terça-feira, 30 de outubro de 2012

VONTADE - SERVIÇO



Quem te fala? Não intentes saber. Se tens, realmente, sede beberás a água cristalina e fresca, seja em copo de barro, de cristal ou de ouro. Escuta a minha voz que anseia guiar-te. Minha voz é para todos e para ninguém. Escuta-a se te parece proveitosa. Neste caso, recebe a minha dadiva de amor. Irmão, sejas quem fores. Minha pessoa não te deve interessar, pois pertence ao reino de Maya e tu sabes muito bem que Maya é ilusão. Recebe, apenas, o que ela possui de mais puro.

Sei que isto que vou dizer ser-te-á útil como será a todos que desejam converter-se num centro de amor, para salvar o AMOR do Mundo. Sei que esta semente não se perde e, oportunamente, frutificará. Não importa que eu a veja frutificar nem que tu satisfaças a tua curiosidade. Por outro lado, os ensinamentos que recebas, através dela, não são meus, porque, nada possuo. São teus e de todos os seres, porque, em todos, existe a Sagrada Centelha.

Desejo dar-te uma serie de sugestões. Esta é a primeira, irmão; tu que te consideras Rosa-Cruz, Gnóstico, hás de saber que não pertences a uma das muitas sociedades, mais ou menos idealistas, mais ou menos filantrópicas e bem assim a uma Ecclesia, a uma Instituição, a uma Ordem, a mais. Não, ASPIRAS FAZER PARTE DE UMA FRATERNIDADE INICIÁTICA UNIVERSAL: A FRATERNIDADE ROSA-CRUZ ANTIGA.

E, para ingressar nela, de fato, deves desejá-lo intensamente e o móvel do teu intenso e único anelo há de ser um só: SERVIÇO , isto é, amar aos outros de tal maneira que sacrifiques a tua personalidade na ara do SERVIÇO À HUMANIDADE.

Porém, antes de servir, efetivamente, à humanidade, de acordo com o PLANO DIVINO, precisas preparar-te para ele. Antes de socorrer um Irmão, um companheiro de AULA, um ser qualquer, hás de ser puro, afim de tornar-te um PERFEITO AUXILIAR DO MESTRE.

E, para ser puro, hás de vencer a tua personalidade e para vencer a tua personalidade terás que empunhar, com decisão, a lança da tua VONTADE..

Este é o teu primeiro passo : VONTADE.

Dela necessitas para a purificação da matéria e para torná-la serva obediente do teu EGO. Porque teu EGO está nos outros e os ama. O que impede a manifestação deste AMOR EGOICO é a tua personalidade. A tua personalidade densa e impura. É a muralha que te separa do SERVIÇO. O Rosa-Cruz carece eliminar todos os seus vícios, por mais inofensivos que pareçam.

Cuidado, com quem procura desviar-te da retidão deste caminho!

Com VONTADE purifica a tua personalidade, porque só assim poderás ser um discípulo digno das sublimes lições do MESTRE.

Irmão, não procures passar o teu tempo na ociosidade. Repara que o trigal é amplo, porém, os ceifeiros são poucos. Lembra-te de que a humanidade precisa de ti. Não esqueçamos nunca este sagrado apelo. Acolhe-o e responde, sempre, com a tua VONTADE.

Daí o prêmio do esforço a teu Senhor, a teu Deus e que tua vida flua neste único sulco: SERVIÇO.

Liberta-te do marasmo da tua indolência; afugenta os vícios da tua personalidade e trabalha. Toma a lança do CONQUISTADOR DO GRAAL e procura marchar na vanguarda dos teus Irmãos, mas, antes de tudo, purifica-te e desperta a força invencível da tua VONTADE.

O Rosa-Cruz nada poderá fazer sem a Vontade e consequentemente o nosso lema é THELEMA: a Vontade Divina.

Precisas da vontade para purificar-te das máculas e impurezas que conspurcam a tua personalidade. Precisas de uma vontade firme e decidida e ser destemido até ao heroísmo, para libertar-te da tua personalidade martirizada, porque, o Rosa-Cruz que não tem ânimo para corrigir-se de um vício, o mais insignificante, não pode aspirar o batismo da verdadeira Iniciação. Precisas de vontade para o cumprimento exato do trabalho que se exige de ti, porque, deves saber que o trabalho Rosa-Cruz assenta no estrito cumprimento do mandato que exerce e do dever que lhe assiste. E se não tens essa vontade, irmão, como pretendes que os Mestres te confiem qualquer missão em beneficio da Humanidade, ainda, tateando nas trevas?

Assim, este será o teu primeiro passo: VONTADE. De ti, exclusivamente de ti, depende o impulso que te permitirá avançar neste caminho. Ninguém o fará por ti. Posso, apenas, ajudar-te a vislumbrar a senda, porém, segui-la é função da tua iniciativa. A senda é dura e cheia de espinhos. Para caminhares por essa senda do serviço necessitas ser homem de vontade, porque, uma vez em trânsito, sentir-te-ás angustiado; os pés sangrarão e o corpo desfalecerá.

Se tiveres, porém, VONTADE, todas essas penas e dores desaparecerão Sê, pois, franco e nobre contigo mesmo, eu te rogo. Não te enganes, os Mestres nunca se enganam com os que se propõem palmilhar a senda, antes de adquirir a necessária vontade.

Se teu desejo é sincero, começa desde já; não te julgues só. É uma das muitas ilusões das que Maya se utiliza para esconder a Realidade. Quando a tua vibração atingir a verdadeira tonalidade, compreenderás que nunca estiveste só. Que isto te sirva de alento e estímulo. Não dês ouvidos às críticas e às mistificações. Sê corajoso.

Se convives com outros Irmãos, se tens condiscípulos, procura dar-lhes os melhores exemplos. Não critiques, nem difames a ninguém, deves ser benévolo. Aquece com o ardor do teu entusiasmo a frieza dos outros, mas sem ofendê-los. Que a tua divisa seja esta: primeiro obediência e, depois, trabalho. Primeiro os outros e depois tu. O Rosa-Cruz deve pensar mais nos outros do que na sua própria pessoa.

Porém, antes de terminar, quero falar-te da prece e dos proveitos que permite a quem, de fato, sabe orar. Deves orar sempre, constantemente, porque, só deste modo entras em contato com os SERES SUPERIORES que se servem destes momentos para instilar em tua alma a coragem e a fé e te auxiliam para que possas levar VERDADE E LUZ a outros corações sedentos de redenção. Os resultados são maravilhosos, eu te prometo.

Quando, por acaso, fores assaltado pela inércia ou pela indiferença, concentra e pede a teu Deus; VEM SANTO QUERER DIVINA ENERGIA VOLITIVA E TRANSMUTA A MINHA VONTADE, FAZENDO-A UNA COM A TUA.

O homem, por mais senhor da sua vontade, sente-a fraquejar tão frequentemente, que chega a julgá-la inexistente ou anulada. Deves portanto, irmão, forjar uma vontade forte e enérgica como as tuas próprias crenças.

Para isto, principia, agora mesmo, por traçar um horário de verdadeiro trabalho que procurarás cumprir desde que te levantes até que te deites. Uma vez no teu leito, farás um exame dos teus pensamentos, palavras e atos praticados durante o dia e, por um duplo esforço de concentração da vontade, procurarás corrigir as faltas em que caíste e evitarás cair daí para frente.

Terás tão pouca energia que te julgarás incapaz deste primeiro passo?



Edélio R+


Fonte: Revista "Gnose" – out/1936 –
FRATERNITAS ROSICRUCIANA ANTIQUA
http://www.famafra.com/2012/10/vontade.html#more
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-cruzar-cristandade-rosa-8607668/

A CABALA E O MISTICISMO MAÇÔNICO



A palavra Cabala tem origem no vocábulo hebraico kibbel, significando lição, tradição, ensino. A Cabala é a tradição esotérica e o conjunto das doutrinas secretas do judaísmo. Esta ciência oculta foi recolhida nas Escrituras e devia ser transmitida oralmente e nunca ser escrita, visando evitar que o texto caísse sob as vistas dos profanos.

Os cabalistas datam as concepções primordiais da Cabala de tempos primitivos - que remetem a Moisés e até Abraão e Adão. Quanto aos verdadeiros fundadores da Cabala, entretanto, são mencionados três talmudistas: Rabino Ismael ben Ehsa (cerca de 130 d.C.); Rabino Nechunjah ben Hakana (cerca de 75 d.C.) e, sobretudo, Simeon ben Yohai (cerca de 150 d.C.), sendo este último apontado como autor do famoso Zohar.

Acredita-se que os ensinamentos da Cabala começaram de forma oral, que foi transmitida por Enoque aos seus descendentes, sendo que, posteriormente, Moisés, para evitar que seus ensinamentos se perdessem, comunicou-os aos setenta anciãos escolhidos, e daí para frente de forma escrita. Mas, ao serem escritos os ensinamentos cabalísticos, foi utilizada a maneira mais simbólica possível, com o intuito da não compreensão profana, mas tão somente dos iniciados. Dois são os livros fundamentais da Cabala: o Sefer Yetsirah, ou Livro da Criação, e o Zohar, ou Livro dos Esplendores.

A Cabala apareceu, na sua forma atual, por volta do século XII, repetindo, continuando e completando o ensino esotérico do Talmude. Na Bíblia temos os livros cabalísticos de Ezequiel e do Apocalipse, que foram escritos de forma velada, simbólica. A chave do seu ocultismo repousa, como a do Talmude, sobre o valor dos números, a combinação das 22 letras do alfabeto hebraico e a força oculta do Tetragrama.

O ensino da Cabala esmera-se em dar com precisão a definição da divindade vulgarmente denominada Deus, em fixar-lhe os atributos e em estabelecer o processo das manifestações do seu poder. A particularidade da Cabala é de repudiar toda ideia de antropoformismo na definição da divindade, de afastar toda possibilidade de figuração de Deus que é Infinito, inacessível, incompreensível... O Ser por excelência, o Verbo eterno conjugando-se, simultaneamente ao presente, ao passado, ao futuro: Jeová/Jave/, Aquele que foi, que é, que será, Aquele cujo nome nunca deve ser pronunciado porque o profano não compreenderia que o Deus Todo-Poderoso, o Deus dos Exércitos não pudesse ter nenhum outro nome a não ser o verbo Ser.

A Cabala descobre todos os mistérios da criação neste simples nome, ao estudar o simbolismo representado pelas quatro letras formando este nome assim dividido: IOD, HE, VAV, HE (IHVH). Este nome é aquele que encontramos no cume de todas as iniciações, aquele que irradia no centro do triângulo flamejante da Maçonaria.

A primeira letra, o IOD, figurada por uma vírgula ou um ponto, representa o princípio original das coisas, o ponto de partida da criação. Esta letra que ocupa o décimo lugar no alfabeto hebraico, é representada pelo número 10, ele mesmo composto do número um, unidade, princípio, e do zero, representando o nada, por seu significado e o Todo por sua forma. No IOD ou número 10, a unidade, origem do Todo, alia-se ao Nada para formar o princípio inicial da Criação, princípio gerador, princípio masculino.

A segunda letra, o HE, quinta letra do alfabeto hebraico, representa o número 5, equivalente à metade do valor da primeira letra, 10. E o princípio inicial IOD ou 10 que se fraciona em dois, e que se desdobra. Tal é a origem do binário: masculino-feminino, ativo-passivo, positivo-negativo, homem-mulher. A energia criadora masculina junta-se à matéria fecunda feminina.

A terceira letra, VAV, ocupa o sexto lugar no alfabeto. Resulta da ação geradora do IOD sobre o HE, ao princípio masculino sobre o princípio feminino. E o filho, a resultante: um mais cinco igual a seis.

A quarta letra representa um segundo HE, novo elemento feminino, indispensável ao filho para possuir a faculdade de se reproduzir e de perpetuar o Ser. É o grão que contém em potência a geração futura e a possibilidade de garantir a Eternidade.

JEHOVA/JAVE (IHVH), portanto, não é um nome, mas o símbolo da Criação e da Eternidade, do SER PERFEITO. Este nome não pode ser pronunciado a não ser uma vez por ano, e soletrado letra por letra no Santo dos Santos, pelo Sumo Sacerdote, Grão-Mestre da Arte Sacerdotal, no meio do ruído das preces do povo profano.

Diz-nos Elifas Levi: Todas as religiões dogmáticas saíram da Cabala e para ela voltam. Tudo quanto existe de científico e de grandioso nos sonhos religiosos de todos os iluminados é tirado da Cabala. Todas as associações maçônicas lhe devem os seus segredos e os seus símbolos.

Paul Naudon assim escreveu: Nada permite de resto de situar, no tempo, a adoção, pela Maçonaria dos sinais e símbolos que a Cabala utiliza. A instituição não foi uma criação espontânea; deriva em grande parte das associações arquitetônicas que a precederam ou inspiraram, como os colégios romanos, as associações monásticas, as guildas etc. Sofreu, igualmente, largas influências dos maçons aceitos cujo papel tornou-se progressivamente primordial com o declínio do elemento profissional.

As preocupações filosóficas desses maçons especulativos alquimistas, hermetistas, cabalistas, rosa-cruzes e seus subsídios esotéricos vieram juntar-se e completar os da Maçonaria. O fundamento de suas doutrinas repousava sobre o mesmo princípio da Maçonaria: o da imanência divina. O papel desses hermetistas foi importante na transição entre a Maçonaria operativa e a Maçonaria especulativa moderna. Mas a sua contribuição com um simbolismo egípcio, hebraico e siríaco não era mais que uma síntese que vinha integrar-se em um meio amplamente preparado pelos mais eminentes pensadores da Idade Média e da Renascença.

O programa do grau de Aprendiz compreende os números um, dois, três e quatro, donde os conceitos de unidade, de binário, de ternário e de quaternário. O do grau de Companheiro compreende quatro, cinco, seis e sete (tétrada sagrada, quintessência, rosa mística, hexagrama, setenário). O grau de Mestre estuda os números sete, oito, nove e dez (tri-unidade setenária, ogdóada solar, enéada ou árvore dos Sefirot). Os dez Sefirot são dez emanações do Deus único: dez reconduz a um...

Assim, a Cabala passa à Maçonaria seus ensinamentos mais expressivos.


José Geraldo da Silva .'.


Fonte: http://www.solbrilhando.com.br/Sociedade/Maconaria/Artigos/A_Cabala_e_o_misticismo_maconico.htm
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A VERDADEIRA ENTREGA


Muitos, frequentemente, acreditam e declaram, em espírito de rendição: "Ofereço-Lhe meu corpo, minha mente, meus bens, meu tudo". Isso é incorreto e é um sinal de ignorância. Admite que você e Deus são entidades distintas. Deus não é separado de você, pois Ele está em tudo, em todos os lugares, em todos os momentos (Ishwarassarva-bhoothaanaam). Como podem, então, você ou Deus estarem separados? Ver Deus em tudo, em todos os lugares, em todos os momentos é a verdadeira entrega (Sharanaagathi). Repetição de mantras (fórmulas sagradas) e discursos de palanque sobre os textos sagrados, por si só, não são verdadeira devoção. O verdadeiro devoto é aquele cujas ações estão em conformidade com as palavras de conselho que proferem. Devoção não pode tolerar um devoto com o menor traço de inveja ou ciúme. Torne sua vida diária santa e pura. Faça sua vida valer a pena por meio do serviço ao homem e serviço à sociedade. Esse é o aspecto mais importante de entregar a si mesmo.


Sathya Sai Baba





Fonte: www.sathyasai.org
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CRESCENDO SEMPRE (sabedoria da cabala)



O rio seguia, confiante, seu caminho. Olhou para trás, para toda a sua jornada, orgulhoso por ter vencido todas as dificuldades: as altas montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas e as difíceis curvas através dos povoados.

De repente, o rio viu à sua frente o oceano se aproximando. Era tão vasto, imenso, parecia que entrar nele seria desaparecer para sempre.

Mas o rio entendeu que não havia outra opção. O rio não podia voltar, apenas podia seguir em frente. O rio tomou coragem, se arriscou e foi, confiante, em direção ao oceano.

E foi somente quando o rio entrou no oceano que o medo realmente desapareceu, pois ele entendeu que não se tratava de desaparecer no oceano, mas sim de tornar-se parte do oceano. Por um lado era uma anulação, mas por outro lado era um renascimento.

Assim somos nós. Voltar é impossível na nossa limitada existência neste mundo. Precisamos seguir em frente sempre, arriscar e ter a coragem de tornar-se, um dia, parte do oceano.


Rav Efraim Birbojm



Fonte: http://ravefraim.blogspot.com.br/
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A MENTE EM AÇÃO


Mais graves que as viroses habituais são aquelas que têm procedência no psiquismo desvairado.

Por ser agente da vida organizada, a mente sadia propicia o desenvolvimento das micropartículas que sustentam com equilíbrio a organização somática, assim como, através de descargas vigorosas, bombardeia os seus centros de atividade, dando curso a desarmonias inumeráveis.

Mentes viciosas e pessimistas geram vírus que se alojam no núcleo das células, e as destruindo se espalham pela corrente sanguínea, dando surgimento a enfermidades soezes.

Além desta funesta realização, interferem na organização imunológica e, afetando-a, facultam a agressão de outros agentes destruidores, que desenvolvem síndromes cruéis e degenerativas.

Além dos vícios que entorpecem os sentimentos relevantes do homem, perturbando-lhe a existência, o tédio e o ciúme, a violência e a queixa, entre outros hábitos perniciosos, são responsáveis pela desestruturação física e emocional da criatura.

O tédio é resultado da ociosidade costumeira da mente acomodada e preguiçosa.

Matriz de muitos infortúnios, responde por neuroses estranhas e depressivas, culminando com o suicídio injustificável e covarde.

Entregue ao tédio, o paciente transfere responsabilidades e ações para os outros, deixando-se sucumbir na amargura, quando não se envenena pela revolta contra todos e tudo.

A mente, entregue ao ciúme, fomenta acontecimentos que gostaria se realizassem, afim de atormentar-se e atormentar, aprisionando ou perseguindo a sua vítima.

Por sua vez, desconecta os centros de equilíbrio, passando à condição de vapor dissolvente da confiança e do amor.

A violência é distúrbio emocional, que remanesce do primitivismo das origens, facultando o combustível do ódio, que se inflama em incêndio infeliz, a devorar o ser que o proporciona.

Quando isto não ocorre, dispara dardos certeiros nas usinas da emoção, que se destrambelha, gerando vírus perigosos que se instalam no organismo desarticulado e o vencem.

A queixa ressuma como desrespeito ao trabalho e aos valores alheios, sempre pronta a censurar e a fiscalizar os outros, lamentando-se, enquanto vapores tóxicos inutilizam os núcleos da ação, que se enferrujam e perdem a finalidade.

Há todo um complexo de hábitos mentais e vícios morais, prejudiciais, que agridem a vida e a desnaturam.

É indispensável que o homem se resolva por utilizar do admirável arsenal de recursos que possui, aplicando os valores edificantes a serviço da sua felicidade.

Vives consoante pensas e almejas. consciente ou inconscientemente.

Conforme dirijas a mente, recolherás os resultados.

Possuis todos os recursos ao alcance da vontade.

Canalizando-a para o bem ou para o mal, fruirás saúde ou doença.

Tem em mente, no entanto, que o teu destino é programado pela tua mente e pelos teus atos, dependendo de ti a direção que lhe concedas.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Momentos de Felicidade"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TENDÊNCIAS - TOMAR CONSCIÊNCIA



À medida que avançais na existência, tomais consciência de que sois habitados por diferentes tendências das quais umas são melhores do que as outras. Mas tomar consciência não basta, também deveis admitir a necessidade de fazer uma triagem entre todas essas tendências, para vos concentrardes naquelas que sentis serem mais nobres, mais construtivas. Deste modo, descobrireis pouco a pouco a presença em vós de algo luminoso, poderoso, que antes não conhecíeis. Essa presença é a do Princípio Divino que habita em vós e que aguarda que vos coloqueis ao seu serviço. Pôr-se ao serviço do Princípio Divino é encontrar em cada dia os valores morais, espirituais, a que se deve dar primazia.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NOSSOS DESTINOS



Nossos destinos são idênticos.

Não há privilegiados nem deserdados.

Todos percorrem a mesma vasta carreira e, através de mil obstáculos, todos são chamados a realizar os mesmos fins.

Somos livres, é verdade, livres para acelerar ou para afrouxar a nossa marcha, livres para mergulhar em gozos grosseiros, para nos retardarmos durante vidas inteiras nas regiões inferiores; mas, cedo ou tarde, acorda o sentimento do dever, vem a dor sacudir-nos a apatia, e, forçosamente, prosseguiremos a jornada.


Leon Denis



Fonte: do livro "Depois da Morte"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DEUS NA VISÃO DA CABALA


O Deus da Cabala é mais um ser de gênero neutro do que "ele". É o "Infinito" (En-Sof, ou Ain Soph: as transliterações do hebraico variam). É uma divindade oculta, desconhecida e inexplicável. Não se pode dizer que seja "boa", ou "misericordiosa", ou "justa", ou mesmo que seja "real" ou "viva", como tampouco se pode dizer que não seja tudo isso.

Pode ser chamado de "NADA" (Ayin ou Ain), pois não se pode atribuir-lhe nenhuma qualidade, mas é igualmente "TUDO". Também pode ser chamado de "Luz Infinita" (En-Sof ou Ain Soph Aur), uma ilimitada radiação divina. O processo pelo qual a divindade desconhecida se faz conhecida começa com a radiação divina emanando alguma coisa de si mesma - muitas vezes descrita como a luz de um raio - e dessa se originam outras emanações, ou luzes, até formarem dez ao todo. Essas emanações são chamadas Sefiroth e, na típica linguagem paradoxal, o Zohar explica o seguinte: "O Velho dos Velhos", o Desconhecido dos Desconhecidos, tem forma mas não tem forma.
 
Tem uma forma pela qual o universo é preservado, mas não tem forma porque não pode ser compreendido. Quando assumiu pela primeira vez a forma (da primeira emanação), fez com que emanassem dela nove luzes esplêndidas, que, brilhando através dela, difundiram uma luz brilhante em todas as direções. Assim é o "Santo Velho" uma luz absoluta mas em si mesmo oculto e incompreensível. Só podemos abrangê-lo através dessas emanações luminosas, que também são em parte visíveis e em parte ocultas. Essas constituem o "sagrado nome de Deus".


Marcos Moura



Fonte: http://pt.scribd.com/doc/57792875/Cabala-a-Divindade-E-a-Arvore-Da-...
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DEDICAÇÃO


O termo Yajna significa "qualquer atividade dedicada à glória de Deus". Essa atividade pode ser feita em todas as localidades, em todas as esferas e por todas as raças. A chave do sucesso é "Dedicação". Sem ela, inevitavelmente surgirá ansiedade, medo e divergência. Toda atividade no mundo é dirigida a Deus, quer você saiba disso ou não. Se Deus não é o inspirador e o motivador, como pode o Universo se mover em harmonia, girando de forma tão suave, sem caos e anarquia? Aqueles que estão conscientes desse fato e o aceitam, experimentam emoção e alegria em testemunhá-lo! Qualquer pessoa que vive na presença constante de Deus e realiza todos os atos dedicados a Ele está continuamente empenhado em Yajna.


Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 27 de outubro de 2012

EU SOU A PRESENÇA DO RAIO CRÍSTICO NO MUNDO, NA MENTE, NO CORAÇÃO E NO LAR


EU SOU O QUE O CRIADOR É. LOGO:
EU SOU A PRESENÇA DO RAIO CRÍSTICO NO MUNDO, NA MENTE, NO CORAÇÃO E NO LAR.

Muito limitado é o número de pessoas que compreende o que significa Cristo e o raio Crístico. 

Quase todos crêem que Cristo é um homem que morreu há dois mil anos, e nunca se lhes ensinaram que Cristo é um atributo da Divindade que mora em cada ser e em cada homem, e, que por este atributo tudo o que foi feito está feito. 

Para que o Cristo se expresse em nós como se manifestou em Jesus, devemos seguir, os ensinamentos secretos de Jesus e abrir avidamente nosso coração, mente e templo a — EU SOU — para que atue livremente.


Dr. Jorge Adoum .'.
Fraternitas Rosacruciana Antiqua - www.fra.org.br



Fonte: http://br.groups.yahoo.com/group/magojefa
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MAIS SAGRADO, MENOS SEGREDO



Com o recém-lançado "O Sagrado", o rabino Nilton Bonder bate de frente com os conselhos miraculosos da auto-ajuda e diz que encontrar “o segredo” ou qualquer outra mágica para a vida não dá conta das angústias. Para ele, o que vale é a Lei da Tração em vez da Lei da Atração. E saber que não, você não é especial. Leia a entrevista dada a Laila Abou Mahmoud.


Formado em engenharia mecânica pela Universidade de Columbia e doutor em literatura hebraica pelo Jewish Theological Seminary, Nilton Bonder é rabino e escritor prolífico. Autor de dezesseis livros, entre eles A Alma Imoral, que foi sucesso de público em sua adaptação ao teatro, em peça estrelada por Clarice Niskier. Nesta, ele propunha discussões sobre traição, pecado e dinheiro de forma provocadora.

Agora, em O Sagrado, Bonder bate de frente com as fórmulas fáceis da auto-ajuda e rebate conceitos popularizados em um dos maiores sucessos recentes do gênero, o livro O Segredo. A “Lei de Atração” de O Segredo vira “Lei de Tração” e o lema “seja especial” vira “saiba que você não é especial”. Não querer acumular cada vez mais, ter menos desejos e se sentir parte de um projeto maior são outras das principais diretrizes que sugere em seu livro.

ÉPOCA conversou com esse rabino que não tem medo de ser popular - ele celebrou neste ano o casamento ecumênico de Carolina Dieckmann com o diretor de teatro Thiago Worckman - nem de ultrapassar os terrenos de uma sinagoga.

ÉPOCA - Onde está o “segredo” da vida?

Nilton Bonder - O segredo é a chave mágica que as pessoas querem para dar conta de suas angústias e desafios. É uma fantasia que poderia até ser lúdica, como um conto de fadas para adultos. O preocupante - e a razão de ter escrito este livro - é que a magia e a mágica no mundo infantil podem ser misturadas. No mundo adulto, no entanto, misturá-las é um problema. O que para um estimula a imaginação, para o outro pode ser um fetiche, um truque para não viver a sua vida.

