domingo, 26 de julho de 2026

O QUE ESTUDAR PARA SE DESENVOLVER ESPIRITUALMENTE


Um caminho espiritual sério precisa nascer da liberdade, mas a liberdade não sobrevive sem responsabilidade. Livres pensadores não se formam em ambientes de medo, proibição e culto a um único mestre. Quando uma instituição espiritual restringe leituras, vigia o que os alunos estudam e mede a “pureza” pela obediência à bibliografia oficial, ela abandona a busca da verdade. Então, em vez de formar consciências maduras, forma dependentes. Em vez de estudantes, produz crentes assustados.

Os conhecimentos do mundo moderno não eliminaram a necessidade da busca espiritual. A ciência avançou muito, mas as pessoas continuam sentindo um vazio.

Neste contexto, pessoas que falam de esoterismo, autoconhecimento, “conhecimento interior”, “gnose”, “liberdade” encontram um terreno fértil. Romper com a massa, despertar, possuir um saber superior, é uma promessa muito sedutora. O risco é que essa promessa pode se converter em um produto, uma forma de aprisionamento em nome da “verdade oculta”.

Quando um grupo começa a dizer que apenas um autor teve plena realização e que todos os outros são inferiores, ele já não nos conduz à investigação sincera, e sim à vaidade. Em vez de investigarmos “o que é verdadeiro” passamos a querer saber “quem é maior”. Isso é uma grande distorção.

Não importa muito quem é “o melhor mestre da história”. Importa apenas percebermos qual ensinamento nos toca no ponto em que estamos, qual ensinamento nos puxa para o próximo passo, sem fantasias de grandeza.

Quando colocamos alguém num pedestal absoluto, paramos de escutar e começamos a construir identidades, separações.

Ao mesmo tempo, não basta rejeitar o fanatismo e cair no outro extremo, onde qualquer voz, por mais superficial que seja, recebe o mesmo peso de um grande místico, um mestre espiritual verdadeiro. Liberdade intelectual não é aceitar tudo o que lemos indiscriminadamente, como se todo texto merecesse o mesmo lugar na nossa mente, em nossa vida. Se realmente queremos crescer, precisamos de critérios. O estudo é uma arte que exige esforço, hierarquia de fontes, paciência com as dificuldades.

Os grandes esoteristas dos últimos séculos foram estudiosos sérios, dialogaram com tradições diferentes, confrontaram ciência, filosofia, religião, literatura. Bateram em portas diversas, compararam doutrinas, investigaram símbolos, experimentaram práticas, aceitaram mudar de opinião.

Se o próprio esoterismo moderno se construiu nesse diálogo amplo, é incoerente formar estudantes que não podem ler outros autores, que não podem investigar outras fontes, que temem qualquer pensamento que não autorizado ou indicado pela instituição. Quando isso acontece, usamos a palavra “gnose”, mas negamos seu espírito.

Quando buscamos grandes místicos, filósofos e autores espirituais, não queremos apenas informação, buscamos conviver com inteligências e almas maiores, permitindo que expandam e transformem nossa vida interior.

A liberdade exige responsabilidade. Nem todas as portas devem ser abertas ou atravessadas. Precisamos escolher por quais realmente vale a pena passar. Isso significa buscar fontes de bom nível, autores que pensam com rigor, mestres que unam experiência real e capacidade de expressão, obras que resistam a um estudo atento. Significa recusar tanto o fanatismo quanto a infantilidade. O fanático quer um só livro, um só mestre, uma só resposta para tudo. O infantil quer novidades constantes, sem raiz, sem compromisso, se fascina por qualquer coisa, mas incapaz de sustentar um caminho.

Para estudar com seriedade não precisamos de muitos autores ou muitas obras, precisamos escolher poucos autores e obras, mas que sejam realmente grandes. Devemos permanecer com eles o tempo suficiente para que transformem o nosso modo de pensar.

O melhor é ler pouco e lentamente, refletir muito e buscar vivenciar o que compreendemos.

Uma chave importante está na forma como nos relacionamos com o estudo. O verdadeiro estudo não é acumulação de informação, é elaboração crítica da experiência; é confrontação dos problemas, organização do pensamento, é aprender a formular e responder perguntas difíceis. O estudo se completa quando toca a vida prática.

Quando levamos isso para o campo espiritual, entendemos que estudar não é decorar doutrina, é refinar a nossa consciência. Isso exige humildade para ouvir qualquer um que possa nos ensinar algo e, ao mesmo tempo, firmeza para julgar a qualidade do que ouvimos. Não desprezamos as pessoas, mas avaliamos as ideias. Não humilhamos quem está em outro nível, mas reconhecemos que nem toda voz merece o mesmo lugar no processo de crescimento da nossa alma.

O desprezo arrogante se acha superior por seguir certo autor ou escola. A ingenuidade romântica trata qualquer opinião como revelação. Entre esses polos, há um espaço maduro, em que ouvimos com respeito, mas avaliamos com rigor, pois nosso tempo e nossa mente são limitados.

O caminho espiritual se faz passo a passo, com honestidade. Existem ensinamentos que estão além da nossa capacidade atual. Querer “conhecimentos avançadíssimos” quando mal conseguimos viver o básico é uma fuga. No início, qualquer pessoa que saiba um pouco mais do que nós pode ser nosso mestre. Depois, pode ser que precisemos de alguém que nos confronte em níveis mais profundos. Quando um instrutor esgota o que pode nos oferecer, não faz sentido permanecermos por hábito ou medo. É necessário buscar quem possa nos puxar para cima, quem possa nos ajudar a crescer mais.

Instrutores sérios não massageiam nosso ego, não alimentam fantasias de grandeza, nem nos fazem sentir membros de uma elite iluminada enquanto vivemos como todos. Eles nos fazem pensar, rever hábitos, enfrentar nossas contradições.

Estudar bem é mais do que entender as frases. É saber localizar o tema, perceber a estrutura do argumento, distinguir o essencial do secundário, comparar autores que trataram do mesmo assunto. É necessário perguntar do que cada livro trata, com que meios o autor tenta nos convencer, em que ele está certo, onde ele falha. Isso nos protege tanto do fascínio acrítico quanto da rejeição precipitada. Quando aprendemos a estudar, deixamos de ser presas fáceis de discursos sedutores e nos tornamos capazes de construir um caminho interior sólido.

Vivemos um tempo em que a psicologia, a ciência e as filosofias combinam em novas formas de espiritualidade, às vezes para ajudar, às vezes para confundir ainda mais. Nem a fé infantil nem o ceticismo ressentido podem nos ajudar a atravessar a complexidade da vida moderna.

A espiritualidade moderna precisa formar pessoas inteligentes e livres, capazes de unir pensamento rigoroso, sensibilidade espiritual e responsabilidade ética; pessoas que reconheçam o valor de uma tradição sem se deixarem aprisionar, que avancem passo a passo sem se acomodar e que busquem sempre aquilo que as eleva.


Escola Gnóstica



Fonte: https://escolagnostica.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/estudo-estudante-computador-7035108/

LEO, O LEÃO


Como estamos entrando na Era de Aquário, na qual o espírito de Aquário será posto em evidência em sua universalidade e seu senso de “distribuição geral”, é inevitável que se atinja um ponto de crise...

Leão é o quinto signo do zodíaco, o que indica que ele é parte do misterioso número dez – o número da perfeição... Em consequência, isto vincula Leão com Capricórnio, o décimo signo do zodíaco, porque é o processo de iniciação que faz da pessoa autoconsciente um indivíduo consciente de grupo... Na roda revertida, é o oitavo signo, o signo do Cristo e da Realidade que mora internamente. Portanto, marca – dessa maneira – um novo ciclo. Quando a autoconsciência nasce (como no momento da individualização) inicia-se um novo ciclo. Este significado numérico vincula Leão com Escorpião (o oitavo signo do zodíaco) de maneira efetiva e por isso temos o triângulo Leão-Escorpião-Capricórnio, associado à humanidade e indicando os três pontos importantes de crise na trajetória do homem:

a) Autoconsciência ou conscientização humana. Unidade – Leão.

b) Consciência das dualidades conflitantes. Discipulado – Escorpião.

c) Consciência de grupo como iniciado. Unidade – Capricórnio.

Este signo é um signo de fogo e o mais eminente na atualidade. Os Filhos da Mente, os Filhos de Deus autoconscientes, são antes de tudo Filhos do Fogo, pois nosso “Deus é um Fogo consumidor”. Há neles essa qualidade singular capaz de queimar e destruir, e assim extirpar tudo que impede sua expressão essencialmente divina. Gostaria que mantivessem em mente a natureza purificadora do fogo. Há dois elementos da natureza que, na consciência pública, estão vinculados com a ideia de purificação – um é a água e o outro é o fogo. Esotericamente, o fogo sempre dá continuidade ao que a água iniciou... Na roda revertida, o fogo toma o lugar da água e consome toda escória.

...Leão é um elemento de controle capital na vida do aspirante. Deve conhecer a si mesmo pela real consciência de si mesmo, para que então possa conhecer o espírito divino que é seu verdadeiro Eu e também os seus semelhantes... Emite a nota da individualidade e da verdadeira autoconsciência...

Há duas notas-chave subsidiárias, mas potentes, nas pessoas de Leão:

- a vontade-de-iluminar, que é o estímulo que impele ao autoconhecimento, à autopercepção e à positividade intelectual,

- a vontade-de-reger e dominar, que leva o indivíduo nascido neste signo à oportunamente de alcançar o autodomínio e o controle da personalidade, e é também a mesma tendência que o leva finalmente ao controle, pela personalidade regida por Leão, de grupos grandes ou pequenos. Isto – em uma etapa avançada – é uma expressão da fusão da energia de Leão com a potência de Aquário.

A consciência da massa em Câncer cede lugar à consciência individual em Leão. Porém, oportunamente chega a hora em que a natureza da Cruz Fixa começa a despontar na consciência do homem e a influência de Aquário (o polo oposto de Leão) começa a contrabalançar a de Leão. Então, ocorre um deslocamento gradual do foco da atenção, que se afasta “daquele que permanece isolado” para o grupo circundante, e um deslocamento igualmente importante dos interesses egoístas para as necessidades do grupo, trazendo luz e liberação.

Isto exprime de maneira concisa o objetivo alcançado pelo homem na Cruz Fixa; o efeito desta Cruz é trazer luz e liberação, o que podemos ver claramente se compararmos as energias dos quatro braços da Cruz, à medida que o homem as manifesta, antes e depois da longa e severa experiência na Cruz:

1. Touro – O Touro do Desejo. A luz da aspiração e do conhecimento.

2. Leão – O Leão da Autoafirmação. A luz da alma.

3. Escorpião – O Agente do Engano. A luz da liberação.

4. Aquário – O Cálice do serviço ao Eu. A luz do mundo.



Alice A. Bailey



Fonte: do livro "Astrologia Esotérica"
Via: Mail N° 243 - Rede Núcleos de Triângulos – Plenilúnio de Leão de 2026
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/le%C3%A3o-rei-rosto-cabe%C3%A7a-2327225/


Nota deste Blog:

Em outras palavras, a autora nos fala sobre a transição espiritual entre as eras astrológicas, destacando o papel central de Leão no desenvolvimento da autoconsciência humana. Descreve um processo evolutivo onde o indivíduo utiliza o fogo purificador para transformar desejos egoístas em um profundo autodomínio. Através de uma análise numérica e simbólica, o signo de Leão é conectado a Escorpião e Capricórnio, formando um triângulo que marca as crises de crescimento da alma. Mostra-nos como o isolamento do "eu" deve eventualmente dar lugar ao espírito de "grupo" representado por Aquário. Essa jornada culmina na liberação espiritual, onde a vontade de dominar a própria personalidade se converte em um serviço altruísta voltado ao bem comum.

MEDITE: REDESCUBRA A PROFUNDIDADE DA VIDA


Em uma palestra recente, a Madre Prado, fundadora das Irmãs Agostinianas da Conversão, propôs uma definição de meditação tão simples quanto exigente: meditar é parar e ponderar sobre uma realidade, uma palavra de Deus, um evento ou uma situação, dando-lhe o peso que verdadeiramente merece.

Essa observação é particularmente relevante hoje em dia. Vivemos em uma cultura de velocidade, reação imediata e atenção fragmentada. Passamos de uma tarefa para outra, de uma notícia para outra, sem quase nenhum tempo para processar o que vivenciamos. A consequência é uma certa superficialidade existencial: muitas experiências nos escapam sem realmente tocar nossos corações.

A tradição espiritual cristã sempre enfatizou a necessidade dessa pausa interior. Santa Teresa de Ávila falava do recolhimento como uma entrada em si mesmo. Madre Prado usa uma linguagem semelhante quando apresenta o recolhimento como o primeiro limiar da meditação: abandonar por um momento as distrações externas para retornar ao próprio centro.

A essa contemplação seguem-se dois outros passos inseparáveis: o silêncio e a escuta. Não se trata simplesmente da ausência de ruído, mas de uma disposição interior que permite prestar atenção. Só quem aprende a silenciar consegue ouvir uma palavra que não se origina em seu próprio interior.

Aqui reside um dos aspectos mais interessantes de sua reflexão. Para a meditação cristã, o silêncio não é um fim em si mesmo. O buscador não medita diante do vazio ou de uma abstração, mas diante de Alguém. A oração surge de uma Presença. O silêncio prepara o Encontro; a escuta aguarda uma Resposta.

Essa ideia ressoa profundamente no Carmelo. Quando Santa Teresa define a oração como "uma partilha íntima entre amigos, muitas vezes passando tempo a sós com Aquele que sabemos que nos ama", ela situa a experiência contemplativa no âmbito de um relacionamento pessoal. A interioridade cristã não é um retraimento para si mesmo, mas uma abertura para Deus.

Outro aspecto notável é a ênfase no fato de que a meditação autêntica não nos distancia da realidade. Pelo contrário, ela nos reconduz a ela com maior clareza. Madre Prado afirma que a meditação que nos aprisiona em nós mesmos permanece incompleta, porque o encontro com Deus leva à assunção da própria responsabilidade no mundo.

Sua defesa da lentidão também é instigante. Em contraste com a obsessão pela eficiência imediata, ela defende o valor do tempo que aparentemente "não serve a nenhum propósito". No entanto, é justamente nesses espaços sem pressa que se desenvolve uma perspectiva mais atenta e humana.

A tradição carmelita conhece bem esse paradoxo. O tempo gasto em oração pode parecer improdutivo de uma perspectiva utilitarista, mas é precisamente esse tempo que dá unidade, significado e direção ao resto do dia.

Talvez uma das imagens mais marcantes da conferência da Madre Prado seja a da "gravidade". A meditação dá peso à vida. Sem esse peso interior, os seres humanos ficam à mercê das circunstâncias; com ele, adquirem estabilidade e profundidade. A autora compara isso àquelas bonecas que se endireitam sozinhas porque possuem um centro de gravidade oculto em seu interior.

Em última análise, a proposta é simples: parar, refletir, silenciar e escutar. Não se trata de escapar do mundo, mas de habitá-lo de uma maneira diferente. Numa época dominada pela pressa, redescobrir a capacidade de meditar pode ser um dos atos mais profundamente humanos e, para o buscador, uma forma privilegiada de se preparar para um encontro com Deus.


Madre Prado



Fonte: Teresa, de la Rueca al la Pluma
Mosteiro das Carmelitas Descalças de Puçol (Valência), Espanha
https://delaruecaalapluma.com/2026/07/21/meditar-recuperar-la-hondura-de-la-vida/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/p%C3%B4r-do-sol-ioga-zen-medita%C3%A7%C3%A3o-4830931/

TUDO FAZ SENTIDO


Será bom lembrar que tudo o que nos ocorre, em qualquer sentido que seja, é o que necessitamos.

Se acontece, vem como uma cura ou ascensão ou talvez como uma porta de acesso a novos espaços internos.

A vida não é plana nem unidimensional, nem mera matéria interagindo por enlaces químicos ao acaso.

É puro mistério e cheia de significado e tecida com fios invisíveis.

A verdadeira textura da vida se percebe com os sentidos do espírito ou abrindo o coração para que se ilumine os sentidos.

Com qual olhar estou vendo o que sucede em minha vida?

Não permita que a opacidade nos domine.

Por trás do véu da razão, há uma luz bela, vivificante e portadora de sentido.


El Santo Nombre



Fonte: https://elsantonombre.org/2026/07/17/todo-tiene-sentido/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/natureza-ao-ar-livre-viajar-por-2990060/

OU DEUS OU A ILUSÃO


Quando alguém sofre dores intensas causadas por uma crise de apendicite, o médico intervém e remove o seu apêndice. Será justo dizer que ele é cruel por fazer uma incisão no abdome do paciente? Certamente que não. Ele faz isso por compaixão, pois, nesse caso, é necessário provocar uma dor física externa para curar uma dor interna.

Similarmente, as provações que Deus coloca diante do ser humano têm como único objetivo ajudá-lo a arcar com as consequências das suas próprias ações. Tudo o que Deus faz é para o benefício dos seres humanos, jamais para prejudicá-los. E por quê? Porque Ele é absolutamente altruísta, livre de qualquer traço de egoísmo ou de interesse próprio. Na verdade, sequer conhece tais defeitos. Entretanto, algumas pessoas atribuem parcialidade, egoísmo e interesse próprio a atos imparciais do Senhor. Isso se deve apenas à sua imaginação, que é precisamente a causa da ilusão que as envolve.

Vocês não poderão obter a plena percepção de Brahman, ou seja, de Deus, enquanto o seu coração estiver tomado pela ilusão! Se não a afastarem do seu coração, serão incapazes de voltar os seus pensamentos para Deus. Saibam que o seu coração possui apenas um lugar. É impossível fazer com que Deus e a ilusão se sentem no mesmo lugar no seu coração! Somente se removerem a ilusão que está nele é que Deus passará a ocupá-lo.

Atualmente, em razão da influência da Kali Yuga ou Idade do Ferro, as pessoas estão tentando fazer com que ambos se sentem no mesmo lugar. Entretanto, por mais que se esforcem, Deus não entrará no seu coração enquanto a ilusão estiver ali. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A LEI DE CONSEQUÊNCIA E O NOSSO DIA A DIA


A Lei de Consequência, ou Lei de Causa e Efeito (1), é uma das Leis de Deus, é a lei da justiça, que decreta que o que semeamos, colheremos.

O que somos, o que temos, todas as nossas boas qualidades são o resultado do nosso trabalho no passado e, portanto, nossos talentos. O que nos falta, física, moral ou mentalmente, é por não termos aproveitado certas oportunidades no passado ou por não as termos vivenciadas, mas em algum momento, em algum lugar, outras se apresentarão para nós e recuperaremos o que perdemos.

Quanto às nossas obrigações e dívidas para com os outros, a Lei de Consequência também trata disso. O que não pode ser resolvido em uma vida acontecerá nas futuras. A morte não anula as nossas obrigações, assim como indo para outra cidade não pagamos as dívidas que contraímos aqui.

A Lei do Renascimento (2) proporciona um novo ambiente, mas nele existem velhos inimigos. E, às vezes, os conhecemos, porque quando conhecemos algumas pessoas pela primeira vez, sentimos como se as conhecêssemos de algum lugar. Isso ocorre porque o Ego (3) rompe o véu da carne e reconhece um velho amigo. Quando, pelo contrário, encontramos uma pessoa que nos inspira medo ou repúdio, é uma mensagem do nosso Ego, que nos alerta contra um inimigo de antigamente. A Lei de Consequência está operando continuamente.

A partir do momento do nascimento, as forças que foram acionadas em vidas anteriores e ainda não se esgotaram, passam a atuar na criança e em seus veículos. Todos os velhos amores e ódios vêm à tona. Antigos inimigos se apresentam, para que o Ego possa traçar com eles seu destino e transformá-los em amigos. Amigos anteriores ajudam o Ego trabalhando com ele para benefício mútuo.

Assim nos aproximamos lenta, mas irresistivelmente, da era da Amizade Universal. Através da Lei de Consequência, aprendemos que cada ato tem a sua responsabilidade correspondente e que cada força que pomos em movimento deve ter o seu efeito correspondente.

Se, por negligência ou egoísmo, causamos sofrimento ou dolo aos outros, fatalmente, a Lei de Consequência trará condições semelhantes em uma data mais remota, e assim compreenderemos a injustiça de agir dessa forma. Se não aprendemos a lição, teremos mais experiências e cada vez mais duras, até que finalmente faremos o esforço necessário e então obtenhamos o poder do autocontrole.

Os Ensinamentos Rosacruzes sobre a vida nos mostram que o mundo que nos rodeia nada mais é do que uma Escola de experiências – a Escola da Vida –, mas atrelada a solução nas inseparáveis Leis ​​de Consequência e Renascimento. Que assim como mandamos a criança para a escola dia após dia, e ano após ano, para que ela aprenda cada vez mais e, à medida que avança nas diferentes séries da escola até a universidade, o mesmo acontece com a gente, como Filho de Deus, entra na Escola da Vida. Mas numa vida mais ampla, onde para cada um de nós em cada dia escolar é para nós uma vida terrena, e a noite entre os dois dias letivos corresponde ao "sono" após a morte na vida mais ampla de cada um de nós.

Veja que numa escola há muitas séries. Onde as crianças mais velhas que frequentam a escola há muito tempo têm de aprender lições muito diferentes daquelas aprendidas pelas crianças pequenas que frequentam o “jardim de infância”.

Da mesma forma, na Escola da Vida, aqueles que ocupam altos cargos, sendo dotados de grandes faculdades, são os nossos Irmãos Maiores, e os retardatários são aqueles que mal frequentam as primeiras séries escolares. O que eles são, nós seremos, e todos acabarão por chegar a um ponto em que serão mais sábios do que os mais sábios que conhecemos agora.

Se os atos que praticamos forem construtivos e respeitarmos os direitos dos outros, então na vida futura nasceremos em condições que nos trarão sucesso e felicidade.

Se, pelo contrário, cedermos às nossas paixões, nossos desejos, sentimentos ou as nossas emoções inferiores, sem consideração pelos outros, ou se formos insolentes, preguiçosos e descuidados, certamente, renasceremos em condições e entre pessoas que farão da nossa vida um fracasso, e que nos trarão muitos sofrimentos. Através destes fracassos, porém, aprenderemos onde erramos em vidas anteriores e saberemos o que precisamos fazer para remediar o passado.

Assim, aplicando a nossa força de vontade na solução do problema, obteremos sucesso, e a Lei de Consequência, a partir desse momento, funcionará a nosso favor, e não contra nós.

Que as rosas floresçam em vossa cruz!


Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/desenvolvimento-evolu%C3%A7%C3%A3o-projeto-2001855/


Notas deste Blog:

(1) Carma ou Karma e ainda Ação e Reação em outras tradições.
(2) Reencarnação em outras tradições.
(3) Espírito, Alma, Eu Superior, Self etc. em outras tradições.

A HUMANIDADE DIVIDIDA ENTRE SI


A humanidade permanece fragmentada devido a conflitos raciais, religiosos e interesses individuais que priorizam o egoísmo em detrimento do bem comum. Segundo o pensamento do psiquiatra Dr. Norberto Keppe, essa divisão interna impede que o ser humano cumpra sua natureza social, gerando sofrimento ao manter uma mentalidade possessiva e competitiva.

Atualmente, vivemos o auge desse comportamento autocentrado, o que cria um cenário de ilusões e separatismos nas esferas política, social, filosófica, religiosa e econômica. Parece não haver outra saída para esse problema se o mundo não enfrentar uma transição necessária, compelido-o a trocar a ganância pelo altruísmo e pela cooperação. Essa mudança representa a superação de um passado conflituoso em direção a um futuro pautado pela vontade de contribuir para que haja uma sociedade mais justa. Assim, a evolução sadia e consciente da espécie humana depende da renúncia ao narcisismo para o fortalecimento dos laços sociais coletivos.

Com base nas ideias acima apresentadas, somos advertidos sobre a urgência da transição do egoísmo para o altruísmo universal, explorando as raízes da divisão humana e a necessidade de uma mudança de paradigma.

Atualmente, não há quem não perceba que a humanidade encontra-se em um estado de profunda divisão, fragmentada por antagonismos diversos que funcionam como potentes geradores de ilusões em escala global.

Como aponta o psiquiatra Dr. Norberto R. Keppe, essa divisão ocorre porque cada indivíduo ou grupo "se apega a uma verdade" que é, na realidade, "relativa aos seus próprios interesses e fantasias particulares", e essa mentalidade cria um abismo entre a natureza essencial do homem — que é um ser social-espiritual — e seu comportamento atual, que ainda é dominado por interesses pessoais.

O princípio que rege a maioria das interações humanas ainda é o de "o que é meu é meu e o que é teu é teu", uma postura que ignora a contribuição espontânea para a sociedade e se torna uma fonte inesgotável de sofrimento gerado pelo egoísmo, por isso vivemos em um período onde o egoísmo parece ter atingido o seu ponto máximo histórico.

No entanto, este cenário extremo coloca o mundo diante de uma encruzilhada inevitável: ou enfrentamos um caos geral, ou optamos, gradualmente, pelo altruísmo e cooperação. E a saída dessa encruzilhada não é apenas uma mudança de comportamento, mas uma transformação profunda na motivação humana, substituindo o "desejo de receber" (focado no eu) pelo "desejo de dar" (focado no outro e no coletivo).

Segundo a Ciência Espiritual essa mudança é vista como a única alternativa viável para a preservação e evolução da sociedade. A única que aliviará a tensão que observamos na história social e política contemporânea que, em essência, é o conflito entre duas forças opostas, a saber:

- A Ânsia Competitiva que representa o passado e continua a gerar desavenças, separatismos e imposições políticas e econômicas; e

- O Potencial Cooperativo que representa o futuro da humanidade, embora ainda esteja "nublado" pelas práticas competitivas arraigadas pelo tempo e potencial subconsciente.

Pode-se concluir, sinteticamente, que para a humanidade superar suas divisões é necessário que o potencial cooperativo prevaleça sobre a competitividade e o narcisismo oculto no homem. Ou seja, enquanto os interesses egoístas forem a prioridade, as ilusões geradas pelos antagonismos continuarão a impedir que o homem realize plenamente sua função social e contribua de forma autêntica para o bem comum e inicie seu processo de autorrealização e de autoconhecimento.


Prof. Hermes Edgar Machado Junior


Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fundo-de-natal-pomba-paz-liberdade-3426187/

quinta-feira, 23 de julho de 2026

NO CORPO ESPIRITUAL ESTÁ A CAUSA (ETIOLOGIA) DAS MOLÉSTIAS


A Doutrina Espírita define saúde como a perfeita harmonia da alma.

Falando sobre o perispírito, o Engenheiro Ney Prieto Peres e o Dr. Hernani Guimarães Andrade apresentam a concepção da física transcendental com relação a esse importante elemento de ligação entre a alma e o corpo físico.

Ressaltaríamos, com Allan Kardec e André Luiz, que é nesse corpo espiritual ou psicossoma que reside à causa de todas as doenças, porque como campo de informação e molde do espírito ele reflete o enigma de toda a evolução espiritual.

Vejamos alguns ensinamentos contidos no livro "Roteiro", de Emmanuel, sobre perispírito: "Ele é ainda corpo organizado que representando o molde fundamental da existência para o homem; subsiste alem do sepulcro, demorando-se na região que lhe é própria, de conformidade com o seu peso específico. Formada por substâncias química que transcendem a série estequiogenética (1) conhecida até agora pela ciência terrena, é aparelhagem rarefeita alterando-se de acordo com o padrão vibratório do campo interno. Organismo delicado com extremo poder plástico, modifica-se sob o comando do pensamento. O progresso mental é o grande doador de renovação ao equipamento do espírito em qualquer plano de evolução. Quanto à forma somática ele obedece às leis de gravidade, no plano a que se afina. Nossos impulsos, emoções, paixões e virtudes nele se expressam fielmente."

O Espiritismo inaugura, portanto, um novo conceito de saúde: "é a perfeita harmonia da alma". A questão da saúde está profundamente ligada à tarefa educacional de cada ser. Segundo Emmanuel, no livro "Pensamento e Vida": "A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança criam zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se feito fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habitados à resistência."

É assim que, muitas vezes, a tuberculose e o câncer, a lepra e a ulceração aparecem como fenômenos secundários, residindo a causa primaria no desequilíbrio dos reflexos da vida anterior. E Emmanuel ainda acentua: "Todos os sintomas mentais depressivos influenciam células em estado de mitose (2), estabelecendo fatores de desagregação".

Se nós tivermos presente o fato de que o tumor canceroso resulta, para falarmos de forma resumida, de uma multiplicação anárquica das células e se nos recordamos de que podemos, de acordo com o nosso estado mental, influir na mitose celular, pode-se avaliar melhor a extensão de nossa responsabilidade no que tange à origem profunda de nossas moléstias.

Segundo André Luiz, no livro "Evolução em Dois Mundos", p. 217, uma vez alcançado o desequilíbrio, seja pelo abuso de nossas forças, seja estabelecendo perturbações em prejuízo dos outros, abriremos campos de ruptura na harmonia celular e toda a zona perispiritual atingida é possível de invasão microbiana.

Assim, somos sujeitos a albergar desde o resfriado comum até as infecções irreversíveis, dependendo do grau de nosso desequilíbrio interior.

E isso porque quase todos os estados mórbidos "surgem como fenômenos secundários sobre as zonas de predisposição enfermiça que formamos em nosso próprio corpo pelo desequilíbrio de nossas forças mentais a gerarem rupturas entre o corpo espiritual e o veículo físico, pelas quais se insinua o assalto microbiano em que sejamos particularmente inclinados pela natureza de nossas contas cármicas".


Ana Gaspar


Fonte: Conteúdo publicado originalmente em: Nosso Lar - https://bit.ly/2sHg9za
Via: USE – União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Piracicaba
https://www.usepiracicaba.com.br/artigos-feed/no-corpo-espiritual-a-etiologia-das-moletias
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-silhueta-p%C3%B4r-do-sol-vis%C3%A3o-3918661/


Bibliografia:
- Trechos do Boletim Médico espírita, nº 4, artigo da Dra. Marlene R. S. Nobre


Notas deste Blog:

(1) conceito filosófico-científico que descreve a evolução dos elementos químicos e sua relação com a evolução biológica e espiritual. (definição via IA)

(2) processo de divisão celular equacional em células eucarióticas (*), onde uma célula-mãe se duplica para gerar duas células-filhas geneticamente idênticas. Essencial para o crescimento, cicatrização e regeneração dos tecidos, ela mantém inalterado o número de cromossomos da célula original. (definição via IA)

(*) presença de um núcleo verdadeiro, onde o material genético fica protegido por uma membrana. (definição via IA)

terça-feira, 21 de julho de 2026

O SIGNIFICADO MÍSTICO DA ROSA (conforme Ordem Rosacruz AMORC)


O significado místico da rosa representa a alma humana em evolução e a expansão da consciência. A rosa (geralmente vermelha) no centro de uma cruz simboliza que, através das experiências, provações e do serviço altruísta na vida material, o ser humano desperta suas virtudes espirituais.

O simbolismo completo traz ensinamentos profundos que se dividem nas seguintes perspectivas:

- O desabrochar de cada pétala da rosa representa o desabrochar progressivo da alma e da consciência humana. À medida que o estudante assimila as leis cósmicas e vivencia suas experiências cotidianas, a sua consciência se expande, liberando o "perfume" da sua essência interior, que se traduz em virtudes como tolerância, paciência, humildade e amor. 

- A cruz não é vista como um símbolo de sofrimento, mas sim como a representação do mundo material, dos nossos corpos físicos e das leis da polaridade e da cruzada dos quatro elementos. Ela é o "palco" onde a alma atua. Viver as provações terrenas com sabedoria é o meio que o ser humano utiliza para purificar e elevar seu espírito.

Ensina que a evolução espiritual deve ocorrer pela elevação a planos superiores por meio do amor e da compreensão das leis naturais, e não pelo apego ao sofrimento. A rosa no centro da cruz indica que o amor universal e a elevação anímica são a chave para dominar a vida e alcançar a iluminação.

O simbolismo da rosa e da cruz dentro da tradição mística detalha como esses elementos representam a jornada espiritual humana. A imagem completa reflete o despertar da essência interior e a manifestação de qualidades éticas no mundo físico.

Em síntese, pode-se dizer que:

- A rosa, geralmente posicionada no centro da cruz, simboliza a alma em seu estado de crescimento. Este processo é comparado ao desabrochar das pétalas. Cada pétala que se abre representa um novo estágio na consciência do estudante, alcançado à medida que ele assimila as leis cósmicas e as aplica em sua vida cotidiana.

- Conforme a consciência se expande, ela libera o que a tradição chama de "perfume" da essência interior. Esse perfume manifesta-se no mundo externo através de virtudes práticas, como a humildade, a paciência, a tolerância e o amor.

- Diferente de outras interpretações, a cruz não é um símbolo de sofrimento ou sacrifício. Ela representa a realidade material e o ambiente onde a alma deve atuar.

- A cruz simboliza o corpo físico, o mundo material, as leis da polaridade e a interação dos quatro elementos.

- Através das experiências e desafios vividos na "cruz" da existência material que o ser humano encontra os meios para purificar e elevar seu espírito. As provações terrenas são vistas como oportunidades de aprendizado e serviço altruísta.

- A posição da rosa exatamente no centro da cruz indica que a iluminação e o domínio da vida ocorrem na intersecção entre o espiritual e o material.

- A evolução espiritual não deve ser buscada pelo apego à dor, mas sim pela compreensão das leis naturais e pela elevação a planos superiores através do amor universal.

- A rosa florescendo na cruz ensina que o objetivo final é o despertar das virtudes espirituais dentro da experiência humana, utilizando a sabedoria para transcender as limitações e alcançar a harmonia.



Fonte: Conforme ensinamentos da Ordem Rosacruz (AMORC)
Fonte da Gravura: 
https://www.rosicrucian.org/rosicrucian-digest-the-chymical-wedding
https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/

O SIGNIFICADO MÍSTICO DA ROSA (conforme Fraternidade Rosacruz Max Heindel)


Uma das mais queridas flores que o nosso Criador nos deu foi a Rosa. Por meio do consenso geral ela tem sido escolhida como a mais bonita entre as filhas de Flora. Na história de nossa raça, encontramos a Rosa associada à corrente de mil capítulos (1) e, embora seja considerada nativa do Leste, atualmente participa da universalidade, abrindo suas pétalas ao Sol de praticamente todas as nações.

A sacralidade da Rosa tem sido sentida e reconhecida durante épocas passadas, desde as primeiras inscrições sobre pedras e peles, pelos nossos ancestrais das cavernas, até as inspirações imortais de Dante, Burton e Corelli. Muitos dos antigos encaravam a Rosa como emblema do silêncio, do amor, da alegria e da reserva.

Pode-se dizer que a Rosa representa o ápice do crescimento, da expansão e da evolução no reino vegetal. Através de muitas eras veio a assumir a presente perfeição de graça, beleza e fragrância de tal modo que hoje seja considerada o símbolo da alta espiritualidade — até mesmo do próprio Espírito, como está evidenciado na afirmação contida no livro "Conceito Rosacruz do Cosmos" de que a Cruz é representada com “uma única rosa no centro, simbolizando o Espírito que irradia de si os quatro veículos: o Corpo Denso, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, mais o veículo Mente” (2).

Cada pétala amorosa da Rosa, desprendendo o seu perfume místico, pode ser comparada ao crescimento anímico que surge por intermédio dos desejos, dos anelos, das aspirações e dos sofrimentos do Espírito habitante, vida após vida. A Rosa, assim como o Espírito Virginal, desabrocha e se desenvolve no sentido da perfeição. A fragrância apurada dessa flor encantadora lembra-nos do poder sagrado que se acha dentro do ser humano e que o impele a descobrir a realidade das coisas invisíveis.

Do mesmo modo como a Rosa expõe o seu coração ao Sol físico, assim o ser humano, o Espírito habitante e individualizado, volta-se para a Luz da Verdade espiritual, enquanto tudo ao seu redor denota escuridão e desespero. Na medida em que implora no Umbral Divino, pode-lhe surgir repentinamente aquela iluminação maravilhosa, limpadora e inspiradora.

Todas as perfeições físicas acabam desaparecendo; mas as virtudes divinas são infinitas. Os que forem subordinados à Beleza Espiritual deixarão uma herança duradoura. Assim como a Rosa, com sua beleza e fragrância, trouxe felicidade e alívio ao sofrimento do mundo físico, assim também o Espírito, manifestando-se a partir dos planos invisíveis, trouxe elevados conceitos e ideais para a humanidade. No grande Jardim do Senhor existem infinitas variedades de Suas flores; mas através de toda a variedade de raças, religiões e línguas permanece o fio condutor do progresso em direção ao próprio Ideal.

Cada ser humano é uma Semente no Grande Jardim do universo de Deus e, quando nutrida com amabilidade, desprendimento e compreensão, cresce e floresce até se tornar uma flor humana de estatura divina, não importando quanto tenha sido gravemente ferida pelas tempestades da intolerância, do preconceito e do fanatismo. Dessa maneira está surgindo uma Nova Raça, raça essa que está sendo preparada para viver na Nova Era.

“A Rosa, como qualquer outra flor, é o órgão reprodutor da planta. Sua haste verde conduz o sangue da planta, incolor e desapaixonado. A Rosa de cor sanguínea revela a paixão que se incorpora ao sangue da raça humana; na Rosa, porém, o fluído vital não é sensual: ele é casto e puro. Assim, é um símbolo excelente do órgão reprodutor no estado puro e santo que muitos atingirão quando tiverem limpado e purificado o sangue dos desejos, quando se tornarem castos, puros e iguais ao Cristo.” (Max Heindel)


Fonte: Publicado na "Revista Rosacruz" de agosto de 1970
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/rosa-vermelha-flor-flora-fechar-se-9792176/


Notas deste Blog:

(1) A "corrente de mil capítulos" associada à rosa faz referência a um conceito místico e esotérico, muitas vezes abordado na literatura da Fraternidade Rosacruz. Ela simboliza a evolução contínua da consciência humana e da vida vegetal através de eras, ciclos e estágios de desenvolvimento espiritual. (via IA)

(2) Corpos Físico, Etérico, Astral e Mental Concreto em outras tradições.

domingo, 19 de julho de 2026

O NÚMERO UM - A UNIDADE

É na unidade que tudo está incluído, que tudo é compreendido, que tudo é resolvido.

Aquele que penetra nos mistérios do número 1, ou da letra Aleph, compreende todos os outros números, todas as outras letras, isto é, todas as outras forças do Universo, porque o Verbo – números e letras – é uma substância ininterrupta. Nele, nada é separado nem parcelar, tudo está ligado, cada elemento faz parte de uma unidade grandiosa. Por isso, quem quer, verdadeiramente, avançar no caminho da Iniciação, deve concentrar-se na unidade.

O que é o número 1? Graficamente, é uma linha traçada ao alto, sem mais nada: 1. Quando se olha para ela, não se vê nada de muito significativo, mas é precisamente este 1 que é o princípio dinâmico criador, a origem da vida e a condição para a sua preservação.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/a-figura-1-fonte-fundo-transparente-3246773/

A SIMPLES PRESENÇA DA LUZ NÃO BASTA


A simples presença da luz não basta; devemos avançar com o auxílio da iluminação que ela proporciona. Se, mesmo possuindo essa luz, não seguirmos o caminho revelado por ela, seremos tão cegos quanto aqueles que não podem enxergar.

Certa vez, o Senhor Krishna apareceu diante de Surdas, santo e poeta cego indiano, e lhe disse: “Surdas, se estás ansioso por ver o mundo, restaurarei a tua visão agora mesmo”. Demonstrando a sua profunda devoção, Surdas respondeu: “Aqueles que têm olhos são, na verdade, cegos se não contemplam a Tua forma sublime e auspiciosa. Embora possuam ouvidos, são como surdos se não se dispõem a ouvir o som melodioso da Tua canção. Embora possuam mãos capazes de alcançar o Divino, afogam-se no oceano da vida mundana. Apesar de habitares o seu coração, eles se deixam iludir pelo brilho falso, ilusório e efêmero do mundo. Ainda que desfrutem de plena visão, são incapazes de Te ver. Portanto, não desejo tal coração, tais olhos nem tais ouvidos. Concede-me, ó Senhor, ouvidos que ouçam a Tua canção, olhos que contemplem a Tua bela forma e um coração no qual Tu estejas instalado”.

Essa foi a súplica de Surdas. 



Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e Gravura: www.sathyasai.org.br
(Discurso Divino, 14 de julho de 1984)

O SIMBOLISMO ROSACRUZ


Em tempo remoto, o simbolismo foi tão usado que os historiadores modernos falam dele como se fora a “linguagem do homem primitivo”. Não obstante, nós continuamos a encontrar nos símbolos extrema utilidade, porque algumas vezes, por meio de uma simples figura ou emblema, comunicamos às nossas mentes uma compreensão maior sobre os profundos princípios e leis cósmicas, como não poderíamos fazê-lo por meio de palavras. O valor educacional dos símbolos expressa-se também nesta máxima: “Um quadro ou imagem é melhor do que mil palavras”.

A palavra é o símbolo da ideia. Assim também, na música, na arte, na literatura, na dança, no drama e em muitos outras formas de expressão o simbolismo é usado para transmitir as mensagens dos seus criadores.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, também chamados de Mestres, há muito esperam o florescimento das rosas da humanidade e dão a todos os Aspirantes ao conhecimento espiritual esta saudação: “Que as rosas floresçam em vossa Cruz!”.

Assim, também, em todas as reuniões da Fraternidade Rosacruz, em todo o mundo, os Estudantes, Probacionistas e Discípulos são saudados e se saúdam de igual maneira e todos lhe respondem: “Na vossa também!”.

Das doze Hierarquias Criadoras que ajudaram o ser humano na sua evolução, cinco já se libertaram dessa missão sublime; as outras sete continuam na Sua nobilíssima tarefa de amparar e guiar o ser humano na sua jornada, estando simbolizadas nas sete rosas sobre a Cruz. E assim como as referidas Hierarquias são a expressão do Macrocosmos, assim também o Microcosmo está simbolizado por nós, o Ego (1), dirigindo as nossas atividades para fora, através dos sete orifícios visíveis do Corpo Denso. As cinco Hierarquias que terminaram a Sua missão e retiraram-Se estão simbolizadas na estrela dourada de cinco pontas e nos cinco orifícios parcialmente cerrados do nosso Corpo Denso: os mamilos, o umbigo e os canais de excreção.

A Cruz Branca simboliza a vida dedicada do servidor da humanidade. Na forma em que tem uma Rosa apenas, no centro, simboliza o Espírito irradiando de Si mesmo o quádruplo corpo, isto é, o Corpo Denso ou de carne e ossos, o Corpo Vital (2), o Corpo de Desejos (3) e a Mente (4), de onde o Ego, o Espírito, fiscaliza os Seus instrumentos e chega a ser o Espírito humano que mora internamente. Em Épocas anteriores não existia essa condição.

O Tríplice Espírito (5) então flutuava sobre os seus veículos, nos quais não podia entrar. Quando a Cruz se erguia sozinha, simbolizava a condição existente no primeiro terço da Época Atlante. Houve ainda um tempo no qual o madeiro superior da Cruz faltava e a constituição humana era representada pela letra hebraica Tau (T), que sucedeu no tempo da Época Lemúrica, quando o ser humano tinha apenas o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos, faltando-lhe a Mente.

A natureza animal predominava nessa Época. Em Época ainda mais remota, a Hiperbórea, faltava o Corpo de Desejos e o ser humano possuía unicamente o Corpo Denso e o Corpo Vital. Então o ser humano, em potência, era como as plantas: casto e sem desejos. Não podia ser representado por uma Cruz e por esse motivo o símbolo era um pilar ou coluna, como a letra (I).

Esse símbolo foi considerado fálico, um emblema da geração. Esse pilar é hoje representado pelo madeiro inferior da Cruz, emblemático do ser humano em potência, quando era semelhante a uma planta. A planta não tem paixão nem desejos e, por conseguinte, é inocente. O falus e o lone, imagens dos órgãos masculino e feminino, usados nos templos de mistérios da Grécia, foram dados pelos hierofantes; nesse sentido e sobre os pórticos dos templos, foram colocadas as palavras: “HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO”. Palavras que, quando bem compreendidas, são semelhantes aos Ensinamentos Rosacruzes e mostram a razão da “queda do homem” no desejo e no pecado, dando a chave da sua liberação da mesma forma que as rosas sobre a Cruz indicam o caminho da emancipação. Através do “conhecimento” de Eva, Adão “caiu” e perdeu a sua consciência dos Mundos invisíveis. Não achará outra vez essa interna percepção das esferas celestes até que tenha aprendido de novo, em uma espiral mais elevada, como criar de si mesmo usando a sua força criadora e total à vontade. Então se conhecerá outra vez.

Através dos tempos o ser humano usou várias cruzes: a cruz latina, a TAT ou cruz grega, a TAU ou cruz hebraica, a cruz ANSATA ou egípcia (cruz com asa ou círculo por cima), a cruz céltica, a cruz de Lorena, a cruz papal, a cruz do Calvário, a cruz Suástica ou gamada, a cruz de Santo André, a Cruz de Malta, a cruz em forma de trevo. A cruz Ansata foi o mais antigo símbolo da Maçonaria egípcia, instituída pelo Conde Cagliostro, e significava imortalidade. A asa colocada no topo superior da cruz Ansata apresenta duplo significado: como símbolo mundano era um atributo de ISIS, uma imagem da Lei; como símbolo da imortalidade era usado sobre o peito das múmias; uma eternidade sem princípio nem fim que desce sobre o plano da natureza material e, logo, emerge dele.

A cruz do Calvário encontra-se sobre três degraus, sendo o maior a base; o segundo, ligeiramente mais estreito; e o terceiro, sobre o qual descansa a cruz, menor ainda. Esses três degraus representam os três primeiros graus da Maçonaria, os passos necessários para se chegar a ser um Mestre Maçom. Recordam-nos os três dias entre a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo, aqueles três dias que significaram setenta e duas horas, que representam o número nove, do qual é dito que representa a humanidade atual. Os três degraus também simbolizam o Deus Trino: Pai, Filho, Espírito Santo, além dos três aspectos da Divindade: Vontade, Sabedoria, Atividade.

A Cruz em forma de folha de trevo é a base do emblema Rosacruz. É uma cruz branca e brilhante, tendo três semicírculos nos extremos de cada madeiro. Esses doze semicírculos no emblema Rosacruz simbolizam as doze Hierarquias que Se manifestaram no início da Criação, têm os mesmos nomes dos Signos do Zodíaco e ajudaram o ser humano em seus esforços para governar o seu quádruplo veículo (6). No centro da cruz está a Rosa pura e branca, simbolizando o coração do Auxiliar Invisível. É o sinal da PURIFICAÇÃO.

