sábado, 24 de janeiro de 2026

LEVAR AS CARGAS UNS DOS OUTROS (Gl 6,2)


Uma pessoa me perguntou como se pode conciliar a lei do carma com as palavras: "Levai as cargas uns dos outros" (Gl 6,2) que significam que se deve carregar o peso dos erros de outrem.

Esse problema aparece frequentemente nas mentes humanas; queria explicá-lo.

As palavras "Levai as cargas uns dos outros" são uma tradução inexata, pois deveria ser: ajudem-se uns aos outros a levar suas cargas.

Cada um de vocês, antes de encarnar, escolheu seu condicionamento na vida, isto é, suas limitações, seu ambiente etc. Durante o processo da descida à matéria, vocês esqueceram e agora, devido às dificuldades em que se encontram, diversas dúvidas e temores os assaltam. Sofrendo, mesmo os melhores entre vocês, começam a duvidar da sabedoria divina. Dizem: "Se Deus existe, por que me faz sofrer tanto? Como, nessas condições, posso acreditar na justiça divina?".

À medida em que o homem avança em idade, começa a compreender um pouco mais da Sabedoria Divina.

Tomemos, como ilustração, o caso de um homem que possui um querido companheiro: um animal que lhe deu muito amor e trouxe muita alegria. Chega o tempo em que o animal envelhece ou adoece e o dono sabe que nada pode fazer para que melhore. O animal não é mais feliz e o dono pergunta se deveria abreviar-lhe a vida ou esperar o seu fim natural. O homem, na ignorância da Sabedoria Divina e vendo o estado do animal, decide abreviar-lhe a vida. Sem dúvida, é uma ação humanitária, mas, por outro lado, é uma interferência no carma do animal. Se fosse permitido que sua vida continuasse um pouco mais, não haveria necessidade do retorno do animal para as mesmas condições.

Algo de parecido acontece com vocês. Foram vocês mesmos que, para progredir mais, escolheram o próprio condicionamento, seu conjunto de amigos. Antes de descer à matéria, tomaram conhecimento e aceitaram os sofrimentos e aflições que deveriam encontrar na vida. Aceitaram, talvez, um veículo que possuiria em si a semente de alguma fraqueza, de alguma doença física ou defeito. Aceitaram-no como meio de pagar dívidas, pagar o preço de velhos erros. Portanto, é importante que agora possam, com paciência, suportar suas dificuldades. No entanto, encarnando e esquecendo isso, acham, amiúde, que sua carga está pesada demais e procuram libertar-se dela. O Senhor, que vigia a alma que luta contra seu destino, poderia mudar tudo, mas conhece a razão daquele sofrimento e, com amor e sabedoria, não lhe tira a carga, mas fortalece aquela alma para que possa tudo suportar. Assim, ela se liberta desse determinado carma.

O homem precisa, às vezes, de muita fé, de uma grande firmeza para superar tais dificuldades. Sentindo a amizade, a simpatia e a participação sincera de um outro ser, ele suportá-las-á mais facilmente e não se atrasará na natural evolução. A gentileza, os sentimentos e as ações fraternais entre os humanos fortalecem as almas e assim elas se ajudam mutuamente a carregar seu peso.

Se seu semelhante estiver doente, usem toda sua capacidade para curá-lo, mas sempre com o pensamento: se tal for a Vontade Divina!... Submeter sua própria vontade à Divina, é o primeiro passo na direção de alcançar o poder de curar. Não fiquem desanimados se seus esforços não parecem trazer resultados; procurem transmitir ao doente a convicção de que, com o tempo, ele glorificará Deus. Toda a doença pode ser curada se, pela perfeição do seu amor para com Deus, o doente venceu qualquer temor. E, também, nenhum toque mágico de um ser superior curará um doente antes que este alcance o estágio, em que a cura seja permitida e que ele seja receptivo ao toque.

A estada do homem na Terra é curta, e, durante sua vida, ele está sendo instruído e vigiado. Em certos períodos, deve renunciar a várias coisas em vários planos, mas, com o tempo, chega à compreensão de que, tudo quanto acontece, trabalha para o bem. Sua abnegação cresce à medida que cresce a alma.

Somente uma alma nova é impaciente e rebela-se contra qualquer limitação. Uma alma que adquiriu experiência e sabedoria sabe que os obstáculos que encontra são necessários para que adquira a paciência, a perseverança ou qualquer outra qualidade, da qual carece. Em cada estágio de progresso, o homem cria para si determinados obstáculos. Superando-os, passa ao estágio seguinte, e neste aparecem novos obstáculos. Todos devem ser vencidos e reabsorvidos.

Quando as lições forem aprendidas, os obstáculos serão removidos e, quanto mais a alma lutou, maior paz alcançará; tornar-se-á livre de encarnar ou não, segundo sua vontade, e, mesmo encarnando, não esquecerá as lições aprendidas.

O homem que possui a sabedoria faz tudo que pode, para ajudar um ser amado a alcançar um estado superior de evolução. Ele não perdeu a capacidade de sofrer por um ser amado, mas sabe ser impessoal.

No momento em que a pessoa sofre, Deus lhe parece estar bem longe; no entanto, Ele sempre está dentro do ser humano, participando da sua dor e fortalecendo-lhe a alma.

A paciência e a coragem nas provações ajudam mais a evolução do que outras qualidades. Lembrem-se disso quando as dificuldades surgirem na sua vida. Para alguns dentre vocês, o ano passado foi muito difícil e, observando-os, vejo que sua Luz tornou-se mais clara. Compreendam, também, que cada um pode aprender, compartilhando com as lições de outrem, participando delas com amor e sabedoria. São uma só família e, o que afeta um, deveria afetar também o outro. Façam sentir essa união aos que sofrem. No amor não há separação.


K. Barkel / I-Em-Hotep



Fonte: do opúsculo "Fragmentos do Ensinamento de I-Em-Hotep"
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista
Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/l%c3%a3-de-madeira-madeira-1186917/

AS BATATAS


O professor pediu para que os alunos levassem batatas e uma sacola plástica para a aula.

Durante a aula, ele pediu para que separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam mágoas, escrevessem os seus nomes nas batatas e as colocassem dentro da sacola.

Algumas das sacolas ficaram muito pesadas.

A tarefa consistia em, durante uma semana, levar para todos os lados a sacola com as batatas.

O incômodo de carregar a sacola, a cada momento, mostrava-lhes o tamanho do peso espiritual diário que a mágoa ocasiona.

Bem como o fato que, ao colocar a atenção na sacola, para não esquecê-la em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.

Esta é uma grande metáfora sobre o preço que se paga, todos os dias, para manter a dor, a bronca e a negatividade.

Principalmente quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o estresse e roubando nossa alegria.

Perdoar e deixar estes sentimentos ir embora é a única forma de trazer de volta a paz e a calma.

Vamos lá... jogue fora suas "batatas" e sorria!


Autor Desconhecido



Fonte: http://www.siteamigo.com/msg/batatas.htm
Via: Sociedade e Espiritualidade
https://www.espiritualidades.com.br/index.htm
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/batatas-vegetais-tub%c3%a9rculo-1585075/

ANATMAN: O NÃO-EU


Nossos pensamentos, medos, fantasias, esperanças, raiva e desejos surgem e desaparecem constantemente em nossas mentes. Identificamo-nos automaticamente com esses estados fugazes ou recorrentes compulsivamente, sem termos consciência do que estamos pensando. Quando o silêncio nos ensina o quão instáveis ​​esses estados são, somos confrontados com questões perturbadoras sobre quem realmente somos. Lutamos com a possibilidade aterradora de nossa própria não-realidade.

O pensamento budista considera essa experiência, que chama de “anatman” ou “não-eu”, um dos pilares da sabedoria central no caminho do sofrimento à iluminação. O budismo encoraja o praticante a buscar essa sensação de transitoriedade interior e, em vez de fugir dela, a imergir-se completamente na experiência, como fizeram os grandes místicos cristãos. Compreensivelmente, “anatman” é o conceito budista com o qual muitas vezes mais lutamos. Podemos pensar: “Que absurdo, que terrível, que sacrilégio dizer que eu não existo”. Na verdade, a maior parte da oposição cristã ao conceito de “anatman” é infundada ou devida a interpretações equivocadas. Não significa que não existimos, mas sim que não existimos com independência autônoma, que é o tipo de existência que o ego gosta de imaginar possuir.

Eu não existo por mim mesmo porque Deus é o fundamento do meu ser. À luz dessa compreensão, lemos as palavras de Jesus com uma percepção mais profunda: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente e siga-me; e quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará”. Se, através do silêncio, pudermos abraçar a verdade do “anatman”, descobriremos que a consciência, a alma, é muito mais do que o surpreendente sistema de cálculo e julgamento do cérebro. Somos mais do que nossos pensamentos.


“O Silêncio da Alma”. Trecho do artigo de Laurence Freeman OSB em “The Tablet” (10 de maio de 1997).


Carla Cooper



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/anjo-tristeza-adeus-triste-8247278/

VERDADE - RETIDÃO - AMOR - PACIÊNCIA


Satisfeito com o que possui, recusando-se a se preocupar com a falta das coisas que não tem, tentando, na medida do possível, reduzir e eliminar os desejos, as paixões e os ódios, o ser humano deve se esforçar para cultivar a verdade, a retidão, o amor e a paciência. Cultive essas qualidades e, ao mesmo tempo, pratique-as sistematicamente. Esse é o verdadeiro dever da humanidade, o verdadeiro propósito do nascimento humano. Se as quatro qualidades mencionadas acima forem cultivadas e praticadas por cada indivíduo, não haverá inveja entre as pessoas. A apropriação egoísta deixará de existir, os interesses de todos serão respeitados e a paz mundial se estabilizará. Por outro lado, se você não experimenta paz, como pode garantir a paz no mundo? Os entusiastas da paz mundial devem, antes de mais nada, aprender, eles mesmos, a experimentar e a desfrutar dessa paz. Só então poderão irradiá-la para o mundo exterior e ajudar a promovê-la. (Prasanthi Vahini, Cap. 15)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte: https://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/%c3%addolo-hindu%c3%adsmo-deus-%c3%adndia-1834688/