ÉPOCA - Procurar um “segredo” é uma fonte de problemas para a vida?

Bonder - Se o segredo for a chave para contemplar o meu desejo infantil, de consumo imediato, sim. Porque ele pode estar reforçando a mesma causa de tantas de nossas angústias e vazios. O bem-estar não é o resultado do atendimento de minhas vontades diante de um universo que funciona como um gênio da lâmpada. O bem-estar é fruto de se estar no lugar certo, na condição certa em relação a nossa vida. A formiga tem bem-estar quando é formiga, o cavalo tem bem estar quando é cavalo. O ser humano tem que buscar bem-estar em ser a si mesmo.

ÉPOCA - E o “segredo do segredo”?

Bonder - Vivemos num mundo de grande competitividade e solidão e as pessoas estão ávidas por encontrar um sentido em suas vidas que as tornem relevantes entre bilhões de criaturas num universo de dimensões telescópicas. Daí o sucesso de livros que basicamente dizem que você é especial e que o universo está a seu serviço. O “segredo do segredo” é que você é especial, mas não porque o universo está a seu serviço. Ao contrário: é porque você está a serviço do universo. Essa inversão faz toda a diferença, mesmo que a proposta inicial seja a mesma.

ÉPOCA - Como é possível atingir esse “segredo do segredo”?

Bonder - Eu uso esta expressão “segredo do segredo” como uma metáfora. Não estou propondo um outro segredo (o meu). Há um conhecimento milenar que trafega entre Oriente e Ocidente, nos mais diferentes temperos e matizes, e que nos auxilia na percepção mais fidedigna da realidade, distante de nossas ilusões e delírios. Mas ela não é uma mágica, um manual de como fazer. Ela nos inicia à magia deste universo e nos aponta caminhos. O caminho certamente não é o de que o universo conspira para mim, o epicentro da realidade; mas, ao contrário, eu é que conspiro para o universo. É quando estou neste lugar e me sinto bem e usufruo de bem-estar e bem-ser.

ÉPOCA - O senhor acredita que as religiões fazem parte dessa busca pelo bem-viver?

Bonder - A espiritualidade é uma condição humana. Buscar formas de celebrar e ritualizar a vida nos ajudam a perceber que somos parte de um projeto, de que não somos o fim, mas um meio. Deus, o Criador e Mantenedor do universo, tem como função maior desbancar o meu ego do centro da realidade. Por isso, Deus na medida correta (não uma idolatria, onde o meu Deus simplesmente é o meu ego dissimulado de crença em mim mesmo) é saudável e próximo da realidade. Digo próximo porque todos tendemos a distorcer o que seria Deus, por conta de nosso ego. Mas se a espiritualidade vira um produto, o que muitas vezes as religiões fazem, tal como “O Segredo”, querendo vender privilégios neste ou noutro mundo, perde por completo este potencial sagrado.

ÉPOCA - O senhor afirma que a capacidade de auto-engano do ser humano é espantosa. O que o senhor acha sobre a literatura de auto-ajuda, de uma forma geral?

Bonder - Muito da auto-ajuda é baseada no auto-engano. Vende. Mas isso não quer dizer que o esforço milenar do ser humano, de tribos e tradições, para ensinar seus descendentes sobre o sagrado da vida não seja importante. Eu me dedico a esses ensinamentos e eles são profundamente belos. Eles não resolvem ou servem como um manual de como ser feliz e como dar certo. Quando declaramos que o objetivo não é ficar “mais”, mas ser parte, as coisas mudam de eixo e qualidade. Tudo que promete no título tem grande chance de fazer parte do mercado de auto-engano.

ÉPOCA - Os livros de auto-ajuda ensinam regras para ser feliz e bem-sucedido. Contudo, a religião também estabelece regras. Onde estaria a diferença entre os sistemas de regras da auto-ajuda e da religião?

Bonder - Como disse, dependendo da maneira como a religião apresenta sua mensagem, ela não se diferencia em nada. Mas há uma diferença quando as práticas não são de suborno: eu faço isso e ganho aquilo. A verdadeira tradição é aquela que leva à humildade, a encontrar seu lugar, seu cantinho do universo. Não precisa ser com vista para o mar, mas o meu cantinho que me é próprio. Deste lugar que é meu, sou grande, sou especial, porque faço parte de um projeto fantástico que não está baseado na minha biografia, mas no meu pertencimento à vida, à Arvore da Vida.

ÉPOCA - O senhor é autor de 16 livros, parte deles best-sellers. O senhor não tem receio de também ser considerado um escritor de auto-ajuda?

Bonder - Meus livros são uma extensão de meu trabalho como rabino. Estou constantemente falando para as pessoas, pregando. Mas para não me perder achando que sou fonte de qualquer sabedoria, falo sempre para mim. As pessoas às vezes me dizem, quando falo algo que as toca, que eu fiz isso para elas. Não, não fiz. Fiz para mim. O dedo em riste é sempre para mim. Quanto mais verdadeira for a percepção de minhas limitações e dificuldades, mais real será o que digo. Sim, meu lugar é bastante estranho. Mas como não falo do lugar do saber, e sim de um lugar do viver, e como uso de uma tradição de sagrado, me percebo íntegro. E aí está tudo bem.

ÉPOCA - O que o senhor acha da “Lei de Atração”, popularizada em livros como “O segredo”? Em que ela difere da “Lei da Tração”, que o senhor propõe no livro?

Bonder - No livro digo que há uma lei da Tração, e não da Atração. Para o livro O Segredo, você pode pedir ao universo que ele lhe atenderá. Portanto, você pode atrair tudo. O que há na realidade é o desejo humano de tração, de arrastar tudo para si. Esse é o caminho contrário do sagrado, que é feito de servir, e não de controlar.

ÉPOCA - O senhor fala em modificar o mundo e se aproximar da magia sem recorrer à mágica. De que forma isso é possível?

Bonder - Aí é que entra o sagrado. Sagrado é o caminho que nos leva a querer ser parte. O sagrado acontece em comunidade, em pertencimento. O sagrado acontece nas raízes, sejam ancestrais ou de descendentes. O sagrado acontece na comunhão com a natureza e com o tempo. Nestes caminhos há a descoberta de algo muito especial em mim, mas que não é pessoal, que não é o meu ego. Estamos diante de um maravilhamento radical, totalmente mágico sem ter que recorrer a mágicas e truques. Está em nós, como diz o texto bíblico: nem além mar, nem nas alturas, mas aqui bem perto, no próprio ser.

ÉPOCA - O senhor afirma também que é preciso ter menos desejos. Por quê? Eles não podem ser positivos?

Bonder - Desejo é tudo de bom, é como a fragrância de uma flor ou o gosto de um fruto. Mas o desejo é um artifício da vida para cumprir uma função que não é o próprio desejo. Não estamos aqui para saciar desejos por cem anos e morrer. Essa construção de nossa civilização nos leva a um beco sem saída. A vida é boa e vão tirá-la de nós. A juventude é prazerosa e irão roubá-la de nós. O “ser” na condição humana, na qual temos a faculdade da consciência, é a administração desses desejos para que eles cumpram sua função. Não para que nós sejamos uma função dele. Sexo é uma manifestação sagrada da vida, mas se eu persigo o sexo como um segredo para dar conta de ansiedades e temores, para resolver minha existência, facilmente ele se tornará pornografia. Todos nós do século XXI conhecemos isso. E todos que já viveram conheceram isso. Faça do seu desejo um produto, algo que você persegue de forma utilitária, para obter controle sobre satisfação e sofrimento, e o sagrado se fará pior do que profano e mesmo o mais belo e singelo se fará sujo e perverso.

ÉPOCA - O senhor conta a experiência do desconcerto quando foi chamado por um colega rabino de “o melhor judeu do Brasil”. As pessoas, na sua concepção, não deveriam tentar ser as melhores no que fazem? O que pode ter de errado em querer ser “o melhor” ou ser “especial”?

Bonder - O melhor é uma miragem. Parece que só existe lugar para um. Há melhores e primeiros que não se sentem felizes e décimos quintos ou milionésimos que vivem em serenidade. A integridade é que deveria nos levar a fazer tudo com qualidade, com a maior qualidade possível. Mas isso é feito porque não existe razão de não fazer desta maneira. A natureza se esmera em fazer o melhor, mas não para subir no pódio e se ver em comparação ao outro. Acho que o melhor é uma forma de controlar a morte, a finitude. Se sou melhor que o outro ou que todos, talvez eu me faça entre os humanos um deus. A intenção modifica totalmente a qualidade de uma conduta. Ser especial por integridade é sagrado, ser especial como forma superlativa é um segredo.

ÉPOCA - O senhor afirma que não há nada pior que perder seu Deus. Não há como manter a esperança e a crença em valores bons e éticos mesmo fora de um sistema religioso específico?

Bonder - Perder Deus para mim não tem a ver com religião. Perder Deus é perder uma conversa interna. Deus é uma referência interna distinta do meu eu. É o contraponto, a crítica, o olhar sobre mim mesmo que a consciência me permite. Esse Deus em mim, imanente, em algum lugar se conecta com o Deus epicentro da realidade total. Perder Deus é sucumbir a si como o centro de tudo, de que somos nós mesmo o projeto. Aí nossos dons, nossa sensibilidade e nossas faculdades se tornam distorcidas. E a lucidez da consciência se faz uma miragem. A realidade se reflete em tantos espelhos que passamos a viver de reflexos. E nada mais triste do que alguém que é um reflexo.

ÉPOCA - O que o senhor acha desse fenômeno de livros como o de Christopher Hitchens (Deus não é Grande), que pregam a inexistência de Deus?

Bonder - O sagrado pode ser profanado, não há dúvida. Deus pode e foi usado para as maiores aberrações e crueldades. Mas quem não é grande sou eu e o Christopher. O ser humano não é grande. E isso não é um problema. Só é um problema para quem quer ser grande. O ser humano, dos primeiros capítulos de Gênesis até hoje, tem em si o conflito entre a Árvore da Sabedoria e a Árvore da Vida. O saber não dá conta da vida. Faz ver a vida, distinguir a vida. Deve ser usado para o maravilhamento e não para o controle. Maravilhar-se é sagrado, controlar é o segredo.

ÉPOCA - O que lhe permite fazer projetos é se sentir parte de um projeto maior, o senhor diz em seu livro. Perdemos essa dimensão, que o senhor chama “transpessoal”?

Bonder - Sim, perdemos muito da vida comunitária. O individualismo tem suas recompensas, mas não somos indivíduos. Somos parte de uma espécie e esta, parte de um projeto da vida. Podemos nos vestir de doutor, cobrir nossa pele com terno e gravata para esconder o primata em nós. Mas não dá para viver a vida sem estar nessa pele. Então, não somos tão pessoais quanto achamos que somos. Parte da solidão da vida moderna é que vemos a vida como minha. Sou eu que vivo a minha vida, e quando eu morrer, sou eu que morro. Mas essa não é a realidade em si. A vida é vivida através de mim e, quando eu morro, cumpri uma função em vida que está para além de minha pessoa. Sem entender isso, sem fazer disso parte de nossa existência, o caminho é de confusão e desesperança.

ÉPOCA - Como resgatar essa dimensão transpessoal?

Bonder - Acho que temos que reencontrar caminhos ao sagrado. Fazer sem buscar recompensas, estudar sem querer sapiência, existir sem ser só para mim mesmo, mas sem esquecer de viver por mim, estes são os caminhos.

O segredo do segredo é que você é especial, mas não porque o universo está a seu serviço. Ao contrário: é porque você está a serviço do universo. Essa inversão faz toda a diferença mesmo que a proposta inicial seja a mesma.

O sagrado pode ser profanado, não há dúvida. Deus pode e foi usado para as maiores aberrações e crueldades. Mas quem não é grande sou eu e o Christopher (Hitchens).

Neste mundo saturado de produtos, talvez alguém que não consuma seja um ser mais elevado. Esse consumo tem impactos graves na perda de nosso sagrado.


Rabino Nilton Bonder



Fonte: Revista Época – Ed 501 (21/12/2007
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/ramad%C3%A3-islamismo-ora%C3%A7%C3%A3o-noite-lua-8564369/

CUIDADO COM OS IDEAIS


Alimentar um ideal de vida espiritual não pode transformar-vos em alguns meses ou mesmo em alguns anos. E não é por terdes tomado esta ou aquela resolução acertada que as coisas sucederão exatamente como vós decidis. Infelizmente, não é assim tão fácil fazer os instintos obedecerem à vossa vontade, fazer triunfar em vós a sabedoria e a razão. Por quê? Porque é precisamente nesse momento que outras forças despertam também em vós para se oporem à realização dos vossos bons projetos.
 
E, então, o que é que pode suceder? Quando virdes que não conseguistes aquilo que esperáveis e no prazo que tínheis definido, ireis desanimar, ficar amargurados e importunar os outros com as vossas desilusões. Não podeis tomar melhor decisão do que a de seguir o caminho da luz, do autodomínio. Mas ficai a saber quais são as dificuldades inerentes a isso, senão os resultados poderão ser piores do que se continuardes a viver uma vida vulgar.


Omraam Mikhaël Aïvanhov 



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

AS TRÊS COLUNAS (SABEDORIA - FORÇA - BELEZA)

Os Pilares Sabedoria, Força e Beleza

A lição imediata que o Iniciado Maçom recebe é da existência das três colunas mitológicas, a da Sabedoria, a da Força e a da Beleza. Colunas essas que representam também os três graus maçônicos, determinados na Constituição de Anderson.

Iniciando pelo Oriente, o Ven. M. está relacionado ao planeta Júpiter, visto que representa a Sabedoria. Júpiter rege a visão, a prosperidade, a  misericórdia, a liturgia, o sacerdócio, o mestrado e a felicidade. A sua função lhe confere prestígio, característica principal de Júpiter.

De forma óbvia, o 1º Vig. e o 2º Vig. são regidos, respectivamente, por Marte e Vênus, planetas da força e da beleza, simbologia das Colunas onde têm seus tronos. Marte rege o início, a coragem, o pioneirismo e o impulso. Vênus rege a harmonia, o prazer, a alegria, e a beleza como reflexo da manifestação do GADU (Grande Arquiteto do Universo).

O GADU trabalha a todo instante construindo o Templo Perfeito. Quando os maçons trabalham simbolicamente em Loja, para construir um Templo com "Colunas", com três "Pilares", simbolizando a Tríplice Natureza do Grande Arquiteto - Sabedoria, Força e Beleza - os dois reinos do espírito e matéria se unem, e a Grande Loja Eterna envia suas forças espiritualizantes para a Loja aqui em "baixo". É por isso que toda Loja Maçônica, ao encerrar sua reunião, distribui suas forças para o mundo. Tal como se dá com um reservatório que haja lentamente captado água de muitas pequenas correntes e por fim transborda, irrigando os campos, assim se dá com uma Loja Maçônica. Os maçons trabalham como instrumentos da "Grande Loja Eterna", pela qual são distribuídas forças para auxiliar os homens.


Segundo assinala René Guénon, nos antigos rituais operativos se necessitava a reunião ou o concurso de três mestres para que uma Loja pudesse trabalhar regularmente, representando cada um deles um determinado arquétipo espiritual ou Nome Divino Criador. Essa simbólica permaneceu na Maçonaria atual e esses três Mestres não são outros que o Venerável e os dois Vigilantes, cujas funções respectivas se vinculam com um Atributo, Aspecto ou Nome de Deus. Sabedoria, Força e Beleza são os nomes que recebem os três pilares ou três "pequenas luzes" situadas no centro da Loja, dispostas em forma de esquadro. Esses três pilares são chamados também de estrelas (alusão direta à sua simbólica celeste), as quais são feitas "visíveis" e presentes na Loja graças à invocação dos Nomes Divinos. O rito de acender estes pilares, acompanhado pela invocação dos Nomes Divinos, assinala o momento preciso em que a Loja, até então em sombras, torna-se plenamente iluminada, produzindo-se um passo das "trevas à luz". É, pois, um rito essencialmente cosmogônico, análogo ao "Fiat Lux" do Verbo criando a ordem cósmica ao fecundar o Caos Primordial, quer dizer o conjunto de todas as possibilidades de manifestação que se atualizam graças a essa ação do Demiurgo. 

Portanto a abertura da Loja descreveria de maneira simbólica um processo análogo ao da criação do mundo. Por outro lado o termo Loja procede de "Logos", a Palavra, ou Verbo, e também de termos linguísticos que designam a luz, como o grego "liké". De fato, o templo maçônico (como qualquer recinto sagrado) é uma imagem simbólica do cosmos, que por sua vez é o Templo Universal e a obra direta do Criador.

E assim como este "tudo disposto em número, peso e medida", a Loja se edifica com Sabedoria, Força e Beleza, ou com Fé, Esperança e Caridade, as três altas virtudes que se correspondem respectivamente com cada um dos três pilares. Na tripla invocação se apela à Sabedoria de Deus como verdadeiro artífice da obra de criação a que preside; a sua Força como a vontade que sustém e a regenera perenemente; e a sua Beleza como a energia que a adorna ao imprimir-lhe as medidas exatas e harmônicas que conformam sua ordem interna e externa, reveladas fundamentalmente através das estruturas geométricas e simbólicas.

Com as invocações desses atributos divinos também se está recordando, ou reiterando na memória dos presentes, aquilo que se diz nos Salmos: "Se o Eterno não edifica a casa, em vão trabalham os que a edificam". Só depois dessas invocações e graças ao influxo espiritual que nelas se contém, o espaço da Loja (do Templo Universal), previamente "enquadrado" pelas "circunavegações" dos Vigilantes, fica iluminado ou ordenado em toda a extensão do mesmo.

É a partir desse momento que se procede a abertura do Livro da Lei e a dispor sobre ele o compasso e o esquadro, o qual leva a cabo o Orador da Loja, Oficial ao qual se considera como o "guardião" do rito. O Livro e os dois instrumentos constituem as "Três Grandes Luzes" da Maçonaria situadas em cima do Altar dos Juramentos, quer dizer, no ponto geométrico de onde simbolicamente se efetua a união do céu e da terra, da vertical ao horizontal.

Essa união está representada pela posição em forma de estrela de Davi, ou selo de Salomão, do compasso e do esquadro, ambos símbolos respectivos do céu e da terra. A Loja parece, assim, como o lugar de onde se manifesta a conjunção céu-terra e por conseguinte a comunicação entre o mundo superior e o mundo inferior. Nesse sentido, recordaremos que na rica iconografia descrita nos quadros da Loja Maçônica em ocasiões aparece uma escada (símbolo do eixo) apoiando sua parte inferior no altar com as três grandes luzes, enquanto sua parte superior toca os céus. Ao integrante da Loja se lhe indica assim qual há de ser o caminho que deve seguir em seu processo interno, um caminho vertical, para o "alto", sem esquecer, que essa ascensão só é possível graças à compreensão da doutrina tradicional. Esta se articula e se expressa através do ensinamento veiculado pelo Livro da Lei (que recolhe as revelações ou teofanias transmitidas aos componentes da "cadeia tradicional") e o compasso e o esquadro (instrumentos que servem para trazer as medidas prototípicas do céu e da terra aplicada à construção mediante o uso da geometria sagrada).



Gostaria de chamar a atenção sobre uma atividade concreta, levada a cabo durante todo o dia, que resulta especialmente susceptível de ritualizar-se e que pode ajudar mui discretamente a preparar os estados de Sabedoria, Força (ou Perfeita Solidão ou Silêncio) e Beleza, com o uso adequado da linguagem e o cultivo do silêncio. 

O uso da palavra, sendo algo cotidiano, no marco dos Ritos Atemporais toma, a sua vez, uma importância capital. Aludiremos aqui, a modo de exemplo, a uma invocação concreta pela qual, recitando de uma determinada maneira as palavras sagradas: Sabedoria, Força e Beleza é possível fechar a Cadeia de União.

Estes três atributos representados por três Pilares Sagrados, segundo o Vedanta (para quem segue o hinduísmo), correspondem a outras tantas funções do Sannyasi (grau espiritual correspondente àquele que cumpriu a realização perfeita) as quais são: Balya, Panditya y Mauna. Funções que, a sua vez, correspondem a três shaktis da Trimurti.

Balya, correspondendo-se com Lakshmi (shakti de Vishnu) equivale à Beleza. Estado de não expansão, onde todas as potências do Ser estão concentradas em um ponto, realizando em virtude de sua unificação uma simplicidade embrionária. É o retorno ao estado primordial, estado comparável a de um menino.

Panditya, correspondendo-se com Saraswati (shakti de Brahma) equivale à Sabedoria. Atributo relacionado com a função de ensinamento, ou qualificação para despertar em outros as possibilidades correspondentes. Supõe a perfeição do conhecimento teórico.

Mauna, correspondendo-se com Parvati (shakti de Shiva) equivale à Força. Último grau, que representa o estado de Muní, do silêncio ou solidão, única condição na qual pode se realizar verdadeiramente a União.

Esses 3 atributos invocados ritualmente encontram também suas equivalentes na tradição extremo-oriental na teoria das "Quatro Felicidades". Assim, a Beleza, ou restauração do estado primordial, corresponde às duas primeiras felicidades: Longevidade (perpetuidade da existência individual) e Posteridade (prolongação indefinida do indivíduo através de todas as modalidades). A Sabedoria encontra sua homóloga no Grande Saber. E a Força na Perfeita Solidão. A respeito do cultivo do silêncio é sobejamente conhecida sua implantação em toda Ordem Iniciática Tradicional.

Podemos fazer, ainda, alusão dos três pilares aos Arcanos do Tarô:
 
A Sabedoria corresponde ao Arcano II, a Sacerdotisa, ou Ísis mãe dos Iniciados. A ciência iniciática que é preciso saber descobrir por si mesmo. Ísis não confia a chave dos mistérios à não ser aos seus filhos. Os Filhos da Viúva, dignos de conhecer seus segredos.
 
A Força é por si só o arcano XI. É o Oficial que se fez forte por si dominando-se a si mesmo. A prova de fogo exterioriza a fogosidade interna. O Iniciado que por ela experimenta em si um vazio atraente para o agente dinâmico exterior. Por esse fato se aproxima da coluna Booz, da qual extrai a Força que executa.
 
A Beleza corresponde ao Arcano X, a Roda da Fortuna. No centro de si mesmo ao Iniciado percebe o ardente calor que corresponde à Coluna Jakin. Seu salário de aprendiz se expressa em uma energia de origem interior que o leva a empreender a tarefa com audácia, mas jamais inoportunamente, porque o maçom inicia a obra quando chegou a hora de começar os trabalhos.

Os três pilares também se ligam às Sephiroth da Árvore da Vida na Kabbalah:
 
A Sabedoria corresponde à 2ª Sephirah: Chochmah, que é a própria Sabedoria. É ligada ao número 2, à dualidade. É uma potência masculina ativa, refletida desde Kether (a 1ª Sephirah). Ela é representada pelo nome divino Yah (Essência de Ti Mesmo), e tem como hóspedes angélicos os Ophanim, ou Rodas que são aquelas rodas que Ezequiel teve em sua visão do Trono de Deus. A classe angélica dos Ophanim é a dos Cherubim, que ordenam e desimpedem o Caos Primordial. Eles dão ao homem a luz do pensamento, a força da Sabedoria, os altos ideais.
 
A Força corresponde á 5ª Sephirah: Gevurah. É ligada ao número 5, que emana da potência passiva feminina da própria Força. Corresponde ao Tribunal de Deus, ao cinto, ao braço esquerdo de Deus. É representada pelo nome divino Elohim Gibor (Deus Forte) e tem como hóspedes angélicos os Seraphim ou Potências. A classe angélica dos Seraphim é a das Potências que produzem os quatro elementos sutis: Fogo, Ar, Água, Terra. Dão ao homem seu apoio contra os inimigos exteriores.
 
A Beleza corresponde à 6ª Sephirah: Tiphereth, que é a própria Beleza. É ligada ao número 6. É representada pelo Nome Divino Eloah Va-Daath (Deus de Minha Sabedoria) e tem como hóspedes angélicos os Malikim ou Reis. A classe angélica dos Malikim é a das Virtudes, que produzem o reino mineral. Dão ao homem a força necessária para vencer as potências da mentira, e lhe dão a recompensa.

Mas, quiçá, o rito mais significativo e importante da clausura maçônica é a CADEIA DE UNIÃO, constituída por todos os membros da Oficina "enlaçados" uns com os outros ao redor dos três pilares: Sabedoria, Força e Beleza e do quadro da Loja, quer dizer, no centro do Templo. Certamente, e como se diz no ritual, esta cadeia é o símbolo da fraternidade maçônica, sem embargo poderíamos nos perguntar em base a que deve sua existência essa dita fraternidade e por que se manifesta através da Cadeia de União, pois sem dúvida alguma ela expressa outra coisa bem distinta a qualquer tipo de camaradagem ou coisa equivalente.

Talvez a resposta esteja nas palavras e gestos que realiza o Venerável Mestre momentos antes de se formar a Cadeia de União: "Irmãos, seguindo o antigo costume não resta mais nada do que cerrar nossos segredos em lugar seguro e sagrado", e ato contínuo leva sua mão direita ao coração, como indicando que é aqui, no coração, no lugar mais puro e central do Ser e onde este se comunica com sua verdadeira essência, onde os segredos hão de guardar-se e cerrar-se. E já se sabe que o coração é o tabernáculo do Verdadeiro Templo, aquele que segundo as Escrituras "não é feito pela mão do homem", pois nada de individual ou particular pode penetrar nele. Portanto esses segredos não são só os que se referem especificamente aos da Ordem Maçônica e à Loja (e que devem ser salvaguardados dos "olhares indiscretos dos profanos"), senão também e poderíamos dizer, que ante tudo, a essência (ou quintaessência) mesma do que se recebeu do ensinamento tradicional veiculada pelos símbolos e os ritos, daquilo que verdadeiramente se compreendeu e assimilou no mais interno de si mesmo, em definitivo, da efetiva e íntima vinculação que cada ser mantém com seu Princípio Uno eterno. Isto seria, pois, o que enlaça ou une os Irmãos entre si, e por isso eles formam a cadeia de união, que é a união com a Unidade de Si mesmos.

Mas, não queríamos terminar sem oferecer um texto das Leituras do Rito de Emulação que resume vivamente o que até agora falamos sobre o Templo Maçônico:

"Permita-me atrair vossa atenção sobre a forma da Loja, a qual é um paralelepípedo que se estende do Leste para o Oeste, de Este a Oeste, em largura entre o Norte e o Sul e em altura desde a superfície da terra até seu centro e, inclusive a tanta altura como os céus".

"Uma Loja de maçons se descreve assim para mostrar a universalidade da Ciência e ensinamos que a caridade de um maçom não deve conhecer mais limites que os da prudência."

"Nossas Lojas devem estar orientadas de Leste a Oeste por que todos os Templos dedicados à adoração divina, como as Lojas dos maçons, estão ou devem estar assim orientadas."

"O Universo é o Templo do Deus que servimos. A Sabedoria, a Força e a Beleza sustêm seu Trono como pilares de Sua Obra, porque Sua Sabedoria é Infinita, Sua Força onipotente e Sua Beleza resplandecem na ordem e na simetria do Conjunto da Criação. Ele estendeu os céus ao infinito, como um vasto dossel; dispôs a terra como um estrado, coroou Seu Templo com as estrelas como uma diadema e de Sua Mão irradiam a Potência e a Glória. O Sol e a Lua são os mensageiros de Sua Vontade e toda Sua lei é o Amor."




AHMAD



Bibliografia

A Astrologia na Maçonaria, de Juarez de Fausto Prestupa;

Os Ideais da Maçonaria, de C. Jinarajadasa;

La Obra del Cabalista, de Z'ev ben Shimon Halevi;

El Tarot de los Imagineros de la Edad Media, de Oswald Wirth;

Manual del Aprendiz, de Aldo Lavagnini;

La Kabbale Pratique, de Robert Ambelain;

La Kabbalah Desnudata, de Knorr de Rosenroth;

Rito de Emulação;

Alcorão Sagrado;

Bíblia Sagrada.


(desconheço a fonte do texto)
Fonte da Gravura do topo: http://llvj.blogspot.com.br/2011/12/altar-dos-juramentos-as-tres-grandes.html
Fonte da Gravura do corpo: http://focoartereal.blogspot.com.br/2011/10/as-tres-grandes-colunas-da-loja.html

PODER DA CABALA


A sabedoria milenar da Cabala — inicialmente transmitida apenas de forma oral e a pouquíssimas pessoas — apresenta uma forma de interpretar as Sagradas Escrituras de forma a revelar conhecimentos ocultos nas palavras e que não podem ser compreendidos a partir de uma interpretação literal dos textos. Desta maneira, o Velho Testamento não é entendido simplesmente como um relato de acontecimentos ocorridos há milhares de anos, mas como uma das formas mais bem elaboradas e herméticas de transmissão de informações, que podem estar ao alcance daqueles que estudarem a decodificação dos símbolos.

Já houve épocas em que o estudo da Cabala era bastante restrito, o que está mudando um pouco nos tempos recentes. Para falar mais sobre esse conhecimento, a Sexto Sentido entrevistou o professor Shmuel Lemle, tradutor do livro O Poder da Cabala, e responsável pelo Centro de Cabala do Rio de Janeiro.

O senhor pode nos dizer o que é a Cabala?

A Cabala é uma antiga sabedoria espiritual baseada num livro chamado Zohar. A sabedoria do Zohar é universal — provê conhecimento e ferramentas para toda a humanidade, que são tão úteis hoje como eram há milhares de anos. Esse conhecimento e essas ferramentas podem ser aplicados por pessoas de todas as religiões e práticas espirituais. A Cabala proporciona a metodologia, instruções e ferramentas para ajudar as pessoas a alcançarem a auto-realização, a plenitude espiritual, e um fim para o sofrimento e o caos. O Zohar, escrito há 2 mil anos, explica os mistérios da vida e os códigos secretos da Bíblia.

Qual a relação — se é que existe — entre a Cabala, a religião judaica e as religiões que dela derivaram, como a católica?

O Zohar é um guia para a Bíblia que foi dada a Moisés no Monte Sinai, quando ele recebeu os Dez Mandamentos e a Torá. A Cabala explica os segredos e o verdadeiro significado das histórias da Bíblia, revelando sua sabedoria e espiritualidade, e sua intenção é ajudar a acabar com o caos que assola a humanidade. A Cabala era uma tradição oral originalmente estudada apenas por rabinos, mas seus ensinamentos, derivados do Zohar, eram para toda a humanidade, não importando a origem religiosa ou espiritual. Na verdade a Cabala nos ensina todos os porquês por trás da prática religiosa.

Como se chega ao estudo da Cabala? Como a pessoa se inicia?

O Centro de Cabala oferece cursos desde o nível iniciante até níveis mais avançados de estudo. O curso para iniciantes, chamado Introdução à Cabala 1, cobre assuntos como as origens do universo, o sentido da vida, e como transformar nossos hábitos negativos, reativos, em comportamento proativo. Os cursos mais avançados penetram nos estudos da vida após a morte, relacionamentos, desenvolvimento pessoal e crescimento espiritual. Outros cursos são dados sobre saúde e cura, como criar milagres na vida, oração e meditação, e a ciência da astrologia cabalística.

Antigamente se dizia que mulheres não podiam estudar a Cabala, e que quem estudasse antes dos 40 anos ficaria louco. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Se tentássemos explicar a uma pessoa que vivesse na Idade Média a ideia de um aparelho de fax, um telefone celular, ou mesmo da Internet, seriamos rotulados de místicos ou loucos. Hoje, todos nós temos acesso a esses avanços tecnológicos. As idéias da Cabala só podem ser transmitidas para todos agora, porque os avanços da ciência e da consciência nos proporcionam uma linguagem que torna os conceitos espirituais compreensíveis. Podemos falar de interconexão, porque a própria física quântica explica que todos os eventos estão interconectados. Antes não existia uma linguagem para falar sobre esses conceitos, por isso, a Cabala ficava limitada a poucos sábios por geração. Mas o próprio Rabi Isaac Luria, o Ari, que viveu há 500 anos, um dos maiores cabalistas que da História — a Cabala estudada hoje se chama Cabala Luriânica em sua homenagem — deixou este mundo com 38 anos. E no Zohar está escrito que na nossa época — a Era Messiânica, Era de Aquário, Nova Era, chame como quiser — até crianças de 6 anos devem aprender Cabala. Agora estamos prontos para receber a sabedoria cósmica do universo.

Existe mais de um tipo de Cabala, ou mais de um tipo de interpretação e aproximação à Cabala?

Existem algumas variações nas interpretações, mas basicamente toda Cabala estudada hoje vem do Ari, Rabi Isaac Luria, e se chama Cabala Luriânica. Existem também níveis de estudo da Cabala. O primeiro nível se chama Taamei Torá — o sabor da Torá — que é o que estudamos, e que pode e deve ser estudado até por crianças. O segundo nível é Sitrei Torá — a parte oculta. Para atingir esse nível o estudante precisa estar imbuído de um desejo tão grande de aprender que recebe uma revelação direta. Esse nível não pode ser ensinado diretamente, a pessoa tem que chegar no nível de receber a revelação.

Qual a relação entre Cabala e magia?

Algumas pessoas utilizam a Cabala como magia — isto se chama Cabala Maassit, Cabala prática. No Centro de Cabala não estudamos de jeito nenhum esse tipo de Cabala. É muito perigoso mexer com forças espirituais sem saber direito os efeitos colaterais que isso pode causar.

Como se desenvolve a compreensão do cabalista sobre Deus?

O cabalista fala na Luz Infinita. A Luz Infinita não é Deus, mas uma Energia Infinita que emana de Deus. O próprio Deus, segundo os cabalistas, nós não temos capacidade de compreender. A Luz é a Sua emanação, e é este nível que podemos atingir. Os diferentes nomes de Deus que aparecem na Bíblia, segundo os cabalistas, são denominações de diferentes níveis dessa emanação luminosa — as Sefirot. Cada nome está ligado a uma determinada Sefirá — ou um determinado nível de emanação da Luz. Quer dizer, os nomes não indicam o próprio Criador, que é totalmente inatingível, mas diferentes níveis de Suas emanações.

Existe alguma escritura sagrada da Cabala além das antigas escrituras? O estudo da Cabala é centrado em alguma escritura em particular ou em toda a Torá?

Como já dissemos, o principal livro de Cabala é o Zohar, escrito por Rabi Shimon Bar Yohai há 2 mil anos, decifrando os segredos e códigos da Torá. O Zohar foi escrito originalmente em aramaico, e o fundador do Centro de Cabala, Rabi Yehuda Ashlag, traduziu o Zohar por completo para hebraico moderno. Pela primeira vez, está sendo disponibilizada uma tradução completa do Zohar para o inglês. Em português ainda não existe uma versão do Zohar. Mas o primeiro livro de Cabala é ainda anterior à própria Torá. É o Livro da Formação — Sefer Yetzirá — de autoria do Patriarca Abraão. Em forma de código, este livro contém todos os segredos do universo e da Criação. Entre outras coisas, fala de astrologia e do poder energético das letras hebraicas.

O Zohar vai de acordo com a Torá e segue todo o Antigo Testamento, explicando o verdadeiro sentido de cada passagem. Mais tarde, há 500 anos, veio o Rabi Isaac Luria, o Ari, que trouxe uma metodologia mais compreensível para os ensinamentos do Zohar. Seus ensinamentos foram passados para a forma escrita por seu principal aluno, Rabi Chaim Vital, e pelo filho deste, Rabi Shmuel Vital, e se chama Kitvei Ari, os Escritos do Ari.

No século XX, o grande cabalista Rabi Yehuda Ashlag trouxe os ensinamentos do Ari para uma forma ainda mais próxima de nós, pessoas leigas, no Estudo das Dez Emanações Luminosas. Rabi Ashlag, fundador do Centro de Cabala, completou também uma tradução do Zohar do original em aramaico para hebraico moderno.

A Torá é o centro de todo o ensinamento. Mas o cabalista frisa o fato de que a Torá é um código. Não pode ser lida de forma literal, pois isto oferece uma compreensão completamente equivocada e contraditória. O trabalho do cabalista é decifrar o código por trás da Torá. O Zohar enfatiza uma crença fundamental da Cabala de que é uma obrigação analisar e questionar as histórias da Bíblia. Com a instrução do Zohar, os segredos dessas histórias são revelados e sua sabedoria pode ser usada para melhorar as vidas de todos.

Como o estudo da Cabala afeta o homem moderno?

Os estudantes aprendem respostas para como vencer o jogo da vida. Utilizando as ferramentas poderosas fornecidas pelo Zohar, o homem pode controlar o caos em sua vida e atingir a plenitude duradoura. Uma vez postos em prática os ensinamentos, os estudantes passam por mudanças positivas em suas vidas.

Qual a relação entre Cabala e ciência?

O cabalista Rav Berg, atual diretor do Centro de Cabala, costuma dizer que a ciência finalmente está alcançando a Cabala. De fato, é impressionante como os últimos avanços da física e da biologia se assemelham aos antigos ensinamentos dos cabalistas. Em busca de uma teoria que unifique a Relatividade de Einstein, que funciona para sistemas macroscópicos, e a Teoria Quântica, que se aplica ao mundo subatômico, a física moderna chegou à Teoria das Supercordas (Superstrings, em inglês). Sem entrar em detalhes, de acordo com essa teoria o universo tem dez dimensões, mas no momento do Big Bang seis delas se compactaram em uma, por isso, só percebemos quatro dimensões (três espaciais e o tempo). É exatamente o que ensina a antiga Cabala. Da mesma forma, a teoria genética, junto com a ideia do DNA, já era explicada de forma bem mais profunda pelos cabalistas. O Rav Berg costuma dizer que a Cabala é a ciência do século 25.

Qual o verdadeiro significado da Árvore da Vida segundo a Cabala?

A Cabala explica que há dois universos paralelos, duas realidades existindo lado a lado. A primeira é a realidade onde o caos predomina, onde existe a lei de Murphy, que diz “tudo que pode dar errado dará errado”. É o mundo dos altos e baixos, onde hoje está tudo bem, mas há completa incerteza quanto ao amanhã. Esta realidade é codificada na Bíblia como “A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. Hoje está bem, amanhã está mal, e assim por diante. A segunda realidade é a Árvore da Vida. Neste nível da realidade, o caos não existe, a própria morte foi cancelada. É a realidade da nossa alma, da Luz plena, da plenitude total, da satisfação completa, da imortalidade. O que determina com qual das duas realidades nos conectamos é a nossa consciência.

Dentro de um entendimento mais profundo da Árvore da Vida, compreendemos que para a Luz Infinita poder se revelar num mundo finito, nos proporcionando o livre arbítrio, era preciso que existissem diferentes níveis de ocultação da Luz, desde um nível em que a Luz está totalmente revelada até o nosso nível físico, em que a Luz está oculta. Existem então dez níveis de revelação ou ocultação da Luz, que são as Dez Sefirot, formando a estrutura conhecida como a Árvore da Vida.

Segundo a Cabala, quais as funções espirituais do homem e da mulher?

A energia masculina é a energia de compartilhar. A energia feminina é a energia de receber. Tudo no universo tem essas duas forças, dar e receber, Luz e receptor. Quando um professor dá uma aula, está compartilhando com os alunos seu conhecimento. Neste caso, o professor é a Luz e os alunos são o receptor. O professor representa a energia masculina e os alunos, a energia feminina. Quando falamos, estamos revelando nosso pensamento. A fala é o receptor para o pensamento. Sem a fala o pensamento não poderia se expressar. Neste caso, o pensamento é a Luz, a energia masculina, e a fala é o receptor, a energia feminina. Tanto homem quanto mulher são formados pelas duas energias, masculina e feminina. Mas o papel do homem é mais de compartilhar e o da mulher é mais de receber e manifestar a Luz. O homem planta a semente dentro da mulher, que a alimenta e guarda, para fazer a gestação de uma nova vida. As duas energias se complementam, uma precisa da outra. A semente não se manifesta sem a Mãe-Terra. E a Terra não pode cumprir sua função de gerar vida sem a semente. Nenhuma energia é melhor ou pior, superior ou inferior que a outra, mas certamente as energias são diferentes, bem como suas funções.

Aplicação Prática

Apesar do interesse mágico não constituir o centro dos estudos cabalísticos, a utilização da Cabala na magia despertou imenso interesse nos eruditos europeus, especialmente a partir do século XV. Nessa época surgiram muitas obras sobre o tema e também inúmeros cabalistas cristãos, como Pico della Mirandola, Johan Reuchlin, João Pistorius, Cornélio Agrippa e outros.

Muitos preferiram seguir pelo caminho da Cabala prática, a partir da concepção de que as letras e números em que estão escritos os textos sagrados não são apenas signos inventados pelo homem para registrar fatos e pensamentos, mas formas que contêm o poder divino — conforme explica o historiador Kurt Seligmann em seu livro A História da Magia. Assim, a compreensão da Cabala também se firmou como uma forma de exercer as artes mágicas, reconhecendo o poder das palavras.

Segundo Seligmann, o que ocorreu é que enquanto um bom número de eruditos cristãos se dedicavam à especulação metafísica, seguindo os passos dos letrados judeus, outros se sentiram mais atraídos pela aplicação prática dos conhecimentos apresentados nos livros cabalísticos.

É provável que o relato mais fantástico de uma aplicação prática esteja representado pela história do Golem, um ser artificial que teria sido criado em alguns momentos da história a partir do conhecimento cabalístico. A ideia básica é que, assim como Deus tinha criado através da palavra, também se poderia criar um ser artificial dessa maneira. No século XII, conta-se que a seita dos Chassidim elaborou 221 combinações diferentes utilizando as letras do alfabeto e, amassando uma quantidade de barro, tornou possível a criação de um homem, desde que a combinação exata de palavras fosse pronunciada. Para desfazer a criatura, bastava pronunciar as combinações invertidas. Um dos problemas do Golem era que ele crescia muito rapidamente, assumindo proporções de um gigante. Outra aproximação da lenda afirma que ele trazia a palavra emeth (verdade) escrita na testa, e para fazer com que a criatura deixasse de existir era só apagar a primeira letra, transformando a palavra em meth (morte).

As histórias também dizem que Elias de Chelm criou um Golem no século XVI, e que o ser começou a viver quando ele escreveu o nome secreto de deus em sua testa. Outro rabino, que também teria feito um Golem, foi Judah Löw bem Bezalel, de Praga, que o destruiu quando percebeu que ele não parava de crescer.

Algumas versões da lenda afirmam que o Golem era utilizado para realizar serviços domésticos; em outras, suas funções não eram tão superficiais, e o ser andava pelo mundo realizando façanhas e ajudando o povo judeu quando este se encontrava em dificuldades. A versão mais conhecida da lenda é a escrita em forma de ficção por Gustav Meyrink (O Golem, publicado no Brasil pela Ed. Hemus), mas ele também surge na obra de vários autores de literatura fantástica, como E.T.A. Hoffmann e Villiers de l’Isle-Adam, além de algumas adaptações para o cinema. 



Rabino Shmuel Lemle



Fonte: Revista Sexto Sentido nº 22, por Gilberto Schoereder
http://www.espiritualismo.hostmach.com.br/cabala.htm
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/estrela-de-davi-magen-david-7157606/

OBSTÁCULOS OU TESTES?


Obstáculos que surgem no caminho são, muitas vezes, tratados com certo ressentimento pelos peregrinos no caminho espiritual. Mas esses testes devem ser tratados como um meio de garantir segurança. Você coloca um prego na parede para pendurar uma imagem, mas antes de pendurar a foto, você tenta sacudi-lo para verificar se ele está bem preso; quando está certo de que ele não se move mesmo quando toda sua força é usada, você tem confiança para pendurar a foto. Você deve acolher os testes porque eles lhe dão confiança e garantem elevação.


Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal