terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A REFLEXÃO QUE CONDUZ AO AUTOCONHECIMENTO


O conhecimento acerca de nosso potencial e de nossas limitações são fundamentais. É preciso saber onde você está, para poder descobrir como se faz para chegar onde você quer, e, nesse processo de crescimento você precisará manter o seu equilíbrio interior para saber como agir de maneira correta diante de diferentes situações e pessoas.

O autoconhecimento lhe permitirá ter uma percepção mais ampla acerca dos próprios valores e da forma como você interage com as pessoas. Portanto, ao reconhecer suas forças e aceitar suas fraquezas você estará a caminho do seu crescimento, e isso trará maior autocontrole e satisfação interior.

A fascinante jornada, chamada busca interior, lhe proporcionará a autoconfiança, que pode ser traduzida na expectativa, consciência e fé na sua própria capacidade de realização, e nos poderes do seu subconsciente, também chamado de inconsciente.

O inconsciente ou subconsciente é a camada mais profunda da mente humana; é como se fosse a parte oculta do enorme bloco de gelo que flutua nas águas geladas das regiões polares, chamado iceberg. O inconsciente pode ser representado pela parte que fica abaixo da linha da água; é a menos usada e a mais poderosa. Cuidado, pois um iceberg foi responsável pelo naufrágio do transatlântico Titanic, que, até então, era considerado insubmergível pelos seus criadores e especialistas da época.

Tudo que fazemos de forma automática pela força do hábito é comandado pela mente subconsciente. É como dirigir um automóvel enquanto se pensa na vida.

Mahatma Ghandi já nos alertava sobre o fato de que nossos pensamentos geram ações, que praticadas de forma reiterada criam o hábito, que forma e consolida o nosso caráter, e ao final, determina qual será o nosso destino.

Hoje, mais do que nunca, percebemos a importância que a sinceridade, os valores e os princípios morais têm em nossas vidas e no desdobramento de nosso destino. O dramaturgo William Shakespeare, que se imortalizou com importantes obras, como “Romeu e Julieta” e “Hamlet”, disse certa vez: “Para teu próprio proveito, sê verdadeiro”.

O grande líder pacifista Mahatma Ghandi, responsável pelo movimento que libertou a Índia do domínio inglês com o uso da estratégia da não-violência, deixou a lição de que somos nós os agentes da mudança que desejamos ver no mundo, pois tudo parte de nós e a nós retorna. Ghandi pensava e agia em conformidade com a lei mental e transpessoal de causa e efeito, onde a sabedoria e equilíbrio aplicados na interação humana produzem resultados positivos e pacificadores. A figura íntegra e as atitudes de Ghandi geravam forte empatia em seus adversários, provocando "insights" capazes de provocar mudança imediata na forma de pensar e agir.

Ao tornar-se agente da mudança, você passa a se envolver, a se emocionar e orgulhar-se de suas escolhas, e tudo isso faz nascer a vontade de ajudar as pessoas a se desenvolverem, e assim você dá início ao processo de aprendizagem contínua e gratificante.

A única coisa que podemos dar a outrem sem perdas é o conhecimento. O conhecimento tem efeito multiplicador de benefícios. A troca de conhecimentos é uma verdadeira negociação ganha-ganha em que ambas as partes saem vitoriosas e satisfeitas, gerando o chamado círculo virtuoso.

A expansão da consciência humana, no sentido transcendental do cosmos tem o seu "start" no autoconhecimento.

Distribua conhecimento, divida seu conhecimento. No ato de aprender e ensinar se encontra o segredo do desenvolvimento humano.


Nelson Tanuma



Fonte: www.nelsontanuma.com.br
via: Espiritualidade e Sociedade
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

SEU CENTRO É A PORTA DE ENTRADA PARA O CENTRO DE TUDO


Quando alguém começa a meditar, precisa ter fé de que recitar a palavra (1) é uma atividade significativa. Precisa ter fé de que a jornada da meditação leva às profundezas da compreensão, da profundidade à experiência, conduzindo-nos a uma convicção pessoal absoluta da realidade na qual estamos enraizados.

Realizamos nosso ato de fé sob a autoridade de uma tradição que os homens trilharam ao longo dos séculos com generosidade, amor e fidelidade, e que, nesse processo, alcançaram compreensão, compaixão e sabedoria.

O chamado à meditação é um convite para deixarmos de viver nossas vidas baseados em evidências de segunda mão. É um chamado para que cada um de nós tome consciência de nossa capacidade espiritual e descubra, por nós mesmos, a riqueza surpreendente do potencial humano ancorado na realidade divina, no poder da vida divina. E é também um convite para simplesmente nos abrirmos a esse poder, para sermos energizados por ele e para nos permitirmos ser conduzidos às profundezas da própria realidade divina.

O processo experiencial é muito importante. Devemos ter cuidado para não nos deixarmos embriagar apenas pela mensagem, apenas pelas boas novas, apenas pelas ideias do evangelho. Devemos mergulhar nisso, vivenciá-lo, vê-lo. E a meditação é o processo de mergulhar nisso, vivenciá-lo e vê-lo. Recitar seu mantra (2) todos os dias, dedicar tempo à meditação, de manhã e à noite, e colocar sua jornada espiritual e sua realidade espiritual no centro de sua vida — isso é o que importa.

Essa sabedoria tradicional foi compartilhada pelo poeta sufi Attar. Em suas palavras, ele descreve apropriadamente o que é a jornada da meditação, por que é importante para cada um de nós conectar-se com nossa capacidade espiritual:

“Venham, átomos perdidos, ao seu centro, aproximem-se e sejam o espelho eterno que os viu. Raios que mergulharam na escuridão, atrás do seu sol, parem.” (3)

É disso que se trata a meditação: retornar ao seu centro e descobrir que o seu centro é a porta de entrada para o centro de tudo. E para isso, precisamos parar de viver na superfície; precisamos mergulhar nas profundezas. Jesus descreve isso com estas palavras:

“Observem os lírios, como crescem: não trabalham não fiam nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em toda a sua glória, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! Portanto, não se preocupem com o que comer ou beber, nem fiquem ansiosos. Pois os homens do mundo é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai de vocês sabe que precisam de tudo isso. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” (Lucas 12:27-31)

É disso que se trata a meditação: concentrar nossas mentes no Reino e no poder de Deus, na realidade divina.


João Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mevlana-konya-turquia-museu-6019965/



Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html


(1) PALAVRA - Maranatha é uma expressão aramaica que, resumidamente, significa: “Vem, Senhor!”, e que é uma das expressões (mantras) usadas na tradição cristã. Obviamente, o mantra (palavra) pode ser outro conforme a tradição (cabala, budismo, hinduísmo, sufismo etc.) (Nota deste blog)

(2) MANTRA, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação. (Nota deste blog)

(3) Esta citação, atribuída ao poeta e místico sufi Farid ud-Din Attar, é um apelo poético à unidade divina e ao retorno da alma à sua origem. Convida os "átomos perdidos" (almas individuais) a retornarem ao "centro" (Deus), tornando-se o "espelho" que reflete a eternidade, e pede aos raios (consciência dispersa) que cessem a busca na escuridão e retornem à fonte solar. (via IA)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Não se deixe atrair pelo que já faz parte do passado; por que olhar para trás? O tempo continua a avançar e o ciclo da vida continua a girar. Não pare, pois se ficar parado, deixará de viver a única coisa que existe: o presente. Este momento é precioso... Se você estiver atento e alerta verá cada segundo passar como um convite para viver: do velho ao novo.


Enquanto os dramas mundiais continuam a se desenrolar diante de nós, encontro conforto neste pensamento: um dia, o poder espiritual - fundamentado em pureza, paz, amor e no apoio da Fonte - derrotará o poder do ódio e da ganância. Eu desempenho o meu papel para que isso aconteça.


O início de minha jornada de autodescoberta é entender que eu sou o criador de meus pensamentos, palavras e ações e, assim, assumir a responsabilidade por eles. É importante responder conscientemente aos eventos internos e ao meu redor. A cada dia, reflito sobre minhas reações e busco força naquele que é meu confortador e guia.



Fonte: Brahma Kumaris
https://brahmakumaris.org.br/
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domingo, 25 de janeiro de 2026

COMO A NOSSA MENTE NOS FAZ REPETIR OS ERROS


Como nossa mente nos faz repetir os erros e o que fazer para evitar isso. É preciso muito esforço cognitivo para mudar os atalhos mentais que já construímos.


É errando que se aprende. Pelo menos, a maioria de nós já ouviu isso.

Mas a ciência mostra que, muitas vezes, deixamos de aprender com os erros do passado. E, em vez disso, costumamos repetir os mesmos erros.

O que quero dizer com erros aqui?

Acho que todos nós concordamos que aprendemos rapidamente que, se colocarmos a mão em um fogão quente, nos queimamos. E, por isso, provavelmente não iremos repetir este erro.

Isso acontece porque o nosso cérebro cria uma resposta à ameaça de estímulos fisicamente dolorosos com base em experiências prévias.

Mas, quando a questão é o pensamento, os padrões de comportamento e a tomada de decisões, nós repetimos nossos erros com frequência – como ocorre quando chegamos atrasados para os nossos compromissos, deixamos tarefas para a última hora ou julgamos as pessoas com base na primeira impressão.

O motivo pode estar na forma em que o nosso cérebro processa as informações e cria os modelos que consultamos repetidamente. Esses modelos são, essencialmente, atalhos que nos ajudam a tomar decisões no mundo real.

Mas esses atalhos mentais, chamados de heurísticas*, também podem nos ajudar a repetir os nossos erros.

No meu livro "Sway: Unravelling Unconscious Bias" (Oscilações: desvendando o viés inconsciente, em tradução livre), comento que os seres humanos não são naturalmente racionais, como nós gostaríamos de acreditar. A sobrecarga de informações é confusa e cansativa; por isso, nós filtramos o ruído.

Nós observamos apenas partes do mundo. Temos a tendência de observar o que é repetitivo, haja ou não algum padrão, e costumamos preservar a memória generalizando e recorrendo à tipificação.

Nós também tiramos conclusões a partir de dados esparsos e usamos atalhos cognitivos para criar uma versão da realidade na qual queremos implicitamente acreditar. Isso cria um fluxo reduzido de recebimento de informações, o que nos ajuda a ligar os pontos e preencher as lacunas com aquilo que já conhecemos.

E, por fim, o nosso cérebro é preguiçoso. É preciso muito esforço cognitivo para mudar os roteiros e atalhos que já construímos.

Por tudo isso, somos mais propensos a cair sempre nos mesmos padrões de ação e comportamento, mesmo quando sabemos que estamos repetindo nossos erros.

Este comportamento é chamado de viés de confirmação – nossa tendência de confirmar aquilo em que já acreditamos, em vez de alterar nossa mentalidade para incorporar novas ideias e informações.

Também fazemos uso com frequência dos instintos – uma espécie automática e subconsciente de pensamento, baseada no acúmulo de experiências passadas – para tomar decisões e fazer julgamentos em situações novas.

Às vezes, nós insistimos em certos padrões de comportamento e repetimos nossos erros devido a um "efeito do ego" que nos induz a manter nossas crenças pré-existentes. Temos a tendência de escolher seletivamente as estruturas de informação e feedback que nos ajudem a proteger nosso ego.

Um estudo mostrou que, quando as pessoas são relembradas dos sucessos do passado, elas costumam repetir mais esses comportamentos bem-sucedidos. Mas, quando elas estão cientes ou são ativamente relembradas dos seus fracassos, a probabilidade de alterar o padrão de comportamento que gerou aquela frustração é menor.

Ou seja, as pessoas, na verdade, costumam repetir os mesmos comportamentos.

Isso acontece porque, quando pensamos nos nossos fracassos do passado, provavelmente ficamos tristes. E, nesses momentos, somos mais dispostos a perdoar aquele comportamento que nos é confortável e familiar.

Mesmo quando pensamos de forma lenta e cuidadosa, o nosso cérebro tem um viés voltado para as informações e modelos que havíamos usado no passado, mesmo que eles tenham resultado em erros. Este é o chamado viés da familiaridade.

Mas também é possível aprender com nossos erros. Em outro experimento, por exemplo, macacos e seres humanos precisaram assistir a pontos barulhentos que se moviam sobre uma tela e analisar sua direção final de movimento.

Os pesquisadores concluíram que as duas espécies reduziam a velocidade depois de um erro. E, quanto maior o erro, maior seria a desaceleração posterior ao erro, o que demonstra que mais informações estavam sendo acumuladas.

Mas a qualidade dessa informação era baixa. Nossos atalhos cognitivos podem nos forçar a descartar qualquer informação nova que possa nos ajudar a evitar a repetição dos erros.

E, de fato, quando cometemos erros na realização de uma determinada tarefa, o "viés da frequência" nos torna propensos a repeti-los, sempre que fizermos a mesma tarefa outra vez.

Resumidamente, o nosso cérebro começa a considerar que os erros que cometemos anteriormente são a forma correta de realizar uma tarefa, criando o "caminho do erro" habitual.

Por isso, quanto mais repetirmos as mesmas tarefas, maior será a nossa chance de percorrer o caminho que levou ao erro, até que ele fique profundamente enraizado e se torne um conjunto de atalhos cognitivos permanentes no nosso cérebro.


Controle cognitivo

O panorama parece desanimador. Mas será que há algo que podemos fazer?

Nós temos uma habilidade mental que pode se sobrepor às heurísticas, conhecida como "controle cognitivo". E há estudos neurocientíficos recentes com camundongos que estão nos dando uma ideia melhor de que partes do cérebro estão envolvidas nessa habilidade.

Os pesquisadores também identificaram duas regiões do cérebro que abrigam "neurônios monitoradores dos próprios erros" – células cerebrais que monitoram erros. Estas áreas estão no córtex frontal e, aparentemente, são parte de uma sequência de etapas de processamento, que inclui desde retomar a concentração até aprender com nossos erros.

Os pesquisadores estão estudando se uma melhor compreensão deste mecanismo pode ajudar a desenvolver melhores tratamentos para pacientes com Alzheimer, já que a preservação do controle cognitivo é fundamental para o bem-estar na idade avançada.

Mas, mesmo se não tivermos a compreensão exata dos processos cerebrais envolvidos no controle cognitivo e na autocorreção, há medidas mais simples que podemos tomar. Uma delas é nos sentirmos mais confortáveis quando cometermos erros.

Talvez imaginemos que esta seja uma atitude errada em relação aos fracassos – mas, na verdade, é um caminho mais positivo para o progresso.

Nossa sociedade rejeita as falhas e os erros e, por isso, costumamos sentir vergonha dos nossos erros e tentamos escondê-los.

Quanto mais culpa e vergonha nós sentirmos e quanto mais tentarmos esconder os nossos erros dos outros, maior a nossa probabilidade de repeti-los. E, quando não nos sentimos tão desapontados com nós mesmos, maior a chance de absorvermos novas informações que podem nos ajudar a corrigir os nossos erros.

Também pode ser uma boa ideia fazer um intervalo na realização de uma tarefa que queremos aprender a fazer melhor.

Reconhecer as nossas falhas e fazer uma pausa para analisá-las pode nos ajudar a reduzir o viés de frequência, nos tornando menos propensos a repetir nossos erros e a reforçar os caminhos que nos levam a eles.


* Heurística: significa “descobrir”, "inventar". Em sua acepção moderna, refere-se a métodos informais, intuitivos ou baseados em regras práticas usados para resolver problemas, tomar decisões ou fazer julgamentos de forma rápida.


Pragya Agarwal
Professora de desigualdade e justiça social da Universidade de Loughborough, no Reino Unido.
Visiting Professor of Social Inequities and Injustice, Loughborough University


Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation:
https://theconversation.com/global
Republicado sob licença Creative Commons.
Versão original em inglês:
https://theconversation.com/how-the-brain-stops-us-learning-from-our-mistakes-and-what-to-do-about-it-203436
Este texto foi primeiro publicado em língua portuguesa pela BBC NEWS: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4nw80547plo

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2023/05/como-nossa-mente-nos-faz-repetir-os-erros-e-o-que-fazer-para-evitar-isso.shtml
Via: Espiritualidade e Sociedade
https://www.espiritualidades.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/c%c3%a9rebro-ativa%c3%a7%c3%a3o-cerebral-tecnologia-8789957/

sábado, 24 de janeiro de 2026

LEVAR AS CARGAS UNS DOS OUTROS (Gl 6,2)


Uma pessoa me perguntou como se pode conciliar a lei do carma com as palavras: "Levai as cargas uns dos outros" (Gl 6,2) que significam que se deve carregar o peso dos erros de outrem.

Esse problema aparece frequentemente nas mentes humanas; queria explicá-lo.

As palavras "Levai as cargas uns dos outros" são uma tradução inexata, pois deveria ser: ajudem-se uns aos outros a levar suas cargas.

Cada um de vocês, antes de encarnar, escolheu seu condicionamento na vida, isto é, suas limitações, seu ambiente etc. Durante o processo da descida à matéria, vocês esqueceram e agora, devido às dificuldades em que se encontram, diversas dúvidas e temores os assaltam. Sofrendo, mesmo os melhores entre vocês, começam a duvidar da sabedoria divina. Dizem: "Se Deus existe, por que me faz sofrer tanto? Como, nessas condições, posso acreditar na justiça divina?".

À medida em que o homem avança em idade, começa a compreender um pouco mais da Sabedoria Divina.

Tomemos, como ilustração, o caso de um homem que possui um querido companheiro: um animal que lhe deu muito amor e trouxe muita alegria. Chega o tempo em que o animal envelhece ou adoece e o dono sabe que nada pode fazer para que melhore. O animal não é mais feliz e o dono pergunta se deveria abreviar-lhe a vida ou esperar o seu fim natural. O homem, na ignorância da Sabedoria Divina e vendo o estado do animal, decide abreviar-lhe a vida. Sem dúvida, é uma ação humanitária, mas, por outro lado, é uma interferência no carma do animal. Se fosse permitido que sua vida continuasse um pouco mais, não haveria necessidade do retorno do animal para as mesmas condições.

Algo de parecido acontece com vocês. Foram vocês mesmos que, para progredir mais, escolheram o próprio condicionamento, seu conjunto de amigos. Antes de descer à matéria, tomaram conhecimento e aceitaram os sofrimentos e aflições que deveriam encontrar na vida. Aceitaram, talvez, um veículo que possuiria em si a semente de alguma fraqueza, de alguma doença física ou defeito. Aceitaram-no como meio de pagar dívidas, pagar o preço de velhos erros. Portanto, é importante que agora possam, com paciência, suportar suas dificuldades. No entanto, encarnando e esquecendo isso, acham, amiúde, que sua carga está pesada demais e procuram libertar-se dela. O Senhor, que vigia a alma que luta contra seu destino, poderia mudar tudo, mas conhece a razão daquele sofrimento e, com amor e sabedoria, não lhe tira a carga, mas fortalece aquela alma para que possa tudo suportar. Assim, ela se liberta desse determinado carma.

O homem precisa, às vezes, de muita fé, de uma grande firmeza para superar tais dificuldades. Sentindo a amizade, a simpatia e a participação sincera de um outro ser, ele suportá-las-á mais facilmente e não se atrasará na natural evolução. A gentileza, os sentimentos e as ações fraternais entre os humanos fortalecem as almas e assim elas se ajudam mutuamente a carregar seu peso.

Se seu semelhante estiver doente, usem toda sua capacidade para curá-lo, mas sempre com o pensamento: se tal for a Vontade Divina!... Submeter sua própria vontade à Divina, é o primeiro passo na direção de alcançar o poder de curar. Não fiquem desanimados se seus esforços não parecem trazer resultados; procurem transmitir ao doente a convicção de que, com o tempo, ele glorificará Deus. Toda a doença pode ser curada se, pela perfeição do seu amor para com Deus, o doente venceu qualquer temor. E, também, nenhum toque mágico de um ser superior curará um doente antes que este alcance o estágio, em que a cura seja permitida e que ele seja receptivo ao toque.

A estada do homem na Terra é curta, e, durante sua vida, ele está sendo instruído e vigiado. Em certos períodos, deve renunciar a várias coisas em vários planos, mas, com o tempo, chega à compreensão de que, tudo quanto acontece, trabalha para o bem. Sua abnegação cresce à medida que cresce a alma.

Somente uma alma nova é impaciente e rebela-se contra qualquer limitação. Uma alma que adquiriu experiência e sabedoria sabe que os obstáculos que encontra são necessários para que adquira a paciência, a perseverança ou qualquer outra qualidade, da qual carece. Em cada estágio de progresso, o homem cria para si determinados obstáculos. Superando-os, passa ao estágio seguinte, e neste aparecem novos obstáculos. Todos devem ser vencidos e reabsorvidos.

Quando as lições forem aprendidas, os obstáculos serão removidos e, quanto mais a alma lutou, maior paz alcançará; tornar-se-á livre de encarnar ou não, segundo sua vontade, e, mesmo encarnando, não esquecerá as lições aprendidas.

O homem que possui a sabedoria faz tudo que pode, para ajudar um ser amado a alcançar um estado superior de evolução. Ele não perdeu a capacidade de sofrer por um ser amado, mas sabe ser impessoal.

No momento em que a pessoa sofre, Deus lhe parece estar bem longe; no entanto, Ele sempre está dentro do ser humano, participando da sua dor e fortalecendo-lhe a alma.

A paciência e a coragem nas provações ajudam mais a evolução do que outras qualidades. Lembrem-se disso quando as dificuldades surgirem na sua vida. Para alguns dentre vocês, o ano passado foi muito difícil e, observando-os, vejo que sua Luz tornou-se mais clara. Compreendam, também, que cada um pode aprender, compartilhando com as lições de outrem, participando delas com amor e sabedoria. São uma só família e, o que afeta um, deveria afetar também o outro. Façam sentir essa união aos que sofrem. No amor não há separação.


K. Barkel / I-Em-Hotep



Fonte: do opúsculo "Fragmentos do Ensinamento de I-Em-Hotep"
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista
Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/l%c3%a3-de-madeira-madeira-1186917/

AS BATATAS


O professor pediu para que os alunos levassem batatas e uma sacola plástica para a aula.

Durante a aula, ele pediu para que separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam mágoas, escrevessem os seus nomes nas batatas e as colocassem dentro da sacola.

Algumas das sacolas ficaram muito pesadas.

A tarefa consistia em, durante uma semana, levar para todos os lados a sacola com as batatas.

O incômodo de carregar a sacola, a cada momento, mostrava-lhes o tamanho do peso espiritual diário que a mágoa ocasiona.

Bem como o fato que, ao colocar a atenção na sacola, para não esquecê-la em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.

Esta é uma grande metáfora sobre o preço que se paga, todos os dias, para manter a dor, a bronca e a negatividade.

Principalmente quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o estresse e roubando nossa alegria.

Perdoar e deixar estes sentimentos ir embora é a única forma de trazer de volta a paz e a calma.

Vamos lá... jogue fora suas "batatas" e sorria!


Autor Desconhecido



Fonte: http://www.siteamigo.com/msg/batatas.htm
Via: Sociedade e Espiritualidade
https://www.espiritualidades.com.br/index.htm
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/batatas-vegetais-tub%c3%a9rculo-1585075/

ANATMAN: O NÃO-EU


Nossos pensamentos, medos, fantasias, esperanças, raiva e desejos surgem e desaparecem constantemente em nossas mentes. Identificamo-nos automaticamente com esses estados fugazes ou recorrentes compulsivamente, sem termos consciência do que estamos pensando. Quando o silêncio nos ensina o quão instáveis ​​esses estados são, somos confrontados com questões perturbadoras sobre quem realmente somos. Lutamos com a possibilidade aterradora de nossa própria não-realidade.

O pensamento budista considera essa experiência, que chama de “anatman” ou “não-eu”, um dos pilares da sabedoria central no caminho do sofrimento à iluminação. O budismo encoraja o praticante a buscar essa sensação de transitoriedade interior e, em vez de fugir dela, a imergir-se completamente na experiência, como fizeram os grandes místicos cristãos. Compreensivelmente, “anatman” é o conceito budista com o qual muitas vezes mais lutamos. Podemos pensar: “Que absurdo, que terrível, que sacrilégio dizer que eu não existo”. Na verdade, a maior parte da oposição cristã ao conceito de “anatman” é infundada ou devida a interpretações equivocadas. Não significa que não existimos, mas sim que não existimos com independência autônoma, que é o tipo de existência que o ego gosta de imaginar possuir.

Eu não existo por mim mesmo porque Deus é o fundamento do meu ser. À luz dessa compreensão, lemos as palavras de Jesus com uma percepção mais profunda: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente e siga-me; e quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará”. Se, através do silêncio, pudermos abraçar a verdade do “anatman”, descobriremos que a consciência, a alma, é muito mais do que o surpreendente sistema de cálculo e julgamento do cérebro. Somos mais do que nossos pensamentos.


“O Silêncio da Alma”. Trecho do artigo de Laurence Freeman OSB em “The Tablet” (10 de maio de 1997).


Carla Cooper



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/anjo-tristeza-adeus-triste-8247278/

VERDADE - RETIDÃO - AMOR - PACIÊNCIA


Satisfeito com o que possui, recusando-se a se preocupar com a falta das coisas que não tem, tentando, na medida do possível, reduzir e eliminar os desejos, as paixões e os ódios, o ser humano deve se esforçar para cultivar a verdade, a retidão, o amor e a paciência. Cultive essas qualidades e, ao mesmo tempo, pratique-as sistematicamente. Esse é o verdadeiro dever da humanidade, o verdadeiro propósito do nascimento humano. Se as quatro qualidades mencionadas acima forem cultivadas e praticadas por cada indivíduo, não haverá inveja entre as pessoas. A apropriação egoísta deixará de existir, os interesses de todos serão respeitados e a paz mundial se estabilizará. Por outro lado, se você não experimenta paz, como pode garantir a paz no mundo? Os entusiastas da paz mundial devem, antes de mais nada, aprender, eles mesmos, a experimentar e a desfrutar dessa paz. Só então poderão irradiá-la para o mundo exterior e ajudar a promovê-la. (Prasanthi Vahini, Cap. 15)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte: https://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/%c3%addolo-hindu%c3%adsmo-deus-%c3%adndia-1834688/

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Não é possível parar o tempo; ele é passageiro, efêmero, temporário. Desperdiçá-lo é ter, em algum momento, um motivo para se arrepender. Valorizo o segundo, o momento, o instante. Escolho semear, construir, apreciar, compartilhar.


Não violência é uma filosofia muito profunda. Não se trata apenas de não prejudicar ninguém fisicamente, mas também de evitar prejudicar o autorrespeito de alguém. Torno minha essa ética de delicadeza e cuidado. Pratico comigo mesmo, trato-me com doçura e suavidade, e é assim que aprendo a fazer isso com os outros.


Hoje, examino a jornada de minha vida. Estou me tornando o que quero me tornar? As decisões que tomo a cada momento me conduzem a algo construtivo? Estou indo para onde quero ir?


Esta vida é muito valiosa. Aproveito cada segundo, cada respiração, cada momento, para manter alma e corpo plenos. Ando consciente de minha existência e de todas as oportunidades de experimentar um estado de beleza interna.



Brahma Kumaris




Fonte: https://brahmakumaris.org.br/
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A AUTOANÁLISE E COMPREENSÃO DE OUTREM


Quando algo em seu semelhante lhes desagrada, procurem lembrar que a alma dele, assim como a sua, aspira às Alturas, ao serviço, à paz e ao amor.

A personalidade manifestada do seu semelhante está apenas desempenhando um determinado papel no palco do mundo. Não fiquem enganados pela aparência; procurem compreender a alma, perceber o Divino em cada um; então, talvez, descobrirão a união que existe entre todos.

Quando chegarem à compreensão de serem unos com Deus e seus semelhantes, devem abandonar toda a crítica. Esta deve ser dirigida a si mesmos, para se darem conta de suas próprias fraquezas. Condenando a outros, condenam a si próprios. Cada palavra de condenação proferida por vocês provoca uma reação no invisível e atrai-lhes "elementais" que verificam que tipo de ser humano é aquele que condena outros e constatam que não merecem ser servi-dos. O hábito de achar falta em outros é um dos maiores obstáculos na vida de um espiritualista. Os que possuem amor por seus semelhantes não percebem suas faltas. Se guardarem bem na mente as minhas palavras e conseguirem vencer, até o nosso próximo encontro, a tentação de achar faltas em outros, perceberão que progrediram consideravelmente. Superar este costume, resulta rapidamente em trazer à superfície as suas próprias faltas que, assim, podem ser eliminadas. A autoanálise ajuda a tirar o véu que cobre o aspecto divino em cada um.

Sei que, apesar de tudo que aprenderam e apesar de suas aspirações, a influência da matéria na qual estão imersos, sendo encarnados, é muito forte; entretanto, não se deixem absorver inteiramente por ela, não deixem que ela oculte sua Luz interna.

A personalidade que usam durará pouco tempo. Seu Ser verdadeiro é uma emanação do Pai-Mãe, Deus. Encarnando, identificaram-se com o papel que escolheram; mas, no fundo do seu coração, sabem que sua personalidade não é seu Ser real. Precisam saber que no seu semelhante arde a Chama Divina como em você; é apenas a personalidade que manifesta diversas fraquezas.

Se julgarem os outros, mais cedo ou mais tarde, a mesma maneira de julgar será aplicada a vocês. Cada palavra que deprecie os outros, que é maldosa, com o tempo voltará a vocês. Voltará talvez em condições diferentes, talvez no momento em que estejam enfrentando outras dificuldades. Rebelar-se-ão, então, contra Deus, achando-O injusto, pensando que os trata mal. Não é assim. Deus é sempre Amor, Sabedoria e Justiça. Nada lhes poderia acontecer, sofrimento ou felicidade, dor ou alegria, paz, simpatia ou hostilidade se vocês mesmos não o tivessem criado no passado.

Compreendendo-o, serão, talvez, mais tolerantes, mais amigáveis um para com o outro e, sendo assim, plantarão sementes que, com o tempo, produzirão frutos.

São vocês mesmos que, pelo seu egoísmo, diminuem sua Luz interna, a sua capacidade de ver e de ouvir. Se cultivarem em si essa Luz, ela se expandirá em todos os planos de consciência e vocês tornar-se-ão capazes de serem arautos da manifestação da Força Divina na Terra.


K. Barkel / I-Em-Hotep



Fonte: do opúsculo "Fragmentos do Ensinamento de I-Em-Hotep"
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista
Porto Alegre/RS
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A EXPERIÊNCIA DE EXPANSÃO


O homem verdadeiramente espiritual é aquele que está em harmonia e que vive em harmonia consigo mesmo, com os outros e com Deus. O que você aprenderá em sua meditação é que estando no seu centro, você está com Deus. Este não é apenas o ensinamento das religiões orientais, mas é o fundamento do Cristianismo. Nas palavras de Jesus: “O reino dos céus está em vós”. E no reino, no ensino de Jesus, há uma experiência. É a experiência de Deus. É a experiência da energia básica do universo. E, novamente, na visão de Jesus, entendemos que este poder básico, do qual deriva a vida, é o Amor.

A experiência cristã é aprender a viver neste nível de realidade. São João da Cruz expressa isso dizendo que Deus é o centro da sua alma. Você está convidado a descobrir, testar e validar isso através de sua própria experiência. Este convite é para descobrir a energia e o poder no seu centro, no silêncio, na quietude - você descobrirá o poder da paz que vai além da nossa compreensão.

Temos que usar algumas palavras para definir isso. Podemos usar a palavra “iluminação” ou “vitalização”. Mas estes são termos que descrevem o que pode ser conhecido por nós. A maravilha da experiência da oração, da meditação profunda, é que na experiência do poder de Deus despertamos para a realidade – para a realidade de tudo. Descobrimos que não podemos conhecer a realidade de fora, e é por esta razão que não existe realidade fora de Deus. Por esta razão, devemos entrar. Devemos renunciar ao mundo da ilusão para entrar no mundo da realidade. A energia que surge da meditação não é uma energia externa. É a verdadeira força vital que cada um de nós possui, que nos leva à plenitude e que se torna verdadeira quando transformamos a nossa atenção sobre nós mesmos e a dirigimos para o outro. Esta é a experiência da transcendência. Esta é a experiência de expansão do espírito que nos leva inteiramente ao dom do nosso ser.


John Main, OSB



Fonte: do livro "Momento de Cristo"
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
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Para mais detalhes ver:

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

MÉDIUNS E MEDIUNIDADE - NA AÇÃO DA CARIDADE A MEDIUNIDADE SE AGIGANTA (Parte 5)



Na ação da caridade a mediunidade se agiganta

O médium que se dedica ao exercício da caridade, realiza mister relevante. Não é necessário salvar o mundo, basta salvar-se a si mesmo e salvar a pessoa mais próxima que está perto dele, uma pessoa que está dentro de casa, porque há pessoas que querem salvar a humanidade inteira e são verdadeiros tiranos dentro do lar, odiando a todos.

Não exercem o primeiro dever, pois o próximo, é o ser que está mais perto de nós, dali partindo para a Humanidade.

Quem não ama aos seus, aos outros jamais amará. Terá paixões, terá entusiasmo e decepções. Depois a frase é de Jesus: "Quem não ama a quem vê, como poderá amar a quem não vê? Se não vos amais a vós mesmos que vos vedes, como amareis a vosso Pai a quem não vedes?" Pode haver maior força de lógica? (Fonte para estudo: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI)

Daí, é necessário que o exercício da caridade paute a nossa vida, não só dos médiuns, mas de todas as criaturas, e do médium em particular, por ser ele alguém aquinhoado com recursos que a outrem falte.

Todas as pessoas são médiuns, alguns com mais amplas possibilidades, como todo mundo normal tem inteligência, mas há uns que têm uma memória excelente. Há em quase todos nós a presença da mediunidade e em alguns, características mais acentuadas. Equivale dizer que se todos nós exercitarmos a mediunidade, aumentá-la-emos no seu grau de percepção.

Há pessoas que não têm capacidade para escrever, mas fazendo exercícios, terminam, por automatismo, escrevendo. Há pessoas que não têm capacidade para cantar, mas educando a voz conseguem alguma harmonia. Assim também é a mediunidade; exercitando, a pessoa logra realizar o mister para o qual a mediunidade está presente.

Mas na ação da caridade a mediunidade se agiganta. É lamentável ver que médiuns que começam com grande entusiasmo, emulados pelo ego, depois se desencantam até no exercício do passe. Isso não é bom. Apesar de suas dificuldades momentâneas ou pequenos distúrbios, não devem abandonar a tarefa. Devem esforçar-se para manterem-se em condições de aplicar o passe, pois quem é veículo do perfume, terminada a ação, fica perfumado.

Há um modo muito cômodo entre os espíritas: pedirem para que nós oremos por eles. Jesus recomendou que o fizéssemos, mas desde que ele ore por si. "Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXV)

A oração é um estado de comunhão com Deus e o médium acaba por viver esse estado de comunhão com Deus, através dos bons pensamentos, que são a melhor técnica de oração. Mas, como a oração é a arte de se abrir a Deus, a ação é o efeito da prece. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVII)


Divaldo Pereira Franco



Fonte: Espiritualidade e Sociedade
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MÉDIUNS E MEDIUNIDADE - A LEI DOS FLUÍDOS (Parte 4)


A lei dos fluídos

A mediunidade, para continuar a ser desenvolvida, vai exigir do indivíduo disciplinas morais, porque as disciplinas morais fá-lo-ão atrair entidades respeitáveis. "Dize-me com quem andas e eu te direi quem és. Dize-me que és, e eu caracterizarei as tuas companhias."

Portanto, é necessário que o médium se moralize, para que os Espíritos simpáticos e nobres que com ele se afinem, passem a ajudá-lo.

É indispensável ao médium estudar, para que compreenda como é o mecanismo da mediunidade. O estudo da Doutrina é muito importante, sobretudo nos dias atuais, quando vemos proliferar a mediunidade desordenada, a serviço de interesses subalternos em proveito pessoal.

Um médium que cultiva o estudo sério se conscientiza de suas responsabilidades perante a faculdade que detém.

Sabe-se que, por exemplo, a respeito de certa prática que vem ocorrendo, em que médiuns podem receber qualquer Espírito. Isso não corresponde à verdade, pois existe a lei dos fluídos, em que os semelhantes se atraem e os contrários se repelem. É uma lei básica da física.

Portanto, os médiuns não podem receber os Espíritos que estejam acompanhando outras pessoas como hoje se faz, e as pessoas ingênuas dão crédito, de realidade, pedindo que o obsessor de José incorpore na mediunidade de Antônio. Isso só será possível se houver identidade fluídica; não havendo, não acontecerá. Há Espíritos levianos que gostam de distrair-se com nossa ignorância. Incorporam e fingem ser aquele que foi evocado. Por isso, o Espiritismo evita as evocações, porque nem todos os Espíritos chamados têm condições de atender, ou permissão para isso.

O Espíritos também têm ocupações, deveres, e existem leis que lhes regem o comportamento.

Às vezes, eles podem vir, mas não lhes é permitida a oportunidade de se comunicarem, para provação de quem evoca ou para sofrimento deles mesmos, por falta de méritos. Espíritos levianos, interesseiros, vêm e assumem a personalidade, enganando e mentindo. (Fonte para estudo: O Céu e o Inferno, 1.ª parte, cap. XI)

Também não tem a mediunidade a função de descobrir tesouros ocultos, heranças, pessoas desaparecidas.

Afirmou Kardec com estas palavras: A função da mediunidade é promover o progresso da humanidade. Mas não é porque ele o disse, é porque os Espíritos superiores assim elucidaram. A mediunidade tem uma função muito mais nobre do que encontrar a pedra de brilhante que se perdeu e a gente quer achá-la. Pode ocorrer que Espíritos ociosos e brincalhões digam, mas será sempre através de um fenômeno frívolo e fútil de uma mediunidade que está em mãos boas e más, correndo o perigo de permanecer nas negativas. Dessa forma, cabe ao médium aplicar-se à consciência da finalidade da tarefa, dedicando-se à lei mais alta da criação, que é a Lei do Amor personificada na Caridade.

Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes, contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, Ele aponta essas virtudes, como sendo as que conduzem à eterna felicidade. (Fonte para estudo: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV)

A sua ação de caridade é efeito natural de sua moralização. Só as pessoas moralizadas praticam a caridade. As pessoas não moralizadas têm crises de filantropia, têm explosões de generosidade, têm momentos de altruísmo, mas não têm a ação da caridade, pois que essa exige abnegação, renúncia, devotamento, compaixão, sentimento solidário, mas só quem tem controle moral sobre imperfeições é que pode reunir essas qualidades morais. Daí a moralização precede à ação da caridade, fazendo com que os Espíritos bons passem a amar aquele instrumento que é dúctil e maleável às boas tendências.


Divaldo Pereira Franco



Fonte: Espiritualidade e Sociedade
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MÉDIUNS E MEDIUNIDADE - A PERSONALIDADE DO MÉDIUM E O FENÔMENO PROFUNDO (Parte 3)


A personalidade do médium e o fenômeno profundo

Agrada a pessoas ingênuas pseudo sagazes, que o médium deve ser bem ignorante para quando o Espírito falar por ele, dizer: "Vê, que não é ele!" E daí! Pode ser um fenômeno anímico. Ele pode ser hoje profundamente ignorante, e um ex-cientista do século passado, e em transe o seu inconsciente falar, sem ser fenômeno mediúnico. E pode ser uma pessoa erudita e agora falar com erudição e ser um fenômeno mediúnico.

As balizas demarcatórias ante a personalidade do médium e o fenômeno profundo, estão na consciência da dignidade do médium. Porque ele sabe, como qualquer pessoa, quando está mentindo. Pode colorir, pode sorrir, pode até acreditar, mas, ele sabe que está mentindo.

Também o médium sempre sabe quando está em transe. À semelhança de qualquer problema na área das psicopatias, quando passa a doença, a pessoa lemba de tudo que fez, só que não tinha forças para reagir. Na mediunidade o fenômeno é o mesmo. Ocorre que as pessoas gostam de lendas e de fantasias, e há muita gente que experimenta o transe e diz: "Eu fui pegado à força, eu não quis." Equívoco. Se o fenômeno se deu à força, a comunicação é negativa. Trata-se de um obsessor, porque só há violência nas obsessões, por se tratar de vingança. (Fonte para estudo: O Livro dos Médiuns, cap. XXIII)

Nas comunicações nobres não há violência, tem que haver anuência do Espírito encarnado, pois o desencarnado não entra no médium como a água entra numa garrafa.

O médium faz o transe pela concentração, e ao concentrar-se, exterioriza o seu perispírito, que se torna o receptáculo da comunicação da entidade que dela se vai utilizar; perispírito a perispírito acoplados produzem o fenômeno. (Fonte para estudo: Obras Póstumas, 1.ª Parte parágrafo 6, item 34 e também, mesma obra, 1.ª Parte, parágrafo 1.º)

O fenômeno se dá em três ordens distintas: 1.ª Consciente, a pessoa se sente inspirada; 2.ª Semiconsciente, a pessoa sente um impulso maior e perde os parâmetros do raciocínio; 3.ª Inconsciente, automática ou sonambúlica, em que há um bloqueio da razão e a pessoa tem a sensação de um sonho, em que se fragmentam as imagens e ela perde os contornos, e não seria capaz de reconstruir o estado de um sonho, daqueles que parecem ficar resíduos, mas dos quais a pessoa não recorda.

O exercício dará ao médium a possibilidade de transitar da faixa da consciência, para a semi e para inconsciência. Da mesma forma que ao estudar-se datilografia, colocam-se os dedos nas letras básicas, para criar-se um condicionamento pela repetição (exercício mediúnico) até que se cubra o teclado para que o automatismo funcione. E é tão curioso que, embora o teclado seja absolutamente igual, quando o nosso dedo bate na tecla errada a gente sente que não está na verdadeira, olhamos para o papel e vemos a letra equivocada. O mesmo ocorre com no piano, no violino ou em qualquer instrumento ou atividade.

O exercício levará à mecanização da faculdade: o hábito de escrever mediunicamente, o hábito de incorporar, o hábito de concentrar-se, cria no indivíduo confiança e dá-lhe a estrutura da realidade mediúnica.

A mediunidade deve, portanto, ser exercida mas não abusada.

Há médiuns que se demoram horas a fio, para impressionar os consulentes. Sendo a mediunidade um campo de ação, tem um quantum de energia que gasta e depois de certo momento, à semelhança de uma energia qualquer, sendo desgastada desaparece o intercâmbio. E o médium continua no estado de autossugestão.

Há exceções raríssimas a que os Espíritos denominam de Mediunato, palavra criada pelos Espíritos e que está em O Livro dos Médiuns nas últimas comunicações, para caracterizar a mediunidade gloriosa ou missionária, como é o caso de Francisco Cândido Xavier e alguns outros médiuns. Então, o médium que fica horas a fio concentrado, está queimando combustível que ele não recoloca. Porque o Espírito que dele se utiliza, não lhe pode dar a energia que ele está consumindo. Essa energia que ele está consumindo é fluido animal e só através da alimentação, do repouso e do concurso de natureza física lhe podem restituir.

A aplicação de passes dado por pessoas físicas, transmitindo a essas células, que também podem ser chamadas de nêutrons de natureza energética, restabelecem-lhe a harmonia orgânica e refazem a estrutura do metabolismo.

Então, ocorre que todo aquele que se dedica com exagero à mediunidade, e que, o Espiritismo não recomenda, porque há horas para tudo e não é o fato de a pessoa trabalhar vinte horas por dia na mediunidade que dela fará um bom médium, termina por gerar fadiga, estresse.

O homem tem deveres sociais e o Espiritismo recomenda que cumpra com seus deveres em família. Essas pessoas que dizem: "Vou largar o emprego para me dedicar à mediunidade." São pessoas preguiçosas, porque, para se dedicar à mediunidade sem trabalhar, tem que cobrar. E aí profissionalizam a mediunidade, caindo no que as religiões chamam de simonia, crime da venda de coisas sagradas e que Jesus reprochou veementemente com estas palavras: "Dar de graça aquilo que de graça se recebe." (Fonte para estudo: O Livro dos Médiuns, cap. XXVI)

Não recebendo os Espíritos nenhum pagamento, não têm nenhuma obrigação de acompanhar aqueles que mercadejam com a mediunidade. Normalmente, os abandonam e eles passam para mãos equivocadas de Espíritos levianos quanto eles, que os exploram, ridicularizam e obsidiam na etapa final da existência física.

"A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente..." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVI, item 10)


Divaldo Pereira Franco



Fonte: Espiritualidade e Sociedade
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MÉDIUNS E MEDIUNIDADE - REQUISITOS PARA EDUCAR A MEDIUNIDADE (Parte 2)


Requisitos para educar a mediunidade

Para educar a mediunidade há requisitos inamovíveis, sem os quais ninguém consegue desdobrar essas percepções.

O primeiro deles, estudá-la, conhecer as suas possibilidades e as demais. Conhecer o Espiritismo, que é a ciência que explica a mediunidade. Sem esse conhecimento a pessoa não passa do estado de superstição e de aventura, ainda mais, por causa do grande escolho à mediunidade, do grande perigo, que é a obsessão. (Fonte para estudo, O Livro dos Médiuns, cap. XXIII)

Sendo os Espíritos as almas dos homens que viveram na Terra, eles são exatamente os mesmos desvestidos do corpo físico. Bons ou maus, nobres ou indignos, honestos ou injuriosos e, estando a pessoa no desabrochar da mediunidade, em uma faixa de incerteza e de instabilidade emocional, sintoniza primeiro com os Espíritos levianos, que se lhe aproveitam da ignorância para prometer-lhe missões, funções especiais, posições de relevo, e mentindo, dizerem tudo aquilo que agrada à vaidade da criatura humana. (Fonte de estudo, O Livro dos Médiuns, cap. XVII, item 211 e O Livro dos Espíritos, pergunta 919)

Qual o meio mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal? Um sábio da antiguidade disse: "Conhecer-te a ti mesmo."

"O conhecimento de si mesmo é, pois, a chave do melhoramento individual..." (Santo Agostinho)

Portanto, cumpre ao médium o dever de vigiar-se, para ter certeza de que é uma criatura humana falível, como uma outra qualquer. Portadora apenas de uma faculdade a mais que lhe pode ser instrumento de felicidade, como de ruína, de acordo com a finalidade que lhe dê.

A mediunidade não é boa nem má; o uso que se lhe dê tornar-lhe-á uma bênção ou uma desdita para o seu usuário.

A segunda função é o exercício. A mediunidade não é para um breve período como muita gente que treina uma semana e na seguinte abre um Centro Espírita, para atender à sua e à vaidade das pessoas que lhe são afins. Acreditando que o fato de abrir um Centro Espírita a mais, é um grande serviço que presta à Humanidade, pois que, não estando a pessoa convenientemente equipada, o que pode transmitir? Como conduzir, se ainda não sabe conduzir-se? Incidindo naquela prescrição de Jesus: "Cego que conduz cego, caem todos no mesmo abismo". (S. Mateus, cap. XV, vv. 1 a 20)

Portanto, é um exercício para toda a vida. Porque, a pessoa que possui inteligência, não pode dizer amanhã: "A partir de agora vou deixar de ser inteligente". A pessoa que aprende a ler e escrever não pode afirmar: "De agora em diante não leio mais." Porque, onde quer que incidam as suas vistas, o que estiver grafado em seu idioma, ela o lerá, queira ou não, uma vez que é uma qualidade inerente à sua realidade humana.

A mediunidade, portanto, exige uma educação permanente e, à medida que o médium vai educando as suas possibilidades psíquicas, mais amplas estas se lhe fazem, exigindo-lhe maior campo de ação e de vigilância.

"Educar-se incessantemente é dever a que o médium deve comprometer intimamente, a fim de não estacionar e, aprimorando-se, lograr as relevantes finalidades que a Doutrina Espírita propõe para a mediunidade com Jesus." (Joanna de Ângelis, no livro no Limiar do Infinito)

O terceiro requisito é a consciência de que é médium, para que lhe serve a mediunidade e o que dela vai fazer. Daí, a vigilância é a necessidade mais imediata e mais comum.

"É necessário vigiar as entradas do coração e permanecer no posto da prece." (Joanna de Ângelis, no livro Convites da Vida)

A vigilância lhe deve constituir um paradigma a fim de que tenha o critério de analisar as comunicações de que é objeto, não se impressionando com nomes pomposos nem com entidades que trazem uma alta dose de pieguismo.

Na cultura brasileira, remanescente do africanismo, há uma postura muito pieguista, que é a do preto velho. E muitas pessoas acham que é sintoma de boa mediunidade ser instrumento de preto velho. Quando lhes explicamos que não há pretos velhos, nem brancos velhos, que todos são Espíritos, ficam muito magoadas, dizendo que nós, espíritas, não gostamos de pretos velhos. E lhes explicamos que não é o gostar ou não gostar. Se tivessem lido em O Livro dos Médiuns, O Laboratório do Mundo Espiritual, saberiam que se a entidade mantém determinadas características do mundo físico, é porque se trata de um ser atrasado. Imagine o Espírito que manquejava na Terra, porque teve uma perna amputada, ter de aparecer somente com a perna amputada.

Ele pode aparecer conforme queira, para fazer-se identificar, não que seja o seu estado espiritual. Quando, ao retornar à Pátria da Verdade, com os conhecimentos das suas múltiplas reencarnações anteriores, pode apresentar-se conforme lhe aprouver.

Então, a questão do preto velho é um fenômeno de natureza animista africanista, de natureza piegas. Porque nós achamos que o fato de ter sido preto e velho, tem que ser Espírito bom, e não é. Pois houve muito preto velho escravo que era mau, tão cruel quanto o branco, insidioso e venal. E também houve e há muito branco velho que é venal, é indigno e corrompido. O fato de ter sido branco ou preto não quer dizer que seja um Espírito bom.

Cabe ao médium ter cuidado com esses atavismos, e quando esses Espíritos vierem falando errado, ou mantendo os cacoetes característicos das reencarnações passadas, aclarar-lhes quanto à desnecessidade disso. Porque se em verdade, o preto velho quer falar em nagô, que fale em nagô, mas que não fale um enrolado que não é coisa nenhuma. Ou, se a entidade foi alemã na Terra e não logre falar o idioma do médium, que fale alemão, mas que não fale um falso alemão para impressionar. O médium só poderá falar o idioma no qual ele já reencarnou em alguma experiência passada.

Desde que não há milagres nem sobrenatural, o médium é um instrumento. Sendo a mediunidade um fenômeno orgânico, o Espírito desencarnado vai utilizar o que encontre arquivado no psiquismo do médium, para que isto venha à baila. (Fonte para estudo, O Livro dos Médiuns, cap. XIX, item 15)


Divaldo Pereira Franco


Fonte: Espiritualidade e Sociedade
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