domingo, 5 de julho de 2026

MOVER MONTANHAS


Está escrito nos Evangelhos: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis àquela montanha: “Move-te para ali!”, e ela mover-se-ia». Obviamente, isto é simbólico, Jesus nunca pensou que os seres humanos poderiam mudar o lugar das montanhas, pois elas estão muito bem onde se encontram. Não vos preocupeis em mover montanhas, deixai-as sossegadas, a Natureza colocou-as onde devem estar, para transmitirem certas correntes, certas radiações.

As montanhas de que Jesus fala são outras, que existem no intelecto, no coração e na vontade. As pessoas negligenciam essas montanhas de trevas, de egoísmo, de preguiça, e querem atirar-se às belas montanhas inocentes que Deus criou! Jesus moveu montanhas? Não, ele não se ocupava de coisas desse tipo, contudo moveu montanhas, reinos, continentes inteiros, mas nas cabeças e nos corações dos humanos.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/bow-lake-lago-montanhas-agua-5854210/

SUPERANDO A MORTE


Algum tempo atrás eu tive o privilégio de falar com vocês sobre o assunto “a nota-chave do Cristianismo” e no decorrer dessa palestra trouxemos à nossa Mente o encontro de Pilatos com Cristo, em que a grande e importante pergunta foi feita: “O que é a verdade?”. Vamos olhar para essa imagem mais uma vez. Lá está Pilatos, o representante de César e, em virtude desse fato, uma encarnação do mais alto poder temporal, um governante de todo o mundo com poder sobre a vida e a morte, um homem diante de quem todos tremem. Diante dele está o Cristo, manso e humilde, mas muito maior, pois enquanto esse homem, Pilatos, tem poder sobre o mundo presente, que é evanescente e temporal, ele mesmo está sujeito à morte. Mas Cristo é o Senhor da Vida, o Príncipe de um Reino espiritual que não passa. Ele não responde à pergunta de Pilatos, “O que é a verdade?”, mas em outra ocasião, ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” [1]; e “A Verdade vos libertará” [2].

Não se pode negar que estamos agora sob a lei do pecado e sujeitos à morte. A grande questão é, portanto: como encontrar a verdade que nos libertará real e verdadeiramente? Com o propósito de encontrar o caminho, vamos dar uma olhada na aurora dos tempos, quando a humanidade infantil veio pela primeira vez à Terra. De acordo com a Bíblia, uma névoa subiu da Terra quando a crosta do Planeta, que esfriava, secou; quando olhamos para essa Época na Memória da Natureza, encontramos um maravilhoso crescimento tropical de tamanho gigantesco cobrindo a bacia da Terra onde agora está o Oceano Atlântico. Realmente, era um verdadeiro jardim, mas a névoa era tão densa que a luz do Sol nunca poderia penetrá-la; então a humanidade infantil vivia nesse paraíso como filhos do Grande Pai. Eles tinham corpos nessa Época como têm agora, mas não tinham consciência deles, embora pudessem usá-los, assim como usamos nosso aparelho digestivo sem estarmos conscientes disso. E embora eles fossem incapazes de ver fisicamente, a visão espiritual era uma faculdade ainda possuída por todos. Assim eles se viam alma-a-alma; não havia malícia nem hipocrisia, mas a verdade estava com todos.

Gradualmente, no entanto, a névoa clareou e se tornou uma enorme nuvem, envolvendo o Planeta. Simultaneamente, esses “filhos da névoa”, os Niebelungos [3], começaram a se ver vagamente; tornaram-se cada vez mais “internalizados” em seus Corpos Densos e perceberam finalmente que esse veículo é uma parte do ser humano. Contudo, ao mesmo tempo, eles gradualmente perderam contato com os Mundos Espirituais; já não viam a alma com clareza e até mesmo a voz das Hierarquias espirituais, que antes os guiavam como um pai guia seus filhos, tornou-se fraca e vaga. Com o passar do tempo, a nuvem que pairava sobre esse vale havia se condensado o suficiente na atmosfera fria, de um tão denso que se liquefez e caiu sobre a Terra em diversos dilúvios que levou esses “filhos da névoa” até as terras altas, onde, na atmosfera clara e sob arco-íris, eles se viram cara-a-cara pela primeira vez. Gradualmente a grande ilusão de que “somos corpos” tomou conta de tudo; a alma não era mais vista, nem podiam eles ouvir a voz do Grande Pai que cuidou deles durante sua infância, naquele estado paradisíaco. A humanidade ficou órfã, à deriva no deserto do mundo. A vida tornou-se uma luta contra a Morte.

Logo, a maioria da humanidade parecia esquecer que havia um estado tão feliz, embora a história vivesse em canções, em lendas, e houvesse, como ainda há, em cada peito humano um profundo e inerente reconhecimento dessa verdade, uma memória de algo que se perdeu, algo mais precioso do que qualquer coisa que o mundo possa dar. E há, portanto, em cada peito humano um profundo anseio por aquela companhia espiritual que perdemos pela identificação com nossas naturezas inferiores. Encontramos uma encarnação desse anseio no Tannhauser [4], que entrou no Monte de Vênus para satisfazer seu desejo inferior. Depois de algum tempo, ele anseia pelo mundo que deixou e implora a Vênus que permita que ele parta para que possa desfrutar novamente do sofrimento, das torturas de um amor não correspondido, pois ele se cansou do que ela lhe deu gratuitamente. Como ele diz:

Um Deus pode amar sem cessar,
Mas sob as leis do alternar,
Nós, mortais, precisamos em medida ter
Nossa parcela de dor, assim como de prazer.

Esse foi o propósito quando a humanidade foi conduzida da Atlântida [5] para a presente Era do arco-íris [6]; a Lei da Alternância foi dada para que possamos colher como semeamos (Gl 6:7), para que a tristeza e a alegria mudem conforme as estações se sucedem em uma sequência ininterrupta; e, assim, deve continuar até que o sofrimento gerado por nossas transgressões tenha demolido a crisálida que agora mantém a alma agrilhoada, enquanto a natureza inferior se alimenta das cascas da materialidade. A princípio, a humanidade se deleitou com o poder sobre o mundo e nasceu o orgulho da vida; a luxúria dos olhos era grande, mas, embora “os moinhos dos Deuses moam lentamente, eles moem extremamente bem” [7]; mesmo que possamos alcançar o poder, embora a saúde e a prosperidade possam ser nossos servos hoje, chegará um dia em que, como Fausto [8], sentiremos que a vida não tem valor. Então começa a luta de que Fausto fala a seu amigo Wagner com as seguintes palavras:

Tu, por um único impulso, és possuído;
Inconsciente do outro ainda permanece.
Duas almas estão lutando em meu peito
E batalham lá pelo reinado indiviso.
Uma pela terra, com desejo apaixonado,
E a roupa bem colada ainda adere;
Acima da névoa a outra aspira
Com ardor sagrado a esferas mais puras.

São Paulo também descobre que há dentro dele uma natureza inferior, “os desejos da carne” [9], que luta contra as ânsias e os desejos do espírito, mas Goethe, com a maravilhosa penetração do Místico, resolve o grande problema para nós. À pergunta “O que devemos fazer para que possamos alcançar a libertação?”, ele responde:

De todo poder que mantém a alma acorrentada,
O homem se liberta quando o autocontrole ele ganha na sua Jornada.

Podemos, como Pilatos, ter autoridade, talvez não tão grande autoridade. Mas, mesmo supondo que fosse possível a qualquer um de nós se tornar um “governante do mundo” e exercer autoridade sobre a vida e a morte de toda a humanidade, de que isso nos serviria, se não fôssemos capazes de conquistar e controlar a nós mesmos? Por meio de agressão física, César, o mestre de Pilatos (a quem ele representa) conquistou o mundo e todos lhe prestaram homenagens; mesmo assim o seu reino durou apenas alguns anos. Então, o sombrio espectro da morte veio para acabar com sua vida e seu domínio no Mundo Físico. Olhe para o outro, o Cristo, que permaneceu manso e humilde, mas capaz de dizer: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; (…) todo aquele que crê em Mim não perecerá, mas terá a vida eterna” [10]. O governante do mundo, apesar de todo o seu poder e pompa aparentes, ainda está sujeito à morte, mas Aquele que aprendeu a ter poder sobre si mesmo, Aquele que conquistou sua natureza inferior, o corpo de morte, assim se fez ele mesmo o Senhor da Vida, com um reino que é eterno nos Céus. E é dever de cada um de nós seguir Seus passos, pois Ele disse: “estas coisas que eu faço vós também as fareis e maiores” [11]. Cada um de nós é um Cristo em formação, um vencedor no sinal da cruz.

E quando será isso? Quando o sentimento do egoísmo aprisionou o espírito no corpo, perdemos a alma de vista e a morte se tornou nossa porção. Assim que superarmos esse sentimento de egoísmo pelo altruísmo, assim que abandonarmos e esquecermos de nós mesmos e formos iluminados pelo Espírito Universal, teremos vencido o grande inimigo. Então, estaremos prontos para subir na cruz e voar para as esferas mais altas com aquele glorioso grito de triunfo: “Consummatum est” — foi realizado.

O Caminho é pelo Serviço. A verdade é que pelo serviço servimos a nós mesmos, pois todos somos um em Cristo. A Vida é a Vida do Pai, em Quem nós vivemos, nós nos movemos e existimos, e em Quem, consequentemente, não pode haver morte.


Max Heindel


(Publicado na Revista "Rays from the Rose Cross" de agosto/1917 e traduzido pelos irmãos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/livros-literatura-cl%C3%A1ssico-4392336/


Notas:
[1] N.T.: Jo 14:6
[2] N.T.: Jo 8:32
[3] Na mitologia nórdica e germânica, os nibelungos são um povo lendário de anões que habitam o reino subterrâneo de Nibelheim (a "Terra das Neblinas").
[4] N.T.: Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg, em alemão) é uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor, de 1845. A ação decorre ao pé de Wartburg, terra de grandes cavaleiros trovadores, onde se realizavam pacíficos concursos de canto, no século XIII. Reza a lenda que ao pé de Wartburg existia o monte de Vênus onde a bela deusa atraía e mantinha cativos no puro deleite, os cavaleiros trovadores. Tannhäuser caiu na quentes garras de Vênus. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[5] N.T.: na Época Atlante
[6] N.T.: a presente Época Ária
[7] N.T.: antigo provérbio alemão
[8] N.T.: Fausto (em alemão: Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[9] N.T. Rm 13:14
[10] N.T.: Jo 14:6 e 11:25
[11] N.T.: Jo 14:12

O EGO NÃO DEMONSTRA DISPOSIÇÃO PARA ACEITAR OPINIÕES ALHEIAS


O indivíduo dominado pelo ego tem prazer em exercer autoridade sobre os outros e não demonstra disposição para ouvir opiniões alheias. Mesmo quando recebe conselhos benéficos, a sua teimosia o impede de aceitá-los. Tais indivíduos enxergam tudo através de um olhar distorcido pela presunção do ego. “As minhas palavras são verdadeiras”, “A minha opinião está certa”, “As minhas ações são sempre corretas” – assim pensam eles, permanecendo agarrados a essa teimosia! Tal comportamento é extremamente prejudicial ao aspirante espiritual, que deve estar sempre disposto a acolher de bom grado quaisquer críticas, sugestões ou conselhos, venham de onde vierem.

Quando cometer algum erro, deve evitar se justificar, pois isso pode levar a discussões desnecessárias e, caso não tenha sucesso nessas discussões, a confrontos motivados pelo desejo de vingança.

Não lutem para conquistar a estima do mundo nem se sintam humilhados ou enraivecidos quando o mundo não os reconhecer nem aos seus méritos.

Se vocês são aspirantes espirituais, antes de mais nada, aprendam essas lições e as coloquem em prática.

Por outro lado, não permitam que os elogios despertem em vocês uma alegria excessiva; nisso reside uma armadilha perigosa, capaz até mesmo de desviá-los do caminho e comprometer o seu progresso.

Procurem aprender e assimilar tudo o que houver de benéfico nos conselhos que receberem e ajam em conformidade com isso.

Treinem-se para encarar insultos e críticas como “condecorações” que lhes são concedidas. (Dhyana Vahini, cap. 14)



Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A VERDADEIRA CURA ESPIRITUAL


A cura espiritual pode ser realizada de várias maneiras: Pode acontecer através daqueles que possuem uma consciência de cura, que estão plenamente conscientes deste dom que lhes foi concedido pela Graça de Deus, e o usam para abençoar a humanidade; pode ser experimentado por alguma pessoa que não tem nenhum conhecimento das coisas espirituais, mas que pode ter se colocado inconscientemente dentro da órbita de cura da Graça de Deus; ou pode ser que um conhecimento consciente da letra correta da verdade, ou seja, dos princípios da verdade, conduza eventualmente ao desenvolvimento dessa consciência espiritual necessária para a cura.

Uma vez que a maior parte da cura é realizada através do tratamento, ou seja, primeiro por meio do conhecimento da letra correta da verdade, todo estudante metafísico, independentemente da abordagem que ele escolha ou opte por seguir, deve ser capaz de dar um tratamento inteligente. Isto, no entanto, não tem nada a ver com fazer afirmações e negações ou proferir clichês metafísicos, porque tais procedimentos estão longe de dar tratamentos inteligentes e amorosos.

Todos os ensinamentos metafísicos têm como objetivo trazer a vida espiritual para a experiência de seus alunos, e dar-lhes alguma compreensão da natureza do tratamento, para que, através da prática do tratamento, a consciência espiritual possa ser desenvolvida. A consciência espiritual, tão essencial para o trabalho de cura, não pode ser alcançada através de uma fé cega, nem meramente através de afirmações metafísicas, mesmo se, e embora, as afirmações sejam verdadeiras. Por trás de cada afirmação da verdade proferida e por trás de cada tratamento dado, deve haver compreensão.

Ninguém pode dar um tratamento de cura espiritual de forma inteligente a menos que, primeiro, ele se ancore na compreensão de que, como Deus é Todo Poder, não há poder que seja necessário para fazer nada a qualquer coisa, por algo, para qualquer pessoa ou por alguma razão. Não precisamos nem mesmo do poder de Deus, visto que existe apenas Um Poder, e esse Poder é Deus, o Criador, Mantenedor e Sustentador do universo. É nossa responsabilidade conhecer esta verdade para não irmos a Deus numa tentativa de influenciar Deus a fazer algo por nós, para nós, ou por nosso paciente. Voltamo-nos para Deus apenas para a certeza de que só Deus É. Quando aprendermos a fazer isto, não temeremos infecção, contágio ou qualquer coisa que o homem mortal ou a mente mortal possam fazer conosco.

A experiência humana é uma guerra constante entre o poder do bem e o poder do mal, o poder do pecado e o poder da pureza, o poder da saúde e o poder da doença; e se julgarmos apenas pelos acontecimentos que nos confrontam no mundo, o mal é muito mais poderoso do que o bem, porque geralmente parece ser vitorioso sobre o bem e parece ser muito mais abundante do que o bem.

O fim da nossa sujeição a dois poderes começou no século XIX quando o primeiro dos movimentos metafísicos revelou que os milhares de anos de guerra entre o bem e o mal tinham sido desnecessários porque não há dois poderes: sempre houve apenas Um Poder, e esse Poder é Deus, Poder Espiritual. O mal não era, e nunca foi, um poder, mas apenas uma crença entretida na consciência humana que agia como poder enquanto a crença permanecesse na consciência.

Um novo termo, mente mortal, foi cunhado para descrever esta crença em dois poderes que Paulo chamava de mente carnal. Esta mente carnal, ou mortal, provou ser nenhum poder. Em vez disso, foi demonstrado ser um nada, uma crença entretida no pensamento humano. Todo o mal - seja o aparecendo como pecado, doença, morte, falta, limitação, tempestades, guerras ou a desumanidade do homem para com o homem - devia ser entendido como efeitos da mente carnal, ou mortal, que não era uma mente, mas uma influência hipnótica.

Esta revelação resultou em um notável trabalho de cura, por trás do qual estava um grande princípio: existe apenas Um Poder, e esse Poder é Deus. Todos outros assim chamados poderes, seja qual for seu nome ou natureza, é a mente carnal, ou mente mortal, "um braço de carne", o nada. Esta compreensão permitiu aos praticantes curar casos de câncer e pólio; permitiu-lhes parar a infecção ou contágio antes que pudesse se espalhar - não porque a infecção e o contágio fossem poderes sobre os quais eles pudessem tentar exercer controle, mas porque estes não são poderes, e tal poder como parecem ter existe apenas porque foram aceitos como poder no pensamento humano universal.

Infelizmente, à medida que esse ensinamento se cristalizou e mais e mais pessoas começaram a aceitá-lo, a mente mortal, que havia sido revelada ser um nada, começou a ser temida como um poder, de modo que hoje na maioria das práticas metafísicas, há mais uma vez dois poderes guerreando uns contra os outros - a Mente divina de um lado e a mente mortal do outro - em vez do grande princípio de que só Deus é Poder.

Que ninguém acredite que um tratamento metafísico, não importa por quem seja dado, tem qualquer valor se não incluir a compreensão e a convicção de que existe apenas Um Poder, e que este Único Poder não é um poder a ser usado sobre outro poder. Que ninguém pense por um momento que ele pode ajudar seus pacientes ou alunos, se ele ainda espera que Deus faça algo por eles, ou se ele espera e acredita que seu tratamento fará com que Deus faça algo por eles. A obra de Deus está feita. Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, e não deixe ninguém tentar influenciar Deus em seu nome ou no de qualquer outra pessoa.

Em cada tratamento, devemos colocar toda a compreensão metafísica da verdade que temos, e o ponto mais importante de tudo é entrar em nossa meditação com uma convicção absoluta e inabalável do Único Poder e do nada daquilo que aparece como pecado, doença, morte, carência e limitação. A menos que esse passo tão importante seja dado, o tratamento é incompleto e não é realmente frutífero.


Joel S. Goldsmith



Fonte: do livro "Nossos Recursos Espirituais"
Editado em 1976, por Emma A. Goldsmith
Publicado em inglês por: Acropolis Books
www.acropolisbooks.com
Tradução: Natanael Rodrigo de O. Almeida
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/cura-energ%C3%A9tica-curando-as-m%C3%A3os-3182787/

MARCAS PSÍQUICAS DISFUNCIONAIS


Chamamos de marcas psíquicas (ou tendências instintivas) disfuncionais (1) os sentimentos perturbadores construídos pelo Espírito (seja na dimensão física e/ou espiritual) que se mantêm ativos na atual existência e que se constituem nas matrizes perispirituais e cerebrais para a instalação de diferentes enfermidades. Algumas marcas psíquicas podem não ter sido construídas por atitudes equivocadas; elas podem se originar pela fixação em situações dolorosas, frustrantes ou ansiogênicas que foram relevantes na história de vida da individualidade e que acabam por construir e alimentar crenças nocivas.

Marcas psíquicas disfuncionais podem funcionar como deflagrador do transtorno na mesma existência em que foi construída. Segundo Gustave Geley (2), a justiça imanente começa a se manifestar frequentemente no curso da mesma vida. Em verdade, o automatismo físico-psíquico, que reflete a Lei de Causa e Efeito, regendo nossos atos, é uma resposta automática do psiquismo humano; como apresentado em O Livro dos Espíritos, as leis de Deus estão escritas na consciência (3).

Essas tendências instintivas disfuncionais poderiam explicar estados mentais típicos em certos indivíduos, como por exemplo: insatisfação permanente, sensação de que falta algo na vida, angústia inexplicável, tristeza permanente quando tudo está teoricamente bem, pouca resiliência diante das dificuldades, descontrole injustificável perante frustrações de pequena monta, relacionamentos afetivos incompletos, necessidade permanente de ser valorizado ou destacar-se perante os outros, abandono sistemático das tarefas assumidas sem explicação razoável, antipatias gratuitas, má vontade sistemática, insegurança. Estes estados mentais precedem a própria enfermidade, ou às vezes se apresentam simultaneamente com ela.