No serviço que se lê à tarde no Templo de Cura, exceto por ocasião da Lua Nova e da Lua Cheia, dão-se os passos mais diretos para se alcançar essa realização: “O amor (…) não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não busca os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a Verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Suspensa na cruz está uma Coroa de Sete Rosas Vermelho-sangue, imaculados receptáculos da semente da roseira e livres de paixão, emblemas da força geradora, purificada e elevada. Como a vida do ser humano está no sangue, vivendo uma vida de Serviço, dedicado, e ao mesmo tempo desinteressado, aos outros, cada um de nós pode transmutar as forças vitais e impuras em força criadora e pura do Espírito de Vida (7), alcançando assim o mais elevado estado humano. As sete Rosas sobre a cruz também significam os sete passos que deve dar o Aspirante no caminho estreito.

A primeira rosa significa a Clarividência e a Clariaudiência; no desenvolvimento dessas faculdades é essencial o poder de observação. Essas duas Faculdades desenvolvem-se na ação positiva, na qual o Aspirante quer “ver e ouvir claramente”.

A segunda rosa significa a Profecia e para desenvolver essa última usa-se o discernimento. Cristo disse: “E muitos falsos Profetas se levantarão e enganarão a muitos” [1]; “Porque se levantarão falsos Cristos e falsos Profetas e darão grandes sinais de prodígios, tais que, se fora possível, até enganariam os escolhidos”; “E então aparecerá o sinal do Filho do Homem que virá sobre as nuvens com toda a pompa e glória” [2].

A terceira rosa é a da Pregação e do Ensino da Verdade. Esse é o primeiro dos mandamentos do Senhor: “Pregai o Evangelho” [3]. Ou seja, “pregai a verdade por Mim ensinada”. A maneira mais direta de pregar a verdade é deixar que a nossa vida seja um exemplo constante dessa Verdade.

A quarta rosa é a Rosa da Cura. Este é o segundo mandamento: “Curai os enfermos” [4]. Antes que possamos chegar a ser um Auxiliar Invisível e ajudar na cura dos enfermos, devemos mostrar merecimento, manifestando-nos como Auxiliares Visíveis.

A quinta rosa é a da Expulsão dos "Demônios". Há numerosas passagens nas Escrituras Sagradas que mencionam esse fato. No livro "Conceito Rosacruz do Cosmos" o leitor é advertido de que deve ter muito cuidado com a maneira de prestar esse serviço. Cada um dos que se prestam a expulsar os demônios deve estar bem armado em nome de Cristo, antes de se aventurar a fazer esse melindroso trabalho. Alguns historiadores profanos disseram que Maria Madalena estava possuída por sete demônios e que, depois que esses sete "diabos" foram lançados para fora dela, deixando-a novamente livre, ela voltou a ser uma nobre mulher.

A sexta rosa é a da Pronunciação da Palavra de Poder, expressando os três aspectos da Divindade, falando (ação) com o poder (vontade) da palavra (sabedoria). Quando o Aspirante alcança esse ponto de desenvolvimento no caminho da Iniciação, ele aprende a invocar a manifestação da Divindade e a falar em seu NOME.

A sétima rosa é a do Poder de "Ressuscitar" os mortos, isto é, os adormecidos no esquecimento da Divindade. Cristo afirmou: “Em verdade vos digo que aquele que crê em Mim fará as obras que eu faço e ainda maiores, porque Eu vou a meu Pai” [5].

Na História Sagrada, é São Pedro o único depois de Cristo de quem se diz que ressuscitou mortos: “Havia em Jope uma discípula chamada Tabita, ou Dorcas. Esta estava cheia de boas obras e de esmolas que fazia. Mas Pedro, lançando fora a todos, pôs-se de joelhos e orou; voltando-se para o corpo disse: ‘Tabita, levanta-te!’. Ela abriu os seus olhos e, vendo Pedro, assentou-se. Fez-se isto notório em Jope; e creram muitos no Senhor” [6].

O Aspirante sabe também que pode ser ressuscitado da morte da sua antiga vida para se levantar e viver uma vida nova, na consciência da sua unidade com Deus, em Quem vivemos, movemo-nos e temos o nosso ser. O centro da cruz irradia a estrela dourada de cinco pontas, uma das quais se dirige para cima. Essa estrela simboliza o Manto Dourado Nupcial – o Corpo-Alma – que todos nós, seres humanos, estamos tecendo para nós mesmos, com os nossos pensamentos amorosos e ações bondosas.

A Estrela é dourada por ser essa a cor do ouro, a mais parecida com a irradiada pelo Amor Crístico, O qual deve ser o motivo das nossas ações. O amarelo é símbolo do segundo aspecto da Divindade, o Filho ou Cristo; no entanto, dado que o ser humano de hoje não pode manifestar o amarelo puro do Amor de Cristo, esse se expressa no alaranjado do ouro. O Corpo-Alma ou Veste Dourada de Bodas deve ser desenvolvido antes que o Cristo interno possa nascer.

Por detrás da Estrela e da Cruz está o campo azul, símbolo do Espírito Puro, assim como o céu azul é um símbolo do Caos do qual procedeu a Manifestação. Essa cor simboliza o primeiro aspecto da Divindade, o Pai. Cristo disse que devia atrair todas as coisas para Si e que podia, então, entregar o Reino ao Pai.

Quase nada sabemos a respeito desse Reino e, como o pouco que sabemos vem por meio dos Seus ensinamentos, o azul está mesclado de amarelo, não sendo azul puro, mas azul-turquesa, altamente translúcido e vibrante de vida. O vermelho das rosas é o símbolo do Terceiro aspecto da Divindade e é a única cor pura que é mostrada no símbolo Rosacruz.

Portanto, o Símbolo Rosacruz é um símbolo da nossa evolução passada, da nossa presente constituição e do nosso futuro desenvolvimento, junto ao método de realização.



Fonte: Revista "Rays from the Rose Cross"
Traduzido e publicado na Revista "Serviço Rosacruz" de janeiro/1969
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP



Notas:
[1] N.T.: Mt 24:11
[2] N.T.: Mt 24:30
[3] N.T.: Mt 16:15 e Mc 16:15
[4] N.T.: Mt 10:8
[5] N.T.: Jo14:12
[6] N.T.: At 9:36-42

Notas deste Blog:
(1) Alma, Espírito, Eu Superior, Self etc. em outras tradições.
(2) Corpo Etérico em outras tradições.
(3) Corpo Astral em outras tradições.
(4) Corpo Mental Concreto em outras tradições.
(5) Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano na tradição Rosacruz de Max Heindel. Atma, Budhi e Manas em outras tradições. Manas é chamado ainda de Corpo Mental Abstrato e também de Corpo Causal.
(6) Corpos Denso, Vital, Desejos e Mental. Em outras tradições: Corpos Físico, Etérico, Astral e Mental Concreto.
(7) Budhi em outras tradições.