sábado, 16 de julho de 2022

RECORDAÇÕES DE NOSSA VIDA


Como a maioria das pessoas, vós tendes o mau hábito de recordar sobretudo o que vos fez sofrer; guardais tudo convosco, recordando, ruminando.

Isso é muito perigoso, não se deve remoer o que foi mau.

Há que tirar daí uma conclusão, de uma vez por todas, e não pensar mais no assunto.

Fazeis mal a vós próprios revivendo continuamente estados ou acontecimentos negativos.

Tentai, antes, recordar os momentos mais luminosos da vossa existência, procurai compreender por intermédio de quem e como eles aconteceram, rememorai-os muitas vezes, exatamente como voltais a ouvir muitas vezes uma música de que gostais, e assim revivereis as mesmas sensações de pureza, de liberdade, de luz.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SANTO ANTÔNIO E A TEOSOFIA DO SOL


A visão parcial da foto (acima) de Roberto Gil mostra a antiga escultura de Santo Antônio, patrono da cidade de Lisboa, que está na Igreja de Santo Antônio. A escultura foi poupada pelo terremoto de 1755. A imagem contém um Sol acima da cabeça do Santo.



O Santo de Lisboa e Pádua Ensina Ideias e Princípios Básicos da Filosofia Esotérica



A alma e o espírito nunca se separam da natureza. Apenas o ser humano desinformado faz isso, e assim provoca sofrimento.

A sabedoria antiga anda perto da natureza e vê o sagrado nos fenômenos do meio ambiente. A filosofia esotérica sabe que a natureza tem sete níveis de existência e consciência.

Antes de ela ser física, ela é espiritual; durante sua existência física ela é espiritual, e depois de ser física, ela volta a ser apenas espiritual por algum tempo. A filosofia esotérica autêntica é uma filosofia da natureza, ao mesmo tempo que é uma filosofia do espírito.

Este fato fica claro também no cristianismo do frei Antônio de Lisboa e Pádua. Em sermão do início do século XIII, Santo Antônio cita a Epístola de Tiago, 1,17:

“Toda dádiva excelente e todo dom perfeito vem do alto, desce do Pai das luzes, como o raio desce do Sol.”

Em seguida Antônio identifica a luz do Sol com Jesus:

“Assim como o raio do Sol, descendo do Sol, ilumina o mundo e, todavia, não se afasta nunca do Sol, também o Filho de Deus, descendo do Pai, iluminou o mundo e, contudo, não se afastou nunca do Pai, porque faz um todo com o Pai; ele mesmo o disse em S. João: eu e o Pai somos um só.” [1]

A teosofia ou sabedoria divina não foi criada por Helena Blavatsky mas existe desde antes do surgimento da humanidade atual. Olhando para estas passagens desde o ponto de vista da filosofia esotérica, vemos uma alusão aos sete níveis de consciência do ser humano. O Sol ou Pai do Céu corresponde a Atma, o sétimo princípio, uma fagulha do Absoluto. O Sol envia ao mundo o seu Filho, isto é, um raio de luz, Jesus, o sexto princípio, chamado em sânscrito de Buddhi, o princípio da compaixão universal.

O “mundo” que é iluminado por Jesus ou Buddhi, a Luz divina, significa os cinco princípios inferiores da consciência. O quinto é a mente pensante, “Manas”. O quarto princípio é a emoção, “Kama” em sânscrito. O terceiro, “Linga Sharira”, garante as estruturas sutis astrais do corpo (pelas quais flui a vitalidade). O segundo princípio é “Prana”, a vitalidade. Finalmente o primeiro princípio é o corpo físico propriamente dito, Sthula Sharira.

E é preciso lembrar que a luz da estrela está presente em cada átomo do corpo físico do ser humano. A luz astral, cujo nível espiritual e superior os cristãos chamam de Jesus, permeia todas as coisas.

Temos então em primeiro lugar a estrela, ou Sol; em seguida a luz da estrela, e finalmente o mundo. Ou seja, o Pai do Céu, o Filho, e o mundo, ou humanidade. E cada ser humano possui em si mesmo o Pai, Atma, o Filho, Buddhi, e os outros cinco níveis de consciência.

Mas Jesus e o Pai são um só. Atma e Buddhi são inseparáveis. Não há Sol sem Luz, nem Sabedoria sem Compaixão, nem Pai sem Filho. E esta unidade fundamental é a Mônada.

Antônio destaca algumas linhas mais adiante que todos somos filhos da Luz e nascemos através da Verdade.

A luz permite ver a Verdade.

O Sol é o Logos, ou seja, o conjunto harmônico das leis que comandam o universo. O Sol é a Verdade e o conhecimento absolutos. Através da Verdade alcançamos a iluminação. É por isso que nas imagens e esculturas de muitos santos e sábios – inclusive de Santo Antônio – é comum ver um pequeno Sol junto às suas cabeças.


Nota:

[1] Da p. 417 do volume I de “Obras Completas”, Santo António de Lisboa, Lello & Irmão, Editores, Porto, Portugal, 1987, edição bilíngue (latim e português) em dois volumes. Sobre sermos todos filhos da luz, veja a p. 418.





Carlos Cardoso Aveline




Fonte: FILOSOFIA ESOTÉRICA.COM
https://www.filosofiaesoterica.com/
Fonte da Gravura: https://www.patriarcado-lisboa.pt/site/index.php?id=10105

DEIXANDO DE LADO A SOBERBA


Existe uma Cura para a Doença de Querer Superioridade Sobre Outros


A soberba é uma ilusão que destrói o discernimento


A vida faz com que o soberbo seja humilhado, para que descubra a humildade e o bom senso. Infelizmente, pode ocorrer que o indivíduo fique longo tempo preso na oscilação violenta entre os extremos da glória pessoal e da completa derrota, ambas imaginárias.

A soberba é geralmente definida como sinônimo de orgulho, arrogância e um sentimento de superioridade em relação aos outros. Dela decorre a vontade de obter privilégios, de inferiorizar, prejudicar e desprezar os nossos semelhantes. Isso com frequência é feito de modo sorrateiro e disfarçado. Muitos sofrem de soberba e nem sabem disso. O fenômeno é com frequência subconsciente.

A soberba pode começar como uma defesa contra a humilhação. O pobre eu maltratado quer indenizar a si mesmo pelo que sofreu, e trata de fazer isso através da fantasia da autoimportância pessoal. Cai então numa gangorra de altos e baixos, de glória e derrota, e tudo nesta oscilação é igualmente falso e exagerado.

Em um inspirador sermão intitulado “O Espírito da Soberba”, Santo Antônio de Lisboa e Pádua afirma que o soberbo pisa sobre os pobres e os menores, mas também gosta de desprezar os que lhe são iguais, e insulta e zomba dos maiores. Antônio cita uma epístola de Pedro, em que se afirma que Deus – isto é, a lei universal – resiste aos soberbos, e dá a sua graça (a graça do bom carma) aos humildes. [1]

O destino do soberbo é ser humilhado, para descobrir a humildade: mas muitos soberbos, querendo compensar o trauma da humilhação sofrida ou evitar a profunda humilhação que temem, desenvolvem como mecanismo de proteção uma camada ainda mais forte de orgulho disfarçado e vão novamente à luta contra o mundo, sem aceitar a lição do realismo e do equilíbrio.

A soberba é um problema geral da humanidade, afirma Antônio. Nenhum de nós está completamente livre do autoengano que é o orgulho. Na família, assim como na sociedade e no convívio entre as nações, as lutas por poder são quase sempre duelos mais ou menos disfarçados entre formas diferentes de soberba.

As guerras, a prática do ódio na política e certos campeonatos de futebol são exemplos claros disso.

Mas a doença da busca de superioridade sobre os outros vai muito além da competição e da inveja nas relações humanas. A soberba é o princípio de toda ilusão. A luxúria e outras formas de prazer exagerado são variantes desta fantasia adoentada de superioridade.

Por isso o Cristianismo, assim como as religiões orientais, descreve o sábio como alguém exteriormente pobre, manso e humilde de coração. Os meios esotéricos e teosóficos não estão de modo algum livres da soberba. O desejo de parecer santo é uma marca do tolo infantil, que prefere fingir para si mesmo e para os outros, ao invés de viver com autenticidade.

Um dos princípios básicos da filosofia ocidental clássica é o axioma estoico do imperador Marco Aurélio, segundo o qual é aconselhável viver cada dia da nossa vida como se fosse o último. Lembrar da fragilidade da existência humana é uma lição de realismo e permite perceber quão preciosa ela é, e como são fúteis e inúteis as manias de grandeza, assim como as manias de perseguição.

O Jesus do Novo Testamento deu um exemplo de vida simples e humilde. Francisco de Assis, para compensar a soberba que via no alto clero cristão da sua época, criou a “ordem dos frades menores”, da qual Santo Antônio de Lisboa foi membro.

E Antônio prevê:

“…Quando uma humildade mais forte entrar no coração do homem e vencer o espírito da soberba e expulsar a cegueira do entendimento, então [os cinco sentidos] se mudarão dos vícios para as virtudes, da soberba para a humildade. Então, pois, aparecerão nos olhos a humildade e a simplicidade; na boca ressoarão a verdade e a bondade; dos ouvidos se removerá toda maledicência e toda lisonja; nas mãos se encontrará a pureza e a piedade; nos pés, a ponderação.” [2]

Antônio termina o sermão pedindo a Jesus – símbolo da alma espiritual de cada um – que vença com humildade a soberba do sentimento maldoso. E que nos possibilite quebrar com a simplicidade do coração a dureza da soberba e do orgulho, e “estender por toda parte nos sentidos do nosso corpo o sinal da humildade, a fim de que mereçamos chegar à sua glória”.

A humildade de que se fala na mística cristã e na teosofia autêntica é a base da verdadeira dignidade interior. Graças a ela, o ser humano é suficientemente realista para perceber que tem em si mesmo algo magnífico, a consciência elevada da sua própria alma espiritual. De outro lado, o eu inferior, que coordena o funcionamento dos seus cinco sentidos, é como um pobre animal a que pode faltar equilíbrio no modo como avalia a si mesmo. O eu inferior deve ser bem cuidado, corretamente treinado, e esclarecido sobre sua função na vida, para que desenvolva o necessário bom senso.


NOTAS:

[1] “Obras Completas”, Santo António de Lisboa, Lello & Irmão, Editores, Porto, Portugal, 1987, edição em dois volumes, ver volume I, pp. 186-187. Santo António, ou Antônio, nasceu entre 1190 e 1195 e viveu até 1231.

[2] “Obras Completas”, vol. I, pp. 191-192. No original deste trecho, temos “detracção”, ao invés de “maledicência”, palavra que uso para facilitar a compreensão do leitor do século 21. Alguns tempos de verbos foram adaptados à gramática atual.




Carlos Cardoso Aveline




Fonte: FILOSOFIA ESOTÉRICA.COM
https://www.filosofiaesoterica.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/vitral-religi%c3%a3o-janela-748180/