quinta-feira, 16 de abril de 2026

AUTORIDADE E ALTERIDADE


O texto abaixo, explora a autoridade como um conceito fundamentado na identidade e na capacidade de criação, diferenciando-a radicalmente do autoritarismo e da anomia. O autor defende que a verdadeira autoridade exige o reconhecimento da alteridade, ou seja, do outro, estabelecendo um equilíbrio saudável entre a expansão e o limite. Enquanto o excesso de controle gera repressão e violência narcísica, a ausência de diretrizes resulta em irresponsabilidade e desintegração social ou psíquica. Utilizando analogias que variam da biologia à bioenergética, o autor argumenta que a maturidade humana depende da aceitação de funções distintas e da coautoria na vida. O texto propõe ainda que a liberdade real surge da consciência de inserção no mundo e do compromisso ético com as próprias ações. Eis o texto:


A questão de diferenciarmos a autoridade, tanto do autoritarismo quanto da falta de autoridade é fundamental em todos os níveis da nossa vida, marcadamente no espaço das relações pessoais, institucionais e sociais. A nossa própria evolução progressiva, sem ter-se claramente discriminado estas questões, sofre séria ameaça.

Nas relações societárias-institucionais históricas, podemos verificar a alternância dos extremos, entre as apresentações das ditaduras com os democratismos anômicos. O medo de uma, muitas vezes, leva reativamente a outra.

A autoridade se constitui enquanto autoria, vale dizer apossamento da criação, da obra criada, lugar de paternidade/maternidade. Interconexão de polaridades, conexão triádica, dois gerando o terceiro, onde a trindade se faz um. A autoridade necessita, para existir e ser reconhecida, de uma identidade, para poder falar de si. A identidade só se realiza na interação com a alteridade, no encontro com o distinto outro. Com os próprios olhos, podemos olhar o olhar do outro que nos olha em um reconhecimento mútuo.

Na realidade ocupamos tanto o lugar de criadores, como o de criaturas. A matéria prima é primeira em relação ao ato criativo. Só o Criador cria a partir do nada. Assim, num certo sentido, compreender a autoridade é conhecer a criatividade. Ambas implicam em sentimentos profundos e ambivalentes, que dever ser aceitos e acatados.

A autoridade baseando-se na identidade do ser em sua unicidade implica, necessariamente, na relação com a alteridade dos outros, em suas diferentes multiplicidades. Na constituição do sujeito, representa o reconhecimento da autoridade materna, na manifestação da forma e na autoridade paterna, na manifestação da força.

Em Análise Bioenergética, o Grounding (1) é o reconhecimento da alteridade da terra, com a autoridade da Lei, que aqui é a da gravidade. É ela que nos possibilita viver este grande acolhimento que nos proporciona, podendo assim nos entregarmos intensamente às nossas sensações telúricas. Ser livre é aquele que tem consciência de sua própria inserção, senão é perdição.

O extremismo da autoridade é o autoritarismo. É a falácia da impotência mascarada de onipotência narcísica. Masculino e feminino, fecundação e gestação são valores análogos com diferentes funções, que numa versão autoritária ou se nega as diferenças polares, geradoras do processo, ou se supervaloriza um dos pólos em detrimento do outro.

A negação da co-autoria, presente no autoritarismo, também se reflete na própria falta do reconhecimento de autonomia da obra criada, cidadã do mundo que é, vida que transborda no nascimento do filho. Através da negação perversa do outro polo se desconecta o triângulo simbólico. O autoritarismo, com seus delírios de grandeza, é o lugar de cobiça do trono Divino. É através do livre-arbítrio da criatura humana que se legitima Deus como autoridade não autoritária.

Já na outra extremidade do autoritarismo, negador do outro, temos na falta de autoridade a negação dela mesma, isto é, de si mesmo, como autor responsável pelo ato ou obra. Diz-se que filho feio não tem pai nem mãe. A negação é do amor vincular, da própria criação e da responsabilidade gênica. Aqui o processo é de nadificação (2) pela anulação retroativa na fuga da responsabilidade.

A falta da lei discriminadora que existe na anomia social, familiar ou institucional, leva a uma anulação da própria existência, possibilitando várias patologias em todos estes níveis. No plano individual, isto também é verdadeiro no organismo humano. A autoridade imunológica, por exemplo, implica no reconhecimento de identidades bioquímicas, na diferenciação do que é auto e do que é hetero. Assim, o autoritarismo imunológico se manifestaria nas hiper reações alérgicas. Já a falta do reconhecimento do que é próprio e do que é estranho estaria presente nas auto-imunes, auto-agressivas, como o Lupus. A anomia imunológica, com a falta de identificação, por outro lado, se manifestaria nas imuno supressivas como a Aids.

A pretexto de não reprimir, o absenteísmo irresponsável da falta de autoridade é destrutivo pela negação dos diferentes níveis das responsabilidades, uma vez que a ausência de contato, com sua consequente responsividade, inviabiliza o surgimento do limite apaziguador. A expansão aparente cronifica-se (3) em dissolução fragmentar, desconectando-se do movimento pulsatório da vida. A liberdade desnatura-se na falta de clareza dos lugares e funções, gerando angústias insuportáveis, aliviadas através das descargas dos acting-out psicopáticos, ameaçando a própria existência pessoal, familiar ou institucional.

A destrutividade autoritária que se dá pelo excesso, da aparente lei, através do esmagamento das diferentes partes do processo criativo, asfixia o espaço-tempo necessários tanto para a germinação quanto para a expansão e crescimento. Aqui ao invés de limite temos repressão coercitiva, contração crônica da vida, desenvolvendo tanto a paranoia persecutória, com o império do terror, quanto a obsessiva culpa depressiva, pela falta de correspondência ao modelo imposto.

Autoridade realmente é o motivo de força maior que se impõe naturalmente. Esta imposição tem vários nomes, tais como Real, Energia, Natureza, Fato (astrológico, histórico, social, psicológico etc.) que em última, ou primeira, análise remete-nos a autoridade máxima do Grande Criador. Este, dá-nos uma resposta trans-narcísica, respondendo sobre quem Ele é: “Sou o que Sou”. Só aqui o idem é absoluto. Só o próprio é que se vê, e é do próprio que se institui o auto.

É, portanto, só na relação com a alteridade, em suas diferenças, que se possibilita o equilíbrio pulsante entre contração e expansão, com a vida e o mundo. O alter, isto é, o outro, remete, inevitavelmente ao auto, o mesmo idem, isto é, o próprio. É o que é próprio ao ser que lhe possibilita responder, responsavelmente, por si, pela própria vida e pela sua própria sociedade. Assumirmos juntos a nossa construção criativa significa sermos inexoravelmente responsáveis por ela.


Benjamin Mandelbaum

Desconheço a fonte do texto.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/martelo-lei-justi%c3%a7a-malho-juiz-6485824/


Notas:

(1) A técnica de grounding (ou aterramento) é uma estratégia de regulação emocional que utiliza os cinco sentidos para ancorar a mente no presente, reduzindo ansiedade, estresse e crises de pânico. Ela ajuda a interromper pensamentos acelerados e a reconectar a pessoa com o corpo e o ambiente atual. (IA)

(2) Nadificação: Refere-se à capacidade da consciência humana (o "para-si") de introduzir o "nada" no mundo, negando ou desprendendo-se da realidade concreta para projetar possibilidades futuras. (IA)

(3) Cronificar: Significa tornar uma doença, sintoma ou condição de saúde crônica, ou seja, de longa duração ou permanente. É a evolução de um quadro agudo para um estado crônico. (IA)


Comentários deste blog +IA:

A diferenciação entre autoridade, autoritarismo e a falta de autoridade reside no equilíbrio entre a identidade do autor, a responsabilidade pela obra e a relação com o outro (alteridade).

Autoridade
A autoridade constitui-se como autoria, o que significa assumir a criação e o lugar de paternidade ou maternidade sobre algo. Ela fundamenta-se na unicidade do ser, mas exige necessariamente a interação com a alteridade (o encontro com o que é distinto) para ser reconhecida.

Características: Representa o reconhecimento da forma (autoridade materna) e da força (autoridade paterna).

Natureza: É uma força que se impõe naturalmente, como as leis da natureza ou da gravidade, permitindo que o indivíduo tenha consciência de sua inserção no mundo.

Equilíbrio: Proporciona um equilíbrio pulsante entre os movimentos de contração e expansão da vida.


Autoritarismo
O autoritarismo é o extremismo da autoridade, descrito como uma falácia onde a impotência se mascara de onipotência narcísica.

Negação do Outro: Ele nega a co-autoria e a autonomia da obra ou do outro, tentando ocupar um "trono divino" através de delírios de grandeza.

Mecanismo: Em vez de estabelecer limites, utiliza a repressão coercitiva e o esmagamento do processo criativo, o que asfixia o crescimento.

Consequências: Gera paranoia persecutória, império do terror ou uma culpa depressiva obsessiva por não se atingir o modelo imposto.

No plano biológico, assemelha-se a uma hiper-reação alérgica do sistema imunológico.


Falta de Autoridade
Situada na outra extremidade, a falta de autoridade é a negação de si mesmo como autor responsável pelo ato ou criação.

Absenteísmo: Manifesta-se como um absenteísmo irresponsável que, sob o pretexto de não reprimir, torna-se destrutivo por negar a responsabilidade e o contato.

Anomia: A ausência de uma "lei discriminadora" leva à anomia (social, familiar ou institucional), inviabilizando o surgimento de limites que tragam paz.

Consequências: Gera uma dissolução fragmentar da vida, angústias insuportáveis e descargas impulsivas (acting-out) que ameaçam a existência. Biologicamente, é comparada a estados de imunossupressão, onde não há identificação do que é próprio ou estranho.

Em resumo, enquanto a autoridade reconhece o "eu" e o "outro" de forma responsável, o autoritarismo esmaga o outro por excesso de controle. E a falta de autoridade anula o próprio "eu" por fuga da responsabilidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

LÓGICA


É muito comum pessoas que se dizem espiritualistas refutarem a lógica. Elas vêem na lógica um limite, pois, sendo Deus ilimitado, infinito, então, o conhecimento da divindade jamais poderá ser alcançado através dela.

Desta forma, eles olham os cientistas com desdém, como se dissessem: como eles podem ver o que vejo sendo tão limitados e estreitos? É interessante observar que são justamente estes tipos de devotos que sustentam todo tipo de superstição e desvario.

Tanto a ciência quanto a filosofia sempre incorporaram a intuição como ferramenta de conhecimento.

É verdade que o racionalismo é limitado. Einstein foi além porque era muito imaginativo e intuitivo. Nenhum cientista poderá ir muito longe, em suas pesquisas e deduções, se estiver apenas limitado em seu racionalismo. Mas, isto não significa uma via irracional.

Paradoxalmente muitos espiritualistas equivocados atacam o cartesianismo, rotulando-o de linear, “lógico”, cientificista e, assim, estreito. Entretanto, René Descartes, filósofo holandês do século XVII, não era materialista.

Descartes foi um marco no pensamento humano ao ajudar a destruir uma mentalidade retrógrada, resquício da Idade Média que imperava até então, sustentada pela superstição, libertando-nos dos dogmas estreitos e congelados no tempo.

Sem a contribuição de Galileu, Copérnico, Newton e do cartesianismo ainda estaríamos na idade das trevas.

É verdade que precisamos nos despojar de todos os conceitos que nos limitam, rompendo as “lógicas limitadas”, estabelecidas pelos homens, condicionadas pela cultura de um lugar e de uma época, mas ao fazê-lo encontramos uma lógica universal.

É inclusive aqui que os verdadeiros espiritualistas podem se apoiar e trazer a ciência oficial ao seu campo. A lógica não pode ser uma ferramenta que divida religião e ciência, mas ao contrário, o elo que as podem unir.


Hideraldo Montenegro



Fonte: do livro "A Ponte Cósmica"
Livro Rápido - Grupo Elógica
Olinda - Pernambuco - Brasil, 2005
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terça-feira, 14 de abril de 2026

É POSSÍVEL PARA OCIDENTAIS PRATICAREM YOGA


Yoga é ciência pura, e qualquer pessoa pode praticá-la, independentemente de raça, credo, nacionalidade, país, clima ou época.

Contanto que você veja um procedimento sistemático sendo seguido, você também verá que os resultados inevitavelmente virão.

Ocidente e Oriente não têm impacto sobre os resultados de uma prática adequada de yoga.

Contanto que você não se deixe influenciar pelas opiniões e hábitos dos outros e não seja afetado pelas rotinas daqueles ao seu redor, você é tão capaz de praticar yoga quanto qualquer pessoa que, nos tempos antigos, viveu fora da cidade.

Podemos praticá-la facilmente mesmo no século XX (ou XXI), em meio às ruas mais movimentadas de uma cidade ocidental.

Entendamos que yoga é a prática de neutralizar as impressões do ambiente em nossa mente e sintetizar as diversas energias e inteligências que atuam dentro de nós e se expressam através de nós.

A família é a verdadeira escola para a prática de yoga, e a sociedade é o verdadeiro campo de atuação para a escola de yoga.

Não encontraremos instituição melhor do que nossos próprios afetos, intelecto e energias.


Ekkirala Krishnamacharya



Fonte: do livro "Mensagens", vol. 3
Edições Dhanishtha
Barcelona / Espanha
www.edicionesdhanishtha.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/yoga-silhueta-mulher-relaxamento-544970/

A LINHA DA VIDA ETERNA


As medidas de segurança externas têm o seu lugar na vida.

Estamos constantemente desenvolvendo mais ferramentas e dispositivos sofisticados, o que nos dá a falsa impressão de que podemos confiar unicamente neles em momentos de necessidade.

Embora possa haver algo de verdade nisso, também devemos prestar atenção às nossas ferramentas internas.

Nosso alinhamento interno nos proporciona faculdades que dão também suporte aos processos e às demandas externas.

Trabalhar no equilíbrio interno de energias para manter a linha de vida eterna intacta, estável e calibrada é uma tarefa contínua.

Isso nos permite reduzir os obstáculos que nós mesmos criamos dentro e fora de nós, receber inspiração e orientação de nosso ser interior e estender pontes aos mundos sutis.

Assim nos permite reconstruir relacionamentos saudáveis ​​em vários níveis e em muitas áreas da nossa vida.

Essa conexão pode ser vista como um elo vital ancorado e eterno, que mantém conectividade ao longo das nossas vidas, tempo e espaço.


Composta por Ute e Peter Reichert


Fonte: "Circular de Vaisakh", Carta nº 12, ciclo 39, 2026
World Teacher Trust – España
www.wttes.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/chacra-alinhamento-arco-%c3%adris-8276326/

segunda-feira, 13 de abril de 2026

TRANSFORMAR A NATUREZA HUMANA EM DIVINA


Todas as almas nobres transmitiram ensinamentos sagrados, destacando a importância de “amar a todos”. Elas não pregaram o ódio. Deus jamais diria a alguém para tirar a vida dos seus semelhantes. Ninguém tem o direito de matar outra pessoa, pois o mesmo Atma, o mesmo Ser Interno, está presente em todos. No entanto, em nome de Deus, se cometem crimes abomináveis, o que não é nada bom. Amem a todos, sirvam a todos. Embora não se possa agradar sempre, é possível falar sempre de maneira agradável. Não existe Deus maior que o Amor. O Amor é Deus, Deus é Amor. Vivam no Amor. Eliminem as más qualidades. Pessoas de mente estreita tentam atribuir a Deus a sua própria mesquinhez. Isso é sinal de ignorância; não deem ouvidos a tais pessoas. Tenham fé no seu próprio Ser Interno; caso contrário, não poderão amar a Deus. As falhas no sistema educacional moderno contribuem para a diminuição do amor nas pessoas, enquanto o ódio cresce a cada dia. O ser humano está se esquecendo da verdade e, consequentemente, se sujeitando ao desastre. Ao desenvolver tendências animalescas, esquece a sua própria natureza humana. A verdadeira espiritualidade consiste em destruir as tendências animalescas e transformar a natureza humana em divina. É impossível alcançar a divindade sem antes se libertar da animalidade. (Discurso Divino, 25 de dezembro de 2001)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/m%c3%basica-cora%c3%a7%c3%a3o-amor-clave-de-sol-10065141/

O CHAMADO À PLENITUDE


O chamado, o destino que ouvimos de São Paulo, não é um chamado para encaixar momentos religiosos em nossas agendas lotadas, como se estivéssemos tomando um pedacinho de algo precioso. O chamado é para entrar plena e completamente, sem reservas, sem considerar o custo, na verdade que nos capacita para a nossa plenitude humana, em total confiança — o que significa confiar para amar e ser amado.

Novamente, devemos lembrar que não estamos falando de uma doutrina elitista. Este chamado, este destino, é alcançável para cada um de nós. Tudo o que precisamos fazer é nos comprometer com o caminho, com a prática. E a prática desta tradição — e não deixem que nada os distraia disso — é proferir a sua palavra (*) do início ao fim com fidelidade cada vez maior. Esta verdade sobre o nosso destino não só está ao nosso alcance, como é o fundamento de toda a realidade. Para alcançar essa realidade, precisamos aprender a ser simples, a aquietar-nos, a silenciar.

Esses são os elementos da oração, e orar é estar atento — atento à suprema realidade da presença de Deus, ao Seu Amor, em nossos corações. Portanto, precisamos aprender a parar de pensar em nós mesmos. Precisamos simplesmente aprender a ser, o que significa estar plenamente atentos à presença de Deus, à presença Daquele que é e que é o fundamento do nosso ser e de todo o ser. Precisamos aprender a não temer ao embarcarmos nessa jornada, ao renunciarmos a nós mesmos para encontrar o outro. Precisamos aprender a não temer nem duvidar. O Espírito está em nossos corações, o Espírito ao qual nos abrimos em meditação, o Espírito de compaixão, de gentileza, de perdão, de aceitação total, o Espírito do Amor.

Para que nossas vidas sejam plenamente humanas, precisamos encontrar o Espírito do Amor dentro de nós. Esta não é uma jornada apenas para especialistas. É uma jornada para todos viverem a vida ao máximo.

“Oro para que os olhos do vosso coração sejam iluminados, a fim de que conheçais a esperança para a qual ele vos chamou, as riquezas da glória da sua herança nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos.” Efésios 1,18-19

A meditação é o grande caminho para a confiança. Sentamos, aquietamos, recitamos nosso mantra (*) com maior convicção e entregamos nosso ser a Deus. Fazemos isso todas as manhãs e todas as noites de nossas vidas, e aprendemos a viver pela confiança, pelo Amor que nos é revelado pela fé e que nos liberta.


John Main, OSB


Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECE EM SEU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/monge-medita%c3%a7%c3%a3o-sabedoria-budismo-2891611/


Notas:
(*) CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

(*) JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

(*) Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação.

ACONTECIMENTOS IMPREVISTOS


Enquanto a barca da reencarnação navegava nas águas tranquilas do prazer, todos os acontecimentos eram enriquecidos pelos sorrisos, pela imensa alegria de viver. Tinhas a impressão de que te encontravas no verdadeiro paraíso, sem maiores preocupações com o processo da evolução.

Inesperadamente, porém, foste surpreendido por ocorrências imprevistas e te encontras tomado de surpresa e desencanto, acreditando-te desamparado e sem o socorro da Divina Providência.

Sucede que a Terra é escola abençoada que faculta o progresso intelecto-moral dos Espíritos que nela se reencarnam. Invariavelmente são devedores das Leis Soberanas da Vida que desfrutam da oportunidade feliz de reparação dos desvios que se permitiram em existências anteriores.

Tais sucessos imprevistos objetivam convocá-los para a reflexão e a libertação dos encantos do prazer, ensinando-os a encarar a transitoriedade do corpo ante a realidade de seres imortais que são.

Nesse sentido, o sofrimento se apresenta como benfeitor, por despertar a consciência adormecida e propor-lhe a visão correta para o comportamento durante a existência.

Não poucas vezes, tudo parece transcorrer normalmente; estão programadas pelos cuidados pessoais as metas para o futuro, e, de surpresa, desencarna um ser querido, deixando soledade e amargura.

Noutras ocasiões, os negócios que funcionavam em ordem sofrem alteração e a empresa muito bem estruturada decompõe-se e cerra as suas portas.

Certos dias apresentam-se assinalados por desencantos, e a afetividade, que parecia preencher os espaços emocionais, experimenta choques variados, com resultados de desalento e de dor.

Em momentos outros, enfermidades degenerativas ou simplesmente vigorosas apresentam-se com volúpia e produzem debilitação das forças numa conspiração aparente contra o bem-estar e a harmonia do organismo.

Repentinamente surgem conflitos que se ignoravam e transtornos emocionais sacodem o indivíduo, ferem a alegria e perturbam a emoção.

Sempre surgem em todas as vidas esses fenômenos inesperados, porque fazem parte do programa de iluminação da Humanidade.

Ninguém que se encontre indene (livre de) à sua ocorrência. Eles se apresentam e esperam ser bem recebidos, mesmo marchetando a alma e retirando a aparente tranquilidade.

O físico é o mundo das ilusões e das fantasias.

O espiritual é aquele de onde se procede e para onde se retorna.

A vida na Terra expressa-se conforme o nível de consciência e de evolução de cada criatura.

Resultado das ações anteriores, as ocorrências têm lugar conforme a origem e sempre proporcionam recursos de transformação moral.

Dessa forma, exercita o desapego de tudo quanto te retém na retaguarda.

Começa a libertar-te das coisas e questões que não podes conduzir para sempre.

Treina a simplicidade de coração e a fraternidade legítima, reparte com o teu próximo tudo quanto representa excesso e que o egoísmo retém, em mecanismo de precaução para o futuro.

A sede de prazeres e a ânsia de poder constituem grandes adversários do processo autoiluminativo, retêm o indivíduo nas paixões imediatistas, o que o impede de viver as saudáveis experiências da renúncia e da abnegação.

Qualquer forma de apego é prejudicial ao Espírito, que se deve descondicionar das falsas necessidades que a modernidade impõe.

O essencial é sempre menos volumoso e significativo do que o secundário, que se apresenta como de grande importância. O seu valor, porém, é atribuído por aquele que se lhe agarra, destituído, no entanto, das qualidades que lhe são concedidas.

Espera da existência todos os tipos de acontecimentos, especialmente esses que mortificam pelo despreparo para o seu enfrentamento.

Quando se pensa na própria fragilidade, no fenômeno da morte, que exige apenas uma condição, que é estar no corpo físico, robustece-se a coragem e a fé amplia-se na direção do futuro, tornando-se uma couraça protetora que nada consegue penetrar de forma prejudicial.

Comportamento de tal natureza pode ser considerado como a busca da Verdade, a que se referiu Jesus, quando informou: Buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça e tudo mais vos será acrescentado.

Pilatos Lhe havia interrogado o que era a Verdade. Teria, porém, condições para a entender, atropelado pelos interesses doentios do poder temporal, das paixões de raça e dos caprichos da governança? Jamais lhe ocorreu que estava sobre areia movediça que o tragou depois da morte do imperador Tibério, quando então foi mandado para o exílio, no qual se suicidou.

Assim sucede com os enganos que o ego engendra e o ser se aferra, que preserva as ilusões por falta de coragem e estrutura moral para enfrentar a realidade na qual se encontra e procura não se dar conta.

Assim sendo, não consideres como infortúnios os acontecimentos imprevistos que te convoquem a mudanças radicais de conduta para melhor.

O Reino dos Céus está entre vós - enunciou Jesus.

E necessário ter-se olhos de ver e ouvidos de ouvir para deixar-se penetrar pela sua realidade e incorporá-la ao cotidiano.

Supera as fantasias da mente, disciplina o pensamento, de modo que o conduzas de forma edificante e prazenteira para toda a existência, assim como para depois da desencarnação, quando despertarás conforme és, e não com o que reuniste e fixaste como de tua posse.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis


Fonte: do livro "Seja Feliz Hoje"
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
Salvador/BA
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/tristeza-trauma-pesar-dor-m%c3%a1goa-9131446/

sábado, 11 de abril de 2026

MEDITAÇÃO CONTEMPLATIVA


Toda a harmonia de sua vida e o sucesso das atividades de sua vida dependem de sua lembrança e prática de meditação.

Uma meditação deve ser direcionada para a realização da Unidade com Deus. Você não deve estar pensando em qualquer demonstração desejada, ou em qualquer bem desejado em sua vida, em qualquer pessoa, circunstância ou condição específica. Toda a sua atenção deve ser dada à Realização de Deus, sempre tendo em mente que o Reino de Deus está dentro de você, nem aqui nem lá, mas dentro de você. Você nunca vai encontrá-lo procurando-o em qualquer outro lugar que não seja dentro do seu próprio Ser.

Uma vez que você perceba que o que você está procurando está dentro, você dará toda a sua atenção, pensamento e atividade a esse ponto dentro de você: não dentro de seu corpo, mas dentro de sua Consciência. Não pense em nenhuma parte do seu corpo, de qualquer órgão ou função do corpo: pense apenas em algum ponto da sua Consciência e lembre-se de que em algum lugar existe um ponto de contato, um ponto em que você e seu Pai se tornam conscientemente Um. Você e seu Pai já são Um, mas essa relação de Unidade não é benéfica para você, até que haja uma percepção consciente disso.

Há demasiados alunos que, porque foram ensinados que "Eu e o meu Pai Somos Um" e que eles são Filhos de Deus, acreditam que isto é tudo o que é necessário para trazer harmonia à sua experiência. Isso não é verdade. Deve haver um contato real; deve haver uma Experiência Real de Unidade. Algo deve ocorrer dentro deles que traga a certeza de que eles perceberam a Presença.


Joel Goldsmith



Fonte: do livro "Vida Contemplativa"
Tradução: Giancarlo Salvagni
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/lua-mulher-silhueta-medita%c3%a7%c3%a3o-1815984/

AUXILIARES VISÍVEIS E INVISÍVEIS


Um princípio básico da natureza é proteger e preservar aqueles que são justos e vivem segundo a Lei. A Hierarquia Espiritual está por trás dos nossos esforços, se pretendemos voltar-nos para a Luz e integrar-nos com o Divino. A mera intenção já nos dá força. No início, provavelmente não seremos capazes de reconhecer a ajuda que recebemos dos Irmãos Maiores da humanidade. Apenas em fases mais avançadas, podemos olhar para trás como se estivéssemos sob uma luz forte e ver em que situações a Hierarquia nos ajudou. Diz-se que são necessárias doze vidas para sermos capazes de reconhecer plenamente sua ajuda. Podemos aceitar a sua ajuda com gratidão e sempre nos realinharmos com o Divino.

Podemos nos abrir a isso e sentir como o Divino está agindo e permeia tudo. Essa abertura é como a abertura de uma Flor de lótus pela manhã. Podemos sugerir isso mentalmente e preparar nossa mente com uma atitude de receber. Nesta prática, voltamo-nos para o nosso interior todos os dias, pela manhã e noite, olhamos para o Mestre e dizemos: “Mestre, Namaskaram”. "Namaskaram" é uma expressão de gratidão pela visita da energia do Mestre dentro de nós. Então ele nos guia a partir de nosso íntimo. Isso acontece com quem já passou por essa experiência. Como um ato de gratidão, também invocamos os Mestres que são responsáveis ​​pelas energias que nos chegam. Assim, nos conectamos com a Hierarquia dos Mestres.

Gratidão a todos aqueles que nos guiam visivelmente e invisivelmente é muito importante e fortalece o vínculo com eles. Por meio da nossa conexão, desenvolvem-se dentro de nós a aspiração e a vontade de nos transformarmos. A energia psíquica do Mestre é inesgotável; pode levantar nosso espírito cansado. O Mestre ou o Divino inspira nossa vontade; mas depende de nós aplicar a inspiração que vem de dentro. Se dependermos demais dos Grandes Seres e esperamos que eles façam as coisas por nós, estamos sujeitos ao engano. Krishna não lutou por Arjuna; Arjuna teve que fazer isso sozinho. Krishna instruiu quando ele pediu sua ajuda. O Divino só nos guia quando solicitamos. Cabe a nós trabalhar e executar nossas tarefas. Gratidão e sentimento de conexão não criam dependência. À medida que avançamos pelo caminho, a ligação com os Mestres se transforma em gratidão por meio do aumento de suas bênçãos.

Se sentirmos que estamos sendo guiados, não devemos permitir que haja dúvida em nossos pensamentos. Devemos ser gratos e não dizer uma só palavra sobre isso. À medida que nossas capacidades aumentam, a atitude deve ser a de encarar isso não como mérito nosso, mas como graça que flui através de nós. Normalmente, quando temos sucesso, nos sentimos bem. Mas devemos lembrar que isso nos foi dado pelo Divino. Geralmente nos esquecemos disso e reclamamos do que nos falta. Nossas queixas, porém, impedem o Divino de nos ajudar. Mestre Morya disse: "Seja grato pelo que você tem; isso lhe foi dado." Não nos importamos com aquilo que nos foi dado e buscamos sempre o que não nos foi dado. Por essa razão, o Mestre disse: "Não reclamem da vida. Vocês são filhos amados de Deus. Tudo lhes foi dado e sempre reclamam."


K. Parvathi Kumar


Fonte: "Mensageiro Lunar do Círculo da Boa Vontade", Áries,2017
www.worldteachertrust.org/
www.edicionesdhanishtha.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/meditar-medita%c3%a7%c3%a3o-asi%c3%a1tica-mestre-2026706/

sexta-feira, 10 de abril de 2026

OBSTÁCULOS NO CAMINHO ESPIRITUAL


Desde há eternidades sem conta que partimos do seio do Pai até chegarmos onde estamos. Por isso, brota das profundezas de nossa Alma o anseio inconsciente de retornar à Casa Paterna. Daí a razão oculta da dor que assalta todo o discípulo nessa etapa da sua evolução.

Ele não é mais um homem comum, mas também não é ainda um ser totalmente liberto. Às vezes, a incerteza e a dúvida turvam a sua mente. É necessário atravessar essa ponte e refletir profundamente sobre os princípios em que se apoia a Sabedoria Oculta. Pode acontecer que ímpetos inesperados façam avivar as cinzas do passado, manifestando alguns resquícios negativos que ainda sobrevivem e precisam ser superados. Mas o discípulo deve fortalecer cada vez mais a sua fé inabalável e vencer qualquer obstáculo que ainda sobreviva no seu coração, porque de fato ele é potencialmente um Vencedor do Ciclo, é alguém que se destacando da multidão enfrenta e vence os obstáculos a caminho de ser laureado com a coroa dos Heróis da Evolução.

O Caminho da Verdadeira Iniciação está repleto de obstáculos o que impõe a necessidade da atenção e observação permanentes, pois diante do Peregrino da Vida de uma forma ou de outra apresentam-se sempre muitos instrutores, gurus e as falsas veredas que não conduzem a nada. Um falso instrutor é como um cego querendo guiar outro cego. Portanto, seguir no caminho certo poupar-nos-á muitos transtornos e contratempos.

Para aqueles que são prudentes e praticam a Meditação, não haverá dificuldade em acertar no verdadeiro objetivo da Iniciação, e assim não perderão o seu precioso tempo com fantasias e ilusões a que todos estão sujeitos.

Os Grandes Mestres e Rishis (sábios védicos) que nos antecederam no Caminho devem servir de espelho e exemplo para a nossa conduta e construção do carácter, tendo sempre em mira que o maior Mestre é o Eu Superior, o nosso Amigo inseparável que reside no nosso coração e nunca nos abandona por mais difícil que seja a situação em que a vida nos colocou, conduzindo-nos ao que somos hoje. Devemos estar atentos à sua voz silenciosa, porque somente Ele pode nos conduzir sem desvios para a meta final.

Segundo informações dos Adeptos, é impossível, usando-se o Mental Concreto, descrever o estado de ser de um Iluminado, porque segundo eles esse estado da Alma Iluminada pela Luz de Budhi (discernimento espiritual) não pode ser descrito, mas apenas sentido pelos princípios interiores através de experiências diretas pessoais.

Para se poder aquilatar o que se passa nos níveis superiores da consciência, é preciso saber que o Adepto Perfeito é aquele que tem os seus cinco veículos perfeitamente equilibrados e desenvolvidos. Os seus veículos Físico, Astral, Mental, Búdhico e Átmico estão funcionando com todas as suas potencialidades desenvolvidas, o que lhe possibilita operar em todos os Planos da Natureza com total desenvoltura e liberdade de ação. Basta o Adepto focalizar a sua consciência em qualquer um dos seus veículos para poder atuar no Plano correspondente. Esses sublimes Seres têm a consciência estado de Samadhi (supra consciência, êxtase) focada nos Planos Superiores da Manifestação. Quando têm que realizar algum trabalho nos Planos inferiores fazem-no, embora isso represente para eles um doloroso sacrifício. Desse modo, todos os cinco Planos do nosso Sistema Planetário estão dentro da órbita da sua atividade e formam o campo onde atuam para a execução da programação da Ideação Cósmica. Sem a presença desse Seres as coisas aqui no Mundo das Formas seriam bem mais difíceis e complexas. Sem ferir a Lei do Karma, eles trabalham no sentido de aliviar as dores do Mundo.


Roberto Lucíola



Fonte: Comunidade Teúrgica Portuguesa – Caderno Fiat Lux nº 41
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quinta-feira, 9 de abril de 2026

HABITANTE DO LIMIAR - O GUARDIÃO


A sensação de insegurança, um aspecto tão angustiante da desordem atual, deve-se simplesmente à destruição do antigo senso de valores, ao desvanecimento do glamour que agora revela um panorama desconhecido, e ao medo e à instabilidade que o homem sente ao se deparar com o "Habitante do Limiar" (*) global.

Isso precisa ser desintegrado e destruído, pois bloqueia o caminho para o novo mundo dos valores.

A grande forma-pensamento que a ganância e o materialismo do homem construíram ao longo dos tempos está sendo constantemente demolida, e a humanidade está à beira de uma libertação que a levará ao Caminho do Discipulado.

Aqui, não me refiro à libertação final, mas àquela que vem de uma escolha livre, sabiamente usada e aplicada para o bem de todos, e condicionada pelo amor.


Alice A. Bailey


Fonte: do livro "Um Tratado sobre os Sete Raios", v.1, Psicologia Esotérica
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(*) O "Habitante do Limiar" (ou "Guardião do Limiar") é uma figura esotérica e psicológica, descrita na literatura esotérica como uma representação da "sombra" — o conjunto de aspectos sombrios, negativos ou não resolvidos da psique que surge durante o desenvolvimento espiritual. Ele marca a transição entre o consciente e o inconsciente. É ainda definido como uma imagem espectral ameaçadora que confronta o "estudante do espírito" ao ascender para níveis superiores de conhecimento, sendo um conceito central na obra de Rudolf Steiner. Pode-se afirmar que representa o medo e a negatividade que bloqueiam o crescimento pessoal, a "sombra" de um indivíduo. Segundo Austin Osman Spare, os "Habitantes do limiar" são vistos como agentes que, ao serem confrontados, "dão à luz o desejo mágico". Representa o estado de estar entre dois mundos, uma abertura para o agir ético e a possibilidade de se tornar o que ainda não é. Enfim, é um conceito que também pode ser interpretado como um "Guardião do Limiar", uma figura que protege o portal entre o mundo físico e os mundos espirituais, exigindo purificação e autoconhecimento de quem deseja atravessá-lo. (Wikipedia e IA)

A DETERMINAÇÃO É A CHAVE PARA O SUCESSO


Em todas as áreas de nossas vidas, a determinação é, sem dúvida, a chave para o sucesso. E no contexto do nosso crescimento espiritual, sem determinação não podemos nos transformar, mudar ou seguir em frente.

De uma perspectiva espiritual, a determinação não tem nada a ver com forçar ou pressionar para que algo aconteça, visto que tais atitudes não produzirão resultados positivos em nós. Pelo contrário, ao percebermos que não estamos alcançando nossos objetivos, o desânimo pode ser a consequência de tais esforços. Portanto, não podemos forçar nossa mudança interior.

Determinação significa aumentar o poder e a capacidade dos seus pensamentos. Significa que, quando crio o pensamento de que algo precisa mudar dentro de mim, que preciso deixar algo para trás e cultivar algo para viver mais plenamente, esse pensamento é colocado em prática.

Às vezes, as coisas podem parecer muito grandes e difíceis de alcançar, mas, sem forçar ou pressionar, se mantivermos a determinação e a paciência, e sem nos apegarmos à ideia de que aconteçam imediatamente, percebemos que elas se concretizam de forma muito natural.

A determinação reside na energia do pensamento. O pensamento é tão puro e focado que toma forma prática.

Com a determinação, também desenvolvemos confiança e evitamos o desânimo. O que desejamos que aconteça, acontecerá no momento certo. Se nossos pensamentos estiverem alinhados conosco, com os outros e com Deus, então nada é impossível. Acontecerá. É a certeza e a confiança de que este é um pensamento correto e puro e, portanto, tomará forma prática.

A determinação provém da convicção serena e profunda de que nada nem ninguém pode me impedir de assumir as rédeas da minha consciência, do meu ser, e de rumar para o destino espiritual ao qual me comprometi: o destino da paz, da liberdade e da plenitude.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.py
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CONDIÇÕES APARENTEMENTE OPOSTAS


Para dissipar a escuridão da tristeza, é preciso acender a lâmpada da felicidade. Para expulsar a escuridão da doença, deve-se instalar a luz da saúde. Para superar a escuridão das perdas e fracassos, é necessário deixar entrar a luz da prosperidade. Essas condições aparentemente opostas não são totalmente separadas umas das outras. Elas estão inter-relacionadas. Vê-se que no mundo prevalecem o calor ou o frio. Eles parecem ser opostos entre si. No entanto, de acordo com a situação existente, ambos são proveitosos para o ser humano. Durante o tempo frio, o calor é bem-vindo. No verão, deseja-se o frescor. Por conseguinte, está claro que tanto o calor quanto o frio são úteis e não prejudiciais ao ser humano. Da mesma forma, a alegria e a tristeza, a perda e o ganho são benéficos e não hostis a ele. Se não houvesse tristeza, não se poderia conhecer o valor da felicidade. Se não houvesse escuridão, não se conseguiria apreciar o valor da luz. Portanto, a escuridão é necessária para que se perceba a grandeza da luz. (Discurso Divino, 5 de novembro de 1991)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
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A CONSCIÊNCIA TRANSFORMADORA É O RESULTADO DA MEDITAÇÃO


Pesquisas recentes demonstraram a existência de uma série de processos no cérebro humano que facilitam o acesso a estados elevados de consciência. A sequência que ocorre é a seguinte: o córtex pré-frontal, envolvido na atividade de pensamentos, imagens e devaneios, é também a área do cérebro onde se localizam os processos atencionais (*). Quando focamos nossa atenção em um único ponto, por exemplo, na repetição de um mantra (**), estimulamos uma maior atividade nas células da atenção. À medida que esse foco se desenvolve e se aprofunda, a atividade das células envolvidas em pensamentos e imagens, ao contrário, diminui consideravelmente; isso se reflete em uma diminuição das ondas beta, as ondas do pensamento, ou seja, a parte “ego” da nossa consciência. A atenção prolongada em um único ponto também ativa células no lobo temporal, e o aumento dessa atividade, por sua vez, desencadeia mudanças no sistema límbico, uma região do cérebro envolvida em respostas emocionais, permitindo assim uma mudança do sistema nervoso simpático (luta ou fuga) para o sistema nervoso parassimpático (relaxamento e calma), ou seja, uma “resposta de relaxamento”. A emoção do medo, que se expressa na resposta energética de sobrevivência de “lutar ou fugir”, transforma-se numa resposta de aceitação, relaxamento e serenidade — a “resposta de relaxamento”. Essas mudanças refletem-se num aumento das ondas alfa e teta. (Dra. Shanida Nataraja)

No entanto, isso é apenas o começo. À medida que a meditação (***) se aprofunda, a "resposta de relaxamento" também se torna mais intensa.

Esse aprofundamento, por sua vez, tem um efeito colateral: uma diminuição da atividade no córtex parietal, a área do cérebro envolvida na orientação no tempo e no espaço, bem como na criação de limites: o eu, o não-eu e o mundo dos opostos — em grande parte qualidades do “ego”. A diminuição da atividade nessa área, e, portanto, dessas capacidades, explica por que ocorre uma dissolução da percepção da identidade separada, das noções de tempo e espaço, e por que os opostos se unificam.

Portanto, vemos como os seres humanos são programados não apenas para vivenciar a realidade cotidiana, mas também para acessar estados superiores de consciência. (“O Cérebro Feliz: Provas Neurocientíficas do Poder da Meditação”)

Ao desenvolvermos a atenção plena, modificamos nosso cérebro para perceber a realidade de forma diferente. Nosso cérebro é um "receptor" maravilhoso, um dom de Deus, que nos permite alternar entre diferentes modos de percepção e, portanto, acessar diferentes níveis de realidade.

A atenção amorosa à nossa oração nos permite sintonizar com a Realidade Divina, que é Amor. Perdemos a sensação de separação e isolamento, que reside no hemisfério esquerdo do cérebro, a sede do ego. A atenção plena ao nosso mantra nos permite — nas palavras de Jesus — "deixar o eu para trás". Em vez disso, tomamos consciência da nossa interconexão com os outros e com a amorosa Realidade Divina, e sabemos que somos verdadeiramente "Filhos de Deus".

Essa consciência transformadora é o resultado da meditação como disciplina espiritual.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/yoga-buda-divindade-shiva-agua-386611/



Notas:

(*) "Atencional" é um adjetivo relativo à atenção, descrevendo processos, mecanismos ou capacidades de foco cognitivo, como em "capacidade atencional". Ele se refere à habilidade do cérebro de selecionar, processar e manter o foco em estímulos específicos, sendo fundamental para o aprendizado, memória e eficiência no trabalho. (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

(**) CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

(**) Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação.

(***) JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

segunda-feira, 6 de abril de 2026

UNIVERSO DÍNAMO MENTAL


(...) Procuro mostrar-vos que o Poder Mental existe em Toda parte e se manifesta em todas as atividades do universo. “Em todas as atividades do universo?" — direis. — "Certamente não incluís a atividade física e a energia, tais como as forças naturais etc.!” Sim, quero dizer justamente isto! “Como pode ser isso?" —perguntareis. — "Que é que tem o Poder Mental com a eletricidade, a luz, o calor, o magnetismo, a gravitação etc.?”

Em minha opinião, há muita relação entre essas coisas. Explicar-vos-ei isto em poucas palavras (...): todas as formas de energias físicas naturais ou forças conhecidas como luz, calor, eletricidade, magnetismo etc., são reconhecidas pela ciência como força de energia que nascem da vibração das partículas de matéria. Ora, que é que causa as vibrações? O movimento das partículas, sem dúvida! O que é que faz as partículas manifestarem entre elas esta atração e repulsão umas para com as outras? Aqui é onde tocamos o âmago da matéria; prestai-me bem atenção ! Vimos que as partículas se atraem e repelem umas às outras, pela forma de “simpatia”, amor” e “ódio”, “prazer” e “repulsão”, “experiências agradáveis ou desagradáveis” que têm semelhança, embora longínqua, à “sensação” etc. E estas atrações e repulsões são consideradas resultado da “capacidade de experimentarem sensações” e do poder de “responderem às sensações” e responderem a elas é manifestação de mentalidade, que Haeckel comparou com “desejo” e “vontade”. E se a mentalidade é a causa das sensações e das respostas a elas, estas são as causas das atrações e repulsões; e estas são as causas do movimento de um lado para outro das partículas da matéria; e este movimento, por sua vez, é a causa das vibrações; e as vibrações são as causas das manifestações de luz, calor, eletricidade, magnetismo etc. Portanto, não tenho razão ao afirmar que a mente e o Poder Mental são as forças motoras de toda energia física?

E não estou justificado supondo a existência de um princípio mental dinâmico universal? Digo-vos, amigos, que o futuro mostrará que este princípio mental dinâmico é a fonte de energia e que a energia não é a fonte da mente ! Sei que isto é revolucionário, mas creio que responderá às exigências do futuro. Por muito tempo afirmei isto (...). Desde o princípio, senti a picante apreciação das palavras de Galvani, quando disse, amargamente: “Sou atacado por duas seitas muito opostas: a dos cientistas e a dos ignorantes; ambos riem de mim, chamando-me o mestre da dança dos reis, mas eu sei que descobri uma das maiores forças da natureza.”

(...) em conclusão, peço-vos formar uma imagem mental deste grande princípio dinâmico universal que penetra todo o espaço, está imanente em todas as coisas e se manifesta em uma variedade infinita de formas graus e fases.

Podemos pensar nele somente por meio de símbolos. Consideremo-lo, então, um grande OCEANO de Poder Mental dinâmico que vive, palpita, pulsa e pensa. Nas profundezas deste Oceano de Poder Mental há quietação, calma e paz: o conjunto do poder latente e da energia potencial. Na sua superfície há ondas, vagas, grandes movimentos de energia, correntes, voragens, redemoinhos, fases de furiosa tempestade, alternando-se com fases de calma e quietação. E das profundezas deste Oceano de Poder Mental emerge todo poder mental e físico e para as mesmas profundezas deve voltar. E neste Oceano há um infinito armazém de energia, do qual pode ser tirada aquela de que os centros humanos de consciência e poder necessitam, quando aprenderem o segredo. Este Oceano de Poder Mental é vossa única fonte de energia dinâmica e temos à nossa disposição a quantidade desta força, que podemos transportar nos canais de suprimento. É o uso deste poder que chamamos Mentação Dinâmica.

Compreendeis, agora, o que quero significar pelo Princípio Universal do Poder Mental Dinâmico: Este Universo Dínamo Mental?


William Walker Atkinson


Fonte: do livro "Magia Mental"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/trabalho-em-equipe-tecnologia-9831628/