terça-feira, 22 de setembro de 2015

AÇÃO COMPLETA TRAZ INTELIGÊNCIA (A CONSCIÊNCIA DA TOTALIDADE)

Parece ser uma das coisas mais difíceis da vida viver completamente, totalmente – não fragmentadamente, mas como um ser humano total – esteja você em seu escritório ou em sua casa ou caminhando em um bosque. Só a ação completa gera inteligência: ação total é inteligência. Mas nós vivemos em fragmentos: como homem de família em oposição ao resto do mundo, como homem religioso – se a pessoa é, de fato, religiosa – tendo teorias peculiares, ideias, crenças separadas e dogmas. E a pessoa está sempre lutando para atingir um status, uma posição, prestígio, seja este status mundano ou santificado. A pessoa está sempre se esforçando, se esforçando. Não há nunca um momento em que a mente está completamente vazia e, portanto, silenciosa. E a partir do silêncio a ação acontece. Nós não somos mais originais. Somos o resultado, como temos afirmado vezes e vezes, de nossos ambientes, circunstâncias, da cultura, da tradição em que vivemos, e aceitamos isso. E mudar sempre exige uma grande energia. (Collected Works, Vol. XVII, 119, Action)

Quando a pessoa fica cônscia no nível consciente, também começa a descobrir a inveja, as lutas, os desejos, os motivos, as angústias que se encontram nos níveis mais profundos da consciência. Quando a mente está na intenção de descobrir todo o processo de si mesma, então cada incidente, cada reação se torna um meio de descobrir, de conhecer a si mesmo. Isso requer paciente vigilância – que não é a vigilância de uma mente que está constantemente lutando, que está aprendendo como ser vigilante. Então você verá que as horas de sono são tão importantes quando as horas acordado, porque a vida é então um processo total. Enquanto você não conhecer a si mesmo, o medo continuará e todas as ilusões que o ego cria vão florescer. O autoconhecimento, assim, não é um processo para ser lido ou para se especular a respeito, ele tem que ser descoberto por cada um de momento a momento, de modo que a mente se torne extraordinariamente alerta. Nesse estado de alerta existe certa quietude, uma conscientização passiva em que não há desejo de ser ou não ser, e em que existe um surpreendente sentido de liberdade. Pode ser apenas por um minuto, um segundo – é suficiente. Essa liberdade não está na memória; ela é uma coisa viva, mas a mente, tendo provado, a reduz a memória e então quer mais daquilo. Estar consciente da totalidade deste processo só é possível por meio do autoconhecimento, e o autoconhecimento surge de momento a momento quando olhamos nosso discurso, nossos gestos, o modo como falamos, e os motivos ocultos que são de repente revelados. Só então é possível libertar-se do medo. Enquanto houver medo, não existe amor. O medo obscurece nosso ser e esse medo não pode ser afastado por nenhuma oração, por nenhum ideal ou atividade. A causa do medo é o “eu”, o “eu” que é tão complexo em seus desejos, anseios, buscas. A mente tem que compreender todo esse processo, e a compreensão dele só chega quando há vigilância sem escolha. (Collected Works, Vol. VII, 327, Choiceless Awareness)





J. Krishnamurti






Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura:
http://www.taringa.net/posts/ciencia-educacion/16865761/Jiddu-Krishnamurti.html
http://fightlosofia.com/krishnamurti-en-imagenes-krishnamurti-in-pictures/

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