segunda-feira, 13 de julho de 2026

O QUE REENCARNA


A reencarnação implica a formação de novo personagem em face da mudança de realidade que o Espírito enfrenta e forja. A cada reencarnação um novo personagem surge, sem prejuízo à individualidade do Espírito. O personagem morre quando o Espírito inicia nova experiência na dimensão seguinte, independentemente de ele conservar a memória das imagens referentes à sua identidade anterior. A morte do corpo físico sela a morte do personagem de cada encarnação, mesmo que a consciência continue assumindo a identidade imediatamente precedente à desencarnação. A conservação da identidade, ou representação conhecida de si mesmo, já não mais permitirá que o Espírito exerça sua cidadania em face da mudança de dimensão, por força da desencarnação ou da reencarnação. Trata-se de mecanismo cujo resultado é a existência de um espectro de personagens abrigados no perispírito do Espírito que lhe trazem uma maior compreensão a respeito da natureza humana e de Deus.

A reencarnação ainda é tida como o processo de retorno da atual personalidade a um novo corpo físico. Esta compreensão dificulta o entendimento preciso do que de fato ocorre. Impõe-se uma compreensão mais específica da reencarnação com a percepção do que reencarna, sobretudo o entendimento da relação do Espírito com seu personagem, sem o que se torna difícil perceber a natureza espiritual do ser humano e do que é ser imortal. A personalidade atual não é a anterior reencarnada. O Espírito que constituiu a personalidade anterior, da mesma forma que construiu a nova, é que reencarna. São duas distintas personalidades de um mesmo Espírito, que, por sua vez, possui muitas outras gravadas em sua memória. A mudança de personalidade, com características muito diferentes uma da outra, não implica alteração da individualidade. Mudanças biológicas, psicológicas e culturais não interferem na individualidade do Espírito.

A reencarnação é uma crença antiga, presente em muitas culturas, sobretudo no subcontinente indiano. Baseada na ideia de que a vida no corpo físico é uma punição para o ser espiritual, teve seu significado associado à ideia de causalidade, sendo justificada pela necessidade de aperfeiçoamento moral, mediante a aquisição de virtudes para que não mais a ela se submetesse. Com novos e recentes estudos científicos a respeito da reencarnação, fora do contexto religioso, sobretudo com relatos de crianças que se lembraram de suas vidas passadas, verificou-se que se trata de um fenômeno natural, não punitivo, mas educativo, que faz parte do fluxo natural da evolução de todo Espírito. Mais ainda, que a personalidade atual, mesmo guardando alguns traços da anterior, apresenta características que, ao menos aparentemente, sugere ser outra pessoa. Trata-se, porém, do mesmo ser humano, Espírito que retornou em outra roupagem, portanto, outro personagem.

A encarnação é processo obrigatório para a evolução dos Espíritos no nível de desenvolvimento em que se encontram aqui na Terra. Não é punição, não é descida nem involução, mas tão somente meio contínuo de conexão com um tipo de vibração denominada de material, para a integração de habilidades. Graças à encarnação, o Espírito formou um ego que lhe deu consciência de si como individualidade. A reencarnação possibilita a vivência de inúmeros personagens, que também, entre outros ganhos, permite ao Espírito a percepção das distintas faces de Deus.

Personagem, em uma concepção simples e fora do domínio religioso ou desconsiderando a imortalidade e a reencarnação, significa pessoa, ser humano, indivíduo no mundo, personalidade autônoma, representação de uma unidade humana. Quando se considera a imortalidade e a reencarnação, entende-se melhor que se trata da manifestação concreta do Espírito que, ao reencarnar ou ao desencarnar, constrói um determinado personagem. O Espírito, portanto, é considerado o senhor que conduz o personagem, ora identificando-se com ele, ora tentando guiá-lo para o atendimento de seus propósitos. Não se trata de uma dissociação psicológica, mas da percepção de si mesmo sob diferentes ângulos, visando educar a exteriorização do Espírito da forma adequada aos seus propósitos e de acordo com o meio em que se manifesta. Esta percepção permite um diálogo entre o Espírito e seu personagem para adequação de rumos, firmação de propósitos e para uma melhor compreensão dos aspectos sombrios da personalidade resultante.

O personagem formado pela nova reencarnação guarda, no perispírito que lhe presidiu a construção do novo corpo físico, a memória das experiências vividas anteriormente. Este novo personagem apresenta as tendências do Espírito, acumula a resultante das experiências que acontecerão na nova existência em um corpo, recebe as alterações oriundas das influências hereditárias que merece portar e é também influenciado pela educação doméstica e pelas contingências inerentes ao meio e à época. Todas estas características reunidas compõem a nova personalidade que apresenta, dando continuidade a sua evolução.

As memórias das experiências dos personagens anteriores vividos pelo Espírito influenciam a personalidade construída na nova encarnação, apresentando-se no formato de tendências, podendo, ou não, ter prevalência sobre a educação que recebe e as decisões que tome a respeito de suas novas condutas. Estas tendências podem influenciar em escolhas de profissão, de acasalamento, de religião, de local de moradia, portanto, em todo tipo de preferência e de decisão do Espírito. Os personagens anteriores vivem dentro do atual, tornando-o um ser alquímico e complexo com características que se misturam, formando o que conhecemos como sendo a natureza humana.

A opção consciente, fruto da cultura e da ignorância humana sobre si mesmo, de pensar e agir tendo como referência sua existência física, dificulta a compreensão de que se trata, ele mesmo, de uma representação possível, na dimensão em que se situa, de algo mais complexo, precedente e anterior, que lhe dá causa: o Espírito imortal. Sua percepção deveria ser de si mesmo como Espírito, utilizando um corpo, que construiu um personagem que momentaneamente o cooptou. Enquanto dure esta cooptação, reduz sua percepção de si mesmo, invertendo o olhar, colocando-se em busca de algo transcendente, acreditando que é ele mesmo, o ser limitado, o ego do personagem que criou, que deve se tornar divinizado. Quando amadurecer e tomar consciência plena de sua imortalidade, entenderá que sua essência é divina e tudo quanto considere ser a realidade está disponível para que se realize, moldando o Universo a seu favor.

A visão de si mesmo como pessoa finita encerrada em um corpo físico que delimita sua existência, submetida a uma realidade distanciada de sua natureza e contrária a ela, dificulta a percepção de que há um Espírito e de que é ele que deve manejar seu personagem. O entendimento de que se é uma pessoa finita e de que a realidade é algo externo, absoluto, em que está imerso, posta para que interaja e dela venha a extrair, nas experiências de contato, o necessário aprendizado, dificulta a compreensão de que, sendo Espírito, existe algo mais complexo a ser percebido e de que ela é completamente flexível ao seu pensamento. A realidade não é absoluta, nem tampouco, por ser material, se opõe ao Espírito, pois se trata de algo moldável e que se presta a ser a representação de todos os processos psíquicos internos do ser humano. A realidade deve ser compreendida como representação de tudo quanto existe na intimidade da mente humana, tendo sua contribuição como agente de transformação para se apresentar como é percebida. Não se trata de uma ilusão, pois não é possível existir sem representar-se, projetando-se em suas nuances.

O indivíduo tem que entender que a cooptação deve se inverter. O ego do personagem deve dar lugar ao ego do Espírito e a dimensão material ser olhada como uma experiência em que se formatiza uma representação limitada de um ser mais complexo, mais maduro e com mais habilidades. É preciso o personagem perceber a si mesmo e simultaneamente o Espírito que o constitui, o que não é simples nem se obtém por uma crença ou decisão instantânea e improvisada. É trabalho de desconstrução de conceitos e crenças em paralelo à construção de uma relação saudável entre ego do personagem e ego do Espírito. Torna-se possível com a consciência da imortalidade, com o entendimento de que a personalidade atual vai morrer quando deixar esta dimensão, com a ausência de medo ou receio do futuro, com a eliminação de culpas, com a disposição permanente de enfrentar os desafios da vida e com a leveza de ter uma suave relação com Deus.

Viver tão somente a vida do personagem, desprezando a riqueza de uma existência fundamentada na própria imortalidade, é um grande desperdício, com atraso na evolução e com distanciamento de seus afetos. A vida de um personagem com as experiências que vivencia é o meio para que o Espírito conquiste a integração de importantes habilidades evolutivas, que o capacitam a alcançar dimensões cada vez mais complexas e superiores. A dimensão material é tão somente uma das muitas em que o Espírito penetra e se estabelece, por um breve período, em sua jornada ascensional. Quando apreende tudo que é possível em uma dimensão, estabelece-se em outra mais evoluída, vislumbrando outra superior.

Cada personagem é uma face do Espírito, útil para que interaja com o mundo em que pretende aprender. É uma espécie de ferramenta que utiliza para se mostrar e para apreender, da realidade em que se situa, o máximo e o melhor para a compreensão de si mesmo. A integração de ambos deve dar primazia ao Espírito, sem prejuízo da importância do personagem no mundo físico. Espírito e seu personagem compõem mais uma das maravilhas do Criador, que sempre apresenta nuances inimagináveis àqueles que O veem como um salvador mágico e pronto para atender as rogativas pueris humanas.


Adenauer Novaes



Fonte: do livro "O Voo do Espírito"
Fundação Lar Harmonia
Salvador – Bahia
distribuidora@larharmonia.org.br
www.larharmonia.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/al%C3%A9m-vida-ap%C3%B3s-a-morte-1161899/

OS DOIS POLOS DO AMOR CRÍSTICO


O amor Crístico é uma força ativa em nós; uma força que irrompe pelas paredes que nos separam dos nossos semelhantes, que nos une aos outros; o amor Crístico nos leva a superar o sentimento de isolamento e de separação nos permitindo, porém, ser nós mesmos e retermos a nossa integridade. No amor Crístico, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.

Ao dizermos que o amor Crístico é uma atividade, enfrentamos uma dificuldade que reside na significação ambígua desta palavra. Por “atividade”, no emprego moderno do termo, queremos, normalmente, nos referir a uma ação que produz mudança numa situação existente, por meio de gasto de energia. Assim, somos considerados em atividade quando fazemos negócios, estudamos, trabalhamos ou nos dedicamos a esportes. Todas estas atividades têm isto em comum; dirigem-se para um alvo exterior a ser alcançado. O que não se leva em conta é a motivação da atividade.

Vejamos, por exemplo, uma pessoa impelida a incessante trabalho por um sentimento de profunda insegurança e solidão; ou por outra, impulsionada pela ambição ou pela avidez por dinheiro. Em todos esses casos a pessoa é escrava de uma paixão, e sua atividade é de fato uma “passividade” porque ela é impelida; é a paciente e não o “sujeito”.

De outro lado, uma pessoa que se assente calma e contemplativa sem outro alvo que não o de se experimentar e a sua unidade com o mundo, é considerada como “passiva”, porque não está “fazendo” coisa alguma.

No entanto, esta atitude de meditação concentrada é a mais alta atividade que existe, uma atividade da alma; só possível sob condições de independência e liberdade interiores.

Um conceito moderno de atividade se refere ao uso de energia para consecução de metas externas, o outro conceito também moderno de atividade se refere ao uso dos poderes inerentes em nós, sem que importe a produção de qualquer mudança exterior. Note aqui os afetos ativos e passivos, “ações” e “disposições”. No exercício de um afeto ativo, somos livres, somos “senhores” do nosso afeto; no exercício de um afeto passivo, somos impelidos, e objetos de motivações de que nós próprios não temos consciência. Assim, virtude e poder são uma só e a mesma coisa. A inveja, o ciúme, a ambição, qualquer espécie de cobiça são paixões, criadas por nós quando usamos materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo (Astral *). Já o amor Crístico é uma ação, a uma prática nossa, que pode ser exercida com liberdade e nunca como resultado de uma compulsão!

O amor Crístico é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral o caráter ativo do amor Crístico pode ser descrito afirmando-se que o amor Crístico, antes de tudo, consiste em “dar, e não em receber”.

Que é “dar”? Embora pareça simples a resposta a esta pergunta, ela, em verdade, é cheia de ambiguidades e complexidades. O equívoco mais vastamente espalhado é o que entende que dar é “abandonar” alguma coisa, ser privado de algo, sacrificar. A pessoa cujo caráter não se desenvolveu além da etapa da orientação receptiva, explorativa ou amealhadora, experimenta o ato de dar dessa maneira. O caráter mercantil deseja dar, mas, só em troca de receber; dar sem receber, para ele, é ser defraudado. Aqueles cuja principal orientação é não produtiva sentem que dar é um empobrecimento. A maioria dos indivíduos desse tipo, portanto, recusa dar.

Alguns fazem do ato de dar uma virtude, para eles, reside no próprio ato de aceitação do sacrifício. Para eles, a norma de que é melhor dar do que receber significa que é melhor sofrer privação do que experimentar alegria.

Para o caráter produtivo dar tem um sentido inteiramente diverso. Dar é a mais alta expressão da potência. No próprio ato de dar, nós pomos a prova nossa força, nossa riqueza, nosso poder. Essa experiência de elevada vitalidade e potência nos enche de regozijo. Provamo-nos com superabundante pródigo, cheio de vida e, portanto, como regozijante.

Não é difícil reconhecer a validez desse princípio aplicando-o a vários fenômenos específicos. Na esfera das coisas materiais, dar significa ser rico. “Não é rico quem muito tem, mas quem muito dá”. O avaro que ansiosamente receia perder alguma coisa é, psicologicamente falando, uma pessoa pobre, a empobrecida, não importa quanto possua.

Quem é capaz de dar de si, este sim é rico. Põe-se à prova como quem pode conceder de si aos outros. Só quem for privado de tudo quanto vá além das mais simples necessidades da existência será incapaz de gozar o ato de dar coisas materiais. Mas a experiência diária mostra que aquilo que alguém considera como necessidade mínima depende tanto de seu caráter quanto de suas posses efetivas. É bem sabido que os pobres são mais inclinados a dar do que os ricos. Não obstante a pobreza além de certo ponto pode tornar impossível dar, e assim é degradante, não só pelo sofrimento que causa diretamente, mas pelo fato de privar o pobre da alegria de dar.

A mais importante esfera de dar, entretanto, não é das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa à outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas, que lhe dê aquilo que em si tem vivo: dê-lhe de seu regozijo, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza – de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si.

Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa; valoriza na pessoa que recebe o sentimento da vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade.

Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado a vida se reflete de volta ao doador; ao dar verdadeiramente não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno.

Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu.

Com relação especificamente ao amor Crístico, isso significa: o amor é uma força que produz amor. Só se pode trocar amor por amor, confiança por confiança. Se queremos nos regozijar com a arte, devemos ser uma pessoa de sensibilidade e preparo artístico; se queremos ter influência sobre outras pessoas, deveremos ser uma pessoa que tenha sobre outras pessoas influência realmente estimuladora e promotora.

Cada uma de nossas relações com o semelhante e com a natureza deve ser uma expressão definida de nossa vida real, individual, correspondente ao objeto de nossa vontade. Se amamos sem atrair amor Crístico, isto é, se nosso amor Crístico é tal que não produz amor Crístico, se através de uma expressão de vida como pessoa amante não fazemos de nós mesmos uma pessoa amada, então nosso amor Crístico é impotente, é um infortúnio.

Mas não é só no amor Crístico que dar significa receber. O professor é ensinado por seus alunos; o ator é estimulado por sua audiência; o psicanalista é curado por seu cliente – contando que não se tratem uns aos outros como objetos, mas se relacionam uns com os outros produtiva e genuinamente.

Quase não é necessário acentuar o fato de que a capacidade de dar depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. Pressupõe o alcançamento de uma orientação predominantemente produtiva; nessa orientação a pessoa superou a dependência, a onipotência narcisista, o desejo de explorar os outros, ou de amealhar, e adquiriu fé em seus próprios poderes humanos; coragem de confiar em suas forças para atingir seus alvos. No mesmo grau em que faltem essas qualidades é ela temerosa de se dar e, portanto, de amar como Cristo: o amor Crístico!



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’
Fraternidade Rosacruz de São Paulo/SP - agosto de 1967
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/amor-cora%C3%A7%C3%A3o-m%C3%A3os-receber-dar-4209760/


Nota:
(*) Em outras Escolas e Tradições.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

OS ARQUÉTIPOS - O ORIGINAL DE TODOS OS CORPOS DO HOMEM


Frequentemente ouvimos, entre os Estudantes Rosacruzes, falar da palavra “Arquétipo”, referindo-se ao modelo ou padrão original de alguma coisa, mas quantos de nós sabem da existência de um Arquétipo para cada indivíduo no mundo? Que a construção do Corpo Denso (Físico *) é exatamente uma cópia do referido Arquétipo?

Se nossos Corpos não são perfeitos, o erro deve se encontrar num Arquétipo defeituoso e, assim sendo, é bom saber a causa de imperfeição e como pode ser corrigida. Nós, o Ego (1), com o auxílio das Hierarquias Criadoras, particularmente os Senhores da Mente, formamos, na Região do Pensamento Concreto, o Arquétipo (que é um pensamento-forma) de um nosso futuro Corpo Denso, antes de cada renascimento aqui. Esse Arquétipo é um modelo que vibra harmoniosamente, formado pelo poder da Música das Esferas. Pomos em vibração o Arquétipo com certa quantidade de nossa própria energia de vida e tal quantidade de energia vital fornecerá a duração da nossa vida terrena, de acordo com seu impulso maior ou menor. Quando esse impulso cessa, o Arquétipo deixa de vibrar e o Corpo Denso morre, começando a se decompor, por lhe faltar a força vital e coesiva.

É a Lei de Causa e Efeito (carma *) que rege a duração da nossa vida aqui. Em cada renascimento são dadas a nós várias oportunidades para o nosso avanço espiritual. Se as aproveitamos, a vida continua. Uma vida repleta de serviços amorosos e desinteressados (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada ser humano – que é a base da Fraternidade – é, algumas vezes, prolongada por novo impulso vital no Arquétipo. Ordinariamente, a duração da vida é determinada no Terceiro Céu (região ou mundo do Pensamento Abstrato *), ao nos prepararmos para um renascimento aqui. Todavia, sob certas circunstâncias adversas ou favoráveis pode ser ela prolongada ou encurtada.

Por exemplo, quando desdenhamos as oportunidades de crescimento e enveredamos por um caminho perigoso em que podemos nos tornar singularmente mau, nossa vida terrestre é encurtada. Mas, isso sucede apenas quando já nos encontramos num beco sem saída. Então, as Hierarquias Criadoras, agindo por misericórdia, destroem o Arquétipo, finalizando, assim, a nossa manifestação terrena, para que nos reforcemos moralmente num aprendizado no Primeiro Céu (região ou mundo Astral *).

O movimento harmonioso da vibração do Arquétipo é que atrai para si o material do Mundo Físico e fixa os átomos todos do Corpo Denso, fazendo-os vibrar em sintonia com o Átomo-semente daquele Corpo. Nenhum Corpo Denso pode ser formado sem o padrão do Átomo-semente.

O suicida, quando morre o Corpo Denso, leva o Átomo-semente dele. Mas, como o Arquétipo continua vibrando e tende a atrair matéria física, estando carente do Átomo-semente, fica impossibilitado de assimilar o material e utilizá-lo no Corpo Denso. Devido ao fato de ser o Arquétipo oco, nesse caso o Ego experimenta um sentimento de vazio desesperador que não cessa até que pare de vibrar tal Arquétipo, o que ocorre quando está marcada a morte natural dessa pessoa aqui na Terra. Então o Arquétipo se desintegra. Nós construímos um Arquétipo para cada vida.

Na região da medula oblongada, na parte superior do cordão espinhal há uma chama que pulsa e vibra de um modo maravilhoso. Sua cor varia segundo a natureza do indivíduo no qual é observada. É nela que o Arquétipo toca a nota-chave do Átomo-semente do Corpo Denso. Esse som muda através da vida e conforme ele vai mudando, também o Corpo Denso vai experimentando transformações.

(...) A qualidade do material que se reúne para a construção de um corpo depende do Átomo-semente; a quantidade depende da requerida pelo Arquétipo. O Arquétipo determina nossa forma, altura, nosso peso e nossa aparência física. De fato, é um modelo vivo do Corpo Denso. Todo ato nosso tem um efeito no Arquétipo do nosso Corpo Denso. Se o ato está em harmonia com as Leis da Vida – que são as Leis de Deus – e sintonizado com a Evolução, fortalece-o e prolonga a vida, na qual obterá o máximo de experiência, alimentando e fazendo crescer a nossa alma de forma extraordinária, mas sempre segundo sua posição relativa na vida e sua capacidade de assimilação. Contrariamente, se aplicamos nossas capacidades de modo destrutivo, contrariando as Leis de Deus, o Arquétipo se debilita e se destrói facilmente.

(...) O Arquétipo é influenciado pela natureza da vida passada. Quando nos esforçamos sinceramente, pela verdade e retidão, criamos ao nosso redor pensamentos-formas de natureza semelhante e, deste modo, nossa Mente atua num ambiente harmonizado com a verdade, centro de nossa Aura. Agindo assim, quando morremos mais uma vez aqui e chegamos ao Segundo Céu (mundo ou região do Pensamento Concreto *), nos encontramos dispostos a construir um novo Arquétipo que, intuitivamente, delineamos com as forças vibratórias da retidão e da verdade e tais linhas de força vibratória criarão harmonia no novo veículo, que manifestará saúde, felicidade, eficiência e amor. Ao contrário, se na nossa vida terrena malbaratamos os nossos talentos, descuidamos da verdade, exercitamos a astúcia, o extremo egoísmo indiferente à felicidade dos demais, seguramente, ao chegarmos no Segundo Céu, veremos as coisas de modo falso, deturpado, sem entender nada. Em consequência, construiremos um Arquétipo dentro de linhas que conterão o erro, ineficiência e a falsidade manifestados no Corpo, em detrimento dos vários órgãos físicos. Sob tais circunstâncias, as vibrações que deveriam resultar na construção de Trígonos e Sextis (3) em nosso horóscopo natal se desviam das linhas construtoras exatas, até que as encontre novamente, quando, então, o Ego começa de novo a trabalhar no Arquétipo.

As formas que vemos a nosso redor são figuras de som cristalizadas, isto é, resultado das Formas Arquetípicas que trabalham por meio dos Arquétipos na Região do Pensamento Concreto.

É curioso que a ocorrência do suicídio na vida de uma pessoa e os consequentes sofrimentos, por nós referidos atrás, geram o medo mórbido da morte nos renascimentos seguintes. (...)

Esses fatos determinaram a necessidade de educarmos o mundo sobre a grande verdade de que a morte aqui, assim como o nascimento aqui, são apenas acontecimentos correntes na vida imortal de nós, o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui.



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’
Fraternidade Rosacruz de São Paulo/SP - agosto de 1971
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/rosto-rostos-di%C3%A1logo-conversa%C3%A7%C3%A3o-1370955/


Notas:

(*) Termos equivalentes em outras tradições.

(1) Alma, Espírito, Eu Superior, Self etc. em outras tradições.

(2) O resultado das experiências vividas no corpo denso durante a existência física fica impresso nesse átomo particular. Enquanto todos os demais átomos do corpo denso se renovam periodicamente, esse átomo continua subsistindo e permanece estável não somente através de uma vida, mas das de todos os corpos densos já usados em encarnações passadas. Esse átomo é retirado após a morte e despertará somente na aurora de uma outra vida física para servir novamente como núcleo de mais um corpo denso, a ser usado pelo mesmo Ego, por isso é chamado “átomo-semente”. Mais, quando o espírito deixa o Corpo Vital (Etérico *), o processo é muito parecido ao que se verifica ao deixar o Corpo Denso. As forças vitais de um átomo são levadas para serem empregadas como núcleo do Corpo Vital na futura encarnação. Do mesmo modo, ao deixar o Mundo do Desejo (Astral *) o homem leva consigo os átomos-semente dos Corpos Denso, Vital e mais o átomo-semente do Corpo de Desejos (Astral *).

(3) Trígonos e sextis são aspectos astrológicos que indicam facilidade e harmonia em seu mapa astral. Eles mostram onde seus talentos naturais fluem sem esforço. O trígono representa 120° (um triângulo), e o sextil representa 60° (um hexágono) entre os planetas. (cf. IA)

quarta-feira, 8 de julho de 2026

AS QUALIDADES DO SER HUMANO


Uma pessoa cujo coração esteja repleto de bons pensamentos e de intenções nobres fará bom uso da sua educação e da sua riqueza. Por outro lado, quem tiver o coração cheio de maus pensamentos, más qualidades e sentimentos perversos fará mau uso tanto da sua educação quanto da sua riqueza. A mente humana é, portanto, a única responsável pelo bom ou mau uso de tais recursos.

Eis um exemplo para ilustrar essa verdade: se vocês colocarem água em uma garrafa vermelha, ela parecerá vermelha; se a colocarem em uma garrafa azul, parecerá azul. Similarmente, a educação e a riqueza assumirão as qualidades que predominarem no coração humano. Em um indivíduo dominado pela qualidade da paixão e da agitação (rajoguna, em sânscrito), a educação e a riqueza que adquirir assumirão essa qualidade. Por outro lado, em um indivíduo pleno da qualidade da serenidade e do equilíbrio (satvaguna, em sânscrito), tais recursos refletirão essa qualidade.

Portanto, as qualidades de cada ser humano são determinantes para que a sua educação e a sua riqueza sejam usadas de maneira benéfica ou prejudicial. Uma pessoa pode possuir muitos poderes; entretanto, se não possuir o poder das virtudes, a sua educação e riqueza serão totalmente inúteis. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

A ESPIRAL DA VIDA


Quantas vezes pensamos que a vida se move com grande monotonia! Parece-nos que os dias, as semanas e os meses se seguem uns aos outros em um círculo monótono, sempre com as mesmas responsabilidades. Quantas vezes deixamos correr o pensamento e nos vemos em viagem imaginária por mares desconhecidos! Vemos as velas brancas de nossa forte nave, inflada pela brisa, segundo esta se desliza suavemente para o maravilhoso país de nossa fantasia. Até chegamos a sentir a suave brisa do trópico acariciar nossas faces. O feitiço sedutor de outras terras nos chama com voz tão insistente que anelamos romper os grilhões que nos atam a obedecer ao impulso, pouco nos importando o preço a pagar. Os distantes prados nos parecem tão verdes! O romance e a aventura nos sorriem desde o horizonte. Imaginamo-nos protagonistas de atos heroicos e nobres ações como parte de uma série de acontecimentos cheios de encantos. Envolvemo-nos na rede prateada do encantamento e, imediatamente despertamos para a realidade da vida, novamente no mesmo lugar anterior, no mundo de sempre.

Então, sentimos como se a beleza de nossa vida houvesse desaparecido, que não há nenhuma correlação entre nossos sonhos e a realidade, senão que parecem ser duas coisas completamente distintas.

Isto ocorre porque estivemos olhando as coisas somente desde o ponto de vista externo. Ao ir de encontro com a felicidade nos passa despercebida a aventura mais sublime e verdadeira: o despertar da alma.

Na vida, as coisas não se repetem; nenhum acontecimento ocorre duas vezes da mesma maneira. A evolução nos leva continuamente para diante, em ascendente espiral. A nota chave do Universo é o progresso eterno, e este, em seu passo majestoso, nos envolve em suas fortes correntes.

A vida nos parece aborrecida e monótona unicamente até o momento em que descobrimos os tesouros que jazem no Eu interno. No mundo da Mente e do pensamento abundam insondáveis mistérios que ao rebuscá-los e dar com eles, nos produzem os maiores prazeres e delícias. Ao chegar a compreender sua origem divina, a Alma, por tanto tempo atada e prisioneira da ignorância e da dúvida, nos fala de glórias que podemos alcançar e das alturas espirituais as quais podemos voar, com a promessa de encontrar essa perfeita paz que, por tão longo tempo, temos buscado.

Todo o momento da vida contém grandes tesouros; mais do que estamos preparados para receber.

Em nossa trajetória pela espiral da vida nunca voltaremos às mesmas situações que já conhecemos. Muitas vezes nos parecerá que estamos passando por uma situação semelhante a anterior, porém, se nos detivermos a investigar, veremos que o que se passou é que estamos chegando a um ponto imediatamente acima da situação anterior. Ocorre que estivemos caminhando para frente e acima, em espiral ascendente, ficando cada vez a um nível um pouco mais alto, segundo damos a volta na espiral. Esta Lei da vida deveria ocasionar-nos grande prazer, pois, para além das sombras que a morte de nossos entes queridos deixa, brilha a feliz promessa de nos reunirmos com ele em uma radiante “manhã”. Não nos abandonaram, embora se encontrem ausentes fisicamente; a tão temida velhice se despoja de suas vestes de luto e se cobre com um manto branco e brilhante. Percebemos, então, que cada passo que damos para os “setenta anos”, simplesmente representa progresso. Quanto mais depressa entreguemos nosso corpo a terra mais jovens seremos. Os amigos se conhecem e logo partem, e nos parece que houve uma separação; sem dúvida, se em realidade temos os mesmos ideais e propósitos, se temos em comum as mesmas ambições, voltaremos a nos encontrar em vidas futuras. Cada vez que a espiral dá uma volta, aqueles a quem quisemos bem virão a nossas vidas novamente.

Esta Lei de evolução é aplicável tanto às nações como a indivíduos. Cada pessoa é incluída no movimento envolvente de vida da sua nação, assim como no de toda humanidade e no seu próprio círculo de evolução; isso nos explica o porquê podemos tomar parte no trabalho do progresso da criação. Até o ponto em que desenvolvemos e libertemos nossos grandes poderes espirituais e permitamos que a Luz Divina interna nos irradie e reflita em nossos pensamentos e ações, e estivermos capacitados para podermos cooperar na evolução de cada criatura ou coisa existente. O todo deve ser afetado pela ação de cada unidade individual.

Que bem amado pelo Criador deve ser o ser humano para que tivesse dotado de tão estupendos e divinos poderes!

Não devemos menosprezar nossas responsabilidades, pois estas são também muito grandes.

Este movimento de vida para frente foi descrito como “uma ampla faixa composta das sete cores do arco-íris, cada cor com sua correspondente vibração e sua própria expressão de vida, sem dúvida, envolto todo ao redor do candente coração de uma grande espiral”. Podemos ver que esta ampla faixa se compõe de muitas unidades e de unidades dentro de unidades, ocupando cada uma o seu lugar particular na fuga do tempo através do arco da Eternidade.

A cada volta que a Roda da Vida dá, os Seres Superiores escolhem os seus mensageiros entre aqueles mortais que já tenham dado certos passos para desenvolver seus poderes divinos e que, em consequência, tenham desenvolvido qualidades necessárias para resistir as fortes experiências que terão que passar na última volta de sua espiral. Portanto, não nos desalentemos, e pensemos que não poderemos suportar as provas que chegam.

Talvez tenhamos sido considerados merecedores desta suprema prova, a qual se for passada com êxito, poderá chegar a significar que daí para frente teremos de viver uma vida muito mais ampla e intensa e de maiores oportunidades para servir a humanidade. O verdadeiro e duradouro prazer está em servir e não em receber.

Nos tem sido perguntado muitas vezes: “como saber quando deverei crer nas lições e nas mensagens que recebo?” Para esta pergunta só há uma resposta que é: “Não é necessário que o saibamos”. A própria vida é nossa melhor mestra e não podemos escapar ao efeito das grandes leis, as quais nos trazem as experiências que necessitamos e não nos dão nada que não hajamos merecido. Estas experiências, às vezes, nos parecem cruéis e nos acovardamos ante sua violenta investida, e em meio a nossa agonia também imploramos: “Oh, meu Pai, se for possível, afasta de mim esse cálice”. Em momentos de grande prova afastemo-nos de nosso eu externo com todas as suas debilidades mortais e volvamos a vista para o Eu interno, que é a fonte de Serenidade e Força. Como por um milagre sentiremos, então, que nos invade uma grande sensação de Força, que de uma maneira ou de outra nos ajuda a passar a tormenta e nos leva ao porto da Paz.

Recordemos também que estas leis não foram criadas para nos castigar. Deus é Amor e somente o Amor é expressado através de Suas Leis. O que parece ser um castigo é somente um corretivo. Evitaremos muitos sofrimentos desnecessários no futuro se estivéssemos dispostos a aprender as lições à medida que se nos apresentem.

Somos Uno com a grande corrente de Força da Vida divina que constituem a Espiral de toda a Evolução. Demos graças pela grande corrente de compreensão e iluminação que a humanidade esta recebendo. Contribuamos com nossa parte de glória a este benéfico fluxo, esforçando-nos por estabelecer em nossas vidas a ordem e a harmonia. Uma vez realizado isto, não resta a menor sombra de dúvida: nossa vida real e nossos sonhos poderão se correlacionar, porque estaremos vivendo então a bela realidade de nossos sonhos.



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 05/81 – Fraternidade Rosacruz – SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

TRANSMUTAR, EIS A QUESTÃO


Qual deve ser nossa atitude diante de uma situação desagradável ou aflitiva? Reagir violentamente? Prostrar-nos desanimada e passivamente deixando as coisas acontecerem?

Não, tal conduta em nada nos dignificaria. A palavra-chave em casos dessa natureza é: TRANSMUTAÇÃO. Podemos e devemos transmutar uma situação desagradável, tornando-a mais harmoniosa e agradável. Não somos obrigados a aceitar o mal como inevitável, muito embora ele exista.

Como seres dotados de incomensuráveis potencialidades divinas não podemos permitir-nos o conformismo diante do sofrimento. A criatividade, o amor, a ação e o sentimento de unidade são atributos capazes de mudar as condições que nos envolvem. Infelizmente as pessoas vivem inconscientes dessa realidade. Vivem perdidas nos labirintos de seus problemas existenciais, tornando-se, dia após dia, impotentes para reverter essas situações dolorosas e limitadoras. Decididamente, o sentimento fatalista só pode conduzir à inércia e ao desespero.

Todos têm em comum uma origem, uma herança, um ideal espiritual. Será o suficiente ajudarmo-nos mutuamente a transformar o prejudicial em benéfico. Nada ganhamos sendo interesseiramente indulgentes, fazendo concessões a emoções inferiores, ou prolongando deliberadamente uma situação preocupante ou lamentável.

Ninguém cresce ou promove o crescimento através de lamentações. Nossas desistências nada representam de positivo no ambiente em que vivemos. Mas, pelo contrário, todos se beneficiam quando nos portamos com equilíbrio e inteligência, quando o amor nos incentiva a agir com o propósito de transformar uma situação dolorosa num bem comum.

Cada momento nos traz oportunidades originais de transmutar o mal em bem. Através de pensamentos e sentimentos positivos, de ações decididas, tudo é possível. TUDO! Não há necessidade de aguardar melhores dias ou ocasiões propícias para transformar as coisas. AGORA é o momento e AQUI é o lugar.

É verdade que o Sol nasce todas as manhãs. No entanto, cabe-nos escolher o curso de ação que mais nos convém. Podemos entender cada dia como sendo um desafio às nossas capacidades ou uma nova oportunidade de crescimento. Também nos é dado ignorar o nascer desse Sol, vivendo passiva e desnecessariamente problemas e amarguras passadas.

Por gigantescos que sejam nossos desafios, nosso poder de superá-los é infinito. Sempre há uma luz no fim do túnel. É necessário, entretanto, caminhar até lá.



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/84 – Fraternidade Rosacruz – SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
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PENSAMENTO E OBJETIVO


Enquanto o pensamento não estiver ligado a um objetivo não haverá realização inteligente. A maioria das pessoas deixa que o barco do pensamento vague “à deriva” no oceano da vida. A falta de objetivo é um vício, e semelhante deriva deve cessar para todo aquele que quiser desviar-se da catástrofe e da destruição.

Quem não tiver em sua vida nenhum objetivo central, será presa fácil de mesquinhas preocupações, medos, problemas e autopiedade, indícios, todos esses, de fraqueza que levarão, tão certamente quanto pecados deliberadamente planejados (embora por diferentes rotas), ao fracasso, à infelicidade e a perdas, pois a fraqueza não pode perdurar num universo movido pela energia.

Todo homem deve conceber em seu íntimo um objetivo legítimo e se dispor a alcançá-lo. Deverá fazer desse objetivo o ponto central de seus pensamentos. Poderá ter a forma de um ideal espiritual ou de um objeto mundano, mas, conforme seja sua tendência no momento, deverá focalizar firmemente suas forças mentais nesse objetivo ante o qual ele próprio se colocou. Deverá fazer desse objetivo seu dever supremo e dedicar-se à sua consecução, não permitindo que seus pensamentos se dispersem em efêmeras fantasias, anseios e imaginações. Essa é a estrada real que nos leva ao autodomínio e à verdadeira concentração do pensamento. Ainda que por sucessivas vezes deixe de atingir sua meta (o que forçosamente acontecerá até que a fraqueza seja vencida), o fortalecimento que isso trará ao seu caráter será a medida do seu verdadeiro êxito, e lhe dará uma nova perspectiva para futuros poderes e triunfos.

Os que não estão preparados para a apreensão de um alto objetivo devem fixar seus pensamentos no perfeito cumprimento de seus deveres, por mais insignificantes que suas tarefas lhes possam parecer. Só dessa forma podem os pensamentos ser concentrados e focalizados, a resolução e a energia desenvolvidas e, uma vez conseguido isso, não haverá nada que não possa ser realizado.

Acreditando na verdade de que só pelo esforço e pela prática é possível desenvolver a força — a alma mais fraca que conheça sua própria fraqueza começará imediatamente a exercitar-se e, somando esforço a esforço, paciência a paciência, força a força, jamais deixará de crescer até que, por fim, se torne divinamente poderosa.

Do mesmo modo que o homem fisicamente fraco pode tornar-se forte mediante cuidadoso e paciente treinamento, o homem de pensamentos fracos pode revigorá-los exercitando-se na prática do reto-pensar.

Pôr de lado a falta de objetividade e a fraqueza e começar a pensar com um firme propósito, equivale a entrar para a categoria dos fortes que só reconhecem o fracasso como um dos atalhos para a realização; que obrigam todas as contingências a servi-los e que pensam vigorosamente, ousam destemidamente e realizam com maestria.

Tendo determinado a sua meta, o homem deve traçar mentalmente um caminho reto para alcançá-la, seguindo-o sem olhar nem para a direita nem para a esquerda. Dúvidas e temores devem ser eliminados com rigor; eles constituem elementos desintegradores que desviam a linha reta do esforço, tornando-a curva, ineficiente e inútil. Ideias de medo e de dúvida nunca realizam coisa alguma, nem poderiam. Sempre levam ao fracasso. Objetividade, energia, capacidade de realização e todos os pensamentos vigorosos cessam quando a dúvida e o medo se insinuam.

A vontade de fazer brota do conhecimento de que podemos fazer. Dúvida e medo são os grandes inimigos do conhecimento, e quem os encoraja, quem não os destrói, atrapalha-se a cada passo.

Quem derrotar a dúvida e o medo terá derrotado o fracasso. Seu próprio pensamento alia-se à força, e todas as dificuldades são enfrentadas com bravura e vencidas com sabedoria. Seus objetivos são plantados no tempo certo e florescem e dão frutos que não caem prematuramente.

O pensamento aliado com destemor à determinação se transforma em força criativa: quem tiver conhecimento disso estará pronto para tornar-se algo mais alto e mais forte do que um mero feixe de pensamentos vacilantes e de sensações instáveis; quem fizer isso se transforma no manejador consciente e inteligente de suas forças mentais.


James Allen



Fonte: do livro "O Homem é Aquilo que ele Pensa"
Tradução: Gulnara Lobato de Morais Pereira
Ed. Pensamento, 2ª ed., 2016 - São Paulo/SP
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domingo, 5 de julho de 2026

MOVER MONTANHAS


Está escrito nos Evangelhos: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis àquela montanha: “Move-te para ali!”, e ela mover-se-ia». Obviamente, isto é simbólico, Jesus nunca pensou que os seres humanos poderiam mudar o lugar das montanhas, pois elas estão muito bem onde se encontram. Não vos preocupeis em mover montanhas, deixai-as sossegadas, a Natureza colocou-as onde devem estar, para transmitirem certas correntes, certas radiações.

As montanhas de que Jesus fala são outras, que existem no intelecto, no coração e na vontade. As pessoas negligenciam essas montanhas de trevas, de egoísmo, de preguiça, e querem atirar-se às belas montanhas inocentes que Deus criou! Jesus moveu montanhas? Não, ele não se ocupava de coisas desse tipo, contudo moveu montanhas, reinos, continentes inteiros, mas nas cabeças e nos corações dos humanos.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
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SUPERANDO A MORTE


Algum tempo atrás eu tive o privilégio de falar com vocês sobre o assunto “a nota-chave do Cristianismo” e no decorrer dessa palestra trouxemos à nossa Mente o encontro de Pilatos com Cristo, em que a grande e importante pergunta foi feita: “O que é a verdade?”. Vamos olhar para essa imagem mais uma vez. Lá está Pilatos, o representante de César e, em virtude desse fato, uma encarnação do mais alto poder temporal, um governante de todo o mundo com poder sobre a vida e a morte, um homem diante de quem todos tremem. Diante dele está o Cristo, manso e humilde, mas muito maior, pois enquanto esse homem, Pilatos, tem poder sobre o mundo presente, que é evanescente e temporal, ele mesmo está sujeito à morte. Mas Cristo é o Senhor da Vida, o Príncipe de um Reino espiritual que não passa. Ele não responde à pergunta de Pilatos, “O que é a verdade?”, mas em outra ocasião, ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” [1]; e “A Verdade vos libertará” [2].

Não se pode negar que estamos agora sob a lei do pecado e sujeitos à morte. A grande questão é, portanto: como encontrar a verdade que nos libertará real e verdadeiramente? Com o propósito de encontrar o caminho, vamos dar uma olhada na aurora dos tempos, quando a humanidade infantil veio pela primeira vez à Terra. De acordo com a Bíblia, uma névoa subiu da Terra quando a crosta do Planeta, que esfriava, secou; quando olhamos para essa Época na Memória da Natureza, encontramos um maravilhoso crescimento tropical de tamanho gigantesco cobrindo a bacia da Terra onde agora está o Oceano Atlântico. Realmente, era um verdadeiro jardim, mas a névoa era tão densa que a luz do Sol nunca poderia penetrá-la; então a humanidade infantil vivia nesse paraíso como filhos do Grande Pai. Eles tinham corpos nessa Época como têm agora, mas não tinham consciência deles, embora pudessem usá-los, assim como usamos nosso aparelho digestivo sem estarmos conscientes disso. E embora eles fossem incapazes de ver fisicamente, a visão espiritual era uma faculdade ainda possuída por todos. Assim eles se viam alma-a-alma; não havia malícia nem hipocrisia, mas a verdade estava com todos.

Gradualmente, no entanto, a névoa clareou e se tornou uma enorme nuvem, envolvendo o Planeta. Simultaneamente, esses “filhos da névoa”, os Niebelungos [3], começaram a se ver vagamente; tornaram-se cada vez mais “internalizados” em seus Corpos Densos e perceberam finalmente que esse veículo é uma parte do ser humano. Contudo, ao mesmo tempo, eles gradualmente perderam contato com os Mundos Espirituais; já não viam a alma com clareza e até mesmo a voz das Hierarquias espirituais, que antes os guiavam como um pai guia seus filhos, tornou-se fraca e vaga. Com o passar do tempo, a nuvem que pairava sobre esse vale havia se condensado o suficiente na atmosfera fria, de um tão denso que se liquefez e caiu sobre a Terra em diversos dilúvios que levou esses “filhos da névoa” até as terras altas, onde, na atmosfera clara e sob arco-íris, eles se viram cara-a-cara pela primeira vez. Gradualmente a grande ilusão de que “somos corpos” tomou conta de tudo; a alma não era mais vista, nem podiam eles ouvir a voz do Grande Pai que cuidou deles durante sua infância, naquele estado paradisíaco. A humanidade ficou órfã, à deriva no deserto do mundo. A vida tornou-se uma luta contra a Morte.

Logo, a maioria da humanidade parecia esquecer que havia um estado tão feliz, embora a história vivesse em canções, em lendas, e houvesse, como ainda há, em cada peito humano um profundo e inerente reconhecimento dessa verdade, uma memória de algo que se perdeu, algo mais precioso do que qualquer coisa que o mundo possa dar. E há, portanto, em cada peito humano um profundo anseio por aquela companhia espiritual que perdemos pela identificação com nossas naturezas inferiores. Encontramos uma encarnação desse anseio no Tannhauser [4], que entrou no Monte de Vênus para satisfazer seu desejo inferior. Depois de algum tempo, ele anseia pelo mundo que deixou e implora a Vênus que permita que ele parta para que possa desfrutar novamente do sofrimento, das torturas de um amor não correspondido, pois ele se cansou do que ela lhe deu gratuitamente. Como ele diz:

Um Deus pode amar sem cessar,
Mas sob as leis do alternar,
Nós, mortais, precisamos em medida ter
Nossa parcela de dor, assim como de prazer.

Esse foi o propósito quando a humanidade foi conduzida da Atlântida [5] para a presente Era do arco-íris [6]; a Lei da Alternância foi dada para que possamos colher como semeamos (Gl 6:7), para que a tristeza e a alegria mudem conforme as estações se sucedem em uma sequência ininterrupta; e, assim, deve continuar até que o sofrimento gerado por nossas transgressões tenha demolido a crisálida que agora mantém a alma agrilhoada, enquanto a natureza inferior se alimenta das cascas da materialidade. A princípio, a humanidade se deleitou com o poder sobre o mundo e nasceu o orgulho da vida; a luxúria dos olhos era grande, mas, embora “os moinhos dos Deuses moam lentamente, eles moem extremamente bem” [7]; mesmo que possamos alcançar o poder, embora a saúde e a prosperidade possam ser nossos servos hoje, chegará um dia em que, como Fausto [8], sentiremos que a vida não tem valor. Então começa a luta de que Fausto fala a seu amigo Wagner com as seguintes palavras:

Tu, por um único impulso, és possuído;
Inconsciente do outro ainda permanece.
Duas almas estão lutando em meu peito
E batalham lá pelo reinado indiviso.
Uma pela terra, com desejo apaixonado,
E a roupa bem colada ainda adere;
Acima da névoa a outra aspira
Com ardor sagrado a esferas mais puras.

São Paulo também descobre que há dentro dele uma natureza inferior, “os desejos da carne” [9], que luta contra as ânsias e os desejos do espírito, mas Goethe, com a maravilhosa penetração do Místico, resolve o grande problema para nós. À pergunta “O que devemos fazer para que possamos alcançar a libertação?”, ele responde:

De todo poder que mantém a alma acorrentada,
O homem se liberta quando o autocontrole ele ganha na sua Jornada.

Podemos, como Pilatos, ter autoridade, talvez não tão grande autoridade. Mas, mesmo supondo que fosse possível a qualquer um de nós se tornar um “governante do mundo” e exercer autoridade sobre a vida e a morte de toda a humanidade, de que isso nos serviria, se não fôssemos capazes de conquistar e controlar a nós mesmos? Por meio de agressão física, César, o mestre de Pilatos (a quem ele representa) conquistou o mundo e todos lhe prestaram homenagens; mesmo assim o seu reino durou apenas alguns anos. Então, o sombrio espectro da morte veio para acabar com sua vida e seu domínio no Mundo Físico. Olhe para o outro, o Cristo, que permaneceu manso e humilde, mas capaz de dizer: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; (…) todo aquele que crê em Mim não perecerá, mas terá a vida eterna” [10]. O governante do mundo, apesar de todo o seu poder e pompa aparentes, ainda está sujeito à morte, mas Aquele que aprendeu a ter poder sobre si mesmo, Aquele que conquistou sua natureza inferior, o corpo de morte, assim se fez ele mesmo o Senhor da Vida, com um reino que é eterno nos Céus. E é dever de cada um de nós seguir Seus passos, pois Ele disse: “estas coisas que eu faço vós também as fareis e maiores” [11]. Cada um de nós é um Cristo em formação, um vencedor no sinal da cruz.

E quando será isso? Quando o sentimento do egoísmo aprisionou o espírito no corpo, perdemos a alma de vista e a morte se tornou nossa porção. Assim que superarmos esse sentimento de egoísmo pelo altruísmo, assim que abandonarmos e esquecermos de nós mesmos e formos iluminados pelo Espírito Universal, teremos vencido o grande inimigo. Então, estaremos prontos para subir na cruz e voar para as esferas mais altas com aquele glorioso grito de triunfo: “Consummatum est” — foi realizado.

O Caminho é pelo Serviço. A verdade é que pelo serviço servimos a nós mesmos, pois todos somos um em Cristo. A Vida é a Vida do Pai, em Quem nós vivemos, nós nos movemos e existimos, e em Quem, consequentemente, não pode haver morte.


Max Heindel


(Publicado na Revista "Rays from the Rose Cross" de agosto/1917 e traduzido pelos irmãos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/livros-literatura-cl%C3%A1ssico-4392336/


Notas:
[1] N.T.: Jo 14:6
[2] N.T.: Jo 8:32
[3] Na mitologia nórdica e germânica, os nibelungos são um povo lendário de anões que habitam o reino subterrâneo de Nibelheim (a "Terra das Neblinas").
[4] N.T.: Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg, em alemão) é uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor, de 1845. A ação decorre ao pé de Wartburg, terra de grandes cavaleiros trovadores, onde se realizavam pacíficos concursos de canto, no século XIII. Reza a lenda que ao pé de Wartburg existia o monte de Vênus onde a bela deusa atraía e mantinha cativos no puro deleite, os cavaleiros trovadores. Tannhäuser caiu na quentes garras de Vênus. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[5] N.T.: na Época Atlante
[6] N.T.: a presente Época Ária
[7] N.T.: antigo provérbio alemão
[8] N.T.: Fausto (em alemão: Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[9] N.T. Rm 13:14
[10] N.T.: Jo 14:6 e 11:25
[11] N.T.: Jo 14:12

O EGO NÃO DEMONSTRA DISPOSIÇÃO PARA ACEITAR OPINIÕES ALHEIAS


O indivíduo dominado pelo ego tem prazer em exercer autoridade sobre os outros e não demonstra disposição para ouvir opiniões alheias. Mesmo quando recebe conselhos benéficos, a sua teimosia o impede de aceitá-los. Tais indivíduos enxergam tudo através de um olhar distorcido pela presunção do ego. “As minhas palavras são verdadeiras”, “A minha opinião está certa”, “As minhas ações são sempre corretas” – assim pensam eles, permanecendo agarrados a essa teimosia! Tal comportamento é extremamente prejudicial ao aspirante espiritual, que deve estar sempre disposto a acolher de bom grado quaisquer críticas, sugestões ou conselhos, venham de onde vierem.

