domingo, 11 de janeiro de 2026

SUICÍDIO


Os Espíritos nos informam a respeito dos mecanismos de encarnação e de desencarnação. A encarnação ocorre através de processos de redução vibratória, por meio do perispírito. Este, funciona como um molde de cada célula do corpo físico, conforma-se à forma perispiritual ajustando-se cada uma perfeitamente ao modelo, lembrando uma costura feita ponto a ponto.

Allan Kardec em "A Gênese", (Cap. XI, 18) explica o mecanismo, citando o laço fluídico, expansão do perispírito que enlaça o ovo, irremediavelmente atraído, desde o instante da concepção. Desenvolvendo-se a célula original, firma-se o laço. Assim, por meio do perispírito, o Espírito se enraíza no ovo, como uma planta na célula. Quando é completo o desenvolvimento do corpo, a união é completa e então o ser nasce para a vida exterior.

No mesmo livro, item e capítulo, Allan Kardec descreve o processo de desencarnação, como segue:

"Por efeito contrário, esta união do perispírito e da matéria carnal, que se havia realizado por influência do principio vital do gérmen, quando esse princípio cessa de agir em resultado da desorganização do corpo, a união, que apenas era mantida por uma força atuante, cessa quando essa força cessa de agir; então o Espírito se solta, molécula por molécula, como um dia se uniu, e o Espírito recupera a sua liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte corpo, mas a morte do corpo que causa a partida do Espírito."

Evidentemente que Allan kardec estava se referindo a morte natural, após doença, por idade. Podemos imaginar o que ocorre quando surge a morte repentina, por meio do suicídio. Literalmente o perispírito é arrancado das "costuras feitas ponto a ponto", ou seja, célula a célula, e que ainda estão fortes e firmes. Os Espíritos nos contam sobre os suicidas na erraticidade. Muitos apresentam profundas alterações perispirituais, perdendo até a forma. Ficam irreconhecíveis, arrebentados, destroçados, vivem um martírio que parece sem fim porque, para eles, é como se o tempo não passasse.

A vida é o bem terreno a que o homem dá mais valor, conforme vemos em a questão 951 de "O Livro dos Espíritos". E, na questão 957, os Espíritos explicam que "a afinidade que persiste entre Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que assim ressente, malgrado seu, os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angustia e de horror. Esse estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.

Ha vários tipos de suicídio: o rápido e violento, o lento e o moral, dentre outros.

0 suicídio rápido ocorre por meio de um gesto tresloucado: um tiro, um veneno, lançar-se do alto de um prédio...

0 suicídio lento é alcançado pela ingestão de álcool, pelo fumo, drogas, maus pensamentos persistentes.

O suicídio moral acontece pela busca das paixões, que se tornam irresistíveis, como por exemplo, nos desvarios do sexo e das noitadas do jogo.

Tudo aquilo que abrevia a duração da vida, tudo aquilo desorganiza o corpo, que é a nossa máquina de viver, é uma forma diferente de suicídio. As dores, porém, são semelhantes porque são provocadas pelo rompimento prematuro do laço perispiritual.

É nossa obrigação zelar pelo corpo e pela vida mental sadia a fim de que a oportunidade da reencarnação seja plenamente aproveitada. Daí a necessidade dos bons hábitos físicos e de bons hábitos mentais.

Assim, vigiemos, oremos, cresçamos espiritualmente através da prática da caridade. Promoveremos, então, a nossa reforma íntima, colocando-nos a salvo dos suicídios que produzirão dores inenarráveis, amanhã e por muito tempo.


César S. dos Reis


Fonte: SEI - Serviço Espírita de Informações - 1992, nº 1283
Rio de Janeiro/ RJ
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-esp%c3%adrito-de-%c3%a1rvore-8831760/

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