domingo, 29 de março de 2026

AFLIÇÕES


“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus, 5,4)

Multiplicam-se as aflições no mundo, agigantando os corações humanos.

Algumas convidam à superação, todas, porém, com finalidade depurativa, para quem lhes suporta a presença.

Nem todos os homens, porém, logram entendê-las, a fim de conduzi-las conforme seria o ideal.

Em razão disso, há aflições que anestesiam os sentimentos, como outras que desarticulam o equilíbrio, levando a alucinações e resultados infelizes.

Os aflitos tropeçam nos campos da ação redentora, e porque tresvariados pelo inconformismo e pela rebeldia, agridem e são agredidos.

Não obstante, as aflições atuais têm as suas nascentes nos atos passados, próximos ou remotos de cada ser e da sociedade em geral, que devem ser reparados.

A oportunidade da aflição é bênção, porque objetiva reeducar e propiciar crescimento a quem lhe recebe a injunção.

Os que, todavia, não lhe aceitam a condição, perdem o ensejo redentor.

Jesus anunciou que são “bem-aventurados os que choram”, não, porém, todos, porque somente aqueles que lhe recebem o impulso iluminativo são os que logram alar-se no rumo dos Altos cimos.

A aflição pode destinar-se ao mister de prova ou de expiação.

A prova avalia, examina, promove.

A expiação trabalha, reeduca, resgata.

A prova não tem, necessariamente, uma causa negativa, porquanto pode também representar um apelo do Espírito para granjear títulos de enobrecimento, depurando-se a pouco e pouco.

A expiação tem a sua gênese no erro, impondo-se como condição fundamental para a quitação de débitos contraídos.

A prova é de escolha pessoal, enquanto a expiação é inevitável e sem consulta prévia.

Bendize as tuas provas e elege a ação do bem como técnica de crescimento para ti mesmo.

Agradece as expiações, por mais ásperas se te apresentem, porquanto elas te propiciam a conquista do equilíbrio perdido, auxiliando-te a recompor e a reparar.

Seja qual for o capítulo das aflições em que estagies, reconforta-te com a esperança, na certeza de que, suportando-as bem, amanhã elas te constituirão títulos de luz encaminhados à contabilidade divina, que então te alforriará da condição de precito (condenado) e devedor, conduzindo-te à plenitude da paz, completamente liberado.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Alegria de Viver"
Livraria Espírita Alvorada Editora - LEAL
Salvador/BA, 7ª ed., 2013
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ansiedade-socorro-depress%c3%a3o-emo%c3%a7%c3%a3o-9321355/

O QUE É A LIBERDADE ?


A simples capacidade de escolha entre o bem e o mal é o nível mais baixo da liberdade, e o único elemento de liberdade que há nisso é o fato de podermos sempre escolher o bem.

Na medida em que somos livres para escolher o mal, deixamos de ser livres. Uma escolha má destrói a liberdade.

Jamais podemos escolher o mal como tal; mas só como um bem aparente. Quando, porém, tomamos a decisão de fazer algo que nos parece bom, mas, em realidade, não o é, fazemos o que, na verdade, não queremos fazer e, portanto, não somos autenticamente livres.

A perfeita liberdade espiritual consiste na incapacidade de escolher o mal.

Só é verdadeiramente livre quem rejeitou o mal de modo tão completo que lhe é absolutamente impossível desejá-lo.


Thomas Merton



Fonte: do livro "Novas Sementes de Contemplação",
Fisus 1999, cap. 27, p. 197.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/escolha-decis%c3%a3o-alternativo-4129455/

APRISIONAMENTO E LIBERTAÇÃO


As pessoas estão praticando alguma ação desde o momento em que acordam até a hora de dormir, ou seja, do nascimento à morte. Elas não podem ficar quietas, sem agir. Ninguém pode evitar essa situação! Mas cada um precisa entender claramente em que tipo de ação deve se envolver. Existem apenas dois tipos: (1) ações sensoriais ou que aprisionam e (2) ações que libertam. Os atos que aprisionam têm aumentado além do controle, o que tem resultado no crescimento da tristeza e da confusão. Por meio deles não é possível obter felicidade e paz de espírito. Por outro lado, as ações que libertam produzem alegria e auspiciosidade crescentes a cada ato. Elas proporcionam bem-aventurança ao Ser Interno e não estão relacionadas com mera alegria externa! Embora os atos possam ser externos, a atração é toda voltada para o interior. Esse é o caminho certo, o caminho verdadeiro! (Dhyana Vahini, cap. 1)


Sathya Sai Baba



Fonte: https://www.sathyasai.org.br/pensamentos-janeiro-2022
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fundo-de-natal-pomba-paz-liberdade-3426187/

A ACEITAÇÃO DA DOR


A dor é uma experiência que frequentemente associamos à doença humana. Grande parte do nosso medo de adoecer pode estar relacionada à antecipação de um estado doloroso. Imagine ter um ataque cardíaco, uma úlcera duodenal ou artrite; em todas essas três doenças, a dor é uma sensação proeminente. Tão logo sintamos o medo da dor somos condicionados a agir de determinadas maneiras.

Primeiramente podemos tentar ignorar a dor. Você já sentiu desconforto estomacal enquanto comia? O que você fez então? Pensou “isso não é nada” e continuou a comer o resto da refeição mesmo assim? E o que aconteceu? Provavelmente a dor se intensificou. Este exemplo ilustra como às vezes comemos demais e como ignoramos o sinal do corpo de que já comemos o suficiente. Nesse caso, a dor é um aviso prévio ao qual devemos prestar atenção.

Em outras situações podemos sentir dor, mas negar sua importância. Uma pessoa com angina pectoris, por exemplo, pode desenvolver dor no peito quando se esforça demais ou está sujeita a estresse emocional. A dor é causada porque o coração recebe oxigênio insuficiente para o trabalho que precisa realizar. Quando esta dor aparece, ela diz a si mesma que pode ser que esteja com "azia", ​​"indigestão" ou "distensão muscular". Ela nega que algo possa estar errado com seu coração. “Não, isso não pode estar acontecendo comigo!" Ela pode continuar por semanas e meses evitando ir ao médico porque não consegue aceitar o fato de que algo possa estar errado com seu coração.

Pode acontecer ainda que acreditemos que a dor é a própria doença. Quando a dor é reconhecida como inimiga, tendemos a procurar maneiras de "nos livrarmos dela". Somos tentados a procurar analgésicos e outros tratamentos que nos permitam qualquer coisa, mas, “por favor , livrem-nos da dor!" A artrite é comumente abordada dessa maneira.

Seja como for, quando ignoramos a dor, negamos sua importância ou passamos a considerá-la uma inimiga, estamos nos privando de uma grande oportunidade de melhorar. Algumas pessoas não têm a capacidade de aceitar conselhos e críticas de outros; da mesma forma, quando ignoramos, negamos ou tentamos evitar a dor, estamos nos fechando para a “crítica interna”. O que poderíamos fazer para desenvolver uma melhor capacidade de tolerância e apreciação do significado da dor?

Em primeiro lugar devemos desenvolver respeito por nossos corpos e acreditar na sabedoria do corpo humano. Quando sentirmos dor, prestemos atenção. O corpo pode estar nos enviando uma mensagem importante. Em nossas atividades diárias, sentimos muitas pequenas dores e incômodos cujos significados são auto evidentes: distensão muscular excessiva, exposição à água quente e irritação causada por poeira nos olhos. Pense em como essas pequenas dores e desconfortos são, na verdade, parte dos mecanismos de proteção do corpo. Devemos ser capazes de distinguir dores leves de dores graves. Não é incomum que algumas pessoas expressem medo de doenças interpretando pequenas dores como evidência de doenças graves, como doenças cardíacas ou câncer.

Em segundo lugar, devemos descobrir o que nossos corpos estão tentando expressar através da dor. Para isso, precisamos reconhecer a relação entre causas e efeitos. Podemos abordar essa análise fazendo-nos as seguintes perguntas:

1. O que eu estava fazendo quando a dor começou?

2. Houve sinais de alerta que ignorei?

3. Será que forcei demais a parte do corpo que está sentindo dor? (Por exemplo, dor nas costas por levantar peso, dor de cabeça por cansaço visual, dor de estômago por comer demais.)

4. Meus desejos têm me levado além dos limites razoáveis ​​do meu corpo?

5. Tenho estado emocionalmente abalado?

6. Tenho feito coisas que senti desejo de fazer, mesmo sabendo que não deveria?

7. Tenho dormido o suficiente?

8. Minhas interações com certas pessoas têm sido desagradáveis?

9. Estou sentindo os efeitos do medo, da depressão, da preocupação ou da raiva?

10. Tenho infringido outras Leis da Natureza de alguma forma?

Mesmo quando não entendemos imediatamente o que nossos corpos estão tentando expressar através da dor, se começarmos a analisar a mensagem, estaremos mais receptivos a novas pistas.

Por último devemos aprender a aceitar nossas “críticas internas” e nos esforçarmos para corrigir as falhas que descobrirmos. É preciso coragem para nos confrontarmos. É preciso força para reconhecer nossos erros. É preciso fé para trabalhar em direção a um objetivo sem resultados instantâneos. É preciso paciência para descobrir a verdade interior através de um longo processo de tentativa e erro. É preciso amor e compaixão para nos perdoarmos por nossas tolices, ignorância e talvez até mesmo erros graves.

"Mas por que eu deveria me dar ao trabalho de fazer tudo isso?", você pode perguntar.

Cedo ou tarde, descobriremos que o autocontrole é nossa própria recompensa.

Mas, o mais importante: com esse esforço, desenvolveremos uma maior capacidade de amar e servir aos demais. Trabalhemos, então, por uma quietude interior - uma quietude interior e uma cura interior - aquele silêncio perfeito onde os lábios e o coração estão quietos, e não mais alimentamos nossos próprios pensamentos imperfeitos e opiniões vãs, mas somente Deus fala em nós, e esperemos com sinceridade de coração, para que possamos conhecer a Sua vontade, e no silêncio do nosso espírito possamos fazer a Sua vontade, e nada além disso.


David L. Duffy



Fonte: Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Traduzido da revista "Rays from the Rose Cross", janeiro de 1981
pela Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://rosacruzdevocional.blogspot.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-palma-de-rosto-problema-5887686/

O PAPEL DA ATENÇÃO


“Para entrar na comunhão misteriosa e sagrada com a Palavra de Deus que habita em nós, devemos primeiro ter a coragem de permanecer, cada vez mais, em silêncio. Um silêncio onde devemos escutar, concentrar-nos e prestar atenção” (John Main, 'Uma Palavra Feita Silêncio').

Nesta citação, John Main destaca o papel fundamental da escuta profunda, da atenção prolongada. Concentrar nossa atenção em um único ponto tem um efeito poderoso sobre o funcionamento do nosso cérebro, permitindo-nos receber e processar informações e sintonizar diferentes níveis de realidade.

A Dra. Shanida Nataraja explica em seu livro “O Cérebro Feliz: Evidências Neurocientíficas do Poder da Meditação” que nosso cérebro consiste em dois hemisférios e como o poder da atenção facilita a interconexão entre eles.

O circuito neural da linguagem, o mecanismo intelectual da mente humana (isto é, nosso ego), está localizado no hemisfério esquerdo. Durante a meditação, ao concentrarmos nossa atenção, acessamos o funcionamento do hemisfério direito. Estudos sugerem que o hemisfério direito capta uma representação muito mais precisa da experiência. Nosso hemisfério esquerdo tende a filtrar nossas experiências para que se encaixem em nossa percepção pré-estabelecida de nós mesmos e do mundo. Aquelas experiências que se conformam a esse padrão de nossa visão de mundo, e que, portanto, inflacionam nosso ego, são capturadas. Por outro lado, aquelas experiências que conflitam com nosso paradigma, e que, portanto, desafiam nossa visão de mundo e minam nosso ego, são ignoradas.

O hemisfério direito captura todas as informações da experiência. É por isso que, durante a meditação, memórias há muito esquecidas são frequentemente recuperadas com clareza, ou soluções para problemas não resolvidos emergem à consciência. Assim, vemos como a meditação proporciona ao praticante um método para conectar os mecanismos de pensamento e percepção de ambos os hemisférios.

Essa mudança na forma como percebemos a realidade também nos permite ter uma visão mais completa de quem somos e leva a uma compreensão mais profunda de nós mesmos. Somente nos conhecendo como realmente somos, abandonando os filtros que limitam esse conhecimento, podemos vislumbrar a Verdadeira Realidade.

John Main enfatiza a importância disso, dizendo: “A maioria de nós precisa primeiro se conectar consigo mesma para estabelecer um relacionamento pleno antes de podermos nos abrir completamente para o nosso relacionamento com Deus. Em outras palavras, precisamos primeiro encontrar, experimentar e desenvolver nossa própria capacidade de paz, serenidade e harmonia antes de podermos começar a perceber Deus, o Pai, Criador de toda harmonia e serenidade” ('Uma Palavra Feita Silêncio').


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/medita%c3%a7%c3%a3o-zen-natureza-l%c3%b3tus-lago-8314420/


Para mais detalhes ver:
* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html