quarta-feira, 5 de agosto de 2026

SUPERANDO INCERTEZAS


Sentir-se fraco, incapaz. Estagnar diante das tarefas que a vida lhe traz. Congelar os movimentos e preferir a inação, a qualquer tentativa de resolução. São escolhas. Mas quem assim escolhe, escolhe ter a morte em vida. Escolhe ser alguém organicamente vivo, mas sem propósitos benéficos, inativo como a morte, destituído de movimentação salutar. E, muitas vezes, apenas a incerteza é a causa primária de tal cenário.

É preciso superar. É preciso ter certeza. Primeiro, tente se lembrar se viveu situação análoga anteriormente, pois que, em momentos passados, a confiança em si mesmo poderia ser outra, mais consistente. Portanto, havia certeza de sucesso e, consequentemente, a situação adversa foi superada.

Tal confiança pode não estar presente na situação de momento e isso pode acarretar na incerteza e na consequente estagnação. Mas você já superou antes. Você já fez. Já provou ser possível. E, se já fez antes, por que não pode realizar novamente? Isso lhe dará força para conquistar a certeza. E isso o moverá para frente. Mas a incerteza pode estar vinculada também a excesso de conteúdos inúteis ou até inexistentes, vivos apenas em sua imaginação. Significa que você pode desconfiar de algo, mas não pode provar. E, se não pode provar, a situação pode mesmo não existir fisicamente, apenas existir para você. E isso é a incerteza. Esqueça situações assim. São distrações, armadilhas de sua própria mente para lhe desviar do propósito principal. Deixe de lado incertezas desta natureza. Isso o moverá para frente.

Você pode ter dúvidas sobre suas capacidades ou habilidades de administrar determinado cenário ou situação. Simples. Se algo assim está em suas mãos, pode realizar. Acredite nisso e apenas comece a fazer. As incertezas são nuvens de distrações geradas interna ou externamente, com o propósito de bloquear as ações voltadas à evolução do ser. Elimine-as. Supere o medo de derrota. Sentir insegurança, por entender que pode perder, é imaturidade. Perder é uma possibilidade, mas não é o apocalipse. Portanto, você pode perder, sim, e isso não é nada demais. Tenha essa maturidade em seu raciocínio. E entenda que, além de perder, também pode ganhar. Mas, para isso, precisa de ação. Precisa fazer. E essa é a vitória real. Fazer.

A consequência de praticar qualquer ato é perder ou ganhar, em determinada situação. Mas a consequência de não se intimidar com o tamanho do desafio e fazer o que tem de ser feito, é estabilizar um ganho evolutivo, é progredir firmemente rumo ao Pai. Ganhar ou perder é transitório. Evolução, como ser, é para sempre.


Fabio Bento / Ermance Dufaux



Fonte: do livro "Luzes do Amanhecer"
Mensagens para Renovação Íntima
www.institutopiramide.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/humor-sa%C3%BAde-mental-depress%C3%A3o-7529903/

AS LUZES DA ÁRVORE DA VIDA


Kéther: a Coroa; Hohmah: a Sabedoria; Binah: a Inteligência; Hessed: a Graça; Géburah: a Força; Tiphéreth: a Beleza; Netsah: a Vitória; Hod: a Glória; Iésod: o Fundamento; Malhuth: o Reino.

Aprendei a meditar sobre as dez séfiras, a Árvore da Vida, com a consciência de que ela está em vós, e de que a única atividade que vale a pena é fazê-la crescer, florescer e dar frutos.

Não deveis preocupar-vos com o tempo que demorareis a tornar-vos realmente esta Árvore. Talvez tenhais de voltar a esta imagem e de a vivificar milhares de vezes, até que as dez séfiras inscritas em vós comecem a vibrar e o vosso ser interior seja iluminado por todas as luzes da Árvore da Vida.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: http://prosveta.com/
Fonte da Gravura: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Kabbalistic_Tree_of_Life_%28Sephiroth%29_2.svg#filelinks

A GRANDE REBELIÃO


A Grande Rebelião é um chamado para morrermos para tudo o que somos psicologicamente hoje e nascermos como algo totalmente diferente.

O verdadeiro problema do mundo é o nosso ego, e a única revolução que vale é a destruição consciente desse ego em cada um de nós.

As cidades estão cheias de edifícios, vitrines luxuosas, tecnologias e discursos sobre progresso, enquanto, por baixo disso, a vida se tornou feia, mecânica e interiormente vazia. Andamos pelas mesmas ruas, fazemos as mesmas coisas, vemos as mesmas estruturas, e sentimos um tédio profundo, uma repetição cansativa e estéril que nos esgota.

As relações humanas se embruteceram. A amizade perdeu seu perfume, a sinceridade desapareceu, as pessoas se tornaram desconfiadas, interesseiras, cruéis, e o sexo feminino é artificializado pelo culto à aparência, afastando-se da simplicidade natural.

O sistema empurra todos para o consumo, para o hedonismo e para o egoísmo, e a alma é praticamente esquecida, escravizada por um ego excitado, superficial, faminto por sensações. Os meios de comunicação, a propaganda e até a educação formal funcionam como uma hipnose coletiva, programando nossa mente para servir ao sistema e abafando desde cedo a expressão da Essência.

Vemos uma devastação ecológica brutal, um cenário que empurra a humanidade para um colapso global. Os mares foram transformados em lixeiras, o plâncton está sendo destruído, o ar está contaminado, a água potável está envenenada e é reciclada sem cessar, os solos estão exaustos, os campos são consumidos pela exploração desenfreada, o lixo atômico não tem destino seguro.

A fome, a miséria, a superpopulação, as epidemias, o abuso dos recursos naturais, as catástrofes climáticas compõem um cenário em que a própria sobrevivência se torna incerta.

Não há um “inimigo externo”. É o próprio “animal intelectual” que produz essa agonia planetária, projetando para fora a voracidade, a ignorância e a violência que carrega dentro.

Todos lutam para sobreviver, para ganhar dinheiro, ter algum conforto, formar um lar, viver prazeres, mas, apesar disso, ninguém é realmente feliz. Ficamos correndo atrás de pequenas satisfações: festas, diversões, sexo, viagens, status, compras, conquistas; ou então acreditamos que seremos felizes quando ganharmos na loteria, encontrarmos o “par ideal”, tivermos sucesso profissional, criarmos os filhos, conquistarmos uma posição social. Conforme a vida se desenrola, vemos o choque entre essas ilusões e a realidade: casamentos desfeitos, traições, problemas financeiros, filhos ingratos, doenças, envelhecimento, frustrações, rotina, e uma sensação íntima de que a promessa de felicidade nunca se cumpre.

Confundimos prazer com felicidade. O prazer é excitante, mas curto, seguido de tédio, vazio, culpa ou sofrimento, e nos torna dependentes de doses cada vez maiores.

A felicidade autêntica só pode surgir se eliminarmos dentro de nós mesmos as causas da nossa dor.

A ideia de “liberdade” hipnotiza, acende guerras, revoluções, discursos inflamados. Porém, na prática, quase ninguém sabe o que é estar livre. Jovens fogem de casa em busca de liberdade, mulheres querem liberdade no casamento, empregados querem liberdade do patrão, povos lutam pela liberdade política. Mas, mesmo quando conquistam essas mudanças externas, permanecem escravos de medos, ciúmes, desejos, ambições, culpas, traumas e hábitos.

A liberdade não se reduz a condições externas. A liberdade real é a libertação da consciência dos grilhões internos do “eu”. Enquanto estivermos agarrados a “meus gostos”, “minhas fobias”, “minhas paixões”, “minhas crenças”, “minhas identificações” e a toda a estrutura do ego, a nossa consciência permanecerá aprisionada.

A liberdade é algo que só podemos experimentar diretamente quando o “eu” morre, quando os grilhões psicológicos se desfazem e a consciência sai dessa prisão de desejos e medos.

Tudo em nós e na história oscila entre extremos: alegria e tristeza, sucesso e fracasso, otimismo e pessimismo, fé e ceticismo, fanatismo religioso e fanatismo materialista. As religiões, as seitas, as ideologias, os partidos, as filosofias, os “ismos” vivem nesse vai e vem pendular, alternando períodos de domínio e decadência, ascendência e queda.

Um fanático religioso, diante de uma decepção ou derrota, pode se tornar ateu; um cético convicto, diante de uma experiência de terror ou um fato metafísico marcante, pode se tornar devoto fervoroso. Vemos que, enquanto nos movemos dentro desse pêndulo, continuamos presos à dualidade: sempre defendendo um lado contra o outro, reagindo, oscilando, sem encontrar um ponto firme.

A Verdade não se encontra em nenhum desses extremos, mas no centro. Esta experiência só pode ser vivida quando a consciência se liberta das oscilações e não se identifica nem com o polo espiritualista nem com o polo materialista.

Confundimos os conceitos com a realidade. Damos nomes aos fenômenos, construímos teorias, definimos causas aparentes, criamos sistemas lógicos, e nos sentimos seguros porque temos “uma explicação”.

Porém, um conceito não é a coisa em si, é apenas uma representação que aponta para uma realidade. Para cada teoria existe outra igualmente lógica e oposta, e o debate intelectual se torna uma disputa infinita de construções mentais.

A ciência acumula dados, fórmulas, classificações e hipóteses, mas continua cega para dimensões mais profundas do ser e da consciência, assumindo uma postura dogmática em nome da “razão”. Em contraste, existe uma ciência objetiva do Ser, uma ciência dos iluminados, baseada não em raciocínios abstratos, mas em experiência direta, em percepção consciente da realidade.

Em vez de nos perdermos na dialética dos conceitos – tese, antítese, síntese mental –, devemos começar a valorizar a dialética da consciência: uma dialética viva, em que a consciência se coloca diante dos fatos internos e externos, observa, percebe e compreende diretamente.

Nascemos com uma quantidade muito pequena de consciência desperta. A maior parte das pessoas está adormecida, mecanizada, mergulhada em subconsciente, inconsciente e infraconsciência. Não ampliamos a consciência com mero esforço físico, com técnicas superficiais ou com simples acúmulo de informações. A consciência cresce quando praticamos trabalhos conscientes e aceitamos padecimentos voluntários, como renunciar a hábitos nocivos, encarar verdades dolorosas sobre nós mesmos e agir contra os impulsos do ego.

Sem trabalho consciente e padecimentos voluntários, continuamos sonhando com mudança, mas seguimos os mesmos. É preciso enfrentar a resistência do ‘eu’ e ir contra nossos próprios desejos.

Existem sete tipos de energia em nós: mecânica, vital, psíquica, mental, de vontade, de consciência e espiritual. Somente a energia de consciência e a espiritual, usadas de modo adequado, podem nos despertar.

Sempre que nos identificamos com situações, emoções, pensamentos, fantasias, desperdiçamos a energia consciente. Por isso é importante aprender a ver a vida como um filme, em que “assistimos” sem nos perdermos na identificação.

Essa mudança começa pela auto-observação. Sem nos observarmos, sem ver o que se passa em nós, não há autoconhecimento. A consciência precisa se voltar para dentro, registrando pensamentos, emoções, impulsos, tensões, reações, sem se justificar nem se condenar, apenas vendo, percebendo.

A meditação é o meio pelo qual penetramos até o fundo de um “eu”, o examinamos em silêncio e abrimos espaço para que ele seja compreendido e dissolvido.

Com auto-observação descobrimos que somos quase totalmente mecânicos, repetimos frases, reações, gestos, padrões emocionais, julgamentos, sem nenhuma escolha real. Aos poucos, começamos a perceber que não existe um “eu” único e íntegro, mas uma multiplicidade de “eus” que se alternam em nós. Um “eu” promete, outro descumpre; um ama, outro odeia; um quer trabalhar, outro quer sabotar; um busca espiritualidade, outro busca prazer ou prestígio.

Nós nos imaginamos uma pessoa única, mas ao nos observarmos o que encontramos é uma legião de pequenos “eus”, cada um com seus desejos, temores, lembranças e ideias.

A personalidade – o modo como falamos, pensamos e nos apresentamos – é um instrumento usado por esses “eus” alternadamente, sem que haja um verdadeiro centro consciente e permanente dirigindo tudo. Os “eus” são os grandes responsáveis pelos nossos conflitos, contradições, sofrimentos e repetições de erros.

Quando esta observação se aprofunda, reconhecemos que existe algo diferente dentro de nós: a Essência, a consciência pura, infantil, que é o que temos de mais digno. A Grande Rebelião é a luta para libertar essa Essência aprisionada pelos “eus”. Esse processo se realiza através da morte desses “eus”.

Internamente, carregamos um “país psicológico”, com regiões de ódio, inveja, medo, luxúria, orgulho, preguiça, vaidade, autocomiseração, ressentimento, e também zonas de paz, devoção, ternura, coragem, amor. Cada vez que entramos num “estado psicológico”, entramos em uma região desse país; e, uma vez lá dentro, atraímos acontecimentos, pessoas e situações que vibram nessa mesma frequência.

O retorno nos faz voltar a este mundo, vida após vida; a recorrência nos leva a encontrar, em cada existência, condições semelhantes e dramas parecidos, porque retornamos sempre ao mesmo ‘país’ interior e às mesmas ‘cidades’ psicológicas. Enquanto não transformarmos esse país psicológico, só mudaremos o cenário externo, repetindo essencialmente as mesmas experiências com rostos e circunstâncias diferentes.

Nós temos “três mentes”, a mente sensorial se apóia exclusivamente nos sentidos; acredita apenas no que pode medir, pesar, ver, tocar, e permanece presa ao imediato. A mente intermediária é o depósito de crenças, teorias, ideologias, dogmas, leituras, conceitos religiosos, filosóficos e políticos, ela vive de conteúdos herdados, aceitos ou rejeitados, mas quase sempre sem experiência direta. A mente interior, por sua vez, é a faculdade de perceber a verdade diretamente, sem intermediários conceituais e sem depender dos sentidos, é a mente que permite o contato com realidades superiores.

A humanidade vive oscilando entre a mente sensorial e a intermediária, discutindo entre materialismo e espiritualismo, ciência e religião, sem abrir de fato a mente interior. Só quando a mente interior se ativa pela meditação profunda e pela morte do ego é que podemos entrar em contato com a verdadeira ciência do Ser.

As drogas – lícitas ou ilícitas, inclusive certas substâncias usadas com pretexto “místico” – são uma fuga psicológica e danificam a mente, desequilibram os centros psíquicos, destroem a energia criadora e nos empurram para estados infra-humanos, gerando loucura, degeneração e perda de qualquer possibilidade séria de trabalho interior.

Muitos pseudo-caminhos que prometem “iluminação” fácil, estados alterados e experiências extraordinárias sem esforço moral, sem disciplina, sem morte do ego, são formas de seduções do próprio ego. Não podemos colher frutos espirituais sem antes criar raízes profundas.

Os pseudo-esoterismos, os fanatismos, as lideranças abusivas e as superstições se mascaram de espiritualidade. Qualquer ensinamento pode ser transformado em bandeira de orgulho, em motivo de separação, em instrumento de poder ou comércio, perdendo o sentido íntimo do trabalho interno.

O caminho exige honestidade brutal consigo mesmo, renúncia a autoilusões, discernimento para não confundir imaginação com experiência espiritual, firmeza para não se deixar enganar por teorias brilhantes e grupos sedutores. Não basta teorizar, crer ou acumular conhecimentos esotéricos, é indispensável trabalhar sobre si mesmo, mudar a forma de pensar, sentir e agir, transformar a vida prática e morrer em defeitos.

O Anticristo não é um personagem apocalíptico, e sim uma mentalidade intelectual orgulhosa que se ergue contra tudo o que é sagrado. O Anticristo é a síntese de todas as forças que absolutizam a razão desligada do espírito: ciência sem consciência, política cínica, tecnologia destrutiva, propaganda massificante e sistemas de pensamento que ridicularizam tudo o que transcende o mensurável.

O Anticristo não está só “lá fora”, ele vive em nós, em cada forma de orgulho intelectual, em cada crença que se recusa a ser examinada, em cada defesa racional do nosso ego. A sociedade nos programa desde cedo com esse tipo de mentalidade, uma educação que nos transforma em robôs adaptados ao sistema, que mata a sensibilidade e adestra a mente para servir a interesses anti-espirituais.

Da mesma forma, o Cristo não é apenas a figura histórica de Jesus, é um princípio espiritual vivo que pode nascer e se desenvolver dentro de nós. Esse Cristo interior nasce de modo humilde em nosso mundo psicológico, luta contra as tentações do ego, realiza milagres interiores (transformações reais), é perseguido pelos ‘fariseus’ internos (nossos moralismos, hipocrisias e crenças) e enfrenta a traição de nossos próprios ‘eus’. Judas é o eu traidor que vende o trabalho íntimo por desejos e vantagens materiais; Pilatos é o eu covarde e racionalizador que “lava as mãos” e justifica o erro; Caifás é o eu dogmático e acusador que condena em nome de uma falsa religiosidade. Depois vêm os flagelos, a crucificação, a morte e a ressurreição em nossa realidade mais íntima.

O Cristo íntimo não vem para nos acariciar, mas para nos conduzir ao sacrifício do “eu”; ele é o fogo que queima, o amor que aceita ser rejeitado e sofre por nós, dentro de nós, para nos transformar. Sem esse princípio crístico atuando, o trabalho de morte do ego seria incompleto; com ele, a rebelião interior se converte em um processo profundamente sagrado.

A meta final desse caminho é o nascimento do verdadeiro Homem, do Super-Homem, não no sentido de um indivíduo arrogante e poderoso, mas de um ser que se integra ao divino, que sai definitivamente da condição de “animal intelectual”.

Esse ser está além das categorias de bem e mal que conhecemos; não é regido pelos moralismos mutáveis das culturas, mas por uma ética superior, enraizada no Ser. O bem e o mal comuns são relativos, dependem de interesses, épocas e pontos de vista; muitas vezes, o “bem” social oculta injustiças, e o “mal” pode esconder atos de coragem ou verdade. O Super-Homem anda pela Senda do Fio da Navalha: um caminho estreito, cheio de perigos internos e externos, onde qualquer desvio pode levar à queda. Ele incompreende a moral comum e, por isso, costuma ser perseguido ou caluniado pelos que julgam a partir de seus códigos estreitos.

O símbolo do Santo Graal expressa o mistério supremo da transmutação. O Graal – a taça sagrada – representa o aspecto feminino, receptivo, o vaso da energia criadora, o mistério do sexo vivenciado com sacralidade. Por trás das lendas do Graal, das histórias de Melquisedeque, de Abraão, de Salomão, de Jesus e de José de Arimateia, percebemos uma mensagem: a energia sexual é o vinho da vida, e o modo como a usamos decide se subimos ou descemos espiritualmente. Quando essa energia é profanada, esbanjada em vício e degeneração, caímos; quando é transmutada, sublimada em amor consciente e pureza interior, alimenta o Cristo íntimo e torna possível a verdadeira imortalidade da alma, e, em certos níveis, até um prolongamento excepcional da vida física. O Graal não é só um objeto mítico, mas um estado do nosso próprio corpo e psiquismo, uma chave que, bem utilizada, abre o templo da realização íntima.

A Grande Rebelião propõe uma ruptura total com a forma comum de viver. Em vez de buscarmos segurança em teorias, crenças, grupos, prazeres ou sistemas, somos chamados a nos observar, a enfrentar nossa mecânica interna, a encarar nossa multiplicidade psicológica, a ver a ação do Anticristo em nós, a abrir a mente interior, a trabalhar com a dor de forma inteligente e a permitir que o Cristo íntimo conduza a destruição do ego. Não se trata de uma revolução contra este ou aquele sistema político ou religioso, mas de uma insurreição contra a tirania do “eu” em todas as suas máscaras. À medida que vamos morrendo psicologicamente, sentimos que a liberdade deixa de ser conceito, a felicidade deixa de ser promessa distante, a verdade deixa de ser teoria, e o amor deixa de ser apego ou paixão: tudo isso começa a ser uma experiência imediata da consciência liberada.


Escola Gnóstica



Fonte: https://escolagnostica.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/surreal-surrealismo-imagina%C3%A7%C3%A3o-8832241/

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O DESTINO DOLOROSO QUE A HUMANIDADE ENGENDRA PELO MAU USO DA PALAVRA


É evidente que passamos um destino doloroso pelo mau uso da palavra. O emprego de palavras para expressar o pensamento é o nosso mais alto privilégio. Portanto, cada um de nós deveria se compenetrar da tremenda responsabilidade representada pela posse de tão maravilhosa faculdade.

A linguagem originou-se durante a Época Atlante, quando iniciamos a utilização de palavras como meio de comunicação. Quando habitamos Corpos que constituíram o que conhecemos como a primeira Raça Atlante, Rmoahals, começamos a dar nomes às coisas. Éramos ainda uma raça espiritual, tínhamos poderes anímicos idênticos às Forças da Natureza. Por meio de palavras exercíamos o poder sobre essas coisas a que dávamos nomes. Para nós, naquele momento, a linguagem era algo santo por ser a mais elevada expressão do Espírito.

As línguas são expressões do Espírito Santo que trabalha por meio das Raças e do Corpo de Desejos (Astral, em outras tradições). As Religiões de Raça surgiram com o propósito de refrear a natureza de desejos. Quando nos purificarmos suficientemente nosso Corpo de Desejos, nos tornaremos aptos a nos compreendermos mutuamente, mesmo porque o sentimento de separatividade terá desaparecido.

Como exemplos podemos citar os Apóstolos, cujos Corpos de Desejos foram suficientemente purificados pela união com o Espírito Santo, podendo assim falar em diferentes idiomas, fazendo-se inteligíveis àqueles que os ouviam. Esta conquista todos nós, um dia, realizaremos: o poder de falar todas as línguas.

Foi por isso que o próprio Cristo nos ensinou: “Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus, pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas, eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado.” (Mt 12:33-37).

Futuramente deixaremos de pronunciar palavras vãs, pois consideraremos a linguagem como algo profundamente sagrado. Pronunciaremos a “Palavra Perdida”, o “Fiat Criador” que sob a direção das Hierarquias Criadoras foi pronunciada na antiga Época Lemúrica para criar plantas e animais.



Fonte: Publicada na Revista "Rays from the Rose Cross" de setembro/1968 pela Fraternidade Rosacruz - SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/%C3%ADcone-de-fala-voz-falando-audio-2797263/

TORNAR-SE INSTRUMENTO APTO À JORNADA ESPIRITUAL


Vocês devem se moldar para se tornarem instrumentos aptos à jornada espiritual.

Existem quatro categorias de pessoas: 1) a melhor e a mais elevada é a daquelas que prestam atenção aos próprios defeitos e às virtudes alheias; 2) a intermediária é a daquelas que destacam tanto as próprias virtudes quanto as virtudes alheias; 3) em seguida, vem uma categoria inferior, a das pessoas que só percebem as próprias virtudes e os defeitos alheios; 4) a pior de todas é a daquelas que consideram os próprios defeitos como virtudes, e como defeitos as virtudes alheias.

Cada um pode descobrir por si mesmo a qual dessas categorias pertence. Mas tenham em mente o seguinte: quem anseia por alcançar a consciência do Pleno, do Sagrado, do Amor Divino, do Atma (o Ser Interno) e de Bhagavan (o Senhor) deve se esforçar para integrar a primeira e a melhor categoria – a das pessoas que veem apenas defeitos em si mesmas e, nos outros, somente virtudes. Essa é a disciplina espiritual mais desejável.

Atualmente, o ser humano sofre por estar imerso no mundo exterior, sem nenhuma disciplina ou prática espiritual constante que o ajude a corrigir a própria visão. De que adianta tomar dez banhos por dia se a mente está poluída por pensamentos impuros? De que valem a cabeça raspada e as vestes ocres de um renunciante para promover a espiritualidade quando se tem a mente repleta de desejos e vontades? (Discurso Divino, 5 de abril de 1981)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do Texto e Gravura: www.sathyasai.org.br

O HOMEM INTERIOR


Aproximações, desvios e tentativas de falar daquilo que não pode ser dito.

O homem interior não é o meu corpo, que observo em suas constantes mudanças, funções e diversas sensações. Nem é a minha mente, isto é, os meus pensamentos; pois também os observo, mutáveis, fluidos, automáticos, de todas as cores e com seus próprios humores particulares. Não posso negar o olhar interior, aquele que, sem ter olhos, ainda assim vê. Vê tudo como se estivesse entrincheirado num invisível "não-lugar".

O tema não é fácil, mas é necessário. Sem aquele que sou, tudo é demasiado evanescente, fugaz; os significados se perdem na névoa deixada pelo tempo. São Paulo é preciso e deixa isso claro em suas cartas: Romanos 7:22 — “No íntimo do meu ser, tenho prazer na lei de Deus” —, 2 Coríntios 4:16 — “Embora o nosso exterior esteja se desgastando, o nosso interior está sendo renovado dia após dia” —, Efésios 3:16 — “Oro para que, pelo seu Espírito, vocês sejam fortalecidos com poder no seu ser interior”.

Portanto… o eu interior não são pensamentos incessantes; não são sentimentos, outra forma que os pensamentos assumem e que também é altamente variável; nem é a imagem que tenho de mim mesmo, nem mesmo o “ego espiritual” — aquele que pensa ser algo especial de tempos em tempos, escondendo-se atrás de suas práticas religiosas. No entanto, existe uma luz interior que observa todos esses eventos, uma visão consciente que é imutável. E é essa firmeza, essa permanência, que lhe permite perceber todas as mudanças.

Há em mim (não sei como dizer de outra forma) um Ser que permanece. Ele persevera no ser. Esse ser interior é quieto e silencioso, e embora frio, arde com calor. Não tem desejos, pois é pleno; a plenitude reside nele. É a imagem e semelhança divina impressa na atemporalidade. É a fonte do amor de uma pessoa. Toda bondade, verdade e beleza emanam dele. É amor, mas não é sentimental. Existe por amar.

Esse homem interior é silêncio e, claro, não é aquele que escreve e pondera. Contudo, essas palavras carregam o traço de admiração deixado quando foram concebidas. "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" ressoa em minha memória. Quando aceito meu próprio olhar, percebo minhas reações e renuncio à cumplicidade com elas. Só assim é possível seguir os ensinamentos de Cristo, que contrariam as tendências automáticas.

Em resumo… apenas um compartilhamento, como quando você faz um esboço a lápis sem ainda saber exatamente o que vai desenhar…



El Santo Nombre



Fonte: www.elsantonombre.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-rosto-discernimento-5119698/

AMORTECEDORES, MÁSCARAS E VERNIZ SOCIAL


O homem, mesmo sendo um ente mecânico, é uma criatura especial, pois é dotado da capacidade de compreender que é uma máquina ou um ente mecânico. Assim, ao dar-se conta desse processo e, dependendo do cultivo de sua força de vontade, poderá deixar de ser máquina.

Uma das primeiras ideias falsas que temos que eliminar ou modificar mediante o estudo profundo de nós mesmos, é a ideia ou a crença de que somos indivíduos. Isso é falso! Ainda não temos verdadeira individualidade! Em realidade, somos uma coletividade psicológica usando uma máscara de indivíduo. Em linguagem psicológica temos a dizer que o homem não é detentor de um único ego, como propôs Freud. Na dura realidade dos fatos diários notamos claramente que o homem é dotado de muitos egos que usam a mesma máscara, ou seja, a cada momento somos um eu diferente, mas para quem observa de fora sem atenção, parece ser um ego único por causa da máscara que utiliza para se expressar.

Dito de outra forma: num dado instante somos uma pessoa, no momento seguinte já somos outra pessoa totalmente diferente da primeira e ainda num terceiro instante somos uma terceira pessoa, sem nenhuma relação com as duas primeiras. Essa sucessão de eus acontece de forma permanente e contínua e em alta velocidade. A cada mudança externa, a cada pressão proveniente do mundo exterior (e mesmo do interior) muda o eu que está no comando da máquina.

O que cria no homem a ilusão da unidade do eu e que nos leva a crer que somos sempre um mesmo eu, único e imutável, é a integridade de nosso corpo físico, nosso nome, a memória e certos hábitos mecânicos desenvolvidos desde a infância pelos condicionamentos da educação. Porém, quando morrermos, não tendo mais a âncora do corpo, nos sentimos perdidos e sem rumo; esse é o grande drama de quem desencarna de consciência adormecida.

Desse modo, tendo sempre as mesmas sensações físicas, ouvindo sempre sermos chamados pelo mesmo nome e tendo a capacidade de recordar fatos passados, cremos ser sempre os mesmos. Infelizmente, no atual estado humano não temos um centro permanente de consciência. Não existe em nós uma vontade única; não existe em nós uma mente única; nem uma emoção ou sentimento permanente – porque não existe em nós um centro permanente de consciência nem uma personalidade única. Existem, sim, dezenas ou centenas de mentes; existem, sim, dezenas ou centenas de vontades; existem, sim, dezenas ou centenas de sentimentos, desejos, sonhos, ilusões, fantasias, aspirações etc. Em resumo: Somos uma pluralidade ambulante (ou como disse aquele poeta, somos “uma metamorfose ambulante”).

Cada pensamento, cada sentimento, cada sensação, cada desejo, cada “eu gosto” ou cada “eu não gosto”, é sempre um “eu” diferente. Todos esses “eus” não estão ligados entre si ou coordenados por algo entre si. Cada um deles, isoladamente, pode assumir o controle de um ou mais centros psicofisiológicos e manejar a máquina humana a seu bel prazer. Para que cada um desses eus possa se manifestar e conduzir a máquina humana, depende de situações externas ou internas e de mudanças de impressões. Cada eu desencadeia mecânica e automaticamente um ou vários outros eus em associações aleatórias. Do mesmo modo como existem afinidades entre as pessoas aqui neste mundo também existem afinidades entre as dezenas ou centenas de eus que habitam nossa mente.

Isso não quer dizer que haja ordem, hierarquia, sistema. Pelo contrário: o ego pluralizado é o caos dentro de nós, fazendo com que sejamos criaturas confusas e sem continuidade de propósitos; é a coletividade dentro do indivíduo; é a mesma sociedade externa dentro do reino interno; por isso mesmo, o que vemos no mundo externo é a exata projeção de nossa realidade interna. O mundo exterior não é melhor porque não somos melhores internamente. O exterior é a projeção do interior.

Alguns desses eus têm vínculos naturais entre si, porém o mais comum é que eles se associem acidentalmente devido ao funcionamento mecânico da máquina ao pensar, sentir ou recordar alguma cena. Cada um desses eus representa, num dado momento, apenas uma ínfima parte de nossas funções, ainda que cada um deles se creia o todo, o conjunto, o único e imutável eu.

Quando um homem diz “eu” ele tem a impressão de que fala de si como se fosse sua totalidade, mas ainda que assim acredite, na realidade está falando apenas de um simples pensamento ou de uma simples emoção ou recordação ou fato passageiro que pode durar apenas um segundo, alguns segundos ou pior ainda, sutileza das sutilezas, uma fração de segundos. Uma hora mais tarde — pouco mais, pouco menos — esse homem poderá ter esquecido completamente o que disse e que promessas fez; e com a mesma convicção expressará outra ideia ou opinião totalmente diferente. E a cada novo dia, menos encontramos pessoas de palavra...

(...) Esse é o motivo pelo qual o ser humano é tão contraditório e difícil de se relacionar. A boa notícia é que essa realidade pode ser modificada. Aquele que se propuser a se tornar uma pessoa íntegra, dotada de um centro único de gravidade, poderá chegar lá.

Todos esses acontecimentos e fenômenos descritos nos parágrafos anteriores acontecem dentro da máquina humana, ou seja, dentro do corpo mental, do corpo de desejos *, do corpo vital * e do corpo físico. Dentro desse quaternário inferior estão localizados cinco centros psicofisiológicos, que funcionam como se fossem cinco cilindros de um motor. Esses cinco cilindros são, de acordo com sua finalidade ou função, denominados de:

1. centro intelectual
2. centro motor
3. centro emocional
4. centro instintivo
5. centro sexual

Um dos motivos da sobrevivência e continuidade dos “eus” são os amortecedores. Normalmente, eles são criados de forma involuntária pelo homem. Esse processo começa na infância, quando somos surpreendidos fazendo “artes” de criança. Como nosso pai ou nossa mãe “não gostam” que façamos isso ou aquilo, para “ocultar” nosso “erro”, negamos (mentimos). Assim tem início o processo de defesa, da mentira que, com o tempo, mascara a realidade, atenuando os impactos dos eventos naturais e de relacionamento em nossa vida.

Hoje, sem a máscara da mentira, o convívio social seria impossível. Usamos máscaras e mentiras para esconder nossas contradições, nossas próprias mentiras, nossas invejas, nossos ódios, nossos desejos de vingança etc. Se há algo que não somos hoje - por absoluta incapacidade de sê-lo - é ser honestos; não somos honestos nem conosco mesmos, nem com nossos semelhantes. Só as crianças, no começo da vida, são 100% honestas, espontâneas, puras, inocentes. Por isso dizem coisas que surpreendem os adultos, embaraçando-os muitas vezes diante de estranhos ou de amigos. É porque as crianças ainda não formaram os amortecedores (os processos das mentiras e das autojustificativas).

Um homem sem amortecedores é considerado louco, debiloide ou infantil. Os loucos não têm amortecedores, tal qual as crianças e os animais, que dizem e fazem o que querem, de forma simples e natural, sem se importarem com as reações dos demais e sem se preocuparem com sua autoimagem, sua autoimportância e seu amor próprio. Os Mestres de Sabedoria também não têm amortecedores, mas como são escolados pela vida, sabem calar-se prudentemente e sabem agir de forma reta e equilibrada; por isso não são compreendidos pelo homem atual. A humanidade rejeita os Mestres de Sabedoria por não compreendê-los; não compreendendo, os temem; temendo, matam. Já os loucos ou desequilibrados mentais são pessoas sem autocontrole e muitas vezes realmente se tornam ameaçadoras e violentas.

De um modo ou de outro, para se sentir seguro e tranquilo, o homem atual necessita de amortecedores, verdadeiro ópio que o mantém escravo das aparências e das opiniões alheias. Por isso, esse “homem” não tem em si a capacidade de fazer algo; as coisas simplesmente acontecem na sua vida, e ele não tem escolha; segue obrigatoriamente o curso natural dos acontecimentos da vida cotidiana.

Os amortecedores, as máscaras, o verniz social impedem qualquer tipo de vida psíquica (espiritual) verdadeira. Não há nem pode haver crescimento espiritual enquanto vivermos essa farsa. Portanto, a primeira decisão que uma pessoa séria e determinada precisa tomar, caso queira realizar dentro de si um novo mundo psicológico ou espiritual, é acabar com o processo da mentira e começar a ser honesto consigo mesmo; mentimos aos demais porque não temos consciência que mentimos a nós mesmos o tempo todo; nunca percebemos nossas próprias mentiras, nem nos damos conta de nossas incoerências e contradições.

Enquanto houver máscaras, mentiras e farsas, todos os choques psicológicos proporcionados pela vida para o despertar da consciência, resultarão inúteis, pois serão atenuados pela “interpretação”, pelo “amortecimento”, pelas justificativas (as mentiras). Com isso estaremos impossibilitados de sentir ou perceber nossa própria consciência. O drama maior dessa triste realidade é que não poderá haver Iluminação, nem avanço espiritual verdadeiro sem eliminar a mentira dentro de nós.

Em resumo, uma escola que não ensine essa classe de doutrina, psicologia ou ciência, jamais levará alguém ao autêntico “autoconhecimento”.


Karl Bunn


Fonte: do livro "Doutrina Secreta Gnóstica"
IGB-Edisaw
www.gnose.org.br
1a. Edição – 2012
Fonte da Gravura:https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-rosto-psicologia-m%C3%B3dulo-69283/


Nota deste Blog:
*Astral e Etérico em outras tradições.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

O MITO DE FAUSTO E A LENDA MAÇÔNICA


O Mito de Fausto, [1] analisando-o como um todo, notamos que transmite a mesma ideia da Lenda Maçônica [2]. De um lado, temos Fausto e Lúcifer; do outro, Margarida e os sacerdotes. Margarida mostra a fé na igreja, mesmo nas horas mais sombrias. Essa fé é o seu conforto e a sua segurança e, definitivamente, ela a faz alcançar o objetivo do espírito. Ela alcança seu lar celestial pela fé. Seus pecados de omissão são devidos à ignorância; mas quando ela vê o poder maligno incorporado ao caráter de Lúcifer que lhe oferece a liberdade da prisão e da morte, então, ela se recusa a fugir em sua companhia; e assim se redime, o suficiente, para merecer um lugar no Reino celestial. Da mesma forma, uma ala da Igreja, os Filhos de Seth, são dependentes, atualmente, do perdão dos pecados, ao invés dos seus próprios méritos. Estão procurando a salvação por meio da fé, já que seus poderes para demonstrar por obras são pequenos.

Em Lúcifer e Fausto encontramos a réplica dos Filhos de Caim, que são construtores, fortes e ativos no trabalho do mundo. O mesmo espírito que infundiu em Caim o desejo de fazer com que “duas folhas de erva crescessem onde antigamente crescia apenas uma” – o instinto criativo, independente e divino que fez com que os Filhos de Caim em todas as épocas liderassem o trabalho no mundo – também é visto em Fausto; e a prática gloriosa com a qual ele empregou nos poderes do mal, isto é, fazendo-as construir uma nova Terra, livre, onde um povo feliz e livre pudesse morar em paz e alegria, dá-nos uma visão do que o futuro nos reserva.

Pelo nosso próprio esforço, empregando os poderes do mal para fazer o bem, nos libertaremos das limitações tanto das Igrejas como do Estado, que agora nos mantêm em servidão. Ainda que as convenções sociais e as leis terrenas sejam agora necessárias para nos impedir de violar os direitos dos outros, dia virá em que o espírito nos animará e nos purificará, da mesma maneira que o amor de Fausto por Helena purificou-o e incentivou-o a empregar as forças de Lúcifer da maneira correta. Quando sentirmos o desejo de trabalhar por nossa própria vontade, quando nos gratificarmos pelo serviço que prestamos aos outros, como estava Fausto quando, com sua visão agonizante, ele pode contemplar a terra que se elevava do mar, então não necessitaremos mais em encarar as características restritivas das leis e convenções, pois teremos nos elevados acima deles pelo cumprimento de todas as suas exigências. Somente dessa maneira poderemos nos tornar realmente livres. É muito fácil dizer aos outros o que deve ser feito ou não, mas é muito difícil impor-nos o cumprimento da obediência, ainda que, intelectualmente, possamos aceitar os ditames do convencionalismo. Como diz Goethe:

“De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado,
O ser humano se libera quando o autocontrole há conquistado”.

O mito de Fausto nos diz que há um Estado Utópico reservado para nós, quando nós tenhamos trabalhado pela nossa salvação usando as forças titânicas internas para nos tornar realmente livres.

Que todos nós possamos nos esforçar nas nossas ações diárias para acelerar a chegada desse dia.


Max Heindel



Fonte: do livro "Cartas aos Estudantes" – 35
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/roma-villa-borghese-goethe-est%C3%A1tua-2607185/




[1] N.T.: Fausto (em alemão Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã. A criação da obra ocupou toda a vida de Goethe, ainda que não de maneira contínua. A primeira versão foi composta em 1775, mas era apenas um esboço conhecido como Urfaust (Proto-Fausto). Outro esboço foi feito em 1791, intitulado Faust, ein Fragment (Fausto, um Fragmento), e também não chegou a ser publicado. A versão definitiva só seria escrita e publicada por Goethe no ano de 1808, sob o título Faust, eine Tragödie (Fausto, uma Tragédia). A problemática humana expressada no Fausto foi retomada a partir de 1826, quando ele começou a escrever uma segunda parte. Esta foi publicada postumamente sob o título de Faust, Der Tragödie zweiter Teil in fünf Akten (Fausto, Segunda parte da tragédia, em cinco atos) em 1832.

[2] O mito de Fausto representa a busca humana por autodomínio, superação das limitações materiais e evolução espiritual, similares às correntes herméticas e maçônicas.

PENSAMENTOS SEMENTES


As pressões do dia a dia estimulam e fortalecem minha capacidade de criar uma vida significativa e valiosa. Quando elas extrapolam, paro e reflito sobre maneiras de aumentar minha resiliência. Entendo que ego, apego ou raiva atrapalham minha clareza, assim, invoco as virtudes, os valores e as forças que me ajudarão a passar por tudo.


É importante lembrar que muitas pessoas estão fazendo o possível para viver uma vida decente, baseada em valores. Quando respeitamos, valorizamos e apoiamos o outro, criamos um senso de família e comunidade que pode resistir e superar até mesmo os momentos mais sombrios.


Crie um espaço tranquilo em sua mente - talvez uma cena inspiradora na natureza ou algo belo que o transporte para outro mundo. Faça deste espaço o seu refúgio sempre que precisar de paz e tranquilidade. Relaxe, aproveite e simplesmente seja você mesmo. O espaço interior restaura o espírito e dá esperança para o futuro.


Liberdade e felicidade fazem parte da nossa natureza espiritual original. Com o tempo, nos perdemos, ficando presos em uma teia de ilusões e desejos que causaram sofrimento. Agora é hora de nos libertarmos e sermos felizes. Com o poder da meditação, a clareza é restaurada e podemos voar novamente.


Esperança e amor são o antídoto para o medo e a raiva que assolam o mundo. Conecto-me com minha sabedoria interior, afastando-me da histeria. Assim, posso oferecer uma visão alternativa de paz universal, com a qual todos possam prosperar. No fundo, sabemos que este é um caminho melhor, e um dia o alcançaremos.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.com.br
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

A VERDADE E A ESSÊNCIA SÓ PODEM SER CONHECIDAS PELO ESPÍRITO


É um erro acreditar que a verdade pode ser conhecida pelo intelecto. O intelecto é uma faculdade que permite ao homem conhecer o mundo físico e um pouco do mundo psíquico, mas não mais do que isso. O intelecto é uma faculdade muito reduzida; por si só, não consegue conhecer a verdade.

Tomemos como exemplo, muito simples, uma rosa. Conhecer a verdade inerente a uma rosa não é só perceber a sua forma, a sua cor, o seu perfume. A verdade da rosa é uma emanação, uma presença que não se pode apreender pelo intelecto. Conhecer a rosa é sentir todo o conjunto de elementos que fazem dela uma rosa e não outra coisa.

O mesmo sucede, com mais razão, no que se refere ao ser humano: a verdade sobre um ser humano deve reunir, sintetizar, todos os elementos que o constituem, desde o espírito ao corpo físico. Enquanto não os conhecerdes, só conhecereis uma pequeníssima parte da verdade a seu respeito. A verdade de um ser, a sua verdade definitiva, absoluta, reside no seu espírito e só pode ser conhecida pelo espírito.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: http://prosveta.com
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A MEDITAÇÃO NOS REVELA UMA VERDADE DIFÍCIL E ESSENCIAL


A meditação nos revela uma verdade difícil e essencial. Se quisermos ser completamente humanos, devemos enfrentar o problema de que não podemos comunicar-nos com os demais, porque ainda não nos contatamos conosco mesmos. Se nos sentimos isolados daqueles que nos rodeiam é porque estamos separados de nós mesmos. Só quando sabemos quem somos e quem podemos ser seremos capazes de nos comunicar com os demais. Mas, o que é que realmente nos separa da nossa verdade? A meditação nos traz uma resposta muito simples. Não é fácil, mas simples: nada. Não há nada que se interponha entre nós e nosso verdadeiro ser. O que nos bloqueou o encontro com a verdade é a falsa ideia de que temos de que existe algo que os separa. Essa ideia falsa é o que chamamos de “ego”.

Na meditação, acessamos outro nível de autoconsciência. À medida que nos afiamos nessa dimensão, simplesmente nos convertemos em nós mesmos, desnudos, sem capas que nos cobrem. Isso é o que Jesus chamou de “pobreza de espírito”. É uma bela pobreza de espírito e um caminho estimulante a seguir. É uma pobreza grandiosa porque nos da liberdade para ver a luz de nosso verdadeiro ser e saber que somos essa luz (...).

É possível que, mesmo avançando na meditação, não sintamos que isso aconteça. Mas se perseverarmos, chegaremos a um momento em que toda nossa vida brilhará lenta, mas profundamente com essa luz interior e saberemos que a luz está aí, em tudo o que nos acontecer.


Carla Cooper



Fonte: Extrato de “La Luz del Ser” - “Luz interior: el camino de la meditación"
Father John Main, OSB
Londres: Canterbury Press, 2008, pp. 85-7
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-jardim-zen-buddism-natureza-6705080/


Para mais detalhes ver:

- JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

O TRABALHO DOS ESPIRITUALMENTE DESPERTOS OU EM VIAS DE DESPERTAR


Em nossos dias, a tarefa do verdadeiro esoterista é de extrema importância, além de significativa, pois antecede uma Nova Era. Sua tarefa é difundir esse conceito de Unidade, de Harmonia, de Síntese; ajudar a reencontrar os pontos de contato das várias teorias e religiões; permitir que deixemos de nos identificar com a forma e com as aparências; relacionar o relativo ao Absoluto, preparando o advento de uma Nova Religião Universal.

Em nossos dias, não há mais escolas de mistérios e os ensinamentos esotéricos vêm-se tornando manifestos, ainda que nem todos sejam capazes de apreendê-los na verdadeira essência e em seu profundo significado. Todavia, é dada a oportunidade a todos de conhecê-los e de tentar compreendê-los, pois toda a humanidade está se aproximando de uma grande crise evolutiva que assinala a passagem de um ciclo a outro, da Era de Peixes para a Era de Aquário, que produzirá profundas mudanças, transformações e renovações coletivas e individuais.

Novas energias cósmicas estão descendo sobre a humanidade e é preciso que nos preparemos para recebê-las e para saber empregá-las.

Diz Dr. Roberto Assagioli em um dos seus escritos a respeito da Nova Era: "...Agora mais do que nunca é preciso que aqueles que estão espiritualmente despertos, ou em vias de despertar, compreendam e aceitem essa radical renovação, aliás participem dela e cooperem com ela ativamente.

Isso pode ser feito de três maneiras:

a) Libertando-se do passado;

b) Transformando a si mesmo por meio da assimilação das novas energias;

c) Tornando-se seus representantes, encarnações vivas e centros de irradiação."

O esoterista de hoje, portanto, será o pioneiro dessa Nova Religião Universal à qual todos os espíritos eleitos ao longo de todos os tempos aspiraram, em que as confissões, doutrinas e formas encontrarão expressão, manifestando os seus verdadeiros significados, numa síntese harmônica e dinâmica.


Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Tradução: Pier Luigi Cabra
Ed. Pensamento - São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/caridade-migra%C3%A7%C3%A3o-integra%C3%A7%C3%A3o-equipe-8366471/

PROBLEMAS DA EVOLUÇÃO


A semente, portadora de vida, quando colocada para germinação, experimenta a compressão do solo e sua umidade, desenvolvendo os fatores adormecidos e passando a vigorosas transformações celulares. Intumesce-se e, dirigida pela fatalidade biológica, desata a vida sob nova forma, convertendo-se em vegetal, para repetir-se, ininterruptamente, em futuras sínteses...

A criatura humana, de alguma forma fadada à perpetuação da espécie e à sua plenificação, encarna-se, reencarna-se, repetindo as façanhas existenciais até atingir o clímax que a aguarda. Em cada etapa nova remanescem as ocorrências da anterior, em uma cadeia sucessória natural. E através desse mecanismo os êxitos abrem espaços a conquistas mais amplas e complexas, assim como o fracasso em algum comportamento estabelece processos que impõem problemas no desenvolvimento dos cursos que prosseguem adormecidos.

Esmagada pelas evocações inconscientes do agravamento da experiência, ou sem elas, a criatura caracteriza-se, psicologicamente, por atitudes de ser fraco ou forte como decorrência do treinamento na luta a que foi submetida, podendo, bem ou mal, enfrentar os dissabores ou as propostas de crescimento e graças a essa conduta se torna feliz ou atormentada.

Ninguém se encontra isento do patrimônio de si mesmo como resultado dos próprios atos. São eles os responsáveis diretos por todas as ocorrências da marcha evolutiva, o que constitui grande estímulo para o ser, liberando-o dos processos de transferência de responsabilidade para outrem ou para os fatores circunstanciais, sociais, que normalmente são considerados perturbadores.

Mesmo quando os imperativos genéticos insculpem situações orgânicas ou psíquicas constritoras no indivíduo, esses se derivam da conduta pessoal anterior, e devem ser considerados como estímulos ou métodos corretivos, educacionais, a que as Leis da Vida recorrem para o aprimoramento dos seres humanos.

O estado de humanidade já é conquista valiosa no curso da evolução; no entanto, é o passo inicial de nova ordem de valores, aguardando os estímulos para desdobrá-los todos, que jazem adormecidos – Deus em nós – para a aquisição da angelitude.

Da insensibilidade inicial à percepção primária, dessa à sensibilidade, ao instinto, à razão, em escala ascendente, o psiquismo evolve, passando à intuição e atingindo níveis elevados de interação com a Mente Cósmica.

Os indivíduos, no entanto, mergulhados no processo do crescimento, raramente se dão conta de que o sofrimento, que é fator de aprimoramento, ainda constitui instrumento de evolução, em se considerando o estágio de humanidade.

Assim posto, o autoconhecimento desempenha relevante papel no adestramento do ser para a sua superação e perfeita sintonia com a paz.

Nesse desiderato, são investidos os mais expressivos recursos psicológicos e morais, de modo a serem alcançadas as metas que se sucedem, patamar a patamar, até alcançarem o nível de libertação interior.

Mediante esse comportamento surgem os problemas, as dificuldades naturais que fazem parte do desempenho pessoal e da sua estruturação psicológica.

Quando imaturo, o ser lamenta-se, teme e transforma o instrumento de educação em flagelo que o dilacera, tornando-se desventurado pela rebeldia ou entrega de ânimo, negando-se à luta e autodestruindo-se, sem se dar conta.

Surgem, então, como decorrência da sua falta de valor moral, os transtornos depressivos ou de bipolaridade, que o conduzem a lamentável estado de autoabandono, portanto, de autocídio.

Há pessoas que afirmam ter problemas, por cultivá-los sem cessar, transferindo-se de uma dificuldade para outra, vitimadas pelo egoísmo, pela autocomiseração, pelo amor-próprio exacerbado.

Há aqueles que têm problemas e não se encontram dispostos a enfrentá-los, a solucioná-los, esperando que outros o façam, porque se consideravam isentos de acontecimentos dessa ordem, negando-se, mesmo sem o perceberem, à mudança de estágio evolutivo.

Outros há que vivem sob problemas, preservando-os mediante transferências psicológicas continuadas, assim adiando as soluções no tempo e no lugar, ignorando-os e ignorando-se. Esses cultivadores da ilusão fantasiam-se de felizes até os graves momentos, quando irrompem as cobranças da vida – orgânicas, sociais, econômicas, emocionais –, encontrando-os entorpecidos e distantes da realidade.

Na maioria das vezes, porém, as pessoas são os problemas, que não solucionam nos pequenos desafios, mas os transformam em impedimentos, assim deixando-se consumir por desequilíbrios íntimos nos quais se realizam psicologicamente.

É lícito e natural que cada pessoa se considere humana, isto é, com direito aos erros e aos acertos, não incólume, não especial.

Quando erra, repara; quando acerta, cresce.

A evolução ocorre através de vários e repetidos mecanismos de erro e acerto, desde os primeiros passos até a firmeza de decisão e de marcha.

Reflexão e diálogo, honestidade para consigo mesmo e para com o seu próximo, esforço constante para a identificação dos limites e ampliação deles constituem terapias e métodos para transformar os problemas em soluções, as dificuldades em experiências vitoriosas, crescendo sem cessar.

O ser psicológico, amadurecido, ama e confia, fitando o alvo e avançando para ele, sem ter, nem ser problema na própria trajetória.



Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Autodescobrimento: Uma Busca Interior"
(Série Psicológica – Especial, volume 6)
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
18ª ed., Salvador/BA - 2014
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/andr%C3%B3ide-intelig%C3%AAncia-artificial-7707034/

terça-feira, 28 de julho de 2026

NAS SENDAS DO MUNDO


“Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem e onde os ladrões minam e roubam.” Jesus (Mt 6,19)


“Meus filhos, na sentença: “Fora da caridade não há salvação”, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no Céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no Céu, porque os que a houverem praticado, acharão graças diante do Senhor.” (Evangelho Seg. Espiritismo, cap. XV, 10)


Deus que nos auxilia sempre, nos permite possuir, para que aprendamos também a auxiliar.

Habitualmente, atraímos a riqueza e supomos detê-la para sempre, adornando-nos com as facilidades que o ouro proporciona... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as posses exteriores e se algo nos fica será simplesmente a plantação das migalhas de amor que houvermos distribuído, creditadas em nosso nome pela alegria, ainda mesmo precária e momentânea, daqueles que nos fizeram a bondade de recebê-las.

Via de regra, amontoamos títulos de poder e admitimo-nos donos deles, enfeitando-nos com as vantagens que a influência prodigaliza... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as primazias de convenção e se algo fica será simplesmente o saldo dos pequenos favores que houvermos articulado, mantidos em nosso nome pelo alívio, ainda mesmo insignificante e despercebido, daqueles que nos fizeram a gentileza de aceitar-nos os impulsos fraternos.

Geralmente repetimos frases santificantes, crendo-as definitivamente incorporadas ao nosso patrimônio espiritual, ornando-nos com o prestígio que a frase brilhante atribui... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as ilusões e se algo nos fica será simplesmente a estreita coleção dos benefícios que houvermos feito, assinalados em nosso nome pelo conforto, ainda mesmo ligeiro e desconhecido, daqueles que nos deram oportunidade a singelos ensaios de elevação.

Serve onde estiveres e como puderes, nos moldes da consciência tranquila.

Caridade não é tão-somente a divina virtude, é também o sistema contábil do universo, que nos permite a felicidade de auxiliar para sermos auxiliados.

Um dia, nas alfândegas da morte, toda a bagagem daquilo de que não necessites ser-te-á confiscada. Entretanto, as Leis Divinas determinarão recolhas, com avultados juros de alegria, tudo o que destes do que és, do que fazes, do que sabes e do que tens, em socorro dos outros, transfigurando-te as concessões em valores eternos da alma, que te assegurarão amplos recursos aquisitivos no plano espiritual.

Não digas, assim, que a propriedade não existe ou que não vale dispor disso ou daquilo.

Em verdade, devemos a Deus tudo o que temos, mas possuímos o que damos.


Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: "Livro da Esperança"
FEB - Federação Espírita Brasileira
1ª ed., 2015, Brasília/DF
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