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sábado, 4 de abril de 2026

COMPLEXOS DE INFERIORIDADE E DE SUPERIORIDADE


Um complexo de inferioridade é tão ruim quanto um de superioridade. Você é, em essência, filho de Deus, de modo que não faz sentido se achar inferior ou superior. Tanto o complexo de inferioridade quanto o de superioridade retardam o progresso da alma.

Você deve sentir que Deus está em seu íntimo, orientando-o, e que Ele é seu maior amor, seu maior líder. Você é o servo de todos e, portanto, não pode achar que é superior a ninguém. Uma vez que Deus está em seu íntimo, você não pode se julgar inferior.

O complexo de inferioridade nasce do contato com pessoas de mente fraca e da fragilidade de uma mente subconsciente inata. O complexo de superioridade surge de um ego arrogante e da consciência de um orgulho falso. Ambos existem na imaginação e ignoram a realidade. Nenhum dos dois pertence à alma verdadeira e todo-poderosa.

Desenvolva a autoconfiança vencendo a fraqueza. Encontre sua autoconfiança em realizações concretas, cada vez mais ousadas, e ficará livre de todos os complexos de inferioridade e superioridade.


Paramhansa Yogananda



Fonte: do livro "Como despertar seu verdadeiro potencial: a sabedoria de Yogananda"
Tradução de Gilson César Cardoso de Sousa
Editora Pensamento Cultrix, São Paulo/SP, 2019
http://www.editorapensamento.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/ioga-yogananda-guru-yogananda-guru-1326107/

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

O MENOR É O MAIOR


"Todo o que receber este menino em meu nome, a mim recebe; e todo o que me receber, recebe aquele que me enviou. Porque aquele que entre vós todos é o menor (pela sua humildade), esse é o maior (no reino dos céus).... porque aquele que dentre vós for o menor de todos, esse é que é grande." (Lc 9,48)


Essa colocação também pode ser vista como uma alusão aos complexos que se revezam entre a consciência e o inconsciente. Quando atribuímos poder ao ego, inflacionando-o, reduzimos a capacidade de aprender pelo Self. Quando diminuímos o poder do ego, ampliamos a capacidade do Self em apreender a realidade. O indivíduo ao elevar-se sem méritos, atribui poder ao ego, inflando-o; dessa forma, vive-se a vida do ego, e não a do Self. Quem deliberadamente exalta suas qualidades, mesmo que as possua, torna-se orgulhoso e vaidoso de si. Esse orgulho cada vez mais estimulado inibe o conhecimento de si mesmo e impede a percepção da sombra, isto é, de suas qualidades negativas e do que desconhece da própria personalidade.

A psicologia do Cristo é cristalina quando a aplicamos ao nosso mundo interior. Não há como fugir de si mesmo. A humildade facilita o processo de autopercepção e de manifestação do Self. O orgulho embota a visão do Espírito, cegando-o à compreensão da realidade.

Quando o orgulho aparece, através da auto-elevação do ego, surge a primazia de uma das personas consolidadas nas encarnações anteriores. Essas personas inconscientes se tornam uma espécie de sub-personalidade. O indivíduo vive artificialmente pela manifestação de uma sub-personalidade, emergida pela energia demasiada atribuída ao ego que lhe dá sustentação. Essa sub-personalidade é nucleada por um ou mais complexos. Como exemplo podemos ver nas pessoas que, em outras encarnações estiveram em posições sociais importantes, mas que na atual encarnação não ocupam lugar de destaque na sociedade, poderá permitir que, pela inflação do ego, essa sub-personalidade assuma a consciência.

Quando não adicionamos excessiva energia ao ego, ampliamos a percepção de nossas próprias limitações, permitindo que enxerguemos a nossa sombra, antes inconsciente.

Da mesma forma, a simplicidade facilita a percepção dos complexos inconscientes, trazendo-os equilibradamente à consciência sem que eles predominem sobre o ego. Na humildade o verdadeiro Eu sobressai-se, para que o Espírito possa crescer, desenvolver-se e alcançar sua plenitude.



Adenáuer Marcos Ferraz de Novaes




Fonte: do livro "Psicologia do Evangelho"
Fundação Lar Harmonia, Salvador, BA, 1999
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/ligado-conectado-rede-equipe-152575/

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

BRANCA DE NEVE



A fase dos complexos edípicos é uma das mais importantes no desenvolvimento humano. Assim sendo, não poderiam deixar de serem retratados nos contos de fadas, aparecendo em grande número deles. 

O complexo de Édipo pode ser definido como: Uma constelação emocional especifica dentro da família – de um tipo que pode causar impedimentos sérios para o crescimento e amadurecimento bem integrado da pessoa, enquanto, por outro lado, é fonte potencial do mais rico desenvolvimento da personalidade (BETTELHEIM, 2000, p. 234). 

Aqui, assim como em Chapeuzinho Vermelho, a morte não significa o fim da vida, pois Branca de Neve é como que ressuscitada. Nesse caso, a “morte” de Branca de Neve representa o desejo da madrasta de tirá-la de cena, em virtude dos conflitos edípicos. Assim também acontece com a criança, ela deseja que o pai do mesmo sexo (com o qual compete) seja retirado de cena, que deixe seu caminho livre, para que não precise competir com ele, e não que ele morra realmente. 

Ao tratar das questões edípicas, os contos de fadas passam a mensagem de que tudo isso pode ser superado, levando-nos a uma vida emocional mais madura, a um fortalecimento da personalidade.

Portanto todas as versões de Branca de Neve (que são várias) tratam especificamente dos conflitos edípicos. Algumas versões mais antigas do conto traziam essa questão de forma ainda mais explícita, as versões modernas deixam mais em nível pré consciente e inconsciente. Podemos observar esse fato ao analisar que a mulher com quem Branca de Neve “compete” é a sua madrasta e a pessoa de quem ela teme dividir com Branca de Neve não é citada, assim, os problemas edípicos ficam por conta da imaginação do ouvinte. 

As dificuldades edípicas, sejam declaradas ou sugeridas, e a forma como o indivíduo soluciona-as são básicas para o desenrolar da sua personalidade e relações humanas (BETTELHEIM, 2000, p.240). 

Os contos de fadas, ao tratarem de forma sutil sobre o assunto, permite-nos refletir e concluir sobre ele, ainda que de forma inconsciente.

Na história de Branca de Neve, temos claro o narcisismo da madrasta. Na realidade, realmente os pais narcisistas são os que se sentem ameaçados quando os filhos começam a crescer, pois isso significa envelhecimento. A história adverte também para as consequências desagradáveis do narcisismo. 

No curso normal dos acontecimentos, as relações dos pais entre si não são ameaçadas pelo amor que um deles, ou ambos, dediquem a criança. A menos que as relações conjugais sejam ruins, ou um dos pais seja muito narcisista, os ciúmes pela criança a quem um dos pais favorece é pequeno e bem controlado pelo outro pai (BETTELHEIM, 2000, p.243). 

A criança na fase edípica sente ciúmes de seus pais, da relação que mantém e até mesmo de seus privilégios como adultos. No entanto, esse sentimento é muito ameaçador para ela, sentindo dificuldade em lidar com isso. Sendo assim, é muito mais fácil e tranquilo projetar esses sentimentos em, por exemplo um personagem, como a madrasta. Também é comum que o sentimento existente seja projetado no adulto, ou seja, a criança acredita que a mãe ( no caso da menina) sente muito ciúme dela e tenta boicotar sua presença junto ao pai. 

Esse comportamento se repete também na adolescência, onde é comum que o adolescente tente “competir” com seus pais. Os pais, por sua vez (se forem narcisistas ou não terem vivido suficientemente de forma plena a sua adolescência) também competem com os filhos, querendo parecer tão jovens ou atraentes quanto eles. É exatamente essa problemática que ocorre em “A Branca de Neve”. Também devemos considerar que durante esses conflitos, a criança quer se livrar do pai do mesmo sexo, mas isso também lhe causa culpa. A solução é projetar também esse desejo nos pais. Por isso é comum nos contos os pais quererem se livrar dos filhos. 

Assim, como em outros contos, a figura paterna é representada inconscientemente por uma outra figura masculina. Muitas vezes por um caçador. Isso porque antigamente (especialmente na época em que os contos eram muito difundidos) a caça era uma atividade da aristocracia, portanto, um caçador seria uma figura importante, pois só assim poderia ser comparado a figura paterna. Além disso, no inconsciente, o caçador é tido como símbolo de proteção. Num nível mais profundo, representa aquele que subjuga as tendências animais, associais e violentas no homem (BETTELHEIM, 2000, p. 245). 

Uma mensagem implícita desse conto é a de que não se resolve os problemas psicológicos com os pais através da fuga, mas sim através do amadurecimento psicológico. Amadurecimento que só acontece com o tempo (representado pelo sono de Branca de Neve), que nos fará controlar os impulsos diversos e sentimentos negativos. Por isso, a bruxa é forcada a dançar com sapatos de ferro em brasa até morrer, representando aí todos os sentimentos indesejáveis que temos. Só a morte da rainha ciumenta (a eliminação de toda a turbulência interna e externa) pode contribuir para um mundo feliz (BETTELHEIM, 2000, p.254) 

O despertar de Branca de Neve representa um novo viver, em um novo estágio psicológico mais avançado, mais maduro, que na verdade é um objetivo comum a todos os seres humanos. 



(Anônimo)



Fonte: http://pt.scribd.com/doc/6810908/Anonimo-InterpretaCAo-de-Alguns-Contos-Infantis-Muito-Bom
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/branca-de-neve-an%c3%b5es-personagens-354436/