sexta-feira, 31 de julho de 2026

O MITO DE FAUSTO E A LENDA MAÇÔNICA


O Mito de Fausto, [1] analisando-o como um todo, notamos que transmite a mesma ideia da Lenda Maçônica [2]. De um lado, temos Fausto e Lúcifer; do outro, Margarida e os sacerdotes. Margarida mostra a fé na igreja, mesmo nas horas mais sombrias. Essa fé é o seu conforto e a sua segurança e, definitivamente, ela a faz alcançar o objetivo do espírito. Ela alcança seu lar celestial pela fé. Seus pecados de omissão são devidos à ignorância; mas quando ela vê o poder maligno incorporado ao caráter de Lúcifer que lhe oferece a liberdade da prisão e da morte, então, ela se recusa a fugir em sua companhia; e assim se redime, o suficiente, para merecer um lugar no Reino celestial. Da mesma forma, uma ala da Igreja, os Filhos de Seth, são dependentes, atualmente, do perdão dos pecados, ao invés dos seus próprios méritos. Estão procurando a salvação por meio da fé, já que seus poderes para demonstrar por obras são pequenos.

Em Lúcifer e Fausto encontramos a réplica dos Filhos de Caim, que são construtores, fortes e ativos no trabalho do mundo. O mesmo espírito que infundiu em Caim o desejo de fazer com que “duas folhas de erva crescessem onde antigamente crescia apenas uma” – o instinto criativo, independente e divino que fez com que os Filhos de Caim em todas as épocas liderassem o trabalho no mundo – também é visto em Fausto; e a prática gloriosa com a qual ele empregou nos poderes do mal, isto é, fazendo-as construir uma nova Terra, livre, onde um povo feliz e livre pudesse morar em paz e alegria, dá-nos uma visão do que o futuro nos reserva.

Pelo nosso próprio esforço, empregando os poderes do mal para fazer o bem, nos libertaremos das limitações tanto das Igrejas como do Estado, que agora nos mantêm em servidão. Ainda que as convenções sociais e as leis terrenas sejam agora necessárias para nos impedir de violar os direitos dos outros, dia virá em que o espírito nos animará e nos purificará, da mesma maneira que o amor de Fausto por Helena purificou-o e incentivou-o a empregar as forças de Lúcifer da maneira correta. Quando sentirmos o desejo de trabalhar por nossa própria vontade, quando nos gratificarmos pelo serviço que prestamos aos outros, como estava Fausto quando, com sua visão agonizante, ele pode contemplar a terra que se elevava do mar, então não necessitaremos mais em encarar as características restritivas das leis e convenções, pois teremos nos elevados acima deles pelo cumprimento de todas as suas exigências. Somente dessa maneira poderemos nos tornar realmente livres. É muito fácil dizer aos outros o que deve ser feito ou não, mas é muito difícil impor-nos o cumprimento da obediência, ainda que, intelectualmente, possamos aceitar os ditames do convencionalismo. Como diz Goethe:

“De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado,
O ser humano se libera quando o autocontrole há conquistado”.

O mito de Fausto nos diz que há um Estado Utópico reservado para nós, quando nós tenhamos trabalhado pela nossa salvação usando as forças titânicas internas para nos tornar realmente livres.

Que todos nós possamos nos esforçar nas nossas ações diárias para acelerar a chegada desse dia.


Max Heindel



Fonte: do livro "Cartas aos Estudantes" – 35
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/roma-villa-borghese-goethe-est%C3%A1tua-2607185/




[1] N.T.: Fausto (em alemão Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã. A criação da obra ocupou toda a vida de Goethe, ainda que não de maneira contínua. A primeira versão foi composta em 1775, mas era apenas um esboço conhecido como Urfaust (Proto-Fausto). Outro esboço foi feito em 1791, intitulado Faust, ein Fragment (Fausto, um Fragmento), e também não chegou a ser publicado. A versão definitiva só seria escrita e publicada por Goethe no ano de 1808, sob o título Faust, eine Tragödie (Fausto, uma Tragédia). A problemática humana expressada no Fausto foi retomada a partir de 1826, quando ele começou a escrever uma segunda parte. Esta foi publicada postumamente sob o título de Faust, Der Tragödie zweiter Teil in fünf Akten (Fausto, Segunda parte da tragédia, em cinco atos) em 1832.

[2] O mito de Fausto representa a busca humana por autodomínio, superação das limitações materiais e evolução espiritual, similares às correntes herméticas e maçônicas.

PENSAMENTOS SEMENTES


As pressões do dia a dia estimulam e fortalecem minha capacidade de criar uma vida significativa e valiosa. Quando elas extrapolam, paro e reflito sobre maneiras de aumentar minha resiliência. Entendo que ego, apego ou raiva atrapalham minha clareza, assim, invoco as virtudes, os valores e as forças que me ajudarão a passar por tudo.


É importante lembrar que muitas pessoas estão fazendo o possível para viver uma vida decente, baseada em valores. Quando respeitamos, valorizamos e apoiamos o outro, criamos um senso de família e comunidade que pode resistir e superar até mesmo os momentos mais sombrios.


Crie um espaço tranquilo em sua mente - talvez uma cena inspiradora na natureza ou algo belo que o transporte para outro mundo. Faça deste espaço o seu refúgio sempre que precisar de paz e tranquilidade. Relaxe, aproveite e simplesmente seja você mesmo. O espaço interior restaura o espírito e dá esperança para o futuro.


Liberdade e felicidade fazem parte da nossa natureza espiritual original. Com o tempo, nos perdemos, ficando presos em uma teia de ilusões e desejos que causaram sofrimento. Agora é hora de nos libertarmos e sermos felizes. Com o poder da meditação, a clareza é restaurada e podemos voar novamente.


Esperança e amor são o antídoto para o medo e a raiva que assolam o mundo. Conecto-me com minha sabedoria interior, afastando-me da histeria. Assim, posso oferecer uma visão alternativa de paz universal, com a qual todos possam prosperar. No fundo, sabemos que este é um caminho melhor, e um dia o alcançaremos.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/rom%C3%A3-fruta-comida-sementes-6330328/

quinta-feira, 30 de julho de 2026

A VERDADE E A ESSÊNCIA SÓ PODEM SER CONHECIDAS PELO ESPÍRITO


É um erro acreditar que a verdade pode ser conhecida pelo intelecto. O intelecto é uma faculdade que permite ao homem conhecer o mundo físico e um pouco do mundo psíquico, mas não mais do que isso. O intelecto é uma faculdade muito reduzida; por si só, não consegue conhecer a verdade.

