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terça-feira, 31 de outubro de 2023

ESCORPIÃO - TEMPO DE REORIENTAÇÃO


SOMOS ALMAS E NÃO O CORPO

O zodíaco representa a jornada da alma de uma forma simbólico. A entrada do Sol no signo de Escorpião marca o ponto na vida em que o homem tem um ponto decisivo da crise e resolve reorientar-se, para retornar da objetividade à subjetividade. É como dizer: "Eu me levantarei e irei para meu Pai." Ao voltarmos para casa, somos confrontados com tudo o que construímos em nossa jornada rumo ao externo com indiferença, negligência, abandono, ódio, ciúme e muitas outras coisas. Devemos enfrentá-los e ajustar tudo. Portanto, o caminho de Escorpião é um caminho de provas, de experiências e de triunfo final, porque a vontade se fortalece mais e mais.

Somos almas e por isso, de forma natural, carregamos Luz, Amor e Sabedoria, não é necessário, por isso, adquiri-los. Mas sobre a alma, há camadas de impurezas acumuladas, que impedem seu funcionamento e tornam a luz opaca. Quando a matéria prevalece, a luz da alma empalidece e há uma queda gradual no estado da matéria, como em uma espiral estreita.

Somos almas, não o corpo. Nos são dados três corpos, um é o corpo mental, o segundo o corpo emocional ou astral, e o terceiro é o corpo físico. Neste corpo tríplice, a alma com o seu Amor, Luz e Sabedoria se unem e vivemos como em um lar. Se tivermos controle sobre os corpos, somos Mestres. Quando não sabemos como morar em harmonia no lar, os corpos têm controle sobre a alma e nos tornamos como prisioneiros. Através da busca por prazer, conforto e errôneo uso do dinheiro e da sexualidade, o corpo físico fecha uma porta. Por ambição, ódio e medo, o corpo emocional fecha outra porta. O preconceito, crueldade e orgulho finalmente enjaula a alma dentro do corpo mental. Como sombras escuras essas qualidades se instalam dentro de nós e nos fazem esquecer nossa origem. A personalidade cresce forte, mas a consciência interior morre.


MORTE DA CONSCIÊNCIA

Diz-se que Escorpião causa a morte da consciência. O pássaro solar alado se torna uma serpente rastejante que cavou, ela mesma, mais fundo e mais profundamente dentro da matéria. Através da queda descrita em todas as grandes escrituras do mundo, o homem perde a consciência do espírito e permanece enterrado na matéria. "Quando ele atinge a matéria, é tão escuro quanto a noite", como se explica na linguagem de H. P. Blavatsky. Preto é a cor de Escorpião, o chumbo é o seu metal. Drogas e venenos que causam perda de consciência são regidos por este signo. Também rachaduras e buracos, bem como plantas, animais e pessoas que gostam do escuro são regidas por este signo.


CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA

Na escuridão da matéria mais densa, nós com certeza esquecemos nossa existência - como em um sono profundo - mas não deixamos de existir. E assim como qualquer estado de Luz é uma profecia da escuridão, qualquer estado de escuridão é também uma promessa de Luz. Por esse motivo Escorpião simboliza não apenas a suspensão da consciência, mas também o desaparecimento da consciência inferior no homem superior. Quando o homem é despertado para o seu Ser como pura existência e não se identifica mais com seu corpo, suas emoções e seus pensamentos, isso irá libertá-lo do aprisionamento da matéria. A consciência de AQUILO que EU SOU no mais íntimo do meu ser, eleva o espírito do denso mundo material. Então a história de Escorpião é a história do desaparecimento do homem e o aparecimento do Iniciado. O iniciado faz sua identificação com sua origem: a cobra rastejando no chão sobe e se torna a serpente alada, a águia. O Cajado de Hermes, o símbolo dos médicos, a Serpente Emplumada dos maias mexicanos, a decoração da cabeça do chefe dos Hierofantes egípcios, bem como as Serpentes chinesas e indianas, ou Dragões da Sabedoria, apontam para esse segredo.


TRANSFORMAÇÃO SECRETA

O caminho para a Luz é o difícil caminho do fio da navalha, da disciplina espiritual, na qual a personalidade morre, a alma nasce e finalmente o espírito é revelado. O progresso no estado de Escorpião é silencioso e reservado. Tudo é conduzido interiormente e trabalhado em benefício de outros. Mas à medida que o homem se retira para o seu próprio ser pela transformação interna, ele não descura de seus deveres sociais e domésticos. Nada do seu trabalho interno é visto exteriormente, até mesmo seu próprio vizinho não sabe nada sobre isso. Aqui muitos falham em ao longo do caminho, eles se tornam pouco práticos ​​e sonhadores. Por isso perdem a firmeza na vida objetiva, e também não ganham nada em subjetividade.


RITMO E RITUAL

Escorpião é o signo dos rituais. O ritual é a ordem superior imitada no plano material. Os rituais genuínos estão relacionados com a morte da personalidade e o nascimento da consciência. A vida rítmica é um pré-requisito para um ritualista. O ritmo leva ao ritual e o ritual leva aos segredos ocultos, que revelam a Luz da Verdade. O ritmo é diferente da rotina. A rotina é um movimento mecânico, o ritmo carrega a vida do frescor em sua abordagem. Conduzir a oração e a meditação como rotina, é diferente de conduzir a meditação como um ritual. Se as meditações matinais e noturnas são conduzidas como um ritual, embarcamos em um caminho espiral em direção ao alto. Se fizermos isso como uma rotina, significa que apenas marcamos um tempo. Para aqueles que estão mortos na rotina, toda meditação é a mesmice; eles estão mortos em espírito. Mas existem pessoas que podem aproveitar cada nascer do sol, podem ver a beleza do nascer do sol diariamente, por décadas.

A intenção de Escorpião é internalizar para perceber a vontade de Deus. Quando isto tiver sido alcançado, termina a fase da internalização, do desaparecimento. O homem retorna ao mundo e trabalha com a sociedade. Tendo alcançado este caminho, muitas vezes é incompreendido e recebe crítica, e muitos estão esperando encontrar falhas nele. Ele, no entanto, não se importa com isso e continua com seu trabalho em prol daqueles que tentam também encontrar a entrada do Templo.




Fontes: K. P. Kumar, "Hércules, El Hombre y los Símbolos" / "La Cruz de Acuario"
E. Krishnamacharya, "Astrología Espiritual". The World Teacher Trust
Alice Bailey, "Astrología Esotérica", Lucis Trust

Círculo de Buena Voluntad
Cartas sobre Astrologia Espiritual
www.good-will.ch
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/signo-escorpi%C3%A3o-hor%C3%B3scopo-projeto-4374412/

sábado, 3 de dezembro de 2022

QUE O HOMEM SEJA LIVRE DE SI MESMO E DE TODAS AS COISAS


"A mente livre é capaz de fazer todas as coisas." Mas o que é uma mente livre e como você consegue possuí-la? Eckhart responde que tal processo - e ele sabe que é um processo que nesta vida nunca termina - precisa de completo desapego. Implica uma determinada renúncia a si mesmo onde quer que o homem a descubra em seus pensamentos e ações. E a ênfase recai, necessariamente, na atividade interior, no ser antes do fazer. "As pessoas nunca devem pensar tanto no que têm de fazer; teriam que meditar antes sobre o que são." O progresso espiritual não depende de procedimentos externos, como vigilância, jejum etc. Se eles ajudarem, bom momento; se eles atrapalharem, você tem que deixá-los. Não importa o "modo" de avançar - e pode ser diferente para cada um - mas sim, a integridade da vontade que decide o valor do desapego.

Em um de seus sermões, Eckhart resume seus principais temas, dizendo: Quando prego, costumo falar sobre o desapego e o fato de o homem se livrar de si mesmo e de todas as coisas. Em segundo lugar [costumo dizer] que é preciso se informar novamente na simplicidade que é Deus. Em terceiro lugar, recordar-se da grande nobreza que Deus colocou na alma para que o homem, graças a ela, chegue a Deus de maneira milagrosa. Em quarto lugar, [refiro-me] à pureza da natureza divina... o esplendor que existe na natureza divina é algo inefável. Deus é um Verbo, um Verbo não dito.

"Quem renuncia à sua vontade e a si mesmo renunciou a todas as coisas tão eficazmente como se fossem de sua livre propriedade e ele as possuísse com pleno poder."



El Santo Nombre



Fonte: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

DESENVOLVER A TRANSPARÊNCIA


Uma infância tão dependente e prolongada como a humana, quer queiram as pessoas quer não, termina criando vínculos de afetividade, e sem soberania emocional. Quantos desgostos e sofrimentos futuros podem ser evitados quando os pais estão atentos para corrigir as más tendências de seus filhos...

Deve ficar muito claro que tudo o que cada criança demonstra de características, impulsos e forma de comportamento em cada fase de seu desenvolvimento nesta existência, resulta da condição do espírito que ali está e que, por acaso - apenas por acaso se assemelha a muitos outros espíritos em semelhantes condições. Tudo o que pudermos ajudá-lo neste momento deve ser feito sem demora. Quanto mais tempo passa, mais certos padrões de atitudes e de comportamentos anormais vão sendo fixados...

Tudo que começa certo desenvolve-se com mais segurança e eficiência. É lógico que a reeducação ou Reforma Íntima dos espíritos que neste momento se encontram na condição de adultos seja mais lenta e até sofrida. O tipo de educação que predomina dificulta mais ainda o progresso espiritual e uma das dificuldades é que as pessoas acabam criando uma imagem totalmente deturpada de si mesmas. O alerta para esse problema é bem antigo. Jesus nos disse que somos "lobos em pele de cordeiro", "túmulos caiados de branco por fora e cheios de podridão por dentro". Essa falta de transparência, além de já ser uma tendência inata de muitos, ainda é reforçada pela cultura e educação voltada apenas para as coisas externas.

Mudar isso é muito simples: basta que os adultos procurem conhecer-se. Quem se reconhece e se aceita não precisa tentar esconder nada dos outros. A aceitação de nós mesmos e de nossa condição evolutiva é o passo mais eficiente em direção à melhora. Tentar ocultar das pessoas quem somos e nossas verdadeiras intenções, além de desperdício de precioso tempo, desgasta muito, consome muita energia vital, facilitando a instauração do desânimo ou da depressão.


Américo Marques Canhoto



Fonte: do livro "A Reforma Íntima Começa no Berço"
Ed. Bezerra de Menezes, 1ª ed., 2003, São Paulo
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/escola-alunos-crian%C3%A7as-conselho-3518726/

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A AUTORRESPONSABILIDADE E SEU PROGRESSO ESPIRITUAL


Você não supera o sofrimento se não for honesto, a cura e transformação só são possíveis quando você desenvolve a vontade sincera de se comprometer com a verdade. E sem auto-responsabilidade não pode haver progresso espiritual, você culpa o outro pela sua incapacidade de ser gentil, pela sua incapacidade de amar, pela sua infelicidade, pela sua perturbação, ou seja, pela sua incapacidade de viver pacificamente. O que é que te impede de ser verdadeiro consigo mesmo e com o outro?

Tenho dito que alguns valores humanos precisam ser acordados para que você seja bem-sucedido em sua missão maior que é iluminar o amor, deixando para trás os jogos do sofrimento. Estes valores são como os ingredientes alquímicos que possibilitam que o amor desperte, ou seja, que você amplie a sua consciência, libertando-se de crenças e percepções equivocadas que te impedem de ver a realidade de forma objetiva.

São essas crenças as bases do julgamento, da separação e do desejo, responsáveis por alimentar a fogueira do pensamento compulsivo, que faz você viajar no túnel do tempo; ficar preso no tempo psicológico, nos labirintos da mente. Assim, dissolvê-las é o único caminho para a expansão da percepção que por sua vez, permite o amor fluir. Perceber a realidade de forma objetiva é sinônimo de liberdade, de espontaneidade. Você só pode realmente ter a liberdade de ser você mesmo, bem como experienciar o prazer positivamente orientado, quando puder se libertar das crenças que te habitam. Dessa forma, se faz necessário ter inclinação para ir além do sofrimento e para desenvolver alguns dos valores humanos nos quais tenho colocado minha energia.

O primeiro deles é a honestidade, porque você não supera o sofrimento se não for honesto; não poderá expandir nem uma vírgula de consciência se não for honesto, em primeiro lugar, consigo mesmo, para assim poder também ser com a vida.  Há que se ter a disposição sincera de se ver diante do espelho.

Eu tenho dito e repetido que a honestidade é a forma de amor mais urgente e necessária neste momento. Quando você pode ser honesto consigo mesmo, pode ser honesto com o outro, pode realmente estar afinado com os códigos divinos da verdade.

Eu estou sempre lhe convidando a tomar consciência daquilo que te impede de ser honesto. O que é que te impede de ser verdadeiro consigo mesmo e com o outro? Muitas vezes, você não é verdadeiro porque acredita que vai machucar o outro, e assim, você se esconde atrás dessa crença e não encara o medo que te habita – o medo que esconde sentimentos, feridas que precisam ser tratadas e curadas.

Honestidade significa um compromisso com a verdade. Só quando você desenvolve esse valor é que pode responder a grande pergunta: “Quem sou eu? Quem habita esse corpo?” A inconsciência a respeito de sua identidade pode gerar muitos acidentes. Identificado com essas crenças, você pode ficar eternamente caindo no mesmo buraco. A cura e transformação só são possíveis quando você desenvolve a vontade sincera de se comprometer com a verdade.

Outro valor que precisamos desenvolver para expandir a consciência é a autorresponsabilidade. Há que se ir além do egoísmo e dos jogos de acusações; há que se ter disposição para renunciar a vítima que te habita. Sem essa disposição, você inevitavelmente continuará circulando no mesmo lugar. A autorresponsabilidade é a pedra fundamental em que se edifica a consciência. Sem autorresponsabilidade não pode haver progresso espiritual.

Sem autorresponsabilidade não pode haver evolução da consciência. Você vai ficar eternamente andando em círculos, porque o jogo de acusações é um círculo vicioso – você culpa o outro pela sua incapacidade de ser gentil, pela sua incapacidade de amar. Acusa o outro pela sua infelicidade, pela sua perturbação, ou seja, pela sua incapacidade de viver pacificamente.

Portanto, a expansão da consciência só é possível se houver honestidade e autorresponsabilidade. Por mais evidente que seja o erro do outro em qualquer circunstância, se você ficou perturbado, deve olhar o grão de defeito que está em você. Essa é a base. Essa é a fase zero do processo. Sem essa base não adianta fazer malabarismos com a vida porque nenhuma austeridade vai surtir efeito.

Eu já procurei outro caminho porque sei que este é difícil. Poderia haver um caminho mais fácil, ter uma pílula que dissolvesse condicionamentos e crenças, mas até hoje, ninguém inventou isso. Até hoje você dissolve os condicionamentos através do caminho da autorresponsabilidade.

Assim, quando as coisas ficam difíceis em qualquer situação ou relação que você mantém, se faz necessário encontrar a autorresponsabilidade para olhar objetivamente o que fez a energia cair. Se puder fazer isso junto com a outra pessoa envolvida, melhor ainda, mas não se engane achando que sua liberdade depende da percepção do outro assumindo a parte que lhe cabe no conflito.

Vá atrás da sua parte porque te garanto que, quando você assumir sua responsabilidade no episódio, naturalmente a energia começará a subir de novo. É instantâneo. Coloque em prática que você vai compreender o que eu estou falando.



Sri Prem Baba


Fonte: www.sriprembaba.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

QUASE TUDO

Quase tudo na vida material conspira contra a independência do espírito.

Os interesses imediatos assemelham-se a uma teia que o homem entretece com as próprias mãos, sentindo-se cada vez mais subjugado.

Os apelos de fora lhe consomem as energias introspectivas.

Em corrida vertiginosa, motivada pelo ter, relega-se o ser a plano secundário.

Confunde-se o supérfluo com o necessário.

Ao invés de o espírito direcionar o corpo, o corpo direciona o espírito.

A encarnação é gasta em praticamente se atender às exigências conjunturais de uma existência fictícia.

Sim, porque o homem ambiciona o que lhe é impossível reter, não conseguindo reparar que, aos poucos, a própria vida se lhe esvai...

A luta em favor do desapego é uma luta de titãs.

A diferença entre o espírito e as coisas que o rodeiam é que as coisas mudam de forma extrínseca e o espírito, intrinsecamente.

Sob este aspecto, sem romper com o convencional, o espírito não progride.

E, quase sempre, os que ousam fazê-lo são rotulados de desajustados pelos demais.




Carlos A. Baccelli / Irmão José






Fonte: do livro "Dias Melhores"
Liv. Espírita Edições “Pedro e Paulo”, Uberaba/MG, 2004
Fonte da Gravura: Tumblr.com

sábado, 4 de outubro de 2014

ESQUECIMENTO DAS VIDAS PASSADAS E PROGRESSO ESPIRITUAL

Filhos, o esquecimento do passado, nas experiências infelizes que vivenciastes, é que vos torna viável o progresso espiritual.

Quem não olvidasse o mal de que tenha sido vítima ou verdugo, estacionaria indefinidamente na revolta e no ódio, na amargura e na falta de indulgência.

A amnésia temporária, com relação ao que fostes e ao que fizestes no passado, de certa forma vos enseja o crescimento íntimo num tempo relativamente mais curto do que levaríeis para concretizá-lo, caso tivésseis que conviver com as lembranças negativas que a Lei vos manda esquecer.

Assim sendo, não vasculheis os arquivos da mente, com o propósito de trazer ao presente o que deve permanecer sepultado no pretérito. Preocupai-vos com a construção do futuro, estudando as características de vossa personalidade, para melhor avaliação do caminho percorrido, valendo-vos tão somente das tendências e dos hábitos que relevais em vossa existência de agora.

Em contato com os outros, notadamente com aqueles de vossa convivência mais estreita, os vossos reais valores vêm à tona, possibilitando-vos a identificação clara dos pontos vulneráveis da personalidade, sobre as quais devereis concentrar os vossos esforços de corrigenda.

Os companheiros com os quais vos compromissastes mais seriamente acionam em vós os mecanismos psicológicos a fornecer-vos exata noção dos vossos desacertos de antanho, sem que, para tanto, tenhais necessidade de provocar o despertar de vossas reminiscências.

Na vivência espírita do Evangelho, a chamada terapia de vidas passadas acontece naturalmente, sem que se vos torne indispensável a revelação, em detalhes, do que vos precipitou a queda.

Quando um quadro infeccioso se instala no corpo, o médico não espera que se lhe detecte o órgão de origem, para combatê-lo através da prescrição de antibióticos.

A prática cotidiana do Bem se vos assemelha, para a consciência enferma, a antibiótico de última geração e de largo espectro que, embora sem correto diagnóstico do vosso quadro clínico, combate com eficiência a causa de vossos males.




Dr. Adolfo Bezerra de Menezes / Carlos A. Baccelli





Fonte: do livro "A Coragem da Fé", item 39
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

VEGETARIANISMO E YOGA


Muita gente se pergunta o porquê da dieta vegetariana que nós yoguis praticamos. Às vezes fica difícil discernir os motivos pelos quais o vegetarianismo é adotado sem uma compreensão mais profunda desses motivos. O discernimento e a compreensão são valores fundamentais para exercermos nossa liberdade. O yogui consciente não se torna vegetariano cegamente, porque alguém mandou, ou “porque assim se faz há milênios”. O yogui consciente adota o vegetarianismo como um corolário do processo de compreensão da realidade da vida e do papel que o homem exerce no planeta.

Este texto tem o propósito de contextualizar a prática do Yoga na cultura hindu, de maneira que a pergunta sobre o porquê do vegetarianismo possa ser devidamente respondida. Ao mesmo tempo, o presente artigo pretende ser uma fonte de reflexão e recursos para aqueles que, havendo incorporado algumas das práticas yoguicas em suas vidas, se sintam curiosos ou preparados para darem esse passo em relação à alimentação.

Antes de começar, uma palavra sobre o dharma

A tradição do Yoga hindu nos ensina que a realização espiritual e a verdadeira felicidade somente são possíveis se nossos pensamentos, sentimentos e ações estiverem em harmonia com a ordem universal, chamada dharma. A palavra dharma significa “aquilo que mantém unido”, e refere-se não somente às leis naturais, mas igualmente à Força Consciente de coesão e harmonia que gera e mantém o universo. Tudo é harmonia no universo. Um exemplo óbvio dessa harmonia universal, que é expressão do dharma, é que os planetas, cada um seguindo sua própria órbita, não se chocam nunca.

Porém, o conceito de dharma admite uma outra interpretação no plano humano. Nessa segunda interpretação, podemos afirmar que o dharma é um grupo de valores, eternos e universais, através dos quais se estabelece uma convivência harmoniosa na sociedade. A palavra dharma também pode ser interpretada como “fazer a coisa certa”. Nesse sentido, dharma é aquilo ao qual o homem se mantém fiel ao longo da sua vida, o que pauta suas escolhas e ações. Em suma, sua missão de vida ou seu propósito humano.

O dharma e o código yoguico de conduta

A compreensão plena do conceito de dharma é essencial para podermos integrar em nossa vida os aspectos mais profundos da prática do Yoga, pois ele está intrinsecamente ligado ao código de conduta yoguica, chamado yama e niyama.

Esse código de conduta é o fruto de um longo processo de reflexão, discernimento e sensibilização que os yoguis da antiguidade nos legaram, e tem mais a ver com coerência, motivação e coordenação dos esforços do praticante do que com repressão e controle, e sendo absolutamente essenciais para podermos distinguir o certo do errado a cada momento.

Vou lhe contar um exemplo que ilustra perfeitamente a diferença entre discernimento e repressão de que falei acima. Meu amigo George Porto Ferreira foi morar numa reserva ambiental em Rondônia, na Amazônia, como técnico ambiental do IBAMA. Parte importante do seu trabalho é defender a mata virgem através de ações contra as madeireiras que extraem ilegalmente árvores da selva. Um dos principais motivos do desmatamento, porém, é a criação de novas áreas de pastagem para manutenção dos rebanhos bovinos que serão usados como alimento pelo homem.

Recentemente, em uma de suas raras visitas a Florianópolis, George me contou que tinha se dado conta de que não fazia nenhum sentido para ele levantar a bandeira do ambientalismo se não assumisse definitivamente uma dieta vegetariana. Em suma, meu amigo não decidiu tornar-se vegetariano porque alguém tenha proibido ele de comer carne, mas porque simplesmente percebeu a incoerência entre o discurso ambientalista e sua decisão na hora de escolher o alimento que punha no prato.

Se você come carne, não está unicamente se prejudicando com um alimento de qualidade altamente duvidosa, ou colaborando com a matança de milhões de animais usados como alimento: você está financiando o desmatamento da Amazônia. Simples assim.

Quem, por um lado, discernir o certo do errado, e, por outro, for capaz de colocar em prática o esforço para anular a distância que separa a retórica da prática, é um yogui de verdade.

     Mohandas Karamchand (Mahatma) Gandhi (1869 – 1948)

Não-violência, dharma e vegetarianismo

Voltemos ao código yoguico de conduta. Esse código existe para facilitar a tarefa da realização espiritual. Sem ele, não há como progredir na prática. Não obstante a importância desse código para o Yoga, hoje em dia muitos praticantes sequer suspeitam da existência dele.

O esteio central do código yoguico é ahimsa, a prática da não-violência. Você certamente já ouviu falar na não-violência, uma prática yoguica tão poderosa que, apenas aplicando-a, Mahatma Gandhi e os lutadores pela independência da Índia foram capazes de libertar aquele país do jugo colonialista inglês sem disparar um único tiro. Isso, por sua vez, nos mostra o infinito poder transformador do Yoga. O ahimsa, portanto, é um formidável instrumento para nos mantermos harmonizados com o dharma.

Existem duas dimensões diferentes na prática da não-violência, que estão intrinsecamente ligadas: uma pessoal e outra social. A primeira tem a ver com a forma como a gente se relaciona consigo mesmo e com a nossa prática pessoal de Yoga. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa família, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.

A segunda dimensão da não-violência, a social, depende diretamente da primeira, assim como a unha está ligada à carne. Se os praticantes de Yoga ficarem conscientes o tempo todo de ahimsa, haverá uma transformação profunda na sociedade. Os shastras, textos tradicionais do Yoga, convidam o praticante, como corolário natural da prática da não-violência, a adotar uma dieta vegetariana.

Em sânscrito, vegetarianismo se diz shakaharah. Shakaharah significa literalmente “comedor de vegetais” (shaka = vegetal). A pessoa não vegetariana é chamada mamsaharah, que significa “comedor de carne” (mamsa = carne). O Manudharmashastra, um texto de mais de 2.000 anos de antiguidade, dá a seguinte explicação sobre a palavra mamsaharah, “comedor de carne”:

“Os sábios declaram que o significado da palavra mamsa (carne) é [o seguinte]: “ele (sa) irá comer minha carne [na próxima encarnação] se eu (mam) comer a dele agora”.

Portanto “mamsa” significa literalmente “eu + ele”. Isso nos leva ao tema da unidade que existe na criação e à constatação de que, qualquer coisa que fizermos contra a harmonia universal irá irremediavelmente nos atingir no futuro.

  Kamadhenu, a vaca sagrada do deus Indra, na Mitologia Hindu

Algumas razões para o praticante de Yoga se tornar vegetariano

O vegetarianismo tem sido adotado maciçamente pelos praticantes de Yoga desde milênios atrás, por três motivos:

1) o dharma e a ética ambiental,

2) a saúde e

3) o progresso espiritual.

Em relação ao primeiro ponto, vale lembrar o contexto da experiência do George: considera-se comer carne um crime contra a lei universal, porque isso significa participar, mesmo que indiretamente, em atos de crueldade e violência contra o reino animal, mas também contra o meio ambiente, quando somos coniventes com a destruição das florestas para fazer pasto para engordar o gado. Se uma parte da extensão de terra fértil usada atualmente para criar gado fosse utilizada para plantar cereais, o problema da fome no mundo acabaria imediatamente.

Em relação à questão da saúde, está mais do que claro que uma dieta rica em carnes é diretamente responsável por uma interminável série de problemas de saúde, que vão desde a prisão de ventre até o câncer de cólon, desde o mal de Parkinson até o mal da vaca louca, desde a halitose até problemas cardíacos como o enfarte, que, aliás, é a principal causa de mortes no mundo. Se continuarmos de olhos fechados para essas constatações gritantes, continuaremos vivendo mal e morrendo cedo. O Uruguai, por exemplo, país onde o consumo de carne vermelha é maciço, é recordista planetário em mortes por câncer de cólon (em números relativos à população).

Em relação ao último ponto, o progresso espiritual, devo dizer que nem todas as tradições espirituais do Oriente abraçaram o vegetarianismo. O Buddhismo tibetano, por exemplo, não menciona o assunto. Isso acontece por dois motivos. Por um lado, o Tibet é um país íngreme, alto e muito frio, onde não é possível para a maioria da população seguir uma dieta vegetariana. Por outro lado, Buddha não quis colocar nenhuma restrição a seus monges em relação à alimentação para evitar que eles se apegassem a uma dieta ou deixassem de aceitar o alimento que lhes era dado como esmola.

De fato, o próprio Buddha morreu em decorrência de uma intoxicação que adquiriu num jantar onde lhe foi servido porco, que ele não rejeitou pela questão do desapego mencionada acima. Não obstante esses dois motivos, e outros que poderíamos mencionar, o Dalai Lama recomenda aos seguidores do Buddhismo tibetano a dieta vegetariana.

Excetuando-se o Buddhismo, todas as demais tradições ascéticas da Índia são taxativas em relação à dieta vegetariana: hindus, jainistas e parses aderem desde tempos imemoriais ao vegetarianismo como meio para purificarem não apenas seus corpos mas igualmente suas mentes e corações.

Para o yogui consciente, devorar a carne de animais mortos é um ato de barbárie que carrega consigo consequências kármicas muito indesejáveis.

Considera-se como regra que, se o alimento foge de você quando você estende sua mão para pegá-lo, você não deve comê-lo. Se estender minha mão para pegar um frango com a intenção de matá-lo para comer, é natural que ele fuja para proteger sua vida. Até mesmo animais com limitações de locomoção como as ostras fugiriam de você se tivessem pernas e sentissem que você está atrás delas para comê-las!

Por outro lado, o reino vegetal parece dar seus alimentos sem demasiado sofrimento. Se estender minha mão em direção a um cajueiro para pegar seus frutos, este generosamente permite que me alimente com eles. A árvore não sofre, o alimento é bom e eu tenho direito de me beneficiar dele. Por causa disso, considera-se que a dieta vegetariana esteja em harmonia com o dharma.

A lista de razões para adotarmos o vegetarianismo não se esgota aqui. Sugiro que o leitor amplie sua pesquisa lendo bons livros sobre o assunto ou pesquisando na internet. Um bom começo é visitar o website da Sociedade Vegetariana Internacional no Brasil: www.vegetarianismo.com.br

A transição para o vegetarianismo

Então, como implementar uma dieta vegetariana sem criar um trauma em nossos hábitos? Existem duas opções. A primeira, radical, é simplesmente parar da noite para o dia, após haver refletido e amadurecido a ideia por tempo suficiente como para não se arrepender da decisão ao primeiro convite para o churrasco do próximo domingo.

A segunda, mais adequada para muita gente, é implementar uma série de mudanças graduais nos hábitos alimentares e começar a entrar com mais regularidade na cozinha para escolher e preparar o próprio alimento. Ambas as opções exigem planejamento, pesquisa, bom senso e, principalmente, uma mudança de visão em relação ao que significa realmente alimentar-se.

É preciso ter muita coragem para combater o preconceito e os hábitos sociais arraigados. Um vegetariano recente pode ouvir comentários como estes, da parte de seus amigos ou família: “Então você virou vegetariano? Você está comendo só grama?” “Mas essa canja tem pouquinha galinha. Você não vai comer mesmo assim?” Se você não mantiver o foco em seu propósito, a pressão social ou a familiar podem fazer fracassar seu plano.

Pessoalmente, parei de comer carnes e ovos há mais de vinte anos. Em verdade, já havia tomado a decisão no momento em que tive meu primeiro contato com o Yoga, há mais de vinte e cinco anos. Porém, quando anunciei para a minha mãe, desde o alto dos meus treze anos de idade, que havia decidido parar de comer carnes, ela simplesmente me deu uma bofetada e disse: “Se você acha que vou cozinhar especialmente para você sem carne, está redondamente enganado”. O assunto morreu aí mesmo, mas eu não desisti. Hoje em dia, minha mãe adotou a dieta vegetariana e ajuda muita gente que quer parar de comer carnes.

Não fui bem sucedido naquela primeira tentativa por causa da minha situação de dependência familiar. No entanto, o tempo passou e, quando tornei-me independente e comecei a morar sozinho, consegui finalmente realizar esse objetivo. Devo dizer que não me custou nada parar com as carnes e os ovos, pois minha motivação em relação à prática era muito forte e, depois que você desenvolve uma certa sensibilidade através da meditação, os mantras e as práticas mais sutis do Yoga, o vegetarianismo torna-se uma necessidade.

Definição de vegetarianismo no contexto do Yoga

Por vegetarianismo, entende-se aqui a dieta alimentar que exclui quaisquer tipos de carne, seja de vaca, ovelha, porco e outros mamíferos, mas igualmente a das aves, peixes e “frutos do mar”. Os ovos tampouco fazem parte da dieta vegetariana do Yoga, pois se considera o ovo um tipo de carne líquida.

Mesmo se formos considerar o ovo não galado, ele não faz parte da dieta simplesmente por uma razão de higiene: ovos não galados são menstruação de galinha e, de modo geral, os yoguis não se sentem muito confortáveis alimentando-se da descarga menstrual dos simpáticos bípedes. Aliás, uma pergunta que nenhum ovo-vegetariano me respondeu satisfatoriamente até hoje é a seguinte: qual é a diferença entre comer os ovos de uma galinha e os ovos de um peixe ou de uma tartaruga? Se você come omelete ou bolo com ovos, porque torce o nariz para o caviar?

Por outro lado, a dieta vegetariana tradicional recomendada nas escrituras admite o consumo de leite e seus derivados. É por isso que esta dieta é chamada lacto-vegetarianismo. Os derivados do leite usados na Índia, sejam de vaca ou búfala, são os seguintes: panir, ou queijo fresco, coalhada, iogurte, manteiga e ghi, ou manteiga clarificada. Esses são produtos de fácil digestão para a maioria das pessoas, embora haja gente com intolerância a lactose que deve evitar todos os tipos de laticínios.

Na Índia não existem os queijos amarelos, curados ou gordurosos desenvolvidos na Europa e trazidos para o Brasil pelos imigrantes italianos e alemães. Na medida do possível, o yogui precisa evitar esses queijos, pois contêm um excesso de gordura saturada e são de difícil digestão, provocando um excesso de mucosidade que é extremamente prejudicial para a prática do pranayama e os exercícios de purificação, dentre outros. De resto, provindo do reino vegetal, vale absolutamente tudo.

Afora a dieta lacto-vegetariana adotada pelos yoguis, existe outra opção alimentar, o veganismo, que exclui não somente as carnes mas igualmente todo alimento de origem animal, como os laticínios e o mel. O veganismo leva até as últimas consequências a preocupação ética em relação ao tratamento que os animais recebem das indústrias alimentar e do vestuário, eliminando sumariamente não apenas os alimentos de origem animal mas também quaisquer artigos de couro ou outros sub-produtos da mesma origem.

É bom lembrarmos que essa iniciativa nasceu igualmente na Índia, onde artigos feitos de couro como roupas, sapatos, cintos e outros acessórios nunca foram usados por praticantes sérios de Yoga.

Dhanvantari, o deus hindu da medicina, é um avatar de Vishnu, o preservador

Vegetarianismo e Ayurveda

Uma coisa interessante na hora de escolher o alimento e o tempero que se usa para dar sabor às refeições é observar se esse alimento e esse tempero estão de acordo com nosso biotipo individual. Esse biotipo individual chama-se dosha, em sânscrito.

O Ayurveda, a ciência indiana de manutenção da saúde, recomenda uma série de alimentos para cada biotipo. Nem todos os alimentos considerados bons são bons para todos nós. Você já se perguntou por que, quando duas pessoas comem exatamente a mesma coisa, uma delas digere o alimento com facilidade e a outra não? O Ayurveda responde essa pergunta e muitas outras que possam surgir ao longo do processo de tornar-se vegetariano, indicando os alimentos mais adequados para cada tipo de constituição individual.

Se você não escolher corretamente seu alimento, não conseguirá digeri-lo bem e vai achar que a dieta vegetariana só dá gases, ou que ser vegetariano não é uma boa opção para você.

Se o amigo leitor quiser ampliar sua pesquisa a esse respeito, existem algumas dietas recomendadas para os diferentes doshas disponíveis em www.yoga.pro.br. Não obstante, para escolher com propriedade uma dieta, é preciso conhecer primeiramente seu biotipo fazendo um teste rápido que pode ser achado usando o mecanismo de pesquisa desse website.

Ser yogui = ser vegetariano?

Existem yoguis atualmente que, por diferentes motivos, não aderem à dieta vegetariana. Esses praticantes podem apresentar situações peculiares de saúde, ou manter condicionamentos que lhes impedem de assumir o vegetarianismo de maneira plena, ou simplesmente não darem ao vegetarianismo a importância que ele merece na tradição. Pessoalmente, acredito que essas pessoas têm pleno direito de agirem conforme suas próprias consciências.

O aparente paradoxo que pode surgir do confronto dessas afirmações com o resto deste texto resolve-se no foro íntimo de cada um. Em suma, adotarmos ou não o vegetarianismo é uma questão de ética, sensibilidade, desapego e preparo.

Um dos grandes perigos que tenho visto em relação a isso no pequeno mundo do Yoga é que algumas pessoas se acham no direito de julgarem os demais em função do que elas comem, como se ser vegetariano fosse garantia e elevação espiritual e não o ser fosse sinal do contrário.

Nunca foi correto julgar alguém em função do que a pessoa põe no prato. Adolf Hitler, por exemplo, era vegetariano. Eu não colocaria esse assassino psicopata na categoria das pessoas espiritualmente elevadas. O Dalai Lama, embora já tenha mantido durante um tempo a dieta vegetariana, come carne ocasionalmente por indicação médica. Eu não diria que ele tem uma estatura espiritual pequena.

Portanto, adotar o vegetarianismo pode ajudar, mas não é sinal de realização espiritual. Assim como não existe um teste que possa ser aplicado ao ser humano para determinar seu grau de espiritualidade, tampouco podemos considerar que a adoção de uma determinada dieta signifique alguma coisa em termos de progresso espiritual.

Se você for trocar seus condicionamentos atuais por outros, como a tendência a julgar os demais pela dieta ou a se considerar superior pelo fato de ser vegetariano, é melhor que continue comendo carne até resolver seus problemas de fundo.

Em suma, se a prática do Yoga não estiver nos ajudando a sermos pessoas melhor resolvidas, mais felizes e legais, isso pode ser sinal de que não estamos praticando com a atitude correta, de mente equânime e coração aberto. O melhor é fazermos nossa prática sem julgar a dos demais.

Para concluir, deixo o leitor com uma reflexão do shaiva yogi Tirumular, do sul da Índia:

“Como pode praticar a verdadeira compaixão aquele que come a carne de um animal para engordar sua própria carne? Maior do que mil oferendas de ghi no fogo sagrado é não sacrificar nem consumir nenhuma criatura viva.”



Pedro Kupfer





Texto originalmente publicado na edição nº 06, do Outono de 2005, do periódico trimestral Cadernos de Yoga e republicado em www.yoga.pro.br

Fonte do Texto: EKADANTA YOGA
http://www.ekadantayoga.com.br/
Fonte das Gravuras:
https://pixabay.com/pt/photos/pimento-comida-saud%c3%a1vel-vegetal-8879944/
https://pixabay.com/pt/photos/gandhi-aga-khan-palace-pune-2920137/
https://pixabay.com/pt/photos/kamdhenu-vaca-deus-hindu-deus-arte-7019218/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dhanvantari

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A ARTE DE SE AJUDAR



“Durante anos trabalhei como médium ajudando os outros. Se fiz tanto bem, por que tudo vai mal em minha vida?” (Rosane)

Porque você só se ocupou com os outros e esqueceu-se de si mesma. Assim deixou de lado sua responsabilidade maior que é a de desenvolver seus potenciais e alargar sua consciência. Foi para isso que você reencarnou.

Fazer o bem é agradável, e o que você fez em benefício dos outros certamente lhe granjeou muitos amigos, mas é só. Não acrescentou nada a seu progresso pessoal, não lhe abriu as portas do conhecimento das leis da vida, nem lhe ensinou como lidar com suas emoções, disciplinar sua mente. Esses são fatores indispensáveis a sua felicidade.

Os desafios no dia-a-dia representam oportunidades maravilhosas para que você identifique as causas dos problemas que a afligem. Saber ler esses recados é perceber o próprio processo de amadurecimento interior e encontrar a maneira mais adequada para cada situação, com menos sofrimento e mais sucesso. Significa ver as coisas como são.

Quando alguém a prejudica ou destrata, ao invés de ficar magoada ou com raiva, já experimentou se perguntar: “Como eu atraí isso para mim?”

A vida a trata como você se trata. Se você se critica, maltrata, anula, sua energia fica ruim e atrai coisas ruins. Você é a única responsável por tudo que lhe acontece. Culpar os outros encobre a verdade e provoca julgamentos inadequados, alimentando mágoas, criando desentendimentos, aumentando a infelicidade, criando doenças.

Mas cuidado, descobrir que é você quem provoca os fatos ruins em sua vida não significa ficar se perseguindo ainda mais por causa disso, mas sim perceber seu poder na criação do próprio destino e usar inteligentemente essa descoberta substituindo suas crenças depreciativas e inadequadas por outras mais positivas. É só o que precisa para melhorar sua vida.

Cuidar melhor de si mesmo significa reconhecer as qualidades que você sabe que tem, perceber os pontos fracos com naturalidade, sem ficar contra você nem julgar-se menos por isso. Reconheça que você é só o que é. Nem mais nem menos do que ninguém. Essa é a verdadeira humildade. Valorize suas qualidades, discipline sua mente evitando entrar nos exageros da dramaticidade. Continue a usar sua mediunidade em favor dos outros se o faz por prazer, mas lembre-se de que o mais importante é cuidar de seu progresso espiritual, de seu amadurecimento interior, de sua serenidade. Isso é o que realmente importa. 

Experimente e verá!


Zíbia Gasparetto



Fonte: do livro "Conversando Contigo"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/apoio-suporte-ajuda-7965543/