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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O DISCIPULADO E A LEI


Antes de encontrar o Primeiro Portal, o peregrino, com alma sedenta e mente desconcertada, exasperadamente procura algo que valha a pena ser amado, que valha a pena servir.

Defronta-se com a Imutável Esfinge do Mistério. Compreende que não encontrará nenhuma ajuda fora de si mesmo. Consegue entender a Lei de desvinculação e, contudo, a sua personalidade mortal ainda anela simpatia e compreensão.

A crueldade da vida, a incerteza da hora da morte, continuam projetando sombras sobre sua Senda. Para dissolvê-las, terá que deixar de olhar para trás.

A parte mais penosa do seu caminho é ver que, justamente aqueles aos quais procurou servir, não compreendem seu trabalho. Rebelam-se contra ele, condenando e destruindo tudo aquilo que procura fazer com tanto esforço.

Aquele que passou o Primeiro Portal deve aprender a estender a taça da compaixão a todos que dela necessitam, recusando um só gole para si, permanecendo sedento até que algum companheiro, percebendo a sua sede, também lhe dê de beber.

A mesma Lei que impede o instrutor espiritual de se defender, obriga o discípulo a resguardar tudo aquilo que seu Mestre representa e a defendê-Lo contra qualquer agressão. O discípulo que não reagir em defesa de seu Mestre, não deverá ficar surpreso ao encontrar fechado o Portal do Conhecimento.

O discípulo se eleva e decai junto com seu Mestre e, uma vez tendo-O reconhecido, não pode repudiá-LO.

O homem que quer perceber o Divino, primeiramente precisa apagar de si a própria imagem.

Entre dez mil homens, nenhum reconheceria um Mestre que estivesse em sua companhia.

Os homens costumam dizer: "Se os Iniciados existem, por que não vivem entre nós?" Não se apercebem de que a vida que levam impossibilitaria a um Iniciado permanecer entre eles.

Quando o homem purificar seus vários conceitos, criados pela personalidade inferior, convencer-se-á, por si mesmo, da existência da Loja dos Mestres.

Antes de falar sobre as obrigações para com a sociedade, a religião, a ciência e o trabalho, é preciso não esquecer o simples dever fraterno - do som da voz, do toque da mão - para com seu irmão ou sua irmã.


K. Barkel / I-Em-Hotep



Fonte: do livro "A Filosofia Hermética", 3a. ed.
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista
Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-alquimia-t%c3%aampora-jogos-8163278/

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

QUARESMA - SOL TRANSITANDO PELO SIGNO DE PEIXES


Quando o Sol está transitando por Peixes, durante o mês de março, a força dourada de Cristo volta a surgir, desde o centro da Terra, e alcança a superfície do Planeta em uma antecipação da Ressurreição Pascal. Como é o Signo da dor e da renúncia, Peixes tipifica também a Crucifixão. Assim como o Cristo Cósmico experimenta a dor da renúncia e da crucifixão ao penetrar na Terra, na época do Equinócio de Setembro, do mesmo modo experimenta o Espírito da Terra certo vazio, quando o Espírito de Cristo abandona o corpo planetário na época do Equinócio de Março.

Peixes é o último Signo antes do nascimento do novo ano, um período de recapitulação e de autoexame. Marca o pôr do sol de uma vida anterior e o amanhecer de uma nova vida.

A Quaresma culmina com o Sol em Peixes, quando os raios desse Signo da Água se derramam sobre a Terra.

Peixes, trabalhando por meio do elemento Água, está ensinando a humanidade a Lei do Equilíbrio. Essa lei expressa o segredo do perfeito equilíbrio e, em sua integridade, só é conhecida na Terra pelos Mestres. Por não ter alcançado ainda o equilíbrio, os seres humanos, em geral, ainda que possam observar sua atuação na natureza, não são capazes de apreciar seus efeitos dentro de si mesmos. O melhor exemplo de equilíbrio pode se observar, perfeitamente, quem sabe, no fluxo e refluxo do mar. Quando o ser humano for capaz de manifestar em si mesmo uma polaridade completa, terá vencido a enfermidade, o tempo de vida aqui e a morte.

A constelação de Peixes será a morada da Onda de Vida humana, nós, quando todos nós hajamos alcançado a perfeição.

Os que aprenderam a caminhar na Trilha da Santidade e seguirem a Cristo até esse último e elevado objetivo concluíram seus ciclos terrestres de renascimentos. Suas dívidas de destino maduro foram saldadas e todos os laços terrenos cortados, pois todas as lições que tinham que aprender nesse atual Esquema de Evolução aprenderam!

Tais seres são conhecidos como os “Compassivos”, os “Irmãos Maiores”, que já não necessitam das lições terrenas. São livres para passar a uma existência gloriosa na constelação de Peixes. No entanto, esses grandes seres podem voltar, por vontade própria, na obediência ao preceito espiritual de que “aquele que mais ame é aquele que melhor serve”.

Frequentemente renunciam aos privilégios e às oportunidades daquele plano, com o objetivo de servir aos seus irmãos e suas irmãs menos adiantados da Onda de Vida humana.

Humildade, obediência e serviço são as notas-chaves das vidas dos Irmãos Maiores.

O Discípulo que alcança o domínio do seu “eu pessoal” e que caminha na Trilha da Santidade, por meio de Peixes, até o fim, se dará conta de que trocou sua cruz na glória dourada de seu “vestido de bodas”, no qual ele funciona livre e triunfante, com o Cristo que sai (quando o Espírito de Cristo abandona o corpo planetário na época do Equinócio de Março.)



Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Centro de Campinas
https://fraternidaderosacruz.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/peixes-signo-hor%c3%b3scopo-astrologia-2686842/

quinta-feira, 4 de junho de 2020

NATUREZA DO ESOTERISMO


Uma das definições mais inadequadas do esoterismo é a de que diz respeito ao que está oculto e velado e que, embora pressentido, permanece desconhecido. Infere-se que ser esoterista é estar entre aqueles que procuram penetrar em certo reino secreto no qual o estudante comum não tem permissão de entrar.

A abordagem fundamental dos que procuram captar o esoterismo ou ensiná-lo aos estudantes consiste em enfatizar o mundo das energias e reconhecer que, por trás de todos os acontecimentos do mundo fenomênico existe o mundo das energias, as quais são da maior diversidade e complexidade, mas todas se movem e atuam sob a Lei de Causa e Efeito.

É desnecessário assinalar a natureza prática desta definição e sua aplicabilidade à vida do aspirante individual, à vida da comunidade e dos assuntos mundiais como aos níveis condicionantes imediatos das energias espirituais experimentais que procuram constantemente fazer impacto ou contato com o mundo dos fenômenos – e o fazem sob a direção espiritual, a fim de implementar o Plano Divino. A afirmação acima é de vital importância; todas as demais definições estão implícitas nela, e é a primeira verdade importante que todo aspirante aos mistérios e à universalidade do que move os mundos e fundamenta o processo evolutivo deve aprender e aplicar.

A primeira tarefa do esoterista consiste em captar a natureza das energias que procuram condicioná-lo e que se expressam no plano físico através do seu equipamento ou veículo de manifestação. Portanto, o estudante esoterista deve compreender que:

1. Ele é um agregado de forças herdadas e condicionadas pelo que foi, além de uma grande força antagonista que não é um princípio e que chamamos de corpo físico;

2. Ele é sensível a certas energias, das quais será cada vez mais consciente e que, embora hoje desconheça e não tenham utilidade para ele, deve se tornar consciente em um dado momento, para que possa penetrar com mais profundidade no mundo das forças ocultas. Tais energias poderiam ser malignas para ele se trabalhasse com elas e, portanto, deve saber diferenciá-las e descartá-las; há outras energias que deverá aprender a usar, porque são benéficas e aumentariam seu conhecimento e, portanto, devem ser consideradas boas. Mas tenham em mente que as energias em si não são boas nem más. A Grande Loja Branca, a nossa Hierarquia espiritual, e a Loja Negra empregam as mesmas energias universais, mas com motivos e objetivos diferentes; ambos os grupos são compostos de esoteristas treinados.

Portanto, o esoterista em treinamento deve:

1. Tornar-se consciente da natureza das forças que constituem o equipamento da sua personalidade e que ele próprio levou magneticamente à expressão nos três mundos (físico/etérico, astral e mental), e que são uma combinação de forças ativas. Ele deve aprender a diferenciar entre a energia estritamente física, que responde automaticamente a energias internas e outras, e as que vêm dos níveis emocionais e mentais da consciência, as quais são enfocadas através do corpo etérico, o qual, por sua vez, mobiliza e energiza o veículo físico para certas atividades;

2. Tornar-se sensível às energias impulsionadoras da alma, que emanam dos níveis mentais superiores, as quais procuram controlar as forças do homem tríplice quando ele alcança um determinado grau de evolução bem definido;

3. Reconhecer as energias que condicionam seu meio ambiente, vendo-as não como eventos ou circunstâncias, mas como energias em ação; por esse meio aprende a abrir caminho por trás das cenas dos acontecimentos externos e para o mundo das energias, procurando fazer contato e se capacitar para gerar certas atividades. Assim penetra no mundo dos significados. Os fatos e circunstâncias, os acontecimentos e fenômenos físicos de todo tipo, são simplesmente símbolos do que ocorre nos mundos internos, mundos em que o esoterista deve penetrar até onde a sua percepção permitir; portanto descobrirá sequencialmente mundos que exigirão dele uma penetração científica;

4. Para a maioria dos aspirantes a própria Hierarquia espiritual é um reino esotérico a ser descoberto e que aceitará ser penetrado.

Reconhecer entre a energia e a força, saber discriminar entre os diversos tipos de energia, tanto com relação a eles mesmos (aspirantes e discípulos) como aos assuntos mundiais, e começar a relacionar o que se vê e experimenta com o invisível, o que condiciona e o que determina é a tarefa do esoterista.

As igrejas e os homens devem aprender que nada existe no mundo dos fenômenos, das forças e das energias que não possa ser controlado pelo espiritual. Tudo o que existe é, em realidade, espírito em manifestação. Os povos estão adquirindo mentalidade política, o que os Mestres veem como um grande passo para a frente. Há de se ter alcançado um grande progresso quando as pessoas de orientação espiritual incluírem esta área relativamente nova do pensamento humano e sua atividade internacional dentro do campo da investigação esotérica.

O esoterismo é uma ciência – essencialmente a ciência da alma de todas as coisas – e tem terminologia, experimentos, deduções e leis próprias. Quando digo alma refiro-me à consciência animadora que se encontra na natureza toda e nos níveis que estão fora da zona que de maneira geral chamamos de natureza. Os estudantes se esquecem de que todo nível de consciência, do superior ao inferior, é um aspecto do plano físico cósmico e em consequência – do ponto de vista do processo evolutivo – é de natureza material e – do ponto de vista de determinados Observadores divinos – é absolutamente tangível e formado de substância criadora. O esoterista trabalha todo o tempo com substância; com a substância vivente e vibrante de que são feitos os mundos e que – herdada de um sistema solar anterior – está matizada pelos fatos passados e, como se disse , “já tingida pelo carma”.

O estudo esotérico, unido a uma forma de viver esotérica revela, no devido tempo, o mundo dos significados e conduz oportunamente ao mundo das significações. O esoterista procura descobrir a razão do porquê; luta com o problema dos fatos, acontecimentos, crise e circunstâncias a fim de chegar ao significado que possam ter para ele; quando descobre o significado de qualquer problema específico, utiliza-o como estímulo para penetrar mais profundamente no mundo de significados que recém lhe foi revelado; aprende então a incorporar seus pequenos problemas pessoais ao Todo maior, perdendo assim de vista o eu inferior e descobrindo o eu superior.

O verdadeiro ponto de vista esotérico é sempre o do Todo maior. O estudante vê o mundo de significados como uma rede intrincada e estendida sobre todas as atividades e aspectos do mundo fenomênico.

O esoterismo implica, portanto, em viver uma vida em sintonia com as realidades subjetivas internas, o que só é possível quando o estudante está inteligentemente polarizado e mentalmente enfocado, e que só é útil quando ele pode se mover entre estas realidades internas com destreza e compreensão.

Toda verdadeira atividade esotérica produz luz e iluminação; cujo resultado é a intensificação e qualificação da luz herdada da substância mediante a luz superior da alma – no caso da humanidade que trabalha conscientemente. Por conseguinte, podemos definir o esoterismo e sua atividade em termos de luz. 

O esoterista se ocupa da luz nos três aspectos, mas atualmente é preferível que se ocupe de uma abordagem diferente até que – mediante desenvolvimentos, ensaios e experimentos – conheça as triplas diferenciações em um sentido prático e não somente teórico e místico.

Desafiaria todos os esoteristas a procurarem uma abordagem prática do que delineei e pediria para viverem uma vida redentora, desenvolverem a sensibilidade mental inata e atuarem continuamente de acordo com o significado que há por trás dos assuntos mundiais, nacionais, comunais e individuais. Se assim o fizerem, então a luz brilhará repentina e crescentemente sobre seu caminho. Portanto, poderão ser portadores de luz e saber que “nessa luz verão a Luz”, e que também seus semelhantes a verão.


Alice A. Bailey



Fonte: Lucis Trust - Escola Arcana
www.lucis.org
Fonte da Gravura: Tumblr.com

terça-feira, 2 de junho de 2020

"O ESPAÇO É UMA ENTIDADE"


É conveniente recordar que "o espaço é uma entidade", segundo expressão de Blavatsky. Quando definiu desta maneira o espaço fez uma das mais importantes insinuações à humanidade.

Conhecer a existência desta entidade conduz ao reconhecimento prático do aforismo de que "nEle vivemos, movemos-nos e temos nosso ser", que explica a necessidade do ensino esotérico sobre os centros planetários e os planos como estados de consciência.

O discípulo começa, então, a estudar-se a si mesmo em relação a esta Entidade omniabarcante, a informar-se da direção de onde chegam as diferentes energias (que dão poder a sua vida e motivam suas ações) e vai familiarizando-se gradualmente sobre o "lugar destas usinas de poder e radiantes centros de luz que, criados pelo divino Criador, são fontes de vida e origem da luz e do conhecimento", conforme expressões dos antigos arquivos (...).


Alice A. Bailey


Fonte: do livro "Discipulado na Nova Era", vol. 2
Lucis Trust - https://www.lucistrust.org/
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

quinta-feira, 20 de abril de 2017

2º TRABALHO DE HÉRCULES - A CAPTURA DO TOURO DE CRETA (SIGNO DE TOURO)


O MITO

O Grande Senhor falou ao Mestre do homem cuja luz brilhava entre os filhos dos homens. Que também são filhos de Deus:

- “Onde está o homem que se manteve com poder diante dos Deuses, recebeu dons e entrou pelo primeiro portal aberto de par em par para trabalhar em sua tarefa?”

- “Ele descansa, ó Grande Presidente e reflete acerca de seu fracasso, lamentando-se por Abderis e busca ajuda dentro de si mesmo”.

- “Muito bem. Os dons do fracasso garantem o êxito quando são corretamente compreendidos. Que proceda a trabalhar mais uma vez e penetre pelo Segundo Portal!”

Só e triste, consciente da necessidade e consumido por uma profunda dor, Hércules passou lentamente entre os pilares do Segundo Portal para a luz que brilhava onde estava o touro sagrado.

No horizonte se levantava a formosa ilha onde morava o touro e onde homens arrojados podiam entrar no vasto labirinto que os atraía até o aturdimento, o labirinto do Rei de Creta, o guardião do Touro.

Cruzando o oceano para a ensolarada ilha, Hércules empreendeu sua tarefa de encontrar o touro e conduzi-lo ao Lugar Sagrado onde moram os homens de um olho só (os grandes Iniciados que desenvolveram a terceira visão).

De um lugar ao outro, ele perseguiu o touro sagrado dentro do labirinto, guiado pela fulgurante estrela que brilhava sobre a fronte do touro. Sozinho, ele procurava o touro; sozinho ele o perseguia até a sua guarida; sozinho ele o capturou e montou sobre seu lombo. À sua volta permaneciam as Sete Irmãs, estimulando-o em seu caminho e, na luz resplandecente, ele o conduzia, entregando-o depois aos 3 cíclopes. Estes três grandes filhos de Deus aguardavam seu regresso, vigiando seu progresso através das ondas.

Ele conduziu o touro como se este fosse um cavalo e com as 7 irmãs cantando, à medida que marchava.

Vem com força, disse Brontes; conduz na luz, disse Steropes, tua luz interior será mais brilhante; vem rápido, disse Arges, pois estás conduzindo através das ondas.

Hércules se aproximou empurrando o touro sagrado e emitindo luz sobre o caminho que conduzia de Creta ao Templo do Senhor.

Sobre a terra firme, à beira d’água, estes três pararam Hércules e se apoderaram do touro.

- Que tens tu aqui? Disse Brontes, detendo Hércules no caminho.
- O touro sagrado, ó Deus.
- Quem sois? Diga-nos teu nome, disse Steropes.
- Eu Sou o filho de Hera, um filho de homem e, contudo um filho de Deus. Realizei minha tarefa.

Leva agora o Touro ao Lugar Sagrado e o salva, pois Minos desejava seu sacrifício.


SIMBOLISMO DO MITO

O fato importante mostrado neste 2° Trabalho é que “não há fracassos”. O trabalho anterior fora considerado como mal feito, mas Hércules está, agora, diante de uma segunda oportunidade. O que importa é a experiência feita, a vivência assimilada, o desenvolvimento do ser humano. Tudo o que leva à transformação é válido. A morte do amigo e o fato do herói ter de capturar novamente as éguas fizeram Hércules refletir, sofrer e pensar de novo. Depois disso ele estava pronto para outra tarefa.

Diz Alice A. Bailey: É pertinente observar que Minos, Rei de Creta, o dono do touro sagrado, possuía, também, o labirinto, no qual o Minotauro vivia. O labirinto tem sido sempre considerado o símbolo da grande ilusão. A palavra “labirinto” indica algo confuso, que desnorteia, desorienta, embaraça. A ilha de Creta com seu labirinto e o Touro é um destacado símbolo da grande ilusão. A ilha separada do continente é a característica do eu-separado, mas não da alma onde as realidades grupais e as verdades universais constituem o seu reino.

Para Hércules, o Touro representava o desejo animal, e os muitos aspectos do desejo no mundo da forma, a totalidade dos quais constituem a grande ilusão. O Touro do desejo tem que ser capturado, domado e perseguido, até o momento em que o aspirante possa fazer como Hércules: montar o Touro. O Touro não é sacrificado, mas é domado e dirigido sob o domínio do ser humano.

Diz Trigueirinho: O Touro que figura neste Trabalho simboliza o sexo em todos os seus aspectos, desde a força criativa até o desejo animal.

A ilha com seu labirinto simboliza a grande ilusão, o eu-separado.

O continente, para onde Hércules leva o Touro domado, representa a consciência do EU superior. Os que vivem no continente simbolizam os que usam corretamente a energia da alma.

Nesta etapa do desenvolvimento da alma, Hércules é ainda a unidade que tem a consciência separada do continente pelo mundo da ilusão, que é o oceano, no qual ele ainda vive.

Montar o Touro significa aqui controlar o sexo. Neste mito, o Touro não é massacrado, nem morto, mas é guiado sob a maestria do homem.

Controlar o Touro e conduzi-lo até o continente, só é possível quando Hércules assume a sua própria evolução sem esperar que outros decidam por ele. Somente depois de duras provas é que ele estará em condições de controlar a energia sexual. Antes disso, essa energia apenas alimenta e atrai os seus desejos.

O labirinto da ilha é vencido somente quando o ser humano, que já perdeu uma série de ilusões, não é mais atraído pelas promessas de  gozo e prazer.

Fica claro que o relacionamento do indivíduo com a energia sexual depende do seu grau evolutivo.

A educação, a atitude e a aprendizagem do ser humano, ao confrontar-se com essa energia, estão diretamente ligadas à consciência que ele já atingiu.

Temos que lembrar que o Touro, neste mito, é o símbolo da força criativa que, se bem direcionada, transforma-se em um tipo não-sexual de energia, a qual é útil para outros fins além da procriação.

Para “montar o Touro”, levando-o da separatividade e do desejo pessoal ao continente do “bem grupal”, é necessária a cooperação, tanto da mente como da vontade. A mente coopera quando compreende a verdadeira ideia do celibato.

Celibato é entendido como a polarização de toda a energia mental da criatura em um só ponto: o da sua alma, centro da sua consciência que, passando a ser a única meta do indivíduo, reafirma seu próprio propósito. Com a alma voltada para este propósito e a mente nela concentrada, existe a ação, o sentimento e o pensamento corretos. O ser humano tem, deste modo, a energia unificada em direção à sua alma e é, portanto celibatário.

Tanto os iniciantes como os estudantes mais avançados têm que passar por provas sucessivas para ajudá-los a calibrar a própria natureza animal, neutralizando os efeitos da ilusão geral do ambiente e da sociedade de consumo.

O controle do desejo sexual, o ato de levar o Touro da ilha para o continente e de entregá-lo aos homens de um olho só são, em um ser humano, tarefas de repercussão mais profundas do que a mente normal pode conceber. Uma vez cumpridas, serão dadas posteriormente, provas ainda mais sutis no campo do sexo.


O TRABALHO DO DISCÍPULO - O APRENDIZADO SOBRE A NATUREZA DO DESEJO

No 1° Trabalho, a parte humana do indivíduo está equipada com a mente e a sua tarefa é aprender a adaptar essa mente às necessidades reais.

Neste 2° Trabalho, a parte humana do indivíduo já está equipada com o elemento desejo bem fortalecido mas que precisa ser trabalhado e transformado.

Diz Alice A. Bailey: A grande lição a ser aprendida neste signo é alcançar a correta compreensão da lei de atração e o correto uso e controle da matéria.

Maya, ou a grande ilusão, e o sexo são apenas dois aspectos da mesma força, a de atração; um, ao manifestar-se no plano físico, e o outro, ao expressar-se no campo da natureza do desejo emocional.

Quando os seres humanos reconhecerem as funções sexuais físicas como uma herança divina, e seu equipamento como algo que lhes foi dado para o bem do grupo e para o benefício da família humana, veremos a eliminação da promiscuidade e o mal que sempre a acompanha, a doença. A energia sexual, que é criativa, enquanto reprodutora, tem a função de levar adiante o grupo humano, provendo corpos para as encarnações de almas. Cumprida esta tarefa, ela pode ser sublimada em todos os seus aspectos de desejo, e então, paixão, luxúria, auto-satisfação, doença e superpopulação desaparecerão do mundo, e a matéria não mais será envolvida pelo desejo egoísta.

Que o aspirante use a mente, e por meio da percepção inteligente, guie e controle o Touro do desejo. Mente limpa e coração puro, corpo físico corretamente organizado e usado em conformidade às leis do país no qual seu destino o colocou, máxima consideração pelo bem estar daqueles a quem está ligado, e uma vida de serviço amoroso; estes constituem os ideais do aspirante.

A melhor maneira de fazer isto é pela auto-aceitação onde ele mostra para si mesmo que está satisfeito e grato à vida que pulsa dentro dele


TAREFA A SER FEITA - DESAPEGO

Dane Rudhyar diz: Touro significa a completa subserviência do ser humano ao ritmo natural da atividade humana. É o símbolo do apego simbolizando a identificação muita profunda com as energias da natureza humana, com os processos evolutivos que operam de maneira subconsciente no ser humano e que o conduz às metas ordenadas pela Vida ou por Deus, de acordo com seu nível de evolução.

Buda esclareceu para o ser humano a natureza do desejo e seus resultados, com os infelizes efeitos que o desejo provoca quando persistente e desprovido de esclarecimentos.

Buda nasceu por ocasião da lua cheia de Touro e, segundo a tradição, obteve a Iluminação nessa mesma época do ano. Seja isto um fato ou um símbolo, isto é importante para o estudante, pois coloca uma grande ênfase no sentido profundo do signo de Touro.

Buda ensinava a todo ser humano, o desapego como uma técnica positiva de viver, para que ele a usasse em qualquer ocasião; uma técnica que levava a um estado ou condição de ser perfeito e que qualquer um, fosse qual fosse a sua origem ou crença, podia alcançar.

Buda ensinava uma atitude positiva e deliberada de desapego. Ele pregava que esse desapego podia ser alcançado através de uma compreensão objetiva e racional de nossa natureza como personalidade viva e, do mundo como um todo, por meio de uma total consciência, através de uma análise científica de todas as nossas reações e das séries cíclicas de causa e efeito que existem onde quer que haja organismos vivos.

Esse controle devia ser obtido não por meios voluntários de repressão, mas pela focalização da inteligência clara sobre o processo de formação e desenvolvimento dessas reações, levando, assim, ao inevitável desaparecimento de todos esses desejos, impulsos e emoções. Porque se identificarmos nossa consciência, nosso ego com eles, seremos lançados no caminho trágico da alegria-tristeza e do prazer-dor.

Não estando apegado a nenhuma polaridade da vida, nada desejando em particular, não desejando sequer deixar de desejar, o caminhante ingressa num estado de ser situado além da natureza, o Nirvana. Simbolicamente significa ausência de veículos. Nirvana é uma condição a ser alcançada.

Essa mensagem de desapego é a indicada a Touro, pois ele é um magnífico cântico de escravização à vida. Mas a alma no interior de cada ser é intrinsecamente livre. A busca da própria quietude e da paz é que leva a liberdade.

Esforça-te em buscá-la, até não haver necessidade de esforço, até já não haver necessidade alguma, até já não haver nada.


PENSAMENTO-SEMENTE ESOTÉRICO

“Eu vejo e, quando o Olho está aberto tudo fica iluminado”.

Em Touro o desejo é transmutado em aspiração, a escuridão dá lugar à luz e à iluminação e assim, abre-se o olho de Touro – o 3° olho espiritual. Este único olho toma o lugar dos dois olhos do eu pessoal. A atenção do ser humano passa a focalizar-se na conquista espiritual. Ele palmilha o Caminho do Discipulado.

Para isso ele deve aprender a aceitar o que é a realidade e olhar de olhos abertos e conscientemente para o meio a sua volta e para si mesmo, reconhecendo clara e realisticamente o que ele é e o que ele tem para dar ao mundo.

Quando a Alma cavalga a forma, dominado-a e conduzindo-a, conhecerá suas corretas obrigações. Reconhecerá a relação que deverá ter com outros seres humanos, quer seja como marido ou mulher, pai ou mãe, irmão ou irmão, amigo ou companheiro. Com o correto uso de sua vida física, de suas realidades e energia espiritual, a Alma agirá como fator controlar da vida, e seu corpo todo se encherá de Luz.




Retirado das seguintes fontes:

- "Os 12 Trabalhos de Hércules", Iva Marques da Fonseca, FCA - Fundação Cultural Avatar

- "Os 12 Trabalhos de Hércules, Panyatara

- "Os Trabalhos de Hércules", Djwhal Khul  / Alice A. Bailey, FCA - Fundação Cultural Avatar

- "Hora de Crescer Interiormente", Trigueirinho, Ed. Pensamento

- "Os Doze Trabalhos de Hércules e a Evolução da Alma - Visão Esotérica, Alfredo Roberto Netto, M.'.M.'. - A.'.R.'..'..S.'. União e Solidariedade - 387

- "Tríptico Astrológico", Dane Rudhyar, Ed. Pensamento





Fonte da Gravura: pixabay.com - CC0 Creative Commons - Public Domain


quarta-feira, 27 de maio de 2015

O LÓTUS DAS MIL PÉTALAS

O lótus das mil pétalas que se abre no topo da cabeça do Iniciado é um símbolo de uma grande beleza e compreende-se que ele possa fascinar todos aqueles que aspiram à realização espiritual.

Mas longo e difícil é o caminho que conduz à iluminação e à beatitude. Para que as pétalas do lótus sagrado possam abrir-se, o discípulo deve vencer tudo o que nele é fator de perturbação. Se ele tentar desenvolver esse lótus antes de ter neutralizado os elementos obscuros que tem no seu intelecto e no seu coração, sofrerá choques, abanões, que farão rasgar as suas pétalas.

Com esta imagem deve-se entender que o funcionamento dos seus centros espirituais será perturbado e, em vez de saborear as alegrias celestes, ele viverá o "inferno".

O mundo interior do discípulo começa por ser semelhante a um jardim cheio de matos, cardos, plantas com espinhos: os instintos, os desejos inferiores e maus que ele tem dentro de si. Quando ele tiver desmatado esse jardim, nada o deterá no caminho ascendente da luz, e então ele sentirá as mil pétalas do lótus abrirem-se uma a uma no topo da sua cabeça.





Omraam Mikhaël Aïvanhov






Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura:  https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQW748BEM-VFGkmZxtObqJwbIAbrpaH47ioxw_H5LFhy8DVP_L_cncUEqkCgw9Ek06WT_0ALRaDi0BWXf6yNmN2iNxww2yOenkJpjXm26eSd0jhiK9FgaWoWR1f1fUGz_Td9aRxpouKfiG/s1600/flor+lotus.jpg

sábado, 16 de maio de 2015

SIMPLICIDADE E NATURALIDADE - POSTURA DO VERDADEIRO ESPIRITUALISTA

Interpretada do ponto de vista espiritual, a simplicidade é a capacidade de unificar a sua vida interior. Aquele que se deixa atravessar por toda a espécie de pensamentos, sentimentos e desejos contraditórios alimenta em si a escuridão e a desordem. Não deve surpreender-se, pois, se um dia se sentir completamente desnorteado.

De onde vêm o brilho e a resistência do diamante? Do fato de nele não haver misturas, é carbono puro. Se lhe acrescentardes qualquer outro elemento, já não será diamante. Assim, aqueles que, em vez de unificarem a sua vida interior, procuram indistintamente provar tudo, tocar em tudo, experimentar tudo, tornam-se uma espécie de pedra opaca que se opõe à passagem da luz. O verdadeiro discípulo deve dirigir-se para um objetivo único, ter um só ideal, um só desejo, um só alimento – simbolicamente falando. Esta unidade é que lhe dará a pureza, o brilho e a força do diamante.

O discípulo de um ensinamento espiritual deve evitar as armadilhas da vaidade, assim como as de uma humildade afetada que, na realidade, é uma outra forma de vaidade.

O verdadeiro espiritualista manifesta-se sempre com naturalidade, com simplicidade. Ele não tem de atrair a atenção com um comportamento especial e ares misteriosos ou inspirados. Vós direis: «Mas, então, nós não devemos mostrar em que sentido trabalhamos?» Não, não, pois não há nada a mostrar. Naqueles que procuram adquirir as verdadeiras riquezas espirituais, os outros acabarão por se aperceber dessas riquezas. Posto que ele empreendeu um trabalho sobre si mesmo, pouco a pouco os traços do seu rosto, a sua postura, os seus gestos, expressar-se-ão em seu abono. Ele encontrará sempre ocasiões para manifestar as qualidades e os outros notá-las-ão sem ele ter de fazer o que quer que seja para as evidenciar. Ele que deixe falar o seu trabalho interior: mesmo sem ele se aperceber, esse trabalho é que dará testemunho dele.


Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A TÉCNICA DO DISCÍPULO - A SENDA R+C

Em seu aspecto externo, a Ordem Rosacruz é uma organização que propaga um ensinamento sistemático, totalmente prático e de utilidade comprovada mundialmente; e, em seu aspecto interior, tem um caráter profundamente místico e esotérico. É neste último aspecto que a força operante reside e, aliás, dá orientação e estabilidade às múltiplas aplicações e usos na nossa vida cotidiana.

Condição de discipulado: o pensamento e a ação têm de receber nova direção e intenção; um caminho totalmente diferente do caminho terreno por ele percorrido até então, e tem de se preparar para se ajustar com novos princípios que não são nada fáceis de aceitar no começo, porque alguns deles se oporão a crenças e opiniões pessoais firmemente arraigadas.

Traço curioso na natureza humana é que um estudante muitas vezes aceitará a verdade da experiência de uma autoridade e negará e rejeitará a mesma experiência, apresentada de forma diferente, quando parte de outra autoridade. Esta não é a verdadeira condição de estudante e muito menos a atitude de um discípulo. Na verdade, é precisamente este conhecimento imediato da verdade, sob qualquer forma, que distingue o segundo.

Ninguém lhes pode dar o poder de ler no sentido oculto. Somente a profundidade e a intensidade  do viver concedem isto. O neófito que se esquiva das palavras profundamente significativas, profundidade e intensidade, melhor fará em afastar-se por algum tempo.

A senda é uma só; a verdade é uma só; os Mestres são um no Cosmos em percepção e iluminação, mas cada um com uma técnica aperfeiçoada e peculiarmente adaptada às constituições mentais, psíquicas e espirituais das várias escolas autênticas de disciplina e de iniciados que buscam sua ajuda visando realizar seu trabalho.

Qualquer que seja a razão específica que possa atrair o neófito para a disciplina da Senda, o objetivo real deveria ser o do serviço. Seu objetivo pode ser nova capacidade criadora e maior influência em sua profissão ou outras atividades, ou pode ser, como já se disse, inteiramente para propósitos místicos e ocultos: de qualquer modo, seu poder para serviço será, sem dúvida, ampliado e, tudo considerado, algum tipo de serviço para o mundo deveria vir a influenciar suas pesquisas na Senda.



Raymund Andea, FRC



Fonte: do livro "A Técnica do Discípulo", Ed. Renes, RJ
(Biblioteca Rosacruz, vol. XVI)
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 20 de maio de 2013

DESAPAIXONAMENTO - DESPAIXÃO - DESAPEGO

Despaixão ou desapaixonamento é a libertação das paixões, dos desejos e ambições que obscurecem e modificam a mente do ser humano. Leva ao desapego, à indiferença a todas as coisas ou ações do eu pessoal inferior (personalidade, ego). 

A tranquilidade e a paz da mente é alcançada a partir de uma atitude desapaixonada em relação ao prazer ou à dor ou às formas de bem ou mal. Desapego em relação a todas as formas que atraem nossos apetites e sentidos, quer possam causar danos ou não. Todas as formas devem ser igualmente transcendidas. O desapego deve substituir a dor e o prazer e é consequência do desapaixonamento ou despaixão. 

Levará todas as percepções sensoriais a desempenharem suas reais funções. É a libertação do anseio por todos os objetos do desejo, quer terrenos, quer tradicionais, aqui ou no futuro. 

Pela despaixão o aspirante e servidor ameniza os efeitos cármicos resultantes de suas atividades no cotidiano. 

É o nosso desejo que nos prende aos três mundos (físico-etérico, astral e mental concreto) e aos seres. "Prender a" é de natureza diferente de "união com". O primeiro está cheio de desejos e provoca obrigações e efeitos; o segundo está livre de desejos; produz a "identificação com" e não provoca efeitos que prendam aos três mundos. 

Pelo desapego, as formas de conhecimento com as quais o homem entra em contato pelos sentidos vão perdendo seu domínio. Finalmente chega a ocasião em que ele é finalmente libertado e é mestre de todos os seus sentidos e de todos os contatos sensoriais. Isto não envolve um estado em que os sentidos estejam atrofiados e inutilizados, mas que sejam úteis quando e como o homem o desejar, e ainda por ele utilizados para aumentar sua eficiência no serviço grupal e nos esforços grupais. 

Pela prática do desapego e da despaixão, torna-se possível ao homem reorientar-se de modo que a sua atenção não mais seja atraída, subjugada, excitada e iludida pelas exterioridades, pelos conteúdos inconscientes e conscientes e pelo fluxo de imagens mentais, emocionais e instintivas, mas seja retirada e fique sua atenção, no aqui e agora ou presente, dirigida exclusivamente sobre a realidade; por isto o desapego a todas as formas de percepção sensorial, tanto a superior quanto a inferior, deve ser desenvolvido pelos aspirantes e discípulos mundiais.

Despaixão, ainda pode ser dito, é a "indiferença" ao pequeno eu ilusório reencarnante (personalidade, ego, eu inferior). Ou seja, a sabedoria do senso de proporção e realidades das coisas; discernimento e crivo. 

A atitude de "não me importo" e a "indiferença" (no sentido esotérico) são métodos rápidos pelos quais se liberta o ser das demandas da personalidade (persona, máscara). São atitudes a serem adotadas, pela personalidade pensante e integrada do discípulo, ao corpo astral, ou seja, ao seu sentir e perceber. Então assume-se a atitude de que nada que produza qualquer reação de dor ou aflição no corpo astral é de importância. Estas reações são sensivelmente reconhecidas, vividas, toleradas, mas não produzem mais limitações porque o enfoque do discípulo é mental e na busca do intucional. Uma longa viagem do instinto à emoção, e da emoção ao mental, e do mental ao intucional.

A partir desse momento e enfoque que o verdadeiro discipulado e serviço à humanidade começa.


Prof. Hermes Edgar Machado Junior


Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal


Leitura recomendada para aprofundar o tema: obras de Alice Bailey, Torkom Saraydarian, Roberto Assagioli, Angela Maria La Sala Bata, dentre outros.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A SENDA DO DISCIPULADO


... As regras do ocultismo só têm significado para o discípulo, para aqueles que adquirem conhecimento no sentido verdadeiro e místico; que elas têm qualquer utilidade e interesse apenas para os que são discípulos.

A essência desta afirmação é que até que o estudante se tenha preparado totalmente durante o período de disciplina como neófito, estas regras não lhe transmitirão sua pretendida importância. Ele as lerá como um fato científico, e não como aforismos luminosos que sintetizam um conjunto de experiência espiritual íntima. Tantos são os estudantes que lêem nesse primeiro sentido - como fato científico - e pedem a outros que lhes dêem algo que só pode ser vivido.

Ninguém lhes pode dar o poder de ler no sentido oculto. Somente a profundidade e a intensidade do viver concedem isto. O neófito que se esquiva das palavras profundamente significativas, profundidade e intensidade, melhor fará em afastar-se por algum tempo.

A Senda do discipulado o conduzirá para águas profundas. O medo tem detido muitos homens ao primeiro vislumbre dessas águas. Isto talvez seja bom. Não é fácil transpô-las sozinho. É sensato experimentar a própria coragem o bastante antes de sair do terreno que se conhece bem. Uma vez além das fronteiras, não há como voltar. Ao transpô-las, ele perderá o domínio de muitas coisas que mantivera firme em suas mãos durante a vida. A questão, para ele, agora, é se pode confiar que a alma encontrará um novo caminho que o conduzirá para algo infinitamente mais duradouro para substituir o que ele perderá ...





Raymund Andrea, FRC






Fonte: do livro "A Técnica do Discípulo", biblioteca R+C, nº XVI, Ed. Renes Ltda., RJ.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal