segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

O NOVO TIPO HUMANO


... Como se manifesta o novo tipo humano? Em que consiste essa renovação? Qual é seu sinal?

Eis a resposta: Ele é o homem que sonda completamente a essência e a natureza do primeiro nascimento sideral e suas consequências; que está decidido a palmilhar a senda do retorno, voltando-se, para tanto, a seu santuário do coração, à rosa-do-coração, também designada como “o Senhor da Gruta”, a fim de liberar e aplicar a força ali encerrada.

Na rosa-do-coração está presente uma força sétupla que corresponde aos sete universos e, portanto, conduz aos sete nascimentos siderais. Solicitamos, aqui, vossa atenção para o fato de que o primeiro nascimento sideral refere-se à parte da realidade dialética que existia no período anterior à Queda. E visto que nem uma só fase do caminho de desenvolvimento pode ser omitida, está claro que a fase inicial refere-se a retornar ao estado de ser pré-adâmico, carregado dos tesouros da experiência de incontáveis séculos.

Essa é a assinatura do novo homem de modo geral. Entrando em detalhes, pode-se dizer que a radiação da rosa-do-coração é uma força atômica absolutamente não-terrena.

Quando um aluno da Escola Espiritual libera essa força e consegue preencher com ela todo o seu ser, fazendo-a circular em seu ser, então toda sua existência inevitavelmente se modificará e se tornará, entre outras coisas, muito mais etérica. O inteiro santuário da cabeça com seu maravilhoso instrumentário será dotado de faculdades totalmente diferentes.

Desse modo, surgirá por fim, uma criatura que se situa entre o tipo humano do primeiro nascimento sideral e o do segundo, estando de fato no mundo, porém já não sendo do mundo. É o homem joanino, que se manifestará, pouco importando se ele é indicado como João, o Batista, João, o Evangelista, ou João do Apocalipse. Por “João” é designado o ser humano em quem o Espírito Sétuplo realizou um poderoso trabalho de transmutação, portanto, o homem a quem o Espírito Santo Sétuplo manifestou sua graça.

Esse homem é o que se distancia da vida burguesa comum e experimenta esta vida como um deserto. Tal como o Batista, ele sai ao encontro dos que o buscam, e transmuta-se a tal ponto que, por fim, perde-se naquele a quem chamamos de Jesus, o Senhor, mediante a transfiguração do santuário da cabeça, onde o homem-alma surgirá.

Esse homem tornou-se, então, pluri dimensional, quadridimensional. Nós o chamamos de João-Jesus. Carregado de seus tesouros, ele retornou à aurora do primeiro nascimento sideral para, em seguida, elevar-se ao segundo nascimento sideral, ao reino dos céus. E agora ele começa seu grande trabalho a serviço do mundo e da humanidade, trabalho que podemos denominar um caminho da cruz. O caminho da cruz, exemplificado para ele no passado por um dos grandes, é seguido e cumprido por aquele que, tendo nascido como João-Jesus, é agora denominado “Cristiano Rosa-Cruz”.

Nesse momento da grande vitória, em que o caminho da cruz foi trilhado, do começo ao fim, por um ser humano como nós, por um ser que, seguindo a Cristo, como Cristiano Rosa-Cruz, realizou a senda óctupla, a senda dos dois quadrados, vemos em radiante beleza a pedra de toque branca, a pedra cúbica, a cruz encerrada em um cubo, em sinal de que a tarefa foi cumprida:

1. como homem;

2. como alma, e

3. como espírito...



J. van Rijckenborgh e Catharose de Petri




Fonte: do livro "A Fraternidade Mundial da Rosa-Cruz", O Apocalipse da Nova Era II, 2ª conferência de renovação de Aquarius
Lectorium Rosicrucianum - Escola Internacional da Rosacruz Áurea
www.rosacruzaurea.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/fantasia-luz-humor-reino-unido-2861107/

A REALIDADE É O QUE SE VIVE, O QUE SE SENTE


Para um ser humano, a única realidade é o que ele vive, o que ele sente. Considerai o caso de uma pessoa que tem alucinações: sente-se perseguida por monstros, fica aterrorizada, dá gritos. Fisicamente, visivelmente, ninguém a ataca, mas ela sente-se perseguida, sofre, e, quando alguém sofre, ide lá dizer-lhe que é uma ilusão! Também acontece certos seres viverem êxtases, iluminações, no meio das piores condições, e também nestes casos como é que se irá persuadi-los de que isso não é verdadeiro? O sofrimento ou a alegria que o homem vivencia talvez sejam as únicas coisas de que ele não duvida. Pode-se duvidar do que se vê, do que se ouve, daquilo em que se toca, mas do que se sente, do que se vive, nunca se pode duvidar; é a realidade.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

EM PAZ OU TORTURADOS PELO REMORSO ?


Imagine o leitor o arrependimento, o remorso, nos estados mais expressivos causando perda de sono, de apetite e até afetando o encanto da alegria de viver. Somam-se a ele as angústias próprias das preocupações, de variadas origens, agravadas muitas vezes com as dificuldades de relacionamento, com medos e outros estados.

Por outro lado, considere os estados de tranquilidade da alma pacificada. Sim, aquela decorrente da paz de consciência que traz alegria e harmonia que influem diretamente nos relacionamentos, na produtividade do trabalho, no bem-estar familiar.

Pois esses são estados de consciência, que se pode ampliar também para as noções do dever familiar ou profissional e da consciência como cidadão, como cristão.

Mas não é esse ângulo que queremos destacar. Objetivo é mesmo destacar esses tormentos próprios da ausência da paz de consciência ou da harmonia decorrente exatamente também, agora presente, da paz de consciência.

Há milênios destaca-se a existência de um céu e de um inferno, mas eles nada mais são que estados de consciência. É ingenuidade imaginar um céu de ociosidade ou de contemplação eterna, sem atividade, o que tornaria o céu um outro inferno. Ou, ao mesmo tempo, imaginar um inferno destinado ao sofrimento eterno, sem possibilidade de libertação e ainda entregue ao comando de um ser que o próprio Deus não poderia comandar, na figura infantil do chamado e desacreditado diabo.

Não existem o céu e o inferno. Estes podem existir desde já no interior de cada um de nós, de acordo com nossas posturas morais e comportamentos que adotamos. O que existem são estados de consciência, que pode estar em paz ou torturada pelo remorso, pelo arrependimento.

Diabo somos nós quando nos alimentamos de inveja, de ciúme, de rancor, de desejo de vingança, de avareza, quando agimos nos bastidores para manipular e benfeitores somos quando usamos o perdão, a benevolência, a humildade, a solidariedade.

Não há o castigo do inferno ou a premiação da ociosidade nas leis que regem a vida. O que existem são leis sábias que comandam a vida com justiça e misericórdia, sintetizada na célebre frase: “A cada um segundo suas próprias obras”, na sabedoria do Mestre da Humanidade.

Agora que a mentalidade amadureceu somos convidados a uma postura moral mais adequada com o progresso de nosso tempo e com as diretrizes que começamos a compreender com mais clareza.

Veja-se a complexidade do momento atual do país. Ela é fruto de nossas imperfeições morais, individuais e coletivas, que resultaram no quadro social que aí está. Mas estamos capacitados para superá-lo, colocando a consciência no cumprimento do dever, agindo com retidão para não adentrarmos depois no “inferno” da consciência de culpa. O céu de harmonia e paz que esperamos está em nossas mãos!


Orson Peter Carrara



Fonte: Grupo de Estudos Avançados Espíritas
https://www.geae.net.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/solit%C3%A1rio-homem-chorando-sozinho-1510265/

SER HUMANO: POTENTE E IMPOTENTE, SÁBIO E IGNORANTE


Um dos Upanishads dá uma curiosa definição do homem, dizendo que é ao mesmo tempo potente e impotente, sábio e ignorante. Se o compararmos no estado selvagem com qualquer outro ser vivente, o veremos desvalido e ignorante; carece de roupagem e armas naturais; não é alípede nem alígero para escapar de seus inimigos; não tem o instintivo conhecimento que aos animais ensina o alimentício e o venenoso, os que são amigos e os que são inimigos; nem tampouco é capaz de construir uma vivenda.

Poderia crer-se que a natureza fez uma exceção com o homem, pondo-o tão desvalido no mundo; mas não há tal. O homem sem vestimentas naturais aprendeu a usar sua inteligência para fabricar para si roupas com que morar em qualquer clima; e também lhe serviu sua inteligência para fabricar armas e ferramentas que lhe têm dado o domínio do mundo.

Pôde o homem primitivo queixar-se de sua inaptidão e rogar a Deus que a remediasse; mas o homem inteligente, reencarnação do primitivo, olha para trás e dá graças a Deus pelas oportunidades que lhe ofereceu e pela outorgada honra de constituí-lo através dos séculos em um ser divino que a si mesmo se vai formando constantemente por seu próprio trabalho, e não como uma coisa material modelada por força de influências externas. Então vê o homem através do tempo a sua harmonia com o mundo, e compreende que o mundo tem sido e é seu amigo, não um amigo sentimental, senão verdadeiro em suas necessidades.

Como o homem pertence ao aspecto divino e não material do universo, ele desenvolve cada vez em maior medida faculdades divinas, e Deus o auxilia encarnado no princípio de harmonia. Deus é onipotente e contudo há algo que Ele não pode fazer, como, por exemplo, que um gigante seja anão ou um quadrado seja um círculo, porque se o homem é gigante não pode ser anão, e se a forma é um quadrado não pode ser um círculo. Tampouco pode fazer que uma vontade seja dependente, porque se a vontade não é independente, não é vontade. Daqui que Deus reconheça a divindade no homem para a evolução de sua consciência e de suas faculdades, e neste conceito o homem é por si mesmo existente e criador e divino em todo o tempo.


Ernest Wood



Fonte: do livro "Os Sete Raios"
Tradução de Joaquim Gervásio de Figueiredo
Ed. Pensamento, São Paulo
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/face-silhueta-comunica%C3%A7%C3%A3o-m%C3%A1scara-386626/

DESENVOLVER A TRANSPARÊNCIA


Uma infância tão dependente e prolongada como a humana, quer queiram as pessoas quer não, termina criando vínculos de afetividade, e sem soberania emocional. Quantos desgostos e sofrimentos futuros podem ser evitados quando os pais estão atentos para corrigir as más tendências de seus filhos...

Deve ficar muito claro que tudo o que cada criança demonstra de características, impulsos e forma de comportamento em cada fase de seu desenvolvimento nesta existência, resulta da condição do espírito que ali está e que, por acaso - apenas por acaso se assemelha a muitos outros espíritos em semelhantes condições. Tudo o que pudermos ajudá-lo neste momento deve ser feito sem demora. Quanto mais tempo passa, mais certos padrões de atitudes e de comportamentos anormais vão sendo fixados...

Tudo que começa certo desenvolve-se com mais segurança e eficiência. É lógico que a reeducação ou Reforma Íntima dos espíritos que neste momento se encontram na condição de adultos seja mais lenta e até sofrida. O tipo de educação que predomina dificulta mais ainda o progresso espiritual e uma das dificuldades é que as pessoas acabam criando uma imagem totalmente deturpada de si mesmas. O alerta para esse problema é bem antigo. Jesus nos disse que somos "lobos em pele de cordeiro", "túmulos caiados de branco por fora e cheios de podridão por dentro". Essa falta de transparência, além de já ser uma tendência inata de muitos, ainda é reforçada pela cultura e educação voltada apenas para as coisas externas.

Mudar isso é muito simples: basta que os adultos procurem conhecer-se. Quem se reconhece e se aceita não precisa tentar esconder nada dos outros. A aceitação de nós mesmos e de nossa condição evolutiva é o passo mais eficiente em direção à melhora. Tentar ocultar das pessoas quem somos e nossas verdadeiras intenções, além de desperdício de precioso tempo, desgasta muito, consome muita energia vital, facilitando a instauração do desânimo ou da depressão.


Américo Marques Canhoto



Fonte: do livro "A Reforma Íntima Começa no Berço"
Ed. Bezerra de Menezes, 1ª ed., 2003, São Paulo
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/escola-alunos-crian%C3%A7as-conselho-3518726/