Tomemos como exemplo, muito simples, uma rosa. Conhecer a verdade inerente a uma rosa não é só perceber a sua forma, a sua cor, o seu perfume. A verdade da rosa é uma emanação, uma presença que não se pode apreender pelo intelecto. Conhecer a rosa é sentir todo o conjunto de elementos que fazem dela uma rosa e não outra coisa.

O mesmo sucede, com mais razão, no que se refere ao ser humano: a verdade sobre um ser humano deve reunir, sintetizar, todos os elementos que o constituem, desde o espírito ao corpo físico. Enquanto não os conhecerdes, só conhecereis uma pequeníssima parte da verdade a seu respeito. A verdade de um ser, a sua verdade definitiva, absoluta, reside no seu espírito e só pode ser conhecida pelo espírito.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: http://prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-cora%C3%A7%C3%A3o-dia-dos-namorados-9361597/

A MEDITAÇÃO NOS REVELA UMA VERDADE DIFÍCIL E ESSENCIAL


A meditação nos revela uma verdade difícil e essencial. Se quisermos ser completamente humanos, devemos enfrentar o problema de que não podemos comunicar-nos com os demais, porque ainda não nos contatamos conosco mesmos. Se nos sentimos isolados daqueles que nos rodeiam é porque estamos separados de nós mesmos. Só quando sabemos quem somos e quem podemos ser seremos capazes de nos comunicar com os demais. Mas, o que é que realmente nos separa da nossa verdade? A meditação nos traz uma resposta muito simples. Não é fácil, mas simples: nada. Não há nada que se interponha entre nós e nosso verdadeiro ser. O que nos bloqueou o encontro com a verdade é a falsa ideia de que temos de que existe algo que os separa. Essa ideia falsa é o que chamamos de “ego”.

Na meditação, acessamos outro nível de autoconsciência. À medida que nos afiamos nessa dimensão, simplesmente nos convertemos em nós mesmos, desnudos, sem capas que nos cobrem. Isso é o que Jesus chamou de “pobreza de espírito”. É uma bela pobreza de espírito e um caminho estimulante a seguir. É uma pobreza grandiosa porque nos da liberdade para ver a luz de nosso verdadeiro ser e saber que somos essa luz (...).

É possível que, mesmo avançando na meditação, não sintamos que isso aconteça. Mas se perseverarmos, chegaremos a um momento em que toda nossa vida brilhará lenta, mas profundamente com essa luz interior e saberemos que a luz está aí, em tudo o que nos acontecer.


Carla Cooper



Fonte: Extrato de “La Luz del Ser” - “Luz interior: el camino de la meditación"
Father John Main, OSB
Londres: Canterbury Press, 2008, pp. 85-7
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-jardim-zen-buddism-natureza-6705080/


Para mais detalhes ver:

- JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

O TRABALHO DOS ESPIRITUALMENTE DESPERTOS OU EM VIAS DE DESPERTAR


Em nossos dias, a tarefa do verdadeiro esoterista é de extrema importância, além de significativa, pois antecede uma Nova Era. Sua tarefa é difundir esse conceito de Unidade, de Harmonia, de Síntese; ajudar a reencontrar os pontos de contato das várias teorias e religiões; permitir que deixemos de nos identificar com a forma e com as aparências; relacionar o relativo ao Absoluto, preparando o advento de uma Nova Religião Universal.

Em nossos dias, não há mais escolas de mistérios e os ensinamentos esotéricos vêm-se tornando manifestos, ainda que nem todos sejam capazes de apreendê-los na verdadeira essência e em seu profundo significado. Todavia, é dada a oportunidade a todos de conhecê-los e de tentar compreendê-los, pois toda a humanidade está se aproximando de uma grande crise evolutiva que assinala a passagem de um ciclo a outro, da Era de Peixes para a Era de Aquário, que produzirá profundas mudanças, transformações e renovações coletivas e individuais.

Novas energias cósmicas estão descendo sobre a humanidade e é preciso que nos preparemos para recebê-las e para saber empregá-las.

Diz Dr. Roberto Assagioli em um dos seus escritos a respeito da Nova Era: "...Agora mais do que nunca é preciso que aqueles que estão espiritualmente despertos, ou em vias de despertar, compreendam e aceitem essa radical renovação, aliás participem dela e cooperem com ela ativamente.

Isso pode ser feito de três maneiras:

a) Libertando-se do passado;

b) Transformando a si mesmo por meio da assimilação das novas energias;

c) Tornando-se seus representantes, encarnações vivas e centros de irradiação."

O esoterista de hoje, portanto, será o pioneiro dessa Nova Religião Universal à qual todos os espíritos eleitos ao longo de todos os tempos aspiraram, em que as confissões, doutrinas e formas encontrarão expressão, manifestando os seus verdadeiros significados, numa síntese harmônica e dinâmica.


Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Tradução: Pier Luigi Cabra
Ed. Pensamento - São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/caridade-migra%C3%A7%C3%A3o-integra%C3%A7%C3%A3o-equipe-8366471/

PROBLEMAS DA EVOLUÇÃO


A semente, portadora de vida, quando colocada para germinação, experimenta a compressão do solo e sua umidade, desenvolvendo os fatores adormecidos e passando a vigorosas transformações celulares. Intumesce-se e, dirigida pela fatalidade biológica, desata a vida sob nova forma, convertendo-se em vegetal, para repetir-se, ininterruptamente, em futuras sínteses...

A criatura humana, de alguma forma fadada à perpetuação da espécie e à sua plenificação, encarna-se, reencarna-se, repetindo as façanhas existenciais até atingir o clímax que a aguarda. Em cada etapa nova remanescem as ocorrências da anterior, em uma cadeia sucessória natural. E através desse mecanismo os êxitos abrem espaços a conquistas mais amplas e complexas, assim como o fracasso em algum comportamento estabelece processos que impõem problemas no desenvolvimento dos cursos que prosseguem adormecidos.

Esmagada pelas evocações inconscientes do agravamento da experiência, ou sem elas, a criatura caracteriza-se, psicologicamente, por atitudes de ser fraco ou forte como decorrência do treinamento na luta a que foi submetida, podendo, bem ou mal, enfrentar os dissabores ou as propostas de crescimento e graças a essa conduta se torna feliz ou atormentada.

Ninguém se encontra isento do patrimônio de si mesmo como resultado dos próprios atos. São eles os responsáveis diretos por todas as ocorrências da marcha evolutiva, o que constitui grande estímulo para o ser, liberando-o dos processos de transferência de responsabilidade para outrem ou para os fatores circunstanciais, sociais, que normalmente são considerados perturbadores.

Mesmo quando os imperativos genéticos insculpem situações orgânicas ou psíquicas constritoras no indivíduo, esses se derivam da conduta pessoal anterior, e devem ser considerados como estímulos ou métodos corretivos, educacionais, a que as Leis da Vida recorrem para o aprimoramento dos seres humanos.

O estado de humanidade já é conquista valiosa no curso da evolução; no entanto, é o passo inicial de nova ordem de valores, aguardando os estímulos para desdobrá-los todos, que jazem adormecidos – Deus em nós – para a aquisição da angelitude.

Da insensibilidade inicial à percepção primária, dessa à sensibilidade, ao instinto, à razão, em escala ascendente, o psiquismo evolve, passando à intuição e atingindo níveis elevados de interação com a Mente Cósmica.

Os indivíduos, no entanto, mergulhados no processo do crescimento, raramente se dão conta de que o sofrimento, que é fator de aprimoramento, ainda constitui instrumento de evolução, em se considerando o estágio de humanidade.

Assim posto, o autoconhecimento desempenha relevante papel no adestramento do ser para a sua superação e perfeita sintonia com a paz.

Nesse desiderato, são investidos os mais expressivos recursos psicológicos e morais, de modo a serem alcançadas as metas que se sucedem, patamar a patamar, até alcançarem o nível de libertação interior.

Mediante esse comportamento surgem os problemas, as dificuldades naturais que fazem parte do desempenho pessoal e da sua estruturação psicológica.

Quando imaturo, o ser lamenta-se, teme e transforma o instrumento de educação em flagelo que o dilacera, tornando-se desventurado pela rebeldia ou entrega de ânimo, negando-se à luta e autodestruindo-se, sem se dar conta.

Surgem, então, como decorrência da sua falta de valor moral, os transtornos depressivos ou de bipolaridade, que o conduzem a lamentável estado de autoabandono, portanto, de autocídio.

Há pessoas que afirmam ter problemas, por cultivá-los sem cessar, transferindo-se de uma dificuldade para outra, vitimadas pelo egoísmo, pela autocomiseração, pelo amor-próprio exacerbado.

Há aqueles que têm problemas e não se encontram dispostos a enfrentá-los, a solucioná-los, esperando que outros o façam, porque se consideravam isentos de acontecimentos dessa ordem, negando-se, mesmo sem o perceberem, à mudança de estágio evolutivo.

Outros há que vivem sob problemas, preservando-os mediante transferências psicológicas continuadas, assim adiando as soluções no tempo e no lugar, ignorando-os e ignorando-se. Esses cultivadores da ilusão fantasiam-se de felizes até os graves momentos, quando irrompem as cobranças da vida – orgânicas, sociais, econômicas, emocionais –, encontrando-os entorpecidos e distantes da realidade.

Na maioria das vezes, porém, as pessoas são os problemas, que não solucionam nos pequenos desafios, mas os transformam em impedimentos, assim deixando-se consumir por desequilíbrios íntimos nos quais se realizam psicologicamente.

É lícito e natural que cada pessoa se considere humana, isto é, com direito aos erros e aos acertos, não incólume, não especial.

Quando erra, repara; quando acerta, cresce.

A evolução ocorre através de vários e repetidos mecanismos de erro e acerto, desde os primeiros passos até a firmeza de decisão e de marcha.

Reflexão e diálogo, honestidade para consigo mesmo e para com o seu próximo, esforço constante para a identificação dos limites e ampliação deles constituem terapias e métodos para transformar os problemas em soluções, as dificuldades em experiências vitoriosas, crescendo sem cessar.

O ser psicológico, amadurecido, ama e confia, fitando o alvo e avançando para ele, sem ter, nem ser problema na própria trajetória.



Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Autodescobrimento: Uma Busca Interior"
(Série Psicológica – Especial, volume 6)
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
18ª ed., Salvador/BA - 2014
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/andr%C3%B3ide-intelig%C3%AAncia-artificial-7707034/

terça-feira, 28 de julho de 2026

NAS SENDAS DO MUNDO


“Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem e onde os ladrões minam e roubam.” Jesus (Mt 6,19)


“Meus filhos, na sentença: “Fora da caridade não há salvação”, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no Céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no Céu, porque os que a houverem praticado, acharão graças diante do Senhor.” (Evangelho Seg. Espiritismo, cap. XV, 10)


Deus que nos auxilia sempre, nos permite possuir, para que aprendamos também a auxiliar.

Habitualmente, atraímos a riqueza e supomos detê-la para sempre, adornando-nos com as facilidades que o ouro proporciona... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as posses exteriores e se algo nos fica será simplesmente a plantação das migalhas de amor que houvermos distribuído, creditadas em nosso nome pela alegria, ainda mesmo precária e momentânea, daqueles que nos fizeram a bondade de recebê-las.

Via de regra, amontoamos títulos de poder e admitimo-nos donos deles, enfeitando-nos com as vantagens que a influência prodigaliza... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as primazias de convenção e se algo fica será simplesmente o saldo dos pequenos favores que houvermos articulado, mantidos em nosso nome pelo alívio, ainda mesmo insignificante e despercebido, daqueles que nos fizeram a gentileza de aceitar-nos os impulsos fraternos.

Geralmente repetimos frases santificantes, crendo-as definitivamente incorporadas ao nosso patrimônio espiritual, ornando-nos com o prestígio que a frase brilhante atribui... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as ilusões e se algo nos fica será simplesmente a estreita coleção dos benefícios que houvermos feito, assinalados em nosso nome pelo conforto, ainda mesmo ligeiro e desconhecido, daqueles que nos deram oportunidade a singelos ensaios de elevação.

Serve onde estiveres e como puderes, nos moldes da consciência tranquila.

Caridade não é tão-somente a divina virtude, é também o sistema contábil do universo, que nos permite a felicidade de auxiliar para sermos auxiliados.

Um dia, nas alfândegas da morte, toda a bagagem daquilo de que não necessites ser-te-á confiscada. Entretanto, as Leis Divinas determinarão recolhas, com avultados juros de alegria, tudo o que destes do que és, do que fazes, do que sabes e do que tens, em socorro dos outros, transfigurando-te as concessões em valores eternos da alma, que te assegurarão amplos recursos aquisitivos no plano espiritual.

Não digas, assim, que a propriedade não existe ou que não vale dispor disso ou daquilo.

Em verdade, devemos a Deus tudo o que temos, mas possuímos o que damos.


Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: "Livro da Esperança"
FEB - Federação Espírita Brasileira
1ª ed., 2015, Brasília/DF
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ajuda-emerg%C3%AAncia-m%C3%A3o-amiga-salvar-1300942/

A LEI DA ATRAÇÃO: O SEMELHANTE ATRAI O SEMELHANTE


Todos já sabemos que, pela Lei de Atração, o semelhante atrai o semelhante. Entretanto, nem sempre estamos atentos para perceber o quanto essa lei age em cada momento de nossa vida, através dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos e dos nossos atos.

Recordando que somos constituídos pela nossa parte humana e pela parte superior ou divina, vamos perceber que, em geral, vivemos mais influenciados pela nossa parte humana do que pela divina. A maioria das vezes, temos orientado os nossos pensamentos e os nossos atos seguindo os conceitos humanos muito mais do que a lógica divina. Entretanto, devemos lembrar-nos que, quando se pratica um ato ou se alimenta um pensamento apoiado unicamente no lado humano de nosso ser, tão suscetível a erros e a fraquezas, atraímos para nós, pessoas, coisas, pensamentos e acontecimentos coerentes com o nosso modo humano de agir e de pensar. Consequentemente, quando agimos influenciados pelo nosso lado superior, nossas ações excedem a lógica humana e vão repercutir em tudo o que nos cerca também, sejam coisas ou pessoas — formando, com eles, o equilíbrio de valores e de fatos que constituem a nossa vida. É por isso que, quando as coisas em torno de nós, começam a não correr bem, quando o mundo todo parece conspirar contra nós, contra a nossa saúde e à nossa tranquilidade, quando parece que as coisas materiais ou espirituais que desejávamos, nos têm sido negadas, devemos fazer um exame de consciência muito bem feito e procurar em nós mesmos, em nossos pensamentos e atos, a causa de todo aquele efeito negativo.

Sempre que agimos com a nossa parte divina, a trajetória das nossas ações no campo espiritual vai se estender à parte divina daqueles que nos cercam, sintonizando com ela, e nós entramos em contacto com as pessoas através daquele raio de projeção. Mesmo que a maioria das pessoas não esteja muitas vezes em condições de compreender a boa intenção de nossos sentimentos e pensamentos, esses pensamentos e sentimentos levam em si uma força de expansão que será sempre absorvida em alguma extensão, pelo semelhante divino contido no outro ser. E, mesmo que não atinja em cheio o objetivo, a linha de projeção volta à sua origem e as boas intenções retornam à sua fonte, favorecendo então aquele que as emitiu.

Quanto mais positivos nos sentirmos em nossa vida de relação, tanto mais poderemos desenvolver e colher o bem em torno de nós, porque é pelo positivo, pelo nosso lado divino que poderemos ajudar a outrem a se elevar, minorando o sofrimento dos nossos irmãos menos esclarecidos.

Quem já atingiu certo grau de conhecimento dos fatos ocultos que regem a vida de todos os seres, não pode permanecer alheio a esses fatos. Do conhecimento, temos que partir para a ação; caso contrário, nossos próprios valores se cristalizarão, e os Guias Espirituais que dirigem a Evolução não poderão ajudar-nos em nosso progresso. Verdade que todo o ser humano é livre em suas escolhas, porém essa liberdade se limita à escolha do certo dentro da Lei. Se escolher o errado, o ser humano sofrerá as consequências desse erro. Portanto, daí se conclui que o ser humano tem liberdade para escolher o certo. Antes disso, até que deseje ele mesmo essa escolha, as forças auxiliares estarão em expectativa para ajudá-lo a progredir. Por isso se diz que o ser humano se agita e Deus o conduz.

Pode acontecer também que levamos uma vida irrepreensível: agimos sempre com boas intenções dentro do direito e do dever, não magoamos ninguém, e desejamos ardentemente ser amigos de todos, procurando raciocinar o máximo possível, apoiados em nosso espírito divino. E, apesar de tudo, certos fatos se precipitam em nossa vida ou vêm perturbar a ordem de nosso lar e de nossos familiares. Esses acontecimentos, nesse caso, possuem uma causa muito mais remota: procedem de outros erros mais distantes, de coisas que fizemos em outras vidas e que só podem ser saldadas daquela maneira, influindo até, muitas vezes, no destino coletivo de uma família ou de uma organização. Porém, se soubermos manter-nos em atitude de graça, isto é, se perseverarmos no divino em nossos atos, palavras, pensamentos e sentimentos, nossa forma de atravessar aquele período será muito mais conformada e se processará debaixo de maior compreensão e tolerância. Assim, superaremos as configurações negativas de nossos temas-natal, perseverando no bem na virtude. Perseverar no bem, portanto, é raciocinar o mais possível dentro da lógica divina, pondo de lado os conceitos humanos, em nossa vida de relação. É mantendo-nos o mais possível vigilante em nosso espírito, procurando estar conscientes de nossa própria consciência em todas as nossas ações diárias, que chegaremos um dia a agir como agia Jesus Cristo, reconhecendo em nós o Espírito de Cristo que existe já em formação em todo indivíduo de boa vontade.



Fonte: Publicado na Revista "Serviço Rosacruz" de maio/1978
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/rede-terra-blockchain-globo-4051664/

RELACIONAMENTOS: A ESSÊNCIA DA MEDITAÇÃO


Aprender a meditar não é simplesmente uma questão de dominar uma técnica, mas sim de aprender a valorizar e a responder diretamente à parte mais profunda de nossa natureza — não à natureza humana em geral, mas à natureza única de cada pessoa...

Primeiramente, devemos compreender o contexto cristão da meditação. Aqui, utilizo o termo "meditação" como sinônimo de expressões como contemplação, oração contemplativa e outras semelhantes. O contexto essencial da meditação reside no relacionamento fundamental de nossas vidas: a relação que nós, como criaturas, temos com Deus, nosso Criador. No entanto, a maioria de nós precisa dar um passo preliminar antes de poder apreciar a grande maravilha e o mistério extraordinário desse relacionamento basilar. De fato, muitos de nós precisamos nos conectar primeiro conosco mesmos — estabelecer um relacionamento íntimo com o nosso próprio ser — antes de podermos abordar abertamente nossa relação com Deus. Em outras palavras, devemos primeiro descobrir, expandir e vivenciar nossa capacidade de paz, serenidade e harmonia antes de podermos verdadeiramente apreciar nosso Deus e Criador, o autor de toda harmonia e serenidade.

A meditação é o próprio processo pelo qual nos preparamos, antes de tudo, para estar em paz conosco mesmos, tornando-nos assim capazes de apreciar a paz do Divino em nós. A ideia de meditação frequentemente apresentada às pessoas — como uma técnica de relaxamento ou para manter a serenidade interior em meio às pressões da vida urbana moderna — não está errada em si mesma. Contudo, se for reduzida a isso, o conceito torna-se muito limitado; pois, à medida que alcançamos um relaxamento interior mais profundo e meditamos por mais tempo, tornamo-nos cada vez mais conscientes de que a fonte da calma que descobrimos em nosso cotidiano é, precisamente, a vida de Deus fluindo em nós.

O grau de paz que possuímos é diretamente proporcional ao nosso conhecimento desse fato vital — esse elemento da consciência humana comum a todos os homens neste mundo. No entanto, para descobrir esse fato como uma realidade presente em nossas vidas, precisamos decidir se desejamos estar em paz. É por isso que o Salmista diz: "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" (Sl 46,11). Essa profunda serenidade interior é, em certo sentido, mais acessível a nós hoje do que o era para o poeta hebreu que compôs o salmo recém-citado — ainda que nossos problemas sejam mais complexos e nosso ritmo de vida mais frenético do que o dele. E isso se deve ao grande acontecimento que Jesus de Nazaré representa.


Father John Main, OSB



Fonte: Do livro: *Word into Silence*
© Canterbury Press, 2006 (Reino Unido) © Ediciones Sígueme S.A.U., 2008.
Para a livre difusão da Meditação Cristã.
Editado por Hugo Mateo e Ricardo Centurión.
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/lua-mulher-silhueta-medita%C3%A7%C3%A3o-1815984/


Nota deste Blog:

Para mais detalhes ver: JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

domingo, 26 de julho de 2026

O QUE ESTUDAR PARA SE DESENVOLVER ESPIRITUALMENTE


Um caminho espiritual sério precisa nascer da liberdade, mas a liberdade não sobrevive sem responsabilidade. Livres pensadores não se formam em ambientes de medo, proibição e culto a um único mestre. Quando uma instituição espiritual restringe leituras, vigia o que os alunos estudam e mede a “pureza” pela obediência à bibliografia oficial, ela abandona a busca da verdade. Então, em vez de formar consciências maduras, forma dependentes. Em vez de estudantes, produz crentes assustados.

Os conhecimentos do mundo moderno não eliminaram a necessidade da busca espiritual. A ciência avançou muito, mas as pessoas continuam sentindo um vazio.

Neste contexto, pessoas que falam de esoterismo, autoconhecimento, “conhecimento interior”, “gnose”, “liberdade” encontram um terreno fértil. Romper com a massa, despertar, possuir um saber superior, é uma promessa muito sedutora. O risco é que essa promessa pode se converter em um produto, uma forma de aprisionamento em nome da “verdade oculta”.

Quando um grupo começa a dizer que apenas um autor teve plena realização e que todos os outros são inferiores, ele já não nos conduz à investigação sincera, e sim à vaidade. Em vez de investigarmos “o que é verdadeiro” passamos a querer saber “quem é maior”. Isso é uma grande distorção.

Não importa muito quem é “o melhor mestre da história”. Importa apenas percebermos qual ensinamento nos toca no ponto em que estamos, qual ensinamento nos puxa para o próximo passo, sem fantasias de grandeza.

Quando colocamos alguém num pedestal absoluto, paramos de escutar e começamos a construir identidades, separações.

Ao mesmo tempo, não basta rejeitar o fanatismo e cair no outro extremo, onde qualquer voz, por mais superficial que seja, recebe o mesmo peso de um grande místico, um mestre espiritual verdadeiro. Liberdade intelectual não é aceitar tudo o que lemos indiscriminadamente, como se todo texto merecesse o mesmo lugar na nossa mente, em nossa vida. Se realmente queremos crescer, precisamos de critérios. O estudo é uma arte que exige esforço, hierarquia de fontes, paciência com as dificuldades.

Os grandes esoteristas dos últimos séculos foram estudiosos sérios, dialogaram com tradições diferentes, confrontaram ciência, filosofia, religião, literatura. Bateram em portas diversas, compararam doutrinas, investigaram símbolos, experimentaram práticas, aceitaram mudar de opinião.

Se o próprio esoterismo moderno se construiu nesse diálogo amplo, é incoerente formar estudantes que não podem ler outros autores, que não podem investigar outras fontes, que temem qualquer pensamento que não autorizado ou indicado pela instituição. Quando isso acontece, usamos a palavra “gnose”, mas negamos seu espírito.

Quando buscamos grandes místicos, filósofos e autores espirituais, não queremos apenas informação, buscamos conviver com inteligências e almas maiores, permitindo que expandam e transformem nossa vida interior.

A liberdade exige responsabilidade. Nem todas as portas devem ser abertas ou atravessadas. Precisamos escolher por quais realmente vale a pena passar. Isso significa buscar fontes de bom nível, autores que pensam com rigor, mestres que unam experiência real e capacidade de expressão, obras que resistam a um estudo atento. Significa recusar tanto o fanatismo quanto a infantilidade. O fanático quer um só livro, um só mestre, uma só resposta para tudo. O infantil quer novidades constantes, sem raiz, sem compromisso, se fascina por qualquer coisa, mas incapaz de sustentar um caminho.

Para estudar com seriedade não precisamos de muitos autores ou muitas obras, precisamos escolher poucos autores e obras, mas que sejam realmente grandes. Devemos permanecer com eles o tempo suficiente para que transformem o nosso modo de pensar.

O melhor é ler pouco e lentamente, refletir muito e buscar vivenciar o que compreendemos.

Uma chave importante está na forma como nos relacionamos com o estudo. O verdadeiro estudo não é acumulação de informação, é elaboração crítica da experiência; é confrontação dos problemas, organização do pensamento, é aprender a formular e responder perguntas difíceis. O estudo se completa quando toca a vida prática.

Quando levamos isso para o campo espiritual, entendemos que estudar não é decorar doutrina, é refinar a nossa consciência. Isso exige humildade para ouvir qualquer um que possa nos ensinar algo e, ao mesmo tempo, firmeza para julgar a qualidade do que ouvimos. Não desprezamos as pessoas, mas avaliamos as ideias. Não humilhamos quem está em outro nível, mas reconhecemos que nem toda voz merece o mesmo lugar no processo de crescimento da nossa alma.

O desprezo arrogante se acha superior por seguir certo autor ou escola. A ingenuidade romântica trata qualquer opinião como revelação. Entre esses polos, há um espaço maduro, em que ouvimos com respeito, mas avaliamos com rigor, pois nosso tempo e nossa mente são limitados.

O caminho espiritual se faz passo a passo, com honestidade. Existem ensinamentos que estão além da nossa capacidade atual. Querer “conhecimentos avançadíssimos” quando mal conseguimos viver o básico é uma fuga. No início, qualquer pessoa que saiba um pouco mais do que nós pode ser nosso mestre. Depois, pode ser que precisemos de alguém que nos confronte em níveis mais profundos. Quando um instrutor esgota o que pode nos oferecer, não faz sentido permanecermos por hábito ou medo. É necessário buscar quem possa nos puxar para cima, quem possa nos ajudar a crescer mais.

Instrutores sérios não massageiam nosso ego, não alimentam fantasias de grandeza, nem nos fazem sentir membros de uma elite iluminada enquanto vivemos como todos. Eles nos fazem pensar, rever hábitos, enfrentar nossas contradições.

Estudar bem é mais do que entender as frases. É saber localizar o tema, perceber a estrutura do argumento, distinguir o essencial do secundário, comparar autores que trataram do mesmo assunto. É necessário perguntar do que cada livro trata, com que meios o autor tenta nos convencer, em que ele está certo, onde ele falha. Isso nos protege tanto do fascínio acrítico quanto da rejeição precipitada. Quando aprendemos a estudar, deixamos de ser presas fáceis de discursos sedutores e nos tornamos capazes de construir um caminho interior sólido.

Vivemos um tempo em que a psicologia, a ciência e as filosofias combinam em novas formas de espiritualidade, às vezes para ajudar, às vezes para confundir ainda mais. Nem a fé infantil nem o ceticismo ressentido podem nos ajudar a atravessar a complexidade da vida moderna.

A espiritualidade moderna precisa formar pessoas inteligentes e livres, capazes de unir pensamento rigoroso, sensibilidade espiritual e responsabilidade ética; pessoas que reconheçam o valor de uma tradição sem se deixarem aprisionar, que avancem passo a passo sem se acomodar e que busquem sempre aquilo que as eleva.


Escola Gnóstica



Fonte: https://escolagnostica.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/estudo-estudante-computador-7035108/

LEO, O LEÃO


Como estamos entrando na Era de Aquário, na qual o espírito de Aquário será posto em evidência em sua universalidade e seu senso de “distribuição geral”, é inevitável que se atinja um ponto de crise...

Leão é o quinto signo do zodíaco, o que indica que ele é parte do misterioso número dez – o número da perfeição... Em consequência, isto vincula Leão com Capricórnio, o décimo signo do zodíaco, porque é o processo de iniciação que faz da pessoa autoconsciente um indivíduo consciente de grupo... Na roda revertida, é o oitavo signo, o signo do Cristo e da Realidade que mora internamente. Portanto, marca – dessa maneira – um novo ciclo. Quando a autoconsciência nasce (como no momento da individualização) inicia-se um novo ciclo. Este significado numérico vincula Leão com Escorpião (o oitavo signo do zodíaco) de maneira efetiva e por isso temos o triângulo Leão-Escorpião-Capricórnio, associado à humanidade e indicando os três pontos importantes de crise na trajetória do homem:

a) Autoconsciência ou conscientização humana. Unidade – Leão.

b) Consciência das dualidades conflitantes. Discipulado – Escorpião.

c) Consciência de grupo como iniciado. Unidade – Capricórnio.

Este signo é um signo de fogo e o mais eminente na atualidade. Os Filhos da Mente, os Filhos de Deus autoconscientes, são antes de tudo Filhos do Fogo, pois nosso “Deus é um Fogo consumidor”. Há neles essa qualidade singular capaz de queimar e destruir, e assim extirpar tudo que impede sua expressão essencialmente divina. Gostaria que mantivessem em mente a natureza purificadora do fogo. Há dois elementos da natureza que, na consciência pública, estão vinculados com a ideia de purificação – um é a água e o outro é o fogo. Esotericamente, o fogo sempre dá continuidade ao que a água iniciou... Na roda revertida, o fogo toma o lugar da água e consome toda escória.

...Leão é um elemento de controle capital na vida do aspirante. Deve conhecer a si mesmo pela real consciência de si mesmo, para que então possa conhecer o espírito divino que é seu verdadeiro Eu e também os seus semelhantes... Emite a nota da individualidade e da verdadeira autoconsciência...

Há duas notas-chave subsidiárias, mas potentes, nas pessoas de Leão:

- a vontade-de-iluminar, que é o estímulo que impele ao autoconhecimento, à autopercepção e à positividade intelectual,

- a vontade-de-reger e dominar, que leva o indivíduo nascido neste signo à oportunamente de alcançar o autodomínio e o controle da personalidade, e é também a mesma tendência que o leva finalmente ao controle, pela personalidade regida por Leão, de grupos grandes ou pequenos. Isto – em uma etapa avançada – é uma expressão da fusão da energia de Leão com a potência de Aquário.

A consciência da massa em Câncer cede lugar à consciência individual em Leão. Porém, oportunamente chega a hora em que a natureza da Cruz Fixa começa a despontar na consciência do homem e a influência de Aquário (o polo oposto de Leão) começa a contrabalançar a de Leão. Então, ocorre um deslocamento gradual do foco da atenção, que se afasta “daquele que permanece isolado” para o grupo circundante, e um deslocamento igualmente importante dos interesses egoístas para as necessidades do grupo, trazendo luz e liberação.

Isto exprime de maneira concisa o objetivo alcançado pelo homem na Cruz Fixa; o efeito desta Cruz é trazer luz e liberação, o que podemos ver claramente se compararmos as energias dos quatro braços da Cruz, à medida que o homem as manifesta, antes e depois da longa e severa experiência na Cruz:

1. Touro – O Touro do Desejo. A luz da aspiração e do conhecimento.

2. Leão – O Leão da Autoafirmação. A luz da alma.

3. Escorpião – O Agente do Engano. A luz da liberação.

4. Aquário – O Cálice do serviço ao Eu. A luz do mundo.



Alice A. Bailey



Fonte: do livro "Astrologia Esotérica"
Via: Mail N° 243 - Rede Núcleos de Triângulos – Plenilúnio de Leão de 2026
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/le%C3%A3o-rei-rosto-cabe%C3%A7a-2327225/


Nota deste Blog:

Em outras palavras, a autora nos fala sobre a transição espiritual entre as eras astrológicas, destacando o papel central de Leão no desenvolvimento da autoconsciência humana. Descreve um processo evolutivo onde o indivíduo utiliza o fogo purificador para transformar desejos egoístas em um profundo autodomínio. Através de uma análise numérica e simbólica, o signo de Leão é conectado a Escorpião e Capricórnio, formando um triângulo que marca as crises de crescimento da alma. Mostra-nos como o isolamento do "eu" deve eventualmente dar lugar ao espírito de "grupo" representado por Aquário. Essa jornada culmina na liberação espiritual, onde a vontade de dominar a própria personalidade se converte em um serviço altruísta voltado ao bem comum.

MEDITE: REDESCUBRA A PROFUNDIDADE DA VIDA


Em uma palestra recente, a Madre Prado, fundadora das Irmãs Agostinianas da Conversão, propôs uma definição de meditação tão simples quanto exigente: meditar é parar e ponderar sobre uma realidade, uma palavra de Deus, um evento ou uma situação, dando-lhe o peso que verdadeiramente merece.

Essa observação é particularmente relevante hoje em dia. Vivemos em uma cultura de velocidade, reação imediata e atenção fragmentada. Passamos de uma tarefa para outra, de uma notícia para outra, sem quase nenhum tempo para processar o que vivenciamos. A consequência é uma certa superficialidade existencial: muitas experiências nos escapam sem realmente tocar nossos corações.

A tradição espiritual cristã sempre enfatizou a necessidade dessa pausa interior. Santa Teresa de Ávila falava do recolhimento como uma entrada em si mesmo. Madre Prado usa uma linguagem semelhante quando apresenta o recolhimento como o primeiro limiar da meditação: abandonar por um momento as distrações externas para retornar ao próprio centro.

A essa contemplação seguem-se dois outros passos inseparáveis: o silêncio e a escuta. Não se trata simplesmente da ausência de ruído, mas de uma disposição interior que permite prestar atenção. Só quem aprende a silenciar consegue ouvir uma palavra que não se origina em seu próprio interior.

Aqui reside um dos aspectos mais interessantes de sua reflexão. Para a meditação cristã, o silêncio não é um fim em si mesmo. O buscador não medita diante do vazio ou de uma abstração, mas diante de Alguém. A oração surge de uma Presença. O silêncio prepara o Encontro; a escuta aguarda uma Resposta.

Essa ideia ressoa profundamente no Carmelo. Quando Santa Teresa define a oração como "uma partilha íntima entre amigos, muitas vezes passando tempo a sós com Aquele que sabemos que nos ama", ela situa a experiência contemplativa no âmbito de um relacionamento pessoal. A interioridade cristã não é um retraimento para si mesmo, mas uma abertura para Deus.

Outro aspecto notável é a ênfase no fato de que a meditação autêntica não nos distancia da realidade. Pelo contrário, ela nos reconduz a ela com maior clareza. Madre Prado afirma que a meditação que nos aprisiona em nós mesmos permanece incompleta, porque o encontro com Deus leva à assunção da própria responsabilidade no mundo.

Sua defesa da lentidão também é instigante. Em contraste com a obsessão pela eficiência imediata, ela defende o valor do tempo que aparentemente "não serve a nenhum propósito". No entanto, é justamente nesses espaços sem pressa que se desenvolve uma perspectiva mais atenta e humana.

A tradição carmelita conhece bem esse paradoxo. O tempo gasto em oração pode parecer improdutivo de uma perspectiva utilitarista, mas é precisamente esse tempo que dá unidade, significado e direção ao resto do dia.

Talvez uma das imagens mais marcantes da conferência da Madre Prado seja a da "gravidade". A meditação dá peso à vida. Sem esse peso interior, os seres humanos ficam à mercê das circunstâncias; com ele, adquirem estabilidade e profundidade. A autora compara isso àquelas bonecas que se endireitam sozinhas porque possuem um centro de gravidade oculto em seu interior.

Em última análise, a proposta é simples: parar, refletir, silenciar e escutar. Não se trata de escapar do mundo, mas de habitá-lo de uma maneira diferente. Numa época dominada pela pressa, redescobrir a capacidade de meditar pode ser um dos atos mais profundamente humanos e, para o buscador, uma forma privilegiada de se preparar para um encontro com Deus.


Madre Prado



Fonte: Teresa, de la Rueca al la Pluma
Mosteiro das Carmelitas Descalças de Puçol (Valência), Espanha
https://delaruecaalapluma.com/2026/07/21/meditar-recuperar-la-hondura-de-la-vida/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/p%C3%B4r-do-sol-ioga-zen-medita%C3%A7%C3%A3o-4830931/

TUDO FAZ SENTIDO


Será bom lembrar que tudo o que nos ocorre, em qualquer sentido que seja, é o que necessitamos.

Se acontece, vem como uma cura ou ascensão ou talvez como uma porta de acesso a novos espaços internos.

A vida não é plana nem unidimensional, nem mera matéria interagindo por enlaces químicos ao acaso.

É puro mistério e cheia de significado e tecida com fios invisíveis.

A verdadeira textura da vida se percebe com os sentidos do espírito ou abrindo o coração para que se ilumine os sentidos.

Com qual olhar estou vendo o que sucede em minha vida?

Não permita que a opacidade nos domine.

Por trás do véu da razão, há uma luz bela, vivificante e portadora de sentido.


El Santo Nombre



Fonte: https://elsantonombre.org/2026/07/17/todo-tiene-sentido/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/natureza-ao-ar-livre-viajar-por-2990060/

OU DEUS OU A ILUSÃO


Quando alguém sofre dores intensas causadas por uma crise de apendicite, o médico intervém e remove o seu apêndice. Será justo dizer que ele é cruel por fazer uma incisão no abdome do paciente? Certamente que não. Ele faz isso por compaixão, pois, nesse caso, é necessário provocar uma dor física externa para curar uma dor interna.