Quando cometer algum erro, deve evitar se justificar, pois isso pode levar a discussões desnecessárias e, caso não tenha sucesso nessas discussões, a confrontos motivados pelo desejo de vingança.

Não lutem para conquistar a estima do mundo nem se sintam humilhados ou enraivecidos quando o mundo não os reconhecer nem aos seus méritos.

Se vocês são aspirantes espirituais, antes de mais nada, aprendam essas lições e as coloquem em prática.

Por outro lado, não permitam que os elogios despertem em vocês uma alegria excessiva; nisso reside uma armadilha perigosa, capaz até mesmo de desviá-los do caminho e comprometer o seu progresso.

Procurem aprender e assimilar tudo o que houver de benéfico nos conselhos que receberem e ajam em conformidade com isso.

Treinem-se para encarar insultos e críticas como “condecorações” que lhes são concedidas. (Dhyana Vahini, cap. 14)



Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A VERDADEIRA CURA ESPIRITUAL


A cura espiritual pode ser realizada de várias maneiras: Pode acontecer através daqueles que possuem uma consciência de cura, que estão plenamente conscientes deste dom que lhes foi concedido pela Graça de Deus, e o usam para abençoar a humanidade; pode ser experimentado por alguma pessoa que não tem nenhum conhecimento das coisas espirituais, mas que pode ter se colocado inconscientemente dentro da órbita de cura da Graça de Deus; ou pode ser que um conhecimento consciente da letra correta da verdade, ou seja, dos princípios da verdade, conduza eventualmente ao desenvolvimento dessa consciência espiritual necessária para a cura.

Uma vez que a maior parte da cura é realizada através do tratamento, ou seja, primeiro por meio do conhecimento da letra correta da verdade, todo estudante metafísico, independentemente da abordagem que ele escolha ou opte por seguir, deve ser capaz de dar um tratamento inteligente. Isto, no entanto, não tem nada a ver com fazer afirmações e negações ou proferir clichês metafísicos, porque tais procedimentos estão longe de dar tratamentos inteligentes e amorosos.

Todos os ensinamentos metafísicos têm como objetivo trazer a vida espiritual para a experiência de seus alunos, e dar-lhes alguma compreensão da natureza do tratamento, para que, através da prática do tratamento, a consciência espiritual possa ser desenvolvida. A consciência espiritual, tão essencial para o trabalho de cura, não pode ser alcançada através de uma fé cega, nem meramente através de afirmações metafísicas, mesmo se, e embora, as afirmações sejam verdadeiras. Por trás de cada afirmação da verdade proferida e por trás de cada tratamento dado, deve haver compreensão.

Ninguém pode dar um tratamento de cura espiritual de forma inteligente a menos que, primeiro, ele se ancore na compreensão de que, como Deus é Todo Poder, não há poder que seja necessário para fazer nada a qualquer coisa, por algo, para qualquer pessoa ou por alguma razão. Não precisamos nem mesmo do poder de Deus, visto que existe apenas Um Poder, e esse Poder é Deus, o Criador, Mantenedor e Sustentador do universo. É nossa responsabilidade conhecer esta verdade para não irmos a Deus numa tentativa de influenciar Deus a fazer algo por nós, para nós, ou por nosso paciente. Voltamo-nos para Deus apenas para a certeza de que só Deus É. Quando aprendermos a fazer isto, não temeremos infecção, contágio ou qualquer coisa que o homem mortal ou a mente mortal possam fazer conosco.

A experiência humana é uma guerra constante entre o poder do bem e o poder do mal, o poder do pecado e o poder da pureza, o poder da saúde e o poder da doença; e se julgarmos apenas pelos acontecimentos que nos confrontam no mundo, o mal é muito mais poderoso do que o bem, porque geralmente parece ser vitorioso sobre o bem e parece ser muito mais abundante do que o bem.

O fim da nossa sujeição a dois poderes começou no século XIX quando o primeiro dos movimentos metafísicos revelou que os milhares de anos de guerra entre o bem e o mal tinham sido desnecessários porque não há dois poderes: sempre houve apenas Um Poder, e esse Poder é Deus, Poder Espiritual. O mal não era, e nunca foi, um poder, mas apenas uma crença entretida na consciência humana que agia como poder enquanto a crença permanecesse na consciência.

Um novo termo, mente mortal, foi cunhado para descrever esta crença em dois poderes que Paulo chamava de mente carnal. Esta mente carnal, ou mortal, provou ser nenhum poder. Em vez disso, foi demonstrado ser um nada, uma crença entretida no pensamento humano. Todo o mal - seja o aparecendo como pecado, doença, morte, falta, limitação, tempestades, guerras ou a desumanidade do homem para com o homem - devia ser entendido como efeitos da mente carnal, ou mortal, que não era uma mente, mas uma influência hipnótica.

Esta revelação resultou em um notável trabalho de cura, por trás do qual estava um grande princípio: existe apenas Um Poder, e esse Poder é Deus. Todos outros assim chamados poderes, seja qual for seu nome ou natureza, é a mente carnal, ou mente mortal, "um braço de carne", o nada. Esta compreensão permitiu aos praticantes curar casos de câncer e pólio; permitiu-lhes parar a infecção ou contágio antes que pudesse se espalhar - não porque a infecção e o contágio fossem poderes sobre os quais eles pudessem tentar exercer controle, mas porque estes não são poderes, e tal poder como parecem ter existe apenas porque foram aceitos como poder no pensamento humano universal.

Infelizmente, à medida que esse ensinamento se cristalizou e mais e mais pessoas começaram a aceitá-lo, a mente mortal, que havia sido revelada ser um nada, começou a ser temida como um poder, de modo que hoje na maioria das práticas metafísicas, há mais uma vez dois poderes guerreando uns contra os outros - a Mente divina de um lado e a mente mortal do outro - em vez do grande princípio de que só Deus é Poder.

Que ninguém acredite que um tratamento metafísico, não importa por quem seja dado, tem qualquer valor se não incluir a compreensão e a convicção de que existe apenas Um Poder, e que este Único Poder não é um poder a ser usado sobre outro poder. Que ninguém pense por um momento que ele pode ajudar seus pacientes ou alunos, se ele ainda espera que Deus faça algo por eles, ou se ele espera e acredita que seu tratamento fará com que Deus faça algo por eles. A obra de Deus está feita. Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, e não deixe ninguém tentar influenciar Deus em seu nome ou no de qualquer outra pessoa.

Em cada tratamento, devemos colocar toda a compreensão metafísica da verdade que temos, e o ponto mais importante de tudo é entrar em nossa meditação com uma convicção absoluta e inabalável do Único Poder e do nada daquilo que aparece como pecado, doença, morte, carência e limitação. A menos que esse passo tão importante seja dado, o tratamento é incompleto e não é realmente frutífero.


Joel S. Goldsmith



Fonte: do livro "Nossos Recursos Espirituais"
Editado em 1976, por Emma A. Goldsmith
Publicado em inglês por: Acropolis Books
www.acropolisbooks.com
Tradução: Natanael Rodrigo de O. Almeida
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/cura-energ%C3%A9tica-curando-as-m%C3%A3os-3182787/