quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

PAZ E LUTA


Muitas vezes, a pretexto de servir a Jesus, fugimos para a sombra quieta do claustro, abandonando a luta em que o Mestre espera de nós a colaboração salutar.

Mal nos sabe a escolha, porque, em semelhante contemplação, cultivamos a inutilidade e acordamos, ao clarim da morte, na condição do pássaro de asas entorpecidas.

Diz-se que é preciso aborrecer o pecado, buscando o recanto silencioso da virtude improdutiva e anestesiante, sem o que não abominaremos Satanás e as suas obras.

Não traduzirá, porém, essa atitude ruinoso descaso para com o mundo e para com as almas que o Senhor nos confiou aos cuidados e salvaguarda?

Fora preciso que o amor não passasse de escura mentira, para crermos em nossa salvação exclusiva, com deplorável esquecimento dos outros. Um soluço de criança na Terra destruiria o Céu que a teologia comum criou para atender, em caráter provisório, as nossas indagações.

O clima de contrastes em que a inteligência da criatura se alarga e evolve, propiciando-lhe dificuldades e sombras temporárias, é, na essência, a paisagem indispensável ao crescimento do espírito, para a vitória do amor, no coração do Homem e no caminho da Humanidade.

A paz resulta do equilíbrio e não da inércia.

Jesus, no madeiro, desfrutava a tranquilidade dos que podem desculpar o mal e esquecê-lo. Pilatos, na suntuosidade do Pretório, conservava um espírito vacilante e atormentado, que o arrastaria por fim ao suicídio.

O lago calmo costuma resumir-se a depósito de lodo estanque, enquanto a água corrente, rolando sem cessar sobre a escarpa, chega pura aos lábios ressequidos do homem.

A santidade não depende da máscara.

Há príncipes da fortuna e da inteligência, da autoridade e da fama, os quais, embora situados entre a poltrona macia e o louvor incessante dos grandes e dos pequenos, se esforçam, no serviço aos semelhantes, obedecendo aos ditames da reta consciência; e há mendigos, esfarrapados e sedentos, que elevam mãos postas aos céus, praguejando mentalmente em desfavor do próximo.

Muitos homens, aparentemente santificados por viverem repetindo orações comoventes, são almas leoninas que se reconhecem necessitadas de constantes preces e de meditação para não caírem na soez armadilha da própria impulsividade; ao passo que temperamentos pacíficos, de exterior indiferença por não respirarem na comunhão contínua dos sagrados ensinamentos, são espíritos enobrecidos na fé, superiores às tentações da calúnia ou da dor, que já sabem jornadear na Terra, achegados a Deus, sem as teias de qualquer empecilho humano.

Ninguém abandone a luta, crendo conquistar, assim, a paz.

Nenhum general experimenta o soldado em relvas floridas, e alma nenhuma se elevará ao cume da purificação, sem as provas compreensíveis e justas do sofrimento, no combate interior às inclinações menos dignas, ante as circunstâncias do mundo externo.

Muitas almas piedosas recolhem-se aos mosteiros, procurando, debalde, no afastamento da tentação, a serenidade e a alegria que lá não encontram, porque, ainda aí, o lírio que adorna o altar procede da lama desconhecida; a vela que arde em memória dos anjos consome a cera extorquida às abelhas laboriosas; o centeio que fornece o pão abençoado à mesa nasceu e cresceu na cova anônima do solo estercado; e a seriguilha que cobre a carne em contemplação foi roubada à ovelha ao algodoal, que produz sob a chuva e sob o vento.

Muitos encontram luta amarga onde procuram as doçuras da paz, porque a serenidade legítima provém das obrigações bem cumpridas no quadro de trabalho que a realidade nos designa.

Conflitos e atritos vibram em toda a parte, porque, em todos os recantos, o espírito suspira por ascensão.

Aceitemos os desafios do mundo sem temer o pecado, as trevas, o lodo, a morte.

Como sustentar a beleza e a ternura do lume, se não desculparmos a dureza e a fealdade do carvão?

A vanguarda do trabalho é uma arena de que não nos cabe fugir. Defendamos em suas linhas a nossa posição de serviço, amando e agindo, imaginando e elaborando para o bem, e o Senhor, por certo, nos fará Divina Mercê.

Joanna de Ângelis



Francisco Cândido Xavier / Espíritos Diversos



Fonte: do livro "Falando à Terra"
FEB - Federação Espírita Brasileira
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/m%c3%a3os-junto-comunidade-tocar-5216585/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A REFLEXÃO QUE CONDUZ AO AUTOCONHECIMENTO


O conhecimento acerca de nosso potencial e de nossas limitações são fundamentais. É preciso saber onde você está, para poder descobrir como se faz para chegar onde você quer, e, nesse processo de crescimento você precisará manter o seu equilíbrio interior para saber como agir de maneira correta diante de diferentes situações e pessoas.

O autoconhecimento lhe permitirá ter uma percepção mais ampla acerca dos próprios valores e da forma como você interage com as pessoas. Portanto, ao reconhecer suas forças e aceitar suas fraquezas você estará a caminho do seu crescimento, e isso trará maior autocontrole e satisfação interior.

A fascinante jornada, chamada busca interior, lhe proporcionará a autoconfiança, que pode ser traduzida na expectativa, consciência e fé na sua própria capacidade de realização, e nos poderes do seu subconsciente, também chamado de inconsciente.

O inconsciente ou subconsciente é a camada mais profunda da mente humana; é como se fosse a parte oculta do enorme bloco de gelo que flutua nas águas geladas das regiões polares, chamado iceberg. O inconsciente pode ser representado pela parte que fica abaixo da linha da água; é a menos usada e a mais poderosa. Cuidado, pois um iceberg foi responsável pelo naufrágio do transatlântico Titanic, que, até então, era considerado insubmergível pelos seus criadores e especialistas da época.

Tudo que fazemos de forma automática pela força do hábito é comandado pela mente subconsciente. É como dirigir um automóvel enquanto se pensa na vida.

Mahatma Ghandi já nos alertava sobre o fato de que nossos pensamentos geram ações, que praticadas de forma reiterada criam o hábito, que forma e consolida o nosso caráter, e ao final, determina qual será o nosso destino.

Hoje, mais do que nunca, percebemos a importância que a sinceridade, os valores e os princípios morais têm em nossas vidas e no desdobramento de nosso destino. O dramaturgo William Shakespeare, que se imortalizou com importantes obras, como “Romeu e Julieta” e “Hamlet”, disse certa vez: “Para teu próprio proveito, sê verdadeiro”.

O grande líder pacifista Mahatma Ghandi, responsável pelo movimento que libertou a Índia do domínio inglês com o uso da estratégia da não-violência, deixou a lição de que somos nós os agentes da mudança que desejamos ver no mundo, pois tudo parte de nós e a nós retorna. Ghandi pensava e agia em conformidade com a lei mental e transpessoal de causa e efeito, onde a sabedoria e equilíbrio aplicados na interação humana produzem resultados positivos e pacificadores. A figura íntegra e as atitudes de Ghandi geravam forte empatia em seus adversários, provocando "insights" capazes de provocar mudança imediata na forma de pensar e agir.

Ao tornar-se agente da mudança, você passa a se envolver, a se emocionar e orgulhar-se de suas escolhas, e tudo isso faz nascer a vontade de ajudar as pessoas a se desenvolverem, e assim você dá início ao processo de aprendizagem contínua e gratificante.

A única coisa que podemos dar a outrem sem perdas é o conhecimento. O conhecimento tem efeito multiplicador de benefícios. A troca de conhecimentos é uma verdadeira negociação ganha-ganha em que ambas as partes saem vitoriosas e satisfeitas, gerando o chamado círculo virtuoso.

A expansão da consciência humana, no sentido transcendental do cosmos tem o seu "start" no autoconhecimento.

Distribua conhecimento, divida seu conhecimento. No ato de aprender e ensinar se encontra o segredo do desenvolvimento humano.


Nelson Tanuma



Fonte: www.nelsontanuma.com.br
via: Espiritualidade e Sociedade
https://www.espiritualidades.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/segredo-descoberta-caminho-8265981/