprirmos fielmente as condições espirituais de silêncio, quietude e simplicidade, seremos conduzidos a uma compreensão experiencial dessa unidade. Então, como diria John Main, a primeira tarefa do professor humano é “eliminar o eu o mais rápido possível” e guiar os outros a verem Cristo como o verdadeiro “Mestre”.

Os ensinamentos de John Main enfatizam muito a experiência pessoal. Para ele, a meditação não é apenas fé; é uma experiência de fé. Isso só pode ser compreendido dentro do contexto da experiência contemplativa.

John Main não desenvolveu uma teologia sistemática, nem um ensinamento que sempre exigisse algo novo a dizer. Sua inteligência e imaginação poderiam tê-lo levado por esse caminho, mas, na realidade, ele falava de sua própria experiência, baseada na meditação diária, tão real que não lhe permitiu esquecer sua própria descoberta de que a oração cristã se trata de conhecimento participativo, não de pensamento em si. “Você nunca poderá saber isso pelo pensamento, apenas pelo Amor” (“A Nuvem do Não-Saber”).


“Teologia da Experiência”, excerto do livro “Mosteiro Sem Paredes: Cartas Espirituais”, de John Main (Canterbury Press, 2006), pp. 232–233.


Carla Cooper


Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-pequeno-buda-budismo-adora%c3%a7%c3%a3o-4400947/


Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

* Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação.

* Maranatha é uma expressão aramaica que, resumidamente, significa: “Vem, Senhor!”, e que é uma das expressões (mantras) usadas na tradição cristã. Obviamente, o mantra pode ser outro conforme a tradição (cabala, budismo, hinduísmo, sufismo etc.) (Nota deste blog)

SENTIDOS: INSTRUMENTOS AUXILIARES


Os sentidos não devem exercer domínio sobre o ser humano. Eles devem ser instrumentos sob o seu controle. São meros servos, auxiliares e ajudantes. Usa-se uma faca para cortar frutas ou legumes, não para cortar a própria garganta. É preciso treinar os sentidos para se libertarem de tamas e de rajas – respectivamente, a qualidade da inércia e a da paixão –, evitando que se tornem entorpecidos, apáticos, dormentes ou então perigosamente desviantes. O ser humano deve transcender as qualidades inerentes à Criação ou gunas. Certa vez, um estudante se aproximou de um mestre espiritual e lhe perguntou qual era o caminho para alcançar a paz. O mestre respondeu que ele deveria desenvolver fortaleza de ânimo em relação a todas as pessoas, coisas e acontecimentos. Isso significa que nada, seja o que for, deve despertar reações motivadas por interesse pessoal, aversão ou desejo. É essencial buscar somente aquilo que é mais elevado. Somente a Deus se deve desejar. O amor firme, imutável e inesgotável só pode ser Vishveshvaraprema – o amor pelo Senhor do Universo. (Discurso Divino, 23 de outubro de 1966)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

quarta-feira, 1 de abril de 2026

OS PENSAMENTOS REFLETEM A NATUREZA DA MENTE


A mente é feita de vibrações infindáveis que fluem incessantemente, surgindo a cada instante. Assim como as ondas refletem fielmente a natureza do oceano, os pensamentos do ser humano refletem a natureza da sua mente. Esses pensamentos moldam, influenciam e orientam os rumos do mundo; por isso é essencial envidar esforços sinceros para direcionar a mente para o caminho correto. Aquele que não percebe o imenso poder e força da mente se deixa cair em profundezas abissais dia após dia. Os maus pensamentos que não se manifestarem hoje se manifestarão amanhã. Ele pode acreditar que ter cometido um pequeno ato maléfico não lhe causará nenhum dano; porém, na verdade, as más ações retornam a quem as praticou com força dez vezes maior, tal qual um bumerangue. Só é possível promover a prosperidade da nação e do mundo por meio do cultivo de pensamentos nobres e sublimes. Quando os pensamentos de cada indivíduo se tornarem divinos, o mundo será divinizado. (Chuvas de Verão, 23 de maio de 1993)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/mulher-rosto-1446557/

ÁRIES - LUA CHEIA - CRISTO - HÉRCULES, 1º TRABALHO


A lua cheia de Áries é chamada a Lua Cheia de Cristo, já que foi Ele quem, pela primeira vez na história do homem, acelerou a libertação do Fogo Interior a tal ponto que há dois mil anos entrou na Casa do Pai. Disseram-nos que Ele já penetrou no Plano Astral Cósmico e que está a preparar-se para um trabalho maior na Era de Aquário.

Outro famoso discípulo, Hércules, desenvolveu uma grande tarefa na roda invertida do Zodíaco durante o mês em que o Sol estava em Áries.

O filho de Marte, Diomedes, governava uma terra onde criava cavalos e éguas para a guerra. Eram animais selvagens e ferozes, e todos os homens tremiam ao ouvir o barulho que faziam. Saqueavam a terra, matavam as pessoas que lhes atravessassem o caminho. Hércules recebeu a tarefa de capturar os cavalos e interromper essas façanhas.

Hércules tinha um amigo chamado Abdéris, a quem chamou para ajudá-lo. Ambos conseguiram encurralar os cavalos e laçá-los, prendendo-os. Hércules sentiu-se tão orgulhoso da tarefa realizada que quis mostrar a sua vitória a Diomedes.

E disse para Abdéris: "Vou para a frente do portão de Diomedes. Pegue os cavalos e traga-os atrás de mim." Virou as costas e caminhou em direção à entrada.

Mas Abdéris estava muito fraco e, quando Hércules soltou os cavalos, estes o pisotearam e escaparam.

Mais uma vez, Hércules capturou-os um por um e trouxe-os sozinho. O povo o proclamou o Salvador.

Aprendemos que Áries rege a cabeça ou a mente. Os cavalos simbolizam os pensamentos e as ideias. Os pensamentos são muito difíceis de controlar, mas, a não ser que o consigamos, não haverá vitória.

Hércules foi avisado para controlar os seus pensamentos, e com a ajuda de Abdéris conseguiu. Hércules simboliza a Alma, o Ser; Abdéris, a personalidade.

A Alma sempre deve olhar para os pensamentos e não depender da personalidade, pois esta pode fazer mau uso deles. Se ficarmos dependentes, os pensamentos selvagens tomarão conta de nós e o preço é a nossa destruição. O nosso primeiro dever em Áries é controlar os nossos pensamentos. Por isso a frase-chave do signo é:

"Eu surjo e, do plano da mente, governo”.

O fogo de Áries é conscientemente contactado e distribuído para os reinos inferiores somente no plano mental. (...) Áries traz para o nosso sistema solar a Luz da Vida ou o Fogo Elétrico.

Ele possui dois raios: o da Alma, que é o Primeiro, e o da personalidade, que é o Sétimo. O Primeiro Raio é o da vontade de iniciar-se. A iniciação é o processo de liberação do fogo, o Fogo Elétrico do Ser. O Sétimo Raio é a vontade de expressar-se. Este raio expressa o fogo liberado em cada reino, o que resulta em civilização e cultura. (...)

Cristo é a alma da humanidade e na lua cheia de Áries Ele é forçado pelo Fogo Elétrico de Áries a criar solos flamejantes na Hierarquia e nos sete Ashrams afiliados e principais.

A cada vez que Cristo contacta uma energia superior e Se submete a um ensinamento avançado, cria solos flamejantes (...).

O governante planetário exotérico é Marte, que traz a guerra ou o esforço, segundo a natureza da nossa resposta a ele. Se a nossa personalidade for purificada, provoca o esforço, que é uma forma de guerra contra as limitações. Mas se as personalidades da massa estiverem contaminadas pelo auto interesse, pelo materialismo e pelo ódio, Marte trará a guerra que, através da dor e do sofrimento, forçará as pessoas a se purificarem. Mercúrio, o regente esotérico, traz discernimento e iluminação, levando ao reconhecimento do Plano Divino.

Portanto, na época desta lua cheia temos as energias do Primeiro, do Sétimo, do Sexto e do Quarto Raios transmitidas às formas de vida planetária através do foco do Primeiro, do Segundo e do Terceiro Raio do Logos Planetário.

A tarefa do Primeiro Raio é queimar e destruir os obstáculos e libertar a vida para um progresso maior no caminho infinito. Na lua cheia de Áries, esta energia pode ser utilizada para queimar todas as formas-pensamento, modificações mentais contrárias ao bem maior da humanidade e que são obstáculos ao nosso progresso espiritual. Trata-se de uma tarefa hercúlea. Tudo o que, dentro da nossa mente, é indigno deve ser queimado e destruído. Foi o que Hércules fez. Ele encurralou os pensamentos, confinou-os e controlou-os totalmente.


Torkom Saraydarian



Fonte: Sinfonia do Zodíaco, cap. 3
Via: Mail N° 239 - Rede Núcleos de Triângulos – Plenilúnio de Áries de 2026
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ram-ovelha-chifres-animal-mam%c3%adfero-7695726/

terça-feira, 31 de março de 2026

O PROGRESSO DEPENDE DA NOSSA DISPOSIÇÃO PARA CRESCER


Um sinal eficaz de presença contínua é a quietude física que cultivamos na meditação. Isso é algo que precisamos aprender e reaprender à medida que desaprendemos nossa inquietação condicionada. Simplesmente sentamos em uma almofada ou cadeira e permanecemos ali, completamente dedicados ao trabalho da meditação. Este é o primeiro passo para nos afastarmos do egoísmo e da nossa preocupação compulsiva conosco mesmos, enquanto nos abrimos para o que está fora de nós, a realidade ilimitada que expande nosso espírito para o Amor imprevisível e generoso.

O desafio que cada um de nós deve enfrentar é ir além do agora, transcender. Somos peregrinos e, portanto, precisamos progredir. O progresso depende da nossa disposição para crescer, para nos desenvolvermos além de nós mesmos, rumo à vida profunda e generosa de Deus. Então, para começar, sentamos em silêncio.

Em seguida, fechamos os olhos suavemente e começamos a recitar nosso 'mantra' (*). Para meditar, tudo o que precisamos fazer é dizer nossa 'palavra' (mantra) do começo ao fim. Não pense no que você está fazendo ou no que não está fazendo. Não pense em si mesmo. Não se detenha em pensar se isto é uma perda de tempo, se será bom para você ou o que você pode obter com isso. Esses pensamentos devem ser eliminados e abandonados. Eles deixarão de incomodá-lo se você perseverar com o 'mantra', aprofundando sua fé e liberando o poder do Amor do Espírito.

A meditação nos conduz continuamente a um estado de consciência unificada, no qual nos tornamos um com o Uno. Nossa unidade interior e unidade com Deus é um processo que desperta um senso de quem somos, ou melhor, de vida interior, e que se aprofunda de uma maneira mais generosa e vibrante. A meditação nos pede, contudo, que sejamos plenamente práticos em nosso compromisso, em nosso compromisso espiritual.


Fr. John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-monge-estatueta-budismo-7028469/



Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html


* Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação. Por exemplo, Maranatha. Esta é uma expressão aramaica que, resumidamente, significa: “Vem, Senhor!”, e que é uma das expressões (mantras) usadas na tradição cristã. Obviamente, o mantra pode ser outro conforme a tradição (cabala, budismo, hinduísmo, sufismo etc.) (Nota deste blog)

CURA DAS VELHAS MEMÓRIAS


Frequentemente descobrimos que para que ocorra uma cura física é necessário antes uma “cura das memórias”.

Muitas vezes, as condições de doença começam com alguma dor ou mal, real ou imaginário, que chega até nós através de outra pessoa. Na verdade, o único poder que alguém ou alguma coisa tem sobre nós é aquele que permitimos que ela tenha. Culpar o outro é inútil.

Há um velho ditado que diz: “Talvez não possamos evitar que os pássaros voem sobre nossas cabeças, mas não precisamos permitir que construam ninhos em nossos cabelos”. Quando permitimos que as palavras ou ações de outra pessoa nos perturbem a ponto de nos fixarmos nelas e de nos irritarmos interiormente, permitimos que a "construção do ninho" tenha início.

Quando guardamos essas coisas na memória, sentindo novamente a dor, alimentamos o “ninho” construído. Daí, logo nascem os filhotes – e descobrimos que a doença aparece no corpo.

Às vezes, a dor (das memórias) parece grave e achamos difícil esquecer e perdoar. Mas, quando percebemos que pode ser literalmente uma questão de vida ou morte para nós, então, vemos a importância de limpar os velhos detritos e começar de novo.

Se realmente desejamos nos livrar dessas memórias que minam a vida, temos a ajuda de todas as Forças do Bem. Com firme determinação e com propósito sincero, oremos para que a Luz e o Amor de Cristo nos preencha e demos graças por esta oportunidade de crescer e desenvolver o reto pensar.

Sabemos quão poderosos são nossos pensamentos e desejamos ardentemente aprender a direcioná-los para canais de retidão. Assim, com a ajuda do nosso Salvador, nos esforcemos para limpar os velhos “ninhos” de nossos cabelos, lavando-os na corrente fluida do Amor. Comecemos de novo, procurando substituir as velhas memórias por novos pensamentos de bênção, amor e compaixão, agradecendo por mais uma lição aprendida.



Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Traduzido da revista Rays from the Rose Cross, jan/fev de 1982
por Rosacruz e Devoção - Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://rosacruzdevocional.blogspot.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mem%c3%b3ria-perda-apagar-alzheimer-4894438/

VERDADEIRO DESTINO HUMANO


A vida é uma breve peça de teatro encenada em um palco e este corpo é como uma bolha. A mente é sempre instável. Na Bhagavad Gita, o príncipe Arjuna confessa a Krishna o quanto é difícil controlar a mente, que está constantemente oscilando. Ainda assim, o ser humano precisa se concentrar no seu verdadeiro destino. E qual é esse destino, a meta e o propósito da vida? Textos sagrados, como o Bhagavata e a Bhagavad Gita, deixaram isso bem claro: o nosso destino é a fonte de onde viemos. Enquanto o indivíduo estiver preso no mundo fenomênico, a sua mente será instável e oscilante. A afirmação védica “Soham”, que significa “Eu sou Ele”, “Eu sou Deus”, é demonstrada durante a respiração. Ao inalar, vocês dizem “So”, que representa o Divino; ao exalar, dizendo “aham”, estão renunciando ao “eu”, ao ego. Assim, “Soham” proclama a identidade entre o indivíduo e o Divino (“Eu sou Ele”). Essa identidade não será compreendida enquanto a pessoa estiver presa nos tentáculos do mundo material. (Discurso Divino, 11 de fevereiro de 1983)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-fam%c3%adlia-caminho-destino-8639145/

SÓ HÁ VERDADE NA UNIDADE


Os humanos só poderão dizer que encontraram a verdade quando todos conseguirem viver, conjuntamente, no bem estar e em paz. A verdade é a expressão de uma organização tal, que nela todos vivem felizes e em harmonia uns com os outros. Para o conseguirem, são necessários muitos ajustamentos, muitas adaptações e afinações, e é esse o trabalho de todos nós. Mas é essencial saber que só existe verdade se for universal. Portanto, só há verdade na unidade. Então, procurai sentir que todos os humanos têm as mesmas necessidades fundamentais, e não imagineis que encontrastes a verdade, enquanto as privações infligidas aos outros homens não vos tocarem também a vós, enquanto o mal feito aos outros não for também um mal feito a vós próprios.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
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segunda-feira, 30 de março de 2026

BAGATELAS


Companheiro escute-me com atenção.

Eu sei que você está cansado, com a mente turbada (agitada) por inquietações e desencantos.

Asserene-se e permita-me o ensejo de falar-lhe.

Provavelmente você aspirou a melhores resultados na batalha da vida: triunfo e auréolas da fama, rédeas do poder em suas mãos, comodidades e sorrisos à porta da sua afetividade, viagens, prazeres... Todavia, a surpresa da realidade o molesta.

Diante dos que conseguiram os altos postos de comando no mundo, você sente um ressaibo (sinal) de inveja ou revolta e crê que eles não merecem o de que desfrutam, pois que não são melhores do que você, faltando-lhes, é bem possível, valor e nobreza para se manterem com equidade na posição que os deslumbram.

Talvez você tenha razão.

Não é justo, porém, que você considere como felicidade somente o ouro reluzente, a conta bancária expressiva, o automóvel de alta categoria, o palacete...

Esteja certo de que em muitas vivendas, senão em quase todas aquelas que se caracterizam pelo poder dos seus proprietários, a aflição também faz morada.

Há bagatelas que enchem a vida de sol, produzindo alegria e ventura se as utilizarmos devidamente.

Felicidade é moeda cujo sonido mais dura quando retorna em nossa direção, após a termos ofertado a alguém.

Não olhe os que estão aparentemente acima de você; fite os que escorregam junto aos seus desenganos, mais problematizados, e achegue-se a eles.

Muitos homens elegem a desarmonia intima por aspirarem apenas às situações brilhantes e se engalfinham (prendem) em lutas renhidas para as situações de relevo, empenhando a existência em negócios nefandos, para se envenenarem depois com a cicuta do medo, do ódio, do ressentimento.

No entanto, há tantas pequenas coisas que engrandecem!

Pequenas-difíceis realizações que todos quase desdenham e que são tesouros preciosos de fácil manejo.

Considerando a Via-Láctea, ficamos a pensar no átomo que lhe serve de base...

Esses pequenos átomos de amor, na direção do próximo, geram uma Via-Láctea de felicidades para os arquitetos das ações desconsideradas.

Saia da noite de você mesmo e espalhe átomos de esperanças.

Faça alguém confiar na generosidade humana sendo gentil.

Conceda a oportunidade a um desafeto de conhecer-lhe o sorriso do perdão.

Conduza a taça de alegria a alguém numa enxerga (cama rústica).

Lave uma ferida num estranho.

Alongue uma moeda até as mãos que não se atreveram a buscá-la nas suas.

Dirija palavras de alento e bom humor ao companheiro de viagem, no veículo coletivo de todo dia.

Abrande o golpe do desespero em alguém que se queixe a você, dando-lhe otimismo.

Acenda uma lâmpada de alento num coração em agonia.

Olhe o manto da noite, companheiro, e medite na extensão do amor de Nosso Pai.

Tudo, além, lhe parecerá tranquilo, harmonioso, fascinante...

Calculam os astrônomos que, a olho nu, se podem ver cerca de cinco mil estrelas fulgindo, no firmamento... Considerando-se que somente se vê a abóbada celeste em uma metade de cada vez, as estrelas que nos acenam luminosas e nos ferem a retina visual não ultrapassam o número de duas mil e quinhentas... E, no entanto, acreditamos vê-las aos milhões.

Essas que vemos são as bagatelas do Universo. Além, muito além, ilhas siderais, nébulas e continentes estelares cantam as glórias do Criador, ignoradas por nós.

Transforme, assim, as nugas (ninharias) singelas que possui — estrelas humildes do firmamento da sua bondade — em ilhas de amor nos céus escuros de muitas almas, e agindo no bem sem cessar, você despertará cada hora nimbado (glorificado) de paz, envolto na luz da alegria que dimana do Sol Divino emboscado no seu coração.

Constatará, também, porque Jesus, Rei do Orbe, veio até nós nas palhas de uma estrebaria, acondicionou o amor em embalagens de ternura, conviveu com os infelizes, ouviu a gente sem nome nem projeção, mourejou (trabalhou) numa carpintaria comum de benemerência, e porque a Cruz de escárnio e o esquecimento proposital dos poderosos não conseguiram anular através dos tempos, continuando até hoje como Modelo de felicidade integral para nós todos...


Divaldo Pereira Franco / Scheilla



Fonte: do livro "Crestomatia da Imortalidade"
Livraria Espírita Alvorada Editora - LEAL
Salvador/BA, 1989
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ajuda-emerg%c3%aancia-m%c3%a3o-amiga-salvar-1300942/

FESTIVAL DE PASCOA: ÁRIES


O amor é a causa de toda a criação e o fator sustentador de tudo o que vive.

O tempo da Páscoa é imbuído da energia iniciadora da Vontade, que flui poderosamente através do signo de Áries, trazendo o espírito de Renovação para as nossas vidas. Cristo foi o primeiro a ancorar o princípio divino do Amor, um processo alquímico que continua a impactar os corações e as mentes de pessoas de todas as crenças e culturas e que está conduzindo a humanidade a uma era caracterizada pelo Amor.

Esotericamente, este tempo é conhecido como a Festa do Cristo Ressuscitado e Vivo, e meditamos sobre este princípio da ressurreição para uma Vida maior. A pedra angular da nossa profunda reflexão torna-se: “O Cristo em nós é a esperança da glória”. Gradualmente, através de um esforço sistemático e rítmico, o indivíduo escapa ao confinamento do eu inferior e renasce para a vida inspiradora da alma. Tal como acontece com todos os Seres Iluminados e Libertados, a crucificação e a morte subjetiva da personalidade conduzem à renovação da consciência e a uma vida com propósito e expressão espiritual.

Atualmente, buscamos a Verdade através de uma abordagem inteligente do mundo em que vivemos, mas existe o perigo de que essa abordagem seja excessivamente mental e analítica, distorcendo a verdadeira natureza da “mente que está em Cristo”. A mente é a grande reveladora da verdade, mas enquanto não estiver calma e reflexiva, permanece “a destruidora da realidade”. Ela contrasta fortemente com a simplicidade da mensagem de Amor de Cristo. Quando esse remédio curativo é empregado, o coração e a mente são elevados a algo tão espiritualmente majestoso que todas as preocupações e distrações inferiores se curvam diante disso. Isso permite a entrada em um fluxo de energia libertadora, onde podemos nos unir a todos os que amam e nos sintonizar com o poder renovador.



Lucis Trust
Escola Arcana
Triângulos
Bona Vontade Mundial




Fonte: https://www.lucistrust.org/es/resources/easter_festival
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/mufl%c3%a3o-europeu-mufl%c3%a3o-europeu-1491313/

domingo, 29 de março de 2026

AFLIÇÕES


“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus, 5,4)

Multiplicam-se as aflições no mundo, agigantando os corações humanos.

Algumas convidam à superação, todas, porém, com finalidade depurativa, para quem lhes suporta a presença.

Nem todos os homens, porém, logram entendê-las, a fim de conduzi-las conforme seria o ideal.

Em razão disso, há aflições que anestesiam os sentimentos, como outras que desarticulam o equilíbrio, levando a alucinações e resultados infelizes.

Os aflitos tropeçam nos campos da ação redentora, e porque tresvariados pelo inconformismo e pela rebeldia, agridem e são agredidos.

Não obstante, as aflições atuais têm as suas nascentes nos atos passados, próximos ou remotos de cada ser e da sociedade em geral, que devem ser reparados.

A oportunidade da aflição é bênção, porque objetiva reeducar e propiciar crescimento a quem lhe recebe a injunção.

Os que, todavia, não lhe aceitam a condição, perdem o ensejo redentor.

Jesus anunciou que são “bem-aventurados os que choram”, não, porém, todos, porque somente aqueles que lhe recebem o impulso iluminativo são os que logram alar-se no rumo dos Altos cimos.

A aflição pode destinar-se ao mister de prova ou de expiação.

A prova avalia, examina, promove.

A expiação trabalha, reeduca, resgata.

A prova não tem, necessariamente, uma causa negativa, porquanto pode também representar um apelo do Espírito para granjear títulos de enobrecimento, depurando-se a pouco e pouco.

A expiação tem a sua gênese no erro, impondo-se como condição fundamental para a quitação de débitos contraídos.

A prova é de escolha pessoal, enquanto a expiação é inevitável e sem consulta prévia.

Bendize as tuas provas e elege a ação do bem como técnica de crescimento para ti mesmo.

Agradece as expiações, por mais ásperas se te apresentem, porquanto elas te propiciam a conquista do equilíbrio perdido, auxiliando-te a recompor e a reparar.

Seja qual for o capítulo das aflições em que estagies, reconforta-te com a esperança, na certeza de que, suportando-as bem, amanhã elas te constituirão títulos de luz encaminhados à contabilidade divina, que então te alforriará da condição de precito (condenado) e devedor, conduzindo-te à plenitude da paz, completamente liberado.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Alegria de Viver"
Livraria Espírita Alvorada Editora - LEAL
Salvador/BA, 7ª ed., 2013
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ansiedade-socorro-depress%c3%a3o-emo%c3%a7%c3%a3o-9321355/

O QUE É A LIBERDADE ?


A simples capacidade de escolha entre o bem e o mal é o nível mais baixo da liberdade, e o único elemento de liberdade que há nisso é o fato de podermos sempre escolher o bem.

Na medida em que somos livres para escolher o mal, deixamos de ser livres. Uma escolha má destrói a liberdade.

Jamais podemos escolher o mal como tal; mas só como um bem aparente. Quando, porém, tomamos a decisão de fazer algo que nos parece bom, mas, em realidade, não o é, fazemos o que, na verdade, não queremos fazer e, portanto, não somos autenticamente livres.

A perfeita liberdade espiritual consiste na incapacidade de escolher o mal.

Só é verdadeiramente livre quem rejeitou o mal de modo tão completo que lhe é absolutamente impossível desejá-lo.


Thomas Merton



Fonte: do livro "Novas Sementes de Contemplação",
Fisus 1999, cap. 27, p. 197.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/escolha-decis%c3%a3o-alternativo-4129455/

APRISIONAMENTO E LIBERTAÇÃO


As pessoas estão praticando alguma ação desde o momento em que acordam até a hora de dormir, ou seja, do nascimento à morte. Elas não podem ficar quietas, sem agir. Ninguém pode evitar essa situação! Mas cada um precisa entender claramente em que tipo de ação deve se envolver. Existem apenas dois tipos: (1) ações sensoriais ou que aprisionam e (2) ações que libertam. Os atos que aprisionam têm aumentado além do controle, o que tem resultado no crescimento da tristeza e da confusão. Por meio deles não é possível obter felicidade e paz de espírito. Por outro lado, as ações que libertam produzem alegria e auspiciosidade crescentes a cada ato. Elas proporcionam bem-aventurança ao Ser Interno e não estão relacionadas com mera alegria externa! Embora os atos possam ser externos, a atração é toda voltada para o interior. Esse é o caminho certo, o caminho verdadeiro! (Dhyana Vahini, cap. 1)


Sathya Sai Baba



Fonte: https://www.sathyasai.org.br/pensamentos-janeiro-2022
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fundo-de-natal-pomba-paz-liberdade-3426187/

A ACEITAÇÃO DA DOR


A dor é uma experiência que frequentemente associamos à doença humana. Grande parte do nosso medo de adoecer pode estar relacionada à antecipação de um estado doloroso. Imagine ter um ataque cardíaco, uma úlcera duodenal ou artrite; em todas essas três doenças, a dor é uma sensação proeminente. Tão logo sintamos o medo da dor somos condicionados a agir de determinadas maneiras.

Primeiramente podemos tentar ignorar a dor. Você já sentiu desconforto estomacal enquanto comia? O que você fez então? Pensou “isso não é nada” e continuou a comer o resto da refeição mesmo assim? E o que aconteceu? Provavelmente a dor se intensificou. Este exemplo ilustra como às vezes comemos demais e como ignoramos o sinal do corpo de que já comemos o suficiente. Nesse caso, a dor é um aviso prévio ao qual devemos prestar atenção.

Em outras situações podemos sentir dor, mas negar sua importância. Uma pessoa com angina pectoris, por exemplo, pode desenvolver dor no peito quando se esforça demais ou está sujeita a estresse emocional. A dor é causada porque o coração recebe oxigênio insuficiente para o trabalho que precisa realizar. Quando esta dor aparece, ela diz a si mesma que pode ser que esteja com "azia", ​​"indigestão" ou "distensão muscular". Ela nega que algo possa estar errado com seu coração. “Não, isso não pode estar acontecendo comigo!" Ela pode continuar por semanas e meses evitando ir ao médico porque não consegue aceitar o fato de que algo possa estar errado com seu coração.

Pode acontecer ainda que acreditemos que a dor é a própria doença. Quando a dor é reconhecida como inimiga, tendemos a procurar maneiras de "nos livrarmos dela". Somos tentados a procurar analgésicos e outros tratamentos que nos permitam qualquer coisa, mas, “por favor , livrem-nos da dor!" A artrite é comumente abordada dessa maneira.

Seja como for, quando ignoramos a dor, negamos sua importância ou passamos a considerá-la uma inimiga, estamos nos privando de uma grande oportunidade de melhorar. Algumas pessoas não têm a capacidade de aceitar conselhos e críticas de outros; da mesma forma, quando ignoramos, negamos ou tentamos evitar a dor, estamos nos fechando para a “crítica interna”. O que poderíamos fazer para desenvolver uma melhor capacidade de tolerância e apreciação do significado da dor?

Em primeiro lugar devemos desenvolver respeito por nossos corpos e acreditar na sabedoria do corpo humano. Quando sentirmos dor, prestemos atenção. O corpo pode estar nos enviando uma mensagem importante. Em nossas atividades diárias, sentimos muitas pequenas dores e incômodos cujos significados são auto evidentes: distensão muscular excessiva, exposição à água quente e irritação causada por poeira nos olhos. Pense em como essas pequenas dores e desconfortos são, na verdade, parte dos mecanismos de proteção do corpo. Devemos ser capazes de distinguir dores leves de dores graves. Não é incomum que algumas pessoas expressem medo de doenças interpretando pequenas dores como evidência de doenças graves, como doenças cardíacas ou câncer.

Em segundo lugar, devemos descobrir o que nossos corpos estão tentando expressar através da dor. Para isso, precisamos reconhecer a relação entre causas e efeitos. Podemos abordar essa análise fazendo-nos as seguintes perguntas:

1. O que eu estava fazendo quando a dor começou?

2. Houve sinais de alerta que ignorei?

3. Será que forcei demais a parte do corpo que está sentindo dor? (Por exemplo, dor nas costas por levantar peso, dor de cabeça por cansaço visual, dor de estômago por comer demais.)

4. Meus desejos têm me levado além dos limites razoáveis ​​do meu corpo?

5. Tenho estado emocionalmente abalado?

6. Tenho feito coisas que senti desejo de fazer, mesmo sabendo que não deveria?

7. Tenho dormido o suficiente?

8. Minhas interações com certas pessoas têm sido desagradáveis?

9. Estou sentindo os efeitos do medo, da depressão, da preocupação ou da raiva?

10. Tenho infringido outras Leis da Natureza de alguma forma?

Mesmo quando não entendemos imediatamente o que nossos corpos estão tentando expressar através da dor, se começarmos a analisar a mensagem, estaremos mais receptivos a novas pistas.

Por último devemos aprender a aceitar nossas “críticas internas” e nos esforçarmos para corrigir as falhas que descobrirmos. É preciso coragem para nos confrontarmos. É preciso força para reconhecer nossos erros. É preciso fé para trabalhar em direção a um objetivo sem resultados instantâneos. É preciso paciência para descobrir a verdade interior através de um longo processo de tentativa e erro. É preciso amor e compaixão para nos perdoarmos por nossas tolices, ignorância e talvez até mesmo erros graves.

"Mas por que eu deveria me dar ao trabalho de fazer tudo isso?", você pode perguntar.

Cedo ou tarde, descobriremos que o autocontrole é nossa própria recompensa.

Mas, o mais importante: com esse esforço, desenvolveremos uma maior capacidade de amar e servir aos demais. Trabalhemos, então, por uma quietude interior - uma quietude interior e uma cura interior - aquele silêncio perfeito onde os lábios e o coração estão quietos, e não mais alimentamos nossos próprios pensamentos imperfeitos e opiniões vãs, mas somente Deus fala em nós, e esperemos com sinceridade de coração, para que possamos conhecer a Sua vontade, e no silêncio do nosso espírito possamos fazer a Sua vontade, e nada além disso.


David L. Duffy



Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Traduzido da revista "Rays from the Rose Cross", janeiro de 1981
pela Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://rosacruzdevocional.blogspot.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-palma-de-rosto-problema-5887686/

O PAPEL DA ATENÇÃO


“Para entrar na comunhão misteriosa e sagrada com a Palavra de Deus que habita em nós, devemos primeiro ter a coragem de permanecer, cada vez mais, em silêncio. Um silêncio onde devemos escutar, concentrar-nos e prestar atenção” (John Main, 'Uma Palavra Feita Silêncio').

Nesta citação, John Main destaca o papel fundamental da escuta profunda, da atenção prolongada. Concentrar nossa atenção em um único ponto tem um efeito poderoso sobre o funcionamento do nosso cérebro, permitindo-nos receber e processar informações e sintonizar diferentes níveis de realidade.

A Dra. Shanida Nataraja explica em seu livro “O Cérebro Feliz: Evidências Neurocientíficas do Poder da Meditação” que nosso cérebro consiste em dois hemisférios e como o poder da atenção facilita a interconexão entre eles.

O circuito neural da linguagem, o mecanismo intelectual da mente humana (isto é, nosso ego), está localizado no hemisfério esquerdo. Durante a meditação, ao concentrarmos nossa atenção, acessamos o funcionamento do hemisfério direito. Estudos sugerem que o hemisfério direito capta uma representação muito mais precisa da experiência. Nosso hemisfério esquerdo tende a filtrar nossas experiências para que se encaixem em nossa percepção pré-estabelecida de nós mesmos e do mundo. Aquelas experiências que se conformam a esse padrão de nossa visão de mundo, e que, portanto, inflacionam nosso ego, são capturadas. Por outro lado, aquelas experiências que conflitam com nosso paradigma, e que, portanto, desafiam nossa visão de mundo e minam nosso ego, são ignoradas.

O hemisfério direito captura todas as informações da experiência. É por isso que, durante a meditação, memórias há muito esquecidas são frequentemente recuperadas com clareza, ou soluções para problemas não resolvidos emergem à consciência. Assim, vemos como a meditação proporciona ao praticante um método para conectar os mecanismos de pensamento e percepção de ambos os hemisférios.

Essa mudança na forma como percebemos a realidade também nos permite ter uma visão mais completa de quem somos e leva a uma compreensão mais profunda de nós mesmos. Somente nos conhecendo como realmente somos, abandonando os filtros que limitam esse conhecimento, podemos vislumbrar a Verdadeira Realidade.

John Main enfatiza a importância disso, dizendo: “A maioria de nós precisa primeiro se conectar consigo mesma para estabelecer um relacionamento pleno antes de podermos nos abrir completamente para o nosso relacionamento com Deus. Em outras palavras, precisamos primeiro encontrar, experimentar e desenvolver nossa própria capacidade de paz, serenidade e harmonia antes de podermos começar a perceber Deus, o Pai, Criador de toda harmonia e serenidade” ('Uma Palavra Feita Silêncio').


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/medita%c3%a7%c3%a3o-zen-natureza-l%c3%b3tus-lago-8314420/


Para mais detalhes ver:
* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

sexta-feira, 27 de março de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Para contribuirmos para a sustentabilidade do mundo, precisamos consumir menos, nos ocupar menos e ser mais. Muitas pessoas estão se afastando das distrações mundanas e encontrando felicidade e contentamento no silêncio. Desejos egoístas desaparecem e, naturalmente, queremos compartilhar e nos importar mais com os outros e viver uma vida mais simples e alegre. Este é o caminho a seguir.


Apatia é uma inimiga silenciosa que gera desesperança e sentimento de impotência. Ao sentir que nada pode ser feito para melhorar uma situação, eu devo parar e me reconectar ao meu eu mais elevado. Lembro-me de minhas forças, valores e habilidades inatas, sabendo que posso e que farei uma diferença no mundo.


Transcendência é uma palavra poderosa que nos relembra que, como almas, pertencemos a uma dimensão do espaço onde só existe silêncio, amor e paz. Eu abandono todos os desejos e apegos que me mantêm preso em uma gaiola de limitações; eu me entrego ao amor de Deus e vou além.


Realeza é uma expressão natural de um estado elevado de consciência, baseado em um desejo profundo de servir a toda a humanidade. Ela requer uma visão ilimitada e um coração puro, altruísta e generoso. Há uma preocupação genuína por todos e um desejo de respeitar e apreciar a bondade em cada um. Eu sou uma alma real.


Cada um de nós é um influenciador. Tudo o que dizemos ou fazemos tem um impacto sobre os outros e sobre o mundo. Faço meu melhor para ser alguém feliz e pacífico e um exemplo. Desse modo, inspiro outros a serem e fazerem o seu melhor. Juntos, podemos mudar o mundo.



Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/dente-de-le%c3%a3o-sementes-2266558/

OS DIFERENTES TIPOS DE MEDITAÇÃO


Existem tantos tipos de meditação quanto culturas diferentes. Meditação de atenção focada, meditação de consciência aberta e meditação em movimento são os três tipos principais, todos com o objetivo de nos concentrarmos e nos abrirmos para uma consciência mais ampla. O foco da atenção desempenha um papel fundamental em todos eles. (...)

Se retornarmos à tradição cristã e aos ensinamentos dos Padres e Madres do Deserto do século IV d.C., veremos que a ênfase é claramente colocada no enfoque em um ponto: a repetição de uma frase de oração ou “fórmula”, como João Cassiano a chamava. Nos escritos de Evágrio Pôntico, mestre de Cassiano, encontramos duas abordagens. Primeiro, a ênfase está na oração com a repetição de uma frase. Ele nos aconselha a reconhecer os pensamentos dispersos que nos distraem e a retornar à palavra sempre que nos desviarmos do caminho estreito da atenção. Em segundo lugar, Evágrio Pôntico enfatiza a consciência de cada momento de nossas sensações, sentimentos, pensamentos, desejos e ações, e a relação causal entre eles. Ele recomenda uma atitude de estar plenamente presente no momento, consciente de cada aspecto do nosso ser. Essa segunda abordagem à meditação é hoje conhecida como "atenção plena" (mindfulness), mas já fazia parte dos ensinamentos de Evágrio. Ele a enfatizava por ser um ingrediente essencial no caminho para o autoconhecimento e a autoaceitação, levando à transformação de todo o nosso ser de volta ao seu estado original, equilibrado e integrado.

O terceiro tipo de meditação, a meditação em movimento, também é encontrado na Tradição do Deserto. Eles não praticavam o giro sufi, o qigong, tai chi ou a ioga. Mas o corpo estava muito envolvido na oração. Curvar-se e ajoelhar-se em completa prostração eram maneiras de expressar humildade e reverência através do corpo; movimentos semelhantes também são encontrados em outras tradições. No entanto, a prática mais comum era permanecer imóvel em oração: com as mãos ao lado do corpo ou com os braços estendidos e as palmas voltadas para cima.

Ao analisar os dois primeiros tipos de meditação, é útil examinar mais de perto a vida de Evágrio Pôntico (346-399 d.C.). Ele era amigo dos Padres Capadócios: Basílio de Cesareia, seu irmão Gregório de Nissa e seu amigo Gregório de Nazianzo, e, portanto, de grande parte da Igreja Ortodoxa estabelecida na época. Mais tarde, tornou-se um Padre do Deserto verdadeiramente amado e respeitado, levando uma vida ascética inteiramente dedicada à oração. Devido à sua vida tanto no mundo quanto no deserto, ele apreciava a importância da teologia e da fé tanto quanto a experiência espiritual em si. De fato, ele combinava coração e mente: “Se você é um teólogo, você realmente ora. Se você realmente ora, você é um teólogo”. Infelizmente, essa clara conexão entre teologia e contemplação acabaria se perdendo ao longo dos séculos. Evágrio não estava apenas no centro do desenvolvimento do dogma teológico cristão, mas também foi parte integrante de um dos mais importantes florescimentos do misticismo no cristianismo do século IV no deserto.

Evágrio era um seguidor de Orígenes (186-251 d.C.) e aceitou plenamente o ponto de partida que ele propôs: "Todo ser espiritual é, por natureza, um templo de Deus, criado para receber a glória de Deus em si mesmo. Cada uma de nossas almas contém uma fonte de água viva. Ela guarda em seu interior uma imagem oculta de Deus. É a fonte que os poderes hostis bloquearam com terra. Mas agora que o Cristo veio, acolhamo-Lo e cavemos as nossas fontes. Encontraremos nelas água viva, a água da qual o Senhor diz: ‘Quem crê em mim, do seu interior fluirão rios de água viva’ (João 7,38). Pois Ele está presente ali, a Palavra de Deus, e a Sua obra é remover a terra de cada uma de nossas almas para que esta corrente possa fluir livremente. Esta primavera está dentro de vocês e não vem de fora, porque ‘o reino de Deus está dentro de vocês’ (Lucas 17,21). Pois a imagem do Rei Celestial está em vocês. Quando Deus criou os seres humanos... 'No princípio', 'Ele os fez à sua imagem e semelhança' (Gênesis 1,26)" (Orígenes, Homilia sobre o Livro do Gênesis).

Evágrio e os outros Padres e Madres do Deserto sabiam que não é necessário criar nossa conexão com o divino; essa conexão constitui nosso ser essencial. Tudo o que precisamos fazer, com a ajuda de Cristo, é desbloquear a fonte de água viva dentro de nós. O que bloqueia o fluxo da corrente divina são nossas emoções desordenadas: “A vida ascética é o método espiritual para purificar a parte afetiva da alma”, disse Evágrio. Isso explica a necessidade dessa dupla atenção durante a oração: estar aberto aos impulsos da graça que nos vêm do Cristo interior e estar consciente dos sentimentos, pensamentos ou desejos que possam estar desordenados e, portanto, bloqueando nosso acesso à fonte de “água viva”.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ioga-nascer-do-sol-silhueta-sunrise-5508336/



Para mais detalhes ver:

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html