domingo, 19 de julho de 2026

O NÚMERO UM - A UNIDADE

É na unidade que tudo está incluído, que tudo é compreendido, que tudo é resolvido.

Aquele que penetra nos mistérios do número 1, ou da letra Aleph, compreende todos os outros números, todas as outras letras, isto é, todas as outras forças do Universo, porque o Verbo – números e letras – é uma substância ininterrupta. Nele, nada é separado nem parcelar, tudo está ligado, cada elemento faz parte de uma unidade grandiosa. Por isso, quem quer, verdadeiramente, avançar no caminho da Iniciação, deve concentrar-se na unidade.

O que é o número 1? Graficamente, é uma linha traçada ao alto, sem mais nada: 1. Quando se olha para ela, não se vê nada de muito significativo, mas é precisamente este 1 que é o princípio dinâmico criador, a origem da vida e a condição para a sua preservação.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/a-figura-1-fonte-fundo-transparente-3246773/

A SIMPLES PRESENÇA DA LUZ NÃO BASTA


A simples presença da luz não basta; devemos avançar com o auxílio da iluminação que ela proporciona. Se, mesmo possuindo essa luz, não seguirmos o caminho revelado por ela, seremos tão cegos quanto aqueles que não podem enxergar.

Certa vez, o Senhor Krishna apareceu diante de Surdas, santo e poeta cego indiano, e lhe disse: “Surdas, se estás ansioso por ver o mundo, restaurarei a tua visão agora mesmo”. Demonstrando a sua profunda devoção, Surdas respondeu: “Aqueles que têm olhos são, na verdade, cegos se não contemplam a Tua forma sublime e auspiciosa. Embora possuam ouvidos, são como surdos se não se dispõem a ouvir o som melodioso da Tua canção. Embora possuam mãos capazes de alcançar o Divino, afogam-se no oceano da vida mundana. Apesar de habitares o seu coração, eles se deixam iludir pelo brilho falso, ilusório e efêmero do mundo. Ainda que desfrutem de plena visão, são incapazes de Te ver. Portanto, não desejo tal coração, tais olhos nem tais ouvidos. Concede-me, ó Senhor, ouvidos que ouçam a Tua canção, olhos que contemplem a Tua bela forma e um coração no qual Tu estejas instalado”.

Essa foi a súplica de Surdas. 



Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e Gravura: www.sathyasai.org.br
(Discurso Divino, 14 de julho de 1984)

O SIMBOLISMO ROSACRUZ


Em tempo remoto, o simbolismo foi tão usado que os historiadores modernos falam dele como se fora a “linguagem do homem primitivo”. Não obstante, nós continuamos a encontrar nos símbolos extrema utilidade, porque algumas vezes, por meio de uma simples figura ou emblema, comunicamos às nossas mentes uma compreensão maior sobre os profundos princípios e leis cósmicas, como não poderíamos fazê-lo por meio de palavras. O valor educacional dos símbolos expressa-se também nesta máxima: “Um quadro ou imagem é melhor do que mil palavras”.

A palavra é o símbolo da ideia. Assim também, na música, na arte, na literatura, na dança, no drama e em muitos outras formas de expressão o simbolismo é usado para transmitir as mensagens dos seus criadores.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, também chamados de Mestres, há muito esperam o florescimento das rosas da humanidade e dão a todos os Aspirantes ao conhecimento espiritual esta saudação: “Que as rosas floresçam em vossa Cruz!”.

Assim, também, em todas as reuniões da Fraternidade Rosacruz, em todo o mundo, os Estudantes, Probacionistas e Discípulos são saudados e se saúdam de igual maneira e todos lhe respondem: “Na vossa também!”.

Das doze Hierarquias Criadoras que ajudaram o ser humano na sua evolução, cinco já se libertaram dessa missão sublime; as outras sete continuam na Sua nobilíssima tarefa de amparar e guiar o ser humano na sua jornada, estando simbolizadas nas sete rosas sobre a Cruz. E assim como as referidas Hierarquias são a expressão do Macrocosmos, assim também o Microcosmo está simbolizado por nós, o Ego (1), dirigindo as nossas atividades para fora, através dos sete orifícios visíveis do Corpo Denso. As cinco Hierarquias que terminaram a Sua missão e retiraram-Se estão simbolizadas na estrela dourada de cinco pontas e nos cinco orifícios parcialmente cerrados do nosso Corpo Denso: os mamilos, o umbigo e os canais de excreção.

A Cruz Branca simboliza a vida dedicada do servidor da humanidade. Na forma em que tem uma Rosa apenas, no centro, simboliza o Espírito irradiando de Si mesmo o quádruplo corpo, isto é, o Corpo Denso ou de carne e ossos, o Corpo Vital (2), o Corpo de Desejos (3) e a Mente (4), de onde o Ego, o Espírito, fiscaliza os Seus instrumentos e chega a ser o Espírito humano que mora internamente. Em Épocas anteriores não existia essa condição.

O Tríplice Espírito (5) então flutuava sobre os seus veículos, nos quais não podia entrar. Quando a Cruz se erguia sozinha, simbolizava a condição existente no primeiro terço da Época Atlante. Houve ainda um tempo no qual o madeiro superior da Cruz faltava e a constituição humana era representada pela letra hebraica Tau (T), que sucedeu no tempo da Época Lemúrica, quando o ser humano tinha apenas o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos, faltando-lhe a Mente.

A natureza animal predominava nessa Época. Em Época ainda mais remota, a Hiperbórea, faltava o Corpo de Desejos e o ser humano possuía unicamente o Corpo Denso e o Corpo Vital. Então o ser humano, em potência, era como as plantas: casto e sem desejos. Não podia ser representado por uma Cruz e por esse motivo o símbolo era um pilar ou coluna, como a letra (I).

Esse símbolo foi considerado fálico, um emblema da geração. Esse pilar é hoje representado pelo madeiro inferior da Cruz, emblemático do ser humano em potência, quando era semelhante a uma planta. A planta não tem paixão nem desejos e, por conseguinte, é inocente. O falus e o lone, imagens dos órgãos masculino e feminino, usados nos templos de mistérios da Grécia, foram dados pelos hierofantes; nesse sentido e sobre os pórticos dos templos, foram colocadas as palavras: “HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO”. Palavras que, quando bem compreendidas, são semelhantes aos Ensinamentos Rosacruzes e mostram a razão da “queda do homem” no desejo e no pecado, dando a chave da sua liberação da mesma forma que as rosas sobre a Cruz indicam o caminho da emancipação. Através do “conhecimento” de Eva, Adão “caiu” e perdeu a sua consciência dos Mundos invisíveis. Não achará outra vez essa interna percepção das esferas celestes até que tenha aprendido de novo, em uma espiral mais elevada, como criar de si mesmo usando a sua força criadora e total à vontade. Então se conhecerá outra vez.

Através dos tempos o ser humano usou várias cruzes: a cruz latina, a TAT ou cruz grega, a TAU ou cruz hebraica, a cruz ANSATA ou egípcia (cruz com asa ou círculo por cima), a cruz céltica, a cruz de Lorena, a cruz papal, a cruz do Calvário, a cruz Suástica ou gamada, a cruz de Santo André, a Cruz de Malta, a cruz em forma de trevo. A cruz Ansata foi o mais antigo símbolo da Maçonaria egípcia, instituída pelo Conde Cagliostro, e significava imortalidade. A asa colocada no topo superior da cruz Ansata apresenta duplo significado: como símbolo mundano era um atributo de ISIS, uma imagem da Lei; como símbolo da imortalidade era usado sobre o peito das múmias; uma eternidade sem princípio nem fim que desce sobre o plano da natureza material e, logo, emerge dele.

A cruz do Calvário encontra-se sobre três degraus, sendo o maior a base; o segundo, ligeiramente mais estreito; e o terceiro, sobre o qual descansa a cruz, menor ainda. Esses três degraus representam os três primeiros graus da Maçonaria, os passos necessários para se chegar a ser um Mestre Maçom. Recordam-nos os três dias entre a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo, aqueles três dias que significaram setenta e duas horas, que representam o número nove, do qual é dito que representa a humanidade atual. Os três degraus também simbolizam o Deus Trino: Pai, Filho, Espírito Santo, além dos três aspectos da Divindade: Vontade, Sabedoria, Atividade.

A Cruz em forma de folha de trevo é a base do emblema Rosacruz. É uma cruz branca e brilhante, tendo três semicírculos nos extremos de cada madeiro. Esses doze semicírculos no emblema Rosacruz simbolizam as doze Hierarquias que Se manifestaram no início da Criação, têm os mesmos nomes dos Signos do Zodíaco e ajudaram o ser humano em seus esforços para governar o seu quádruplo veículo (6). No centro da cruz está a Rosa pura e branca, simbolizando o coração do Auxiliar Invisível. É o sinal da PURIFICAÇÃO.

No serviço que se lê à tarde no Templo de Cura, exceto por ocasião da Lua Nova e da Lua Cheia, dão-se os passos mais diretos para se alcançar essa realização: “O amor (…) não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não busca os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a Verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Suspensa na cruz está uma Coroa de Sete Rosas Vermelho-sangue, imaculados receptáculos da semente da roseira e livres de paixão, emblemas da força geradora, purificada e elevada. Como a vida do ser humano está no sangue, vivendo uma vida de Serviço, dedicado, e ao mesmo tempo desinteressado, aos outros, cada um de nós pode transmutar as forças vitais e impuras em força criadora e pura do Espírito de Vida (7), alcançando assim o mais elevado estado humano. As sete Rosas sobre a cruz também significam os sete passos que deve dar o Aspirante no caminho estreito.

A primeira rosa significa a Clarividência e a Clariaudiência; no desenvolvimento dessas faculdades é essencial o poder de observação. Essas duas Faculdades desenvolvem-se na ação positiva, na qual o Aspirante quer “ver e ouvir claramente”.

A segunda rosa significa a Profecia e para desenvolver essa última usa-se o discernimento. Cristo disse: “E muitos falsos Profetas se levantarão e enganarão a muitos” [1]; “Porque se levantarão falsos Cristos e falsos Profetas e darão grandes sinais de prodígios, tais que, se fora possível, até enganariam os escolhidos”; “E então aparecerá o sinal do Filho do Homem que virá sobre as nuvens com toda a pompa e glória” [2].

A terceira rosa é a da Pregação e do Ensino da Verdade. Esse é o primeiro dos mandamentos do Senhor: “Pregai o Evangelho” [3]. Ou seja, “pregai a verdade por Mim ensinada”. A maneira mais direta de pregar a verdade é deixar que a nossa vida seja um exemplo constante dessa Verdade.

A quarta rosa é a Rosa da Cura. Este é o segundo mandamento: “Curai os enfermos” [4]. Antes que possamos chegar a ser um Auxiliar Invisível e ajudar na cura dos enfermos, devemos mostrar merecimento, manifestando-nos como Auxiliares Visíveis.

A quinta rosa é a da Expulsão dos "Demônios". Há numerosas passagens nas Escrituras Sagradas que mencionam esse fato. No livro "Conceito Rosacruz do Cosmos" o leitor é advertido de que deve ter muito cuidado com a maneira de prestar esse serviço. Cada um dos que se prestam a expulsar os demônios deve estar bem armado em nome de Cristo, antes de se aventurar a fazer esse melindroso trabalho. Alguns historiadores profanos disseram que Maria Madalena estava possuída por sete demônios e que, depois que esses sete "diabos" foram lançados para fora dela, deixando-a novamente livre, ela voltou a ser uma nobre mulher.

A sexta rosa é a da Pronunciação da Palavra de Poder, expressando os três aspectos da Divindade, falando (ação) com o poder (vontade) da palavra (sabedoria). Quando o Aspirante alcança esse ponto de desenvolvimento no caminho da Iniciação, ele aprende a invocar a manifestação da Divindade e a falar em seu NOME.

A sétima rosa é a do Poder de "Ressuscitar" os mortos, isto é, os adormecidos no esquecimento da Divindade. Cristo afirmou: “Em verdade vos digo que aquele que crê em Mim fará as obras que eu faço e ainda maiores, porque Eu vou a meu Pai” [5].

Na História Sagrada, é São Pedro o único depois de Cristo de quem se diz que ressuscitou mortos: “Havia em Jope uma discípula chamada Tabita, ou Dorcas. Esta estava cheia de boas obras e de esmolas que fazia. Mas Pedro, lançando fora a todos, pôs-se de joelhos e orou; voltando-se para o corpo disse: ‘Tabita, levanta-te!’. Ela abriu os seus olhos e, vendo Pedro, assentou-se. Fez-se isto notório em Jope; e creram muitos no Senhor” [6].

O Aspirante sabe também que pode ser ressuscitado da morte da sua antiga vida para se levantar e viver uma vida nova, na consciência da sua unidade com Deus, em Quem vivemos, movemo-nos e temos o nosso ser. O centro da cruz irradia a estrela dourada de cinco pontas, uma das quais se dirige para cima. Essa estrela simboliza o Manto Dourado Nupcial – o Corpo-Alma – que todos nós, seres humanos, estamos tecendo para nós mesmos, com os nossos pensamentos amorosos e ações bondosas.

A Estrela é dourada por ser essa a cor do ouro, a mais parecida com a irradiada pelo Amor Crístico, O qual deve ser o motivo das nossas ações. O amarelo é símbolo do segundo aspecto da Divindade, o Filho ou Cristo; no entanto, dado que o ser humano de hoje não pode manifestar o amarelo puro do Amor de Cristo, esse se expressa no alaranjado do ouro. O Corpo-Alma ou Veste Dourada de Bodas deve ser desenvolvido antes que o Cristo interno possa nascer.

Por detrás da Estrela e da Cruz está o campo azul, símbolo do Espírito Puro, assim como o céu azul é um símbolo do Caos do qual procedeu a Manifestação. Essa cor simboliza o primeiro aspecto da Divindade, o Pai. Cristo disse que devia atrair todas as coisas para Si e que podia, então, entregar o Reino ao Pai.

Quase nada sabemos a respeito desse Reino e, como o pouco que sabemos vem por meio dos Seus ensinamentos, o azul está mesclado de amarelo, não sendo azul puro, mas azul-turquesa, altamente translúcido e vibrante de vida. O vermelho das rosas é o símbolo do Terceiro aspecto da Divindade e é a única cor pura que é mostrada no símbolo Rosacruz.

Portanto, o Símbolo Rosacruz é um símbolo da nossa evolução passada, da nossa presente constituição e do nosso futuro desenvolvimento, junto ao método de realização.



Fonte: Revista "Rays from the Rose Cross"
Traduzido e publicado na Revista "Serviço Rosacruz" de janeiro/1969
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP



Notas:
[1] N.T.: Mt 24:11
[2] N.T.: Mt 24:30
[3] N.T.: Mt 16:15 e Mc 16:15
[4] N.T.: Mt 10:8
[5] N.T.: Jo14:12
[6] N.T.: At 9:36-42

Notas deste Blog:
(1) Alma, Espírito, Eu Superior, Self etc. em outras tradições.
(2) Corpo Etérico em outras tradições.
(3) Corpo Astral em outras tradições.
(4) Corpo Mental Concreto em outras tradições.
(5) Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano na tradição Rosacruz de Max Heindel. Atma, Budhi e Manas em outras tradições. Manas é chamado ainda de Corpo Mental Abstrato e também de Corpo Causal.
(6) Corpos Denso, Vital, Desejos e Mental. Em outras tradições: Corpos Físico, Etérico, Astral e Mental Concreto.
(7) Budhi em outras tradições.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

ANESTESIA OU CONSCIÊNCIA ?


A grande maioria dos doentes da humanidade deseja anestesia e não consciência. Muito justo que se aliviem sintomas, evitando sofrimento desnecessário e improdutivo, mas o processo educacional que liberta o indivíduo da ignorância e da dependência é fundamental no processo de reconstrução da saúde ou na profilaxia das enfermidades do corpo e da alma.

***

Na visão espírita, o ser humano é entendido sob o prisma da imortalidade da alma e as experiências de vida como construções pessoais, intransferíveis.

Segundo nos informa O livro dos Espíritos, o homem é criado simples e ignorante e caminha em direção à angelitude. Inicialmente a mônada, princípio espiritual totipotente (1), embrionário, que guarda em si a potencialidade do anjo como a semente pequenina traz em seu bojo a árvore frondosa e madura. Tutelado por Deus, por meio de seus inúmeros prepostos, os Espíritos do Senhor ou “o espírito santo de Deus”, o princípio espiritual estagia no diversos reinos da natureza, despertando a sua condição divina, bem como desenvolvendo os aparatos fisiológicos necessários à sua expressão hominal, onde terá condição de conjugar razão e sentimento, sabedoria e amor na evolução rumo a Deus. Assevera-nos Léon Denis, eminente filósofo espírita: “O psiquismo dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal, pensa no homem.” (2)

André Luiz complementa orientando-nos que: "Não apenas tecidos e órgãos do corpo físico se esboçam nas formas rudimentares da Natureza, mas também os centros vitais do corpo espiritual, que, obedecendo aos impulsos da mente, se organizam em moldes seguros, com a capacidade de assimilar as partículas multifárias da vitalidade cósmica, oriundas das fontes vivas de força que alimentam o Universo." (3)

Deus tutela o desenvolvimento da mônada espiritual, futuro espírito, qual o pai tutela o filho que não tem consciência de si e que só pouco a pouco vai recebendo da vida a permissão para exercer o direito de escolha e determinação, conforme seja considerado capaz de raciocínio, elaboração e conhecimento de seus deveres e direitos no mundo.

Após milênios de evolução, o princípio espiritual acorda no reino hominal, pela ação direta dos missionários do Senhor, que promovem a transição espiritual por mecanismos ainda desconhecidos por nós, despertando o raciocínio contínuo, a individualização do princípio espiritual e a consciência de si, processo esse que se passa em mundos paralelos à Terra, mundos de transição.

Esse ser humano primitivo, recém-saído da vivência plena do instinto, inteligência rudimentar e instrumento da lei de conservação, caminhará agora rumo ao desenvolvimento pleno de suas potencialidades, em milênios de evolução, na qual experimentará e escolherá de acordo com as diretrizes traçadas por Deus para sua vida, mas sobretudo de acordo com seu livre-arbítrio. Durante todo esse processo, o ser estará mergulhado no amor de Deus, como asseverou Paulo: “Em Deus vivemos, existimos e nos movemos”. (At 17,28)

O fenômeno das vidas sucessivas, ou reencarnação, está na base da evolução e se configura como processo educativo natural para todos os seres da criação. Todos os Espíritos se reencarnam de forma natural, embora o uso do livre-arbítrio e o aproveitamento do tempo e das oportunidades varie de um para outro no caminho do progresso, conforme nos ensina O livro dos Espíritos (4):

Questão 168. É limitado o número das existências corporais, ou o Espírito reencarna perpetuamente?

— A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante na senda do progresso. Desde que se ache limpo de todas as impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal.

Questão 169. É invariável o número das encarnações para todos os Espíritos?

— Não; aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é quase infinito.

A liberdade dada por Deus é gradativa, aumenta à medida que o Espírito se mostra capaz de exercê-la, mas traz sempre com ela a responsabilidade pela escolha. Diz o ditado popular: “o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória”. As leis divinas, perfeitas, sábias e imutáveis, tudo regulam de forma natural e automática, promovendo o progresso e o equilíbrio da criação.

Essa liberdade é relativa pois, na verdade, a criatura, que espelha em si o Criador, visto que foi criada com o potencial divino em si, só é livre para o amor. O amor é o instrumento e a síntese da evolução.

Sempre que o ser humano transgrida a lei do amor, em si ou em torno de si, faltando com o respeito, a consideração e o valor que deve demonstrar por si mesmo e pelo próximo, por toda criatura e toda a criação divina, acionará mecanismos automáticos de reequilíbrio no universo.

O Livro dos Espíritos esclarece-nos que “a lei de Deus está inscrita na consciência do homem”. (5) Ela, pois, opera em nós e em torno de nós. Deus é imanente e transcendente, afirma o orientador espiritual Alex Zarthú, o Indiano. (6)

Saúde e doença, nessa visão, são atestados do nível de identificação do ser com a lei divina. Manifestam sua sintonia ou distonia em relação à lei.


Dr. Andrei Moreira
Presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AMEMG)


Fonte: "Cura e Autocura - Uma Visão Médico-Espírita"
AME Editora
Associação Médico-Espírita de Minas Gerais
Belo Horizonte/MG
www.amemg.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-amor-pr%C3%B3prio-amor-abra%C3%A7o-8439000/


Notas:

1 - Capacidade de se diferenciar.

2 - Léon Denis, O problema do ser, do destino e da dor.

3 - Francisco Cândido Xavier, Waldo Vieira e Espírito André Luiz, Evolução em dois mundos, cap. 8.

4 - Allan Kardec, O livro dos Espíritos, questões 168 e 169.

5 - Allan Kardec, O livro dos Espíritos, questão 621.

6 - Comentários do orientador espiritual – Robson Pinheiro e Espírito Alex Zarthú, Superando os desafios íntimos.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

O QUE REENCARNA


A reencarnação implica a formação de novo personagem em face da mudança de realidade que o Espírito enfrenta e forja. A cada reencarnação um novo personagem surge, sem prejuízo à individualidade do Espírito. O personagem morre quando o Espírito inicia nova experiência na dimensão seguinte, independentemente de ele conservar a memória das imagens referentes à sua identidade anterior. A morte do corpo físico sela a morte do personagem de cada encarnação, mesmo que a consciência continue assumindo a identidade imediatamente precedente à desencarnação. A conservação da identidade, ou representação conhecida de si mesmo, já não mais permitirá que o Espírito exerça sua cidadania em face da mudança de dimensão, por força da desencarnação ou da reencarnação. Trata-se de mecanismo cujo resultado é a existência de um espectro de personagens abrigados no perispírito do Espírito que lhe trazem uma maior compreensão a respeito da natureza humana e de Deus.

A reencarnação ainda é tida como o processo de retorno da atual personalidade a um novo corpo físico. Esta compreensão dificulta o entendimento preciso do que de fato ocorre. Impõe-se uma compreensão mais específica da reencarnação com a percepção do que reencarna, sobretudo o entendimento da relação do Espírito com seu personagem, sem o que se torna difícil perceber a natureza espiritual do ser humano e do que é ser imortal. A personalidade atual não é a anterior reencarnada. O Espírito que constituiu a personalidade anterior, da mesma forma que construiu a nova, é que reencarna. São duas distintas personalidades de um mesmo Espírito, que, por sua vez, possui muitas outras gravadas em sua memória. A mudança de personalidade, com características muito diferentes uma da outra, não implica alteração da individualidade. Mudanças biológicas, psicológicas e culturais não interferem na individualidade do Espírito.

A reencarnação é uma crença antiga, presente em muitas culturas, sobretudo no subcontinente indiano. Baseada na ideia de que a vida no corpo físico é uma punição para o ser espiritual, teve seu significado associado à ideia de causalidade, sendo justificada pela necessidade de aperfeiçoamento moral, mediante a aquisição de virtudes para que não mais a ela se submetesse. Com novos e recentes estudos científicos a respeito da reencarnação, fora do contexto religioso, sobretudo com relatos de crianças que se lembraram de suas vidas passadas, verificou-se que se trata de um fenômeno natural, não punitivo, mas educativo, que faz parte do fluxo natural da evolução de todo Espírito. Mais ainda, que a personalidade atual, mesmo guardando alguns traços da anterior, apresenta características que, ao menos aparentemente, sugere ser outra pessoa. Trata-se, porém, do mesmo ser humano, Espírito que retornou em outra roupagem, portanto, outro personagem.

A encarnação é processo obrigatório para a evolução dos Espíritos no nível de desenvolvimento em que se encontram aqui na Terra. Não é punição, não é descida nem involução, mas tão somente meio contínuo de conexão com um tipo de vibração denominada de material, para a integração de habilidades. Graças à encarnação, o Espírito formou um ego que lhe deu consciência de si como individualidade. A reencarnação possibilita a vivência de inúmeros personagens, que também, entre outros ganhos, permite ao Espírito a percepção das distintas faces de Deus.

Personagem, em uma concepção simples e fora do domínio religioso ou desconsiderando a imortalidade e a reencarnação, significa pessoa, ser humano, indivíduo no mundo, personalidade autônoma, representação de uma unidade humana. Quando se considera a imortalidade e a reencarnação, entende-se melhor que se trata da manifestação concreta do Espírito que, ao reencarnar ou ao desencarnar, constrói um determinado personagem. O Espírito, portanto, é considerado o senhor que conduz o personagem, ora identificando-se com ele, ora tentando guiá-lo para o atendimento de seus propósitos. Não se trata de uma dissociação psicológica, mas da percepção de si mesmo sob diferentes ângulos, visando educar a exteriorização do Espírito da forma adequada aos seus propósitos e de acordo com o meio em que se manifesta. Esta percepção permite um diálogo entre o Espírito e seu personagem para adequação de rumos, firmação de propósitos e para uma melhor compreensão dos aspectos sombrios da personalidade resultante.

O personagem formado pela nova reencarnação guarda, no perispírito que lhe presidiu a construção do novo corpo físico, a memória das experiências vividas anteriormente. Este novo personagem apresenta as tendências do Espírito, acumula a resultante das experiências que acontecerão na nova existência em um corpo, recebe as alterações oriundas das influências hereditárias que merece portar e é também influenciado pela educação doméstica e pelas contingências inerentes ao meio e à época. Todas estas características reunidas compõem a nova personalidade que apresenta, dando continuidade a sua evolução.

As memórias das experiências dos personagens anteriores vividos pelo Espírito influenciam a personalidade construída na nova encarnação, apresentando-se no formato de tendências, podendo, ou não, ter prevalência sobre a educação que recebe e as decisões que tome a respeito de suas novas condutas. Estas tendências podem influenciar em escolhas de profissão, de acasalamento, de religião, de local de moradia, portanto, em todo tipo de preferência e de decisão do Espírito. Os personagens anteriores vivem dentro do atual, tornando-o um ser alquímico e complexo com características que se misturam, formando o que conhecemos como sendo a natureza humana.

A opção consciente, fruto da cultura e da ignorância humana sobre si mesmo, de pensar e agir tendo como referência sua existência física, dificulta a compreensão de que se trata, ele mesmo, de uma representação possível, na dimensão em que se situa, de algo mais complexo, precedente e anterior, que lhe dá causa: o Espírito imortal. Sua percepção deveria ser de si mesmo como Espírito, utilizando um corpo, que construiu um personagem que momentaneamente o cooptou. Enquanto dure esta cooptação, reduz sua percepção de si mesmo, invertendo o olhar, colocando-se em busca de algo transcendente, acreditando que é ele mesmo, o ser limitado, o ego do personagem que criou, que deve se tornar divinizado. Quando amadurecer e tomar consciência plena de sua imortalidade, entenderá que sua essência é divina e tudo quanto considere ser a realidade está disponível para que se realize, moldando o Universo a seu favor.

A visão de si mesmo como pessoa finita encerrada em um corpo físico que delimita sua existência, submetida a uma realidade distanciada de sua natureza e contrária a ela, dificulta a percepção de que há um Espírito e de que é ele que deve manejar seu personagem. O entendimento de que se é uma pessoa finita e de que a realidade é algo externo, absoluto, em que está imerso, posta para que interaja e dela venha a extrair, nas experiências de contato, o necessário aprendizado, dificulta a compreensão de que, sendo Espírito, existe algo mais complexo a ser percebido e de que ela é completamente flexível ao seu pensamento. A realidade não é absoluta, nem tampouco, por ser material, se opõe ao Espírito, pois se trata de algo moldável e que se presta a ser a representação de todos os processos psíquicos internos do ser humano. A realidade deve ser compreendida como representação de tudo quanto existe na intimidade da mente humana, tendo sua contribuição como agente de transformação para se apresentar como é percebida. Não se trata de uma ilusão, pois não é possível existir sem representar-se, projetando-se em suas nuances.

O indivíduo tem que entender que a cooptação deve se inverter. O ego do personagem deve dar lugar ao ego do Espírito e a dimensão material ser olhada como uma experiência em que se formatiza uma representação limitada de um ser mais complexo, mais maduro e com mais habilidades. É preciso o personagem perceber a si mesmo e simultaneamente o Espírito que o constitui, o que não é simples nem se obtém por uma crença ou decisão instantânea e improvisada. É trabalho de desconstrução de conceitos e crenças em paralelo à construção de uma relação saudável entre ego do personagem e ego do Espírito. Torna-se possível com a consciência da imortalidade, com o entendimento de que a personalidade atual vai morrer quando deixar esta dimensão, com a ausência de medo ou receio do futuro, com a eliminação de culpas, com a disposição permanente de enfrentar os desafios da vida e com a leveza de ter uma suave relação com Deus.

Viver tão somente a vida do personagem, desprezando a riqueza de uma existência fundamentada na própria imortalidade, é um grande desperdício, com atraso na evolução e com distanciamento de seus afetos. A vida de um personagem com as experiências que vivencia é o meio para que o Espírito conquiste a integração de importantes habilidades evolutivas, que o capacitam a alcançar dimensões cada vez mais complexas e superiores. A dimensão material é tão somente uma das muitas em que o Espírito penetra e se estabelece, por um breve período, em sua jornada ascensional. Quando apreende tudo que é possível em uma dimensão, estabelece-se em outra mais evoluída, vislumbrando outra superior.

Cada personagem é uma face do Espírito, útil para que interaja com o mundo em que pretende aprender. É uma espécie de ferramenta que utiliza para se mostrar e para apreender, da realidade em que se situa, o máximo e o melhor para a compreensão de si mesmo. A integração de ambos deve dar primazia ao Espírito, sem prejuízo da importância do personagem no mundo físico. Espírito e seu personagem compõem mais uma das maravilhas do Criador, que sempre apresenta nuances inimagináveis àqueles que O veem como um salvador mágico e pronto para atender as rogativas pueris humanas.


Adenauer Novaes



Fonte: do livro "O Voo do Espírito"
Fundação Lar Harmonia
Salvador – Bahia
distribuidora@larharmonia.org.br
www.larharmonia.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/al%C3%A9m-vida-ap%C3%B3s-a-morte-1161899/

OS DOIS POLOS DO AMOR CRÍSTICO


O amor Crístico é uma força ativa em nós; uma força que irrompe pelas paredes que nos separam dos nossos semelhantes, que nos une aos outros; o amor Crístico nos leva a superar o sentimento de isolamento e de separação nos permitindo, porém, ser nós mesmos e retermos a nossa integridade. No amor Crístico, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.

Ao dizermos que o amor Crístico é uma atividade, enfrentamos uma dificuldade que reside na significação ambígua desta palavra. Por “atividade”, no emprego moderno do termo, queremos, normalmente, nos referir a uma ação que produz mudança numa situação existente, por meio de gasto de energia. Assim, somos considerados em atividade quando fazemos negócios, estudamos, trabalhamos ou nos dedicamos a esportes. Todas estas atividades têm isto em comum; dirigem-se para um alvo exterior a ser alcançado. O que não se leva em conta é a motivação da atividade.

Vejamos, por exemplo, uma pessoa impelida a incessante trabalho por um sentimento de profunda insegurança e solidão; ou por outra, impulsionada pela ambição ou pela avidez por dinheiro. Em todos esses casos a pessoa é escrava de uma paixão, e sua atividade é de fato uma “passividade” porque ela é impelida; é a paciente e não o “sujeito”.

De outro lado, uma pessoa que se assente calma e contemplativa sem outro alvo que não o de se experimentar e a sua unidade com o mundo, é considerada como “passiva”, porque não está “fazendo” coisa alguma.

No entanto, esta atitude de meditação concentrada é a mais alta atividade que existe, uma atividade da alma; só possível sob condições de independência e liberdade interiores.

Um conceito moderno de atividade se refere ao uso de energia para consecução de metas externas, o outro conceito também moderno de atividade se refere ao uso dos poderes inerentes em nós, sem que importe a produção de qualquer mudança exterior. Note aqui os afetos ativos e passivos, “ações” e “disposições”. No exercício de um afeto ativo, somos livres, somos “senhores” do nosso afeto; no exercício de um afeto passivo, somos impelidos, e objetos de motivações de que nós próprios não temos consciência. Assim, virtude e poder são uma só e a mesma coisa. A inveja, o ciúme, a ambição, qualquer espécie de cobiça são paixões, criadas por nós quando usamos materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo (Astral *). Já o amor Crístico é uma ação, a uma prática nossa, que pode ser exercida com liberdade e nunca como resultado de uma compulsão!

O amor Crístico é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral o caráter ativo do amor Crístico pode ser descrito afirmando-se que o amor Crístico, antes de tudo, consiste em “dar, e não em receber”.

Que é “dar”? Embora pareça simples a resposta a esta pergunta, ela, em verdade, é cheia de ambiguidades e complexidades. O equívoco mais vastamente espalhado é o que entende que dar é “abandonar” alguma coisa, ser privado de algo, sacrificar. A pessoa cujo caráter não se desenvolveu além da etapa da orientação receptiva, explorativa ou amealhadora, experimenta o ato de dar dessa maneira. O caráter mercantil deseja dar, mas, só em troca de receber; dar sem receber, para ele, é ser defraudado. Aqueles cuja principal orientação é não produtiva sentem que dar é um empobrecimento. A maioria dos indivíduos desse tipo, portanto, recusa dar.

Alguns fazem do ato de dar uma virtude, para eles, reside no próprio ato de aceitação do sacrifício. Para eles, a norma de que é melhor dar do que receber significa que é melhor sofrer privação do que experimentar alegria.

Para o caráter produtivo dar tem um sentido inteiramente diverso. Dar é a mais alta expressão da potência. No próprio ato de dar, nós pomos a prova nossa força, nossa riqueza, nosso poder. Essa experiência de elevada vitalidade e potência nos enche de regozijo. Provamo-nos com superabundante pródigo, cheio de vida e, portanto, como regozijante.

Não é difícil reconhecer a validez desse princípio aplicando-o a vários fenômenos específicos. Na esfera das coisas materiais, dar significa ser rico. “Não é rico quem muito tem, mas quem muito dá”. O avaro que ansiosamente receia perder alguma coisa é, psicologicamente falando, uma pessoa pobre, a empobrecida, não importa quanto possua.

Quem é capaz de dar de si, este sim é rico. Põe-se à prova como quem pode conceder de si aos outros. Só quem for privado de tudo quanto vá além das mais simples necessidades da existência será incapaz de gozar o ato de dar coisas materiais. Mas a experiência diária mostra que aquilo que alguém considera como necessidade mínima depende tanto de seu caráter quanto de suas posses efetivas. É bem sabido que os pobres são mais inclinados a dar do que os ricos. Não obstante a pobreza além de certo ponto pode tornar impossível dar, e assim é degradante, não só pelo sofrimento que causa diretamente, mas pelo fato de privar o pobre da alegria de dar.

A mais importante esfera de dar, entretanto, não é das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa à outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas, que lhe dê aquilo que em si tem vivo: dê-lhe de seu regozijo, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza – de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si.

Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa; valoriza na pessoa que recebe o sentimento da vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade.

Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado a vida se reflete de volta ao doador; ao dar verdadeiramente não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno.

Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu.

Com relação especificamente ao amor Crístico, isso significa: o amor é uma força que produz amor. Só se pode trocar amor por amor, confiança por confiança. Se queremos nos regozijar com a arte, devemos ser uma pessoa de sensibilidade e preparo artístico; se queremos ter influência sobre outras pessoas, deveremos ser uma pessoa que tenha sobre outras pessoas influência realmente estimuladora e promotora.

Cada uma de nossas relações com o semelhante e com a natureza deve ser uma expressão definida de nossa vida real, individual, correspondente ao objeto de nossa vontade. Se amamos sem atrair amor Crístico, isto é, se nosso amor Crístico é tal que não produz amor Crístico, se através de uma expressão de vida como pessoa amante não fazemos de nós mesmos uma pessoa amada, então nosso amor Crístico é impotente, é um infortúnio.

Mas não é só no amor Crístico que dar significa receber. O professor é ensinado por seus alunos; o ator é estimulado por sua audiência; o psicanalista é curado por seu cliente – contando que não se tratem uns aos outros como objetos, mas se relacionam uns com os outros produtiva e genuinamente.

Quase não é necessário acentuar o fato de que a capacidade de dar depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. Pressupõe o alcançamento de uma orientação predominantemente produtiva; nessa orientação a pessoa superou a dependência, a onipotência narcisista, o desejo de explorar os outros, ou de amealhar, e adquiriu fé em seus próprios poderes humanos; coragem de confiar em suas forças para atingir seus alvos. No mesmo grau em que faltem essas qualidades é ela temerosa de se dar e, portanto, de amar como Cristo: o amor Crístico!



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’
Fraternidade Rosacruz de São Paulo/SP - agosto de 1967
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/amor-cora%C3%A7%C3%A3o-m%C3%A3os-receber-dar-4209760/


Nota:
(*) Em outras Escolas e Tradições.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

OS ARQUÉTIPOS - O ORIGINAL DE TODOS OS CORPOS DO HOMEM


Frequentemente ouvimos, entre os Estudantes Rosacruzes, falar da palavra “Arquétipo”, referindo-se ao modelo ou padrão original de alguma coisa, mas quantos de nós sabem da existência de um Arquétipo para cada indivíduo no mundo? Que a construção do Corpo Denso (Físico *) é exatamente uma cópia do referido Arquétipo?

Se nossos Corpos não são perfeitos, o erro deve se encontrar num Arquétipo defeituoso e, assim sendo, é bom saber a causa de imperfeição e como pode ser corrigida. Nós, o Ego (1), com o auxílio das Hierarquias Criadoras, particularmente os Senhores da Mente, formamos, na Região do Pensamento Concreto, o Arquétipo (que é um pensamento-forma) de um nosso futuro Corpo Denso, antes de cada renascimento aqui. Esse Arquétipo é um modelo que vibra harmoniosamente, formado pelo poder da Música das Esferas. Pomos em vibração o Arquétipo com certa quantidade de nossa própria energia de vida e tal quantidade de energia vital fornecerá a duração da nossa vida terrena, de acordo com seu impulso maior ou menor. Quando esse impulso cessa, o Arquétipo deixa de vibrar e o Corpo Denso morre, começando a se decompor, por lhe faltar a força vital e coesiva.

É a Lei de Causa e Efeito (carma *) que rege a duração da nossa vida aqui. Em cada renascimento são dadas a nós várias oportunidades para o nosso avanço espiritual. Se as aproveitamos, a vida continua. Uma vida repleta de serviços amorosos e desinteressados (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada ser humano – que é a base da Fraternidade – é, algumas vezes, prolongada por novo impulso vital no Arquétipo. Ordinariamente, a duração da vida é determinada no Terceiro Céu (região ou mundo do Pensamento Abstrato *), ao nos prepararmos para um renascimento aqui. Todavia, sob certas circunstâncias adversas ou favoráveis pode ser ela prolongada ou encurtada.

Por exemplo, quando desdenhamos as oportunidades de crescimento e enveredamos por um caminho perigoso em que podemos nos tornar singularmente mau, nossa vida terrestre é encurtada. Mas, isso sucede apenas quando já nos encontramos num beco sem saída. Então, as Hierarquias Criadoras, agindo por misericórdia, destroem o Arquétipo, finalizando, assim, a nossa manifestação terrena, para que nos reforcemos moralmente num aprendizado no Primeiro Céu (região ou mundo Astral *).

O movimento harmonioso da vibração do Arquétipo é que atrai para si o material do Mundo Físico e fixa os átomos todos do Corpo Denso, fazendo-os vibrar em sintonia com o Átomo-semente daquele Corpo. Nenhum Corpo Denso pode ser formado sem o padrão do Átomo-semente.

O suicida, quando morre o Corpo Denso, leva o Átomo-semente dele. Mas, como o Arquétipo continua vibrando e tende a atrair matéria física, estando carente do Átomo-semente, fica impossibilitado de assimilar o material e utilizá-lo no Corpo Denso. Devido ao fato de ser o Arquétipo oco, nesse caso o Ego experimenta um sentimento de vazio desesperador que não cessa até que pare de vibrar tal Arquétipo, o que ocorre quando está marcada a morte natural dessa pessoa aqui na Terra. Então o Arquétipo se desintegra. Nós construímos um Arquétipo para cada vida.

Na região da medula oblongada, na parte superior do cordão espinhal há uma chama que pulsa e vibra de um modo maravilhoso. Sua cor varia segundo a natureza do indivíduo no qual é observada. É nela que o Arquétipo toca a nota-chave do Átomo-semente do Corpo Denso. Esse som muda através da vida e conforme ele vai mudando, também o Corpo Denso vai experimentando transformações.

(...) A qualidade do material que se reúne para a construção de um corpo depende do Átomo-semente; a quantidade depende da requerida pelo Arquétipo. O Arquétipo determina nossa forma, altura, nosso peso e nossa aparência física. De fato, é um modelo vivo do Corpo Denso. Todo ato nosso tem um efeito no Arquétipo do nosso Corpo Denso. Se o ato está em harmonia com as Leis da Vida – que são as Leis de Deus – e sintonizado com a Evolução, fortalece-o e prolonga a vida, na qual obterá o máximo de experiência, alimentando e fazendo crescer a nossa alma de forma extraordinária, mas sempre segundo sua posição relativa na vida e sua capacidade de assimilação. Contrariamente, se aplicamos nossas capacidades de modo destrutivo, contrariando as Leis de Deus, o Arquétipo se debilita e se destrói facilmente.

(...) O Arquétipo é influenciado pela natureza da vida passada. Quando nos esforçamos sinceramente, pela verdade e retidão, criamos ao nosso redor pensamentos-formas de natureza semelhante e, deste modo, nossa Mente atua num ambiente harmonizado com a verdade, centro de nossa Aura. Agindo assim, quando morremos mais uma vez aqui e chegamos ao Segundo Céu (mundo ou região do Pensamento Concreto *), nos encontramos dispostos a construir um novo Arquétipo que, intuitivamente, delineamos com as forças vibratórias da retidão e da verdade e tais linhas de força vibratória criarão harmonia no novo veículo, que manifestará saúde, felicidade, eficiência e amor. Ao contrário, se na nossa vida terrena malbaratamos os nossos talentos, descuidamos da verdade, exercitamos a astúcia, o extremo egoísmo indiferente à felicidade dos demais, seguramente, ao chegarmos no Segundo Céu, veremos as coisas de modo falso, deturpado, sem entender nada. Em consequência, construiremos um Arquétipo dentro de linhas que conterão o erro, ineficiência e a falsidade manifestados no Corpo, em detrimento dos vários órgãos físicos. Sob tais circunstâncias, as vibrações que deveriam resultar na construção de Trígonos e Sextis (3) em nosso horóscopo natal se desviam das linhas construtoras exatas, até que as encontre novamente, quando, então, o Ego começa de novo a trabalhar no Arquétipo.

As formas que vemos a nosso redor são figuras de som cristalizadas, isto é, resultado das Formas Arquetípicas que trabalham por meio dos Arquétipos na Região do Pensamento Concreto.

É curioso que a ocorrência do suicídio na vida de uma pessoa e os consequentes sofrimentos, por nós referidos atrás, geram o medo mórbido da morte nos renascimentos seguintes. (...)

Esses fatos determinaram a necessidade de educarmos o mundo sobre a grande verdade de que a morte aqui, assim como o nascimento aqui, são apenas acontecimentos correntes na vida imortal de nós, o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui.



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’
Fraternidade Rosacruz de São Paulo/SP - agosto de 1971
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/rosto-rostos-di%C3%A1logo-conversa%C3%A7%C3%A3o-1370955/


Notas:

(*) Termos equivalentes em outras tradições.

(1) Alma, Espírito, Eu Superior, Self etc. em outras tradições.

(2) O resultado das experiências vividas no corpo denso durante a existência física fica impresso nesse átomo particular. Enquanto todos os demais átomos do corpo denso se renovam periodicamente, esse átomo continua subsistindo e permanece estável não somente através de uma vida, mas das de todos os corpos densos já usados em encarnações passadas. Esse átomo é retirado após a morte e despertará somente na aurora de uma outra vida física para servir novamente como núcleo de mais um corpo denso, a ser usado pelo mesmo Ego, por isso é chamado “átomo-semente”. Mais, quando o espírito deixa o Corpo Vital (Etérico *), o processo é muito parecido ao que se verifica ao deixar o Corpo Denso. As forças vitais de um átomo são levadas para serem empregadas como núcleo do Corpo Vital na futura encarnação. Do mesmo modo, ao deixar o Mundo do Desejo (Astral *) o homem leva consigo os átomos-semente dos Corpos Denso, Vital e mais o átomo-semente do Corpo de Desejos (Astral *).

(3) Trígonos e sextis são aspectos astrológicos que indicam facilidade e harmonia em seu mapa astral. Eles mostram onde seus talentos naturais fluem sem esforço. O trígono representa 120° (um triângulo), e o sextil representa 60° (um hexágono) entre os planetas. (cf. IA)

quarta-feira, 8 de julho de 2026

AS QUALIDADES DO SER HUMANO


Uma pessoa cujo coração esteja repleto de bons pensamentos e de intenções nobres fará bom uso da sua educação e da sua riqueza. Por outro lado, quem tiver o coração cheio de maus pensamentos, más qualidades e sentimentos perversos fará mau uso tanto da sua educação quanto da sua riqueza. A mente humana é, portanto, a única responsável pelo bom ou mau uso de tais recursos.

Eis um exemplo para ilustrar essa verdade: se vocês colocarem água em uma garrafa vermelha, ela parecerá vermelha; se a colocarem em uma garrafa azul, parecerá azul. Similarmente, a educação e a riqueza assumirão as qualidades que predominarem no coração humano. Em um indivíduo dominado pela qualidade da paixão e da agitação (rajoguna, em sânscrito), a educação e a riqueza que adquirir assumirão essa qualidade. Por outro lado, em um indivíduo pleno da qualidade da serenidade e do equilíbrio (satvaguna, em sânscrito), tais recursos refletirão essa qualidade.

Portanto, as qualidades de cada ser humano são determinantes para que a sua educação e a sua riqueza sejam usadas de maneira benéfica ou prejudicial. Uma pessoa pode possuir muitos poderes; entretanto, se não possuir o poder das virtudes, a sua educação e riqueza serão totalmente inúteis. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

A ESPIRAL DA VIDA


Quantas vezes pensamos que a vida se move com grande monotonia! Parece-nos que os dias, as semanas e os meses se seguem uns aos outros em um círculo monótono, sempre com as mesmas responsabilidades. Quantas vezes deixamos correr o pensamento e nos vemos em viagem imaginária por mares desconhecidos! Vemos as velas brancas de nossa forte nave, inflada pela brisa, segundo esta se desliza suavemente para o maravilhoso país de nossa fantasia. Até chegamos a sentir a suave brisa do trópico acariciar nossas faces. O feitiço sedutor de outras terras nos chama com voz tão insistente que anelamos romper os grilhões que nos atam a obedecer ao impulso, pouco nos importando o preço a pagar. Os distantes prados nos parecem tão verdes! O romance e a aventura nos sorriem desde o horizonte. Imaginamo-nos protagonistas de atos heroicos e nobres ações como parte de uma série de acontecimentos cheios de encantos. Envolvemo-nos na rede prateada do encantamento e, imediatamente despertamos para a realidade da vida, novamente no mesmo lugar anterior, no mundo de sempre.

Então, sentimos como se a beleza de nossa vida houvesse desaparecido, que não há nenhuma correlação entre nossos sonhos e a realidade, senão que parecem ser duas coisas completamente distintas.

Isto ocorre porque estivemos olhando as coisas somente desde o ponto de vista externo. Ao ir de encontro com a felicidade nos passa despercebida a aventura mais sublime e verdadeira: o despertar da alma.

Na vida, as coisas não se repetem; nenhum acontecimento ocorre duas vezes da mesma maneira. A evolução nos leva continuamente para diante, em ascendente espiral. A nota chave do Universo é o progresso eterno, e este, em seu passo majestoso, nos envolve em suas fortes correntes.

A vida nos parece aborrecida e monótona unicamente até o momento em que descobrimos os tesouros que jazem no Eu interno. No mundo da Mente e do pensamento abundam insondáveis mistérios que ao rebuscá-los e dar com eles, nos produzem os maiores prazeres e delícias. Ao chegar a compreender sua origem divina, a Alma, por tanto tempo atada e prisioneira da ignorância e da dúvida, nos fala de glórias que podemos alcançar e das alturas espirituais as quais podemos voar, com a promessa de encontrar essa perfeita paz que, por tão longo tempo, temos buscado.

Todo o momento da vida contém grandes tesouros; mais do que estamos preparados para receber.

Em nossa trajetória pela espiral da vida nunca voltaremos às mesmas situações que já conhecemos. Muitas vezes nos parecerá que estamos passando por uma situação semelhante a anterior, porém, se nos detivermos a investigar, veremos que o que se passou é que estamos chegando a um ponto imediatamente acima da situação anterior. Ocorre que estivemos caminhando para frente e acima, em espiral ascendente, ficando cada vez a um nível um pouco mais alto, segundo damos a volta na espiral. Esta Lei da vida deveria ocasionar-nos grande prazer, pois, para além das sombras que a morte de nossos entes queridos deixa, brilha a feliz promessa de nos reunirmos com ele em uma radiante “manhã”. Não nos abandonaram, embora se encontrem ausentes fisicamente; a tão temida velhice se despoja de suas vestes de luto e se cobre com um manto branco e brilhante. Percebemos, então, que cada passo que damos para os “setenta anos”, simplesmente representa progresso. Quanto mais depressa entreguemos nosso corpo a terra mais jovens seremos. Os amigos se conhecem e logo partem, e nos parece que houve uma separação; sem dúvida, se em realidade temos os mesmos ideais e propósitos, se temos em comum as mesmas ambições, voltaremos a nos encontrar em vidas futuras. Cada vez que a espiral dá uma volta, aqueles a quem quisemos bem virão a nossas vidas novamente.

Esta Lei de evolução é aplicável tanto às nações como a indivíduos. Cada pessoa é incluída no movimento envolvente de vida da sua nação, assim como no de toda humanidade e no seu próprio círculo de evolução; isso nos explica o porquê podemos tomar parte no trabalho do progresso da criação. Até o ponto em que desenvolvemos e libertemos nossos grandes poderes espirituais e permitamos que a Luz Divina interna nos irradie e reflita em nossos pensamentos e ações, e estivermos capacitados para podermos cooperar na evolução de cada criatura ou coisa existente. O todo deve ser afetado pela ação de cada unidade individual.

Que bem amado pelo Criador deve ser o ser humano para que tivesse dotado de tão estupendos e divinos poderes!

Não devemos menosprezar nossas responsabilidades, pois estas são também muito grandes.

Este movimento de vida para frente foi descrito como “uma ampla faixa composta das sete cores do arco-íris, cada cor com sua correspondente vibração e sua própria expressão de vida, sem dúvida, envolto todo ao redor do candente coração de uma grande espiral”. Podemos ver que esta ampla faixa se compõe de muitas unidades e de unidades dentro de unidades, ocupando cada uma o seu lugar particular na fuga do tempo através do arco da Eternidade.

A cada volta que a Roda da Vida dá, os Seres Superiores escolhem os seus mensageiros entre aqueles mortais que já tenham dado certos passos para desenvolver seus poderes divinos e que, em consequência, tenham desenvolvido qualidades necessárias para resistir as fortes experiências que terão que passar na última volta de sua espiral. Portanto, não nos desalentemos, e pensemos que não poderemos suportar as provas que chegam.

Talvez tenhamos sido considerados merecedores desta suprema prova, a qual se for passada com êxito, poderá chegar a significar que daí para frente teremos de viver uma vida muito mais ampla e intensa e de maiores oportunidades para servir a humanidade. O verdadeiro e duradouro prazer está em servir e não em receber.

Nos tem sido perguntado muitas vezes: “como saber quando deverei crer nas lições e nas mensagens que recebo?” Para esta pergunta só há uma resposta que é: “Não é necessário que o saibamos”. A própria vida é nossa melhor mestra e não podemos escapar ao efeito das grandes leis, as quais nos trazem as experiências que necessitamos e não nos dão nada que não hajamos merecido. Estas experiências, às vezes, nos parecem cruéis e nos acovardamos ante sua violenta investida, e em meio a nossa agonia também imploramos: “Oh, meu Pai, se for possível, afasta de mim esse cálice”. Em momentos de grande prova afastemo-nos de nosso eu externo com todas as suas debilidades mortais e volvamos a vista para o Eu interno, que é a fonte de Serenidade e Força. Como por um milagre sentiremos, então, que nos invade uma grande sensação de Força, que de uma maneira ou de outra nos ajuda a passar a tormenta e nos leva ao porto da Paz.

Recordemos também que estas leis não foram criadas para nos castigar. Deus é Amor e somente o Amor é expressado através de Suas Leis. O que parece ser um castigo é somente um corretivo. Evitaremos muitos sofrimentos desnecessários no futuro se estivéssemos dispostos a aprender as lições à medida que se nos apresentem.

Somos Uno com a grande corrente de Força da Vida divina que constituem a Espiral de toda a Evolução. Demos graças pela grande corrente de compreensão e iluminação que a humanidade esta recebendo. Contribuamos com nossa parte de glória a este benéfico fluxo, esforçando-nos por estabelecer em nossas vidas a ordem e a harmonia. Uma vez realizado isto, não resta a menor sombra de dúvida: nossa vida real e nossos sonhos poderão se correlacionar, porque estaremos vivendo então a bela realidade de nossos sonhos.



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 05/81 – Fraternidade Rosacruz – SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

TRANSMUTAR, EIS A QUESTÃO


Qual deve ser nossa atitude diante de uma situação desagradável ou aflitiva? Reagir violentamente? Prostrar-nos desanimada e passivamente deixando as coisas acontecerem?

Não, tal conduta em nada nos dignificaria. A palavra-chave em casos dessa natureza é: TRANSMUTAÇÃO. Podemos e devemos transmutar uma situação desagradável, tornando-a mais harmoniosa e agradável. Não somos obrigados a aceitar o mal como inevitável, muito embora ele exista.

Como seres dotados de incomensuráveis potencialidades divinas não podemos permitir-nos o conformismo diante do sofrimento. A criatividade, o amor, a ação e o sentimento de unidade são atributos capazes de mudar as condições que nos envolvem. Infelizmente as pessoas vivem inconscientes dessa realidade. Vivem perdidas nos labirintos de seus problemas existenciais, tornando-se, dia após dia, impotentes para reverter essas situações dolorosas e limitadoras. Decididamente, o sentimento fatalista só pode conduzir à inércia e ao desespero.

Todos têm em comum uma origem, uma herança, um ideal espiritual. Será o suficiente ajudarmo-nos mutuamente a transformar o prejudicial em benéfico. Nada ganhamos sendo interesseiramente indulgentes, fazendo concessões a emoções inferiores, ou prolongando deliberadamente uma situação preocupante ou lamentável.

Ninguém cresce ou promove o crescimento através de lamentações. Nossas desistências nada representam de positivo no ambiente em que vivemos. Mas, pelo contrário, todos se beneficiam quando nos portamos com equilíbrio e inteligência, quando o amor nos incentiva a agir com o propósito de transformar uma situação dolorosa num bem comum.

Cada momento nos traz oportunidades originais de transmutar o mal em bem. Através de pensamentos e sentimentos positivos, de ações decididas, tudo é possível. TUDO! Não há necessidade de aguardar melhores dias ou ocasiões propícias para transformar as coisas. AGORA é o momento e AQUI é o lugar.

É verdade que o Sol nasce todas as manhãs. No entanto, cabe-nos escolher o curso de ação que mais nos convém. Podemos entender cada dia como sendo um desafio às nossas capacidades ou uma nova oportunidade de crescimento. Também nos é dado ignorar o nascer desse Sol, vivendo passiva e desnecessariamente problemas e amarguras passadas.

Por gigantescos que sejam nossos desafios, nosso poder de superá-los é infinito. Sempre há uma luz no fim do túnel. É necessário, entretanto, caminhar até lá.



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/84 – Fraternidade Rosacruz – SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
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PENSAMENTO E OBJETIVO


Enquanto o pensamento não estiver ligado a um objetivo não haverá realização inteligente. A maioria das pessoas deixa que o barco do pensamento vague “à deriva” no oceano da vida. A falta de objetivo é um vício, e semelhante deriva deve cessar para todo aquele que quiser desviar-se da catástrofe e da destruição.

Quem não tiver em sua vida nenhum objetivo central, será presa fácil de mesquinhas preocupações, medos, problemas e autopiedade, indícios, todos esses, de fraqueza que levarão, tão certamente quanto pecados deliberadamente planejados (embora por diferentes rotas), ao fracasso, à infelicidade e a perdas, pois a fraqueza não pode perdurar num universo movido pela energia.

Todo homem deve conceber em seu íntimo um objetivo legítimo e se dispor a alcançá-lo. Deverá fazer desse objetivo o ponto central de seus pensamentos. Poderá ter a forma de um ideal espiritual ou de um objeto mundano, mas, conforme seja sua tendência no momento, deverá focalizar firmemente suas forças mentais nesse objetivo ante o qual ele próprio se colocou. Deverá fazer desse objetivo seu dever supremo e dedicar-se à sua consecução, não permitindo que seus pensamentos se dispersem em efêmeras fantasias, anseios e imaginações. Essa é a estrada real que nos leva ao autodomínio e à verdadeira concentração do pensamento. Ainda que por sucessivas vezes deixe de atingir sua meta (o que forçosamente acontecerá até que a fraqueza seja vencida), o fortalecimento que isso trará ao seu caráter será a medida do seu verdadeiro êxito, e lhe dará uma nova perspectiva para futuros poderes e triunfos.

Os que não estão preparados para a apreensão de um alto objetivo devem fixar seus pensamentos no perfeito cumprimento de seus deveres, por mais insignificantes que suas tarefas lhes possam parecer. Só dessa forma podem os pensamentos ser concentrados e focalizados, a resolução e a energia desenvolvidas e, uma vez conseguido isso, não haverá nada que não possa ser realizado.

Acreditando na verdade de que só pelo esforço e pela prática é possível desenvolver a força — a alma mais fraca que conheça sua própria fraqueza começará imediatamente a exercitar-se e, somando esforço a esforço, paciência a paciência, força a força, jamais deixará de crescer até que, por fim, se torne divinamente poderosa.

Do mesmo modo que o homem fisicamente fraco pode tornar-se forte mediante cuidadoso e paciente treinamento, o homem de pensamentos fracos pode revigorá-los exercitando-se na prática do reto-pensar.

Pôr de lado a falta de objetividade e a fraqueza e começar a pensar com um firme propósito, equivale a entrar para a categoria dos fortes que só reconhecem o fracasso como um dos atalhos para a realização; que obrigam todas as contingências a servi-los e que pensam vigorosamente, ousam destemidamente e realizam com maestria.

Tendo determinado a sua meta, o homem deve traçar mentalmente um caminho reto para alcançá-la, seguindo-o sem olhar nem para a direita nem para a esquerda. Dúvidas e temores devem ser eliminados com rigor; eles constituem elementos desintegradores que desviam a linha reta do esforço, tornando-a curva, ineficiente e inútil. Ideias de medo e de dúvida nunca realizam coisa alguma, nem poderiam. Sempre levam ao fracasso. Objetividade, energia, capacidade de realização e todos os pensamentos vigorosos cessam quando a dúvida e o medo se insinuam.

A vontade de fazer brota do conhecimento de que podemos fazer. Dúvida e medo são os grandes inimigos do conhecimento, e quem os encoraja, quem não os destrói, atrapalha-se a cada passo.

Quem derrotar a dúvida e o medo terá derrotado o fracasso. Seu próprio pensamento alia-se à força, e todas as dificuldades são enfrentadas com bravura e vencidas com sabedoria. Seus objetivos são plantados no tempo certo e florescem e dão frutos que não caem prematuramente.

O pensamento aliado com destemor à determinação se transforma em força criativa: quem tiver conhecimento disso estará pronto para tornar-se algo mais alto e mais forte do que um mero feixe de pensamentos vacilantes e de sensações instáveis; quem fizer isso se transforma no manejador consciente e inteligente de suas forças mentais.


James Allen



Fonte: do livro "O Homem é Aquilo que ele Pensa"
Tradução: Gulnara Lobato de Morais Pereira
Ed. Pensamento, 2ª ed., 2016 - São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/caminhada-aventura-escalada-10223379/