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quinta-feira, 29 de maio de 2025

ENCONTRO COM DEUS (Temas de Cabala)


Para incitar ao homem a buscar o conhecimento de Deus, a Torá formula um mandamento: conhece a Deus. Mas, para que o homem sinta que é capaz de empreender tal esforço, é necessário que o despertar de seu desejo de empreender a busca venha do Alto. A iniciativa, pois, vem do céu (do Alto): va-yeda Elohim..., "o Senhor conheceu aos filhos de Israel", e teve piedade de seu miserável estado no Egito; lhes enviou a Moisés para dizer-lhes que "Ele é o Eterno", que se interessa pelos assuntos humanos, "que os quer retirar de suas tribulações no Egito, que os adota como seu povo, a fim de que o conheçam". (1)

Em seu amor ao homem, Deus lhe faz saber que o conhece e que o homem pode também conhecê-lo. Uma voz celeste lhe murmura ao ouvido: levanta-te! Pois "não há homem que não tenha sua hora": a hora em que essa chamada se faça perceptível.

O que deve fazer o homem quando é solicitado por Deus? Como pode chegar até seu interlocutor? Acabará por reconhecê-lo se o "busca com todas as suas forças e com toda a sua alma". (2) Mas, acaso haverá algum caminho que conduza até Ele para chegar a conhecê-lo? O profeta o indica assim: "Eleva o olhar e observa: Quem criou estas coisas? Ele é quem fez sair seu exército em ordem e quem chama por seu nome a todas as coisas; é tal a grandeza de seu poder e sua força poderosa que nenhuma delas deixa de obedecer-lhe". (3) Este versículo do profeta que se tornou, por assim dizer, clássico, foi utilizado sobretudo pelos racionalistas judeus da Idade Média, que queriam estabelecer a demonstração naturalista, 'a posteriori', da existência de Deus. A natureza, criada e ordenada, despertou sua intuição de um Deus criador e ordenador. Em sua opinião, esta passagem de Isaías traduz, em linguagem bíblica, o conceito aristotélico do princípio das coisas ou primeiro impulso do cosmos. Os racionalistas judeus reelaboraram e ampliaram esta intuição na ideia de um Deus pessoal que mantém e cultiva sua obra e que se interessa pelas suas criaturas, sobretudo pelo homem. Também a cabala fez uso desse versículo, não para demonstrar a existência de Deus, senão que para indicar ao homem como pode encontrá-lo e vivê-lo. Não deduz a ideia de Deus a partir da obra da natureza, senão que, pelo contrário, deduz a ideia da natureza da obra de Deus. Tal é a interpretação do Zohar: "Está escrito: 'no principio'. Rabi Eleazar abriu uma de suas conferências com o seguinte prólogo: 'Eleva teu olhar e considera quem criou todas as essas coisas'. 'Eleva teu olhar' para o local em que estão fixos todos os olhares... E então compreenderás que o misterioso Ancião, eterno objeto das investigações, 'criou essas coisas'. 'E quem é Ele'. MI? (Quem?), Aquele que foi chamado 'a Eternidade do céu' (4), nas alturas; porque tudo está em seu poder. Acaso se chama MI porque é o objeto eterno de busca e porque está em um caminho misterioso e porque não se deixa ver?... Esta extremidade superior do céu é chamada MI (Quem?). Mas existe também uma extremidade inferior chamada MA? (que?). A primeira, misteriosa, chamada MI, é o eterno objeto de busca. Quando o homem empreende esta busca e quando se esforça por meditar e subir degrau por degrau até o final, acaba por chegar ao MA? O que aprende? O que compreende? O que buscou? De fato: tudo permaneceu tão misterioso como antes."

"E Rabi Shimon, dirigindo-se a seu filho, fala como segue: 'Eleazar, meu filho, continua explicando o versículo para que seja revelado o mistério que os filhos deste mundo ainda não conhecem'. E como Rabi Eleazar guardasse silêncio, Rabi Shimon disse: 'Eleazar, o que significa a palavra ELEH (aquilo, essas coisas)?...' Esse mistério não me foi revelado até o dia em que o profeta Elias me apareceu enquanto eu estava na margem do mar. Disse-me: 'Rabi, tu sabes o que significam as palavras MI BARA ELEH? (Quem criou as essas coisas?)' E eu lhe respondi: ELEH significa os céus e os corpos celestes; a Escritura recomenda ao homem contemplar as obras do Santo, bendito seja, como está escrito: 'Quando considero os céus, obra de tuas mãos...'; e um pouco mais adiante: 'Deus, nosso Senhor, quão admirável é teu Nome em toda a Terra'. (5) Elias me replicou: 'Rabi, essa palavra encerra um segredo; foi pronunciada diante do Santo, bendito seja, e seu sentido foi ocultado na escola celestial; é este o sentido: quando o Mistério de todos os mistérios quiz manifestar-se..., revestiu-se com uma túnica preciosa e resplandecente e criou ELEH (aquilo, todas as coisas), que se agregaram a seu Nome. ELEH somado a MI (invertido = IM) formou ELOHIM'." (6)

A interpretação desse importante versículo de Isaías, tal como nos oferece o Zohar, corresponde ao conceito original que a Bíblia nos dá de Deus. Quando o livro do Gênesis relata a criação do mundo, insiste o mesmo na obra realizada por Deus que nas ordens e exigências formuladas por Ele durante a realização de sua obra criadora. E o relato do Gênesis nem sequer se refere a seu modo de consumação. Desde o princípio nos põe diante do Criador, que não é um poder impessoal: nos incita a estabelecer relações com Ele, relações que Ele já iniciou com nossos pais e nas quais já fomos comprometidos.

Esta individualidade que é Deus leva um nome, ELOHIM, que indica sua qualidade de Criador. Como interlocutor do homem, levará um segundo nome, inefável, que simboliza o Tetragrama YHVH (YUD, HEI, VAV, HEI). Este Deus age. Cria, BARA, o universo em um momento determinado, que fixou como ponto de partida do tempo: BERESHIT. (7) E neste universo criado atualmente existimos. Encontramo-nos diante do mesmo Deus, com o qual estamos atualmente relacionados.

O acontecimento único da criação "dos céus e da Terra" é designado BARA, "criou", pretérito indefinido. Seguem duas formas verbais cujo alcance é reduzido e cujo significado é secundário: praticamente desaparecem diante do vigor e a grandiosidade do primeiro. ("Então a Terra era informe e vazia... e o espírito de Deus se movia sobre as águas.") Deus trabalha para dar forma a sua criação e proporcionar um objetivo a sua obra produzida no "começo" por uma ação repentina: "Fala", "considera", "distingue" e "chama". A Bíblia nos relata assim todas as sucessivas etapas que, encadeadas, permitiram a este universo apenas "começado" a converter-se em uma obra completa, mas não acabada: Deus "produziu esta obra para ser feita". (8) As ações divinas que nos relata a Bíblia não estão ditas com um pretérito indefinido, senão com um passado orientado ao futuro: VA-YOMER, VA-YAR, VA-YAVDEL, VA-VIKRA... Deus ordenou e continua ordenando; e ordenará sempre que determinadas coisas se façam, com o fim de indicar ao homem o uso que deve fazer delas. (9)


Rabi Alexandre Safran


Notas:

1 - Ex 6, 6-7; cf. Zohar II, 25a-b.

2 - Dt 4, 29; cf. Jr 29, 13; ICr 28, 9; IICr 15, 2.

3 - Is 40, 26.

4 - Dt 4, 32.

5 - Sl 8, 4, 10.

6 - Zohar I, 1a-2, a; cf. Zohar II, 138, a; 197, b; 231, a; Tikunei Zohar, Tikune 49.

7 - Gn 1, 1; cf. Rabi Eliahu de Vilna, Aderet Eliahu, Gn I, 1, p. 9; Maimônides, More Nevuhim II, 30.

8 - Gn 2,3.

9 - Cf. Zohar I, 47, a; Sefer haBahir 57.


Fonte: LA CÁBALA

Ediciones Martínez Roca, S.A., 1976

Barcelona, España

Original: LA CABALE

1972, Payot, Paris, France

Traducción (español): Carlos Ayala

Tradução (português): deste blog

Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/livro-tora-cabala-selo-de-salom%C3%A3o-7283777/

segunda-feira, 26 de maio de 2025

MI e MA (QUEM e QUE) – TEMAS DE CABALA


O que impressiona o homem e o atormenta, e o deixa ansioso para poder compreender a sua origem e a tudo o que o rodeia e o leva a formular, não sem angústia, esta questão: Quem poderia ter criado o universo que em sua totalidade  e harmonia nos deixa desconcertado? É assim que Rabi Eleazar, filho de Rabi Shimon ben Yochai, esclarece: "Levantai os vossos olhos ao alto e pense em quem criou tudo isso." "Lá", acrescenta ele, "examinando cuidadosamente e profundamente você saberá que 'o misterioso e eterno ANCIÃO', objeto de nossa busca, criou isso, ou seja, o universo. E quem é ELE (MI = QUEM)? É aquele que é chamado de 'Extremidade do Céu nas alturas', porque tudo está em seu poder. Por que é chamado de MI? É porque ele está em um lugar misterioso, e não se revela. Além desta consideração, não podemos abordar."

Note que o termo MI (quem) especifica a misteriosa designação de Deus, e implica, a partir de uma combinação de letras, um senso metafísico que compreende o universo. Na verdade, MI está em estreita ligação com MA (que). Neste caso existem duas extremidades, uma superior, no Céu, chamado MI, a outra, abaixo, chamado MA.

O Zohar explica, em outras palavras, que quando o Mistério de todos os mistérios queria manifestar-se, ele primeiro criou um "ponto", que originou o Pensamento Divino; em seguida ele formou todos os "tipos de imagens", e gravou todos os tipos de imagens e, finalmente, gravou a lâmpada sagrada e misteriosa, uma imagem representando o mistério mais sagrado, obra profunda saída do Pensamento Divino. Porém, isso foi só o começo da criação, que mesmo já então existente sem contudo existir ainda de forma explícita. Permanecia ainda oculta no Nome e chamando-se a si mesmo apenas de MI. Então, querendo manifestar-se e ser chamado pelo seu Nome, Deus "vestiu-se de uma veste" preciosa e resplandecente, e criou ELEH (aquilo, estes), que foi adicionado ao seu Nome.

A palavra ELEH (aquilo, estes), assim como MA (que), não é algo separável daquilo que se constitui a natureza de Deus. Este algo supremo que se originou no todo da magnitude do Pensamento Divino, é apenas a manifestação tangível de Deus, em suas obras. Além disso, por um jogo de palavras muito frequente, o Zohar obtém a palavra ELOHIM, adicionando ao MI, ao reverso (1) (IM), à palavra ELEH (ELEH+IM - ELOH+IM). ELOHIM implica, neste sentido, um símbolo completo; isto é, a entidade do Todo, já que Deus e o Universo são um. Dito de outra forma, com o termo ELOHIM, que é a denominação de Deus em si mesmo, e com o termo ELEH (essas coisas, aquilo, estes), o universo constitui-se da união de Deus e as "coisas". Além do ELEH, a importância de MA é enfatizada nesta declaração de Rabi Shimon: "O céu e todos os corpos celestiais foram criados usando MA."

Esses traços panteístas que destacam as características intrínsecas do todo, são explicadas da seguinte forma: "Uma luz", diz Rabi Shimon, "cria outra; uma encobre outra e se unem ao Nome do Altíssimo. MA, que está abaixo, ainda não existia explicitamente, e só foi explicitado no momento o qual as letras emanaram umas das outras. ELEH, da alturas, derramou ELEH para baixo, qual uma mãe empresta suas roupas à filha e a adorna com suas joias. E quando ela a enfeitará com suas joias convenientemente? Quando todos os homens aparecerem diante do Senhor Todo-Poderoso, como está escrito em Êxodo 34, 23: 'Três vezes ao ano aparecerá todo o varão de teu povo diante do Senhor, o Eterno, Deus de Israel.' É aqui chamado de Senhor, como está escrito em Josué 3, 2: 'A Arca da Aliança, do Senhor de todos na Terra.' Se substituirmos a letra HEI (ה), da palavra MA (מה), que é a imagem do princípio feminino pela letra YUD (י), de MI (מי), que é a imagem do princípio masculino, e se a isso adicionarmos as letras ELEH (אלה) que emanam do alto, através de Israel, formamos ELOHIM (אלהים) que está abaixo" (Zohar 1, 2a).

O todo parece, assim, emergir de uma aparente dualidade, simbolizada pela dissociação de dois elementos: MI e MA. Diz-se aparente porque de fato o Zohar declara formalmente que o MI do alto e o MA de baixo são, na realidade, uma e a mesma coisa. Além disso, quando dizemos que MA vem de MI, não devemos tomar as palavras ao pé da letra (Zohar 1, 2a). Da mesma forma, os termos MI e ELEH, símbolos da dualidade 'de cima' e 'de baixo', são a mesma coisa. O Santo, bendito seja Ele, diz o Zohar, criou as formas das "grandes letras" às quais correspondem às letras pequenas daqui de baixo. Isto é porque as duas primeiras palavras das Escrituras têm duas letras BEIT (ב) como iniciais (BERESHIT e BARA (בראשית ברא)), e as duas palavras seguintes duas letras ALEF (א) (ELOHIM e ET (אלהים את)) para indicar as letras celestes, de cima, e as deste mundo, de baixo. Não são, na realidade, mais que as únicas e mesmas letras com as quais é tudo operado no mundo celestial, de cima, e no mundo de baixo (Aqui novamente a dualidade desaparece para resultar em uma única substância).

A dualidade não reside na distinção, tão frequentemente cogitada, entre ELOHIM e IAVEH (אלהים יהוה). Eles são um, apesar de certas nuances particulares e específicas para cada um deles (2). Aqui está como o Zohar resolve essa distinção: "Este mistério está resumido nas palavras das Escrituras: 'Que as luzes (MEOROTH (מארת)) sejam feitas no firmamento dos céus...'" (Zohar 1, 12a). A palavra “luzes” (MEOROTH) é escrita sem a letra VAV (ו), o que indica um singular para nos dizer que as duas luzes não são mais do que uma unidade indivisível. Do mesmo modo que a luz, vista através de um prisma, parece ser composta de cores brancas e escuras, embora na realidade seja uma só cor, da mesma forma as essências divinas formam uma só unidade. Também isso nos remete ao verdadeiro significado da coluna de fumaça branca durante o dia e a de fogo durante a noite indo diante de Israel na travessia do deserto. Essas duas colunas eram o símbolo das duas essências divinas que correspondem ao dia e à noite; e uma se funde com a outra para iluminar o mundo. (3)

A essência divina, portanto, não implica nenhum somatório (4), nenhum número. "O Senhor é único e não há um segundo e, antes do Uno, que se poderia contar?" (Sefer Yetzira 1, 6).

Se o Zohar se preocupa em insistir no caráter da dualidade (fictícia), é com vistas a identificar mais a estrutura íntima do universo, para nos levar a compreender adequadamente sua essência. Na essência do misticismo judaico, existe apenas um Ser Supremo, Deus, que envolve absolutamente tudo. Tudo está nele, tudo é rigorosamente determinado por ele.


HENRI SÉROUYA


Notas:

1- Metátese: troca de lugar de fonemas ou sílabas dentro de uma palavra.

2- Esta distinção entre ELOHIM e IAVEH é explicada da seguinte maneira pelo Zohar: ELOHIM, como Criador, expressa a Presença de Deus no universo. IAVEH expressa a manutenção, a duração desta Presença. No primeiro capítulo do relato do Gênesis, ELOHIM aparece sozinho, IAVEH só é acrescentado a ele no segundo capítulo. No Deuteronômio 4, 35, as palavras IAVEH é ELOHIM significam que ELOHIM se funde em IAVEH. O Zohar acrescenta que desde o exílio de Israel (a maldade que oprime a justiça), o poder divino aparenta ser invisível, MI parece separado de ELEH, como se toda a economia cósmica estivesse perturbada. Mas, nos tempos messiânicos, os dois termos aparentemente separados se unirão numa harmonia indissolúvel.

3- Esta aparente dualidade de IAVEH e ELOHIM é reduzida de acordo com a explicação do Zohar (III, 61) à Lei escrita, que é a imagem de IAVEH e à lei oral (palavra) que é a de ELOHIM. E como a lei escrita generaliza e a lei oral analisa, resulta que um não pode existir sem o outro, assim como o mundo de cima e o mundo de baixo (o nosso) dependem um do outro.

4- A associação, segundo o Zohar (1, 22b), que existe na essência divina é comparável com aquilo que existe entre o macho e a fêmea que não são mais do que um. Da mesma forma, pensamento e palavra (verbo) formam um.


Fonte: do livro LA KABBALE

Éditions Bernard Grasset

Paris, France – 1947

Tradução (português): deste blog

Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/estrela-de-davi-magen-david-7402718/

domingo, 26 de março de 2023

REENCARNAÇÃO - UMA VISÃO CABALÍSTICA DO RABINO PHILLIP S. BERG


Há dezesseis anos (quando o texto foi escrito) iniciei a missão de trazer este estudo importantíssimo à atenção da humanidade.

Para meu espanto, no entanto, a minha investigação deste assunto da reencarnação, tão delicado e vital, e a importância de seu lugar na Cabala, logo revelou quão pouco conhecimento a respeito deste assunto estava disponível para o cientista e para o público em geral.

Verifiquei que, quando o assunto da reencarnação surge entre judeus, ainda encontro uma falta de interesse e às vezes uma negação latente de que a reencarnação se relacione, ou tenha qualquer conexão ou relevância para com o judaísmo. Nestes últimos dezesseis anos, encontrei pouco material escrito por cabalistas judeus contemporâneos.

Certamente a academia judaica não ganha créditos pelo fato do Zohar e de trabalhos de autores que estavam realmente informados a respeito do assunto, como o Ari, o Rabino Isaac Luria, e seus volumes, os Portões da Reencarnação e o Livro da Reencarnação, nunca terem sido levados a sério.

Bem afastados da religião, embora completamente ligados à Torá, os assuntos Cabala e reencarnação sempre atraíram a hostilidade tanto de religiosos como de cientistas. Do lado da religião teme-se a "blasfêmia" deste tópico, enquanto os cientistas temem a metafísica, que os leva para fora do alcance de seu ambiente familiar. Com a Teoria da Relatividade de Einstein, e com o exame do mundo subatômico, a ciência pôde alcançar os antigos cabalistas e a Cabala.

A filosofia do século dezessete de Descartes, com uma estrita divisão entre mente e corpo, levou a instituição médica a se concentrar no corpo como uma máquina. De acordo com isso, foi dada maior importância aos aspectos físicos, e o campo da psiquiatria foi relegado a um segundo plano na pesquisa. De uma perspectiva cabalística, a história da humanidade é na verdade uma história de almas que retornam. Realmente, nenhum mistério na longa história de nosso universo é tão iluminador como o comportamento universal e repetido de seus habitantes.

Aprofundamentos que, em última análise, promovem saltos maiores, tiveram efeito muito pequeno no pensamento humano. Será que o nosso padrão mental é realmente diferente do das pessoas da Idade Média? Apesar de mudanças ambientais dramáticas, e mais a síndrome do progresso, terão as necessidades psicológicas humanas realmente mudado ao longo dos séculos? Será que realmente melhoramos, devido ao crescente progresso que continua a se tornar cada vez mais complexo com o passar do tempo?

A reencarnação, junto com o processo de tikun (correção - carma), dirige e dita nossos padrões diários de pensamento, sentimentos e atividades, embora o comportamento humano seja geneticamente controlado até um nível significativo. Bem sei que esta posição desafia a visão convencional da maioria dos cientistas sociais, que afirmam que a cultura e o meio ambiente, e não imperativos relacionados à encarnação, moldam a natureza humana. Há efeitos de longo alcance de nosso espírito humano interno que se estendem às nossas características e determinam as nossas ações externas. Estas são plenamente guiadas e executadas por forças cósmicas relacionadas com a encarnação, prevalecendo momento a momento.

As ações do homem são de fato controladas pelo cosmos, mas apenas na medida em que elas já tenham se manifestado em uma vida anterior. Em outras palavras, se um indivíduo cometeu crimes contra a humanidade em uma encarnação anterior, sua alma encarnada volta e é posta defronte do mesmo tipo de situação com a qual foi desafiada em sua vida passada. Uma pessoa nasce em um momento muito específico e particular no tempo, durante o qual os planetas e signos inter-relacionados do Zodíaco coletivamente canalizam o DNA único (física e mentalmente) que incorpora e abrange o alcance da última vida, assim como as vidas anteriores, que se tornam manifestas agora diante de nós.

Está sendo dada à pessoa uma oportunidade de exercer o livre arbítrio e alterar o cenário do cassete (gravação) de vidas prévias, ou de sucumbir à sua influência. Em essência, o cosmos oferece a oportunidade e o campo de ação para lidarmos racionalmente com o nosso cassete de encarnação. As linhas cósmicas de atividade não são a causa da estrutura pré-determinada do cassete da vida. Isso já foi determinado por vidas anteriores.

No entanto, podemos levantar a pergunta: "Quais as chances de termos sucesso desta vez quando já falhamos em inúmeras vidas prévias?" A resposta se encontra na própria Era Aquariana, na qual merecemos a informação cabalística enorme e profunda, por meio da qual a humanidade tem agora uma chance de vencer. Os pontos de referência negativos criados por nós mesmos nos oferecem uma oportunidade de exercer o livre arbítrio e alcançar a eliminação do Pão da Vergonha*. Obviamente, se essas forças cósmicas negativas não existissem, o homem simplesmente se conformaria com um tipo programado de inteligência que prescreve apenas uma filosofia de compartilhar, nos deixando em um estado que pode ser descrito como robótico. Porém, sendo que as forças cósmicas negativas existem, temos a obrigação e o propósito de indivíduos com livre pensar e livre escolha.

De acordo com a perspectiva cabalística, a história da humanidade é na verdade uma história de almas que retornam.

Até agora, a história demonstrou que a humanidade tem falhado em conseguir ser dona de seu destino. Com os avanços científicos, ficamos cientes de uma atividade interna, metafísica, que parece criar ainda mais incerteza. Vivemos agora uma época de enorme convulsão social, uma época em que os costumes, as tradições e as respostas do passado estão todas em questão.

No entanto, antes de prosseguir adiante, para os que questionam a existência da reencarnação, permitam-me que coloque esta questão. Vamos começar com o versículo de Eclesiastes 1,4: "Uma geração se vai e outra geração vem, mas a Terra continua para sempre." O Zohar nos diz que o que este versículo realmente significa é que a geração que se foi é a mesma geração que vem para substituí-la. Uma pista idêntica pode ser encontrada nas "Dez Falas" (Êxodo, 20,5), quando se afirma: "Os pecados dos pais são lembrados mesmo sobre a terceira e a quarta geração." Isto não implica, como alguns erradamente têm argumentado, que Deus é tão cheio de ira que não se contenta em punir apenas o pecador, mas infligirá também punição pelo pecado sobre os netos e bisnetos inocentes do pecador. Quem poderia racionalmente amar e adorar uma divindade tão cruel e vingativa?

O Zohar revela que a verdade deste versículo é que a terceira e a quarta geração são, na verdade, a geração anterior, com a alma retornando na forma de seu próprio descendente para que possa corrigir os pecados citados como "pecados dos pais". Tais exemplos em apoio do argumento da reencarnação abundam na Bíblia.

O conceito de reencarnação não é de forma alguma exclusivo do Judaísmo. A ideia era prevalecente entre os Índios no Continente Americano. No Oriente, o ensinamento da reencarnação está muito difundido e é de grande influência. É a base da maior parte dos sistemas filosóficos da Índia, onde centenas de milhões aceitam o fato da reencarnação do mesmo modo como nós aceitamos o fato da gravidade como uma força da natureza.

Mas, como qualquer ideia de grande antiguidade, o conceito de reencarnação chegou à maior parte do mundo misturado a uma confusão de superstição e mal-entendimento. A superstição é tão repelente para o modo de pensar ocidental que o valor filosófico da própria ideia da reencarnação caiu em grande descrédito. Recentemente, muitos filmes abordaram a ideia da reencarnação, porque por detrás de todas as fantasias esconde-se uma verdade básica e eterna. De que outra forma a ideia pode ter perdurado por tantos milhares de anos? Como ela poderia ter atraído tantos pensadores hábeis?

A única pergunta que toda a humanidade ainda faz é: se Deus realmente existe, porque há tanta miséria no mundo? Por que criminosos ficam sem punição e os justos passam por tanto sofrimento imerecido? Com demasiada frequência o criminoso fica livre e o inocente é aprisionado. Se todas as almas são iguais ao nascerem, por que os destinos humanos são tão desiguais? Deveremos todos recair na doutrina sem esperança de predestinação? Será tudo uma questão de sorte?

No que diz respeito a este mundo, a igualdade humana é um mito. Somos desiguais mentalmente, espiritualmente e moralmente. Alguns têm corpos fortes e saudáveis; outros são frágeis e doentes.

Em uma criança, apreciamos o desenvolvimento evidente da consciência – a mente e o crescimento desta mente com a passagem do tempo. Na idade avançada, a consciência e a lucidez subitamente desaparecem com a morte do corpo. Quando o instrumento é destruído e a consciência não pode mais se fazer sentir fisicamente, será que isto implica no aniquilamento da mente e da alma? A resposta é não!

A alma do homem não é mais dependente da existência do cérebro do que um músico é dependente da existência de seu violino, apesar de ambos os instrumentos serem necessários para a expressão musical no mundo físico. Somente quando podemos capturar plenamente este ponto de vista podemos começar a nos aproximar do estudo da reencarnação. A consciência humana existia antes do nascimento, e por consciência humana quero dizer a alma. Este é o primeiro fato fundamental da reencarnação.

Minha intenção neste artigo não é provar que a reencarnação é um fato da natureza, apesar de que uma preponderância de evidências dão apoio a tal afirmação. Qualquer um que sinta a necessidade de validação estritamente científica deve perceber que assim que nos aprofundamos no mundo subatômico de nossa existência, descobrimos que a validação estritamente científica de qualquer coisa se torna virtualmente impossível. A mecânica quântica e o agora cientificamente respeitável "Princípio da Incerteza" tomaram conta disso.

Essencialmente, a verificação não está na acumulação de provas mais convincentes da reencarnação, mas mais na persuasão dos cépticos, para que aceitem aquilo que já é sabido. Infelizmente, entre o mundo abstrato da conjetura e o mundo real da experimentação, houve e sempre haverá uma tensão contínua – e às vezes até mesmo conflito, e por causa deste problema o leigo foi deixado de fora, apenas conseguindo alcançar as realidades da Cabala muitos séculos, senão milênios mais tarde.

No entanto, na Era de Aquário, com a doutrina e os princípios da Cabala se tornando tão simples, a ideia da reencarnação está se espalhando fenomenalmente. Da forma como é interpretada pelo Zohar e pelo Leão de Safed, o Rabino Isaac Lúria**, a reencarnação permite à humanidade lidar com as soluções das complexidades da vida. O Ari, o Leão de Safed, afirmou em seu livro "Portões da Reencarnação" que, se um homem não reconhece o fato de encarnação ou encarnações anteriores, a capacidade de atingir o tikun (correção) ou de alcançar um estado de correção não é possível.

Por muitos anos, não fui capaz de estabelecer a relação entre a realização do tikun e o conhecimento de encarnações anteriores. No entanto, com o passar dos anos, se tornou muitíssimo claro que, no tempo de uma vida, nós só chegamos a reconhecer os nossos erros depois que já é tarde demais para se fazer qualquer mudança. Ou estamos velhos demais ou fracos demais, na parte final de nossa vida, seja para alterar o nosso estado de consciência, seja para nos tornarmos conscientes das atividades negativas que foram parte de nossa vida individual em encarnações passadas.

No entanto, se conseguíssemos atingir uma consciência das ações negativas em que incorremos em vidas anteriores, o conhecimento de nossa experiência viria cedo em nossas vidas, nos permitindo ter a energia e a coragem para mudar. Ao longo de várias vidas, o homem pode encarnar em qualquer um dos três reinos inferiores***, a saber, o reino animal, o vegetal e até mesmo o inanimado. O reino no qual encarnamos irá depender de nossa natureza e de nossas atividades negativas.

Tome como exemplo o personagem bíblico Bilaam, que estava decidido a amaldiçoar os israelitas durante a sua jornada no deserto. Ele foi encarnado dentro do reino inanimado para lhe ensinar os efeitos de não prestar atenção para as ações verbais. Confinado a uma pedra, a alma de Bilaam suportou a dor do silêncio. Outros podem retornar como a folha encarnada de uma árvore, para serem incessantemente batidos pelo vento.

Admitimos que, para a mente e cultura ocidental, a tradição da reencarnação irá provavelmente soar muito estranha, uma vez que a característica essencial desta cultura está baseada principalmente em uma visão mecanicista do papel do homem no universo. Não obstante, abrir mão da realidade da reencarnação é fechar uma verdadeira experiência de aprendizado. Quando seguimos o caminho de fazer um exame dos nossos traços de comportamento, e do por quê pensamos do modo como pensamos, com certeza chegamos mais próximos de entender a razão de nosso presente estado e o objetivo de nossa existência.

Assumir que viemos a este mundo sem um motivo é rejeitar a ideia de que o vasto universo veio a existir com uma razão e um sentido. O Ari, o Rabino Isaac Lúria, pode bem estar correto quando afirma que ignorar o fato da reencarnação é permitir que a humanidade exista sem um leme, navegando então à deriva, em caos.

Ignorar a realidade de que a nossa existência, desde o princípio dos tempos, está cheia de imenso caos, nos cega para a necessidade de chegar a soluções. Só um tolo rejeita qualquer oportunidade, principalmente quando o mundo não se tornou um lugar melhor para se viver. Rejeitar as regras e os princípios ou a essência da reencarnação irá conduzir a humanidade em direção a um meio ambiente inaceitável, onde os homens continuam a se devorar uns aos outros, seja por meios pacíficos ou por meios violentos.

Abordar a reencarnação simplesmente afirmando, "Eu sou céptico, me mostre," é frear a natureza inquiridora da mente. Como afirmei anteriormente, este artigo não tem como intenção verificar ou validar o argumento da reencarnação. Este assunto foi amplamente discutido em meu livro "As Rodas da Alma". O objetivo deste ensaio é estimular a nossa consciência adormecida e retornar ao nosso estado mental inquiridor e questionador, como quando éramos criancinhas. Naquela época não tínhamos as limitações e os arreios de uma idade adulta adulterada.

Eu relembro a história conhecida contada pelo Ba’al Shem Tov sobre o assunto da reencarnação. Um dia um aluno veio ao Besht, como ele também era conhecido, e perguntou se ele (o Besht) poderia oferecer alguma ilustração que demonstrasse a existência da reencarnação. Este aluno foi aconselhado a ir para um determinado parque, sentar-se e observar. Depois de se acomodar em um dos bancos do parque, ele observou um homem indo para um banco próximo com uma pequena bolsa na mão. Pouco depois, o homem se levantou e saiu, deixando para trás sua bolsa. Poucos momentos mais tarde outra pessoa sentou-se no mesmo banco. Assim que sentou-se, percebeu a bolsa. Ele a abriu e encontrou uma grande quantia de dinheiro. Apressadamente, fechou a bolsa e fugiu correndo como um ladrão. Um instante depois, um terceiro homem que aparentemente estava muito cansado sentou-se neste mesmo banco. Logo após, o primeiro homem voltou ao mesmo banco procurando por sua bolsa. Assumindo que apenas poucos instantes tinham passado desde que tinha saído daquele banco, ele enfrentou o atual ocupante do banco e pediu que lhe devolvesse a bolsa cheia com seu dinheiro.

O homem, desorientado, respondeu com uma expressão vazia e exclamou, "Do que você está falando? Acabei de chegar aqui." Tomando a resposta de quem assumira ser o ladrão como querendo dizer que ele se recusava a devolver a bolsa com o dinheiro, a vítima começou a bater no suposto ladrão até que ele perdeu a consciência. Frustrado, ele então abandonou o homem agredido e foi embora.

O aluno do Besht ficou em total confusão, e imediatamente voltou para a casa de seu mestre. Ao se encontrar com o Besht, o aluno exclamou que o que ele observara o havia levado a pensar que realmente este mundo nada mais é do que o caos. De fato, o conceito da reencarnação, que tende a criar alguma aparência de ordem no universo, nada mais é do que ilusório. O estudante então relatou o que vira. Um homem está desesperado pela perda de sua bolsa. Outra pessoa se beneficia do infortúnio alheio, e, finalmente, o quadro do caos total, um homem inocente apanha sem razão.

O Besht respondeu que ele não havia captado a implicação plena da cena, que na verdade refletia um incidente entre estes indivíduos em uma vida passada. A primeira pessoa, a quem a bolsa pertencia, havia roubado algum dinheiro do segundo indivíduo, e agora, nesta vida, o segundo homem estava recuperando o que havia sido roubado pelo primeiro na vida anterior.

Então, quem era esta terceira pessoa que foi agredida de forma tão inclemente pela primeira pessoa? O terceiro indivíduo, observou o Besht, havia sido o juiz que não reconheceu nem observou bem os fatos do caso em questão. Tivesse ele sido um juiz com mente e coração puros, nenhum falso julgamento poderia ter ocorrido sob sua jurisdição. As leis naturais e os princípios deste universo, continuou o Besht, regem com acuidade precisa. O reino caótico que parece prevalecer leva o homem a acreditar que não há lei e ordem no universo. O Satan ("oponente" - ego) deixa a humanidade com uma impressão de que a justiça não existe no ambiente que conhecemos. O criminoso passa impune e o inocente normalmente sofre indevidamente. Todavia, se chegamos a uma compreensão das doutrinas de reencarnação, compreendemos porque bebês nascem com defeitos e entendemos diversas ocorrências aparentemente injustas.

É precisamente por esta razão que o Ari declarou que se alguém não tem uma compreensão do efeito de vidas passadas e da necessidade de se fazer correções, é inevitável que esta pessoa sofra as consequências, até quando um tikun (correção - carma) completo tiver sido realizado. O Ari deixa claro que antes que uma pessoa possa saber e submeter-se às leis do tikun, ela deve conhecer a raiz e o lugar de sua alma. Para saber isto, porém, primeiro se deve conhecer a estrutura dentro da qual essa raiz e esse lugar se encontram.

Adão, cujo próprio nome quer dizer ‘homem’, foi o repositório de todas as almas que iriam existir na Terra. Assim, sua própria alma era infinitamente subdivisível. Quando ele pecou no Gan Éden ("Jardim do Éden), o repositório do receptor foi despedaçado e isto foi fragmentado no que os cabalistas chamam de ‘faíscas’, cada uma tão única como a dupla hélice microscópica do DNA que determina cada característica do indivíduo que a recebe. Inteligências que foram uma vez parte do cérebro de Adão encarnam como pessoas inteligentes, cujo trabalho está relacionado com a atividade mental. As forças inteligentes que foram parte dos dedos de Adão foram corporizadas em humanos cujas atividades se relacionam com o trabalho com os dedos, como artesãos e artistas. Assim, cada uma das forças de energia inteligente do perfil de Adão transmigraram com sua fórmula de DNA peculiar e particular, o que explica os diferentes tipos de pessoas que habitam a Terra.

O estudo da reencarnação é o fator singular mais importante para a estabilidade mundial.

Uma das muitas questões que surgem para aqueles que entendem completamente o conceito de reencarnação é por que alguns pais são abençoados com crianças com a sabedoria e a ética de um santo, enquanto outros pais têm crianças imorais e ignorantes. É verdade, estas crianças tem alguma coisa ou muitas coisas a corrigir. No entanto, o que determina para onde e para quem cada uma vai?

Para responder a esta pergunta, para qualquer nascimento no passado ou no futuro, devemos observar uma condição específica em um momento específico do tempo – os pensamentos dos pais durante o ato sexual. Se os pensamentos do homem e da mulher são de pura luxúria, motivados somente pelo desejo de auto indulgência, sua criança irá refletir egoísmo e luxúria, enquanto a criança concebida em um momento de profundo amor e entendimento mútuo irá refletir características positivas. Sendo que cada alma, ao retornar após a morte, deve encontrar um lugar cujas condições sejam similares àquelas há pouco deixadas para trás, os pais virtualmente escolhem sua descendência, como se a tirassem de um catálogo cósmico.

Desta forma, a concepção, variando de uma ira de estupro forçado à delicadeza de se fazer amor da forma correta, irá produzir crianças variando de raivosas a justas. Existem, é claro, exceções à regra. Algumas poucas almas, com o tikun completo, retornam a este plano com uma missão para a humanidade que não tem nada a ver com o seu karma pessoal. Rabi Shimon Bar Yochai, uma faísca encarnada de Moisés, não tinha nenhuma razão de tikun para andar por esta terra há 2000 anos atrás. Mas somente ele poderia ter revelado a sabedoria do Zohar. Da mesma forma, Rabi Isaac Lúria apareceu somente para interpretar o Zohar e divulgar sua sabedoria, ele mesmo uma faísca encarnada de Rabi Shimon Bar Yochai.

Para o homem ou mulher comum, tornar-se pai ou mãe é abrir um canal para uma alma que irá elevar suas vidas ou fazê-los infelizes. É uma perspectiva assustadora, e aqueles que não sabem nada de Cabala ou que rejeitam a reencarnação jogam com suas próprias vidas no ato da procriação. Felizes são aqueles que são almas gêmeas nesta situação, pois as almas gêmeas são de fato um, e estão tão felizes em companhia um do outro que nenhum pensamento a não ser o mais benigno pode entrar durante o ato de se fazer amor.

No Mundo Infinito, todas as almas eram uma. Mas o Zohar nos diz que o Criador dividiu cada uma delas do estado de circuito positivo-negativo, assim criando macho e fêmea. As almas gêmeas são estas duas metades de uma única alma, outra vez unidas, geralmente após errarem por muitas vidas procurando uma pela outra e completando o seu tikun.

Como regra geral, as almas gêmeas podem se encontrar e se casar somente após sua dívida kármica ter sido eliminada. Portanto, poucos no mundo em qualquer dada época estão com sua alma gêmea. Mesmo assim, homens e mulheres se encontram e se casam, e não apenas para a procriação; dos dois sexos, os homens têm maiores dificuldades para completarem o seu tikun. Eles são, talvez, mais obstinados e mais teimosos do que as mulheres, que geralmente atingem a correção da alma com tão pouco quanto uma única vida nesta Terra. Quando as mulheres retornam, com a dívida de tikun corrigida, é normalmente para ajudar um homem que está lutando para corrigir a sua. A ajuda nem sempre é suave. Um homem que repetidamente falhou em atingir a correção da alma pode receber uma mulher que tornará sua vida não muito agradável.

Isto poderia implicar que quando o divórcio e o novo casamento – frequentemente diversas vezes – ocorrem, nenhuma destas uniões é desperdiçada. Cada uma delas era destinada a ensinar ao homem uma determinada virtude, que ele só poderia aprender através do casamento. Mesmo após conquistar a sua alma gêmea, no entanto o homem permanece vulnerável. Se ele leva então uma vida extremamente pecadora, ele poderá ter que voltar a este mundo com o objetivo de cumprir o seu tikun, sem a sua alma gêmea. Mesmo se a lei do tikun liberou a mulher da necessidade de reencarnar, ela pode ter um sentimento tão forte por sua alma gêmea que pode voluntariamente voltar para auxiliá-lo em sua luta pela correção.

É um sábio ditado que diz: "O casamento é como uma fortaleza cercada – aqueles que estão fora querem entrar, e aqueles que estão dentro querem sair." Com a taxa de divórcio para aqueles que se casam alcançando proporções epidêmicas, por que então as pessoas ainda se dão a este trabalho? Já que o casamento desempenha um papel tão importante em qualquer sociedade, é importante entender este papel. As leis cósmicas de reencarnação não podem ser modificadas, e é a falta de conhecimento destas leis que gera tantos dos problemas atuais. O Ari diz que se um homem não consegue entender a sua própria alma e a alma da mulher que ele ama, e se este amor não é baseado no conhecimento da reencarnação e na compreensão mais profunda, não existe uma base sobre a qual o casamento possa ser construído. Um homem deveria ter uma verdadeira compreensão do porquê estar com determinada mulher nesta vida. É dentro do vácuo criado pela falta de entendimento que as relações extra conjugais, tão comuns hoje em dia, têm suas raízes.

Quais as possibilidades de ter sucesso desta vez quando já falhamos em inúmeras vidas anteriores?

Não podemos esconder a instabilidade e a falta de devoção que acomete a maioria dos casamentos modernos. Um verdadeiro casamento entre almas gêmeas é quando o amor incondicional é o fundamento da união. O alto nível de amor incondicional não pode ser trazido à existência sem um amplo entendimento de reencarnação. O Zohar afirma que nenhum relacionamento humano mais profundo é resultado do acaso. David e Bat Sheva foram resultado direto de um processo de tikun que foi estabelecido na época da criação do mundo. Um casamento onde os parceiros simplesmente não conseguem suportar estarem um sem o outro o tempo todo é um exemplo de almas gêmeas em seu grau mais elevado. A harmonia do universo inteiro é mantida por este equilíbrio. O estudo da reencarnação é o fator singular mais importante para a estabilidade mundial.


Notas (deste blog):

* Pão da vergonha significa uma sensação desagradável que se sente ao receber alguma coisa boa, sem porém ter feito nada para merecer aquilo. Embora seja agradável receber, algo fica faltando.

** Um homem revolucionou a Kabbalah no século XVI: Rav Isaac Lúria, o Ari, também chamado de Leão Sagrado, o Leão de Safed. Foi um dos grandes estudiosos da Kabbalah do século 16. Viveu apenas dois anos em Safed, para onde mudou-se atendendo a determinação do profeta Eliahu (Elias). Seus ensinamentos foram divulgados através das obras de seu fiel discípulo, rabino Chaim Vital. Após a expulsão dos judeus da Espanha (1492) e da Provença, na França, muitos sábios dirigiram-se para Safed, na região da Alta Galileia, uma das quatro cidades sagradas do Israel antigo.

*** Metempsicose é o termo genérico para transmigração ou teoria da transmigração da alma, de um corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não. Essa crença não se restringe à reencarnação humana, mas abrange a possibilidade da alma humana encarnar em animais, vegetais ou minerais. (Wikipédia) Grande parte da oposição a essa teoria vem do fato de admitir-se que haveria uma involução da consciência a um reino "inferior" ao humano. Ensinam os proponentes dessa teoria que o fato de estarmos encarnados num ser não humano não modifica o nível de consciência ou evolução já atingido. O que ocorre é apenas uma sensação-correção momentânea. Por exemplo, estar sentindo-se imobilizado como uma pedra. O sentir-se imobilizado não significa que ele involuiu, pois a imobilização momentânea é apenas uma consequência de algum ato anterior cometido, e que deve ser sentido para uma correção, embora isso possa ser corrigido numa reencarnação humana também.



Rav Dr. Phillip S. Berg




Fonte: Centro de Cabala
https://kconline.site/tkc/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/al%c3%a9m-morte-vida-ap%c3%b3s-a-morte-744753/

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

OS MESMOS ERROS REPETIDAMENTE

(...) O Zohar afirma algo interessante sobre as pragas que aconteceram no Egito: O Faraó parece esquecer cada praga que acontece, depois que as coisas voltam ao normal. Toda a água se transforma em sangue (primeira praga), mas assim que volta à condição de água, o Faraó esquece o que aconteceu. Os sapos (segunda praga) infestam o país, mas, assim que vão embora, o Faraó se esquece de que eles estiveram ali. E assim por diante.

Há dez pragas contadas (...). E a minha pergunta é a seguinte: Se alguém lhe desse um tapa sete vezes, você realmente não se lembraria disso?

Felizmente, o Zohar esclarece a situação: Não se tratava do Faraó esquecer. Simplesmente ele retornava à consciência que tinha antes que cada praga especifica acontecesse, um fenômeno que acontece conosco de tempos em tempos.

Vamos pensar no seguinte: Quantas vezes cometemos um erro e recebemos um "tapa" do universo de uma maneira ou de outra, e simplesmente nos esquecermos disso quando o caos desaparece? Passamos pelos mesmos cenários repetidamente e, a cada vez que a questão se repete, dizemos: ”Eu sabia que estava errado.”

A verdade é que, a não ser que encontremos um caminho livre ou nos elevemos, saindo de nossos padrões, cometeremos os mesmos erros repetidamente. Se não nos levarmos a um nível espiritual mais elevado, passaremos pelas mesmas dificuldades repetidas vezes, até que cheguemos a um lugar onde estejamos dispostos a mudar. Felizmente, nesse poderoso lugar onde estamos dispostos a ir com nossa mudança, temos ferramentas espirituais para nos ajudar a ir em frente em nosso caminho e nos tornarmos a melhor pessoa que podemos ser.



Karen Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

terça-feira, 20 de maio de 2014

DEBATE - CIÊNCIA E RELIGIÃO (ZOHAR)

A ciência não consegue ver a verdade subjacente à religião e a religião não pode ver a verdade da ciência. E ambas falham lamentavelmente em fornecer um método para erradicar a dor da vida das pessoas simplesmente porque ambas interpretam a Bíblia LITERALMENTE. Os antigos kabalistas, e o Zohar, nos dizem que quem quer que interprete a Bíblia literalmente, seria melhor que tal pessoa nunca tivesse nascido.

Isso é o quanto a Bíblia está longe de entender a realidade e transformá-la - quando interpretada literalmente!

Um cientista nunca interpretaria uma mesa literalmente ao tentar entender a natureza da realidade. O cientista investiga detalhadamente as fibras de madeira, depois mais fundo as moléculas, os átomos, as partículas subatômicas e depois até quebrará essas partículas subatômicas para investigar a raiz da realidade.

Bem, a Bíblia tem um nível subatômico também. É chamado de Zohar.

E o "acelerador de partículas" que tem o poder de explorar os níveis mais profundos da realidade da Bíblia é também o Zohar.

O Zohar é o mais poderoso acelerador de partículas da Terra.

Hoje, a ciência se tornou apenas uma outra forma de religião, expondo todas as características de uma religião organizada; intolerância, arrogância, afirmando ser a dona da verdade, menosprezando aqueles que discordam, ativamente promovendo, pregando e ensinando seus princípios e ideias para atrair a consciência do mundo para o seu lado.

O lado triste e trágico de tudo isso é que o Zohar - o texto antigo que influenciou profundamento Isaac Newton, Wilhelm Leibniz, Hernry More e todos os maiores físicos da revolução científica - tem o poder de reconciliar e unir a ciência e religião e apresentar uma verdade abrangente que absolutamente resolve o caos da vida. Apresenta um plano de jogo  e tecnologia para transformar nosso mundo em uma paz e longevidade autênticas e de mais profunda realização, muito mais do que um cientista ou religioso ousaria imaginar.

Há um jeito de solucionar o debate ciência-religião. Sempre houve. Mas os impulsos egocêntricos, a ganância pelo poder e o incessante anseio por controle sobre os outros, impediram que o Zohar atingisse as pessoas comuns. Sangue tem sido derramado no esforço de impedir que o Zohar atingisse todas as pessoas. Guerras, genocídios, fome, pobreza e até desastres naturais são o resultado.


A COSMOLOGIA DA KABBALAH

O Zohar descreveu a criação do Big Bang há dois mil anos antes da ciência.

O Zohar disse que o universo existe em dez e vinte seis dimensões há vinte seculos, antes dos físicos trazerem a nós a teoria das supercordas.

O Zohar disse que a verdadeira realidade é eterna, sem espaço ou movimento, antes da Teoria da Relatividade de Einstein.

O Zohar disse que o mundo era redondo, com sete continentes e diferentes fusos horários, 1500 anos antes de Colombo (que tinha o Zohar, cortesia de Abraham Zacuto.)

O Zohar explicou a evolução de uma forma tão espetacular que o dignifica e une a ciência à verdadeira religião (não a religião organizada), de modo que deixa você perplexo pela simplicidade e um pouco bobo por ter debatido esse assunto por tanto tempo, quando de fato, não há nenhum debate, uma vez que você compreende o Zohar.

O Zohar disse que "as gorduras ruins" em nossas artérias causam problemas no coração e doenças antes da medicina moderna.

O Zohar disse que a matéria é realmente constituída por energia na forma de "montes de ondas" e que a matéria e as ondas são dois lados da mesma moeda chamada realidade, muito antes das física quântica ter aparecido no cenário da ciência.

O Zohar disse que essas ondas de energia são na verdade compostas por consciência, pensamento, as ondas cerebrais de Deus, provindas da Luz que brilha do Criador.

A Consciência é a raiz de nossa realidade.

Quando os cientistas conseguirem expandir sua consciência ao ponto que esteja livre do ego e interesse próprio, eles estarão prontos para reconciliar, com dignidade, o debate ciência-espiritualidade. Quando os religiosos deixarem cair seu ego e intolerância que resultam da leitura literal da Bíblia, eles serão capazes de ver a verdade assombrosa da ciência e física, e entender que Deus criou o cientista e o religioso, o que significa que há uma mensagem chocante lá esperando para ser desvendada.

É chamado de Zohar.

O Zohar abrange a física e a verdadeira religião (não a religião organizada) e as une como dois lados de uma moeda chamada paraíso.

Se quisermos o paraíso, nós precisamos unir os dois.

O único obstáculo é o ego. Sabe, um cientista ou um religioso não quer a verdade. Pelo menos, não como sua maior prioridade. Primeiro, eles querem carreiras, sucesso, dinheiro, poder, controle, uma propagação dos seus ponto de vista e sistema de crenças. Advinha porquê? Isso é pelo desígnio de Deus. Nós todos fomos criados propositalmente com egos maciços e implacável interesse próprio .

Por quê?

Para que pudéssemos merecer o paraíso que é nosso destino, ganhar a verdade que está na base da ciência e religião. Nós devemos superar nossos preconceitos e egoísmo, nossas opiniões mesquinhas a fim de lutar e trabalhar duro para desvendar a unidade simples que une toda a sabedoria da humanidade. Nós temos que trabalhar muito para remover as camadas da estupidez, corrupção e equívocos literais que existem em ambas áreas.

O Zohar diz que quando a ciência e espiritualidade chegarem juntas, a salvação da humanidade acontecerá. O mundo acabará com a morte, o caos e a guerra, e paz e imortalidade biológica chegarão.

Agora pergunte a si mesmo isso: Quem no mundo da ciência está preparado para encarar a ridicularização dos seus colegas por abrir o Zohar em busca da paz e verdade científica? Quem na religião está disposto a espiar a Kabbalah para encontrar a origem da sua própria religião, seja o Cristianismo, a Torá ou o Islamismo, e encontrar a verdade maior que respeita todas as religiões e comprova a ciência?

Eu recentemente dei uma palestra no centro espacial Kennedy da Nasa. Um físico me interrompeu no final literalmente apavorado com os insights do Zohar sobre a criação e realidade. Eu convidei todos os cientistas e pessoas na palestra para me ligar a qualquer hora para que possamos dividir os ensinamentos do Zohar e proferir a verdade, A Grande Teoria Unificada. 

Além do mais, o Zohar propulsionou a revolução científica do século XVII quando os cientistas da renascença abriram o Zohar.

Wolfgang Pauli estudou Kabbalah no século XX.

Os grandes astrônomos da Idade Média, homens que têm seus nomes dados às crateras na lua, esses eram todos kabalistas que conheciam a sabedoria do Zohar.

Então, por que não de novo em nossos dias?

Até aqui, ninguém aceitou o convite. Obviamente, há mais trabalho para ser feito.

Mas nós estamos tão perto do final. Bem perto.

O Zohar diz que nós devemos unir ciência e espiritualidade e remover a inimizade que existe entre as pessoas, entre inimigos e entre sistemas de crenças.

Todos têm uma parte de verdade, como uma peça de um quebra-cabeça. O Zohar é o mapa que nos mostra como conectar todas essas peças.

Quando fizermos isso, um novo mundo surgirá.





Billy Phillips





Fonte: Estudantes de Kabbalah
http://estudantesdekabbalah.com/2014/04/17/debate-ciencia-e-religiao/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 17 de maio de 2014

ZOHAR - O LIVRO DO ESPLENDOR


Os ensinamentos da Cabalá são baseados na Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia. A autoria do texto é atribuída a Moisés e segundo a Tradição cabalista, suas histórias estão escritas em código. Se vamos além das histórias, se as decodificamos, teremos acesso as leis metafísicas que regem as várias dimensões da realidade e os princípios que fundamentam a vida de toda a humanidade.

O Zohar é um grupo de livros que faz esta decodificação, com o objetivo de aproximar o ser humano de sua essência mais luminosa. Esta coletânea de comentários sobre as porções da Torá nos permite desenvolver as qualidades espirituais necessárias para nos aproximarmos de uma realidade Superior. Compreender o Zohar significa compreender nosso mundo interior e nosso potencial ilimitado.

O Zohar foi escrito pelo Rav Shimon Bar Yochai, que viveu nos séculos II e III da nossa era, mas seu conteúdo foi mantido oculto por 900 anos. No século XVI apareceu um Cabalista, Rav Isaac Luria (Ari), que afirmava que deste momento em diante a sabedoria da Cabala estava preparada para ser revelada para todo o mundo. Entretanto, os comentários sobre os trabalhos de Ari e do Zohar apareceram apenas no século XX. 

A Torá é um guia para o nosso crescimento espiritual e o Zohar é a Luz para o seu entendimento.





Cristina Torres





Fonte do Texto e da Gravura: 
Os Caminhos da Cabala
http://cabalasp.blogspot.com

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A VERDADE SOBRE AQUELES PENSAMENTOS NEGATIVOS

Nós não estamos aqui para elevar nossos pensamentos e purificar as nossas mentes.

O Kabalista Isaac Luria é claro a respeito disso.

É pressuposto que os pensamentos maus e negativos chegarão às nossas mentes.

Ao invés de tentarmos purificar a nossa consciência, nós estamos aqui simplesmente para resistir aos pensamentos negativos e mandá-los embora.

Eles não irão deixar de invadir o nosso espaço mental até que a redenção chegue. Então, e somente então, nós iremos purificar os nossos pensamentos e canalizar a Luz do Criador (consciência) através das nossas mentes.

Portanto, abra mão de qualquer culpa que você possa sentir a respeito dos seus pensamentos negativos. É pressuposto que eles nos ataquem.

Apenas não se aproprie deles!

Deixe-os ir embora.

Resista.

E resista à culpa, também.

Cada vez que nós resistimos a uma pensamento negativo e lutamos contra ele, nós injetamos Luz neste mundo.

O problema acontece quando nós nos apropriamos desses pensamentos, pelo fato de termos acreditado que eles nos pertencem.

Eles não nos pertencem.

Eles são impressos em nossas mentes por uma força negativa chamada EGO ou OPONENTE, como explica o Zohar.

O oponente continuará dando seus tiros.

Você precisa continuar a desviar deles.

E saiba que você está mudando o mundo a cada vez que você faz isso.





Billy Phillips





Fonte: Estudantes de Kabbalah
http://estudantesdekabbalah.com/2014/04/19/a-verdade-sobre-aqueles-pensamentos-negativos/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 18 de abril de 2014

3400 ANOS DE ESCRAVIDÃO (OS CÓDIGOS CABALÍSTICOS DE PESSACH/PÁSCOA)

A história tradicional de Pêssach fala de escravidão, exílio e liberdade para os Israelitas que saíram da terra do Egito. Tradicionalmente, essa escravidão tem sido descrita como tendo sido brutalmente difícil e com trabalho duro e chicotadas com muito sangue, suor e lágrimas. Os antigos kabalistas, entretanto, trouxeram LUZ à história, revelando alguns fatos interessantes que foram desconsiderados igualmente por muitos rabinos, sacerdotes, ministros, papas e acadêmicos.

Em um nível literal, a história de Pêssach nos conta que os Israelitas estavam na prisão no Egito por 400 anos. Eles eram escravos e filhos de escravos aprisionados pelo cruel e sem coração Faraó, rei do Egito.

Veio então um grande líder chamado Moisés. Numa missão enviado por Deus, Moisés ganhou a liberdade para o seu povo. Ele então liderou-os numa longa e árdua jornada, incluindo o famoso episódio da travessia do Mar Vermelho. No final, eles chegaram no Monte Sinai onde tiveram um compromisso com o destino.

Mas aqui está a parte interessante: os Israelitas estavam experimentando a liberdade pela primeira vez em séculos e mesmo assim, começaram a reclamar, a se lamentar, sendo ingratos assim que o calor e a temperatura esquentava um pouco no deserto.

Eles até chegaram a implorar a Moisés que os levasse de volta para o Egito! Eles até acusavam Moisés de tentar matá-los.

Será que devemos acreditar que os Israelitas estavam mesmo numa boa no Egito? A vida no deserto era muito pior do que a escravidão no Egito?

Parece que algo aqui não está muito certo. A história literal não faz sentido. Por que então ano após ano nós temos que recontar essa história tão questionável no feriado de Pêssach?

E a escravidão de outros povos através da história? Devemos partir do pressuposto que somente os Israelitas tiveram um período de dureza enquanto a vida era um piquenique, um passeio de lazer no parque e um prazeroso tempo livre na praia para os outros povos?

O grande kabalista conhecido como o Ari (Rav Isaac Luria) viu essas mesmas discrepâncias; ele fez as mesmas perguntas verificando no Zohar Sagrado, um livro que traz Luz para todas as nações e todos os povos. O que se segue são algumas respostas iluminadas do Ari e do Zohar.


REVELANDO O CÓDIGO

O Ari revelou que a história bíblica completa é um código. Egito é uma palavra código para o ego humano. Egito é uma metáfora para a incessante natureza humana de reatividade e autossatisfação. Qualquer aspecto de nossa natureza que nos controla é Egito.

Portanto pare de culpar os antigos Egípcios, Árabes ou Mulçumanos hoje em dia pelos nossos problemas.

Ninguém ou nenhuma outra pessoa é o nosso problema ou o nosso mestre malvado.

É o nosso ego, simples e puramente, que a Bíblia e o Zohar estão se referindo quando estão discutindo sobre “Egito”.

O controle e a influência do ego humano sobre nós é a mais antiga relação de senhor e escravo em toda a Criação. Todos os seres humanos – não apenas os Israelitas – estão escravizados a esta força negativa chamada ego.

O ego é alimentado de duas formas:

1 - Nós o alimentamos. Como? Nossas ações egocêntricas buscam satisfação imediata. Todas as vezes que escutamos e cedemos às tentações do ego, nós recebemos uma gratificação momentânea que nos dá um flash de energia e o ego captura a Luz que nos foi destinada pelo Criador caso tivéssemos resistido ao ego. É assim que funciona o jogo da vida. Portanto, toda vez que reagimos ao ego, nós o fortalecemos e perdemos a energia e a Luz do Criador.

2 - Existe uma força global de escuridão que incita nosso comportamento reativo. Nossos egos individuais também nutrem a força escura global. Essa força global causa terremotos, tsunamis, vírus ebola, pandemia, tufões, e outros desastres “naturais”. O ego individual é o que causa problemas nos negócios, no casamento, na saúde pessoal, no nosso bem estar emocional, e os nossos medos, preocupações e ansiedades. E mais importante, o nosso ego individual é o que causa nossas dúvidas e ceticismo sobre tudo que acabei de escrever. Especialmente a ideia de uma força global de escuridão. É assim que ela existe e continua a existir. A dúvida em nossas mentes é a sua estratégia de sobrevivência.

Ego e a escravidão tomam muitas formas diferentes:

Somos aprisionados pelos aspectos baseados no ego de nossa existência material.

Somos mantidos na escravidão por nossos desejos egocêntricos e reativos.

Somos escravizados pelos nossos incansáveis impulsos.

Somos prisioneiros das percepções que os outros tem de nós.

Somos mantidos presos dos nossos empregos, carreiras, e relacionamentos superficiais.

Somos encarcerados pela necessidade do nosso ego de sermos aceitos pelos outros.

Somos reféns da nossa constante necessidade de sermos melhores do que os nossos amigos.

Nosso ego é o nosso verdadeiro algoz e o ego faz o seu trabalho tão bem que a maioria de nós não percebe que está escravizado.

Nós queremos começar uma dieta mas deixamos para depois. É o ego.

Nós queremos fazer exercícios mas adiamos e continuamos a engordar. É o ego.

Nós queremos parar de fumar, de gritar com os outros, de falar de maneira grosseira e abusiva. Mas não temos força de vontade. É o ego.

Ele nos controla.

A única maneira de ganhar a liberdade de sua superpoderosa influência é no período de Pêssach.

Você  pode negar tudo isso e o seu ego vai amá-lo por isso.

Você pode não acreditar nisso que escrevemos e o ego vai te agradecer e fazer você se sentir mais inteligente do que os demais.

A força global da escuridão fez com que Pêssach se tornasse um feriado tradicional e um período para reunião com a família (onde geralmente nos desentendemos ou brigamos com os nossos familiares), ao invés de ser o mais poderoso instrumento de tecnologia e ferramenta para nos libertar da força da morte. Você consegue imaginar? Estamos cegos em relação ao poder de Pêssach e falamos de negócios ou mantemos a tradição ou ignoramos tudo e ficamos sofrendo, e estamos morrendo por causa disso. Pêssach, quando feito incorretamente sem uma compreensão e sem a tecnologia e as ferramentas da Kabbalah para ativá-lo, se torna uma experiência vazia espiritualmente trazendo zero resultados. Os últimos 2.000 anos de sofrimento global é uma prova disso.

Pêssach não tem feito nada para mudar o mundo.

E esse tempo todo, os segredos do Zohar e de Pêssach estavam escondidos no Zohar.


RESPONSABILIDADE

Enquanto eram escravos no Egito, os Israelitas não eram responsáveis por suas próprias vidas. Eles permaneciam como vítimas. Se o caos acontecia com eles, não tinham que aceitar a culpa. É muito mais fácil ser vítima – um escravo – do que aceitar a responsabilidade pelos problemas da vida.

E nós amamos muito estar como vítimas. É uma delícia e um prazer. Nós conseguimos receber muita energia reclamando e mal dizendo a sorte, nos sentindo péssimos, e sugamos a energia daqueles que nos escutam e simpatizam com a nossa situação. O problema é que a energia que recebemos é temporária. É um passo para frente e dois passos pra trás. Fazemos com que nossa situação piore ainda mais quando reclamamos.

A consciência de vítima foi a verdadeira escravidão no Egito. O êxodo dos Israelitas os levou a uma liberdade genuína e controle de seu próprio destino. Mas quando a liberdade chega, temos que assumir a responsabilidade e isso é muito desconfortável.

Nós detestamos assumir a responsabilidade. Eu sei que detesto. Pressupõe um grande esforço se tornar responsável. A vitimização é como uma cola super bonder. É difícil de tirar quando ela seca e gruda em você.

Esse é o significado espiritual por trás das repentinas reclamações dos Israelitas e seus desejos de retornarem ao Egito. Era muito mais fácil para os Israelitas serem escravos e vítimas e botar a culpa de tudo nos egípcios. Dessa forma os eventos negativos eram simplesmente “além do nosso controle”.

Mas a realidade é esta: nenhum evento está além do nosso controle. Entretanto, nossa natureza reativa nos cega para essa oportunidade de liberdade e do segredo da responsabilidade. Repentinamente somos desafiados a olhar no espelho e assumir a culpa pelo caos e dificuldades que caem sobre nós. E de alguma forma, temos que assumir a responsabilidade pelo resto da dor que existe no mundo também.

Se nós aceitarmos esta responsabilidade (e isso não é fácil), nós podemos então atingir o poder da liberdade genuína e obter o controle sobre o cosmos e colocá-lo na palma da nossa mão.

Quando nos tornamos a causa absoluta dos nossos problemas, nós então somos capazes de nos tornarmos a causa absoluta das nossas soluções.


MAIS CÓDIGOS

Os rituais conectados com Pêssach são cabos, a tecnologia pela qual o cabo de fibra ótica espiritual alcança a nossa vida. É a banda larga da tecnologia para o download da energia intensa de liberdade nas nossas vidas. Vamos examinar o significado interno espiritual por trás dos conceitos mais comuns de Pêssach.


ABSTINÊNCIA DE PÃO

Durante oito dias de Pêssach, o pão é substituído por Matzá.

Provavelmente 95% das pessoas que vemos observar a tradição de Pêssach não tem a mínima ideia sobre a tecnologia genial e o poder que essa simples comida pode trazer. A maioria das pessoas faz gozação com a Matzá e existem piadas incontáveis sobre todo esse período de Pêssach.

Mais uma vez, o ego é o sabotador e mantém a morte, a dor e o sofrimento vivos para o mundo todo e para nós.

Os kabalistas ensinam que o pão é uma ferramenta poderosa, como uma antena que transmite energia espiritual, é por isso que pão é incorporado em todos os rituais de muitas religiões.

A Kabbalah ensina que pão também está relacionado metafisicamente ao ego humano. Assim como o pão tem o poder de expandir e crescer, nosso ego tem a habilidade de crescer e expandir.


PÃO SEM EGO

Matzá é pão sem a consciência do ego. É pão no qual a natureza egoísta foi desligada e erradicada. Ao comer Matzá com a consciência e as meditações kabalísticas apropriadas e a intenção correta, recebemos o poder de desligar e erradicar nosso próprio ego. Dessa maneira podemos nos libertar da escravidão e nos elevarmos para alturas espirituais enormes. Se comermos Matzá porque nossos pais ou avós comeram Matzá e queremos preservar a tradição, tudo que iremos captar são as calorias. Se torna sem sentido e sem valor nutritivo.

Se compreendermos o que ela realmente é, se nos defendermos do nosso ceticismo e nosso cinismo, e captarmos um pedacinho dos mecanismos geniais e os desígnios que embasam a manufatura dessa comida tecnológica, iremos obter o poder de cura, o poder de liberdade e o poder de uma existência absoluta e imortal destruindo a fonte do anjo da morte – o ego global e individual.


VELOCIDADE DA LUZ 

Pão também atrai uma energia imensa para dentro de casa. Por essa razão, nem mesmo uma migalha de pão é permitida durante Pêssach, quando essa infusão de energia atinge intensidades ultra altas. Considere esse exemplo: Você está dirigindo um carro a 30 milhas por hora. Se você abre a janela do carro a mudança na pressão do ar dentro do carro é mínima. Você ainda pode controlar o automóvel sem problema nenhum. Suponha agora que você está num jato 747 voando numa linha aérea. Quer saber? Mesmo a abertura mínima ou uma rachadura minúscula na janela pode colocar o avião em risco e o piloto pode perder o controle e provocar um desastre. Durante Pêssach, nós estamos voando na velocidade da Luz – isso é a intensidade da energia da Luz de liberdade para nós. O ego é tão forte e tão magnânimo em seu poder de influência crua que requer uma infusão de Luz para nos libertar de suas garras, especialmente o ceticismo.

Até mesmo o mínimo pedaço de pão em nosso sistema mandará você e seu sistema reativo de comportamento numa rota de colisão com o caos no ano todo.


AS DEZ PRAGAS

Os cientistas e os kabalistas concordam que a realidade consiste em dez dimensões, cada uma das quais é expressa em sua própria forma espiritual. Em outras palavras, nosso ego e nossos impulsos reativos englobam dez graus de negatividade.

A história bíblica fala das Dez Pragas que aconteceram no Egito. Os antigos kabalistas explicam que isso na verdade significa que dez injeções de energia foram necessárias para apagar os dez níveis de negatividade que se mantinham dentro da nossa natureza humana. Quando os dez níveis foram erradicados, nós alcançamos a liberdade genuína do nosso ego.

Todos os segredos e mistérios por trás dos rituais de Pêssach foram revelados completamente na Hagadá de Pêssach da Kabbalah.


CÓDIGO DO TEMPO   

De acordo com o calendário hebraico, a noite de Pêssach abre uma janela de oportunidade única no Universo. Os portões da prisão são abertos subitamente. Temos a chance de escapar dos nossos medos e de nossas inseguranças.

Esta abertura foi criada há 3.400 anos atrás quando os Israelitas foram libertados da escravidão nessa mesma data.

A liberdade que apareceu no Egito foi com um único propósito – criar um reservatório de energia para as futuras gerações, de forma que nós pudéssemos acessar o poder da liberdade em nossas vidas.

A física moderna nos fala que a energia não se dissipa ou desaparece. A mesma energia espiritual de liberdade retorna todos os anos na noite de Pêssach.

O tempo é como uma roda girando. A liberdade que se tornou disponível há 3.000 anos atrás no Egito volta de novo exatamente nessa data. Os eventos não passam por nós como um trem numa linha de mão única. Nós nos movemos através da roda do tempo enquanto ela gira, revisitando os mesmos momentos a cada ano. A única coisa que muda são as “decorações externas” que nos dá a ilusão de um novo ano e de uma vida diferente.

Que possamos acordar e enxergar como o nosso ego colocou a cortina sobre os olhos do mundo, um mundo preso ao materialismo que nos dá gratificação imediata juntamente com dor e sofrimento no longo prazo. Nós simplesmente falhamos em ligar os pontos. Não nos damos conta de que todo caos, qualquer que seja ele, pode ser conectado ao passado em alguma ação que praticamos que estava enraizada no nosso ego.

Por que não ligamos os pontos? Por que não enxergamos a ordem subjacente e a conexão com a consciência humana?

Porque nossa escravidão nos cega.

Que possamos todos atingir a liberdade verdadeira esse ano e que todas as pessoas de todas as nações possam experimentar a Luz curadora do Criador de tal forma que a paz venha para nós eternamente.





Billy Phillips 




Fonte: Estudantes de Kabbalah
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Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal