terça-feira, 16 de outubro de 2012

DRUIDISMO E ESPIRITISMO


1. INTRODUÇÃO

Todas as vezes que nos atemos à biografia de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, lembramo-nos de suas duas encarnações passadas: 1ª) Como sacerdote druida, na época de Júlio César, cujo nome era Allan Kardec; 2ª) Como João Huss, sacerdote checo da Idade Média.

Nosso objetivo é discorrer sobre o Druidismo e não especificamente a respeito da linha psicológica de Allan Kardec. Sendo assim, analisaremos o conceito de Druidismo, o contexto histórico, a teologia tríade dos druidas e a analogia com o Espiritismo.


2. CONCEITO

Druida - nome pelo qual era identificado, entre os Celtas, importante grupo social que desempenhava variadas funções, sendo os responsáveis por manutenção e guarda dos valores da civilização céltica. Modernamente, a preferência etimológica faz o nome derivar de dru-wid, que significa "sábio". (Azevedo, 1990) Druidismo - é religião dos druidas, sacerdotes pagãos dos povos celtas que habitavam a Gália e a Bretanha no período anterior ao Cristianismo, mais especificamente entre o século II a.C. e o século II, d.C. (Castanho, s. d. p.)


3. HISTÓRICO

O
druidismo ocorreu entre o século II a.C. e o século II d. C. Sobreviveu apenas em algumas regiões das Ilhas Britânicas, que não sofreram a invasão romana. Foi, mais tarde, suplantado pelo Cristianismo. A influência do Cristianismo, não do Cristianismo que se dogmatizou mas do Cristianismo primitivo, foi extremamente valiosa para a organização desta religião. É que a alma cristã, sendo mais amante, fornecia os elementos básicos para equilibrar espiritualmente a alma céltica, por natureza mais viril.

O nome, bem como sua origem, tem sido objeto de várias interpretações, cronológica ou etimologicamente. A sua existência não foi conhecida dos Gregos senão duzentos anos a. C. César descreve o centro do druidismo nas ilhas britânicas, donde teria irradiado para as regiões vizinhas da Gália. Plínio, ao contrário, dá o druidismo como originário da Gália e só depois levado para as ilhas. Finalmente, há quem pretenda que o druidismo foi encontrado já pelos Celtas entre os aborígenes da Irlanda e da Grã-Bretanha.
"Camille Jullian, por exemplo, do Colégio de França, na sua obra mais recente sobre a Histoire de la Gaule contenta-se em fixar como de 600 a 800 a.C. a chegada dos químricos à Gália, o ramo mais moderno dos celtas. Eles vinham, crê-se, da foz do Rio Elba e das costas da Jutlândia, enxotados por maremotos, o que os obrigou a emigrar em direção do sul". (Denis, 1995, p. 27)

Não sendo reconhecidos como magistrados legalmente constituídos, os druidas exerciam funções religiosas, jurídicas, políticas e pedagógicas. Os sacerdotes realizavam seus cultos nos bosques, reverenciando, principalmente, o carvalho. Possuíam escrita própria e o aprendizado da doutrina druídica compreendia
vinte anos de exercícios.

Os sacerdotes exerciam cinco funções específicas, dividindo em cinco classes:
1 - os vacios que se encarregavam dos sacrifícios;

2 - os saronidos, encarregados da educação e do cultivo das ciências;

3 - os bardos, poetas, oradores e músicos, que exortavam o povo à prática das virtudes e treinavam os guerreiros;

4 - os advinhos, que previam o futuro;

5 - os causídicos que administravam a justiça. (Castanho, s. d. p.)
O druidismo se aplicava sobretudo a desenvolver a personalidade humana, em vista da evolução que lhe é destinada. Ele cultivava as qualidades ativas, o espírito de iniciativa, a energia, a coragem; tudo o que permitia afrontar as provas, a adversidade e a morte com uma incrível segurança.

Mais recentemente formaram-se confrarias druídicas como as ordens dos Bardos e dos Merlin, em 940. Em 1781 foi fundada a ordem dos druidas de Londres, sociedade secreta que se propunha a fomentar a moral, o patriotismo, o filantropismo e a fraternidade; em 1903, ordens druídicas também apareceram em Gales e na Alemanha. Caráter folclórico. (Castanho, s. d. p.)


4. TEOLOGIA DRUÍDICA

4.1. O SISTEMA TEOLÓGICO

É pouco conhecido o sistema teológico dos druidas, pois os autores gregos e romanos quando falam dos mitos druídicos os referem às suas próprias teogonias. Para alguns o druidismo fundava-se num panteísmo material cheio de mistérios; para outros, o conhecimento da divindade manifestado pelos druidas não muito diferente na perfeição do conhecimento judaico.
(Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

4.2. EXOTÉRICO X ESOTÉRICO

No
Druidismo, como em toda a religião, havia traços exotéricos e esotéricos. Os que não se aprofundaram na análise esotérica, ficaram com a impressão de que o druidismo é uma religião primitiva, principalmente por causa dos sacrifícios que impunha. Porém, ao penetrarem no âmago, no âmbito esotérico, mudaram de opinião, porque vislumbraram uma doutrina reveladora das altas verdades e das leis superiores do Espírito. (Denis, 1995, p. 115)

4.3. AS TRÍADES

Léon Denis, no capítulo VII de
O Gênio Céltico e o Mundo Invisível, faz uma descrição pormenorizada das Tríades. Resumamo-la. O corpo da teologia druídica era baseado nas tríades. As Tríades eram formadas, utilizando-se de três tipos de ensinamentos, em que cada um completava os outros dois. Seria como o filho numa família constituída de pai e mãe. Quer dizer, para que o filho exista deve existir antes um pai e uma mãe. Faltando o pai ou a mãe, o filho não pode vir à luz. Nesse sentido, os ensinamentos são transmitidos de forma lógica, em que se atrelando um ao outro, tem-se todo o sistema organizado.

Conforme as
"Tríades" druídicas há três fases ou círculos de vida: no annoufn, ou círculo da necessidade, o ser começa sob a forma mais simples; no Abred ele se desenvolve, vida após vida, no seio da humanidade e adquire a consciência e o livre-arbítrio; finalmente, no Gwynfyd, ele desfruta a plenitude da existência e de todos os seus atributos, libertado das formas materiais e da morte, ele evolui para a perfeição superior e atinge o círculo da felicidade. Síntese das tríades: passar do abismo Annoufn para as alturas sublimes do Gwynfyd.

Desta série de tríades, as onze primeiras são consagradas à exposição dos atributos de Deus, como vemos a seguir:

DEUS E O UNIVERSO
I - Deus, verdade e ponto de liberdade;

II - Três coisas procedem de Deus: toda vida, todo bem e todo poder;

III - Deus é necessariamente três coisas: vida, ciência e poder;

IV - Três coisas Deus não pode deixar de ser: o que deve constituir, querer e realizar o bem perfeito;

V - Três garantias do que Deus faz e fará: poder, sabedoria e amor infinito;

VI - Três fins principais da obra de Deus: diminuir o mal, reforçar o bem e esclarecer toda a diferença;

VII - Três coisas Deus não pode deixar de conceder: vantajoso, necessário e belo;

VIII - Três forças da existência: não poder ser de outro modo, não ser necessariamente outra e não poder ser melhor pela concepção;

IX - Três coisas prevalecerão necessariamente: o supremo poder, a suprema inteligência e o supremo amor de Deus;

X - As três grandezas de Deus: vida perfeita, ciência perfeita, poder perfeito;

XI - Três causas originais dos seres vivos: amor, sabedoria e poder divino.

OS TRÊS CÍRCULOS

XII - Há três círculos de existência: o
círculo da região vazia (cegant) onde - exceto Deus - não há nada vivo nem morto e nenhum ser que Deus não possa atravessar; o círculo da migração (abred) onde todo ser animado procede da morte, que o homem atravessou; o círculo da felicidade (gwynfyd), onde todo ser animado procede da vida, que o homem atravessará no céu.

XIV - Três fases necessárias de toda a existência em relação à vida: começo em
annoufn, a transmigração em abred e a plenitude em gwynfyd; e sem estas três coisas nada pode existir, exceto Deus.

Em
resumo: a doutrina dos druidas se baseia em três princípios fundamentais: a eternidade de Deus, a perpetuidade do Universo e a imortalidade das almas.

5. DRUIDISMO E ESPIRITISMO

Allan Kardec, no capítulo I do livro segundo de
O Livro dos Espíritos, descreve a classificação dos Espíritos quanto ao grau de desenvolvimento, de acordo com as qualidades adquiridas pelos Espíritos como também pelas imperfeições de que ainda não se livraram. A analogia com a teologia druídica pode ser feita, bastando acrescentar à escala espírita, abaixo da terceira ordem, o círculo de anufn, que caracteriza o abismo ou a origem desconhecida das almas e, acima da primeira ordem, o círculo cegant, morada de Deus, inacessível às criaturas.

O quadro abaixo mostra esta analogia:

ESCALA ESPÍRITA
ESCALA DRUIDA
 
Cegant. Sede de Deus
1.ª ordem
1.ª classe
Espíritos puros. Não mais reencarnação
Gwynfyd. Sede dos bem- aventurados. Vida Eterna
2.ª ordem (Bons Espíritos)
2.ª classe
Espíritos Superiores*
Abred. Círculo das migrações ou das diversas existências corpóreas, que as almas percorrem para chegar de anufn a gwynfyd.
3.ª classe
Espíritos Prudentes*
4.ª classe
Espíritos Sábios*
5.ª classe
Espíritos Benévolos*
3.ª ordem (Espíritos Imperfeitos)
6.ª classe
Espíritos Batedores*
7.ª classe
Espíritos Neutros*
8.ª classe
Espíritos Pseudo-sábios*
9.ª classe
Espíritos Levianos*
10.ª classe
Espíritos Impuros*
 
Anufn. Abismo; ponto de partida das almas.
* Depurando-se e elevando-se pelas provas da reencarnação. Fonte de Consulta: Revista Espírita de 1858, p. 111.


6. CONCLUSÃO

Sintetizando as pesquisas realizadas, deduzimos que o druidismo é fonte de muita sabedoria, e que deveria ser motivo de estudo dos espíritas, a fim de melhor dimensionar o alcance de suas palavras, quer em tribuna ou nas conversas ao pé de ouvido. A absorção destes ensinamentos serviu-nos para enfatizar a crença de que o Espiritismo é eterno, ou seja, sempre existiu. Nesse sentido, a missão primordial de Kardec nada mais foi do que juntar o que estava espalhado, de maneira esparsa por toda a face do planeta.

Hoje estamos no século XX, considerado mais evoluído do que na Antiguidade. Porém nada nos impede de supor Espíritos, já naquela época, mais evoluídos do que nós, uma vez que as verdades são eternas e estão disseminadas no espaço sideral.


7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AZEVEDO, A. C. Dicionário de Nomes, Termos e Conceitos Históricos. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.
CASTANHO, C. A.
Dicionário Universal das Idéias. São Paulo, Meca, s. d. p.
DENIS, L..
O Gênio Céltico e o Mundo Invisível. Rio de Janeiro, CELD, 1995.Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.
KARDEC, A.
O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
KARDEC, A.
Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos (1858). São Paulo, Edicel.



Sérgio Biagi Gregório 



Fonte: http://www.espirito.org.br/PORTAL/artigos/sergio-biagi/ensaio-druidismo.html
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/druida-fadas-magia-papel-de-parede-3442618/

FAZENDO ACONTECER

“Tentar” é uma palavra que o Rav nunca gostou.

Alguns alunos podem ter dificuldade em entender isso. Para eles, a Kabbalah pode parecer um caminho para tentar ser uma versão melhor de nós mesmos, tentar superar nossa natureza egoísta ou tentar vencer nossos medos e limitações.


Mas o Rav explica que existem dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que tentam e aquelas que realizam. Muitos de nós tentamos superar comportamentos negativos ou vícios. E se não conseguimos, a verdade nua e crua é que essa falha ocorre porque ficamos satisfeitos em apenas tentar. Nossos motivos para tentar geralmente são egoístas. Tentamos porque não queremos nos sentir culpados ou porque queremos o reconhecimento do outro.


Tentar é um tipo de consciência, e geralmente aqueles que tentam não obtêm sucesso.


Mas existe outro tipo de consciência – a da convicção. É quando tentar não é uma opção.


Superar desafios requer o compromisso de nunca desistir. O sucesso resulta de enxergar o que queremos mudar ou alcançar, e decidir que, até cruzarmos a linha de chegada, não há volta.


Aqueles que simplesmente tentam, geralmente não querem fazer acontecer de verdade. Eles só querem se sentir um pouco mais confortáveis.


Fazer acontecer significa transformar nossa consciência para realmente se importar com algo ou alguém além de nosso próprio conforto.


No fim das contas, não importa o desafio que enfrentamos, temos que escolher se somos um ser humano que tenta ou que faz acontecer.


Kabbalah não é tentar. É saber que podemos, que vamos conseguir.


Enquanto estivermos neste mundo, qualquer coisa é possível e tudo pode ser mudado. Se mantivermos o esforço e a perseverança, podemos superar tudo.


O que não podemos fazer jamais, em hipótese alguma, é desistir.


É assim que fazemos acontecer.


Rav Yehuda Berg


Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

BASE PARA A FÉ

Um pequeno pedaço de aço pode se tornar um belo e eficiente relógio através da aplicação de inteligência e habilidade. Não pode um ser humano ser transformado naquele que tenha percebido o Derradeiro através da aplicação das ferramentas de discernimento e desapego? Tenha fé em si mesmo, em sua própria capacidade de aderir a um rigoroso calendário de sadhana (disciplina espiritual), em sua própria capacidade de alcançar a meta da realização. Quando você não tem fé na onda, como pode ter fé no oceano? Não dê ouvidos ao que os outros dizem. Acredite em sua experiência, o que lhe dá paz e alegria, a bem-aventurança da alegria do Ser Interior (Atma Ananda). Acredite nisso. Essa é a verdadeira base para a fé.

Sathya Sai Baba

Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AMANHECER DA SABEDORIA

O vajrayana nos diz para, sempre que uma emoção como o desejo surgir, apenas observar e não fazer nada, “não fabricar”. Mas essa é uma instrução facilmente mal compreendida. Quando a emoção surge, “não fabricar” significa simplesmente parar de fazer qualquer coisa.

O que isso não significa é que, se você está caminhando na rua, deve parar, achar um banco, sentar de pernas cruzadas e tentar “observar” a emoção. O ponto aqui é que tendo notado a emoção, a maioria de nós tende não a “observar”, mas sim seguir. Sentimos desejo, então seguimos nossos desejos; sentimos raiva, então seguimos a raiva — ou, no máximo, apenas a suprimimos.

Então, como devemos lidar com as emoções? Sem fabricar nada, apenas observe. E no momento que você olha a emoção, ela desaparece. Iniciantes vão descobrir que a emoção reaparece bem rápido, mas isso não importa. O importante é que no momento em que você começa a observar a emoção, ela imediatamente desaparece. E, mesmo que só desapareça por uma fração de segundo, o fato de que uma emoção desapareceu também significa que a sabedoria, momentaneamente, amanheceu. O reconhecimento dessa atenção nua: é a isso que a palavra “conhecer” se refere.

“Conhecer” a emoção é compreender que, já que ela não tem nenhuma raiz, não há e nunca houve nenhuma emoção. Algumas pessoas falam sobre emoções, particularmente as emoções negativas, como se elas fossem algum tipo de força demoníaca horrível que intencionalmente invade nosso ser, mas elas não são nada disso.

Quando sentir raiva, apenas observe a raiva. Não a causa da raiva ou seu resultado, apenas a emoção da raiva. Ao encarar sua raiva, você descobrirá que não há nada que você possa apontar e dizer: “Aqui está minha raiva”. E a compreensão de que não há absolutamente nada ali é o que é chamado de “amanhecer da sabedoria”.




Dzongsar Khyentse Rinpoche

Fonte: “Not For Happiness”, loc. 3167
http://darmainfo.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VÍRUS DESTRUIDOR



A intriga é semelhante a um vírus destruidor que se multiplica rapidamente, aniquilando a organização de que se nutre.
Imiscui-se sutilmente e prolifera com volúpia, irradiando a sua morbidez devastadora.
Com facilidade transfere-se de uma para outra vítima, conseguindo gerar o ambiente pestífero que lhe é próprio.
O intrigante, por sua vez, é enfermo da alma, portando graves distúrbios emocionais e morais.
É invejoso, e transfere-se da conduta deplorável que lhe é característica para a das acusações perniciosas; é portador de complexo de inferioridade, mantendo sentimentos competitivos com os demais, e porque não possui os requisitos hábeis para vencer, oculta-se na intriga, mediante a qual denigre aquele de quem se faz opositor; é perverso, porque respira mágoas a respeito do seu próximo, que procura anular através das covardes assacadilhas...
Urde planos nefastos e mascara-se com sorrisos pérfidos com que engana as suas vítimas, enquanto as combate com ferocidade.
Sempre armados, a sua imaginação corrompe tudo quanto ouve e vê, adaptando à vérmina que traz no pensamento. Ninguém se livra da intriga insidiosa e cruel.
São célebres na História da Humanidade as intrigas palacianas...
Nas cortes, onde a frivolidade e o ócio predominavam, as intrigas no passado, assim como no presente, têm sido o alimento mantenedor dos parasitas morais que as constituem.
Quase todas as criaturas têm sido abaladas pela insídia da sua maldade, derrubando potentados e afastando pessoas nobres da execução dos seus elevados ideais.
Tronos são derruídos pela insídia da intriga; reis e potestades tombam nas malhas que as asfixiam.
A intriga é irmão gêmea da traição que se homizia no âmago dos Espíritos infelizes.
Todo grupamento social, político, acadêmico, popular, religioso, cultural ou de trabalho e de lazer, é vítima dos profissionais da intriga, neles integrados com os nefandos objetivos de os desagregar.
...E a intriga campeia a soldo da insegurança, da imaturidade psicológica das criaturas humanas.
O intrigante é instrumento dócil das Trevas que pretendem manter a sociedade na ignorância, no atraso moral, a fim de nutrir-se das emanações humanas que vampirizam.
Movimenta-se com facilidade porque é pusilânime, tornando-se hoje amigo daquele que no passado feriu, e assim, sucessivamente, em relação às pessoas que, no futuro, serão suas vítimas.
Alegra-se ao ver os distúrbios que provoca sem deixar-se trair, sorrindo de prazer ante as injunções penosas que a sua conduta censurável dá lugar.
Encontra-se em toda parte, por constituir larga fatia da sociedade inditosa que se compraz na maledicência, nas observações distorcidas...
São necessários antídotos vigorosos para sanar essa epidemia ou muita água em forma de paciência e compaixão para apagar os incêndios morais que provoca.
A intriga é semelhante a cupim que destrói a fonte de onde retira o alimento, sem deixar vestígios externos, até o momento em que se desorganizam as estruturas nas quais se refugia.
Fecha os ouvidos à persuasiva palavra simulada do intrigante, que te escolhe para a catarse da própria desdita.
Não passes adiante a informação infeliz que ele te transmite com o objetivo de envenenar-te o que, invariavelmente, consegue.
Abafa a intriga que te chega ao conhecimento no poderoso algodão do silêncio e da dignidade.
Desarma-te, em relação ao teu irmão, adquire autoconfiança e autoconsciência, que te instrumentalizam para não aceitares a morbidez da intriga destruidora.
Mesmo no colégio galileu, a intriga e o ciúme campeavam, culminando na traição de Judas e em negação de Pedro em referência a Jesus, que sempre os amou.
Sê fiel ao teu ideal, mantendo lealdade com relação àqueles que constituem a tua família biológica, quanto a espiritual.
Não agasalhes informações nefastas, deixando-te contaminar pelo morbo sempre ativo da intriga.
Respeita a concha dos teus ouvidos, preservando-a da intriga e dignifica a tua voz não a propagando, dessa maneira deixando-a diluir-se no oceano da tua conduta moral.
Aqueles que se permitem criar embaraços ao seu próximo, acusando-os, indevidamente, tecendo as redes das informações malsãs, vigiando-os de forma implacável, empurrando-os na direção do abismo do desânimo e do sofrimento, tornam-se responsáveis pelo mal que lhes venha acontecer.
São as mãos invisíveis que os asfixiam e as forças infelizes que os comprimem, derrubando-os pelo caminho da evolução.
Se alguém, por acaso, não corresponde à tua confiança, nem retribui o teu comportamento sadio, não te aflijas, porque o infeliz é ele que, ingrato, não é capaz de compreender a beleza nem o significado da amizade legítima.
Em qualquer circunstância, sê aquele que vive com elevação e honradez, a fim de que longos e saudáveis sejam os teus dias na viagem abençoada pela Terra.
Divulga o bem e canta a glória da afeição pura, entronizando na mente e na emoção, os valores da alegria defluente dos deveres retamente cumpridos.
Embora aceito pelos frívolos, o intrigante é detestado e temido por todos, que lhe conhecem o caráter e percebem que, de um para outro momento, poderão ser-lhes vítimas também.
O que fazem com os outros, certamente farão contigo, sem compaixão.
Jesus recomendou a vigilância e a oração como terapia preventiva e curadora, para uma existência digna e feliz.
Vigia as nascentes do coração para que nelas brote a água lustral do amor que se expande, enquanto orarás, arando com os tratores da caridade, os solos humanos que a vida te oferece.
Intriga, jamais!

Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis


Fonte: http://www.divaldofranco.com/mensagens.php?not=301.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O HOMEM É SIMPLESMENTE DEUS

O homem parece finito, muito pequeno, como uma gota de orvalho. Mas ele contém em si todos os oceanos, todos os céus. Se você olhar de fora, ele é muito pequeno, minúsculo: só poeira, nada mais - poeira sobre poeira. Mas, se você olhar a partir de dentro, de seu centro, ele é todo o universo.

Esta é a diferença entre ciência e religião: a ciência vê o homem de fora e não encontra nada espiritual, nada divino, apenas fisiologia, química, biologia - outro tipo de animal.

Por isso os cientistas estudam os animais para compreender o homem. Os animais são mais simples, mais fáceis de manipular; assim os cientistas insistem em pesquisar os ratos.

E não importa o que concluam, eles continuam insistindo que é o mesmo caso da raça humana. Esta é um pouco mais complexa, claro, mas basicamente igual. A ciência reduziu os homens aos ratos. E o homem só pode ser compreendido agora com o estudo dos ratos ou dos cães.

Mas, na verdade, o homem só pode ser compreendido se forem compreendidos os Budas, os Cristos, os Krishnas. Lembre-se sempre de que isto é fundamental: você não pode compreender o superior estudando o inferior, mas pode compreender o inferior estudando o superior. O superior contém o inferior, mas o inferior não contém o superior.

O único modo de compreender o homem não é externo, não é pela observação, mas pela meditação. É preciso entrar em sua interioridade, em sua subjetividade. Posicionando-se lá, você conhece a maior das maravilhas e o maior dos deslumbramentos: o homem é simplesmente Deus.



Osho, em "Meditações Para a Noite"

Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SOBRE RAÍZES E RAMOS (Causa e Efeito na Sabedoria da Cabala)



As regras que afetam nosso mundo se originam nos mais elevados domínios espirituais. Estas regras descem em cascata para a realidade que todos experimentamos, mas neste processo perdem sua beleza e graça. A sabedoria da Cabala nos ensina como redescobrir aquela beleza e reviver nosso lado espiritual.

Para entender o fenômeno em nosso mundo precisamos em primeiro lugar entender sua origem. Se examinarmos honestamente a realidade, teremos que admitir que não temos a menor ideia do porque as coisas acontecem do jeito que acontecem. Em cada campo do conhecimento humano - das ciências exatas, sociais, medicas ou culturais - nós somos incapazes de explicar completa e exatamente o porque das coisas acontecerem. Se pudéssemos, seríamos capazes de evitar que as futuras desgraças viessem a acontecer.

Sempre que alguma coisa não dá certo, racionalizamos suas causas de mil maneiras diferentes, mas no final do dia, o melhor que conseguimos é apenas uma aproximação tosca. Vejam alguns exemplos: "Se eu ontem estivesse usando o meu casaco de lã, em vez daquele casaco elegante de couro, hoje eu não estaria doente." "O dólar está despencando por causa do gigantesco déficit comercial." "O Vasco está perdendo os jogos em casa por causa da pressão da torcida."

Para entender realmente porque as coisas acontecem e como elas se desenvolvem, precisamos olhar mais fundo do que permanecer no nível dos resultados. Precisamos de uma ferramenta que possa explorar a profundidade de nossas almas e descobrir como as coisas acontecem no nível das causas, ao invés do nível dos efeitos. Para este exame intenso, o "telescópio Hubble" para a introspecção e auto análise é a sabedoria da Cabala.

A sabedoria da Cabala é uma ferramenta de pesquisa, que se usada corretamente, permite aos seus usuários o conhecimento de todos os fenômenos neste e nos mundos espirituais. Ao invés de tratar a realidade como uma mistura de incidentes, a Cabala descreve os eventos em nosso mundo de acordo com as absolutas e imutáveis leis da natureza. Estas leis não são percebidas pelas pessoas comuns até que elas comecem a aplicar a sabedoria da Cabala em suas vidas. Como consequência, surge um novo entendimento da realidade e com ele, a habilidade de manipulá-la.

Tome a gravidade, por exemplo. Se ficarmos em pé em cima de uma cadeira e pularmos para o chão, pode ser um simples jogo. Mas se pularmos do décimo andar de um prédio, será com certeza uma tragédia. Neste exemplo, o erro e a consequência são imediatos, logo podemos ligar o resultado diretamente à sua causa: "O homem morreu porque pulou do décimo andar de um prédio." Mas se o homem não tivesse morrido imediatamente quando chegou ao solo? Se ele tivesse se levantado, sacudido a poeira das roupas e saísse caminhando, mas morresse um ano depois, sem nenhuma ligação com o seu salto doze meses antes? Como ele saberia que não devia ter pulado? Ele teria que achar uma maneira que lhe mostrasse qual poderia ser o resultado do seu salto um ano depois. É isso exatamente que a Cabala faz - ela vê as causas e suas consequências. Em termos Cabalistas, dizemos que ela revela as conexões entre os ramos (consequências) e suas raízes (causas).

A gravidade é uma lei. Ela não pode ser contornada ou enganada. Podemos sim, estudá-la e aprender como usá-la em nosso benefício. Mas se nós soubéssemos da sua existência, e não víssemos a conexão entre ela e suas consequências, como poderíamos evitar cair? Provavelmente o princípio da lei penal mais básico seja o de que a ignorância da lei não livra ninguém da pena. As leis que a Cabala descreve são também tão justas. A única diferença entre essas leis espirituais e as leis físicas é que não as percebemos porque estamos afastados da espiritualidade. Para um Cabalista, que está conectado à espiritualidade tão tangivelmente quanto eu e você estamos ligados ao mundo físico, essas leis são tão claras e reais como as leis da gravidade. Para um Cabalista, ignorar essas leis seria como o homem que após pular do décimo andar, perguntado no meio do caminho se tudo estava bem, respondeu: "Até aqui, tranquilo!"

A Lei das Raízes e dos Ramos

A primeira lei a ser estudada é a "Lei das Raízes e dos Ramos"." Esta lei determina que tudo o que acontece neste mundo material replica eventos que acontecem em um mundo superior. Os Cabalistas descrevem o mundo superior, presentemente oculto de nossos sentidos, mas que para eles é bastante concreto. De fato, é tão concreto que eles consideram este outro mundo como a base de tudo o que ocorre em nosso mundo. Eles chamam o mundo que percebem "o mundo das razões" e se referem ao nosso mundo como "o mundo dos ramos."

Os Cabalistas nos ensinam que tudo o que pensamos, sentimos, imaginamos, vemos e ouvimos foi predeterminado em um mundo superior. Rabbi Yehuda Ashlag descreve esta lei em seu artigo "A Essência da Sabedoria da Cabala". De acordo com Ashlag, "Não há um só elemento da realidade ou um evento na realidade, que não possa ser encontrado no Mundo Superior, tão similar como duas gotas de um poço. São chamados "raiz e ramo", indicando que o elemento no mundo inferior é considerado um ramo comparado com seu gabarito similar no Mundo Superior, que é a raiz do elemento do mundo inferior, já que este elemento foi gravado e formado por lá.

Usando a Cabala, podemos influir neste sistema superior e até mudar o nosso destino! Primeiro é necessário saber como o sistema funciona e depois como operá-lo. Os livros da Cabala descrevem como o sistema espiritual (raiz) funciona, nos permitindo encontrar essas ações em nossa alma e então manipulá-las e como resultado mudar nossa realidade. É a isso que os Cabalistas se referem, quando falam sobre Tikkun (correção).


Gilad Shadmon



Fonte: Bnei Baruch – Sabedoria da Cabala
Artigo publicado no jornal "Kabbalah Today", em Abril/2007
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

COMPAIXÃO EM FAMÍLIA

"Mas se alguém não tem cuidado dos seus e, principalmente dos da sua família, negou a fé ..." Paulo (I Timóteo, 5:8)

São muitos assim.


Descarregam primorosa mensagem nas assembléias, exortando o povo à compaixão; bordam conceitos e citações, a fim de que a brandura seja lembrada; entretanto, no instituto doméstico, são carrascos de sorriso na boca.

Traçam páginas de subido valor, em honra da virtude, comovendo multidões; mas não gravam a mínima gentileza nos corações que os cercam entre as paredes familiares.

Promovem subscrições de auxílio público, em socorro das vítimas de calamidades ocorridas em outros continentes, transformando-se em titulares da grande benemerência; contudo, negam simples olhar de carinho ao servidor que lhes pões a mesa.

Incitam a comunidade aos rasgos de heroísmo econômico, no levantamento de albergues e hospitais, disputando créditos publicitários em torno do próprio nome; entretanto, não hesitam exportar, no rumo do asilo, o avô menos feliz que a provação expõe à caducidade.

Não seremos nós quem lhes vá censurar semelhante procedimento.

Toda migalha de amor está registrada na lei, em favor de quem a emite.

Mais vale fazer bem aos que vivem longe, que não fazer bem algum.

Ajudemos, sim, ajudemos aos outros, quanto nos seja possível; entretanto, sejamos igualmente bons para com aqueles que respiram em nosso hálito. Devedores de muitos séculos, temos em casa, no trabalho, no caminho, no ideal ou na parentela, as nossas principais testemunhas de quitação.


Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

Fonte: do livro "Palavras de Vida Eterna"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SERVIR-SE DA REENCARNAÇÃO

É desejável que cada vez mais pessoas admitam a realidade da reencarnação, mas na condição de saberem servir-se dela para a sua evolução. Ora, o que é que se passa na maior parte dos casos? Em vez de compreenderem que o mais importante é o que elas são agora e o que fazem agora para preparar a sua vida futura, muitas confabulam sobre vidas anteriores imaginárias, dignas de romances, ou apressam-se a ir falar com videntes para que eles lhes revelem, e muitas vezes esses videntes dizem-lhes o que calha para lhes agradar.
 

Na realidade, o passado dos seres não é difícil de conhecer. A partir do que eles são hoje, das suas qualidades e dos seus defeitos, das suas faculdades e das suas lacunas, podemos conhecer – sem entrar em detalhes, claro – o que eles foram; o que eles são nesta encarnação não lhes aconteceu por acaso.
 

A lei das causas e das consequências, que se aplica a toda a criação, entrou em ação para modelar a sua existência atual. Então, agora, eles devem é ocupar-se do seu presente para prepararem o seu futuro.

Omraam Mikhaël Aïvanhov 

Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DA EXISTÊNCIA AO NÃO-SER

Yesh = existência
Ain/ein = nada, não-ser, não-existência
Kiyum = existência cumprida

A finalidade da criação "yesh me-ain", da criação "ex nihilo", segundo o Chabad, é fazer que o "yesh", o que existe, identifique-se com o que não existe, o nada, o não-ser, o "ain". Este desígnio só pode ser realizado pelo homem, que existe no "yesh", mas que é igualmente capaz de viver no "ain".

O "yesh", a vida material, parte do "ain", da fonte da vida, e desemboca, novamente, no "ain" da vida autêntica. Graças a seu caráter transitório, o "yesh" adquire seu pleno valor de permanência, de durabilidade, ou seja, "subsiste" e realiza seu "kiyum". O homem, que deixou inconsciente e involuntariamente, a seu pesar, a fonte da vida, uma vez que se faz consciente trata de retornar a ela livremente e por amor puro.

O homem é a personificação do "yesh", e se for considerado como uma entidade autônoma e permanente, separado de sua origem e ainda sem se preocupar sobre sua finalidade, cai no "pecado" da mesma maneira como Adam separou a "árvore do 'yesh'", a "árvore da ciência do bem e do mal", da "árvore do 'ain'", a "árvore da vida", acreditando ser capaz de dispor do "yesh" conforme sua vontade e condenado-se, por isso, a morrer, ou seja, experimentar o "sabor" amargo da morte.

Quando chega a distinguir o "yesh" do "ain", de onde procede seu pesar, mas para o qual pode dirigir-se à vontade, libera-se de sua angústia da morte. Compreende que sua chegada ao "yesh" é uma prova do amor de Deus. Deus quer que o homem viva no "yesh", e não só que exista nele, que não morra, senão que se eleve novamente, por iniciativa própria, até Ele.

A distinção que o homem deve estabelecer entre o "yesh" e o "ain" está relacionado com a distinção que deve realizar entre existência e vida, assim como entre morte e vida, entre o aparente e o real, entre o falso e o verdadeiro, entre a escravidão e a liberdade.

Esta distinção é fruto do conhecimento do bem e do mal, associado, por sua vez, a vontade de realizar uma obra criadora. Entretanto, não poderia ser perfeitamente clara posto que o "yesh" não permite uma limpidez absoluta. E isso faz parte da vontade pluralizante do Criador, e está constituído "pelo bem e pelo mal", por um bem que pode converter-se em mal e por um mal que pode ser transformado em bem. Sem um certo grau de confusão do "yesh", cessaria a atração que o pecado exerce e a liberdade humana ficaria anulada posto que então não teria nenhuma possibilidade de escolha.

O limite entre o "yesh" e o "ain" é, por isso, bastante fluido: "todas as criaturas estão compostas de "ain" e de "yesh"; o homem não deve confundi-los, nem deve permitir que o "yesh" absorva ao "ain", nem que o "ain" absorva ao "yesh". Convém que o "yesh" se purifique no "ain", que o corpo se purifique na alma, e que o "yesh" se deixe penetrar, no amor, pelo "ain".

O que o "yesh" inspira e suscita não é uma atitude de desprezo: o homem da cabala não desperta nenhuma visão pessimista da existência, nem uma tendência ascética. O "yesh" é um estado provisório, de modo que há que considerá-lo como tal para melhor utilizá-lo. Corresponde a uma fase preparatória que conduz ao "ain" e deve ser posto ao serviço do bem, porque foi incluído nos planos de Deus.

O "yesh" não é uma ilusão, mas pode vir a sê-lo quando mantido longe de sua origem e meta. O "yesh" só tem realidade em virtude de sua vinculação com o "ain". O "ain" sempre é mais real do que todas as realidades do mundo. O "ain" (o "klum" = o nada) é o "kol" (o todo), enquanto que o "yesh", o existente, é unicamente uma forma singular e efêmera do "ain".

Teshuvá = retorno

(...) quando Deus criou o mundo no amor e para o bem, confiou no justo, no homem a quem deu o título de criador. Deus criou o "yesh" e o opôs ao "ain" para que o homem, em uso de sua liberdade, unisse o "yesh" ao "ain". A ação criadora e redentora do homem, indicada por Deus, consiste em restabelecer o "yesh" em sua condição original de "ain": a pluralidade do "yesh" se funde na unidade do "ain".

É um ato de "teshuvá", de retorno, de cura cósmica que o homem deve realizar. Desde sua saída do "ain", o homem aspira reencontrar-se nEle. E essa é a razão de se descobrir, no "yesh", parcelas do "ain", manifestações da vontade original. O homem, em busca da harmonia, reúne fragmentos da vontade divina dispersos pelo mundo, os combina num todo e os devolve a sua origem: à Vontade Suprema, geral; deste modo, o homem realiza uma obra unificadora, complementar da obra primordial divina: uma obra redentora. Faz com que a vontade, una, divina, reine no mundo; e assim restabelece a ordem perfeita no universo. (...)

Avodá = trabalho
Ani = eu
Ain --> Ani--> Ain

(...) A obra de salvação é a meta de um longo "avodá", de um trabalho contínuo realizado pelo homem. Este é o servidor de Deus, aquele quem dirige seus pensamentos, suas palavras e seus atos a um mesmo objetivo redentor. O trabalho cotidiano e a oração de cada dia se complementam mutuamente: juntos constituem o "avodá" exigido por Deus.

Assim o homem restaura a obra divina, degradada não só pelo pecado humano senão também pela própria vontade de Deus. Reconduz o"yesh" ao "ain", mas não por isso renuncia, como personificação que é do "yesh", a sua própria individualidade, a seu próprio eu. Retorna ao "ain", mas conserva seu "ani" (eu).

No momento do seu primeiro encontro com o homem, Deus surgiu do "ain" para adquirir a forma de um "ani" que se oferece ao ser humano. O homem, por sua vez, há se metamorfoseado de "ani" em "ain": há se "aniquilado" diante de Deus. Mas a consciência de sua aniquilação só lhe é dada pelo reforçamento de seu "ani". Não se submergiu em Deus, não abdicou de sua própria personalidade, nem abandonou sua tarefa. (...)


Rabino Alexandre Safran

Fonte: dos livros "La Cábala" e "La Sabiduria de la Cabala"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AMANDO SEMPRE

Aproveita o dia e faze o melhor, amando sempre.
 

Plasma a obra que vieste realizar entre os homens, enquanto o apoio do tempo te favorece.
 

Suporta com paciência as vicissitudes da estrada e aceita, nas circunstâncias difíceis, a justiça da vida que volta a pedir-te contas.
 

Na tarefa mais obscura, apõe o selo da bondade e, na conversação mais simples, modela a palavra luminosa do entendimento.
 

Abraça em cada pessoa que te cruze o caminho, alguém que te leve mais longe a mensagem de auxílio e, em cada página, por mais pequenina, que te registre o pensamento, grava o amor puro que te verte do ser.
 

Observa o relógio impassível.
 

Minuto marcado é valor que não torna.
 

Terás, sim, outros minutos, mas em novo dia, em novo problema, em nova situação e em nova paisagem...
 

Toda criatura terrestre, embora não perceba, vive a despedir-se do mundo, pouco a pouco, despachando, cada dia, com os próprios atos, a bagagem que encontrará na estação de destino.
 

Use, desse modo, as forças que Deus te empresta, na construção do bem, porque, amanhã, quando a morte chegar, compreenderás, por fim, que tudo quanto fizeste aos outros a ti mesmo fizeste.

Meimei / Francisco Cândido Xavier 

Fonte: do livro "Ideal Espírita"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal