terça-feira, 14 de julho de 2020

PROGRESSO NESTE E EM OUTROS MUNDOS - REENCARNAÇÃO


O dístico "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir continuamente, tal é a lei" (Kardec) proclama um princípio e uma lei natural correlacionada. O principio é o da reencarnação, meio pelo qual nos é dado cumprir como contingência natural a lei do progresso. A reencarnação traz a ideia da preexistência e da sobrevivência da alma e só assim se pode entender a razão de ser da vida na Terra, sua transitoriedade e o sofrimento, porém reconhecendo a perfeição por destino.

Mas é ainda preciso ligar todo esse raciocínio a uma outra afirmativa de Jesus: "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse eu vo-lo teria dito...". Com as moradas outras entende-se outras humanidades e de certa forma acesso a essas outras moradas. Não estamos sós no universo.

Tem-se com isto uma compreensão bem maior da Majestade do Criador Supremo, dando-se sentido à existência, descortinando-lhe a Justiça, onde se configura a condição do mérito contrariamente à do privilégio. Por certo estaríamos indagando da parcialidade de uma justiça bem menor se justiça fosse, em que, numa única existência, selada para sempre a sorte de cada um, as almas viventes teriam diversificadas oportunidades de sofrimento ou gozo, sem poder reconstruir o próprio destino. Tão diferente da realidade explicitada pela doutrina espírita.

Progredir é preciso, é lei. Aleatoriamente pode-se ter ideias diferentes quanto ao progresso. Comporta uma visão imediatista e outra de mais amplos horizontes. Na concepção do homem comum pode ser a conquista de valores transitórios constantes dos bens terrenos, por vezes riquezas, vassalagem, conforto. E nem é condenável que melhoremos de vida e que aspiremos a tanto. Para muitos, aquisição de conhecimentos técnico-profissionais, títulos que destaquem, postos de relevo na sociedade e na política. Serão criaturas úteis quando no bom desempenho desses postos. Mas é necessário considerar também o progresso como conquista inalienável do Espírito não só quando lhe abre as portas da inteligência e da cultura mas também quanto as dos sentimentos enobrecidos. Diremos então de um progresso material, de um progresso intelectual e de um progresso moral, que não marcham nem sempre no mesmo ritmo, é bom lembrar. Pode-se ainda falar do progresso coletivo da Humanidade como um todo, das civilizações, ou isoladamente de um povo, de uma nação, de um grupo, de uma instituição, de uma causa. Há espíritos que se afeiçoam a determinadas tarefas, que se reúnem para cumpri-las, que se especializam no campo da ciência, da técnica, ou em missões de condutores de povos. São grandes almas, muitas vezes, que sacodem a inércia em que se demora a humanidade. Sem o conceito da reencarnação seriam prodígios inexplicáveis os grandes sábios, os grandes inventores, os grandes santos. São naturalmente ajudados por Espíritos Superiores empenhados por sua vez em ajudar o progresso. Executam missões ou concluem tarefas a que se afeiçoaram e em que se aperfeiçoaram. Sem esquecer aquelas almas que passam pela Terra dando o exemplo vivo da humildade, sem destaques, desconhecidas do mundo, mas por si mesmas engrandecidas.

Mas, como vimos, a reencarnação não pressupõe apenas a ideia estritamente terrena de espíritos que convivem conosco neste ou conviveram naquele tempo. Dilata-se-nos o conceito se admitirmos - e por que não? - que outras humanidades se permitem intercâmbio conosco trazendo-nos o fruto de seus avanços e trocando experiências por solidariedade ou por compromissos assumidos para o seu próprio melhoramento. Um gênio extraordinário que se antecipa de milênios à nossa ciência, como é o caso de Leonardo da Vinci, para citar apenas um, não adquiriu na Terra o conhecimento que ela não lhe poderia ter dado por não comportar. Espíritos como esse não só preexistiram com certeza mas trouxeram de outras paragens o aprendizado adquirido quem sabe em escolas superiores do espaço ou em mundos superiores.

Admitir, no entanto, que um cérebro físico, por milagres de disposição neuronial, houvesse produzido o gênio extraordinário que avança além dos estágios da ciência ou da concepção da arte, seria nada esclarecedor e nada convincente. Sem o espírito preexistente, com experiências adquiridas alhures, não se explicariam tantas conquistas que constituem eloquentes registros da História. Aqui a ideia dessa fraternidade e desse intercâmbio interplanetário é um novo aspecto engrandecedor da mensagem espírita. Nessa ordem de considerações as conquistas tecnológicas podem representar experiências trazidas a nós vindas de outras plagas, não tenhamos maiores dúvidas.

As humanidades progridem. Progridem os mundos habitados.


Alberto Souza Rocha



Fonte: do livro "Reencarnação em Foco", Casa Editora O Clarim, Matão, SP
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship) - http://www.grevkafi.org

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