domingo, 26 de abril de 2026

O PERIGO DAS CRISTALIZAÇÕES ESPIRITUAIS


Quando falamos em caminho espiritual, normalmente pensamos em expansão, abertura, liberdade, fluidez. No entanto, em algum ponto desse processo, quase todos nós, em algum nível, caímos em cristalizações espirituais. Essas cristalizações são endurecimentos, fixações em ideias, práticas, tradições, identidades.

Quando a espiritualidade deixa de ser um caminho vivo e se transforma em um sistema fechado, repetitivo, então passa ser um veículo de adormecimento, passa a dinamizar cristalizações, fechamentos.

A gnose (1) está no novo de cada instante, é fugidia. Quando tentamos segurá-la, ela escapa. A gnose não é uma doutrina, é um sistema aberto. Quando a reduzimos a palavras, rituais ou doutrinas, nós a perdemos. Ela é uma presença viva, e toda tentativa de capturá-la mentalmente cria apenas uma imagem morta.

Os ensinamentos são tentativas daqueles que tiveram experiências de gnose, de explicar suas vivências e ajudar os demais a terem suas próprias experiências, a chegarem a sua própria gnose. Os ensinamentos apontam para verdades, para realidades que precisam ser vivenciadas. Confundir os ensinamentos com a própria experiência leva a cristalizações.

A mente gosta de segurança, e por isso tem a tendência de transformar cada descoberta em algo fixo, uma conclusão, um método. Mas a consciência não cabe em conclusões, ela é um fluxo sem limites. São nossos condicionamentos que a limitam. Se não acompanhamos o fluxo, nós nos afastamos do real e passamos a viver presos à nossa própria representação do sagrado, do real. O conhecimento é um processo vivo, criativo, não é algo que possa ser obtido absolutamente.

As cristalizações se expressam no dogmatismo, no sectarismo, nas identidades espirituais. A vida, o divino, não pode ser contido em nossas crenças, em nossos padrões, símbolos, gestos, rituais.

As cristalizações surgem quando repetimos as mesmas práticas sem presença, apenas porque acreditamos nelas; quando acreditamos que uma ou outra prática é o único caminho; quando defendemos uma tradição ou mestre com rigidez, como se qualquer divergência fosse uma ameaça; quando acreditamos que apenas uma abordagem é a verdadeira, a correta; quando acreditamos que apenas o grupo que participamos conhece a verdade ou interpreta corretamente um ensinamento; quando acreditamos que alguém já ensinou tudo que era necessário; quando acreditamos que basta ler um ou outro livro, ou um certo número de livros.

Quando acreditamos que já sabemos ou quando julgamos tudo com base no que já conhecemos, nós nos fechamos e deixamos de aprender, de escutar, perdemos a capacidade de assombro, de perplexidade, perdemos a sensibilidade.

Raramente percebemos as cristalizações se formando. Continuamos a falar de luz, consciência e libertação, mas fazemos o contrário; falamos de dissolução do ego, mas fazemos tudo que o fortalece; construímos prisões com nossas ideias, criamos separações, divisões, julgamentos. A dissolução aponta para um total desapego, um total abertura, um completo esvaziamento.

A única forma de evitar ou desfazer cristalizações é a vigilância constante. É essencial percebermos quando estamos sendo rígidos, limitados, fechados, resistentes e aprendermos a soltar, a abandonar, a nos abrir. Abandonar não é traição. Somente abandonando nossas ideias, nossas representações é que nos abrimos para outras oitavas de percepção. Espiritual é estar sempre disponível para o novo, mesmo que ele destrua as certezas que construímos com tanto esforço. Espiritual é estar livre de certezas. É a abertura para as incertezas que gera verdadeira segurança. O caminho é viver entre, através e além de tradições, formas, práticas, pois é aí que se encontra a gnose.


Fonte: Escola Gnóstica
https://escolagnostica.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/cadeado-porta-trancar-furo-chave-172770/


(1) Gnose: do grego "sabedoria", "conhecimento".

A MEDITAÇÃO REVELA E CURA


O estado de paz e relaxamento que alcançamos quando sentamos com a mente alerta difere fundamentalmente do estado de indolência e semiconsciência de quem descansa ou dormita. Sentar para meditar em tal estado, longe de estar alerta, é como estar sentado dentro de uma escura caverna. Quando sentamos com a mente alerta, não apenas nos sentimos descansados e contentes mas também super despertos.

Meditação não é evasão; é um sereno confronto com a realidade. Para praticá-la a pessoa precisa estar alerta como o motorista de um carro; se a mente não estiver desperta, ela será arrastada pela dispersão e esquecimento, exatamente como um motorista desatento pode ser levado a causar um grave desastre. Você deve estar alerta como alguém caminhando sobre um fio de arame - qualquer descuido pode levá-lo à morte. Deve ser como um cavaleiro medieval caminhando desarmado por uma floresta de espadas. Deve ser como o leão que avança com passo vagaroso, brando e firme. Somente com essa total vigilância é que você poderá alcançar o despertar.

Para os principiantes, recomenda-se o método de simples reconhecimento. Eu disse que esse reconhecimento deve ser feito sem julgamento: tanto a compaixão como a irritação devem ser recebidas, reconhecidas e tratadas com absoluta igualdade, pois elas são nós mesmos. A tangerina que estou comendo sou eu mesmo. A mostarda que estou plantando sou eu mesmo, eu planto com todo coração e toda alma. Eu limpo esta chaleira com a mesma atenção com que daria banho no bebê Buda. Nenhuma coisa deve ser tratada com menos cuidado do que outra. Para a mente alerta, compaixão, irritação, planta de mostarda, chaleira, todos são iguais, todos são Budas.

Quando estamos dominados por tristeza, ansiedade, ódio, paixão, ou seja o que for, podemos achar difícil praticar o método de simples observação e reconhecimento. Nesse caso é melhor se voltar para o método de meditar num objeto fixo, usando o próprio estado mental em que se encontra como objeto da meditação. Essa meditação revela e cura. A tristeza, a ansiedade, o ódio ou a paixão, sob a mira da nossa concentração e meditação revelam sua própria natureza. E a revelação leva naturalmente à cura e emancipação. Se foi tristeza a causa de sua dor, use-a como meio para libertar-se da tortura e do sofrimento. Chamamos a isto, usar um espinho para remover um espinho.

Devemos tratar nossa ansiedade, dor, ódio e paixão, com brandura, não resistindo, mas vivendo com eles, fazendo as pazes com eles, penetrando em sua natureza através da meditação na interdependência. O praticante imaginoso sabe como selecionar o tema de meditação que melhor corresponde a cada situação. Temas como interdependência, compaixão, vacuidade-do-eu e desapego todos pertencem à categoria de meditação que tem o poder de revelar e curar.

Meditar nesses temas, no entanto, só pode ter resultado se tivermos um certo poder de concentração. E esse poder é adquirido através da prática de alertar a mente na vida diária, observando e reconhecendo tudo o que está acontecendo conosco. O objeto da meditação deve ser algo com raízes em você mesmo; não pode ser apenas um tema para especulação filosófica. Deve ser como certo tipo de comida que precisa ser cozida por longo tempo no fogo. A panela somos nós mesmos, e o calor usado para cozinhar é o poder de concentração. O combustível vem da contínua prática de alertar a mente. Sem o necessário calor, a comida não cozinhará nunca. Mas uma vez cozida, ela revela sua natureza e nos ajuda a chegar à libertação.


Thich Nhat Hanh



Fonte: do livro "Para Viver em Paz"
Editora Vozes
Via Boletim "Flor de Lótus", nº 22, 1999
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-pessoa-humano-silhueta-10080453/

MENSAGEM DO MÊS DE TOURO


O touro de Touro é a luz do aspirante.

Touro, o signo do touro, permeia a Terra para trazer vida ao planeta. O olho do touro realiza esse trabalho. Também é chamado de terceiro olho do Senhor Shiva.

O aspirante de Touro pode ser comparado ao touro. Ele possui muita energia. Essa energia deve ser regulada e aplicada ao cultivo da personalidade de forma que seja útil e promova a vida ao seu redor.

Touro transmite aos aspirantes a mensagem de trabalhar como um touro. O fogo da aspiração deve ser reunido e focado para se manifestar como uma obra de boa vontade.

Um touro precisa ser amarrado pelo nariz, atrelado e colocado no campo para trabalhar. Um touro sem controle causa devastação em seu ambiente. O mesmo se aplica a um aspirante sem controle. No caso do touro, o agricultor amarra seu nariz e coloca um jugo em seu pescoço. No caso do aspirante, ele precisa fazer isso sozinho, já que o Mestre não o faz. O Mestre concede a tecnologia e a chave para amarrar o próprio nariz e se submeter ao jugo. Os aspirantes deverão reunir essa tecnologia e desenvolvê-la.

Lembrem-se de que nenhum aspirante se torna discípulo a menos que produza um trabalho imenso, como o touro, e que esse trabalho beneficie uma parcela significativa da humanidade.

O discipulado não é um conto de fadas. É parte de um trabalho imenso. A transformação da matéria não ocorre sem a aplicação regular do tempo.

Que o fogo da aspiração gerado no mês de Touro seja aplicado inteligentemente para a elevação da humanidade.

A plenitude que o aspirante traz ao ambiente preenche simultaneamente o próprio aspirante.

Ninguém jamais se tornou Mestre sem produzir um grande trabalho.

Que o aspirante se destaque nesta obra de boa vontade!



Fonte: Circular Vaisakh 1, Ciclo 29
World Teacher Trust Espanha
www.wttes.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/cabe%c3%a7a-de-touro-dirigir-touro-47270/

sexta-feira, 24 de abril de 2026

QUIETUDE - A MENTE ZEN


Há um poema Zen que diz: “Depois que o vento cessa, eu vejo a flor que cai. Por causa do pássaro cantando, descubro a quietude da montanha”. Antes que algo aconteça no reino da quietude, nós não sentimos a quietude; só a percebemos quando algo a perturba. Há um ditado japonês que diz: “Para a lua, há nuvem; para a flor, vento”. Quando vemos parte da lua encoberta por uma nuvem, uma árvore ou uma planta, percebemos melhor o quão redonda ela é. Quando vemos a lua clara sem nada que a encubra, não percebemos sua redondez do mesmo modo que a percebemos ao vê-la através de alguma outra coisa.

Quando em zazen (1), você está dentro da completa quietude de sua mente: você nada sente. Você está apenas sentado lá. Mas a quietude que vem desse sentar irá encorajá-lo na vida cotidiana. Assim, você achará de fato o valor do Zen no dia-a-dia, mais do que quando se senta. Porém, isto não significa que você deva negligenciar o zazen. Muito embora nada sinta quando sentado, se não tiver essa experiência do zazen, você nada encontrará em sua vida diária exceto plantas, árvores ou nuvens: você não verá a lua.

Eis por que está sempre reclamando de algo. Mas, para o estudante Zen, uma erva daninha que para a maioria das pessoas nada vale - é um tesouro. Com tal atitude, o que quer que você faça, sua vida se torna uma arte.

Quando você pratica zazen não deve procurar atingir nada. Sente-se na completa quietude da sua mente e não busque apoio em coisa alguma. Mantenha o corpo reto sem inclinar-se ou apoiar-se em nada. Manter o corpo reto significa não contar com nada. Dessa maneira, você obterá completa quietude, física e mental. Contar com alguma coisa ou tentar fazer algo no zazen é dualismo; não é quietude total.

Na vida diária, geralmente estamos tentando fazer algo, tentando transformar uma coisa em outra ou atingir algo. Essa tentativa é, em si mesma, expressão da nossa verdadeira natureza. O sentido reside no próprio esforço. Temos de descobrir o sentido do nosso esforço antes mesmo de atingir algo. Por esta razão, Dogen (2) disse: “Devemos alcançar a iluminação antes de alcançá-la”. Não é depois de atingir a iluminação que descobriremos seu verdadeiro significado. A própria tentativa de fazer alguma coisa já é iluminação.

Quando estamos em dificuldades ou em desgraça, aí temos iluminação. Quando afundamos na lama, aí devemos conservar a serenidade. Achamos muito difícil viver na fugacidade da vida, mas é justamente na fugacidade da vida que podemos encontrar a alegria da vida eterna.

Prosseguindo na prática com tal compreensão, você poderá aperfeiçoar-se. Mas, se tentar atingir algo sem essa compreensão, não conseguirá trabalhar sobre isso de forma adequada. Você perderá a si próprio na luta pelo seu objetivo; nada alcançará e continuará a sofrer em meio a suas dificuldades. Com a correta compreensão, poderá fazer algum progresso. Então, faça o que fizer, ainda que não seja perfeito, isso estará baseado na sua natureza mais íntima e, pouco a pouco, alguma coisa será alcançada.

O que é mais importante: atingir a iluminação ou atingir a iluminação antes de atingi-la? Ganhar um milhão de dólares ou desfrutar a vida aos poucos com seu próprio esforço, ainda que seja impossível ganhar aquele milhão? Ter sucesso ou encontrar algum sentido em seu esforço para ser bem sucedido?

Se você não sabe a resposta, não será capaz de praticar zazen; se a sabe, terá encontrado o verdadeiro tesouro da vida.


Shuniyu Suzuki



Fonte: do livro "Mente Zen, Mente de Principiante"
Editora Palas Athena
Via Boletim "Flor de Lótus", nº 22, 1999
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/medita%c3%a7%c3%a3o-zazen-meditar-budismo-3998095/


Notas:
(1) Zazen - meditação no Zen-budismo.
(2) Dogen (1200-1253) - Primeiro Mestre da Escola Zen-budista Soto.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O MOMENTO DAS GRANDES LUTAS


Há quem despreze a luta, mergulhando em nociva indiferença, ante os combates que se travam no seio de todas as coletividades humanas. A indiferença anula na alma suas possibilidades de progresso e oblitera seus germes de perfeição, constituindo um dos piores estados psíquicos, pois, roubando da individualidade o entusiasmo do ideal pela vida, a obriga ao estacionamento e à esterilidade, prejudiciais em todos os aspectos à sua carreira evolutiva.

Semelhante situação não se pode, todavia, eternizar, pois para todos os espíritos, talhados todos para o supremo aperfeiçoamento, raia, cedo ou tarde, o instante da compreensão que nos impele a contemplar os altos cimos... A alma estacionária, até então refratária às pugnas do progresso, sente em si a necessidade de experiências que lhe facultarão o meio de alcançar as culminâncias vislumbradas... Atira-se ai à luta com devoção e coragem. Vezes inúmeras fracassa em seus bons propósitos, porém, é nesse turbilhão de incessantes combates que ela evoluciona para a perfeição infinita, desenvolvendo as suas possibilidades, aprimorando os seus poderes, enobrecendo-se, enfim.


Francisco Cândido Xavier / Emmanuel


Fonte: do livro "Dissertações Mediúnicas"
FEB - Federação Espírita Brasileira
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/alcan%c3%a7ar-mulher-garota-pulando-1822503/

O EGOCÊNTRICO JAMAIS PODERÁ SER FELIZ


Pergunta: Mestre, o senhor sempre diz que nada no mundo pode trazer felicidade. E que a felicidade deve ser gerada de dentro para fora. O senhor até diz: “Resolva ser feliz”. Apesar disso, não consigo alcançar a felicidade. O senhor teria a gentileza de me ajudar?

Resposta: A felicidade é uma atitude. É preciso cultivar a felicidade. Uma pessoa que dedica tempo a si mesma, pensando e trabalhando apenas para si mesma, não pode ser feliz. Através de seus pensamentos, ela se aprisiona constantemente. Quando alguém está preocupado consigo mesmo e consciente de seus parentes, amigos e bens materiais, desenvolve uma visão limitada de si. Vive em um mundo restrito dentro de um mundo completamente aberto. A consciência fica aprisionada pelos pensamentos que a cercam. Esse processo tortuoso e cada vez mais tortuoso precisa ser revertido. Devemos pensar diariamente se podemos fazer alguém sorrir. Devemos considerar se podemos fazer um ser humano, um animal, uma planta ou um inseto feliz. Dependendo da felicidade que espalhamos, a natureza nos retribui instantaneamente com essa felicidade. Se alguém causa infelicidade nos relacionamentos alheios, essa pessoa permanece infeliz mesmo desfrutando dos confortos e luxos da vida. O desenvolvimento pessoal ocorre quando se trabalha pela felicidade dos outros, com relacionamentos que partem do próprio centro para o exterior. Mas enquanto que esse centro permanece voltado para dentro não se desenvolve porque está apenas trabalhando pela própria felicidade. O egocêntrico jamais poderá ser feliz.


Fonte: Vaisakh Circular 1, Ciclo 29
World Teacher Trust Spain
www.wttes.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/margarida-leuc%c3%a2ntemo-comp%c3%b3sitos-74886/

O TOURO DE DEUS (2º SIGNO DO ANO)


O Homem é um ser em busca de significado. (Platão)

Aprender não é acumular pedacinhos de saber. É um crescimento no qual cada ato de sabedoria desenvolve o seu portador, tornando-o capaz de estruturar cada vez mais objetivos cada vez mais complexos — e o crescimento da complexidade do objeto anda paralelo com o crescimento da capacidade subjetiva. (1)

O Touro de Deus — Sua Majestade, o Touro — é frequentemente representado com um único olho sobre a testa, do qual irradiam finos raios de luz que simbolizam a meta deste segundo signo do zodíaco — a Iluminação.

A luz do corpo é o olho; portanto, se o teu olho for bom, todo o teu corpo estará pleno de luz. (Mateus 6:22)

Como Touro simboliza o desejo em todas as suas fases, é conhecido como o signo de maior incentivo para viver. Sua atividade é a luta, seja individual, grupal, planetária ou cósmica. Na maioria dos homens, sua qualidade básica manifesta-se como desejo; no homem comum, como teimosia; no homem mais evoluído, como fidelidade às metas da personalidade ou como vontade expressa de modo inteligente, ativada pelo impulso do amor.

A Iluminação surge a seu tempo da luta entre as duas metades de um todo: o desejo material e a vontade espiritual. O Desejo-Vontade subjaz a todas as formas em todos os níveis e exibe a força da natureza-forma; a Vontade, energia da alma, manifesta-se como direção e conformidade com o Plano. Este Plano é interpretado de muitas maneiras; uma de suas definições mais simples o apresenta como sendo aquilo que cada homem individual é capaz de perceber com referência ao seu padrão geral. O grau dessa percepção depende do estágio de evolução do indivíduo.

O processo do desabrochar espiritual é muito lento e só tem início depois da obtenção de uma certa medida de integração da personalidade. Antes de atingir essa etapa, a personalidade não demonstra sensibilidade suficiente para despertar o interesse da Alma.

Porém, quando os corpos da personalidade se coordenam para agir como uma unidade, o Eu Superior, notando uma qualidade receptiva em seu instrumento, começa a infundir sua luz para dentro do eu inferior, dando início à fusão.

Todos os signos são caracterizados por um dos quatro elementos: fogo, ar, terra e água. Touro é um signo de terra, e forma parte da tríade que inclui também Virgem e Capricórnio. Devido ao elemento terroso de sua natureza, o taurino deve dominar suas fraquezas no nível físico, pois é somente nesse plano que a experiência de vida pode ativar o crescimento. Quando isso ocorre, o desejo é transmutado em aspiração. A aspiração passa então a ser uma expressão da Vontade de Deus, que deve ser levada a um plano inferior para se transformar em Vontade do Bem; mais tarde manifestar-se-á como Boa Vontade.

Durante esse longo período de transição, a Alma desempenha um duplo papel. Não só influencia modificações na forma, como também sua luz produz uma revelação sequencial de si mesma, que em Touro representa a "luz penetrante do Caminho". (2)

Gautama, o Buda, está intimamente ligado ao signo de Touro. Parece ser mais do que mera coincidência que seu nascimento, sua iluminação e sua morte tenham ocorrido sempre em tempo de Lua cheia em Touro. O controle do desejo, tão básico nos ensinamentos de Buda, é também um problema maior para o discípulo taurino que se esforça em sua busca.

Alguma forma de sofrimento ou dor acompanha invariavelmente o esforço de crescimento. Para o homem que busca esclarecimento, é de grande ajuda compreender que as provações e aflições são de fato desafios benéficos que oferecem meios para destilar seu potencial.

Atuam como testes pré-figurativos do "campo de fogo" e do "campo de batalha", provações pelo fogo, as quais em justa perspectiva são reconhecidas como "a liberação da luz do conhecimento no campo da sabedoria".


Os raios

Todos os raios são considerados como expressões de Grandes Seres — um conceito a ser aceito hipoteticamente, e não como imagem da realidade.

O Quinto Raio da Mente Concreta ou Ciência: Esta energia revela a qualidade de um Ser Divino que interpreta a Vontade Divina num plano inferior do quinto subplano do Plano Físico Cósmico, pois o Quinto Raio forma a substância de todo o plano mental.

Ele se manifesta de três formas:

1. Mente Abstrata ou Mente Superior.

2. Mente Concreta ou Mente Inferior, o aspecto mais elevado do eu inferior.

3. O filho da mente, a Alma, ponto de unificação da inteligência abstrata ou concreta.

Assim como a personalidade funciona como meio de expressão da Alma, a Mente Concreta atua como canal de entrada para a energia mental superior. Denominado a "Porta para a Mente de Deus", o Quinto Raio influi muito sobre Touro porque é o agente do desenvolvimento da consciência, a meta cósmica para o nosso sistema solar. É energia latente, enquanto aguarda solicitação; dinâmica, quando funciona como agente na formação de pensamentos.

O Primeiro Raio de Vontade ou Poder: enfatiza a vontade de iluminar, que em seu aspecto destrutivo causa a morte da forma para que a Alma possa prosseguir em frente no caminho da Evolução. Sua força impele o homem na sua ascensão a níveis mais altos de compreensão espiritual, enfatizando o poder de iluminação do Propósito Divino que será implementado pela realização do Plano. No presente momento, a mente humana é limitada demais para compreender a natureza do Propósito Cósmico. Mas como a eletricidade, cuja natureza ainda está a ser definida e plenamente explorada, sua manifestação pode ser reconhecida e estruturada com maior compreensão graças a algumas das indicações que aparecem no padrão do seu desabrochar.


Os planetas

Vênus: Deusa do Amor e da Beleza, é o regente exotérico de Touro e o único agente condutor do Quinto Raio. Sua influência é sempre de qualidade mental. No signo de Touro, ocupa-se com o desenvolvimento da personalidade nas suas primeiras etapas de crescimento, em que os instintos inferiores são estimulados para a gratificação dos sentidos. Uma vez atingida a saciedade nessa área, a próxima busca será dirigida para o "estético", e também significará apenas mais um passo no caminho de um desejo ainda não satisfeito. A busca finalmente é dirigida para dentro, para um nível mais elevado que ainda procura gratificação; essa nova direção marca uma aproximação com a Alma e o início do contato com ela.

Vênus está associado ao sexo. O Ensinamento da Sabedoria deixa claro que, quando a expressão de sexo no plano físico é contida, o fato é aprovado e considerado "certo"; quando é prostituída ou pervertida, é considerado "errado". A união do homem e da mulher no nível físico simboliza o relacionamento do casamento mais elevado entre Espírito e Matéria, que é em si uma expressão básica da Lei da Atração.

Vulcano: Deus do martelo e da forja, Vulcano é o regente esotérico e hierárquico de Touro. Age constantemente com o poder do Primeiro Raio, batendo o "metal base" para transmutá-lo numa forma mais aprimorada a ser usada para fins espirituais. Sua força incansável simboliza a persistência necessária para abrir um caminho para a experiência da Alma no mundo da forma. Esse ferreiro lendário exerce sua atividade nos planos mais elevados para que a alma possa progredir no seu caminho de evolução, à medida que adquire – num nível inferior de existência – a necessária experiência de conhecimento do Deus manifestado.


Autoconhecimento e Autopercepção

A tarefa de autoconhecimento e de autopercepção é especialmente difícil para o taurino, porque envolve muitas limitações a serem vencidas. A vida da forma, a atividade inteligente e a luta intensa explicam de modo sintético seu problema. Será necessário dissipar o brilho e a ilusão antes de poder chegar ao Eu Superior; todavia, uma vez atingido esse domínio, obtém-se a garantia de que nunca mais as ilusões confundir-se-ão com a verdade.

Embora o taurino atravesse períodos de desânimo, quando sente que não está atingindo a sua meta, a depressão poderá ser ultrapassada pela lembrança de que as fraquezas de seus sentidos estão dentro dele mesmo, e que é o seu próprio aparelho de recepção o causador do problema. Essa condição poderá ser corrigida se ele reconhecer que seus potenciais estão apenas esperando o devido desenvolvimento e podem, portanto, ser aproveitados se ele se dedicar ao trabalho com empenho e zelo.

Com relação ao corpo físico, Touro rege o pescoço e a garganta. A aparência um tanto bruta do pescoço de seus regidos é muitas vezes uma vantagem, pois proporciona cordas vocais fortes para os cantores e boa voz para os oradores.

Como a Mãe-Terra, o taurino é estável porque suas raízes penetram fundo no solo. Seu humor também se mantém perto do chão. Seu amor pela família, pelos amigos e pelo seu lar é evidência forte do toque de Vênus, como também o é seu amor pelo belo. O tipo pouco desenvolvido demonstra possessividade e apego às coisas materiais. Como o touro, ele tem boa saúde, e um temperamento forte que se mantém contido até o momento em que é encostado na parede; então, encolerizado, ataca com ferocidade inesperada, "energia selvagem à solta pelos interesses da personalidade".

A tenacidade, a resistência e a teimosia refletem qualidades da Vontade e, como todas as forças, têm um aspecto positivo e outro negativo. O martelo de Vulcano em ação produz a perseverança, a persistência e o poder, todos indicando a marca do Primeiro Raio. Ao testemunhar a expressão da Vontade, é muito necessário reconhecer a motivação que dá cor ao quadro de referência. Tomemos como exemplo a teimosia: O pequeno Bill, aquele "monstrinho", usa sua teimosia em favor de um egoísmo insuportável, pisando em tudo à sua frente para chegar ao que quer. Todavia, num homem maduro que luta pelo bem comum, a característica de teimosia é altamente elogiada.

Fica óbvio que a auto-estima e o auto-interesse excessivos bloqueiam a visão que leva à sabedoria. Se a aspiração for irregular, aprisiona a inteligência e impede o desenvolvimento prático do conhecimento. O discípulo taurino precisa de uma motivação estável para poder progredir na trilha estreita do "fio da navalha" do desabrochar espiritual. Para conseguir apoio no domínio de suas fraquezas, ele deve afirmar constantemente que sua é a Alma, filha de Deus, que é Filho da Mente. Usando a força de Vulcano para destruir velhos hábitos e moldar outros novos, pode transmutar características indesejáveis em qualidades construtivas que sustentem aquilo que ele é essencialmente: o Eu transpessoal.

Duas palavras-chaves de Touro focalizam a jornada da evolução:

A personalidade afirma: Que a luta seja sem temor.
A alma soa a sua nota: Eu vejo, e quando o olho está aberto tudo se ilumina.

A iluminação atingida a duras penas é atribuída à influência de Vulcano, substituto do Sol, do Logos, Doador da Luz.

A Vontade, base da atividade em Touro, deve ser a vontade pura, plena de alegria, que precisa ser expressa no serviço aos outros – a vontade do bem transformada em boa vontade. A natureza da Vontade é reconhecida como um mistério, e os psiquiatras modernos estão pesquisando cada vez mais na tentativa de entende-la. Roberto Assagioli, em seu livro "O Ato da Vontade", apresenta várias ideias sobre o assunto e descreve um aspecto da vontade como sendo:

... uma voz, pequena, porém clara, fazendo-se ouvir às vezes, incentivando nossa ação numa direção específica, diferente dos nossos motivos e impulsos habituais. Sentimos que ela surge do âmago central do nosso ser. Ou talvez uma iluminação interior nos torne conscientes da realidade da vontade, que sentimos afirmar-se de forma irresistível.

A descoberta da vontade em nós mesmos, e mais ainda, a compreensão de que o Eu (Alma) e a vontade estão intimamente ligados, pode ocorrer como verdadeira revelação que muda, às vezes radicalmente, a autoconscientização do homem e sua atitude consigo mesmo, com outras pessoas ou com o mundo. Ele percebe que é um "ser vivo", dotado do poder de escolher, de se relacionar, de modificar a própria personalidade, a dos outros, ou mesmo as circunstâncias. Essa conscientização ampliada, esse "despertar" para a visão de novos e ilimitados potenciais de expressão interior e de ação exterior transmite novas sensações de confiança, de segurança e alegria – um sentido de "completude" e "unidade".

O papel mais efetivo e gratificante da vontade não é o de ser a fonte do poder direto ou da força, mas sim o de ser a função que, submetida ao nosso controle, estimula, regula e rege todas as outras funções e forças do nosso ser para que elas nos levem até a nossa meta predeterminada...

A função da vontade é semelhante à de um capitão no leme de seu barco. Ele sabe qual deve ser o rumo a tomar e mantém o barco firme nesse rumo, apesar das variações do vento e da correnteza. Porém, a força de que precisa para girar o leme é totalmente diferente daquela usada para propulsionar o barco, seja esta gerada por motores, pela pressão do vento nas velas ou pelo esforço de um remador...

Procuremos entender profundamente o significado total e o imenso valor da descoberta da vontade... seja como for que ela ocorra, de modo espontâneo ou através da ação consciente, em crise ou na quietude da memória interior, ela sempre representa um evento decisivo muito importante na nossa vida. (3)

Repetindo, "a vida da forma, a atividade inteligente e o esforço intenso" resumem o problema de Touro, cuja resolução depende de um reconhecimento da realidade que está por trás da fachada enganadora de eventos com os quais entramos em contato na vida cotidiana. Isso ocorrerá quando a chama do Eu Transpessoal iluminar a visão; o homem poderá então colocar-se em pé e enxergar ao longe.

Na constituição das pessoas nascidas sob o signo de Touro falta frequentemente uma indicação da atividade do Segundo Raio de Amor-Sabedoria, o que pode explicar-se pelo excesso de focalização no pequeno "eu" e em seus desejos.

A análise demonstra que uma pessoa pode ser inteligente mas não necessariamente sábia, aspirante mas ao mesmo tempo teimosa; e isto a tal ponto que sua aspiração não a leva muito longe no caminho do desenvolvimento, devido à tendência que a faz atuar em "arranques" explosivos. A estabilidade é, para essa pessoa, um bem de difícil obtenção; difícil também é a aplicação prática do conhecimento já adquirido, que frequentemente permanece num nível puramente mental. A pessoa reconhece a "existência da dualidade", mas em lugar de lutar mais ainda para chegar à unificação, deixa-se levar pelos efeitos depressivos da sua descoberta, caindo numa condição estática.

O homem deste signo que deseja realmente progredir no caminho do desabrochar espiritual deve firmar-se no lado espiritual de Vênus, dar ao amor seu devido valor e, ao mesmo tempo, renunciar ao lado destrutivo de Vulcano, concentrando-se no poder que este lhe confere para desenvolver o que ele realmente é — o Eu. Isto exige uma visão clara, o exercício da vontade com alegria, e o total desaparecimento dos desejos da personalidade.


Clara Weiss


Fonte: do livro "A Auto-Realização Através da Astrologia"
Tradução Lizah Verdier
Ed. Pensamento, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/touro-astrologia-hor%c3%b3scopo-zod%c3%adaco-2782023/

Notas:
1. Love and Will, p. 223
2. Esoteric Astrology, Alice Bailey, p. 329
3. The Act of Will, pp. 7, 9, 10, 47.[O Ato da Vontade, Editora Cultrix, São Paulo, 1985.]

terça-feira, 21 de abril de 2026

O OBJETIVO ARQUETÍPICO DA HATHA YOGA


(...) todo o mistério da Hatha Yoga está relacionado com a criação de uma estrutura etérico-física que responde aos Arquétipos de Beleza e ao equilíbrio das funções orgânicas, bem como à sensibilização constante de cada um dos elementos celulares que constituem esta estrutura de acordo com o ritmo solar ou universal, o que pressupõe o estabelecimento de um sistema de contatos cada vez mais estreitos e definidos entre o cérebro e a mente, entre a mente discernidora e a vida afetiva através do corpo etérico, que assim se torna o elo natural de relação entre a existência no plano físico e os outros planos do Sistema Solar onde o ser humano já possui corpos definidos como o astral, o mental e outros que ainda estão em processo de construção, como o búdico, o átmico, o monádico etc.

A Hatha Yoga, conforme expressa e usada em nossos dias através do esporte, da higiene natural, da dietética sadia ou vida naturista e dos diferentes sistemas de respiração e controle dos asanas ou posturas do corpo, visam polir e refinar o cálice objetivo e sensibilizar constantemente o corpo etérico para que ele possa receber sem fricções (que são a causa das doenças) a crescente sensibilidade espiritual do Pensador, do Artífice que, com o testemunho de Sua Graça santificante deve percorrer o mundo oferecendo perpetuamente "seu corpo e sangue", no sentido mais esotérico e místico, para que cada um dos peregrinos da Terra possa saciar sua fome e sede de justiça social e humana. A conhecida frase mística "pelos seus frutos serão reconhecidos" refere-se àquela fase da Yoga em que a vida de Deus é perfeitamente reconhecível através do corpo físico, como no caso dos grandes Avatares como Hermes, Buda e o Cristo que, objetiva e palpavelmente, demonstraram a pureza das Suas excelsas Vidas através de veículos ou cálices indescritivelmente imaculados e radiantes.

A obtenção de tais estados como revelação de certos Arquétipos cuja identidade deve ser buscada além dos limites do nosso Universo, uma vez que pertencem a um desígnio de origem cósmica, é o objetivo da Yoga. Sua conquista, mesmo no mais imediato, no meramente físico, exigirá uma atividade maior que, projetando-se para além do corpo conhecido através de seus centros ou chacras superiores, os do cérebro e do coração, nos permitirá estabelecer contato com a Realidade mais elevada, aquele Deus em nós que está constantemente nos solicitando. O aparecimento das outras Yogas que o ritmo constante e invariável da evolução promove é resultado da pressão interna da Mônada espiritual que, de cima (chacra coronário) e do dentro (chacra cardíaco), procura estabelecer uma união direta e positiva com a Vida divina em todos os Seus planos de expressão psicológica. Portanto, todas as Yogas são solidárias com o princípio físico de sobrevivência e autorreconhecimento. A glória de Deus deve se revelar visivelmente, como o Cristo demonstrou por meio do Mestre Jesus. Implícito nessas últimas palavras está o Mistério cristão a ser revelado por intermédio da Hatha Yoga.

O que realmente se pretende com esta ciência positiva de união, à medida que a corrente evolutiva se dirige a áreas de alta sensibilidade emocional e profunda penetração mental, é sutilizar o organismo, introduzindo nele elementos vitais de vibração muito alta, que constituem um tipo particular de prana mais sutil, embora coexistindo com o prana conhecido, mas que só pode ser usado quando a mente e o coração (Raja Yoga e Bakti Yoga) atingem certo grau de desenvolvimento e equilíbrio. Quando os tratados esotéricos sobre a Yoga do Oriente começaram a fornecer conhecimento de caráter superior e a afirmar fatos sobre o mistério permanente que se agita nos éteres do espaço, e a apresentar o elemento primordial, o Prana como a origem do fenômeno planetário da Vida, acreditava-se que eles haviam chegado definitivamente à descoberta da chave para o mistério inicial da existência humana aqui na Terra, isto é, da Hatha Yoga.

No entanto, foi apenas o começo de uma busca persistente e incessante. Tal Mistério ainda tem muitos segredos a revelar ao investigador consciente, muitos elementos de conhecimento e sabedoria a aportar antes que tenham concluído completamente os círculos de perfeição física programados pela Divindade para o ser humano, a partir do grande Arquétipo causal ou Anjo Solar, que é a matriz ou modelo pelo qual todo o processo de evolução da humanidade é dirigido. A este respeito, devemos lembrar o que dissemos acima em conexão com o Mistério que oculta o segredo de sabedoria do nosso Universo, no sentido de que o nosso Logos Solar, nosso "Pai no Céu", é o Agente físico de uma Entidade Psicológica de evolução Cósmica, cuja sublimidade está inteiramente além de nossa inteligência mais elevada, e para cuja expressão não há palavras sutis nem o pensamento mais profundo e penetrante. Este reconhecimento leva-nos mais uma vez à consideração da Hatha Yoga se constituindo na raiz de toda Yoga possível no nosso Universo, sendo cada uma delas expressões cada vez mais sutis e elevadas, na ordem física, do drama psicológico que se realiza em cada um dos Planos do Sistema Solar, através das infinitas Hierarquias criadoras que nelas habitam. O carma incompreensível e indescritível do nosso Logos Solar é preparar um Cálice cada vez mais perfeito para aquela Entidade Gloriosa cuja Vida Monádica atua em níveis cósmicos de transcendência incalculável.

Como um pequeno indício de tamanha grandeza, apresentaremos um pequeno exemplo: "nosso plano búdico, no qual nossa consciência encontra sua mais alta identidade mística ou espiritual com a Divindade, é apenas uma zona particularizada ao nosso alcance do plano etérico-físico cósmico".

Assim, empregando como sempre a chave da analogia, da mesma maneira como o nosso Logos Solar (representação física de um Logos Cósmico) se manifesta através de sete estados de consciência cada vez mais sublimados, e que cada um desses estados constitui os Planos característicos da evolução universal, desde o plano físico mais denso até ao plano ádico onde os éteres se tornaram o Fogo Criador do Espírito, assim a Entidade humana, através de seu corpo físico, deve expressar ou revelar sete estados de consciência, desde o nível mais denso, onde o Cálice é tangível e objetivo, até o plano monádico, onde tudo é luz e fogo e a natureza humana se acha plenamente deificada e redimida.

Deixamos, portanto, ao observador inteligente e ao profundo investigador esotérico a tarefa de resolver, de acordo com a chave da analogia, o Mistério latente na Hatha Yoga e entender que o aquilo que a Vida que nos anima tenta fazer é purificar constantemente o Cálice ou Corpo, para que o Espírito possa um dia se manifestar nele, o excelso Tesouro da Sabedoria que constitui o sopro permanente e místico do nosso Sistema Solar.


Vicente Beltrán Anglada



Fonte: do livro "Os Mistérios da Yoga"
Tradução: Dermeval Barbosa & Núcleo Aquariano Brasil
1ª Ed. digital em português, 2025
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/silhueta-mulher-medita%c3%a7%c3%a3o-interior-165527/

ENCONTRO COM A PLENITUDE


O lento e seguro processo de desenvolvimento do Self, adquirindo as inestimáveis conquistas do pensamento e ampliando-lhe o campo das emoções, faculta-lhe a aquisição do nível cósmico, diluindo as exigências do ego, de forma que se lhe integra nos objetivos essenciais e inevitáveis para a autorrealização em plenitude como ser humano.

Desde o homem de Cro-Magnon ao biótipo sapiens sapiens todo o crescimento de valores psicológicos vem-lhe ocorrendo mediante experiências repetitivas, nas quais o erro e o acerto têm definido o caminho a ser trilhado com sabedoria, sem o impositivo do sofrimento.

Essa grandiosa marcha de sublimação opera-se no Espírito, que desabrocha todo o divino potencial de que se encontra possuidor, avançando no rumo da cosmovisão, numinoso e feliz.

Os conflitos naturais que foram herdados em decorrência de anteriores comportamentos, nessa fase, encontram-se solucionados no seu próprio campo, mediante os impulsos do arquétipo primordial que os propeliram à visão global da Humanidade como um todo, no qual a célula individual executa um papel fundamental, harmonizando-se com todas as outras que constituem o conjunto.

Não obstante, até ser alcançado o estágio transpessoal, muitos resíduos desses experimentos evolutivos permanecem nos períodos diversos do pensamento, assinalando a criatura com as marcas aflitivas, que se apresentam como transtornos de conduta emocional, perturbações psíquicas sutis ou profundas, complexos e repressões de vária ordem...

O fato de atingir-se o pensamento superior não implica, de início, a ausência de dificuldades existenciais que são detectadas, especialmente em razão do entendimento dos significados da vida apresentarem-se mais amplos e expressivos, sem os limites estabelecidos pelo ego antes dominador.

Uma análise cuidadosa, porém, da individualidade, auxilia a reestruturação da psique, facultando o esforço para a libertação das dificuldades, das fugas psicológicas, da culpa, do medo, da ansiedade, da solidão, identificando o profundo bem-estar que se deriva da alegria de viver de maneira saudável e jovial, sem tormento nem aflição.

O pensamento harmônico propicia, então, o equilíbrio psicofísico, em face das infinitas possibilidades de que dispõe a mente, especialmente no que se refere ao dualismo saúde/doença, trabalhando pela conquista possível da plenitude, mesmo durante a jornada carnal. Certamente que essa conquista não se trata de uma autorrealização que conduz ao egoísmo, a uma indiferença pelo que se passa em volta. Antes, significa uma conscientização das próprias responsabilidades diante da vida em favor do Si e da sociedade, sem o que, a cosmovisão ainda se apresenta limitada, necessitando de amplitude e de realização.

Sem qualquer dúvida, o ser psicológico é também biossocial, devendo promover o grupo no qual se encontra, e vivenciando os efeitos desse meio, num saudável intercâmbio de vivências emocionais, culturais, profissionais, tecnológicas, religiosas...

Transforma-se, então, num dinâmico agente da evolução geral, tornando-se em exemplo de vitória sobre as vicissitudes durante o curso de suas grandiosas realizações, sem amarras com o passado de onde procede nem angústias em relação ao futuro para onde se dirige.

O tempo atual é seu, rico de possibilidades de autoiluminação e não o linear, em face da amplitude de entendimento da vida e das suas inestimáveis contribuições. O ontem converteu-se-lhe em hoje e o amanhã estagia num incessante momento atual de compreensão do papel que lhe cabe desempenhar a benefício pessoal e social.

A conquista do pensamento cósmico apresenta-se, portanto, sob vários aspectos, sem limite nem fixação unívoca, ampliando-se pelas diversas áreas do conhecimento artístico, cultural, filosófico, religioso, científico, moral... Por serem facetas da mesma realidade eterna.

Ludwig Van Beethoven, não obstante surdo, atingiu o pensamento cósmico no momento da composição da Nona Sinfonia, o mesmo acontecendo a Händel, ao escrever o Aleluia, no extraordinário Messias.

Não somente eles, porém, mas toda uma extensa galeria de homens e de mulheres que alcançaram o pensamento cósmico, logrando a plenitude e prosseguindo no trabalho ininterrupto, sem deixar-se dominar pelo estado pleno, diminuindo o esforço de edificação dos ideais, antes, pelo contrário, mais se afadigando por alcançar patamar ainda mais grandioso na escala da evolução.

No caso em tópico, não desapareceram muitos dos conflitos existenciais que os tipificavam, em razão dos impositivos castradores da época em que viveram, dos atavismos ancestrais, das frustrações sexuais e afetivas que, de alguma forma, impeliram-nos para os ideais que abraçaram como caminho de libertação, como processo psicoterapêutico salvador.

Não fossem esses os seus compromissos iluminativos ter-se-iam alienado, mergulhando em transtornos de grave porte. Muitos deles, conquistadores do infinito, apresentaram-se algo estranhos ao conceito convencional, por vivenciarem experiências pertinentes ao pensamento cósmico, embora sem libertação dos níveis anteriores.

Da mesma forma como um estágio do pensamento depende daquele que foi vencido, nem sempre dele liberado, o vislumbrar do cósmico pode apresentar-se com tintas próprias decorrentes das fixações ainda não diluídas e pertinentes ao curso de crescimento.

O pensamento cósmico é, sem dúvida, o mais alto nível a ser conquistado pelo ser humano enquanto na roupagem física, no entanto, outros mais significativos existem fora dos limites do corpo, aguardando o infinito.

Krishna, Buda, Akhenaton, Sócrates, Paulo de Tarso, Agostinho de Hipona, Descartes, Allan Kardec, entre outros muitos vitoriosos são exemplos grandiosos da conquista da plenitude, da cosmovisão, em cujo período de realização, e logo após, abriram os braços à posteridade num grande convite para a integração de todos os indivíduos na família universal.

Jesus Cristo, porém, Guia e Modelo da Humanidade, é o exemplo máximo da harmonia e da cosmo-realização, de tal modo que, superando todo e qualquer impulso egoico, doou-se em regime de totalidade ao Amor, para que todos aqueles que o desejassem seguir, experimentassem Vida em abundância.

É muito confortador poder-se perceber que a superação dos instintos, graças à evolução do pensamento e da razão, constitui fenômeno natural, ao alcance de todos os seres humanos que, após ultrapassadas as fases mais primárias do processo antropológico, aspiram à conquista das metas reservadas à angelitude.

Em uma imagem poética, o Self sai da escuridão no rumo da luz, qual o diamante que se liberta do envoltório grosseiro em que se esconde, a fim de poder refletir na sua face límpida, após a lapidação, o brilho das estrelas.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Encontro com a Paz e a Saúde"
Série Psicológica - Especial, vol. 14, 4ª ed., 2014
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
Salvador/BA
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/dna-an%c3%a1lise-pesquisar-3539309/

O AMOR DIVINO


Não há nada neste mundo que se equipare ao amor puro. Até mesmo o néctar é insípido diante da doçura desse amor, que faz tanto o Divino quanto o devoto dançarem em êxtase. Tal amor, que se expressa como uma dança, não encontra espaço em corações egoístas; ele habita somente no coração dos puros, dos abnegados e dos piedosos. As Escrituras Sagradas o comparam a um diamante precioso. Onde se poderá encontrar essa joia? Se até mesmo diamantes comuns são guardados com muito cuidado em um cofre-forte, quão infinitamente maior será a segurança com que se deve resguardar o valioso diamante que é o amor? E quem teria o direito de oferecê-lo a outros? Somente aquele que está cheio de amor e pelo amor é sustentado. Apenas o Divino possui essa qualificação, pois Ele é a Encarnação do Amor e conhece o valor do amor. Portanto, quanto maior for o seu amor por Deus, maior será a bem-aventurança que vocês experimentarão. Por outro lado, essa bem-aventurança diminui na mesma medida em que o seu amor diminui. Ou seja, a dimensão do seu amor determina a magnitude da sua bem-aventurança. (Discurso Divino, 30 de maio de 1992)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br

DEUS ESCREVE CERTO POR MEIO DE LINHA TORTAS


Já lestes, no Antigo Testamento, a história de José e dos seus irmãos? Por ciúmes, os irmãos de José decidiram livrar-se dele, vendendo-o a mercadores que iam para o Egito. Quando chegaram ao Egito, os mercadores, por sua vez, venderam-no a Potifar, um oficial do faraó, que o nomeou mordomo da sua casa. Em seguida, após todo o tipo de acontecimentos, José acabou por se tornar ministro do Faraó. Foi neste posto que os irmãos o encontraram, anos mais tarde. Que surpresa eles tiveram, e que remorso! Mas qual foi a atitude de José? Disse-lhes: «Eu sou José, o vosso irmão… Não fiqueis aflitos, nem vos sintais penalizados por me terdes vendido para ser trazido para cá, pois foi para salvar a vossa vida que Deus me enviou antes de vós. Há dois anos que a fome assola o país; e durante mais cinco anos não haverá lavoura nem colheitas. Deus enviou-me antes de vós, para que pudésseis subsistir nesta terra... Não fostes vós que me enviastes para aqui, foi Deus.» José disse claramente: foi Deus quem usou as forças do mal, o ciúme dos seus irmãos, para o bem, pois um mal não é o Mal, e um bem não é o Bem. E vós, não observastes ainda quantos acontecimentos que, a princípio, pareciam catastróficos, acabaram por se revelar benéficos?...


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/b%c3%adblia-livro-p%c3%a1ginas-abrir-lendo-1868070/

PENSAMENTOS SEMENTES


A raiva age como um incêndio que destrói tudo por onde passa. Uma vez atiçada nos corações e mentes, ela assume muitas formas destrutivas. Em vez de alimentar o fogo, escolho o caminho da não violência. Conscientizo- me de que sou um ser pacífico e, com suporte Divino, respondo a todos os desafios de forma calma e positiva.

Peso, letargia e exaustão são sinais de que a alma se perdeu - de que me desconectei do meu poder e propósito interior. Quando isso acontece, conscientemente afasto meus pensamentos do mundo, estabilizo-me no silêncio e dirijo os pensamentos ao alto, buscando força no Uno. Revigorado e renovado, sei para onde estou indo e o que devo fazer.

Seja bom. O mundo clama por atos genuínos de bondade, generosidade, compaixão e palavras de esperança e inspiração. À minha maneira, posso contribuir. Na meditação, eu assimilo poder da Fonte e recebo a força e o apoio necessários para me tornar um exemplo de um modo de ser mais pacífico e amoroso.

Nunca subestime o poder de suas esperanças e sonhos: eles são sussurros de seu eu mais elevado, guiando e inspirando você gentilmente a viver uma vida de coragem e crescimento. Acolha-os com paciência e cuidado, e os nutra todos os dias com amor Divino. Assim, o sucesso o seguirá como uma sombra.

O modo como nos vemos influencia o resultado de nossos atos. Quando nos sentimos indignos, enfraquecemos a energia das ações. À medida que a autoestima se alinha com uma consciência elevada, nossas ações fluem com maior clareza e poder. Libertar-me de condicionamentos passados e reconhecer meu verdadeiro potencial é a chave para o sucesso.

Quando olho para trás, para a minha vida como alma neste planeta, surpreendo-me ao pensar em todas as coisas que fiz, nas pessoas que conheci, nos desafios que enfrentei. Em meditação, imagino toda essa energia retornando a um ponto de essência, e sinto poder interno.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/gram%c3%adneas-natureza-sementes-ver%c3%a3o-1939673/