quarta-feira, 28 de outubro de 2026

DETERMINISMO E LIVRE-ARBÍTRIO


A procura pela Verdade é eterna: ela se modifica, entretanto, na medida em que nós evoluímos, porque nós fazemos recuar sem cessar as fronteiras do conhecimento adquirido; também a Verdade não pode ser definida de uma vez por todas. Uma das primeiras perguntas que nós podemos fazer no começo de um estudo semelhante é esta do livre arbítrio e do determinismo; em quais proporções cada um destes elementos entra no destino do ser humano?

A fé determina os graus de influência desses fatores do destino. A definição mais simples é dada pelas religiões que admitem que Deus criou uma alma virginal à cada nascimento; a partir do momento em que ela é criada, esta alma é livre para escolher entre o bem e o mau; essa escolha determina a vida da alma por toda a eternidade.

Aquele que raciocina constata, imediatamente, que os seres humanos não são iguais desde o nascimento; o meio onde a criança nasceu age profundamente sobre o destino da mesma. Como consequência, todas as crianças não partem do mesmo ponto; a fortuna dos pais, o ambiente no qual aquela criança cresceu, e outras considerações ainda fazem com que o meio tenha uma influência considerável; a luta pela vida não é a mesma para todos; alguns parecem favorecidos e outros parecem sacrificados.

Nós estimamos que haja uma causa para tal diferença, dado que a ciência materialista admite que isso esteja ligado à evolução da vida nas formas, que é um efeito biológico dado ao acaso.

O sexto princípio da Filosofia Hermética, o Princípio da Causa e Efeito, indica que a sorte (logo, o acaso) não é nada além de um nome dado à uma lei pouco conhecida. O acaso não pode existir devido a apenas uma causa.

Assim que nós observamos o ciclo regular dos Astros, quando sabemos que podemos predizer com precisão um eclipse, como nós podemos ainda pensar no acaso? É evidente que se deve admitir a existência de uma inteligência superior por trás do movimento dos Astros. Fora isso, Lecomte du Noüy declara abertamente que nós devemos substituir a palavra “acaso” por aquela dita “Deus”.

Certos estudiosos, há mais de um século, acreditam no fenômeno da cristalização; eles se baseiam nas verdades parciais, como se eles tivessem viseiras, ao invés de procurarem ir além do que descobriram. Eles se tornam atrasados na evolução em geral, pois os espíritos científicos avançados admitem a possibilidade de um determinismo nos fenômenos da natureza. O ensinamento rosacruz admite a noção de determinismo no nascimento das crianças. Com relação às religiões que não atingiram certa cristalização, há uma evolução da vida por meio de diversas formas, numerosas e cada vez mais evoluídas e isso ao longo de existências sucessivas; é o caso das religiões da Índia.

Para as religiões limitadas tudo é escrito; é um fatalismo absoluto. Para uma religião mais evoluída é a Providência Divina que nos dirige, é dela que devemos esperar tudo. Mas o que é essa Providência se não os Anjos do Destino?

A Lei de Causa e Efeito é absoluta; ela é aplicada em tudo. É necessário refletir frequentemente, meditá-la por bastante tempo e admiti-la completamente. Nada escapa a essa Lei. Aplicando o princípio de tal Lei, nós consideramos o nascimento como um Efeito; nós concluímos que deve haver uma Causa pré-existente e que o acaso – inexistente por si só – não pode ser levado em conta.

É uma forma de orgulho crer que, isolada, a Terra é habitada e que é por acaso que o ser humano foi originado, para ser o rei e o mestre do universo! Não apenas no nosso Sistema Solar, mas devem existir formas de vida relativamente semelhante à nossa na galáxia da qual nós fazemos parte, e muito mais em outras galáxias. Existem seres que possuem sua evolução, não apenas neste plano físico, mas também em outros planos; devemos admitir que estes possíveis seres tenham atingido um nível evolutivo que pode ser superior ao nosso, enquanto que outros ainda não atingiram nossa espiral de evolução.

A criança que começa a ir à escola aprende as lições que lhe são dadas para estudar, sem que ela pergunte se elas são exatas; isso cabe a seu mestre. Então, de sala em sala, de escola em escola, ela aumenta seus conhecimentos e começa a raciocinar sobre o ensino que recebe. Mais tarde, ela poderá verificar a veracidade de tal ensino e poderá colocar em prática as noções recebidas. O mesmo se passa com o ser humano que quer seguir o Caminho da Iniciação. É necessário ainda que ele tenha, no início, fé em seu instrutor, que ele se deixe ser guiado por ele, que ele escute seus conselhos e seus avisos contra os erros e eventuais perigos, pois a partir do momento em que não há mais a base de um dogma ou de um regulamento, há de fato perigos a temer.

Para poder tomar consciência de si mesmo, o ser humano deve considerar seu “Eu interior” como uma entidade superior, um tipo de “Deus”; tal comentário remete à afirmação do Cristo:

“Não está escrito na Lei: “Eu disse: ‘Vocês são deuses'”” (Jo 10,34-35 e Sm 82,6).

E tal consideração é concebida se nós nos lembramos que o Espírito Virginal foi emanado em Deus e possui, como consequência, todos os poderes e todas as possibilidades da natureza divina, em potencial.

O ser humano, dada sua Mente, pode escolher entre o bem e o mau; ele possui, então, um certo livre-arbítrio, ele provou da Árvore do Conhecimento que é o símbolo da Lei do Bem e do Mal. O Bem e o Mal possuem um valor relativo; no absoluto, não há nem o bem nem o mal; a natureza de ambos é idêntica, mas há graus diferentes (quarto Princípio hermético, aquele da polaridade). A Árvore do Conhecimento sugere também o Princípio da Causa e Efeito, com a noção de responsabilidade, também aquela de retribuição e de sofrimento. Em Gênesis , cap.3, a humanidade é punida e censurada, ela deveria sofrer e penar; é a consequência do privilégio de ter obtido o intelecto, o conhecimento.

O sofrimento faz compreender que há um erro; cada vez que o mesmo erro for cometido, o mesmo sofrimento virá para indicar que a pessoa deve mudar sua vida; é uma lança que tende a nos fazer escolher um outro caminho. Pouco a pouco, a Sabedoria nascerá e, com ela, a felicidade, pois a Sabedoria é o resultado do temor do Senhor (Ecl 21,11) e esse temor é, no fundo, a Consciência do Bem e do Mal e é o desejo de sempre se conformar à Lei santa de Deus. No Livro da Sabedoria 23,11 há um trecho misterioso: “porque o medo não é outra coisa senão o desamparo dos auxílios da reflexão”. O que isso significa é que a Sabedoria ultrapassou o estado no qual ele deve ainda escolher entre o bem e o mal, tendo atingido o nível no qual ele se conforma sempre seguindo o conselho da voz interior, que é o eco da Sabedoria não criada, um dos dons que o Espírito Virginal recebeu se diferenciando em Deus.

Nós somos todos acorrentados por uma gama de causas que nós acumulamos desde que nossa evolução começou. Tais causas são tamanhas que elas teriam conduzido a humanidade à uma cristalização perigosa.

Nós possuímos três tipos de memória:

Uma Memória Consciente, que é uma memória cerebral, ela registra as imagens e os sons. As células que registram estas sensações restituem aquelas na medida exata em que elas estavam bem registradas e também seguindo mais ou menos a grande sensibilidade destas células. Possui uma boa memória aquele que sabe se concentrar, que fixa com atenção e que sabe fazer surgir as memórias, no momento desejado; além disso, as associações de imagens e de ideias facilitam o aprendizado.

A segunda Memória é Inconsciente ou Subconsciente, ela é a consequência do ar que nós respiramos; as partículas de ar inspiradas são impregnadas pelo ambiente do momento, até mesmo as imagens e as impressões que a consciência não se deu conta; tais clichês penetram nos pulmões e no sangue; as imagens são gravadas sobre os átomos negativos do Corpo Vital; elas estarão em seguida sobre o Átomo-semente que nós conservamos a cada encarnação (esta é a terceira, ou Memória Supra Consciente). É interessante notar que aquele que é privado acidentalmente de ar (estrangulamento, afogamento), vê desenrolar rapidamente o filme de sua vida, o que demonstra a existência de tais arquivos.

Depois da morte, nós trazemos este Átomo-semente sobre o qual está gravada tal memória inconsciente ou subconsciente; é criado um elemento sobre o qual nosso livre-arbítrio não mais age, e isso acontece até o cessar da vibração impregnada no Átomo-semente quando ele assimilou o bem e expurgou o mal. Há assim uma memória inconsciente da Natureza; há uma camada de células de átomos sobre os quais são gravadas as fases evolutivas da Terra e de outros Astros onde são gravados também os clichês de todos os eventos. É o Grande Livro de Deus, o Livro dos Sete Sinais do Apocalipse de São João (Ap 5,1). Nada do que já pensado, sentido, provado, feito não desaparece totalmente; tudo deixa um traço indelével da parte do ser humano, das raças ou da própria Terra. Tudo deve produzir um efeito um dia, porque se criaram também inúmeras causas que não ficarão inativas; um dia ou outro, o efeito surgirá da causa escondida.

Atualmente nós nos submetemos a causas muito antigas, mesmo aquelas que remontam ao momento no qual nós recebemos nosso livre-arbítrio pela primeira vez. Nossos diferentes destinos são explicados em razão de tal resultante de ações e de reações de nossas vidas. A criança nasce com o peso de seu pecado "original", de seus pecados acumulados; ele deve, então, passar pelas provas geradas por seus erros passados tão antigos quanto eles o possam ser, e não o erro ou os erros de Adão e de Eva. É o Destino Maduro, essa resultante de nossas vidas passadas que nos faz nascer em tal ou tal meio, a fim de que possamos obter as oportunidades que nos permitam agir convenientemente e "pagar" as dívidas de nosso passado, de apagar os erros cometidos anteriormente. Nós estamos, assim, exatamente no lugar onde merecemos estar, as provas que nos afligem são bem aquelas que nos sãos necessárias, não existe acaso, fantasia, favoritismo.

Mesmo que isso tudo pareça uma ideia muito difícil de ser concebida a uma primeira vista, o esquema da evolução do Cosmos (galáxias, sistemas solares etc.) é traçado por milhões de anos à frente; não nos esqueçamos que para o Deus solar 26.000 anos (ano sideral) são como um dia de nossos dias solares; quanto mais nós atingimos as Hierarquias superiores, mais o espaço aumenta e mais o tempo se retrai, para atingir um tipo de presente eterno. Os Anjos do Destino veem as lições que o Espírito deve aprender em sua próxima existência, eles o ajudam a traçar as grandes linhas de seu destino contendo, em particular, a data e o local de seu nascimento, o eventual casamento, os possíveis filhos, a morte, as pessoas encontradas que comporão todas as oportunidades de "pagamento" das dívidas ou as tentações, para afirmar as resoluções de melhorar seu comportamento.

Assim, a vocação é o chamado de uma voz interior que nos incita a seguir um tal caminho mais do que um outro. Feliz daquele que soube colocar sua vida em harmonia com o arquétipo previsto; ao contrário e infeliz é aquele que não soube responder à sua vocação. Os profetas são seres que “veem” as formas arquetípicas; suas visões não são fruto de sua imaginação, mas sim da revelação de formas reais em vias de realização.

Nós nascemos no momento preciso no qual nosso arquétipo pré-estabelecido necessita de uma influência das configurações astrais indispensáveis. Da mesma maneira que a máquina eletrônica escolhe a ficha perfurada no momento exato no qual o buraco passa na frente do detector determinado por uma operação bem definida, também a criança nasce automaticamente quando é o momento para ele de encontrar as condições necessárias à sua evolução pessoal.

A criança obtém, assim, no bem e no mal, as possibilidades que ele mesmo causou em suas vidas passadas. É determinado e é mesmo autodeterminado, pois, é ele que definitivamente é o elaborador de seu destino. Sob a Lei Antiga, nós suportamos integral e passivamente os efeitos das causas criadas; não houve vontade para resistir, e também nós havíamos acumulado inúmeras causas que criavam tantas formas-elementais, constituindo o que nós chamamos de o “Guardião do Umbral”. É o simbolismo expresso no Antigo Testamento por Davi saindo da tenda para combater Golias, o Filisteu (1Sm 17).

Uma das missões do Cristo foi justamente a de nos ajudar a resistir às tentações. Por meio da oração, nós nos colocamos em contato com o Cristo; a oração é, por assim dizer, a tomada (elétrica) que nos permite receber as correntes superiores, o fluxo espiritual vivificante. Aquele que sabe se colocar em contato com o Cristo sente essa fome de oração, de prece. O ser humano estando impregnado desta vida superior, pouco a pouco, tem as tentações inferiores desaparecendo e o caminho para o alto iluminado e facilitado. A concentração permitirá por outro lado atingir o mesmo objetivo; mas a concentração efetiva é difícil, ela constitui um esforço individual, enquanto que o caminho da oração permite receber as vibrações espirituais cristãs que aumentam a taxa de vibração.

Mas, “Servir”, de maneira desinteressada, no espírito de caridade, é “o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que nos conduz a Deus”. Servindo nós esquecemos de nós mesmos, é uma maneira de concentração particular; criamos, logo, novas causas que nos permitirão renascer em um outro meio mais favorável à nossa evolução, que nos oferecerá as oportunidades sempre mais belas para atingir, progressivamente, o cume luminoso onde nós poderemos desenvolver nossa consciência, até o ponto de se tornar “Um” com o Cristo Cósmico.



Fonte: Determinisme et Libre Arbitre (Tradução resumida)
Association Rosicrucienne Max Heindel, Centre de Paris
Texte inspiré de l’enseignement rosicrucien légué à Max Heindel 
par les Frères Aînés de la Rose-Croix
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/nepal-budismo-roda-771781/

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

SOBRE A SANTA POBREZA


Nosso maior objetivo deve ser buscar o autoconhecimento, para que ao final dessa jornada da existência tenhamos um entendimento mais profundo de quem somos. Se não sabemos quem nós somos, então não somos nada, estamos perdidos, confusos.

Cada nível de manifestação é um velamento. Assim, para encontrar o divino é preciso remover esses véus. Para nós, pode ser difícil perder ou abandonar alguma coisa. Mas o que somos em essência nunca se perde.

Por vezes, algumas situações podem parecer muito difíceis, sofridas, doídas, dramáticas, mas num plano superior, nada perdemos, a não ser as ilusões, as identificações. Na verdade, ganhamos, crescemos, nos libertamos. E depois, quando olhamos para essas situações passadas, vemos que eram apenas ilusões.

A falta de autoconhecimento nos leva a ilusões, acreditamos ser através do que temos. Criamos ilusões para preencher essa falta de autoconhecimento, esse vazio interno.

Os apegos ocultam e revelam uma separação, que gera um desejo. Essas coisas que parecemos precisar são ilusões. Quanto mais vamos em direção dessas ilusões, mais nos distanciamos de nossa essência.

Ficamos sempre presos ao passado, a culpas, rancores, traumas. A pobreza é abandonar tudo, renunciar ao que já passou e estar aberto ao novo. Se não abandonamos o passado, não caminhamos. Pobreza é abandonar o passado, o que já não serve mais, é estar aberto.

O tempo todo precisamos nos desapegar do que parece importante, parece essencial. Somente na nudez total, na pobreza total que se pode encontrar nossa própria riqueza interna. É no desapego do material que começamos a perceber a verdadeira natureza de nossa existência. Quanto mais se aceita ter nada, mais se tem tudo.

As pessoas querem poder exterior por não terem o poder interior, autoconhecimento, contato com a própria essência. Daí surge a exploração, a manipulação, a chantagem, a dominação, a tentativa de controle do outro, da vida.

Os insights transformadores surgem na simplicidade, na humildade, nessa mística pobreza de não saber, não querer controlar nada, nem manipular ninguém, nem querer dominar ou ter poder sobre alguém, nem sobre nós mesmos.

A verdadeira sabedoria está em deixar a vida fluir. Não em buscar controlar a vida, mas em aceitar as incertezas. Isso não é uma ideia fatalista ou determinista. Devemos fazer o melhor que nos for possível a cada momento, praticar o serviço desinteressado, compreendendo que não estamos no controle, não somos donos dos resultados.

É necessário aprender a estar aberto, a fluir com a vida, servindo sem esperar possuir. Isso é a santa pobreza.


Fabio Balota


Fonte do Texto e da Gravura: Escola Gnóstica
https://escolagnostica.org.br/

terça-feira, 29 de setembro de 2026

DEUS SE REVELA EM CADA HOMEM CAPAZ DE OUVIR A SUA VOZ


Disseram-lhe os discípulos: 24 profetas falaram em Israel, e todos falaram de ti. Respondeu-lhes ele: Rejeitastes aquele que está vivo diante de vós, e falais dos mortos. (Aforismo 52)


É exatamente isto que está acontecendo há quase 2.000 anos no cristianismo: os teólogos revolvem velhos manuscritos e apelam para homens mortos, a ver se descobrem o Deus vivo. Se encontram Deus nos escritos dos mortos, acham que o encontraram de verdade, e fabricam teologias e dogmas sobre esse Deus do passado. Mas será que Deus só é o Deus do passado e o Deus dos mortos? Será que Deus não é também o Deus do presente e o Deus dos vivos? Será que Deus não está presente em cada um de nós? Se Deus é um Deus onipresente e onivivente, porque não seria possível encontrá-lo aqui e agora? Por que somente crença num Deus longínquo – e não experiência num Deus propínquo (próximo)? Por que Deus se teria revelado a Abraão, Isaac e Jacob – e não a Mahatma Gandhi, Albert Schweitzer e outros homens de nosso século?

A teologia chegou ao cúmulo do absurdo de codificar que a revelação de Deus começou com Abraão, cerca de 2.000 anos antes de Cristo, e terminou com João, cerca de 100 anos depois de Cristo. Quer dizer, Deus teria aberto o expediente das suas revelações apenas durante 2.100 anos, e depois o teria fechado para todo o sempre – por que? – Será que esgotou o repertório das suas revelações e nada mais tem que acrescentar? Ou será que não existe mais um homem capaz de receber revelação divina?

Além disto, Deus teria revelado somente a um pequeno povo de Israel, que não perfaz e nunca perfez um por cento da humanidade. Esqueceu-se de sumérios, assírios, babilônios, persas, gregos, egípcios, hindus, germanos, romanos etc – isto é, esqueceu-se de mais de 90% da humanidade.

“Se o Deus da nossa teologia existe, escreve o historiador britânico Arnold Toynbee, então é ele o maior dos monstros”.

Deus se revela através de cada homem capaz de ouvir a voz dele. E tem havido através de todos os tempos e em todos os povos homens capazes de ouvirem a voz de Deus. Na vida de Mahatma Gandhi não há menos verdades inspiradas do que nos livros dos profetas de Israel.

Por que renegamos o Deus dos vivos e andamos em busca do Deus dos mortos?

Não está Deus além da vida e da morte? Nos últimos tempos, uma parte da humanidade está descobrindo Deus aqui e agora, dentro da própria alma, através da verdadeira meditação.


Huberto Rohden



Fonte: do livro "O Quinto Evangelho"
A Mensagem do Cristo Segundo Tomé
Alvorada Editora e Livraria, 5ª ed.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-b%C3%ADblia-livro-escritura-8075181/

LIBRA - O SIGNO DA ESCOLHA


Libra escolhe o Caminho que conduz entre as duas grandes linhas de força: personalidade ou Alma. 

Libra nos proporciona um momento de tranquilidade para refletir sobre essas duas linhas de força e, então, como um dos signos de crise, nos obriga a escolher.

Como na história de Krishna e Arjuna, este despertou certa manhã em meio ao fragor da batalha. Krishna, o Mestre, informou ao estudante — o aspirante — que ele teria de escolher um lado pelo qual lutar. Sempre pacifista, Arjuna recusou-se a escolher, pois viu que, em ambos os lados da batalha, havia membros de sua família. Krishna reiterou a Arjuna que ele precisava escolher.

A própria escolha, bem como o ato de fazê-la, constitui o teste espiritual de discernimento: ser capaz de distinguir entre as forças da luz e as forças das trevas. Assim, durante o mês de Libra, deparamo-nos com uma situação semelhante. São-nos apresentadas duas polaridades, a partir das quais devemos escolher. De que lado nos posicionaremos? Esse é o nosso ponto crítico. Se escolhermos o caminho da personalidade e da matéria, o trajeto estará menos iluminado. Retornamos a Virgem, talvez porque ainda tenhamos lições a aprender no âmbito da forma e da matéria. Seguimos tropeçando até que nos seja dada a oportunidade de escolher novamente. Ao escolhermos a Alma — tal como ao escolhermos o discipulado em Escorpião —, o Caminho se enche de Luz e de pequenos faróis que nos guiam ao longo da jornada.


Risa D’Angeles


Fonte: Carta Circular de Vaisakh - Libra 2026
Carta N°6, Ciclo 40 
The World Teacher Trust - Argentina
Argett@wttargentina.com.ar
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-libra-signo-do-zod%C3%ADaco-8666957/

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS - AS 4 ESTAÇÕES SAGRADAS DO ANO - TABERNÁCULO NO DESERTO


Os ensinamentos rosacruzes objetivam o desenvolvimento da nossa Mente e do nosso Coração, de modo igual, fornecendo todas as explicações de tal maneira que a Mente esteja pronta a aceitá-los e, então, o Coração fique possibilitado quanto ao âmbito do trabalho em relação ao material recebido. Devemos tentar sentir tais ensinamentos, porque o sentimento é função do Coração.

Em nossa civilização, o abismo que separa a Mente e o Coração abre-se profundo e largo. À medida em que a Mente voa de descoberta a descoberta nos domínios da ciência, a separação se torna cada vez mais profunda e ampla, e o Coração é deixado cada vez mais para trás. Somente quando se puder manter a cooperação entre Mente e Coração, sem desvios, quando cada qual possa ter o completo campo de ação, nunca praticando violência contra outro e quando ambos possam se sentir satisfeitos, somente então atingiremos a elevada e verdadeira compreensão de nós mesmos e do mundo do qual fazemos parte.

A ideia geral da Iniciação é a de que se trata meramente de uma cerimônia que torna alguém um membro de uma sociedade secreta — de que ela poderá ser conferida a qualquer um que deseje pagar um certo preço, uma soma monetária na maioria dos casos.

Em primeiro lugar não há uma chave de ouro para o Templo — o mérito conta, porém não os recursos financeiros. O mérito não é adquirido em um dia; é o produto acumulado das boas ações do passado, dessa vida e de outras vidas. O candidato, costumeiramente, está totalmente inconsciente de ser um candidato; comumente vive a sua vida na comunidade, servindo aos seus colegas durante dias e anos sem qualquer pensamento ulterior, até que certo dia aparece em sua vida um Hierofante dos Mistérios Menores, adequado ao país no qual residia. Nessa época o candidato terá cultivado dentro de si certas faculdades, armazenado certos poderes destinados ao serviço e auxílio, dos quais ele frequentemente não tem consciência ou os quais não sabe como utilizar adequadamente.

A missão do iniciador é a de mostrar ao candidato as faculdades latentes, os poderes adormecidos e de iniciá-lo no uso dessas faculdades e desses poderes. Explica e demonstra-lhe pela primeira vez como ele poderá despertar a energia dinâmica. Certamente que isso nunca deverá ocorrer até que o necessário desenvolvimento interior tenha sido acumulado, do mesmo modo que o derramar um balde de água, não verterá água, a não ser que o balde tenha sido enchido de água previamente. Nem há qualquer perigo de que o Hierofante dos Mistérios Menores possa não atender alguém que tenha atingido o desenvolvimento necessário. Cada ação, obra boa, cada ato bom e não egoística aumenta enormemente a luminosidade da aura do candidato e, tão certo quanto o imã atrai a agulha, assim o brilho dessa luz áurica trará o Hierofante dos Mistérios Menores.

Na Bíblia, o Livro da Revelação fala do Altar Dourado ou Altar de Ouro (Apo 8:3). O Altar Dourado poderá muito bem simbolizar os nossos corações guiados pelo ouro do Sol. O turíbulo o nosso serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) prestado aos irmãos, focado na divina essência oculta – que é a base da Fraternidade – em cada um de nós. O incenso, a essência desse serviço que ascende de todo ao Trono de Deus e poderá, necessariamente, atrair o Hierofante dos Mistérios Menores.

No 4º capítulo do Livro da Revelação, figura: “Diante do trono estavam quatro bestas cheias de olhos dianteiros e traseiros. E a primeira besta era como um leão, a segunda como um bezerro, a terceira parecida com um homem, a quarta como uma águia voadora” (Apo 4:6-7). Aqui temos os Signos Fixos: Leão, Touro, Aquário e Escorpião; cada um deles, em tempos remotos, incluía o Signo anterior e o posterior a ele, como nos diz a escritura: “com olhos dianteiros e traseiros”. Cada Signo Fixo tem um Signo Cardeal antes dele e um Signo Comum lhe seguindo imediatamente.

Um estudo do Tabernáculo no Deserto mostra que isso é um meio de Iniciação. As decorações do Tabernáculo estão colocadas de tal modo que descrevem uma cruz. Trata-se da cruz na qual, nas palavras de Platão, o Iniciado, a Alma Mundana, é crucificada. É o nosso Corpo Denso que quando em pé e de braços distendidos, forma uma cruz, cruz essa à qual nós, o Ego (um Espírito Virginal manifestado aqui) nos prendemos, à medida em que lutamos através da limitação da matéria, para despertar e desenvolver os poderes divinos latentes dentro de nós.

No plano desta Terra, nós somos um peregrino, não tendo um lugar de habitação permanente. Trata-se de um plano no qual as experiências são acumuladas, cujos resultados nos dão a força e a sabedoria que possibilitam o nosso retorno à “Casa de nosso Pai”. A nossa natureza migratória está indicada pela natureza portátil do Tabernáculo no Deserto. As barras, colocadas nas argolas presas dos lados da Arca da Aliança, o objeto mais precioso do Tabernáculo no Deserto, nunca foram retiradas dela. Estiveram posicionados para prestarem serviço a qualquer momento, quando os Israelitas viajassem em direção à Terra Santa – o celestial (mundo).

S. Paulo refere-se ao Tabernáculo no Deserto como sendo o símbolo das “boas coisas que virão” (Hb 10:1: a sombra dos bens futuros). Observe-se que o Velho sempre antecipa o Novo.

O Tabernáculo no Deserto era uma tenda retangular, montada no lado ocidental de uma câmara, cobrindo cerca de três vezes a área do próprio santuário. O Tabernáculo foi dividido em duas secções chamadas de Lugar Santo e Santo dos Santos; a área fechada, na parte exterior, era o Átrio. As três divisões foram estipuladas de acordo com os três passos que conduzem da primeira indagação relativa à vida espiritual à aceitação da disciplina, do treinamento e da purificação que pertencem ao caminho estreito do Probacionista até que, finalmente, seja atingido o estado de iluminação interior. As três divisões correspondem, também, à multidão indiferente, não meditadoras, os desvendadores sérios e esforçados, e as pessoas que tenham conseguido a superação e atingido a Iniciação. Dentro desse Santuário o Deus Trino chega para habitar com o ser humano. Neste Tabernáculo no Deserto nós chegávamos com três poderes: Corpo, Alma e Espírito para comungar com o nosso Criador.

Até mesmo os números contidos nas especificações da construção do Tabernáculo no Deserto oferecem as chaves com as quais se pode abrir os Mistérios do Templo. Existem símbolos e véus, que encobertam segredos inestimáveis aos curiosos e indignos, porém os revela aos que, através de uma busca sincera, ganham acesso a seus tesouros de vida e de luz.

Adentrando-se no Átrio, no lado oriental, o primeiro objeto encontrado era o Altar dos Sacrifícios. Nesse Altar dois cordeiros eram sacrificados diariamente, um pela manhã e o outro à noite. Era especialmente prescrito de que fosse uma “oferenda contínua”, através das gerações “na porta da tenda de encontro”. O caminho foi aberto, graças ao sangue do Cordeiro, no adorador, para prosseguir e adentrar no local Santo; graças no sangue do Cordeiro, foi aberto o caminho, para toda a Humanidade, a fim de recuperar o seu estado perdido e retornar ao Deus-Pai. Novamente a simbologia da Antiga Dispensação é idêntica à da Nova Dispensação e o significado também é o mesmo. O sacrifício animal que deve ser efetuado quando da primeira entrada no Átrio, representa as propensões bestiais que devem ser sacrificadas nos fogos da purificação, antes de se progredir no caminho estreito, se possível. E, como os sacrifícios sobre o Altar dos Sacrifícios eram animados por um fogo que não era feito por nós, porém descia do alto, assim as paixões físicas devem ser purificadas pelos fogos da aspiração, que se originam dentro de nós mesmos, uma vez despertos.

Fisiologicamente, isto ocorre no centro sagrado da geração, na terceira divisão inferior do Corpo Denso. O trabalho de regeneração começa, adentrou-se no caminho da vida do Espírito.

Entre o Altar dos Sacrifícios e o Tabernáculo propriamente dito ficava o Lavabo da Purificação ou o Altar de Bronze, no qual os sacerdotes se lavavam. Somente o puro de Coração pode ver a Deus. Assim, foi feita a provisão no Átrio, para uma adequada preparação, pelo fogo e pela água, para se adentrar no Lugar Santo. A natureza foi limpa; as forças corporais foram erguidas a partir do centro localizado na base da espinha, e levadas para cima através do plexo solar, até os centros do Coração e da garganta. O que busca a Luz ficou, então, habilitado a entrar no Lugar Santo, a Sala Leste do Tabernáculo.

Antes da cortina, que cobre o Santo dos Santos, ficava o Altar do Incenso, à direita do qual ficava a Mesa dos Pães da Proposição e, à esquerda dessa, o Candelabro de Ouro, com sete braços.

O Altar do Incenso, que ficava no centro da Sala Leste, representava o Coração, o verdadeiro centro de nossa vida. É governado pelo dourado Sol e é para o Corpo Denso aquilo que o centro solar representa para nosso sistema planetário.

Os doze Pães da Proposição, ázimos, sobre a Mesa, representam as doze qualidades ou atributos de caráter que foram armazenados através de muitas vidas, sob a tutela das Escolas Celestiais do Zodíaco. O incenso que foi posto nos doze pães e queimado pelo sacerdote (ou “Eu superior”), como oferenda ao Senhor, significa a agradável fragrância que emana de uma Alma consagrada e desenvolvida.

O Candelabro de Ouro de sete braços simboliza os sete centros do Corpo Denso que, quando despertados para a atividade, aparecem a uma vista espiritual como sendo muitos vórtices de luz. Estas luzes foram alimentadas com “azeite puro de oliva”, uma substância que simboliza as forças no nosso Corpo, quando regenerado.

Da Sala Leste, o caminho estreito leva à Sala Oeste mais interna, o Santo dos Santos, onde está a Arca da Aliança. Somente o Sumo Sacerdote (o “Eu superior”) era admitido nessa câmara sagrada e ele próprio não tinha permissão de adentrá-la a qualquer tempo. Apenas uma vez por ano ele podia passar pelos recintos santos e cumprir as cerimônias prescritas pelo Senhor (a Lei). O Ego não habita perpetuamente no puro estado espiritual; ele não poderia fazer isso e perceber seus poderes latentes.

O Santo dos Santos representa o estado onde habita o Espírito, não condicionado pela matéria, à luz de sua natureza divina, não obscura. Nesse lugar não havia luz provinda do exterior, pois não era necessária, uma vez que o Espírito iluminado havia nela penetrado.


A Arca da Aliança é um símbolo da Alma; sua tampa era de ouro maciço e servia de Propiciatório. Nas duas extremidades deste banco estavam dois Querubins de ouro, com suas asas distendidas cobrindo a Arca preciosa. Dentro da Arca estavam as duas Tábuas da Lei, o Bastão (ou Vara) Florido de Aarão e o Pote do Maná; o Maná é o “Espírito humano que desceu desde o nosso Deus-Pai do alto para uma peregrinação através de matéria e o Pote de Ouro, no qual era mantido, simbolizava a Aura Dourada do Corpo-Alma”.

As duas Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos, são as forças gêmeas que operam na Ordem Cósmica as quais, quando harmonizadas na natureza do ser humano, levam-no em suas correntes até o verdadeiro Coração do Ser Infinito. A Vara de Aarão, que floresceu, é o fogo espiritual espinhal que se levantou desde os centros na base da espinha até os localizados no topo da cabeça. Os fogos internos foram iluminados e a visão se abriu a uma radiação que, a uma vista física, não passaria de escuridão. Somente os que tiverem atingido este estado entrarão no Santo dos Santos.

Assim como o Átrio corresponde à região pélvica do Corpo Denso, e à Sala Leste à região torácica, assim o Santo dos Santos se correlaciona com a Cabeça. Dentro dela “reside” o Ego, a presença divina, diante da qual ninguém pode retirar o véu. Isto fica sob o único controle do Deus habitante, o Ego, o “Eu Sou”. Os órgãos da cabeça que quando ativados proporcionam a percepção dos Mundos espirituais, são a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário.

Entre os Querubins descansava a Glória de Shekinah. Trata-se do centro magnético no qual há a comunicação entre Jeová e Moisés. Era para a Antiga Dispensação o que o Santo Confortador o é para a Nova Dispensação.

O significado espiritual das quatro estações sagradas, os Solstícios e os Equinócios, está incorporado no simbolismo do Tabernáculo no Deserto. O Altar dos Sacrifícios, no sul, corresponde ao Solstício de Dezembro (em Capricórnio). O Candelabro Dourado de Sete Braços, a leste, correlaciona-se com a vida ressurgida e à luz do Equinócio de Março (em Áries). O Santo dos Santos, ao norte, simboliza o Solstício de Junho, a Hierarquia Criadora dos Querubins (em Câncer). As Mesas dos Pães da Proposição, a oeste, correspondem ao Equinócio de Setembro (em Libra), a época festiva da estação da colheita.

O Tabernáculo no Deserto foi a nossa Escola de Mistérios da Época Atlante. Conservou, em símbolo e em ritual, a Sabedoria limitada, a medida em que passamos da civilização da Época Ária.

Os Mistérios (ou as Iniciações) Menores se referem apenas à nossa evolução durante o Período Terrestre. Nas três primeiras Revoluções desse Período Terrestre, em torno dos sete Globos, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, ainda não tínhamos atingido a consciência de nós próprios. Ignorávamos como nós iríamos nos tornar do modo como somos hoje. O candidato está prestes a ter esclarecimento sobre esse assunto, de modo que, pela fala dos Hierofantes durante o período da primeira Iniciação, no primeiro grau, sua consciência se volta para essa página da Memória da Natureza que traz os registros da primeira Revolução, quando recapitulamos o desenvolvimento do Período de Saturno. Ele está ainda de posse de sua consciência de todos os dias (a Consciência de Vigília); conhece e lembra-se de fatos da vida que está vivendo aqui, mas agora observa conscientemente o progresso das hostes em evolução dos Espíritos Virginais, com às quais formou uma unidade durante o Período de Saturno e sua recapitulação na Época Polar.

No segundo grau ele, do mesmo modo, propende a dar atenção às condições da segunda Revolução ou Revolução Solar do Período Terrestre e vigia, em plena consciência, o progresso feito durante esse tempo pelos Espíritos Virginais e, também, o progresso feito durante sua recapitulação na Época Hiperbórea.

Durante o terceiro grau ele observa o trabalho executado na Revolução Lunar e sua recapitulação na Época Lemúrica.

Durante o quarto grau ele observa a evolução da última meia Revolução com o seu período de tempo correspondente em nosso estágio atual na Terra. Na primeira metade da Época Atlante a noite da inconsciência foi ultrapassada, os olhos do Ego habitante foram completamente abertos e ele ficou capacitado a dirigir a luz da razão sobre o problema da conquista do Mundo. Foi o tempo em que nós, tal como nos conhecemos, nascemos pela primeira vez.

Nos métodos de Iniciação de tempos remotos, o candidato permanecia em transe profundo, durante três dias e meio. Ele era, então, levado através do desenvolvimento inconsciente da Humanidade, durante as Revoluções anteriores e, quando se diz que estava desperto no momento da alvorada do quarto dia, era o modo místico de expressar que a sua Iniciação no trabalho da carreira involutiva do ser humano cessou, quando o Sol se ergueu acima da clara atmosfera de Atlântida. Então o candidato era saudado como “nascido pela primeira vez”.

O quinto grau leva o candidato ao fim do Período Terrestre, quando uma Humanidade gloriosa estará colhendo os frutos desse Período e a afastando dos sete Globos sob os quais ela evoluiu durante cada dia da manifestação no primeiro dos cinco Globos obscuros que é a sua habitação durante as Noites Cósmicas (entre um Período e outro). A mais densa dessas Noites Cósmicas está localizada na Região do Pensamento Abstrato e, na realidade, é o “Caos” a que se refere o livro "Conceito Rosacruz do Cosmos".

Portanto, lembremo-nos da advertência escrita na Porta do Templo: “homem, conhece-te a ti mesmo”.



Fonte: Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1970
Fraternidade Rosacruz-SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte das Gravuras:
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A LEI DE CAUSA E EFEITO E SUAS RESPOSTAS


Já sabemos que a Lei de Causa e Efeito (ou Lei de Consequência) (1), associada à Lei do Renascimento, vem responder a todos os “por quês?” de nossa vida material. No entanto, na maior parte das vezes, compreendemos tal Lei, na medida de nossa própria superfície, sem a penetração que ela contém. Isso porque a maioria de nós, em geral, não “sabe pensar”. E não “sabe pensar”, porque não quer pensar. Resiste sempre a tudo o que venha tentar nos retirar do comodismo da nossa superficialidade.

A Filosofia Rosacruz esclarece a respeito dessas duas Leis de Consequência e Renascimento, porque elas justificam toda a nossa evolução, a partir da “Queda do Homem”. E não só daqueles que “caíram”, mas como se pode evoluir pelo exercício da originalidade (Epigênese) sem esbarrar nas fronteiras que a Lei de Causa e Efeito revela, mostrando a totalidade da evolução em si mesma.

Muita gente costuma dizer que Deus castiga; que “é castigo de Deus” isso ou aquilo que aconteça de mal em sua vida. É, na verdade, uma forma de expressar a Lei de Consequência. Mas não é a Lei em si mesma. Deus não castiga ninguém! Nossa consciência espiritual é que se coloca na condição de punição, quando agimos contrariamente às Leis da Natureza, mesmo que a consciência material não perceba isso. Até aí não há dificuldade. Em estágio um pouco acima de uma pessoa comum, entende-se perfeitamente que seja assim. Porém não se confunda facilidade, naturalidade, com superficialidade. Muitas vezes são as nossas próprias criações mentais que colocam embaraços e enganos à nossa frente, obstruindo nosso caminho. E ficamos marcando passo, vítima de nossos próprios pensamentos mal orientados por uma mente concreta que está “contaminada” pela parte inferior do Corpo de Desejos (2). É isso.

Voltamos ao âmago da questão: temos, normalmente, dificuldades de expressar nosso pensamento não o contaminando com os desejos. E dessas dificuldades só conseguiremos nos libertar quando tivermos desenvolvido a Mente Abstrata (3). Quando se exige um pouco mais de esforço da Mente, criamos desculpas para justificar a preguiça mental e a inércia. É por essa razão que muitos de nós não conseguem conservar o interesse pelos Estudos de uma filosofia, como a Filosofia Rosacruz, e se deixam arrastar e vencer pelas dificuldades.

Mas, se não houvesse mais resistência da Mente, se aprendêssemos a penetrar, a conhecer e a limpar os nossos pensamentos dos desejos, dirigindo as rédeas da conduta interior dela, nada mais seria difícil para a Mente e ela deixaria de ser preguiçosa. Um mundo novo e maravilhoso se abriria, então, à nossa frente. Um mundo mental mais limpo, sem a escória das desculpas, dos comodismos, da inércia. Da resistência ao avanço. Por isso é que Max Heindel nos ensina o valor do esforço, dizendo-nos que o “único fracasso é deixar de lutar”. Mas, lutar mesmo. Em franca e constante atividade.

E quando se fala em atividade, muitos podem pensar que se trate, tão somente, de atividade material, de ação física, e que é necessário usar o Corpo Denso nessa atividade, e fazer muitas coisas para ser realmente ativo. Entretanto, a Atividade, sendo o Terceiro Aspecto de Deus, é sob condição divina que deve ser encarada, antes de qualquer outra condição. De nada nos serviria, mesmo, a atividade externa sem o impulso da Atividade Interior. Sem a criação ativa do poder interno, a ação fica vazia. Eis porque não é o tipo de trabalho que importa para a nossa elevação. É a nossa forma de executar esse trabalho, é o acionamento do nosso motor interno. É a atividade do pensamento, dos sentimentos, desejos e das emoções quando se realiza alguma coisa, seja escrever um livro ou lavar uma louça. É isso. Nós, o Ego (4) – o “Eu superior” –, cada vez mais próximo de nós mesmo, mais consciente da nossa divindade, não fazemos seleção de trabalho, de valores, de criaturas. Uma pessoa assim é sempre a consequência de um longo processo de purificação de uma atividade permanente, persistente e tranquila através dos tempos. De uma atividade incansável como a das formigas. Já repararam alguma vez em um formigueiro? Já viram como as formigas são organizadas no seu trabalho individual que vai redundar em benefício da coletividade? Pois, nós devemos ser como as formigas: trabalhar individualmente, procurando penetrar incansavelmente, cada vez mais, nos recessos de nosso próprio interior, com a plena consciência de que esse trabalho está sendo realizado em benefício de toda a Humanidade, de toda a criação. Portanto, em benefício do Cristo Cósmico que sabemos que só será libertado da cruz do seu sacrifício quando tivermos nos libertado da cruz do nosso “eu inferior” (5), atingindo a união com toda a Humanidade.

Eis porque cada um deve dar o que tem, mas trabalhar fervorosamente. Quem ainda não souber amar, procure aprender a amar. Quem não souber expressar seu pensamento aqui como deve, procure aprender a expressar. Alguma coisa tem que ter em nós que possa servir de ponto de partida para um trabalho maior, para um trabalho real. O essencial é não parar, não resistir ao avanço. O nosso destino é sempre para frente e para cima. Ponhamos de lado as superficialidades e vamos viver corretamente para promover melhores e verdadeiros efeitos em nossas atividades.

Lembremo-nos sempre que o aperfeiçoamento é como a torre de uma igreja, como diz Max Heindel: “à medida que subimos, vai-se estreitando até que nada mais nos reste de apoio senão a Cruz“, lá no topo. Caminhemos, pois, para ela!



Fonte: Publicado na Revista "Serviço Rosacruz" – agosto/1964
Fraternidade Rosacruz – SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/ber%C3%A7o-de-newton-bolas-bola-256213/


Notas

Em outras tradições:
(1) Karma ou Carma.
(2) Corpo Astral.
(3) Corpo Causal ou Mental Superior.
(4) Espírito, Alma, Self.
(5) Personalidade.

O DHARMA POSSUI ALCANCE UNIVERSAL

 


Não existe nenhuma palavra que consiga transmitir plenamente a profundidade e a amplitude de significado contidas na palavra “dharma”. Tentativas de traduzi-la como “ação correta”, “vida virtuosa” ou “dever” não refletem a sua essência original. Somente “dharma” equivale a “dharma”.

Muitas pessoas confundem dharma com religião. No entanto, o termo “religião” não abarca a infinidade de sentidos latentes na palavra “dharma”. Pode-se, nesse aspecto, comparar “dharma” a um oceano, e “religião” a um lago. Diferentemente de uma religião, cuja abrangência e significado se restringem a um grupo específico de seguidores de determinado credo, o dharma possui alcance universal, transcendendo raça e religião. O dharma pertence a todos.

No Ocidente, é comum a crença de que todos têm certos direitos. A crença indiana, ao contrário, é a de que todos têm certos dharmas, certos deveres a cumprir. Entretanto, dharma e direitos são interligados. (Discurso Divino, 3 de junho de 1993)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do Texto e Gravura: www.sathyasai.org.br

A DIFERENÇA ENTRE EGO E PERSONALIDADE


A diferença entre ego e personalidade é um dos temas mais fundamentais da jornada de autoconhecimento.

A personalidade é uma estrutura dinâmica e multifacetada, composta por aquilo que consideramos ser o “modo de ser” – nossos traços emocionais, mentais, éticos e comportamentais. Ela incorpora memórias, padrões herdados, crenças e molda nossa forma de interagir com o mundo. Formamos nossa personalidade muito cedo, absorvendo valores e modelos do ambiente, e aos poucos vamos acreditando que certos traços são nossos.

A personalidade é um mosaico que opera por hábitos, impulsos automáticos e respostas emocionais que nos mantém socialmente funcionais.

O ego está relacionado com a noção de “eu”. As pessoas tendem a viver identificadas com o ego, acreditando que ele seja o único e verdadeiro “eu”.

O ego é a própria sensação de separatividade, a experiência de sermos um alguém em oposição ao mundo e aos outros. Ele define fronteiras, cria distinções, luta por sobrevivência psicológica. O ego está sempre buscando proteção, aceitação, poder, reconhecimento, controle, segurança. Para manter a história pessoal consistente, ele organiza lembranças, seleciona experiências, justifica decisões, comportamentos, condena fraquezas, oculta aspectos.

O ego filtra a realidade segundo seus critérios limitados e condicionados. Ele é frágil, inseguro, quer proteger a autoimagem, está sempre reagindo, sempre se sentindo ameaçado, sempre preocupado com o que os outros estão pensando.

A personalidade é maleável, pode amadurecer, expandir horizontes, incluir novas qualidades à medida que a experiência se amplia. Já o ego, busca estabilidade, previsibilidade, segurança e domínio, mesmo que isso signifique perpetuar sofrimentos.

Enquanto não compreendermos que o ego e a personalidade são apenas instrumentos a serviço da consciência, seguiremos como escravos de máscaras e condicionamentos, presos à dor de repetirmos sempre os mesmos padrões.

O autoconhecimento começa quando nos damos conta dessas forças internas e passamos a observar sem medo o funcionamento do ego e os limites impostos pela personalidade.

Nem a personalidade e nem o ego são nossa identidade essencial, nossa verdadeira essência. No processo de autoconhecimento, necessitamos enfrentar o ego com sinceridade, desmascararmos suas motivações e trabalhar para deixar que a personalidade se torne permeável à experiência, flexível diante das mudanças existenciais, permitindo que o encontro com novas experiências da vida e com o imprevisto dissolva nossas defesas, para que surjam modos de ser.

O ego e a personalidade fazem parte de nossa realidade, cada um tem sua função. Eles ocultam e revelam verdades e, se estivermos atentos, podem ser um caminho para transformação, para autorrevelação. Não precisamos negar ou combater nossa realidade, precisamos observar com abertura, investigar, purificar, integrar e transcender, para podermos realizar nossa verdadeira natureza.


Escola Gnóstica



Fonte: https://escolagnostica.org.br/
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sábado, 12 de setembro de 2026

PERISPÍRITO - PAPEL NO ORGANISMO FÍSICO E PSICOLÓGICO


O perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à Fisiologia, assim como à Psicologia. (1)

Para a Doutrina Espírita, existe um envoltório ligado à alma que lhe dá forma e guarda profunda relação com ela. A existência desse envoltório é falada desde há muito por várias tradições culturais. Paulo de Tarso o chamou de corpo espiritual, ou corpo incorruptível. André Luiz, por meio de Chico Xavier, deu o codinome de psicossoma. Recentemente, o pesquisador Hernani Guimarães Andrade o denominou de modelo organizador biológico (MOB). Igualmente, no seu livro "A Gênese", cap. 1, it. 39, Kardec o intitulou de corpo fluídico da alma ou perispirito, comparando-o ao perisperma que envolve o gérmen dos frutos; e verificou que, por meio dele, se dão vários adoecimentos.

Conforme as visões da Codificação Kardequiana e de Léon Denis, ele é inseparável da alma e forma junto desta o que se chama de Espírito. (2) (3)

Assim, é um dos elementos que constituem o ser. E, por sua vez, é formado de uma matéria mais sutil, (4) ou energia mais grosseira, para os encarnados, uma matéria mais sutil do que o corpo. Para os desencarnados, uma energia mais grosseira que aquela existente nas entranhas, sendo, por isso, chamado de envoltório semimaterial.

Essa formação tem origem a partir da alma por meio do fluido universal, que, para o Espiritismo, é uma espécie de energia basilar que permeia o Universo e as criações divinas.

Como consequência, cada ser terá uma constituição perispiritual própria, considerando que o fluido cósmico não é homogêneo na psicosfera dos planetas. Além disso, ela não é estática, pois que o psicossoma é extremamente mutável e sensível às influências do ser. Em geral, essas influências acontecem da alma em direção à carne. Contudo, o inverso também pode ocorrer.

Isso tem uma grande importância, já que esse corpo espiritual é o agente de transmissão do pensamento originário da alma e laço intermediário entre esta e a indumentária carnal, denominada material.

Salienta-se, outrossim, que, do mesmo modo que o perispírito tem sua origem na essência espiritual, o corpo biológico tem sua formação feita a partir do psicossoma. Por isso, foi denominado de MOB por Hernani Guimarães Andrade.

Nesse sentido, pode-se dizer que ele tem duas esferas.

Em uma, é o ponto de registro das existências da criatura, aí sendo o corpo causal da carne. Assim, originará o biológico levando em conta alguns aspectos. Primeiro, as necessidades geradas pela Lei de Causa e Efeito fazendo as demandas evolutivas do indivíduo. Segundo, como consequência direta das alterações perispiríticas já presentes, surgidas por impositivo dessa Lei de Causalidade.

Em outra esfera, o perispírito é o ponto de ligação da alma com a matéria. Aí, tem-se o duplo etérico, que abrange também os eflúvios neuropsíquicos das células, ou halo energético, sobretudo do sistema nervoso. (5)

As alterações perispirituais, consequentes à Lei de Causa e Efeito, têm grande importância na etiologia do adoecimento mental. Nesse tipo de doença, especificamente, elas, grande parte das vezes, são geradas em existências pretéritas. Contudo, igualmente, podem ser ocasionadas na atualidade em um passado mais recente. Como seja, poderão gerar transtornos psíquicos através de algumas vias.

Durante a formação do corpo de carne, por meio da reencarnação, alteraram-se os genes, “tijolos” na arquitetura biológica, que poderão vir a se expressar ou não, a depender de vários fatores, mas que, invariavelmente, irão predispor o surgimento de síndromes com a posterior expressão proteica biológica.

Em outras situações, no entanto, as mutações genéticas só acontecerão em período ulterior ao processo reencarnatório. Nesse caso, geralmente, elas irão se expressar em doenças.

Nessa segunda possibilidade, de igual modo, pode-se estar diante de uma pendência oriunda de vidas passadas. A diferença é que, na primeira, fez-se logo o registro genético.

Como seja, do ponto de vista do adoecer neuropsiquiátrico, é lançando mão dos genes que ocorre o chamado planejamento reencarnatório da provável doença.

Às vezes, a transição da perturbação perispiritual para a doença física não se dá por meio dos genes, mas diretamente na carne, por mecanismos ainda mal compreendidos. Também aqui, pode-se estar diante de complicações desta ou de outras existências.

Algumas pessoas, por exemplo, que já estão vivendo dias além do planejado antes de reencarnarem, no que se convencionou chamar de moratória, (6) são acometidas por afecções neuropsiquiátricas graves. Vencedoras em diversos aspectos da vida, têm a chance de sublimarem outras áreas que seriam buriladas em vidas posteriores, saindo, desde já, amplamente vitoriosas, a depender da dinâmica que empreendem no lidar com o adoecimento. Pode-se ter, aí, uma pendência reencarnatória expressada sem a necessidade genética.

Igualmente, em alguns casos de distúrbios que cursam com percepção distorcida da imagem corporal, como a anorexia nervosa e a vigorexia, vê-se no bojo dessas distorções aberrações perispirituais. Assim, pacientes extremamente magras não conseguem ver-se como tal, captando as impressões perispiríticas horripilantes que, em alguns casos dessa doença, existem. Salientam-se alguns casos porque não necessariamente o indivíduo com doenças que afetam a perturbação da imagem corporal ainda permanece com o perispírito deformado no curso de seus distúrbios psiquiátricos. Esses distúrbios também podem ser devidos a reminiscências de perturbações perispirituais no período pré-reencarnatório ou de quando o ser permanecia nas regiões inferiores do Mundo Espiritual. Estes podem ser alguns dos motivos do desequilíbrio de neurotransmissores que vem sendo achado nesses transtornos.

As alterações perispirituais, a maior parte das vezes, são concentradas nas áreas que o ser identifica, por um mecanismo não tão óbvio e sobretudo inconsciente, como sendo o motivador de seu sofrimento.

Sendo assim, Espíritos que abusaram da inteligência por meio da astúcia, da crueldade e correlatos, muitas vezes nascem com graves retardamentos mentais. Identificando esse departamento como o motivador de suas quedas morais, geram alterações perispirituais que se traduzirão em modificações anatômicas ou funcionais do encéfalo. Não necessariamente foi somente essa área do corpo que os fez cair, no entanto há uma identificação, até mesmo pelo impositivo da lei de atração, que faz surgir um desarranjo nesse setor.

Em outras ocasiões, seres que se mataram com tiros no crânio reencarnam com dolorosas síndromes neuropsiquiátricas. E isso acontece não porque a bala atravessou o corpo e atingiu o perispírito de modo literal/material. Na verdade, a imensa dor projeta no ato suicida e na região afetada a forma de expressar o sofrimento psíquico, gerando a alteração, e até mesmo, a malformação cerebral.

Desse modo, as perturbações do psicossoma ocasionam alterações biológicas específicas, variando muito a maneira de manifestação clínica. E isso devido, no caso das doenças neurológicas e psiquiátricas, às várias regiões cerebrais que podem ser implicadas.

Igualmente, essas fragilidades de áreas-alvo do corpo espiritual, quer se expressando na carne ou não, irão facilitar as interferências obsessivas. E aqui, também, os sintomas variarão bastante.

Assim, o perispírito, de uma ou de outra forma, tem papel de destaque na gênese dos distúrbios psiquiátricos. Isso porque é elemento chave na reencarnação, na Lei de Causa e Efeito, na genética e nas obsessões.

Para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação. (7)


Dr. Leonardo Machado



Fonte: do livro "Transtornos Psiquiátricos - Um Olhar Médico Espírita"
1ª ed., 2019, Brasília/DF
FEB - Federação Espírita Brasileira
www.febeditora.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/wailpaper-aura-medita%C3%A7%C3%A3o-emo%C3%A7%C3%A3o-2111346/



Notas:

(1) KARDEC, Allan. A gênese. Cap. 1, it. 39.

(2) Nota do autor: Vide O que é o espiritismo, cap. 2; A gênese, cap. 1, it. 39; Cristianismo e espiritismo, Nota complementar no 9; Depois da morte, cap. 24. Todos os livros editados pela FEB.

(3) Nota do autor: Muito embora, com a evolução do ser, o perispírito fique tão etéreo que é como se não existisse, confundindo-se com a própria alma. Vide: O livro dos espíritos, q. 186.

(4) Nota do autor: Na época de Kardec, os trabalhos de Albert Einstein sobre a relatividade e a constituição energética da matéria ainda não existiam. Mesmo assim, embora com uma linguagem diferenciada, os benfeitores espirituais e o próprio codificador anteviram essas questões. Vide: A gênese, cap. 14, I, notadamente no it. 6.

(5) XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos. Cap. 17; e Nos domínios da mediunidade. Cap. 11.

(6) Nota do autor: Os motivos de isso acontecer são os mais variados. Muitas vezes, porém, trata-se de indivíduos que guardam grande cota de responsabilidades em seus ombros, cuja ausência física poderia afetar negativamente bastante outras vidas. Tais períodos de acréscimo são vistos como dadivosos por permitirem maior cota de aprendizado. Contudo, há casos em que servem como corretivos.

(7) XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos. 1ª pt., cap, 2.

A SACRALIDADE DOS SEUS PASSOS


Todo ser vivo é um processo espiritual. A matéria é uma das formas pelas quais o espírito se manifesta, essa textura invisível da qual o universo é feito. Quando nossos sentidos internos adormecem, tudo nos parece feito de matéria, e acreditamos que a realidade se limita a átomos, moléculas e às inúmeras interações químicas. As palavras do grande dramaturgo ressoam em mim: “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.” (Hamlet, Ato I, Cena V, Shakespeare)

Mas que beleza singular o ser humano exala! Um caminho privilegiado de divinização, uma jornada de volta ao coração de onde nascemos. Essa existência misteriosa é o ventre onde os anjos são formados. Quanto sofremos, ignorantes do caminho sagrado que trilhamos! Cada evento na vida tem uma face invisível; cada espaço que você atravessa e cada pessoa com quem você interage faz parte de um palco místico. Significados magníficos são revelados à medida que despertamos para a face oculta da vida.

O sofrimento revela-se como instrumento de cura, como caminho de aprendizado. A alegria transforma-se em adoração, a paz e a força são internalizadas. Aquela velha situação aguarda redenção, e embora sob outro nome e em outra forma, a questão central permanece a mesma. Quão extraordinários são os filhos de Deus! Referimo-nos a toda a humanidade. Grandes batalhas são travadas e belas obras se desenrolam, e não necessariamente aquelas que são divulgadas e apresentadas. A epopeia do amor geralmente não aparece nos jornais. O profundo permanece elusivo para eles.

Reconheça a sacralidade dos seus passos, a importância das pequenas coisas, o valor da sua jornada. Ame a Deus dentro de você, apesar da escuridão que muitas vezes se instala na superfície. Não se esqueça de que somos da Sua linhagem! (Atos 17:28) Nas profundezas das Sagradas Escrituras, os enigmas o aguardam, o caminho oculto de Cristo que vive dentro de você. Não pense que a paixão, a morte e a ressurreição estão relegadas ao passado. Observe com calma e atenção como elas se recriam a cada dia, em você e em todos.


El Santo Nombre



Fonte: www.elsantonombre.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-flor-l%C3%B3tus-p%C3%A9talas-8294162/