segunda-feira, 13 de novembro de 2023

MEDITAÇÃO E ILUSÕES


Os verdadeiros servidores da raça e os que contataram o mundo da alma através da meditação não têm tempo para tolices; estas podem ser deixadas com segurança para os papagaios do mundo; estão muito ocupados em serviço construtivo para se ocuparem em erguerem capas que são apenas um véu para o orgulho; não estão interessados na boa opinião de qualquer pessoa encarnada ou desencarnada, e preocupam-se apenas com a aprovação da própria alma e estão vitalmente interessados no trabalho dos pioneiros do mundo. Nada farão que alimente ódio e separatividade ou que desenvolva o medo. Há inúmeras pessoas no mundo perfeitamente prontas para tal. Atiçarão a chama do amor onde quer que vão. Ensinarão a fraternidade na sua verdadeira inclusividade, e não um sistema que ensine a fraternidade a uns poucos e deixe os restantes de fora. Reconhecerão todos os homens como filhos de Deus e não se colocarão num pedestal de retidão e conhecimento de onde proclamarão a verdade como a veem, nem consagrarão à destruição os que não veem ou que não agem como eles sentem que deveria ser, colocando-os fora da cena; não considerarão uma raça como melhor que qualquer outra, ainda que possam reconhecer o plano evolutivo e o trabalho que cada raça tem para fazer. Em suma, ocupar-se-âo em elevar os caracteres dos homens e não desperdiçarão o seu tempo deitando abaixo personalidades e tratando de efeitos e resultados. Trabalham no mundo das causas e enunciam princípios. O mundo está cheio dos que só deitam abaixo e que alimentam os ódios presentes, e que alargam as divisões entre raças e grupos, entre ricos e pobres. Que o estudante íntegro da meditação lembre-se que quando contata com a sua alma e se torna unificado com a Realidade, entra num estado de consciência grupal que rompe todas as barreiras e não deixa nenhum dos filhos de Deus fora do seu campo de conhecimento.

É possível mencionar outras formas de ilusão, pois o primeiro mundo que o aspirante contata é usualmente o psíquico e este é o mundo da ilusão. Este mundo tem os seus usos e entrar nele é uma experiência muito valiosa desde que se mantenham as regras do amor e da não-auto-referência, e se todos os contatos forem feitos com a mente discriminadora e o senso comum. Muitos são os estudantes a quem falta um senso de humor e que se tomam demasiado a sério. Parecem deixar para trás, ao entrarem num novo campo de fenômenos, o seu bom senso. É útil tomar nota de que se viu e ouviu e depois esquecer até à altura em que começamos a atuar no reino da alma; não estaremos então mais interessados na sua recordação. Devemos também evitar as personalidades e o orgulho, pois não têm lugar na vida da alma, que é governada por princípios e pelo amor para com todos os seres. Não haverá perigo de um estudante de meditação ser despistado ou atrasado, se desenvolveu estas coisas; entrará um dia, inevitavelmente, no mundo do qual se diz: "os olhos nunca viram, nem os ouvidos ouviram as coisas que Deus revelou aos que o amam" dependendo o tempo da sua persistência e paciência.



Alice A. Bailey




Fonte: do livro "Do Intelecto à Intuição"
Traduzido para o português e editado através da FCA - Fundação Cultural Avatar, de Niterói/RJ. A FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalitsa, de Porto Alegre/RS, foi autorizada a co-editá-lo.
Fonte da Gravura: IA (AI)

A MÚSICA NA VIDA ESPIRITUAL


Na Natureza, tudo canta, tudo vibra, cada criatura emite vibrações que se propagam em ondas musicais. Por isso pode dizer-se que na natureza tudo é música. Há música nos regatos que correm, nas nascentes que brotam, na chuva que cai, no ruído surdo das torrentes, no movimento ininterrupto dos oceanos e dos mares. Há música no soprar do vento, no sussurrar das folhas, no chilrear dos pássaros… A música da natureza desperta constantemente o sentido musical no homem; incita-o a exprimir-se também através de um instrumento ou através do canto. É por intermédio da música que o homem transmite espontaneamente os seus sentimentos e as suas sensações: é pela música que ele exprime o seu sentimento religioso e é também por ela que traduz as suas dores, as suas alegrias, o seu amor e todas as suas experiências mais profundas.

A música é uma respiração da alma e da consciência. É através da música que a alma se manifesta sobre a Terra. Quando a consciência superior desperta no homem, quando ele desenvolver em si próprio a possibilidade de ter percepções mais sutis, começará a ouvir essa grandiosa sinfonia que ressoa através dos espaços, de um extremo ao outro do universo, e compreenderá então o sentido profundo da vida.

A música desperta na nossa alma a recordação da pátria celeste, a nostalgia do paraíso perdido. É um dos meios mais poderosos que existe, mais poderoso do que a pintura ou a dança, porque é imediato, instantâneo… Lembramo-nos instantaneamente de que foi do Céu que viemos e que é ao Céu que devemos voltar um dia. É claro que existem músicas que, pelo contrário, despertam o desejo de ficar o mais tempo possível na Terra, mas essa não é a verdadeira predestinação da música.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: do livro "A MÚSICA E O CANTO NA VIDA ESPIRITUAL"
Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SILÊNCIO - MEDITAÇÃO - PRESENÇA


Se estivermos verdadeiramente atentos ao pronunciar o mantra não seremos capazes de imaginar Deus. Não seremos capazes de construir nenhuma ideia de Deus. No contexto desta atenção pura, da fé pura, aprendemos que todas as imagens, ideias, memórias e palavras não podem abranger a realidade à qual prestamos atenção. Elas são irreais. São ilusões. Portanto, na meditação percebemos que Deus não é uma memória ausente ou um sonho abstrato. Deus é.

Na simplicidade e fidelidade da prática do silêncio, Deus é conhecido não como uma entidade que pensamos, imaginamos, expressamos ou analisamos, mas como toda a própria realidade. Avançar para encontrar Deus através da atenção pura significa conhecer e ser conhecido por Deus. Conhecer é amar. Ser amado é ser conhecido. Ser amado por Deus é amar a Deus. Precisamos eliminar todos os processos intermediários que aprendemos racional e intelectualmente. Todas as imagens, pensamentos e palavras devem desaparecer.

A prática simplificadora de recitar o mantra nos ensina a prestar total atenção ao que é direto. Preste toda atenção Àquele que é pessoalmente. Para nos prepararmos, devemos aprender a disciplina da atenção plena. Aprendemos a disciplina do desapego do ego, de não pensar em nós mesmos. Aprendemos a não ser apanhados na teia do nosso próprio tecido auto-reflexivo, a não nos permitirmos ser apanhados por circunstâncias externas. Aprendemos a viver desde a profundidade do nosso próprio ser, desde a profundidade do próprio Ser.

A meditação é uma disciplina de presença. Com a quietude do corpo e do espírito aprendemos a estar plenamente presentes em nós mesmos, no nosso espaço, no nosso momento. Isso não significa que estamos fugindo, pois ao permanecermos enraizados em nosso próprio ser, nos tornamos presentes em sua fonte. Nós nos enraízamos no próprio ser. Nenhuma das circunstâncias mutáveis ​​da vida pode nos tirar de lá. O processo é gradual. Requer paciência, fidelidade, disciplina e humildade.

A humildade da meditação consiste em renunciar a todo questionamento que nos pareça importante. Deixar a auto-importância para trás significa vivenciar-nos na pobreza, despojados do ego, é assim que aprendemos a ser. Estamos presentes na Presença. Aprendemos, não através da nossa própria inteligência, mas através da própria fonte de sabedoria, o Espírito de Deus.


"Being Present Now", trecho de “GATE TO SILENCE” de John Main: Christian Meditation Newsletter (Londres: Canterbury Press, 2008), pp. 82-83.



Transcrição de Carla Cooper



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal