O chamado, o destino que ouvimos de São Paulo, não é um chamado para encaixar momentos religiosos em nossas agendas lotadas, como se estivéssemos tomando um pedacinho de algo precioso. O chamado é para entrar plena e completamente, sem reservas, sem considerar o custo, na verdade que nos capacita para a nossa plenitude humana, em total confiança — o que significa confiar para amar e ser amado.
Novamente, devemos lembrar que não estamos falando de uma doutrina elitista. Este chamado, este destino, é alcançável para cada um de nós. Tudo o que precisamos fazer é nos comprometer com o caminho, com a prática. E a prática desta tradição — e não deixem que nada os distraia disso — é proferir a sua palavra (*) do início ao fim com fidelidade cada vez maior. Esta verdade sobre o nosso destino não só está ao nosso alcance, como é o fundamento de toda a realidade. Para alcançar essa realidade, precisamos aprender a ser simples, a aquietar-nos, a silenciar.
Esses são os elementos da oração, e orar é estar atento — atento à suprema realidade da presença de Deus, ao Seu Amor, em nossos corações. Portanto, precisamos aprender a parar de pensar em nós mesmos. Precisamos simplesmente aprender a ser, o que significa estar plenamente atentos à presença de Deus, à presença Daquele que é e que é o fundamento do nosso ser e de todo o ser. Precisamos aprender a não temer ao embarcarmos nessa jornada, ao renunciarmos a nós mesmos para encontrar o outro. Precisamos aprender a não temer nem duvidar. O Espírito está em nossos corações, o Espírito ao qual nos abrimos em meditação, o Espírito de compaixão, de gentileza, de perdão, de aceitação total, o Espírito do Amor.
Para que nossas vidas sejam plenamente humanas, precisamos encontrar o Espírito do Amor dentro de nós. Esta não é uma jornada apenas para especialistas. É uma jornada para todos viverem a vida ao máximo.
“Oro para que os olhos do vosso coração sejam iluminados, a fim de que conheçais a esperança para a qual ele vos chamou, as riquezas da glória da sua herança nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos.” Efésios 1,18-19
A meditação é o grande caminho para a confiança. Sentamos, aquietamos, recitamos nosso mantra (*) com maior convicção e entregamos nosso ser a Deus. Fazemos isso todas as manhãs e todas as noites de nossas vidas, e aprendemos a viver pela confiança, pelo Amor que nos é revelado pela fé e que nos liberta.
John Main, OSB
Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECE EM SEU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/monge-medita%c3%a7%c3%a3o-sabedoria-budismo-2891611/
Notas:
(*) CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html
(*) JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html
(*) Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação.

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