terça-feira, 26 de janeiro de 2021

FUGAS E REALIDADE


Graças ao processo da individualização do ser, superando as etapas primárias, na fase animal, o predomínio do ego desempenhou papel de primordial importância, trabalhando-o para vencer o meio hostil e os demais espécimes, usando a inteligência e o raciocínio como forças que o tornavam superior, deixando os remanescentes da falsa condição de dominador do meio ambiente e de tudo quanto o cerca.

Como consequência, passou a acreditar que também poderia dominar o corpo, estabelecendo suas metas sem lembrar-se da transitoriedade e da fragilidade da maquinaria orgânica.

Impossibilitado de governá-lo, quanto gostaria, já que o organismo tem as suas próprias leis, que independem da consciência, como a respiração, a circulação, a digestão, a assimilação e outras, esses fenômenos ferem-lhe o egotismo e levam-no, não raro, a estados depressivos perturbadores.

A mente, encarregada de proceder ao comando, experimenta então um choque com os equipamentos que direciona, em razão de ser metafísica, enquanto esses são de estrutura física, portanto, ponderáveis.

Ante a impossibilidade de exercer o seu predomínio total sobre o corpo, o ego estabelece mecanismos patológicos inconscientes de depressão, desejando extinguir aquilo que o impede de governar soberano. Trata-se de uma forma de autopunição, porquanto, dessa maneira, se realiza interiormente. Como, porém, a mente não depende do corpo, quando esse sobrevive à patologia autodestrutiva, o ego esmaece e abrem-se perspectivas de ampliação dos sentimentos, como altruísmo, fraternidade, interesse pelos demais.

O egoísmo é invejoso, porque aspirando tudo para si, lamenta o prejuízo de não conseguir quanto gostaria de deter, e por isso, inveja o corpo que não se lhe submete, preferindo matá-lo, na insânia em que se debate.

Lutar pela sobrevivência é tarefa específica da mente, entre outras, com objetivo essencial de tudo empenhar por consegui-lo. Por isso, logra superar as injunções egotistas e ampliar o sentido e o significado da vida.

O ser humano está fadado à glória solar, acima das vicissitudes, às quais se encontra submetido momentaneamente, como resultado do seu processo evolutivo, que o domina em couraças, de que se libertará, a pouco e pouco, utilizando-se dos recursos bioenergéticos e outros que as modernas ciências da alma lhe colocam ao alcance, ajudando-o no crescimento interior e na conquista do super-ego.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Amor, Imbatível Amor"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos



O MISTÉRIO DA VIDA


Tudo está incluído numa célula. Tudo o que um dia há de sair e tomar forma já lá se encontra contido, como numa semente. Foi assim que os nossos órgãos e os nossos cinco sentidos apareceram em nós, e muitos outros aparecerão ainda no futuro. Sendo o corpo físico feito à imagem dos outros corpos, uma vez que temos cinco sentidos no plano físico, também temos cinco sentidos no plano astral, e o mesmo acontece no plano mental. Assim, quando o ser humano se tiver desenvolvido, terá possibilidades incríveis de ver, sentir, ouvir, saborear, agir, deslocar-se. E é isso a vida. O ser vivo, a célula viva, ou até apenas um simples microrganismo, contém em si todas as possibilidades, mas são necessários milhares de anos para elas poderem aparecer. É esse o mistério, o esplendor da vida.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte:www.prosveta.com
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TOCAR O CORAÇÃO DE DEUS


"Se você se sentar em uma sala e disser a si mesmo: estou na presença de Deus; depois de um momento, você se perguntará como essa presença pode ser preenchida com uma atividade que afoga a inquietação. Nos primeiros momentos, você se sentirá bem, porque estás cansado e sentado é um descanso; estás confortavelmente instalado numa poltrona, o silêncio do teu quarto dá-te uma sensação de imobilidade. Tudo isto é verdade, mas se ultrapassares este momento de descanso natural e permaneceres na presença de Deus, quando você já recebeu da natureza física tudo o que dela pode receber, você verá que é muito difícil não se perguntar: O que eu faço agora? O que posso dizer a Deus? Como me dirijo a ele? Ele é tão silencioso... Ele está realmente aqui? Como posso preencher a lacuna entre essa ausência silenciosa e minha presença inquieta? (1)

O silêncio de Deus é a realidade mais difícil de trazer para o início da vida de oração e, no entanto, é a única forma de presença que podemos suportar, pois ainda não estamos prontos para enfrentar o fogo da sarça ardente. É preciso aprender a sentar-se, a nada fazer diante de Deus, a não ser esperar e gostar de estar presente no eterno presente. Isso não é brilhante, mas se você perseverar, outras coisas surgirão no fundo desse silêncio e imobilidade. O que acontece dentro desse silêncio? Apenas uma descida cada vez mais vertiginosa ao fundo dos nossos corações, onde habita aquele mistério do silêncio que é Deus.

Por isso você tem que se calar, olhar, ouvir, com um amor cheio de desejo. Se soubéssemos olhar com toda a profundidade do nosso ser o rosto de Cristo, aquele rosto invisível que não podemos ver senão voltando-nos para a nossa própria intimidade e vendo-o sair dela, ficaríamos deslumbrados com aquele rosto que não se parece com nada parecido que possamos imaginar. No seu Cântico Espiritual (str. XI e XII), Juan de la Cruz dirá que os olhos da pessoa amada, que procuramos incessantemente, são atraídos nas nossas entranhas.

A perseverança na oração, então, não pretende nos mostrar esse rosto de fora, mas nos fazer cavar mais fundo para que saia de nossas próprias profundezas. Kierkegaard chegou muito perto desse mistério da oração quando disse: “A oração não se funda na verdade quando Deus ouve o que lhe é pedido. É, quando aquele que ora continua a orar até que ele mesmo ouça o que Deus deseja."

Quem realmente ora não faz nada além de ouvir. A oração escava nosso coração de pedra e faz "tocar um lá bemol" que toca o coração de Deus. A oração perseverante nos faz alcançar a verdade de nosso ser. Nesse silêncio, é onde brota a nossa oração, é um longo grito silencioso, uma reclamação, um gemido que transforma todo o nosso ser em oração: "Ó Deus do meu louvor, não te cales... E eu sou apenas oração." (Salmo 109, 1-4)

(1) A. Bloom, A., Certitudedelafoi. Cerf, Paris, 1973, pp. 149-150

Parágrafos extraídos do livro "A oração do coração", de Jean Lafrance, Ed. Narcea



Fonte: Blog El Santo Nombre
https://elsantonombre.org/2021/01/02/tocar-el-corazon-de-dios/
Fonte da Gravura: Tumblr

SILÊNCIO E REFLEXÃO


O silêncio é uma grande terapia. Quando ficamos quietos e concentrados, poupamos energia, conseguimos nos voltar para dentro e até mesmo ajudar a curar o corpo. Todo dia a mente precisa de um espaço tranquilo para se refrescar e refletir, da mesma forma que o corpo precisa de pausas regulares para descanso e alimentação. O refrescar ocorre quando a mente é capaz de recarregar-se para manter-se positivo, leve e criativo. Reflexão (olhar para dentro) é o tempo que damos a nós mesmos para refinar nossa compreensão interna de situações externas, de modo que a nossa interação com os outros seja da mais alta qualidade. Através da reflexão podemos mudar a nossa maneira de pensar, sentir e interagir.


Anthony Strano



Fonte: Brahma Kumaris - https://www.brahmakumaris.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos