Uma pessoa me perguntou como se pode conciliar a lei do carma com as palavras: "Levai as cargas uns dos outros" (Gl 6,2) que significam que se deve carregar o peso dos erros de outrem.
Esse problema aparece frequentemente nas mentes humanas; queria explicá-lo.
As palavras "Levai as cargas uns dos outros" são uma tradução inexata, pois deveria ser: ajudem-se uns aos outros a levar suas cargas.
Cada um de vocês, antes de encarnar, escolheu seu condicionamento na vida, isto é, suas limitações, seu ambiente etc. Durante o processo da descida à matéria, vocês esqueceram e agora, devido às dificuldades em que se encontram, diversas dúvidas e temores os assaltam. Sofrendo, mesmo os melhores entre vocês, começam a duvidar da sabedoria divina. Dizem: "Se Deus existe, por que me faz sofrer tanto? Como, nessas condições, posso acreditar na justiça divina?".
À medida em que o homem avança em idade, começa a compreender um pouco mais da Sabedoria Divina.
Tomemos, como ilustração, o caso de um homem que possui um querido companheiro: um animal que lhe deu muito amor e trouxe muita alegria. Chega o tempo em que o animal envelhece ou adoece e o dono sabe que nada pode fazer para que melhore. O animal não é mais feliz e o dono pergunta se deveria abreviar-lhe a vida ou esperar o seu fim natural. O homem, na ignorância da Sabedoria Divina e vendo o estado do animal, decide abreviar-lhe a vida. Sem dúvida, é uma ação humanitária, mas, por outro lado, é uma interferência no carma do animal. Se fosse permitido que sua vida continuasse um pouco mais, não haveria necessidade do retorno do animal para as mesmas condições.
Algo de parecido acontece com vocês. Foram vocês mesmos que, para progredir mais, escolheram o próprio condicionamento, seu conjunto de amigos. Antes de descer à matéria, tomaram conhecimento e aceitaram os sofrimentos e aflições que deveriam encontrar na vida. Aceitaram, talvez, um veículo que possuiria em si a semente de alguma fraqueza, de alguma doença física ou defeito. Aceitaram-no como meio de pagar dívidas, pagar o preço de velhos erros. Portanto, é importante que agora possam, com paciência, suportar suas dificuldades. No entanto, encarnando e esquecendo isso, acham, amiúde, que sua carga está pesada demais e procuram libertar-se dela. O Senhor, que vigia a alma que luta contra seu destino, poderia mudar tudo, mas conhece a razão daquele sofrimento e, com amor e sabedoria, não lhe tira a carga, mas fortalece aquela alma para que possa tudo suportar. Assim, ela se liberta desse determinado carma.
O homem precisa, às vezes, de muita fé, de uma grande firmeza para superar tais dificuldades. Sentindo a amizade, a simpatia e a participação sincera de um outro ser, ele suportá-las-á mais facilmente e não se atrasará na natural evolução. A gentileza, os sentimentos e as ações fraternais entre os humanos fortalecem as almas e assim elas se ajudam mutuamente a carregar seu peso.
Se seu semelhante estiver doente, usem toda sua capacidade para curá-lo, mas sempre com o pensamento: se tal for a Vontade Divina!... Submeter sua própria vontade à Divina, é o primeiro passo na direção de alcançar o poder de curar. Não fiquem desanimados se seus esforços não parecem trazer resultados; procurem transmitir ao doente a convicção de que, com o tempo, ele glorificará Deus. Toda a doença pode ser curada se, pela perfeição do seu amor para com Deus, o doente venceu qualquer temor. E, também, nenhum toque mágico de um ser superior curará um doente antes que este alcance o estágio, em que a cura seja permitida e que ele seja receptivo ao toque.
A estada do homem na Terra é curta, e, durante sua vida, ele está sendo instruído e vigiado. Em certos períodos, deve renunciar a várias coisas em vários planos, mas, com o tempo, chega à compreensão de que, tudo quanto acontece, trabalha para o bem. Sua abnegação cresce à medida que cresce a alma.
Somente uma alma nova é impaciente e rebela-se contra qualquer limitação. Uma alma que adquiriu experiência e sabedoria sabe que os obstáculos que encontra são necessários para que adquira a paciência, a perseverança ou qualquer outra qualidade, da qual carece. Em cada estágio de progresso, o homem cria para si determinados obstáculos. Superando-os, passa ao estágio seguinte, e neste aparecem novos obstáculos. Todos devem ser vencidos e reabsorvidos.
Quando as lições forem aprendidas, os obstáculos serão removidos e, quanto mais a alma lutou, maior paz alcançará; tornar-se-á livre de encarnar ou não, segundo sua vontade, e, mesmo encarnando, não esquecerá as lições aprendidas.
O homem que possui a sabedoria faz tudo que pode, para ajudar um ser amado a alcançar um estado superior de evolução. Ele não perdeu a capacidade de sofrer por um ser amado, mas sabe ser impessoal.
No momento em que a pessoa sofre, Deus lhe parece estar bem longe; no entanto, Ele sempre está dentro do ser humano, participando da sua dor e fortalecendo-lhe a alma.
A paciência e a coragem nas provações ajudam mais a evolução do que outras qualidades. Lembrem-se disso quando as dificuldades surgirem na sua vida. Para alguns dentre vocês, o ano passado foi muito difícil e, observando-os, vejo que sua Luz tornou-se mais clara. Compreendam, também, que cada um pode aprender, compartilhando com as lições de outrem, participando delas com amor e sabedoria. São uma só família e, o que afeta um, deveria afetar também o outro. Façam sentir essa união aos que sofrem. No amor não há separação.
K. Barkel / I-Em-Hotep
Fonte: do opúsculo "Fragmentos do Ensinamento de I-Em-Hotep"
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista
Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/l%c3%a3-de-madeira-madeira-1186917/

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