Apesar das marcas psíquicas serem condições frequentes no processo de adoecimento mental, nem sempre elas são suficientes para explicar as condições de enfermidade. Além das marcas, é importante considerar como fator relevante na gênese dos transtornos mentais as construções mentais desfavoráveis mantidas pela pessoa na atual encarnação. Não devemos desprezar ou minorar o valor da conduta moral da personalidade, suas escolhas e atitudes, seu papel perante o outro e perante a vida.

Em certas situações conflituosas, como relacionamentos insatisfatórios, carência afetiva, problemas vocacionais, doenças incapacitantes, situações humilhantes, derrocada econômica ou circunstâncias que geraram um grande sentimento de culpa, o Espírito que não se habilita à superação das provas citadas coloca-se em situação psíquica desfavorável, o que pode contribuir para a instalação do transtorno. No entanto, há situações em que o comprometimento moral ou as marcas psíquicas disfuncionais construídas em outras vidas são tão graves que os transtornos se manifestam precocemente na vida da pessoa, e ela pouco ou nada consegue fazer, ficando à mercê dessas circunstâncias.


Chrystian Barroso Chaves
Ely Edison da Silva Matos
Ricardo Baesso de Oliveira

A mensagem principal do estudo contido neste livro é: os transtornos mentais devem ser entendidos como o resultado da interação complexa de um Espírito com tendências instintivas disfuncionais, corporificado em um dado contexto físico, ambiental e espiritual. Para um entendimento completo, o livro abaixo citado deveria ser lido na íntegra.


Fonte: do livro "Personalidades Enfermas: um Modelo Espírita dos Transtornos Mentais"
EVOC – Editora Virtual O Consolador
Londrina – Paraná – Brasil
www.oconsolador.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fantasia-uivando-dor-c%C3%A9u-estrelado-4065832/


Notas:
(1) Culpa, ódio, desesperança, medo, fixações diversas etc.
(2) Geley, G. Do inconsciente ao consciente, livro II, parte II, cap. 3.
(3) Kardec, A. O livro dos espíritos, item 621.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

UMA MENTE PURIFICADA


O orgulho, a presunção, a ostentação apaixonada da própria superioridade, a raiva, o anseio por conhecer detalhes infundados sobre os pontos fortes e fracos dos outros, a trapaça – todos esses constituem obstáculos no caminho da meditação. Ainda que não se manifestem abertamente, os impulsos internos ou "vasanas" que impelem o indivíduo para essas direções errôneas permanecem latentes na mente.

Quando se mantém um aposento fechado por muito tempo, ele fica empoeirado e malcheiroso; para torná-lo limpo e habitável, é necessário abri-lo, varrê-lo e tirar toda a poeira ali depositada. De igual modo, é preciso que a mente seja completamente purificada pelo poder da meditação.

O aspirante espiritual deve, por meio da observação interior, examinar a mente, o seu conteúdo e a sua condição, e depois, mediante hábitos disciplinares apropriados, remover as impurezas ali acumuladas, pouco a pouco e de maneira sistemática.

A presunção, por exemplo, tem raízes profundas e muito resistentes. Na mente onde predomina "rajas" – a qualidade da paixão, da atividade, do desejo e do egoísmo –, a presunção lança inúmeros ramos em todas as direções e se espalha por toda parte. Pode parecer seca e morta durante algum tempo, mas brotará novamente com facilidade; tão logo surja uma oportunidade, ela se manifestará. Portanto, os aspirantes espirituais têm que estar sempre vigilantes. (Dhyana Vahini, cap. 14)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

A DOUTRINA DO RENASCIMENTO RESPONDE A MUITAS PERGUNTAS


Há uma resposta para todo problema que a vida apresenta. Os mais avançados na Escola da Vida forjaram perguntas e encontraram estas respostas; eles não dizem, “Eu penso” ou, “Eu creio”; eles simplesmente dizem: “Eu Sei”. Como sabem? Porque adquiriram conhecimento direto? Como o obtiveram?

Mediante o serviço amoroso e desinteressado aos demais, a persistência, a devoção, a observação e o discernimento. Antes que qualquer homem possa compreender a vida, possa compreender completamente a verdade de algo, ele deve estar disposto a aceitar, como hipótese de trabalho, que a doutrina do Renascimento é um fato, e que a Lei de Causa e Efeito é responsável por toda manifestação. Quando tiver aceito estes dois grandes fatores, terá um ponto de partida para raciocinar.

Se o Renascimento é um fato, então todos nós já vivemos muitas vidas antes da presente, e já tivemos muitas experiências. Fomos arrogantes, cruéis, opressores, tiranos, injustos e já houve vezes em que fomos bondosos, considerados, simpáticos, úteis etc. Somos atualmente a soma de todas as nossas experiências passadas, ou melhor, somos a soma de todas as nossas reações às experiências passadas.

Todo ser humano de nossa onda de vida começou na grande Escola da vida de Deus com iguais oportunidades. Durante cada vida nos foram dadas certas lições a aprender. Se as dominamos, crescemos em conhecimento e compreensão; se recusamos fazer nosso trabalho e malbaratamos nosso tempo em uma vida de preguiça, ou pior, tumultuosa, não somente debilitamos nossa fibra moral, deixando de fazer o trabalho que deveria ser feito, no dia seguinte o trabalho será mais duro e mais difícil de se executar, e não estaremos tão bem equipados para fazê-lo como quando a lição nos foi dada pela primeira vez. Porém, algum dia, em alguma vida, este trabalho descuidado deverá ser feito, porque somos deuses em evolução e devemos adquirir nosso próprio desenvolvimento mediante nossos próprios esforços.

O desenvolvimento das potencialidades latentes dentro de cada indivíduo não pode ser comprado, nem roubado, não pode ser encontrado, nem pode ser recebido como dádiva. Depende de nossos próprios esforços; persistentes e determinados, para que este crescimento gradativo aconteça, e somente nós somos capazes de acelerá-lo ou retardá-lo.

