quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

SEU CENTRO É A PORTA DE ENTRADA PARA O CENTRO DE TUDO


Quando alguém começa a meditar, precisa ter fé de que recitar a palavra (1) é uma atividade significativa. Precisa ter fé de que a jornada da meditação leva às profundezas da compreensão, da profundidade à experiência, conduzindo-nos a uma convicção pessoal absoluta da realidade na qual estamos enraizados.

Realizamos nosso ato de fé sob a autoridade de uma tradição que os homens trilharam ao longo dos séculos com generosidade, amor e fidelidade, e que, nesse processo, alcançaram compreensão, compaixão e sabedoria.

O chamado à meditação é um convite para deixarmos de viver nossas vidas baseados em evidências de segunda mão. É um chamado para que cada um de nós tome consciência de nossa capacidade espiritual e descubra, por nós mesmos, a riqueza surpreendente do potencial humano ancorado na realidade divina, no poder da vida divina. E é também um convite para simplesmente nos abrirmos a esse poder, para sermos energizados por ele e para nos permitirmos ser conduzidos às profundezas da própria realidade divina.

O processo experiencial é muito importante. Devemos ter cuidado para não nos deixarmos embriagar apenas pela mensagem, apenas pelas boas novas, apenas pelas ideias do evangelho. Devemos mergulhar nisso, vivenciá-lo, vê-lo. E a meditação é o processo de mergulhar nisso, vivenciá-lo e vê-lo. Recitar seu mantra (2) todos os dias, dedicar tempo à meditação, de manhã e à noite, e colocar sua jornada espiritual e sua realidade espiritual no centro de sua vida — isso é o que importa.

Essa sabedoria tradicional foi compartilhada pelo poeta sufi Attar. Em suas palavras, ele descreve apropriadamente o que é a jornada da meditação, por que é importante para cada um de nós conectar-se com nossa capacidade espiritual:

“Venham, átomos perdidos, ao seu centro, aproximem-se e sejam o espelho eterno que os viu. Raios que mergulharam na escuridão, atrás do seu sol, parem.” (3)

É disso que se trata a meditação: retornar ao seu centro e descobrir que o seu centro é a porta de entrada para o centro de tudo. E para isso, precisamos parar de viver na superfície; precisamos mergulhar nas profundezas. Jesus descreve isso com estas palavras:

“Observem os lírios, como crescem: não trabalham não fiam nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em toda a sua glória, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! Portanto, não se preocupem com o que comer ou beber, nem fiquem ansiosos. Pois os homens do mundo é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai de vocês sabe que precisam de tudo isso. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” (Lucas 12:27-31)

É disso que se trata a meditação: concentrar nossas mentes no Reino e no poder de Deus, na realidade divina.


João Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mevlana-konya-turquia-museu-6019965/



Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html


(1) PALAVRA - Maranatha é uma expressão aramaica que, resumidamente, significa: “Vem, Senhor!”, e que é uma das expressões (mantras) usadas na tradição cristã. Obviamente, o mantra (palavra) pode ser outro conforme a tradição (cabala, budismo, hinduísmo, sufismo etc.) (Nota deste blog)

(2) MANTRA, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação. (Nota deste blog)

(3) Esta citação, atribuída ao poeta e místico sufi Farid ud-Din Attar, é um apelo poético à unidade divina e ao retorno da alma à sua origem. Convida os "átomos perdidos" (almas individuais) a retornarem ao "centro" (Deus), tornando-se o "espelho" que reflete a eternidade, e pede aos raios (consciência dispersa) que cessem a busca na escuridão e retornem à fonte solar. (via IA)