segunda-feira, 30 de março de 2026

BAGATELAS


Companheiro escute-me com atenção.

Eu sei que você está cansado, com a mente turbada (agitada) por inquietações e desencantos.

Asserene-se e permita-me o ensejo de falar-lhe.

Provavelmente você aspirou a melhores resultados na batalha da vida: triunfo e auréolas da fama, rédeas do poder em suas mãos, comodidades e sorrisos à porta da sua afetividade, viagens, prazeres... Todavia, a surpresa da realidade o molesta.

Diante dos que conseguiram os altos postos de comando no mundo, você sente um ressaibo (sinal) de inveja ou revolta e crê que eles não merecem o de que desfrutam, pois que não são melhores do que você, faltando-lhes, é bem possível, valor e nobreza para se manterem com equidade na posição que os deslumbram.

Talvez você tenha razão.

Não é justo, porém, que você considere como felicidade somente o ouro reluzente, a conta bancária expressiva, o automóvel de alta categoria, o palacete...

Esteja certo de que em muitas vivendas, senão em quase todas aquelas que se caracterizam pelo poder dos seus proprietários, a aflição também faz morada.

Há bagatelas que enchem a vida de sol, produzindo alegria e ventura se as utilizarmos devidamente.

Felicidade é moeda cujo sonido mais dura quando retorna em nossa direção, após a termos ofertado a alguém.

Não olhe os que estão aparentemente acima de você; fite os que escorregam junto aos seus desenganos, mais problematizados, e achegue-se a eles.

Muitos homens elegem a desarmonia intima por aspirarem apenas às situações brilhantes e se engalfinham (prendem) em lutas renhidas para as situações de relevo, empenhando a existência em negócios nefandos, para se envenenarem depois com a cicuta do medo, do ódio, do ressentimento.

No entanto, há tantas pequenas coisas que engrandecem!

Pequenas-difíceis realizações que todos quase desdenham e que são tesouros preciosos de fácil manejo.

Considerando a Via-Láctea, ficamos a pensar no átomo que lhe serve de base...

Esses pequenos átomos de amor, na direção do próximo, geram uma Via-Láctea de felicidades para os arquitetos das ações desconsideradas.

Saia da noite de você mesmo e espalhe átomos de esperanças.

Faça alguém confiar na generosidade humana sendo gentil.

Conceda a oportunidade a um desafeto de conhecer-lhe o sorriso do perdão.

Conduza a taça de alegria a alguém numa enxerga (cama rústica).

Lave uma ferida num estranho.

Alongue uma moeda até as mãos que não se atreveram a buscá-la nas suas.

Dirija palavras de alento e bom humor ao companheiro de viagem, no veículo coletivo de todo dia.

Abrande o golpe do desespero em alguém que se queixe a você, dando-lhe otimismo.

Acenda uma lâmpada de alento num coração em agonia.

Olhe o manto da noite, companheiro, e medite na extensão do amor de Nosso Pai.

Tudo, além, lhe parecerá tranquilo, harmonioso, fascinante...

Calculam os astrônomos que, a olho nu, se podem ver cerca de cinco mil estrelas fulgindo, no firmamento... Considerando-se que somente se vê a abóbada celeste em uma metade de cada vez, as estrelas que nos acenam luminosas e nos ferem a retina visual não ultrapassam o número de duas mil e quinhentas... E, no entanto, acreditamos vê-las aos milhões.

Essas que vemos são as bagatelas do Universo. Além, muito além, ilhas siderais, nébulas e continentes estelares cantam as glórias do Criador, ignoradas por nós.

Transforme, assim, as nugas (ninharias) singelas que possui — estrelas humildes do firmamento da sua bondade — em ilhas de amor nos céus escuros de muitas almas, e agindo no bem sem cessar, você despertará cada hora nimbado (glorificado) de paz, envolto na luz da alegria que dimana do Sol Divino emboscado no seu coração.

Constatará, também, porque Jesus, Rei do Orbe, veio até nós nas palhas de uma estrebaria, acondicionou o amor em embalagens de ternura, conviveu com os infelizes, ouviu a gente sem nome nem projeção, mourejou (trabalhou) numa carpintaria comum de benemerência, e porque a Cruz de escárnio e o esquecimento proposital dos poderosos não conseguiram anular através dos tempos, continuando até hoje como Modelo de felicidade integral para nós todos...


Divaldo Pereira Franco / Scheilla



Fonte: do livro "Crestomatia da Imortalidade"
Livraria Espírita Alvorada Editora - LEAL
Salvador/BA, 1989
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ajuda-emerg%c3%aancia-m%c3%a3o-amiga-salvar-1300942/

FESTIVAL DE PASCOA: ÁRIES


O amor é a causa de toda a criação e o fator sustentador de tudo o que vive.

O tempo da Páscoa é imbuído da energia iniciadora da Vontade, que flui poderosamente através do signo de Áries, trazendo o espírito de Renovação para as nossas vidas. Cristo foi o primeiro a ancorar o princípio divino do Amor, um processo alquímico que continua a impactar os corações e as mentes de pessoas de todas as crenças e culturas e que está conduzindo a humanidade a uma era caracterizada pelo Amor.

Esotericamente, este tempo é conhecido como a Festa do Cristo Ressuscitado e Vivo, e meditamos sobre este princípio da ressurreição para uma Vida maior. A pedra angular da nossa profunda reflexão torna-se: “O Cristo em nós é a esperança da glória”. Gradualmente, através de um esforço sistemático e rítmico, o indivíduo escapa ao confinamento do eu inferior e renasce para a vida inspiradora da alma. Tal como acontece com todos os Seres Iluminados e Libertados, a crucificação e a morte subjetiva da personalidade conduzem à renovação da consciência e a uma vida com propósito e expressão espiritual.

Atualmente, buscamos a Verdade através de uma abordagem inteligente do mundo em que vivemos, mas existe o perigo de que essa abordagem seja excessivamente mental e analítica, distorcendo a verdadeira natureza da “mente que está em Cristo”. A mente é a grande reveladora da verdade, mas enquanto não estiver calma e reflexiva, permanece “a destruidora da realidade”. Ela contrasta fortemente com a simplicidade da mensagem de Amor de Cristo. Quando esse remédio curativo é empregado, o coração e a mente são elevados a algo tão espiritualmente majestoso que todas as preocupações e distrações inferiores se curvam diante disso. Isso permite a entrada em um fluxo de energia libertadora, onde podemos nos unir a todos os que amam e nos sintonizar com o poder renovador.



Lucis Trust
Escola Arcana
Triângulos
Bona Vontade Mundial




Fonte: https://www.lucistrust.org/es/resources/easter_festival
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/mufl%c3%a3o-europeu-mufl%c3%a3o-europeu-1491313/

domingo, 29 de março de 2026

AFLIÇÕES


“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus, 5,4)

Multiplicam-se as aflições no mundo, agigantando os corações humanos.

Algumas convidam à superação, todas, porém, com finalidade depurativa, para quem lhes suporta a presença.

Nem todos os homens, porém, logram entendê-las, a fim de conduzi-las conforme seria o ideal.

Em razão disso, há aflições que anestesiam os sentimentos, como outras que desarticulam o equilíbrio, levando a alucinações e resultados infelizes.

Os aflitos tropeçam nos campos da ação redentora, e porque tresvariados pelo inconformismo e pela rebeldia, agridem e são agredidos.

Não obstante, as aflições atuais têm as suas nascentes nos atos passados, próximos ou remotos de cada ser e da sociedade em geral, que devem ser reparados.

A oportunidade da aflição é bênção, porque objetiva reeducar e propiciar crescimento a quem lhe recebe a injunção.

Os que, todavia, não lhe aceitam a condição, perdem o ensejo redentor.

Jesus anunciou que são “bem-aventurados os que choram”, não, porém, todos, porque somente aqueles que lhe recebem o impulso iluminativo são os que logram alar-se no rumo dos Altos cimos.

A aflição pode destinar-se ao mister de prova ou de expiação.

A prova avalia, examina, promove.

A expiação trabalha, reeduca, resgata.

A prova não tem, necessariamente, uma causa negativa, porquanto pode também representar um apelo do Espírito para granjear títulos de enobrecimento, depurando-se a pouco e pouco.

A expiação tem a sua gênese no erro, impondo-se como condição fundamental para a quitação de débitos contraídos.

A prova é de escolha pessoal, enquanto a expiação é inevitável e sem consulta prévia.

Bendize as tuas provas e elege a ação do bem como técnica de crescimento para ti mesmo.

Agradece as expiações, por mais ásperas se te apresentem, porquanto elas te propiciam a conquista do equilíbrio perdido, auxiliando-te a recompor e a reparar.

Seja qual for o capítulo das aflições em que estagies, reconforta-te com a esperança, na certeza de que, suportando-as bem, amanhã elas te constituirão títulos de luz encaminhados à contabilidade divina, que então te alforriará da condição de precito (condenado) e devedor, conduzindo-te à plenitude da paz, completamente liberado.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Alegria de Viver"
Livraria Espírita Alvorada Editora - LEAL
Salvador/BA, 7ª ed., 2013
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ansiedade-socorro-depress%c3%a3o-emo%c3%a7%c3%a3o-9321355/

O QUE É A LIBERDADE ?


A simples capacidade de escolha entre o bem e o mal é o nível mais baixo da liberdade, e o único elemento de liberdade que há nisso é o fato de podermos sempre escolher o bem.

Na medida em que somos livres para escolher o mal, deixamos de ser livres. Uma escolha má destrói a liberdade.

Jamais podemos escolher o mal como tal; mas só como um bem aparente. Quando, porém, tomamos a decisão de fazer algo que nos parece bom, mas, em realidade, não o é, fazemos o que, na verdade, não queremos fazer e, portanto, não somos autenticamente livres.

A perfeita liberdade espiritual consiste na incapacidade de escolher o mal.

Só é verdadeiramente livre quem rejeitou o mal de modo tão completo que lhe é absolutamente impossível desejá-lo.


Thomas Merton



Fonte: do livro "Novas Sementes de Contemplação",
Fisus 1999, cap. 27, p. 197.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/escolha-decis%c3%a3o-alternativo-4129455/

APRISIONAMENTO E LIBERTAÇÃO


As pessoas estão praticando alguma ação desde o momento em que acordam até a hora de dormir, ou seja, do nascimento à morte. Elas não podem ficar quietas, sem agir. Ninguém pode evitar essa situação! Mas cada um precisa entender claramente em que tipo de ação deve se envolver. Existem apenas dois tipos: (1) ações sensoriais ou que aprisionam e (2) ações que libertam. Os atos que aprisionam têm aumentado além do controle, o que tem resultado no crescimento da tristeza e da confusão. Por meio deles não é possível obter felicidade e paz de espírito. Por outro lado, as ações que libertam produzem alegria e auspiciosidade crescentes a cada ato. Elas proporcionam bem-aventurança ao Ser Interno e não estão relacionadas com mera alegria externa! Embora os atos possam ser externos, a atração é toda voltada para o interior. Esse é o caminho certo, o caminho verdadeiro! (Dhyana Vahini, cap. 1)


Sathya Sai Baba



Fonte: https://www.sathyasai.org.br/pensamentos-janeiro-2022
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fundo-de-natal-pomba-paz-liberdade-3426187/

A ACEITAÇÃO DA DOR


A dor é uma experiência que frequentemente associamos à doença humana. Grande parte do nosso medo de adoecer pode estar relacionada à antecipação de um estado doloroso. Imagine ter um ataque cardíaco, uma úlcera duodenal ou artrite; em todas essas três doenças, a dor é uma sensação proeminente. Tão logo sintamos o medo da dor somos condicionados a agir de determinadas maneiras.

Primeiramente podemos tentar ignorar a dor. Você já sentiu desconforto estomacal enquanto comia? O que você fez então? Pensou “isso não é nada” e continuou a comer o resto da refeição mesmo assim? E o que aconteceu? Provavelmente a dor se intensificou. Este exemplo ilustra como às vezes comemos demais e como ignoramos o sinal do corpo de que já comemos o suficiente. Nesse caso, a dor é um aviso prévio ao qual devemos prestar atenção.

Em outras situações podemos sentir dor, mas negar sua importância. Uma pessoa com angina pectoris, por exemplo, pode desenvolver dor no peito quando se esforça demais ou está sujeita a estresse emocional. A dor é causada porque o coração recebe oxigênio insuficiente para o trabalho que precisa realizar. Quando esta dor aparece, ela diz a si mesma que pode ser que esteja com "azia", ​​"indigestão" ou "distensão muscular". Ela nega que algo possa estar errado com seu coração. “Não, isso não pode estar acontecendo comigo!" Ela pode continuar por semanas e meses evitando ir ao médico porque não consegue aceitar o fato de que algo possa estar errado com seu coração.

Pode acontecer ainda que acreditemos que a dor é a própria doença. Quando a dor é reconhecida como inimiga, tendemos a procurar maneiras de "nos livrarmos dela". Somos tentados a procurar analgésicos e outros tratamentos que nos permitam qualquer coisa, mas, “por favor , livrem-nos da dor!" A artrite é comumente abordada dessa maneira.

Seja como for, quando ignoramos a dor, negamos sua importância ou passamos a considerá-la uma inimiga, estamos nos privando de uma grande oportunidade de melhorar. Algumas pessoas não têm a capacidade de aceitar conselhos e críticas de outros; da mesma forma, quando ignoramos, negamos ou tentamos evitar a dor, estamos nos fechando para a “crítica interna”. O que poderíamos fazer para desenvolver uma melhor capacidade de tolerância e apreciação do significado da dor?

Em primeiro lugar devemos desenvolver respeito por nossos corpos e acreditar na sabedoria do corpo humano. Quando sentirmos dor, prestemos atenção. O corpo pode estar nos enviando uma mensagem importante. Em nossas atividades diárias, sentimos muitas pequenas dores e incômodos cujos significados são auto evidentes: distensão muscular excessiva, exposição à água quente e irritação causada por poeira nos olhos. Pense em como essas pequenas dores e desconfortos são, na verdade, parte dos mecanismos de proteção do corpo. Devemos ser capazes de distinguir dores leves de dores graves. Não é incomum que algumas pessoas expressem medo de doenças interpretando pequenas dores como evidência de doenças graves, como doenças cardíacas ou câncer.

Em segundo lugar, devemos descobrir o que nossos corpos estão tentando expressar através da dor. Para isso, precisamos reconhecer a relação entre causas e efeitos. Podemos abordar essa análise fazendo-nos as seguintes perguntas:

1. O que eu estava fazendo quando a dor começou?

2. Houve sinais de alerta que ignorei?

3. Será que forcei demais a parte do corpo que está sentindo dor? (Por exemplo, dor nas costas por levantar peso, dor de cabeça por cansaço visual, dor de estômago por comer demais.)

4. Meus desejos têm me levado além dos limites razoáveis ​​do meu corpo?

5. Tenho estado emocionalmente abalado?

6. Tenho feito coisas que senti desejo de fazer, mesmo sabendo que não deveria?

7. Tenho dormido o suficiente?

8. Minhas interações com certas pessoas têm sido desagradáveis?

9. Estou sentindo os efeitos do medo, da depressão, da preocupação ou da raiva?

10. Tenho infringido outras Leis da Natureza de alguma forma?

Mesmo quando não entendemos imediatamente o que nossos corpos estão tentando expressar através da dor, se começarmos a analisar a mensagem, estaremos mais receptivos a novas pistas.

Por último devemos aprender a aceitar nossas “críticas internas” e nos esforçarmos para corrigir as falhas que descobrirmos. É preciso coragem para nos confrontarmos. É preciso força para reconhecer nossos erros. É preciso fé para trabalhar em direção a um objetivo sem resultados instantâneos. É preciso paciência para descobrir a verdade interior através de um longo processo de tentativa e erro. É preciso amor e compaixão para nos perdoarmos por nossas tolices, ignorância e talvez até mesmo erros graves.

"Mas por que eu deveria me dar ao trabalho de fazer tudo isso?", você pode perguntar.

Cedo ou tarde, descobriremos que o autocontrole é nossa própria recompensa.

Mas, o mais importante: com esse esforço, desenvolveremos uma maior capacidade de amar e servir aos demais. Trabalhemos, então, por uma quietude interior - uma quietude interior e uma cura interior - aquele silêncio perfeito onde os lábios e o coração estão quietos, e não mais alimentamos nossos próprios pensamentos imperfeitos e opiniões vãs, mas somente Deus fala em nós, e esperemos com sinceridade de coração, para que possamos conhecer a Sua vontade, e no silêncio do nosso espírito possamos fazer a Sua vontade, e nada além disso.


David L. Duffy



Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Traduzido da revista "Rays from the Rose Cross", janeiro de 1981
pela Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://rosacruzdevocional.blogspot.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-palma-de-rosto-problema-5887686/

O PAPEL DA ATENÇÃO


“Para entrar na comunhão misteriosa e sagrada com a Palavra de Deus que habita em nós, devemos primeiro ter a coragem de permanecer, cada vez mais, em silêncio. Um silêncio onde devemos escutar, concentrar-nos e prestar atenção” (John Main, 'Uma Palavra Feita Silêncio').

Nesta citação, John Main destaca o papel fundamental da escuta profunda, da atenção prolongada. Concentrar nossa atenção em um único ponto tem um efeito poderoso sobre o funcionamento do nosso cérebro, permitindo-nos receber e processar informações e sintonizar diferentes níveis de realidade.

A Dra. Shanida Nataraja explica em seu livro “O Cérebro Feliz: Evidências Neurocientíficas do Poder da Meditação” que nosso cérebro consiste em dois hemisférios e como o poder da atenção facilita a interconexão entre eles.

O circuito neural da linguagem, o mecanismo intelectual da mente humana (isto é, nosso ego), está localizado no hemisfério esquerdo. Durante a meditação, ao concentrarmos nossa atenção, acessamos o funcionamento do hemisfério direito. Estudos sugerem que o hemisfério direito capta uma representação muito mais precisa da experiência. Nosso hemisfério esquerdo tende a filtrar nossas experiências para que se encaixem em nossa percepção pré-estabelecida de nós mesmos e do mundo. Aquelas experiências que se conformam a esse padrão de nossa visão de mundo, e que, portanto, inflacionam nosso ego, são capturadas. Por outro lado, aquelas experiências que conflitam com nosso paradigma, e que, portanto, desafiam nossa visão de mundo e minam nosso ego, são ignoradas.

O hemisfério direito captura todas as informações da experiência. É por isso que, durante a meditação, memórias há muito esquecidas são frequentemente recuperadas com clareza, ou soluções para problemas não resolvidos emergem à consciência. Assim, vemos como a meditação proporciona ao praticante um método para conectar os mecanismos de pensamento e percepção de ambos os hemisférios.

Essa mudança na forma como percebemos a realidade também nos permite ter uma visão mais completa de quem somos e leva a uma compreensão mais profunda de nós mesmos. Somente nos conhecendo como realmente somos, abandonando os filtros que limitam esse conhecimento, podemos vislumbrar a Verdadeira Realidade.

John Main enfatiza a importância disso, dizendo: “A maioria de nós precisa primeiro se conectar consigo mesma para estabelecer um relacionamento pleno antes de podermos nos abrir completamente para o nosso relacionamento com Deus. Em outras palavras, precisamos primeiro encontrar, experimentar e desenvolver nossa própria capacidade de paz, serenidade e harmonia antes de podermos começar a perceber Deus, o Pai, Criador de toda harmonia e serenidade” ('Uma Palavra Feita Silêncio').


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/medita%c3%a7%c3%a3o-zen-natureza-l%c3%b3tus-lago-8314420/


Para mais detalhes ver:
* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

sexta-feira, 27 de março de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Para contribuirmos para a sustentabilidade do mundo, precisamos consumir menos, nos ocupar menos e ser mais. Muitas pessoas estão se afastando das distrações mundanas e encontrando felicidade e contentamento no silêncio. Desejos egoístas desaparecem e, naturalmente, queremos compartilhar e nos importar mais com os outros e viver uma vida mais simples e alegre. Este é o caminho a seguir.


Apatia é uma inimiga silenciosa que gera desesperança e sentimento de impotência. Ao sentir que nada pode ser feito para melhorar uma situação, eu devo parar e me reconectar ao meu eu mais elevado. Lembro-me de minhas forças, valores e habilidades inatas, sabendo que posso e que farei uma diferença no mundo.


Transcendência é uma palavra poderosa que nos relembra que, como almas, pertencemos a uma dimensão do espaço onde só existe silêncio, amor e paz. Eu abandono todos os desejos e apegos que me mantêm preso em uma gaiola de limitações; eu me entrego ao amor de Deus e vou além.


Realeza é uma expressão natural de um estado elevado de consciência, baseado em um desejo profundo de servir a toda a humanidade. Ela requer uma visão ilimitada e um coração puro, altruísta e generoso. Há uma preocupação genuína por todos e um desejo de respeitar e apreciar a bondade em cada um. Eu sou uma alma real.


Cada um de nós é um influenciador. Tudo o que dizemos ou fazemos tem um impacto sobre os outros e sobre o mundo. Faço meu melhor para ser alguém feliz e pacífico e um exemplo. Desse modo, inspiro outros a serem e fazerem o seu melhor. Juntos, podemos mudar o mundo.



Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/dente-de-le%c3%a3o-sementes-2266558/

OS DIFERENTES TIPOS DE MEDITAÇÃO


Existem tantos tipos de meditação quanto culturas diferentes. Meditação de atenção focada, meditação de consciência aberta e meditação em movimento são os três tipos principais, todos com o objetivo de nos concentrarmos e nos abrirmos para uma consciência mais ampla. O foco da atenção desempenha um papel fundamental em todos eles. (...)

Se retornarmos à tradição cristã e aos ensinamentos dos Padres e Madres do Deserto do século IV d.C., veremos que a ênfase é claramente colocada no enfoque em um ponto: a repetição de uma frase de oração ou “fórmula”, como João Cassiano a chamava. Nos escritos de Evágrio Pôntico, mestre de Cassiano, encontramos duas abordagens. Primeiro, a ênfase está na oração com a repetição de uma frase. Ele nos aconselha a reconhecer os pensamentos dispersos que nos distraem e a retornar à palavra sempre que nos desviarmos do caminho estreito da atenção. Em segundo lugar, Evágrio Pôntico enfatiza a consciência de cada momento de nossas sensações, sentimentos, pensamentos, desejos e ações, e a relação causal entre eles. Ele recomenda uma atitude de estar plenamente presente no momento, consciente de cada aspecto do nosso ser. Essa segunda abordagem à meditação é hoje conhecida como "atenção plena" (mindfulness), mas já fazia parte dos ensinamentos de Evágrio. Ele a enfatizava por ser um ingrediente essencial no caminho para o autoconhecimento e a autoaceitação, levando à transformação de todo o nosso ser de volta ao seu estado original, equilibrado e integrado.

O terceiro tipo de meditação, a meditação em movimento, também é encontrado na Tradição do Deserto. Eles não praticavam o giro sufi, o qigong, tai chi ou a ioga. Mas o corpo estava muito envolvido na oração. Curvar-se e ajoelhar-se em completa prostração eram maneiras de expressar humildade e reverência através do corpo; movimentos semelhantes também são encontrados em outras tradições. No entanto, a prática mais comum era permanecer imóvel em oração: com as mãos ao lado do corpo ou com os braços estendidos e as palmas voltadas para cima.

Ao analisar os dois primeiros tipos de meditação, é útil examinar mais de perto a vida de Evágrio Pôntico (346-399 d.C.). Ele era amigo dos Padres Capadócios: Basílio de Cesareia, seu irmão Gregório de Nissa e seu amigo Gregório de Nazianzo, e, portanto, de grande parte da Igreja Ortodoxa estabelecida na época. Mais tarde, tornou-se um Padre do Deserto verdadeiramente amado e respeitado, levando uma vida ascética inteiramente dedicada à oração. Devido à sua vida tanto no mundo quanto no deserto, ele apreciava a importância da teologia e da fé tanto quanto a experiência espiritual em si. De fato, ele combinava coração e mente: “Se você é um teólogo, você realmente ora. Se você realmente ora, você é um teólogo”. Infelizmente, essa clara conexão entre teologia e contemplação acabaria se perdendo ao longo dos séculos. Evágrio não estava apenas no centro do desenvolvimento do dogma teológico cristão, mas também foi parte integrante de um dos mais importantes florescimentos do misticismo no cristianismo do século IV no deserto.

Evágrio era um seguidor de Orígenes (186-251 d.C.) e aceitou plenamente o ponto de partida que ele propôs: "Todo ser espiritual é, por natureza, um templo de Deus, criado para receber a glória de Deus em si mesmo. Cada uma de nossas almas contém uma fonte de água viva. Ela guarda em seu interior uma imagem oculta de Deus. É a fonte que os poderes hostis bloquearam com terra. Mas agora que o Cristo veio, acolhamo-Lo e cavemos as nossas fontes. Encontraremos nelas água viva, a água da qual o Senhor diz: ‘Quem crê em mim, do seu interior fluirão rios de água viva’ (João 7,38). Pois Ele está presente ali, a Palavra de Deus, e a Sua obra é remover a terra de cada uma de nossas almas para que esta corrente possa fluir livremente. Esta primavera está dentro de vocês e não vem de fora, porque ‘o reino de Deus está dentro de vocês’ (Lucas 17,21). Pois a imagem do Rei Celestial está em vocês. Quando Deus criou os seres humanos... 'No princípio', 'Ele os fez à sua imagem e semelhança' (Gênesis 1,26)" (Orígenes, Homilia sobre o Livro do Gênesis).

Evágrio e os outros Padres e Madres do Deserto sabiam que não é necessário criar nossa conexão com o divino; essa conexão constitui nosso ser essencial. Tudo o que precisamos fazer, com a ajuda de Cristo, é desbloquear a fonte de água viva dentro de nós. O que bloqueia o fluxo da corrente divina são nossas emoções desordenadas: “A vida ascética é o método espiritual para purificar a parte afetiva da alma”, disse Evágrio. Isso explica a necessidade dessa dupla atenção durante a oração: estar aberto aos impulsos da graça que nos vêm do Cristo interior e estar consciente dos sentimentos, pensamentos ou desejos que possam estar desordenados e, portanto, bloqueando nosso acesso à fonte de “água viva”.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ioga-nascer-do-sol-silhueta-sunrise-5508336/



Para mais detalhes ver:

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

A BASE DA COOPERAÇÃO


Remover a causa básica de uma doença (digamos, o ressentimento) resultará na melhora da condição física. Mas estejamos atentos. Nossos velhos hábitos muitas vezes são difíceis de serem abandonados.

Há mil facetas em uma característica difícil, e assim que pensamos tê-la dominado, surge um aspecto imprevisto, e provavelmente completamente inesperado, (no caso, do ressentimento), difícil de reconhecermos a princípio. Quanto mais tempo e esforço dedicamos ao nosso desenvolvimento, mais sutis essas facetas se tornam.

Ainda estamos doentes? Talvez um pouco, mas se persistirmos o suficiente, começaremos a ficar realmente entusiasmados por ver que estamos no caminho certo.

Encontramos a chave para o autodomínio, a chave mestra para a boa saúde e o desenvolvimento espiritual. Enquanto isso, o que está acontecendo nos planos internos? Os poderes de cura estão atuando na melhora da matéria física e a resposta do paciente a esse trabalho é equivalente aos seus próprios esforços.

Vale mencionar aqui, brevemente, o uso construtivo do nosso subconsciente para erradicar hábitos indesejáveis. Existem, porém, algumas dificuldades em utilizar essa valiosa ferramenta. Primeiro, precisamos reconhecer nossos próprios maus hábitos e, em seguida, desejar eliminá-los. A maioria de nós está tão satisfeita com a imagem que tem de si mesmo que reluta em aceitar o fato de sermos um conjunto de hábitos que poderiam ser proveitosamente eliminados. Hábitos óbvios, como tirar conclusões precipitadas, criticar ou hábitos físicos, como fumar, são frequentemente aceitos com um encolher de ombros: "Bem, eu só tenho um vício, então...".

O subconsciente pode ser instruído a eliminar um hábito e obedecerá se a ordem for sincera. Contudo, é preciso paciência. Um hábito enraizado pode levar meses para ser erradicado, mas podemos ter certeza de que o trabalho chegará a bom termo.



Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Traduzido da revista "Rays from the Rose Cross" 
de 01/1966 pela Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://rosacruzdevocional.blogspot.com/2025/11/a-base-da-cooperacao.html
https://rosacruzdevocional.blogspot.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/apoio-suporte-ajuda-7965543/

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

PAZ E LUTA


Muitas vezes, a pretexto de servir a Jesus, fugimos para a sombra quieta do claustro, abandonando a luta em que o Mestre espera de nós a colaboração salutar.

Mal nos sabe a escolha, porque, em semelhante contemplação, cultivamos a inutilidade e acordamos, ao clarim da morte, na condição do pássaro de asas entorpecidas.

Diz-se que é preciso aborrecer o pecado, buscando o recanto silencioso da virtude improdutiva e anestesiante, sem o que não abominaremos Satanás e as suas obras.

Não traduzirá, porém, essa atitude ruinoso descaso para com o mundo e para com as almas que o Senhor nos confiou aos cuidados e salvaguarda?

Fora preciso que o amor não passasse de escura mentira, para crermos em nossa salvação exclusiva, com deplorável esquecimento dos outros. Um soluço de criança na Terra destruiria o Céu que a teologia comum criou para atender, em caráter provisório, as nossas indagações.

O clima de contrastes em que a inteligência da criatura se alarga e evolve, propiciando-lhe dificuldades e sombras temporárias, é, na essência, a paisagem indispensável ao crescimento do espírito, para a vitória do amor, no coração do Homem e no caminho da Humanidade.

A paz resulta do equilíbrio e não da inércia.

Jesus, no madeiro, desfrutava a tranquilidade dos que podem desculpar o mal e esquecê-lo. Pilatos, na suntuosidade do Pretório, conservava um espírito vacilante e atormentado, que o arrastaria por fim ao suicídio.

O lago calmo costuma resumir-se a depósito de lodo estanque, enquanto a água corrente, rolando sem cessar sobre a escarpa, chega pura aos lábios ressequidos do homem.

A santidade não depende da máscara.

Há príncipes da fortuna e da inteligência, da autoridade e da fama, os quais, embora situados entre a poltrona macia e o louvor incessante dos grandes e dos pequenos, se esforçam, no serviço aos semelhantes, obedecendo aos ditames da reta consciência; e há mendigos, esfarrapados e sedentos, que elevam mãos postas aos céus, praguejando mentalmente em desfavor do próximo.

Muitos homens, aparentemente santificados por viverem repetindo orações comoventes, são almas leoninas que se reconhecem necessitadas de constantes preces e de meditação para não caírem na soez armadilha da própria impulsividade; ao passo que temperamentos pacíficos, de exterior indiferença por não respirarem na comunhão contínua dos sagrados ensinamentos, são espíritos enobrecidos na fé, superiores às tentações da calúnia ou da dor, que já sabem jornadear na Terra, achegados a Deus, sem as teias de qualquer empecilho humano.

Ninguém abandone a luta, crendo conquistar, assim, a paz.

Nenhum general experimenta o soldado em relvas floridas, e alma nenhuma se elevará ao cume da purificação, sem as provas compreensíveis e justas do sofrimento, no combate interior às inclinações menos dignas, ante as circunstâncias do mundo externo.

Muitas almas piedosas recolhem-se aos mosteiros, procurando, debalde, no afastamento da tentação, a serenidade e a alegria que lá não encontram, porque, ainda aí, o lírio que adorna o altar procede da lama desconhecida; a vela que arde em memória dos anjos consome a cera extorquida às abelhas laboriosas; o centeio que fornece o pão abençoado à mesa nasceu e cresceu na cova anônima do solo estercado; e a seriguilha que cobre a carne em contemplação foi roubada à ovelha ao algodoal, que produz sob a chuva e sob o vento.

Muitos encontram luta amarga onde procuram as doçuras da paz, porque a serenidade legítima provém das obrigações bem cumpridas no quadro de trabalho que a realidade nos designa.

Conflitos e atritos vibram em toda a parte, porque, em todos os recantos, o espírito suspira por ascensão.

Aceitemos os desafios do mundo sem temer o pecado, as trevas, o lodo, a morte.

Como sustentar a beleza e a ternura do lume, se não desculparmos a dureza e a fealdade do carvão?

A vanguarda do trabalho é uma arena de que não nos cabe fugir. Defendamos em suas linhas a nossa posição de serviço, amando e agindo, imaginando e elaborando para o bem, e o Senhor, por certo, nos fará Divina Mercê.

Joanna de Ângelis



Francisco Cândido Xavier / Espíritos Diversos



Fonte: do livro "Falando à Terra"
FEB - Federação Espírita Brasileira
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A REFLEXÃO QUE CONDUZ AO AUTOCONHECIMENTO


O conhecimento acerca de nosso potencial e de nossas limitações são fundamentais. É preciso saber onde você está, para poder descobrir como se faz para chegar onde você quer, e, nesse processo de crescimento você precisará manter o seu equilíbrio interior para saber como agir de maneira correta diante de diferentes situações e pessoas.

O autoconhecimento lhe permitirá ter uma percepção mais ampla acerca dos próprios valores e da forma como você interage com as pessoas. Portanto, ao reconhecer suas forças e aceitar suas fraquezas você estará a caminho do seu crescimento, e isso trará maior autocontrole e satisfação interior.

A fascinante jornada, chamada busca interior, lhe proporcionará a autoconfiança, que pode ser traduzida na expectativa, consciência e fé na sua própria capacidade de realização, e nos poderes do seu subconsciente, também chamado de inconsciente.

O inconsciente ou subconsciente é a camada mais profunda da mente humana; é como se fosse a parte oculta do enorme bloco de gelo que flutua nas águas geladas das regiões polares, chamado iceberg. O inconsciente pode ser representado pela parte que fica abaixo da linha da água; é a menos usada e a mais poderosa. Cuidado, pois um iceberg foi responsável pelo naufrágio do transatlântico Titanic, que, até então, era considerado insubmergível pelos seus criadores e especialistas da época.

Tudo que fazemos de forma automática pela força do hábito é comandado pela mente subconsciente. É como dirigir um automóvel enquanto se pensa na vida.

Mahatma Ghandi já nos alertava sobre o fato de que nossos pensamentos geram ações, que praticadas de forma reiterada criam o hábito, que forma e consolida o nosso caráter, e ao final, determina qual será o nosso destino.

Hoje, mais do que nunca, percebemos a importância que a sinceridade, os valores e os princípios morais têm em nossas vidas e no desdobramento de nosso destino. O dramaturgo William Shakespeare, que se imortalizou com importantes obras, como “Romeu e Julieta” e “Hamlet”, disse certa vez: “Para teu próprio proveito, sê verdadeiro”.

O grande líder pacifista Mahatma Ghandi, responsável pelo movimento que libertou a Índia do domínio inglês com o uso da estratégia da não-violência, deixou a lição de que somos nós os agentes da mudança que desejamos ver no mundo, pois tudo parte de nós e a nós retorna. Ghandi pensava e agia em conformidade com a lei mental e transpessoal de causa e efeito, onde a sabedoria e equilíbrio aplicados na interação humana produzem resultados positivos e pacificadores. A figura íntegra e as atitudes de Ghandi geravam forte empatia em seus adversários, provocando "insights" capazes de provocar mudança imediata na forma de pensar e agir.

Ao tornar-se agente da mudança, você passa a se envolver, a se emocionar e orgulhar-se de suas escolhas, e tudo isso faz nascer a vontade de ajudar as pessoas a se desenvolverem, e assim você dá início ao processo de aprendizagem contínua e gratificante.

A única coisa que podemos dar a outrem sem perdas é o conhecimento. O conhecimento tem efeito multiplicador de benefícios. A troca de conhecimentos é uma verdadeira negociação ganha-ganha em que ambas as partes saem vitoriosas e satisfeitas, gerando o chamado círculo virtuoso.

A expansão da consciência humana, no sentido transcendental do cosmos tem o seu "start" no autoconhecimento.

Distribua conhecimento, divida seu conhecimento. No ato de aprender e ensinar se encontra o segredo do desenvolvimento humano.


Nelson Tanuma



Fonte: www.nelsontanuma.com.br
via: Espiritualidade e Sociedade
https://www.espiritualidades.com.br
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

SEU CENTRO É A PORTA DE ENTRADA PARA O CENTRO DE TUDO


Quando alguém começa a meditar, precisa ter fé de que recitar a palavra (1) é uma atividade significativa. Precisa ter fé de que a jornada da meditação leva às profundezas da compreensão, da profundidade à experiência, conduzindo-nos a uma convicção pessoal absoluta da realidade na qual estamos enraizados.

Realizamos nosso ato de fé sob a autoridade de uma tradição que os homens trilharam ao longo dos séculos com generosidade, amor e fidelidade, e que, nesse processo, alcançaram compreensão, compaixão e sabedoria.

O chamado à meditação é um convite para deixarmos de viver nossas vidas baseados em evidências de segunda mão. É um chamado para que cada um de nós tome consciência de nossa capacidade espiritual e descubra, por nós mesmos, a riqueza surpreendente do potencial humano ancorado na realidade divina, no poder da vida divina. E é também um convite para simplesmente nos abrirmos a esse poder, para sermos energizados por ele e para nos permitirmos ser conduzidos às profundezas da própria realidade divina.

O processo experiencial é muito importante. Devemos ter cuidado para não nos deixarmos embriagar apenas pela mensagem, apenas pelas boas novas, apenas pelas ideias do evangelho. Devemos mergulhar nisso, vivenciá-lo, vê-lo. E a meditação é o processo de mergulhar nisso, vivenciá-lo e vê-lo. Recitar seu mantra (2) todos os dias, dedicar tempo à meditação, de manhã e à noite, e colocar sua jornada espiritual e sua realidade espiritual no centro de sua vida — isso é o que importa.

Essa sabedoria tradicional foi compartilhada pelo poeta sufi Attar. Em suas palavras, ele descreve apropriadamente o que é a jornada da meditação, por que é importante para cada um de nós conectar-se com nossa capacidade espiritual:

“Venham, átomos perdidos, ao seu centro, aproximem-se e sejam o espelho eterno que os viu. Raios que mergulharam na escuridão, atrás do seu sol, parem.” (3)

É disso que se trata a meditação: retornar ao seu centro e descobrir que o seu centro é a porta de entrada para o centro de tudo. E para isso, precisamos parar de viver na superfície; precisamos mergulhar nas profundezas. Jesus descreve isso com estas palavras:

“Observem os lírios, como crescem: não trabalham não fiam nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em toda a sua glória, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! Portanto, não se preocupem com o que comer ou beber, nem fiquem ansiosos. Pois os homens do mundo é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai de vocês sabe que precisam de tudo isso. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” (Lucas 12:27-31)

É disso que se trata a meditação: concentrar nossas mentes no Reino e no poder de Deus, na realidade divina.


João Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mevlana-konya-turquia-museu-6019965/



Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html


(1) PALAVRA - Maranatha é uma expressão aramaica que, resumidamente, significa: “Vem, Senhor!”, e que é uma das expressões (mantras) usadas na tradição cristã. Obviamente, o mantra (palavra) pode ser outro conforme a tradição (cabala, budismo, hinduísmo, sufismo etc.) (Nota deste blog)

(2) MANTRA, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação. (Nota deste blog)

(3) Esta citação, atribuída ao poeta e místico sufi Farid ud-Din Attar, é um apelo poético à unidade divina e ao retorno da alma à sua origem. Convida os "átomos perdidos" (almas individuais) a retornarem ao "centro" (Deus), tornando-se o "espelho" que reflete a eternidade, e pede aos raios (consciência dispersa) que cessem a busca na escuridão e retornem à fonte solar. (via IA)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Não se deixe atrair pelo que já faz parte do passado; por que olhar para trás? O tempo continua a avançar e o ciclo da vida continua a girar. Não pare, pois se ficar parado, deixará de viver a única coisa que existe: o presente. Este momento é precioso... Se você estiver atento e alerta verá cada segundo passar como um convite para viver: do velho ao novo.


Enquanto os dramas mundiais continuam a se desenrolar diante de nós, encontro conforto neste pensamento: um dia, o poder espiritual - fundamentado em pureza, paz, amor e no apoio da Fonte - derrotará o poder do ódio e da ganância. Eu desempenho o meu papel para que isso aconteça.


O início de minha jornada de autodescoberta é entender que eu sou o criador de meus pensamentos, palavras e ações e, assim, assumir a responsabilidade por eles. É importante responder conscientemente aos eventos internos e ao meu redor. A cada dia, reflito sobre minhas reações e busco força naquele que é meu confortador e guia.



Fonte: Brahma Kumaris
https://brahmakumaris.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-mulher-dupla-exposi%c3%a7%c3%a3o-8984605/

domingo, 25 de janeiro de 2026

COMO A NOSSA MENTE NOS FAZ REPETIR OS ERROS


Como nossa mente nos faz repetir os erros e o que fazer para evitar isso. É preciso muito esforço cognitivo para mudar os atalhos mentais que já construímos.


É errando que se aprende. Pelo menos, a maioria de nós já ouviu isso.

Mas a ciência mostra que, muitas vezes, deixamos de aprender com os erros do passado. E, em vez disso, costumamos repetir os mesmos erros.

O que quero dizer com erros aqui?

Acho que todos nós concordamos que aprendemos rapidamente que, se colocarmos a mão em um fogão quente, nos queimamos. E, por isso, provavelmente não iremos repetir este erro.

Isso acontece porque o nosso cérebro cria uma resposta à ameaça de estímulos fisicamente dolorosos com base em experiências prévias.

Mas, quando a questão é o pensamento, os padrões de comportamento e a tomada de decisões, nós repetimos nossos erros com frequência – como ocorre quando chegamos atrasados para os nossos compromissos, deixamos tarefas para a última hora ou julgamos as pessoas com base na primeira impressão.

O motivo pode estar na forma em que o nosso cérebro processa as informações e cria os modelos que consultamos repetidamente. Esses modelos são, essencialmente, atalhos que nos ajudam a tomar decisões no mundo real.

Mas esses atalhos mentais, chamados de heurísticas*, também podem nos ajudar a repetir os nossos erros.

No meu livro "Sway: Unravelling Unconscious Bias" (Oscilações: desvendando o viés inconsciente, em tradução livre), comento que os seres humanos não são naturalmente racionais, como nós gostaríamos de acreditar. A sobrecarga de informações é confusa e cansativa; por isso, nós filtramos o ruído.

Nós observamos apenas partes do mundo. Temos a tendência de observar o que é repetitivo, haja ou não algum padrão, e costumamos preservar a memória generalizando e recorrendo à tipificação.

Nós também tiramos conclusões a partir de dados esparsos e usamos atalhos cognitivos para criar uma versão da realidade na qual queremos implicitamente acreditar. Isso cria um fluxo reduzido de recebimento de informações, o que nos ajuda a ligar os pontos e preencher as lacunas com aquilo que já conhecemos.

E, por fim, o nosso cérebro é preguiçoso. É preciso muito esforço cognitivo para mudar os roteiros e atalhos que já construímos.

Por tudo isso, somos mais propensos a cair sempre nos mesmos padrões de ação e comportamento, mesmo quando sabemos que estamos repetindo nossos erros.

Este comportamento é chamado de viés de confirmação – nossa tendência de confirmar aquilo em que já acreditamos, em vez de alterar nossa mentalidade para incorporar novas ideias e informações.

Também fazemos uso com frequência dos instintos – uma espécie automática e subconsciente de pensamento, baseada no acúmulo de experiências passadas – para tomar decisões e fazer julgamentos em situações novas.

Às vezes, nós insistimos em certos padrões de comportamento e repetimos nossos erros devido a um "efeito do ego" que nos induz a manter nossas crenças pré-existentes. Temos a tendência de escolher seletivamente as estruturas de informação e feedback que nos ajudem a proteger nosso ego.

Um estudo mostrou que, quando as pessoas são relembradas dos sucessos do passado, elas costumam repetir mais esses comportamentos bem-sucedidos. Mas, quando elas estão cientes ou são ativamente relembradas dos seus fracassos, a probabilidade de alterar o padrão de comportamento que gerou aquela frustração é menor.

Ou seja, as pessoas, na verdade, costumam repetir os mesmos comportamentos.

Isso acontece porque, quando pensamos nos nossos fracassos do passado, provavelmente ficamos tristes. E, nesses momentos, somos mais dispostos a perdoar aquele comportamento que nos é confortável e familiar.

Mesmo quando pensamos de forma lenta e cuidadosa, o nosso cérebro tem um viés voltado para as informações e modelos que havíamos usado no passado, mesmo que eles tenham resultado em erros. Este é o chamado viés da familiaridade.

Mas também é possível aprender com nossos erros. Em outro experimento, por exemplo, macacos e seres humanos precisaram assistir a pontos barulhentos que se moviam sobre uma tela e analisar sua direção final de movimento.

Os pesquisadores concluíram que as duas espécies reduziam a velocidade depois de um erro. E, quanto maior o erro, maior seria a desaceleração posterior ao erro, o que demonstra que mais informações estavam sendo acumuladas.

Mas a qualidade dessa informação era baixa. Nossos atalhos cognitivos podem nos forçar a descartar qualquer informação nova que possa nos ajudar a evitar a repetição dos erros.

E, de fato, quando cometemos erros na realização de uma determinada tarefa, o "viés da frequência" nos torna propensos a repeti-los, sempre que fizermos a mesma tarefa outra vez.

Resumidamente, o nosso cérebro começa a considerar que os erros que cometemos anteriormente são a forma correta de realizar uma tarefa, criando o "caminho do erro" habitual.

Por isso, quanto mais repetirmos as mesmas tarefas, maior será a nossa chance de percorrer o caminho que levou ao erro, até que ele fique profundamente enraizado e se torne um conjunto de atalhos cognitivos permanentes no nosso cérebro.


Controle cognitivo

O panorama parece desanimador. Mas será que há algo que podemos fazer?

Nós temos uma habilidade mental que pode se sobrepor às heurísticas, conhecida como "controle cognitivo". E há estudos neurocientíficos recentes com camundongos que estão nos dando uma ideia melhor de que partes do cérebro estão envolvidas nessa habilidade.

Os pesquisadores também identificaram duas regiões do cérebro que abrigam "neurônios monitoradores dos próprios erros" – células cerebrais que monitoram erros. Estas áreas estão no córtex frontal e, aparentemente, são parte de uma sequência de etapas de processamento, que inclui desde retomar a concentração até aprender com nossos erros.

Os pesquisadores estão estudando se uma melhor compreensão deste mecanismo pode ajudar a desenvolver melhores tratamentos para pacientes com Alzheimer, já que a preservação do controle cognitivo é fundamental para o bem-estar na idade avançada.

Mas, mesmo se não tivermos a compreensão exata dos processos cerebrais envolvidos no controle cognitivo e na autocorreção, há medidas mais simples que podemos tomar. Uma delas é nos sentirmos mais confortáveis quando cometermos erros.

Talvez imaginemos que esta seja uma atitude errada em relação aos fracassos – mas, na verdade, é um caminho mais positivo para o progresso.

Nossa sociedade rejeita as falhas e os erros e, por isso, costumamos sentir vergonha dos nossos erros e tentamos escondê-los.

Quanto mais culpa e vergonha nós sentirmos e quanto mais tentarmos esconder os nossos erros dos outros, maior a nossa probabilidade de repeti-los. E, quando não nos sentimos tão desapontados com nós mesmos, maior a chance de absorvermos novas informações que podem nos ajudar a corrigir os nossos erros.

Também pode ser uma boa ideia fazer um intervalo na realização de uma tarefa que queremos aprender a fazer melhor.

Reconhecer as nossas falhas e fazer uma pausa para analisá-las pode nos ajudar a reduzir o viés de frequência, nos tornando menos propensos a repetir nossos erros e a reforçar os caminhos que nos levam a eles.


* Heurística: significa “descobrir”, "inventar". Em sua acepção moderna, refere-se a métodos informais, intuitivos ou baseados em regras práticas usados para resolver problemas, tomar decisões ou fazer julgamentos de forma rápida.


Pragya Agarwal
Professora de desigualdade e justiça social da Universidade de Loughborough, no Reino Unido.
Visiting Professor of Social Inequities and Injustice, Loughborough University


Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation:
https://theconversation.com/global
Republicado sob licença Creative Commons.
Versão original em inglês:
https://theconversation.com/how-the-brain-stops-us-learning-from-our-mistakes-and-what-to-do-about-it-203436
Este texto foi primeiro publicado em língua portuguesa pela BBC NEWS: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4nw80547plo

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2023/05/como-nossa-mente-nos-faz-repetir-os-erros-e-o-que-fazer-para-evitar-isso.shtml
Via: Espiritualidade e Sociedade
https://www.espiritualidades.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/c%c3%a9rebro-ativa%c3%a7%c3%a3o-cerebral-tecnologia-8789957/