quinta-feira, 11 de junho de 2026

A CURA É UMA FUNÇÃO DO AMOR


A psicologia dos budas, a visão psicológica do Oriente, não é nem análise nem síntese; é transcendência, é ir além da mente. Não é um trabalho que acontece dentro da mente, é o trabalho que leva você para fora da mente. Esse é exatamente o significado da palavra “êxtase” – sair de si.

Se você é capaz de ficar fora da sua própria mente, se é capaz de criar uma distância entre a sua mente e o ser, então deu o primeiro passo em direção à psicologia dos budas. Um milagre acontece: quando você está fora da mente, todos os problemas da mente desaparecem, porque a própria mente desaparece; ela deixa de ter controle sobre você. (...)

A psicologia dos budas corta as próprias raízes da árvore, responsáveis por todos os tipos de neurose, psicose, que deixam o ser humano fragmentado, o ser humano mecânico, o ser humano robotizado. (...)

A psicologia dos budas não funciona dentro da mente; não tem interesse em analisar ou sintetizar. Simplesmente ajuda você a sair da mente para dar uma olhada do lado de fora. E justamente esse olhar é uma transformação. No momento em que você consegue ver sua mente como um objeto, você se desapega dela, você se desidentifica; cria-se uma distância e as raízes são cortadas.

Por que as raízes são cortadas dessa maneira? Porque é você quem continua alimentando a mente. Se você se identifica, você alimenta a mente; se você não se identifica, pára de alimentá-la. Ela desaparece por conta própria. (...)

E isso acontece por si só, porque no momento em que se senta à margem da sua mente, você deixa de dar energia a ela. Isso é meditação de verdade. Meditação é a arte da transcendência. (...)

Fique mais consciente da sua mente. E, quando fizer isso, você perceberá o fato de que você não é a mente, e esse é o começo da revolução. Você começou a fluir cada vez mais alto. Você não está mais amarrado à mente. Ela funciona como uma pedra e mantém você embaixo. Mantém você dentro do campo de gravidade. No momento em que não está mais apegado à mente, você entra no campo búdico. Quando a gravidade perde o poder sobre você, você entra no campo búdico, e entrar no campo búdico significa entrar no mundo da "levitação". Você começa a flutuar, a subir.

A mente continua arrastando você para baixo. Portanto, não é uma questão de analisar ou sintetizar. É simplesmente uma questão de tomar consciência. (...)

A cura acontece quando você não está mais ligado à mente. Quando você está desconectado da mente, não identificado, absolutamente livre; quando a escravidão termina, a cura acontece.Transcendência é terapia de verdade, e não é apenas psicoterapia. Não é apenas um fenômeno limitado à sua psicologia, é muito mais que isso. É espiritual. Cura você no seu próprio ser. (...)

A propósito, por que você se tornou um doente mental? Porque aprendeu algo errado. Você aprendeu algo tão radicalmente errado que você é preso a isso. Você precisa de alguém que possa descondicionar você, que possa ajudá-lo a desaprender e a canalizar sua energia para um caminho diferente, isso é tudo. (...)

A sociedade continua sendo contraditória, incoerente, e continua ensinando a você coisas que são absolutamente erradas. Por isso a doença acontece; por isso surge o tumulto psíquico dentro de você, o conflito dentro de você. Então chega a um ponto em que tudo fica na maior desordem, de pernas para o ar. (...)

A cura é uma função do amor. O amor é a maior das terapias e o mundo precisa de terapeutas porque falta amor no mundo. Se as pessoas estivessem amando – se os pais tivessem amado, se professores tivessem amado, se a sociedade tivesse um clima amoroso – não haveria necessidade de terapia.

Todo mundo nasce para permanecer saudável e feliz. Todo mundo está buscando saúde e felicidade, mas em algum lugar algo está faltando e todo mundo fica infeliz. A infelicidade deveria ser uma exceção; tornou-se a regra. A felicidade devia ser a regra; tornou-se uma exceção. (...)


OSHO



Fonte: do livro "A verdadeira essência da iluminação"
Tradução: Denise de Carvalho Rocha
1ª ed., São Paulo/SP, Ed. Pensamento Cultrix, 2020.
Fonte da Gravura: https://www.pexels.com/pt-br/foto/adoraveis-suricatos-demonstram-afeicao-no-zoologico-29568986/

A CONTEMPLAÇÃO DA NATUREZA E ORAÇÃO SILENCIOSA


A ideia de Evágrio Pôntico (*) de aproximar-se de Deus através das Escrituras, da natureza e da oração pura foi um conceito fundamental para os Padres e Madres do Deserto.

Um dos sábios da época perguntou a Santo Antão: "Pai, como podes ser feliz quando és privado da consolação que a leitura dos livros traz?" Antão respondeu: "Meu amigo filósofo, meu livro é a natureza e todas as suas criaturas; e este livro está sempre diante de mim quando quero ler a palavra de Deus."

Encontramos este mesmo pensamento expresso no cristianismo celta: "Através das letras das Escrituras e de todas as espécies da criação, revela-se a luz eterna" (João Escoto Erígena, século IX). É uma experiência humana que transcende o tempo e o espaço. A contemplação da natureza ajuda-nos a deixar para trás os nossos pensamentos e imagens, que são o que obscurecem a Presença Divina. Tenho certeza de que muitos de vocês que estão lendo isto já tiveram uma experiência semelhante em algum momento, onde as fronteiras desaparecem, surge uma sensação de interconexão e admiração, um sentimento de "algo a mais" ao contemplar a natureza, como a beleza de um pôr do sol.

Essa mesma experiência também pode ser alcançada por meio da oração silenciosa, que pode ser obtida através de muitas formas de oração. Mas, para mim, é especialmente a meditação que permite que isso aconteça. A chave é se desapegar de pensamentos e imagens, até mesmo sobre Deus: "Quando estiver orando, não pense na Divindade como uma imagem formada dentro de você. Além disso, evite deixar que seu espírito seja impressionado pelo efeito de qualquer forma particular, mas, livre de toda matéria, aproxime-se do Ser incorpóreo, e você chegará a compreender essa eliminação gradual de todas as imagens e formas do eu e de Deus, o que lhe permitirá o contato direto com a Realidade Divina."

Os dois estágios da jornada espiritual aos quais Evágrio Pôntico se referiu, "praxis" e "theoria" — oração, a purificação dos impulsos do ego, e contemplação — caminham juntos. Não estamos falando de um processo linear; não se trata de se tornar um ser completo antes de alcançar a contemplação. É um processo de diferentes níveis de consciência que às vezes se sobrepõem e outras vezes se aprofundam. De fato, um nível de consciência súbito e profundo, uma "metanoia", uma mudança de rumo, uma nova maneira de ver a realidade, é frequentemente o início da jornada. Contudo, não devemos presumir que alcançaremos a Presença apenas por nossos próprios esforços, pois a graça desempenha um papel igualmente importante, como enfatiza Evágrio Pôntico:

"O Espírito Santo se compadece de nossa fraqueza e, embora sejamos impuros, muitas vezes vem nos visitar. Se Ele descobre que nosso espírito ora a Ele por amor à verdade, então Ele desce sobre ele e dissipa todo o exército de pensamentos e ideias que o assaltam. E Ele também o encoraja a se engajar na obra da oração espiritual."

Não precisamos ser perfeitos no início de nossa peregrinação em direção ao nosso verdadeiro Eu e ao Cristo que habita em nós. Tudo o que precisamos fazer é perseverar fielmente em nossa jornada de oração e estar abertos à mudança. Deixemos o medo de lado para que o amor possa tomar o seu lugar.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/panorama-arco-%C3%ADris-tropical-atol-7373484/


Nota:
(*) Evágrio do Ponto ou Evágrio Pôntico foi um escritor, asceta e monge cristão. Evágrio dirigiu-se ao Egito, a «Pátria dos Monges», a fim de ver a experiência desses homens no deserto, e acabou por se juntar a uma comunidade monástica do Baixo Egito. (Wikipédia)

terça-feira, 9 de junho de 2026

REALIZAR O SI MESMO


O senhor diz que se pode realizar o Si Mesmo através da busca por Ele. Qual é a natureza dessa busca?

Você é a mente, ou pensa que é a mente. A mente nada mais é do que pensamentos. Agora, por trás de cada pensamento particular, existe um pensamento geral, que é o "Eu", isto é, você mesmo. Vamos chamar esse "Eu" de primeiro pensamento. Apegue-se a esse pensamento "Eu" e questione-o para descobrir o que ele é. Quando essa pergunta se apodera de você, você não consegue pensar em outros pensamentos.

Quando faço isso e me apego ao meu Si Mesmo, isto é, ao pensamento "Eu", outros pensamentos vêm e vão, mas eu digo a mim mesmo "Quem sou eu?" e não há resposta. Estar nesse estado é a prática. É assim mesmo?

Esse é um erro que as pessoas costumam cometer. O que acontece quando você faz uma busca séria pelo Si Mesmo é que o pensamento "Eu" desaparece e algo mais das profundezas se apodera de você, e esse algo não é o "Eu" que iniciou a busca.

O que é esse "algo mais"?

É o verdadeiro Eu, o significado do "Eu". Não é o ego. É o próprio Ser Supremo.

Mas o senhor costuma dizer que é preciso rejeitar outros pensamentos ao iniciar a busca, mas os pensamentos são infinitos. Se um pensamento é rejeitado, outro surge e parece não haver fim algum.

Eu não digo que você deve continuar rejeitando pensamentos. Apegue-se a si mesmo, isto é, ao pensamento do "Eu". Quando seu interesse o mantém nessa única ideia, outros pensamentos serão automaticamente rejeitados e desaparecerão.

Então, a rejeição de pensamentos não é necessária?

Não. Pode ser necessária por um tempo ou por algum tempo. Você imagina que não há fim se continuar rejeitando cada pensamento à medida que ele surge. Não é verdade, há um fim. Se você estiver vigilante e fizer um esforço firme para rejeitar cada pensamento à medida que ele surge, logo descobrirá que está indo cada vez mais fundo em seu próprio eu interior. Nesse nível, não é necessário fazer esforço para rejeitar pensamentos.

Então é possível existir sem esforço, sem tensão?

Não só isso, como é impossível fazer esforço além de um certo limite.


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Arunachala Ashrama
Bhagavan Sri Ramana Maharshi Center
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/silhueta-mulher-medita%C3%A7%C3%A3o-interior-68716/

O RESULTADO DAS NOSSAS AÇÕES


Deus providenciou tudo para o bem-estar do ser humano no mundo. No entanto, há uma condição que deve ser observada: o resultado das ações praticadas será de acordo com a sua natureza, sejam elas boas ou más.

Atualmente, os seres humanos querem colher os frutos de boas ações sem realizá-las, o que é impossível; tampouco poderão escapar às consequências das suas más ações. Deus é apenas uma testemunha.

Portanto, a partir de agora, cultivem bons pensamentos, pratiquem boas ações e redimam a sua existência. O seu ponto de partida deve ser o Caminho da Ação ou Karma Marga, culminando no Caminho do Conhecimento ou Jñana Marga. Entre eles está o Caminho da Adoração ou Upasana Marga, que vocês devem seguir hoje. Para trilhá-lo, é preciso desenvolver a convicção de que Deus é onipresente. Quando tiverem essa convicção, vocês não se entregarão à falsidade nem praticarão o engodo; não ofenderão nem prejudicarão o próximo; adquirirão todas as virtudes. (Discurso Divino, 27 de fevereiro de 1995)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br

segunda-feira, 8 de junho de 2026

UM HÁBITO CURIOSO


Eu ouvi falar de um homem que tinha um hábito muito curioso: sempre que ele estava num bar, bebia vinho e deixava um gole no copo, que derramava ao redor dele, por cima das pessoas. Ele apanhou muitas vezes.