O indivíduo que diz: “Eu nunca tive uma oportunidade na vida” está enganando-se a si mesmo. Todo incidente que ocorre, e dezenas deles estão ocorrendo diariamente, nos proporciona, em certa extensão, uma oportunidade de desenvolvimento de algum poder latente dentro de nós, e as experiências com que tropeçamos são oportunidades dadas por Deus, para o crescimento, as quais devemos estudar bem e aproveitá-las ao máximo. Quando compreendermos isto, cada dia da vida se converte em uma grande e gloriosa aventura. Os acontecimentos mais humildes se transformam em grandes e maravilhosas experiências. O canto de um pássaro chega aos nossos ouvidos, aguça nosso sentido do ouvido, e desenvolve nossa apreciação da verdadeira harmonia que se expressa no som. Uma humilde minhoca se arrasta sobre o solo aos nossos pés, põe-se em ação o nosso sentido da visão; a cor da criatura se nos revela, bem como sua forma, sua maneira de mover-se e transladar-se de um lugar a outro. Nosso poder de observação se fortalece, nosso interesse se estimula e a Mente se ativa. Nessa humilde criatura vemos manifestar-se a mesma vida de Deus. Qual é o propósito disto?

Começamos a estudar a vida, e conforme nossa mentalidade se aguça, finalmente aprendemos que tudo o que É, é uma parte de Deus; lenta, porém seguramente, a Divindade dentro de nós mesmos evolui. É uma escola na qual se dá um treinamento alegre e intenso a todo ser criado. É uma vida vibrante que se desenvolve e o faz onde quer que esteja. É a Lei e a ordem trabalhando juntas harmoniosamente. É amor em manifestação; é a vontade em expressão; é a atividade revelando-se a si mesma em miríades de demonstrações.

Por que vemos pessoas em altas posições às quais aparentemente não merecem? Suas lições na escola da vida requereram esse particular ambiente, porém ai daquele que abusa de seu alto privilégio, pois está acumulando sobre si uma tremenda dívida do destino, e que não será fácil pagar. Por que vemos o indivíduo de mérito sofrer opressão? É para que possa aprender valiosas lições para usá-las com vantagem para com seus semelhantes em futuras vidas, nas quais será colocado em posição de poder. Tal indivíduo nunca cometerá o erro que seu irmão menos avançado poderá fazer em uma posição semelhante.

O homem que semeia sementes de discórdia, ódio, desonestidade, engano etc., não pode esperar escapar da penalidade da lei; “Tudo o que o ser humano semeia, isso também colherá”, quer seja durante a presente vida ou em alguma vida futura, a menos que se arrependa de seu mau procedimento, se transforme e, na medida de suas possibilidades, faça as restituições pelo mal que haja cometido. As razões pelas quais não vemos o malfeitor pagar suas dívidas do destino é porque não somos capazes, em nosso presente estado de desenvolvimento, seguir de vida em vida, nem de conhecer quando estas dívidas devem ser pagas. Algumas vezes são pagas durante a vida na qual se acham, outras vezes são reservadas para uma ou mais vidas futuras.

A Lei de Causa e Efeito é ensinada na Bíblia, porém expressada em diferente terminologia; “Tudo o que o homem semear, isso mesmo colherá”. Nem esta lei, nem a do Renascimento, são realmente novas, como pode ser demonstrado facilmente por meio de um estudo cuidadoso e analítico da Bíblia. Sem dúvida, no presente se está pondo uma ênfase particular sobre elas, por parte das escolas mais avançadas de treinamento espiritual, pelo fato de que um número considerável da humanidade já completou as lições ensinadas através da religião pisciana (da Era de Peixes *), e está pronto para dar um passo mais avançado no caminho do progresso. Este passo avançado lhes abrirá os Mundos invisíveis, onde reside o Espírito, o Eu real, durante os intervalos entre a morte e o nascimento, e lhes capacitará para seguir as pegadas do Espírito, enquanto faz suas várias viagens da morte ao renascimento e de regresso à Terra. (...)

Todo progresso depende de aprender as lições que se nos apresentam em nossas vidas diárias, sem ter em conta se são duras ou fáceis. Deveríamos estar agradecidos por cada lição, e nos dispormos alegremente a aprendê-las. Deveríamos estar especialmente agradecidos pelas duras e desagradáveis lições. Elas indicam que fizemos considerável progresso no passado e, portanto, nos consideram qualificados para dominá-las. As almas jovens não recebem as tarefas difíceis de executar. Cada dia está repleto de oportunidades que, se captadas e se aproveitadas ao máximo, nos farão avançar rapidamente no caminho do verdadeiro desenvolvimento.

(...) Façamos um especial esforço por reconhecer as oportunidades que se nos apresentem por si mesmas, dia após dia, sob a forma de experiências, e de aprender as lições que elas contêm, e (...) provemo-nos a nós mesmos, atentando sobre o progresso que fizemos. Lembremos que o extrato de toda experiência que nos vem, será usado para fomentar o bem no mundo.


(Publicado na revista "Serviço Rosacruz" de janeiro/fevereiro de 1987)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
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terça-feira, 30 de junho de 2026

AS FORMAS E EFEITOS DO PENSAMENTO


René Descartes, filósofo e matemático francês, definiu a existência do pensamento, no célebre conceito: "Penso, logo existo."


Há diferença entre a forma pensamento negativa direcionada a um nosso irmão e a forma pensamento negativa dirigida pela própria pessoa a si mesmo?

A forma pensamento negativa direcionada a um irmão acarretará prejuízo inicialmente a quem emite e, talvez, a quem recebe. Vai depender do estado moral do receptor. A que é dirigida somente a ela, (por ela mesma) só causará prejuízo a ela mesma.


O pensamento é feito de matéria? De que tipo? E qual seria a sua forma?

O pensamento é feito de matéria quintessenciada, plástica, que viaja a velocidade superior a da luz, e que pode até criar, dependendo da continuidade e intensidade de quem pensa, (ideia fixa, formas pensamentos que são vistos pelo Plano Espiritual).


E quando são formas pensamentos positivas e em grande quantidade, como as direcionadas a Chico Xavier, Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, até mesmo pessoas populares etc.? O efeito é o mesmo? E para irmãos como Hitler, as formas pensamentos não atingem o seu perispírito, tal a carga de ódio emitida?

Quando os pensamentos são positivos equivale a preces direcionadas ao objeto do pensamento. Claro que só far-lhe-ão bem em todos os sentidos. Irmão Jacó, no seu féretro, chegou em uma roda de amigos, que oravam por ele e percebeu que o benefício que recebia foi tão grande como um refrigério em sua alma. O que sentiu foi tão divino, que desejou ajoelhar-se e agradecer a Deus pelo que estava recebendo (Livro: "Voltei" - Irmão Jacó - Edição FEB).


Quando criaturas são "vítimas" de "trabalhos" visando a destruição da própria, e estas práticas dão resultado, o que aconteceu? Demérito da vítima? Poder das entidades? Ou mérito do pedinte?

Acredito que as vítimas estão sempre em sintonia com aqueles que endereçam o mal (até por pensamento, claro que sendo um trabalho que envolve forças da magia (negativa), requisita quem produz companhias do mesmo teor evolutivo e com capacidade de fazer o mal. A que recebe vai como sempre receber ou não, dependendo de suas práticas no bem, intercessões de terceiros e até receberão, por força de causa e efeito, em decorrência de um passado problemático. Nesta hora, porém, o estudo, a prática no bem e a prece muito vão lhe ajudar para se defender e suavizar o mal que lhe é dirigido.


Como devemos agir no sentido de evitar que nossos pensamentos sofram influências externas prejudiciais?

Se estamos bem intimamente, poderíamos registrar apenas superficialmente as influências sem maiores prejuízos.


Tudo o que existe no plano das formas, se inicia no pensamento, não é? Nossa sociedade está afundada em pensamentos materialistas. O que poderíamos fazer para espiritualizar esta sociedade tão degradada como a de hoje, sendo que poucos realmente dão atenção a assuntos espirituais? O que será da Humanidade, neste caminho que segue em termos de pensamentos?

Existem também bons pensamentos paralelos com os maus. DEUS poderá permitir a influência dos maus? Até um certo ponto, para corrigir a quem necessita. O destino da Humanidade é o Bem definitivamente. Quando isto acontecer, o mal deixará de ser uma necessidade corretiva sobre nós. Então o bem prevalecerá.


Qual o mecanismo de formação destas formas pensamentos?

Ele começa no cérebro, vai até o coração, volta para o cérebro e se exterioriza, tomando forma cheia de sentimento. Daí Jesus ter dito que o nosso tesouro está aonde está o nosso coração. Para ilustrar, um exemplo em “Pensamento e Vontade”, de Ernesto Bozzano: ele relata que os grandes romancistas como Dickens e Balzac, ficavam às vezes obsidiados pela visão das personagens por eles idealizadas ao ponto de as verem, diante de si, como se fossem personalidades reais.


O que criamos via pensamento é criação permanente?

Somente se nós não paramos de pensar. Aí a criação é permanente, gerando as formas pensamento que Emmanuel e André Luiz define claramente em seus livros.


Por que nos sentimos tão mal quando emitimos pensamentos desequilibrados para alguém?

Porque ele vai para esse alguém e volta para nós através da Lei de Causa e Efeito, mesmo que não atinja a pessoa.


Já que estamos imersos em pensamentos contraditórios, como podemos ficar mais sintonizados com formas de pensamentos mais positivos?

Programa para não sentir com intensidade os pensamentos contraditórios: manter a cabeça ocupada em boas coisas, trabalhar no bem, ler diariamente, ser útil da melhor forma possível, e orar sempre que as circunstâncias exigirem: pela manhã, à noite, nos momentos de decisão etc.


Como podemos descobrir nosso potencial de criação destas formas pensamentos?

Nós não vemos as formas pensamento, mas pelo que já foi explicado nós sabemos quando estamos criando formas via pensamento.


Qualquer forma de atitude mental negativa gera distúrbio? Que tipo?

Pode ser superficial, quando o pensamento é rápido, e até gerar um distúrbio psíquico ou orgânico quando o pensamento é de longa duração.


Falando em faixas vibratórias: A frequência dos nossos pensamentos está diretamente ligada a elevação moral? Um médium de incorporação de elevada moral pode receber um irmão embrutecido? Não estariam ambos em faixas vibratórias completamente diferentes?

Faixa vibratória: Os Espíritos Superiores pensam numa frequência de onda curta, daí de moral elevada. Os outros não. Pode receber um irmão embrutecido e até vai muito beneficiá-lo por causa do contato do Espírito inferior, que receberá as boas vibrações do Superior.


Partindo da premissa de que o sentimento é a substância geratriz do pensamento, no cadinho comburente da vontade; que um mal pensamento origina-se de um sentimento inferior - ou manifestação instintiva de baixo teor - e, mais, que a forma pensamento é o produto da polarização do fluido cósmico, que envolve o ser, podendo assumir característica positiva ou negativa, de acordo com a natureza do pensamento que a constitui, seria válido afirmar-se que o vício é o resultado de uma forma pensamento cristalizada, quando se 'apega' à psicosfera da alma, que a produziu (e alimentou)? A seu ver, qual a metodologia de combate a essa forma pensamento, para extingui-la de nossa vida?

Concordamos até o ponto em que falamos ao contrário, de que os vícios podem não ser o resultado de uma forma de pensamento cristalizada, sendo uma distorção do Espírito que pesa mais na sua economia espiritual do que a forma pensamento cristalizada a que você se referiu.


Emmanuel coloca no livro "Religião dos Espíritos", sobre doenças provocadas por algum de nossos vícios, como cólera, raiva, mágoa, e que estas doenças afetam nosso corpo físico. Como entender as formas pensamentos nestes casos?

A forma pensamento nesse caso da citação de Emmanuel, pode ser mais um componente do processo vicioso de nós outros. Porém, que gera doença mesmo na maioria das vezes é a consumação do vício. (t)


Poderia uma forma pensamento monstruosa contra algo interferir no seu processo como um todo?

Até poderia. Porém, DEUS não permitiria que isto aconteça.


Nas reuniões mediúnicas, notamos que muitos espíritos ficam como que presos em determinadas situações. São também efeitos de formas pensamento estas prisões?

Basicamente, a prisão em determinadas situações decorre do estado mental do Espírito que é a causa primária do sofrimento dele, sendo as formas pensamento efeito do estado mental.


O IRC-Espiritismo tem um trabalho de vibração pela Internet, em que, basicamente, direcionamos preces e pensamentos para quem precisa. Muitos condenam esta prática. Você acredita que, embora seja um trabalho um pouco diferente do que acontece nos Centros Espíritas, ele possa ter efeito, ou seja, estas formas pensamentos positivas chegariam aos necessitados e até a nós mesmos, colaboradores?

Acreditamos que algum bem vai fazer, como por exemplo, uma carta, um bilhete e até um telefonema que se use na intenção de confortar alguém que esteja sofrendo, precisando de preces.


Como o pensamento pode contribuir em determinados trabalhos como, por exemplo, o passe?

O pensamento modifica o fluido cósmico universal, imprimindo-lhe uma força energética que acalma, suaviza, modifica células. Sugiro a leitura do capítulo sobre fluidos de “A Gênese”, de Allan Kardec.


Como atuam as formas pensamento nos casos de "telepatia"?

O pensamento vai direto à mente daquele que estamos enviando. Havendo grande afinidade entre os dois, o outro pode registrar telepaticamente o pensamento dirigido. Advirto, também, que os desencarnados podem usar técnicas telepáticas para o bem ou para o mal para conseguirem seus objetivos.


A forma como os espíritos de ordem mais elevada irradiam as suas energias para auxiliar os que necessitam ou pedem suas interseções é uma variação de nossas formas pensamentos?

Eu diria que as formas de pensamento são uma variação do pensamento dos espíritos superiores, que prepondera e vai direto àquele que é dirigido o socorro.


