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terça-feira, 30 de outubro de 2012

A CABALA E O MISTICISMO MAÇÔNICO



A palavra Cabala tem origem no vocábulo hebraico kibbel, significando lição, tradição, ensino. A Cabala é a tradição esotérica e o conjunto das doutrinas secretas do judaísmo. Esta ciência oculta foi recolhida nas Escrituras e devia ser transmitida oralmente e nunca ser escrita, visando evitar que o texto caísse sob as vistas dos profanos.

Os cabalistas datam as concepções primordiais da Cabala de tempos primitivos - que remetem a Moisés e até Abraão e Adão. Quanto aos verdadeiros fundadores da Cabala, entretanto, são mencionados três talmudistas: Rabino Ismael ben Ehsa (cerca de 130 d.C.); Rabino Nechunjah ben Hakana (cerca de 75 d.C.) e, sobretudo, Simeon ben Yohai (cerca de 150 d.C.), sendo este último apontado como autor do famoso Zohar.

Acredita-se que os ensinamentos da Cabala começaram de forma oral, que foi transmitida por Enoque aos seus descendentes, sendo que, posteriormente, Moisés, para evitar que seus ensinamentos se perdessem, comunicou-os aos setenta anciãos escolhidos, e daí para frente de forma escrita. Mas, ao serem escritos os ensinamentos cabalísticos, foi utilizada a maneira mais simbólica possível, com o intuito da não compreensão profana, mas tão somente dos iniciados. Dois são os livros fundamentais da Cabala: o Sefer Yetsirah, ou Livro da Criação, e o Zohar, ou Livro dos Esplendores.

A Cabala apareceu, na sua forma atual, por volta do século XII, repetindo, continuando e completando o ensino esotérico do Talmude. Na Bíblia temos os livros cabalísticos de Ezequiel e do Apocalipse, que foram escritos de forma velada, simbólica. A chave do seu ocultismo repousa, como a do Talmude, sobre o valor dos números, a combinação das 22 letras do alfabeto hebraico e a força oculta do Tetragrama.

O ensino da Cabala esmera-se em dar com precisão a definição da divindade vulgarmente denominada Deus, em fixar-lhe os atributos e em estabelecer o processo das manifestações do seu poder. A particularidade da Cabala é de repudiar toda ideia de antropoformismo na definição da divindade, de afastar toda possibilidade de figuração de Deus que é Infinito, inacessível, incompreensível... O Ser por excelência, o Verbo eterno conjugando-se, simultaneamente ao presente, ao passado, ao futuro: Jeová/Jave/, Aquele que foi, que é, que será, Aquele cujo nome nunca deve ser pronunciado porque o profano não compreenderia que o Deus Todo-Poderoso, o Deus dos Exércitos não pudesse ter nenhum outro nome a não ser o verbo Ser.

A Cabala descobre todos os mistérios da criação neste simples nome, ao estudar o simbolismo representado pelas quatro letras formando este nome assim dividido: IOD, HE, VAV, HE (IHVH). Este nome é aquele que encontramos no cume de todas as iniciações, aquele que irradia no centro do triângulo flamejante da Maçonaria.

A primeira letra, o IOD, figurada por uma vírgula ou um ponto, representa o princípio original das coisas, o ponto de partida da criação. Esta letra que ocupa o décimo lugar no alfabeto hebraico, é representada pelo número 10, ele mesmo composto do número um, unidade, princípio, e do zero, representando o nada, por seu significado e o Todo por sua forma. No IOD ou número 10, a unidade, origem do Todo, alia-se ao Nada para formar o princípio inicial da Criação, princípio gerador, princípio masculino.

A segunda letra, o HE, quinta letra do alfabeto hebraico, representa o número 5, equivalente à metade do valor da primeira letra, 10. E o princípio inicial IOD ou 10 que se fraciona em dois, e que se desdobra. Tal é a origem do binário: masculino-feminino, ativo-passivo, positivo-negativo, homem-mulher. A energia criadora masculina junta-se à matéria fecunda feminina.

A terceira letra, VAV, ocupa o sexto lugar no alfabeto. Resulta da ação geradora do IOD sobre o HE, ao princípio masculino sobre o princípio feminino. E o filho, a resultante: um mais cinco igual a seis.

A quarta letra representa um segundo HE, novo elemento feminino, indispensável ao filho para possuir a faculdade de se reproduzir e de perpetuar o Ser. É o grão que contém em potência a geração futura e a possibilidade de garantir a Eternidade.

JEHOVA/JAVE (IHVH), portanto, não é um nome, mas o símbolo da Criação e da Eternidade, do SER PERFEITO. Este nome não pode ser pronunciado a não ser uma vez por ano, e soletrado letra por letra no Santo dos Santos, pelo Sumo Sacerdote, Grão-Mestre da Arte Sacerdotal, no meio do ruído das preces do povo profano.

Diz-nos Elifas Levi: Todas as religiões dogmáticas saíram da Cabala e para ela voltam. Tudo quanto existe de científico e de grandioso nos sonhos religiosos de todos os iluminados é tirado da Cabala. Todas as associações maçônicas lhe devem os seus segredos e os seus símbolos.

Paul Naudon assim escreveu: Nada permite de resto de situar, no tempo, a adoção, pela Maçonaria dos sinais e símbolos que a Cabala utiliza. A instituição não foi uma criação espontânea; deriva em grande parte das associações arquitetônicas que a precederam ou inspiraram, como os colégios romanos, as associações monásticas, as guildas etc. Sofreu, igualmente, largas influências dos maçons aceitos cujo papel tornou-se progressivamente primordial com o declínio do elemento profissional.

As preocupações filosóficas desses maçons especulativos alquimistas, hermetistas, cabalistas, rosa-cruzes e seus subsídios esotéricos vieram juntar-se e completar os da Maçonaria. O fundamento de suas doutrinas repousava sobre o mesmo princípio da Maçonaria: o da imanência divina. O papel desses hermetistas foi importante na transição entre a Maçonaria operativa e a Maçonaria especulativa moderna. Mas a sua contribuição com um simbolismo egípcio, hebraico e siríaco não era mais que uma síntese que vinha integrar-se em um meio amplamente preparado pelos mais eminentes pensadores da Idade Média e da Renascença.

O programa do grau de Aprendiz compreende os números um, dois, três e quatro, donde os conceitos de unidade, de binário, de ternário e de quaternário. O do grau de Companheiro compreende quatro, cinco, seis e sete (tétrada sagrada, quintessência, rosa mística, hexagrama, setenário). O grau de Mestre estuda os números sete, oito, nove e dez (tri-unidade setenária, ogdóada solar, enéada ou árvore dos Sefirot). Os dez Sefirot são dez emanações do Deus único: dez reconduz a um...

Assim, a Cabala passa à Maçonaria seus ensinamentos mais expressivos.


José Geraldo da Silva .'.


Fonte: http://www.solbrilhando.com.br/Sociedade/Maconaria/Artigos/A_Cabala_e_o_misticismo_maconico.htm
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-ma%c3%a7%c3%b4nico-illuminati-8736976/

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

AS TRÊS COLUNAS (SABEDORIA - FORÇA - BELEZA)

Os Pilares Sabedoria, Força e Beleza

A lição imediata que o Iniciado Maçom recebe é da existência das três colunas mitológicas, a da Sabedoria, a da Força e a da Beleza. Colunas essas que representam também os três graus maçônicos, determinados na Constituição de Anderson.

Iniciando pelo Oriente, o Ven. M. está relacionado ao planeta Júpiter, visto que representa a Sabedoria. Júpiter rege a visão, a prosperidade, a  misericórdia, a liturgia, o sacerdócio, o mestrado e a felicidade. A sua função lhe confere prestígio, característica principal de Júpiter.

De forma óbvia, o 1º Vig. e o 2º Vig. são regidos, respectivamente, por Marte e Vênus, planetas da força e da beleza, simbologia das Colunas onde têm seus tronos. Marte rege o início, a coragem, o pioneirismo e o impulso. Vênus rege a harmonia, o prazer, a alegria, e a beleza como reflexo da manifestação do GADU (Grande Arquiteto do Universo).

O GADU trabalha a todo instante construindo o Templo Perfeito. Quando os maçons trabalham simbolicamente em Loja, para construir um Templo com "Colunas", com três "Pilares", simbolizando a Tríplice Natureza do Grande Arquiteto - Sabedoria, Força e Beleza - os dois reinos do espírito e matéria se unem, e a Grande Loja Eterna envia suas forças espiritualizantes para a Loja aqui em "baixo". É por isso que toda Loja Maçônica, ao encerrar sua reunião, distribui suas forças para o mundo. Tal como se dá com um reservatório que haja lentamente captado água de muitas pequenas correntes e por fim transborda, irrigando os campos, assim se dá com uma Loja Maçônica. Os maçons trabalham como instrumentos da "Grande Loja Eterna", pela qual são distribuídas forças para auxiliar os homens.


Segundo assinala René Guénon, nos antigos rituais operativos se necessitava a reunião ou o concurso de três mestres para que uma Loja pudesse trabalhar regularmente, representando cada um deles um determinado arquétipo espiritual ou Nome Divino Criador. Essa simbólica permaneceu na Maçonaria atual e esses três Mestres não são outros que o Venerável e os dois Vigilantes, cujas funções respectivas se vinculam com um Atributo, Aspecto ou Nome de Deus. Sabedoria, Força e Beleza são os nomes que recebem os três pilares ou três "pequenas luzes" situadas no centro da Loja, dispostas em forma de esquadro. Esses três pilares são chamados também de estrelas (alusão direta à sua simbólica celeste), as quais são feitas "visíveis" e presentes na Loja graças à invocação dos Nomes Divinos. O rito de acender estes pilares, acompanhado pela invocação dos Nomes Divinos, assinala o momento preciso em que a Loja, até então em sombras, torna-se plenamente iluminada, produzindo-se um passo das "trevas à luz". É, pois, um rito essencialmente cosmogônico, análogo ao "Fiat Lux" do Verbo criando a ordem cósmica ao fecundar o Caos Primordial, quer dizer o conjunto de todas as possibilidades de manifestação que se atualizam graças a essa ação do Demiurgo. 

Portanto a abertura da Loja descreveria de maneira simbólica um processo análogo ao da criação do mundo. Por outro lado o termo Loja procede de "Logos", a Palavra, ou Verbo, e também de termos linguísticos que designam a luz, como o grego "liké". De fato, o templo maçônico (como qualquer recinto sagrado) é uma imagem simbólica do cosmos, que por sua vez é o Templo Universal e a obra direta do Criador.

E assim como este "tudo disposto em número, peso e medida", a Loja se edifica com Sabedoria, Força e Beleza, ou com Fé, Esperança e Caridade, as três altas virtudes que se correspondem respectivamente com cada um dos três pilares. Na tripla invocação se apela à Sabedoria de Deus como verdadeiro artífice da obra de criação a que preside; a sua Força como a vontade que sustém e a regenera perenemente; e a sua Beleza como a energia que a adorna ao imprimir-lhe as medidas exatas e harmônicas que conformam sua ordem interna e externa, reveladas fundamentalmente através das estruturas geométricas e simbólicas.

Com as invocações desses atributos divinos também se está recordando, ou reiterando na memória dos presentes, aquilo que se diz nos Salmos: "Se o Eterno não edifica a casa, em vão trabalham os que a edificam". Só depois dessas invocações e graças ao influxo espiritual que nelas se contém, o espaço da Loja (do Templo Universal), previamente "enquadrado" pelas "circunavegações" dos Vigilantes, fica iluminado ou ordenado em toda a extensão do mesmo.

É a partir desse momento que se procede a abertura do Livro da Lei e a dispor sobre ele o compasso e o esquadro, o qual leva a cabo o Orador da Loja, Oficial ao qual se considera como o "guardião" do rito. O Livro e os dois instrumentos constituem as "Três Grandes Luzes" da Maçonaria situadas em cima do Altar dos Juramentos, quer dizer, no ponto geométrico de onde simbolicamente se efetua a união do céu e da terra, da vertical ao horizontal.

Essa união está representada pela posição em forma de estrela de Davi, ou selo de Salomão, do compasso e do esquadro, ambos símbolos respectivos do céu e da terra. A Loja parece, assim, como o lugar de onde se manifesta a conjunção céu-terra e por conseguinte a comunicação entre o mundo superior e o mundo inferior. Nesse sentido, recordaremos que na rica iconografia descrita nos quadros da Loja Maçônica em ocasiões aparece uma escada (símbolo do eixo) apoiando sua parte inferior no altar com as três grandes luzes, enquanto sua parte superior toca os céus. Ao integrante da Loja se lhe indica assim qual há de ser o caminho que deve seguir em seu processo interno, um caminho vertical, para o "alto", sem esquecer, que essa ascensão só é possível graças à compreensão da doutrina tradicional. Esta se articula e se expressa através do ensinamento veiculado pelo Livro da Lei (que recolhe as revelações ou teofanias transmitidas aos componentes da "cadeia tradicional") e o compasso e o esquadro (instrumentos que servem para trazer as medidas prototípicas do céu e da terra aplicada à construção mediante o uso da geometria sagrada).



Gostaria de chamar a atenção sobre uma atividade concreta, levada a cabo durante todo o dia, que resulta especialmente susceptível de ritualizar-se e que pode ajudar mui discretamente a preparar os estados de Sabedoria, Força (ou Perfeita Solidão ou Silêncio) e Beleza, com o uso adequado da linguagem e o cultivo do silêncio. 

O uso da palavra, sendo algo cotidiano, no marco dos Ritos Atemporais toma, a sua vez, uma importância capital. Aludiremos aqui, a modo de exemplo, a uma invocação concreta pela qual, recitando de uma determinada maneira as palavras sagradas: Sabedoria, Força e Beleza é possível fechar a Cadeia de União.

Estes três atributos representados por três Pilares Sagrados, segundo o Vedanta (para quem segue o hinduísmo), correspondem a outras tantas funções do Sannyasi (grau espiritual correspondente àquele que cumpriu a realização perfeita) as quais são: Balya, Panditya y Mauna. Funções que, a sua vez, correspondem a três shaktis da Trimurti.

Balya, correspondendo-se com Lakshmi (shakti de Vishnu) equivale à Beleza. Estado de não expansão, onde todas as potências do Ser estão concentradas em um ponto, realizando em virtude de sua unificação uma simplicidade embrionária. É o retorno ao estado primordial, estado comparável a de um menino.

Panditya, correspondendo-se com Saraswati (shakti de Brahma) equivale à Sabedoria. Atributo relacionado com a função de ensinamento, ou qualificação para despertar em outros as possibilidades correspondentes. Supõe a perfeição do conhecimento teórico.

Mauna, correspondendo-se com Parvati (shakti de Shiva) equivale à Força. Último grau, que representa o estado de Muní, do silêncio ou solidão, única condição na qual pode se realizar verdadeiramente a União.

Esses 3 atributos invocados ritualmente encontram também suas equivalentes na tradição extremo-oriental na teoria das "Quatro Felicidades". Assim, a Beleza, ou restauração do estado primordial, corresponde às duas primeiras felicidades: Longevidade (perpetuidade da existência individual) e Posteridade (prolongação indefinida do indivíduo através de todas as modalidades). A Sabedoria encontra sua homóloga no Grande Saber. E a Força na Perfeita Solidão. A respeito do cultivo do silêncio é sobejamente conhecida sua implantação em toda Ordem Iniciática Tradicional.

Podemos fazer, ainda, alusão dos três pilares aos Arcanos do Tarô:
 
A Sabedoria corresponde ao Arcano II, a Sacerdotisa, ou Ísis mãe dos Iniciados. A ciência iniciática que é preciso saber descobrir por si mesmo. Ísis não confia a chave dos mistérios à não ser aos seus filhos. Os Filhos da Viúva, dignos de conhecer seus segredos.
 
A Força é por si só o arcano XI. É o Oficial que se fez forte por si dominando-se a si mesmo. A prova de fogo exterioriza a fogosidade interna. O Iniciado que por ela experimenta em si um vazio atraente para o agente dinâmico exterior. Por esse fato se aproxima da coluna Booz, da qual extrai a Força que executa.
 
A Beleza corresponde ao Arcano X, a Roda da Fortuna. No centro de si mesmo ao Iniciado percebe o ardente calor que corresponde à Coluna Jakin. Seu salário de aprendiz se expressa em uma energia de origem interior que o leva a empreender a tarefa com audácia, mas jamais inoportunamente, porque o maçom inicia a obra quando chegou a hora de começar os trabalhos.

Os três pilares também se ligam às Sephiroth da Árvore da Vida na Kabbalah:
 
A Sabedoria corresponde à 2ª Sephirah: Chochmah, que é a própria Sabedoria. É ligada ao número 2, à dualidade. É uma potência masculina ativa, refletida desde Kether (a 1ª Sephirah). Ela é representada pelo nome divino Yah (Essência de Ti Mesmo), e tem como hóspedes angélicos os Ophanim, ou Rodas que são aquelas rodas que Ezequiel teve em sua visão do Trono de Deus. A classe angélica dos Ophanim é a dos Cherubim, que ordenam e desimpedem o Caos Primordial. Eles dão ao homem a luz do pensamento, a força da Sabedoria, os altos ideais.
 
A Força corresponde á 5ª Sephirah: Gevurah. É ligada ao número 5, que emana da potência passiva feminina da própria Força. Corresponde ao Tribunal de Deus, ao cinto, ao braço esquerdo de Deus. É representada pelo nome divino Elohim Gibor (Deus Forte) e tem como hóspedes angélicos os Seraphim ou Potências. A classe angélica dos Seraphim é a das Potências que produzem os quatro elementos sutis: Fogo, Ar, Água, Terra. Dão ao homem seu apoio contra os inimigos exteriores.
 
A Beleza corresponde à 6ª Sephirah: Tiphereth, que é a própria Beleza. É ligada ao número 6. É representada pelo Nome Divino Eloah Va-Daath (Deus de Minha Sabedoria) e tem como hóspedes angélicos os Malikim ou Reis. A classe angélica dos Malikim é a das Virtudes, que produzem o reino mineral. Dão ao homem a força necessária para vencer as potências da mentira, e lhe dão a recompensa.

Mas, quiçá, o rito mais significativo e importante da clausura maçônica é a CADEIA DE UNIÃO, constituída por todos os membros da Oficina "enlaçados" uns com os outros ao redor dos três pilares: Sabedoria, Força e Beleza e do quadro da Loja, quer dizer, no centro do Templo. Certamente, e como se diz no ritual, esta cadeia é o símbolo da fraternidade maçônica, sem embargo poderíamos nos perguntar em base a que deve sua existência essa dita fraternidade e por que se manifesta através da Cadeia de União, pois sem dúvida alguma ela expressa outra coisa bem distinta a qualquer tipo de camaradagem ou coisa equivalente.

Talvez a resposta esteja nas palavras e gestos que realiza o Venerável Mestre momentos antes de se formar a Cadeia de União: "Irmãos, seguindo o antigo costume não resta mais nada do que cerrar nossos segredos em lugar seguro e sagrado", e ato contínuo leva sua mão direita ao coração, como indicando que é aqui, no coração, no lugar mais puro e central do Ser e onde este se comunica com sua verdadeira essência, onde os segredos hão de guardar-se e cerrar-se. E já se sabe que o coração é o tabernáculo do Verdadeiro Templo, aquele que segundo as Escrituras "não é feito pela mão do homem", pois nada de individual ou particular pode penetrar nele. Portanto esses segredos não são só os que se referem especificamente aos da Ordem Maçônica e à Loja (e que devem ser salvaguardados dos "olhares indiscretos dos profanos"), senão também e poderíamos dizer, que ante tudo, a essência (ou quintaessência) mesma do que se recebeu do ensinamento tradicional veiculada pelos símbolos e os ritos, daquilo que verdadeiramente se compreendeu e assimilou no mais interno de si mesmo, em definitivo, da efetiva e íntima vinculação que cada ser mantém com seu Princípio Uno eterno. Isto seria, pois, o que enlaça ou une os Irmãos entre si, e por isso eles formam a cadeia de união, que é a união com a Unidade de Si mesmos.

Mas, não queríamos terminar sem oferecer um texto das Leituras do Rito de Emulação que resume vivamente o que até agora falamos sobre o Templo Maçônico:

"Permita-me atrair vossa atenção sobre a forma da Loja, a qual é um paralelepípedo que se estende do Leste para o Oeste, de Este a Oeste, em largura entre o Norte e o Sul e em altura desde a superfície da terra até seu centro e, inclusive a tanta altura como os céus".

"Uma Loja de maçons se descreve assim para mostrar a universalidade da Ciência e ensinamos que a caridade de um maçom não deve conhecer mais limites que os da prudência."

"Nossas Lojas devem estar orientadas de Leste a Oeste por que todos os Templos dedicados à adoração divina, como as Lojas dos maçons, estão ou devem estar assim orientadas."

"O Universo é o Templo do Deus que servimos. A Sabedoria, a Força e a Beleza sustêm seu Trono como pilares de Sua Obra, porque Sua Sabedoria é Infinita, Sua Força onipotente e Sua Beleza resplandecem na ordem e na simetria do Conjunto da Criação. Ele estendeu os céus ao infinito, como um vasto dossel; dispôs a terra como um estrado, coroou Seu Templo com as estrelas como uma diadema e de Sua Mão irradiam a Potência e a Glória. O Sol e a Lua são os mensageiros de Sua Vontade e toda Sua lei é o Amor."




AHMAD



Bibliografia

A Astrologia na Maçonaria, de Juarez de Fausto Prestupa;

Os Ideais da Maçonaria, de C. Jinarajadasa;

La Obra del Cabalista, de Z'ev ben Shimon Halevi;

El Tarot de los Imagineros de la Edad Media, de Oswald Wirth;

Manual del Aprendiz, de Aldo Lavagnini;

La Kabbale Pratique, de Robert Ambelain;

La Kabbalah Desnudata, de Knorr de Rosenroth;

Rito de Emulação;

Alcorão Sagrado;

Bíblia Sagrada.


(desconheço a fonte do texto)
Fonte da Gravura do topo: http://llvj.blogspot.com.br/2011/12/altar-dos-juramentos-as-tres-grandes.html
Fonte da Gravura do corpo: http://focoartereal.blogspot.com.br/2011/10/as-tres-grandes-colunas-da-loja.html