Então, o dono do bar sugeriu: “Por que você não vai a um psicanalista? Você precisa de terapia, porque já apanhou aqui e foi jogado para fora do bar, mas depois voltou e fez a mesma coisa. Algo deve estar errado. Você está obcecado com isso”.

O homem foi embora e três meses depois voltou. Ele estava parecendo melhor. O dono do bar perguntou: “Você foi ao psicanalista? Porque faz três meses que você não aparece...”.

O homem disse: “Sim, e isso me ajudou muito”.

“Você está curado?”, o proprietário perguntou.

Ele disse: “Perfeitamente curado”.

Mas então ele fez a mesma coisa novamente!

O proprietário disse: “Que tipo de terapia é essa? Você está fazendo a mesma coisa!”.

O homem disse: “Mas estou completamente mudado. Antes eu costumava fazer isso e me sentir culpado. Agora não sinto mais culpa nenhuma. O psicanalista me ajudou, me curou da culpa. Eu costumava ficar constrangido, agora não ligo mais para o que as pessoas pensam”.


OSHO




Fonte: do livro "A verdadeira essência da iluminação"
Tradução: Denise de Carvalho Rocha
1ª ed., São Paulo/SP, Ed. Pensamento Cultrix, 2020.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/feriados-ocasi%C3%B5es-comemoro-1314671/

SIM, HÁ INFERNO, DIABO E KARMA


Inferno, diabo e karma podem ser compreendidos como realidades ligadas tanto ao cosmos quanto à psicologia humana. O inferno representa estados profundos de sofrimento, mecanicidade e aprisionamento da consciência, que existem como dimensões da natureza e também como reflexos dos defeitos que carregamos dentro de nós.

O diabo, ou princípio luciférico, não aparece apenas como um inimigo externo, mas como a força da tentação e da prova, que coloca a consciência diante de seus próprios limites. Sem desafios e confrontos interiores, não haveria crescimento nem desenvolvimento das virtudes.

O karma é a lei universal de causa e efeito, responsável por restaurar o equilíbrio de tudo o que pensamos, sentimos e fazemos. Não se trata de punição arbitrária, mas de uma oportunidade de aprendizado, correção e amadurecimento da consciência.

Segundo essa visão, a libertação não acontece automaticamente pelo tempo, pelas crenças ou pela evolução natural. Ela exige uma transformação consciente, baseada na observação de si mesmo, na eliminação dos defeitos psicológicos e no uso correto das energias criadoras.

A verdadeira revolução interior ocorre quando deixamos de viver mecanicamente e assumimos responsabilidade por nossa vida, compreendendo que céu e inferno começam dentro de nós. Cada escolha fortalece a liberdade da consciência ou aprofunda o aprisionamento ao ego. Assim, inferno, diabo e karma deixam de ser apenas conceitos religiosos e tornam-se um chamado ao despertar, à responsabilidade e à transformação interior.


Escola Gnóstica



Fonte: https://escolagnostica.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/arte-diabo-dia-das-bruxas-inferno-1293869/

PENSAMENTOS SEMENTES


É importante distinguir entre consciência e pensamentos. Consciência é um estado de ser, do qual surgem os pensamentos. Os pensamentos são uma expressão e criação da consciência. O estado natural e original do ser é de paz e quietude. Observo meus pensamentos, indo além, porque sei que eu, o ser, sou maior do que eles.


Ser gentil e prestativo é o elo que me une à humanidade - quanto mais puras as minhas intenções, mais eficazes minhas ações. Eu me verifico: será que ajudo os outros com ressentimento ou com alegria? Ao remover os bloqueios ao amor dentro de mim, posso servir sem esperar nada em troca e ganhar a confiança para dizer "não" quando necessário.


Não importa o que aconteça na vida, protejo sempre a minha paz de espírito. Não permito que nada prejudicial ou negativo entre pela porta da minha mente. Recuso-me a lhe dar tempo ou atenção. Em vez disso elevo minhas vibrações conectando-me ao poder e à positividade Divina. Juntos, podemos superar qualquer coisa.


A aceitação das coisas como elas são - em nível pessoal ou coletivo - sem perder o foco é o ponto alto da espiritualidade. É necessário haver sabedoria, paciência, força interior e fé no poder do amor, para que todos os obstáculos sejam superados. A prática diária da aceitação, liberta-me de resistências internas. Cultivo a paz e experimento uma felicidade duradoura.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
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domingo, 7 de junho de 2026

A DOR COMO CAMINHO DE REGENERAÇÃO E PROGRESSO


Não olvidemos que as grandes tribulações trazem em seu bojo função transformadora e regeneradora. O homem, enquanto no corpo físico, não consegue perceber a função edificante da dor. Tudo o que vive neste mundo sofre e, no entanto, o amor é a lei do Universo. “A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho”. (1)

Discorrendo sobre a dor Leon Denis (1) ressalta que ela é uma lei de equilíbrio e educação, e que o sofrimento, em parte, é devido às violações das Leis Divinas pelo homem, contudo, como todos os seres passam por ele, deve ser considerado como necessidade de ordem geral e instrumento de progresso.

Kardec (2) também afirma que muitas vezes os sofrimentos independem de nós, mas grande parte deles são consequência da nossa vontade. Nossas escolhas, felizes ou infelizes, na experiência terrena, repercutem não só no momento em que as executamos, mas nas encarnações subsequentes, onde forçosamente recolheremos os seus resultados.

Não resta dúvida que é muito difícil compreender toda a significação do sofrimento e da dor e há que se fazer aqui a distinção entre a dor física, de natureza material, considerada um sinal de alarme, e a dor moral, permanente e profunda, que está presente na essência do ser. (3) “A dor física produz sensações; a dor moral produz sentimentos”, (1) mas ambas confundem-se no sensório íntimo, e acabam por ampliar a percepção do homem em relação à própria existência, extraindo-lhe as virtudes latentes.

No livro "Ação e reação", o instrutor Druso, destaca que “a dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão”, (4) apontando a dor-evolução, decorrente dos fatos naturais da vida; a dor-auxílio, empregada pelas autoridades superiores da Espiritualidade, com o objetivo de impedir a queda da criatura em desastres morais iminentes, e a dor-expiação, que vem de dentro para fora e marca a criatura na sua caminhada evolutiva, tendo como objetivo sua regeneração perante a Justiça Divina.

A dor exerce, portanto, ação misteriosa na consciência dos indivíduos, educando e aperfeiçoando o ser, fazendo-se presente tantas vezes quantas forem necessárias para a sua transformação moral. Através de diferentes processos agirá com eficácia desenvolvendo a sensibilidade, a delicadeza, a bondade, a ternura, a compaixão, a humildade e a indulgência, qualidades entre tantas, que o ser precisa adquirir.

A dor e o sofrimento cumprem, dessa forma, o papel de transformar e reconduzir a alma humana aos caminhos do bem, em harmonia com as Leis eternas. Estarão presentes em nossas vidas, ainda por muito tempo, até que aprendamos a viver de acordo com as Leis Divinas, até que transformemos nossos instintos grosseiros em sentimentos puros e elevados. E como nos ensina Leon Denis, “[…] por trás da dor, há alguém invisível que lhe dirige a ação e a regula segundo as necessidades de cada um, com uma arte, uma sabedoria infinitas, trabalhando por aumentar nossa beleza interior nunca acabada, sempre continuada, de luz em luz, de virtude em virtude, até que nos tenhamos convertidos em Espíritos celestes”. (1)


Dra. Márcia Regina Colasante Salgado



Fonte: AME BRASIL - Associação Médico Espírita do Brasil
https://amebrasil.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/garota-espinhos-medo-folhas-6281015/



Referências

1. Denis, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. Capítulo XXVI.

2. Kardec, Allan. O livro dos espíritos. Livro II. Capítulo VI. Questão 257.

3. Xavier, Francisco C., Emmanuel (Espírito). O Consolador. Questão 239.

4. Xavier, Francisco C., Luiz, André (Espírito). Ação e reação. Capítulo 19.




O REINO DOS CÉUS NÃO É UM LUGAR, MAS UMA EXPERIÊNCIA


Precisamos compreender que o Reino dos Céus não é um lugar, mas uma experiência. É difícil para nós apreendermos essa compreensão devido às projeções que nossa imaginação desencadeia quando oramos. Mas é vital. A educação que recebemos quando crianças sobre o céu como "um lugar para onde vamos depois de morrer" e sobre a oração como uma forma de "dizer a Deus o que queremos" teve uma influência enorme e duradoura em todos nós. Portanto, precisamos despertar para as limitações dessa educação, concebida precisamente para crianças. Muitas vezes, nossa maturidade espiritual fica aquém do nosso nível de desenvolvimento e crescimento em outras áreas.

A experiência da oração é a experiência das consequências libertadoras da transcendência. É a própria transcendência tornada real. Na oração, libertamos o amor de Cristo em nossos corações. Transcendemos todas as ilusões e imagens que distorcem ou limitam o seu amor. Encontramos e sentimos nossa própria liberdade, nossa libertação do desejo, do pecado e das ilusões. Somente nessa liberdade encontramos nossa semelhança divina e o amor de Cristo. Essa liberdade é o pré-requisito para sermos autênticos e vivermos em harmonia com o centro do ser, nossa fonte e nossa origem. Alcançamos o fundamento do ser através da transcendência para o outro. Seguindo esse movimento e guiados pelo Espírito, entramos na experiência de sermos plenamente autênticos dentro da mesma realidade aberta e fluida de Deus.


Fr. John Main, OSB



Fonte: Word Made Flesh. Silence and Stillness in Every Season, página 179.
WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/homem-silhueta-mar-oceano-cais-5619304/

sexta-feira, 5 de junho de 2026

DISCERNIMENTO (VIVEKA)


Muitas vezes tenho dito: para que se possa distinguir a Realidade dentro do irreal é preciso exercer viveka (discernimento).

Se um individuo não usa viveka, pode desviar-se do caminho, pode enganar-se com o que lhe parece ser o certo, e assim vem a perder seu tempo, suas energias e até a existência, buscando aquilo que apenas parece.

Para não chegar a comprar embustes, desenvolva e use discernimento (viveka). Jesus sugere: "Seja esperto como as serpentes."

Procure distinguir, com clareza, entre o que é temporário e o que é eterno, para que, esclarecido, busque o eterno; procure distinguir o que é meio e o que é fim, para que não venha a se desviar, empregando sua energia tentando acumular só os meios, transformando-os em objetivos da vida, negligenciando assim o fim. Para tanto, use viveka.

Meio é aquilo que possibilita a conquista do objetivo. O indivíduo que não exerce viveka, comete a imprudência de esforçar-se somente na busca dos meios, transformando-os em fins. Estes ficam esquecidos.

Viveka nos faz diferenciar o essencial, daquilo que não é, para que nossos esforços não se desperdicem na busca de objetivos ou valores menos significativos. Quando se procura o menos importante, o mais importante fica abandonado, no esquecimento.

Ora, a realização espiritual é o objetivo maior de nossas vidas. Existimos para isso. Não podemos portanto negligenciar tal objetivo.

A vitória na empreitada da vida depende de aplicarmos viveka sempre, em doses grandes, em nossas cotidianas opções.

Confundir aparência com Realidade nos arrasta à escravidão e à dor.

Tomar como Eterno o que é transitório nos aprisiona ao inquieto jogo dos opostos: sofrer e gozar; subir e descer; levantar e cair; ganhar e perder...

Aceitar e nutrir o estado de ilusão na existência nos priva da felicidade plena da Essência. Viveka, no entanto, desiludindo, nos liberta.

"Quem tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir" saiba que viveka é exatamente "olhos de ver e ouvidos de ouvir".


Prof. José Hermógenes


Fonte: do livro "O Essencial da Vida"
Ed. Record, 1989, Rio de Janeiro/RJ
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/universo-pessoa-silhueta-estrelas-1044107/

quinta-feira, 4 de junho de 2026

PARACELSO - ESTUPOR E A IMPORTÂNCIA DO REPOUSO


Estupor (*) e a importância do repouso

Para a renovação das forças vitais, períodos de repouso absoluto são de grande importância. Em repouso absoluto, a pessoa está em outros mundos, e se fosse possível interrogá-la cuidadosamente, ela revelaria muitas coisas interessantes.

A cultura popular preserva histórias sobre "belas adormecidas" e "cavaleiros" que permanecem em estado de suspensão dos sinais vitais. A sabedoria popular considera isso como uma condição especial que é seguida por energia renovada e até mesmo heroísmo.

É uma pena que muitos aspectos desses períodos de repouso e da condição de uma pessoa durante períodos de repouso sejam raramente estudados.

O estupor é um desses períodos de repouso, que não deve ser confundido com desmaio. Desmaio é uma sonolência inconsciente. O estupor não exclui necessariamente a consciência. A causa do estupor é muito sutil. Nenhuma influência externa pode causar estupor, enquanto que, em estado de estupor, uma pessoa pode ser curada dos estágios iniciais de qualquer doença que a aflija.

É incorreto considerar o estupor uma doença, pois é uma condição aceitável do corpo e da mente. É um erro despertar uma pessoa em estado de estupor. Em estado de estupor, a psique de uma pessoa passa por certos reajustes. Interromper uma pessoa em estado de estupor é ignorância. Interrogar e importuná-la com perguntas desajeitadas pode perturbar sua reorganização. Deve-se entender que uma pessoa está se refinando através do estupor.

É muito necessário que a ciência médica realize um estudo mais aprofundado da condição cerebral de pessoas em estado de estupor. Observar as ondas cerebrais de uma pessoa que está em choque, desmaiando ou em estupor pode revelar diferentes estados de energia psíquica. Também pode fornecer pistas sobre a morte.


Baseado em "Paracelso – Saúde e Cura" ("Paracelsus – Health and Healing")


Fonte: Circular de Vaisakh 1, Ciclo 29
World Teacher Trust España
wttes.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-com-sono-cama-garota-pessoa-6093239/


Nota:
(*) Estupor é um estado de forte diminuição da consciência ou da atividade física, no qual a pessoa não reage completamente ao ambiente. Pode referir-se a uma condição médica (um estado de quase inconsciência) ou ser usado figuradamente para descrever um choque ou surpresa profunda. (IA)

A RELAÇÃO ENTRE O SONO E A SAÚDE MENTAL

A relação entre o sono e a saúde mental: por que dormir bem protege a mente?

Durante muito tempo, o sono foi visto apenas como um período de descanso físico. No entanto, a ciência contemporânea demonstra que ele exerce um papel fundamental na regulação emocional, no equilíbrio psicológico e na prevenção de transtornos mentais.

Pesquisas em psiquiatria e neurociência mostram que o sono influencia diretamente o funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pelo controle emocional, tomada de decisões e resposta ao estresse. Quando o sono é insuficiente ou de má qualidade, essas áreas tornam-se menos eficientes, aumentando a vulnerabilidade a estados de ansiedade, irritabilidade e humor deprimido.

Estudos longitudinais indicam que distúrbios do sono frequentemente antecedem o desenvolvimento de transtornos mentais, como depressão e transtornos de ansiedade. Isso sugere que o sono não é apenas um sintoma dessas condições, mas um fator ativo em sua origem e manutenção.

Durante o sono, especialmente nas fases profundas e no sono REM, o cérebro realiza processos essenciais de consolidação da memória e processamento emocional. Experiências vividas ao longo do dia são reorganizadas, emoções são integradas e o sistema nervoso recupera seu equilíbrio. Quando esse processo é interrompido, ocorre maior dificuldade em lidar com emoções negativas e situações estressantes.

Além disso, a privação de sono aumenta a liberação de hormônios do estresse e reduz a capacidade de regulação emocional, tornando a pessoa mais reativa e menos resiliente. Por outro lado, intervenções que melhoram a qualidade do sono estão associadas à redução significativa de sintomas depressivos e ansiosos, reforçando seu papel terapêutico.

Cuidar do sono envolve regularidade de horários, ambiente adequado, atenção aos estímulos noturnos e respeito aos limites do corpo. Essas práticas simples podem ter impacto profundo na saúde mental, funcionando como estratégia preventiva e complementar ao cuidado psicológico. Nesse sentido, a ciência é clara ao demonstrar que sono e saúde mental estão profundamente interligados.

Dormir bem não é luxo, mas uma necessidade biológica que sustenta o equilíbrio emocional, a clareza mental e a resiliência psicológica. Investir na qualidade do sono é, portanto, uma das formas mais eficazes e acessíveis de proteger a saúde mental ao longo da vida.



Fonte: AME BRASIL - Associação Médico Espírita do Brasil
https://amebrasil.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/sono-fadiga-esgotamento-resto-2035383/


Referências bibliográficas:

Harvey, A. G. (2008). Insomnia, psychiatric disorders, and the transdiagnostic perspective. Current Directions in Psychological Science.

Baglioni, C. et al. (2011). Insomnia as a predictor of depression: A meta-analytic evaluation. Journal of Affective Disorders.

Walker, M. P. (2017). Sleep, memory and emotion. Nature Reviews Neuroscience.

Goldstein, A. N.; Walker, M. P. (2014). The role of sleep in emotional brain function. Annual Review of Clinical Psychology.

Palagini, L. et al. (2019). Sleep loss and mental disorders: A meta-analysis. Sleep Medicine Reviews.

Alvaro, P. K. et al. (2013). Sleep disturbance and mental health. Sleep Medicine.

WHO (2022). Sleep and mental health. World Health Organization.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

3º TRABALHO DE HÉRCULES - OS POMOS DE OURO DE HESPÉRIDES - SIGNO DE GÊMEOS


"Os Pomos de Ouro de Hespérides"
Significado: o conhecimento de si mesmo.


Hércules iniciou sua jornada em busca das maçãs (pomos) de ouro das Hespérides, que cresciam em uma árvore sagrada protegida por um dragão de cem cabeças e cuidada por três donzelas.

No início, ele estava repleto de autoconfiança e segurança em sua própria força, mas enfrentou grandes dificuldades para localizar o objetivo, vagando sem rumo e frequentemente retornando sobre seus próprios passos. Essa fase inicial de busca incerta representa o período de anseio místico e aspiração que precede a ação real no plano físico.

Durante sua busca, o herói enfrentou a serpente Anteu, a quem só conseguiu derrotar ao erguê-la do chão, privando-a de sua força. Mais tarde, ele caiu na armadilha de Busiris, um arqui-enganador que o manteve preso a um altar por um ano através de falsas promessas de sabedoria. Hércules só recuperou sua liberdade quando recordou que a verdadeira verdade e o poder divino residem em seu próprio interior, permitindo-lhe romper as amarras da ilusão.

Após aprender com seus fracassos, Hércules finalmente avistou seu objetivo em uma montanha distante. No entanto, ao chegar, encontrou o gigante Atlas curvado e agonizante sob o peso do mundo. Em um gesto de profunda compaixão, Hércules esqueceu sua própria busca e as maçãs de ouro para aliviar o sofrimento de seu irmão, assumindo o imenso fardo sobre seus próprios ombros. Ao assumir a carga de Atlas, Hércules foi recompensado pelo gigante e pelas donzelas com as maçãs de ouro, marcando o fim vitorioso de sua busca. Ele compreendeu que o caminho que leva à sabedoria é pavimentado por atos de amor e que o serviço é a chave fundamental para a realização espiritual.

Ao retornar, seu Mestre confirmou que a lição essencial para acelerar o sucesso na senda escolhida é, acima de tudo, aprender a servir.

Esotericamente, este trabalho simboliza o esforço do aspirante para unificar alma e corpo, transmutando o conhecimento em sabedoria no plano físico. O desafio exige que o aspirante se torne um homem de ação, aplicando o que aprendeu sob a luz da sabedoria para resolver os problemas da vida. Assim, a dualidade humana é superada através do serviço sagrado, transformando o mecanismo de contato humano em um instrumento de expressão divina.

Em síntese, este texto descreve a jornada simbólica de Hércules em busca das maçãs de ouro do Jardim das Hespérides, representando a transição do conhecimento para a sabedoria espiritual. Durante sua trajetória, o herói enfrenta obstáculos como a força bruta, as falsas doutrinas e o desânimo, aprendendo que a verdadeira iluminação não é encontrada pela violência, mas pela introspecção. O ápice do relato ocorre quando ele decide ajudar Atlas a carregar o peso do mundo, revelando que o serviço altruísta é a chave fundamental para o sucesso espiritual.

Este trabalho de Hércules é associado ao signo de Gêmeos, enfatizando a necessidade de unificar a alma e o corpo através de ações concretas no plano físico. Alma e corpo: a dualidade do signo.

A narrativa ensina que o progresso interior exige a transformação de aspirações místicas em atos de amor e dedicação ao próximo.


Prof. Hermes Edgar M. Jr.


Texto baseado nas seguintes fontes:

- "Os Trabalhos de Hércules", Alice Bailey
- "Signos, Zodíaco e Meditação", Louise Huber
- "Hora de Crescer Interiormente - O Mito de Hércules Hoje", Trigueirinho
- "Os Doze Trabalhos de Hércules", Sociedade das Ciências Antigas
- "Sinfonia do Zodíaco", Torkom Saraydarian

Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/h%C3%A9rcules-atlas-mundo-grego-6224008/

segunda-feira, 1 de junho de 2026

MEDITAÇÃO - ASPECTOS PSICOLÓGICO E FISIOLÓGICO


O que acontece realmente ao aspirante, sob o ponto de vista psicológico e fisiológico, durante a meditação?

A resposta é: muita coisa.

Falando psicologicamente, a mente torna-se controlada e fica sob o domínio da alma; ao mesmo tempo, as faculdades mentais ordinárias não estão anuladas. Podem ser empregadas mais facilmente e a mente fica mais aguçada do que nunca. Há uma capacidade de pensar com clareza. O aspirante descobre que além de ser capaz de gravar as impressões do mundo fenomenal, ele é também capaz de registrar as do mundo espiritual. Ele é mental em duas direções e a sua mente torna-se um agente de coesão e de unificação. Por sua vez, a natureza emocional está controlada pela mente e pacificada e não perturbada e, portanto, não apresenta qualquer obstáculo ao afluxo de conhecimento espiritual ao cérebro.

Quando estes dois efeitos se tenham produzido, mudanças ocorrem no mecanismo do pensamento e na consciência cerebral humana - assim nos dizem os conhecedores orientais e assim a evidência parece indicar. Os pensadores orientais adiantados situam as faculdades mentais superiores e a sede da intuição no cérebro superior e as faculdades mentais inferiores assim como as reações emocionais mais elevadas, no cérebro inferior. Isto acompanha os ensinamentos orientais de que a alma (com o conhecimento superior e a faculdade de percepção intuitiva) tem sua sede num centro de força situado na região da glândula pineal, enquanto que a personalidade tem a sua sede num centro de força situado na região do corpo pituitário.

Os cinco sentidos encontram-se firmemente sintetizados pelo sexto sentido, a mente. Este é o fator de coordenação. Mais tarde compreende-se que a alma tem uma função análoga. A personalidade tripla é assim levada a uma linha de comunicação direta com a alma e, por conseguinte, com o tempo, o homem perde a consciência das limitações da natureza corporal e o cérebro pode ser, por intermédio da mente, diretamente impressionado pela alma. A consciência cerebral é mantida numa condição de expectativa positiva, com todas as suas reações ao mundo fenomenal totalmente suspensas, se bem que de modo temporário.


Alice Ann Bailey



Fonte: "Do Intelecto à Intuição"
FCA - Fundação Cultural Avatar - Niteroi, RJ
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista - Porto Alegre, RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/budismo-t%C3%AAmpora-china-xangai-3611688/

QUAIS SÃO OS NOSSOS "DEMÔNIOS" ?


Das duas etapas da jornada espiritual descritas por Evágrio Pôntico, “teoria” e “praxis”, focaremos na última. Não devemos esquecer que nosso crescimento espiritual depende tanto da graça quanto do esforço pessoal. A graça era fundamental para Evágrio, mas ele também considerava o esforço muito importante.

Em seus ensinamentos, que devem ser vistos dentro do contexto da época, no século IV, quando as crenças sobre forças angélicas e demoníacas estavam profundamente enraizadas, o esforço necessário para percorrer o caminho espiritual consistia precisamente em lutar contra esses “demônios”.

Acreditava-se que eles agiam contra os esforços da humanidade e estavam determinados a impedir nossa libertação: "Quando os demônios percebem que você está sendo fervoroso em sua oração, eles trazem pensamentos à sua mente, fazendo você acreditar que são preocupações urgentes que exigem sua atenção. E, de fato, quando você lhes dá atenção, interrompe sua oração. Mas não estamos sozinhos nessa luta: a graça de Deus e os anjos estão presentes para ajudar os seres humanos e, por meio do discernimento, mostrar-lhes o verdadeiro significado da vida: Se você orar em verdade, encontrará um profundo senso de confiança. Então os anjos caminharão com você e o iluminarão para que você possa descobrir o verdadeiro significado de toda a criação."

A primeira frase de Evágrio mostra claramente como os "demônios" se manifestam: através dos pensamentos. Podemos dar-lhes outro nome: "a sombra", como o psiquiatra Carl Gustav Jung a chamou. São apenas nomes. No entanto, estamos falando das mesmas forças negativas em nosso inconsciente pessoal, impulsos do ego que surgem do nosso medo de sobreviver. Eles moldam nossos pensamentos, influenciam nossas emoções e determinam nossas ações.

(...) nascemos como seres humanos frágeis com certas necessidades inatas que garantem nossa sobrevivência: segurança, amor, estima, poder, controle e prazer. Essas são necessidades valiosas que Deus nos deu e que nos permitem sobreviver no ambiente que Ele criou para nós.

Inevitavelmente, algumas dessas necessidades, e em certos casos a maioria delas, não são adequadamente atendidas por nossos pais ou cuidadores, de acordo com nossas percepções infantis dos acontecimentos. Essa percepção de necessidades não atendidas se torna uma ferida interna que eventualmente se transforma em uma verdadeira força "demoníaca", influenciando inconscientemente nosso comportamento e toda a nossa vida. Não falamos mais de uma "guerra contra demônios", mas ainda é importante entendermos e reconhecermos quais são os nossos próprios "demônios". Como esse pode ser um processo doloroso, é fácil entender por que antes era considerado uma "luta".

Quando crianças, não conseguíamos suprir essas necessidades essenciais sozinhos; dependíamos dos outros para isso. E isso pode se tornar um hábito, levando-nos a buscar a satisfação dessas necessidades, especialmente as não atendidas, fora de nós mesmos. Como adultos, somos perfeitamente capazes de sobreviver por nossos próprios méritos, desde que, é claro, não tenhamos limitações físicas ou mentais. No entanto, ainda buscamos satisfazer essas necessidades de sobrevivência fora de nós mesmos. O que esquecemos é que é o ego que impulsiona a sobrevivência; é o ego que está ferido. Não é o nosso verdadeiro Eu. Quando nos tornamos conscientes do nosso verdadeiro Eu através da oração ou da meditação, também descobrimos que somos amados, que nos sentimos seguros e valorizados, que não estamos feridos. Essa compreensão, por sua vez, cura o ego ferido e nos faz sentir íntegros e "plenamente vivos", como nos ensinam as palavras de Jesus.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/fumo-dan%C3%A7a-escuro-luz-silhuette-1979380/

domingo, 31 de maio de 2026

LUA CHEIA DE GEMINIS - FESTIVAL DA HUMANIDADE


LUA CHEIA DE GEMINIS


3º TRABALHO DE HÉRCULES

FESTIVAL DA HUMANIDADE

FESTIVAL DA BOA VONTADE E DAS RELAÇÕES HUMANAS ADEQUADAS

DIA DA GRANDE INVOCAÇÃO

Lema: "Reconheço meu outro eu, e à medida que esse eu diminui, eu cresço e brilho."

Tipo de energia: proporção

Função: ligação, fornece o terceiro fator.



É um festival de profunda invocação e aspiração que une a obra dos dois grandes seres, Buda e Cristo.

O poder contido nas duas festas precedentes (Páscoa/Pessach e Wesak) é agora expandida para toda a humanidade.

Nela, a natureza espiritual e divina da humanidade é reconhecida e celebra-se o dia da Grande Invocação.

Toda a energia recebida no último Festival de Wesak chega agora à humanidade neste dia glorioso do Festival da Humanidade e Boa Vontade.


A Grande Invocação:

Do ponto de Luz na Mente de Deus
Que flua luz às mentes dos Homens,
Que a luz desça à Terra.

Do ponto de Amor no Coração de Deus
Que flua amor aos corações dos homens,
Que "Aquele" (*) que vem retorne à Terra.

Do centro onde a Vontade de Deus é conhecida,
Que o propósito guie as pequenas vontades dos homens,
Propósito que os Mestres conhecem e servem.

Do centro a que chamamos raça dos homens,
Que se realize o Plano de Amor e de Luz
E se feche a porta onde se encontra o mal.

Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam
O Plano Divino sobre a Terra.


Na “Grande Invocação”, o Cristo é invocado como Ele é conhecido pela Hierarquia. A Invocação não foi somente direcionada para membros de várias religiões, mas também para pessoas sem ligações com religião. O uso do nome Cristo, como aparece na Invocação não é uma limitação da compreensão espiritual, mas uma expansão.

A Grande Invocação é essencialmente um oração que sintetiza os mais elevados desejos, aspirações e apelos espirituais da própria alma da humanidade, e deve ser usada com esse propósito em mente.

A Grande Invocação é essencialmente o próprio mantra de Cristo e seu som abrangeu todo o mundo através de sua enunciação por Cristo e através de seu uso pela Hierarquia. Cada discípulo deveria fazer da sua divulgação bem como de seu uso diário um dever e uma obrigação, pois ela pode ser usada com profunda eficácia. A contribuição mais importante de todas é a preparação do caminho de Cristo para ensinar a humanidade a usar a grande Invocação, de modo que ela se torne uma prece mundial que focaliza o apelo invocativo da humanidade.

Quando a palavra “homens” é usada refere-se a todos os seres sencientes. A raça dos homens inclui todos os que são sensitivos para impressões de níveis tanto “acima” como “abaixo” do nível humano. À medida que a humanidade se acostuma a invocar a impressão da Hierarquia, as civilizações e culturas criadas pelo homem se juntarão progressivamente ao Pano Divino. Aqui novamente emerge outra razão para a importância do “centro a que chamamos a raça dos homens” e uma indicação da crise da humanidade, pois o homem está agora no ponto em que o intelecto está sendo tão fortemente despertado que nada pode impedir seu progresso no conhecimento, que poderia ser usado perigosamente ou aplicado egoisticamente se nada fosse feito para salvaguarda-lo. Os homens devem ser ensinados a responder a valores espirituais mais elevados ou o estágio crescente de integração de muitos milhões de seres humanos será simplesmente direcionado, mais efetivamente, para propósitos egoístas e materialistas.

A manifestação – mente, emoção e cérebro – deve corresponder a amor, sabedoria e propósito direto.

A Grande Invocação fornece, como resultado de seu uso correto, um fluxo espiritual diretamente no próprio coração da humanidade, provindo das fontes mais elevadas.  Recebendo a Grande Invocação, com seu uso e divulgação, a humanidade está participando de um evento cósmico de tremenda importância.


Nota:
(*) Muitas religiões acreditam num Mestre do Mundo ou Salvador, conhecendo-o sob diversos nomes como o Cristo, Lord Maitreya, Imam Mahdi, Bodhisattva e Messias e esses termos são usados em algumas das versões cristãs, hindus, budistas e judias da Grande Invocação.



Fonte: Escola Arcana - Boa Vontade Mundial - Triângulos - Alice A. Bailey
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-signo-do-zod%C3%ADaco-signos-8659809/

MENSAGEM DO MÊS DE GÊMEOS


O glifo (1) de Gêmeos é um par de pessoas. Na verdade, é um par de opostos, um homem e uma mulher.

Gêmeos representa o contraste. Pode diferenciar, pode discernir, não pode comparar, não pode sintetizar. Permanece um intelecto com dois hemisférios cerebrais, esquerdo e direito, “homem e mulher”, que funcionam em paralelo dentro dele.

Para uma mente geminiana, a resposta é um sagitariano, que pode disparar (a flecha de Sagitário) entre os dois (opostos) e mostrar o caminho.

O juiz em Sagitário permite soluções essenciais para o intelecto geminiano. Caso contrário, Gêmeos permanece solitário em um intelecto que sempre enxerga os contrastes.

Os dois pilares mostram somente o contraste para o homem comum. O discípulo precisa se concentrar no espaço entre o dois pilares para sintetizar e compreender. Quando isso acontece atinge os níveis da intuição.

Toda a humanidade está dividida em materialistas e espiritualistas. São as duas linhas paralelas desde os tempos mais antigos. É um contraste para ambos. Só um iogue, um aspirante ou discípulo espiritual conhece o ponto de encontro entre a matéria e espírito. Só estes podem compreender o processo de expansão entre os paralelos através dos sete planos de existência.

O nervo vago esquerdo e o nervo vago direito representam os dois pilares, enquanto o nervo central Sushumna (2) representa o equilíbrio perfeito.

O glifo transmite uma mensagem que o aluno deve aprender: não veja não apenas os dois pilares, mas também o espaço entre eles. Ao fazer isso, atravessa-se o limiar.

Pitágoras atravessou o limiar e descobriu o contraste como complementar. Isso é sabedoria.


Notas:
1- símbolo gráfico ou representação visual de um caractere.
2- nervo vago esquerdo e direito: "ida" e "pingala" entrecruzando-se nos lados da coluna vertebral, e"sushumna" o nervo ou canal central da coluna vertebral.



Fonte: CARTA CIRCULAR DE VAISAKH
Carta nº 2 / Ciclo 24 – de 22 de maio a 22 de junho de 2010
The World Teacher Trust Espanha
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/signo-g%C3%AAmeos-hor%C3%B3scopo-projeto-4374407/