segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

UM ESPAÇO PARA O ESPIRITUAL


Poucas pessoas compreendem a importância de estarem livres para um trabalho celeste. A maioria apressa-se a assumir compromissos com o mundo, “casa-se” com ele, e como o mundo é pesado e tem exigências terríveis, as pessoas ficam completamente esmagadas pela carga que representa tudo o que o ele lhes impõe. Têm tantas coisas a fazer, tantos deveres a cumprir, que não lhes sobra espaço algum na cabeça e no coração, nem sequer um minuto por dia, para a vida espiritual. Depois, é claro, justificam-se com todos esses deveres, sem se aperceberem de que estão precisamente a demonstrar que aceitaram com demasiada facilidade sobrecarregar-se a tal ponto. Se quiserem salvar-se dessa situação, deverão “arrancar” a cada dia um momento, um espaço, para os consagrarem à luz, ao espírito.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/medita%c3%a7%c3%a3o-lago-budista-17798/

O DISCIPULADO E A LEI


Antes de encontrar o Primeiro Portal, o peregrino, com alma sedenta e mente desconcertada, exasperadamente procura algo que valha a pena ser amado, que valha a pena servir.

Defronta-se com a Imutável Esfinge do Mistério. Compreende que não encontrará nenhuma ajuda fora de si mesmo. Consegue entender a Lei de desvinculação e, contudo, a sua personalidade mortal ainda anela simpatia e compreensão.

A crueldade da vida, a incerteza da hora da morte, continuam projetando sombras sobre sua Senda. Para dissolvê-las, terá que deixar de olhar para trás.

A parte mais penosa do seu caminho é ver que, justamente aqueles aos quais procurou servir, não compreendem seu trabalho. Rebelam-se contra ele, condenando e destruindo tudo aquilo que procura fazer com tanto esforço.

Aquele que passou o Primeiro Portal deve aprender a estender a taça da compaixão a todos que dela necessitam, recusando um só gole para si, permanecendo sedento até que algum companheiro, percebendo a sua sede, também lhe dê de beber.

A mesma Lei que impede o instrutor espiritual de se defender, obriga o discípulo a resguardar tudo aquilo que seu Mestre representa e a defendê-Lo contra qualquer agressão. O discípulo que não reagir em defesa de seu Mestre, não deverá ficar surpreso ao encontrar fechado o Portal do Conhecimento.

O discípulo se eleva e decai junto com seu Mestre e, uma vez tendo-O reconhecido, não pode repudiá-LO.

O homem que quer perceber o Divino, primeiramente precisa apagar de si a própria imagem.

Entre dez mil homens, nenhum reconheceria um Mestre que estivesse em sua companhia.

Os homens costumam dizer: "Se os Iniciados existem, por que não vivem entre nós?" Não se apercebem de que a vida que levam impossibilitaria a um Iniciado permanecer entre eles.

Quando o homem purificar seus vários conceitos, criados pela personalidade inferior, convencer-se-á, por si mesmo, da existência da Loja dos Mestres.

Antes de falar sobre as obrigações para com a sociedade, a religião, a ciência e o trabalho, é preciso não esquecer o simples dever fraterno - do som da voz, do toque da mão - para com seu irmão ou sua irmã.


K. Barkel / I-Em-Hotep



Fonte: do livro "A Filosofia Hermética", 3a. ed.
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista
Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-alquimia-t%c3%aampora-jogos-8163278/