quarta-feira, 24 de junho de 2026

RENOVAÇÃO: NADA É MAIS CERTO DO QUE A MUDANÇA


“E não vos conformeis com este mundo; mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12,2).

Quando nascemos neste Mundo Físico, todos e cada um estamos dotados de grandes forças e poderes potenciais. É nosso dever, assim como também nossa oportunidade, desenvolvê-los durante nossa vida aqui na Terra, e utilizá-los em nosso caminho para cima na perfeição; nossa jornada de retorno para Deus.

Quando vemos o diminuto, terno e quase desemparado corpo de uma criancinha é difícil imaginar a esse ser humano totalmente crescido e apto para usar livre e poderosamente seu ágil organismo. No início de nossa existência terrena há pouca evidência dos poderes latentes espirituais e morais nesse pequeno ser, porém, embora invisíveis, estas forças estão prontas para manifestar-se a seu devido tempo.

O corpo físico se renova a cada sete anos, e analogamente podemos concluir que nossos outros veículos mais sutis, internos, terão que ser renovados. É a presença destes poderes latentes que torna possível a evolução. Conforme renovamos nossos Corpos de Desejos (astral), e os redirigimos, podemos mudar e enriquecer totalmente nossa existência e fazer com que o exemplo de nossa vida se reflita nos Mundos Superiores. Quando nossa Mente muda para melhor, mais primorosos e amplos horizontes se descortinam ante nós.

Quando estas forças ocultas dentro de nós são liberadas, podem ter um efeito tremendo, como poderemos compreender se testemunharmos as grandes forças que hoje os cientistas liberam do minúsculo e invisível átomo.

Para a maioria da humanidade, em nosso estado evolutivo atual, o caminho da evolução não vai para cima em linha reta; há muitos altos e baixos neste caminho, porém tudo faz parte de uma evolução em espiral. Sabemos que na natureza nada permanece estacionado e nós mesmos temos que subir ou descer; não há nada em estado permanente.

“Nada é mais certo do que a mudança”. Temos que escolher, e é por um esforço determinado da vontade que devemos determinar, cuidadosamente, o caminho que devemos percorrer. Depois que a escolha houver sido feita, o investigador da verdade se esforça, conscientemente em trabalhar com as forças ocultas. Ele faz com que cada um de seus propósitos seja para progredir pela sistemática e individual concentração e meditação. E por uma cada vez mais minuciosa observação de si mesmo, de seu meio ambiente, e se adquire o discernimento pela contemplação consegue a paz e o equilíbrio. Finalmente, aquele que chega ao ponto em que sente verdadeiramente adoração adquire a compreensão da fonte de toda a criação.

O aspecto mais valioso de todas as coisas é a possibilidade de sua mudança para melhor; a potencialidade para compreender e a realizar a verdade. Existe em toda a criação um movimento contínuo para a perfeição. Na Filosofia Rosacruz nos é ensinado que a humanidade pode obter o acesso para a perfeição com a ajuda daqueles que, antes de nós, tomaram este caminho: nossos Irmãos Maiores, os Anjos e os Arcanjos que estão todos empenhados no progresso humano.

A habilidade criadora é inerente ao ser humano, e este foi feito à imagem e semelhança de seu Criador, e vive, se move e tem o seu ser no Pai. Com o auxílio da oração e da meditação, ele tem o poder de abrir-se às benéficas influências do universo. Nosso sistema planetário com tudo o que está acima e dentro dele provém do Sol, e o ser humano recebe seu impulso espiritual e ética por meio dos raios espirituais que emanam do Espírito que vive oculto da órbita física solar. Depende muito da habilidade do ser humano para reacionar a estas emanações. Tem que saber como receber esse bem que está em todo nosso redor e deve desejá-lo intensamente antes que lhe seja possível utilizar essas forças superiores conforme lhe chegam. Em resposta à sua própria busca, assim como pede, o receberá.

Os raios que vêm do Sol transmitem iluminação espiritual; aqueles que nos são enviados pelos Planetas promovem inteligência moral e crescimento anímico, e os raios refletidos por nosso satélite, a Lua, são responsáveis pelo crescimento físico.

Com todo o auxílio voluntário daqueles que partiram antes de nós, e com todas as forças e emanações que constantemente circundam nossa Terra, os seres humanos não se convertem em Anjos apenas por terem vivido uma vez em nosso Planeta e depois entrar no céu pela porta da morte. Em nossa evolução cíclica temos que retornar muitas vezes à Terra. A humanidade avança continuamente, todavia são necessários muitos renascimentos, e temos que viver, atuar e aprender neste nosso plano de ação.

Progredimos constantemente, de vida em vida. Conforme mudam os costumes sociais e ambientes físicos, de idade em idade, voltamos a estar em contato com a vida em cada novo meio-ambiente e, com o auxílio e guia de Grandes Inteligências, encontramos condições e circunstâncias que são úteis a nós na obtenção de experiências necessárias. Deste modo temos uma oportunidade para desemaranhar “o novelo embaraçado” que nós nos enrolamos em vidas anteriores. Ao mesmo tempo, podemos por novas causas em ação. Lemos nas Cartas de São Paulo aos Coríntios: “O homem interno é renovado dia a dia”.

No Livro “A Teia do Destino” lemos que “desde a puberdade e durante toda a vida uma força espiritual é gerada internamente em nosso organismo”. Esta força pode ser usada para três fins: GERAÇÃO, DEGENERAÇÃO E REGENERAÇÃO. Depende de nós qual dos três métodos escolhemos, e isso terá uma orientação importante em nossa vida, pois o uso dessa força não está confinado em seu efeito ao tempo ou ocasião em que se dispõe dela. Reflete em cada um dos momentos de nossa existência, e determina nossa atitude em cada uma das fases particulares da vida.

Algumas vezes podemos perder nossa meta aqui na Terra e os valores reais e eternos são esquecidos na presença de tantas coisas evanescentes e transitórias. É quando nos damos conta desta condição que devemos parar, fazer um balanço de nossa existência, e buscar melhores meios de vida; buscar valores superiores e a maneira para renovar nossa força, voltando ao nosso Criador.

Essa possibilidade é tratada de modo bem claro nas Sagradas Escrituras, na parábola do Filho Pródigo. Ele, por si mesmo, deveria reconhecer que seu estado era indigno e seu método de vida era insatisfatório, e teria que procurar internamente para encontrar a força para dar a volta e retornar ao Pai. Na verdade, o Pai contava com o seu retorno e o esperava com os braços abertos de boas-vindas.

É evidente que o cultivo de forças invisíveis e poderes requer que também sejam adquiridos sabedoria e compreensão, pois os poderes espirituais em si mesmos não são nem bons e nem maus, pois são o motivo e o caráter de quem os possui que os fazem merecer este ou aquele qualificativo. Sabemos que “as distinções entre o uso legítimo ou ilegítimo dos poderes espirituais são superiores e sutis”. Devemos recordar sempre que “poder” é força para realizar, e o que com ela fazemos depende de nós; a direção que lhe dermos é de nossa própria e pessoal responsabilidade.

Foi poder sobre todas as coisas o que "Satanás", o tentador, prometeu ao Senhor quando estiveram juntos no deserto. Sabemos que Jesus Cristo triunfou em todas as tentações e respondeu: “Afasta-te de Mim, 'Satanás'”. Neste e como em todos os demais caminhos Ele é nosso Guia e Caminho. Se perdermos a nossa meta, isto é apenas temporariamente. As asas cortadas podem crescer de novo, e quando houvermos reencontrado o caminho, teremos aprendido também que somente o Bem, a Verdade e a Beleza sobrevivem até o fim. A sabedoria da advertência que frequentemente é dada em nossa Filosofia de nunca deixar de tentar é evidente.

“E o que estava sentado no trono disse: Eis aqui, eu faço novas todas as coisas” (Apo 21,5).


(Publicado na revista "Serviço Rosacruz" de 01-02/87)



Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/borboleta-balaclava-insetos-4267823/

MINHA SOMBRA


O conhecimento da sombra é fator importante no processo de autodescobrimento, pois possibilita a percepção dos aspectos desconhecidos da personalidade e daqueles que não são desejados, portanto negados.

Por muito tempo aprendemos que devemos reprimir o mal e evitar exteriorizar nossa agressividade, bem como policiar nossas atitudes. Porém o mal sempre foi algo que sofreu modificações de acordo com a época e com a cultura das sociedades, não sendo um ente muito bem compreendido. Ao invés de negar o mau e de evitar agressividade, seria mais adequado conhecer sua natureza em mim e utilizá-lo de forma produtiva no meu processo existencial.

O mal em mim, quando trabalhado equilibradamente se transforma em bem para mim. A agressividade quando dirigida se transforma em ferramenta construtiva do nosso progresso. Tudo que existe no ser humano como motivo inconsciente que o incomoda, pode ser redirecionado adequadamente para sua felicidade. Negar ou acreditar que tais aspectos não têm importância é subestimar seus poderes de ação.

Tudo que desconheço em mim se torna condutor de meu destino, visto que age à minha surdina sem que lhe direcione o sentido ou lhe dê uma função útil. Muitas vezes, por força da cultura, o que chamo de mal é apenas minha visão equivocada do que poderia ser um bem. Por este motivo, existem dois tipos de sombra: a negativa e a positiva.

A sombra negativa contém aquilo que nego que sou ou não aceito em mim. Muitas vezes ela é projetada nas pessoas que nos parecem apresentar aquela característica que, inconscientemente, não aceitamos em nós mesmos. Geralmente desenvolvemos sentimentos negativos por essas pessoas.

A sombra positiva ou dourada contém aquilo que desconheço existir em mim ou que não sabia que já havia conquistado, ou que sou capaz de realizar. Contém aspectos positivos da personalidade, mas que, por motivos diversos, não consigo reconhecer. Também projetamos esses aspectos em pessoas que admiramos.

As duas formas de sombra são aspectos da personalidade que se alicerçam em função das experiências adquiridas nas vidas sucessivas, ligadas às questões morais e que não são fáceis de serem desconectadas do conceito que temos de mal. São componentes da personalidade que, se negligenciados ou reprimidos, continuam influenciando sobremaneira a vida relacional dos indivíduos. É fundamental, portanto, reconhecer sua existência, integrar a face positiva e buscar uma forma de expressar a face negativa, de tal modo que não se constitua num obstáculo à manifestação da personalidade, nem traga sofrimentos insuportáveis.

Devemos nos conscientizar de que, sempre que trazemos aspectos de nossa sombra para a consciência, não nos sentimos bem. A sombra traz coisas negadas e reprimidas por muito tempo, daí termos dificuldades em lidar com elas. A manifestação da sombra é um trabalho delicado que deve ser feito com cautela a fim de não nos deixarmos possuir por ela. Constelar (enaltecer) a sombra é acreditar que aquele lado obscuro, considerado negativo da personalidade, é que deve prevalecer. É um equívoco.

Minha sombra é minha companheira, da qual devo tomar ciência de seus traços e de suas características. É a parte de mim mesmo que devo tornar consciente e colocá-la a serviço de minha evolução espiritual, sem que seus aspectos aversivos me tomem.


Adenáuer Marcos Ferraz de Novaes



Fonte: do livro "Psicologia e Espiritualidade"
Fundação Lar Harmonia
Salvador/BA
1ª Ed., 1999
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/bal%C3%A9-dan%C3%A7arinos-mulher-silhuetas-359982/

terça-feira, 23 de junho de 2026

RENASCIMENTO - VERDADEIRO EM TODOS OS SENTIDOS


O renascimento é a única explicação lógica da existência física. Não só nos fornece uma concepção lúcida das várias discrepâncias da vida, mas, também, fornece um objetivo ou um propósito para nós, sem o qual todo o Esquema de Evolução se tornaria inútil e irrisório.

Ninguém que, testemunhando as gloriosas maravilhas da natureza, poderia imaginar que um Criador com uma visão de amplitude e magnitude em projetar um universo tão vasto, o povoaria com pequenas marionetes, cuja única percepção d’Ele seria o medo, e o único tempo de vivência na Terra seria meros, mais ou menos, setenta anos; na verdade, na maioria dos casos consideravelmente menos tempo ainda.

E tão pouco Sua única “Palavra” poderia ser um registro que está inserido na Bíblia. É certo, não obstante, que encerra muitos conhecimentos ocultos inestimáveis. Esses conhecimentos se acham, em grande extensão ocultos, devido às interpolações e interpretações “tendenciosas”. As traduções da Bíblia não podem ter escapado do duvidoso reconhecimento da mutilação nas mãos da Religião e do Estado; embora, essas traduções foram e são agora pregadas literalmente pelos irmãos devotos de inúmeras seitas, e que são consideradas inquestionavelmente autênticas pelas multidões, que não têm a inclinação de estudá-las por vontade própria. É de admirar que o objetivo dessa existência física seja perdido no pântano do mal-entendido? E que o credo de que só o mais forte e o que teve mais sucesso se salvará é o fator dominante da civilização moderna? Afinal, para aprendermos o real significado do que está na Bíblia é indispensável estudarmos e aplicar o Cristianismo Esotérico, como estudam os rosacruzes.

Como podemos esperar que milhões de pobres trabalhadores, labutando seu dia dentro e fora de casa por um salário insignificante, que mal dá para cobrir suas necessidades corporais, desgastadas pelas doenças e enfermidades, possa amar e reverenciar um Deus que, por intermédio de suas “religiões”, não dá uma resposta satisfatória ao seu grito eterno de “Por quê”?

Eles são orientados a orar, mas eles são ensinados como orar? Não; e a única resposta dos responsáveis pela direção desses tipos de movimentos espirituais aos buscadores sinceros é: “É a vontade de Deus; não devemos questionar isso”. Assim, podemos imaginar que as pessoas se voltem apenas aos prazeres materialistas para se consolar, e se submergem nas alegrias superficiais que as invenções modernas os podem oferecer.

No entanto, a explicação é tão simples: as leis gêmeas de Causa e Efeito que até mesmo a mentalidade mais infantil pode entender, e a seguindo podemos ganhar paz mental e quietude. Essa verdade irá sufocar os rebeldes dissabores que assediam nossas Mentes e nos conduzem silenciosa, mas seguramente ao longo do caminho rumo à perfeição.

A vida não é mais do que uma escola na qual nós, os Egos (*), nos manifestamos por meio de um conjunto de veículos, aprendendo lições que, com o tempo, nos tornam dignos de pertencer ao Deus-Pai, nosso Criador. É somente renascendo e renascendo novamente nesta esfera física que podemos acumular experiências empíricas que resultam em um completo desenvolvimento físico, mental e espiritual. Seria possível prever que um indivíduo fizesse isto num corpo de 60 anos? Não seria razoável que ele esperasse e levando em consideração as limitações do ambiente, potencialidades mentais etc., é impossível. Contudo, aqui é onde a verdade do renascimento é capaz de provar, conclusivamente, sua argumentação de autenticidade. Como estudamos na Bíblia: “Como semeastes, assim colhereis” (1), e é exatamente isso que significa a Lei de Causa e Efeito. Nenhum de nós pode receber da vida nada mais além daquilo que depositamos, e assim, todos nós descansamos inteiramente nas condições e circunstâncias que deveremos reencarnar aqui: como semeamos nessa vida, assim colheremos na próxima.

Quando herdamos um Corpo Denso defeituoso, não é necessário culpar nossos antepassados, pois só podemos criar seu habitat em um corpo que nós mesmos aprendemos a construir e controlar. Os pais fornecem os materiais que nós precisamos e os utilizamos da melhor maneira possível. Se construímos um Corpo Denso com um mecanismo defeituoso para esta vida, podemos concluir que os erros de uma vida anterior nos limitaram a isso, de uma mentalidade pobre, físico fraco ou é mostrada qualquer que seja a falta. Nada é feito sem uma causa justa, pois essa Lei é muito precisa e não conseguiremos ludibriá-la. Qualquer esforço colocado em determinada coisa, colheremos sua recompensa; agora ou mais tarde; portanto, hábitos vividos e pensados erroneamente também terão sua avaliação a semelhantes casos.

Assim, podemos ver do que foi exposto, que as condições do mundo de hoje são o resultado de nossos esforços coletivos passados, e o que está por vir, está sendo criado agora por nós. Nós, e somente nós, somos os únicos culpados pelas circunstâncias angustiantes pelas quais todos nós estamos passando, e quando percebermos esse fato, mesmo que por razões egoístas, o incentivo virá como segurança coletiva no futuro.

“Eu sou um Deus justo” (2), afirma a Bíblia, e o renascimento é visto a partir da concepção, sendo ela verdadeira em todos os sentidos. A culpa recai sobre nós, cujo ponto de vista é tão estreito que requer uma ideia restrita do grande plano, e vendo somente uma parte dele, erroneamente concluímos que não há justificativa para as nossas provações e tribulações, ou mesmo aceitar nossas misérias ou alegrias sem questionar.

Esse é apenas um breve esboço dessa grande verdade, concluindo que até que o conhecimento do renascimento seja compreendido e aceito, a Fraternidade Universal só pode ser um ideal abstrato, em vez de uma realidade concreta.


(Publicado na Revista "Rays from the Rose Cross" de fevereiro/1940 – traduzida pelos irmãos da Fraternidade Rosacruz de Campinas-SP-Brasil)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ressurrei%C3%A7%C3%A3o-sonhe-espa%C3%A7o-7036772/


Notas:
(*) Eu Superior, em algumas tradições; Alma, Espírito, em outras; Self, em outras ainda etc.
(1) N.T.: Mt 13:3-9
(2) N.T.: ‎Rm 1:17, ‎Sl 103:6, ‎Dt 32:4

segunda-feira, 22 de junho de 2026

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS


“Eu sou um sonhador prático. Meus sonhos não são meramente fantasias vazias. Eu quero converter meus sonhos em realidade.” (Gandhi)

Há no Espírito imortal um universo de potencialidades a serem despertadas, desenvolvidas e educadas.

Na condição de herdeiros de Deus trazemos conosco riquezas das quais ainda não temos dimensão e nem capacidade para as aquilatar, porém, pode a educação verdadeira, aquela “arte de manejar os caracteres” e de “formar hábitos”, como preconizou Allan Kardec, desvendar esta vastidão de talentos e colocá-los a serviço do progresso do seu portador e de toda a coletividade humana.

Neste sentido, precisará o educador espírita conhecer algo da Filosofia Espírita da Educação, da proposta pedagógica do Espiritismo para a educação e também possuir um mínimo de conhecimento das ciências do mundo (Psicologia, Biologia, Sociologia etc.) para realizar a contento o seu mister.

Como o objetivo maior do processo ensino-aprendizagem espírita é a formação intelecto-moral, seja no âmbito do Centro Espírita, seja no da família ou das escolas espíritas, urge repensarmos a visão doutrinária de inteligência, para que os instrumentos a serem utilizados por estas três importantes instituições estejam fiéis à proposta espírita. Numa nota em "O Livro dos Espíritos" (1) , o Codificador assim se expressou:

“A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades.”

Às vezes consideramos inteligentes as pessoas que têm uma capacidade considerável para armazenar dados, informações e acessá-las quando é preciso.

Porém, não há nenhuma alusão, nesta nota de Kardec, à memória ou capacidade de memorização. O conceito espírita é bem mais amplo e completo, mesmo porque a inteligência é “um atributo exclusivo da alma” (2) e não um departamento do cérebro circunscrito a uma região específica, muito embora se utilize deste para a sua manifestação.

Falar de desenvolvimento da cognição, entendendo-a e estudando-a em seus meandros, é de importância vital para os que lidam com a educação espírita, pois precisamos basear o “como se ensina” no “como a criança aprende”. É a partir das formas pelas quais os educandos manifestam suas vontades, se relacionam, constroem e reconstroem o mundo, e se apercebem nele, que basearemos os nossos procedimentos didáticos. Isto se quisermos levar em conta a bagagem de experiências e aquisições que estão trazendo das outras reencarnações. E não fazê-lo seria um contra-senso.

A este respeito, Howard Gardner trouxe uma contribuição substancial ao propor a Teoria das Inteligências Múltiplas, afirmando que os seres humanos são capazes de desenvolver, pelo menos, sete inteligências. Sua contribuição é bem mais completa e sensata do que aquela tradicionalmente proposta por Binet, com seus testes de Q. I. (quocientes de inteligência), que avaliam unicamente as faculdades lógicas e linguísticas do indivíduo. A teoria de Gardner parte da psicologia desenvolvimentista e da neuropsicologia, e reconhece diferentes aspectos da cognição. Para ele, todos temos estas sete inteligências, mas que por razões genéticas e ambientais apresentam-se diferenciadas entre as pessoas.

Os espíritas sabemos que não é tanto o ambiente e nem tanto o fator genético, são os ascendentes espirituais do reencarnante que vão predispô-lo mais para um campo do saber do que para outro, além das suas necessidades espirituais de ter esta ou aquela manifestação intelectiva cerceada temporariamente.

Fazendo um amplo estudo entre crianças excepcionais, crianças ditas normais e uma profunda pesquisa de cunho antropológico sobre a evolução da cognição, através dos milênios, ele concluiu existirem estas inteligências:

- Inteligência Linguística – é a habilidade para agradar, estimular, transmitir ideias e usar a linguagem para convencer.

- Inteligência Lógico-Matemática – é a habilidade para reconhecer problemas, resolvê-los, lidar com uma série de raciocínios, além de uma facilidade para ordenar e sistematizar.

- Inteligência Musical – é a habilidade para reproduzir sons, timbres, ritmos, perceber temas musicais etc.

- Inteligência Espacial – é a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. Criar tensão, equilíbrio numa representação espacial, manipular formas ou objetos mentalmente.

- Inteligência Cinestésica – é a habilidade para usar a coordenação em esportes, artes cênicas ou plásticas, na movimentação do corpo e manipulação de objetos.

- Inteligência Interpessoal – é a habilidade para entender e lidar com as emoções alheias.

- Inteligência Intrapessoal – é a capacidade que o indivíduo tem de ter acesso ao seu mundo íntimo de sonhos, ideias, sentimentos, discriminando-os, lançando mão deles na resolução de problemas e na criação de algo. Esta habilidade permite ainda que o seu portador formule uma autoimagem precisa de si mesmo.

Há ainda uma outra que vem sendo estudada por esse pesquisador e que ainda não foi divulgada oficialmente – a inteligência espiritual.

Tais inteligências, na visão espírita, não são outra coisa senão o acervo de conquistas do Espírito imortal em sua trajetória evolutiva. Elas precisam ser diagnosticadas pelos educadores espíritas a fim de serem trabalhadas, e mesmo aquelas que não se encontrem afloradas poderão ser despertadas mediante um trabalho sério, com técnicas apropriadas para a transmissão dos conteúdos espíritas e despertamento daquilo que está no cerne das almas com as quais estamos lidando.

Se a educação espírita, como a entendemos, é a educação do homem integral, não há como continuarmos enfatizando somente aquilo que as escolas terrestres priorizam em seus currículos: temos que nos voltar ainda mais em nossas abordagens e procedimentos para a realidade imperecível do ser, promovendo o seu “desenvolvimento harmônico” como pretendia Pestalozzi. O que afirmamos cresce em importância quando tomamos contato com tais assertivas de Allan Kardec (3): “Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.” (Grifo de Kardec.)

E ainda acrescenta, referindo-se aos novos tempos e às novas gerações (4): “Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior.” (Idem.)

Não há como dissimular o papel relevante da educação espírita junto a esses Espíritos que há algum tempo já começaram a reencarnar. São eles os artífices de uma nova ordem social, os promotores de uma revolução nos diversos campos do conhecimento humano e estão renascendo nas favelas, nos campos, nas cidades, em todos os lugares.

São muitas as dificuldades que os educadores espíritas têm a vencer para que um trabalho desse porte possa efetivar-se. Mas a maior delas continua a ser o desconhecimento do grande potencial educativo que a Doutrina Espírita encerra. Depois as visões pessimistas e apressadas sobre a proposta da Escola Espírita. E ainda as imperfeições pessoais que todos carregamos e que nos impedem de nos aglutinar com espírito de humildade em torno de grandes projetos e ideais.

Mas como afirmou Max Weber e com ele concordamos plenamente: (5) “O homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse buscado o impossível.” Prossigamos então, todos os que acreditamos no imenso potencial educativo da Doutrina Espírita, em nossas atividades pedagógicas, sem desmerecer ou fazer juízo de valor, em relação aos que identificam no Espiritismo o seu caráter puramente assistencial. Mas recordemos que a maior das caridades realizada pelo Divino Mestre foi a de legar-nos o seu Evangelho, repleto de exortações voltadas para o crescimento interior das almas, para o trabalho de autoeducação, perseverante, solidário, racional e amoroso.


CEZAR BRAGA SAID


Fonte: http://kardec.com/reformador/refjun01
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/coruja-pinguim-alfabeto-aprender-8419617/


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, 80. ed. FEB, perg. 71, p. 78, 1998.

2. _____. A Gênese. Rio de Janeiro, 38. ed. FEB, cap. III, item 12, p. 75, 1999.

3. Idem, ibidem, cap. XVIII, item 27, p. 418.

4. Idem, ibidem, item 28, p. 419.

5. GAMA, Maria Clara Sodré Salgado. A Teoria das Inteligências Múltiplas ou a Descoberta das Diferenças. Ensaio, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 13-20, jan./mar., Fundação Cesgranrio, 1994.

SERVIR AO PRÓXIMO É A SEMENTE DO MÉRITO


Deus é a Encarnação do Amor (Premasvarupa) e está em cada ser; portanto, o fruto de toda e qualquer vida está repleto da doçura desse Amor.

Assim como a casca amarga de uma fruta doce é o véu da ignorância que oculta o precioso suco no seu interior, a casca amarga da inveja, do egoísmo, do ódio, da malícia, da ganância, da luxúria e da ostentação não permite que a doçura do Amor seja evidente a todos.

Mas cada ser tem o direito de partilhar desse Amor, independentemente da sua nacionalidade, cor, crença ou posição social. Se Deus e o Seu Amor ativam cada átomo da Criação, quem ousaria excluir alguém?

Declara a Isha Upanishad, um dos textos sagrados que contêm a essência dos Vedas: “Ishavasyam idam sarvam” (“Tudo isto é Deus”). Ou seja, “Tudo isto é Amor”.

As luzes que o grande sábio Vyasa acendeu para revelar essa magnífica realidade se tornaram tênues, pois ninguém está vertendo óleo na lamparina; as pessoas estão interessadas em perseguir falsos ideais e prazeres efêmeros.

Vyasa compôs grandiosas obras da literatura sagrada indiana, nas quais transmitiu valiosos ensinamentos: no épico Mahabharata, ensinou a retidão ou dharma; no Bhagavata, a devoção ou bhakti; nos 18 Puranas, a paz e o amor (shanti e prema). Finalmente, no Brahma Sutra, ensinou a natureza do “conhecimento, do conhecedor e do conhecido” por meio de uma série de aforismos relativos a Brahman (o Absoluto ou a Realidade Suprema).

Vyasa enfatizou que o ato de prejudicar os outros é a semente do pecado, e que servir ao próximo é a semente do mérito. Esse é o puro e simples ensinamento sobre o Amor.

(Discurso Divino, 1º de julho de 1967)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br

PSICOMETRIA, EM SÍNTESE


Nos dias que correm, mormente através da parapsicologia, um fenômeno tem despertado a atenção de estudiosos e curiosos: a psicometria. Verifiquemos, sucintamente, o que a Filosofia Rosacruz nos diz a respeito, por meio da palavra autorizada de Max Heindel:

“O Éter interpenetra toda a matéria do Mundo Físico, de maneira que os átomos químicos de qualquer substância, por densa que seja, não se tocam. Cada um vibra em um campo de Éter.

“Todos os objetos emitem vibrações desse Éter, levando à nossa retina as imagens de todas as coisas que nos rodeiam. Essas imagens não se perdem.

“No Éter formador do nosso Corpo Vital existem gravações, imagens de todas as coisas que temos observado conscientemente. E nossa capacidade de evocá-las depende de as lembrarmos ou não.

“No Éter que interpenetra cada objeto há uma imagem de tudo quanto o rodeia. Nas paredes de nossas casas estão gravadas todas as cenas, todos os incidentes ali ocorridos. E ainda que sejam pintadas, não será possível eliminarmos as impressões ali deixadas. Se extrairmos um pedacinho de argamassa de uma habitação, levando-o a uma pessoa dotada de visão etérica, é possível que ela lhe observe o Éter e nos relate algumas cenas ocorridas naquele lugar. Se lhe mostrarmos um pedaço de pedra das pirâmides do Egito, poderá vê-las tão perfeitamente como se fosse uma fotografia, porque o Éter dos objetos é que imprime sua imagem na placa fotográfica. E a única diferença entre essa impressão e aquela que recebemos na retina é que a primeira podemos fixar na placa e observá-la novamente a qualquer momento. Por outro lado, não nos é dado vislumbrar tão claramente as cenas do nosso passado em circunstâncias ordinárias. Contudo, o psicômetra, capaz de ver no Éter, tem uma possibilidade imensa à sua disposição.”

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ps%C3%ADquico-cristal-gema-diamante-8742071/

terça-feira, 16 de junho de 2026

ATIVIDADE CHAMADA "SILÊNCIO"


O estado de "estar quieto" é um estado que envolve esforço ou não?

Não é um estado de indolência sem esforço. Todas as atividades mundanas que normalmente chamamos de esforço são realizadas com o auxílio de uma parte da mente e com pausas frequentes.

Mas o ato de comunhão com o Si Mesmo (atma vyavahara) ou permanecer quieto interiormente é uma atividade intensa que é realizada com a mente inteira e sem interrupção.

Maya (ilusão ou ignorância), que não pode ser destruída por nenhum outro ato, é completamente destruída por essa atividade intensa chamada "silêncio" (mauna).


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Fonte: Arunachala Ashrama
Bhagavan Sri Ramana Maharshi Center
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/egito-pir%C3%A2mide-sil%C3%AAncio-segredo-8789106/

TODOS SÃO UM SÓ

 


O Buda ensinou que não se deve sentir raiva, procurar defeitos nos outros e tampouco prejudicá-los, pois todos são manifestações do puro e eterno Princípio do Atma, ou seja, do Ser Interno. Tenham compaixão para com os necessitados e os ajudem na medida do possível. Vocês talvez pensem que aqueles que não têm o que comer são pobres, mas a simples ausência de dinheiro ou de alimento não define a pobreza. Na verdade, ninguém é pobre; todos são ricos, pois são dotados da riqueza do coração. Compreendam e respeitem o princípio da unidade e da divindade subjacente em cada ser e, assim, experimentem bem-aventurança. Evitem apegar-se a rótulos limitados, tais como “fulano é meu amigo”, “beltrano é meu inimigo”, “sicrano é meu parente” e assim por diante. Todos são um só; então, tratem a todos igualmente. Esse é o seu dever primordial e o mais importante dos ensinamentos do Buda. (Discurso Divino, 13 de maio de 2006)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

domingo, 14 de junho de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Cultivar o hábito de expressar bons desejos e nutrir sentimentos de bondade para com os outros funciona como um catalisador para a nossa própria felicidade. Quando nos concentramos no bem-estar alheio, não só contribuímos para um ambiente mais positivo, como também aumentamos a nossa própria sensação de alegria e contentamento. Este ciclo de boa vontade amplifica a felicidade que carregamos dentro de nós, demonstrando que a bondade é, sem dúvida, uma dádiva que sempre retorna.


Em tempos como estes, sinto-me responsável, juntamente com os outros, por usar minhas qualidades inatas para mudar o mundo? Muitas vezes, mesmo nas melhores organizações, pequenas diferenças dividem as pessoas e dispersam a energia do seu compromisso com a causa. Alguns abdicam da sua responsabilidade pela mudança, desanimados pela magnitude da tarefa. As minhas belas qualidades são os degraus necessários para construir uma ponte para um mundo melhor. Elas são imensamente poderosas. Na verdade, são a essência do que o mundo precisa agora. Criaremos um mundo melhor quando a consciência coletiva estiver orientada positivamente. Hoje, assumo a responsabilidade de criar um mundo melhor com as minhas qualidades inatas.


Os seres humanos tentam constantemente se comunicar por meio de palavras. No entanto, as próprias palavras são portadoras instáveis. Uma única palavra pode conter séculos de uso herdado, associações emocionais, filosofia, rituais, memórias e condicionamento cultural. Mesmo quando duas pessoas usam a mesma palavra, podem não interpretá-la da mesma maneira. Embora significado e linguagem estejam relacionados, não são a mesma coisa. As intenções imbuem minhas palavras de significado, de modo que elas são percebidas antes de serem compreendidas. Quando minha intenção é pura, limpa e benéfica, até mesmo as palavras erradas assumem o significado correto. Hoje, permita-me comunicar por meio da intenção.


O instinto de retorno da alma está ligado à busca pelo silêncio e por um sentimento de pertencimento. Muitos buscadores espirituais se sentiam como ovelhas negras em suas famílias de origem — não se sentiam à vontade no mundo como ele é, sempre lutando e buscando algo além deste mundo. Uma vez no caminho espiritual, a alma começa a experimentar um sentimento de pertencimento com pessoas que nunca conheceu — almas gêmeas tendem a se encontrar. Nossos corações anseiam por silêncio e pertencimento há tanto tempo que, finalmente, sabemos que nosso instinto de retorno nos trouxe de volta à sensação de estar em casa. Hoje, honrarei meu instinto natural de retorno.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/trigo-cereal-orelha-sementes-campo-9704240/

CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES


Usa-se uma pedra de amolar para afiar a lâmina, não para polir a própria pedra. Similarmente, é necessário cultivar boas qualidades para refinar a natureza do indivíduo. Essas qualidades são essenciais para o seu bem-estar como um todo, tal como são os diferentes membros para o funcionamento do corpo. As pessoas devem se dar conta de que o nascimento humano lhes foi concedido para que levem vidas ideais. Boas qualidades permitem que se tenha uma existência voltada para o bem. No entanto, até mesmo para se levar tal vida há um preço a ser pago: uma boa conduta. Isso significa que só se pode obter a felicidade resultante de uma vida íntegra cumprindo os próprios deveres. Há dois tipos de prazer – os transitórios e os duradouros –, mas apenas mediante o cumprimento das obrigações que lhe cabem é possível ao ser humano alcançar a felicidade permanente. Portanto, primeiro cumpram os seus deveres; depois colham os frutos. Atualmente, as pessoas querem usufruir dos resultados sem o cumprimento dos deveres. Essa atitude não pode lhes trazer felicidade. Todo ser humano deve compreender que nasceu para cumprir uma série de obrigações, não para desfrutar de recompensas por serviços não prestados; ou seja, que não tem direitos a reivindicar, e sim deveres a cumprir. Se assim o fizer, colherá as recompensas no devido tempo. (Discurso Divino, 14 de janeiro de 1997)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br

sexta-feira, 12 de junho de 2026

CONVITE AO DESPRENDIMENTO


“Não ajunteis para vós tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões penetram e roubam...” (Mt 6, 19).


Desprendimento na qualidade de desapego, não de estroinice (leviandade) nem dissipação.

Todo e qualquer motivo que ata à retaguarda sob condicionamentos retentivos se transforma em cadeia escravizante.

Os objetos a que o homem se apega valem os preços que lhes são emprestados, constituindo-se elos a impedirem o avanço do possuidor, na direção do futuro...

Desapego, portanto, em forma de libertação do liame pessoal egoístico e tormentoso que constitui presídio e patíbulo (suplício) para quem se fixa negativamente como para aquele que se faz sua vítima afetiva.

Libertar-se das aflições constritivas, asfixiantes, para marchar com segurança.

Doa com alegria quanto possas, generosamente.

O que distribuis com equilíbrio e lucidez multiplica-se, o que reténs reduz-se.

Abundância, como excesso, engendram miséria e loucura.

Distende assim, mão generosa na alfândega da fraternidade, mas libera-te da emotividade desregrada, da posse afetuosa a objetos, animais e pessoas, porquanto mais carinhos que te mereçam, mais devoção que lhes dês, chegará o dia de atravessares o portal do túmulo, fazendo-o em soledade, livre de amarras ou jungido ao que se demorará a desgastar-se pela ferrugem, pelo azinhavre (zinabre), corroído ou simplesmente em trânsito por outras mãos ante a tua tormentosa impossibilidade de reter e interferir.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Convites da Vida"
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
Salvador/BA
www.livrarialeal.com.br
https://mansaodocaminho.com.br/editora-leal/
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CONHECER O SI MESMO


Conhecer o Si Mesmo é ser o Si Mesmo, e ser significa existência, a própria existência. Ninguém nega a própria existência, assim como ninguém nega os próprios olhos, embora não possa vê-los. O problema reside no seu desejo de objetificar o Si Mesmo, da mesma forma que você objetifica seus olhos quando coloca um espelho diante deles. Você se acostumou tanto com a objetividade que perdeu o conhecimento de si mesmo, simplesmente porque o Si Mesmo não pode ser objetificado. Quem pode conhecer o Si Mesmo? Pode o corpo insensível conhecê-lo? Você fala e pensa o tempo todo no seu "Eu", mas quando questionado, nega conhecê-lo. Você é o Si Mesmo, e ainda assim pergunta como conhecer o Si Mesmo.


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Arunachala Ashrama
Bhagavan Sri Ramana Maharshi Center
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-folha-folhagem-rosto-8643927/

A VIDA É REPLETA DE OSCILAÇÕES


Existem, neste mundo, dois estados para o ser humano: agradável e desagradável. Se um estado é agradável ou não, depende da sua atitude ou perspectiva mais íntima. Um mesmo objeto pode ser visto como agradável em uma ocasião e desagradável em outra! Aquilo que hoje é acolhido com grande apreço pode, futuramente, tornar-se odioso, a ponto de não haver sequer o desejo de vê-lo. A condição da mente nessas diferentes circunstâncias é a causa dessas oscilações. Portanto, todos devem treinar a mente para que ela permaneça sempre em um estado agradável. As águas de um rio jorram pelas montanhas, caem nos vales e correm pelos desfiladeiros; em diversos trechos, afluentes se juntam a elas, tornando-as sujas e turvas. Assim também, no fluxo da vida humana, a velocidade e a força aumentam e diminuem. Esses altos e baixos podem acontecer a qualquer momento da existência; são inevitáveis e podem vir no início, no meio ou no fim da jornada. Por conseguinte, o ser humano deve desenvolver a firme convicção de que a vida é repleta de oscilações e que, em vez de temê-las e se preocupar excessivamente com elas, deve acolhê-las. Não apenas aceitá-las, mas ser feliz e grato, aconteça o que acontecer. Com essa atitude, todas as dificuldades, seja qual for a sua natureza, passarão de forma leve e rápida! (Dhyana Vahini, cap. 3)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
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PENSAMENTOS SEMENTES


Chegará o dia em que a tão esperada "paz na Terra" acontecerá, e as armas e elementos destrutivos desaparecerão. Faço minha parte agora nessa criação, seguindo o caminho da não-violência em pensamentos, palavras e ações. Juntos, nossas gotas de paz se tornarão um oceano irresistível.


Viemos a este mundo sem nada e partiremos sem nada, por mais ricos que sejamos. Restará, no entanto, o legado de memórias que imprimimos no coração e na mente dos outros. Que tipo de legado? Será um legado repleto de amor, felicidade e inspiração, ou algo mais? A escolha é minha.


Nesses tempos desafiadores, Deus é o apoio derradeiro que me permite ir além de tristeza e dor. Ele está disponível a todos que mantêm a mente e coração abertos. Além das distrações, sendo banhado por esta fonte de paz e amor ilimitados, sinto-me feliz e completo.


Todos desejamos liberdade para vivenciarmos nossa vida na Terra; para expressarmos nossa criatividade e bondade natural. Eu abro caminho, libertando-me das correntes das correntes internas que me reprimem e oprimem, ajudando a criar esse mundo de abundância e alegria, fundamentado na paz, compaixão e respeito por todos os seres vivos.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
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quinta-feira, 11 de junho de 2026

A CURA É UMA FUNÇÃO DO AMOR


A psicologia dos budas, a visão psicológica do Oriente, não é nem análise nem síntese; é transcendência, é ir além da mente. Não é um trabalho que acontece dentro da mente, é o trabalho que leva você para fora da mente. Esse é exatamente o significado da palavra “êxtase” – sair de si.

Se você é capaz de ficar fora da sua própria mente, se é capaz de criar uma distância entre a sua mente e o ser, então deu o primeiro passo em direção à psicologia dos budas. Um milagre acontece: quando você está fora da mente, todos os problemas da mente desaparecem, porque a própria mente desaparece; ela deixa de ter controle sobre você. (...)

A psicologia dos budas corta as próprias raízes da árvore, responsáveis por todos os tipos de neurose, psicose, que deixam o ser humano fragmentado, o ser humano mecânico, o ser humano robotizado. (...)

A psicologia dos budas não funciona dentro da mente; não tem interesse em analisar ou sintetizar. Simplesmente ajuda você a sair da mente para dar uma olhada do lado de fora. E justamente esse olhar é uma transformação. No momento em que você consegue ver sua mente como um objeto, você se desapega dela, você se desidentifica; cria-se uma distância e as raízes são cortadas.

Por que as raízes são cortadas dessa maneira? Porque é você quem continua alimentando a mente. Se você se identifica, você alimenta a mente; se você não se identifica, pára de alimentá-la. Ela desaparece por conta própria. (...)

E isso acontece por si só, porque no momento em que se senta à margem da sua mente, você deixa de dar energia a ela. Isso é meditação de verdade. Meditação é a arte da transcendência. (...)

Fique mais consciente da sua mente. E, quando fizer isso, você perceberá o fato de que você não é a mente, e esse é o começo da revolução. Você começou a fluir cada vez mais alto. Você não está mais amarrado à mente. Ela funciona como uma pedra e mantém você embaixo. Mantém você dentro do campo de gravidade. No momento em que não está mais apegado à mente, você entra no campo búdico. Quando a gravidade perde o poder sobre você, você entra no campo búdico, e entrar no campo búdico significa entrar no mundo da "levitação". Você começa a flutuar, a subir.

A mente continua arrastando você para baixo. Portanto, não é uma questão de analisar ou sintetizar. É simplesmente uma questão de tomar consciência. (...)

A cura acontece quando você não está mais ligado à mente. Quando você está desconectado da mente, não identificado, absolutamente livre; quando a escravidão termina, a cura acontece.Transcendência é terapia de verdade, e não é apenas psicoterapia. Não é apenas um fenômeno limitado à sua psicologia, é muito mais que isso. É espiritual. Cura você no seu próprio ser. (...)

A propósito, por que você se tornou um doente mental? Porque aprendeu algo errado. Você aprendeu algo tão radicalmente errado que você é preso a isso. Você precisa de alguém que possa descondicionar você, que possa ajudá-lo a desaprender e a canalizar sua energia para um caminho diferente, isso é tudo. (...)

A sociedade continua sendo contraditória, incoerente, e continua ensinando a você coisas que são absolutamente erradas. Por isso a doença acontece; por isso surge o tumulto psíquico dentro de você, o conflito dentro de você. Então chega a um ponto em que tudo fica na maior desordem, de pernas para o ar. (...)

A cura é uma função do amor. O amor é a maior das terapias e o mundo precisa de terapeutas porque falta amor no mundo. Se as pessoas estivessem amando – se os pais tivessem amado, se professores tivessem amado, se a sociedade tivesse um clima amoroso – não haveria necessidade de terapia.

Todo mundo nasce para permanecer saudável e feliz. Todo mundo está buscando saúde e felicidade, mas em algum lugar algo está faltando e todo mundo fica infeliz. A infelicidade deveria ser uma exceção; tornou-se a regra. A felicidade devia ser a regra; tornou-se uma exceção. (...)


OSHO



Fonte: do livro "A verdadeira essência da iluminação"
Tradução: Denise de Carvalho Rocha
1ª ed., São Paulo/SP, Ed. Pensamento Cultrix, 2020.
Fonte da Gravura: https://www.pexels.com/pt-br/foto/adoraveis-suricatos-demonstram-afeicao-no-zoologico-29568986/

A CONTEMPLAÇÃO DA NATUREZA E ORAÇÃO SILENCIOSA


A ideia de Evágrio Pôntico (*) de aproximar-se de Deus através das Escrituras, da natureza e da oração pura foi um conceito fundamental para os Padres e Madres do Deserto.

Um dos sábios da época perguntou a Santo Antão: "Pai, como podes ser feliz quando és privado da consolação que a leitura dos livros traz?" Antão respondeu: "Meu amigo filósofo, meu livro é a natureza e todas as suas criaturas; e este livro está sempre diante de mim quando quero ler a palavra de Deus."

Encontramos este mesmo pensamento expresso no cristianismo celta: "Através das letras das Escrituras e de todas as espécies da criação, revela-se a luz eterna" (João Escoto Erígena, século IX). É uma experiência humana que transcende o tempo e o espaço. A contemplação da natureza ajuda-nos a deixar para trás os nossos pensamentos e imagens, que são o que obscurecem a Presença Divina. Tenho certeza de que muitos de vocês que estão lendo isto já tiveram uma experiência semelhante em algum momento, onde as fronteiras desaparecem, surge uma sensação de interconexão e admiração, um sentimento de "algo a mais" ao contemplar a natureza, como a beleza de um pôr do sol.

Essa mesma experiência também pode ser alcançada por meio da oração silenciosa, que pode ser obtida através de muitas formas de oração. Mas, para mim, é especialmente a meditação que permite que isso aconteça. A chave é se desapegar de pensamentos e imagens, até mesmo sobre Deus: "Quando estiver orando, não pense na Divindade como uma imagem formada dentro de você. Além disso, evite deixar que seu espírito seja impressionado pelo efeito de qualquer forma particular, mas, livre de toda matéria, aproxime-se do Ser incorpóreo, e você chegará a compreender essa eliminação gradual de todas as imagens e formas do eu e de Deus, o que lhe permitirá o contato direto com a Realidade Divina."

Os dois estágios da jornada espiritual aos quais Evágrio Pôntico se referiu, "praxis" e "theoria" — oração, a purificação dos impulsos do ego, e contemplação — caminham juntos. Não estamos falando de um processo linear; não se trata de se tornar um ser completo antes de alcançar a contemplação. É um processo de diferentes níveis de consciência que às vezes se sobrepõem e outras vezes se aprofundam. De fato, um nível de consciência súbito e profundo, uma "metanoia", uma mudança de rumo, uma nova maneira de ver a realidade, é frequentemente o início da jornada. Contudo, não devemos presumir que alcançaremos a Presença apenas por nossos próprios esforços, pois a graça desempenha um papel igualmente importante, como enfatiza Evágrio Pôntico:

"O Espírito Santo se compadece de nossa fraqueza e, embora sejamos impuros, muitas vezes vem nos visitar. Se Ele descobre que nosso espírito ora a Ele por amor à verdade, então Ele desce sobre ele e dissipa todo o exército de pensamentos e ideias que o assaltam. E Ele também o encoraja a se engajar na obra da oração espiritual."

Não precisamos ser perfeitos no início de nossa peregrinação em direção ao nosso verdadeiro Eu e ao Cristo que habita em nós. Tudo o que precisamos fazer é perseverar fielmente em nossa jornada de oração e estar abertos à mudança. Deixemos o medo de lado para que o amor possa tomar o seu lugar.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/panorama-arco-%C3%ADris-tropical-atol-7373484/


Nota:
(*) Evágrio do Ponto ou Evágrio Pôntico foi um escritor, asceta e monge cristão. Evágrio dirigiu-se ao Egito, a «Pátria dos Monges», a fim de ver a experiência desses homens no deserto, e acabou por se juntar a uma comunidade monástica do Baixo Egito. (Wikipédia)

terça-feira, 9 de junho de 2026

REALIZAR O SI MESMO


O senhor diz que se pode realizar o Si Mesmo através da busca por Ele. Qual é a natureza dessa busca?

Você é a mente, ou pensa que é a mente. A mente nada mais é do que pensamentos. Agora, por trás de cada pensamento particular, existe um pensamento geral, que é o "Eu", isto é, você mesmo. Vamos chamar esse "Eu" de primeiro pensamento. Apegue-se a esse pensamento "Eu" e questione-o para descobrir o que ele é. Quando essa pergunta se apodera de você, você não consegue pensar em outros pensamentos.

Quando faço isso e me apego ao meu Si Mesmo, isto é, ao pensamento "Eu", outros pensamentos vêm e vão, mas eu digo a mim mesmo "Quem sou eu?" e não há resposta. Estar nesse estado é a prática. É assim mesmo?

Esse é um erro que as pessoas costumam cometer. O que acontece quando você faz uma busca séria pelo Si Mesmo é que o pensamento "Eu" desaparece e algo mais das profundezas se apodera de você, e esse algo não é o "Eu" que iniciou a busca.

O que é esse "algo mais"?

É o verdadeiro Eu, o significado do "Eu". Não é o ego. É o próprio Ser Supremo.

Mas o senhor costuma dizer que é preciso rejeitar outros pensamentos ao iniciar a busca, mas os pensamentos são infinitos. Se um pensamento é rejeitado, outro surge e parece não haver fim algum.

Eu não digo que você deve continuar rejeitando pensamentos. Apegue-se a si mesmo, isto é, ao pensamento do "Eu". Quando seu interesse o mantém nessa única ideia, outros pensamentos serão automaticamente rejeitados e desaparecerão.

Então, a rejeição de pensamentos não é necessária?

Não. Pode ser necessária por um tempo ou por algum tempo. Você imagina que não há fim se continuar rejeitando cada pensamento à medida que ele surge. Não é verdade, há um fim. Se você estiver vigilante e fizer um esforço firme para rejeitar cada pensamento à medida que ele surge, logo descobrirá que está indo cada vez mais fundo em seu próprio eu interior. Nesse nível, não é necessário fazer esforço para rejeitar pensamentos.

Então é possível existir sem esforço, sem tensão?

Não só isso, como é impossível fazer esforço além de um certo limite.


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Arunachala Ashrama
Bhagavan Sri Ramana Maharshi Center
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/silhueta-mulher-medita%C3%A7%C3%A3o-interior-68716/

O RESULTADO DAS NOSSAS AÇÕES


Deus providenciou tudo para o bem-estar do ser humano no mundo. No entanto, há uma condição que deve ser observada: o resultado das ações praticadas será de acordo com a sua natureza, sejam elas boas ou más.

Atualmente, os seres humanos querem colher os frutos de boas ações sem realizá-las, o que é impossível; tampouco poderão escapar às consequências das suas más ações. Deus é apenas uma testemunha.

Portanto, a partir de agora, cultivem bons pensamentos, pratiquem boas ações e redimam a sua existência. O seu ponto de partida deve ser o Caminho da Ação ou Karma Marga, culminando no Caminho do Conhecimento ou Jñana Marga. Entre eles está o Caminho da Adoração ou Upasana Marga, que vocês devem seguir hoje. Para trilhá-lo, é preciso desenvolver a convicção de que Deus é onipresente. Quando tiverem essa convicção, vocês não se entregarão à falsidade nem praticarão o engodo; não ofenderão nem prejudicarão o próximo; adquirirão todas as virtudes. (Discurso Divino, 27 de fevereiro de 1995)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br