Similarmente, as provações que Deus coloca diante do ser humano têm como único objetivo ajudá-lo a arcar com as consequências das suas próprias ações. Tudo o que Deus faz é para o benefício dos seres humanos, jamais para prejudicá-los. E por quê? Porque Ele é absolutamente altruísta, livre de qualquer traço de egoísmo ou de interesse próprio. Na verdade, sequer conhece tais defeitos. Entretanto, algumas pessoas atribuem parcialidade, egoísmo e interesse próprio a atos imparciais do Senhor. Isso se deve apenas à sua imaginação, que é precisamente a causa da ilusão que as envolve.

Vocês não poderão obter a plena percepção de Brahman, ou seja, de Deus, enquanto o seu coração estiver tomado pela ilusão! Se não a afastarem do seu coração, serão incapazes de voltar os seus pensamentos para Deus. Saibam que o seu coração possui apenas um lugar. É impossível fazer com que Deus e a ilusão se sentem no mesmo lugar no seu coração! Somente se removerem a ilusão que está nele é que Deus passará a ocupá-lo.

Atualmente, em razão da influência da Kali Yuga ou Idade do Ferro, as pessoas estão tentando fazer com que ambos se sentem no mesmo lugar. Entretanto, por mais que se esforcem, Deus não entrará no seu coração enquanto a ilusão estiver ali. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A LEI DE CONSEQUÊNCIA E O NOSSO DIA A DIA


A Lei de Consequência, ou Lei de Causa e Efeito (1), é uma das Leis de Deus, é a lei da justiça, que decreta que o que semeamos, colheremos.

O que somos, o que temos, todas as nossas boas qualidades são o resultado do nosso trabalho no passado e, portanto, nossos talentos. O que nos falta, física, moral ou mentalmente, é por não termos aproveitado certas oportunidades no passado ou por não as termos vivenciadas, mas em algum momento, em algum lugar, outras se apresentarão para nós e recuperaremos o que perdemos.

Quanto às nossas obrigações e dívidas para com os outros, a Lei de Consequência também trata disso. O que não pode ser resolvido em uma vida acontecerá nas futuras. A morte não anula as nossas obrigações, assim como indo para outra cidade não pagamos as dívidas que contraímos aqui.

A Lei do Renascimento (2) proporciona um novo ambiente, mas nele existem velhos inimigos. E, às vezes, os conhecemos, porque quando conhecemos algumas pessoas pela primeira vez, sentimos como se as conhecêssemos de algum lugar. Isso ocorre porque o Ego (3) rompe o véu da carne e reconhece um velho amigo. Quando, pelo contrário, encontramos uma pessoa que nos inspira medo ou repúdio, é uma mensagem do nosso Ego, que nos alerta contra um inimigo de antigamente. A Lei de Consequência está operando continuamente.

A partir do momento do nascimento, as forças que foram acionadas em vidas anteriores e ainda não se esgotaram, passam a atuar na criança e em seus veículos. Todos os velhos amores e ódios vêm à tona. Antigos inimigos se apresentam, para que o Ego possa traçar com eles seu destino e transformá-los em amigos. Amigos anteriores ajudam o Ego trabalhando com ele para benefício mútuo.

Assim nos aproximamos lenta, mas irresistivelmente, da era da Amizade Universal. Através da Lei de Consequência, aprendemos que cada ato tem a sua responsabilidade correspondente e que cada força que pomos em movimento deve ter o seu efeito correspondente.

Se, por negligência ou egoísmo, causamos sofrimento ou dolo aos outros, fatalmente, a Lei de Consequência trará condições semelhantes em uma data mais remota, e assim compreenderemos a injustiça de agir dessa forma. Se não aprendemos a lição, teremos mais experiências e cada vez mais duras, até que finalmente faremos o esforço necessário e então obtenhamos o poder do autocontrole.

Os Ensinamentos Rosacruzes sobre a vida nos mostram que o mundo que nos rodeia nada mais é do que uma Escola de experiências – a Escola da Vida –, mas atrelada a solução nas inseparáveis Leis ​​de Consequência e Renascimento. Que assim como mandamos a criança para a escola dia após dia, e ano após ano, para que ela aprenda cada vez mais e, à medida que avança nas diferentes séries da escola até a universidade, o mesmo acontece com a gente, como Filho de Deus, entra na Escola da Vida. Mas numa vida mais ampla, onde para cada um de nós em cada dia escolar é para nós uma vida terrena, e a noite entre os dois dias letivos corresponde ao "sono" após a morte na vida mais ampla de cada um de nós.

Veja que numa escola há muitas séries. Onde as crianças mais velhas que frequentam a escola há muito tempo têm de aprender lições muito diferentes daquelas aprendidas pelas crianças pequenas que frequentam o “jardim de infância”.

Da mesma forma, na Escola da Vida, aqueles que ocupam altos cargos, sendo dotados de grandes faculdades, são os nossos Irmãos Maiores, e os retardatários são aqueles que mal frequentam as primeiras séries escolares. O que eles são, nós seremos, e todos acabarão por chegar a um ponto em que serão mais sábios do que os mais sábios que conhecemos agora.

Se os atos que praticamos forem construtivos e respeitarmos os direitos dos outros, então na vida futura nasceremos em condições que nos trarão sucesso e felicidade.

Se, pelo contrário, cedermos às nossas paixões, nossos desejos, sentimentos ou as nossas emoções inferiores, sem consideração pelos outros, ou se formos insolentes, preguiçosos e descuidados, certamente, renasceremos em condições e entre pessoas que farão da nossa vida um fracasso, e que nos trarão muitos sofrimentos. Através destes fracassos, porém, aprenderemos onde erramos em vidas anteriores e saberemos o que precisamos fazer para remediar o passado.

Assim, aplicando a nossa força de vontade na solução do problema, obteremos sucesso, e a Lei de Consequência, a partir desse momento, funcionará a nosso favor, e não contra nós.

Que as rosas floresçam em vossa cruz!


Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/desenvolvimento-evolu%C3%A7%C3%A3o-projeto-2001855/


Notas deste Blog:

(1) Carma ou Karma e ainda Ação e Reação em outras tradições.
(2) Reencarnação em outras tradições.
(3) Espírito, Alma, Eu Superior, Self etc. em outras tradições.