Somos receptores de pensamentos, bem como transmissores. Quando envoltos em pensamentos inferiores temos já a capacidade de modificar estes pensamentos, imprimindo novo rumo? Como desenvolver esta capacidade, se for possível?

Envoltos em pensamentos inferiores, a prece é uma das grandes defesas do nosso mundo íntimo. Com fervor e fé temos a certeza que os pensamentos (inferiores) que nos rodeiam desaparecem.


O tema é bastante complicado e sugerimos a seguinte bibliografia:

- "Pensamento e Vontade", de Ernesto Bozzano – Edição FEB;

- "O Pensamento", de Luzia Mathias - Edição CELD;

- "Espiritismo e Obsessão”, de Rino Curti - Edição LAKE;

- "Pensamento e Vida", de Emmanuel - Edição FEB;

- “Roteiro”, de Emmanuel - Edição FEB;

- "Voltei", de Irmão Jacob - Edicão FEB,

- "O Livro dos Espíritos" - Allan Kardec;

- "O Consolador", de Emmanuel - Edição FEB, Pergunta 53;

- "Nosso Lar", de André Luiz - Edição FEB, Capítulo 23;

- "Seareiros de Volta", de Alberto Seabra;

- "Instruções Psicofônicas" - Edição FEB, lição 38 – “O pensamento”.


Gilson Bordallo



Fonte: IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
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segunda-feira, 29 de junho de 2026

TRANSCENDENDO O ESPAÇO E O TEMPO


Como seres encarnados numa dimensão espaço-temporal - submersos na luminosidade doce desse manto materno que nos acolheu desde o momento em que deixamos os patamares superiores da existência infinita – encontramo-nos, tantas vezes, presos nas teias desse jogo tridimensional onde a memória nos escraviza nas imagens por ela retidas e cristalizadas no medo e na incerteza de sermos confrontados com essa Identidade de Fogo que nos habita e que vê para além das máscaras e para além do tempo.

Perceber que este planeta está em constante mutação, que toda a imagem retida nada mais é que um fardo que, somado a tantos outros, nada nos traz que o conforto daquilo que já foi observado, daquilo que já foi vivido e experimentado, estagnando o nosso processo na inércia daí resultante, é o primeiro passo para que nos concentremos no presente e aí, verdadeiramente, como um agente alquímico, mexer com a matéria que nos compete trabalhar.

É muito importante não ficarmos presos no tempo, escravos desses momentos passados que não podem mais ser vividos. É o presente e aquilo que acontece em cada instante que nos permitirá manifestar o que verdadeiramente somos. É uma lição muito simples, essa, a de colocar a nossa consciência naquilo que está a acontecer em cada momento e não nas memórias daquilo que foi ou que poderia ter sido, pois isso são ilusões que apenas trazem estagnação.

A vida está Aqui, onde sempre esteve, é aí que podemos interagir com o mundo, colocando em cada pensamento, em cada sentimento e em cada ação o melhor de nós. É aí que tudo verdadeiramente acontece: o único ponto dentro deste universo horizontal onde "maya" não se encontra presente e onde as fragrâncias dessa realidade Edênica Superior podem ser sentidas como recordação vertical e direta da nossa verdadeira identidade.

Saber viver o momento presente com qualidade e com consciência é a melhor terapia para superar todos os apegos. Que saibamos, pois, manifestar o melhor de nós nas coisas mais simples, colocando a nossa atenção e o nosso amor naquilo que surge a cada instante, sem nos deixarmos levar pelas memórias do passado ou pelas projeções que tantas vezes fazemos sobre o futuro. O passado e o futuro não existem, ainda, como realidade ao nosso alcance, pois é apenas no presente, enquanto seres encarnados, que poderemos manifestar o propósito de uma existência que transcende o próprio tempo. É ali, nessa ampola de realidade estável e supra-temporal, pois no presente não existe o passado nem o futuro – ele é o que sempre foi – que a verdadeira alquimia da matéria pode acontecer, cumprindo-se este Universo.

Assim sendo, que vivamos esse presente com o melhor de nós, certos que o lugar onde nos encontramos e a experiência onde nos percebemos é exatamente o lugar aonde temos que estar e a experiência que temos que viver. Deixemos, pois, que a PAZ se instale em nós na continuidade desse fio de Vida que somos em essência. Na verdade, nós não estamos vivos como tantas vezes julgamos, nós Somos a VIDA. Nós somos essa Vida que desabrocha em cada recanto deste planeta e deste universo. Somos o próprio Divino encarnando o tempo e o espaço.

Busquemos, por isso mesmo, colocar essa Vida, esse Amor e essa Luz em cada gesto quotidiano, por mais simples que este seja, sem olhar para o passado ou para o futuro. Concentremos a nossa atenção e a nossa consciência no presente, pois é exatamente na medida e no grau que o conseguirmos fazer, que a Lei do Carma será desativada em nós e a função cósmica que somos em essência revelada dentro do plano que nos compete manifestar.

Que vivamos, pois, essa consciência-do-momento-presente como um ato de devoção e entrega ao Único Ser, deixando que o fluir natural da VIDA nos conduza de volta ao propósito que nos trouxe até este Universo temporal.


Pedro Elias



Fonte: do livro "Reflexões Espirituais para um Nova Terra"
Editora Anjo Dourado - www.anjo-dourado.com
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O SER HUMANO TEM ESQUECIDO A SUA VERDADEIRA NATUREZA


A maioria das pessoas utiliza o tempo de vida que lhes foi concedido ou conquistado consumindo alimentos e bebidas saborosos, porém prejudiciais, e se entregando a passatempos atraentes ainda mais nocivos. Que desperdício lamentável de algo tão precioso!

Embora faça parte do reino animal, o ser humano é dotado de capacidades físicas, mentais e morais muito superiores às das outras criaturas. Possui memória, linguagem, consciência, reverência, temor respeitoso, admiração e um inexplicável sentimento de insatisfação, que se revela como precursor do desapego.

O ser humano tem a gloriosa oportunidade de contemplar a sua identidade com o mistério que se manifesta na forma deste Universo. Entretanto, imerso na ignorância, ele age como se fosse apenas um animal como os outros e se entrega à dor e ao vício. É como se o fogo esquecesse a sua natureza, que é queimar, ou a água, a sua natureza, que é molhar.

O ser humano esqueceu a sua natureza, que é alcançar a divindade, e a sua capacidade de buscar e assegurar a verdade do Universo do qual faz parte. Esqueceu a sua habilidade de treinar a si mesmo na virtude, na justiça, no amor e na compaixão, a fim de escapar dos limites do particular e chegar à vastidão do universal.

O ser humano é, de fato, capaz de atingir a consumação e o ápice de se fundir no Imutável, que é a base de toda esta transformação. (Discurso Divino, 2 de julho de 1966)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

LUA CHEIA EM CÂNCER


A mente está sujeita a oscilações de humor; às vezes estamos nas nuvens, mas com mais frequência também passamos por momentos difíceis. Vivenciamos períodos de altos e baixos. Astrologicamente, a mente corresponde à lua e suas fases, enquanto o sol representa o EU SOU.

Durante a lua cheia, a Terra recebe os raios solares diretamente, pois a lua está precisamente no lado oposto da Terra, em oposição ao sol. A lua, ou a mente, é totalmente iluminada pela luz do EU SOU.

Por essa razão, a lua cheia é um dia muito favorável para a meditação. No entanto, as energias que recebemos são tão fortes que é melhor meditar em grupo neste dia, pois um grupo pode receber as energias com mais facilidade, sem ser sobrecarregado ou confuso por elas.

A Lua Cheia em Câncer é celebrada no Oriente como Guru Purnima e é dedicada ao grande mestre da sabedoria, Vedavyasa.

A conexão entre os mestres nos lembra que recebemos para dar. Cada professor recebeu conhecimento e sabedoria de seu próprio mestre para transmitir a outros, que por sua vez crescerão dessa forma. Quando recebemos sabedoria, somos como a lua; quando a damos, somos como o sol para aqueles que a recebem. Se recebemos sem dar, surgem obstáculos e sofremos por causa da possessividade. Isso se aplica a tudo que nos chega. Com o receber e o dar adequados, alcançaremos o equilíbrio da mente.


Trecho do boletim informativo: “Cartas sobre Astrologia Espiritual”


Fonte: WTT Dhanishtha
https://worldteachertrust.org
www.good-will.ch
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/c%C3%A2ncer-signo-do-zod%C3%ADaco-s%C3%ADmbolo-6751369/

domingo, 28 de junho de 2026

PROVAÇÕES E ENRIQUECIMENTO ESPIRITUAL


Um ensinamento espiritual não vos dirá que, seja o que for que vos aconteça, tereis de repetir ingenuamente: «Estou feliz, estou feliz!». Dir-vos-á simplesmente que as situações difíceis, na verdade, não são sinônimo de desgraças e não vos impedirão de serdes felizes em certos planos, o que é diferente.

O sofrimento e a infelicidade são realidades terríveis, impossíveis de negar. Mas, seja o que for que vos aconteça, podeis fazer um trabalho pelo pensamento que vos permitirá, não só resistir a essas provações, mas também sair delas enriquecidos. E não devereis guardar essas riquezas só para vós. Partilhai-as com os outros pela vossa atitude, pela vossa maneira de enfrentar os acontecimentos.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: https://www.prosveta.com
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A FONTE DOS SERES


A vida humana tem as suas raízes no Atma, no Ser Interno, e se desenvolve em meio às ondas turbulentas da existência. Ela jamais poderá se desarraigar da sua fonte, que é o Atma.

Ao longo de eras, o ser humano tem buscado a liberação e lutado para se livrar do seu cativeiro. Falta-lhe, no entanto, a correta compreensão daquilo de que realmente precisa se libertar e de quais são as amarras que o prendem. Muitos nem sequer têm consciência de que estão aprisionados e acorrentados, e por isso nem tentam alcançar a liberdade.

A família, o cônjuge e os filhos – serão eles a prisão? As riquezas, as propriedades, os bens materiais – serão esses os grilhões? As atrações e aversões serão os vínculos que o cerceiam? Não, nada disso o aprisiona.

O laço mais forte que limita os seus sentimentos e ações é a ignorância sobre a sua verdadeira essência. Enquanto o ser humano não tiver consciência do Atma, que é a Alma Divina, estará fadado a ser lançado de um sofrimento a outro, com intervalos de alegria. (Discurso Divino, 8 de janeiro de 1983)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

VIABILIZANDO O IMPOSSÍVEL


Não desdenhe das possibilidades restritas que lhe são dadas a serviço do bem. Nem sempre podemos contar com excelências de trabalho, mas podemos, sempre, descobrir meios de ser útil, ajudar e amar.

Quase sempre, aqueles que buscam mais, esquecem-se de procurar o melhor. Há muito tempo que se tornou assunto batido, em escolas de administração empresarial, que a qualidade é a base da excelência e do sucesso. Sendo assim, a qualidade pode até conduzir à quantidade, quando atrai a preferência.

Verifique o que faz, e veja como o faz. O “modus operandi” deve evoluir, dia a dia. Tranquilidade, eficiência e responsabilidade devem-se aliar numa simbiose harmônica, favorecendo o progresso contínuo.

Ao seu lado, jornadeiam companheiros de trajeto evolutivo, sequiosos de carinho e amparo; estenda-lhes a mão amiga, para que, assim, possam contar com o alento da esperança.

Dentro do seu coração, encontrará motivos diversos de ser útil, de ser bom, de ser digno, de ser justo. Pequenas iniciativas, empreendimentos singelos, do sorriso franco ao telefonema amistoso; do gesto grandioso de virtude, ao suspiro sereno de resignação ante o inevitável. Você pode sempre fazer mais, principalmente no sentido de fazer melhor, desde que, entrementes, não menoscabe essas diminutas oportunidades de ser canal do auxílio, do serviço, da bondade.

Não espere se tornar um santo, para fazer o bem. Será fazendo o bem que, paulatinamente, santificará a sua alma. Não aguarde asas de anjo, para realizar o serviço de apoio ao próximo. Será em soerguendo os corações amigos que seguem ao lado do seu, que gradativamente fará com que lhe surjam os primeiros germens das asas angélicas – as virtudes excelsas do altruísmo irrestrito.

Enfim, não espere o milagre acontecer para sentir Deus ao seu lado. Procure-o, todos os dias, e a simples Presença d’Ele, percebida com o hábito de procurá-l’O, já constituirá o maior de todos os milagres – a conexão com o Absoluto – atraindo, por consequência, todos os demais milagres “menores”.

Você pode, em tese, quase tudo, se realmente quiser. Mas comece com o que está ao seu alcance. Frequentemente, à guisa de pretender fazer-se mais, deixa-se de fazer o mínimo. Quem faz o pouco que pode, mas faz sempre, expande o pouco e acumula-o, em magotes ingentes (inúmeras) de conquistas. Esperar o melhor, sem fazer o possível, atrai o pior, e inviabiliza o exequível. Fazer o possível, e fazê-lo sempre, conduz ao melhor e torna provável até o impossível.


Benjamin Teixeira / Eugênia



Fonte: do livro "Perspectivas"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/garoto-urso-floresta-ma%C3%A7%C3%A3-aquarela-10107962/